Bolsonaro foi recebido na
manhã de hoje 21 pelos potiguares de Mossoró, cidade “petrolífica”, localizada
a 282km da capital, Natal.
Também
na manhã de hoje o IBGE divulgou dados sobre nova pesquisa. Dessa vez o foco
foi o modo como os brasileiros estão se alimentando.
Os
resultados da pesquisa indicam que os brasileiros estão deixando de lado o
velho, bom e saudável hábito de comer feijão e arroz. Em troca, estamos nos
entupindo de tranqueiras embutidas, ou embutidos, como se diz.
Muita
coisa pesada estamos nos habituando a ingerir. Não à toa, está crescendo o
número de pessoas obesas.
Existem
pelo menos 15 tipos de feijão.
Existe
feijão fradinho, feijão roxo, feijão preto, jalo, carioca, muito bom para
gestantes.
E tem
ainda a fava, que é um tipo de feijão bom pra danado.
Meu
amigo Papete (1947-2016) adorava comer fava.
E o
arroz, hein?
Existem
milhares de tipos de arroz, você sabia?
O
feijão surgiu em tempos imemoriais do Egito e Grécia.
O
arroz teve origem, segundo os pesquisadores, lá pras bandas do Sudeste
asiático.
Não
conheço nordestino do meu tempo que não goste de arroz e feijão.
Eu
sou do tempo da República dos Estados Unidos do Brasil, que existiu entre 1891
e 1967.
O
estudioso potiguá Luís da Câmara Cascudo tem um livro muito legal sobre o tema
alimentação (Capa ao lado).
No
dia 13 de junho de 1927 o destabanado Lampião invadiu com seu bando a cidade de
Mossoró, mas lascou-se. O povo o pôs pra correr.
Luiz
Gonzaga (1912-89) agarrou-se na terra e na memória para ressaltar e enriquecer
a região onde nasceu, Nordeste, para o Brasil e para o mundo.
Analfabeto
da escola e doutor da vida, formado pela seca, pelo vento e doutorado em fauna
e flora e na alma humana, Luiz Gonzaga — não à toa do Nascimento — nasceu pra
não morrer.
Cedo,
muito cedo, ele encontrou no pai Januário o caminho das histórias encantadas,
do folclore, que apostou transformar no real, na realidade da vida Nordestina.
Da vida brasileira.
A
sanfona foi seu instrumento para alcançar a realidade que pretendia, em termos
de Nordeste e Brasil.
Antes
dele não havia Nordeste.
O
Nordeste dos invasores, dos escravos, da violência era o Nordeste do Inferno
sem entendimento geográfico, sem mapeamento geográfico. Com Luiz Gonzaga o
Nordeste começou a ser uma terra conhecida e boa, embora problemática, dentro
deste mundo que é o nosso Brasil com seus mais de 200 milhões de seres.
Mais
de um terço da população brasileira habita os nove estados da região
nordestina.
O
total dos nove estados passa do 1,5 milhão de km².
Luiz
Gonzaga foi um ser diferente dos seres seu tempo: ele via além dos olhos.
Detalhe:
Gonzaga, nos seus tempos de rapaz, fez tudo aparentemente de errado,
apaixonando-se, inclusive, por uma jovem que imaginou transformar-se na mulher
da sua vida. Essa ousadia rendeu-lhe uma mega surra dada com gosto/desgosto
pelos pais Januário e Santana que o levou a fugir de casa e alistar-se no
Exército mesmo com idade inferior a 18 anos. Isso mudou-lhe a vida.
Em
março de 1978, ele disse a mim em entrevista publicada no extinto D. O.
Leitura, que seu sonho era ser “cartaz”.
Cartaz,
pra quem não sabe ou lembra, era/é pessoa de destaque num grupo. De artistas,
principalmente.
E
folclore, você sabe o que é?
O
estudioso da cultura popular Luís da Câmara cascudo (1898-1986) detestava o
termo “folclorista”. Escute: https://youtu.be/TeLQm3SbyJQ
e leia http://almanaque.folha.uol.com.br/entcascudo.htm. Mais: cascudo escreveu 39
livros que tratam especialmente de cultura popular, num total de quase nove mil
páginas.
A
expressão Folclore é de origem inglesa: folk, povo; lore, ciência.
