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sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

ROBERTO LUNA, VOZ DE PLUMA DOS ANOS 50

Até ontem, ele estava simplesmente na casa dos 90. Agora, já é dono dessa casa, andando pra lá e pra cá.
Refiro-me ao cantor Roberto Luna, voz de pluma dos anos de 1950.
Os anos de 1950 foram os anos de ouro de Roberto Luna, um paraibano de Serraria, nascido no dia 1º de dezembro de 1929.
Nessa década ele emplacou dois grandes sucessos: O Relógio, bolero de Roberto Cantoral e o samba-canção Molambo, de Jayme Florence e Augusto Mesquita.
O nome de batismo de Luna é Valdemar Farias. Casou, teve filhos e hoje vive num apartamento da região do Vale do Anhangabaú, onde recebe amigos para um café e conversas sobre música.
Sorriso fácil e cheio de onda, Roberto Luna talvez seja o artista com mais idade nos tempos de hoje, ao lado de Geraldo Vandré, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Roberto Carlos, Renato Teixeira, Erasmo Carlos, Milton Nascimento, Jorge Ben Jor, Ney Matogrosso, Edu Lobo, Caetano Veloso, Chico Buarque; Elza Soares, Dóris Monteiro, Claudette Soares, Nana Caymmi.

Leia mais: ROBERTO LUNA, O REI DO BOLERO

 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

A SAUDADE MATA. TRISTEZA, TAMBÉM

Em 1992, saiu da ONU o Dia Internacional da Pessoa Deficiente.
Hoje, 3 de dezembro, é o meu dia...
Fiquei invisível, depois que perdi a luz em meus olhos.
Muita gente que andava a minha volta, sumiu. Entendo.
O dia disso e daquilo é dia pra se pensar.
O Dia do Forró, por exemplo, sugeria querida Erundina que apresentasse como projeto lá na Câmara.
O Dia do Forró faz parte do calendário comemorativa do nosso país.
Mas estou triste, hoje. Perdi a visão dos olhos e entrei no inferno...
O Inferno é uma porcaria.
Dados do colhidos pelo IBGE em 2010 dão conta de que há pelo menos 45 milhões de brasileiros com alguma dificuldade identificada como deficiência.
Segundo a ONU, 10% da população mundial sofrem algum tipo de deficiência, seja física, auditiva, visual...
Mas, enfim, tornei-me invisível à sociedade prática.
Ei, escuta: 

 

MOCINHA DE PASSIRA/MINERVINA FERREIRA

As duas cantadeiras repentistas mais antigas em atividade no Brasil vão cantar, naturalmente de improviso, amanhã 4 na Casa do Cantador em Brasília. Refiro-me às mestras Mocinha de Passira e Minervina Ferreira. Mocinha é pernambucana e Minervina, paraibana. Voltarei ao assunto.

TUDO ISSO É BRASIL!

Ary Barroso foi um compositor e pianista mineiro. Nasceu em Ubá, em 1903.
Ary é o autor de sambas como Na Baixa do Sapateiro e Aquarela do Brasil.
Eu não tenho dúvidas, Ary Barroso acrescentou muito a nossa música, ao nosso samba. E era branco, e era preto, e era Brasil por completo.
Um dia o norte-americano Walt Disney convidou Ary pra fazer parte do seu time nos EUA.
Ary respondeu, brincando: "Aí nos EUA tem Flamengo?".
Os EUA não há Flamengo, Flamengo só no Brasil. E Ary era flamenguista.
Há também uma historiazinha segundo a qual alguém teria lhe perguntado: Seu Ary, o senhor é mineiro e nunca fez uma música para sua cidade.
Rindo, brincando, Ary respondeu: "Fiz, sim".
Ele se referia a canção Risque, que é assim:

Mas se algum dia, talvez
A saudade apertar
Não se perturbe
Afogue a saudade
Nos copos de um bar

Em 1958, uma das vozes mais lindas do Brasil que atendia pelo nome de Dorival Caymmi, gravou Risque. Não sei de quem é o violão que o acompanha, só sei que não é ele. Mas é tudo muito bonito, Caymmi e um violão. Ouça:

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

QUEM NASCE EM MINAS É MINEIRO, UAI!

