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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

SEM BOM SENSO, BOLSONARO CANCELA CENSO (FINAL)


Bolsonaro foi recebido na manhã de hoje 21 pelos potiguares de Mossoró, cidade “petrolífica”, localizada a 282km da capital, Natal.
Também na manhã de hoje o IBGE divulgou dados sobre nova pesquisa. Dessa vez o foco foi o modo como os brasileiros estão se alimentando.
Os resultados da pesquisa indicam que os brasileiros estão deixando de lado o velho, bom e saudável hábito de comer feijão e arroz. Em troca, estamos nos entupindo de tranqueiras embutidas, ou embutidos, como se diz.
Muita coisa pesada estamos nos habituando a ingerir. Não à toa, está crescendo o número de pessoas obesas.
Existem pelo menos 15 tipos de feijão.
Existe feijão fradinho, feijão roxo, feijão preto, jalo, carioca, muito bom para gestantes.
E tem ainda a fava, que é um tipo de feijão bom pra danado.
Meu amigo Papete (1947-2016) adorava comer fava.
E o arroz, hein?
Existem milhares de tipos de arroz, você sabia?
O feijão surgiu em tempos imemoriais do Egito e Grécia.
O arroz teve origem, segundo os pesquisadores, lá pras bandas do Sudeste asiático.
Não conheço nordestino do meu tempo que não goste de arroz e feijão.
Eu sou do tempo da República dos Estados Unidos do Brasil, que existiu entre 1891 e 1967.
O estudioso potiguá Luís da Câmara Cascudo tem um livro muito legal sobre o tema alimentação (Capa ao lado).
No dia 13 de junho de 1927 o destabanado Lampião invadiu com seu bando a cidade de Mossoró, mas lascou-se. O povo o pôs pra correr.
Com Bolsonaro não aconteceu nada.

O FOLCLORE NA OBRA DO REI DO BAIÃO



Luiz Gonzaga (1912-89) agarrou-se na terra e na memória para ressaltar e enriquecer a região onde nasceu, Nordeste, para o Brasil e para o mundo.
Analfabeto da escola e doutor da vida, formado pela seca, pelo vento e doutorado em fauna e flora e na alma humana, Luiz Gonzaga — não à toa do Nascimento — nasceu pra não morrer.
Cedo, muito cedo, ele encontrou no pai Januário o caminho das histórias encantadas, do folclore, que apostou transformar no real, na realidade da vida Nordestina. Da vida brasileira.
A sanfona foi seu instrumento para alcançar a realidade que pretendia, em termos de Nordeste e Brasil.
Antes dele não havia Nordeste.
O Nordeste dos invasores, dos escravos, da violência era o Nordeste do Inferno sem entendimento geográfico, sem mapeamento geográfico. Com Luiz Gonzaga o Nordeste começou a ser uma terra conhecida e boa, embora problemática, dentro deste mundo que é o nosso Brasil com seus mais de 200 milhões de seres.
Mais de um terço da população brasileira habita os nove estados da região nordestina.
O total dos nove estados passa do 1,5 milhão de km².
Luiz Gonzaga foi um ser diferente dos seres seu tempo: ele via além dos olhos.
Detalhe: Gonzaga, nos seus tempos de rapaz, fez tudo aparentemente de errado, apaixonando-se, inclusive, por uma jovem que imaginou transformar-se na mulher da sua vida. Essa ousadia rendeu-lhe uma mega surra dada com gosto/desgosto pelos pais Januário e Santana que o levou a fugir de casa e alistar-se no Exército mesmo com idade inferior a 18 anos. Isso mudou-lhe a vida.
Em março de 1978, ele disse a mim em entrevista publicada no extinto D. O. Leitura, que seu sonho era ser “cartaz”.
Cartaz, pra quem não sabe ou lembra, era/é pessoa de destaque num grupo. De artistas, principalmente.
E folclore, você sabe o que é?
O estudioso da cultura popular Luís da Câmara cascudo (1898-1986) detestava o termo “folclorista”. Escute: https://youtu.be/TeLQm3SbyJQ e leia http://almanaque.folha.uol.com.br/entcascudo.htm. Mais: cascudo escreveu 39 livros que tratam especialmente de cultura popular, num total de quase nove mil páginas.
A expressão Folclore é de origem inglesa: folk, povo; lore, ciência.
Essa história de folclore, como tal definida, data do século 19. Começou com William Thoms (1803-85), quando enviou uma carta à revista Athenaeum mostrando seu pensamento sobre o comportamento do povo, até então impensáveis.
Essa história é muito bonita, pois tem a ver com o nosso comportamento. A propósito publiquei um opúsculo explicando essa história (reprodução da capa ao lado).
Comportamento, meu amigo, minha amiga, você sabe o que é?
Comportamento é tudo que fazemos, que falamos...
Nesse quesito, Luiz Gonzaga foi absolutamente fantástico.
Luiz Gonzaga, conhecido como Rei do Baião, foi o artista que, mais do que qualquer intelectual, refez o Nordeste para o Brasil. E feito/refeito isso, ele mapeou o Brasil através da música.
E Carmen Miranda, hein?
Não falei de Carmen Miranda (1909-55) até agora. Pois, pois.
Luiz Gonzaga levou o baião para o Brasil e Carmen Miranda, que nasceu em Portugal,  para o mundo.
Aliás, não foi por acaso que Carmen gravou a música Baião. Em inglês, numa versão do norte-americano Ray Gilbert (1912-76). Ouça: 


