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segunda-feira, 16 de março de 2020

VERÍSSIMO, VIETNÃ: O PRISIONEIRO



O exército norte-americano cometeu uma das maiores atrocidades numa guerra. Foi no dia 16 de março de 1968 numa aldeia de My Lai, no Vietnã. Brutalmente assassinadas crianças, homens e mulheres. No total mais de 500 pessoas.
Esse massacre lembrou-me a cantora Joan Baez, o jornalista José Hamilton Ribeiro e do escritor Érico Veríssimo (1905-1975), esse último autor do romance O Prisioneiro (Editora Globo; 1ª edição, 1967).
Veríssimo identifica o lugar onde transcorre a história num ponto qualquer da Ásia, próximo à China.
Os personagens principais são um tenente que deixa o seu país para servir fora, sob o comando de um coronel.
O coronel determina ao tenente que interrogue um prisioneiro. E isso pouco antes de o tenente retornar ao seu país de origem e já no fim do livro.
O romance é fortíssimo e bem movimentado. Fantástico!
Na terra onde foi prestar serviço militar, o tenente faz amizade com uma voluntária francesa que dedica todo o seu tempo a ajudar crianças órfãs. Ele à ela conta toda sua história.
O romance chega ao ápice com a explosão de um bordel no qual se achava uma prostituta por quem o tenente se apaixonara. Nenhum dos personagens tem nome no livro, à exceção da prostituta que aparece apenas pela letra K.
Veríssimo também não diz, mas deixa crer que o lugar onde se passa a história é o Vietnã.
E foi no Vietnã, no dia 20 de março de 1968, que Hamilton Ribeiro pisou numa bomba e foi aos ares. Escapou, mas deixou lá um pedaço do seu corpo. Antes disso, a cantora e instrumentista nova-iorquina Joan Baez foi às ruas com Martin Luther King (1929-68), chamando a atenção do mundo para os horrores da guerra.
José Hamilton Ribeiro é o jornalista mais premiado do Brasil e também um dos escritores mais festejados. Lê muito e é viciado em moda de viola. Pra ele escrevi o poema ZÉ:

O mundo anda perdido
Que nem galo sem terreiro
Que nem um cego sem guia
Ou barco sem timoneiro
Mas ainda bem que tem
José Hamilton Ribeiro

 Repórter de boa cepa
Ouro puro, verdadeiro
É um galo bom de briga
Doido por galinheiro
Hoje seu nome é marca
Do jornalismo brasileiro

Na pauta desse José
Tem sanfona, tem pandeiro
Tem cantiga de Matuto
E prosa de marrueiro
Fora isso ainda tem
Verso, viola e violeiro

Ele foi a todo o canto
Foi até o estrangeiro
Foi à luta, foi à guerra
Lutou foi bom guerreiro
Caiu mas levantou-se
De modo muito ligeiro

Incansável segue firme
Livre, leve e faceiro
Redescobrindo na vida
O prazer aventureiro
De fazer mais reportagens
Com o carimbo Zé Ribeiro

Novas guerras continuam
No Brasil, no mundo inteiro
É gente matando gente
Por nada, só por dinheiro
Mas nem a morte mata
José Hamilton Ribeiro

JÚLIO MEDAGLIA DÁ SHOW NO PAIAIÁ

O maestro paulistano Júlio Medaglia deu uma das mais espontâneas e esclarecedoras entrevistas que já ouvi. Foi sábado 14 no programa Paiaiá, apresentado pelo baiano Carlos Silvio. Durou uma hora. Do meio dia às 13hrs.
O apresentador começou o programa apresentando o entrevistado. Em seguida, brincou dizendo que ambos tinham pelo menos um ponto em comum: o futebol.
Silvio é goleiro de um time de Varzea e Medaglia foi ex-goleiro e por pouco não profissionalizou-se.
O maestro revelou que na infância costumava pular o muro do estádio do Palmeiras para, como penetra, acompanhar os treinos do seu time: o Palmeiras. E entre uma pergunta e outra, o grande maestro brasileiro contou que virou músico por acaso, pois nenhum parente próximo tinha nada a ver com música.
No começo encantou-se com uma réplica de violino. Coisa de brinquedo. Até que um dia ganhou um violino de verdade e aí não teve mais jeito, transformou-se no artista que todo o mundo aplaude com carinho e respeito.
Dentre os compositores brasileiros de preferência de Medaglia estão Carlos Gomes e Caetano Veloso. Pois é, do erudito ao popular.
Júlio Medaglia já regeu grandes orquestras do Brasil e do Exterior.
Ainda neste ano, na Hungria, Medaglia deverá voltar a reger orquestra interpretando O Guarany.
O Guarany, estreou mundialmente na noite de 19 de março de 1870. O palco dessa apresentação foi o Alla Scala de Milão, Itália. Logo após o concerto, o compositor italiano Giuseppe Verdi (1813-1901) respondendo a um repórter disse: "Esse moço começa por onde eu termino." Esse moço era o paulista de Campinas Antonio Carlos Gomes (1836-96).
O que tem a ver Caetano com Medaglia?
Bom, prefiro que vocês descubram o ponto comum entre os dois acompanhando a entrevista feita pelo craque Carlos Silvio. Cliquem:



sexta-feira, 13 de março de 2020

DITADURA NUNCA MAIS! (1)