O Brasil tem 26 Estados e um Distrito Federal. No total são mais de 200 milhões de pessoas vivendo em 5.669 municípios.
Minas Gerais é o segundo Estado com o maior número de habitantes: 21 milhões e tarará.
Tudo no Brasil é bonito, menos a miséria escrachada a olhos nus pela pandemia que já matou quase 175 mil brasileiros.
Como todo mundo sabe, ou quase todo mundo sabe, o Brasil não foi descoberto por Cabral. DIA DO PARLAMENTO E DA BAGUNÇA
A história conta que Minas Gerais era o Estado mais rico da colônia.
No começo de tudo, Minas era capitania ligada a São Paulo. O desmembramento ocorreu em 1720. Há 300 anos, portanto.
Você já ouviu falar da Inconfidência Mineira?
A Inconfidência Mineira foi um movimento que reuniu a Elite financeira e intelectual liderado por Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), o Tiradentes.
Tiradentes foi o 4º dentre sete irmãos. Ao perder os pais, virou dentista prático e, depois, alferes.
Alferes era um cargo de militar hoje equivalente a segundo-tenente.
Em 1779, Tiradentes foi preso no Rio de Janeiro e levado à prisão na Ilha das Cobras. De lá foi levado à Minas e condenado a forca junto com mais dez conspiradores. Entre esses, o poeta Tomás António Gonzaga (1746-1850). Detalhe: dos condenados, só Tiradentes perdeu a cabeça, os outros foram levados a exílio perpétuo na África.
Gonzaga foi o primeiro autor a ter um livro publicado no Brasil, Marília de Dirceu (capa ao lado).
Tiradentes foi traído por um dos inconfidentes, o comerciante endividado Joaquim Silvério dos Reis (1756-1819).
Há muitos livros contando essa história. Inclusive um que eu, particularmente, gosto muito:
Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles (1901-64).
"Quem nasce em Minas Gerais é o quê?", perguntei outro dia brincando com Rodrigo. E ele, mineiro, respondeu: "É legal, uai!".
Eu gosto de tudo de Minas Gerais, inclusive seu gostoso queijo. Sem falar na cachacinha que lá encontrou terreno especialíssimo.
Ah! Sim, como na carta de Caminha, em Minas tudo que se plantar dá. Inclusive presidente, como Juscelino Kubitschek (1902-76).
O folclore mineiro é riquíssimo.E a sua música, também.
Curiosidade: Minas é o único Estado brasileiro que não tem hino oficial, embora muita gente creia que Oh Minas Gerais é o hino de lá. LEIA: MANEZINHO ARAÚJO E O HINO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

POR QUE BRANCO MATA TANTO PRETO?

Já falei do que não presta
De morte, perseguição
De rico ferrando pobre
De pobre morrendo em vão
De branco matando preto
Com prazer, sem punição


Mais uma bala policial atinge mortalmente um preto, em São Paulo.
Foi na madrugada de sábado 28.
Wellington Copido Benfati, que todo conhecia na região oeste da Capital paulista, foi apartar uma discussão entre amigos e levou um tiro.
O autor do disparo, um policial, disse que atirou pra cima.
Se o policial atirou pra cima...
O fato é que Wellington, NegoVila, foi morto com um tiro.
NegoVila era um artista plástico, um muralista, um menino de 40 anos que teve a vida finda com uma bala espetada no peito.
Fico pensando: se a bala disparada pra cima levou NegoVila ao chão...
O autor do disparo, um policial, terminou confessando ao delegado de plantão da 14º Delegacia (Pinheiros), que deu outro tiro e esse tiro foi mortal.
Por que se mata tanto negro no Brasil?
O Brasil é um país formado, na sua maioria, por pretos e pardos.
Quem nasce com a pele preta ou parda no Brasil, parece que nasce já com a marca de bala assassina no corpo.
Triste Brasil...