Essa história e outras mais estarei detalhando sábado 22, a partir das 20h, numa live que será transmitida para o mundo (Eita!), entre o Instituto Memória Brasil, IMB, e o Centro Cultural Santo Amaro. Agende-se: https://www.facebook.com/assis.angelo.9/videos/3201090999972017
O dia 22 de agosto é o dia Internacional do Folclore.
Toda a obra musical de Luiz Gonzaga tem por base o folclore, a partir do próprio gênero baião que ele estilizou.
Asa Branca, Assum preto, Lenda de São João, Juazeiro e outras mais tornaram-se clássicos da nossa música.
Pouca gente sabe que Asa Branca tem origem no folclore pernambucano. Leia mais: http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular04.pdf
É do Cego Oliveira (Pedro Pereira da Silva; 1912-97) a primeira e única gravação de Asa Branca no original. Ouça: 


quinta-feira, 20 de agosto de 2020

GUIO DE MORAES, 100 ANOS


Meu amigo, minha amiga, você sabe qual música em que Luiz Gonzaga revela a sua história musical e de homem?
Pois é, Luiz Gonzaga resumiu a sua história num Maracatu de beleza infinita. Título: Pau de Arara, dele e do recifense Guio de Moraes. 
Guiomarino Rubens Duarte nasceu no dia 20 de agosto de 1920. 



SEM BOM SENSO, BOLSONARO CANCELA CENSO (2)


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, divulgou no começo dessa tarde 20 resultados de pesquisas recentes que indicam dificuldades que os brasileiros estão vivendo.
Segundo o IBGE, quase 4 milhões de brasileiros pediram empréstimos bancários para contornar, ou tentar contornar, a crise ora provocada pelo novo Coronavírus que desemboca na Covid-19, que já matou no Brasil quase 115.000 de brasileiros.
O IBGE foi criado em 1938, no governo Getúlio Vargas.
Começou como departamento nacional de estatística. À época, o cara que plantou a semente do IBGE como instituição tinha por nome Juarez Távora, ministro da agricultura.
A gente está falando de 1934, 1936 e 1938.
A primeira pesquisa sobre nós, brasileiros, foi feita em 1872. Pífia.
A primeira pesquisa feita pelo IBGE foi levada a cabo em 1940. Ouça: https://youtu.be/nxGUQPgsBcs
Meu amigo, minha amiga, você sabe como o mapa do Brasil era dividido em 1940?
Foi em 1940 as regiões apresentadas pelo mapa brasileiro, eram: Norte, Nordeste, Leste, Centro-Oeste e Sul.
E a importância do Censo, você sabe?
Pois é, as pesquisas desenvolvidas pelo IBGE servem para direcionar rumos políticos, econômicos etc; de um país.
O censo demográfico serve para identificar, esquadrinhar, os caminhos de um país.
O censo demográfico é o retrato de um país, de uma nação.
Quase 4 milhões de brasileiros acorreram ao sistema bancário na tentativa de minimizar a situação grave que ora vivemos.
Bolsonaro quer acabar com o IBGE.
Em 1970, a Seleção Brasileira de Futebol papou o tricampeonato de futebol. E qual foi a trilha sonora?
O compositor Miguel Gustavo (1922-72), carioca, ficou famoso com a marchinha vagabunda Pra Frente Brasil, que falava de uma população de 90 milhões de habitantes loucos por futebol.


À época, o presidente do Brasil era o torturador Garrastazu Médici (1905-85), “coautor” da referida marcha. Isso é história.
Garrastazu era figura sempre presente aos estádios de futebol, o Arenas como se diz hoje.
Bolsonaro “adora” futebol. E sempre que acha poder, está nos campos.