Essa
história de folclore, como tal definida, data do século 19. Começou com William
Thoms (1803-85), quando enviou uma carta à revista Athenaeum mostrando seu
pensamento sobre o comportamento do povo, até então impensáveis.
Essa
história é muito bonita, pois tem a ver com o nosso comportamento. A propósito
publiquei um opúsculo explicando essa história (reprodução da capa ao lado).
Comportamento,
meu amigo, minha amiga, você sabe o que é?
Comportamento
é tudo que fazemos, que falamos...
Nesse
quesito, Luiz Gonzaga foi absolutamente fantástico.
Luiz
Gonzaga, conhecido como Rei do Baião, foi o artista que, mais do que qualquer
intelectual, refez o Nordeste para o Brasil. E feito/refeito isso, ele mapeou o
Brasil através da música.
E
Carmen Miranda, hein?
Não
falei de Carmen Miranda (1909-55) até agora. Pois, pois.
Luiz
Gonzaga levou o baião para o Brasil e Carmen Miranda, que nasceu em
Portugal,para o mundo.
Aliás,
não foi por acaso que Carmen gravou a música Baião. Em inglês, numa versão do
norte-americano Ray Gilbert (1912-76). Ouça:
Essa
história e outras mais estarei detalhando sábado 22, a partir das 20h, numa
live que será transmitida para o mundo (Eita!), entre o Instituto Memória
Brasil, IMB, e o Centro Cultural Santo Amaro. Agende-se: https://www.facebook.com/assis.angelo.9/videos/3201090999972017
O dia
22 de agosto é o dia Internacional do Folclore.
Toda
a obra musical de Luiz Gonzaga tem por base o folclore, a partir do próprio
gênero baião que ele estilizou.
Asa
Branca, Assum preto, Lenda de São João, Juazeiro e outras mais tornaram-se
clássicos da nossa música.
O
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, divulgou no começo dessa
tarde 20 resultados de pesquisas recentes que indicam dificuldades que os
brasileiros estão vivendo.
Segundo
o IBGE, quase 4 milhões de brasileiros pediram empréstimos bancários para
contornar, ou tentar contornar, a crise ora provocada pelo novo Coronavírus que
desemboca na Covid-19, que já matou no Brasil quase 115.000 de brasileiros.
O
IBGE foi criado em 1938, no governo Getúlio Vargas.
Começou
como departamento nacional de estatística. À época, o cara que plantou a
semente do IBGE como instituição tinha por nome Juarez Távora, ministro da
agricultura.
A
gente está falando de 1934, 1936 e 1938.
A
primeira pesquisa sobre nós, brasileiros, foi feita em 1872. Pífia.
Meu
amigo, minha amiga, você sabe como o mapa do Brasil era dividido em 1940?
Foi
em 1940 as regiões apresentadas pelo mapa brasileiro, eram: Norte, Nordeste,
Leste, Centro-Oeste e Sul.
E a
importância do Censo, você sabe?
Pois
é, as pesquisas desenvolvidas pelo IBGE servem para direcionar rumos políticos,
econômicos etc; de um país.
O
censo demográfico serve para identificar, esquadrinhar, os caminhos de um país.
O
censo demográfico é o retrato de um país, de uma nação.
Quase
4 milhões de brasileiros acorreram ao sistema bancário na tentativa de
minimizar a situação grave que ora vivemos.
Bolsonaro
quer acabar com o IBGE.
Em
1970, a Seleção Brasileira de Futebol papou o tricampeonato de futebol. E qual
foi a trilha sonora?
O
compositor Miguel Gustavo (1922-72), carioca, ficou famoso com a marchinha
vagabunda Pra Frente Brasil, que falava de uma população de 90 milhões
de habitantes loucos por futebol.
À
época, o presidente do Brasil era o torturador Garrastazu Médici (1905-85),
“coautor” da referida marcha. Isso é história.
Garrastazu
era figura sempre presente aos estádios de futebol, o Arenas como se diz hoje.
Bolsonaro
“adora” futebol. E sempre que acha poder, está nos campos.
Ouço no jornal notícia dando conta de que o presidente Bolsonaro cancelou o Censo Demográfico que seria realizado este ano. Ano que vem também nada de censo.
A primeira decisão para a realização de um Censo Demográfico no país data de 1870, ainda no Império. Foi chinfrim.
O primeiro censo realizado na República foi em 1900.
Tudo era realizado de modo meia boca.
