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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

IPHAN RECONHECE CORDEL E XILO COMO ARTES DO POVO

De uma tacada só o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional IPHAN, aceitou hoje, 19, propostas de intelectuais voltados à preservação da memória cultural e tombou, digamos assim, a literatura de Cordel e a arte da xilogravura. 
A literatura de cordel é uma herança que recebemos dos portugueses, como  a xilogravura.
A literatura de Cordel, que nos primórdios não era assim chamada, chegou ao Brasil no começo dos anos 800. E na região da Serra do Teixeira, na Paraíba, começou a ser apreciada e recriada por poetas como Leandro Gomes de Barros (1965-1918).
Os primeiros folhetos - sim, era assim que eram chamados - já nasceram clássicos, como a Imperatriz Porcina, a Princesa Magalona, a História de Carlos Magno etc.
A xilogravura começou as ser difundida primeiramente no Rio Grande do Norte, logo depois na capa dos folhetos.
Literatura de cordel e xilogravura são arte do povo.
Em março de 2016 andei escrevendo sobre o movimento que resultou no tombamento do Cordel e da Xilo como patrimônios nacionais. Clique:



A propósito estou lendo um dos mais bonitos livros do autor carioca João do Rio: a Alma Encantadora das Ruas. Nesse livro, lançado em 1907, João fala dos costumes e hábitos dos cariocas do seu tempo. Pois é, os cariocas no começo do século passado já tinham bastante intimidade com a literatura de Cordel.



ADEUS CEZAR DO ACORDEON

Rômulo, Fausto e Cezar; Esta foi a última foto em que aparece o Cezar...

 Domingo 16, depois do meio dia, ouvi Luiz Wilson dizer no seu programa da Rádio Imprensa que mestre Cezar do Acordeon estava internado num Hospital carecendo de orações.
Ontem 18, pouco antes das 17 horas, Tio Joca telefonou prá nos dar a triste notícia: Cezar do Acordeon morreu.
Cezar, cearense dos bons, era um grande artista da sanfona. Um criador, um mestre.
Conheci de perto Cezar. Era ele um dos mais assíduos frequentadores do programa São Paulo Capital Nordeste que durante anos apresentei na Rádio Capital AM 1040.
Em 1991, escrevi texto para a contracapa de um dos seus LPs. Leia:


No dia 1º de agosto deste ano o cartunista Fausto telefonou dizendo que está na casa do Cezar, em Guarulhos, SP, junto com o amigo Rômulo Nóbrega. Nesse dia falamos longamente. E em mais duas ocasiões antes de ele ser levado a um hospital desta capital paulistana, onde morreu. 
Era para ele estar conosco, cá em casa, na próxima sexta, 21.
Escrevi muito sobre Cezar, para lembrar, clique:
http://assisangelo.blogspot.com/2017/04/a-casa-caiu.html

Num ano que não me lembro qual, Cezar e eu escrevemos um baiaozinho em homenagem à rainha do baião Carmélia Alves. Essa música composta na casa da Carmélia em Teresópolis, não foi ao mercado, mas tenho em algum lugar o IMB uma cópia dessa música. Fica o registro.


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

TEM CACARECO NA POLÍTICA


Houve um tempo em que os artistas participavam ativa e democraticamente das campanhas políticas, como Elza Soares, Luiz Vieira, Inezita Barroso, Jorge Veiga, Bibi Ferreira, Luiz Gonzaga. Adhemar de Barros entrou para a história como o político “Que rouba mas faz”. Esse slogan, aliás, foi roubado por Paulo Maluf. Há coisas incríveis na política brasileira. No acervo do Instituto Memória Brasil IMB há centenas de músicas que tratam do tema.   Vocês se lembram de Cacareco? Será que teremos um Cacareco neste ano da graça de 2018? 
Ouça a maRchinha que elegeu um Cacareco na campanha de 1960:


quinta-feira, 13 de setembro de 2018

SOBRE ATENTADOS


Há poucos dias o candidato a Presidência do PSL Jair Bolsonaro foi atacado por um maluco na área central de Juiz de Fora MG. A vítima foi golpeada no abdomen e para isso o agressor fez uso de uma faca peixeira. O agressor foi preso e a vítima socorrida às pressas e levada à Santa Casa de Misericórdia mineira, onde recebeu os primeiros socorros. O fato fez me lembrar o atentado de que foi vítima João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque (1878-1930) em Julho de 1930, numa confeitaria da capital pernambucana. João Pessoa recebeu 3 tiros desferidos por João Dantas (1888-1930). O atentado que vitimou João Pessoa, a época governador da Paraíba, gerou uma comoção nacional. O caso foi o estupim para a deflagração da Revolução de 30. O governador assassinado era sobrinho do presidente da República Epitácio Pessoa (1919-1922). Encurtando a história: João Pessoa deu seu nome à capital paraibana e entre as muitas outras homenagens, virou tema de um hino composto por Eduardo Souto e Oswaldo Santiago e gravado em agosto de 1930 pelo rei da voz Chico Alves (1898-1952) e depois pela Banda  do Regimento Naval, em dezembro desse mesmo ano e lançado em 1931.A campanha eleitoral de 2016 resultou em 28 mortos. As vítimas, 16 das quais do Rio de Janeiro, eram candidatas a prefeito e a vereador.Bolsonaro escapou fedendo.

TIRIRICA É DÓRIA


Está um bololô danado a campanha política que hora vivemos.
A esquerda não existe mais, está toda fragmentada.
A direta, idem.
O povo brasileiro está desacreditado em tudo. E a razão é simples: a esperança está na lata do lixo.
Na mesma lata em que se acha o capitão do mato Bolsonaro, se acham também Ciro e o PT detonados pela história recente. Um é coronel do Ceará, o outro é coronel brasileiro também nascido no Nordeste.
Na verdade, meus amigos, estamos que nem caçador num mato sem cachorro. Perdão: o que mais tem nesse campo, minado, é cachorro.
Eu sou da safra de 1952 e confesso: nunca vi nada igual como ora acontece. Por exemplo: dá pra votar num dória, que mente, mente, mente em nome da verdade. Dá pra votar num Tiririca?
Bom, Tiririca é Dória.



quarta-feira, 12 de setembro de 2018

TROCAR O BRASIL POR QUÊ?

