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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

OPA! DITADURA NÃO


A mais recente edição da revista Piauí traz reportagem especial narrando bastidores de tensas reuniões realizadas na manhã de 22 de maio passado, no gabinete do manda-chuva do Planalto. 
Nessas reuniões, uma delas iniciadas as nove horas, o presidente tava com o Capeta.
A revista conta que Bolsonaro estava apoplético, gritando e soltando palavrões contra Deus e o mundo. Estava especialmente irritado com os ministros Alexandre de Moraes, e Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal (STF).
Dias antes, Moraes havia decidido suspender a posse do delegado Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal, e De Mello, por deixar-se entender que recolheria o celular de Bolsonaro. 
Esses dois fatos desencadearam no Presidente a vontade bubônica de mandar o exército botar pra correr os ministros e fechar o STF. Mas essa vontade foi afastada com um balde d'água fria atirado pelo general Heleno, que disse: "Não é o momento para isso". 
Desde que foi eleito, o presidente Bolsonaro ensaia momentos para se eternizar no poder como ditador. Ele alimenta essa vontade, louca, até hoje. 
Todo mundo sabe, e se não sabe deveria saber, que Bolsonaro capitão praticou infrações graves contra o Exército. Por isso foi julgado pelo Tribunal Militar e mandado de volta pra casa, reformado. 
Lugar de ex-militar é em casa, cuidando da mulher, filhos e comendo pipoca. 
Lugar de militar, na ativa, é defendendo a pátria contra a violência de nações estrangeiras e não atuando na política como se civis fossem. 
Quer dizer: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. 
Existem mais de 2500 militares da ativa e reformados ocupando os mais significativos postos do Governo. 
É como se o Brasil vivesse numa democracia militar, mas isso não existe: pão, pão, queijo, queijo.
O mundo todo está de olho no Brasil, nos gestos de Bolsonaro. 
Ou Bolsonaro está louco ou fazendo o Brasil de bobo. Isso não pode estar certo. 
Por que tanto Bolsonaro insiste a por o Brasil em perigo, com seu desejo transformar-se em ditador?

O bicho é muito louco
É xarope é xaropeta
Quer de volta a ditadura
Com tiro e baioneta
Quer de novo pegar gente
Esse filho do Capeta

Só não vê quem não quer ver
Há plano em andamento
Plano maquiavélico
A ver com fechamento
O Brasil tá em perigo
Agora, neste momento!

...

Seu sonho de consumo
Atenção, muita atenção!
É pôr tranca no Congresso
É dar força à repressão
Ou é mandar pra o xilindró
Quem lhe faz oposição?

Ele marcha para trás
Comandando pelotão
Incitando seus cavalos
Contra a paz e união
É um zero à esquerda
À direita é Cramunhão
Ele veio do Inferno
Pra confundir a Nação
Apronta a toda hora
Deus do céu, ele é o Cão!
Ele não gosta da vida
Ódio é sua paixão

 ...

É contra a liberdade
E a favor da repressão
Muita gente ele matou
De raiva, humilhação
É soldado do Capeta
Do Inferno, guardião

É grande filho da morte
É grande filho do Cão
Carrega na sua mente
O mal, a dor, a danação
O que lhe falta fazer
Pôr o Brasil na prisão? 

Capetas batem palmas
Pra seu chefe Cramunhão
Que anda muito excitado
Cuspindo fogo no chão
O motivo disso tudo
É Presidente sem noção

Pra ler o texto completo de Serpente Quer por Ovo / No Coração do Brasil, é só clicar: https://institutomemoriabrasil.com.br/pagina/1522493/serpente-quer-por-ovo-no-brasil/


terça-feira, 11 de agosto de 2020

PESQUISAS ENDOSSAM ENTREVISTAS DE CORDEL


Pesquisas recentes indicam que o novo Coronavírus contamina e mata, através da Covid-19, mais pretos e pobres do que brancos e ricos.
Em abril último, publiquei o cordel Repórter Entrevista Piolho do Cramunhão.
Nesse folheto, folheto de cordel, o personagem narrador escuta do entrevistado, personagem central, que o novo Coronavírus veio ao mundo para pegar branco, preto, rico, pobre, doutor, intelectual, gordo, magro e até jogador de futebol.
O futebol, a propósito, está de volta aos campos contagiando atletas e, assim, contribuindo para maior incidência da doença.
No último domingo, por exemplo, foi constatado que no time do goiás haviam 10 jogadores contaminados.
O goiás, que enfrentaria o são paulo, teve sua presença suspensa quatro minutos antes do início da partida, por decisão da Justiça.
A UNIFESP cruzou dados da pesquisa Origem-Destino, realizada a cada 10 anos pelo Metrô, e concluiu que o maldito vírus pega todo mundo, incluindo autônomos e donas de casa.
Outra pesquisa, da FAU-USP, segue por esse mesmo caminho. A conclusão é que pobres se lascam mais do que ricos, nessa história toda.
Em determinado momento da narrativa exposta no cordel Repórter Entrevista Piolho do Cramunhão, lê-se:

... Perguntado se tem pai
Se tem mãe, se tem parente
O Piolho invocado
Respondeu indiferente:
Isso não interessa
O meu caso é papá gente

Pego homem, pego mulher
Pego preto, pego branco
Eu não faço distinção
Sou desse jeito: franco!
Mas de mim poucos escapam
Sou pior do que um cranco

No inferno tem lugar
Pra todo tipo de gente
Alto, baixo, gordo, magro
Feio, burro e crente
Não tenho preconceito
Sequer contra parente

Sou vírus democrático
Mato macaco, leão
Tigre, burro e pato
Fácil, fácil gavião
Pra pegar um cabra besta
Basta ir na contra mão

Dizem que só pego velhos
Mas jovens pego também
São esses os mais fáceis
Pela burrice que têm
Não aceitam ordenamento
E só fazem o que convém

Pego gente sabida
Doutor, intelectual
Pintor, cantor, jogador
Nessa onda mundial
Jamais vão me esquecer
Não é sensacional?...


CBN: JORNALISMO EM TEMPO REAL

O jornalista João do Rio, principal idealizador da reportagem, nasceu num agosto. Esse João foi, de fato, incrível. Foi um cara de visão. Confira: https://assisangelo.blogspot.com/2020/06/o-jornalista-joao-do-rio-uma-marca.html
Luiz Gonzaga não era jornalista, mas tinha uma visão de Brasil muito completa. 
Gonzaga morreu em 1989, 100 anos antes nascia no município de Bragança Paulista, SP, o advogado e jornalista Cásper Líbero. 
Como jornalista e empresário do ramo, Líbero antecedeu o pioneirismo do paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, o Chatô (1892 -1968). 
Cásper Líbero formou-se em direito pela faculdade do Largo de São Francisco, SP, quando tinha 19 anos de idade. 
Lembrei-me desses personagens ao ouvir hoje cedo os apresentadores Milton Young e Cassia Godoy entrevistando o ex-presidente da República Michel Temer. 
Após breve introdução, Young indagou do entrevistado sobre a viagem que fará amanhã 12 à Beirute, como representante oficial do Governo brasileiro. Resposta dada, a pergunta seguinte questionava Temer sobre as ações que há contra ele no STF. Questão delicada, e tudo ao vivo, na CBN. Sem se fazer de rogado, mas sentindo a força da pergunta, Temer disse o que tinha de dizer após sutil alfinetada no autor da pergunta. 
Também com classe e inteligência, Cassia fez perguntas pertinentes e o entrevistado também respondeu o que tinha de responder, com clareza e educação. Gostei.
Entrevistas como a que escutei hoje, valorizam a profissão, os profissionais e o rádio. 
Dá gosto ouvir a CBN.
Gosto também do jornalismo da Bandeirantes. 
O jornalismo da Jovem Pan, grosso modo, fica a desejar. 
Nada não, mas ouvir o tempo todo jornalistas defendendo o bolsonarismo cansa.
Tudo tem dois lados, não é mesmo?
Isso, aliás, faz-me lembrar um caso "estrelado" por Chatô. 
Diz a lenda que um certo repórter foi queixar-se ao criador dos diários associados que uma de suas matérias havia sido publicada diferentemente do que escrevera. Chatô, então, teria respondido: "Meu filho, quer publicar tudo que escreve, crie um jornal pra você".
João do Rio impôs-se no jornalismo pela visão clara que tinha dos fatos. 
Cásper Líbero entrou para a história pela visão que tinha do jornalismo. Não à toa, já era profissional respeitado em 1918. Nesse ano ele empregou o dinheiro que tinha na compra do título do Jornal, A Gazeta. Depois da Gazeta, ele criou a Gazeta Esportiva, a rádio Gazeta, a TV Gazeta e a fundação que leva o seu nome.
Sempre é tempo de lembrar Cásper Líbero, morto em um acidente de avião no dia 27 de agosto de 1943, no Rio. 
No mais, é como eu disse no começo deste texto: Luiz Gonzaga não era jornalista, mas construiu uma obra como se jornalista fosse. Explico melhor: um profissional sem curiosidade é como vaqueiro sem boiada pra tanger.
Ouça a íntegra da entrevista do ex-presidente Temer à rádio CBN: https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/311405/nao-dou-conselho-para-ninguem-quando-me-pedem-palp.htm



 

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

CASCUDO PEGA A ESPANHOLA (FINAL)


No baião Paraíba, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, é dito que a Paraíba é uma terra pequenina. Nem tanto. A Paraíba é grande sim, senhor.
No ranking dos nove estados nordestinos, territorialmente falando, o território paraibano é o quarto entre os menores: Sergipe, SE; Alagoas, AL e Rio Grande do Norte, RN.
Mas não sobre a Paraíba que agora quero falar.
A extensão territorial do Rio Grande do Norte é de 52.811,047 km², tem 167 municípios e cerca de 3,5 milhões de habitantes. Ao sul faz limite com a Paraíba e a oeste, com ceará.
Brincando, brincando, cabem na terra de Luís da Câmara Cascudo oito Brasílias, com espaço sobrando pra quem quiser se divertir, bater continência pro Presidente Cloroquina ou, até mesmo, meter a mão no bolso do povo, isto é, no erário público.
Nestes tempos pandêmicos, tenho lembrado a assassina gripe que atacou o Brasil nos fins do segundo semestre de 1918. Muita gente morreu em todo canto, inclusive na terra de Luís da Câmara Cascudo.
A própria peste pegou cascudo, mas pelo jeito não lhe deixou sequelas. Tanto que a respeito disso ele não faz nenhuma referência em quaisquer de seus livros.
A notícia de que Câmara Cascudo pegou a gripe espanhola se acha numa nota discreta publicada no mais antigo jornal do país e da América do Sul, O Diário de Pernambuco.
Naquele tempo, de muitas doenças e poucas curas, a população foi explorada pelo comércio clandestino que anunciava remédios milagrosos, como o sais de quinino, tônicos diversos, e chás caseiros, entre outros.
Juntando isso tudo daria, talvez, um bom frasco de cloroquina para Bolsonaro beber.
Em São Paulo, os remédio milagrosos se multiplicaram.
Usaram até mel de abelha com limão e cachaça para curar a Espanhola. Vem daí, aliás, a invenção da nossa gostosíssima caipirinha.
Pois é.
Particularmente não conheço nenhuma música feita para lembrar, no Brasil, a gripe espanhola. Nos estados unidos, porém, o cantor e compositor Willie Johnson deixou sua impressão na música Jesus is Coming Soon.
A pandemia que ora assusta o mundo todo, continua crescendo na grande maioria dos municípios da região Potiguá. Natal, capital do RN, é um dos mais atingidos.
Enquanto isso, em Brasília, o Presidente Cloroquina tira onda da pandemia.

"A MARCHA DOS MORTOS"



A literatura de cordel é literatura para todos, incluindo letrados e não letrados.
Esse tipo de literatura é pu-ra-men-te pupular, mas apreciada, também, por eruditos de todos os tipos. Incluindo músicos e teatrólogos.
Há folhetos de todos os tipos. Incluindo os de ocasião, feitos nos calor do momento em que os fatos ocorrem. Eu mesmo escrevi quatro folhetos nessa linha (reprodução das capas acima).
Esse tipo de literatura chegou ao Brasil logo depois da família real, à frente dom João VI.
Um dos primeiros folhetos a cair nas mãos de brasileiros foi a Donzela Theodora, obra prima do gênero.
A primeira adaptação da Donzela foi feita pelo teatrólogo, poeta e jornalista Arthur de Azevedo. A respeito, leia mais: https://assisangelo.blogspot.com/2017/04/e-viva-sabedoria.html
Houve um tempo em que qualquer grande tema que ocupasse a atenção das pessoas virava, imediatamente, folheto.
Não sei, nesta maquininha doida chama internet deve haver muitos exemplos do que ora digo.
O cordelista era chamado comumente de repórter, por trasportar e adaptar fatos à modalidade poética "cordelística".
O jornalista desempenha uma função fundamental na sociedade.
Há poucos dias, o presidente norte americano irritou-se com a pergunta de uma repórter que o contestava com dados às mãos. Incapaz de enfrentar a profissional, o presidente virou as costas e foi embora.
O tal presidente, Trump, tem ganhado notoriedade por xingar jornalistas. O mesmo faz a sua cópia mal amanhada, Bolsonaro.
O presidente Bolsonaro acaba de voltar suas armas contra a imprensa brasileira.
Para Bolsonaro, os jornalistas provocam pânico e dão informações erradas ao povo.

Diante da pandemia  
O Presidente debochou 
Dizendo ser gripezinha  
Sim, foi isso o que falou  
Que diachos há com ele  
Perdeu a sela, endoidou? 

Seu sonho de consumo  
Atenção, muita atenção! 
É pôr tranca no Congresso  
É dar força à repressão  
Ou é mandar pra o xilindró  
Quem lhe faz oposição? 

Ele marcha para trás 
Comandando pelotão 
Incitando seus cavalos 
Contra a paz e união 
É um zero à esquerda 
À direita é Cramunhão 

Pena tudo, penam todos  
Penam jovens jornalistas  
Que quando podem perguntam 
Sobre nazi-fascistas  
Irritado Presidente 
Diz ser todos comunistas 
...

Clique: https://institutomemoriabrasil.com.br/pagina/1471804/reporter-entrevista-piolho-do-cramunhao/
Mas Bolsonaro é um mentiroso contumaz, provocador. À propósito, recomendo a leitura do belíssimo e histórico texto da jornalista Eliane Brum: https://brasil.elpais.com/brasil/2020-08-07/a-marcha-dos-mortos.html


domingo, 9 de agosto de 2020

ÍNDIOS VIVEM À MÍNGUA

Até o ano de 2050, o mundo pode alcançar o número de 9,5 bilhões de habitantes.
Atualmente, a população brasileira é da ordem de 210 milhões de habitantes.
Desses, 900 mil são de etnias indígenas, ocupando 1,7 milhão de km².
São cerca de 300 etnias espalhadas no Brasil, falando mais de 200 línguas.
No Brasil de 1500 havia 2,5 ou 3 milhões de índios. O territória brasileiro tem de extensão mais 8,5 milhões  de Km². Não é lá grande coisa a quantidade de Índios no mundo.
Os EUA acabaram com todos os seus índios. O grande responsável por esse extermínio foi o general Custer (1839-1876), que teria dito: "índio bom é índio morto".
Pois é, esse cara viveu pouco e matou muito.
O sonho do presidente é acabar com nosso índios.
Os madeireiros, incendiários assassinos; e os mineradores são o pau pra toda obra. Juntos, uma espécie de Custer.
Hoje é o Dia Internacional dos Povos Indígenas, criado em 1999.


ÍNDIOS PAYAYÁS

O mês de agosto começou no programa Em Quarentena com a professora Jamille Costa Lima Payayá falando sobre os Índios Payayás. Esses índios ainda sobrevivem a oeste da Bahia, numa localidade denominada Cabeceira do Rio Utinga. Essa Etnia deu nome a um distrito, Paiaiá.
Ainda existe índios em todo País, menos no Piauí e Rio Grande do Norte.
Nossos indígenas sobrevivem a duras penas, com grileiros e tudo que não presta de todos os lados. Vale a pena ver e ouvir o que a professora Jamille disse ao titular do programa Em Quarentena, Carlos Sílvio.
Assistam:

BRASIL: MORTOS SEM ATENÇÃO!

Bares, lojas e praias estão cheios de cabeças ocas, vazias, desafiando ingênuas ou propositadamente o vírus que se transforma em Covid-19 matando gente mundo a fora.
Já são quase 20 milhões de pessoas contaminadas pelo Novo Coronavírus.
Já são quase 800 mil o número de mortes pela Covid-19. Só nos EUA, mais de 160 mil pessoas foram ao túmulo.
O Brasil registrou ontem o triste número de 100 mil mortes por essa nova doença.
Já passa, no Brasil, de 3 milhões o número de contaminados pelo Novo Coronavírus.
Hoje domingo 9 era, segundos especialistas e matemáticos, para o Brasil está registrando "apenas" 25 mil mortos e não 100 mil.
Mas isso se o Brasil tivesse um presidente preocupado com o futuro do país e do seu povo. Não é o caso, infelizmente.
O presidente Cloroquina sequer dignou-se a enviar pelas redes uma mensagem de conforto a quem perdeu entes queridos. Pelo contrário, ele preferiu ir à Internet parabenizar o Palmeiras pelo título de Campeão Paulista conquistado ontem 8.
Pois é, é isso que temos para o momento.

https://institutomemoriabrasil.com.br/pagina/1522493/serpente-quer-por-ovo-no-brasil/

JORNAL NACIONAL



O titular deste blog faz dele o oportuno e necessário editorial do Jornal Nacional, edição 08/08/2020



sábado, 8 de agosto de 2020

COVID-19 MATA 100 MIL, NO BRASIL



O novo coronavírus, de procedência asiática, está correndo o mundo e matando muita gente.
Novo coronavírus também atende pelo nome de Covid-19.
Covid é sigla: co (corona), vi (vírus) e o d nada mais é do que doença. E o 19 significa o ano em que essa peste surgiu.
A primeira morte provocada pela Covid-19 ocorreu em São Paulo, no dia 11 março. De lá pra cá morreram pessoas de todas as profissões, incluindo músicos, médicos, enfermeiros, pedreiros, pintores e jornalistas, como José Paulo de Andrade.
Não dá pra esquecer do ator e humorista Daniel Azulay e de Aldir Blanc.
A partir do momento que esse mal chegou ao Brasil, escrevi e publiquei quatro folhetos de cordel. Um deles, Jornalismo e Liberdade/ nos Tempos de Pandemia, foi publicado no newsletter Jornalistas e Cia do dia 1 de junho, e mereceu atenção especial da jornalista e professora Cremilda Medina, responsável pelo programa de pós graduação da Universidade de São Paulo, USP. Leia:

Não poderia encerrar esta leitura cultural sem referir o fecho em verso que Assis Ângelo escreveu para a edição especial de Jornalistas&Cia. Não há companhia mais oportuna do que a produção poética de raiz brasileira, o cordel, para espelhar o imaginário coletivo. Junto com arte de tecer o presente na reportagem, o gesto da arte amplia a sensibilidade perante o Real. Assis Ângelo expande os ecos dos 129 jornalistas ao lhes dedicar um selo histórico:

Faz-se importante dizer
Que num mundo sem imprensa
Seria difícil viver
Difícil também seria
Crer no homem como um ser

Ao longo dos versos, o autor vai rimando tempos míticos com o tempo da pandemia e o leitor navega da transcendência cultural às amargas circunstâncias da Covid-19. Mas o pano de fundo do jornalismo não sai de cartaz, insistindo no ato de reportar que, por altruísmo, supera o ódio e o radicalismo. Neste capítulo, o cordelista ataca de frente episódios do governo Jair Bolsonaro. Um diagnóstico cru: “Que bicho tem na cabeça?/ Um vírus doido, sem cura”.
Após a catilinária de opinião política, o cordel de Assis Ângelo volta à elegia de profissionais, daqueles que fazem a história do jornalismo brasileiro. E numa justa homenagem dedica a palavra rimada àqueles que fazem parte desta edição especial de junho de 2020:

Estes tempos terríveis
De horror de pandemia
De luta contra a morte
De dor, de agonia
Aqueles que podem leiam
Jornalistas&Companhia

...

Os folhetos que escrevi e publiquei sobre a pandemia provocada pela Covid-19 se acham personagens como o Demônio e Bolsonaro, chamado de Presidente Cloroquina, que tem se transformado no pior governante a enfrentar essa grande crise sanitária. Esses folhetos se acham na página do Instituto Memória Brasil (IMB). Clique: https://institutomemoriabrasil.com.br/

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

CASCUDO PEGA A ESPANHOLA (5)

O mês de agosto é o mês do folclore.
No dia 22 de agosto de 1846 o cidadão John Thoms (1805-1846) teve publicada uma carta no jornal ou revista, não sei bem, de nome Athenaeum. Nessa publicação, Thoms criou a palavra folk lore.
Folk, povo.
Lore, ciência.
Aí estava criada a palavra folclore.
Folclore é cultura popular, grosso modo traduzindo do original.
Câmara Cascudo detestava essa palavra. “Não me acho folclorista, não sei bem o que é isso; eu sou historiador”.
Cascudo deixou publicados cerca de 150 livros, 39 dos quais tratando exclusivamente de folclore.
O dia 22 de agosto é considerado o Dia Internacional do Folclore.
Cascudo nasceu num município de natal, RN.
Natal tem, hoje, pouco mais de 800mil habitantes.
Mestre cascudo é o brasileiro mais querido do Rio Grande do Norte.
O rio grande do norte tem uma população de pouco mais de 13 milhões de habitantes.
Juntando tudo isso, Luís da Câmara Cascudo (1897-1986), é a somatória do Brasil.
Folclore é cultura popular.
Cultura popular é cidadania.
Os mais observadores poderão perguntar: o que é que isso tem a ver com a gripe espanhola?
A primeira e única vez que o nome de mestre cascudo aparece como portador da espanhola foi numa notinha perdida no jornal Diário de Pernambuco, o mais antigo em circulação na América do Sul.
Desde 1918 até os dias atuais, o País passou por 3 ou 4 pandemias.
A Covid-19 tem atrapalhado o Brasil e, naturalmente, natal e o estado do rio grande do norte.
Luís da Câmara Cascudo dedicou a vida estudando o comportamento do povo. Ouça o que ele diz aí quando lhe peço uma definição sobre cultura popular. Clique:


VICTOR SIMÓN NA CHINA DE MAO TSÉ-TUNG


Victor Simón nasceu em 1º de agosto de 1936, em Macaé (RJ). Estudou, mas cedo abandonou os estudos, que nem o paulista Adoniran Barbosa. E ganhou o mundo com a sua música. Uma delas, Bom Dia Café, chegou ao ouvido do líder chinês Mao Tsé-Tung (1893-1976).
Pois é, nestes tempos bicudos de novo coronavírus vindo da China não custa lembrar que um brasileiro andou por lá, pela terra dos velhos imperadores da Ásia mais antiga.
Victor acompanhou os primeiros momentos da Revolução Cultural chinesa promovida pelo já citado Mao, em 1966. E pra provar isso ele um dia me deu um monte de recortes de jornais chineses noticiando sua presença por lá.
Simples: ele me disse que foi convidado pra se apresentar por lá. Eu tinha boas conversas com Victor, que morreu em 2005. Morreu pobre, abandonado, sem tostão no bolso. Como pude, estive junto dele até o fim.
Algumas de suas músicas ganharam versões estrangeiras, como O Vagabundo, dos anos de 1930. Ouça-a: https://youtu.be/Znwa5fgbvqI
Victor morreu sonhando que um dia voltaria a fazer sucesso como antigamente. Não deu.
Tão importante como Victor foi Adoniran.
Adoniran nasceu nem 6 de agosto de 1910 e morreu em 23 de novembro de 1982.
Victor andou frequentando o programa São Paulo Capital Nordeste, que apresentei há mais de seis anos pela Rádio Capital, AM 1040.
Adoniran não participou do meu programa na Capital, mas tomamos um uísque aqui outro acolá, nos bares paulistanos.
Viva Victor Simón!
Viva Adoniran Barbosa!
Saiba mais:
Quer mais sobre Adoniran? Leia o livro Pascalingundum.
As obras de Victor e Adoniran estão no acervo do Instituto Memória Brasil (IMB).

BRASIL DE MUITOS POVOS (1)

As guerras, as explosões no oriente médio, por exemplo, levam-me a concluir o seguinte: o Brasil é um país do tamanho do mundo.
São 26 estados mais o Distrito Federal, Brasília.
Juntando tudo dá quase nove milhões de quilômetros quadrados.
Essa beleza toda está dividida em cinco regiões: Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que já somos mais de 200 milhões de seres especiais habitando tão bela terra.
O Nordeste, região da qual sou oriundo, tem para apresentar ao mundo nove Estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Os portugueses primeiro chegaram à Bahia, e de Salvador, fizeram a capital do País.
Todos tem uma história incrível.
Meu amigo, minha amiga, você sabe a origem da palavra que dá nome à capital pernambucana? 
"Arrecife" vêm do árabe ar-rasîf.
Arrecife, na nossa língua, são rochedos existentes sob as águas do mar. Mais ou menos isso. 
De arrecife para Recife, foi um passo.
E Pernambuco, hein?
Anote aí: "mparanã mbuka". Óbvio, não?!
Ah, sim: isso na Língua Geral, o tupi que o Marquês de Pombal (1699 -1782) achou de acabar, numa canetada só. 
Andei falando sobre árabes, sobre a presença árabe no nosso País.
À propósito, o estudioso da cultura popular, Luís da Câmara Cascudo, escreveu e publicou um livro muito legal. Interessantíssimo, intitulado Mouros, Franceses e Judeus (1984).
Nesse livro Cascudo fala dos mouros na Espanha e Portugal, especialmente na Península Ibérica.
Nessa península, os mouros permaneceram mais de 700 anos. Eram fortes, decididos, pau pra toda obra. Sobre eles há referências em quase todo o mundo.
Você já ouviu a expressão "Fulano trabalha que nem um mouro"?
Pois, é.
Os franceses também tiveram forte presença no Brasil. Saíram corridos pelos índios e portugueses, é bem verdade.
Quanto aos judeus...
Os judeus de pernambuco, como não tinham muito o que fazer, pegaram uma canoa e foram fundar Nova York.
O Rio Grande do Norte é um dos estados mais bonitos do País. E a sua capital, Natal, parece um reino encantado. Aliás, é lá que se acha o Forte dos Reis Magos.
Em julho de 1939 o francês Antoine de Saint-Exupéry esteve por lá e se encantou com a árvore baobá, de origem africana. Essa árvore está no seu livro fantástico, O Pequeno Príncipe.
O mundo está no Brasil, o mundo é o Brasil.
Pra registro: um dia mestre Cascudo levou-me à janela de sua casa e apontando em direção ao mar, disse, que se fossemos em linha reta, chegaríamos à Africa.
Somos resultado de grandes misturas, num caldeirão só.
Ouçam o Fagner e os instrumentos que o acompanham, depois digam o que acharam.







quarta-feira, 5 de agosto de 2020

CASCUDO PEGA A ESPANHOLA (4)

Joaquim Ferreira Chaves Filho (1852-1937).
Esse Joaquim essa Recifense e como profissão primeira, advogado.
O Rio Grande do Norte foi governado por esse cidadão em duas ocasiões. A primeira entre 1896 a 1900 e a outra entre 1914 a 1920.
Como se vê, Joaquim viveu no tempo da gripe espanhola.
Luís da Câmara Cascudo e o seu pai Francisco Justino pegaram a espanhola, mas se escaparam.
Muita gente boa da época foi ao túmulo ou cova rasa, buracos de menor porte em que são enfiados os mortais comuns.
A gripe espanhola correu o mundo, matando milhões e milhões de pessoas.
Até no mundo árabe, a espanhola ceifou almas.
Aliás, é daquelas bandas a série de pragas cuja fama chegou ao Ocidente. Entre as pragas, a invasão das terríveis nuvens de gafanhoto.
Os árabes tem fundamental importância na vida de muitos povos, incluindo europeus e latinos.
Na idade média, estiveram na península ibérica.
E foram se espalhando.
A presença dos árabes na obra cascudiana é muito forte.
No livro da alimentação do Brasil, de 1964, mestre cascudo fala da mesa árabe nos nossos pratos.
O cuscuz é de origem árabe, você sabia?
Na música foram inseridos instrumentos tipicamente árabe, como o pandeiro, a rabeca, a zabumba. Por aí. O alaúde também é de lá.
Como hoje, no tempo da espanhola, as autoridades brasileiras não deram bola. Nem quando começaram a morrer os primeiros figurões. Entre esses, o advogado Cândido Caldas. Do ramo desse Caldas era o poeta Renato Caldas.
Joaquim Ferreira Chaves Filho, ao prestar contas dos gastos praticados no correr da pandemia de 1918, revelou que comprara 17 cabeças de boi reprodutor originários da Índia. Dois desses reprodutores, a título de curiosidade, foram repassados à Francisco Justino. Mais: na pia batismal, ele foi um dos padrinhos de Luís da Câmara Cascudo.
Cascudo nasceu em berço rico e depois ficou pobre, com a falência financeira do pai.

BOLSONARO CONTINUA ESQUECENDO O BRASIL


A explosão que sacudiu ontem 4 o porto de Beirute, no Líbano, deixou mais de uma centena de mortos e pelo menos 4000 feridos.
A notícia assustou o mundo.
No primeiro momento o presidente norte-americano disse que isso foi coisa de terroristas.
Também mais do que depressa, o presidente brasileiro declarou condolências e solidariedade ao povo libanês.
A língua portuguesa, essa que falamos, é recheada de palavras de origem árabe. Exemplo?
Alfazema, café, alambique, oxalá, talco, tambor, salamaleque, álgebra, algema, alquimia, arroz, laranja, xaveco, xeque-mate, xadrez.
E muito mais.
Os árabes começaram a chegar ao Brasil ainda no século XIX.
Hoje são cerca de 12 milhões de árabes e descendentes ocupando diversas regiões do nosso país.
O cantor Fagner, cearense de berço, traz nas veias sangue árabe e na garganta, a música.
O chamado mundo árabe é formado por duas duzias de países que falam a língua de oito modos sutilmente diferentes. E também são muitos os dialetos falados por cerca de 360 milhões de pessoas desse mundo.
O mundo árabe vai desde o Atlântico até o mar Arábico, passando pelo Mediterrâneo até nordeste do Índico.
O Egito, que faz parte da África, também integra o mundo árabe.
Eu tenho um amigo egípcio, Peter Alouche.
Engenheiro e ex-professor da FAAP e Mackenzie, Peter é poeta e poliglota.
É dele a belíssima letra musicada pelo mineiro Téo Azevedo. Título: São Paulo de Todos Nós.
O Egito está situado no nordeste da África e sudoeste asiático.
Claro que todos nós ficamos entristecidos pela tragédia ora vivida em Beirute.
A fala instantânea de Bolsonaro aparece meio oportunista.
O Brasil, de resto o mundo todo, vive uma tragédia sem precedentes na história. Somente ontem 4, quase 1500 brasileiros morreram vítimas da Covid-19 e outros mais de 40 mil foram identificados como portadores do novo coronavírus.
Diante desses números terríveis, assustadores, o Presidente do Brasil não se dignou até agora mandar sequer condolências aos familiares dessas vítimas. Triste, muuuito triste.
Até o final desta semana é possível que o Brasil alcançará a casa de 100 mil mortes pela Covid-19.
Leia: https://institutomemoriabrasil.com.br/pagina/1522493/serpente-quer-por-ovo-no-brasil/


terça-feira, 4 de agosto de 2020

CASCUDO PEGA A ESPANHOLA (3)


Neste ano de 2020, não vivemos a primeira pandemia.
Em 1918, o Brasil foi sacudido pela Gripe Espanhola.
Ninguém acreditou que aquela gripe poderia matar tanta gente. E matou. E contaminou também, muita gente que conseguiu escapar.
Luís da Câmara Cascudo e o seu pai, Francisco Justino, foram contaminados. Mas escaparam.
Meu amigo, minha amiga: você já ouviu falar em Cascudo?
Esse Cascudo foi o mais importante estudioso da cultura popular brasileira.
A primeira vez que estive com ele foi em dezembro de 1978, na sua casa em Natal, RN. No janeiro seguinte, publiquei entrevista na qual ele falava sobre a condição dos primeiros habitantes do nosso País, os índios.
A grandeza desse brasileiro é possível medir pelas respostas às perguntas que lhe fiz.
À Luís da Câmara Cascudo perguntei, por exemplo, sobre a condição dos nossos índios. Leia:

Os índios são os donos da casa. Nas minhas pesquisas eu tive o maior contato com eles. Sou um apaixonado por eles. O mal é torná-los brasileiros sem ajudá-los ao momento presente em que eles largam as malocas amazônicas e mato-grossense e vão pra Brasília ser funcionários públicos... O desmatamento da Amazônia para salvar a nossa dívida externa faz me lembrar do sujeito que vendeu o automóvel para comprar gasolina... Nós vendemos a mata, meu filho, e ficamos com outro problema. Não teremos mais a divida externa, mas teremos o problema de uma região mista sem mata. Vem a erosão, vem a terra que não produz, vem a mudança do clima...

Que contribuição o senhor acredita ter dado ao Brasil, ao povo brasileiro?
Eu dei ao meu país uma bibliografia leal e legítima, porque não foi feita de imaginação e de livros, mas do contato direto com o povo. Com a legitimidade do apurado, com a confissão e a contribuição de um pesquisador direto, levando aos quadros brasileiros os elementos fundamentais da sua marcha para o progresso.

O que é cultura popular?
Cultura popular é a que vivemos. É a cultura tradicional e milenar que nós aprendemos na convivência doméstica...


Leia a entrevista completa que eu publiquei no dia 7 de janeiro de 1979, no extinto suplemento dominical Folhetim (Folha): 

STF BATE MARTELO A FAVOR DO BRASIL

Qualquer brasileiro de raciocínio mediano deve estar preocupado com os rumos da política palaciana. Leia-se: bolsonarista ou bolsonariana.
Os bolsonaristas radicais sonham com o fechamento do Congresso e do STF, em particular. 
Todos temos nossos pecados, é certo. 
Os plantões do recesso judiciário são uma beleza para os mais espertos advogados, que ganham causas a peso de ouro.
No correr de julho último, o ministro plantonista Toffoli, usou e abusou da sua caneta mágica e po-de-ro-sis-sí-ma.
Toffoli é um contumaz de tirar poderosos e filhotes de poderosos da cadeia. 
É sabido que o atual PGR, Augusto Aras, tem por meta acabar com a Lava-Jato. Tanto que solicitou do atual titular do STF, Luiz Toffoli, que compartilhasse o arsenal de informações do Parana com a PGR. E conseguiu.
Ao fim do recesso o futuro presidente presidente do STF, Luiz Fux, desfez as canetadas de Toffoli. 
Decisões interessantíssimas foram tomadas ontem 3, no STF.
E teve lá, também, a questão indígena.
A Covid-19 já matou mais de 600 índios e deixou mais de 21000 infectados. Multiplicados esses números por cinco, mais ou menos, façam as contas da tragédia em andamento na nossa região amazônica. 
Os índios, como de resto a população brasileira, estão morrendo sem a necessária atenção do Presidente Cloroquina. Pena, não é? Claro que ele quer a extinção do índios e a permanências dos madeireiros e incendiários da Amazônia. 
Voltarei ao assunto, daqui a pouco. Escute:





segunda-feira, 3 de agosto de 2020

MACARTHISMO NO BRASIL

O Governo bolsonarista continua botando pra quebrar, mesmo. Um horror! 
Esse filme, porém, é velho e todo mundo já viu. 
Perseguição política é coisa que sempre existiu, antes mesmo de existir a palavra política. 
A ver com interesses pessoais e de grupos.
Meu amigo, minha amiga, você já ouviu falar de macarthismo?
Pois é, esse palavrão deriva de outro, Joseph Raymond McCarthy (1908 - 57).
O sujeito aí citado ocupava uma cadeira no senado norte americano. Era do mesmo partido de Trump, o Republicano. 
No final da segunda grande guerra, em setembro de 1945, o mundo foi dividido em duas partes, o Comunista e o Capitalista.  
O presidente Truman, que governou até 1953, ficou aperreado com o avanço da então URSS mundo afora. E assim, depois de um discurso no Senado, deu-se início ao que se convencionou a chamar de Guerra Fria, que findou com a queda do muro de Berlim, em 1989. 
O que é que tem a ver Bolsonaro com isso tudo?
O macarthismo foi uma espécie de ideologia que teve por finalidade perseguir o funcionalismo federal norte americano, indistintamente. Muita gente se lascou, por lá. Até Chaplin.
Dá para imaginar Chaplin como comunista?
O bolsonarismo vê comunista em toda parte. 
Agora o seu alvo são os funcionários públicos federais, acusados de integrarem um movimento antifascista.
Isso é muito sério, seriíssimo. 
A perseguição partiu, segundo o noticiário, de uma secretaria subordinada ao ministério da Justiça e Segurança Pública. Tem até um dossiê, identificando nome por nome. 
Isso é ou não é macarthismo explícito?
Eu sou antifascista, e você? 



domingo, 2 de agosto de 2020

FAKE NEWS: A DEMOCRACIA EM RISCO

O Brasil anda fora dos trilhos, meio sem rumo, capengando, perdido.
Absurdo o que ouço no rádio e TV: brasileiros agredindo brasileiros por terem pontos de vista diferentes.
Democracia não é isso que vemos nas diversas redes sociais.
Há muita mentira, muita acusação sem consistência, muita intolerância, muita falta de amor.
É muito ódio que se ver nas mídias sociais.
Agora mesmo, por exemplo, tomo conhecimento de um cidadão chamado Felipe Neto que apareceu num vídeo dizendo que Bolsonaro está se consagrando como o pior gestor de uma Nação diante da Pandemia que tem assustado o planeta.
O referido vídeo foi postado no respeitado jornal Norteamericano The New York Times.
Esse rapaz, Felipe Neto, foi praticamente linchado pelos bolsonaristas radicais.
Terrível, isso não pode acontecer.
Medidas rigorosas contra mentiras devem se tomadas, urgentemente.
Sei que no Congresso essa questão está sendo debatida.
Sei também que o Felipe foi convidado pelo Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para contribuir com ideias na construção de uma lei que visa acabar com essas maluquices tão perigosas para o País.


BILL HINCHIBERGER

Ante ontem 30, o jornalista Norteamericano Bill Hinchberger deu uma excelente entrevista ao titular do programa Em Quarentena, Carlos Sílvio. Esse programa é levado ao ar todas as noites entre às 20h30 e 21h30. No correr da conversa, Bill falou sobre sua atividade jornalística na África e noutro países. Lembrou da cultura brasileira e citou nomes como Tom Jobim e Tom Zé. Conversa atualíssima. Sobre Bolsonaro, Bill disse que o presidente é um retrocesso político na história. Acompanhe a entrevista, na íntegra:

BRASIL SEM GONZAGÃO, HÁ 31 ANOS

Luiz Gonzaga, que se tornaria o Rei do Baião, nasceu no dia 13 de dezembro de 1912, há 108 anos,em Exu, PE.
Já consagrado em todo País e em boa parte do mundo, Gonzaga morreu, no dia 02 de agosto de 1989, aos 76 anos de idade, em Recife, PE.
Quer dizer, Gonzaga morreu há exatos 31 anos.
Sua morte provocou grande consternação.
O seu legado musical é enorme. Clique:
http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular04.pdf

Em 1976, publiquei o livro Dicinário Gonzagueano. No ano seguinte, o BNB me ocnvidou para um projeto de DVD. Ouça/veja:

sábado, 1 de agosto de 2020

LAMPIONS LEAGUE TÁ PEGANDO FOGO

Pra uns a Pandemia acabou, pra outros não.
O vírus continua no ar, pegando e matando como faz o Carcará, no Nordeste.
Novos infectados nos EUA e Europa. N Ásia, também. 
No Brasil, o número de infectados já passa dos 2,5 milhões.
Os mortos no Brasil estão chegando a 100 mil
Mas é como eu disse: pra uns a Pandemia acabou, pra outros não.
Quase todas as atividades do cotidiano estão retornando.
Os estádios de futebol ainda não abriram pra todo mundo, no Brasil. Mas os jogos estão aí. Agora mesmo, por exemplo, o juiz apitou o fim da partida entre Ceará x Bahia, pela Copa do Nordeste. Resultado: 3 x 1 para o Ceará, de virada.
Pode não ter nada a ver, mas Ceará e Bahia fez me lembrar Corinthians x Oeste e São Paulo x Guarani.
O Corinthians tinha que ganhar, como ganhou do Oeste e torcer para o São Paulo ganhar, como ganhou do Guarani.
O detalhe dessa história é que o Timão estava perigando ser desclassificado. E O São Paulo, aparentemente, tinha tudo pra continuar no Campeonato Paulista. Mas caiu ao enfrentar o Mirassol. O Mirassol é, digamos, um timinho de meia tigela do interior paulista.
Não parecem muito, mas os times do Nordeste são timões. Que o diga o amigo Onaldo Queiroga, que acaba de ligar pra dizer que o Nordeste é bom de bola.
Numa boa?
Acho que o Ceará e o Bahia grandes times, mas vocês precisam conhecer o 13 e o Botafogo da Paraíba.
Vocês destas bandas cá do Sul/Sudeste sabem como o Campeonato do Nordeste é conhecido?
O Campeonato Nordestino é chamado, com orgulho, de Lampions League.
A temporada termina sábado que vem.

EM QUARENTENA
O programa em Quarentena apresentado todo as noites, às 20h30, apresentado pelo baiano Carlos Sílvio, recebe hoje a poeta Ana Priscila.
Ana está lançando o livro Poeta em Pânico.
É coisa boa. Vamos acompanhar o papo no Instagram @cspaiaia. 



sexta-feira, 31 de julho de 2020

CASCUDO PEGA A ESPANHOLA (2)


A Gripe Espanhola alastrou-se pelo mundo a partir dos Estados Unidos, no começo de 1918.
Essa gripe ficou conhecida por Gripe Espanhola por ter sido divulgada pelos jornais da Espanha, já que os jornais dos países envolvidos na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), não o faziam. Censura pura.
Os Estados Unidos da América, EUA, país de que tanto gosta o Presidente Cloroquina, um dia foi colônia do Reino Unido, que é formado por Irlanda do Norte, País de Gales, Escócia e Inglaterra.
Os EUA separaram-se do Reino Unido após uma guerra que começou em 1775 e findou oito anos depois.
A moeda do Reino Unido é a Libra Esterlina, criado em 1561.
É a moeda mais valorizada do mundo, até hoje.
A segunda moeda mais valorizada do mundo é o Euro, criada em 1998 e adotada por 19 dos 27 países que formam o bloco europeu, quer dizer, da chamada zona do Euro.
E o dólar, hein?
É como eu disse: era muito bom conversar com o mestre Luís da Câmara Cascudo. Foi não foi, lá estava eu batendo a sua porta para um dedo de prosa.
Sei não, mas acho que os passarinhos da casa do mestre adoravam minha presença. 
Na sua casa da rua Junqueira Aires, hoje Câmara Cascudo, em Natal, RN, Luís da Câmara Cascudo recebia gente de toda profissão, incluindo deputados, senadores, ministros e até presidentes da República, como João Figueiredo (1918-99).
A todos tratava muito bem.

Uma vez, ele me disse que quando morresse viraria estampa de papel moeda. Não deu outra.
Em março de 1990, Cascudo enfeitou com sua cara redonda a nota de 50.000 cruzeiros. Essa nota circulou durante três anos. Pouco antes de sair de circulação, a inflação no País batia recorde: 2700%.
O real foi a moeda salvadora da Pátria, que deu equilíbrio nas contas nacionais.
Antes do real, o Brasil adotou oito moedas.
Antes da Independência em 1822, circulava nas províncias a Pataca e o Patacão.
O Réis, a moeda que mais durou em circulação, foi substituída em 1942 pelo Cruzeiro.
A importância de Luís da Câmara Cascudo não se mede com palavras, nem com régua.
Na cidade em que nasceu, há inúmeras ruas e avenidas, praças, escolas, com o nome dele.
Cascudo é tão valoroso quanto a libra Esterlina, o Euro, o Dólar e por quantas moedas existem ou venham a existir mundo afora.
A propósito: o Dólar, foi criado em 1786, inspirado na Libra Esterlina. Pra lembrar Cascudo, clique: 






IIIH! DEU MOFO NO PULMÃO, COLEGA...

França e Alemanha tem seus dicionários do palavrão. O Brasil, também.
O Dicionário de Palavrão e Termos Afins, do pernambucano Mário Souto Maior (1920 - 2001), registra cerca de três mil expressões chulas ou mais ou menos chulas.
Entre o amontoado de palavras colhidas por Souto Maior não se acha porém o maior palavrão de nossa língua.
Meu amigo, minha amiga, você sabe qual é o maior palavrão da nossa língua? 
Não, não é inconstitucionalissimamente.
O maior palavrão registrado pelo filólogo Antonio Houaiss (1915 - 1999) é pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico. 
Houaiss e outros dicionaristas também ditam a menor palavra. Começa com C.
As palavras ganham novas formas e significados a cada geração. 
Houve um tempo que foder era um palavrão. E vejam vocês, tem só duas sílabas. 
É um palavrão quando alguém diz: "fulano se fudeu"? Não, né?
Quando essa frase é dita, significa simplesmente que o sujeito em questão ganhou um belo problema pra resolver na vida.  
O Brasil, num passado remotíssimo, teve vulcões. Hoje já não os há mais, porém pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico tem a ver com o cara intoxicado por poeira de vulcão, daí esse palavrãozão. 
Ontem o Presidente Cloroquina disse que está sarado da Covid-19, mas seus pulmões estão mofados pelos vinte dias que permaneceu no bem bom do seu Palácio, pago pela grana de impostos do povo brasileiro. Ele disse: "peguei mofo no pulmão". E aí lembrei, de repente, do bom baiano Dorival Caymmi (1914 -2008).
Em 1957, Caymmi lançou a joinha musical intitulada Fiz uma Viagem. Essa música termina com "deu mofo na farinha".
Na versão do violeiro Renato Braz ficou assim, escutem: 


quinta-feira, 30 de julho de 2020

CASCUDO PEGA A ESPANHOLA (1)

Dois meses antes de completar 20 anos de idades, em 1918, Luís da Câmara Cascudo pegou a Gripe Espanhola.
O pai de Cascudo, Francisco Justino (1863-1935), também pegou a Espanhola.
Pai e filho, portanto, escaparam da praga que matou muitos milhões de pessoas na Europa e no resto do mundo.
No Brasil, a Espanhola matou pelo menos 35 mil pessoas.
Como hoje, o Governo Federal nada fez. Até porque ainda não existia Ministério da Saúde.
No livro História da Cidade de Natal, de 1947, Luís da Câmara Cascudo conta que registros da época indicavam que a praga, denominada Gripe Espanhola, matou no Rio Grande do Norte pouco mais de mil pessoas. Isso mostra o seguinte: que as autoridades de plantão já procuravam esconder a realidade escrachada pela Espanhola. I-gual-zi-nho como hoje.
O Presidente Cloroquina tentou também fazer isso, esconder dos brasileiros a desgraça que está matando brasileiros. Isto é, a COVID-19.
Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) foi jornalista, advogado, etnólogo e tudo o mais.
Cascudo foi incrível!
Cascudo escreveu até poesia, você sabia? Ouça: 



Luís da Câmara Cascudo morreu em Natal, RN, sua terra, no dia 30 de julho.
No correr de sua vida Cascudo publicou cerca de 150 livros. Foi o mais importante estudioso da cultura popular brasileira.
Eu adorava conversar com Luís Câmara Cascudo.
Um dia Cascudo me disse que quando morresse viraria cédula, moeda. Falarei disso amanhã.

DEPOIS DA LUA, O HOMEM QUER MARTE

Um barato!
Acabo de ouvir na plim plim notícia segunda qual árabes mandaram a pouco uma geringonça até Marte, chamado por todos, e há muito, de “Planeta Vermelho”.
Os gringos do Norte, também acabam de mandar máquina parecida com as dos árabes até o distantíssimo Marte.
É um barato ou não é?
Em julho de 1969, os gringos do Norte representados por Armstrong, Aldrin e Collins, pisaram pela primeira vez na Lua. Pisaram não, violentaram a Lua. Com isso, os românticos ficamos todos tristes.
Antes disso tudo, os antigos soviéticos fizeram Gagarin (1934-68) rodar até se cansar na órbita da Terra.
A ousadia dos gringos europeus inspiraram filmes engraçados no Brasil.
Ah! Você lembra meu amigo, minha amiga, a jóinha musical que a nossa querida Elis gravou sobre Marte? Clique: 


VIVA SÉRGIO RICARDO!



Sérgio Ricardo foi um puta artista.
Em outras palavras: o paulista de Marília, Sérgio Ricardo, desaparecido há sete dias, foi uma pessoa incrível. Era acessível, ouvia a todos com calma. Quer dizer, aprendia e ensinava.
Sérgio expressava pensamentos com a maior naturalidade do mundo.
Quem conheceu Sérgio Ricardo, sabe que foi um puta cara.
Uma vez o convidei para participar de um projeto sobre os nervosos anos 1960, com exposição e tudo.
Eu o levei a Fortaleza, junto com o compositor e violonista Théo de Barros e o jornalista Zé Hamilton
Ribeiro. Esses três caras produziram uma história fantástica, cada qual a seu modo.
Sérgio compôs a música-tema da trilha do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, em 20 minutos. Talvez 30. Foi o que me disse. E acreditei.
Théo é coautor de Disparada, com Vandré. Sua obra é pequena, porém intensa.
Zé, autor de quase duas dezenas de livros, foi o único jornalista brasileiro a cobrir a guerra do Vietnã, em 1968.
Um dia Sérgio perguntou o que eu pensava sobre sua atitude de quebrar o violão no palco e atirar os restos à plateia delirante que o vaiava.
Eu disse que no lugar dele faria o mesmo. Disse também que homem que é homem, não é barata, não é rato, não é inseto. E que falaria sobre o assunto quantas vezes fosse preciso. Olhou-me nos olhos e disse:
− Você tem razão, Assis. Irritei-me muitas vezes quando me perguntavam sobre aquele ato. Isso que você diz é correto, me deixa mais aliviado.
Na hora da nossa apresentação num espaço do BNB, em Fortaleza, comecei nossa conversa perguntando exatamente sobre a fatídica noite do festival em que ele quebrou o violão. Olhou pra mim e riu, assim de modo meio cúmplice.
Sérgio escreveu um ótimo livro sobre essa história. Nesse livro, Quem Quebrou Meu Violão (Editora Record, 1991, 288 páginas), além de lembrar em detalhes o episódio, ele conta os encontros que teve com o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).
O motivo da vaia foi o samba Beto Bom de Bola, que a plateia sequer deixava que ele cantasse. Ouça: https://www.youtube.com/watch?v=I81WNRdYsoM&feature=youtu.be
Anos depois, audaciosamente gravou em disco a música que a plateia sem cabeça criticava. Ouça: https://www.youtube.com/watch?v=bodRpC6rxdE&feature=youtu.be
Bom apreciador de emboladas nordestinas e poemas de cordel, neles Sérgio se inspirou para musicar Estória de João-Joana, de Drummond, em 1985, com orquestração de Radamés e regência de Alexandre Gnattali.
Quer conhecer melhor essa figura incrível que foi Sérgio Ricardo? Clique: https://assisangelo.blogspot.com/2020/07/brasil-mais-pobre-sem-sergio-ricardo.html
No acervo de onde se está a sede eternamente provisória do Instituto Memória Brasil (IMB) é possível encontrar quase tudo que o artista Sérgio Ricardo produziu.
Quer conhecer mais? Acompanhe a entrevista que fiz com ele, em São Paulo.




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