Seguir o blog

sábado, 14 de setembro de 2013

VIVA CACO VELHO!


O meu amigo Osvaldinho da Cuíca gosta de Germano Matias, que gostava de Caco Velho. 
O meu amigo Paulo Vanzolini gostava de Caco Velho, que gostava de Ary Barroso, que gostava do que é bom.
De tanto gostar do que é bom, como o repertório do próprio Ary, por exemplo, Caco – de batismo Matheus Nunes) – ganhou o apelido que o tornou famoso por aí a fora.
Explica-se: ainda na flor da idade tentando a vida como artista popular, Matheus assobiava, cantava e batucava o samba canção de Ary que Elisa Coelho e Orlando Silva gravaram em 1934 e 1955 pela Odeon e Copacabana, respectivamente.
Caco Velho virou apelido e como Caco Velho Matheus Nunes passou a assinar as suas composições.
Caco Velho gravou poucos discos e não compôs tanto, mas fez muito sucesso na Europa com o batuque - que virou fox e tango baião - Mãe Preta, que foi feito em parceria com Piratini (Antonio Amabile).
Mãe Preta foi gravada por muitos intérpretes, até pelas portuguesas Amália Rodrigues e Gilda Valença, em discos de variadas rotações.
Mais: essa música integrou a trilha sonora original do filme de produção francesa Os Amantes do Tejo (Les Amants du Tege), sob o título de Barco Negro (acima). 
Matheus Nunes nasceu em Porto Alegre, no dia 12 de junho de 1920 e morreu no dia 14 de setembro de 1971. 

RODAS GONZAGUEANAS
Atenção para a contagem regressiva: faltam 108 dias para 2013 terminar e 20 para a inauguração do projeto Rodas Gonzagueanas no Centro Cultual dos Correios, no Rio de Janeiro (clique aí ao lado).
Nos dias 4, 5 e 6 do mês que entra, eu e amigos como Ricardo Cravo Albin, Rildo Hora e Chico Salles estaremos contando histórias da passagem do rei do baião, Luiz Gonzaga, 
por este pedaço de mundo chamado Brasil.
Cantando, acompanhada de Oswaldinho do Acordeon, estará Socorro Lira e também 
a rainha do forró, Anastácia.
Eu não tenho dúvida de que todos nós vamos gostar, e muito.
Portanto, agendem-se!
Clique lá em cima, para ouvir umas historinhas que andei contando no programa Fantástico, da TV Globo, por ocasião do lançamento do filme Gonzaga, de Pai Pra Filho, do qual eu participo como consultor musical.
Aliás, o filme é muito bom e se acha nas mídias DVD e Blu-Ray Disc.

SAPIRANGA 
E hoje, às 16 horas, tem Sapiranga no Memorial da América Latina.
Vamos?

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

ESPALHE E RESERVE O SEU LUGAR

ATENÇÃO AMIGOS, COMPANHEIROS, BRASILEIROS E BRASILEIRAS!
Contados nos dedos, vamos lá: a partir de amanhã faltarão três semanas para apresentarmos no teatro do Centro Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro, o projeto Rodas Gonzagueanas. 
A Roda reunirá artistas que conheceram de perto o rei do baião, Luiz Gonzaga. Entre esses o compositor, instrumentista e produtor musical Rildo Hora, os também produtores musicais José Milton e Ricardo Cravo Albin, que empresta o seu nome ao mais popular e completo dicionário da música brasileira; a rainha do forró Anastácia, os compositores e sanfoneiros de 8 baixos Zé Calixto e o de 120, Oswaldinho do Acordeon; o cordelista criador da Feira de São Cristóvão, Azulão... 
Eu apresento, interajo e curo o projeto. 
Clique na linha azul lá em cima, para se inteirar da programação.

ITAMAR ASSUMPÇÃO
O cantor e compositor tieteense Itamar Assumpção, um dos representantes da vanguarda paulista, faria 64 anos de idade hoje. Ele desapareceu do convívio terreno no dia 12 de junho de 2003, vítima de câncer intestinal. O seu primeiro LP foi Eu Beleléu, Leléu ((lira Paulistana, 1980). Em 2010, o selo Sesc reuniu a sua obra num projeto denominado Caixa Preta. Hoje na Oficina Maestro Orlando Silveira, em Tietê, tem festa em sua homenagem que começa com a exibição do documentário Daquele Instante em Diante

MACHADO DE ASSIS
“Eu vos conjuro, filhas de Jerusalém, que se encontrardes o meu amado, lhe façais saber que estou enferma de amor...”.
Trecho de invencionices do mago da palavra e da imaginação Machado de Assis, no conto O Cônego ou a Metafísica do Estilo, originalmente publicado no jornal carioca A Gazeta de Notícias, em 1885.

