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segunda-feira, 17 de junho de 2019

SÃO JOÃO DE NORTE A SUL DO PAÍS




Nas origens, o São João existe antes de Cristo.
Séculos antes de Jesus Cristo nascer, o povo comemorava as boas safras no campo. Para tudo sempre houve motivo de comemoração, como hoje. Só que na antiguidade não existiam nem forró de Gonzaga nem humorismo de Ludurego, nem quadrilha de dança nem mais um monte de coisa.
Ali pelo século II, depois de batalhar contra os festejos pagãos, a Igreja rendeu-se aos encantos dos hereges e incluiu essa festa no seu calendário. E mais: incluiu Santo Antônio, São João e São Pedro. São Paulo faz parte da festa, mas pouca gente sabe disso talvez porque São Paulo foi o cara que virou santo depois de perseguir e matar cristãos.
A quadrilha junina teve início na França do século XVIII, por ai. Era dança de salão. A nobreza adoravam, mas ai essa dança chegou ao Brasil e tudo mudou. E é isso que há ai.
A música do chamado ciclo junino, no Brasil, data do século XIX, no Rio de Janeiro.
Em disco, as primeiras gravações datam do início do século passado.
O gênero musical mais marcante do chamado ciclo junino é chamado de marcha.
O primeiro compositor a compor nesse referido ritmo foi o baiano Assis Valente (1911-1958). É dele Cai, Cai Balão, uma obra prima. Ouçam:


As festas juninas de espalham de norte a sul do País.
Um detalhe une os sotaques das festas juninas: sanfona e fogueira.
Ai a acima, na foto, mostro discos do pernambucano João Silva (1935-2013), do gaúcho Pedro Raimundo (1906-1973), do carioca Lamartine Babo (1904-1963), paulista Raul Torres (1906-1970) e a potiguar Ademilde Fonseca (1921-2012). Ademilde foi a mais importante interprete do chorinho. Ela deu voz, literalmente, ao choro. Ficou conhecida como a Rainha do Choro.
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acham centenas de discos com músicas sobre São João e os outros santos da época.

terça-feira, 11 de junho de 2019

JORNALISTAS&CIA HOMENAGEIA O RÁDIO


da esquerda para direita: Carlos Maglio, José Paulo Lanyi, Assis Ângelo e Luiz Carlos Freitas


Jornalistas de São Paulo foram premiados pela segunda vez no concurso promovido pela empresa Jornalistas&Cia para homenagear o padre Landell de Moura, gaúcho inventor do Rádio.
A entrega do prêmio aos jornalistas que se destacaram na cobertura dos seus trabalhos ocorreu ontem 10 no plenário da Câmara Municipal de São Paulo. Estive lá.
Landell foi um cientista dedicadíssimo. 
Intelectual, brilhante do seu tempo, Landell antecipou-se a Marconi quando levou aos brasileiros de São Paulo a fala de gente por ondas magnéticas. Mas, como sempre, o novo no Brasil é visto como nada. E aí perdemos para o italiano Marconi a oportunidade de sermos conhecidos no mundo como inventores do Rádio.
O resto a história c-a-p-e-n-g-a-m-e-n--t-e registra.
Assis
Os vencedores do 2º Prêmio Landell de Moura, escolhidos pelos jurados Carlos Maglio, José Paulo Lanyi, Assis Ângelo, Luiz Carlos Freitas e Arlete Taboada, são:
Âncora: José Paulo de Andrade (Bandeirantes).
Repórter: Maiara Bastianello (BandNews).
Comentarista: Carlos Alberto Sardenberg (CBN).
Programa Jornalístico: Jornal da Bandnews.
O jornalista Eduardo Ribeiro e o vereador Eliseu Gabriel merecem deste blog todo respeito pela história que estão fazendo.


HISTÓRIAS DO ALÉM



Já não há tantos e bons médiuns como antigamente.  É o que se depreende pelo noticiário recente.
O mineiro Zé Arigó,  que partiu para a Eternidade, aos 50 anos de idade, em 1971, marcou época. Nasceu pobre e morreu pobre, num acidente de carro. Ele jamais aceitou qualquer dinheiro  a título de doação pelo bem que fazia aos semelhantes. Em 1956 foi preso, acusado  pela prática irregular da medicina. O presidente Juscelino Kubistcheck o indultou. Ele não sabia bem o que era indulto, mas ficou sabendo logo depois. Em 1963, um padre o acusou de exorcismo etc. Centenas de pessoas se mobilizaram para fazer com que o presidente João Goulart o indultasse. Zé Arigó já então sabendo o que era indulto decidiu cumprir a pena que lhe fora imposta de 1 ano e 7 meses. Sem favor ou perdão presidencial.
E Chico Xavier, heim? 
Chico nasceu em 1910 e partiu em 2002. Era mineiro como Arigó. E como Arigó nunca aceitou paga pelo que fez em benefício a milhões de pessoas. Ele psicografou milhares de textos. Da sua biografia consta que publicou 451 livros. Os direitos autorais desses livros ele nunca aceitou, doando para entidades espíritas.
E vocês já ouviram falar do paraibano Euricledes Formiga?
Formiga nasceu em 1924 e nos deixou em 1983. Resistiu enquanto pôde a receber espíritos. Ele era alegre, bonachão, cheio de graça e vida. Publicou livros e até gravou um LP ao lado de José Soares Cardoso (acima).
Formiga chegou a psicografar ao lado de Chico Xavier, que o admirava.
E o paulistano Jorge Rizzini?
Rizzini nasceu em 1924 e foi juntar-se a Arigó, Chico Xavier e  Formiga, em 2008.
O Espiritismo é algo que foge à razão comum. A Ciência torce o nariz a esse fenômeno.
Rizzini psicografou obras de grandes nomes da poesia nacional e estrangeira, como: Luís de Camões, Edgar Allan Poe, Gonçalves Dias, Manuel Bandeira e Mário de Andrade.
O repertório do LP Compositores do Além é todo psicografado por  Rizzini. Os compositores são Lamartine Babo, Ataulfo Alves, Noel Rosa, Assis Valente, Francisco Alves, Vicente Paiva, interpretados por Roberto Amaral, Silvia Maria, Rosaly, Gilberto Santamaria, Adilson Godoy e  Neyde Fraga. Esse disco foi gravado nos estúdios da  rádio Eldorado, em 1982.
O mentor espiritual de Jorge Rizzini era Manoel de Abreu. Curiosidade: Rizzini, como Formiga, era jornalista e coube a ele  apresentar o primeiro programa de televisão (TV Cultura) sobre espiritismo.
João de Deus! Anotem: um pesadelo, uma vergonha, uma tristeza, um blefe.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

