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terça-feira, 17 de janeiro de 2023

COCO DE EMBOLADA É COISA BOA

Caju e Castanha, eu sou o do meio
Digo sem medo de errar: dentro dos quase 200 países nominados e registrados na Organizações das Nações Unidas, ONU, o Brasil é grande destaque.
Dentre os 5 maiores países do nosso planetinha, o Brasil tem o que os outros não tem: uma riqueza incalculável, a começar do que chamamos de cultura popular.
A cultura popular é um leque enorme, palpável, de coisas produzidas pelo povo anônimo. Dentre essas coisas a ciranda, o batuque, a embolada...
A embolada é um gênero musical desenvolvido em compasso binário.
Há variações da embolada: de roda, de praia, de samba, de umbigada e mais meia dúzia e meia de denominações desenvolvidas especialmente na região Nordeste.
O primeiro grande embolador a gravar disco foi o pernambucano Minona Carneiro (1902-1936).
Minona foi o mestre do rei da embolada, Manezinho Araújo.
São muitos os emboladores e emboladoras de coco surgidos depois de Minona.
O Rio Grande do Norte deu Chico Antônio, que foi apresentado por Câmara Cascudo a Mário de Andrade.
A Paraíba deu, dentre tantos, Cachimbinho e Geraldo Mouzinho e as irmãs Lindalva e Teresinha, que participaram do filme francês Saudade do Futuro. À propósito: desse filme, dirigido por Marie Clemence e César Paes, também participaram os emboladores Peneira e Sonhador.
Pernambuco, além de Minona e Manezinho, deu Caju e Castanha, Selma do Coco e Aurinha do Coco.
Aurinha começou com 17 anos de idade, cantando em madrigais. Morreu no dia 27 de janeiro de 2022, no Rio, aos 63 anos de idade.
A história de Aurinha, de batismo Áurea da Conceição de Assis Souza, tornou-se um símbolo do coco de embolada em Pernambuco. Nasceu em Olinda.
Pernambuco, Paraíba e o Rio Grande do Norte são os Estados mais férteis para o coco de embolada. 
Quem canta coco é coquista.
Ouvir coquistas em ação é uma beleza que nos limpa a alma das bobagens transmitidas pelas rádios e TVs de hoje. 
Para ouvir Aurinha, clique:

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

CÃO-GUIA, CÃO DE PAVLOV

O russo Ivan Pavlov nasceu em 1849, morreu em 1936. A experiência científica que o deixou famoso ele o desenvolveu no universo canino. É uma história curiosa.
Pavlov provou que o cães podem ser treinados para as mais diferentes atividades do cotidiano. Ele chegou a essa conclusão batendo uma sineta que fazia despertar algo nos cães. No caso, o interesse pela comida.
Quem primeiro me falou de Pavlov foi o cantor e compositor Taiguara, pessoa de muita inteligência e sensibilidade.
A vida é cheia de graça e de problemas, também.
Eu nasci no ano da graça de 1952. Contando nos dedos, tenho 70 anos, 2 meses e uns 15 dias. Escolhi como profissão o jornalismo. Antes me engracei pela música e as plásticas. Estudei com Aldo Parisot, João Câmara Filho, Raul Córdula, Celene Sintonônio e outros bambas. Aprendi pouco. O muito que eu aprendi foi bater palmas pra quem tem talento, se é que me entendem.
Passei por muitos jornais, rádios e TVs, entre os quais Folha, Estadão, Rádio Capital e TV Globo. E aí, há quase 10 anos, um descolamento de retina tirou-me dos olhos as cores.
Domingo ontem 15 o colega jornalista Marco Antônio Zanfra andou escrevendo no seu blog impressões pessoais e autoquestionando-se sobre o que faria se perdesse a visão.
É difícil falar a respeito dessa questão.
Hoje consigo falar com certa destreza os problemas que vivi, e ainda vivo, pelo fato de não enxergar com meus olhos. Já não os tenho. Melhor: eu os tenho apenas a enfeitar a minha cara redonda de lua cheia da Paraíba.
Doeu, doeu muito perder a visão. Mas a gente vai levando. Ou a gente segue, ou a gente cai. Na vida há dois caminhos: ou a gente antecipa a morte, ou espera a morte chegar. É assim que é.
Também ontem 15, ouvi um podcast produzido pela Rádio Novelo. O texto, na verdade um áudio, trata de uma jovem que ficou cega. É de São Paulo. Seu nome: Maria Stockler Carvalhosa.
Maria, ela mesma conta, estava em casa quando o telefone tocou e pelo fio veio a voz de uma amiga falando de Café e tal. Café é o nome de um cachorro, treinado como guia. E que ela ganharia como presente.
O depoimento de Maria Stockler Carvalhosa é claro, nítido, que nem a água mais pura de um riacho. Emociona.
Não é fácil um cego conseguir um cão para guiá-lo.
Existem apenas 3 treinadores no Brasil autorizados. Dois deles desenvolvem suas funções no Instituto Magnus.
O Instituto Magnus situa-se no município de Salto de Pirapora, região de Sorocaba, à cerca de 120km da Capital de São Paulo.
Há pelo menos 500 pessoas a espera de um cão para guiá-las.
O treinamento de um cão para um cego dura em torno de 2 anos, e o seu custo chega à R$60.000.
Não, eu nunca estaria pronto para ser guiado por um cão. E nem ele a mim. Tenho necessidade urgente de desenvolver textos jornalísticos e literários. Quero apresentar um programa de rádio ou TV, ou os dois, pra falar a respeito da questão cegueira. Gostaria de transmitir o que tenho aprendido. Gostaria de voltar também a fazer palestras Brasil afora. O Blog, este Blog, continuo fazendo. E fazendo também poemas, músicas. Confira:



LEIA MAIS: ESPECIAL DIA DO JORNALISTA Depois de ficar cego, Assis Ângelo luta para digitalizar acervo Assis Ângelo, cego há sete anos, lança cordéis sobre a pandemia Poeta cego transforma 'Os Lusíadas' em cordel

domingo, 15 de janeiro de 2023

MEUS BOTÕES (58)

 "Covarde! Covarde!", entrou na casa gritando com um jornal na mão o caboco Barrica.  E acrescentou: "Além de covarde é um feladaputa!".

Olhei o querido botão e perguntei: o que se passa, de quem você está falando?

Biu caiu na risada dizendo: "O mano Barrica, seu Assis, está falando é do ex-presidente Bolsonaro".

Foi aí que me toquei. Ontem à noite ouvi em algum lugar que Bolsonaro anda falando pela boca de seus advogados que é inocente,  que é a favor da democracia,  que é contra a violência e que não tem nada a ver com o quebra-quebra no ambiente dos três poderes en Brasília no domingo 8 passado. Disse também que sempre atuou na legalidade das quatro linhas.

"O cara é um sem-vergonha, um cara de pau, um trolha que merece ir pra cadeia e de lá nunca mais sair", desabafou alto e bom som Barrica puxando pra si um tamborete.

Mané e Jão entreolharam-se.

Zoião deu uma cutucada em Jão dizendo: "Eu não queria dizer, mas o Barrica está coberto de razão.  Esse Bolsonaro é um filho do Cão, um safado que não merece a comida que come. Aliás, ele deveria se realimentar dos próprios excrementos".

Poxa vida, esses meus botões ou querem me por numa enrascada ou querem desencadear uma revolução. 

Nem bem eu acabara de dizer o que disse,  o pacato Zilidoro levantou-se da cadeira onde até então se achava em silêncio e disse: "Nada não, seu Assis, meus colegas de casa têm razão. O maior atraso de vida que todos nós brasileiros  tivemos até aqui foi esse sujeito aí cujo nome não quero nem falar. Ele quebra o País e joga brasileiro contra brasileiro. Depois disso pega o avião do nosso Exército e foge pra se esconder numa cidade dos EUA". 

De repente, surpreendentemente, Lampa dá um pulo do tamborete e fica de pé depois de atirar seu estimado punhalzinho na porta, onde fica fincado. Diz, com voz cavernosa: "Eu ainda vou pegar esse cabra!".

Calma, Lampa. O Brasil tem jeito. Lula ganhou. Precisamos estar unidos na reconstrução do nosso país. 

"Seu Assis, o Brasil já não aguentava mais o cabra que o Lampa quer pegar. Ele armou, armou e armou contra nós. E armou e continua armando no buraco em se enfiou lá no raio que o parta!", voltou a falar inconformado o irmão de Bill.

