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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

LUA E RENATO TEIXEIRA

Menina 23 chegando noite maravilha sampa São Paulo e não sei que  não sei que lá não sei que lá não sei que lá...., linda bela.
O sol é novo todos os dias.
O sol não tem tempo. E a lua nasce todos os dias, e pra se mostrar sorrir nas fases que quer: nascente, crescente, cheia e minguante.
Lua, lua, feminina.
Menina lua chegando no colo da lua mãe.Quem?
L de lua, a de amor, m de mar, a de não sei que lá não sei que lá não sei que lá....
A vida é sol, é mar...
A lua se esparrama no mar.
Vocês conhecem um poema Ismália, do poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens? pois sim ou não, que beleza!

Faz bem pouquinho tempo que falei quase uma hora com meu querido Renato Teixeira, cantor e compositor,  amigo de muito tempo, que conheci através do fundador do jornal Última Hora,  Samuel Wainer.
Um dia Samuel diz que gostava dos textos que eu escrevia na Folha Ilustrada, no folhetim. E não pediu, mandou: eu quero que você faça uma entrevista com Renato Teixeira.
E eu nem sabia quem era Renato Teixeira, mas pela necessidade momentânea, fiquei sabendo que Renato tivera recentemente uma música gravada por uma tal de Pimentinha, chamada Elis Regina.
Título: Romaria. Ouçam:

Renato Teixeira é-me muito importante.Tá, sei que o Brasil também acha isso.
Neste momento ele se acha em Olinda, Recife e depois do dia 20 que vem, estará de volta à cidade que me adotou, São Paulo. Estaremos juntos, certamente.
Renato tem muita história com Vandré. Terei tempo de contar isso em outro momento.
Renato tem muita história de lua. Renato é um sonhador, meio besta assim que nem eu.

KLÉVISSON VIANA LANÇA MAIS UM BELO LIVRO

Aos 45 anos de idade, Klévisson Viana consagra-se  definitivamente como um dos maiores criadores e intérpretes da poesia dita popular, aquela que é tradicionalmente publicada em folhetos basicamente de 32 páginas.
Klévisson Viana é um cearense que praticamente desde o berço dá voz às coisas do cotidiano, incluindo gente e paisagens.
Kévisson, criador e dono da editora Tupynanquim, já publicou centenas e centenas de folhetos de diversos autores, entre os quais ele próprio.
Além de muitos folhetos de sua lavra, Klévisson tem uma boa penca de livros de poesias publicados. O mais novo desses livros é o Miolo da Rapadura,
( Premius editora e Tupynanquim editora, 2017; 168 pág.) em que conta saborosos causos e homenageia alguns nomes do universo da cultura popular, como o raçudo cantador repentista Geraldo Amâncio,(pág.33) , o poeta Alberto Porfíro (pág. 63), mestre João Firmino Cabral ( pág. 85), o imortal humorista Chico Anysio (pág. 113).
Além desses nomes importantes da cultura popular de que tanto gostamos, Klévisson fala nessa sua nova obra sobre os símbolos do cangaço Lampião e Maria Bonita,  pegos em emboscada no alvorecer do dia 28 de julho de 1938; e Zé Limeira, o mito do repentismo brasileiro, nascido e enraizado na Serra paraibana do Teixeira, ali pelo início da segunda parte do século 19.
O novo livro de Klévisson, traz-me boas lembranças e  surpresas.
Há uns anos, uns 10 talvez, gravei de Klévisson, uma jóia cujo mote é Eu Quero ver Acordado, Aquilo que vi Dormindo, que se acha no livro. Gravei com acompanhamento musical da viola repentina do mestre Sebastião Marinho. Esse disco, produzido pelo mineiro cantador Téo Azevedo, poeta e tudo mais, traz uma música que compus com próprio Klévisson e Gereba, Quixoteando, esta:


Eu tenho ouvidos muitos livros, áudios livros. e não raro a alegria bate-me a porta anunciando-se como Marco Haurélio, o cartunista Fausto, Vitor Nuzzi (biógrafo de Geraldo Vandré) Rômulo Nóbrega, Cristina, Tinhorão, Lúcia.....aliás, esse novo livro de Klévisson começou a ser lido para mim por Tinhorão e findo, agora,  por Lúcia. Quer dizer: mesmo  hoje sem  poder ler, eu leio pelos olhos de amigos e amigas.
José Ramos Tinhorão, veio sexta, como todas as sextas comumente, e conversa vai e conversa vem, leu para meus ouvidos o mote   O Namoro de Antigamente e o Namoro de Hoje em Dia,  do Klévisson, que diz muito de ontem e de hoje, na parte assim da safadeza, do duplo sentido....pois enfim o Tinhorão está escrevendo um livro sobre licenciosidade, coisas da poesia. E ele leu, começando assim: 

Vamos poeta!
Defenda o namoro antigo, 
Deixe o moderno comigo
Que agora vou embolar!

Sobre namoro, 
Gosto mais de hoje em dia...
Não tem  mulher arredia. 
Quando o assunto é gozar!
O casamento
é negócio ultrapassado
Pra mulher fazer agrado 
Não precisa se casar! 
....

Viva a cultura popular, viva o Brasil e que a esperança em nós nunca morra, nunca desapareça de nossa memória e imaginação.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Eu já disse e repito: há muita gente que acha que eu nunca fui criança. Eu já fui criança, sim!
Eu nasci com 18 anos e mamei até os quase 30, certo? Pois bem, eu fico sempre feliz quando pessoas em formação vem até mim pra dizer coisas, como o Pedro Ivo.
Pedro é o primeiro varão do querido casal amigo Lucélia, Marco.
Lucélia e Marco são baianos e eu baiano, quase.  Quem sabe, eu chego lá...
Outro dia fim de tarde alegraram o local onde vivo Lucélia, Marco e Pedro. O Pedro tá ai, se balançando e lendo página do novo livro do Fausto, o cartunista, Pré-Histórias. Esse livro nasceu ai, no nosso blog. Mas essa é outra história...


Pessoas muito queridas têm vindo até mim trazendo abraços, sorrisos, versos, e ás vezes uma caninha pra beber que ninguém é de ferro.
Enquanto dito essas linhas, ouço o anuncio "plin-plin" de mensagem do bom mineiro Téo Azevedo dando conta de que está em vias de lançar dois DVDs de cara  e mais um ou mais dois ou mais três CDs. E como se vê, o cara não para.