Em 1910, não houve censo. Em 1930, também não. Motivo?
Questões políticas impediram a realização de censo demográfico, em 1910 e 1930.
Em 1903, o presidente era o vice Nilo Peçanha (1867 - 1924), que substituiu Afonso Pena (1847 - 1909).
Nilo foi o primeiro presidente negro do Brasil. A cor da sua pele gerou muita discriminação, à época.
O último censo indica que o total de negros no Brasil é da ordem de 9,2%. A de brancos, 43,1%. A de pardos, 46, 5%.
Alguma coisa está errada, com relação a isso e a muita coisa que meus olhos cegos veem. Fico pensando: acho que a polícia quer matar todos os negros do País. E pobres.
Em 1930 não houve censo porque o sulista Getúlio Vargas (1892 - 1954) passou por cima do presidente eleito, Julio Prestes, e tomou o poder. A isso chamou-se, esquisitamente, de Revolução de 30.
Bom, como eu ia dizendo, Bolsonaro quer por fim ao Censo Demográfico. Não pode.
O Presidente pode muita coisa, mas não pode tudo.
O Censo Demográfico serve para que o Poder tome medidas que beneficiem o País e o povo.
Pronto, é isso: Bolsonaro não quer beneficiar o Brasil nem a população. Da população, aliás, tudo que ele quer é voto.
O primeiro presidente populista do Brasil foi Getúlio, depois JK, JQ, Jango, Sarney, Collor, por aí.
No dia 27 de setembro de 1940, dia e mês em que eu nasceria 12 anos depois, a portuguesinha Carmem Miranda gravou com talento e graça o samba do baiano Assis Valente (1911 - 58), intitulado Recenseamento. Ouça:
ASA BRANCA E ASSUM PRETO, O FOLCLORE NA OBRA DE LUIZ GONZAGA
Estou ficando moderno. Já sei até o que é "live".
No próximo dia 22, às 20 horas, estarei falando para o mundo sobre a nossa aldeia Brasil. E papo vem, e papo vai, o papo principal é sobre o folclore na obra de Luiz Gonzaga. Fiz até uma chamadinha, clique: https://www.facebook.com/assis.angelo.9/videos/3201090999972017
A
profissão de historiador acaba de ser regulamentada.
Ainda
é muito grande o número de analfabetos, no Brasil.
Os
números indicam que há, pelo menos, 11,6% de brasileiros que nunca pisaram numa
escola. Isso agora, em pleno terceiro milênio.
O
Brasil sempre pisou na bola no tocante a números estatísticos.
Dois,
três, quatro ou cinco milhões de africanos foram escravizados no nosso País,
hein?
Muitos
negros se suicidaram na atravessia entre África e Brasil. Outros morreram de
doença e seus corpos foram atirados ao mar.
Na
ultima década do século 19, a Febre Amarela, a Bubônica e a Varíola mataram
muitos brasileiros. Quantos? Ninguém sabe.
O
sanitarista Oswaldo Cruz foi um herói, por que não dizer?
Foi
Cruz e auxiliares que enfrentaram a tal revolta da vacina.
Pra
combater a Varíola o sanitarista recebeu o apoio total to presidente Rodrigues
Alves, que acabaria morrendo vítima da Gripe Espanhola (1918).
A
Febre Amarela ainda não foi erradicada no Brasil.
A
Espanhola chegou ao Brasil em setembro de 1918 e até o final daquele ano levou
para o túmulo pelo menos 35.000 pessoas. O presidente da época, Delfim Moreira
(1868-1920), baixou decreto determinando que nenhum estudante fosse reprovado e
que retornassem às escolas somente no ano seguinte, normalmente. E assim foi
feito.
E por
que decreto idêntico não é baixado agora, quando a Covid-19 já engoliu mais de
110.000 de brasileiros?
Historiadores do futuro lembrarão o terrível momento que ora todos vivemos.
ASA BRANCA E ASSUM PRETO, O FOLCLORE NA OBRA DE LUIZ GONZAGA
Estou ficando moderno. Já sei até o que é "live".
No próximo dia 22, às 20 horas, estarei falando para o mundo sobre a nossa aldeia Brasil. E papo vem, e papo vai, o papo principal é sobre o folclore na obra de Luiz Gonzaga. Fiz até uma chamadinha, clique:
Para todos os efeitos, o samba nasceu no Rio de Janeiro. Mais precisamente, na casa da Tia Ciata.