SEXTA 13
Dizem que dá azar porque foi nesse dia que Cristo foi à cruz. Bobagem. Hoje é um dia qualquer, de altos e baixos, véspera do sábado de pernas pro ar e, como diria a troco de complemento o poeta pernambucano Ascenso Ferreira, "que ninguém é de ferro"!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

RÁDIO NACIONAL, VANDRÉ E GONZAGA

Geraldo Vandré (aí ao lado, no jornal, comigo e Zé Ramalho) tinha exatamente um ano de idade quando o locutor Celso Guimarães anunciou:
- Alô, alô Brasil, aqui fala a Rádio Nacional do Rio de Janeiro!
A hora era 9 da noite.
O dia, 12 de setembro.
O ano, 1936.
Logo depois entrou na abertura da programação a canção Luar do Sertão, de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco.
A Nacional foi a primeira grande emissora de rádio do País, com audiência em quase todos os estados brasileiros e tornada empresa estatal no governo Vargas cerca de quatro anos depois de criada.
Por seus microfones desfilaram algumas das vozes mais bonitas do Brasil, de Chico Alves a Orlando Silva, passando por Luiz Gonzaga (aí ao lado), Nelson Gonçalves, Sílvio Caldas, Cauby Peixoto, Nuno Roland, Carmélia Alves, Ângela Maria e as irmãs Batista Linda e Dircinha, entre outras.
E também passaram por lá grandes produtores artísticos, como Almirante e Lamartine Babo, também compositor; e locutores e apresentadores além de Celso Guimarães, cujo nome completo era Celson Tuson Foot Hummel Guimarães (1907-73), paulista de Jundiaí: Oduvaldo Cozzi, Renato Murce, Paulo Gracindo, Manoel Barcelos, Afrânio Rodrigues e Cesar de Alencar; e maestros-arranjadores que fizeram história, entre os quais Guerra Peixe, Gaó, Radamés Gnatalli e Léo Peracchi.
Vandré, pseudônimo de Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, que hoje completa 78 anos de idade, começou a carreira musical como calouro da Rádio Tabajara, de João Pessoa, PB. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

TRAGÉDIAS INSPIRAM ARTISTAS

Há 12 anos, num dia e mês como os de hoje, homens treinados de Bin Laden sequestraram e atiraram dois aviões de carreira com passageiros sobre as torres gêmeas do Trade Center da ilha de Manhattan, nos arredores de Nova Iorque, e mataram milhares de pessoas, incluindo mulheres e crianças.
A tragédia chocou o mundo.
Inúmeras músicas foram compostas, inúmeros livros foram escritos e outras formas de manifestação cultural, incluindo filmes e gibis, foram lançados por aí a fora.
No Brasil, poetas populares expressaram sua revolta e descontentamento em folhetos de cordel, como Klévisson Viana (acima), Mestre Azulão, José Honório entre outros.
O ataque ao Trade Center só aumentou a gula pelo poder dos norte-americanos.
Depois disso, guerras foram fomentadas pelo morador da Casa Branca ou por ele incentivadas e patrocinadas no Oriente Médio, por exemplo.
Informações vazadas à imprensa dão conta de espionagem que os Estados Unidos têm feito no Brasil e noutros países latinos. E ler-se ainda a dúvida se nós somos amigos ou não deles.
E agora?
Culturalmente, o Brasil há muito foi invadido pelos gringos do Norte.
Ah, sim: a pior invasão que uma nação pode sofrer de outra é a cultural.
Nesse ponto, estamos fritos.

FOGO DO PARANÁ
No dia 6 de setembro de 1963, um incêndio de enormes proporções atingiu cidades do Paraná e praticamente as destruiu. Quinze dias depois, ainda não se sabia o número exato de mortos que ultrapassou a centena.
A tragédia fez o Brasil chorar, e no Exterior até o Papa Paulo VI, que acabara de ser eleito, fez a doação de Cr$ 3 milhões para amenizar o drama das vítimas sobreviventes.
A tragédia fez também o maranhense João do Vale compor uma música, Fogo do Paraná, para o rei do baião Luiz Gonzaga e ele próprio gravar, o que foi feito. Ouça abaixo, clicando: http://www.youtube.com/watch?v=TGwrS4yafYQ  
João do Vale nasceu no dia 11 de outubro de 1934.
Aliás, no próximo sábado 14, às 16 horas, o músico Sapiranga (a lado) se apresentará na esplanada do Memorial da América Latina, no bairro da Barra Funda, ao lado de Oswaldinho do Acordeon, Papete e Gereba. O espetáculo, em Homenagem a João do Vale, faz parte da programação da Feira Nacional do Cordel, que começará no dia 13, às 10 horas.
Vamos lá?

terça-feira, 10 de setembro de 2013

E O HOMEM CRIOU DEUS...