JUNINAS, FUTEBOL E CARNAVAL

O carioca Lamartine Babo foi um dos maiores compositores da Música Popular Brasileira. Ele transitou em quase todos os gêneros, inclusive o Teatro de Revista. Lamartine nasceu em 1904 e partiu para a eternidade em 1963, mais exatamente no dia 16 de junho. São dele clássicos da nossa música como O teu cabelo não nega, Serra da Boa Esperança, Chegou a hora da fogueira, No rancho fundo e Cantores do rádio. Serra do Boa Esperança, aliás, ele fez em parceria com Ary Barroso, para homenagear a região homônima de Minas. Um gênio, que deveria continuar na boca do povo. Só para lembrar, mais uma coisinha: foi parceiro de Noel Rosa, Ary Barroso e outros craques. E é autor dos hinos de diversos times de futebol do Rio, entre eles Flamengo, Botafogo, Bangu e América, sua paixão. Quase toda a obra de mestre Lamartine Babo está no acervo do Instituto Memória Brasil (IMB).

O VIAJANTE ONALDO QUEIROGA


Eu penso: O Brasil tem, sim, futuro.
Onaldo Queirog (acima, comigo há pouco) é um paraibano, juiz de Direito. Um cidadão à toda a prova. E proza. Tem senso incomum sobre o comum da vida cotidiana. É um pensador no seu estado natural, cheio de leituras e pontos de vista.
Minha casa, hoje, encheu-se de alegria e saber com a presença de Onaldo Queiroga. Ele é titular da 1ª Vara Civil da Comarca de João Pessoa, PB. Tenta compreender a filosofia popular e seus autores. Ele próprio colabora, na prática, com a compreensão desse entendimento. Tem vários livros publicados sobre Direito e experiências do dia a dia. Agora mesmo está publicando o livro Crônicas de um Viajante, no qual relata experiencias que a vida lhe tem dado. 
Onaldo Queiroga, paraibano de Pombal, é ouvinte assíduo de cantadores repentistas e das cantigas do povo. Luiz Gonzaga foi um artista que muito o inspirou na vida que leva de encontro ao pensamento popular.
A toada A Vida do Viajante, de Gonzaga e do mineiro Hervê Coldovil, cabe perfeitamente na vida de Onaldo. Ouça:




segunda-feira, 3 de junho de 2019

Humor desde sempre. Viva Cornélio Pires!


Nestes tempos bicudos, de raiva, desencontro e mau humor, não custa lembrar que a graça, a ironia, o bom humor, a piada existe desde sempre.
O primeiro produtor independente de discos no Brasil chamou-se Cornélio Pires, um brasileiro da cidade paulista Tietê.
Em maio de 1929, ele lançou a primeira anedota que se conhece gravada em disco: Anedotas Norte Americanas (ai na foto).
Cornélio tirou grana do próprio bolso para produzir 52 discos registrando o comportamento do povo do mundo rural paulista. A primeira moda de viola que se conhece em disco foi ele quem produziu e lançou: Jorginho do Sertão.
Cornélio Pires é um nome de grande importância para a história dita caipira do Brasil.
No Nordeste, caipira é chamado de matuto.
No Sudeste, especialmente em Minas Gerais, o matuto é chamado de catrumano.
Para designar o matuto nordestino do caipira, outros nomes também são dados: capial, caboclo...
Quando será que os governantes das três esferas vão dar importância à cultura popular, hein?
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acham todos os discos da série Turma Caipira Cornélio Pires. E se acham também todos os 22 livros que Cornélio lançou.
Cornélio Pires foi jornalista com carreira iniciada no jornal Tietê.
Além de produzir como jornalista no Tietê, como jornalista ele produziu para o jornal Comércio e revistas Pirralho, O Saci, etc. Curiosidade: foi revisor do centenário do Estado de S.Paulo.
Cornélio Pires nasceu no dia 13 de julho de 1889 e morreu no dia 17 de fevereiro de 1958, no Hospital das Clínicas, SP.


sexta-feira, 31 de maio de 2019

VIVA, ANASTÁCIA!




Foi uma noite muito bonita a de ontem na casa da querida Anastácia, cantora e compositora de forró e outros ritmos de origem nordestina.
Anastácia reuniu amigos e amigas para juntos comemorar os seus 79ª aniversário de nascimento.
Reencontrei muitos amigos e amigas que não via há muito entre os quais Luiz Wilson, Fatel, Joquinha irmão de Oswaldinho do Acordeon, Sara e Samantha filhas de Oswaldinho, Dantas do Forró e tantos e tantas.
Foi, mesmo, legal!
Anastácia está num pique incrível, cantando e compondo como nunca.
Ela mora na Av.  Leonardo da Vinci, na zona sul paulistana.
E por falar em Leonardo, não custa lembrar que ele morreu há 500 anos, na França. Deixou um legado incrível. Monalisa é uma obra que quem vê não esquece jamais aquele sorriso...
Está no Louvre.
Pois é: Anastácia e Leonardo da Vinci, que tal?





http://assisangelo.blogspot.com/2019/05/da-vince-500-anos.html






quinta-feira, 30 de maio de 2019

TRISTEZA DE LADO E ALEGRIA COM FAUSTO



O Brasil anda triste e os brasileiros, sorumbáticos.
A tristeza que o Brasil e os brasileiros vivem hoje em dia é plenamente explicável: ataques ao erário público das três esferas. Aí já viu, né?
Não há povo que aguente...
Mas  podemos fazer uma pausa nisso tudo e dá um tempo ao tempo.
Quer dizer: vamos deixar a tristeza de lado e correr para um abraço ao craque do humor inteligente, Fausto.
O cartunista Fausto estará lançando daqui a pouco um DVD pra lá de bonito.
Ó o título: Fausto Animado.
Fausto é um cabra animado desde que nasceu. Pelo menos desde quando eu o conheço: há uns 200 anos. Ele estará ao lado de Leandro Franco e Darlan Zurc, lançando o DVD aí referido.