Pode passar de 3 milhões o número de brasileiros morando fora do Brasil. 
Foi não foi ouço aqui e acolá alguém dizendo estar revoltado e desejando trocar o Brasil por um país qualquer. 
Lembro de conversas com o poeta Patativa do Assaré. Ele ficava doido só de pensar na remota possibilidade de trocar o seu Ceará por um Estado qualquer. "Quem deixa sua terra é um desnaturado", dizia ele. Nessa zoada de pombo, lembro de uma reportagem em que a ex mulher de Lula, Dona Marisa Letícia, dizia estar assumindo a cidadania italiana porque, justificava ela, "a gente nunca sabe o dia de amanhã".
Sobre esse assunto, ouço uma amiga dizer que um brasileiro morador de Portugal há 3 anos pensa em voltar ao País, pois aqui, segundo ele, é o seu lugar, "o melhor do mundo, um povo que não tem igual, caloroso e a alimentação incomparável".
Esse papo de trocar o Brasil por outro país é coisa de covarde, de pessoas que se recusam a apostar, a brigar por sua terra. Claro que desde sempre muita gente trocou de país. Muitas vezes forçado.
Com o fim da revolução de 32, por exemplo, muitos brasileiros foram obrigados a viver fora. Mas isso era castigo. Um grande castigo. O exílio é um castigo. A história conta que cabeças da Inconfidência foram levados ao exílio.  Muitos poetas já escreveram sobre o assunto: entre eles Gonçalves Dias (Canção do Exílio) e Chico Buarque/Tom Jobim (Sabiá), confiram:




CULTURA FORA DE PAUTA

O Ciro, no seu estilo franco e natural é uma besta completa. Sem maquiagem ou efeito, é um vulcão em erupção derramando lavas no próprio corpo. Ele é seu mais completo inimigo. Nas suas declarações revela-se um ditador nas origens. Dos brabos. Aliás, Ciro não nega suas origens de coronel, em estado bruto.
É impossível, no dia a dia, Ciro comportar-se como cidadão correto diante das câmeras, dos holofotes. Affff! Ele acaba de detonar Lula, Haddad, Bolsonaro, Deus e o cão. Sobrou para os generais Mourão, da reserva e Eduardo Vilas, atual manda chuva das tropas verde-oliva. Disse o coronel do clã Gomes que o general Vilas está acalmando "cadelas no cio", e que o próprio general, no seu governo, seria demitido e posto em cana pelas entrevistas que tem dado a imprensa. Coisa de macho. Eu hein?
Mas eu nem ia falar sobre isso. Eu ia falar sobre as propostas vazias dos candidatos, todos à presidência da República.
Os candidatos em campanha têm prometido mundos e fundos a nós pobres diabos eleitores e pagadores eternos de impostos desviados, na maior parte, para o bolso dos corruptos, dos larápios astutos de colarinho branco. Eu ia falar, especialmente, sobre cultura.
Em nenhum dos programas de governo dos candidatos há projetos ou propostas direcionadas ao campo das artes, da cultura, da ciência. É como diz o outro: "estamos num mato sem cachorro".
Ciro é uma embromação.
Ciro, Haddad e Marina foram ministros do governo petista.
Ciro detona Haddad, que fica na moita. Marina detona Lula e Haddad etc.
As esquerdas brasileiras estão despedaçadas, rachadas, quebradas, como o PSDB de Alckmin e Aécio. E o que dizer do MDB? E o que dizer dos demais partidos, hein?
Dez candidatos disputam o cargo de presidente.
Faltam 25 dias para as eleições de outubro.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

TÉO AZEVEDO TOMA POSSE EM ACADEMIA DE LETRAS

Será depois de amanhã, 13, a posse do poeta e cantador Téo Azevedo na Academia Montes-Clarense de Letras. Téo, o nome conhecido nacional e internacionalmente tem uns dez livros publicados e 2 ou 3 centenas de folhetos de cordel.  É o artista, vivo,  com o maior número de músicas de sua autoria e parceiros gravadas. Cono produtor musical, Téo Azevedo tem centenas de LPs e cedês. Ninguém, até hoje produziu tantos discos de poetas repentistas quanto ele. Seu discurso de posse na Academia Montes-Clarense de Letras será todo feito em versos como estes:

Academia Montes-Clarense de letras (Luiz de Paula ferreira) décimas 7 sílabas
Téo Azevedo

Luiz de Paula Ferreira
Grande homem brasileiro
Filho do norte mineiro
Que pessoa hospitaleira
Uma família de primeira
Irmanados no amor
Seu coração uma flor
No meu canto do hinário
Grande amigo e empresário
Poeta e compositor

Nasceu em Várzea da Palma
Norte de Minas Gerais  
Tradição dos ancestrais
Entregou a sua alma
Batalhou com muita calma
Um bravo empreendedor
Catrumano e doutor
Com a virgem e o rosário
Grande amigo e empresário
Poeta e compositor

Um guerreiro da cultura
E da “Vovó Centenária” 
Nossa região agrária
Da cachaça e rapadura
Essa linda criatura
Foi um bardo lutador
Com todo seu esplendor
Da calma de um campanário
Grande amigo e empresário
Poeta e compositor





Academia Montes-Clarense de letras (Luiz de Paula ferreira) martelo decassílabo
Téo Azevedo

Vários livros de sua autoria
Alguns que já foram publicados
Escrito em trabalhos caprichados
“Na Venda do meu Pai”,foi alegria
Aceito com muita simpatia
E “Aspectos do Desenvolvimento
De Montes Claros”, mais um tento
“Momentos”, e o “Armazém de Ideais”
Fez da vida vários mananciais
Empresário, e um homem de talento

Uma bela família abençoada
E a Patrícia junto ao Luiz
Juliana e João Gustavo, que diz
Que Maria Cecília é encantada
Danilo companheiro e camarada 
Maria Isabel foi uma guerreira
Esposa, mãe e companheira
Ficou junta e passou do centenário
De amor ele era bilionário
E patrimônio da terra mineira

