Seguir o blog

sexta-feira, 21 de abril de 2017

VIVA TIRADENTES!


Eu e muita gente crescemos ouvindo na escola que Tiradentes foi um herói.
Eu e muita gente crescemos ouvindo na escola que Joaquim Silvério dos Reis, um português, foi o cara que delatou Tiradentes e seus amigos que sonhavam construir um país livre, sem o jugo da Coroa portuguesa.
Aprendemos um monte de coisas legais na escola sobre o Brasil de tempos remotos, mas no correr dessa aprendizagem nos foram impostas muitas inverdades e equívocos. Primeiro: Não foi somente Joaquim Silvério dos Reis o delator da Inconfidência Mineira. Além dele, delataram Tiradentes e seus companheiros, o coronel e fazendeiro Basílio de Brito Malheiros do Lago e o também fazendeiro e capitão do mato, Ignácio Correia Pamplona, portugueses.
Você sabia que Tiradentes, de batismo Joaquim José da Silva Xavier, nunca usou barba? Pois é, Tiradentes jamais usou barba por uma razão muito simples: aos militares não era permitido o uso de barba; e Tiradentes era um militar no posto de alferes. Alferes era um posto equivalente, digamos, a um 2º tenente.
Silvério dos Reis foi, na história, o primeiro alcagueta a sair-se bem com o que hoje convencionou-se chamar "delação premiada". Pois é, e tinha 33 anos de idade quando fez isso. Detalhe: depois de trair a causa de Tiradentes,  Reis passou a ter uma vida infernizada pelo povo, chegou a sofrer um atentado no Rio de Janeiro. Morreu lascado no Maranhão em 1819. Bem feito!! Seus companheiros de delação, também se lascaram e sequer receberam benesses da Coroa pelo ato praticado.
Tiradentes e seus companheiros, entre os quais o poeta Tomás Antonio Gonzaga, foram presos e condenados. Tiradentes foi o único a sofrer a pena máxima, depois de 3 anos de prisão. Ele foi levado ao carrasco sem barba e careca. Portanto, a imagem de Tiradentes cabeludo e barbudo é falsa. Detalhe: depois de enforcado e esquartejado, a sua cabeça desapareceu...
O dia 21 de Abril como feriado nacional foi instituído em 1901.
O dia de inauguração de Brasília, 21 de abril, não foi uma escolha aleatória. Foi uma escolha feita, a dedo, pelo Presidente Juscelino Kubistcheck para homenagear o primeiro grande herói do Brasil.
Há muitas músicas compostas em alusão ao gesto heroico de Tiradentes e há muitas ruas, praças e avenidas espalhadas Brasil afora com o seu nome. Uma curiosidade a lamentar é que no município paulista de Caieiras existe uma rua com o nome de Joaquim Silvério dos Reis, você sabia?
A poeta Cecília Meireles escreveu maravilhas a respeito de Tiradentes. Leia:


Poema de Cecilia Meireles
TODA VEZ QUE UM JUSTO GRITA
UM CARRASCO O VEM CALAR
QUEM NÃO PRESTA FICA VIVO
QUEM É BOM, MANDAM MATAR
QUEM NÃO PRESTA FICA VIVO
QUEM É BOM, MANDAM MATAR
FOI TRABALHAR PARA TODOS
E VEDE O QUE LHE ACONTECE
DAQUELES A QUEM SERVIA
JÁ NENHUM MAIS O CONHECE
QUANDO A DESGRAÇA É PROFUNDA
QUE AMIGO SE COMPADECE?
FOI TRABALHAR PARA TODOS
MAS, POR ELE, QUEM TRABALHA?
TOMBADO FICA SEU CORPO
NESSA ESQUISITA BATALHA
SUAS AÇÕES E SEU NOME
POR ONDE A GLÓRIA OS ESPALHA?
POR AQUI PASSAVA UM HOMEM
(E COMO O POVO SE RIA!)
QUE REFORMAVA ESTE MUNDO
DE CIMA DA MONTARIA
POR AQUI PASSAVA UM HOMEM
(E COMO O POVO SE RIA!)
ELE NA FRENTE FALAVA
E ATRÁS A SORTE CORRIA
POR AQUI PASSAVA UM HOMEM
(E COMO O POVO SE RIA!)
LIBERDADE AINDA QUE TARDE
NOS PROMETIA


quinta-feira, 20 de abril de 2017

DE CUÍCA DE SANTO AMARO A SAUDADE DO FUTURO

Os amantes da sétima arte que vivem em São Paulo, Rio, Brasília e Campinas não podem  reclamar, pois são mais de cem os filmes que estão sendo exibidos na nova edição do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade. São filmes, muitos deles, exibidos em primeira mão ou avant prèmiére, como diria o intelectual de formação francesa Peter Alouche. Entre os filmes nacionais há curtas médias e longas metragens, como Cuíca de Santo Amaro e mais dois que contam a história da Violeira Helena Meireles e do compositor maranhense João do Vale (1934-1996).
Eu conheci de perto Helena Meireles e João do Vale. Cheguei a fazer um trabalho com Helena, a pedido do amigo Kid Vinil, que está internado desde ontem num hospital da capital paulista. João do Vale era uma figura incrível, uma artista muito inspirado.
O que há em comum entre Cuíca, de batismo José Gomes, Helena e João?
Em comum entre esses três artistas, o talento. Além do talento, o fato de não terem frequentado bancos escolares. João conta isso na bela composição Minha História. Ouça:


 Helena, que nasceu em 1924 e morreu em 2005, trabalhou durante muito tempo nos cabarés da vida.Sofreu muito e jamais escondeu seu passado pobre e triste. Antes de gravar seus únicos quatro cedês no estúdio da extinta gravadora Eldorado, ela recebeu o aval de qualidade de uma revista de rock norte americana. Pois é.


Cuíca nasceu na cidade de Salvador, BA, em 1907. Ficou conhecido como Cuíca de Santo Amaro pelo fato de gostar muito da cidade de Santo Amaro da Purificação, berço de Manuel Pedro dos Santos. Manuel entrou para a história da música popular brasileira como o primeiro cantor profissional. Mas essa é outra história.
Cuíca fez de tudo e mais um pouco na vida. Foi até cobrador de ônibus, mas destacou-se na Bahia como cordelista e grande provocador. Ele era um cara sem papas na língua. Tirava sarro de tudo e de todos e adorava encher o saco dos poderosos de plantão. Era também um desbocado e não escolhia a hora prá soltar palavrões. Mas era muito engraçado, e dele o povo todo gostava por suas ironias e tiradas cômicas. Nos trajes era parecido com o cantador paraibano Zé Limeira, chamado de O Poeta do Absurdo. Cuíca, como Limeira usava óculos escuros e vestimenta multicor. Cuíca morreu em 1964, dois meses antes do golpe militar.


O festival de Cinema É Tudo Verdade foi criado há uns 20 anos pelo crítico Amir Labaki. Através do filme Saudade do Futuro, de Cesar Paes e Marie Clémence, participei desse festival. O filme, de produção franco-brasileira foi baseado num livro meu, A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo. Detalhe: esse filme, que nunca foi lançado comercialmente no Brasil, pode ser solicitado pela Laterit Production, clique: www.laterit-productions.com.


CEM ANOS DO PROFETA GENTILEZA

Todo dia é dia de tratar bem todo mundo.A propósito, você já deu boa noite a alguém hoje? E um abraço? E um beijo? Não vá dormir sem fazer isso.
Todo dia é dia de fazer o bem, sem olhar a quem, diz o dito popular.
Amanhã e todos os dias não se esqueça: dê bom dia, dê boa tarde, dê boa noite aos amigos, amigas, marido, mulher e até a quem, por uma razão qualquer não lhe fez bem.
Cumprimentar as pessoas, nos faz bem.
Vale, também, perguntar:
Como vai, vai bem?

Ouvi muitas vezes o palhaço Arrelia brincar com crianças e adultos, assim: Tudo bem, tudo bem bem bem?


Você, meu amigo, minha amiga, já ouviu falar do Profeta Gentileza?
Gentileza foi o apelido carinhoso que os cariocas deram ao paulista de Cafelândia José Datrino. Foi um cara legal. Ele nasceu em 11 de abril de 1917 e partiu para a eternidade em 29 de maio de 1996, portanto há cem anos. E só fez bem a todo mundo. Fez bem e pregou o bem sem olhar a quem.

Gentileza só fez o bem. e fazer o bem faz bem.
É isso, um beijo e um abraço a todos que me dão a honra de me ler.
Ah! O Gonzaguinha e a Marisa Monte fizeram músicas bem legais sobre esse personagem que habitou a realidade brasileira, ouça:





quarta-feira, 19 de abril de 2017

DIA DO ÍNDIO E DE TODOS NÓS, BRASILEIROS

Hoje é dia de Índio. Todo dia é dia de Índio, todo dia é dia de gente, de brasileiros.
O território brasileiro é o quinto maior do mundo. Sua extensão fica perto dos 9 milhões de km².
Se pensarmos bem, duzentos e poucos milhões de habitantes são poucos para instalarem-se em tanta terra.
O Brasil é o Brasil, terra de gente. Tem gente safada, mas essa gente é minoria e outra história.
Cerca de 900.000 índios ocupam, hoje, o território que sempre foi seu.
São quase 900.000 índios de 305 etnias, falando 274 línguas.
A maior parte dos quase 900.000 índios brasileiros está nas regiões Norte e Nordeste.
O branco, nós, tumultuamos a vida do índio e o escravizamos, não é mesmo?
A história começa com a chegada dos portugueses...
Ouço no rádio notícia dando conta de que a Odebrecht deu propina a índios de Roraima.
No Acre, estrangeiros vetam a entrada de brasileiros em terras indígenas.
Meu Deus, que país é este o nosso?