Tia Ciata era como chamavam a baiana Hilária Batista de Almeida (1854 -1924). Foi da casa dela que saiu o samba amaxixado Pelo Telefone, assinado pelos cariocas Ernesto do Santos, o Donga; e o jornalista Mauro de Almeida.
Mas o samba já existia, inclusive em São Paulo.
Grandes compositores e intérpretes espontâneos marcaram época em São Paulo. Entre esses nomes Dionísio Barbosa, Geraldo Filme, Toniquinho Batuqueiro e Zeca da Casa Verde.
Zeca, de batismo José Francisco da Silva, morreu no dia 19 de agosto de 1994, aos 67 anos de idade.
Não tenho certeza, mas tenho a impressão que foi Oswaldinho da Cuíca quem me apresentou o Zeca.
Zeca participou de várias escolas de samba, inclusive as Rosas de Ouro, e a que usou como "sobrenome".
Ele era um bom passista, e quem o incentivou a compor sambas de enredo foi Geraldo Filme.
No começo dos anos de 1970, Zeca foi levado pelo jornalista e agitador cultural Plínio Marcos a cantar e a atuar no velho Teatro de Arena, participando do musical, Nas Quebradas do Mundaréu. Que rendeu um LP, lançado em 1974.
Para lembrar, ouça:
Não sei exatamente o número de jornalistas em atividade no País, nem o de estudantes aspirantes à profissão.
Sei, porém, que são três o número de jornais mais lidos: O Estado de S.Paulo, Folha de São Paulo e O Globo.
Os jornais mais antigos do Brasil em circulação, pela ordem de fundação, são o Diário de Pernambuco (7 de novembro de 1825), O Estado de S.Paulo, fundado com o título de A Província, e A União.
A profissão de jornalista é, relativamente, nova. Mas jornalista sempre existiu, antes mesmo de a profissão ser regulamentada pelo Decreto-Lei nº 972, de 17 de outubro de 1969.
O primeiro jornal a circular no País, foi a Gazeta do Rio de Janeiro entre setembro de 1808 e dezembro de 1822.
Antes da Gazeta, circulou no País, o Correio Brasiliense entre 1 junho de 1808 a 1 de dezembro de 1822. Esse jornal, no entanto, era editado em Londres por Hipólito José da Costa (1774 - 1823).
José de Alencar e Machado de Assis iniciaram-se nas letras como jornalistas, em periódicos do Rio de Janeiro.
João do Rio, de batismo João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto (1881 - 1921), foi o cara que deu forma à reportagem.
Falo de jornalismo e jornalistas como poderia falar de qualquer outra profissão. Como medicina, por exemplo.
Todo estudante precisa de estágio para aprimorar-se na profissão escolhida.
Hoje é o Dia do Estagiário, data regulamentada em 1982.
Anna da Hora é estudante de Artes Visuais, mas tem pensado no curso de Jornalismo. Na foto ao lado, Anna se auto-refazendo.
Vito Antico não tem dúvida pela profissão que decidiu seguir, a de jornalista. Está no último ano, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Anna e Vito são estagiários do Instituto Memória Brasil, IMB.
Sinto-me bem em tê-los como estagiários da entidade que presido.
Fazem-me muitas perguntas, os dois estudantes citados.
Anna até mais do que Vito. Mas Vito é aquele cara tranquilo, sereno. O tal do "come quieto" inventado pelos mineiros.
ASA BRANCA E ASSUM PRETO, O FOLCLORE NA OBRA DE LUIZ GONZAGA
Estou ficando moderno. Já sei até o que é "live".
No próximo dia 22, às 20 horas, estarei falando para o mundo sobre a nossa aldeia Brasil. E papo vem, e papo vai, o papo principal é sobre o folclore na obra de Luiz Gonzaga. Fiz até uma chamadinha, clique: https://www.facebook.com/assis.angelo.9/videos/3201090999972017
Otacílio Batista (1923 - 2003) foi um dos maiores poetas improvisadores ao som de viola que o Brasil já teve. Era, mesmo, dos grandes.
Uma vez perguntei a Otacílio, o que era Baião.
Baião, segundo Otacílio, é a parte que divide as fases de uma cantoria. De repentistas, claro.
Luiz Gonzaga do Nascimento foi o mais importante artista da música do Nordeste.