AMEAÇA

Acabo de ouvir no rádio e na televisão notícia dando conta de que a primeira prefeita eleita na história de Bauru, SP, Suéllen Rosim (Patriota), está sendo ameaçada de morte.
Suéllen é jornalista e tem 32 anos de idade. Seu pecado é ser preta. Meu Deus! Até onde vai a insanidade humana, a discriminação, o preconceito...?
Apesar de tudo, eu amo o meu País.

VIVA LUNA E A MÚSICA BRASILEIRA!

Eu não sei porque o Brasil esquece tão facilmente o Brasil, os brasileiros.
Culturalmente, o Brasil está na cabeça do ranking dos países que mais criatividade tem.
Hoje 1º o Brasil poderia comemorar o cantor, de tragetória incrível, Roberto Luna.
Luna é o cantor mais velho do País.
Hoje esse cantor, paraibano de Serraria, está completando 91 anos de idade.
A cantora de idade que mais se aproxima dele, dos seus 91 anos, é a carioca Elza Soares, com seus bem vividos 90.
Esse Roberto é do balacobaco.
Fez um sucesso incrível no decorrer de 1950. Um do seus clássicos é o samba-canção Molambo (ao lado). Ouça: MOLAMBO - ROBERTO LUNA
Não faz muito tempo, Roberto Luna deu uma entrevista muito bonita ao bahiano Carlos Silvio. Foi na rádio Conectados. Confira, clicando:

 

VEJA TAMBÉM: VIVA, ROBERTO LUNA!

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

SEM DIÁLOGO NÃO HÁ FUTURO

Incluindo votos brancos, nulos e abstenção, mais de 2,7 milhões de eleitores deixaram de votar em São Paulo, no último domingo 29.
O candidato do PSDB, brino covas, foi reeleito com quase 3 milhões de votos. E o seu oponente, Guilherme Boulos (PSOL), mais de 2,1 milhões.
Foi uma disputa renhida, no correr de todo 2º turno. Ao fim, já vitorioso, o tucano declarou:
"As urnas falaram e a democracia está viva. São Paulo mostra que faltam poucos dias para o obscurantismo e negacionismo. São Paulo disse sim à ciência e à moderação". E acrescentou: "É possível fazer política sem ódio, falando a verdade".
Boulos, reconhecendo a derrota telefonou ao seu adversário cumprimentando-o pela vitória e desejando uma boa administração no decorrer dos próximos 4 anos. Clique:

O candidato do PSOL saiu da campanha à Prefeitura paulistana politicamente forte.
Não será exagero dizer que Guilherme Boulos desponta como a principal liderança da ora fragmentada esquerda do País. Perdeu a eleição agora, mas tem tudo para crescer mais e chegar ao Palácio dos Bandeirantes, em 2022. Isso se não for possível uma grande articulação dos partidos à esquerda para alçá-lo como candidato à presidente da República.
O PT optou por ter candidatos em quase todas as capitais. Perdeu em todas. E perdeu muitas prefeituras espalhadas Brasil afora. O Lula precisa usar a sandália da humildade. Ciro também.
Muita gente deve estar se perguntando por que o PSOL resolveu aceitar alianças no 2º turno.
Pois é, isso faz parte da política.
E o PSDB, que aceitou na última hora apoios do PSL; Republicanos que teve no curso o apoio de Bolsonaro, hein?
Política é um eterno mar revolto. Quando não, é um rio de piranhas atacando até pelas costas.
Fundamental, nisso tudo, é que todos dialoguem com todos de modo mais civilizado possível.
Sem diálogo, o futuro fica cada vez mais difícil de ser encarado.