E o homem criou o mundo.
E depois o homem criou o fogo e a roda.
E o homem criou muito mais, dizem que até Deus ele criou à sua semelhança...
E o tempo passou e o homem criou a imprensa para divulgar as notícias que corriam de boca em boca ao redor de si.
E assim, antes mesmo da imprensa, o homem criou uma forma de expressão cultural das mais autênticas: a oralidade, meio pelo qual o mundo se recomporia depois de explodir...
E no começo era apenas a notícia correndo de boca em boca e nas páginas dos jornais, depois no rádio e na televisão.
E a notícia virou produto perigoso e caro.
E a imprensa virou indústria.
E a notícia passou a ser manipulada em todos os meios correntes, e até na internet, que é uma espécie de babel moderna, onde, de um modo ou de outro, se tenta chegar ao cume com a finalidade sabe-se lá qual!
Mas a notícia na internet não é a mesma lida no jornal, no rádio e na televisão.
A confusão na internet é dos infernos, pois formada também por jornais convencionais que se misturam nas suas entranhas, parecendo ser o que não são.
E para onde vão os jornais e as notícias?
No começo a notícia era oral, sem a forma palpável do jornal impresso.
Depois a notícia virou negócio e o pau cantou.
E hoje é o que se vê.
No dia 10 de setembro de 1808 circulou em território brasileiro o primeiro jornal: A Gazeta.
Esse fato histórico seria lembrado como o Dia da Imprensa Brasileira, mas veio o homem e o mudou em votação no Congresso Nacional para 1º de junho, em homenagem a Hipólito José da Costa, que criou o Correio Brasiliense para brasileiros em território londrino três meses depois de A Gazeta começar a circular no Rio de Janeiro.
Viva a imprensa?

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

MÚSICA CAIPIRA, NO JORNALISTASECIA

http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular17.pdf
Num mês como este, de primavera, o pioneiro num monte de iniciativas culturais Cornélio Pires, de Tietê, SP, se achava na capital paulista às voltas com o lançamento da segunda leva de cinco discos da sua série Caipira contratada à empresa Byington & Company, representada no Brasil pela gravadora Columbia, que era dirigida pelo norte-americano Wallace Downey. Esses discos seriam lançados em outubro de 1929.
Quem apresentou Cornélio a Downey foi o Capitão Furtado, que viria a se transformar num grande compositor e descobridor de talentos, como a dupla Tonico & Tinoco (acima, Tinoco participando pela última vez da gravação de um disco).
A série resultou em meia centena de discos, todos produzidos e pagos de próprio bolso por Cornélio.
Esses discos eram vendidos de mão em mão pelo interior do Estado, com muito sucesso. 
Com Cornélio, a música do campo chegou ao disco e ao alcance das pessoas de bom gosto. Já hoje...
Quer saber mais? Clique na linha azul, ali em cima.

ROBERTO SILVA
Hoje faz um ano que o cantor carioca Roberto Silva partiu para o chamado andar de cima. Ele nasceu no dia 9 de abril de 1920 e morreu no dia 9 de setembro de 2012. Era uma das mais belas vozes do samba-canção. Eu o conheci uns dois ou três anos antes de ele partir, após uma de suas últimas apresentações em São Paulo, mais precisamente na choperia do Sesc Pompéia. Quem nos apresentou foi Osvaldinho da Cuíca.