Ele não inventou o Baião, mas o estilizou.
Uma vez perguntei a Gonzaga, o que era Baião.
Baião, segundo Gonzaga, é o que se diz do repentista afinando a viola para iniciar uma cantoria.
No livro Eu Vou Contar Pra Vocês (reprodução da foto, ao lado), que publiquei em 1990, Luiz Gonzaga detalha a conversa que tivemos em 1984. Um trecho:
O Baião como forma e gênero musical ganhou o Brasil e boa parte do mundo a partir do dia 22 de maio de 1946, quando o grupo de músicos cearenses Quatro Ases e um Coringa o lançou num disco de 78 RPM. Ouça: https://www.youtube.com/watch?v=Xk89uhVeHp4
Centenas, milhares, de artistas no Brasil e no exterior pegaram carona no gênero. Até o chato João Gilberto (1931 - 2019), que veio com o Bim, Bom: https://www.youtube.com/watch?v=yfy2ggYnxsk
ASA BRANCA E ASSUM PRETO, O FOLCLORE NA OBRA DE LUIZ GONZAGA
Estou ficando moderno. Já sei até o que é "live".
No próximo dia 22, às 20 horas, estarei falando para o mundo sobre a nossa aldeia Brasil. E papo vem, e papo vai, o papo principal é sobre o folclore na obra de Luiz Gonzaga. Fiz até uma chamadinha, clique: https://www.facebook.com/assis.angelo.9/videos/3201090999972017
Dom José Maria Pires, mineiro de Conceição do Mato Dentro,
foi para o ceu faz três anos.
Dom José foi Arcebispo da Paraíba entre 1966 e 1995.
Dom José foi um ser incrível, que a todos fez muito bem.
Ele era da linha progressista da Igreja Católica.
Lutou pelos pobres, pelos humildes, por bancos e negros.
Esse José via a vida com a beleza de quem nasce para viver
lutando, brigando pra ser feliz.
Dom José Maria Pires ficou famoso pelo apelido de Dom Pelé.
Algumas pessoas perguntaram o que fazer para ler e
entrevista que fiz com ele, Dom Pelé, que o extinto semanário Pasquim publicou
no dia 15 de março de 1978.
Nessa entrevista, de duas páginas (14 e 15) perguntei-lhe
sobre os mais diversos temas da vida Nacional. Incluindo desmatamento, por
exemplo.
Queiroz
e a sua mulher estão de volta à cadeia? E vocês sabem porque, não é mesmo?
O
Datafolha é um instituto de pesquisa paulistano que registra a temperatura das
várias facetas do cotidiano do País.
Bolsonaro
não acredita no Datafolha, mas deve estar vibrando no silêncio da alcova,
ajoelhado com o terço nas mãos, pelos resultados apontados ontem 13 por esse
instituto.
Os
resultados indicaram positividade. Ele está, segundo os números, mais
“racional”. Mais tranquilo.
Mas
essa tranquilidade captada pelo Datafolha é falsa.
Bolsonaro
está quieto porque o fogo que devora o Pantanal e a Mata Amazônica está
chegando aos seus pés, através das denuncias de corrupção de que seus filhotes
ora são acusados. E ele também. E a sua mulher, também. Portanto, moitar é a
alternativa mais lógica.
Ah!
Sim: Bolsonaro é tudo, louco inclusive, mas não burro.
Como
um cão faminto, Bolsonaro será capaz de entregar tudo para não largar o osso.
Meu
amigo, minha amiga, você lembra do bate-boca de Bolsonaro com Rodrigo Maia?
Diante
da terrível crise que se desenhava no começo de março, o ministro Paulo Guedes
propôs que o Congresso autorizasse o Governo a pagar 200 merrecas/mês para ao
brasileiro desertado, aquele que não tem sequer onde cair morto.
Maia
propôs 400.
Rapidamente,
Bolsonaro propôs 600. A isso dar-se o nome de po-pu-lis-mo.
O
nosso País é incrível, kafkiano, com suas histórias fantásticas.
Ouço
no rádio que o presidente Bolsonaro esteve ontem 13 no Pará.
Pela
primeira vez ele fez referência aos 100 mil brasileiros mortos pela Covid-19, mas não deixou barato. No seu linguajar atravessado culpou os mortos por terem
em vida contraído o novo coronavírus. Disse o excelsior presidente: “Eu sou a
prova viva que a cloroquina deu certo”.