VIVA CEZAR DO ACORDEON!

Cezar do Acordeon, de batismo Abianto, é cearense e amigo meu há muito tempo. Ele gosta do que é bom, e eu também. Ele ficou cego dos olhos, e eu também. No mais, a vida segue.
Ontem à noite eu e Cezar conversamos durante sei lá quanto tempo! E conversa vai, conversa vem, falamos de Oswaldinho do Acordeon (acima, comigo e Cezar), Luiz Gonzaga, Sivuca e outro grandes sanfoneiros.
Sobre o mineiro Antenógenes Silva, primeiro grande afinador de sanfona do Rei do Baião, lembrei de uma entrevista que fiz com ele no tempo em que eu apresentava o programa Gente e Coisas do Nordeste, pela extinta Rádio Atual. Na ocasião, Antenógenes revelou-me ter sido o único sulamericano a acompanhar musicalmente num palco o criador do tango, Carlos Gardel. Aliás, tenho essa entrevista gravada e guardada no acervo do Instituto Memória Brasil até hoje.
Cezar Abianto, famoso Brasil afora como Cezar do Acordeon, lembrou-me do momento em que viu pela primeira vez o rei do baião, Luiz Gonzaga. Foi durante a gravação de um jingle na capital paulista.
E conversa vai, conversa vem, Cezar, puxou da sanfona e danou-se a tocar uma valsa maravilhosa, ainda sem título e inédita. Uma valsa-choro, que aqui e acolá remeteu-me ao mestre Antenógenes Silva.
Você sabia, meu amigo, minha amiga, que a primeira música que traz como título o nome de um bairro de São Paulo é uma Valsa-Choro? Pois bem, essa música é Rapaziada do Brás de ASçlberto Marino, que em 1960 receberia a letra do filho Alberto Marino Jr.

Pois bem, a conversa com Cezar gerou-se a partir da expulsão dos integrantes do Clube do Choro do Teatro Artur Azevedo, na Mooca, pelo senhor secretário Não Sei das Quantas, da Cultura do Município de São Paulo, ocorrida na semana que passou.
Cezar do Acordeon é um músico incrível. Era o sanfoneiro preferido da rainha do baião, Carmélia Alves. Confira:


segunda-feira, 17 de abril de 2017

É DE FAZER CHORAR...

Os anos de 1980 foram anos de eferverscência para o chorinho brasileiro. Sem sede sem nada, mas com muito talento o Clube do Choro de São Paulo marcou época na Rua do Choro, em Pinheiros. Andei por lá, brinquei por lá e curti o choro dos chorões, como Carlos Poyares (1928-2004).
O tempo passou e passamos à chorar a falta do choro no sempre agitado bairro paulistano de Pinheiros. Esse clube, anos depois, passaria a ter, digamos, uma sede no Teatro Municipal Arthur de Azevedo, ali na Mooca, zola Leste da capital paulista.
Pois bem, por ordens do atual prefeito, Dória, o atual secretário, que não sei quem é, acaba de pôr no olho da rua o Clube do Choro.
O Clube do Choro egresso de Pinheiros passou a ocupar o Arthur de Azevedo a partir de agosto de 2015, reunindo cerca de 300 chorões e milhares e milhares de admiradores frequentadores do teatro.   E agora, pimba! Tudo foi pro espaço; o espaço etéreo...A desculpa, oficialmente, é falta de grana. Eu duvi-de-o-dó.
O Teatro Municipal Arthur de Azevedo, ali na Mooca é um teatro maravilhoso. Maravilhoso como o jornalista, poeta e teatrólogo maranhense de São Luís que lhe empresta o nome.
Arthur de Azevedo nasceu em 1855 e morreu menos de um mês depois de Joaquim Maria Machado de Assis, o autor famoso de O Alienista.
Nada na vida passou despercebido de Azevedo. Ele deixou milhares de textos publicados em jornais e revistas da sua época, além de uma gorda produção que se acha até hoje em livro. Chegou até a enveredar pelos caminhos da opereta. É dele, por exemplo, a adaptação do folheto A donzela Teodora.
Eu gostaria de saber o que acha o prefeito a respeito de cultura popular. A propósito, essa questão me leva além do choro, leva-me ao frevo e também à querida Carmélia Alves (1923-2012). Clique:



BOM DIA, BOA TARDE..COMO VAI

Não sei estou certo ou errado, mas acho que estamos involuindo em ritmo relâmpago. E involução é coisa que, grosso modo, não faz bem. 
Em 1939, o jovem russo Isaac Asimov (1920-1992) não gostava das histórias que lia. Eram histórias de ficção científica, vejam só! Mas eram histórias grosseiras, com personagens grosseiros, violentos, em que robôs matavam gente, brigavam com gente, queriam ser mais do que gente. Um horror, achava Asimov.
O russo de quem falo tinha 19 anos de idade e por isso, por não gostar do que lia, começou a criar as histórias que gostava de ler. Seu primeiro conto: Eu, Robot.
Foi por esse tempo, com 19 anos, que Asimov começou a encantar, a conquistar, seus primeiros leitores; leitores que se multiplicaram rapidamente. leitores do mundo todo. Logo teria Asimov a sua disposição.
As histórias do russo Asimov tinham como personagens máquinas, robôs, atuando lado a lado com humanos, de modo civilizado, se é que podemos dizer assim.
Os robôs estão aí , bem perto de nós, se misturando entre nós.
Não faz tempo, ouvi no rádio e na tevê, notícia de um robô que atacara uma cientista no próprio laboratório. Nos EUA, acho. O robô partiu prá cima dela com ímpetos de quem parte para a violência sexual. Incrível, mas a notícia dizia-se verdadeira.
Os robôs estão aí...
Não está na hora de nos humanizarmos?
Nós, humanos, estamos perdendo a sensibilidade e esquecendo de dizer |bom dia, boa tarde, boa noite, como vai? Vai bem? E raramente dizemos com licença, por favor, obrigado...
Estamos perdendo a capacidade de nos cumprimentar. De dizermos uns aos outros o quanto nos gostamos, seja homem, seja mulher...
Temos que repensar a própria vida.
Precisamos de nos aproximar uns dos outros, apertar a mão, prestar um favor...
Deste lado do mundo talvez não dê para medirmos a desgraceira em que se acha o planeta, com guerras etc.
Não faz tempo ouvi o Papa Francisco dizer que é preciso que se globalize não a individualidade, mas a solidariedade entre todos nós.
Viva a vida!



 

sábado, 15 de abril de 2017

A PAIXÃO SEGUNDO VANDRÉ

Uma vez conversando com o cantador Elomar, menestrel das bandas da Bahia, ouvi dele sua  paixão, respeito e admiração por Bach. Prá Elomar, Bach foi de todos o maior compositor da música erudita do mundo todo, em todos os tempos. "Tudo que o Bach compôs foi para Deus e em nome de Deus".
São muitos os autores eruditos que desenvolveram sua temática em nome da Igreja, em nome de Deus. Händel, de quem falamos no texto recente foi um grande destaque entre esses compositores.
Haydn dizem ter dito que Händel era o pai de todos os compositores.
A Alemanha e a Itália são, historicamente, países pródigos de grandes autores musicais.
O Brasil é historicamente o país berço de compositores populares, como Ary Barroso e Pixinguinha.
Claro, o Brasil deu Carlos Gomes e mais uma dúzia de bons compositores da linha erudita.
Em 1968, o cantor e compositor popular paraibano Geraldo Vandré compôs Paixão Segundo Cristino, estimulado pelos frades beneditinos de São Paulo. É uma peça bonita, provocativa, reflexiva...E aqui repito:
todo o tempo é tempo para a reflexão.
Vandré, autor da moda de viola Disparada, e da Guarânia Prá Não Dizer Que Não Falei de Flores, jamais gravou Paixão Segundo Cristino. Mas houve quem a gravasse. Clique:



A ATUALIDADE EM MACHADO DE ASSIS


Quem leu Os Miseráveis (assista o filme completo acima) sabe o quão importante foi o seu autor, Victor Hugo, para a França e para o resto do mundo, por que não dizer?
Hugo foi um humanista completo. Um ser humano que procurava dar o melhor de si e da sua compreensão de mundo, para o mundo.
Ler Victor Hugo é uma necessidade, em qualquer tempo.
Dom Pedro II queo diga. Aliás não pode dizer...O imperador brasileiro conheceu o escritor francês em Paris, quando lá esteve, convidou o autor de Os Miseráveis para uma conversa no Hotel onde estava hospedado. Como a montanha não foi à Maomé, Maomé foi à montanha, isto é: o imperador foi à casa do convidado, mas essa é outra história.
Dom Pedro II aprendeu muito com ele, é certo.

Nestes tempos bicudos de tantos Judas espalhados por aí, não custa refletirmos sobre a atualidade. Principalmente a atualidade brasileira. "A ocasião não faz o ladrão, faz o roubo. O ladrão já nasce feito". A  pensar, não é? A frase é do carioca Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908).
Machado era pobre, mulato, epilético, agnóstico e um chato para alguns da sua época. Era uma antena sensibilíssima e dono de um estilo literário inconfundível até hoje.
Poeta, romancista, jornalista e analista político. Como profissional da imprensa publicava seus textos críticos à política então desenvolvida nos jornais cariocas.
Em 1884, Machado de Assis escreveu uma história, ainda atualíssima. Infelizmente. Nessa história, de poucas páginas, o Demo tenta provocar um embate com Deus mas não consegue e mais não conto, qualquer semelhança com o que hoje vivemos é mera coincidência, confiram lendo o conto:


A IGREJA DO DIABO


. Capítulo I

De uma idéia mirífica Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a idéia de fundar uma igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos. Nada fixo, nada regular. Por que não teria ele a sua igreja? Uma igreja do Diabo era o meio eficaz de combater as outras religiões, e destruí-las de uma vez. — Vá, pois, uma igreja, concluiu ele. Escritura contra Escritura, breviário contra breviário. Terei a minha missa, com vinho e pão à farta, as minhas prédicas, bulas, novenas e todo o demais aparelho eclesiástico. O meu credo será o núcleo universal dos espíritos, a minha igreja uma tenda de Abraão. E depois, enquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha igreja será única; não acharei diante de mim, nem Maomé, nem Lutero. Há muitos modos de afirmar; há só um de negar tudo. Dizendo isto, o Diabo sacudiu a cabeça e estendeu os braços, com um gesto magnífico e varonil. Em seguida, lembrou-se de ir ter com Deus para comunicar-lhe a idéia, e desafiá-lo; levantou os olhos, acesos de ódio, ásperos de vingança, e disse consigo: — Vamos, é tempo. E rápido, batendo as asas, com tal estrondo que abalou todas as províncias do abismo, arrancou da sombra para o infinito azul

. Capítulo II

 Entre Deus e o Diabo Deus recolhia um ancião, quando o Diabo chegou ao céu. Os serafins que engrinaldavam o recém-chegado, detiveram-se logo, e o Diabo deixou-se estar à entrada com os olhos no Senhor. — Que me queres tu? perguntou este. — Não venho pelo vosso servo Fausto, respondeu o Diabo rindo, mas por todos os Faustos do século e dos séculos. — Explica-te. — Senhor, a explicação é fácil; mas permiti que vos diga: recolhei primeiro esse bom velho; dai-lhe o melhor lugar, mandai que as mais afinadas cítaras e alaúdes o recebam com os mais divinos coros... — Sabes o que ele fez? perguntou o Senhor, com os olhos cheios de doçura. — Não, mas provavelmente é dos últimos que virão ter convosco. Não tarda muito que o céu fique semelhante a uma casa vazia, por causa do preço, que é alto. Vou edificar uma hospedaria barata; em duas palavras, vou fundar uma igreja. Estou cansado da minha desorganização, do meu reinado casual e adventício. É tempo de obter a vitória final e completa. E então vim dizer-vos isto, com lealdade, para que me não acuseis de dissimulação... Boa idéia, não vos parece? — Vieste dizê-la, não legitimá-la, advertiu o Senhor. — Tendes razão, acudiu o Diabo; mas o amor-próprio gosta de ouvir o aplauso dos mestres. Verdade é que neste caso seria o aplauso de um mestre vencido, e uma tal exigência... Senhor, desço à terra; vou lançar a minha pedra fundamental. — Vai. — Quereis que venha anunciar-vos o remate da obra? — Não é preciso; basta que me digas desde já por que motivo, cansado há tanto da tua desorganização, só agora pensaste em fundar uma igreja. O Diabo sorriu com certo ar de escárnio e triunfo. Tinha alguma idéia cruel no espírito, algum reparo picante no alforje de memória, qualquer coisa que, nesse breve instante de eternidade, o fazia crer superior ao próprio Deus. Mas recolheu o riso, e disse: — Só agora concluí uma observação, começada desde alguns séculos, e é que as virtudes, filhas do céu, são em grande número comparáveis a rainhas, cujo manto de veludo rematasse em franjas de algodão. Ora, eu proponho-me a puxá-las por essa franja, e trazê- las todas para minha igreja; atrás delas virão as de seda pura... — Velho retórico! murmurou o Senhor. — Olhai bem. Muitos corpos que ajoelham aos vossos pés, nos templos do mundo, trazem as anquinhas da sala e da rua, os rostos tingem-se do mesmo pó, os lenços cheiram aos mesmos cheiros, as pupilas centelham de curiosidade e devoção entre o livro santo e o bigode do pecado. Vede o ardor, — a indiferença, ao menos, — com que esse cavalheiro põe em letras públicas os benefícios que liberalmente espalha, — ou sejam roupas ou botas, ou moedas, ou quaisquer dessas matérias necessárias à vida... Mas não quero parecer que me detenho em coisas miúdas; não falo, por exemplo, da placidez com que este juiz de irmandade, nas procissões, carrega piedosamente ao peito o vosso amor e uma comenda... Vou a negócios mais altos... Nisto os serafins agitaram as asas pesadas de fastio e sono. Miguel e Gabriel fitaram no Senhor um olhar de súplica. Deus interrompeu o Diabo. — Tu és vulgar, que é o pior que pode acontecer a um espírito da tua espécie, replicou-lhe o Senhor. Tudo o que dizes ou digas está dito e redito pelos moralistas do mundo. É assunto gasto; e se não tens força, nem originalidade para renovar um assunto gasto, melhor é que te cales e te retires. Olha; todas as minhas legiões mostram no rosto os sinais vivos do tédio que lhes dás. Esse mesmo ancião parece enjoado; e sabes tu o que ele fez? — Já vos disse que não. — Depois de uma vida honesta, teve uma morte sublime. Colhido em um naufrágio, ia salvar-se numa tábua; mas viu um casal de noivos, na flor da vida, que se debatiam já com a morte; deu-lhes a tábua de salvação e mergulhou na eternidade. Nenhum público: a água e o céu por cima. Onde achas aí a franja de algodão? — Senhor, eu sou, como sabeis, o espírito que nega. — Negas esta morte? — Nego tudo. A misantropia pode tomar aspecto de caridade; deixar a vida aos outros, para um misantropo, é realmente aborrecê-los... — Retórico e sutil! exclamou o Senhor. Vai, vai, funda a tua igreja; chama todas as virtudes, recolhe todas as franjas, convoca todos os homens... Mas, vai! vai! Debalde o Diabo tentou proferir alguma coisa mais. Deus impusera-lhe silêncio; os serafins, a um sinal divino, encheram o céu com as harmonias de seus cânticos. O Diabo sentiu, de repente, que se achava no ar; dobrou as asas, e, como um raio, caiu na terra.

. Capítulo III

A boa nova aos homens Uma vez na terra, o Diabo não perdeu um minuto. Deu-se pressa em enfiar a cogula beneditina, como hábito de boa fama, e entrou a espalhar uma doutrina nova e extraordinária, com uma voz que reboava nas entranhas do século. Ele prometia aos seus discípulos e fiéis as delícias da terra, todas as glórias, os deleites mais íntimos. Confessava que era o Diabo; mas confessava-o para retificar a noção que os homens tinham dele e desmentir as histórias que a seu respeito contavam as velhas beatas. — Sim, sou o Diabo, repetia ele; não o Diabo das noites sulfúreas, dos contos soníferos, terror das crianças, mas o Diabo verdadeiro e único, o próprio gênio da natureza, a que se deu aquele nome para arredá-lo do coração dos homens. Vede-me gentil e airoso. Sou o vosso verdadeiro pai. Vamos lá: tomai daquele nome, inventado para meu desdouro, fazei dele um troféu e um lábaro, e eu vos darei tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo... Era assim que falava, a princípio, para excitar o entusiasmo, espertar os indiferentes, congregar, em suma, as multidões ao pé de si. E elas vieram; e logo que vieram, o Diabo passou a definir a doutrina. A doutrina era a que podia ser na boca de um espírito de negação. Isso quanto à substância, porque, acerca da forma, era umas vezes sutil, outras cínica e deslavada. Clamava ele que as virtudes aceitas deviam ser substituídas por outras, que eram as naturais e legítimas. A soberba, a luxúria, a preguiça foram reabilitadas, e assim também a avareza, que declarou não ser mais do que a mãe da economia, com a diferença que a mãe era robusta, e a filha uma esgalgada. A ira tinha a melhor defesa na existência de Homero; sem o furor de Aquiles, não haveria a Ilíada: "Musa, canta a cólera de Aquiles, filho de Peleu..." O mesmo disse da gula, que produziu as melhores páginas de Rabelais, e muitos bons versos de Hissope; virtude tão superior, que ninguém se lembra das batalhas de Luculo, mas das suas ceias; foi a gula que realmente o fez imortal. Mas, ainda pondo de lado essas razões de ordem literária ou histórica, para só mostrar o valor intrínseco daquela virtude, quem negaria que era muito melhor sentir na boca e no ventre os bons manjares, em grande cópia, do que os maus bocados, ou a saliva do jejum? Pela sua parte o Diabo prometia substituir a vinha do Senhor, expressão metafórica, pela vinha do Diabo, locução direta e verdadeira, pois não faltaria nunca aos seus com o fruto das mais belas cepas do mundo. Quanto à inveja, pregou friamente que era a virtude principal, origem de propriedades infinitas; virtude preciosa, que chegava a suprir todas as outras, e ao próprio talento. As turbas corriam atrás dele entusiasmadas. O Diabo incutia-lhes, a grandes golpes de eloqüência, toda a nova ordem de coisas, trocando a noção delas, fazendo amar as perversas e detestar as sãs. Nada mais curioso, por exemplo, do que a definição que ele dava da fraude. Chamava-lhe o braço esquerdo do homem; o braço direito era a força; e concluía: Muitos homens são canhotos, eis tudo. Ora, ele não exigia que todos fossem canhotos; não era exclusivista. Que uns fossem canhotos, outros destros; aceitava a todos, menos os que não fossem nada. A demonstração, porém, mais rigorosa e profunda, foi a da venalidade. Um casuísta do tempo chegou a confessar que era um monumento de lógica. A venalidade, disse o Diabo, era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se tu podes vender a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por uma razão jurídica e legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais do que tuas, porque são a tua própria consciência, isto é, tu mesmo? Negá-lo é cair no absurdo e no contraditório. Pois não há mulheres que vendem os cabelos? não pode um homem vender uma parte do seu sangue para transfundi-lo a outro homem anêmico? e o sangue e os cabelos, partes físicas, terão um privilégio que se nega ao caráter, à porção moral do homem? Demonstrado assim o princípio, o Diabo não se demorou em expor as vantagens de ordem temporal ou pecuniária; depois, mostrou ainda que, à vista do preconceito social, conviria dissimular o exercício de um direito tão legítimo, o que era exercer ao mesmo tempo a venalidade e a hipocrisia, isto é, merecer duplicadamente. E descia, e subia, examinava tudo, retificava tudo. Está claro que combateu o perdão das injúrias e outras máximas de brandura e cordialidade. Não proibiu formalmente a calúnia gratuita, mas induziu a exercê-la mediante retribuição, ou pecuniária, ou de outra espécie; nos casos, porém, em que ela fosse uma expansão imperiosa da força imaginativa, e nada mais, proibia receber nenhum salário, pois equivalia a fazer pagar a transpiração. Todas as formas de respeito foram condenadas por ele, como elementos possíveis de um certo decoro social e pessoal; salva, todavia, a única exceção do interesse. Mas essa mesma exceção foi logo eliminada, pela consideração de que o interesse, convertendo o respeito em simples adulação, era este o sentimento aplicado e não aquele. Para rematar a obra, entendeu o Diabo que lhe cumpria cortar por toda a solidariedade humana. Com efeito, o amor do próximo era um obstáculo grave à nova instituição. Ele mostrou que essa regra era uma simples invenção de parasitas e negociantes insolváveis; não se devia dar ao próximo senão indiferença; em alguns casos, ódio ou desprezo. Chegou mesmo à demonstração de que a noção de próximo era errada, e citava esta frase de um padre de Nápoles, aquele fino e letrado Galiani, que escrevia a uma das marquesas do antigo regime: "Leve a breca o próximo! Não há próximo!" A única hipótese em que ele permitia amar ao próximo era quando se tratasse de amar as damas alheias, porque essa espécie de amor tinha a particularidade de não ser outra coisa mais do que o amor do indivíduo a si mesmo. E como alguns discípulos achassem que uma tal explicação, por metafísica, escapava à compreensão das turbas, o Diabo recorreu a um apólogo: — Cem pessoas tomam ações de um banco, para as operações comuns; mas cada acionista não cuida realmente senão nos seus dividendos: é o que acontece aos adúlteros. Este apólogo foi incluído no livro da sabedoria.

.  Capítulo IV

Franjas e franjas A previsão do Diabo verificou-se. Todas as virtudes cuja capa de veludo acabava em franja de algodão, uma vez puxadas pela franja, deitavam a capa às urtigas e vinham alistar-se na igreja nova. Atrás foram chegando as outras, e o tempo abençoou a instituição. A igreja fundara-se; a doutrina propagava-se; não havia uma região do globo que não a conhecesse, uma língua que não a traduzisse, uma raça que não a amasse. O Diabo alçou brados de triunfo. Um dia, porém, longos anos depois notou o Diabo que muitos dos seus fiéis, às escondidas, praticavam as antigas virtudes. Não as praticavam todas, nem integralmente, mas algumas, por partes, e, como digo, às ocultas. Certos glutões recolhiam-se a comer frugalmente três ou quatro vezes por ano, justamente em dias de preceito católico; muitos avaros davam esmolas, à noite, ou nas ruas mal povoadas; vários dilapidadores do erário restituíam-lhe pequenas quantias; os fraudulentos falavam, uma ou outra vez, com o coração nas mãos, mas com o mesmo rosto dissimulado, para fazer crer que estavam embaçando os outros. A descoberta assombrou o Diabo. Meteu-se a conhecer mais diretamente o mal, e viu que lavrava muito. Alguns casos eram até incompreensíveis, como o de um droguista do Levante, que envenenara longamente uma geração inteira, e, com o produto das drogas, socorria os filhos das vítimas. No Cairo achou um perfeito ladrão de camelos, que tapava a cara para ir às mesquitas. O Diabo deu com ele à entrada de uma, lançou-lhe em rosto o procedimento; ele negou, dizendo que ia ali roubar o camelo de um drogomano; roubou-o, com efeito, à vista do Diabo e foi dá-lo de presente a um muezim, que rezou por ele a Alá. O manuscrito beneditino cita muitas outras descobertas extraordinárias, entre elas esta, que desorientou completamente o Diabo. Um dos seus melhores apóstolos era um calabrês, varão de cinqüenta anos, insigne falsificador de documentos, que possuía uma bela casa na campanha romana, telas, estátuas, biblioteca, etc. Era a fraude em pessoa; chegava a meterse na cama para não confessar que estava são. Pois esse homem, não só não furtava ao jogo, como ainda dava gratificações aos criados. Tendo angariado a amizade de um cônego, ia todas as semanas confessar-se com ele, numa capela solitária; e, conquanto não lhe desvendasse nenhuma das suas ações secretas, benzia-se duas vezes, ao ajoelhar-se, e ao levantar-se. O Diabo mal pôde crer tamanha aleivosia. Mas não havia que duvidar; o caso era verdadeiro. Não se deteve um instante. O pasmo não lhe deu tempo de refletir, comparar e concluir do espetáculo presente alguma coisa análoga ao passado. Voou de novo ao céu, trêmulo de raiva, ansioso de conhecer a causa secreta de tão singular fenômeno. Deus ouviu-o com infinita complacência; não o interrompeu, não o repreendeu, não triunfou, sequer, daquela agonia satânica. Pôs os olhos nele, e disse-lhe: — Que queres tu, meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda, como as de veludo tiveram franjas de algodão. Que queres tu? É a eterna contradição humana.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

ASA BRANCA VOA NA BIENAL CEARENSE



Há 70 anos o pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento, que ficaria famoso como o Rei do Baião, e o cearense Humberto Teixeira, davam forma à toada Asa Branca, de origem folclórica. Essa música correu mundo e se tornaria a mais famosa do cancioneiro popular brasileiro. Gonzaga é o compositor popular mais biografado da história da nossa música. è também o mais citado em músicas de outros autores. Até hoje foram escritos e lançados cerca de 50 livros constando sua vida e obra. É também o artista mais retratado na literatura de cordel. Mais de 300 folhetos já foram publicados a seu respeito. Amanhã, 15, o piauiense Wilson Seraine lança, na XII Bienal Internacional do Livro do Ceará, uma reunião de mais de cem folhetos na Antologia Cordéis Gonzaguianos. No dia 17 é a vez do mesmo Seraine autografar o título infantil A Festa da Asa Beanca: Uma História com Pássaros Cantados Por Luiz Gonzaga (clique nos links abaixo). Na ocasião será também lançado o folheto Asa-Branca, 70 Anos de Sucesso, de Rouxinol do Rinaré (poema abaixo).



ASA-BRANCA: 70 ANOS DE SUCESSO!



Rouxinol do Rinaré



Para falar de Luiz

Gonzaga do Nascimento

Peço a Deus, neste momento,

Que me sopre a diretriz

E uma inspiração feliz

Dos seus profundos arcanos

Para que os gonzaguianos

Batam palmas, toquem sino,

Pra Asa-branca, nosso hino,

Que já faz setenta anos!



Ao som que Luiz arranca

Da sanfona choradeira

O grande Humberto Teixeira

Cria a canção Asa-branca

Por isso ninguém desbanca

Esses gênios soberanos

Ausentes entre os humanos,

Presentes junto ao Divino

E Asa-branca, nosso hino,

Completou setenta anos!



Para março, dia três,

No ano quarenta e sete,

A história nos remete

Para dizer pra vocês

Que nesse dia, ano e mês,

Deus, em seus divinos planos,

Inspirou esses “dois manos”

Filhos do chão nordestino

E nasceu Asa-branca, o hino,

Que já faz setenta anos!

 

Asa-branca é inconteste

Um símbolo do retirante

Gonzaga então foi brilhante

Fez o hino do Nordeste

Lembrando o cabra da peste

Que, para não sofrer danos,

Cumpre a sina dos ciganos

Em busca do seu destino

Asa-branca, o nosso hino,

Completou setenta anos!



O grande Rei do Baião,

O nosso Luiz Gonzaga,

Se confunde com a saga

E a cultura do sertão.

Cantou tudo desse chão:

Alegrias, desenganos...

Deus iluminou seus planos

E ele fez, com brilho e tino,

Asa-branca, o nosso hino,

Que já fez setenta anos!



No Nordeste, em sua história,

A seca é fato marcante

E a sina do retirante

Tem sido uma página inglória

Como a ave migratória

Alçando voos desumanos;

Gonzaga, em tais desenganos,

Se inspirou desde menino

Pra Asa-branca, nosso hino,

Que já faz setenta anos!



Céu azul, o chão em brasa

Pela seca causticante

Faz o sertanejo errante,

Triste abandonar a casa;

A asa-branca bate asa

Por instintos soberanos

Secam as plantas, morrem os planos

No coração nordestino

Cantando Asa-branca, o hino,

Que já faz setenta anos!





Baião imortalizado,

Mais alto Asa-branca voa,

Pois por muita gente boa

Foi gravado e regravado:

Por Quinteto Violado,

Gil, Caetano, entre os baianos,

Tom Zé, Xangai, veteranos,

Só gente de “quengo” fino

Gravaram Asa-branca, o hino,

Que já faz setenta anos!



Fred Carrilho gravou

(Em “Violão Brasileiro”),



Badi Assad interpretou








https://onedrive.live.com/?authkey=%21AALQuisHFkQtCS8&cid=25AB787DE91E2982&id=25AB787DE91E2982%21192&parId=25AB787DE91E2982%21150&o=OneUp 






POSTAGENS MAIS VISTAS