O dia 15 de março é histórico, no Brasil.
Foi nesse dia que o carioca João Baptista Figueiredo (1918-99) encerrou o ciclo de generais presidentes da República, inciado com o golpe militar de 1964. Esse golpe foi deflagrado na madrugada do dia 1º de abril.
Também a ver com o 15 de março é o fim do governo do gaúcho Ernesto Geisel (1907-96) iniciado, aliás, no 15 de março de 1974.
Figueiredo foi aquele que dizia preferir cheiro de cavalo a cheiro de gente.
Geisel foi aquele da abertura democrática, cujo o processo seria lento, gradual e seguro. Foi no decorrer desse processo que brasileiros e brasileiras exilados começaram a retornar ao País.
A história é longa, mas não podemos esquecê-la.
Será que o atual presidente da República está planando semente daninha pra o governo assumir o País todo fardado?



segunda-feira, 9 de março de 2020

ROSIL CAVALCANTI PARA BONS OUVIDOS

Após três anos o público consumidor de boa música tem a oportunidade de escutar com prazer meia dúzia de títulos do pernambucano Rosil Cavalcanti (1915-68). Essas músicas receberam especial atenção do compositor e instrumentista Jorge Ribbas. São elas: Aquarela Nordestina, Vassoureiro, Tropeiros da Borborema, Pacífico Pacato, Sebastiana, Meu Cariri.
O talento inventivo de Ribbas o levou a enveredar no mundo de Cavalcanti como poucos o fizeram até agora. Foi mergulho profundo e o resultado, uma delícia.
As músicas selecionadas por Jorge Ribbas foram diversas vezes gravadas por grandes nomes da melhor música do Brasil, entre os quais Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Marinês.
Para ajudar na missão de rever ou revisitar um pouco da obra de Rosil Cavalcanti, Ribbas convidou os craques Marquinho Drums (bateria) e Rainere Travassos (baixo). O resultado, repito: uma delícia!
As músicas rearranjadas por Jorge Ribbas se acham em todas as plataformas digitais, como Spotify, Deezer.
Ah! Ia-me esquecendo: o bloco de músicas de Cavalcanti escolhido por Ribbas, encerra com um forró assinado por mim e por ele, intitulado Viva Rosil! Ouça:


LEIA TAMBÉM:

sexta-feira, 6 de março de 2020

SOMOS TODOS IGUAIS, HOMENS E MULHERES



A cantora e instrumentista Inezita Barroso
morreu no dia 8 de março de 2015.
Ela também foi uma guerreira,
despreconceituosa e ativa
A Venezuela anda quebrada e a população mais humilde, também.
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro foi à televisão estatal para convocar as mulheres a engravidar. Disse ele: "Vão parir, pois, vão parir! Todas as mulheres tendo seis filhos, todas. Que cresça a pátria!".
Há muito desaforo contra as mulheres, no Brasil e em todo canto.
A Constituição brasileira, de 1988, garante no seu artigo 5º: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
        I -  homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição...”
O Dia Internacional da Mulher é há muitos anos lembrados no dia 8 de março. O que provocou isso foi um incêndio que matou muitas operárias numa fábrica estadunidense. Esse incêndio foi provocado pelos donos da fábrica. Clique: 8 DE MARÇO: DIA INTERNACIONAL DE TUDO QUE É BOM
Em 2019, quer dizer ano passado, foram registrados 1.314 feminicídios, maior parte no Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia.
Casos de feminicídio são encontrados na vida real e na literatura romanesca do Brasil, desde José de Alencar (1829-1877) a Manoel de Oliveira Paiva (1861-1892). Leia: O FEMINICÍDIO NAS ARTES.
A grande Clarisse Lispector (1920-1977) também abordou a questão feminicídio no conto A Língua do P, de 1974. Leiam: A LÍNGUA DO P
A luta das mulheres por igualdade ocorrem no mundo todo e há muito tempo. Clique:



quinta-feira, 5 de março de 2020

MAIS UM MAL DOS TEMPOS

O mundo é uma bola e como tal vive rodando, nos entonteando. Desde sempre.
As mazelas que nos chegam, nos matam. Não são poucas e vem de longe.
As desgraças mais recentes, desde a Idade Média, dão conta de milhões de mortes provocadas por doenças de muitos tipos.
A peste negra matou milhões e milhões de pessoas ao deixar seu berço, a China, e seguiu serelepe ceifando vidas no Continente africano, Itália e daí, Europa. Isso, em fins do século 14. Essa peste passou pelos Estados Unidos e chegou a “nostra” América.
O último caso de peste negra, ou bubônica, foi registrada no Ceará há poucos anos.
Além das guerras no Oriente Médio e noutras partes, agora temos entre nós, o chamado Corona Vírus, que resulta na COVID-19. Esse novo vírus já matou milhares de pessoas na China, Irã, Espanha, França, Itália.
Noutros tempos, o assunto já teria rendido tema para cordelista e compositores da música popular. Como isso não ocorreu até agora, entro no tema escrevendo os versos em sextilha que seguem.

Corona Vírus chegou
Montado num furacão
Chegou bem de repente
Provocando confusão
Enchendo de medo o mundo
Desde China até Japão


Claro que dá pra dizer
Que é mais forte que tufão
Mais terrível que pitbull
Quando parte para ação
Corona vírus mata

Olhe bem, preste atenção

Muitos seres já morreram
Muitos outros morrerão
Esse vírus se alastra
Como praga em algodão
Não tem pena de ninguém
Nem de ateu, nem de cristão

Voa nas asas do vento
Que nem piolhos do cão
Está em todo canto
Contaminando nação
Deus, que bicho é esse
Com tanto poder de ação?

Invisível é esse bicho
Maldito sem coração
Mata pobre, mata rico
Com ele não há perdão
Veneno é sua foice
Seu machado, seu facão


O mundo contaminado
Assusta população
Que indefesa fica
Fazendo sua oração
Apostando ser possível

Haver fim pra maldição

Filho da peste negra
Terror, horror, danação
O bicho feio mata
Pela boca, pela mão
Já nem se pode beijar
Isso é fato, meu irmão!

Ouvi repórter dizer
No rádio, televisão
Terrível é esse vírus
Que maltrata cidadão
Que põe fim a bom abraço
E impede apertar mão

Apanhar maldito vírus
É ganhar condenação
É ganhar um passaporte
Só de ida num caixão
O bicho pega e mata
Sem qualquer explicação

O mundo ficou doido
Agitado, em convulsão
Não se sabe o que fazer
É grave a situação
Os governos procuram
Para o mal a solução

Especialistas pedem
Para o povo lavar mão
Para o povo se cuidar
Pra não dar bobeira, não
Indícios fazem crer
Ser o Bode a maldição

Parece fim de tudo
De um tempo em perdição
Não há muito o que fazer
Pra possível salvação
Ora pois, vou perguntar:
Jesus Cristo foi-se em vão?


PAULO CARUSO NO PAIAIÁ



quarta-feira, 4 de março de 2020

INEZITA BARROSO, SAUDADE...

Inezita gravou discos em todos os formatos. No link aí, Zuza Homem de Melo e eu falamos sobre a importância dessa artista: https://youtu.be/m01TTKdiEpM


No dia em que a cantora Inezita Barroso completaria noventa e cinco anos de idade, a atriz e instrumentista Adelaide Chiozzo trocaria esta terrinha maluca pelo céu estrelado de Deus.
Adelaide nasceu no dia oito de maio de 1931, em São Paulo. Ficou famosa, primeiro, como atriz do cinema e da televisão. Participou de uma dezena de filmes e começou a gravar discos na década de 1950. Entre as gravações que fez estão Sabiá na Gaiola (Hervé Cordovil e Mário Vieira) e Beijinho Doce (Nho Pai). Curiosamente, também gravou uma música do ator premiado Anselmo Duarte em parceria com Bene Nunes: Pedalando, polca.
A primeira gravação de Sabiá na Gaiola foi feita pela cantora Carmélia Alves (1923 – 2012)
Nós, brasileiros, estamos perdendo o bom hábito de ler livros, ouvir boa música e lembrar dos nossos grandes artistas.
A cantora e instrumentista Inezita Barroso, de batismo Ignês Magdalena Aranha de Lima (1925 - 2015) deixou-nos uma obra grande e ótima. Gravou tudo de bom que queria gravar, incluindo modas de viola, emboladas, toadas, sambas e choros.
Inezita nasceu num 4 de março, de Carnaval, e partiu rumo à eternidade no dia 8 de março, dia Internacional da Mulher. Deixou saudade, muita saudade, uma filha (Marta) e netos.
Inezita frequentava minha casa e eu a casa dela.
Nunca emborcou um copo de cachaça, mas adorava entornar um uisquinho, sem gelo. Fiz-lhe companhia muitas vezes, nesse salutar exercício de levantamento de copo.
Eu e Inezita frequentávamos o extinto restaurante Parreirinha, ao lado de Jamelão, Miltinho, Adoniran.
Escrevi um livro sobre ela: A Menina Inezita Barroso (Cortez Editora; 2011). A ideia, era escrever outro. No primeiro, conto a sua história até os dezessete anos de idade...
Escrevi muito sobre Inezita Barroso, em jornais e revistas. E participei algumas vezes do seu programa, Viola Minha Viola (TV Cultura, canal 2, SP). Ela também participou várias vezes dos programas que apresentei nas rádios Capital e Trianon.
Foi em Recife, PE, que Inezita iniciou a carreira musical. Isso no velho teatro Princesa Isabel, pelas mãos de mestre Capíba. Bela história é a dela. Gravou em 78 RPM, compactos de 33/45 RPM, LP’s, e CD’s.
Inezita estreou em disco em 1951, mas foi a partir de 1953 que ela passou a chamar a atenção do público e crítica. Nesse ano, ela gravou o samba-canção que se tornaria clássico: Ronda, de Paulo Vanzolini (1924 - 2013). Ela costumava a guardar tudo que gravava, incluindo entrevistas à emissoras de rádio e televisão. Guardava também recortes de jornais e revistas a seu respeito.
Uma vez Inezita deixou escapar que não tinha na sua discografia material o 78 RPM que trazia Ronda. Pouco depois presenteei-lhe com um exemplar desse disco.
Pouco antes de Inezita morrer, o multi-instrumentista Papete e eu compusemos A Brasileira Inezita Barroso. Ouçam: https://youtu.be/lvOcOmTo4PI
Em 1998, eu Fernando Faro e outro participamos no programa Roda Viva entrevistando a grande cantora: 



terça-feira, 3 de março de 2020

COM O CORONA VÍRUS, VÃO SE EMBORA O BEIJO E O SEXO

É sempre importante ler Luís Câmara Cascudo. A 1ª edição do Dicionário do Folclore Brasileiro é de 1954...
O corona vírus é mais uma praga que está chegando ao Brasil via Itália. São dois casos confirmados em São Paulo. Mas já passa de 400 o número de pessoas suspeitas de portarem consigo o diacho desse vírus.Vírus que os gringos do norte chamam de "vairus". Corona vírus é corona vírus, ou COVID-19, outra denominação pra essa praga.
Ouvi em algum lugar que já houve corona vírus lá pro lado da China, de onde está vindo para empestear o mundo. Porisso dizem que o atual corona é um novo corona. Fato é que novo ou velho corona é praga. Isso me faz lembrar a praga que foi a peste negra ocorrida em fins da Idade Média, surgido, vejam vocês!, também na China. Da China para a África, da África para Itália, da Itália para Europa e de lá Estados Unidos, América Latina... Não faz muito, em Fortaleza o vírus da peste negra foi detectado em cearenses. Peste negra porque o vírus provocava manchas negras na pele. Mas essa é outra história. Ou não?
Acabou de escutar no rádio notícia dando conta de que a Santa Igreja Católica acaba de sugerir — ou proibir? — ao cristãos que não aperte a mão nem abracem os seus semelhantes na igreja. Essa recomendação me leva a pensar num desastre enorme que está por vir como consequência do corona.
O gesto de apertar a mão e abraçar alguém, data de milênios.
No velho Egito, descobriram-se hierógrafos com imagens de alguém apertando a mão de alguém. Falou-se de um deus apertando a mão do faraó. Que seja.
Uma vez mestre Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) respondeu a uma pergunta que lhe fiz sobre a origem do aperto de mão. A resposta foi mais ou menos esta: Na antiguidade, chefes guerreiros apertavam-se as mãos para indicar que estavam desarmados e dispostos a por fim ao um conflito qualquer.
Esse gesto a que se refere Cascudo, espalhou-se até os dias atuais.
O abraço entre as pessoas surgiu como cordialidade, uma maneira natural de as pessoas manifestarem seu apreço por outras.
Tudo isso pode acabar com a chegada sempre imprópria de mais um vírus maldito entre nós.
E como uma coisa puxa outra, pergunto aos meus botões: se acabar o aperto de mão, se acabar o abraço, o que vai sobrar a nós seres humanos?
Conclusão: ouço dos meus botões a indicação de que o ato de beijar, praticar sexo também vai se acabar.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

BAIÃO EM ALEMÃO


Luiz Gonzaga, o rei do baião, é um dos artistas mais lembrados do Brasil. Deixou uma obra vigorosa, formada por mais de 600 títulos. Deixou inúmeros sucessos até hoje revisitados ou regravados pelos artistas mais novos e mais velhos, no Brasil e no Exterior.
Muitas músicas de Gonzaga, já foram vertidas nos mais diversos idiomas: inglês, francês, espanhol, japonês, coreano (do Sul).
Agora foi a vez de o Rei do Baião ganhar um CD inteiro com títulos do seu repertório.
O CD Luiz Gonzaga in Deutsch traz 11 músicas. Começa com Louvação a João XXIII e segue com Xote Ecológico, Ave Maria Sertaneja, Asa Branca, A Volta da Asa Branca...
Esse é um disco bastante curioso.
As músicas são interpretadas pelo Frei alemão Adolf Temme, responsável também pela versão alemã.
Edinaldo Sóstenes foi o artista incumbido da instrumentalização e direção artística dessa obra.
O sanfoneiro Ranier Oliveira deu ao disco o tom brejeiro.
Wilson Seraine, nome muito conhecido no Piauí, foi quem teve a iniciativa de produzir Luiz Gonzaga em Alemão.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

FINALMENTE, CINZAS



Em 1967, Roberto Carlos defendeu no III Festival da Música Popular Brasileira, promovida pela TV Record, o samba-canção Maria Carnaval e Cinzas. Essa música, de Luiz Carlos Paraná (1932-1970), foi classificada em 5º lugar. Desse festival também participaram Erasmo Carlos e Ronnie Von, considerados até hoje apolíticos. Maria Carnaval e Cinzas começava assim:
Nasceu Maria quando a folia
Perdia a noite, ganhava o dia
Foi fantasia seu enxoval
Nasceu Maria no Carnaval...

E terminava com a personagem morrendo como morrem as quartas-feiras de cinzas:

Morreu Maria quando a folia
Na quarta-feira também morria
E foi de cinzas seu enxoval
Viveu apenas um Carnaval...

O Carnaval é o maior evento de público do Brasil. Suas origens são remotas. Chegou ao país nos fins dos séculos XVI. Entrudo era a marca dessa festa que o tempo findou por abolir. Era violento. Diz-se que o Imperador Pedro I e o filho que o sucedeu divertiam-se com isso.
O Entrudo foi proibido pela polícia no meio da segunda parte do século 19.
Não houve Carnaval em 1894, como registrou em crônica o escritor Machado de Assis (1839-1908). Clique: https://culturadetravesseiro.blogspot.com/2011/03/cronicas-de-machado-de-assis.html
O Carnaval que conhecemos começou a ganhar forma na virada do século XIV para o século XX, com a marchinha O Abre Alas (1899).
A primeira escola de samba, ainda não na forma que conhecemos, chamou-se Deixe-a Falar (1928).
São milhares as músicas que falam de Carnaval.
Em 1965, o cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré lançou no seu 2º LP (Hora de Lutar; Continental), a marchinha Sonho de um Carnaval (Chico Buarque).
Seis anos depois, foi a vez de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes comporem Marcha da Quarta-feira de Cinzas. Ouça: https://youtu.be/_ujIZja_rIU
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, acham-se milhares de músicas feitas e gravadas para o Carnaval, incluindo as três citadas neste texto.

QUARESMA

A Quaresma começa hoje. Próximo dia 12 de abril, começa a Páscoa. Esse período é para os católicos repensarem a vida, a partir da tortura, morte e ressurreição de Cristo.

VANDRÉ, EU E CAMÕES

A naturalidade a mim apresentada ontem 25 por Geraldo Vandré leva-me à compartilhar com vocês, meus amigos, minhas amigas a informação que dei sobre a tarefa que desenvolvi adaptando o belíssimo texto Os Lusíadas, de Camões, para Canto e Cordel. São mais de mil versos em cerca de 170 estrofes de sextilhas. Surpreso, ele perguntou: "Você fez isso?". Não só, acrescentei, essa é a única adaptação do mundo desde 450 anos feita por alguém no mundo; E esse alguém, um cego. Prazer. Um trecho, bem pequenininho:

Um dia Júpiter chamou
Seus pares pra conversar
Queria deles saber
Que posição adotar
Sobre certa viagem
de um certo homem no mar

Deuses foram chegando
Decididos a escutar
Decididos a entender
O que Júpiter tinha a falar
Seria sobre a viagem 
Daquele homem no mar?

Ouviu-se um zum, zum, zum
Eram Deuses a murmurar:
Quem seria esse valente 
decidido a enfrentar
Os mau humores do tempo
E as estranhezas do mar?

VANDRÉ AGORA É FOLCLORE

O Grêmio Recreativo Cultural Social Escola de Samba Águia de Ouro insistiu durante 44 anos pra faturar o primeiro campeonato do Carnaval paulistano. Isso aconteceu ontem 25, no final da tarde.
Geraldo Vandré, por sua vez, precisou de menos de dez anos (1964-1968) para firmar-se na história da nossa música e ter sua obra como referência folclórica. Isso não é pouco!
O potiguar Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), o mais ilustre estudioso da nossa cultura popular, dizia ser preciso que se passassem pelo menos 100 anos para que um causo, um conto, uma anedota ou uma música caísse totalmente no gosto popular e fizesse parte do mágico tapete do folclore. Dizia também que, de certo modo, cada um de nós já nasce mestre. Ouça:


Em dezembro de 1978 entrevistei Cascudo em Natal. A entrevista foi publicada no dia 7 de janeiro em 1979 no suplemento Folhetim, do paulistano Folha de S.Paulo. Leia: O VELHO QUE SABE TUDO
Logo após o anúncio que encheu de alegria os integrantes e torcedores da escola samba Águia de Ouro, perguntei a Vandré o que ele tinha a dizer a respeito. "Foi muito bom, mereceu a vitória", ele disse. E disse isso com alegria, com muita alegria, tanto que me surpreendeu sobre maneira. Lembrei-lhe que o enredo (O poder do saber – Se saber é poder… quem sabe faz a hora, não espera  acontecer) não o citam nominalmente. Resposta: "E precisava?".


Conheço Geraldo Vandré há mais de 40 anos e nunca o vi tão de bem com a vida. Feliz, mesmo.
O modo natural de Vandré, fez-me lembrar o cientista e compositor Paulo Vanzolini (1924-2013).
Um dia fim de tarde Vanzo, como os mais próximos chamavam Vanzolini, telefona dizendo que tem uma novidade e que essa novidade ele gostaria de contar pessoalmente. E lá fui eu ao museu de Zoologia da USP para ouvir o amigo, ele era diretor do museu. À vontade, risonho, parecendo criança, ele mostrou-me o dicionário Aurélio aberto na página em que era citado. A citação deveu-se a Volta por Cima, composição gravada originalmente pelo mineiro Noite Lustrada, em 1963.

domingo, 23 de fevereiro de 2020

MORTOS EM CARNAVAL: PIXINGUINHA E ARY BARROSO


O Carnaval é uma das festas mais populares do mundo. Especialmente no Brasil. Às vezes cai no mês de fevereiro, às vezes cai no mês de março. As datas são móveis.
São muitos os compositores que cuidam de criar para os carnavais. Braguinha (1907-2006), por exemplo, gerou muitos clássicos como Chiquita Bacana, Pirolito, Tem Gato na Tuba, Touradas em Madri.
Zé Keti (1921-1999) foi o compositor que assinou a impagável Máscara Negra.
O insuspeito Pixinguinha (1897-1973), que morreu num dia de carnaval (17 de fevereiro) também deixou a sua marca nas festas de Momo.
Quem também morreu num fevereiro de Carnaval, dia 9, foi o mineiro Ubá Ary Barroso (1903-1964). No Acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acham milhares de músicas relacionadas ao Carnaval. A propósito, Chiquinha Gonzaga (Francisca Edwiges Gonzaga; 1847-1935) foi quem inaugurou o ciclo das marchinhas com o Abre Alas. Essa marchinha, um clássico em todos os tempos, só foi receber gravação definitiva em 1971. As irmãs Batistas foram as responsáveis pela façanha. A gravação saiu num disco da série MPB, da Abril Cultural. Ouça:

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

EDUARDO ARAÚJO NO IMB

Da esquerda para a direita: Carlos Sílvio, Eduardo Araújo, Assis Ângelo, Ayrton Mugnaini e Mirianês Zabot

A Jovem Guarda foi um movimento musical e de comportamento ocorrido no período compreendido de 1965 a 1968, em São Paulo. A estréia desse programa ocorreu no Dia Internacional do Folclore: 22 de agosto. Vejam só! E findou três anos depois, no dia 24 de outubro. 
Muitos artistas começaram sua carreira nesse programa, que era apresentado por Roberto, Erasmo e Wandeca. Sucesso impressionante e uma curiosidade: começou por um acaso, após o Governo Militar proibir a transmissão de partidas de futebol ao vivo nas tardes de domingo. 
Pois é, o que fez a ditadura!
Participaram do programa os Vips, Golden Boys, Leno e Lilian, Jerry Adriani, Martinha, Tim Maia e Eduardo Araújo, entre outros.
Araújo, autor de dezenas de composições de sucessos, foi um dos nomes mais marcantes e requisitados pelo público que acompanhava o programa do Roberto, na TV Record.
Até Tim Maia gravou Eduardo Araújo.
Ontem 20, à noite, conversamos longamente com Araújo. O tema girou entorno de sua carreira musical como ídolo do rei do baião, Luiz Gonzaga. Vejam só! Nossa conversa teve a participação da cantora Mirianês Zabot.
A ideia foi juntar diferentes gerações de artistas. De um lado Eduardo e do outro, Mirianês. O primeiro natural de Minas Gerais e a segunda, do Rio Grande do Sul.
Houve muitas surpresas na conversa mantida ontem, ao vivo. Quem não viu ou ouvi, creio que vale a pena acessar o link: Eduardo Araújo e Mirianês Zabot em entrevista a Assis Angelo
Eduardo Araújo falou da sua fuga da casa paterna, porque os familiares não aprovavam o sonho de transformar-se em artista popular. Ora, como um filho de fazendeiro poderia trocar o certo pelo incerto? Disse que chorou algumas vezes, notadamente no dia em que ouviu a si próprio no rádio. Foi  bem no começo dos anos de 1960. Sessenta e um ou sessenta e dois. Quando lançava seu primeiro disco... 
Mirian Zabot também disse que chorou, e muito, quando pegou em mãos seu primeiro CD.
A conversa mantida ontem 20, transmitida ao vivo pelo Facebook, também contou com a participação de Ayrto Mugnaini, jornalista e músico profissional; e Carlos Silvio, radialista apresentador do programa Paiaiá (Conectados), que, aliás, recebe amanhã a cantora bossa-novista Claudette Soares.
Conversar com Eduardo Araújo e Mirianês Zabot é, antes de mais nada, uma alegria enriquecedora. Tudo flui com naturalidade, com brincadeiras, com histórias. E como um papo puxa outro, perguntei à empresária Tânia se é difícil trabalhar com Araújo. Resposta: é fácil, muito fácil. Ele fala pelos cotovelos, diz tudo que todo mundo quer ouvir. As fotos aí são uma amostra.


Tânia Araújo, empresária

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

OLHA O BANANA!


É natural que o povo de qualquer país torça e admire o seu presidente, caso o sistema político desse país seja o Presidencial. E se não for, dá no mesmo. Mas não é bem isso o que ocorre no Brasil.
O presidente eleito em outubro de 2018 parece não ter noção do cargo que há um ano e pouco ocupa.


As pesquisas de opinião registram o sentimento de tristeza, desconforto e incerteza que a população sente com relação ao presidente.
É difícil acreditar, mas é verdade: o presidente gosta de provocar as pessoas, principalmente jornalistas.
Foi não foi os jornalistas sofrem com as provocações do presidente. E sofrem pela violência com que o presidente lhes provoca e agride, geralmente com palavras de baixo calão. E gestos.
Há poucos dias ele dirigiu-se aos jornalistas que o aguardavam à saída do Alvorada com o gesto obsceno, que significa “uma banana”.
Nem vou aqui dizer o que significa esse gesto. No entanto não custa lembrar que o Brasil é o 3° maior exportador de bananas do mundo, atrás apenas da Índia e do Equador.
Existem centenas e centenas de tipos diferentes de banana, além dessa que de tanto gosta o presidente.
O gesto obsceno feito pelo atual ocupante do Alvorada agride não só aos jornalistas a quem ele se direcionou, mas a todos os brasileiros que estão sempre prontos para respeitá-lo e incentivá-lo a seguir pelos melhores caminhos. Não fosse assim poder-se-ia até dizer que um monte de “bananas” elegeu um “banana” para dar “bananas” aos “bananas” que nele acreditaram.
Triste Brasil, porém pior seria se os brasileiros – incluindo artistas – não reconhecessem a importância nutritiva dessa fruta tão deliciosa. A propósito não custa lembrar da bela música que o mestre Braguinha (Carlos Alberto Ferreira Braga; 1907 – 2006) e Alberto Ribeiro (1902 – 71) compuseram para o carnaval de 1938: Yes, nós temos bananas. Essa música, uma marcha, foi gravada por Almirante (Henrique Foréis Domingues; 1908 -80). Ouçam, no original:













quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

PRESIDENTE BOCA SUJA

Desde sempre a democracia é judiada, aqui e alhures. Repórteres sempre comeram o pão que o diabo suja e amassa. Comer sapo, então, já é rotina que nem cansa.
Nos tempos do Geisel o ministro da Justiça, Armando Falcão (1919 – 2010), costumava fugir da Imprensa com o bordão: “Nada a declarar”. O presidente eleito e morto sem assumir, Tancredo Neves, era do tipo mussum, escorregadio que só!
O sucessor de Tancredo, Zé Sarney, gostava de fazer onda com jornalistas e artistas. Assumia o tipo intelectual e meio paizão.
E assim as coisas iam, iam, sem maiores consequências e, apesar de tudo, um certo respeito aos jornalistas. O que não se vê no Governo atual.
A coisa tá feia.
Quase todo dia os jornais noticiam um ato de censura no País. Já chega a uns duzentos casos.
Tão grave quanto censurar livros em livrarias e bienais, exposições de fotos ou pintura é a agressão até aqui verbal que o atual presidente da República vêm cometendo. O último caso me arrepiou. Até agora estou sem palavras, triste, envergonhado por ouvir o Presidente dizer com ironia e desprezo que uma repórter da Folha... Não, recuso-me a dizer o que o Sr. presidente disse. Um horror!
De boca fechada o Presidente deixaria o ar menos poluído.


A coisa ta feia, sem falar que mais de onze milhões de brasileiros e brasileiras continuam desempregados.

SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE

Pra relaxar, nestes tempos pra lá de bicudos, sugiro que as pessoas que aqui me acompanham ouçam. Clicando:




terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

PATTÁPIO E PIXINGUINHA, MESTRES DA MÚSICA



Pattápio Silva e Pixinguinha foram dois dos maiores flautistas que o Brasil já teve. O primeiro, carioca como o segundo, nasceu no dia 22 de outubro de 1880. Deixou gravadas para a posteridade pouco mais de uma dúzia de composições suas e de outros autores.
Pixinguinha, de batismo Alfredo da Rocha Vianna Filho, veio ao mundo no dia 23 de abril de 1897. Começou a gravar com 14 anos de idade e a compor, com 11, aos 15 já integrava a Orquestra do Teatro Rio Branco, no Rio de Janeiro. Deixou centenas e centenas de composições. São dele clássicos como Carinhoso, Rosa e Sofres Porque Queres.
Pattápio morreu em Florianópolis, no dia 24 de abril de 1907. Foi-se tão novo quanto Noel Rosa (1910-1937) e Casimiro de Abreu (1849-1860).
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acham todas as gravações de Pattápio e Pixinguinha.



domingo, 16 de fevereiro de 2020

CARNAVAL E BLOCO BAIXO AUGUSTA, SP

Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta desce a rua da Consolação até a praça da República
O carnaval é a maior festa pagã do Brasil, do mundo.
No Brasil, as alegrias do Carnaval se multiplicam e se expandem aos quatro cantos. Com crise e sem crise.
Números indicam que há mais de 11 mil desempregados no País. Mas isso não impede que os festejos carnavalescos ganhem adeptos a cada ano.
Ouço no rádio notícia dando conta de que o maior carnaval do país ocorre na capital paulista, e não na capital fluminense.
No Rio há centenas de blocos incluindo o mais velho deles, o Bola Preta.
O mais antigo bloco carnavalesco do Brasil se acha em terra mineiras: O Zé Pereira dos Lacaios, de 1867.
A prefeitura paulistana anunciou o cadastramento de quase 700 blocos prontos pra desfilar neste 2020. O maior deles, Acadêmicos do Baixo Augusta, tem público estimado na casa do milhão.
O Baixo Augusta acaba de sair da confluência da avenida Paulista com a rua da Consolação. Uma batucada dos diabos. Samba dos bons, predominando os textos de Gonzaguinha (1945-91). Em altíssimo som, foliões e outros adeptos do reino Momo saíram cantando Explode Coração e O Que é? O Que é?
Antes e durante o desfile foram ouvidos xingamentos ao atual presidente da República, correspondidos pelo povo que acompanha o bloco. Ouça:

Neste momento estão desfilando no Baixo Augusta o ator Julinho Andrade, que viveu Gonzaguinha no cinema (Gonzaga de Pai pra Filho; 2012), a musa do samba Elza Soares, Fafá de Belém, Simoninha, Mariana Aydar.
Desaparecido num acidente de carro, há 29 anos Gonzaguinha continua sendo bandeira dos movimentos de esquerda no Brasil. Suas músicas foram e continuam sendo gravadas por grandes interpretes como Claudette Soares (a primeira a gravá-lo, em 1969), Elis Regina, Maria Bethânia, Simone, Zizi Possi, Elza Soares e Mirianês Zabot. A propósito, essas duas últimas cantoras gravaram Comportamento Geral. Ouça Mirianês no seu último CD:

A rainha do bloco, Alessandra Negrini, chamou a atenção pela categoria como portou-se no desfile.
O Baixo Augusta, que existe há mais de uma década, fez este ano do escritor Marcelo Rubens Paiva o seu porta-estandarte. Ponto para o bloco. Paiva representou as pessoas portadoras de deficiência física. Que história!
O paraibano Rômulo Nóbrega, biógrafo do compositor Rosil Cavalcanti veio da sua terra especialmente para almoçar comigo do Bar das Putas e acompanhar o desfile do Acadêmicos do Baixo Augusta (foto abaixo).



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

QUEM SE LEMBRA DO PROGRAMA SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE


São Paulo Capital Nordeste foi um programa que permaneceu no ar durante quase sete anos, ininterruptamente. Por este programa passaram centenas e centenas de artistas da música popular, jornalistas, poetas e romancistas, atores, atrizes, enfim... Boa parte do Brasil passou por esse programa.
Muitas histórias foram contadas ao vivo pelas pessoas que entrevistei.
Éramos líderes de audiência.
Quem não se lembra do programa São Paulo capital Nordeste por mim apresentado nas noites de sábado na rádio Capital AM 1040?
Pra lembrar, clique:


Para ler a matéria abaixo com mais definição, basta clicar na imagem:

GATO COM FOME PREPARA NOVO CD

Cadu passou há pouco pela sede eternamente provisória Instituto Memória Brasil. Aí na foto ele e eu

Mundialmente o Brasil é conhecido e reconhecido como o país da mulata, do samba e futebol.
Não são poucos os grandes compositores e intérpretes nascidos cá na terra Brasilis.
No Brasil, sambista dá que nem água. E sempre novos talentos estão a surgir.
O grupo Gato com Fome, paulistaníssimo, é exemplo de grande talento.
Batizado por Osvaldinho da Cuíca, o Gato com Fome surgiu há cerca de uma década. Tem dois CDs e o terceiro está chegando, com texto que deverei assinar. Antes uma pequena amostra do novo disco do grupo:




quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

CORAÇÃO EM FESTA


O Brasil é cheio de gente boa, de gente decente, trabalhadora; de gente que sonha, de gente que quer um brasil melhor.
Diariamente recebo pessoas incríveis, aqui na sede eternamente provisória do Instituto Memória Brasil.
Meu amigo, minha amiga, você já ouviu falar sobre o Instituto Memória Brasil. Acesse:
Pois bem, o Brasil é cheio de gente boa.
Lembro-me como se fosse hoje mestre Câmara Cascudo a mim dizendo que “O melhor do Brasil é o brasileiro”.
A tarde de ontem foi uma tarde muito bonita, que contou com a presença dos amigos João Cícero, que durante muitos anos foi empresário de Dominguinhos; Rilavia, criadora do troféu Gonzagão http://assisangelo.blogspot.com/2013/05/trofeu-gonzagao-trofeu-de-respeito.html; e Ayrton Mugnaini, jornalista dos bons e músico idem.
Meu coração ficou em festa, ontem.
Na foto/montagem acima, registro do encontro. Até declamei.



HINO AO CEU. VIVA DOMINGUINHOS!


Ontem 12 foi dia de anos novos para Osvaldinho da Cuíca e Martinho da Vila. O primeiro, oitenta; o segundo, oitenta e dois. 
Conheci Osvaldinho num ano qualquer do século passado. Martinho eu conheci antes. Lembro disso, porque, na ocasião, eu era repórter das Folhas, ali na Barão de Limeira.
Osvaldinho e Martinho participaram várias vezes dos programas que apresentei, um deles na rádio Capital: São Paulo Capital Nordeste. Marcou época. Quem não lembra? 
Ontem também foi dia de aniversário de José Domingos de Moraes, nacional e internacionalmente conhecido como Dominguinhos.
Não recordo o ano, mas Dominguinhos gravou uma música minha que fiz com Gereba, o bom baiano. Título: Hino ao CEU. Cliquem:


Pra saber mais sobre o grande sanfoneiro Dominguinhos, que estaria completando hoje 79 anos de idade, acesse:


http://assisangelo.blogspot.com/2013/07/dominguinhos-nao-morreu.html
http://assisangelo.blogspot.com/2013/07/dominguinhos-era-uma-festa.html

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

MARTHA É NOME DE ARTE

Na casa dos "enta", ela mostra a grandeza que tem no traço e na pinta que saem do seu coração. 

É desenhista, ilustradora, pintora. 

O que sai da imaginação de Martha Maria Zimbarg é o que precisamos ver. Vendo, é possível nos enxergarmos.

Nos seus quadros se acham a natureza e a realeza da natureza. Mais do que isso: a alma da natureza.

Martha em cores canta a vida, no traço p&b e em cores.

Eu tive a alegria de conhecer Martha Maria Zimbarg através do amigo Ayrton Mugnaini Jr.

Ayrton é o homem que brilha pela luz que sai dos traços de Martha.

A arte salva.

Martha Maria Zimbarg é um nome conhecido no meio das artes plásticas.

Por mero charme, Martha resume seu nome e história pelas iniciais MZ. E como não sou exclusivista, artisticamente falando, passo a vocês os contatos: mzimbarg@hotmail.com e 5511992722430.

OSVALDINHO DA CUÍCA, 80




Artífice de uma carreira longa e brilhante, o instrumentista, compositor e intérprete paulistano Osvaldo Barro, na cena musical desde os fins dos anos de 1950, popularizou a cuíca no País como Waldyr Azevedo fez com o cavaquinho e Luiz Gonzaga, com a sanfona. Só por essa façanha Osvaldinho já mereceria uma estátua e o direito de aboletar-se à fama e ficar se balançando numa rede sob os aplausos do mundo, que ele tão bem conhece. Mas, não, Osvaldinho é um cara inquieto e quer mais; quer fazer mais, e faz.

Osvaldinho da Cuíca, como nacional e internacionalmente é conhecido, nasceu no dia 12 de fevereiro de 1940. A seu respeito já escrevi muita coisa. Merece. Cliquem:


Martinho da Vila está dois anos a mais de Osvaldinho da Cuíca. Hoje, Martinho completa 82 anos de idade. No correr desse tempo, ele serviu ao Exército e teve oito filhos que lhe presentearam com dez netos. Martinho, por gostar de ler e escrever, escreveu e publicou vários livros sobre música e brasilidade. Martinho eu o conheci há uns 40 anos, bebericando num bar de esquina. Eu, ele e Mussum. Escrevi muito sobre Martinho, que e o fiz participar do programa São Paulo, Capital Nordeste, que apresentei na Rádio Capital AM 1040 durante mais de seis anos. Viva Martinho!

Martinho gravou dezenas de LPs, e continua gravando CDs. 

No tempo dos LPs, Martinho começou a ganhar o Brasil com o samba "O Pequeno Burguês". Esse samba fala da luta eterna dos brasileiros e brasileiras que não desistem nunca, como dizia Luís da Câmara Cascudo, de viver a vida com a sua grandeza.

"O Pequeno Burguês", agora, vai para um representante dos jovens que lutam pelo Brasil: Ivo Tonso Mugnaini, que no próximo sábado 15 completa 18 anos de vida. Pra ele segue homenagem:


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