Vinte e sete de junho foi o dia
De mil novecentos e dezessete
Veio ao mundo firme no basquete
Um varão com bastante energia
Tão cheio de vida e alegria
Em dois mil e dezessete ele chegou
Vinte e três de novembro que marcou
Deus no céu controla nossos planos
E assim se passaram os cem anos
E Luiz de Paula encantou
  




O SEMPRE ATUAL BERNARDO GUIMARÃES

Acabei de ler um livro fantástico. Trata-se do romance O Ermitão de Muquem, de autoria do mineiro Bernardo Guimarães (1825-1884).
O livro tem história que se passa num vilarejo de Goiás e estende-se pelas margens do Tocantins. É um livro denso, escrito em 2 ou 3 anos e findo em 1858. Foi publicado 10 anos depois.
O Ermitão de Muquem é o primeiro romance regionalista brasileiro. O personagem central, Gonçalo, é um jovem desejado por todas as mulheres e temido por todos os homens, inclusive por seu amigo Reinaldo, que morre num duelo a faca assistido pela jovem Maroca, sua paixão; paixão também de Gonçalo, daí o duelo mortal.
Depois de matar Reinaldo, Gonçalo foge e é capturado por guerreiros da tribo Xavante. Porém antes de cair na mão dos guerreiros, Gonçalo promove uma verdadeira carnificina. E o livro vai ganhando uma forma extraordinária: a filha do velho chefe xavante apaixona-se completamente por Gonçalo e com ele se casa. Em resumo: com uma flechada só, Gonçalo mata a amada e seu irmão. Depois disso ele foge e transforma-se no Ermitão, mas não vou contar o final, que é incrível.
No livro O Ermitão de Muquem o autor, Bernardo Guimarães fala de costumes e ritmos musicais dos começos do século 19.
Bernardo Guimarães, que foi um monte de coisa na vida e morreu só, em casa, é o autor de Escrava Isaura e O Seminarista, sobre os quais falarei em breve.


domingo, 9 de setembro de 2018

TÉO AZEVEDO É ACADÊMICO EM MONTES CLAROS




No próximo dia 13, às 20 hs o poeta e cantador mineiro de Alto Belo Téo Azevedo assumirá a cadeira 19 da Academia Montes-Clarense de Letras. A cadeira 19 era do escritor Hermenegildo Chaves, da tradicional família mineira.
Téo Azevedo é um dos mais importantes artistas de sotaque caipira, ou catrumano, como ele prefere.
O artista de Alto Belo começou a compor, a cantar e a tocar viola ainda com poucos anos de idade. Ele nasceu no dia 2 de Julho de 1943. Em 1962, ele gravou a primeira música: Deus lhe Salve Casa Santa, do folclore por ele adaptado. Ele é um dos nomes mais premiados do Brasil. Há 3 anos ganhou o Grammy latino, com o cedê Salve Gonzagão. A propósito, desse  disco eu participo de uma faixa com um poema que fiz em homenagem ao Rei do Baião.
No começo deste ano de 2018 Téo Azevedo teve um LP relançado na Alemanha por uma gravadora local.
Quer saber mais sobre Téo Azevedo? Clique:



quinta-feira, 6 de setembro de 2018

DEBATE NÃO É DUELO

A campanha política de 2016 deixou saldo de 28 mortos. As vítimas eram candidatos a prefeito e a vereador. O Rio de Janeiro foi o palco que apresentou o número maior de assassinatos: 16. A maior parte dos casos ficou por isso mesmo.
Matar políticos, no Brasil e no mundo, é rotina. E isso vem de longe.
John Kennedy, presidente norte-americano foi morto quando fazia uma visita a Dalas. O mundo todo ficou chocado com as imagens que a televisão mostrou, ainda em preto e branco. Isso ocorreu no dia 22 de novembro de 1963. 
Quase 40 anos antes desse atentado, em Recife o advogado paraibano João Dantas matava o governador João Pessoa Cavalcante de Albuquerque com 3 tiros no peito. Isso ocorreu no dia 26 de julho de 1930.
O gatilho que matou João Pessoa, candidato a vice-presidente, acionou a chamada Revolução de 30, que levou o gaúcho Getúlio Vargas à cadeira de presidente da República.
O que ocorreu há poucas horas em Juiz de Fora, MG, com o candidato do PSL à presidência da República, Jair Bolsonaro, foi um ataque tresloucado contra a democracia. Isso é óbvio. Tão óbvio quanto o assassinato de Kennedy e de João Pessoa.
Até um cego pode perceber, com clareza, que debate político não é duelo de morte entre candidatos ou simpatizantes. O cara que desferiu uma facada em Bolsonaro precisa ser punido com o rigor da Lei.

MUSEU NACIONAL

A vida no Brasil corre com uma rapidez incrível. Os fatos, de todos os tipos, se multiplicam com a rapidez de um raio. O incêndio criminoso que acabou com grande parte da história do Brasil já está, pelo jeito, caindo no esquecimento popular e dos jornais etc. O fato ocorrido hoje contra Bolsonaro vai ocupar, já está ocupando todos os jornais e mídias dessa nossa terra querida e também de boa parte do mundo. Pois é, a vida segue. Mas é preciso identificar e punir os responsáveis pela tragédia ocorrida no Museu Nacional. E a vereadora Marielle, hein? E a cidade de Mariana? Continuamos no mar de lama, o mesmo em que se afogou Getúlio Vargas na manhã do dia 24 de agosto de 1954.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