SEM BOM SENSO, BOLSONARO CANCELA CENSO (1)

Ouço no jornal notícia dando conta de que o presidente Bolsonaro cancelou o Censo Demográfico que seria realizado este ano. Ano que vem também nada de censo.
A primeira decisão para a realização de um Censo Demográfico no país data de 1870, ainda no Império. Foi chinfrim. 
O primeiro censo realizado na República foi em 1900. 
Tudo era realizado de modo meia boca. 
Em 1910, não houve censo. Em 1930, também não. Motivo? 
Questões políticas impediram a realização de censo demográfico, em 1910 e 1930. 
Em 1903, o presidente era o vice Nilo Peçanha (1867 - 1924), que substituiu Afonso Pena (1847 - 1909).
Nilo foi o primeiro presidente negro do Brasil. A cor da sua pele gerou muita discriminação, à época. 
O último censo indica que o total de negros no Brasil é da ordem de 9,2%. A de brancos, 43,1%. A de pardos, 46, 5%.
Alguma coisa está errada, com relação a isso e a muita coisa que meus olhos cegos veem. Fico pensando: acho que a polícia quer matar todos os negros do País. E pobres.
Em 1930 não houve censo porque o sulista Getúlio Vargas (1892 - 1954) passou por cima do presidente eleito, Julio Prestes, e tomou o poder. A isso chamou-se, esquisitamente, de Revolução de 30. 
Bom, como eu ia dizendo, Bolsonaro quer por fim ao Censo Demográfico. Não pode. 
O Presidente pode muita coisa, mas não pode tudo. 
O Censo Demográfico serve para que o Poder tome medidas que beneficiem o País e o povo.
Pronto, é isso: Bolsonaro não quer beneficiar o Brasil nem a população. Da população, aliás, tudo que ele quer é voto. 
O primeiro presidente populista do Brasil foi Getúlio, depois JK, JQ, Jango, Sarney, Collor, por aí. 
No dia 27 de setembro de 1940, dia e mês em que eu nasceria 12 anos depois, a portuguesinha Carmem Miranda gravou com talento e graça o samba do baiano Assis Valente (1911 - 58), intitulado Recenseamento. Ouça: 



ASA BRANCA E ASSUM PRETO, O FOLCLORE NA OBRA DE LUIZ GONZAGA

Estou ficando moderno. Já sei até o que é "live".
No próximo dia 22, às 20 horas, estarei falando para o mundo sobre a nossa aldeia Brasil. E papo vem, e papo vai, o papo principal é sobre o folclore na obra de Luiz Gonzaga. Fiz até uma chamadinha, clique: https://www.facebook.com/assis.angelo.9/videos/3201090999972017


quarta-feira, 19 de agosto de 2020

ESTUDANTES DO PASSADO, ESTUDANTES DO PRESENTE


A profissão de historiador acaba de ser regulamentada.
Ainda é muito grande o número de analfabetos, no Brasil.
Os números indicam que há, pelo menos, 11,6% de brasileiros que nunca pisaram numa escola. Isso agora, em pleno terceiro milênio.
O Brasil sempre pisou na bola no tocante a números estatísticos.
Dois, três, quatro ou cinco milhões de africanos foram escravizados no nosso País, hein?
Muitos negros se suicidaram na atravessia entre África e Brasil. Outros morreram de doença e seus corpos foram atirados ao mar.
Na ultima década do século 19, a Febre Amarela, a Bubônica e a Varíola mataram muitos brasileiros. Quantos? Ninguém sabe.
O sanitarista Oswaldo Cruz foi um herói, por que não dizer?
Foi Cruz e auxiliares que enfrentaram a tal revolta da vacina.
Pra combater a Varíola o sanitarista recebeu o apoio total to presidente Rodrigues Alves, que acabaria morrendo vítima da Gripe Espanhola (1918).
A Febre Amarela ainda não foi erradicada no Brasil.
A Espanhola chegou ao Brasil em setembro de 1918 e até o final daquele ano levou para o túmulo pelo menos 35.000 pessoas. O presidente da época, Delfim Moreira (1868-1920), baixou decreto determinando que nenhum estudante fosse reprovado e que retornassem às escolas somente no ano seguinte, normalmente. E assim foi feito.
E por que decreto idêntico não é baixado agora, quando a Covid-19 já engoliu mais de 110.000 de brasileiros?
Historiadores do futuro lembrarão o terrível momento que ora todos vivemos.

ASA BRANCA E ASSUM PRETO, O FOLCLORE NA OBRA DE LUIZ GONZAGA


Estou ficando moderno. Já sei até o que é "live".
No próximo dia 22, às 20 horas, estarei falando para o mundo sobre a nossa aldeia Brasil. E papo vem, e papo vai, o papo principal é sobre o folclore na obra de Luiz Gonzaga. Fiz até uma chamadinha, clique: 


VIVA ZECA DA CASA VERDE!

Para todos os efeitos, o samba nasceu no Rio de Janeiro. Mais precisamente, na casa da Tia Ciata.
Tia Ciata era como chamavam a baiana Hilária Batista de Almeida (1854 -1924). Foi da casa dela que saiu o samba amaxixado Pelo Telefone, assinado pelos cariocas Ernesto do Santos, o Donga; e o jornalista Mauro de Almeida.
Mas o samba já existia, inclusive em São Paulo.
Grandes compositores e intérpretes espontâneos marcaram época em São Paulo. Entre esses nomes Dionísio Barbosa, Geraldo Filme, Toniquinho Batuqueiro e Zeca da Casa Verde.
Zeca, de batismo José Francisco da Silva, morreu no dia 19 de agosto de 1994, aos 67 anos de idade.
Não tenho certeza, mas tenho a impressão que foi Oswaldinho da Cuíca quem me apresentou o Zeca.
Zeca participou de várias escolas de samba, inclusive as Rosas de Ouro, e a que usou como "sobrenome".
Ele era um bom passista, e quem o incentivou a compor sambas de enredo foi Geraldo Filme.
No começo dos anos de 1970, Zeca foi levado pelo jornalista e agitador cultural Plínio Marcos a cantar e a atuar no velho Teatro de Arena, participando do musical, Nas Quebradas do Mundaréu. Que rendeu um LP, lançado em 1974.
Para lembrar, ouça:

terça-feira, 18 de agosto de 2020

TODA PROFISSÃO REQUER ESTÁGIO


Não sei exatamente o número de jornalistas em atividade no País, nem o de estudantes aspirantes à profissão.
Sei, porém, que são três o número de jornais mais lidos: O Estado de S.Paulo, Folha de São Paulo e O Globo.
Os jornais mais antigos do Brasil em circulação, pela ordem de fundação, são o Diário de Pernambuco (7 de novembro de 1825), O Estado de S.Paulo, fundado com o título de A Província, e A União. 
A profissão de jornalista é, relativamente, nova. Mas jornalista sempre existiu, antes mesmo de a profissão ser regulamentada pelo Decreto-Lei nº 972, de 17 de outubro de 1969. 
O primeiro jornal a circular no País, foi a Gazeta do Rio de Janeiro entre setembro de 1808 e dezembro de 1822.
Antes da Gazeta, circulou no País, o Correio Brasiliense entre 1 junho de 1808 a 1 de dezembro de 1822. Esse jornal, no entanto, era editado em Londres por Hipólito José da Costa (1774 - 1823).
José de Alencar e Machado de Assis iniciaram-se nas letras como jornalistas, em periódicos do Rio de Janeiro.
João do Rio, de batismo João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto (1881 - 1921), foi o cara que deu forma à reportagem. 
Falo de jornalismo e jornalistas como poderia falar de qualquer outra profissão. Como medicina, por exemplo. 
Todo estudante precisa de estágio para aprimorar-se na profissão escolhida. 
Hoje é o Dia do Estagiário, data regulamentada em 1982.
Anna da Hora é estudante de Artes Visuais, mas tem pensado no curso de Jornalismo. Na foto ao lado, Anna se auto-refazendo. 
Vito Antico não tem dúvida pela profissão que decidiu seguir, a de jornalista. Está no último ano, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 
Anna e Vito são estagiários do Instituto Memória Brasil, IMB. 
Sinto-me bem em tê-los como estagiários da entidade que presido. 
Fazem-me muitas perguntas, os dois estudantes citados. 
Anna até mais do que Vito. Mas Vito é aquele cara tranquilo, sereno. O tal do "come quieto" inventado pelos mineiros. 
Anna e Vito são paulistanos.
Meu amigo, minha amiga, você já ouviu falar no Instituto Memória Brasil. Clique: https://institutomemoriabrasil.com.br/
E aproveite para inscrever-se no canal: https://www.youtube.com/user/assisangeloimb/videos


ASA BRANCA E ASSUM PRETO, O FOLCLORE NA OBRA DE LUIZ GONZAGA

Estou ficando moderno. Já sei até o que é "live".
No próximo dia 22, às 20 horas, estarei falando para o mundo sobre a nossa aldeia Brasil. E papo vem, e papo vai, o papo principal é sobre o folclore na obra de Luiz Gonzaga. Fiz até uma chamadinha, clique: https://www.facebook.com/assis.angelo.9/videos/3201090999972017



segunda-feira, 17 de agosto de 2020

O FOLCLORE NA OBRA DE LUIZ GONZAGA

Otacílio Batista (1923 - 2003) foi um dos maiores poetas improvisadores ao som de viola que o Brasil já teve. Era, mesmo, dos grandes.
Uma vez perguntei a Otacílio, o que era Baião. 
Baião, segundo Otacílio, é a parte que divide as fases de uma cantoria. De repentistas, claro. 
Luiz Gonzaga do Nascimento foi o mais importante artista da música do Nordeste. 
Ele não inventou o Baião, mas o estilizou. 
Uma vez perguntei a Gonzaga, o que era Baião. 
Baião, segundo Gonzaga, é o que se diz do repentista afinando a viola para iniciar uma cantoria.
No livro Eu Vou Contar Pra Vocês (reprodução da foto, ao lado), que publiquei em 1990, Luiz Gonzaga detalha a conversa que tivemos em 1984. Um trecho:


O Baião como forma e gênero musical ganhou o Brasil e boa parte do mundo a partir do dia 22 de maio de 1946, quando o grupo de músicos cearenses Quatro Ases e um Coringa o lançou num disco de 78 RPM. Ouça: https://www.youtube.com/watch?v=Xk89uhVeHp4
Centenas, milhares, de artistas no Brasil e no exterior pegaram carona no gênero. Até o chato João Gilberto (1931 - 2019), que veio com o Bim, Bom: https://www.youtube.com/watch?v=yfy2ggYnxsk
Nessa mesma linha, veio o extraordinário Baden Powell (1937 - 2000) com a bela Lição de Baião. Ouça: https://www.youtube.com/watch?v=ivMHolqcAsE

ASA BRANCA E ASSUM PRETO, O FOLCLORE NA OBRA DE LUIZ GONZAGA

Estou ficando moderno. Já sei até o que é "live".
No próximo dia 22, às 20 horas, estarei falando para o mundo sobre a nossa aldeia Brasil. E papo vem, e papo vai, o papo principal é sobre o folclore na obra de Luiz Gonzaga. Fiz até uma chamadinha, clique: https://www.facebook.com/assis.angelo.9/videos/3201090999972017






sábado, 15 de agosto de 2020

DOM PELÉ E BRASIL ATUAL




Dom José Maria Pires, mineiro de Conceição do Mato Dentro, foi para o ceu faz três anos.
Dom José foi Arcebispo da Paraíba entre 1966 e 1995.
Dom José foi um ser incrível, que a todos fez muito bem.
Ele era da linha progressista da Igreja Católica.
Lutou pelos pobres, pelos humildes, por bancos e negros.
Esse José via a vida com a beleza de quem nasce para viver lutando, brigando pra ser feliz.
Dom José Maria Pires ficou famoso pelo apelido de Dom Pelé.
Algumas pessoas perguntaram o que fazer para ler e entrevista que fiz com ele, Dom Pelé, que o extinto semanário Pasquim publicou no dia 15 de março de 1978.
Nessa entrevista, de duas páginas (14 e 15) perguntei-lhe sobre os mais diversos temas da vida Nacional. Incluindo desmatamento, por exemplo.
Leia:






sexta-feira, 14 de agosto de 2020

POPULISMO, UMA HISTÓRIA CONHECIDA


Queiroz e a sua mulher estão de volta à cadeia? E vocês sabem porque, não é mesmo?
O Datafolha é um instituto de pesquisa paulistano que registra a temperatura das várias facetas do cotidiano do País.
Bolsonaro não acredita no Datafolha, mas deve estar vibrando no silêncio da alcova, ajoelhado com o terço nas mãos, pelos resultados apontados ontem 13 por esse instituto.
Os resultados indicaram positividade. Ele está, segundo os números, mais “racional”. Mais tranquilo.
Mas essa tranquilidade captada pelo Datafolha é falsa.
Bolsonaro está quieto porque o fogo que devora o Pantanal e a Mata Amazônica está chegando aos seus pés, através das denuncias de corrupção de que seus filhotes ora são acusados. E ele também. E a sua mulher, também. Portanto, moitar é a alternativa mais lógica.
Ah! Sim: Bolsonaro é tudo, louco inclusive, mas não burro.
Como um cão faminto, Bolsonaro será capaz de entregar tudo para não largar o osso.
Meu amigo, minha amiga, você lembra do bate-boca de Bolsonaro com Rodrigo Maia?
Diante da terrível crise que se desenhava no começo de março, o ministro Paulo Guedes propôs que o Congresso autorizasse o Governo a pagar 200 merrecas/mês para ao brasileiro desertado, aquele que não tem sequer onde cair morto.
Maia propôs 400.
Rapidamente, Bolsonaro propôs 600. A isso dar-se o nome de po-pu-lis-mo.
E se Queiroz e sua mulher abrirem o bico, hein?
É bom desligar o ventilador.





BRASIL, PAÍS DOS ABSURDOS

O nosso País é incrível, kafkiano, com suas histórias fantásticas.
Ouço no rádio que o presidente Bolsonaro esteve ontem 13 no Pará.
Pela primeira vez ele fez referência aos 100 mil brasileiros mortos pela Covid-19, mas não deixou barato. No seu linguajar atravessado culpou os mortos por terem em vida contraído o novo coronavírus. Disse o excelsior presidente: “Eu sou a prova viva que a cloroquina deu certo”.
Pois é...
Hoje mexendo no acervo Instituto Memória Brasil, IMB, encontramos uma edição do Pasquim bastante curiosa.
Essa edição traz a data de 15 de março de 1979.
Com direito à chamada na 1ª página, lá está um texto meu nas páginas 14 e 15. Essas páginas, mais claramente, uma entrevista que fiz com o arcebispo dom José Maria Pires, o dom Pelé.
Dom Pelé nasceu no dia 15 de março de 1919, em minas, MG, e na sua terra morreu no dia 28 de agosto de 2017.
Dom Pelé foi arcebispo da Paraíba entre 1966 e 1995.
Ele era raçudo, inteligentíssimo; falava com a tranquilidade dos justos, humildes. E era isso o que ele era.
Entrevistei dom Pelé várias vezes, mas a entrevista publicada pelo Pasquim é, ouso dizer, a-tu-a-lis-sí-ma.
Nessa entrevista abordei muitos assuntos pertinentes à época e válidos, e atuais, como agora.
Interessantes as respostas que me dá sobre Marx, marxismo, socialismo, comunismo.
Pergunto-lhe também sobre desmatamento na Amazônia.
Pergunto-lhe também sobre o general Charles de Gaulle (1890-1970).
Vocês se recordam da frase atribuída a de Gaulle, segundo a qual “o Brasil não é um país sério”?
Essa pergunta também está lá na entrevista que fiz com dom Pelé para o Pasquim.
Atenção: na verdade, na verdade essa é uma frase do diplomata Carlos Alves de Sousa Filho (1901-90) dita ocasionalmente ao jornalista cearense Luís Edgar de Andrade (1931-2020) em Paris, no ano de 1962.
Essa é uma história longa e bastante interessante.
Isso me faz lembrar de outra frase que marcou época, pronunciada no calor da ditadura pelo governado biônico Francelino Pereira (Ceará): “Que País é esse?”, que virou até tema de rock.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

VIVA A EDUCAÇÃO!


O que é que pode ter a ver em comum entre Jair Messias Bolsonaro e Lindalva Cavalcante da Hora?
Ontem 12 à noite o Congresso derrubou o veto que Bolsonaro tinha feito da lei que regulamentava a profissão de historiador.
O que pode a ver em comum entre Bolsonaro e Lindalva?
Dona Lindalva é uma brasileira nascida no Paraná. Teve duas meninas, Anna e Cecília.
Daniel, também paranaense, é o feliz marido de dona Lindalva.
No Brasil atual há 1,4 milhão de professores e professoras passando pra frente o que aprenderam para muitos milhões de crianças e adolescentes da rede pública.
Filha de Deus e lutando sempre contra as forças das trevas, dona Lindalva encontrou no magistério o caminho da salvação, dela e dos seus incontáveis alunos de idades diversas.
Bolsonaro...
Essa Lindalva nasceu no ano e mês que o paraibano Geraldo Vandré mostrava ao Brasil a moda de viola Disparada, feita em parceria com o carioca, filho de pernambucano Théo de Barros.

Prepare o seu coração
Pras coisas
Que eu vou contar
Eu venho lá do sertão
E posso não lhe agradar

Aprendi a dizer não
Ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo
Estava fora de lugar
Eu vivo pra consertar

Na boiada já fui boi...

Dados do IBGE, nos fazem crer que somos 210 milhões de brasileiros, no campo e na cidade.
Dona Lindalva sabe disso tudo, pois tem passado a vida inteira fugindo da boiada e transformando boi em gente.
Atualmente no Brasil há cerca de 11,8 milhões de brasileiros incapazes de distinguir um “Ó” de uma roda de caminhão.
Quer dizer, o número de analfabetos no nosso País é absurdo.
Fora os brasileiros que não identificam um Ó de uma roda há os brasileiros que foram à escola e até ganharam diploma de doutor.
Números oficiais indicam que há mais de 32 milhões de brasileiros que leem e não sabem o que leem. São os tais dos analfabetos funcionais. Triste.
Dona Lindalva, em sala de aula, 
no Paraisópolis
E Bolsonaro acaba de anunciar que cortará 18% do orçamento do ano que vem do previsto para o ministério da educação, MEC.
No dia 27 de abril passado, esse mesmo cara vetou a lei que regulamentava a profissão de historiador.
Bolsonaro já acabou com o ministério da cultura, já acabou com o ministério da saúde (sem ministro até hoje), e agora está acabando com a esperança do Brasil, do povo.
Bolsonaro é um idiota gigante.
E dona Lindalva?
Dona Lindalva Cavalcante da Hora é uma brasileira brasileiríssima que acredita profundamente que é possível transformar incompetência e burrice, em gente que pensa e pode transformar a vida para melhor.
Tudo que ela aprendeu até hoje, na vida, ela transmite.
A filosofia de Dona Lindalva é aprender para ensinar.
Sua sala de aula hoje, e já há bastante tempo, se acha na favela Paraisópolis.
Paraisópolis é a segunda maior favela de São Paulo. http://assisangelo.blogspot.com/2020/07/racismo-um-cancro-historico.html
Dona Lindalva aniversaria hoje.
Entre Bolsonaro e Lindalva não há nada.
Bolsonaro nasceu idiota e assim certamente continuará. Fazendo mau ao povo.