Bom, pessoal, hoje 15 faz exatamente uma semana que os aloprados bolsonaristas quebraram o Senado, a Câmara, o Palácio do Planalto e o STF. Tentaram, mas não conseguiram um golpe militar. A Polícia e a Justiça estão cuidando deles. Mesmo assim precisamos estar atentos. Os inimigos são fanáticos. 

Todo mundo kevantou-se batendo palmas. Diante de tal manifestação, humildemente agradeci.


sábado, 14 de janeiro de 2023

EU E MEUS BOTÕES (57)

Olá pessoal! Bom dia, boa tarde, boa noite. Tudo bem com vocês?
"Comigo, seu Assis, tá tudo bem. Agora pra muita gente é que a coisa tá feia. Eu me refiro aos bolsonaristas aloprados que invadiram Brasília e destruíram o que encontraram pela frente no Palácio do Planalto, da Câmara, do Senado e do STF. Um horror!", disse o quase sempre bem comportado poeta Zilidoro.
Lampa, sempre cutucando as unhas com seu famoso punhalzinho, levantou a sobrancelha direita e por baixo dela pareceu me encarar. Você está me estranhando, Lampa? Baixando os olhos e fixando em seu punhal, resmungou algo como: "Não, não estou encarando o sinhô, não".
Barrica pediu a vez levantando o braço: "O que fizeram em Brasília não tem perdão", ao que retrucou o irmão Biu: "Um horror! Um horror! Aqueles sujeitos agrediram não só o povo brasileiro pacato e trabalhador. Agrediram de maneira covarde a nossa democracia. Isso não se faz!".
Zoião, triste, apenas disse: "Aquela loucura toda foi praticada por criminosos na tarde do último dia 8". Jão, lembrou: "Amanhã 15 faz uma semana que essa loucura aconteceu nas dependências dos prédios citados há pouco por Zilidoro". Zé e Jão, de modo um tanto ensaiado disseram: "Eles têm que pagar a conta! Eles têm que pagar a conta!".
Mané, até então calado, pediu licença pra dizer que: "Foram presos uns 2 mil arruaceiros, criminosos, terroristas! Uma metade já foi solta, a outra metade está sendo ouvida na cadeia, a cadeia é o lugar desses bandidos!".
Zilidoro retomou a palavra: "Têm de serem processados, julgados e condenados com base na lei. E mais do que isso, esses caras têm de arcar com os prejuízos sofridos pelo Estado!".
Eu concordo com você, Mané. Eu concordo com você também, Zilidoro. Eu concordo com todos vocês e acrescento: Essas pessoas que atacaram a democracia, domingo 8 passado, estavam executando um plano diabólico que visava um golpe de Estado e a consequente derrubada do governo Lula. Nisso tudo tem gente graúda por trás e até gente das Forças Armadas. Quem patrocinou esse plano e não foram poucos, têm também de prestar contas à Justiça. E têm de pagar os prejuízos por eles mesmos praticados contra o Estado de Direito a favor da vida e da democracia brasileiras.
"Seu Assis, seu Assis! O sr. soube do documento apreendido na casa do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, o tal Anderson Torres? Esse documento mostra que o plano de fato existiu e a ideia era pô-lo em prática domingo 8", voltou Zilidoro a falar.
"Isso mesmo! Isso mesmo!", disseram todos concordando com o poeta da casa.
Sim, é claro que eu soube disso. Eu soube dessa loucura, dessa porcaria, que todo mundo é o mundo todo estão chamando de "minuta do golpe". É prova cabal de que houve plano para por o fim a nossa democracia. Bolsonaro está na jogada e vai pagar por isso. 
"Pois é: acho que Bolsonaro vai preso já, já", disse Barrica. "E vai mesmo! Eu também acho que ele vai ser preso antes do tempo que imaginei. E merecidamente!", disse Jão. Zoião deu uma rabiada d'olhos em direção a Lampa, que o enfrentou: "Que que há? Que que há? Eu não tenho nada a ver com isso!".
Foi nesse momento, no momento da fala do Lampa, que todos riram. O ambiente ficou mais relaxado com isso. E pra encerrar sugero que acessem o podcast político Medo e Delírio em Brasília. Ouça:


sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

RASGAÇÃO DE SEDA

Quando chega um amigo cá em casa, eu fico todo pimpão. Foi assim que fiquei ontem 12, quando ali pelo final da tarde bateu à porta o querido Atílio Bari, apresentador do necessário programa de memória teatral Persona.
Bari foi o primeiro amigo que chegou este ano trazendo-me abraços e sorrisos, como presentes.  Muitas risadas e tal.
Um "alquinho", um destilado pra molhar o bico e tal.
Foram falas boas recheadas de lembranças, desde que apresentava na TV aberta um programa sobre cultura ou coisa assim. Óbvio. Fui lá umas duas vezes, uma delas com o parceiro baiano Gereba.
A conversa entre mim e Bari foi bonita, toda alegre. Uma rasgação de seda que só! À propósito: "rasgação de seda" é uma expressão dita por um dos muitos personagens criados pelo teatrólogo carioca Luís Carlos Martins Pena, que entrou para a história como simplesmente Martins Pena. Um desses personagens era vendedor de tecidos e ia de porta em porta apresentando seus produtos. Era todo solto, cheio de amor pra dar e foi não foi cortejava suas possíveis clientes. Uma delas, pondo freios nos elogios borbulhantes, disse: "Não rasgue a seda, que se esfiapa".
Martins Pena morreu em Lisboa no dezembro de 1848. Deixou umas 30 peças teatrais, mas foi também atento cronista e crítico literário do seu tempo. Publicou muita coisa em folhetins no velho Jornal do Commercio.
É isso. 
Ah! Ia-me esquecendo: Martins Pena chegou a integrar a Academia Brasileira de Letras, ABL, ocupando a cadeira 29 do maranhense Arthur de Azevedo.
Clique abaixo para conferir a rasgação de seda...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

EU E ANNINHA: O PAPO É FEIJOADA

— Assis, hoje eu comi uma feijoada fantástica!
— Assis, numa boa, não estou a fim de escrever nada hoje.
Diante de um rogo tão absolutamente verdadeiro, eu disse: "Incrível, incrível!".
Mas, fora da feijoada, ousei dizer a quem me disse que estava felicíssima comendo uma feijoada fora de ordem e dia.
E eu ai, ai. 
E ela, feijoada comida, perguntou-me se eu estava sabendo o que estava rolando no nosso Brasil brasileiro. Eu disse: Sim!
O Datafolha publicou agora uma pesquisa dizendo que 93% da população brasileira não concordam com a loucura ocorrida em Brasília, domingo 8.
Pois, pois!
Dito isso, digo mais: deputados norte-americanos estão se movimentando para mandar Bolsonaro para a puta que o pariu!
O Brasil é o Brasil.
O Brasil é tão Brasil que eu entendo completamente o prazer de quem me disse ter desbravado a feijoada no peito hoje 12.
Claro meus amigos, minhas amigas, quando eu falo do que estou falando lembro-me perfeitamente de Anna Clara, Anninha.
Anninha cuida do corpo e da alma, como faz a mãe Lindalva e o pai Daniel.
Viva o Brasil! 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

HÁ 100 ANOS CALHEIROS INICIAVA CARREIRA NO RÁDIO

Alagoas tem muita gente boa, como o cantor e compositor Augusto Calheiros.
Calheiros nasceu no dia 5 de junho de 1891 e morreu num dia como hoje, 11 de janeiro, meses antes de completar 55 anos de idade. Deixou filhos, netos e um pouco mais de 150 músicas gravadas.
Não foi fácil a vida de Calheiros. Estudou pouco, mas a sua potentíssima voz lhe deu dinheiro e prestígio no decorrer do tempo. Era bonachão e chegado numa birita, à noites de boêmias. Morreu pobre, vítima de diabetes.
Augusto Calheiros, chamado de O Patativa do Norte, andou cantando pelo Brasil todo. Até em Campina Grande, PB, ele esteve. Pra valer, pra valer mesmo, iniciou a carreira na Capital pernambucana, mais precisamente na Rádio Clube de Pernambuco, em 1923.
Começou Calheiros a fazer sucesso cantando de graça nas emissoras de rádio. Os primeiros trocados a lhe caírem às mãos foram advindos das apresentações que fez ao conjunto musical que integrou: Turunas da Mauricéia.
O Turunas era formado por João Frazão (diretor e violão), o alagoano e cego Manoel de Lima, os irmãos Romualdo, João Miranda e Luperce Miranda.
Manoel de Lima seguiu carreira solo como violonista de grande sucesso. Era incrível. O que fazia com um violão, só Deus.
Quem nunca ouviu falar do pernambucano Luperce Miranda, hein? Pelo sim, pelo não, não custa lembrar que Miranda trocou o Brasil pelos EUA e lá seguiu carreira brilhantíssima. Músicas de sua autoria se acham pelo menos em 400 filmes rodados nas terras do Tio Sam.
Pouca gente sabe, mas o primeiro cantor a gravar uma música do rei do baião Luiz Gonzaga foi Calheiros. Era uma valsa feita em parceria com Domingos Ramos. Ano: 1941 e para ouvi-la, basta clicar no post abaixo:

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

BRASIL: O CANTO POPULAR COMEÇA COM MÁRIO PINHEIRO

O carioca Lamartine Babo, compositor incrível, nasceu no Rio de Janeiro no ano de 1904: 10 de janeiro.
No dia 10 de janeiro de 1923 morreu pobre e lascado uma das maiores vozes da nossa música popular: Mário Pinheiro.
Mário Pinheiro era dono de uma voz possante.
Mário Pinheiro, carioca que nem Lamartine, era filho de uma enfermeira.
A história do cantor Mário Pinheiro é uma história pra ser revivida. Não há livro nenhum sobre Mário Pinheiro. Não há nada sobre Mário Pinheiro, a não ser cerca de uma centena de discos de 78RPM. Discos gravados e lançados pela casa Edson, do estrangeiro Fred Figner.
Figner foi de uma importância fundamental na discografia brasileira. E ninguém fala dele. Meu Deus, por quê?
Antes de eu perder as luz dos olhos que Deus me deu, andei falando sobre isso com o querido José Ramos Tinhorão.
Eu nunca briguei com Tinhorão. Discutíamos e eu aprendia com ele.
Hoje em dia, parece que ninguém quer aprender com ninguém. Por quê?
Mário Pinheiro partiu há exatamente 100 anos.
Faz hoje 100 anos que Mário Pinheiro morreu, por que ninguém fala de Mário Pinheiro?
Mário Pinheiro foi pioneiro na gravação como cantor em disco no Brasil, junto com Bahiano, Cadete, Nozinho e Eduardo das Neves.
Meu amigo, minha amiga: ninguém fala sobre Mário Pinheiro porque ninguém sabe quem foi Mário Pinheiro. E essa é uma questão seriíssima.
O Brasil se perde a cada dia...
O que aconteceu domingo 8, na Capital do Brasil, foi um horror total e absoluto.
O que aconteceu em Brasília dia 8, domingo, foi uma violência jamais praticada no Brasil contra a democracia.
Democracia é a forma ou fórmula que nos leva a nos aturar um ao outro, mesmo sem gostar.
Democracia é vida, no sentido mais extenso e belo possível.
Lamartine Babo deixou uma obra muito bonita, no campo da nossa música popular.
Em 1909, o cantor Mário Pinheiro gravou em disco o primeiro poema de um poeta baiano: Castro Alves. Ouça:
 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

CANA BRABA PRA QUEM NÃO PRESTA

Nunca vi em tempo algum, o Brasil viver momentos tão difíceis como agora.
Nunca, em tempo algum, um magote de aloprados saiu às ruas armados de pedaço de pau e ferro, decidido a por abaixo a Capital do Brasil, Brasília. Um horror!
O que se viu domingo 8 em Brasília foi um ensaio malamanhado de uma hora do fim do mundo. Muito quebra-quebra, correria, gritos e covardia. Eram aloprados em estado de selvageria destruindo tudo em nome do seu guru, Bolsonaro.
Os prejuízos de toda ordem ainda estão sendo levantados.
Pelo menos 2 mil criminosos bolsonaristas, radicais ao extremo, caíram nas mãos da polícia e estão submetidos à interrogação. Por que fizeram o que fizeram?
O mundo todo tomou conhecimento da selvageria ocorrida no último domingo, no Brasil. Os principais líderes mundiais enviaram mensagens de solidariedade e apoio à democracia brasileira.
Há pouco acompanhei coletiva de imprensa do ministro da Justiça e da Segurança Pública, Flávio Dino, que respondeu a todas as perguntas que lhe foram feitas por jornalistas estrangeiros. Não fugiu de nenhuma pergunta e cada pergunta respondeu natural e didaticamente. Gostei.
Além do quebra-quebra provocado pelos truculentos seguidores de Bolsonaro, pelo menos 12 jornalistas registraram boletim de ocorrência na delegacia de polícia. As queixas foram de assalto à agressão e ameaças físicas.
No rigor da lei, aplique-se cana braba para os felasdaputa que quebraram a calma do Brasil no domingo que passou.
 
NÃO HÁ E NUNCA MAIS HAVERÁ CLIMA PARA GOLPE MILITAR NO BRASIL!

Representante do mal 
Da dor e da maldade 
Inimigo do bem comum 
Avesso à fraternidade 
Bolsonaro prende muito 
Mas não prende a liberdade

Repórter cobre tudo 
Cobre guerra e eleição 
Operação tapa-buraco 
Virada de caminhão 
Discurso de papagaio 
Assalto e corrupção 

Nunca fura a pauta 
E faz tudo sempre legal 
Está em todo canto 
Num parque, num hospital 
Num trem, num bar, num barco 
Como se fosse normal
(Trecho do folheto Jornalismo e Liberdade/ Nos Tempos de Pandemia, de Assis Angelo)

TODOS PELA DEMOCRACIA!

Eu preciso reler ou alguém pode ler pra mim O Dicionário do Palavrão, de Mario Souto Maior. Esse é um livro que reúne palavras de baixo calão pra ser usadas na forma de desabafo quando a gente perde a linha e tal. Sim estou puto!
Os caras que destruíram ontem 8 boa parte do Brasil, em Brasília, são todos uns felasdaputa! Não dá pra chamá-los de beócios. São escrotos mesmo!
Não, não foi um terremoto provocado pela natureza. Foi um terremoto provocado por  bolsonaristas radicais e covardes, violentos e ignorantes no sentido lato termo. 
A corja, vândalos ou seja lá o que for, criminosos, deixaram atrás de si um rastro de destruição só comparável a cenário de guerra como Rússia × Ucrânia. 
Triste o cenário deixado pelos feladasputas seguidores "raízes" do também não menos feladaputa que atende pelo nome de sei lá o quê!
A ira dos aloprados bolsonaristas recaiu inclusive em obras de arte. 
O quadro Mulatas, do carioca Di Cavalcanti, tombou com seis facadas.
A escultura bailarina de Brecheret, foi simplesmente roubada.
Um relógio do século 17 ou 18, presenteado ao imperador D. João VI, foi pisoteado, quebrado, destruído. Só existiam dois exemplares desse relógio. Um na França e o outro no Brasil. 
Os fanáticos bolsonaristas têm que pagar por tudo que fizeram. Pagar em grana pelos prejuízos sofridos pela nação e com pena a cumprir na prisão. Tudo dentro da lei, naturalmente. 
É preciso descobrir quem está por detrás disso tudo. 
É preciso saber quem bancou os aloprados, kamikazes de Bolsonaro. 
Quem são os empresários que apostaram num golpe para derrubar Lula?
A democracia brasileira está ferida, mas não morta.
 