CULTURA NÃO INTERESSA A POLÍTICOS

Arrepiei-me todo quando ouvi a minha Ana querida dizer que ouvira notícia dando conta de um incêndio que estava acabando com boa parte da riqueza histórica do Brasil. Em suma: O Museu Nacional do Rio de Janeiro, o mais antigo do país, estava sendo consumido pelo fogo. Isso foi domingo 2. Um Horror! Chocante.
Eu já falei sobre essa tragédia, claro. Mas não falei que chorei, chorei acompanhado pelos funcionários e trabalhadores do Museu, presentes diante da tragédia, impotentes mas ali diante, tentando fazer qualquer coisa para salvar a riqueza de que cuidavam todos os dias, tocante.
A cultura nunca interessou, grosso modo falando, aos nossos dirigentes republicanos.
O Museu Nacional foi criado por Dom Pedro I e sua mulher, Dona Leopoldina. A propósito, quem decidiu pela independência do Brasil foi Dona Leopoldina, cinco dias antes de o seu marido dar o famoso berro de liberdade do Brasil em relação a Portugal às margens do riacho hoje poluído do Ipiranga.
No Brasil há, hoje, 3.025 museus. 
A França tem hoje 130 museus. 
Uma perguntinha que não custa fazer: será que há algo de errado nesses números?
O Museu Nacional, que em junho passado fez 200 anos, guardava nas suas dependências pelo menos 20 milhões de itens que iam desde documentos de muitos anos antes de Cristo a documentos mais recentes, como a História de uma de nossas ancestrais mais famosas, Luzia.
Com o incêndio que engoliu o Museu Nacional, Luzia morreu novamente.
O Museu nacional, importantíssimo para o mundo, foi criado por Dom Pedro I, repetir não custa.
O Museu Nacional foi visitado por sumidades do mundo inteiro, entre elas o físico alemão Albert Einstein. O Museu Nacional, porém, nunca foi visitado por presidentes da nossa época. O único, em toda a história republicana foi o mineiro Juscelino Kubitschek. Triste, não é?
E tão triste quanto é a informação de que os presidentes brasileiros não tiveram, até hoje, interesse nenhum em visitar o Museu Nacional é o fato de os candidatos à presidência hoje dizerem besteiras enormes sobre o incêndio, sobre a cultura, sobre museus, sobre a nossa história. Exemplo? 
O Bolsonaro andou dizendo que museu é bobagem, é porcaria, não serve prá nada, queimou, queimou.
E nessa linha os candidatos à presidência seguiram. Ackimin disse nada, Ciro disse nada. A Marina pelo menos disse que dará importância à cultura, à história, à ciência...
A cultura forma gente e identidade de um país, de qualquer país.
Ano passado uma escola do Rio de Janeiro dedicou seu enredo aos 200 anos do Museu Nacional. Ouça:


segunda-feira, 3 de setembro de 2018

TEMPOS MODERNOS E YOUTUBE

Pois é, entre tragédias e tragédias de algumas delas estou sempre saindo. Mais moderno hahaha e pimpão.
A internet, essa maquininha de fazer doido e emburrecer gente, tem lá sua importância.
As múltiplas ferramentas que a internet oferece podem levar a bons caminhos desde, naturalmente, que o cidadão navegador saiba em que terreno está pisando.
Ler livros, ler tudo, sempre foi e será de fundamental importância a formação de quem quer que seja.
O escritor paulista de Taubaté Monteiro Lobato (1882-1948) dizia que "um país se faz com homens e livros". Ele tinha razão. Creio nisso até hoje e você?
Mas eu estou ficando homem moderno, ilustrado, mostrando a minha cara por ai a fora. Na verdade, isso faz tempo. Há! A justificativa pra minha "modernidade" é o Canal Assis Ângelo - IMB confira:

https://www.youtube.com/user/assisangeloimb

A TRAGÉDIA BRASIL

Irresponsabilidade e falta de respeito ao bem comum já resultaram em grandes tragédias, como a que acaba de ocorrer no Rio de Janeiro.
Entre a noite de ontem 2 e a madrugada de hoje 3, o fogo em enormes labaredas destruiu completamente a memória brasileira de 200 anos guardada no Museu Nacional, o maior do País.
Na sede no museu moraram D. João VI e seu filho, Pedro I.
A sede do museu foi palco da Constituinte de 1823 que resultou na Constituição de 1824.
Levantamentos preliminares indicam que o fogo apagou mas de 20 milhões de itens históricos, da Cultura e da Ciência, incluindo manuscritos de membros da família real.
Quem responderá por essa grande perda, o reitor da Universidade do Rio de Janeiro ou os Ministérios da Educação e Cultura?
Como fica o governo brasileiro essa história, uma vergonha não é?
Não é de hoje que patrimônios brasileiros são atraídos e destruídos pelo fogo. Em 1631, os invasores holandeses tacaram fogo na cidade de Olinda, PE, destruindo tudo. Aquele foi um horror parecido com o horror que fez o sacana Nero por outros motivos, na Roma Antiga.
Na virada do século XIX, Ruy Barbosa - o grande Ruy Barbosa! - tacou fogo em documentos referentes à escravidão.
No começo dos anos de 1950, a cantora e pesquisadora de cultura popular Inezita Barroso tacou fogo em centenas e centenas de anotações que fez em viagem pelo Nordeste. Fez isso porque a TV Record, com a qual tinha contrato, não demonstrou interesse nenhum pelo material.
E o fogo continuou lambendo a história. O acervo da TV Cultura, por exemplo, foi alvo de incêndio. De incêndio também foi alvo a já referida TV Record.
Não faz muito o fogo lambeu o Museu da Língua Portuguesa e até matou um bombeiro. A proposito, o diretor do Museu Nacional culpou, há pouco, os bombeiros por não terem debelado no incêndio já nos primeiros minutos. Que coisa!
 E a Cinemateca, hein?
A Cinemateca também foi quase toda destruída por incêndio provocado pela irresponsabilidade de gestores.
O Brasil está sem gestor. O Brasil está perdido, a deriva, que nem um barquinho de papel em mar revolto.
E os políticos, hein?
A cultura, a ciência e a educação não interessam aos políticos de plantão e, sempre, atuando em defesa de interesses próprios ou impróprios, dependendo do ponto de vista.
A verdade meus amigos, minhas amigas, é que há muito o Brasil é uma tragédia.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

O FEMINICÍDIO NAS ARTES

Diariamente 12 mulheres são assassinadas no Brasil. Isso dá a média de uma mulher a cada 2 horas. Muitas delas são vitimadas por seus próprios companheiros.
O feminicídio é uma infeliz prática que se acha com frequência no nosso cotidiano e na nossa literatura. Desde sempre.
O bicho homem se transforma em tragédia ao sentir-se “traído” ou preterido pela mulher. Isso se acha em Machado, em Alencar e no excelente e praticamente desconhecido Manoel de Oliveira Paiva (1861-1892). Em Dona Guidinha do Poço (1952), é apresentada a trama entre a protagonista, o marido e o amante. O marido morre na ponta de um punhal a mando da mulher, que acaba presa. A história é baseada num fato real ocorrido em terras cearenses, em 1853.
No romance Til, de José de Alencar, o marido mata a mulher depois de andar sumido de casa por anos, ao tomar conhecimento de que ela tivera uma filha na sua ausência. A criança cresce como bastarda e toma conta da história.