domingo, 8 de setembro de 2013

SÓ HOJE O II SALÃO DO JORNALISTA ESCRITOR

Mauro de Almeida (aí ao lado) foi repórter policial e cronista carnavalesco de jornais cariocas, como A Folha do Dia. Ele foi também autor teatral e entrou para a história da música popular como coautor do samba amaxixado Pelo Telefone.
Os compositores da época não gostaram nem um pouco dessa história, especialmente o seu conterrâneo José Barbosa da Silva, chamado por amigos e conhecidos frequentadores da casa da Tia Ciata de Sinhô e depois, famoso, de O Rei do Samba.
Pelo Telefone - gravado por Bahiano, em 1917 - teve partitura transcrita por Pixinguinha e foi registrado no dia 1º de novembro de 1916 na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, no seu nome e no nome de Ernesto Joaquim Maria dos Santos (1890-1974), o Donga, que também assinava como E. Santos.
Mauro nasceu no Rio de Janeiro em 1882 e morreu em 1956.
Sinhô nasceu num dia como o de hoje, há 125 anos. 
Quer saber mais um pouco sobre a história do samba? 
Então clique lá em cima, na linha azul.
JORNALISTA ESCRITOR
Daqui a pouco estarei trocando ideias e experiências com Moacir Assunção e Ricardo Viveiros no auditório Simón Bolivar do Memorial da América Latina, ali no bairro da Barra Funda. O encontro faz parte da programação do II Salão Nacional do Jornalista Escritor (programação abaixo) 
iniciado anteontem com Juca Kfouri, Heródoto Barbeiro, Sérgio Gomes, 
Eliana Brum, José Nêumanne, Fernando Mitre, 
Antônio Torres, Miriam Leitão e João Batista de Andrade, 
e que seguiu ontem com Cassiano Elek Machado, Hélio Campos Mello, Quartim de Moraes, 
Fernando Morais, Ricardo Ramos Filho, Regina Echeverria, Alberto Dines, Lira Neto, 
Florestan Fernandes Júnior, Mino Carta, Ricardo Kotscho e Carlos Chaparro. 
O Salão, que é dedicado ao jornalista escritor Graciliano Ramos, termina hoje e na programação, além de mim, Moacir e Ricardo, se acham Luiz Fernando Emediato, Carlos Andreazza, Claudiney Ferreira, Domingos Meirelles, Carlos Moraes, Nildo Carlos Oliveira, Caco Barcellos, Ivan Marsaglia e Fernando Coelho. 
Eu, se fosse você, daria uma esticada até lá.

sábado, 7 de setembro de 2013

O HINO NACIONAL BRASILEIRO

Você sabia que o tenor brasileiro Vicente Celestino foi o primeiro cantor a gravar o Hino Nacional, com melodia de Francisco Manoel da Silva (1795-1865) e letra do poeta Joaquim Osório Duque Estrada (1970-1927)?
Pois é, e isso aconteceu em 1918, quando ainda nem fora oficializado como o principal hino do nosso País.
A gravação foi feita com acompanhamento da Banda do Batalhão Naval, para a Odeon.
O Hino Nacional Brasileiro foi originalmente escrito para comemorar a independência do Brasil em 1822, e oficializado no dia 6 de setembro de 1922.
Essa é a música mais cantada – muitas vezes de modo errado – no País, obrigatória em todas as solenidades oficiais.
Em disco, é gravada desde a primeira década do século passado.
Fica o registro.
Vicente Celestino, nascido no dia 12 de setembro de 1894, era carioca do bairro de Santa Tereza.
Ele morreu no dia 23 de agosto de 1968. 

SALÃO DO JORNALISTA
Prossegue o Salão do Jornalista Escritor agora à tarde, com mesas reunindo para exposição e debate nomes consagrados do jornalismo brasileiro: Fernando Morais, Ricardo Ramos Filkho, Regina Echeverria, Alberto Dines, Lira Neto, Florestan Fernandes Júnior, Mino Carta, Ricardo Kotscho e Carlos Chaparro.
A minha presença será amanhã entre às 16h30 e 18h30, na penúltima mesa do Salão reunindo Moacir Assunção e Ricardo Viveiros.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

INAUGURADO SALÃO DE JORNALISTAS

https://www.youtube.com/watch?v=9sYGD-Vwhes
Começou hoje à tarde e segue amanhã e depois de amanhã o II Salão do Jornalista Escritor, no auditório Simón Bolivar do Memorial da América Latina, no bairro paulistano da Barra Funda, zona Oeste da cidade.
O Salão, que homenageia o jornalista escritor alagoano Graciliano Ramos pelos 80 anos da publicação do seu primeiro romance, Caetés, foi inaugurado com falas de seu curador, Audálio Dantas (acima, clique), e do presidente da Câmara Municipal, José Américo, entre outras pessoas.
Da primeira mesa participaram Juca Kfouri e Heródoto Barbeiro, mediados por Sergio Gomes. Nela, debateram-se questões pertinentes ao futuro do jornalismo.
Barbeiro destacou a importância das novas mídias e Kfouri findou a sua participação recomendando os estudantes a valorizarem mais e mais a notícia.
A segunda mesa foi mais movimentada do que a primeira.
José Nêumanne e Eliane Brum falaram muito sobre a relação do jornalista com o autor de livros.
Eliane discordou de Nêumanne num ponto: a transcrição e publicação ipsis litteris de entrevistas.
Nêumanne também destacou o papel do ghost writer, ao lembrar que ele próprio chegou a desempenhar essa função como autor de discursos pronunciados no Senado pelo ex-banqueiro José Eduardo Andrade Vieira e do livro autobiográfico Ninguém Faz Sucesso Sozinho, do dono da rádio Jovem Pan, Antonio Augusto Amaral de Carvalho, Tutinha.   
 