DVD "O Canto do Cerrado - Volume 01"
DVD "O Canto do Cerrado - Volume 02"
CD "Repentistas do Norte de Minas" (Téo Azevedo & Tone Agreste)
CD "Sonora Harmonia - João Francisco"
CD "O Choro do Cerrado"
Livro "A História de Nossa Senhora Aparecida em Cordel" Ed. Ampliada

Em 1983 Téo Azevedo gravou com o rei do baião, Luis Gonzaga, a Peleja do Gonzagão x Téo Azevedo pela extinta gravadora RCA Victor:



ARTÚLIO REIS, FORRÓ E SAMBA

Tudo anda muito rápido, nesta vida louca. Tanto que só me deu conta agora de que o baiano de Condeúba Artúlio Reis acaba de inaugurara a segunda parte da casa dos 70.
Meu amigo, minha amiga, você sabe quem é Artúlio Reis?
Artúlio é um dos mais admiráveis compositores da música popular.
Ele chegou à capital paulista ainda no seu tempo de jovem, com 20 anos. Fez jornalismo etc. Durante bons anos ele respondeu pela assessoria de imprensa da extinta gravadora RCA Victor, que ficava logo ali num prédio de poucos andares da rua Dona Veridiana, pertinho da Santa Casa e da rede de bares da Lilian Gonçalves, filha excomungada do cantor gaúcho Nelson Gonçalves. A propósito: é de Nelson uma das melhores interpretações para o samba Memórias do Café Nice, de Artúlio Reis. Antes de Nelson Gonçalves gravar Memórias do Café Nice, Milton Carlos e Doris Monteiro também o fizeram. 





Artúlio Reis nasceu no dia 6 se janeiro de 1942, em Condeúba, acima já referida. É casado com Janet com quem tem três filhos: Gabriela, Juliana e Junior.
Além de Milton, Doris e Nelson gravaram composições de Artúlio Luiz Ayrão (Saudade da república), Luiz Gonzaga (Tamborete de forró) e a banda baiana Olodum (Tambores de cores). Confiram:




A discografia não oficial de Artúlio chega próximo aos 150 títulos gravados, de forró a samba etc. E continua compondo, e muito.
Há uns 20 anos, um pouco mais talvez, ele foi agraciado com o almejado prêmio Caymmi de música, em Salvador BA.
Estou morrendo de saudade dos inéditos de Artúlio Reis! 

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

VANDRÉ, SECA E MÚSICA

O meu amigo pintor Miguel dos Santos telefona para dizer que a Paraíba continua bela, apesar da seca que a atormenta secularmente. Também para dizer que está bem, que está com saúde, como a sua família. Bom. Também para dizer que o Vandré andou por lá, que anda por lá, na Paraíba, especialmente na capital, João Pessoa.
Disso eu já sabia, eu lhe disse. 
Eu sabia porque o próprio Vandré havia me telefonado, quatro ou cinco dias antes, pra contar que estava por lá. E que a sua presença lá na sua terra (ele nasceu em João Pessoa) tinha razão de ser: conversas com o governador sobre a sua obra em tom sinfônico...
Pois bem, e para minha alegria hoje chegam à minha casa os queridos Fausto (cartunista) e Vitor Nuzzi.
Vitor é jornalista, autor do livro que conta a história do Vandré, lançado em 2015 pela Kuarup: "Geraldo Vandré -Uma canção interrompida". 

E conversa vai, conversa vem, com meus amigos Fausto e Vitor lembramos que neste ano da graça e certamente de complicações eleitorais de 2018 completa-se meio século da apresentação primeira de "Caminhando" ("Pra não Dizer que não Falei de Flores"), no Maracanãzinho (RJ).
Eu tenho dito para meu querido Audálio Dantas, cangaceiro de todas as belas letras, que é preciso discutir o Brasil, de todas as formas. E um momento muito apropriado seria agora, neste ano que começa, a partir de "Pra não Dizer que não Falei de Flores"...
Neste ponto, Fausto e Vitor concordam.
Vitor, Assis e Fausto, com obra de Miguel dos Santos ao fundo

Eu tenho conversado sobre este mesmo assunto com o maestro Júlio Medaglia.
Júlio é uma das maiores expressões musicais que conheço desde que sou quem sou, antes mesmo de jornalista.
Uma pena: o Brasil conhece pouco o Brasil, e menos ainda a obra dos seus gênios – Carlos Gomes, Joaquim Callado, Patápio Silva, Machado de Assis, José de Alencar, Lima Barreto, Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Noel Rosa, Caymmi, Villa-Lobos, Antenógenes Silva, Luiz Gonzaga, Dalva de Oliveira, Millôr Fernandes, Fortuna, Anselmo Duarte (este muito especialmente precisa ser revisto), Gláuber Rocha, Sivuca...
Eu aproveitei o momento, hoje, em minha casa, para perguntar a Vitor Nuzzi sobre dificuldades e curiosidades que encontrou para publicar o livro que escreveu sobre o autor de "Quem Quiser Encontrar Amor", "Fica Mal com Deus", "Disparada", "Caminhando". E ele disse que foram 10 anos pesquisando e procurando gente, falou da procura a editoras, sobre a dificuldade de publicar uma biografia não autorizada no Brasil e sobre a resistência do próprio biografado. E perguntei ainda: faz quanto tempo isso? E o Vitor contou que, quando conversou com Vandré, ele perguntou: "Quantos anos você tem?". Surpreso, Vitor respondeu: 43. "Quando você tiver 50, você vai entender", completou Vandré. E eu de novo perguntei ao Vitor: quantos anos você tem hoje? "Eu nasci no dia 1º de setembro de 1964". 
Meus amigos, minhas amigas, não está na hora de discutir o Brasil pra valer? De lembrarmos esses grandes nomes esquecidos, jogados fora, abandonados na poeira do tempo?
O Brasil é muito maior do que pensamos. 
Ah, sim! Ia me esquecendo que uma das melhores interpretações da guarânia "Pra não Dizer que não Falei de Flores" é do trio potiguar Marayá. Confiram:




EU FUI CRIANÇA E NÃO SABIA

Ah! Lembro-me agora que na minha terra, a Paraíba da minha infância, a pipa é coruja. Tá bom, tá bom. Pipa é papagaio, é coruja. E é também arraia! Ia me esquecendo. No Rio Grande do Sul, segundo meu amigo cartunista Fausto, é pandorga.
Pois bem, a pipa é um dos primeiros brinquedos de que se tem notícia.
Nos desenhos em pedra descobriu-se, há muito, algo parecido com a pipa. E era pipa. Alguém menino, ou adulto, com uma linha na mão e lá na frente uma figura em movimento... É pipa. Na Paraíba é coruja. Por que coruja? 
Coruja é uma ave noturna, de olhos grandõõões, com o pescoço com quase 360 graus, que vê tudo, ouve tudo, até onde o pescoço permite. E os olhos grandõõões... Além disso, essa ave é conhecida por ser da noite, óbvio, não é? 
Por que será que a inteligência está ligada diretamente à coruja. Para muitos povos, a coruja é observadora, é inteligente, é astuta, vê o que não vemos, principalmente à noite.
E a arraia?
A arraia, por tudo que me lembro, é um ser marinho, meio triangular. A coruja, como pipa conhecida fora do meu Nordeste, tem várias formas: quadrada, redonda, oval e triangular, assim parecidamente com a arraia. 
Ah, meus dias de infância...!
O meu amigo Rômulo, com o neto Hugo, está transformado. Tenho certeza. Nesse ponto, a pesquisa que faço é: quem dos dois é mais criança, Hugo ou Rômulo? Rômulo... Hahaha.
Falei de pipa por acaso, por acaso falei da mesma coisa bonita que encanta ou encantou os meninos, como eu, na minha época... Isso tudo faz-me lembrar das cantigas, das modas de roda, mas essa é outra história. Mas nessa mesma história podemos dizer que a pipa, o papagaio, a coruja e a arraia são um mesmo sonho, que se soma à formação infantil, que nos traz lembrança, com a inteligência natural de nós, seres humanos.
Uma coisinha: a pipa etc. é, tradicionalmente, um brinquedo ou passatempo infantil, masculino, como a boneca é um passatempo brinquedo feminino.
A coruja etc. é para o masculino tão importante quanto a bola.
A bola, meu Deus do céu... Essa também é outra história.
Que a criança em nós nos mantenha.



terça-feira, 2 de janeiro de 2018

E QUE VIVAM AS CORUJAS!

Há quem duvide, mas eu já fui criança. Já fui criança e pus no ar coruja. Sei, sei, você não sabe o que é por coruja no ar. Por coruja no ar é empinar coruja. Sei, sei, que você não sabe: coruja é pipa, coruja é papagaio, coruja é pipa no ar.
Eu já empinei pipa, tá bom?
Na minha Paraíba querida, pipa ou é papagaio ou é, principalmente, coruja.
Essa história de pipa papagaio e coruja é uma história longa, data de dois três ou não sei quantos séculos antes de Cristo.
Pela minha lembrança e histórias a mim contadas, a coruja dos meus impulsos vem da velha, da velhíssima China. Ou como dizem os outros: da antiga China, a.C.
Essa história me vem à pauta pela conversa que há poucos minutos tive com meu querido amigo Rômulo Nóbrega, paraibano da cepa.
Feliz feito um passarinho diante de um saco de alpiste, Rômulo acaba de me contar da alegria de estar com o neto Hugo.
Hugo, de cinco anos de idade, é filho de uma alemã e do único varão do Rômulo, Rodolfo.
Pois bem, Hugo está na casa do Rômulo, em Campina Grande. E agora fica até um pouco difícil saber dos dois quem é criança...
Pois bem, Rômulo não para de mostrar a vida nordestina ao neto Hugo. E os dois já galoparam juntos, e os dois já andaram juntos, e os dois já voaram juntos e os dois já nadaram juntos nos açudes e os dois já pescaram juntos e os dois já empinaram corujas juntos.
As corujas do meu tempo me deixaram marcas; marcas profundas de alegria, de vida, de uma vida que não volta mais.
As corujas s]ão em mim adulto, as meninas da minha memória mais livre, mais bonita...
Foi muito bom ser menino empinador de corujas e na linha que dava vida a elas iam meus recadinhos escritos com letras infantis às estrelas.
Eu, através das corujas, dos fios ou linhas que davam vida a elas, eu mandava mensagens para as minhas namoradas estrelas...
Pipas, papagaios ou corujas, foram inventadas há muitos séculos, como eu disse ali atrás.
As corujas de antes de Cristo, ou pipas ou papagaios, foram usadas como meios de comunicação nas guerras de antigamente.
Cada pipa, cada papagaio, cada coruja tinha uma cor ou forma que servia para identificar amigos ou inimigos em guerra. Depois disso, bem depois, a pipa, papagaio ou coruja serviu de inspiração para a criação do para-raio.
As corujas que Rômulo e Hugo empinam em Campina são as corujas da minha infância, são as corujas da minha lembrança, são as corujas da minha vida, são as corujas com suas cores múltiplas que ainda me fazem lembrar o encanto que foi a infância do sertão, do amanhecer, da aurora da minha vida. Isso parece coisa de Casemiro de Abreu, mas não é não. Tampouco de Augusto dos Anjos.
Ao mandar mensagem às estrelas, via linha que dava vida às corujas do meu tempo, eu sem saber estava alimentando o adulto que hoje sou. É por isso que vivo bem, alimentado pelo menino que fui.
Que assim seja sempre. E que os adultos se alimentem da criança que foram.
A cantora paraibana Socorro Lira tem uma música que fala de pipa. Vital Farias a acompanha, ouça, localizando o cursor na metade do álbum abaixo:


FAUSTO 44

Nos primeiros anos antes de completar 65 anos de idade, o cartunista, desenhista e não sei que lá mais Fausto foi criança. Há exatos 42 anos, num dia 2 de janeiro como o de hoje, ele iniciou a sua carreira profissional. E virou mestre. E viva Fausto!





domingo, 31 de dezembro de 2017

O CORDELISTA PETER ALOUCHE....

Meu amigo, minha amiga, você naturalmente sabe o que é literatura de cordel. Você, meu amigo minha amiga, sabia que a literatura de cordel é uma pérola que se desenvolve só na cabeça de quem pensa? e ama a vida?
Você, meu amigo minha amiga, já ouviu falar no intelectual brasileiro nascido no Egito Petr Alouche. Pois bem, sabiam que ele também é cordelista?
Há uns anos ele publicou um belíssimo folheto,  depois musicado e cantado por......