Pois
é...
Hoje
mexendo no acervo Instituto Memória Brasil, IMB, encontramos uma edição do
Pasquim bastante curiosa.
Essa
edição traz a data de 15 de março de 1979.
Com
direito à chamada na 1ª página, lá está um texto meu nas páginas 14 e 15. Essas
páginas, mais claramente, uma entrevista que fiz com o arcebispo dom José Maria
Pires, o dom Pelé.
Dom
Pelé nasceu no dia 15 de março de 1919, em minas, MG, e na sua terra morreu no
dia 28 de agosto de 2017.
Dom
Pelé foi arcebispo da Paraíba entre 1966 e 1995.
Ele
era raçudo, inteligentíssimo; falava com a tranquilidade dos justos, humildes.
E era isso o que ele era.
Entrevistei
dom Pelé várias vezes, mas a entrevista publicada pelo Pasquim é, ouso dizer,
a-tu-a-lis-sí-ma.
Nessa
entrevista abordei muitos assuntos pertinentes à época e válidos, e atuais,
como agora.
Interessantes
as respostas que me dá sobre Marx, marxismo, socialismo, comunismo.
Pergunto-lhe
também sobre desmatamento na Amazônia.
Pergunto-lhe
também sobre o general Charles de Gaulle (1890-1970).
Vocês
se recordam da frase atribuída a de Gaulle, segundo a qual “o Brasil não é um
país sério”?
Essa
pergunta também está lá na entrevista que fiz com dom Pelé para o Pasquim.
Atenção:
na verdade, na verdade essa é uma frase do diplomata Carlos Alves de Sousa
Filho (1901-90) dita ocasionalmente ao jornalista cearense Luís Edgar de
Andrade (1931-2020) em Paris, no ano de 1962.
Essa
é uma história longa e bastante interessante.
Isso
me faz lembrar de outra frase que marcou época, pronunciada no calor da
ditadura pelo governado biônico Francelino Pereira (Ceará): “Que País é esse?”,
que virou até tema de rock.
O que
é que pode ter a ver em comum entre Jair Messias Bolsonaro e Lindalva
Cavalcante da Hora?
Ontem
12 à noite o Congresso derrubou o veto que Bolsonaro tinha feito da lei que
regulamentava a profissão de historiador.
O que
pode a ver em comum entre Bolsonaro e Lindalva?
Dona
Lindalva é uma brasileira nascida no Paraná. Teve duas meninas, Anna e Cecília.
Daniel,
também paranaense, é o feliz marido de dona Lindalva.
No
Brasil atual há 1,4 milhão de professores e professoras passando pra frente o
que aprenderam para muitos milhões de crianças e adolescentes da rede pública.
Filha
de Deus e lutando sempre contra as forças das trevas, dona Lindalva encontrou
no magistério o caminho da salvação, dela e dos seus incontáveis alunos de
idades diversas.
Bolsonaro...
Essa
Lindalva nasceu no ano e mês que o paraibano Geraldo Vandré mostrava ao Brasil
a moda de viola Disparada, feita em parceria com o carioca, filho de
pernambucano Théo de Barros.
Prepare
o seu coração
Pras
coisas
Que
eu vou contar
Eu
venho lá do sertão
E
posso não lhe agradar
Aprendi
a dizer não
Ver
a morte sem chorar
E
a morte, o destino, tudo
Estava
fora de lugar
Eu
vivo pra consertar
Na
boiada já fui boi...
Dados
do IBGE, nos fazem crer que somos 210 milhões de brasileiros, no campo e na
cidade.
Dona
Lindalva sabe disso tudo, pois tem passado a vida inteira fugindo da boiada e
transformando boi em gente.
Atualmente
no Brasil há cerca de 11,8 milhões de brasileiros incapazes de distinguir um
“Ó” de uma roda de caminhão.
Quer
dizer, o número de analfabetos no nosso País é absurdo.
Fora
os brasileiros que não identificam um Ó de uma roda há os brasileiros que foram
à escola e até ganharam diploma de doutor.
Números
oficiais indicam que há mais de 32 milhões de brasileiros que leem e não sabem
o que leem. São os tais dos analfabetos funcionais. Triste.
Dona Lindalva, em sala de aula, no Paraisópolis
E
Bolsonaro acaba de anunciar que cortará 18% do orçamento do ano que vem do
previsto para o ministério da educação, MEC.