Local: Rua Felício Marcondes, 290 – Centro -  Guarulhos – Epa! Estou em cima da hora: o lançamento é agora, a partir das 18h.
Acima a reprodução da capa do DVD e abaixo, a contracapa.





AUDÁLIO DANTAS, SAUDADE...

Hoje faz exatamente um ano que o querido amigo alagoano Audálio Dantas partiu para a Eternidade. Esse era um cara arretado, todo mundo sabe disso. Brincalhão, solidário, uma figura incrível. Foi o primeiro jornalista que conheci em São Paulo. Há 42 anos. O segundo jornalista que conheci, e que também fez-se meu amigo, foi José Ramos Tinhorão. Tinhorão anda dodói. Viva Audálio Dantas e que o mundo fique melhor. Ele lutou por isso. Nós lutamos por isso também. 
Abaixo, amigos falam de Audálio. Vejam:






segunda-feira, 27 de maio de 2019

MANEZINHO ARAÚJO E O HINO DO ESTADO DE MINAS GERAIS



Contem nos dedos: 42, 52, 62, 72, 82, 92...

No dia 9 de março de 1942, Manezinho Araújo gravou a valsa Minas Gerais. Essa valsa é resultado de uma adaptação da canção napolitana Vieni Sul Mar, que ele fez junto com o mineiro José Duduca De Morais (1912-2002). A primeira adaptação dessa música, que tem uns 300 anos de existência, foi feita em 1912 pelo cantor, palhaço, Eduardo das Neves em homenagem ao maior navio da esquadra brasileira ancorado, na ocasião, no porto do Rio de Janeiro.
Eduardo das Neves, carioca da gema, foi um negro fantástico esquecido pela história. Ele aparece de corpo inteiro no livro A Alma Encantadora das Ruas (1905), do jornalista João do Rio (1881-1921). Esse também foi um cara fantástico!

Minas Gerais é o hino não oficial do Estado de Minas Gerais, lançado em maio de 1942. Ouça:


A canção que gerou o hino extra oficial dos mineiros faz parte do repertório do cantor italiano Andrea Bocelli.

O pernambucano de Cabo de Santo Agostinho, Manezinho Araújo foi um dos mais importantes artistas da música brasileira. Ele compôs e gravou em diversos ritmos musicais, incluindo toadas e sambas. No total, cerca de 170 músicas em 78 RPM. Ficou conhecido como o Rei da Embolada. Suas primeiras gravações,  “Minha prantaforma”(6 de abril de 1933) e “Se eu fosse interventô” (11 de abril de 1933)  foram feitas nos estúdios da Odeon (acima).
Muita gente boa gravou música de Manzinho incluindo o Rei do Baião Luiz Gonzaga.

 Toda a obra de Manezinho Araújo se acha no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB.

Manezinho nasceu no dia 27 de setembro de 1910 e morreu em São Paulo, no dia 23 de maio de 1993, exatos 60 anos depois de gravar seu primeiro disco. Na missa de sétimo dia do encantamento do Mané, celebrada numa igrajinha ali do bairro de Cerqueira Cézar, SP, convidei Rolando Boldrin, Téo Azevedo e outros amigos para uma roda de samba em embolada em homenagem ao amigo que se foi. A roda foi bonita. Lembra, Boldrin?
Ai na foto, eu e ele:

segunda-feira, 13 de maio de 2019

O CHORO É NEGRO



Anotem ai: 46,7% dos brasileiros são pardos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE. 
O IBGE diz também que 44,2 % são brancos, 8,2% negros, 0,9% amarelos ou indígenas.

Os negros fincaram raízes profundas no Brasil. São parte importante da história do Brasil. A atuação deles está registrada por historiadores e por eles mesmos, em livros. Estão na música, na literatura, no cinema, na dança, em todo canto, menos na cadeira de presidente da República.
O pai do choro, Joaquim Antônio da Silva Callado, era negro como negro eram também o flautista Pattápio Silva, Pixinguinha, Anacleto de Medeiros, Wilson Batista, Cartola, Geraldo Filme, Clementina de Jesus, Itamar Assumpção, Arnaldo Xavier e tantos e tantos.
Historicamente, o choro foi o nosso primeiro ritmo urbano.
José do Patrocínio foi importantíssimo como avalista da abolição como o poeta Luiz Gama.
Na poesia repentista não dá para esquecer Zé Vicente da Paraíba e seu parceiro Aristo José dos Santos (LP a cima).
E Lima Barreto, hein?
E Grande Otelo?
O repertório musical sobre o negro no Brasil é vasto, com títulos marcantes, feito na maioria por compositores brancos e pardos: Lamento Negro (Constantino Silva/ Humberto Porto), História de um Capitão Africano (Josué Barros), Olha o Jeito Desse Negro (Custódio Mesquita/ Evaldo Ruy), Mãe Preta (D.A. Ferreira/ D. P. Silveira), Geme Negro (Synval Silva/ Ataulpho Alves), Terra Seca (Ary Barroso), Fuga da África (Luiz Gonzaga), Funeral de um Rei Nagô (Hekel Tavares/ Murilo Araújo).
Detalhe: os índios já ocuparam 100% do território brasileiro e hoje eles são, segundo dados de 2017 publicados pelo IBGE, apenas 0,9% ocupando um pedacinho de nada das terras do País. Quanto aos negros, ainda segundo o IBGE são 8,2% de uma população calculada em 210 milhões de habitantes. Em suma: somos negros e brancos pobres escravos num país ainda preconceituoso sob vários  aspectos do correr cotidiano.
Mário de Andrade escreveu Garoa de Meu São Paulo que fala de branco e de negro, de negro e de branco. Ouçam esse poema na voz de Antônio Abujamra.