FOLHETO DE CORDEL
Inda bem que o bom senso do juiz Frederico Azevedo, da 3ª Vara Federal, prevaleceu ontem a favor da livre comercialização do folheto de cordel A Lei da Previdência Para a Aposentadoria (aí à direita, a reprodução da capa), do cordelista Davi Teixeira, por conter criticas ao sistema previdenciário brasileiro.
O juiz não acatou o pedido de censura à obra de Davi feito por um tal Grupo de Proteção do Nome e Imagem das Autarquias e Fundações Públicas Federais e justificou  a sua decisão dizendo ser os folhetos uma forma natural de livre expressão e o ganha pão do autor e sua família.
Pois é, era só o que falta a Justiça proibir a circulação de um folheto de cordel, em pleno ano de 2013!
Davi Teixeira da Silva nasceu na cidade pernambucana de Bezerros, em 1959. Essa é a primeira vez que o cordelista – que também é xilogravurista - ganha destaque na imprensa por causa de um de seus folhetos. Radicado em Recife desde 1965, Davi é casado e tem três filhos.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

ANTENÓGENES SILVA E CARLOS GARDEL

Se disséssemos que o Brasil é a terra da sanfona e dos sanfoneiros não estaríamos exagerando, tampouco dizendo bobagem.
A sanfona chegou ao Brasil em 1913, ano em que o italiano naturalizado Giuseppe Rielli gravou tocando esse instrumento num precário estúdio montado em São Paulo para essa finalidade. A gravação resultou num 78 RPM com a valsa Coração de Fogo, de autor desconhecido, que foi posto à praça sob a chancela Odeon.
Suas origens se acham entre as dinastias chinesas Zhou, Chin, Han ou sei lá.
Portas abertas, os sanfoneiros foram chegando e fazendo bonito.
Antes de o pernambucano Luiz Gonzaga se transformar no Rei do Baião, o mineiro Antenógenes Silva encantou os brasileiros com suas valsas, polcas, maxixes, choros e também muitos tangos, além de mazurcas, rancheiras, sambas e chotis; ou xotes.
Quando Gonzaga começou a formar a sua discografia, a partir de 14 de março de 1941, Antenógenes – seu professor e afinador de sanfonas – já havia gravado exatas 60 músicas pela Victor, Arte-Fone e Odeon. As primeiras incluídas no seu primeiro disco foram Gostei de Tua Caída, um choro; e Norma, uma valsa; ambas dele próprio.
Num programa que apresentei há muitos anos na extinta Rádio Atual, de São Paulo, Antenógenes Silva contou que fora o único artistas sul-americano a se apresentar tocando sanfona num palco, na Argentina, para o rei do tango, Carlos Gardel, cantar.
Fica o registro.  
Nascido no dia 30 de outubro de 1906 e falecido no dia 9 de março de 2001, Antenógenes Honório da Silva era filho de um serralheiro ferrador de cavalos, Olímpio Jacinto, e de uma dona de casa, Maria Brasilina de São José, descendente de um barão mineiro falido, sem grana, de nome Antonio Elói Casimiro de Araújo.
Antenógenes entrou para a história da música popular brasileira como O Mago da Sanfona.
Curiosidade: no dia 27 de maio de 1955, ele gravou a valsa Rapaziada do Brás, de Alberto Marino, um clássico do gênero que a Odeon pôs no mercado em junho do ano seguinte.
A primeira gravação dessa valsa foi feita pelo próprio autor e seu conjunto, o Sexteto  Bertorino Alma, pouco antes de 1930. Ouça a gravação Columbia, de novembro de 1934, clicando:
O Memorial da América Latina acolhe a partir de amanhã, e até domingo 8, o II Salão Nacional do Jornalista Escritor. A inauguração, no Auditório Simón Bolivar, às 12h30, contará com a presença do prefeito Fernando Haddad e do presidente da Câmara Municipal de São Paulo, José Américo Dias. 
A curadoria é de Audálio Dantas. 
Dedicado Graciliano Ramos, o Salão reunirá alguns dos mais expressivos nomes do jornalismo  do País, entre os quais Mino Carta, Caco Barcelos, Quartim de Moraes, Fernando Coelho, Ricardo Viveiros e Moacir Assunção. 
Estarei no dia 8, a partir das 16h30 e até duas horas depois, ancorando uma mesa com Viveiros e Assunção. 
Vale a pena ir; e é de graça, vá. 
Agora clique abaixo para ouvir Audálio falando a respeito do Salão:
E também aqui, para ouvi-lo falar sobre outros assuntos além do Salão:

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O FIM DA MÚSICA BRASILEIRA?

É de chorar, de raiva, o que acabo de ver e ouvir no canal pago Multishow: o anúncio, dentre outros, de Luan Santana, Di Ferrero, Fiuk, Tiaguinho e MC Koringa como os melhores artistas do ano.
Isso me arrepia e me leva à triste conclusão de que a nossa boa música e nossos bons cantores e cantoras foram enterrados vivos.
O canal ainda anunciou como grande destaque do ora dito setor musical, Anitta - quem???? - com a faixa Show das Poderosas.
A listinha dos mais tocados atualmente no rádio e vistos na televisão e shows Brasil afora é esta, na chamada Categorias Júri popular, como Melhor cantor:
- Di Ferrero (NX Zero)
- Fiuk
- Luan Santana
- Thiaguinho
- Xande de Pilares (Revelação)
Melhor cantora
- Ana Carolina
- Claudia Leitte
- Ivete Sangalo
- Marisa Monte
- Paula Fernandes
 Melhor grupo
- Chiclete Com Banana
- O Rappa
- Restart
Revelação
- Sorriso Maroto
Melhor música
- Ana Carolina - "Combustível"
- Claudia Leitte - "Largadinho"
- Ivete Sangalo - "Dançando"
- Luan Santana - "Te Vivo"
- Thiaguinho - "Buquê de Flores"
Melhor show
- Caetano Veloso
- Ivete Sangalo
- Luan Santana
- Naldo
- Paula Fernandes
Experimente
- Lia Sophia
- P9
- Roberta Campos
- Oba Oba Samba House
- Sambô
Música-chiclete
- Anitta - "Show das Poderosas"
- Gusttavo Lima - "Gatinha Assanhada"
- Mc Koringa - "Dança Sensual"
- Munhoz & Mariano - "Camaro Amarelo"
- Turma do Pagode - "Lancinho"
Categorias do Júri Especializado
- Novo hit
- Bonde das Maravilhas - "Quadradinho de Borboleta"
- Mahmundi - "Calor do Amor"
- Rodrigo Amarante - "Maná"
Versão do ano
- Bárbara Eugênia - "Por Que Brigamos" (versão original: Diana)
- Metá Metá - "Let's Play That" (versão original: Jards Macalé)
- Silva - "Mais Feliz" (versão original: Cazuza)
Melhor clipe
- Anitta - "Show das Poderosas"
- Apanhador Só - "Despirocar"
- Banda Tereza - "Sandau"
Música compartilhada
- Karol Conka - "Batuk Freak"
- Metá Metá - "MetaL MetaL"
- Rael - "Ainda Bem Que Segui As Batidas Do Meu Coração"
Categorias do Superjúri
Artista revelação
- Anitta
- Clarice Falcão
- Karol Conka
- Strobo
Melhor disco
- Caetano Veloso - "Abraçaço"
- Guilherme Arantes - "Condição Humana"
- Metá Metá - "MetaL MetaL"
Melhor show
- Baby do Brasil - "Baby Sucessos"
- Caetano Veloso - "Abraçaço"
- Gang do Eletro - "Gang do Eletro"
Nova canção
- Lucas Santtana - "Now No One Has Anything"
- Silva - "Amor Pra Depois"
- Wado - "Palavra Esquecida". 

Não está muito longe da verdade a ficção aí em baixo. 
Clique:

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

JORNALISTA ESCRITOR, NO MEMORIAL

http://www.memorial.org.br/2013/08/ii-salao-do-jornalista-escritor-homenageia-graciliano/
Nos próximos dias 6, 7 e 8 será realizado no Memorial da América Latina (Rua Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda) o II Salão Nacional do Jornalista Escritor, que conta apoio da Petrobras e Caixa Econômica Federal e curadoria do alagoano de Tanque D´Arca Audálio Dantas, um dos mais expressivos e respeitados nomes do jornalismo brasileiro.
Para mais detalhes, dê um clique ali em cima na linha azul.
Na função de âncora e entrevistando os craques Moacir Assunção e Ricardo Viveiros, participarei da penúltima mesa (dia 8, das 16h30 às 18h30) do Salão que será inaugurado às 10 horas do dia 6.
As exposições e debates ocorrerão no Auditório Simon Bolívar, a partir das 11 horas.
Haverá sessão de autógrafos.
Entrada franca.