No dia 27 de abril passado,
esse mesmo cara vetou a lei que regulamentava a profissão de historiador.
Bolsonaro
já acabou com o ministério da cultura, já acabou com o ministério da saúde (sem
ministro até hoje), e agora está acabando com a esperança do Brasil, do povo.
Bolsonaro
é um idiota gigante.
E
dona Lindalva?
Dona
Lindalva Cavalcante da Hora é uma brasileira brasileiríssima que acredita
profundamente que é possível transformar incompetência e burrice, em gente que
pensa e pode transformar a vida para melhor.
Tudo
que ela aprendeu até hoje, na vida, ela transmite.
A
filosofia de Dona Lindalva é aprender para ensinar.
Sua
sala de aula hoje, e já há bastante tempo, se acha na favela Paraisópolis.
A sociedade civil precisa estar sempre atenta às falas e comportamento do presidente Bolsonaro e de seus auxiliares, como Braga Neto etc. A muita gente, principalmente jovens, pode parecer natural o que nos chega de Brasília e do Palácio, principalmente.
Não vivemos tempos naturais. O estado é de alerta. A República surgiu de um golpe militar contra o imperador Pedro II, em 1889.
Getúlio, que pôs fim à Velha República, criou o Estado Novo e pôs muita gente na tranca. Essa é uma história comprida, muito comprida, que merece atenção. Há muitos livros e documentos sobre essa história.
E 1964, hein?
A última ditadura militar que vivemos durou 21 anos. Um horror!
A Democracia precisa ser preservada. E isso é tarefa de todos nós.
Sempre é tempo de ler sobre tempos que nos levaram à Censura, à prisão, à dor, à morte.
Sugiro a leitura de alguns livros, incluindo a série de cinco volumes de Elio Gaspari: A Ditadura Envergonhada, A Ditadura Escancarada, A Ditadura Derrotada, A Ditadura Encurralada, A Ditadura Acabada. E mais:
As duas guerras de Vlado Herzog,
Audálio Dantas
1964: O Golpe que Derrubou um
Presidente e Instituiu a Ditadura no Brasil, de Jorge Ferreira e Angela de
Castro Gomes
Infância Roubada: crianças
atingidas pela ditadura militar no Brasil, de Comissão da Verdade do Estado de
São Paulo “Rubens Paiva”
Mulheres na Luta Armada:
Protagonismo Feminino na Ação Libertadora Nacional, de Maria Cláudia Badan
Ribeiro
Naquele ano os brasileiros voltariam às urnas para escolher vereadores,
prefeitos, deputados, governadores e até senadores, carimbados pela imprensa
com rótulo “biônicos”.
Escolha de governador pela urna não ocorria desde 1965.
Naquele já distante ano, Clara Nunes estreava no mercado fonográfico com
um compacto (foto ao lado) depois de conquistar o terceiro lugar no festival A
Voz de Ouro ABC, realizado na sua terra Minas Gerais. Ouça:
A carreira artística Clara iniciou como caloura de programas de rádio,
em Belo Horizonte, MG.
Os três primeiros LPs que ela gravou, não alcançaram sucesso algum. Mas
em 1965, com Claridade, ela começou a ocupar os primeiros lugares nas
paradas de sucesso. Nesse ano ela conheceu o compositor Paulo César Pinheiro
(1949), produtor musical com quem se casou. A propósito, toda quarta-feira a TV
Cultura está levando ao ar uma série de cinco episódios com Pinheiro.
No correr de sua carreira, Clara Nunes (sobrenome, da mãe) gravou 15 ou
16 LPs.
No seu tempo, a cantora bateu todos os recordes de venda. Até então
nenhuma cantora brasileira vendeu tanto: 4,4 milhões de discos, mais ou menos.
No dia 2 de abril de 1983, o Brasil todo chorou a morte de Clara Nunes,
vítima de um choque anafilático, que lhe fez parar o coração.
Clara Francisca Gonçalves nasceu no dia 12 de agosto de 1942.
Num ano qualquer de 1970, eu tive a alegria de conhecer essa incrível
mulher. Acima um registro da fotógrafa Maria da Conceição. Por onde andará essa
Maria?
No acervo Instituto Memória Brasil, IMB, se acham todos os discos
gravados por Clara Nunes, mineirinha de Paraopeba.