Em 1981 o cantor Lindomar Castilho matou a tiros sua mulher. Por ciúmes.
Na música, erudita ou popular, os casos de ciúme, paixão e morte multiplicam-se aos milhares. Há casos em que o personagem não mata, mas morre ou finda no fundo de um copo. 
Ouça O Ébrio, canção de Vicente Celestino (1894-1968), gravada em agosto de 1936:
 

Noutro clássico do gênero (Eu Não Sou Cachorro Não), o baiano Waldick Soriano (1933-2008) se lasca todo mas não mata nem morre.
Preconceito e discriminação andam de mãos dadas na literatura, no cinema e na música.
Em 1967 Luiz Gonzaga, o rei do baião, lançou à praça o preconceito que dividiu com o parceiro José Clementino em Xote dos Cabeludos. Ouça:
 
                                     
Em 1966, Geraldo Vandré mostrou o reverso, cantando a dor de quem não aprende a chorar. Vandré é daqueles artistas que mergulham fundo na cultura popular. Do livro Dona Guidinha do Poço, ele foi buscar a máxima segundo a qual “Tanto faz dar na cabeça, como na cabeça dá”.
Uma coisinha: adultério não é prática criminal, segundo o código penal.



quinta-feira, 30 de agosto de 2018

ZÉ...



Em 1968 José Hamilton Ribeiro era repórter da Revista Realidade que não existe mais e, de bate pronto, aceitou o desafio de cobrir a guerra no Vietnã, travada entre vietnamitas e norte-americanos. Já em campo de batalha, pisou numa mina doida e foi aos ares. Ao recobrar os sentidos, notou que no seu corpo faltavam partes. Mas não ligou. Chegou até a dizer que o que perdeu não lhe fez falta. José Hamilton Ribeiro, paulista de Santa Rosa de Viterbo, nasceu no dia 29 de agosto de 1935. Ele é um jornalista que a todos nos faz bem. É criativo, é decidido, é humano no sentido mais amplo do termo. Zé tem 17 livros publicados sobre meio ambiente, jornalismo e música caipira. Prá mim, ele merece o Prêmio Nobel de literatura, jornalismo ou da paz. Ou os três juntos. Viva Zé! Ah, ia me esquecendo: o poema abaixo eu o fiz ontem, 29,  em sua homenagem, em nossa homenagem. Chama-se ZÉ..., este:


O mundo anda perdido
Que nem galo sem terreiro
Que nem um cego sem guia
Ou barco sem timoneiro
Mas ainda bem que tem
José Hamilton Ribeiro

 Repórter de boa cepa
Ouro puro, verdadeiro
É um galo bom de briga
Doido por galinheiro
Hoje seu nome é marca
Do jornalismo brasileiro

Na pauta desse José
Tem sanfona, tem pandeiro
Tem cantiga de Matuto
E prosa de marrueiro
Fora isso ainda tem
Verso, viola e violeiro

Ele foi a todo o canto
Foi até o estrangeiro
Foi à luta, foi à guerra
Lutou foi bom guerreiro
Caiu mas levantou-se
De modo muito ligeiro

Incansável segue firme
Livre, leve e faceiro
Redescobrindo na vida
O prazer aventureiro
De fazer mais reportagens
Com o carimbo Zé Ribeiro

Novas guerras continuam
No Brasil, no mundo inteiro
É gente matando gente
Por nada, só por dinheiro
Mas nem a morte mata
José Hamilton Ribeiro






GLOBO JORNALISMO

Nesses dias o Jornal Nacional tem levado ao ar entrevistas com candidatos à Presidência da República. Ciro foi o primeiro, o segundo foi Bolsonaro. O terceiro foi aquele que a Tereza deu a mão Pois é, Alckmin foi encurralado por Boner e Renata Vasconcelos. Foi encurralado como os dois candidatos anteriores. A audiência da Globo deve ter ido lá em cima. Mas de que estão servindo estas entrevistas? As perguntas feitas foram óbvias e as respostas já amplamente conhecidas. Acho que está faltando coisa nessas entrevistas, a gente vê e escuta o óbvio ululante de que falava o mestre pernambucano Nelson Rodrigues. Questionar entrevistado é mesmo tarefa do bom jornalismo. Sinto que está faltando algo nestas entrevistas, na forma em que são feitas. Repórter pergunta e deixa o perguntado responder. Não é o que está acontecendo nesta série de entrevistas levadas ao ar pela Globo.




terça-feira, 28 de agosto de 2018

PAIXÃO CÔRTES VIRA ESTRELA NO CÉU


Ontem, 27, fez um mês que a cantora, compositora e instrumentista Maria da Paz trocou a terra pelo céu. Ela era uma das frequentadoras de programas que apresentei na rádio Capital e na All TV (aí acima).
Há pouco Célia, da dupla mineira Célia e Celma, telefona prá dizer que o gaúcho João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes acabara de encantar-se. O encantamento deu-se ontem, 27, deixando meio mundo triste. Muita gente, aspas, Geraldo Alckmin estava por lá e não deu bola. Aliás, políticos não dão bola à cultura popular e a quem estuda o assunto.
Paixão Côrtes, que nasceu em 1927, deixou uma história incrível. Foi ele quem criou o Centro de Tradições Gaúchas, CTG, que espalhou-se em unidades Brasil afora.
Os gaúchos têm uma história de briga e valentia exemplar, como, de resto, o Nordeste, o Sudeste, o Norte...
O Brasil é um país cheio de histórias. Histórias do arco da velha.
Mais do que falar de Paixão Côrtes, melhor ouvir a entrevista que fiz com ele há alguns anos, para o programa que eu apresentava na rádio Trianon:


ZÉ BÉTTIO

Quem partiu ontem desta para melhor, provavelmente, foi o radialista José Béttio. Ele tinha 92 anos. Morreu rápido, em casa, e rapidamente o seu corpo foi incinerado, acho. Como ele queria. Eu o conheci na Rádio Capital, onde por mais de seis anos apresentei o programa líder de audiência São Paulo Capital Nordeste. Ele participou uas ou três vezes do meu programa. Zé era um cara curioso. Era fazendeiro, dono de não sei quantas fazendas. Ele andava armado, com um revólver preso à canela. Foi ele mesmo quem me disse isso. E justificou: "Já matei quem não prestava, recebo ameaças, por isso não quero ser surpreendido por vagabundo".

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

CORDEL NO SESC


Embora ainda haja preconceito sobre a literatura de cordel, devo dizer que a literatura de cordel é um tipo de literatura rica em conteúdo e, por isso mesmo, importantíssima para o Brasil.
A literatura de cordel é coisa antiga.
Os primeiros folhetos contendo história em poesia foram publicados provavelmente em Portugal a partir do começo do século 16. Gil Vicente (1465-1536), quero crer, foi o pioneiro nesse tipo de literatura em Portugal, pelo menos. Seus primeiros textos foram escritos em Espanhol. 
O folheto de cordel também germinou no sul da França e também na Alemanha.
O cordelismo, nos seus primórdios, se fez presente no México, Chile e outros países de língua latina. No Brasil, a literatura de cordel chegou logo depois da chagada da família real em 1808.
O primeiro autor a publicar versos em folheto foi o paraibano Silvino Pirauá de Lima (1848-1913), segundo nos diz mestre Luis da Câmara Cascudo (1898-1986).
O segundo autor a publicar histórias em folhetos foi Leandro Gomes de Barros (1865-1918).
Silvino e Leandro eram paraibanos, nascidos na Serra do Teixeira.
Agora há pouco falamos sobre isso na unidade do Sesc, ali na 24 de Maio, centro paulistano.
Comigo estiveram o bom baiano Marco Haurélio e o inspirado Moreira de Acopiara (foto acima).
O ponto da conversa era Leandro Gomes de Barros e o Cego Aderaldo, que nasceu em 1878 e partiu para a Eternidade no dia 29 de Junho de 1967.
Aderaldo foi o cego repentista mais importante do Brasil.


ADERALDO CANTADOR


Neste mundo ainda tem
Muito cego apaixonado
Cantando a vida em verso
De modo improvisado
Como o tempo todo fez
O bardo Cego Aderaldo

Aderaldo foi exemplo
De poeta e cidadão
Enxergava muito longe
Sem nos olhos ter visão
E lutava a boa luta
Com as armas do coração

E lutava! E cantava!
Com uma rabeca na mão
Enaltecendo a Natureza
E os filhos da Criação
Como os peixes do mar
E as aves de arribação

Era incomparável
No seu tempo de repente
Estava em todo o canto
Cantando sempre contente
Brincando com a rabeca
E fazendo verso prá gente

E não via com os olhos
Ele via com a mente
Ele era especial
Sensível, inteligente
E mais do que ligeiro
No gatilho do repente

O repente é arte
É alma da Cantoria
É a via que transforma
Tristeza em alegria
E leva todo mundo
Ao mundo da fantasia

Um mundo fabuloso
Bonito, encantado
De violas repentinas
Por poetas habitado
E onde sempre estará
O grande cego Aderaldo!

Bom tocador de rabeca
E doutor em verso rimado
Foi primeiro sem segundo
No verso metrificado
E nunca fugiu à luta
Toda vez que foi chamado

Lutou com Patativa,
Sinfrônio e Oliveira
Rogaciano e Pinto
E também com Zé Limeira
Aderaldo foi um marco
Na porfia brasileira

Ele chegou, ele partiu
Deixando verso plantado
Verso de toda cor
Para um dia ser lembrado
É por isso que eu digo
Viva o cego Aderaldo!





quinta-feira, 16 de agosto de 2018

JORGE MELLO É CARTAZ NA GALERIA OLIDO

De um amigo, acabo de receber o seguinte texto:

Nesse próximo domingo dia 19 de agosto, Jorge Mello  se apresentará no Espaço Cultural OLIDO, na Av. São João 473, centro de São Paulo, ao lado da banda SOCIEDADE KAVERNISTA, para apresentar o repertório de dois de seus álbuns gravados há mais de 40 anos. Interpretará as canções do álbum FELICIDADE GERAL, gravado em 1972 no Rio de Janeiro e também do álbum CORAÇÃO ROCHEDO, gravado em São Paulo em 1978. Quando fez essas gravações Jorge Mello tinha no acompanhamento de seus shows, as bandas com quem gravou. Em FELICIDADE GERAL, gravou com a banda O GRÃO. Banda que depois foi a base do trabalho do Tim Maia. E ao gravar CORAÇÃO ROCHEDO, gravou com a banda PONTE AÉREA. Nesse evento, a banda SOCIEDADE KAVERNISTA, fará a sonoridade daquelas gravações originais, reproduzindo a psicodelia própria daquela época, presente nas gravações. Sonoridade muito  significativa para a música brasileira. Compareça.
Também serão mostradas composições de Belchior, o parceiro mais constante de Jorge Mello, porque criaram mais de duas dezenas de canções que foram gravadas por eles dois e por outros intérpretes. Até la!


CABEDAL QUARTETO


A tevê Brasil apresenta amanhã, 17, às 20:30 hs o Cabedal Quarteto. Será ao vivo e a cores. O Quarteto é formado por Bráu Mendonça (violão e guitarra), João Antonio Galba (violino e bandolim), Gilson Bezerra da Silva (baixo e cavaquinho) e Sandrinho (percussão e bateria). Rosângela Alves é a cantora convidada. Farão músicas autorais e clássicos da MPB durante o programa Fique Ligado - não perca!