LIMA BARRETO

O jornalista, romancista e contista fluminense Afonso Henriques de Lima Barreto era descendente de escravo e sofreu muito na vida. Perdeu a mãe quando tinha 7 anos de idade. Logo depois o pai ficou doido mas o filho já grande não o internou em manicômio. Segurou a barra. Anos depois era a vez do próprio Lima Barreto, depois de escrever significativa obra, perder o juízo e morrer. Foi internado uma ou duas vezes. Ele nasceu no dia 13 de maio de 1881 e morreu, pobre, no dia 1 de novembro de 1922. Era moderníssimo na literatura, precursor da Semana de que não participou. A Semana famosa ocorreu em fevereiro, no Theatro Municipal de São Paulo. Lima Barreto é autor de clássicos como O Homem que Sabia Javanês (1911) e Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915).
Lima foi um dos primeiros autores negros a abordar com senso crítico a questão dos negros no Brasil. Ele não gostava de futebol e muito pouco de música. Vale sempre a pena lê-lo.
Em 1982, a escola de samba Unidos da Tijuca o homenageou. Ouça:





domingo, 12 de maio de 2019

BOLSONARO PENSA?

A minha casa se iluminou com a presença da cantora Célia e do jornalista e historiador José Severo. Esse cara é do tamanho de um poste iluminado pelas estrelas. É grande.
E falamos, falamos, naturalmente com a graciosa presença de boa cachaça mineira. Ele é gaúcho e uma boa cachaça mineira.
Severo é um cabra que sabe tudo e muito mais sobre história do Brasil, a parti do Rio Grande do Sul. Sua terra. Severo foi um dos editores do memorável Jornal Gazeta Mercantil.
Severo andou pelo mundo todo cobrindo histórias de vida de morte. E pulando de Paraquedas. Tem vários livros publicados, um deles adaptado para o cinema: Senhores da Guerra.
E conversa vai, conversa vem, trouxe eu a Severo à realidade gritante que hoje todos nós vivemos. Perguntei-lhe:
- Este governo está se acabando...
-Que governo?
- Ora, este que aí está.
- Mas nem começou.
-E se não começou...
Concluo: o panorama é de nevoeiro.
Vasco da Gama, o desbravador dos mares, perdeu-se muitas vezes em tempestades e nevoeiros. Ele e grandes navegadores que não contaram com as “modernagens” náuticas de hoje. Esse. Vasco, era de uma coragem dos infernos. Pensava e agia num mundo desconhecido das trevas e nevoeiros.
Bolsonaro não pensa, ao contrário de Vasco da Gama. Para pensar tem que ter “tutano”.
Bolsonaro é um anencéfalo. Que pena!
Acredito que o conhecimento, o saber, a cultura de um país pode mudar a vida de um povo

quinta-feira, 9 de maio de 2019

KAFKA POR KAFTA E BESTA POR BESTA

Eu gosto de Kafka e de kafta.
Kafka é um escritor incrível. Deixou uma obra incrível. Metamorfose e O Processo são dois livros fundamentais na formação de quem quer se formar.
Eu li Franz Kafka ainda no tempo de escola. Apaixonei-me. Como apaixonei-me por Machado de Assis, José de Alencar, Lima Barreto, Rachel de Queiroz, José Américo de Almeida, Mário de Andrade José Lins do rego e outros, tantos outros. Guimarães Rosa é insuperável.E o que dizer de João do rio, e Drummond?
Kafta eu comecei a gostar há uns 40 anos, quando cheguei a São Paulo procedente do meu berço paraibano, João Pessoa.
Gosto, grosso modo, de todas as especiarias da culinária árabe. Quem me introduziu nessa culinária foi o árabe brasileiro Peter Alouch. Depois não parei mais de comer essas coisas tão gostosas das bandas de que tanto gostava o nosso último imperador, Dom Pedro II.
Meu amigo, minha amiga, você sabia que Dom Pedro II ganhou de presente dos árabes uma relíquia de 2.700 anos que o fogo criminoso em parte destruiu no Museu Nacional? Há pouco nos livramos de um ministro da Educação mal educado, grosso mesmo, que não falava português e era colombiano. Em lugar dessa besta quadrada veio-nos do inferno outra besta para substituir a primeira. Pois bem, essa nova besta acaba de confundir Kafka com Kafta, que loucura!
Esse atual governo tem umas figurinhas, Deus do Céu!

segunda-feira, 6 de maio de 2019

LAERTE É AVERROES




Fotos de Lúcia Agostini

A enorme área conhecida como Jardins de Soraya localizado na Vila Cordeiro, Localizada na zona sul da Capital paulista, ficou pequena para acolher a todos os amigos e admiradores de Laerte (acima, em vários momentos). Na ocasião,  ela recebeu o prêmio Averroes concedido anualmente pela direção do Hospital Premier a pessoas que se sobressaem na ciência, educação e arte. Estive lá ontem 5 testemunhando a alegria da premiada e de todos nós, claro.
Laerte estava elegantérrima dentro de uma saia longa e uma blusa laranja muito bem trabalhada, com barra e detalhes coloridos. Com óculos discreto Ela fez-se completa com um belo chapéu de palha clara. Brincos, pulseiras e os lábios pintados de vermelho davam-lhe graça especial. Arrasou!