A DEMOCRACIA NÃO VESTE FARDA


A sociedade civil precisa estar sempre atenta às falas e comportamento do presidente Bolsonaro e de seus auxiliares, como Braga Neto etc.
A muita gente, principalmente jovens, pode parecer natural o que nos chega de Brasília e do Palácio, principalmente.
Não vivemos tempos naturais. O estado é de alerta.
A República surgiu de um golpe militar contra o imperador Pedro II, em 1889.
Getúlio, que pôs fim à Velha República, criou o Estado Novo e pôs muita gente na tranca. Essa é uma história comprida, muito comprida, que merece atenção. Há muitos livros e documentos sobre essa história.
E 1964, hein?
A última ditadura militar que vivemos durou 21 anos. Um horror!
A Democracia precisa ser preservada. E isso é tarefa de todos nós.
Sempre é tempo de ler sobre tempos que nos levaram à Censura, à prisão, à dor, à morte.
Sugiro a leitura de alguns livros, incluindo a série de cinco volumes de Elio Gaspari: A Ditadura Envergonhada, A Ditadura Escancarada, A Ditadura Derrotada, A Ditadura Encurralada, A Ditadura Acabada. 
E mais: 

  • As duas guerras de Vlado Herzog, Audálio Dantas
  • 1964: O Golpe que Derrubou um Presidente e Instituiu a Ditadura no Brasil, de Jorge Ferreira e Angela de Castro Gomes
  • Infância Roubada: crianças atingidas pela ditadura militar no Brasil, de Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”
  • Mulheres na Luta Armada: Protagonismo Feminino na Ação Libertadora Nacional, de Maria Cláudia Badan Ribeiro
  • Amores exilados, de Godofredo de Oliveira Neto

Leiam: 



quarta-feira, 12 de agosto de 2020

CLARA NUNES, VOZ QUE ENCANTOU O BRASIL


Em 1982, a cantora Clara Nunes estava feliz da vida. Nesse ano, ela colhia belos frutos com o lançamento do LP Nação.
Nação é o disco de repertório político e brasileiríssimo. Começa com Nação, faixa título assinada por João Bosco, Paulo Emílio e Aldir Blanc.

Jêje, minha sede é dos rios
A minha cor é o arco-íris
Minha fome é tanta
Planta flor, irmã da bandeira
A minha sina é verde-amarela
Feito a bananeira


Naquele ano os brasileiros voltariam às urnas para escolher vereadores, prefeitos, deputados, governadores e até senadores, carimbados pela imprensa com rótulo “biônicos”.
Escolha de governador pela urna não ocorria desde 1965.
Naquele já distante ano, Clara Nunes estreava no mercado fonográfico com um compacto (foto ao lado) depois de conquistar o terceiro lugar no festival A Voz de Ouro ABC, realizado na sua terra Minas Gerais. Ouça: 


A carreira artística Clara iniciou como caloura de programas de rádio, em Belo Horizonte, MG.
Os três primeiros LPs que ela gravou, não alcançaram sucesso algum. Mas em 1965, com Claridade, ela começou a ocupar os primeiros lugares nas paradas de sucesso. Nesse ano ela conheceu o compositor Paulo César Pinheiro (1949), produtor musical com quem se casou. A propósito, toda quarta-feira a TV Cultura está levando ao ar uma série de cinco episódios com Pinheiro.
No correr de sua carreira, Clara Nunes (sobrenome, da mãe) gravou 15 ou 16 LPs.
No seu tempo, a cantora bateu todos os recordes de venda. Até então nenhuma cantora brasileira vendeu tanto: 4,4 milhões de discos, mais ou menos.
No dia 2 de abril de 1983, o Brasil todo chorou a morte de Clara Nunes, vítima de um choque anafilático, que lhe fez parar o coração.
Clara Francisca Gonçalves nasceu no dia 12 de agosto de 1942.
Num ano qualquer de 1970, eu tive a alegria de conhecer essa incrível mulher. Acima um registro da fotógrafa Maria da Conceição. Por onde andará essa Maria?
No acervo Instituto Memória Brasil, IMB, se acham todos os discos gravados por Clara Nunes, mineirinha de Paraopeba.

OPA! DITADURA NÃO


A mais recente edição da revista Piauí traz reportagem especial narrando bastidores de tensas reuniões realizadas na manhã de 22 de maio passado, no gabinete do manda-chuva do Planalto. 
Nessas reuniões, uma delas iniciadas as nove horas, o presidente tava com o Capeta.
A revista conta que Bolsonaro estava apoplético, gritando e soltando palavrões contra Deus e o mundo. Estava especialmente irritado com os ministros Alexandre de Moraes, e Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal (STF).
Dias antes, Moraes havia decidido suspender a posse do delegado Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal, e De Mello, por deixar-se entender que recolheria o celular de Bolsonaro. 
Esses dois fatos desencadearam no Presidente a vontade bubônica de mandar o exército botar pra correr os ministros e fechar o STF. Mas essa vontade foi afastada com um balde d'água fria atirado pelo general Heleno, que disse: "Não é o momento para isso". 
Desde que foi eleito, o presidente Bolsonaro ensaia momentos para se eternizar no poder como ditador. Ele alimenta essa vontade, louca, até hoje. 
Todo mundo sabe, e se não sabe deveria saber, que Bolsonaro capitão praticou infrações graves contra o Exército. Por isso foi julgado pelo Tribunal Militar e mandado de volta pra casa, reformado. 
Lugar de ex-militar é em casa, cuidando da mulher, filhos e comendo pipoca. 
Lugar de militar, na ativa, é defendendo a pátria contra a violência de nações estrangeiras e não atuando na política como se civis fossem. 
Quer dizer: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. 
Existem mais de 2500 militares da ativa e reformados ocupando os mais significativos postos do Governo. 
É como se o Brasil vivesse numa democracia militar, mas isso não existe: pão, pão, queijo, queijo.
O mundo todo está de olho no Brasil, nos gestos de Bolsonaro. 
Ou Bolsonaro está louco ou fazendo o Brasil de bobo. Isso não pode estar certo. 
Por que tanto Bolsonaro insiste a por o Brasil em perigo, com seu desejo transformar-se em ditador?