A PAZ EM PAUTA. VIVA A PAZ! (2, FINAL)

Em 1937 o pintor Pablo Picasso (1881-1973) criou um quadro cujas imagens retratam os horrores da guerra espanhola (1936-1939): Guernica.
Entre 1952 e 1956 o pintor paulista de Brodósqui Cândido Portinari (1914-1962) gerou a obra-prima Guerra e Paz. Essa obra foi doada à Organização das Nações Unidas, ONU.
É também de Portinari o quadro Retirantes. Nesse quadro o artista registra a fome na cara de miseráveis.
Mais de 800 milhões de pessoas passam fome hoje no mundo.
No Brasil, atualmente, 100 milhões de pessoas sobrevivem em insegurança alimentar. Mais de 30 milhões desse total passam fome, mesmo.
Na sua posse como presidente do Brasil pela terceira vez, no último dia 1°, Luís Inácio Lula da Silva prometeu acabar com a fome no Brasil e conclamou os brasileiros e brasileiras a unirem-se no amor e não no ódio.
O livro de Tolstói continua sendo lido em quase todas as línguas. E já foi à tela várias vezes. E a impressão que fica é: da mesma maneira que se quer a paz, os poderosos querem a guerra.
A Rússia perdeu e ganhou com a invasão de Bonaparte, no começo do século 19.
A Alemanha perdeu completamente a Segunda Grande Guerra.
Putin está perdendo o que chama de operação especial na Ucrânia. Isso é grave tanto para os ucranianos, quanto para os russos. As consequências são gravíssimas para a humanidade.
Tolstói chegou a se corresponder por carta com Gandhi. Ambos se identificavam na luta pela paz.
O famoso quadro de Portinari tem sido reproduzido em todo canto. Depois de restaurado, foi mostrado ao grande público em cidades como Rio e São Paulo. Carlos Drummond fez um belíssimo poema sobre a obra. Ele mesmo o declama. Confira: A MÃO

LEIA MAIS: 20 DIAS QUE SACUDIRAM O BRASIL (1)

LEIA TAMBÉM

Há 30 anos, Fernando Collor de Mello era apeado da presidência sob acusação de corrupção. Foi impichado. Perdeu os direitos políticos por 8 anos, mas passado o tempo voltou à política, hoje é deputado pelo estado de Alagoas. Para lembrar, clique: AINDA 20 ANO QUE SACUDIRAM O BRASIL

Foto de Flor Maria.
Ilustrações de Fausto Bergocce

domingo, 8 de janeiro de 2023

A PAZ EM PAUTA. VIVA A PAZ! (1)


"A paz é uma dádiva divina", lê-se no Velho Testamento.
O Velho Testamento reúne uma série de barbaridades, incluindo violência e guerras. Nas suas páginas há narrativas horripilantes, que vão de estupros a prisões, torturas e tipos diversos de escravidão. Pelo sim pelo não, o Novo Testamento é mais leve. Mas o fato é que os horrores lidos na Bíblia ainda se estendem por aí nos dias atuais.
Nos quatro cantos do mundo há os mais diversos tipos de conflitos e guerras como tal conhecemos.
Além da guerra na Ucrânia provocada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, há cerca de 30 guerras em andamento no Iêmen, San Salvador, Myanmar, Congo, Síria, apoiada por Moscou; Afeganistão, Irã/Iraque e mais.
Entre 1865 e 1869 o escritor russo Leon Tolstói (1818-1910) escreveu e publicou em capítulos, na forma de folhetim, o livro que logo se tornaria clássico mundial: Guerra e Paz.
No original Guerra e Paz tem mais ou menos 1500 páginas, nas quais se movimentam mais de 500 personagens. É histórico, ficcional, fantástico. Apesar do calhamaço, a leitura não cansa.
Hoje, talvez mais do que em tempos passados, líderes políticos lutam para evitar guerras. Foi nessa luta que tombaram Martin Luther King Jr e Mahatma Gandhi.
King e Gandhi morreram sem serem reconhecidos pelo Nobel. Injusto. Injustiça.
O Nobel foi criado em 1895. Desde então 110 pessoas, entre as quais 18 mulheres, foram agraciadas pelo Nobel no item paz. Mas houve também quem recusasse esse prêmio: Le Duc Tho.
A paz continua sendo pauta mundo a fora. E isso é bom.
Em 1967 o papa Paulo VI (1897-1978) criou o Dia Mundial da Paz.
A criação do Dia Mundial da Paz foi provocada pelo fato de o nosso planetinha estar à época correndo risco de morte. Vivia-se a era da Guerra Fria, iniciada em 1947. A URSS e os EUA viviam de dentes trincados e com bombas nas mãos. Esse estado de tensão findou com a queda do muro de Berlim em 1989 e, definitivamente, com o fim da URSS em 1991.
Em Guerra e Paz, Napoleão invade Moscou, que depois dá o troco pondo pra correr os franceses.

sábado, 7 de janeiro de 2023

UM ENCONTRO NA FEIRA


Espere aqui, responda: você já foi a uma feira livre e lá encontrou uma pessoa querida?
Pois bem, hoje 7, fui à feira e lá encontrei o amigo querido Jorge Araujo.
Jorge é de origem baiana, bom de papo, e considerado pelo mundo um dos mais importantes e sensíveis repórteres fotográficos do Brasil. Ele estava lá, na feira, ao lado do caçula Jorginho e do fiel "cãomunista" Fidel.
Foi uma festa, na feira, o encontro entre mim e Jorge e o filho mais o cão, que latiu e enroscou-se nas minhas pernas quando me viu. Não latiu, lambeu minhas mãos.
A feira em questão ocorre todos os sábados na Antonio Gordo, travessa da Eduardo Prado, onde moro.
O encontro foi registrado em fotos por minha caçula Clarissa.
Na belíssima ocasião ainda achavam-se comigo Ana minha filha mais velha e o seu companheiro Geremias.
Foi um encontro muito bonito, repito.
Da feira além da alegria que rendeu o encontro, trouxemos frutas e macaxeira da banca do querido Beto, cuja mãe dona Rosa tem mãos mágicas pra fazer a melhor tapioca do mundo. E como senão bastasse, Clarissa ainda comprou flores e do florista ouvi a expressão "não, meu amor", respondeu quando na minha vez perguntei se havia orquídeas para a minha Maria.
À expressão do florista, brincando, eu disse que jamais ouvira um homem me chamar de meu amor. Sem jeito, ele derreteu-se em desculpas. "É meu jeito, é meu jeito, o Sr. me perdoe". Achei graça e apertei sua mão.
O mundo precisa de mais carinho, de mais amor.
 A origem da feira livre você sabe?
Ninguém sabe com certeza quando começaram as feiras livres. 
Há indícios de que as feiras começaram séculos antes de Cristo, lá pras bandas do Oriente Médio.
No Brasil, sei não. Mas lembro que foi no município paraibano de Serra de Boi que iniciei meus primeiros passos nas feiras livres. De calças curtas, com 9 ou 10 anos de idade, nas feiras extasiava-me ouvindo cantador tocar viola e cordelistas cantar cordel.
A mais famosa feira livre do Brasil, a carioca de São Cristóvão, foi criada pelo cordelista cearense Raimundo Luiz do Nascimento e pelo cantador repentista paraibano José João dos Santos.
Raimundo, também conhecido como Santa Rosa nasceu em 1926 e morreu aos 92 anos de idade.
O pai de Raimundo, também chamado Raimundo, era delegado de polícia no Ceará e morreu por bala disparada por Lampião. O ano era o de 27. Raimundo, o filho fugiu de casa armado de um canivete decidido a matar o corpo e a alma do assassino do pai.
José João dos Santos, famoso pelo pseudônimo Azulão, nasceu no dia 8 de janeiro de 1932 e morreu em 2016. de morte morrida.
Azulão era um amigo meu. Confira uma das nossas conversas, clicando:

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

UM BRASIL PARA TODOS

 Sem dúvida importante foi a fala de Lula na abertura da reunião que pela primeira vez no seu novo governo reuniu toda a equipe ministerial, formada por ministros e ministras.

Com firmeza e objetividade Lula falou da necessidade de todos trabalharem e trabalharem visando o mesmo objetivo: a solução dos problemas que afligem os brasileiros e brasileiras mais necessitados. Disse que quem pisar na bola será educadamente convidado a se retirar da pasta, da equipe.

A  educação será um dos alvos prioritários no que tange a melhoria.

Várias vezes Lula enfatizou a necessidade de atender a toda a população,  independentemente de tudo. A tecla que mais tem usado é a que o lembra que foi eleito para governar todos os brasileiros e brasileiras, indistintamente. O Brasil é um só.

O primeiro governo de Lula foi um governo que enfrentou problemas de ordem administrativa.  Foi nesse governo que surgiram as denúncias que caracterizaram o escândalo do mensalão. "Compra" de deputados e tal. Houve muito barulho na imprensa e na área jurídica, mas escapou. Disse, defendendo-se, que fora traído.

No segundo governo Lula enfrentou denúncias de corrupção na Petrobras. Nova zebra, mas escapou e até conseguiu eleger o "poste" Dilma.

Torçamos para que Lula e seu governo façam para os pobres um país rico para todos.

Enquanto isso, bolsonaristas covardes continuam agredindo jornalistas em várias partes do País: Ceará, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. 

Hoje na capital mineira uma equipe do jornal O Tempo foi agredida por bolsonaristas radicais que ocupam um quartel. 

Ontem 5 um repórter fotográfico do jornal Hoje em Dia foi agredido por seguidores de Bolsonaro que ocupam o mesmo quartel em Belo Horizonte. Socorrida, a vítima recebeu pontos na cabeça. 


quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

MARINA DIZ QUE LULA PODE GANHAR NOBEL DA PAZ


Importantíssimo foi o discurso de posse da matogrossense do sul Simone Tebet, hoje 5 em Brasília, como titular do Ministério do Planejamento. Muita gente de posição graduada participou da solenidade. Ela foi incisiva, falando com firmeza os planos que tem para por em prática no Ministério. Lá pras tantas, disse:

"Os pobres estarão prioritariamente no Orçamento público. A primeira infância, idosos, mulheres, povos originários, pessoas com deficiência, LGTBQIA+. Passou da hora de dar visibilidade aos invisíveis. Tem de abarcar todas essas prioridades, sem deixar de ficar de olho na dívida pública."

Simone Tebet foi prefeita do município de Três Lagoas, MS, entre 2005 e 2010. Foi também vice-governadora do Estado em que nasceu, Mato Grosso do Sul, no decorrer dos anos 2010-2015.
A posse da acreana Marina Silva ontem 4, como ministra do Meio Ambiente também foi muito concorrida. Estava assim de gente na sua solenidade de posse. Depois de dois parágrafos, destacou no seu discurso:

"Vamos ter uma ação que respeita o multilateralismo, mas vamos atuar internamente para que o Brasil volte, em vez de pária ambiental, ser o país que vai nos ajudar a finalizar o acordo com o Mercosul, que a gente consiga trazer os investimentos, que consiga abrir o mercado para nossos produtos, que a gente deixe de ser o pior cartão de visitas para nossos interesses estratégicos e passe a ser o melhor cartão de visita."
Marina, ex-senadora, elegeu-se deputada federal na última eleição. Ainda no seu discurso de posse como ministra do Meio Ambiente, disse que se a frente da sua pasta conseguir zerar o desmatamento na Amazônia Lula poderá, ao fim e ao cabo, ser aplaudido pelo mundo e agraciado pelo Nobel da Paz.
O ex-governador de São Paulo e vice-presidente da República da chapa de Lula, Geraldo Alckmin, também tomou posse ontem 5 como titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Disse um monte de coisas legais. Foi aplaudido, especialmente quando fez referência à questões climáticas no Brasil. Disse: 

Alckmin no traço de Fausto, à época de seca em São Paulo

"É imperativa a redução da emissão de gases de efeito estufa, o estabelecimento de uma política de apoio a uma economia de baixo carbono, privilegiando tecnologias limpas e dando início a um processo produtivo eficiente e sustentável."

Em 2014/2015 Alckmin era governador de São Paulo e no período houve uma crise hídrica que atingiu todo o território paulista. Ele disse ter feito tudo para evitar racionamento, mas não foi possível. Aconteceu: houve racionamento, embora tenha desenvolvido uma campanha pedindo compreensão da população para evitar desperdício de água. "É preciso equilíbrio, para evitar racionamento", disse em vão.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

A HISTÓRIA DO BRASIL RECOMEÇA

 O atual vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (ao lado), é também ministro da Indústria e do Comércio.
Acredito no político Alckmin. Eu o conheci num tempo qualquer do século passado. Num tempo em que eu respondia por um cargo ligado à imprensa da CPTM, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Antes. Bom papo, boa gente.
Eu trabalhava na TV Globo quando o Quércia (1938-2010) me chamou pra assumir a chefia de comunicação da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo. Ele tava doido e eu, também.
Troquei a Globo pela Agricultura.
Dessa secretaria de Estado fui, à convite do colega jornalista José Nêumanne, diretamente assumir a chefia da Editoria de Política do Estadão. De lá fui pra rádio Jovem Pan, e da Pan fui para o Metrô onde assumi a chefia do departamento de Imprensa.
Sai do Metrô e fui passear, que ninguém é de ferro. Publiquei livros e tal.
Um dia fui chamado para trabalhar na CPTM. Seu presidente Oliver Hossepian disse que precisava das coisas que possivelmente eu poderia fazer. Achei interessante o convite e topei.
À época, o governador de São Paulo era Geraldo Alckmin.
Tanto no Metrô quanto na CPTM, desenvolvi um trabalho cultural paralelo ao trabalho desenvolvido diretamente ao dia a dia da imprensa.
Aposto no Alckmin como companheiro do Lula.
O discurso de hoje 4 feito por Alckmin em Brasília, na sua posse, é altamente significativo, especialmente aqui:

... Saiba, que o senhor terá de mim, não apenas a lealdade que um ministro que se soma a de um vice, mas minha dedicação integral em prol de uma agenda que contribua para reverter os resultados inaceitáveis que nossa economia vem acumulando nos últimos anos. 
[...] 
A nossa união, presidente Lula, não é episódica, de ocasião ou por uma eleição. A nossa união é por um país, por um povo e pelo seu direito de viver em um regime democrático e em um país verdadeiramente produtivo. Tenha em mim, presidente Lula, aquele a quem o senhor poderá confiar sempre a primeira e mais árdua missão, porque é inabalável o meu compromisso com o senhor, o seu governo e o nosso país. Que venham dias de crescimento e justiça social.
Há muita gente bonita representando o Brasil nesse 3º governo de Luís Inácio Lula da Silva.
Todos os seguimentos da vida brasileira estão representados no governo Lula 3. 
História a ver.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

AINDA 20 DIAS QUE SACUDIRAM O BRASIL

De certo modo sinto não ter publicado, no tempo aquele, o livro 20 Dias que Sacudiram o Brasil. Esse é um livro que retrata uma parte periclitante que o Brasil viveu, naqueles distantes anos de 1990. Collor, eleito com 40 anos de idade, mostrou-se no seu comportamento playboy uma figura altamente desrepresentativa do povo brasileiro. Como presidente, Collor foi lamentável do começo até o impeachment. O período foi, de certa forma, salvo pelo baiano Itamar Franco. Itamar revelou-se um político necessário ao Brasil daquele tempo. Audálio Dantas, colega e amigo jornalista das Alagoas, sacou tudo isso. Tudo aquilo. E, disse-me, que faria o prefácio de 20 Dias que Sacudiram o Brasil com muita alegria. Essa, segundo ele, era uma maneira de pôr seu bedelho nessa história. E é o que segue. Leiam:
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Neste relato das aflições que marcaram a cena brasileira, num curto período de vinte dias, Assis Ângelo exercita, de maneira simples e direta, a arte de fazer notícia. O que, aliás, é obrigação de todo jornalista que se preze.
Eis aqui uma notícia breve, curta, incisiva sobre um pedaço da tragédia brasileira. Um ato de extraordinária movimentação, que se inicia com as cenas iluminadas da esperança a explodir nas ruas, nos rostos pintados dos meninos, no grito do povo geral reunido nos comícios e termina frêmito de medo que percorre as praias cariocas assoladas pelos arrastões.
O Brasil mudou nesses vinte dias? De um modo ou de outro, mudou.
Collor escorraçado do Palácio do Planalto, onde permanecera por mais de dois anos a esbanjar a vaidade e a arrogância de pequeno ditador de província, não significou apenas a mudança que todos esperamos seja definitiva para a Casa da Dinda. Na esteira de seus passos, na retirada humilhante, cresceu o clamor popular contra a impostura, a safadeza, o furto descarado de um grupo que, ao invés de um projeto político, tinha montado uma quadrilha para assaltar o poder.
Naquele instante o povo se apropriava do direito secularmente usurpado da cidadania. Como nunca acontecera antes, em nossa História, o povo falou pela boca de juizes e parlamentares. As instituições se dignificaram ao interpretar o clamor das ruas. Então, houve uma importante, importantíssima mudança.
Mas a tragédia brasileira não se encerra nesse ato de afirmação popular. O rastro de miséria deixado por Collor em sua passagem apenas marcou mais fundo a miséria secular que atinge a imensa maioria do nosso povo.
Mal Itamar Franco sobe ao poder, caem as bolsas de valores e sobe a cotação do dólar no câmbio negro, numa imediata demonstração de que os donos da riqueza não estão dispostos a perder nada. Com Collor ou sem Collor, a chamada elite quer continuar no seu bem-bom, mesmo que pairando sobre o abismo da miséria mais abjeta. Por isso, um ministério formado em sua maioria por "desconhecidos", alguns até nordestinos, a assusta. E faz com que ela se previna do jeito que sempre fez; remarcando os preços. Porque - a velha história pode vir por aí algum pacote.
Tudo isso acontece enquanto o país navega da esperança à frustração, da alegria dos cara-pintadas ao ranger de dentes do inferno superlotado da Casa de Detenção de São Paulo e do ódio que apagou o sorriso das crianças da Febem.
Assis Ângelo, jornalista, nos dá a notícia que já é história, no livro curto que é um registro, um lembrete, um corte que sintetiza em vinte dias uma tragédia de cinco séculos.
Em flashes, ele nos dá conta das coisas acontecidas nesses vertiginosos dias: o povo nas ruas, à espera do momento de libertar o grito de vitória pela queda de Collor; três dias depois, a descida ao inferno de fogo e sangue da Casa de Detenção; a posse desajeitada do novo presidente e a escolha de seus ministros; a constatação, pelo ministro do Trabalho, de que o salário mínimo é seis vezes menor do que deveria ser o justo e necessário, mas que não há jeito a dar nessa miséria, porque o país não tem com que pagar; o vôo que levou Ulysses Guimarães e com ele muitas das esperanças por um país mais digno.
Finalmente, no vigésimo dia, o arrastão nas praias da zona sul carioca, que são pedaços, ilhas felizes cercadas de miséria por todos os lados, menos um, o do azul das águas. Como num samba dos anos de resistência à ditadura, o morro está descendo. Depois daqueles vinte dias é possível que lhe dêem vez.
 
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Leia o texto original:
 


 

20 DIAS QUE SACUDIRAM O BRASIL (4, FINAL)

... E pensar que o Sr. Fernando Affonso Collor de Mello, um ex-caçador de "marajás" — como se autodenominava — e redentor dos chamados "pés descalços" e "descamisados" (que se multiplicam aos milhões todos os dias pelos rincões deste País sem fim) pretendia permanecer à frente dos nossos destinos por um período mínimo de 30 anos… Argh!, chega a arrepiar. Deus do céu! E que palhaçada! Que dizer de alguém metido a poliglota, e investido (legalmente, para infelicidade nossa) no cargo de presidente da República Federativa do Brasil, que recebe pomposamente — na ilusão de se fazer mais importante — o mundialmente consagrado e competente escritor peruano Mário Vargas Llosa, com a seguinte frase:

— Eu estou torciendo por vocé, Mário.

Pois é, dizer o que?

O correto seria: "Estoy haciendo barra por usted, Mário." Quem duvidar, que leia o livro de memórias de Llosa, El Pez en el Agua (Ed. Seix Barral). Antes de cometer essa barbaridade linguística, Collor sacou a frase que levou o humorista Jô Soares ao delírio:

— Duela a quien duela.

Afe!

E nós, ó, só sofrendo. Pra lembrar: no dia 26 de abril de 1984 foi rejeitada a emenda Dante de Oliveira, que restabelecia a eleição direta para presidente da República. Um ano depois, no dia 21 de abril, morria Tancredo Neves, eleito pelo Colégio Eleitoral. Surgia a malfadada Nova República. O então presidente José Samey lança o Plano Cruzado e é endeusado — a desilusão viria depois. Entre 1987 e 1988 é redigida e aprovada por deputados e senadores a Constituição que nos salvaria a todos — era o que se dizia na época, mas o tempo se incumbiria de comprovar o contrário. Finalmente, a maior de todas as decepções:

Collor, um aventureiro desconhecido, chegaria ao poder...

As decepções, porém, não devem, jamais, suplantar os sonhos e esperanças de um povo.

Nada como um dia atrás do outro.

Em frente!

Cerca de 35 milhões de brasileiros acreditaram nas promessas de Collor e depois se arrependeram. Pudera! Coisas da vida.

Ah! Sim: Segundo o folclore, o boto é um golfinho muito safadinho e louco por rabo de saia, que na calada da noite costuma seduzir virgens e mulheres casadas às dúzias, nas margens dos afluentes do rio Amazonas, onde mora. É um perigo danado. Não custa lembrar que Bernado Cabral nasceu naquela região.

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Abaixo, leia o texto nas páginas originais: 




domingo, 1 de janeiro de 2023

20 DIAS QUE SACUDIRAM O BRASIL (3)


Para piorar a situação de Collor e seus asseclas surgiu, através das páginas de Isto é (revista semanal com grande índice de leitura no País), um humilde motorista nordestino do Rio Grande do Norte de nome Francisco Eriberto Freire França, falando com desenvoltura e propriedade da perigosíssima ligação entre PC Farias e a secretária do próprio Fernando Collor, Ana Acioli. Isso no dia 28 de junho de 1992. Para complicar foi inventada, no princípio de agosto, uma tal "operação Uruguai" (denunciada pela ex-secretária da ASD Empreendimentos Ltda., Sandra Fernandes de Oliveira), com a pretensa finalidade de justificar a origem de alguns milhões de dólares conseguidos sabe Deus onde. Paralelamente a tudo isso, já pululavam os "fantasmas" de PC em inúmeras agências bancárias do País e na imaginação criativa do povo brasileiro. Até folhetos de cordel o tema rendeu, além de sambas, pagodes, canções e até uma minissérie de televisão (Marajá, da TV Manchete).

Desesperado com tantas denúncias, Collor só faltava arrancar os cabelos (logo ele que sempre gostou de andar com a cabeleira arrumadinha). E haja gel! Durante um jantar na casa do deputado Onaireves Moura (PTB-PR), no dia 16 de setembro, o presidente Fernando Collor ainda abriu a boca e soltou impropérios de todo tipo contra Deus e todo mundo. Na ocasião, sobraram pesadas farpas para o desaparecido deputado Ulysses Guimarães, que foi injustamente chamado de "esclerosado, senil, decrépito" e acusado de ser "um bonifrate dos interesses econômicos de São Paulo".

Era o sinal da loucura, do desespero de Collor.

Para encerrar essa triste e lamentável história, o povo resolveu ir às ruas — os estudantes adoraram — e forçar um basta contra o descalabro que já enojava a Nação inteira. A Câmara aprovou o pedido de impeachment (processo por crime de responsabilidade cuja pena principal é a perda do cargo) feito formalmente no dia 12 de setembro pelos presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Marcello Lavanere Machado e Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho, respectivamente.

Era o fim, não havia mais jeito.

O destino do Sr. Fernando Affonso Collor de Mello foi selado no dia 29 de setembro, dia de histórica votação na Câmara dos Deputados. Mas, atenção, é erro grave imaginar que os únicos ladrões (e/ou corruptos) que infestam o Brasil atendem só por Collor e sua cara-metade de aventuras, PC Farias ( até agora, junho de 1993, PC foi indiciado em 34 inquéritos policiais; seu sócio, Jorge Bandeira, foi enquadrado nove vezes em 19 artigos do Código Penal Brasileiro).

Comecemos, agora, a narrativa da incrível história dos 20 dias que mudaram os rumos deste País. Quer dizer, mudaram mas os escândalos, como a indústria da seca (que anualmente rende US$ 1 bilhão aos espertalhões de plantão), os roubos e as safadezas de todos os tipos continuam aí. Quer dizer, rigorosamente continuamos na mesma, sem saber direito para onde ir. Nesse ponto, basta darmos uma olhadela despretensiosa em volta para constatar que os usineiros, por exemplo, vão muito bem, obrigado, com suas usinas falidas mas com bens materiais incalculáveis, entre os quais mansões "hollywoodianas" no Brasil e no exterior, fazendas, carros, iates, aviões etc. e, ainda por cima, recebendo benesses do governo Itamar a toda hora e a todo instante. Quem diria, hein?

Mais uma coisa: a burguesia é uma senhora gorda e aética que costuma ficar sempre do lado de quem ganha, seja em que situação for. Portanto o povo que se cuide, pois nem sempre — está definitivamente provado — depois de uma grande tempestade reina a santa e sagrada calmaria tão ansiosamente esperada por todos.

Saravá!

sábado, 31 de dezembro de 2022

20 DIAS QUE SACUDIRAM O BRASIL (2)

A série de escândalos da era Collor começou com a deslumbrada ex-ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, trocando bilhetinhos apaixonados por baixo da mesa em reuniões de trabalho, no Palácio do Planalto, e dançando em casa de amigos o bolerão Besame Mucho, de rosto colado com o descolado ex-ministro da Justiça, Bernardo Cabral, em outubro de 1990. O romance que deixou a Nação perplexa e acabou melancolicamente numa cama de hotel em Paris, rendeu um belo samba (ainda inédito) do genial compositor paulistano Paulo Vanzolini, autor de Ronda e Volta por Cima. O samba é assim:

Minha neguinha
Hoje eu acordei disposto
Pra fazer seu gosto
Vamos nos casar

Hoje é o dia
De enfrentar a Pretoria
De na pausa ou na agonia
A gente se amarrar

E o padre e o cartório
Já estão avisados
O bifê tá contratado
Nada vai faltar

Você se pinte
Você se enfeite
Você se vista
Que eu vou dar uma passada
No dentista e volto já.

traço de Fausto Bergocce

Depois do malfadado bolerão de autoria da mexicana Consuelo Velasques, e da fuga estratégica do boto Cabral, de Paris, foi a vez de o próprio Collor soltar a franga no reveillon de 1990, em Angra dos Reis, RJ, a bordo de caríssima e sofisticada lancha do playboy Alcides dos Santos Diniz, o Cidão, um dos seus amigos do peito. Diante dessa moleza toda, o monstro da inflação resolveu despertar e pôr toda a sua maldade para fora. Azar nosso!

Com a inflação então na casa dos 20% ao mês, a ministra da Economia acabou sendo posta no olho da rua (8/5/1991) e ao País apresentada a figura desengonçada do embaixador neoliberal de mentirinha Marcílio Marques Moreira, que da noite para o dia virou ministro da Fazenda e papa da economia brasileira. Um horror! Começou, em seguida, uma onda gigantesca de privatizações varrendo o País, de cara com a Usiminas sendo entregue à iniciativa privada pela bagatela de Cr$ 709,6 bilhões, sob protesto e muito pau entre operários e engravatados em geral ( e com a presença da polícia, que efetuou várias prisões) no dia 24 de outubro de 1991. Detalhe: cena idêntica viria a ocorrer meses depois já durante o governo Itamar Franco quando, depois de muito disse-me-disse, foi anunciado ao País, mais uma vez, o leilão da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de Volta Redonda, a maior fabricante de folha-de-flandres da América Latina e a mais importante usina do Continente.


A equipe ministerial é refeita.

No dia 11 de maio de 1992, pra desespero de muita gente, é posta uma bomba do tamanho de um trem no caminho do super-Collor: seu irmão mais novo, Pedro Collor, denuncia por razões pessoais o enorme esquema de corrupção comandado pela eminência parda do governo que atendia pelo nome de Paulo César Cavalcante Farias, o PC.

O bafafá deu no que deu.

A partir daí foi instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias. Essa CPI, chamada de CPI do PC, acabou provocando um incêndio de grandes proporções na Casa da Dinda e levando às favas, e de roldão, um jardim babilônico de US$ 2,5 milhões e 13 mil m2 de área verde, oito cachoeiras, piscina de 100m2 e um lago com 1,5 milhão de litros de água especialmente tratada etc.

O fim já estava bem próximo.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

20 DIAS QUE SACUDIRAM O BRASIL (1)


O carioca Fernando Collor de Mello elegeu-se como o mais novo presidente da República com 40 anos em março de 1990 pelo Partido Republicano Nacional, PRN. Pintou e bordou, mas teve de deixar o cargo depois de acusado de envolvimento num esquema de corrupção, por isso ganhou muitos processos e acabou “impichado”. O placar que o pôs pra fora do Planalto foi de 76 senadores a favor, 3 contra e 2 omissos. Isso no dia 30 de dezembro de 1992. Tentando desesperadamente evitar a cassação ou impedimento, Collor apresentou carta-renúncia. Não colou, pois os senadores não engoliram o blá-blá-blá do missivista. No seu lugar sentou-se o baiano Itamar Franco (1930-2011). Fez um bom governo e foi da sua equipe que saiu o presidente que o substituiu: Fernando Henrique Cardoso, criador do Real como moeda nacional. Lula o substituiu e o resto é história. O texto que se segue eu o escrevi há 30 anos como introdução do livro 20 Anos que Sacudiram o Brasil. Inédito porque, ai ai ai, esqueci de publicá-lo. Os originais foram encontrados por acaso numa das prateleiras do meu acervo junto com a capa desenvolvida pelo craque do traço Juarez Carvalho. O prefácio foi feito pelo jornalista Audálio Dantas (1929-2018). A apresentação teve a assinatura de José Nêumanne Pinto e o posfácio de Fernando Coelho. É isso.

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“A liberdade de imprensa é um direito da sociedade e, portanto, um dever do jornalista.”

Barbosa Lima Sobrinho
Presidente da Associação Brasileira da Imprensa


No curto período de 20 dias — de 29 de setembro a 18 de outubro de 1992 — o Brasil deu um arriscado giro de 180 graus no seu corpo gigante e ganhou uma nova cara. Não novíssima, mas nova; pois é certo que ainda há muito o que fazer para que o Brasil entre nos seus devidos eixos. Enfim, como bem lembrou o cantor e compositor Geraldo Vandré, num bate-papo comigo na sua casa, em São Paulo:

— O povo ainda tá de tanga na rua.

Pois é.

As bases fisiológicas que historicamente têm possibilitado o descalabro e a corrupção continuada na máquina administrativa do País (a sonegação de impostos chega à casa absurda dos US$ 50 bilhões por ano, segundo as estimativas mais otimistas) continuam firmes e sólidas como nunca. Nesse particular, a imprensa continua deitando e rolando, vendendo jornal e faturando ibope. E só. De todo modo, porém, é muito cedo para se saber com precisão a real dimensão e importância da mudança em si só inédita e histórica (na forma e no conteúdo) no Brasil e em todo o mundo. Não vale citar o caso de Carlos Andrés Pérez, presidente derrubado pelo Senado venezuelano, sob a acusação de embolsar algo em tomo de US$ 17 milhões do erário público.

Essa mudança entre nós começou com estudantes de cara-pintadas protestando contra o governo nas ruas. Culminou primeiro com a aprovação do pedido de impeachment (por corrupção) contra Collor na Câmara dos Deputados e sua posterior renúncia à Presidência da República exatos dois meses depois quando o Brasil começava a respirar mais aliviado das muitas humilhações até então sofridas.

A renúncia não foi aceita e o pedido de impeachment foi avante.

A queda do presidente Fernando Collor não foi, a rigor, surpresa para ninguém. Era esperada sim, pois nem o Brasil e nem os brasileiros mais simples suportavam mais ler ou ouvir falar a respeito de tantas denúncias de assaltos à luz do dia ( e/ou à calada da noite) aos cofres públicos, apresentadas diariamente pela imprensa nacional e estrangeira, envolvendo o nome exatamente de quem foi eleito para moralizar e pôr o País no caminho da prosperidade, do respeito e do desenvolvimento industrial, como exaustivamente era prometido pelo então candidato do PRN em modernoso e aventureiro discurso durante a sua fulminante e vitoriosa campanha à presidência da República.

O governo Collor — encerrado definitivamente no dia 30 de dezembro de 1992 — colecionou em pouco mais de dois anos uma vergonhosa série de escândalos de todos os tipos, incluindo o incrível e criminoso sequestro da poupança dos brasileiros (infelizmente aprovado pelo Senado, não nos esqueçamos) e das aplicações legais no mercado financeiro.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

PELÉ, UMA LENDA NA TERRA E NO CÉU


 
Clique na imagem, para ler
O mundo acaba de perder aquele que foi o maior craque de futebol de todos os tempos: Pelé, aos 82 anos de idade.
O mineiro de Três Corações Edson Arantes do Nascimento, Pelé,  acaba de morrer de câncer às 15:56hs no Hospital Albert Einstein. Nesse hospital ele se achava internado desde o último 29 de novembro, há exatamente um mês.
Pelé começou sua carreira no Santos. Tinha 15 anos de idade em 1955 quando pra todos os efeitos marcou seu primeiro gol. Foi contra o Corinthians de Santo André,  SP. Dois anos depois o técnico Feola o levou para integrar o time que representaria o Brasil na Suécia. E foi lá, na Copa de 58, que ele mostrou a que vinha. 
Pelé marcou uma porrada de gols. o milésimo ele o marcou em João Pessoa, em confronto com o Botafogo paraibano. LEIA: PELÉ, 80 ANOS
Em texto publicado na edição de 8 de março de 58, na Revista Manchete Esportiva, o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues chamou pela primeira vez Pelé de Rei. Confiram: MEU PERSONAGEM DA SEMANA
"Todo mundo já esperava a morte de Pelé, mas ao acontecer isso todo mundo ficou surpreso. Um choque!", disse pesaroso o cartunista Fausto Bergocce. "Inacreditável!", acrescentou. 
Eu, particularmente, nunca fui torcedor do Santos. Não desconheço, porém, que Pelé foi desse time o maior jogador. E também das seleções de 1958 e 1970. Insuperável. Com ele em Campo, o impossível saía dos seus pés. 
Vocês aí assistiram o filme Pelé Eterno?
Pelé Eterno é um filme do diretor Aníbal Massaini, que me convidou pra auxiliá-lo na escolha da trilha sonora. Fiz isso. No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acham centenas de músicas que tratam de Pelé. O filme de Massaini abre com uma música do paraibano Jackson do Pandeiro: Rei Pelé.
Pelé chegou a meter-se na política, mas sem disputar nenhum cargo eletivo. Explico e lembro: FHC criou o Ministério dos Esportes e o convidou para assumí-lo. História. 
Lá em cima tem jogo. Grandes craques lá estão. Garrincha, por exemplo. 
Como Pelé não há outro. E dificilmente haverá.
Curiosidade: Pelé compunha, tocava e cantava. Existem também muitas músicas sobre ele.
Pelé chegou a cantar com Elis Regina e Jair Rodrigues.
 
 

BRASÍLIA EM POLVOROSA

 A tarde de terça-feira de 29 de dezembro de 1992 fervia, em Brasília. Como hoje, quinta.

Naquele dia de exatos 30 anos atrás o carioca boçal Fernando Collor de Mello era posto entre a cruz e a espada. Sobre ele pesavam acusações de corrupção. PC Farias, seu testa de ferro fazia tudo para encher os bolsos de dinheiro público. 

Hoje 29 policiais federais foram a campo em sete Estados com 32 mandados de prisão e de busca e apreensão. A ordem foi dada pelo presidente do TSE, Alexandre de Moraes. O alvo tinha a ver com os responsáveis pelo quebra-quebra geral na noite de 12 último após a diplomação de Lula como novo presidente da República. 

Na tarde de 29 de dezembro de 1992 Collor encaminhou ao Senado carta em que anunciava a renúncia do cargo de presidente. Foi lida e tal. Logo após foi aberta no Senado a sessão que resultaria em impeachment e suspensão dos direitos políticos por oito anos. Isso já na madrugada de 30.

No final da manhã de hoje Lula anunciou os dezesseis nomes que ainda faltavam para formar o grupo de 37 ministérios do governo que iniciará no próximo dia 1º. 

A propósito da posse de Lula milhares de policiais civis e militares, estaduais e federais, estarão mobilizados e atentos para agir diante de qualquer movimento suspeito.

Lula ainda não decidiu se vai desfilar em carro aberto ou não. 

Há 30 anos, logo após a queda de Collor, escrevi o livro 20 Dias que Sacudiram o Brasil. Não foi publicado. Os originais desse livro foram achados num lugar qualquer do Instituto Memória Brasil, IMB. Tem textos de apresentação, prefácio e posfácio dos colegas jornalistas José Nêumanne, Audálio Dantas (1929-2018) e Fernando Coelho. 

Voltarei ao assunto.



quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

LULA: O DIA DA POSSE ESTÁ PERTO

 De fato, são muitas as expectativas em torno da posse do novo presidente do governo que está se formando. 

As barracas e sei lá o que dos bolsonaristas aloprados armadas em torno do QG do Exército em Brasília estão sendo desmontadas. Menos mal.

Lula ainda não decidiu se vai desfilar no carro chique que o governo americano deu ao governo brasileiro tempos atrás. Opa! Eu disse isso?

O carro em questão, um Rolls Royce, foi comprado pelo governo brasileiro e inaugurado pelo presidente Getúlio Vargas em 1953. Custou a bagatela de 420 mil dólares. A informação é do jornalista e escritor Lira Neto, um dos biógrafos de Vargas.

O novo comandante do Exército já foi escolhido, Júlio César de Arruda.

Há expectativas vibrantes para o anúncio dos 16 nomes que faltam para formar o grupo de 37 ministérios do que será o terceiro governo de Lula. Extraoficialmente, falam-se às escancaras que Simone Tebet já foi indicada para ocupar a pasta do Planejamento. Ana Moser e Marina Silva deverão ser respectivamente as titulares dos Esportes e do Meio Ambiente. 

O Ministério dos Esportes foi criado no governo de FHC. O seu primeiro titular foi o mineiro Edson Arantes do Nascimento, mundo afora mais conhecido como Pelé.

Pelé, eterno rei da bola, está há 29 dias internado no hospital Albert Einstein. 

Há muitas expectativas em torno de Pelé.  Está com câncer que vem se agravando a cada dia. Tomara que fique bom, curado do maldito tumor que o vitima. 

Enquanto isso, atenção: o tal que afunhenhou o Brasil deverá ir para o raio que o parta amanhã 29. Dizem às escancaras que ele, sim aquele, aquele mesmo comparado ao capeta aqui na Terra, vai passar uns dias em Orlando (EUA) e em seguida afogar mágoas e lágrimas nos braços daquele outro. Sei não, não sei mesmo, mas acho que os dois têm um caso. Que caso é esse, não sei.

Atenção, atenção de novo: está descartada a possibilidade de Bolsonaro passar a faixa presidencial a Lula.

Só uma vez um presidente, um ex, deixou de passar a tal faixa. Foi Figueiredo,  o general que detestava o cheiro de povo e adorava, digamos, o afago dum cavalo. Eu, hein!

Enquanto isso, discretamente, o Centrão faz da moita seu lar.

JOVEM PAN 

Hoje 28 liguei a Pan e ouvi o Jornal da Manhã. Os comentaristas de mesa estavam sumidos. Hummm.

No horário não escutei o Morning Show, por que hein? Detalhe: na hora, pouco antes talvez, escutei uma voz impostada dizendo que a Pan é uma rádio do caralho, que só dá notícia verdadeira e coisa e tal. Nada de apoiar golpe e golpista, disse ainda o locutor. Então tá, né?

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

EXPECTATIVAS NO AR DE BRASÍLIA

 Há uma grande expectativa no Brasil.

Para o bem ou para o mal, sempre houve expectativa no Brasil. 

Oficialmente, Lula toma posse do cargo de presidente no próximo domingo 1°.

A posse do novo presidente já está cercada de grandes expectativas. E tensão. Esperam-se cerca de 350 mil pessoas na solenidade de posse em Brasília. Muitos chefes de governo, incluindo o rei da Espanha, deverão comparecer ao ato.

Milhares de policiais, incluindo todo o contingente de segurança do Distrito Federal, estarão a postos e atentos a quaisquer situações que possam parecer estranhas no domingo que vem.

Agora há pouco, ali pelas 11, o governador do DF, Ibaneis Rocha, e os futuros ministros Flávio Dino (Justiça) e José Múcio Monteiro(Defesa), concederam coletiva de Imprensa para falar sobre o esquema de segurança. Falaram da prisão do terrorista George não sei o quê e se Lula vai ou não desfilar em carro aberto. As pessoas de bom senso acham que não deve.

Repórteres quiseram saber de Ibaneis, Dino e José Múcio se os aloprados bolsonaristas que ocupam a área dos quarteis serão postos pra correr antes ds posse de Lula ou não. No ar ficou a interrogação. 

Há também muita expectativa em torno do anúncio dos nomes que faltam para formar o quadro de ministros/ministérios.

Se vou à Brasília?

Não, não vou à Brasília. 

JOVEM PAN

Liguei hoje de manhã a rádio Jovem Pan e não achei o noticiário polêmico que desenvolve. No lugar, só música estrangeira. O que houve com esse noticiário, hein?

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