VIVA RAIMUNDO JOSE

Ele nasceu no dia 10 de agosto de 1942, em Belo Horizonte BH. É um cara incrível. É do bem em altíssima voltagem. Seu nome: Raimundo José.
Raimundo mora em São Paulo, Capital há exatos 50 anos.
Raimundo gravou a primeira música num compacto da modalidade simples pela extinta Copacabana.
O tempo passou, passou, e Raimundo continuou íntegro na voz e  no coração. Um vozeirão de trovão, afinado, que poucos tem no mundo. A ele fui apresentado pelo meu conterrâneo, Roberto Luna. Luna, voz de pluma....
Roberto Luna, que nasceu no dia primeiro de dezembro de 1929, é outro pé de voz......
Em 1977, portanto há exatos 40 anos, Raimundo José gravou uma das pérolas do ponto, do samba, chamada Santo Forte, do meu amigo Cláudio Fontana. Para lembrar e encerrar o ano em alto astral, ouça:

FELICIDADE, PETER E PRÍNCIPE

A felicidade está em nós, à porta, em casa. Só não sabe disso quem não pensa ou não quer pensar.Pois, enfim, o pensamento faz o comportamento, porisso somos quem somos: deuses do filho de Deus.
Foi Moisés que criou o Cristianismo ou foi o Cristianismo que criou Moisés que nos criou?
A minha casa, o local onde eu moro, fica tão alegre quanto eu quando recebe pessoas  que nos faz bem, pessoas queridas, aquelas que sabemos que nos amam por sermos quem somos.
No correr dos meus 65 anos, muita gente bonita eu conheci. Gente que já se foi, gente que inda me vem a me abraçar, a me acarinhar, a dizer que somos quem somos, pessoas.
Outro dia o querido Oswaldinho da Cuíca, um paulistano de fevereiro Carnaval, segredou-me estar por aqui com o comportamento e visualização do capitalismo maluco que antes de matar, entorpece. E perguntou-me: " Assis, você não acha que o momento do tal Natal poderia bem ser um momento de reflexão, de auto reflexão?"
É, acho sim.Aliás todo tempo é tempo para refletirmos sobre o momento e ambiente, e tempo, o que vivemos.
A minha casa está cheia de graça, toda animada, colorida.
Chegou-me há pouco, o meu querido Peter. Ele trouxe-me e presente um sorriso das arábias, um sorriso brasileiro, enorme que nem a sua alma. e abraçou-me. Abraçou-me e as minhas queridas Ana e Lúcia.
Há modo melhor de ser feliz, compartilhando a nossa felicidade com outro?
Peter é um dos intelectuais mais apaixonados por Saint Exupery, francês aviador, autor da obra universal O Pequeno Príncipe.

E para encerrar o meu amigo Peter, de tantos e longos caminhos, tem o Pequeno Príncipe em muitas e muitas línguas, incluindo Russo, Árabe, e agora, numa versão esclusivíssima, interessantíssima, feita na visão do mestre brasileiro da xilogravura Ciro Fernandes.(acima). Aí na foto abaixo,  Peter, Ana, Lúcia e eu.



LEIA MAIS SOBRE O PEQUENO PRÍNCIPE:

sábado, 30 de dezembro de 2017

ANASTÁCIA ESPECIAL NA TV CULTURA

Hoje é 30 de dezembro,  ano da graça ou desgraça de 2017.
Amanhã. obviamente será um dia após hoje, 30. Pois é, o dia 31 encerra o ano marcado pelo calendário gregoriano e dentro dessa cronologia, vem o dia universal da paz:1o. de janeiro. O ano de 2001 nos fez mais ou menos felizes ou infelizes? Essa resposta cabe naturalmente a cada um de nós.
O longe e o perto e tudo o mais, é simplesmente, um ponto de vista. Felicidade, pois, é um ponto de vista como a infelicidade. Desde o pecado original sofremos. Mas o bom, mesmo, é que teremos um respiro sudável a nossa mente na virada de 31 de dezembro para primeiro de janeiro. E que respiro saudável é esse meu Deus do céu? lá vai: a TV cultura, canal 2, da Fundação Padre Anchieta, vai nos brindar com o programa, especialíssimo Eu Sou Anástácia.
Eu acompanhei a gravação desse programa junto com 500 pessoas, no teatro Sérgio Cardoso, faz uns 2 meses. Lúcia estava comigo....
Anteontem 28 almocei com Anastácia, Fatel, Isabel, Luiz Wilson e Germano Jr. (foto acima). Foi um bota fora legal.
Vem prá nos 2018! e viva Anastácia.

VIVA RITA LEE, 70!

Todo mundo, ou quase todo mundo diz que nós, brasileiros temos uma memória curtíssima. É bem provável.
Quantas datas, quantos nomes importantes para a nossa história, da música, inclusive são esquecidos de uma hora para outra num piscar d'olhos.
Quantos hão de se lembrar do mestre potiguar Luís da Câmara Cascudo, uma relíquia humanitária que nos legou e ao Brasil, uma obra muito rica, resultante das sua pesquisas e estudos em torno do nosso viver, modos e comportamento.
Luís da Câmara Cascudo, que conheci de perto, nasceu no dia 30 de dezembro de 1898.



Eu guardo boas recordações da compositora e intérprete Rita Lee.
Rita nasceu em São Paulo no dia 31 de dezembro de 1947, façam a conta nos dedos: 48, 49, 50...
A chamada rainha do rock completa amanhã 70 anos de idade. 
A história dessa Rita é uma história, em alguns pontos, bastante comum entre as mulheres brasileiras. Ela era ainda criança quando foi estuprada. Um horror! Mas ela deu a volta por cima! Como diria o querido Paulo Vanzolini (1924-2013), também paulistano.
Eu era repórter da Folha, quando, sob o comando do editor Osvaldo Mendes, fazíamos um balanço das artes nos anos de 1970. E lá fui eu entrevistar Rita Lee, que passara pelos Mutantes, Tutti Fruti etc. Nessa mesma década, bem no comecinho, ela havia gravado uma canção que enchia de sentimento natalino os lares brasileiros, José.



TINHORÃO 90, O IMPLACÁVEL! HE HE HE HE....

Chegou, como sempre, reclamando de alguma coisa. Ora do frio, ora do calor, ora da velhice:
- Quando eu ficar velho acho que eu vou ficar um chato.
E ontem, 29, entrou casa adentro dizendo que seu olho esquerdo já estava no fim e o direito também.
-É uma meeeerda!
Mas é bom que se diga que essas reclamações são como quê mero modo de falar:
- Nunca roubei, nunca matei, nunca fiz mal a ninguém, não entendo por que estou vivendo tanto, o que fiz para viver tanto?
A cada fala, a cada, digamos, reclamação, segue se sempre um he he he he... É como se tirasse sarro de si próprio. Na verdade é isso, ele tira sarro de si próprio o tempo todo. Não gargalha, mas a risada é a sua marca. Irônico, inteligentíssimo. E agora tem esse negócio de aniversário:
- É muito tempo, rapaz. Mas já estou no bico do corvo, he he he he he...
E antes que eu lhe pergunte que presente gostaria ou gostará de receber nesse seu novo natalício, diz na ponta da língua:
- Uma coroa de flores, he he he he he...
Ele dedicou toda a sua vida a entender o Brasil, a música do Brasil, os brasileiros, assim como fez o potiguar Mestre Luís da Câmara Cascudo (1898-1986). E não custa lembrar, Cascudo nasceu num dia 30 de dezembro.
E antes de ir embora, bem antes, perguntou se tinha uma cachacinha. Disse-lhe que estava em falta, mas o uisquinho estava ali a nossa espera, pegou dois copos e nos servimos, tim, tim:
- Viver tanto é uma sem vergonhice, é um atentado contra a natureza, he he he he he...
Pois é, estou falando do santista José Ramos Tinhorão, o implacável, o terror da mesmice e da mediocridade.
No próximo dia 07 de fevereiro ele completa 90 anos de idade. A data será festejada por amigos ali na Vila Buarque SP, com grupos de choro, de samba e de tudo que é bom, vai ser um chafurdaço. Isso três dias antes do dia 7, ou seja um sábado, no Bar do Raí.
Viva Tinhorão!