domingo, 29 de novembro de 2020

DOMINGO DE VOTO E FESTA

Acordei cedo, fiz ginástica, tomei banho, escovei os dentes, vesti roupa de domingo, penteei o cabelo e fui tomar café. Depois, perfumei-me e sai com o sorriso na cara e a bengala na mão a me guiar.
Claro, feliz fico sempre nos dias de votação cívica.
Mas quase que não ia. Pois Clá e Ana ficaram dodóis. E quem resolveu a questão foi o amigo professor Anderson Gonzaga. Ao saber disso, o querido Carlos Sílvio aumentou a voz, em tom de censura: nesses casos, não custa telefonar pra mim!
Esse Carlos é uma figura, meu amigo, minha amiga. E lá fui eu, bem cedo, votar neste segundo turno pelas melhores propostas dentre os programa de governo dos candidatos do PSDB e do PSOL.
O local de votação é o que indico acima: Faculdade Oswaldo Cruz, ali na Barra Funda.
Política é melhor do que futebol?
Política é fundamental na vida de qualquer país, especialmente quando o povo tem liberdade de escolha e vive numa Democracia.
Daqui a minutos os meios de comunicação estarão divulgando resultados de boca de urna.
E chega, né?

 

DIREITA E ESQUERDA

E se o pessoal da extrema direita apoiar o pessoal da esquerda, hein? Tudo é possível. O que se passa na cabeça de político profissional nem Deus sabe. Não podemos esquecer que Bolsonaro continua no palco, marcando terreno para 2022. Uma olhadela no que ora ocorre em Recife pode ser uma boa para entendermos o que se passa na cabeça da direita. 

Pois é, político não dá murro em ponta de faca.

sábado, 28 de novembro de 2020

TOQUINHO: A ARTE DE VIVER

 


É bom ligar o rádio e ouvir uma boa entrevista. 

Na madrugada de hoje 28 liguei o rádio e ouvir Toquinho contar parte da sua história aos apresentadores Fernando Andrade e Tatiana Vasconcelos. O pretexto foi o novo cd, A Arte de Viver, que o artista está lançando.

O cd Arte de Viver tem o repertório todo desenvolvido  em parceria  com Paulo César Pinheiro.

Sei não, mas acho que esse Paulo César é o mais prolífico compositor da nossa música popular. Excelente. Não sei quantas composições já fez, mas tenho certeza que são centenas e centenas. Talvez até já tenha alcançado a casa do milhar.

Toquinho foi aluno de um amigo querido, Paulinho Nogueira (1927-2003).

Esse Paulinho também era incrível. Esteve algumas vezes no programa que eu apresentava ao vivo na Rádio Capital, São Paulo Capital Nordeste.

Mas voltemos ao Toquinho.

Toquinho já chegou a casa dos setenta e contou aos apresentadores da CBN que já gravou mais de 500 músicas. É muita coisa. E coisa boa.

Lembro o bom e saudoso Paulo Vanzolini (1924-2013) falando de Toquinho e Vinícius.

Lembro de Paulo Vanzolini contando uma história sobre Toquinho e Vinícius numa apresentação em  Buenos Aires, Argentina, em 1976. 

O pianista Tenório Júnior o Tenorinho, saíra pra comprar cigarro e nunca mais voltou. "Não voltou porque foi sequestrado por agentes da ditadura Argentina", segundo Vanzolini.

Vinícius enloqueceu procurando Tenorinho por toda parte. Em vão.  Segundo o autor de Ronda.

Cheguei a pensar que Toquinho ia tocar nesse assunto. Mas, não. Preferiu meter o pau na Imprensa, dizendo que "há muita fake news".

O disco novo de Toquinho é maravilhoso.


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

CULTURA E POLÍTICA DE MÃOS DADAS


Não tenho nada contra ninguém, seja de qual for a sua coloração política, religiosa ou esportiva. O diálogo sempre foi algo fundamental na vida de todos nós. Inclusive, entre casais. 
A política na Capital paulista está pegando fogo. 
O objeto de desejo é a Prefeitura. 
De um lado o PSDB, de outro o PSOL.
Os meios de comunicação estão divulgando a informação de que uma quantidade enorme de cestas básicas foi distribuída por apoiadores do PSDB aos moradores da Brasilândia, bairro pobre da Zona Norte da Capital paulistana. A polícia foi acionada para identificar os responsáveis pela distribuição. Certo, pois isso é crime previsto em Lei.
Desde menino ouço falar na compra de votos nos períodos eleitorais.
Vou dar meu voto a Boulos/Erundina, pois entendo que as propostas por essa chapa apresentadas são bem melhores do que as propostas da chapa da oposição, isto é, da situação, pois o PSDB é governo. 
Não se deve votar em candidato nenhum, por amizade ou interesse de qualquer natureza. 
Eu tenho amigos que se alinham politicamente à direita e à esquerda. Entre esses amigos, jornalistas, compositores, escritores, atores e cantores.
O compositor, cantor e instrumentista Vital Farias é um nome que o Brasil conhece e aplaude. 
Ontem 26, à noite, conversamos longamente. Falamos de música, naturalmente, mas principalmente de política.
Vital teve a primeira composição (Ê Mãe) gravada pelo paulista Ary Toledo, em fins dos anos de 1970.
Depois vieram muitos sucessos: Caso Você Case, Aí que Sodade de Ocê e Saga da Amazônia, uma pérola. (Ouça, abaixo).
Vital e eu frequentamos algumas vezes a casa do Ary, cá em Sampa.  
Já famoso, com belíssimos discos lançados à praça, concorreu duas vezes ao Senado.
Na primeira (2006), apoiado pela "Frente da Esquerda Paraibana" (PSOL, PSTU), obteve cerca de 100 mil votos. Belíssima votação. 
As eleições de 2018 foram eleições que dividiram o Brasil. Ganhou Bolsonaro, com 57 milhões de votos. 
Muitos lares foram desfeitos com o resultado dessas eleições.
Amigos brigaram, amigos se separaram. E a briga de bolsonaristas contra não bolsonaristas continua. Infelizmente.
Há agressões, provocações de todos os tipos. 
Já quiseram até jogar o exército contra o STF, por exemplo. 
Vital mudou de lado, declarando-se bolsonarista de primeira hora. Como Sérgio Reis, Djavan, Toquinho, Lulu Santos e Fagner. Os dois últimos estão arrependidos.
Bolsonaro é defendido por Vital com a maior naturalidade do mundo. E firmeza. A vergonha, segundo ele, "é uma linha reta sem curva, se desviar, estou fora". 
Ainda falando sobre cultura, perguntei a Vital se ele aceitaria assumir o Ministério que virou Secretaria da Cultura. Resposta: "Aceitaria sim, desde que a secretaria voltasse a ser Ministério".
Política dá ordenamento à vida de um país, inclusive no tocante a questões de ordem cultural. Em resumo, tudo é política, e mudar de opinião também faz parte desse processo. 

Há um livro muito bom escrito pelo francês André Gide (1869 - 1951), intitulado O Imoralista. Nesse livro o autor dá voz a um personagem que diz mais ou menos isto: "Só não muda de opinião quem é burro".
Confesso, meus amigos, minhas amigas, que custei entender o que o personagem de Gide queria dizer com essa frase.
Dia desse perguntei a Geraldo Vandré, se era de esquerda ou de direita. Pergunta boba, claro. Após uma risadinha sarcástica, respondeu com a maior tranquilidade do mundo: "Nem uma coisa, nem outra". 
Vandré é o autor da canção Pra Não Dizer que Não Falei de Flores (Caminhando), regravada dezenas e dezenas de vezes pelos mais diferentes intérpretes e grupos musicais, no Brasil e no Exterior. 
Política é coisa fundamental à saúde de um país, de uma nação, quando feita sem ódio, sem mentira e com respeito aos adversários concorrentes a quaisquer que sejam os cargos eletivos nas esferas municipal, estadual ou federal.
No total, são 5577 municípios que formam a República Federativa do Brasil. Desses, 57 terão suas prefeituras disputadas no próximo domingo 29. Entre as capitais, 18, quatro das quais disputadas a pau: São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. 


LEIA MAIS: 

https://assisangelo.blogspot.com/2019/08/saga-da-amazonia-40-anos.html
https://assisangelo.blogspot.com/2014/08/o-dia-em-que-morri-de-vergonha.html
https://assisangelo.blogspot.com/2014/08/o-fazer-poetico-de-vital-farias.html
https://assisangelo.blogspot.com/2017/01/vandre-vital-e-oswaldinho-da-cuica-viva.html

NEGACIONISMO A TODA PROVA

O Ivo que viu a uva nas primeiras aulas de alfabetização não é o mesmo Ivo do poema Pacto ao Cair da Noite. Uma obra-prima, diga-se de passagem. Mas, cá com os meus botões, fico imaginando se o Ivo da uva resolvesse negar que viu tão saboroso fruto um dia na sua vida.
Essa conjectura, com ou sem "C" no meio da palavra, vem a propósito da inesperada negativa do presidente Bolsonaro, que disse não ter dito ser apenas uma "gripezinha" que anda por aí circulando sob a denominação de Coronavírus.
Essa negativa é improcedente. Diante do dito não dito, falta Bolsonaro dizer também que não disse sermos todos uns maricas.
Bom, do alto dos meus 68 anos de idade, digo sem medo de errar: nunca vi, ouvi, ou soube de alguém tão negacionista quanto Bolsonaro.
Ele parece não pensar duas vezes, se é que pensa, para pronunciar absurdos extraídos da sua cabeça de ex-capitão. Nisso é rápido como um raio.
O que Bolsonaro nos reserva nas próximas horas, hein?
Ele já disse que sua eleição foi uma fraude, mas sem apresentar prova alguma. Tal e qual sua cara-metade estadunidense Trump.
Ele já disse que não houve nem há incêndio na Amazônia, embora seu piloto tenha apresentado dificuldades de pousar num descampado da floresta com ele abordo. Isso faz uns dois meses.
Ele já disse que a Cloroquina é um santo remédio contra a Covid-19, ao contrário do que dizem cientistas do mundo todo.
Bolsonaro diz que defende a liberdade, mas declara ser ele próprio a Constituição.

VICE É PRESIDENTE?

O Mourão continua protagonizando. Hoje 27 ele ganhou destaque ao "defender" o Itamaraty. Motivo: no começo da semana o deputado Eduardo filho do outro usou as redes pra agredir os chineses, nosso principal parceiro comercial. A Embaixada chinesa não deixou por menos e contra-atacou. Sobre o tema o presidente nada falou, preferindo a moita onde se acha que nem um santo.

ATENÇÃO, BELCHIOR ESTÁ NA PRAÇA


Milhões e milhões de discos nos formatos de 10 e de 12 polegadas foram produzidos e lançados no Brasil desde 1956. Nesse período eram também produzidos e lançados discos de 78 rpm. 
A produção em larga escala de discos de vinil estendeu-se até finais de 1990. Os de 78 rpm findaram em 1964. 
Os artistas que mais gravaram discos em vinil foram Luiz Gonzaga, Nelson Gonçalves, Roberto Carlos; Tonico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho… 
O cantor que mais gravou discos em 78 rpm no Brasil foi disparadamente Chico Alves. Ele nasceu no Rio, em 1897. 
Chico reinou impoluto até 1952, quando morreu. 
Por trás de cada disco que vai à praça há um produtor, um diretor musical etc. 
O piauiense de Piripiri Jorge Mello foi um dos mais ativos produtores musicais do País. Em toda a carreira, produziu quase duas centenas de LPs. 
Além de produzir seus próprios LPs, 16 no total, produziu discos de Belchior e muita gente mais. De Belchior, aliás, estão sendo relançados no formato de CD Um Show − 10 Anos de Sucesso e Trilhas Sonoras, incluídos numa caixinha intitulada Paralelas. Uma pérola. O responsável por essa iniciativa foi o carioca Renato Vieira. O cantor, compositor e produtor musical Jorge Mello nasceu em 27 de novembro de 1948. 
Sua carreira artística ganhou ritmo a partir de Fortaleza, Rio e São Paulo, onde tem vivido a maior parte do tempo. Continua compondo. 
Além de músico, Jorge Mello foi professor de música, ator e diretor de teatro. Inquieto, fez o curso de Direito e especializou-se em Direitos Autorais. Tem cinco livros publicados e vários folhetos de cordel. 
Para Jorge Mello, a caixinha com os dois discos de Belchior que produziu “é um ótimo presente de aniversário”. 
A caixa de discos Paralelas está sendo lançada por via independente. 
A respeito de Jorge Mello e Belchior, leia mais: 

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

A POLÍTICA EM JINGLES

Você sabe quem foi o primeiro prefeito do município de São Paulo?
Antes disso não custa dizer que a figura de administrador municipal apareceu por essas plagas em 1563, na pessoa de Salvador Pires. 
O prefeito como tal hoje conhecemos, e elegemos, foi inspirado nos mandachuvas do senado da velha Roma. E por aí segue a história. 
O primeiro prefeito da capital paulista foi Antônio da Silva Prado (1840-1929), que ocupou o cargo em fevereiro de 1899. Prado era riquíssimo. Foi quem mais tempo permaneceu no cargo, até 1911. À época, o mandato era de três anos. Virou quatro com as novas regras ditadas pelo presidente Getulio Vargas, em 1932. No tempo de Vargas eram os governadores que escolhiam os prefeitos. 
Depois da Constituição de 1946, novas regras surgiram. 
O primeiro prefeito de São Paulo eleito depois disso foi o matogrossense Jânio da Silva Quadros (1917-1992). 
Em 1960, Jânio renunciaria à Presidência do Brasil sete meses após eleito. Veja Encontro com Jânio (https://assisangelo.blogspot.com/2012/08/encontro-com-janio.html).
Jânio foi prefeito de São Paulo em duas ocasiões, a última em 1986. 
Com os prefeitos sendo escolhidos pelo povo, fazia-se necessária uma intensa campanha. E é aí que entram os marqueteiros da vida, com suas peças, com seus jingles. 
O jingle político mais conhecido, que mais sucesso fez, foi Varre, Varre, Vassourinha. Ouça! 


Desde que entraram como peças publicitárias, os jingles são sucesso de campanha até hoje. 
Muitos artistas famosos participaram de jingles. Entre eles Jorge Veiga, Dircinha Batista, Luiz Vieira, Altamiro Carrilho, Elisete Cardoso, Ivon Cury e Isaurinha Garcia. 
Até Carmélia Alves e Luiz Gonzaga gravaram jingles induzindo o povo a votar em Jânio Quadros. O disco (na foto isolada), de 78 rpm, foi lançado pelo extinto selo musical Chantecler e trazia os seguintes títulos: Iaiá Quem Vem Aí; Compadre, A Notícia É Boa; A Vida Vai Miorar; e Quero Dizer Neste Côco pra Você. Além dos jingles, músicas foram lançadas em ritmo de marcha, samba, tirando sarro, mais das vezes, das campanhas e dos candidatos. Exemplos: Democracia, Minha Candidatura e Só Mamãe Votou em Mim. 
No nosso acervo há muitos jingles gravados em discos de 78 rpm e em LPs. 
Houve campanhas curiosíssimas em que até animais “ganharam” eleições. No caso, não custa lembrar, Cacareco. Mais uma coisa deve ser dita: os jingles políticos deste ano em São Paulo são de péssima qualidade, com ritmos que vão do funk ao gospel. 
No próximo dia 29 saberemos quem será o novo prefeito de São Paulo. São Paulo já teve 53 prefeitos

O BRASIL ESCRITO COM SANGUE NEGRO

 

Há coisas na vida que não entendo.
Como é que um jogador de futebol consegue, na sua morte, mobilizar o mundo inteiro?
Com todo o respeito...
Mortos e vivos se confundem, entre si.
A fome ainda mata. A miséria é cancro.
Maradona, Pelé.
Pelé é negro e nega a própria cor, por que?
O Brasil de Bolsonaro poderia ser o Brasil dos brasileiros com Ciro Gomes ou Joaquim Barbosa.
Pelé é um ser triste, alegra e mata.
Pelé mata pobres negros pela omissão. O Barbosa, também.
Sim, sim, não falo isso com alegria.

O Juiz Eusébio de Queiroz, em 1850, aprovou Lei freando o tráfico de escravos para o Brasil.
O Exército brasileiro usou de todas as formas negros escravos, nas suas fileiras.
Dói, mas história é história.
A história brasileira continua sendo escrita com o sangue da discriminação, do preconceito, da prepotência, dos horrores da caneta do presidente estranhamente eleito pelas urnas em 2018.
Triste Brasil.
Onde estás tu, Pelé?
Onde estás tu, Joaquim Barbosa?
O vice-presidente do Brasil, general Mourão, diz que não há racismo no meu país Brasil.
Esse generalzinho, que foi lamber botas nos EUA, parece não saber da história sangrenta vivida pelos pobres e negros desse país que tanto amo.
Lugar de general, lugar de militar, é no quartel.
O poeta alagoano Ledo Ivo, na sua sinceridade divina, afirma naquele poema (Pacto ao Cair da Noite):

Está morto o vivo
Que esquece os seus mortos...

MORTES NO COLO DO PRESIDENTE

Certa vez ouvi dizer
"Está morto o vivo
que esquece os seus mortos"
De modo imperativo
Provocativo e mordaz
Isso disse o Ledo Ivo


Poeta brasileiro
Alagoano da Capital
Ledo Ivo foi um mestre
Da cultura nacional
Mas do Brasil reclamava
Por ser país tão desigual


Jornalista, advogada, romancista, tradutor e poeta Ledo Ivo nasceu em Maceió, AL, no dia 18 de fevereiro de 1924.
Tempos de guerra em São Paulo.
Guerra tenentista.
Ledo Ivo logo cedo trocou seu torrão pela capital do Brasil, o Rio. Lá desenvolveu o seu intelecto.
Foi um dos mais ativos representantes da poesia parnasiana.
Ivo é da Geração de 45.
Os poetas dessa geração deixaram uma obra primorosa, mas pouco lembradas no dia de hoje.
A poética do alagoano Ledo Ivo nos lembra, de passagem, poetas de inspiração trágica e mórbida como o paraibano Augusto dos Anjos (1884-1914). Exemplo é Pacto ao Cair da Noite, em que diz: "Está morto o vivo/que esquece os seus mortos".
Bolsonaro era menino de bunda suja quando Ledo Ivo escreveu esse poema. Mas parece que foi hoje, não é mesmo?
O atual presidente do Brasil provoca mortes e esquece seus mortos, que um dia cairão em seu colo. Dele e de Trump.
Foi no dia 13 de novembro de 1986 que Ledo Ivo foi eleito à Academia Brasileira de Letras, ABL.
No dia 7 de março de 1987, Dom Marcos Barbosa saldou o novo imortal, lembrando as preferências culinárias do Ivo. Depois de agradável rodeio, ressaltou:

"...Vossa preocupação é, sobretudo, a palavra, a ponto de lamentardes que os horóscopos tenham tomado nos jornais os espaços outrora ocupados por aqueles que, através do inferno amarelo das polêmicas, encontravam o paraíso da Linguagem. Contudo, os horóscopos não vos metem medo, pois escreveis no 'Pacto ao cair da noite'...".

Foi na Espanha, à véspera do Natal de 2012, que o poeta brasileiro Ledo Ivo se expirou, aos 88 anos de idade.

VICE É PRESIDENTE?

Hummmmmm... O tal do Mourão tem falado pelos cotovelos. Falas de presidente. Basta ver o que ele falou hoje 26 sobre a relação Brasil-China. Hummmmm... Será?

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