Laerte é dona de um traço marcante no humor brasileiro. É caustico e lírico, ás vezes. Brinca com fogo e não se queima. Brilhante em todos os sentidos artísticos e pessoais.
Paulistana da safra de 1951, Laerte Coutinho abraçou a carreira de cartunista em 1974 , depois de estudar jornalismo na USP. Seu primeiro cartoon publicado foi no extinto jornal Gazeta Mercantil e depois não parou mais.
Conheci Laerte no Diário Folha de S. Paulo, para o qual trabalhamos. Firmando-se na história com seu traço originalíssimo e eu escrevendo no suplemente dominical Folhetim. Corria o ano de 77 ou 78. No mesmo folhetim, que não existe mais, também publicavam Angeli, Glauco e outros mestres. Angeli (1956), Glauco (1957-2010) e Laerte  formaram o inigualável e inimitável trio de cabras da peste Los Três Amigos. Esse trio (abaixo) apareceu pela primeira vez no número 12 da memorável revista Chiclete com Banana, de 1985.
Na solenidade de premiação reencontrei velhos camaradas como Elifas Andreato; Ricardo Carvalho, o Ricardão; Sergio Gomes, o Serjão; os músicos Ivan Vilela e Toninho Carrasqueira, Palmério Dória, Vanira e as filhas Juliana e Mariana. Ao lado delas, impossível não lembrar o velho guerreiro Audálio Dantas (1929-2018). Ah sim! todo prosa também estava o superintendendo do Premier Samir Salman.






AUDÁLIO DANTAS

O jornalista alagoano Audálio Dantas recebeu o Prêmio Averroes no dia 9 de dezembro de 2017. Clique:





sábado, 4 de maio de 2019

SERIA LIMA BARRETO SABÁTICO?


O amigo e parceiro Carlos Sílvio, do “reino encantado” do Paiaiá, BA, disse pra mim via fone que seu próximo entrevistado na Rádio Conectados, dia 11/05, meio-dia (www.radioconectados.com.br), onde mantém o programa Paiaiá na Conectados, que está completando 3 anos, será o jornalista Patrick Santos. Disse também que Pratick irá lançar no próximo dia 13, uma segunda-feira, o livro “45 Minutos do Primeiro Tempo”. É sabático.
Sabático é reflexivo. É mergulho de alguém dentro de si próprio. Na Paraíba, meu berço, sabático ou “sabatismo” é coisa de quem está com parafuso frouxo na cachola. Porém, gente sabida como o professor Zurc, é coisa séria. Seriíssima.
Pois bem, um papo puxa outro.
No dia 13 de Maio marca o nascimento de um dos mais importantes escritores brasileiros. Falo do descendente de escravo Lima Barreto. Gênio.
Lima Barreto morreu em 1922, aos 41 anos de idade.
Lima nos legou uma obra de 17 volumes. Essa obra, no conjunto ou não, é bastante difícil de achar nas livrarias nesse nosso Patropi.
Meu amigo, minha amiga, você já leu Recordações do escrivão Isaias Caminha?
Esse livro foi o primeiro que Lima Barreto publicou, em 1909. Façam as contas: 1909...
Recordações do escrivão Isaias Caminha tem tudo, absolutamente tudo, a ver com pobreza, sonhos e jornalismo no estágio bruto, grosso, lamentável. O jornalismo marrom e de resultados imediatos.
Comentarei sobre o livro já, já.
O autor do livro “45 Minutos do Primeiro Tempo” estará recebendo seus amigos e admiradores (atuou na Rádio Pan por 24 anos) a parti das 19h na livraria acultura do Conjunto Nacional da Av. Paulista.

EDUCAÇÃO, DAQUI A POUCO CHEGAREMOS A DOMINGO, 05.
O DIA 5 DE MAIO INTERNACIONAL DA LÍNGUA PORTUGUESA. SETE DOS 190 E POUCOS FALAM A LÍNGUA PORTUGUESA. A NOSSA. DE CAMÕES.
A LÍNGUA PORTUGUESA É A 5 MAIS FALADA DO MUNDO. SERÁ QUE O MINISTRO DA EDUCAÇÃO SABE DISSO? SERÁ QUE ELE ADOTA A EDUCAÇÃO COMO PRIORIDADE NO DESENVOLVIMENTO CULTURAL DO NOSSO PAÍS?
FICA NO AR ESSA QUESTÃO. AH! FOI ESSE CARA  DE NOME DE DIFÍCIL PRONÚNCIA, CÁ ENTRE NÓS, QUE ESCREVEU NO SEU TWITTER INCITAR ASSIM: "INSITAR".
DÁ PRA PÔR FÉ NUM CARA DESSE?
PELO CAMINHAR DA CARRUAGEM, ESTAMOS PERDIDOS. MAS DEUS É BRASILEIRO... 

sexta-feira, 3 de maio de 2019

ANTUNES FILHO NÃO MORRE



O passamento do diretor de teatro Antunes Filho, paulistano de Bixiga, me fez lembrar passamento idêntico do também diretor de teatro e jornalista Flávio Rangel (1934-1985).
Antunes foi tão grande quanto Flávio Rangel.
Flávio tinha a ver com opinião, o teatro, etc.
Antunes tinha a ver, como Flávio, com liberdade. Ambos
fizeram artes falando sobre liberdade. Arte é liberdade.
Um dia Geraldo Vandré pediu que eu entrasse em contato com
Antunes Filho. Ele queria que Antunes o dirigisse de volta ao mundo da arte. Liguei para Antunes e ele pediu: “vem cá, vem me ver, conversamos”.
E aí eu fui a Unidade SESC Dr. Vila Nova, onde Antunes tinha
espaço para formar novos atores. Conversamos e conversamos e na conversa final ele deu uma risada, dizendo: “o Geraldo não tem jeito, não voltará nunca a cantar e a tocar num palco”.
Curioso nessa história é que algo parecidíssimo ocorrera
entre mim e Flávio Rangel.
O Flávio trabalhou comigo na Folha. E a ele também falei
sobre a vontade do Geraldo... O encontro entre mim e o Flávio ocorreu na minha casa, no bairro de Santa Cecília, SP. O Geraldo esteve presente e conversou, e conversou e conversamos e no final disso tudo o Geraldo continuou na moita, escondendo-se no passado.
A última vez que vi Antunes Filho faz uns 8 anos. Eu o vi
pelas costas, entrando na sua casa. Sequer nos cumprimentamos. Guardo a imagem dele na minha memória como um homem decidido a mudar a vida através da arte.
Antunes era duro e poético, como a vida.

Foto: internet

quinta-feira, 2 de maio de 2019

DA VINCI, 500 ANOS

Bolsonaro quando abre a boca é quase sempre prá dizer besteira. Quando não diz coisa fora da hora. Nesse último dia do Trabalho, por exemplo, ele não falou sobre o trabalhador. Essa pauta não foi aberta por ele, preferindo tecer loas sobre a liberdade econômica. E os direitos do trabalhador, hein? Enfim, são mais de 13 milhões de pessoas sem trabalho. Se levarmos em conta que um pai de família sustenta a mulher e o filho, teremos aí 40 milhões de brasileiros e brasileiras comendo pão amassado para não morrer de fome. Eh, Bolsonaro...
Há pouco o Ministério da Educação tinha como titular um colombiano que mal e mal falava sua própria língua. Esse caiu e no seu lugar entrou um cara que, segundo dizem, passou grande parte da sua vida sobrevivendo de renda via Bolsa de Valores. Quer dizer, trabalho mesmo que é bom...Esse aí, de nome enrolado, diz que chega ao posto de ministro para mudar a educação dos brasileiros. Prá começo de história diz que vai cortar 30% do orçamento das universidades públicas. Isso é grave. Ele disse também que vai economizar nos custos do ENEM. De 500 milhões, cortaria tudo isso para apenas 500 mil. Falou isso cheio de pompa, se auto-vangloriando. Mas os administradores do Ministério acorreram dizendo, em nota, que isso seria impossível. E o tal ficou na moita.
Mas na verdade meus amigos, minhas amigas, não era sobre isso que eu ia falar. Eu ia lembrar do tempo em que fiz artes plásticas na Universidade Federal da Paraíba. E Música. Esses cursos, porém, prá mim ficaram incompletos por que a tempo descobri que talento, mesmo, eu tenho de sobra é prá bater palmas para os artistas como João Câmara Filho e Leonardo Da Vinci.
Da Vinci tornou-se um dos mais importantes pintores renascentistas, embora fosse também matemático, cientista, engenheiro, poeta, músico. Até inventor o cabra foi.
Entre 1503 e 1506, Da Vinci fez uma das obras mais famosas do mundo em todos os tempos: Monalisa, também conhecida como Gioconda. Esse quadro é um óleo sobre madeira, que mede 77x53. Pequeno no tamanho e grande na importância.
O sorriso de Monalisa é incrível e indecifrável. Homem ou mulher, ou a mistura dos dois gêneros, não sei.
Leonardo Da Vinci era italiano, nasceu em 1452 e morreu no dia 2 de maio de 1519. Há exatos 500 anos.
A obra de Da Vinci nos remete a religião católica, a Cristo, Deus, aos apóstolos, o mesmo pode ser dito a respeito da obra do alemão Sebastian Bach (1685-1750).
O menestrel Elomar Figueira Mello, baiano, é louco por Bach, mas essa é outra história. 
As canções de Bach são até hoje interpretadas no mundo todo por todo mundo. Ouçam Toquinho fazendo variações em Jesus, Alegria dos Homens:



quarta-feira, 1 de maio de 2019

TRABALHADORES DO BRASIL...


O Brasil nunca enfrentou crise tão brava como essa de agora, em que se acham desempregadas mais de 13 milhões de pessoas de norte a sul do País. Além dessa crise, há muitas outras. É só abrir a janelinha ai do conforto pra ver tudo.


O empregado sempre leva na cabeça.
Foi no governo de Artur Bernardes (1922-1926) que o Congresso aprovou o 1º de maio como Dia do Trabalho. Esse dia foi criado para comemorar o trabalho e não o trabalhador o que viria a acontecer no governo do gaúcho Getúlio Vargas (1930-1945).
Getúlio era doido pelo povo, adorava o povo, como bom ditador que foi principalmente durante o Estado Novo, que ele criou inspirado do nazifascismo, 1937.
Foi Getúlio que mudou na prática o trabalho para trabalhador, isto é: Dia do Trabalhador.
Ao dirigir-se aos brasileiros em discurso, Vargas começava sempre assim: Trabalhadores do Brasil...
Antes de Vargas os operários não tinham direito a nada, a coisa nenhuma, por isso partiram para o pau primeiro em Chicago, EUA, em 1886. O pau, que se pode traduzir como greve, rapidamente estendeu-se mundo a fora.
A primeira grande greve no Brasil ocorreu em 1917 (link abaixo), precisamente naquela que viria a ser a maior cidade brasileira, São Paulo. Morreu gente até. A greve tinha por objetivo fazer com que os empresários diminuíssem a carga horária de trabalho, de 14 para 8 horas.
A segunda grande greve de operários do Brasil ocorreu no Rio de Janeiro, em 1929. Naquela ocasião, o Brasil já era um caldeirão fumegante. À frente dos operários, os anarquistas.
A partir dos anos de 1930, os compositores passam a usar a temática trabalho nas suas composições, o samba Bonde de São Januário de Wilson Batista é uma pérola do gênero.
Dois anos após a morte de Vargas, no final da manhã de 24 agosto de 1954, o compositor Edgard Ferreira compunha para o cantor Jackson do Pandeiro gravar o belo rojão Ele Disse.
No dia 30 de abril de 1980, o Centro Brasil Democrático produziu um grande espetáculo musical nas dependências do Riocentro, RJ, o mesmo Riocentro que seria palco do atentado que matou um militar exatamente um ano depois. Pelo menos 30 mil pessoas estiveram aplaudindo Chico Buarque, Fagner, Elba Ramalho, Martinho da Vila, Sérgio Ricardo, Clara Nunes, Miucha, Milton Nascimento, Paulinho da Viola e muitos outros. Coube a Alceu Valença interpretar a música de Ele Disse. Ouça:



No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, há muitos discos com músicas em homenagem ao trabalhador.

terça-feira, 30 de abril de 2019

VIVA BETH CARVALHO!



Era filha de advogado. O correr da sua vida foi toda civil, crendo na importância das manifestações populares. Comunista? Idiotice é classificar quem sente a dor do povo em nome de uma ideologia. Conheci Beth ali pelos anos 70. Tem entrevista minha com ela publicada no suplemento dominical Folhetim, do paulistano jornal Folha de S.P.
Fiquei sabendo que ela partiu para a eternidade agora há pouco. A notícia a mim foi dada pelo mestre Oswaldinho da Cuíca, enquanto conversávamos sobre as “doiduras” do Bolsonaro. Ele, Oswaldinho, rompeu amizade com Beth por razões ideológicas. Que merda! O bom viver é democracia. Temos que respeitar todos, inclusive pelo que se diz. 
A Beth era uma mulher incrível. Nos entediamos pelos desencontros. No acervo do Instituto memória Brasil, IMB, há todos os discos da Beth Cavarlho.
A Beth foi a única cantora do Rio de Janeiro a gravar um CD com repertório totalmente sobre a música que fala da cidade de São Paulo. Esse CD foi produzido pelo compositor e cantor Eduardo Gudin. Pra lembrar a Beth ouça a Andança. Eu gostava muito da Beth. Viva, Beth Carvalho!

Andança: https://www.youtube.com/watch?v=4Hp14vl38YY 

segunda-feira, 29 de abril de 2019

O TRIBUNAL DE KAFKA



Houve um tempo em que o Brasil era um grande roçado, cheio de senhores de escravos a mandar e a desmandar no território nacional. O número de escravos diminuiu, mas o de senhores de terra talvez tenha aumentado.
Houve um tempo em que esses referidos senhores mandavam na política. Isso continua. Os “coronéis” mudaram de vestimenta, mas seguem a mandar do mesmo jeito de antes.
As complicações no Brasil e para os brasileiros humildes começaram com a chegada dos invasores.
D. João VI mandou e desmandou, como seu filho Pedro I. Pedro II da mesma linhagem imperial portuguesa, embora nascido no Rio de Janeiro, tinha sensibilidade para as artes e insensibilidade ao que se convencionou chamar “povão”.
O primeiro golpe militar ocorrido no Brasil foi dado em 1889: caiu o Império e surgiu a República, com Deodoro à frente. Deodoro, investido do poder do cargo de presidente, fecha o Congresso e declara estado de sítio. Seu vice e conterrâneo alagoano Floriano Peixoto, bota pra quebrar.  É quando surge e revolta da Armada. Por quê? A Marinha queria direitos e igualdade no soldo com o Exército.
Muita água passou pela Ponte Brasil.
Em 1930, o gaúcho Getúlio Vargas assume o poder depois de um golpe que impediu Júlio Prestes a assumir o cargo de presidente que ganhou pelo voto popular. E o resto é o que segue: queda do mesmo Getúlio, ascensão do Marechal Dutra e tal. Ai vem a renúncia de Jânio, a queda de Jango e os militares no poder, de novo.
Tudo isso pra dizer uma coisa: a censura brava que vivemos parece agora querer ressuscitar, por iniciativa de excelências do STF. O resto está nos jornais. Dá medo, por isso fiquemos atentos aos movimentos palacianos.
Quando um capitão manda num general, sei lá!
No acervo do Instituto Memória Brasil há centenas e centenas de hinos e canções patrióticas em discos, livros, etc. Ai na foto o álbum triplo Aulas de História do Brasil que trata do “achamento” das nossas terras pelos portugueses.
Sugiro a leitura do livro O Processo, de Franz Kafka. Esse livro, um romance, foi lançado em abril de 1925. No mais, clique: http://assisangelo.blogspot.com/2017/04/historia-pra-bopi-dormir.html

sexta-feira, 26 de abril de 2019

A ENTREVISTA DE LULA NÃO SURPREENDE


Foto: Assis Ângelo em entrevista com João Acácio (o Bandido da Luz Vermelha).

Eu não sei por quê essa histeria em torno do juiz que autorizou entrevistas de Lula aos jornais Folha de S.P. e El País. Normal.
Eu não me recordo bem o ano, mas a pedido meu, o juiz da Capital paulista me autorizou a entrevistar João Acácio, que entrou para a história do crime como o Bandido da Luz Vermelha. Virou até filme.  Eu o entrevistei numa sala do Manicômio Judiciário paulista em Franco da Rocha, SP. Ele disse o que tinha que dizer, gravei o que disse, redigir e publiquei. E nem por isso o mundo acabou.
Acácio foi preso em agosto de 1967, condenado a mais a 300 anos de prisão e solto em 1997. Quem o levou a prisão foi o então o Juiz Alberto Marino Jr., autor da letra do chorinho clássico Rapaziada do Brás. Mas essa é outra história.
O que há em comum entre Lula e João Acácio?
Lula é um político partidário, famoso, e João Acácio foi um assaltante, também famoso.
Deixe o homem falar, ora!

terça-feira, 23 de abril de 2019

HOJE É DIA DO CHORO!


A boa música brasileira morreu, está de luto ou na gaveta. Das três, uma. O fato é que ao ligarmos a tevê ou o rádio não encontramos a nossa boa música popular brasileira.
A boa música popular brasileira onde está? O gato comeu?
Muitos gêneros morreram e estão enterrados: O lundu, o maxixe, a modinha, o xaxado, a marcha junina, a marchinha de carnaval, o baião...
Pois é, o bom gosto foi-se embora e no seu lugar foi ocupado pelo mau gosto chamado de funk, "sertanejo", um tal de sofrência e não sei mais o quê.
Bem, hoje é o dia do Choro.
O pai do choro tem por nome Joaquim Antonio da Silva Callado Júnior (1848-1880).
É de Callado o primeiro choro: Flor Amorosa.
Callado era compositor e flautista, como Pattapio Silva (1880-1907) e Pixinguinha (1897-1973).
Entre as mulheres, Chiquinha Gonzaga (1847-1935) foi uma chorona pioneira.
A tevê Cultura levou ao ar recentemente, uma série de 13 capítulos contando a história do Choro. Luís Gonzaga, o rei do Baião está presente nessa história. Clique:



DIA DO LIVRO

É hoje que foi criado para lembrar da importância de se ler. O paulista de Taubaté, Monteiro Lobato (1882-1948) dizia que um país se constrói com homens e livros. O Bolsonaro deve achar isso um absurdo.

HOJE É DIA DE PIXINGUINHA




Pattapio Silva e Pixinguinha foram dois dos maiores flautistas que o Brasil já teve. O primeiro, carioca como o segundo, nasceu no dia 22 de outubro de 1880. Deixou gravadas para a posteridade pouco mais de uma dúzia de composições suas e mais algumas de outros autores.
Pixinguinha, de batismo Alfredo da Rocha Vianna Filho, veio ao mundo no dia 23 de abril de 1897. Começou a gravar com 14 anos de idade e a compor, com 11, aos 15 já integrava a Orquestra do Teatro Rio Branco, no Rio de Janeiro. Deixou centenas e centenas de composições. São dele clássicos como Carinhoso, Rosa e Sofres Porque Queres.
Pattapio morreu em Florianópolis, no dia 24 de abril de 1907. Foi-se tão novo quanto Noel Rosa (1910-1937) e Casimiro de Abreu (1839-1860).
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acham todas as gravações de Pattapio e Pixinguinha.
É de Casimiro de Abreu o poema Meus Oito Anos:





segunda-feira, 22 de abril de 2019

O BRASIL SEM POLICARPO QUARESMA

O Brasil é pra profissionais. Sempre foi, na ficção e na vida real.
Em março de 1911 o carioca Lima Barreto levou à praça em folhetim no Jornal do Comércio, RJ, Triste Fim de Policarpo Quaresma. No formato de livro, essa história foi publicada 4 anos depois. Esse foi o seu segundo livro, o primeiro foi Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de 1909.
Em Policarpo Quaresma, Barreto conta a história de um pacato brasileiro que ia de casa pro trabalho do trabalho pra casa, pontualmente. Era solteiro, não tinha filho e morava com uma irmã e não fugia à rotina, de uma cidadão comum. Gostava muito de ler e até em tupi-guarani. Aliás, ele queria que o Brasil adotasse essa língua como língua oficial. E deu um rolo danado, virando chacota da imprensa. Era sonhador à toda a prova. Achava que o Brasil poderia ser um país independente e a sua população, feliz. Era apolítico e conservador, daqueles do tempo antigo. Ele tinha um amigo, Ricardo Coração dos Outros. Ricardo era trovador. Olga, sobrinha, tinha respeito extremado por ele, Quaresma. Um dia é tido por doido e levado a um manicômio. Depois de um tempo, retorna a rotina, nova rotina, pois deixara a repartição onde trabalhava e adquiriu um sítio. Nesse sítio ele achava que poderia servir de
exemplo para o país. Mas ai vieram as saúvas. Milhares, milhares, milhares delas. Um exército que em pouquíssimos instantes destruíam tudo o que ele plantava. Não vou me estender, mas Barreto nesse livro é puro Kafka.
Vocês lembram do enredo do romance O Processo?
Nesse romance, o personagem Joseph K é surpreendido por dois tiras dentro de casa. Esses o levam a delegacia onde o delegado o interroga sobre sabe-se lá o que! Nem K sabia do que estava sendo sendo acusado, nem seus acusadores sabiam do que o acusavam. Igual, em parte, ao que sucedeu com Quaresma, que foi acusado sabe-se lá de que, preso, condenado e o fim é triste como o fim de K.
Alguma coisa está ocorrendo no Brasil de hoje.
Cheira mal a ordem do ministro do STF de mandar fazer busca e apreensão na residência de uma dezena de acusados de ameaçar o STF. Coisa de doido!
Recomendo que leiam depressa, se já não leram, Triste Fim de Policarpo Quaresma e O Processo, esse de 1925. Sobrando um tempinho, leiam também Recordações do Escrivão Isaías Caminha. Nesse livro, Barreto conta da opressão e preconceito dos negros e mulatos da sua época, como hoje.

sábado, 20 de abril de 2019

PRECONCEITO, O MAL DOS TEMPOS

Im-pres-sio-nan-te!
Estou estupefato. Como pode no tempo de hoje, terceiro milênio alguém ser contra alguém pelo simples fato de se distinguir pela cor?
ouvir Há pouco um dirigente do Santos FC dizer que "multas e negros no Brasil são todos desonestos".
Isso me lembra o que disse o ex-ministro da educação Vélez Rodrígues: "Rouba coisas dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião, ele acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esse é o tipo de coisa que tem de ser revertido na escola".
Isso me lembra também o que Bolsonaro antes de virar presidente da República: "Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo”.
É o fim da picada ou não é?
O Boris Casoy, não faz tempo, andou metendo pau nos garis de São Paulo.
William Waack, andou, também, metendo o pau nos negros... O curioso é que nessas pessoas, independentemente da profissão, não assumem o que dizem. No máximo pedem desculpas. Ora, ora.
O educador Paulo Freire disse o que um verdadeiro cidadão diria: "O que quero dizer é o seguinte: que alguém se torne machista, racista, classista, sei lá o que, mas se assuma como transgressor da natureza humana. Não me venha com justificativas genéticas, sociológicas, ou históricas ou filosóficas a superioridade da branquitude sobre a negritude, dos pobres sobre os ricos, dos patrões sobre os empregados. Qualquer discriminação é imoral e lutar é um dever por mais que se reconheça a força dos condicionamentos a enfrentar. A boniteza de ser gente se acha, entre outras coisas, nessa possibilidade e nesse dever de brigar".

segunda-feira, 15 de abril de 2019

JORNALISTAS & CIA, 24 ANOS

A Newsletter Jornalistas & Cia está às vésperas de completar 24 anos de existência. Importantíssima para nós jornalistas e também para quem não é jornalista. Sou colunista dessa publicação que semanalmente pode ser encontrada nessa caixinha doida chamada internet. Parabéns a Eduardo Ribeiro, seu fundador, Wilson Baroncelli e toda a equipe. Ai no link a edição especial sobre os 24 anos de vida dessa newsletter. Clic:

http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/jornalistasecia1200.pdf

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