terça-feira, 26 de dezembro de 2017

DESEJO QUE CHOVA NO NORDESTE

Hoje é dia 26 dezembro do ano da graça de 2017. Isso todo mundo sabe, só não sabe quem não tem memória. Aliás, num dia como este, a capital da Paraíba recebia sua terceira denominação: Frèderik Stad. Esse nome foi uma homenagem ao príncipe de Orange, no período em que os holandeses ocuparam a terra onde nasci, Paraíba.
Frèderik Stad ou Frederica, perdurou como a capital da Paraíba entre 1634 e 1654. A capital paulista já havia sido fundada há exatos cem anos. Mas não é disso que eu quero falar.
Somente ontem fiquei sabendo que o paulista Moacyr Franco, cantor e humorista dos melhores havia sido demitido do SBT após duas décadas de trabalho forçado, he, he, he...Motivo? Mês passado Moacyr gravou uma música detonando os malandros e ladrões da República Federativa do Brasil, foi o que eu ouvi, se foi, lamentável.
Mas ainda não é sobre isso que eu quero falar.
Ouvindo o post com Moacyr cantando no celular ouvi também, em seguida, uma belíssima entrevista do paraibano Ariano Suassuna (1927-2014) ao humorista Jô Soares, cujo pai também era paraibano. Ariano deitou e rolou, falou sobre tudo e outras coisas. Lembrou, inclusive, que nascera no Palácio da Redenção. Esse palácio é a sede do Governo da Paraíba. O seu pai foi governador do meu Estado entre os anos de 1924 e 1928. Logo após a deflagração da Revolução de 1930, o pai, João Suassuna, foi assassinado a mando de políticos que o odiavam.
Grande Ariano Vilar Suassuna!
Ariano morreu detestando a Internet. Ele disse que alguém das suas proximidades lhe apresentou a internet fazendo uma rápida pesquisa em torno do seu nome. Primeiro foi posto no Google Ariano..., depois Vilar, Vilar virou vilão, por fim foi posto Suassuna e saiu assassino. E aí o autor de A Pedra do reino e A Compadecida endoidou, pois de uma hora para a outra seu nome foi totalmente estraçalhado. Ficou assim: Ariano Vilão Assassino.
Ariano Suassuna passou a vida tentando decifrar o Brasil, em nome do povo. Entendeu pouco, é verdade.
Na entrevista a Jô ele lamentou, lá de cima dos seus então 80 anos, a vulgarização e a descaracterização da cultura popular. E não mediu palavras para meter a ripa no lixo denominado de cultura que os meios de comunicação nos entopem no dia a dia. 
Pois é, numa entrevista que dei há uns dez anos, sei lá, na TV Câmara eu dizia que precisávamos de mais Arianos e Tinhorões. Confira:




PRESENTE

Um amigo me perguntou o que eu gostaria de receber de presente nestes últimos dias do ano. Respondi o óbvio: quero saúde para mim, meus amigos e familiares, dias melhores para o Brasil, mais educação e respeito ao povo e que chova regularmente no Nordeste. Por lá, especialmente no Sertão, a seca já dura mais de 5 anos e nem o jornal e nem o rádio e nem a revista nem a tevê e ninguém com poder de decisão sequer exibe esta catástrofe.





domingo, 24 de dezembro de 2017

QUE PAÍS É ESSE?

No mundo inteiro muita coisa acontece no mês de dezembro. No Brasil, inclusive.
Dizem que o Brasil é um país estranho, esquisito. O cartunista Fortuna, do Maranhão, escreveu e publicou um livro intitulado "Acho Tudo Muito Esquisito".
Quinta, 21, ouvi uma breve notícia dando conta do falecimento do ex vereador, ex isso e aquilo, da Arena inclusive, morrera aos 96 anos de idade, em Belo Horizonte, MG.
A famosa frase Que País é Este? caiu na boca do povo depois que ele, Francelino, a proferiu. Isso em 1975: "Que País é este em que o povo não acredita no calendário eleitoral anunciado pelo próprio presidente? À época o mandatário do país era o general Geisel. 
Essa frase, porém, já havia sido pronunciada no século 19 em textos de José de Alencar e Machado de Assis, eh, a história... Poucos anos depois, Renato Russo, Legião Urbana, compôs e lançou um rock com a mesma pergunta:



Pois é, o Brasil parece ser realmente um país esquisito, de modos esquisitos, assim governado desde sempre por quem escolhemos. Até o Lula, ex-presidente duas vezes do Brasil proferiu uma frase que também virou rock, aquela história dos picaretas do Congresso, lembram-se? Pois, pois. E é Natal.


O bom baiano Assis Valente escreveu um clássico para a época: Boas Festas.
O tema Natal e Ano Novo é um tema surrado, muito surrado na discografia universal.
Ouçam essas duas coisinhas:




NÃO É NOEL, É NATAL?