A mais recente edição da revista Piauí traz reportagem especial narrando bastidores de tensas reuniões realizadas na manhã de 22 de maio passado, no gabinete do manda-chuva do Planalto.
Nessas reuniões, uma delas iniciadas as nove horas, o presidente tava com o Capeta.
A revista conta que Bolsonaro estava apoplético, gritando e soltando palavrões contra Deus e o mundo. Estava especialmente irritado com os ministros Alexandre de Moraes, e Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal (STF).
Dias antes, Moraes havia decidido suspender a posse do delegado Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal, e De Mello, por deixar-se entender que recolheria o celular de Bolsonaro.
Esses dois fatos desencadearam no Presidente a vontade bubônica de mandar o exército botar pra correr os ministros e fechar o STF. Mas essa vontade foi afastada com um balde d'água fria atirado pelo general Heleno, que disse: "Não é o momento para isso".
Desde que foi eleito, o presidente Bolsonaro ensaia momentos para se eternizar no poder como ditador. Ele alimenta essa vontade, louca, até hoje.
Todo mundo sabe, e se não sabe deveria saber, que Bolsonaro capitão praticou infrações graves contra o Exército. Por isso foi julgado pelo Tribunal Militar e mandado de volta pra casa, reformado.
Lugar de ex-militar é em casa, cuidando da mulher, filhos e comendo pipoca.
Lugar de militar, na ativa, é defendendo a pátria contra a violência de nações estrangeiras e não atuando na política como se civis fossem. Quer dizer: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Existem mais de 2500 militares da ativa e reformados ocupando os mais significativos postos do Governo.
É como se o Brasil vivesse numa democracia militar, mas isso não existe: pão, pão, queijo, queijo.
O mundo todo está de olho no Brasil, nos gestos de Bolsonaro.
Ou Bolsonaro está louco ou fazendo o Brasil de bobo. Isso não pode estar certo.
Por que tanto Bolsonaro insiste a por o Brasil em perigo, com seu desejo transformar-se em ditador?
O bicho é muito louco
É xarope é xaropeta
Quer de volta a ditadura
Com tiro e baioneta
Quer de novo pegar gente
Esse filho do Capeta
Só não vê quem não quer ver
Há plano em andamento
Plano maquiavélico
A ver com fechamento
O Brasil tá em perigo
Agora, neste momento!
...
Seu sonho de consumo
Atenção, muita atenção!
É pôr tranca no Congresso
É dar força à repressão
Ou é mandar pra o xilindró
Quem lhe faz oposição?
Ele marcha para trás Comandando pelotão Incitando seus cavalos Contra a paz e união É um zero à esquerda À direita é Cramunhão
Ele veio do Inferno
Pra confundir a Nação
Apronta a toda hora
Deus do céu, ele é o Cão!
Ele não gosta da vida
Ódio é sua paixão
...
É contra a liberdade E a favor da repressão Muita gente ele matou De raiva, humilhação É soldado do Capeta Do Inferno, guardião
Pesquisas
recentes indicam que o novo Coronavírus contamina e mata, através da Covid-19,
mais pretos e pobres do que brancos e ricos.
Em abril último, publiquei o cordel Repórter Entrevista Piolho do Cramunhão.
Nesse folheto, folheto de cordel, o personagem narrador escuta do
entrevistado, personagem central, que o novo Coronavírus veio ao mundo para
pegar branco, preto, rico, pobre, doutor, intelectual, gordo, magro e até
jogador de futebol.
O futebol, a propósito, está de volta aos campos contagiando atletas e,
assim, contribuindo para maior incidência da doença.
No último domingo, por exemplo, foi constatado que no time do goiás
haviam 10 jogadores contaminados.
O goiás, que enfrentaria o são paulo, teve sua presença suspensa quatro
minutos antes do início da partida, por decisão da Justiça.
A UNIFESP cruzou dados da pesquisa Origem-Destino, realizada a cada 10
anos pelo Metrô, e concluiu que o maldito vírus pega todo mundo, incluindo
autônomos e donas de casa.
Outra pesquisa, da FAU-USP, segue por esse mesmo caminho. A conclusão é
que pobres se lascam mais do que ricos, nessa história toda.
Em determinado momento da narrativa exposta no cordel Repórter
Entrevista Piolho do Cramunhão, lê-se: