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sábado, 13 de junho de 2020

SEM BALÃO NO CEU

Mesmo nestes tempos louquíssimos de Pandemia e presidente sem noção, há coisas boas acontecendo na telinha do celular ou do PC, no caso dos internautas mais antigos.
Estou falando dos festejos juninos que foram suspensos ou cancelados neste inesquecível 2020.
O amigo Carlos Sílvio conta que artistas nordestinos, como ele, estão se apresentando no Arraiar Virtual. Entre os nomes famosos do forró, da cachaça e da fogueira, têm comparecido à internet, em sessões lives, Adelmario Coelho, Elba Ramalho, Flávio José, Targino Gondin, Alceu Valença.
Em maio passado, Sílvio entrevistou Adelmario. Confira: https://www.youtube.com/watch?v=FXlGrhg9k8E
A cantora Anastácia, chamada de Rainha do Forró sequer sabe o que é live. Está na dela. A propósito, ontem 12 à noite ela ligou feliz da vida pra dizer que nas plataformas tipo Spotify já podem ser ouvidas 5 músicas novas de sua autoria que sairão em discos brevemente, após a Pandemia.
E viva Santo Antônio! E viva São João! E viva São Pedro! E que ninguém encha o ceu e balões!
Curiosidade: uma em nove cidades brasileiras trás o nome de Santo da Igreja Católica. Isso quer dizer que há cerca de 650 cidades que atendem, Brasil a fora, pelo nome de um santo. São José dá nome a 60 cidades brasileiras, seguidos de São João (54), Santo Antônio (38), e São Francisco (27).
O nome completo de Paiaiá, povoado baiano há 225 km de Salvador é São José do Paiaiá, cuja população anda na casa de 600 pessoas. "Mas com a minha saída, é possível que a população tenha diminuído", diz o engraçadinho Sílvio, que logo mais (às 19h; Intagram @cspaiaia) entrevistará Jorge Rivers, cantor e compositor angolano, autor de We Are Together.  Essa música fala da Pandemia dos tempos nervorsos que ora vivemos, é interpretada em 5 línguas. Ouço:

https://www.youtube.com/watch?v=9Dh30asiqas


Téo Azevedo e eu compusemos uma marchinha junina para o amigo Emídio Santana gravar.
Letra: Assis Ângelo Música: Téo Azevedo Interpretação: Emidio Santana
Para ouvir é só clicar:

É TEMPO DE FESTA JUNINA (1)



São João está chegando; antes dele, Santo Antônio.
Os festejos juninos datam da Antiguidade, isto é, de antes de Cristo.
No começo de tudo, junho era o mês em que os pagãos enchiam a cara, dançavam, faziam estripulias. A razão disso era a chegada do verão. Esperançoso e pululante, o povão apostava na fertilidade da terra e de tudo mais de bom que lhe viesse.
Incomodada com isso, a santíssima Igreja Católica pôs as unhinhas pra fora e deu um basta. Doravante, já d.C., junho seria também comemorado pelos cristãos. As festas juninas passaram, então, ao calendário católico.
Os festejos aos três Santos (Antônio, João e Pedro) chegaram ao Brasil com a família real e súditos.
Integrante dos festejos, a quadrilha deu um colorido à parte.
A fogueira já existia, desde os pagãos da Antiguidade.
Os fogos de artifício vieram da China, como colaboração pagã.
A culinária, esta muito especial, foi em boa parte extraída do hábito alimentar dos índios.
E depois enriquecida com ingredientes de outros brasileiros. E a música? A música que passou a animar os festejos veio (vejam só!) da França e de mais alguns países da Europa. Estou falando de valsa, polca...
E aí, muito tempo depois, veio o bom baiano Assis Valente (1911-1958), compondo pérolas que se eternizaram na voz de Carmem e Aurora Miranda, e de Chico Alves, que passaria à História como “o rei da voz”.
Quem criou a marchinha junina foi o baiano Valente.
Dada a “deixa”, entrou em cena o pernambucano Luiz Gonzaga (1912-1989). Gonzaga, depois de estilizar o baião, estilizou a marchinha junina.
Essa história de festas juninas eu conto no programa Raízes do Brasil, que seria inaugurado no dia 23 de junho 2019 na rádio Cultura AM/FM, de São Paulo. Quer ouvir? Clique:


O acervo do Instituto Memória Brasil (IMB) tem farto material sobre festas juninas, entre discos, livros e partituras.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

NAMORO SEM CANJICA


Pela primeira vez os festejos juninos são suspensos no país inteiro. Motivo? O coronavírus.
Não faz sentido nenhum fazer São João fora de época.
Hoje 12 é o Dia dos Namorados.
No São João tradicional, celebrado no dias 13, 24 e 29, tem quadrilha, fogueira, pamonha, canjica e muita música.
Amanhã é o dia de Santo Antonio, que entrou na cabeça do povo como o Santo Casamenteiro.
Santo Antonio nasceu em Lisboa e morreu em Pádua, antes de completar 30 anos de idade, solteirinho da silva.
Quer saber mais? Clique:

https://assisangelo.blogspot.com/2014/06/hoje-e-dia-de-santo-antonio.html

As festas juninas tem história, no Brasil e no mundo. Confira:


DIA DOS NAMORADOS

O Dia dos Namorados, no Brasil, foi criado pelo pai do governador Dória. Ele fez isso para movimentar o mercado, os consumidores de tudo quanto é tranqueira.
Em 1964, o paraibano Geraldo Vandré gravou a pérola Samba em Preludio. Essa música é de autoria de Vinicius e Baden Powell, de Ana Lúcia e Vandré. Clique:


O CRIMINOSO BOLSONARO

Estou triste, muito triste.
Acho que o povo todo também está triste.
Nunca um presidente brasileiro fez tanto mal em tão pouco tempo a seu povo, como Bolsonaro.
Bolsonaro governa o país praticando vários tipos de crime, o último foi a recomendação que fez aos seus seguidores, para que invadissem hospitais e mostrassem leitos vazios. Bolsonaro continua achando, como se vê, que o coronavírus não passa de uma “gripezinha”.
O que ele tem na cabeça, hein?
É muita maldade o que esse ex integrante do Exército tem feito à nação.
A covid-19 já matou mais de quarenta mil pessoas no Brasil. No mundo todo, mais de 420 mil. Contaminados, o número já está chegando à casa dos oito milhões.
Meu amigo, minha amiga, você sabe quantos miseráveis o Exército matou em Canudos, no sertão da Bahia, entre 1896 e 1897?
Pelo menos 20 mil pessoas do povo tombaram pelas armas dos militares. Quer dizer, a metade do que a covid já matou.
Em dois meses e poucos dias, a gripe espanhola matou em São Paulo cerca de 5,3 mil brasileiros e no País, 35 mil. Isso, em 1918. A covid em São Paulo já matou o dobro.
Mais uma coisinha: entre 1864 e 1870, cerca de 50 mil brasileiros perderam a vida na chamada Guerra do Paraguai. Dessa guerra participaram, além do Brasil, a Argentina e o Uruguai. Além de perderem a Guerra, o Paraguai perdeu mais ou menos 40% do seu território para o Brasil e a Argentina.
A guerra que o mundo trava contra o coronavírus é terrível. Só Bolsonaro não vê.
Na Câmara, já foram encaminhados 42 pedidos de impeachment. No Tribunal Superior Eleitoral, TSE, há oito processos com pedido da cassação da chapa Bolsonaro/Mourão.
Pra ele, Jorge Ribbas e eu, compusemos a música que você pode ouvir agora. É só clicar:



quinta-feira, 11 de junho de 2020

O BRASIL, SEGUNDO TOM


Como disse certa vez Tom Jobim:
— O Brasil não é para principiantes.
No mundo todo, o tempo todo, acontece de um tudo. É gente matando, é gente morrendo, é o mundo pegando fogo.
No Brasil tem muita coisa que não presta, inclusive gente que parece ser gente, mas não é. Um exemplo disso anda instalado em palácio no Planalto.
Apaixonado por Trump, Bolsonaro estende seu amor ao pessoal guloso do Centrão. Agora mesmo, ele é todo graça pro lado do potiguá Fábio Faria (PSD), que acaba de ganhar um Ministério todinho só pra si: o das Comunicações.
Faria é um camaleão que já está no quarto mandato de deputado federal. Foi petista e votou a favor do impeachment contra Dilma.
E a vida segue.
Ouvi há pouco Bolsonaro estranhando o fato de os ministros do STF levarem a sério o pedido de volta do AI-5 e outras tranqueiras da época. Chegou a dizer que dar importância a certas falas dos seus apoiadores é como acreditar no Boitatá, no Bicho Papão ou na Mula sem Cabeça.
Será que o Bolsonaro está lendo esse blog?
Se sim, tomara que aprenda algo muito além das tranqueiras que sabe.
O número de mortes por Covid-19 no Brasil chegou, hoje, aos quarenta e poucos mil.
Será que o nosso presidente ainda acha que o novo Coronavírus é uma “gripezinha”?
Nos últimos dois meses, Trump aceitou três ligações do Bolsonaro. Claro que disse estar insatisfeito pela forma de como esse novo vírus está sendo enfrentado no nosso país. E como ele é um sujeito legal, acaba de enviar ao Brasil dois milhões de doses de Cloroquina e 1.000 respiradores. Meu deus! A que ponto chegamos...
No rádio ouvi notícia dando conta da exoneração de Regina Duarte, da Secretaria de Cultura. Coitada!
A propósito: ouvi também no rádio notícia dando conta do interesse de Bolsonaro fechar as portas da Cinemateca. Poxa, ele bem que poderia dar o acervo da cinemateca ao seu amigo Trump.
Pois é, o Brasil não é mesmo para principiantes. A propósito, é sempre bom ouvir Elis:




quarta-feira, 10 de junho de 2020

A DEMOCRACIA CORRE RISCO


O Brasil volta a viver momentos de grande apreensão.
Não à toa, o governo Bolsonaro continua militarizando o Ministério da Saúde e outros ministérios. São cerca de três mil o número de militares da ativa e da reserva atuando no governo. Muitos deles, em postos chave.
As lamentáveis e perigosas ações que o Presidente tem efetivado são inadmissíveis ao posto que ocupa. Igualmente perigosos e lamentáveis são seus seguidores. A democracia corre risco. É preciso que todos estejamos atentos.
Há poucos dias a sociedade civil está se organizando em movimentos como o que traz a assinatura do ex-presidente FHC, Ciro Gomes, Marina Silva, Fernando Haddad, Luiza Erundina, Sepúlveda
Pertence, ex presidente do STF, Tabata Amaral, Luciano Huck, Marcelo Freixo, Cristovão Buarque e outros cientes da gravidade Institucional que o país vive.
Lula recusou-se a assinar esse manifesto, que tem por título, Estamos Juntos.
Justificando o fato de não endossar esse manifesto, Lula disse que não assinaria papel algum em que se achasse pessoas ou personalidades que apoiaram "o golpe contra Dilma".
Ciro, por sua vez, no seu jeito "pega pra capá" de ser, disse que quem não assinasse documento público contra Bolsonaro é "traidor".
O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva sempre foi um político de pensamentos e ações radicais. Ele mesmo disse há sete anos, que se o seu projeto de Constituição tivesse sido aprovado pelo Congresso Constituinte, "o país ficaria ingovernável". À época (1988) o PT era representado por apenas dezesseis deputados federais. 
Em 1988 eu respondia pela Chefia de Editoria de Política do jornal O Estado de S.Paulo. E semanalmente publicava debates que eu mediava no Estadão. De um desses debates participaram, Lula, Sepúlveda Pertence, José Serra... (registro acima).
Os brasileiros de bem têm que se juntar contra o governo Bolsonaro, pelas loucuras que tem anunciado e cometido.