FIM DO MUNDO
Num ano dos 50 o sanfoneiro Sivuca convidou o bruxo Hermeto Pascoal para formar um trio, junto com Zé Neto. Nome do trio: O Mundo Pegando Fogo, que, porém, nunca se apresentou profissionalmente em lugar nenhum.
Eu me lembro dessa história que Sivuca e Hermeto me contaram porque estou acompanhando a movimentação dos instrumentos e bólidos de guerra de Obama, que está doido para encher a Síria de bombas e matar o quanto puder.
As guerras servem para girar a roda da fortuna.
Guerra é grana.
Aguardemos o apocalipse!

IMB
Você conhece o Instituto Memória Brasil?
Clique:
http://www.institutomemoriabrasil.org.br/

domingo, 1 de setembro de 2013

REPENTISTAS EM AÇÃO

Está começando agora o 1º Festival de Repentistas de Itapevi, com a presença dos profissionais do gênero Geraldo Amâncio, Sebastião da Silva, Moacir Laurentino e Fenelon Dantas. Também participam do festival Edival Pereira, Gilberto Alves, Antônio Rocha, Heleno Feitosa, Edezel Pereira e Severino Pereira.
Poetas repentistas, os que improvisam ao som de violas, no Brasil são uma herança portuguesa.
Atualmente em São Paulo há cerca de uma centena desses poetas em atividade, a maioria filiada à União dos Cantadores, Repentista e Apologistas do Nordeste, entidade presidida pelo paraibano Sebastião Marinho.
O festival que está se realizando em Itapevi, a 35 quilômetros da capital paulista, tem entrada gratuita. Endereço: Rua Lafaiete Rodrigues, 252, no Jardim Vitápolis.   
CEU BUTANTÃ
Ontem à tarde assisti a mais uma bela apresentação de Osvaldinho da Cuíca, dessa vez no CEU, unidade Butantã. Hoje tem mais. Quem estiver afim é só. A entrada é franca.

CORNÉLIO PIRES
E ontem também, só que no final da noite, assisti no Teatro e Bar Cemitério de Automóveis ao monólogo Querência, com textos de Cornélio Pires adaptados por Nélson Peres e Roberto Lima, com Peres e direção de Lima. A trilha sonora, ao vivo, ficou a cargo de Fábio Brum. É um espetáculo denso. 

sábado, 31 de agosto de 2013

HOJE É DIA DE EMILINHA BORBA

Você conhece o Instituto Memória Brasil?
Clique:
Dona deste pouco conhecido nome comprido Emília Savana de Sousa Costa da Silva Borba, a carioca Emilinha Borba foi uma das mais aplaudidas cantoras do Brasil. A carreira ela a iniciou aos 14 anos de idade, ao ganhar o primeiro lugar num concurso de calouros da Rádio Cruzeiro do Sul, Hora Juvenil.
Cinco anos depois, no dia 2 de março de 1939, ela entrava num estúdio da extinta Columbia e gravava seu primeiro disco de 78 RPM, com o samba-choro Faço o Mesmo (Nássara/Frazão) e o samba Ninguém Escapa... (Frazão)
No carnaval de 1949 ela ganhava as paradas de sucesso com a marcha Chiquita Bacana (João de Barro/Alberto Ribeiro), lançada em janeiro daquele ano pela gravadora Continental, que também não existe mais.
Aliás, diga-se de passagem, já não há mais nenhuma gravadora nacional em atividade no País, pois os gringos compraram todas com o propósito criminoso de esconder os acervos e pôr no mercado as suas porcarias.
Emilinha gravou em vários ritmos: mambo, bolero, batucada, valsa, canção, fox-trot e até baião de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, estes: Paraíba (na reprodução do selo, acima) e Baião de Dois, lançados entre março e abril de 1950, antes mesmo do conjunto Quatro Ases e um Coringa (RCAS Victor, outubro de 1950) e do próprio Gonzaga RCA Victor, maio de 1952).
Eleita em concurso como Rainha do Rádio em 1951, Emilinha ganhou fama como a cantora Preferida da Marinha e Marlene, da Aeronáutica.
Por anos, seus fãs alimentaram saudável disputa de quem era a melhor.
Marlene, de batismo Victória Bonaiutti de Martino, nasceu São Paulo e ano que vem fará 90 anos.
Emilinha no dia 31 de agosto de 1923 e morreu no dia 3 de outubro de 2005.