PISADA DE BOLA

Um amigo telefona prá dizer que gostou do texto sobre Eça, mas que pisei na bola. A pisada foi o fato de eu dizer que Dom Miguel era o filho mais velho de Dom João VI. Putz! Vamos lá: Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara Antônio Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo. Nasceu  em 1802, quatro anos depois do irmão Pedro, que dirigiu os destinos do Brasil como rei no século 19. Miguel, que também viraria rei em Portugal, chegou ao Brasil junto com os pais em 1808.
Miguel é referência rápida no romance A Cidade e as Serras, que andei comentando aqui.
Miguel não era brinquedo não. Ele derrubou a prima, a rainha Maria II, ficando no seu lugar até 1834, quando Pedro o pôs prá correr no exílio na Itália, Grã Bretanha e Alemanha, onde morreu em 1866.
No livro A Cidade e as Serras, o autor também faz referência a gregos e troianos, entre os quais Platão e Virgílio. Até Schopenhauer sai do bico da caneta de Eça prá garantir a imortalidade. Outro personagem citado é o lisboeta Sebastião, Dom Sebastião, o desejado.
Dom Sebastião virou mito depois de perder a vida em guerra campal em Marrocos. Tinha 24 anos de idade quando isso ocorreu, em 1578. Uma bobagem: Dom Sebastião nasceu 5 dias antes de os jesuítas Nóbrega e Anchieta fundarem a capital de São Paulo.      
Hoje, 16 de agosto, faz exatos 118 anos que o escritor Eça de Queiroz faleceu, provavelmente de tuberculose.                   

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

AINDA EÇA...

No mundo de Jacinto, o filho dileto de Galião, foi feliz o tempo todo em Tormes, o seu lugar. Eu conheci Tormes. Eu fui a Tormes. Depois de Tormes, eu fui a Baião. Antes de Baião e Tormes, tem Régua. História bonita, de caminhos.
Foi em Tormes que o personagem de Eça encontrou vigor e vida. Ele, o amigo fiel Zé Fernandes e o negro Grilo.
O palacete de Jacinto, no 202 de Campos Elísios em Paris, recebia o mundo mais importante da Europa. Esse mundo representado por príncipes etc. Grandes jantares com comidas de tudo quanto era lugar. Coisas caríssimas. 
Tudo que um homem poderia ter, tinha Jacinto. 
E aí a tristeza de ter tudo sem ter nada.
No palacete 202 de Campos Elísios, Jacinto comprava tudo que queria de qualquer canto, dinheiro não lhe faltava.
No 202 tinha telefone, telégrafo, revistas, jornais, incluindo Le Figaro.
Nesses jornais ele se informava sobre tudo. Ele era leitor compulsivo. No seu palacete tinha "de um tudo" de todo canto.
Quando Jacinto, borocoxô que estava, resolve ir a Tormes ele, sem saber estava indo de encontro as suas raízes. E ali ele foi feliz. Ele, a mulher Joaninha e dois pimpolhos...
Jacinto Galião, pai de Jacinto, morreu, se acabou. E aí teve, naquele momento da queda do Galião, Miguel. Miguel I. Dom Miguel I.
Dom Miguel, filho mais velho de Dom João VI e Carlota Joaquina, usurpou a cadeira de Maria II. Maria II era sobrinha.
Miguel foi o cara que acudiu Galião.
No livro A Cidade e as Serras, em que tudo ocorre isto que falamos, tem tudo e muito mais que se possa esperar de uma história de vida, de vidas.
Dom Miguel I, rei usurpador de Portugal foi posto para correr por seu irmão Dom Pedro I; A história é longa e bonita, e curiosa e incrível.
Ler faz bem.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

EÇA, UM MESTRE DA LITERATURA

É um livro excepcional. Ele começa com o velho Jacinto Galião caindo que nem jaca no chão. Numa fração de segundo Galião é acudido pelo infante Dom Miguel, que reinaria em Portugal e Algarves entre os anos de 1828 e 1834, quando seria posto prá correr pelo irmão Pedro 1º. Mas isso é detalhe. 
O livro A Cidade e as Serras traz um enredo muito bem feito. 
O filho de Galião, Jacinto, mora num luxuoso palacete de dois andares na Paris de fins do século 19, cercado por serviçais e mais de 30 mil livros. Riquíssimo, mas infeliz.
O fiel escudeiro de Jacinto é José Fernandes, o narrador. Narrador e personagem importante junto ao protagonista.
Enfadado, sem saber bem o que fazer, Jacinto recebe notícia que dá conta de uma violenta tempestade que pusera abaixo a Capela e casas da localidade portuguesa chamada Tormes, seu berço. A tempestade espalhou os restos mortais dos seus avós. Isso o deixou preocupadíssimo. E o levou pessoalmente ao lugar. Foi uma viagem atormentada. Com ele viajaram Zé Fernandes e o negro Grilo, pau prá toda obra e fidelíssimo a seu amo.
Jacinto vivia uma vida de nababo no número 202 de um bairro de Campos Elíseos. 
Um dia, ainda em Paris, Zé Fernandes perguntou a Grilo o que poderia justificar a tristeza e infelicidade do seu patrão. Resposta: "Ele sofre de fartura". 
Em suma: a tempestade em Tormes foi altamente benéfica para o restabelecimento de Jacinto que lá, no campo, recobrou o vigor da juventude e a vontade de viver, casando-se com uma sobrinha de Zé Fernandes e tendo com ela 2 filhos, vivendo felizes para sempre.
A Cidade e as Serras é uma obra prima. Foi o primeiro dos onze livros de Eça de Queiroz publicado um ano depois da sua morte em 1901 e o último por ele escrito. No total, o grande Eça escreveu 25 livros, entre os quais os clássicos Os Maias, O Crime do Padre Amaro e O primo Basílio. Uma perguntinha: Meu amigo, minha amiga, você sabia que o pai de Eça, José Maria de Almeida Queiroz, nasceu no Brasil?
Eça de Queiroz morreu com 54 anos de idade, no dia 16 de agosto de 1900.