O bicho é muito louco
É xarope é xaropeta
Quer de volta a ditadura
Com tiro e baioneta
Quer de novo pegar gente
Esse filho do Capeta

Só não vê quem não quer ver
Há plano em andamento
Plano maquiavélico
A ver com fechamento
O Brasil tá em perigo
Agora, neste momento!

...

Seu sonho de consumo
Atenção, muita atenção!
É pôr tranca no Congresso
É dar força à repressão
Ou é mandar pra o xilindró
Quem lhe faz oposição?

Ele marcha para trás
Comandando pelotão
Incitando seus cavalos
Contra a paz e união
É um zero à esquerda
À direita é Cramunhão
Ele veio do Inferno
Pra confundir a Nação
Apronta a toda hora
Deus do céu, ele é o Cão!
Ele não gosta da vida
Ódio é sua paixão

 ...

É contra a liberdade
E a favor da repressão
Muita gente ele matou
De raiva, humilhação
É soldado do Capeta
Do Inferno, guardião

É grande filho da morte
É grande filho do Cão
Carrega na sua mente
O mal, a dor, a danação
O que lhe falta fazer
Pôr o Brasil na prisão? 

Capetas batem palmas
Pra seu chefe Cramunhão
Que anda muito excitado
Cuspindo fogo no chão
O motivo disso tudo
É Presidente sem noção

Pra ler o texto completo de Serpente Quer por Ovo / No Coração do Brasil, é só clicar: https://institutomemoriabrasil.com.br/pagina/1522493/serpente-quer-por-ovo-no-brasil/


terça-feira, 11 de agosto de 2020

PESQUISAS ENDOSSAM ENTREVISTAS DE CORDEL


Pesquisas recentes indicam que o novo Coronavírus contamina e mata, através da Covid-19, mais pretos e pobres do que brancos e ricos.
Em abril último, publiquei o cordel Repórter Entrevista Piolho do Cramunhão.
Nesse folheto, folheto de cordel, o personagem narrador escuta do entrevistado, personagem central, que o novo Coronavírus veio ao mundo para pegar branco, preto, rico, pobre, doutor, intelectual, gordo, magro e até jogador de futebol.
O futebol, a propósito, está de volta aos campos contagiando atletas e, assim, contribuindo para maior incidência da doença.
No último domingo, por exemplo, foi constatado que no time do goiás haviam 10 jogadores contaminados.
O goiás, que enfrentaria o são paulo, teve sua presença suspensa quatro minutos antes do início da partida, por decisão da Justiça.
A UNIFESP cruzou dados da pesquisa Origem-Destino, realizada a cada 10 anos pelo Metrô, e concluiu que o maldito vírus pega todo mundo, incluindo autônomos e donas de casa.
Outra pesquisa, da FAU-USP, segue por esse mesmo caminho. A conclusão é que pobres se lascam mais do que ricos, nessa história toda.
Em determinado momento da narrativa exposta no cordel Repórter Entrevista Piolho do Cramunhão, lê-se:

... Perguntado se tem pai
Se tem mãe, se tem parente
O Piolho invocado
Respondeu indiferente:
Isso não interessa
O meu caso é papá gente

Pego homem, pego mulher
Pego preto, pego branco
Eu não faço distinção
Sou desse jeito: franco!
Mas de mim poucos escapam
Sou pior do que um cranco

No inferno tem lugar
Pra todo tipo de gente
Alto, baixo, gordo, magro
Feio, burro e crente
Não tenho preconceito
Sequer contra parente

Sou vírus democrático
Mato macaco, leão
Tigre, burro e pato
Fácil, fácil gavião
Pra pegar um cabra besta
Basta ir na contra mão

Dizem que só pego velhos
Mas jovens pego também
São esses os mais fáceis
Pela burrice que têm
Não aceitam ordenamento
E só fazem o que convém

Pego gente sabida
Doutor, intelectual
Pintor, cantor, jogador
Nessa onda mundial
Jamais vão me esquecer
Não é sensacional?...


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