DALVA DE OLIVEIRA
Os jornais do dia 31 de agosto de 1972 (aí ao lado) trouxeram a notícia da morte, aos 55 anos de idade, da cantora paulista de Rio Claro Dalva de Oliveira. Numa entrevista ao programa São Paulo Capital Nordeste, que apresentei por quase sete anos na Rádio Capital, o seu filho Pery Ribeiro contou que era comum o Rei do Baião frequentar a sua casa aos sábados, dia em que a mãe Dalva reunia amigos e artistas em torno de uma saborosa feijoada que só ela dizia saber fazer. Rolavam uísque e cachaça, mas gato escaldado Gonzaga evitava beber.
Dalva sofreu muito na unha de Herivelto Martins durante boa parte do tempo em que esteve casada, entre 1938 e 1950.
Pra mim ela, que era chamada de Rouxinol e Estrela Dalva, foi a voz feminina mais afinada e bonita do Brasil.
Incentivada por Carmen Miranda, Dalva começou a cantar em 1933, com 16 anos.
Em 1936, ela passou a integrar o Trio de Ouro assim batizado pelo radialista Cesar Ladeira, ao lado de Herivelto e Nilo Chagas.
A sua primeira gravação em disco data de 11 de maio de 1938, pela Odeon.
Ela cantoiu tangos, fados, marchas, boleros, um jongo e dois baiões de Humberto Teixeira, Kalu, gravado em Londres; e Sem Ele, com acompanhamento de Roberto Inglez e sua Orquestra, em 1958. 
Viva Dalva!

REI DO BAIÃO
No Teatro do Núcleo Experimental, à Rua Barra Funda, 637, na zona Oeste da cidade, seguirá até o próximo dia 8, aos sábados e domingos às 16 horas, o musical Menino Lua, baseado na vida - e obra - de Luiz Gonzaga. Thiago França vive o artista e Vivian Bertocco, a personagem Rosinha. Estreou no dia 27 do mês passado. Direção de Fernanda Maia e figurinos de Zé Henrique de Paula. Vamos enquanto não sai de cartaz?  

Ouça-a cantando o baião Sem Ele, clicando:
E também Bandeira Branca:
Mais:

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

ISAURINHA GARCIA

Você conhece o Instituto Memória Brasil, IMB?
Então, clique:
A Personalíssima Isaura Garcia – Isaurinha, para os íntimos e próximos – nasceu no bairro paulistano do Brás, mais precisamente numa casa da Rua da Alegria, em 1923.
Antes de se tornar a grande cantora de samba e tudo o mais que o Brasil todo aplaudia, ela frequentou programas de calouro sem lograr êxito, até que tomou coragem e bateu à porta do apresentador Otávio Gabus Mendes e se deu bem interpretando o samba Camisa Listrada, do baiano Assis Valente (1911-58).
Após isso, e de formar dupla com o cantor paulistano Vassourinha (Mário Ramos), ela foi contratada pela Rádio Record, onde permaneceu até se aposentar, em 1970.
Vassourinha nasceu em maio de 1923 e morreu, segundo Raul Duarte, que conheci, em agosto de 1942, exatos um ano, dois meses e 20 dias depois de Isaurinha gravar em disco a primeira música da sua carreira, que foi o choro Chega de Tanto Amor, de Mário Lago, no dia 23 de junho de 1941.
Vítima de uma parada cardíaca, Isaurinha partiu há 20 anos, num dia 30 de agosto como o de hoje, dois anos antes do sambista carioca Agepê.
Agepê, de batismo Antônio Gilson Porfírio, alcançou as paradas de sucesso em 1975, com Moro Onde Não Mora Ninguém, dele e do compositor Canário.
Carmen Miranda e Aracy de Almeida eram exemplos de artistas que Isaurinha seguia.
Ela era uma pessoa muito espontânea, tanto que não controlava os palavrões que costumava falar.
E falava muito, talvez movida pela solidão.
A vez que telefonei como repórter da Folha pedindo uma entrevista, ficamos por quase uma hora conversando.
Isaurinha gravou muita coisa que transformou em sucesso, como o samba Mensagem, de Aldo Cabral e Cícero Nunes.
O carioca Aldo, pseudônimo de Antônio Guimarães Cabral, era jornalista e nessa condição foi o primeiro a entrevistar o então futuro Rei do Baião para a revista Vitrine em 1942, saudando-o pela estreia em disco Victor com o texto Luiz Gonzaga, o Virtuoso do Acordeon.
Sete anos depois, precisamente no dia 11 de novembro de 1949, Isaurinha gravava Baião no Brás (acima, reprodução do selo do disco de 78 RPM), de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga.  
Num dos já tradicionais especiais da TV Globo, o cantor Roberto Carlos convidou Isaurinha e juntos cantaram Mensagem.
Clique:

POSTAGENS MAIS VISTAS