Ó só a conversa: 
- O Brasil está abandonado.
- É, minha cara, a gente só ouve notícia de ladroagem, de gente que roubou, de gente que está presa.
- E gente grandona, gente poderosa, gente que nunca foi presa e agora...
- Até o Maluf!
Pois é, por bom tempo fiquei ouvindo a conversa entre Ana e Cortez. Foi há coisa de uma hora e pouco, cá em casa. E foi longa a conversa. E engraçada em alguns momentos, descontraída. Cortez:
- E a faculdade, já terminou?
- Pois é, agora é o TCC.
- Qual é mesmo o curso?
- Gerontologia. Tem o gerontólogo e o especialista em gerontologia.
- E não é a mesma coisa?
- É e não é. O gerontólogo ainda não é o especialista em gerontologia.
E foi por aí a conversa. Muitos temas dentro de uma só conversa. Falaram do ontem, do hoje e do amanhã. Cortez, com os seus 81 anos de idade, disse um monte de coisas bonitas, simples. E arriscou, afirmando: 
- Eu acho que os jovens, os filhos deveriam ouvir mais os pais.
- É, os mais velhos têm sempre mais o que dizer. E não podemos esquecer que os jovens de hoje serão os velhos de amanhã.
E hoje é 24 de dezembro, mais um 24 de dezembro. Essa história de Natal é, claro, coisa da igreja católica. Ninguém sabe, ninguém mesmo, quando Cristo nasceu, ou quando morreu. A data da Igreja que leva o nascimento de Cristo é 24 de dezembro, e o da sua morte, sabe-se lá, mas é dito que ele morreu com 33 anos de idade, de braços abertos, pregado numa cruz e sobre a cabeça uma coroa de espinhos.
Natal, pela raiz da palavra é nascimento. Todo dia é dia de nascimento, de renascimento, de revida no próprio corpo. E aprendemos com os outros, quando queremos aprender, seja o filho com o pai, seja o pai com o filho.
E essa coisa de Papai Noel, hein?
Essa, como bem se sabe, é uma invenção católico-mercantilista, como o casamento. O mercado vibra com o Natal, com o dia dos pais, dias das mães, dia das crianças etc.
E todo mundo se entulhando, enchendo a barriga de tranqueira, de lixo mesmo, e a barriga ficando daquele jeito, explodindo para os lados, e o cansaço... Cortez de novo:
- Pois é, minha cara: O galo que canta no Japão e na China é o mesmo galo que canta no Brasil, é o porco que ronca, é o cachorro que late, por aí. Tudo na vida é educação, educação e cultura. É pela educação que os seres humanos se formam. Se a criança tiver bons ensinamentos essa criança será num bom adulto, com instrução e sabedoria, caso contrário... O livro, por exemplo, vejo como uma espécie de brinquedo. Se todos os pais ensinassem seus filhos a ler, a gostar de livro, de leitura, acho que tudo seria diferente, e pra melhor!
Noel como tema musical, entrou no mercado fonográfico através da extinta gravadora Colúmbia, em dezembro de 1932. A canção intitulada Era Uma Vez Papai Noel é de autoria de Custódio Mesquita, um carioca nascido em 1910 e falecido em 1945. Ele deixou 111 músicas gravadas. E foi uma mulher, Madelou de  Assis (1915-1956), quem primeiro cantou o velho e inadequado Noel nestas terras tropicais invadidas por Cabral, ouçam-na:



sábado, 23 de dezembro de 2017

POLÍTICOS E LARANJAS EM 2018

Seria engraçado se não fosse trágico: nós, povo, estamos sempre tentando acertar nos nomes mais corretos para nos representar nas três esferas políticas: municipal, estadual e federal.
Erramos e erramos e talvez voltemos a errar já no próximo ano de eleições gerias que se avizinham.
Os políticos que estão em várias legislaturas perigam de não se reelegerem. E pensando nisso eles começa ma mexer seus pauzinhos, cavando buraco e plantando pés de laranjas que se tornarão num grande laranjal.
Há poucos minutos o amigo Oswaldinho da Cuíca telefona perguntando como estou etc. Estou bem e tal, com pulga na orelha inclusive, e ele diz: vivemos um terremoto de más notícias.
O que fazer diante dessa catástrofe que o Brasil está vivendo.
Os especialistas mais otimistas têm dito por aí que a operação Lava Jato terá fim em 2018, ou seja no próximo ano. E aí|?
O ex todo poderoso da FIFA, José Maria Marin, poderá ser condenado a 60 anos de cadeia nos Estados Unidos da América do Norte. O julgamento terminou ontem e a sentença sairá semana que vem.


E faço minhas as palavras da jornalista Cris Alves, "nós vivemos para ver isso..." ou como diz sua amiga Durvalina: "duzentos anos depois a casa caiu". Finalmente o deputado federal Paulo Maluf foi preso no estilo de sempre, entrando por uma porta do carro de forma autônoma e saindo minutos depois de bengala e quase carregado para nos convencer a todos de que o melhor será a prisão domiciliar, affff.. Ah, você sabia que ele andou cantando músicas do repertório do rei Roberto?

CADÊ O CABO TENÓRIO?

Todo dia é dia bom para quem está bem. 
Já são duzentos milhões e não sei quantos brasileiros habitando os 8,5 milhões de km². Sabemos: Nem todos esse brasileiros estão bem, ou andam bem.
Há muitas discriminações e otras cositas más entre nós tenho eu leve suspeita de que escolhemos governos para nos incomodar.
A família real portuguesa fez no Brasil o que todos nós sabemos. Depois dessa família, outras famílias...
Ouvi há pouco no rádio notícia dando conta de que Temer, como Gilmar Mendes, são decididamente favoráveis à bandidagem do colarinho branco. Senão, vejam: Temer acaba de assinar documento indultando presos que cumprirem um quinto da pena dada pela Justiça. E aí?
Se um cabra é condenado a 25 anos de cana por meter a mão no herário público, para estar livre leve e solto basta cumprir apenas cinco aninhos numa prisão qualquer. E se quiser pode voltar a meter a mão no buraco do Tatu rapidinho...



Como pôr ordem nessa desordem?
Você sabia meu amigo, minha amiga, que o lema Ordem e Progresso que consta na Bandeira Nacional tem a ver com o amor do positivista francês August Conte (1798-1857). E que esse Amor, Ordem etc estão cada vez mais sendo desrespeitados por Temer e tantos e tantos antecessores que ocuparam a cadeira de ouro do Planalto Central?
Nada não, mas acho que vamos ter que chamar o cabo Tenório para dar um jeitinho nessa história.





sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

PEDRO E PÉROLAS


Marco, Pedro Ivo, eu e Lucélia.
Um, dois, três...
Um, dois, três...

Eu fico doidinho quando quero dizer coisas pra serem lidas, e não consigo. Não consigo porque falta-me, aqui e ali, alguém para digitava o que eu quero dizer.
Cada dia no Brasil, é uma bomba. Mas, independentemente de bomba, tem sempre aquela voz, aquele som, aquele verso, aquele jeito de dizer coisas.
Pois bem, foi ontem ou anteontem que a Cecéu, do Antônio Barros forrozeiro, ligou perguntando como estou. Oi, oi, oi. Estou bem! E ela me diz que também está bem, e ele também está bem.
E o Maluf, finalmente foi pra cadeia.
Hoje é ontem.
No dia 20 de dezembro de 1915 nascia, em Pernambuco, numa cidadezinha maravilhosa chamada Macaparana, um ser que entendia a vida da maneira mais bonita possível: uns amando os outros.
Pois bem, esse ser chamou-se Rosil Cavalcanti. E não vou entrar em detalhes porque um cara chamado Rômulo Nóbrega, paraibano de Campina Grande, impôs-se a tarefa de dizer para o Brasil quem foi este ser.


E vocês sabem que não é todo o dia ou toda a noite que chegam à nossa casa pessoas queridas demais. Exemplo: Marco Haurélio, Lucélia Borges e Pedro Ivo, meus filhos de “criação/adoção” no sentido mais poético e romântico de tecer amizades e caminhadas.
A primeira vez que o Pedro Ivo chegou cá em casa foi na barriga da mãe. Hoje ele já tem 9 anos. E, como o pai e a mãe, gostam de arte, e de artes, é arteiro o danadinho.
Quando o Pedro saiu do bucho da mãe e começou a andar com os próprios pés, mostrou a que veio e a que vinha. O Pedro Ivo desenha muito bem...Vejam só.
É muito bom receber pessoas queridas na nossa casa.
E eu falei: como é bom receber pessoas queridas na nossa casa, no nosso templo, no nosso ambiente maior.
Enquanto digo isso para você, meu amigo, minha amiga, por telefone estou falando com Klévisson Viana e Peter Alouche, amigos, dois queridos.
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, a querida Lucélia – alma gêmea do irmão Marco – encontrou uma pérola da qual tinha me esquecido: Cyro Fernandes, a meu pedido, gravou em linhas mágicas o seu pensamento sobre o Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry.
E viva Klévisson Viana!           
E viva Marco Haurélio!                                                                                                                                         

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

E ESSE NEGÓCIO DE JINGLE BELL, HEIN?

Não tem jeito, é pá, puf.
O ano novo vai chegando, o ano velho vão saindo, gente nova vai chegando, gente de idade e de toda a idade vai também saindo, para dar vez a quem está chegando.
Há muito já passa de 7 bilhões o número de pecadores habitando este planetinha de meu Deus do Céu.
A vida é um passeio, não pelo Éden, propriamente.
oE tudo muito louco. E depois da invenção do capitalismo, tudo ficou ainda mais doido. E tome data disso, data daquilo etc.
Aniversário de tudo vira data comemorativa para extrair dos bolsos o que há lá, seja o dinheirinho para o leite, para o arroz, para o feijão, enfim o corpo pede prazer. E comemos peixes, carnes e tudo o mais, basicamente enchendo-nos de lixo.
E a nossa mente, hein? Nesse passeio por cá preciso se faz que escolhamos com categoria o que comemos e o que pomos na mente. Pois, enfim, a mente guarda tudo o que recebe. Isto é, quando nós e ela, a mente, queremos.
É aniversário disso, é aniversário daquilo, é a chegada do verão, do outono, das outras estações. Todo dia é dia de algo, de alguém, de alguma coisa.
Hoje por exemplo é dia do museólogo, do migrante, do mergulhador, de Nossa Senhora do Ó, que dá nome a um bairro paulista, e do Autista, data que serve para lembrarmos e discutirmos a questão do autismo no Brasil e no mundo.
Trezentos e sessenta e cinco dias formam um ano, de acordo com o calendário gregoriano que quase todo mundo adota. É a tal coisa pá, puf, chegou o Natal. A 25 de Março, a rua das bugigangas, das coisas baratas, dos desejos insatisfeitos está fervilhando.
Pois é, e Jesus Cristo não nasceu nem no dia 24, nem no dia 25 de dezembro, isso é tudo invenção do povo, do povo que quer ganhar dinheiro e do povo que quer gastar dinheiro.

E esse negócio de jingle bell, hein? Mas história é história e o Instituto Memória Brasil, o IMB, guarda tudo que é história. No seu acervo há centenas e centenas, milhares, de músicas que tratam do tema Natal e Ano Novo, em inúmeros idiomas. Detalhe: Milhares e milhares de compositores mundo afora compuseram em homenagem ou lembrança da data. É do baiano Assis Valente a obra prima Boas Festas. É isso.

domingo, 17 de dezembro de 2017

A MÚSICA FORA DO RÁDIO

Outro dia um amigo, depois de dizer um monte de coisa bonita a respeito deste blog, fez referências à qualidade musical do que hoje se ouve no rádio, na tevê etc. E disse mais: "Parece que ou não há mais bom gosto ou boa música já não se faz mais".
Tem razão esse amigo, o Marco Haurélio.
Marco Haurélio esteve ontem proseando no espaço onde se acha, provisoriamente, o acervo do Instituto Memória Brasil, IMB.
Marco veio trazendo a tiracolo seu colega de trilhas poéticas, Pedro Monteiro.
Pedro é do Piauí e Marco da Bahia. Ambos são cordelistas, autores de bons folhetos que o povo precisa conhecer.
Fora os folhetos, Marco já publicou uns 40 livros. O cabra é produtivo e antenadíssimo.
E conversa vai, conversa vem, lembramos o poeta e jornalista da região de Bezerro Morto, PI, Firmino Teixeira do Amaral (1896-1926).
Firmino, que morou durante muito tempo em Belém, PA, é o autor do folheto A Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum, publicado ali entre os anos de 1916 e 1917, tempo da Primeira Guerra Mundial, que nada tem a ver com este texto.
Lembramos muitos outros caras supimpas, como o pernambucano Manoel Monteiro.
Manoel, como o norte americano Ernest Hemingway, desenvolveu uma ficção em que ele próprio era o personagem fatal: ele matou-se num hotel, bem longe de casa. Hemingway, na sua fazenda nos EUA, onde construiu uma arapuca que acionou o gatilho de uma Winchester que lhe levou chumbo ao coração. Triste.
A vida é quase sempre um tragédia...
Em 1889, ano do golpe militar que levou à Proclamação da República, nasceu em Goiás a poeta contista e doceira Cora Coralina, de batismo Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas.
Em 1901, quando o carioca Machado de Assis ainda andava prá lá e prá cá, vivo, versátil, uma antena do seu tempo, expressivíssimo, nascia no Rio de Janeiro a neta de escravos negros Clementina de Jesus.
O que é que tem a ver Cora Coralina, Machado de Assis e Clementina de Jesus?
Coralina começou a escrever dois anos depois da morte de Machado, em 1908. 
Machado deixou uma obra fantástica e Cora Coralina, também. Seu primeiro livro, que trata da poética das ruas de Goiás foi publicado em 1965. Um ano depois foi a vez de Clementina lançar-se profissionalmente em disco.
Cora Coralina ganhou a ribalta, digamos assim, quando no dia 27 de dezembro de 1980, mestre Drummond de Andrade rasgou-se em elogios à autora de O Tesouro da Casa Velha, que acabo de ouvir, é engraçado, é triste, é profundo e ao mesmo tempo leve que nem vôo de passarinho. Tem até três casos de suicídio,ui! Esse é um livro póstumo muito bem narrado e distribuído pela Fundação Dorina Nowill que chegou-me às mãos pelos gestos solidários da jornalista Cris Alves. 
Coralina morreu em 1985 e Clementina, a Quelé, em 1987.



Mas eu comecei falando de música. Realmente a música que ouvimos hoje no rádio é, grosso modo, uma música própria para matar neurônios.
Quem quiser ouvir música boa tem que pesquisar, não é mesmo? Mas, claro, sempre tem um artista aqui outro ali mostrando que nem tudo está perdido. Eu gosto do Criolo, pela mistura bonita que faz com o samba e o rap. Ele traz a novidade que vem sendo apropriada pela juventude, veja a versão de Subirusdoistiozim feita por Pedro Schin, Gui Heleodoro e Beatzoto, no segundo vídeo abaixo:




Gosto também do Lulinha de Alencar, do Mestrinho e do poeta paraibano Jessier Quirino, autor e declamador de raro talento. É dele o Bolero de Isabel. Confiram, na linda interpretação de Xangai.




RÔMULO NÓBREGA

O paraibano de Campina Grande, Rômulo Nóbrega, biógrafo do pernambucano Rosil Cavalcanti (1915-1968), está feliz da vida. E o motivo disso não é pouco: O filho Rodolfo, um cabeção desses que nascem a cada 1000 anos nalgum lugar do mundo, chegou a passeio vindo de Londres aonde mora, trazendo a tiracolo o neto Hugo e a mulher Maria Luísa, alemã. Quem também não se contém de alegria é a mulher de Rômulo, Aldany. Eita! Rômulo nunca empinou tanta pipa na vida. Ele e o neto Hugo tem chamado a atenção da Paraíba inteira, pois é, e os dois lá empinando pipa. A pipa é uma invenção chinesa que conheci no tempo em que tinha a idade do Hugo, 3 anos. E viva a criança que há em todos nós. É Natal. Todo dia é Natal.




sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

LARA MARA É LUZ

Faltam 15 dias para o ano de 2017 terminar. Quinze mais um.
Eu não ia mas fui. Coisa pessoal. E foi bom eu ter ido. Lá encontrei um monte de cego, vendo com  a memória do tempo, que nem eu. Foi bom demais. A Lúcia, do ramo Ângelo Agostini me carregou para lá. Convenceu-me. E repito: Foi bom demais.
Eu estou falando da instituição Lara Mara.
Eu frequento a instituição. a associação Lara Mara há um ano e tanto.
Na instituição Lara Mara recebi carinho, respeito, amor, tudo de bom que nós, humanos precisamos, tudo de bom!
Fiz um monte de gente bonita ver o mundo como eu vejo, com esperança.
Cego também é gente. Mas só é cego quem quer, eu mesmo fiquei cego só dos olhos.
Na instituição Lara Mara eu conheci o William, Mara, Cris, Lilian, Anderson, Jú, Rosângela, Davi, Kiko, tanta gente bonita...
E pensando na Lara Mara, eu fiz estes versos:

Lara Mara abriu a porta
E nos convidou a entrar
Prá conhecer o mundo
Onde cego pode enxergar
A luz do fim do túnel
E seguir seu caminhar...

Longo e tortuoso
É do cego o caminhar
É do cego a sina
De viver sem enxergar
A luz que vem da lua
Para o mundo iluminar

Outras luzes vêm de longe
Prá também iluminar
São as luzes do Saber
Pra quem não quer cegar
Quem caminha hoje sabe
Que o Saber faz enxergar

Mas há gente que não sabe
E se recusa a caminhar
Preferindo se esconder
A sair para lutar
O segredo está no túnel
E na luz a nos chamar

SANTA LUZIA

Olhe, este mês de dezembro é mês de tudo quanto é bom, até porque é sempre o último mês do ano. No dia 13, dia de nascimento de Luiz Gonzaga, Rei do Baião, é também o dia de Santa Luzia, a italiana etc. E prá ela, pensando no Gonzaga eu fiz essa prece:










quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

ONZE ANOS SEM O MESTRE SIVUCA


Em tudo quanto é canal que se ligue, de rádio ou TV,  só se ouve notícia de tragédia de todo tipo, inclusive sobre a corrosiva corrupção no Brasil, endêmica. A propósito  nunca se prendeu tanto figurão,  acusado de meter a mão no cofre do povo. Essas notícias são tantas que esquecem-se de noticiar coisas boas.
Sempre é tempo de falar de quem contribuiu ou contribui com a nossa  cultura, enriquecendo-a. Sejam vivos, sejam mortos. Caso de Sivuca.
Severino Dias de Oliveira, Sivuca, foi um dos maiores e mais sensíveis sanfoneiros
que o Brasil já deu. Ele nasceu em Itabaiana, na Paraíba, e ganhou o mundo já no começo dos anos de 1950. Esteve ausente do Brasil por cerca de 13 anos. Morou nos Estados Unidos, Portugal e no Japão, onde foi professor de violão. Gravou muitos discos e participou de centenas de espetáculos e de discos de artistas como Paul Simon e Garfunkel. Em 1951 Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira compuseram Sivuca no Baião, em sua homenagem, que tem apenas uma gravação até hoje: do próprio Sivuca. Esse disco se acha no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, que presido. Num sebo da França eu achei um LP de 10 polegadas ( acima) de Sivuca, por ele lá gravado. Eu conheci Sivuca no final de 1970. Numa das edições do suplemento Folhetim, encarte já extinto da Folha de S.Paulo, publiquei uma belíssima entrevista com ele.Sivuca morreu no dia 14 de dezembro de 2006.

DOM PAULO
Hoje faz 11 anos que Sivuca nos deixou e 1 ano que Dom Paulo também nos deixou.
Eu conheci Dom Paulo e o entrevistei algumas vezes. Desnecessário, totalmente desnecessário,  dizer que ele era um ser do bem.Viva Dom Paulo, que está prestes a ganhar nome de praça no centro da cidade de São Paulo: a praça da Sé trocará de nome já já. No dia 17 de dezembro de 2016, para ele escrevi esses versos:

O bom D. Paulo partiu

Rumo à Eternidade

Depois de cumprir a missão

De lutar com humildade

A favor dos pés descalços

E contra os dragões da maldade



Foi um guerreiro da Paz

Um professor de Verdade

Que ensinou Cidadania

Em tempo de tempestade

Enfrentou a ditadura

Em nome da Liberdade



O bom D. Paulo partiu

Deixando muita saudade

Um belo exemplo de vida

De amor e Fraternidade

Viva d. Paulo Evaristo!

Viva a Dignidade!

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