WILSON SERAINE
O amigo pesquisador de cultura popular Wilson Seraine telefona de sua terra, Piauí, pra dizer que lá está chovendo. Lembrou que a crise sanitária piorada pelo Coronavírus está um horror, fazendo mal a todo mundo. Tomara que isso tudo logo acabe. Seraine concluiu dizendo que tem sentido saudade das rodas de viola. Do Piauí, pra mim, estão chegando doce de buriti, rapadura, cordel e livros. O que tenho a dizer? Obrigado, Seraine.


terça-feira, 9 de junho de 2020

BOLSONARO VIRA LENDA URBANA



Folclore é o conjunto de causos, cousas, lendas, mitos, histórias fantásticas, piadas etc.
Folclore: folk, povo; lore, ciência.
Folclore é ma expressão anglo-saxônica surgida no século 19, na Inglaterra.
O folclore reúne, além de tudo, histórias do tempo antigo que tem a ver com o real transformado em surreal.
Tudo que é relacionado ao folclore, como tal entendemos, tem relação com o que ocorre no período de, pelo menos, 100 anos.
Recentemente, porém, sugiram o que se convencionou chamar de “lendas urbanas”.
Meu amigo, minha amiga, você tem aí um exemplo de lenda urbana?
Pois é, você já ouviu falar da Loira do Metrô?
A Loira do Metrô é “uma” lenda surgida numa estação de metrô em São Paulo.
Tem também a Loira do Banheiro.
Tem, também, o caso do ET de Varginha.
Tem, também, o caso da Pisadeira.
A Pisadeira é um ser fantástico por hábito de invadir a casa através de uma janela aberta. E aí, ela sem pensar duas vezes, mata o sujeito ou a sujeita que esteja dormindo de barriga pra arriba.
E a Maria Sangrenta, hein?
A Anna da Hora conta, que essa Maria mora nos espelhos. O sujeito ou a sujeita que chamar seu nome três vezes, se lasca: a tal Maria surge e engole a tal sujeita ou sujeito que a chamou.
E o Bebê Diabo, você já ouviu falar?
E do ET Bilu?
O Bebê Diabo surgiu numa série de reportagem no extinto jornal paulistano noticias populares.
E sobre o ET Bilu, você tem alguma referência? Você já ouviu falar?
Esse Bilu surgiu num programa da Record.
Segundo a lenda, o Bilu veio de um lugar qualquer do espaço para transmitir conhecimentos. Cascata.
Na linha do Bilu, tem outro ET que está ficando muito badalado.
Certo dia, Maria professora perguntou à uma de suas estudantes de 11 anos, um exemplo de lenda urbana. A menina respondeu:
— Bolsonaro!
Maria professora perguntou por que, a aluna explicou:
— Ele é feio, é esquisito, fala palavrão, meu Deus!! Esse veio de um lugar que eu não sei da onde. Talvez do inferno. É terrível!
É possível, não há provas, que o ET de Varginha seja o mesmo que hoje ocupa a presidência do Brasil.



segunda-feira, 8 de junho de 2020

O TERRÍVEL MALAMÉM...



Criança tem medo de tudo.
Eu também já fui criança e também tinha medo de tudo: de Saci-Perere, de Cabra Cabriola, da Cuca, do Cururupira, do Quibungo...
Essa quem me contou foi o querido Klévisson.
Um dia a professora brincando com seus alunos, pergunta a Mariquinha, de que bicho ela tem mais medo.
A menina, ali na pureza dos seus seis anos, diz que tem medo do Lobisomem.
A professora concorda que o bicho é feio e que também dele tem muito medo. A professora faz a mesma pergunta a Aninha.
Aninha, com voz tremula, responde:
— Professora, professora, eu tenho medo é do Papa-Figo.
A professora concorda que o papa figo é um bicho horripilante.
Quieto, mas observando atentamente as perguntas da professora, Zézinho de repente diz alto e bom som:
— Professora, eu tenho muito medo é do Malamém.
A professora surpresa, pergunta que bicho é esse de que tanto tem medo. Reposta:
— Malamém, professora! Quem conhece muito é minha irmãzinha Maria. Toda noite antes de dormir ela reza um monte de reza e no fim diz: “Malamém”.
Malamém na verdade, é a junção das palavras mal e amém que são ditas ao fim do pai nosso.

domingo, 7 de junho de 2020

SE ESSA MODA PEGA...



Um ser desce do céu...
Um ser sobe num cavalo...
O simbolismo, muitas das vezes, é marcante.
Bolsonaro desceu de um helicóptero pago pelo bolso brasileiro.
O mesmo Bolsonaro, contrariando todas as normas de saúde, sobe num cavalo.
A imagem que fica é, para mim, o apocalipse montado num cavalo.
Quando ouvi no rádio e na TV essa história, lembrei-me de Calígula.
Ele foi o terceiro imperador romano, entre 37 e 41 da Era Cristã.
Calígula foi no seu tempo um governante o mais violento possível. Matou, mandou matar, estuprou e, assim, satisfez-se em todas as orgias.
Tudo pelo poder.
Tempos passaram e o Bonaparte virou inspiração de Hitler, que viu em Mussolini o seu complemento.
Não podemos esquecer: Nero se matou, Hitler se matou.
Na América Latina também houve napoleônicos e hitleristas, mussolinistas etc.. Exemplos? Stroessner, Videla, Pinochet, Chavez, Fidel...
E por cá já tivemos Getulio, Medici, Geisel...
Mussolini, Hitler...
O que estamos vendo hoje no Brasil é um perigo dos infernos.
O juiz decano do STF Celso de Mello disse o que disse no WhatsApp de caso pensado.
Com isso, falou fora dos autos que Brasil, América Latina e o mundo correm perigo.
Tudo pensado, como, aliás, Bolsonaro e seus milicianos o fazem.
O treinamento militar de milicianos está sendo feito nos subterrâneos da internet (deep web).
O ser descendo do céu, que meus olhos cegos viram, parece cena apocalíptica...
O mesmo ser, montado num cavalo, enquanto 30 mil mortos se estendem no chão...
Esse ser, simbolicamente, pode ser Calígula ou Napoleão, faltando-lhe apenas uma espada.
O acervo do Instituto Memória Brasil (IMB) tem discos com discursos, entre outros, de Hitler Mussolini, Geisel, Medici...

JORNALISTAS & CIA DISCUTE FUTURO DO JORNALISMO

A mais recente edição especial do Jornalistas & Cia, A Imprensa Constrói o seu Amanhã (n° 1.258), traz cerca de 130 depoimentos de profissionais do Jornalismo de quase todo o País, incluindo estados do Norte e Nordeste. Entre os profissionais que expuseram opinião sobre a imprensa pós Pandemia (o tema central da edição) estão Miriam Leitão, Carlos Sardenberg, Maria Cristina Fernandes, Luciano Martins, Maurício de Souza, Fernando Coelho, Neide Duarte, Luis Carlos Ramos, Sílvio Lancellotti, Moacir Assunção, Pedro Cafardo, Ignácio de Loyola Brandão e Cremilda Medina; e os cartunistas Jal e Paulo Caruso. Incríveis. O texto de Paulo, especialmente, é brilhante, pois crítico e cheio de graça.
Os depoimentos indicam a natural preocupação de todos nós temos sobre o futuro que invade nossa porta, com fúria.
A crise política, econômica e sanitária que desabou sobre o mundo vai deixar marcas profundas, indeléveis.
Desgraça de todos os tipos marcaram o mundo desde o dilúvio.
A literatura mostra pandemias como as provocadas pela peste negra e espanhola. No Brasil, inclusive.
A peste Negra, ou bubônica, matou um mar de gente nas três vezes que mostrou sua cara, nos séculos XIV, XVII e XIX.
Em 1918, a gripe Espanhola matou pelo menos 350 mil pessoas no Brasil. Isso em menos de 3 meses. Um horror. Ler Chão de Ferro, de Pedro Nava; e as memórias de Nelson Rodrigues. 
A Imprensa não apendeu muito com essas desgraças, até porque ainda engatinhava.
As pessoas nada ou muito pouco aprenderam com isso tudo que passou. Pena, fazer o que?
Essa edição especial deve ser lida, relida, espalhada e depois arquivada com carinho por todos aqueles que fazem Jornalismo e encontram no Jornalismo a via básica para a consolidação da Democracia, ora tão massacrada pelos poderosos de plantão.
A newsletter Jornalistas & Cia tem demostrado no correr dos últimos 25 anos sua importância para formandos e formados em Jornalismo. É o que eu acho. E acho também que haverá grandes adaptações na prática do Jornalismo. As redações, por exemplo, se multiplicarão nas moradias dos profissionais, que redigirão colunas e tal. Darão entradas ao vivo no Rádio e TV etc. Mas a figura do repórter continuará tão importante quanto hoje, pois dela dependerá a notícia que estará sempre na rua. 
Com essa edição especial de Jornalistas & Cia, o Diretor Eduardo Ribeiro fez mais um gol de placa.
Ah! Sim, ia-me esquecendo: a edição aqui referida finda com o cordel Jornalismo e Liberdade nos Tempos de Pandemia (capa Fausto, acima). De minha autoria, modéstia à parte.
Confira:

http://emkt.jornalistasecia.com.br/emkt/tracer/?2,6262003,55599147,bf0b,1


Em momentos diferentes, o radialista Carlos Sílvio, levou ao seu programa os jornalista Edu Ribeiro, Ignácio de Loyola Brandão, Sílvio Lancellotti, Paulo Caruso, e José Hamilton Ribeiro.
Confira, clicando:

https://www.youtube.com/watch?v=kYS5RhoNPz0&t=281s

https://www.youtube.com/watch?v=VPhFmJrWBVE&t=404s

https://www.youtube.com/watch?v=ugfb8PuCN1Q&t=767s

https://www.youtube.com/watch?v=q5MaashLQ8M&t=1262s

https://www.youtube.com/watch?v=fwZf5d38T20&t=6s

COVID-19 CARREGA REPENTISTA

Até agora, segundo noticiário internacional cerca de 130 jornalistas já morreram vitimados pela Covid-19. Um terço desse total, na América Latina.
A Covid-19 continua matando gente atuante em todas as áreas, no mundo todo.
Nos últimos 3 meses a Pandemia que caiu em todos os recantos da Terra matou músicos, poetas, médicos, enfermeiros etc. No Brasil, inclusive.
Edivaldo da Silva foi o primeiro poeta repentista que a Covid levou ao túmulo. Era cego. Tinha 48 anos e seu berço foi o município paraibano de Monteiro, a 300 km da capital João Pessoa.
O repentista morreu quinta 4, na capital paulista. Deixou vários discos gravados.
Um dia depois da morte de Edivaldo da Silva, foi a vez de nos deixar o poeta cordelista Arievaldo Vianna. No diz seguinte 6, partiu para a Eternidade outro cordelista: Luiz Eduardo Serra Azul.

O paraibano Edivaldo da Silva, que conheci há uns 10 anos, num mês qualquer de 2016 ou 2017 foi trazido a minha casa pelo cordelista Moreira de Acopiara. E conversamos muito. Nessas conversas, Edivaldo lembrou que o repentismo surgiu muito cedo na sua vida. E cedo também assumiu a profissão de repentista. Como repentista, Edivaldo atuou ao lado de grandes nomes da cantoria, como Sebastião da Silva. Para lembrar clique:

DÉBORA GARCIA
A poeta Paulistana Débora Garcia idealizadora do Sarau das Prestas é a convidada especial do apresentador Carlos Sílvio. Ela vai estar falando sobre questões raciais, sempre em pautan no programa Em Quarentena.
Para acompanhar o Instagram: @cspaiaia

sábado, 6 de junho de 2020

ARIEVALDO É ESTRELA NO CEU


Ontem 5 sexta fez uma semana que o Brasil perdeu um dos mais importantes poetas da cultura popular: Arievaldo Vianna.
Ari, como as pessoas das suas proximidades o chamavam, deixou uma trintena de livros e mais de uma centena de folhetos de cordel publicados. "Juntando o que ele e eu publicamos chega à casa dos 300", diz o irmão de Ari, Klévisson Vianna.
Conheci de perto o Arievaldo.
Ele era um cara bonachão e cheio de graça. Tinha uma agilidade mental das mais brilhantes. Era bom de verso, traço, copo e piada.
Ari era um artista completo, daqueles que cativam de bate pronto.
Depois de ler pra mim o cordel que escreveu em homenagem ao irmão, Klévisson contou-me que hoje o Ceará perdeu o cordelista Luiz Eduardo Serra Azul.
Luiz Eduardo partiu antes do tempo, como Ari. "Os dois tinham um medo danado de médico", lembra Klévisson.
Leim:



O encantamento de
Arievaldo Vianna
e sua chegada no Céu

Autor: Klévisson Viana
Que a Divina Providência
Inspire esses versos meus,
Traga a verdade e a doçura
De Jesus, Rei dos Judeus
E o sopro incontestável
Da influência de Deus.

Arievaldo Vianna
Foi poeta brasileiro,
Cordelista de renome,
Bom irmão, bom companheiro;
Tudo que fez tinha o brilho
De um talento verdadeiro.

Aqui no plano terrestre
Só semeou a bondade,
Ajudou o semelhante,
Nunca perdeu a humildade,
Foi um artista dotado
De grande simplicidade.

Tinha verve de humorista
A qualquer hora do dia
E, quando contava um causo,
Botava encanto e magia
E, por onde ele passava,
Brotava um pé de alegria.

Encantador de plateia,
Com voz bonita e possante,
Culto, suave e profundo,
Com sua prosa instigante,
Da cultura popular
Era devoto e amante.

Viveu 52 anos,
Porém produziu por dez
Artistas mais dedicados.
Cumpriu bem os seus papéis
E teve destaque como
Um dos grandes menestréis.

Deixou mais de 30 livros,
Folhetos bem mais de 100.
Com imensa facilidade,
Escrevia muito bem
E, em matéria de humor,
Não tinha para ninguém!

‘O Baú da Gaiatice’
Foi o seu livro de estreia,
Sua prosa e o seu verso
Tinha o dulçor da colmeia
Do mel silvestre extraído
Pra o deleite da plateia.

Escreveu pra São Francisco
Um livro bem pesquisado
Com tudo que era folheto
Sobre o tema registrado.
Com paciência, anotou
Depois deixou publicado.

Com o “Acorda Cordel”
Alçou voos nacionais
E teve oportunidade
De produzir muito mais
Junto com Jô Oliveira,
Artista muito capaz!!!

E, para Leandro Gomes
De Barros, fez com valia
Um livro muito importante
Contendo a biografia
Do mestre lá de Pombal
Que foi rei da poesia.

Vários livros publicados
De sua verve tão fina...
Fez “Sertão em Desencanto”,
“No Tempo da Lamparina”.
Cada obra que escrevia
Era única, genuína.

Na família era estimado
Por pais, irmãos e por filhos.
Pra ajudar quem precisava
Nunca botava empecilhos,
Pois seu vagão de bondade
Nunca saía dos trilhos

Deixou centenas de amigos
Que choram sua partida
Prematura, na verdade,
Sem direito a despedida.
Todos lembram de Ari
Nos bons momentos da vida.

Dizem que os bons morrem cedo,
Ari cumpriu a missão!
E o bom Deus o levou
Pra residir na Mansão
Celeste onde a poesia
É linda igual oração.

Marcos Aurélio chorou,
Autemar tá descontente,
Chora Itamar e Vandinha
Sua presença inda sente,
E Klévisson Viana luta
Pra tocar o barco em frente.

Sua mãe, dona Hatiane,
Seu paizinho Evaldo Lima
Rezam para o filho amado
Por quem nutrem grande estima.
Ari fez da vida um verso
Com oração, métrica e rima.

O seu filho Daniel,
Sua filha Mariana,
O Yuri e o João Miguel
E a esposa Juliana
Lamentam a partida súbita
De Arievaldo Vianna.

Contudo, o bom Deus achou
Por bem chamar o poeta,
Pois viu que sua jornada
Já estaria completa.
Como Deus tinha outros planos
Traçou pra ele outra meta.

Quando o corpo de Ari
Sucumbiu à bactéria
E o espírito do poeta
Se desprendeu da matéria,
Os anjos levaram Ari
Dessa terra deletéria.

Chegou no Céu Arizinho
Com uma mala de cordel.
No portão logo avistou
Alzirinha e Seu Manoel,
Os seus avós estimados
Que abraçaram o menestrel.

E Ari, não mais sentindo
Dores, fraqueza e cansaço,
Vendo seus avós queridos,
Os envolveu num abraço
E confirmou que a família
É incontestável laço.

Após descansar um pouco,
São Pedro, bem sorridente,
Cumprimentou o poeta,
Que já estava contente,
E não sentiu mais tristeza
Daquele instante pra frente.

Num belo jardim que havia
Perto da Santa Mansão
Estava Alberto Porfírio
Improvisando em quadrão
E junto a ele encontrou
João Firmino e Azulão.

João disse a Arievaldo:
— Que bom lhe ver por aqui!
Se achegue, ande pra cá
E venha olhar de per si
A festa que hoje faremos
Pra lhe receber, Ari.

E chegou Ribamar Lopes
Escrevendo num caderno.
Quando viu que era Ari,
Deu-lhe um abraço fraterno
E disse: — Ari, lhe esperava
Na morada do Eterno!

Ariano Suassuna
Cumprimentou o poeta,
Chegou Gonzaga Vieira
Andando de bicicleta
E logo foi se formando
Uma plateia seleta.

Chegou ali Santo Antônio
(Seu santo de devoção)
Ao lado de São Francisco,
Veio apertar sua mão.
Ari segurou as lágrimas
De alegria e emoção.

A Santa Virgem Maria
Lhe mandou carta lacrada.
Quando Ari abriu e leu,
Disse a Santa Imaculada:
“Fique calmo, sua mãezinha
Por mim será confortada.

A seu pai, Evaldo Lima,
Já mandei uma mensagem.
Ele é maduro e entende
Que a vida é uma passagem
E as riquezas terrenas
Não passam de uma miragem”.

João Firmino se achegou,
Perguntou: — Arievaldo,
Como vai Klévisson Viana,
Meu amigo de respaldo,
Rouxinol do Rinaré
E Evaristo Geraldo?

Ari disse: — Eles estão
Com medo da pandemia,
Mas, mesmo em tempos difíceis,
Nunca perdem a alegria
E não abandonam o front
Em defesa da poesia.

Ari disse: — Também tem
O Pedro Paulo Paulino,
Marco Haurélio e Eduardo
Macedo, poeta fino!!!
E o nosso Jota Batista
Que é um cabra malino!

Tem Paiva e Paulo de Tarso
Poeta e declamador,
O pessoal da AESTROFE
Digno de todo valor
Os vates do CECORDEL
E a Casa do Cantador.

Depois chegou Valdir Teles
Com a viola afinada
Junto a João Paraibano,
Vate de mente afiada,
Cantaram pra Arievaldo
Uma bonita toada.

Chamaram então o poeta
Patativa do Assaré
E Paulo Nunes Batista,
Com inspiração e fé,
Deu vivas ao bom poeta
Que viveu em Canindé.

Ari olhou para um lado
Onde se avistavam uns jarros
Chegou uma comitiva
E estacionou uns carros
Trazendo o grande poeta
Leandro Gomes de Barros.

Leandro deu-lhe um abraço
Com efusiva alegria,
Lhe cobriu de elogios,
Recitou uma poesia
E agradeceu Ari
Por sua biografia.

Ari louvou a Leandro
(Aquele espírito de luz),
Quando o foi chamar de mestre
Disse Leandro: — Jesus,
Só ele é quem é o Mestre
Que morreu por nós na cruz!

Foi uma festa bonita
Que durou mais de um dia
O jardim celestial
Se encheu de alegria
E em toda parte nasceram
Muitas flores de poesia.

FIM

A CENSURA ESTÁ CHEGANDO...

Chegou a 35 mil o número de mortes provocadas pela Gripe Espanhola, em 1918. Isso, no Brasil.
Já chegou a 35 mil o número de mortes provocadas Covid-19. Isso, no Brasil.
A Pandemia da Espanhola durou cerca de 3 meses. E em 3 meses, cá no Brasil, esses números já se empareiam.
Em menos de 1 mês, o Brasil teve 2 ministros da Saúde. Mandetta e Teich. Hoje, o Ministério está sem ministro.
Até há poucos dias os números de mortes curados e contaminados eram divulgados às 17hs. Depois, às 19hs e, agora, às 22hs.
Ninguém precisa ser considerado gênio por entender que aí tem o dedo malandro e pornográfico da Censura.
O Governo Bolsonaro está testando o povo e as instituições democráticas.
O sonho de Bolsonaro é implodir a Rede Globo, a Folha, O Estadão e tudo que possa significar entraves no seu comportamento e ações.
Bolsonaro segue passo a passo os movimentos do seu ídolo Trump.
Primeiro disse que o Coronavírus era uma "gripezinha".
Depois disse que essa "gripezinha" era invenção de laboratório chinês.
Disse também que Cloroquina era a salvação da lavoura.
E disse muito mais.
O presidente Norteamericano acusa de arruaceiros  os manisfestantes que foram as ruas protestar contra o assassinato do George Floyd.
Bolsonaro, ao saber disso, já começou a xingar as pessoas que prometem ir às ruas amanhã 7 contra seu Governo.
Tudo que o Trump faz, Bolsonaro tenta fazer.
O número de mortes pela Covid-19 nos EUA, já passa de 100.
O Tump disse essa semana que ainda bem que não seguiu o comportamento do seu fã brasileiro, no tocante às medidas tomadas contra o Coronavírus, "tal ok?" Se tivesse feito isso, o número de pessoas mortas por essa pandemia chegaria a 2,5 milhões.
Bolsonaro, não sei não é no mínimo um sem noção.

Ouça:

BOLSONARO TIRA O SONO DO BRASIL


Pesquisa recente indicam que o sono do brasileiro anda pra lá de tumultuado. Pesadelo, mesmo. Nesses pesadelos, aparece, muitas vezes, o apocalipse personalizado no presidente Bolsonaro, que tem tocado o Brasil pra trás.
Não sou médico psiquiatra, tampouco é função do jornalista prever seja lá o que for. Por isso, invés de afirmar, pergunto: é normal alguém seguir fanaticamente outra?
Hoje cedo ouvi no rádio, Bolsonaro xingando brasileiros que são contra ao seu modo desequilibrado de governar, chamando-os de “terroristas”, “marginais”, “maconheiros” e “desocupados”.
Pouco antes, o o Trump dizia que se tratado a pandemia no seu país como Bolsonaro tem tratado no Brasil, pelo menos 2,5 milhões de norte-americanos iriam à óbito.
O xingamento ocorreu durante a inauguração de um hospital para o tratamento de pessoas com a Covid-19, em Goiás (GO).
Em nenhum momento o presidente falou dos mais de 34 mil brasileiros mortos até ontem 4 pela covid-19. falou, porém, que tinha “uma boa notícia“ a dar: a compra de armas sem o pagamento de imposto.
O xingamento deveu-se a manifestação contra ele que está sendo programada para domingo, em todo País.
Na verdade, na verdade minha gente, Bolsonaro está é preparando terreno para atirar forças policiais contra a eventual manifestação. E nessa manifestação, se de fato houver, é possível que seguidores seus infiltrem-se e aí já viu, né?
Tem muita coisa rolando nos bastidores do planalto.
Enquanto isso, nesse pandemônio, a bolsa sobe e o dólar cai em todo mundo.

É crise disse e daquilo
Econômica e social
O mundo pegando fogo
Dor de cabeça infernal
Bolsa sobe, dólar cai
No mundo capital

Dormi pouco, tive um pesadelo e acordei triste.
Não consigo interpretar esse sonho...

DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

Não há o que comemorar, mas hoje é o dia mundial do meio ambiente.
Ouvi também no rádio repórter dizendo que já foram desmatados quase 1,8 milhões da Amazônia. Só nos primeiros 5 meses deste ano. Nesse pique, a Amazônia logo logo virará um enorme deserto.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

JORNALISMO É HISTÓRIA



Como, quando, onde, quem e por que.
A cada uma dessas palavras, segue-se uma interrogação.
Não é possível contar uma história sem essas palavras interrogativas.
Como é fulano?
Quando você encontrou fulano?
Onde você encontrou fulano?
Quem é você?
Por que você esteve em tal lugar?
Pois é, impossível contar uma história do começo ao fim sem empregar na conversa  — escrita ou não — as palavras interrogativas aqui citadas.
Como vai você, Anna?
“Num sei, vou bem...”
Não é de hoje que estudantes de jornalismo perguntam o que é jornalismo.
Jornalismo é uma história contada, de um fato acontecido.
Isso é, também, história.
Jornalismo é, a rigor, história.
A Anna, aspirante a jornalista pergunta qual diferença há entre jornalismo sensacionalista e jornalismo marrom.
Imprensa sensacionalista é a imprensa sem compromisso com os fatos, com a realidade acontecida no dia a dia.
Imprensa marrom é a mesma coisa que imprensa sensacionalista.
Anna ainda pergunta se a imprensa sensacionalista e a imprensa marrom tem a ver com fake news.
Sim, tem.
A fake news é mais grave que o sensacionalismo etc.
Não precisei responder a Anna, em detalhes, o que ela perguntou. Ela mesma respondeu:
“Fake news é destruição de credibilidade, moral, ética...”, resumiu.
Anna, como tantas aspirantes a jornalismos, pergunta se não é momento da própria imprensa questionar-se e exemplificou:
“Será que não continuamos na máxima Nelson Rodriguiana, segundo a qual carregamos conosco o complexo vira-lata? O que acontece nos EUA repercutimos aqui, é como se tivéssemos vergonha do que somos. Essa visão, jornalisticamente, não deveria mudar? Ou no mínimo ser revista?”
Pois é, a menina Anna é cheia de interrogações com referência ao jornalismo. E à vida também.
No tocante ao jornalismo, dá pra dizer que tudo vai mudar depois do Corona Vírus/Covid-19.
O mundo será outro depois disso. Inclusive, o jornalismo.
Porém, devo dizer, que as cinco perguntinhas iniciais continuarão como base para a contação de qualquer história.
E bom mesmo é uma história bem contada.
Isso é jornalismo. Isso é história.
Estudar é fundamental, somos todos estudantes. Ou deveríamos ser...

quarta-feira, 3 de junho de 2020

PRETO NO BRANCO

O momento é difícil
Complexo, gravíssimo
Há tiro por todo canto
E gritos contra o Nazismo
O mundo tende a morrer
Com tanto radicalismo!

No Brasil é só loucura
No terra de Trump, também
É gente matando gente
Por nada nem por vintém
Porisso quem pode mata
Aquele que nada tem

Radicalismo, morte
Fome, dor, destruição
Amigo é inimigo
No rolo da compressão
É fim do mundo chegando
Com a cara feia do Cão

Bolsonaro presidente
É um Trump malamanhado
Corre daqui, corre dali
Nos passos do seu amado
O povo Brasileiro
É um povo afunhenhado


Nunca nenhum presidente da República do Brasil disse tanto palavrão em público.
Nunca, em nenhum momento, um presidente investido do cargo agrediu em pouco tempo tantos jornalistas.
Nos primeiros quatro meses desse ano, segundo a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Bolsonaro no seu estilo louco de ser, agrediu 179 vezes jornalistas que o entrevistaram.
Nunca, na história, o povo brasileiro foi tão discriminados por um presidente da República.
Em meio a pandemia mundial, o Presidente nem tchum!
As milícias armadas estão cada vez mais organizadas, subindo e descendo morro. Por onde passam deixam morte.
Os milicianos cibernéticos também estão armados até os dentes. Bolsonaro tá louquinho pra levar o povo brasileiro no xadrez e jogar a chave fora. Mas isso não vai ocorrer.
Em nenhum dos 200 e poucos artigos da constituição vigente permite que o presidente da República faça o que quiser.
O Exército não é poder, a Aeronáutica não é poder e a Marinha também não. Poder é o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
A pandemia provocada pelo Corona Vírus, que gera a Covid-19, já infectou mais de 6 milhões de pessoas mundo afora. No Brasil, o número de infectados já passa de meio milhão.
Em 1918, no correr de 3 meses, o Brasil perdeu cerca de 35 mil Brasileiros vitimados pela chamada “Gripe Espanhola”.
Em São Paulo, morreram cerca de 5.300 pessoas.
A Covid-19 matou até aqui, mais de 31 mil pessoas.
Os seguidores do Bolsonaro, continuam ferindo a Democracia.
O musico pernambucano Jorge Ribbas e eu compusemos uma modinha para o atual ocupante do Alvorada. Clique:



sábado, 30 de maio de 2020

ANASTÁCIA, 80 ANOS!



A cantora e compositora pernambucana Anastácia completa hoje 80 anos de idade. Começou a carreira em Recife, no começo dos anos de 1950. 
Anastácia viveu com o sanfoneiro Dominguinhos e com ele compôs duzentas e trinta músicas. No total, de sua autoria, já compôs, pelo menos, 700 músicas. No próximo mês, vai à praça, mais um CD trazendo-a como intérprete das suas músicas. 
Pra ela, fiz estes versos:

Nasceu em Pernambuco
De capiba e lampião
De frevo e maracatu
De xote, forro e baião
Anastácia é a tal
Desse nosso Brasilzão!

Aos oitenta lá vem ela
Cantando com alegria
Dançando, fazendo graça
Gingando nessa folia
Anastácia, boa marca
É prova de garantia!

Compositora de porte
Cantora de voz potente
Ela sozinha é festa
Na zoada, no repente
Ela brinca em todo canto
Fazendo forró pra gente!


A CULTURA ESTÁ DE LUTO, MORRE ARIEVALDO

A foto aí foi feita a mais de dez anos, em Brasília. Nela aparecem Arievaldo, o escritor paraibanos, Sinval Sá (1922-2014), e eu.  
Eu bem senti que algo esquisito pairava no ar.
A madrugada foi de um frio de lascar. Cá em Sampa chegou a cinco graus, segundo a moça do tempo.
O ponteiro marcava, se tanto, nove da manhã. A essa hora o querido Klévisson fez-se presente ao telefone tristonho, com voz embargada, contou que o mano Arievaldo se achava num hospital havia três dias. “O Ari é um teimoso, não ouve conselhos de consultar um médico”, começou Klévisson, acrescentando: “Ele diz que esse negócio de procurar médico é besteira, pois médico só arruma doença pra gente”.
No final da tarde, o querido Wilson Seraine, telefona pra dar “péssima notícia”. Pois é, revelou: “O nosso Ari morreu”.
Arievaldo Viana morreu aos 53 anos, deixou quatro filhos e viúva. Ele foi um dos talentos mais visíveis que já vi. Grande pesquisador da cultura popular, especialmente do cordel, Ari entra pra história como um grande cordelista e contador de histórias.
Que Deus o tenha.

AUDÁLIO, UM GRANDE BRASILEIRO

Uma historinha: certa vez Audálio perdeu o emprego e o convidei pra ser meu chefe no Metrô de São Paulo, convite aceito, fiquei feliz. A foto é da época. 

Pelo sim pelo não, o Brasil corre perigo.
Não custa lembrar: é preciso estar a postos, pois há muita gente má à espreita.
A história do Brasil é uma história triste, de escravidão, de violência.
Não podemos esquecer de tudo quanto sofremos.
A história está nos livros, nas ruas.
Apanhamos de todos os governantes, praticamente.
A ditadura varguista foi o que foi. Antes dele Deodoro, Floriano e outros marechais e generais.
Cuidemo-nos: não pode ser um ex capitão malássombrado, com a mente fixa em 64 e anos subsequentes de chumbo, que vai levar o Brasil de novo às trevas. Mas depende da gente, né?
A democracia está ferida, sofrendo.
Apesar da turbulência verbal provocada pelos filhotes e viuvinhas da ditadura, as instituições continuam nas suas funções.
O Brasil é berço de grandes intelectuais, de grandes artistas, de um povo incrível...
Ontem 29 morreu o jornalista paulistano Gilberto Dimenstein, aos 63 anos de idade. Dois dias antes foi a vez do potiguar Murilo Melo Filho partir, aos 91.
Há exatos dois anos, morria em São Paulo o jornalista alagoano Audálio Ferreira Dantas. Pra ele e todos os grandes cultores da liberdade, escrevi o poeminha matuto. Abaixo:

O Brasí é um barquim
Deslizano pelo má
Levano, trazeno gente
Daqui pralí, dali pracá

Nesse eterno vai-vem
Muita gente cai no má
Muita gente vai pro céu
Sem saber que trem tem lá

Desse jeito o Brasí vai
Se balançano no má
Pareceno u’a donzela
Convidano pra dançá

Esse barco já levô
Muita gente além do má
Já levô Audáio Dantá
Valdi Tele e Jão Bá

Barquero desse barco
Castro Alve foi pro má
Levano o bão Bandeira
Pra um dedo prosiá

Gente de todo tipo
Nesse barco foi pro má
Quereno sabe untudo
Querendo sábi ficá

Há muito ele nasceu
Num belo berço do má
Andô, correu pirigo
Mas sempre sôbe lutá

Lá vai ele
Leve e livre no má
Garboso, sinhô de si
Com o céu a li guardá

Viva o Brasí barquinho
Na sua missão no má
Levano, trazeno gente
Daqui pralí, dali pracá


sexta-feira, 29 de maio de 2020

DITADURA NUNCA MAIS! (2)



O que dizer de quem diz 
De modo tão prepotente 
Eu sou a Constituição!
Eu sou o Presidente!
Ora, só falta dizer
Eu sou Deus Onipotente!

O Brasil estarrecido acompanha passo a passo as peripécias malucas do endiabrado Presidente da República.
As diabruras do presidente não são de hoje.
Inspirado no seu ídolo, Trump, a quem parece ter dedicado amor eterno, o sempre enamorado presidente brasileiro bate em todos que lhe contrariam. Jornalistas, principalmente.
Nem antes nem depois da ditadura militar de 1964, que durou até 1985, nenhum presidente da República foi tão agressivo, grosso e mau humorado como o paulista Bolsonaro.
Até aqui, é a autoridade constituída que mais agrediu jornalistas.
A ignorância de Bolsonaro fez a Globo, a Bandeirantes, a Folha e outros órgãos da imprensa, abandonar a cobertura comumente feita nas manhãs de todos os dias à saída do Palácio da Alvorada.
Bolsonaro sente exagerado prazer em agredir os profissionais da imprensa.



Meu amigo, minha amiga, você deve conhecer o famoso poema do niteroiense Eduardo Alves (No caminho com Maiakóvski), que diz: “Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim./ E não dizemos nada./ Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada./ Até que um dia,
o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta./ E já não podemos dizer nada...”
Esse poema foi publicado originalmente em 1968 (capa do livro, ao lado).
Muita gente acreditou que a obra era de autoria do poeta russo Maiakóvski (1893-1930).
As ameaças de Bolsonaro, dos seus filhos e seguidores são preocupantes, por isso precisamos estar atentos.
Está claro, claríssimo que Bolsonaro quer subir nas botinas e virar presidente supremo, oxalá eterno.
Os versos abaixo, de minha autoria, integram o cordel Serpente Quer Pôr Ovo/ no Coração do Brasil:

Pena tudo, penam todos 
Penam jovens jornalistas 
Que quando podem perguntam
Sobre nazi-fascistas 
Irritado Presidente
Diz ser todos comunistas 

Da imprensa ele não gosta
Da justiça também não
O bicho é invocado
Só gosta de confusão
Anda com fogo no bolso
E gasolina na mão

O que vai fazer com isso
Tacar fogo na Nação
Dizer que é bicho macho
Como macho Lampião
Que na hora derradeira
Levou chumbo no Sertão?

O Capitão é muito louco
Esse bicho é anormal
Se pudesse fecharia
O Supremo Tribunal
Mas isso ele não pode
Nem se fosse General

Jornalistas levam pau
De graça do presidente 
Que adora bater forte
No lombo de sua gente 
Que a Deus pede rezando 
Um futuro diferente...

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