sexta-feira, 10 de agosto de 2018

GREGO E JAVANÊS NA BAND

Ao longo do debate entre alguns presidenciáveis ontem na Bandeirantes, descobri que Alckmin, Ciro e Marina falam com invulgar fluência o Javanês, de Lima Barreto. Nesse ponto, nota 1000 para o ex governador de São Paulo. A continuar assim, ele findará dançando o tango dançado pelo portador de kock do poema de Bandeira. 
O que se ouviu no correr de mais de 3 horas de lero lero, foi lero lero em Javanês, ou grego, como queiram.
Não entendi nada, quase nada. O que eu entendi foi uma total falta de ideias de homens aparentemente lustrados.
Álvaro Dias, de quem se esperava mais, foi de um oportunismo surpreendente. Se presidente, pasmem, ele convocará às fileiras o Juiz Moro para o Ministério da Justiça. Dias tá doido ou não tá doido?
Boulos, aquele do PSOL, que carrega uma nordestina à tiracolo como vice, atirou prá todo lado. Não acertou ninguém, mas atirou. Como atirador, surpreendeu.
Ciro parecia uma moça, toda toda, esperando convite para uma valsa nos braços de Bolsonaro. Não colou. Bolsonaro ficou na dele, apenas cortejando. 
Marina, ah Marina! Particularmente não entendi nada do que disse Marina. A propósito, acho que ela misturou javanês com grego e marcianês.
Quanto a Alckmin, posso dizer que fez jus àquela história de picolé de chu chu, sem gosto, sem nada.
Ah! E teve aquele Cabo não sei o quê, que não parava de pecar ao evocar em vão o nome de Jesus Cristo.
E confesso: Pesquei aqui e acolá enquanto ouvia o debate da Band, sendo que costumeiramente demoro a me pegar como o sono. Vá de Retro!
E Lula, hein? Acho que seria interessante ouvir o Lula. É sempre bom ouvir o Lula...Ele é engraçado e perigoso.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

BRASIL DE KAFKA

De novo, hoje: a bolsa baixou, o dólar subiu. E a estima do Brasil?
Da cadeia, Lula dá ordens.
Da cadeia, Marcola dá ordens.
Ouvi, hoje no rádio, o Ministro da Segurança dizendo que Fernandinho Beira Mar tem 37 advogados para defendê-lo. E eu pensei: quantos advogados há para defender Lula, para defender Cabral, para defender tantos e tantos poderosos que em nome do povo humilharam o povo, arrancando do erário o sangue contributivo do próprio povo.
Ouvi, há pouco, um locutor de rádio lendo uma carta atribuída a Lula. Nessa carta ele dá aulas, ensina, diz como o povo brasileiro deve se comportar perante os problemas vividos por todos. Que aula! 
Lula continua na cadeia  Hoje faz 4 meses e 2 dias que Lula anda na cadeia. Espaço privilegiado que o ex governador do Rio, Sérgio Cabral reivindica para si.
Espantei-me ouvindo notícia de que os advogados pediram para ser excluídos da pauta do STF pedido de libertação de Lula. Pensei: O que é isso? 
A estratégia dos advogados é manter Lula na cadeia, e não livre de lá, a pedido do próprio Lula.
Para o ser de pensamento comum é muito difícil de entender esse tipo de estratégia. Pois como trocar a liberdade por sei lá o quê?
A estratégia é fazer de Lula uma vítima eterna. E a cadeia é o canto.
Sabem o que acho disso tudo?
Eu acho que Lula e o PT estão mais enroscados do que pentelho de africano, com  todo o respeito aos africanos, naturalmente.
Bom, daqui a pouco tem debate com 8 dos 13 presidenciáveis. 
O Lula quer que Haddad participe do debate,
Mas como Haddad poderia participar do debate entre presidenciáveis se ele, Haddad é o vice de Lula?
Nem Kafka poderia imaginar o alcance do absurdo da política brasileira.


terça-feira, 7 de agosto de 2018

NERVOSISMO NO MERCADO

Hoje, no Brasil, o mercado financeiro endoidou, a bolsa subiu e o dólar foi para cima e para baixo. Até o euro se movimentou para cima. O motivo disso foi a fala dos candidatos à presidência, Haddad, Boulos e Manuela do PSOL, que anda de stand-by para formar a chapa petista que o Lula indicar. 
Na Europa e EUA, o mercado funcionou bem apesar do doido Trump.
Hoje faz exatos 4 meses que Lula está nas grades, quer dizer, mais ou menos.
Do lugar onde se acha, espécie de escritório, Lula mexe no tabuleiro político fazendo o que quer, como reis de paus, reis de ouros, mas aí é outro jogo.
Hoje faz 12 anos que a Lei Maria da Penha foi promulgada. Quem a promulgou, depois de passar pelo Congresso, foi o Lula lá. Coincidência: Lula está cumprindo 12 anos de cana. 
Faltam 140 e poucos dias para este ano de 2018 terminar, mas até lá muita água suja correrá sob as  pontes da vida.
É incrível o número de mulheres mortas por canalhas. Dados indicam que a cada 8 segundos uma mulher morre na unha de homens que um dia disseram amá-las. Um horror!
O campo político está minado.
São 13 os candidatos a substituir Temer, que substituiu Dilma, que substituiu Lula, que substituiu...
Desde a proclamação da República, em 1889, duas dúzias de vices ocuparam a cadeira de presidente. O cargo está ficando importante, como se vê, e perigoso.
Dos 13 candidatos, poucos têm condições de disputar o segundo turno: Bolsonaro e Alckmin, Alckmin leva.

CONVERSA E VIOLA

Ontem, à boca da noite, amigos estiveram comigo conversando, cantando e tocando violão. E tomando uma, claro. Os amigos que aqui estiveram foram Téo Azevedo, pelo mundo conhecido, Toni Agreste, Júnior, Luciano e Wagner, que andou batendo uns retratos do encontro. Foi uma noite muito bonita, muito agradável. Eu, que sou tímido, até declamei uns poeminhas que ando fazendo. E como há que goste de tudo, os amigos gostaram. Tim, tim. O registro é esse ai.
                         


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