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quarta-feira, 29 de maio de 2024

ATENÇÃO: RADIOCÊNICA NO AR!



A tal rede social levada avante por essa coisa chamada Internet acaba de ser enriquecida com a Radiocênica, criada e dirigida por Poliana Helena e Julian Cuccarese. Coisa de altíssimo nível. Digo isso não é porque estou nessa rádio encerrando o primeiro semestre do ano de 2024.
Pra falar a verdade, essa rádio que está sendo levada ao ar pelo Spotify é de fato ótima. Não, não, digo de novo: não é porque fui o escolhido a dizer certas coisas a respeito da nossa cultura popular e tal. O papo que rolou entre mim, Poliana e Julian girou basicamente em torno do bom mineiro, hoje saudade, Téo Azevedo (1943-2024).
Acompanhem a nossa conversa clicando aí no post.


 

terça-feira, 28 de maio de 2024

VISITA COM BOM PAPO CULTURAL

Batendo um rango: Alfredinho, Edson, Dantas do Forró, Fatel e Assis

Assis Angelo, Alfredinho e Fatel Barbosa
Ontem 27 tive a alegria de receber em casa o deputado federal Alfredinho, PT.
Acompanhando Alfredinho, piauiense de Oeiras, veio a sua amiga e incentivadora Fatel Barbosa e o assessor "especial" Edson.
Há tempos Alfredinho, que foi vereador por São Paulo por três legislaturas, alimentava o desejo de conhecer o acervo cultural que construímos no correr dos últimos 50 anos. Gostou. Disse que nunca havia conhecido um acervo tão importante, em quantidade e qualidade. Pois, pois.
No passar dos anos recolhemos mundo afora, Portugal e França inclusive, histórias e discos de todos os formatos: 76RPM, 78RPM, 33RPM (LPs), 45RPM (Compactos), CDs, filmes, DVDs, jornais, revistas antigas, livros sobre música, principalmente, e tudo mais. No total há no nosso acervo pelo menos 150 mil itens, incluindo ainda milhares de fotografias e de partituras.
Estou completando 72 anos. O que farei com esse acervo nos próximos... A ideia que me vem à memória é transformar o acervo num ambiente cultural aberto a pesquisas. 
Fatel lembrou que tenho gravadas algumas dezenas de músicas e poemas de minha autoria. Entre as músicas algumas compostas em parceria com Gereba, Jarbas Mariz, Jorge Ribbas e Téo Azevedo (1943-2024). Fora isso, há filmes de que participei como consultor: Pelé Eterno, Gonzaga - de Pai pra Filho e o curta Boi, premiado mundo afora.
Entre as composições com Téo acham-se Modinha à Moda Mineira, Caminhando com Vandré, O Índio, Clarissa e outras. As duas últimas receberam gravação de Fatel.
Clarissa integrou a trilha sonora do filme Saudade do Futuro.
Alfredinho, eleito vereador pela primeira vez em 2008, tem 64 anos de idade e tem muitas ideias aprovadas em plenário e  postas em prática.
No campo da cultura, Alfredinho continua fazendo o bem. Há uns dois ou três anos, criou o prêmio Anastácia.
Depois da visita, fomos almoçar num restaurante da rede Feijão de Corda, ali na rua Santo Amaro, Bela Vista, onde já nos esperava o cantor Dantas do Forró. 



LEIA MAIS

Hoje é o dia de brincar no Brasil e mais 40 países. A data serve para lembrar da necessidade e importância de as crianças brincarem, se divertirem na vida. Ser criança é um barato.

domingo, 26 de maio de 2024

A CARREIRA DE BOCELLI É UMA FESTA

Sampa 25 maio. 

A noite fria encobria a cidade, fazendo tirintar passantes incautos. Outros mais prevenidos caminhavam enfiados em roupas quentes.

Uma garoinha atrevida punha suas unhinhas pra fora. Uma graça.

O auto de aplicativo parou a poucos metros do portão C do gigante Allianz Parque, ali junto do centenário Parque da Água Branca. Descemos. 

Um cartaz anunciava a presença do tenor italiano Andrea Bocelli. Hora marcada: 21.

Pessoas de simpatia contagiante, escaladas para atender o público, nos atenderam. 

"Vocês vão assistir a uma apresentação fantástica", disse-nos com sorriso largo uma das pessoas da equipe da estrela italiana.

Uns 30 minutos depois de nos acomodarmos, apareceu no palco um "artista convidado" cantando na língua de Caruso. Nome: Davide Carbone. Palmas, palmas e palmas.

O público presente soltou-se. 

Logo depois o mesmo Davide pegou o microfone pra dizer que Bocelli, 64 anos, já estava pronto. Em seguida disse que o show era dedicado ao povo do Rio Grande do Sul, vitimado pelas enxurradas provocadas pelas chuvas intermitentes despachadas pelo céu.

Da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, especialmente convidada para brilhar na noite, saíram notas do nosso caudaloso Hino Nacional.  Emocionei-me. Mais: surpreendi-me pela dicção clara e voz segura, quase familiar, de Davide.

Não tardou e o nome mais esperado da noite adentrou ao palco interpretando com sua possante voz a ária La Donna è Mobile da ópera Rigoletto, de Verdi.

Andrea Bocelli, cuja carreira de 30 anos está comemorando agora, trouxe consigo a soprano Cristina Pasaroiu e a violinista Caroline Campbell. Lindas.

Além das duas beldades, talentosíssimas, Bocelli trouxe o seu bambino Matteo, 26 anos. Voz possante. 

A principal estrela da noite foi e veio ao microfone umas cinco ou seis vezes, dando desse modo espaço e vez aos seus convidados, incluindo aí um casal de bailarinos que parecia voar. 

A surpresa da noite foi a cantora paulistana Sandi que cantou numa língua que não consegui identificar. 

Foi uma noite bonita, mas não posso deixar aqui de contar uma gracinha. Ao entrar no carro de volta pra casa, ouvi alguém fazer a seguinte observação: "Cara, o cara canta prá caralho. E é cego!"

Baixa o pano.

COMBATE À CEGUEIRA 

Hoje 26 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma. 

O glaucoma é um dos muitíssimos males que atacam,  sem dó nem piedade, os olhos humanos. Surge com mais frequência já nos primeiros meses de vida do menino ou da menina. Não tem cura, mas se for identificado logo o sofrimento da vítima será menor. 

Fica o registro. 



LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (101)

A jornalista, poeta e romancista potiguar Irene Dias Cavalcanti, trocou seu Estado pelo Estado da Paraíba, quando tinha uns 15 anos de idade. Talvez menos.

Como observadora da vida cotidiana, Irene escreveu muita coisa na forma de poesia e prosa abordando a temática erótica.

No começo dos anos 1960, ela andou publicando livros de poesia falando do prazer sexual da mulher, negado pelo machismo. Exemplo:

Quero um homem

forte e viril

cobrindo meu corpo todo

penetrando-o num impulso

másculo e voluptuoso

eu quero

não só um beijo

quero muitos de uma vez

pelo meu corpo sedento

torturado e infeliz

pode morder

que importa?

num prelúdio embriagador

eu quero morrer de beijos

eu quero morrer do amor

por que tantos graus de febre

podendo me aliviar?

por que a febre queimando?

e o corpo se maltratar?

porque nesta ocasião

suspirando por amar

viver só alucinada

reclinada em leito frio

sempre desagasalhada

nesse leito tão sombrio

eu quero um homem

quero um homem

não suporto mais sofrer

quero um homem

quero um homem

quero de amor viver...

Um dos romances mais provocativos de Irene é O Amor do Reverendo (2009). O reverendo no caso é um padre de nome Abraão, que conhece Maria Luísa durante um acidente. Ele a pega nos braços ferida e ambos se apaixonam. Simples assim.

Na sua dissertação de Pós-Graduação para a Universidade Estadual da Paraíba, a estudante Juliana Karol de Oliveira Falcão escreveu, em 2022:


Os romances de Irene Dias Cavalcanti fazem parte de um período ou de um lugar de revolução não apenas sexual, como também social e cultural ao reivindicar lugares e igualdade entre o homem e a mulher. Destacam-se as suas obras literárias não somente como um discurso de empoderamento sexual, como também um manifesto contra diversas injustiças sociais pelas quais passam grupos desfavorecidos que partem de camadas abastadas contra camadas desfavorecidas, que partem de brancos contra negros, de homens contra mulheres, de igreja contra fiéis, de coronéis contra agricultores, entre outros.


O Amor do Reverendo é prefaciado pelo padre Waldemir Cavalcante Santana.

Irene Dias Cavalcanti, nascida em 1927, passou a infância no município de Campina Grande. É considerada um símbolo da luta feminina contra o machismo imperante até os dias de hoje. 

Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 25 de maio de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (100)


A escritora Clarice Lispector, de origem ucraniana, era uma pessoa muito solitária. Discreta, ela dizia muito nos seus escritos. Escreveu sobre amor, amante, sexo.
No conto A Língua do P, ela conta a história de uma jovem que por pouco, muito pouco, não foi estuprada por dois canalhas que se achavam num vagão de trem noturno. Era uma professora mineira indo dar aulas para viver, no Rio de Janeiro. Ela percebe que os dois estão falando a língua do P, combinando a hora de atacá-la. Mas o conto não termina aí e mais não digo.
Noutro conto, Ruído de Passos, Clarice cria uma situação pra lá de bonita com uma personagem de 81 anos de idade. Começa assim:

Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.

Pois foi com dona Cândida Raposo que o desejo de prazer não passava.

Teve enfim a grande coragem de ir a um ginecologista. E perguntou-lhe envergonhada, de cabeça baixa:

– Quando é que passa?

– Passa o quê, minha senhora?

– A coisa.

– Que coisa?

– A coisa, repetiu. O desejo de prazer, disse enfim.

– Minha senhora, lamento lhe dizer que não passa nunca. Olhou-o espantada.

– Mas eu tenho oitenta e um anos de idade!

– Não importa, minha senhora. É até morrer.

– Mas isso é o inferno!

– É a vida, senhora Raposo.

A vida era isso, então? essa falta de vergonha?

– E o que é que eu faço? ninguém me quer mais… O médico olhou-a com piedade.

– Não há remédio, minha senhora.

– E se eu pagasse?

– Não ia adiantar de nada. A senhora tem que se lembrar que tem oitenta e um anos de idade.

– E… e se eu me arranjasse sozinha? o senhor entende o que eu quero dizer?

– É, disse o médico. Pode ser um remédio…


Assim, a velha senhora acabou alcançando o Nirvana por meios próprios. Quer dizer: acariciando o próprio corpo como insinuou no palco a cantora estadunidense Madonna em show realizado em abril de 2024, no Rio de Janeiro. À propósito o maestro Júlio Medaglia publicou artigo na Folha de S.Paulo, edição de 9 de maio, em que classifica a apresentação da artista como “um show pornográfico”. Mais: “Pessoas do mesmo sexo se chupando, se esfregando; Madonna de joelhos tendo Pabllo Vittar atrás de si beijando seu traseiro; selvagerias gerais etc”.

sexta-feira, 24 de maio de 2024

ASSOCIAÇÃO PARA VICIADOS EM LIVROS

Vivemos um tempo de alucinações, de loucuras catastróficas.
Vivemos um tempo perigoso, de banalidades absolutamente vulgares, sem uso, sem préstimos, sem nada.
De fato, vivemos um tempo perigosíssimo. Um tempo de desentendimentos, de brigas, de malvadezas, de injustiças, traições, guerras e tudo mais. A minha sábia avó Alcina, do alto das suas reflexões, disse muitas vezes que o mundo estava pra se acabar. E o fim da Terra e de todos nós seria violento e definitivo, com bolas de fogo enormes rolando ladeira abaixo. Eu a ouvia dizer isso já ali pela metade dos anos de 1950.
Drogas de todos os tipos são consumidas à
granel.
Hoje em dia há vício pra todo tipo de viciado...
"Você tá lendo feito um doido, Assis!", interrompeu-me a querida e paciente Anninha, acrescentando: "Se não existe, é melhor criar o Leitores Anônimos".
"O que viria a ser isso?", pergunto. Ela: "Sei lá! Algo como uma associação de leitores viciados em livros, como Alcoólicos Anônimos. Por aí".
Isso!
Acho que Anninha, nossa Anna da Hora, que de certo modo lamenta não ler tanto quanto eu, tem razão. Sim, a ideia dela é boa. Viria, pois, a calhar um tipo de, por exemplo, Associação para Viciados em Livros. AVL!
Viria à calhar até porque pesquisas indicam que há cada vez mais queda no índice de leitores de livros.
Nos últimos anos tenho, de fato, consumido muitos livros. Consumido porque ler, ler mesmo, não leio. Ouço. 
Tenho ouvido centenas de livros. No mínimo dois por semana. Essa semana, por exemplo, ouvi três: os romances Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar; Os 12 Mandamentos, de Sidney Sheldon e o infanto-juvenil Ilha Perdida, de Maria José Dupré, mesma autora de Éramos Seis. Agora, hoje, comecei a devorar Felicidade Clandestina, da imensa Clarisse Lispector. 
"Isso é ou não é vício?", com deboche pergunta Anninha. Ela acrescenta: "Do mês passado pra cá li o romance Orgulho e Preconceito, da Jane Austen".
Hummm... Acho graça do jeito como ela conta isso. De que fala esse livro, Anninha?
"Fala de uma mulher chata e um pouco arrogante que detesta um cara mais chato e mais arrogante ainda. No final os dois se apaixonam, é mole?".
Bom, ainda bem que o personagem aí é completamente diferente de mim. Eu sou um doce!
Nesse meio tempo vou dizendo coisas neste Blog e cumprindo o compromisso de preencher toda semana uma página no Newsletter Jornalistas&Cia. 
Ano passado publiquei mais um livro, dessa vez em parceira com o cartunista Fausto Bergocce. Titulo: Histórias de Esquina. 
Também tenho publicado folhetos de cordel como O Sedutor Casanova e tal.
Ainda este ano lançarei o livro A Fabulosa Viagem de Vasco da Gama, uma adaptação que fi de Os Lusíadas, de Camões e mais um em andamento: Do Popular ao Erudito: O Sexo como Expressão Artística. 
Pois é, é isso.


quarta-feira, 22 de maio de 2024

O BAIÃO SUMIU. POR QUÊ, HEIN?

O dia 22 de maio de 1946 caiu numa quarta, como hoje. Naquele dia o grupo musical Quatro Ases e um Goringa entrou em estúdio e gravou para a extinta RCA Victor o primeiro baião de toda a historiografia discográfica. Título: Baião, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. 

O lançamento de baião como ritmo e gênero musical provocou espanto crescente entre produtores e consumidores de discos de 78 RPM, que era o que se tinha pra rodar num fonógrafo e tal. 

À medida que o tempo ia passando, multiplicavam-se as gravações do ritmo criado por Gonzaga e Teixeira. Até no exterior o interesse foi indubitável. 

Baião foi gravado em diversas línguas, japonesa inclusive. 

A curiosidade é que nos dias de hoje o baião já não desperta tanto interesse dos artistas e consumidores de música. Por quê, hein?

Sobre esse assunto já escrevi muito. Não custa averiguar o que digo sapiando nesse blog.

terça-feira, 21 de maio de 2024

TODO DIA É DIA DA NOSSA LÍNGUA


As datas comemorativas existem para nos lembrar algum feito ou algo mais de relevância a um país.
No nosso calendário existem muitos dias comemorativos. Temos o Dia Mundial da Paz, em janeiro; o Dia Mundial da Luta dos Povos Indígenas, em fevereiro; o Dia Internacional das
Mulheres, em março; o Dia do Descobrimento do Brasil (descobrimento?), em abril; Dia de São João, em junho; Dia Nacional da Capoeira, em julho; Dia do Folclore, agosto; Dia da Independência do Brasil, setembro; Dia das Crianças, outubro; Dia da Proclamação da República, novembro e o Natal, em dezembro.
Ah! Ia-me esquecendo, temos o mês de maio. Estamos no mês de maio.
Neste mês de maio há o Dia da Língua Nacional, que coincidentemente ou não, é hoje 21.
Existem milhares de línguas vivas batendo no céu da boca de mais 100 milhões de pessoas mundo afora. Algumas já morreram, como o Latim. Língua que deu origem de outras línguas, como a portuguesa. 
Falamos a língua portuguesa desde o século 16, quando o Marques de Pombal decidiu extinguir o Tupi-guarani falado por nossos indígenas.
Não se sabe bem, claro, mas quando Cabral aportou na costa baiana havia mais ou menos 5 milhões de indígenas. Hoje, infelizmente, há pouco mais de 1 milhão falando 270 línguas de raiz completamente própria.
Bom, o fato é que falamos o português com variantes trazidas de Portugal.
O português é falando por cerca de 280 milhões de pessoas.
Camões, o grande poeta português Luís Vaz de Camões, fez muito pelo idioma português. A respeito dele andei falando, em 2023, na 2ª maior biblioteca do Brasil: Biblioteca Mário de Andrade, cá em Sampa. Ouça:



Há uns 30 anos, Téo Azevedo e eu nos juntamos e fizemos um livrinho muito interessante: Dicionário Catrumano — Pequeno Glossário de Locuções Regionais (capa acima). São milhares de palavras que reunimos, a maior parte ainda sem dicionarização ou classificação (acima).

segunda-feira, 20 de maio de 2024

AMIGOS SE DESPEDEM DE TÉO



À Missa do 7º dia em memória do cantor, compositor e violeiro mineiro Téo Azevedo compareceram amigos de longa data como Moisés da Rocha, Caju e Castanha; Cacá Lopes, Costa Senna, Raimundo José, Dantas do Forró e muito mais gente ciceroneada pela cantora e produtora musical Fatel. Foi sexta-feira às 18h na igreja de Santa Cecília, na Capital paulista.
Cecília é a Santa Padroeira dos Artistas.
O ato religioso foi muito bonito. 
Depois de sairmos da igreja fomos Fatel, Dantas do Forró e eu petiscar no restaurante Virgulino (rua Martim Francisco, nº 111). Aliás, foi nesse restaurante que eu e Téo Azevedo nos encontramos pela última vez. Conosco estavam o cantor, compositor e radialista Luiz Wilson (programa Pintando o Sete; Rádio Imprensa FM 102,5).
Téo Azevedo deixa muita saudade. Suas músicas foram gravadas por grandes intérpretes brasileiros e até estrangeiros, como o gaitista norte-americano Charlie Musselwhite.
Téo Azevedo partiu para Eternidade na madrugada de sexta para sábado (11). Ao velório, em Minas, estiveram muitos admiradores e amigos como o empresário Wagner Martins.
Abaixo, um momento do evento fúnebre.


RÁDIO ATUAL FM

Sábado 18 estive revendo velhos amigos na rádio Atual FM. Comigo estiveram Mano Novo, Carlos Silvio, Dantas do Forró e a estrela de belíssima voz Glória Rios. E mais gente, muito mais. Fizeram-me ocupar o microfone pra lembrar do programa Gente e Coisas do Nordeste, que apresentei durante bom tempo nessa rádio. Depois fomos almoçar no CTN junto com Ismênia, Patrícia, Carlos Silvio e tantos. Claro, conosco também esteve a deputada federal por São Paulo Renata Abreu. Bons tempos! O encontro foi uma boa.


domingo, 19 de maio de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (99)

James Joyce
Não são poucos os escritores que têm vício; um vício qualquer. Uns bebem, bebem… Outros se drogam.

James Joyce, autor do clássico Ulysses, apreciava os puns da mulher, mostrando assim ser um ser normal como outro qualquer. Ele: “É maravilhoso comer uma mulher peidorreira, quando cada estocada arranca um peido de dentro dela. Acho que eu reconheceria um peido da Nora em qualquer lugar. Eu acho que eu saberia qual é o dela numa sala cheia de mulheres peidando. É um barulhinho bem feminino, nem um pouco parecido com o peidão molhado que eu espero das esposas gordas. É súbito e seco e sujo como o que uma garota ousada soltaria por diversão, de noite, no dormitório de uma escola. Eu espero que Nora não se prive de peidar na minha cara, para que eu também possa conhecê-los pelo cheiro”. E ainda foi mais longe na mesma carta: “Nora, minha doce putinha, eu fiz como você mandou, sua garotinha safada, e bati duas punhetas enquanto lia a sua carta”.

A Nora aí citada era a futura esposa do escritor e pra ela, noutra carta, ele mandou ver: “... Nora, minha querida e adorada, minha colegial de doces olhos e boca suja, seja minha puta, minha senhora, tanto quanto você quiser (minha pequena e fodida senhora! Minha maldita putinha!) você é sempre minha, minha bela flor selvagem das sebes, minha flor azul escura, encharcada de chuva”.

Será demais dizer que o amor tem segredos claros?

Ao contrário de James Joyce, Ernest Hemingway (1899-1961) teve uma vida pessoal um tanto

atribulada. Pra começar a mãe, Grace, o criou como gêmea da irmã Marcelline até os seis ou sete anos de idade. Cresceu traumatizado, mas publicamente exibia um perfil másculo. Teve quatro esposas e com elas dois meninos e uma menina.

A menina, Glória, era trans.

Num dos seus livros, O Jardim do Éden (1986), romance que deixou inacabado, Ernest cria um personagem identificado por muitos como seu alter ego: David. Numa noite de amor pede à mulher que corte seu cabelo a moda feminina e o sodomize sem dó nem piedade.

Ernest Hemingway era, no fundo, uma pessoa melancólica, depressiva.

Detalhe lamentável: o pai de Ernest se suicidou, o irmão e a irmã também se suicidaram; e suicidou-se também a neta de Ernest, depois de ele mesmo tirar a própria vida com um tiro no peito. Isso depois de receber alta de um manicômio. 


Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 18 de maio de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (98)

Victor Hugo (1802-1885) que todo mundo sabe que nasceu na França, deixou uma obra monumental.
Antes de dedicar-se à literatura, Hugo foi deputado e senador na França. Era um democrata que não perdoava corruptos e criminosos de quaisquer tipos. Chegou a ser exilado, mas voltou à sua terra quando o povo aspirava os ares da liberdade.
Quando morreu, o corpo do escritor foi acompanhado por cerca de dois milhões de pessoas.
Um dos livros mais conhecidos de Hugo, O Corcunda de Notre-Dame, foi escrito em poucos meses por pressão do editor. A primeira edição é de 1831, que foi à praça com três capítulos a menos. Esses três capítulos seriam acrescentados a partir da 8ª edição.
A história criada por Hugo se passa na França do século 15. Na história, o bem e o mal se misturam, como o belo e o feio.
Victor Hugo
Quasímodo, o Corcunda, é feio de dar dó e surdo que nem um poste. Apaixona-se por Esmeralda, uma bela e jovem cigana cujo coração é disputado pelos mais diferentes varões. Ela é louca pelo amor de um capitão chamado Phoebus de Châteaupers. E aí temos um triângulo, não é mesmo?
Mas pra piorar a situação de Quasímodo surge o avaro e ciumento cônego Claude. Esse personagem ameaça Esmeralda o tempo todo, de morte inclusive. Quer possuí-la, porém não obtém sucesso. E mais não digo.
Francês também foi o escritor Honoré de Balzac (1799-1850). Deixou pérolas, entre as quais A Mulher de Trinta Anos. Esse romance deixou marcas indeléveis na memória popular.
A personagem principal nesse livro de Balzac é Jolie, uma jovem muito bonita que vai com o pai assistir um desfile cívico do Exército napoleônico. Lá ela vê o seu amado e jura que com ele vai se casar. O pai desaprova, mas mesmo assim ela se casa e ao fim e ao cabo, dá tudo errado.
A expressão “balzaquiana” foi criada a partir da trama do seu famoso livro, publicado em 1842.
Honoré de Balzac
No Brasil, a famosa personagem inspirou João de Barro, o Braguinha, a compor a marcha carnavalesca Balzaquiana, gravada em 1949 por Jorge Goulart.
Honoré de Balzac publicou o primeiro livro quando tinha 30 anos de idade. Nos 20 anos seguintes, ele construiu uma obra formada por mais de uma centena de títulos. O grosso dessa obra se acha em vários volumes da Comédia Humana.
Na obra de Balzac se acham amor, traição, o escambau.
Curiosidade: o autor de Estudo de Mulher era viciado em café. Tomada dezenas de xícaras diariamente.
 

sexta-feira, 17 de maio de 2024

VOLTA POR CIMA

O nível das águas dos rios e lagos do Rio Grande do Sul começa a baixar trazendo aos olhos à tona objetos antes utilizados por seus proprietários. 
Cenas terríveis. 
Ainda dá pra ver animais imobilizados sobre telhados. 
Milhares de homens, mulheres e crianças continuam passando dificuldades de todo tipo. Mas é espantosa a movimentação solidária que se registra Brasil afora. 
Ouço no rádio notícia dando conta de campanhas de solidariedade. São campanhas até nominadas. 
De Brasília um repórter diz que foi dado o nome de um dos sambas mais bonitos de autoria do paulistano Paulo Vanzolini: Volta por Cima, gravado pela primeira vez pelo cantor e violonista mineiro Noite Ilustrada. A gravação data do ano de 1962.
Pois é, é bom que se diga o seguinte: todo fim pode ter um bom recomeço.
A cheia gigantesca provocada pelas chuvas no RS faz-me lembrar a grande cheia que pôs de cabeça pra baixo o Nordeste, em 1985. Na ocasião o Brasil mobilizou-se para ajudar os milhares e milhares de flagelados. Até um disco foi gravado reunindo 155 artistas da nossa música popular. Entre esses Luiz Gonzaga, Chico Buarque, Fagner, Belchior, Roberto Carlos e até o poeta cearense Patativa do Assaré autor famoso de A Triste Partida. 
Voltarei ao assunto. 
Agora vou assistir a missa de 7° dia em memória do cantador mineiro Téo Azevedo, a quem em 2023 homenageei num poema depois musicado por Cacá Lopes e Luiz Wilson. Título: O Cantador de Alto Belo.

quarta-feira, 15 de maio de 2024

E A FALA DO GOVERNADOR GAÚCHO, HEIN?

O Rio Grande do Sul, um dos 26 Estados da Federação brasileira, tem 497 municípios. Desses, 446 foram impiedosamente atingidos por bilhões e bilhões de litros d'água caídos sem dó nem piedade do céu nos últimos dias.
A população do RS, estimada em pouco mais de 10 milhões de habitantes, está passando todo o tipo de necessidade: tristeza, mortos, feridos, desabrigados...
Um pandemônio vivem o RS e a sua população.
Diante de quadro tão dantesco, os brasileiros de todos os recantos do País estão solidários. Quer dizer, os brasileiros do bem.
O brasileiros de bem com a vida e com seu próximo estão, além de rezando e torcendo por bons tempos, provando o amor que têm mandando todo o tipo de ajuda. Tanto material, quanto financeira.
No correr de uma semana, fechada ontem 14, as doações em dinheiro via pix já havia chegado à casa dos 100 milhões de reais.
Milhares e milhares de víveres, roupas e tudo o mais continuam chegando ao Rio Grande do Sul.
Aqui, uma terrível interrogação consome meus pensamentos: O que diacho quis dizer o governador gaúcho Eduardo Leite com a declaração segundo a qual "quando você tem um volume tão grande de doações físicas chegando ao estado, há um receio sobre o impacto que isso terá no comércio local"?
Na declaração do governador dá pra encontrar brechas super duvidosas à mente comum. Ele: "O reerguimento desse comércio fica dificultado na medida em que você tem uma série de itens que estão vindo de outros lugares do país".
Diante do exposto, o astuto político reeleito no último pleito, revelou: "Pedi à nossa equipe aqui que ajude a estruturar ferramentas e canais para que aquelas pessoas que queiram fazer doações possam fazer essas doações também ajudando o comércio local, que está impactado".
Como eu tenho um raciocínio lógico bem pra baixo do mediano, concluo que o infeliz governador está querendo dizer que a solidariedade dos brasileiros, pelos irmãos tão intensamente castigados pela chuva, está demais. 
Será que o governador quer que parem com as doações aos flagelados das cheias?
O governo Federal tem dado toda a atenção possível, e imediata, ao povo do RS. Ou seja, está fazendo o que deve ser feito.
As chuvas que estão destruindo o RS já engoliram até o acervo da ex-presidente Dilma Rousseff, doado ao MST. Serviria para uma espécie de museu ou espaço cultural.
O Rio Grande do Sul é um dos Estados mais ricos e bonitos da nossa Federação.
A cultura gaúcha é forte e muito bonita. Estive algumas vezes por lá, dando palestras e tal.
A cantora paulistana Inezita Barroso gravou muita coisa bonita de compositores gaúchos, incluindo Mestre Paixão Côrtes. Um registro:



segunda-feira, 13 de maio de 2024

VAMOS PENSAR?

A vida é uma história. Histórias.
Viver é sempre um desafio.
Guimarães Rosa dizia pela boca de um dos seus personagens no Grande Sertão: Veredas que "Viver é perigoso...". 
Coisa do Diadorim.
Beleza.
Realmente não é brinquedo, não. Viver é desafio.
O Brasil sofre o tempo todo.
Parece que as tais autoridades esperam sempre o fim dos seus eleitores.
Vida é vida.
Grosso modo falando Política é uma desgraça! Porém sabemos ser necessário o diálogo. 
Diálogo é tudo entre dois, três, quatro, cinco... 200 pessoas.
O Rio Grande do Sul está morrendo. Isso já aconteceu com o Nordeste.
Deus do céu!
Deus do céu também quero dizer que estou me afogando em lágrimas. Eu e todas as pessoas que viam em Téo Azevedo uma história. Histórias.
Téo Azevedo partiu para a Eternidade,  na metade da madrugada de sábado para domingo. Estava em coma. Esse é um detalhe que indica que não sofreu na partida entre a Terra e o Céu.
Amigos do Brasil todo lamentam e choram a ausência de Téo Azevedo...
Cá em casa estiveram ontem 12 Fatel, Luiz Wilson e Dantas do Forró. Abraçados, lembramos do Téo.
É isso...

domingo, 12 de maio de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (97)

Histórias loucas de paixão ocorrem desde os primeiros tempos em que os primeiros humanos ganharam forma. Em todas as línguas.

No Brasil também há histórias incríveis envolvendo homens, mulheres e todos os sexos.

Dom João VI foi quem foi, com amantes.

O filho de Dom João, Pedro I, foi além do pai, sexualmente falando. Casou-se e teve sei lá quantas amantes!

Historiadores dão conta de que Pedro I sofria de priapismo, coitado! Terrível.

O priapismo e a safadeza que herdou do pai o levaram a pular cerca igual um bode. Dizem seus biógrafos que pôs no mundo 50 rebentos no mínimo.

O filho do primeiro Pedro, o Segundo, também não se satisfazia com uma mulher só. Sua mulher, Teresa, foi  arranjada por correspondência e quando a viu, desesperou-se.

Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias não era plasticamente uma mulher bonita. Ele esperneou quando a puseram no colo, dizendo que fora traído.

E a história segue por aí.

Mas voltemos a Dumas.

Machado de Assis escreveu texto crítico sobre a bela história de Dumas publicado na revista O Espelho, RJ, edição de 8 de janeiro de 1860:


A Dama das Camélias é o drama realmente filosófico, verdadeiramente piedoso; resolve uma questão social, ao mesmo passo que se revela uma magnífica obra d'arte. É tocante aquela figura de Margarida, purificada como Eva, pelo arrependimento, cheia de amor e de piedade, martirizada pela doença, prostrada aos pés da sociedade, como Madalena aos pés do Cristo, mas que a sociedade repele e condena.


Não custa lembrar que o pai de Alexandre Dumas foi também um grande escritor, autor dos clássicos juvenis Os Três Mosqueteiros e o Conde de Monte Cristo.

Também é bom que se lembre que foi Alexandre pai quem inaugurou o dito romance de folhetim no Brasil, em 1838, sob o título Capitão Paulo. Mas há controvérsias.

O jornalista e historiador José Ramos Tinhorão, no seu livro Os Romances em Folhetins no Brasil, à pág. 36, diz que antes de 1838, em Recife, PE, já se publicava esse gênero literário: “...começaria a ser publicado a 29 de junho de 1837 o periódico Relator de Novelas, publicação de pequeno formato destinada ‘ao entretenimento de todas aquelas pessoas apaixonadas por ler novelas, com especialidade o belo sexo, de quem espera toda a proteção’”.

Os textos publicados nesse periódico não traziam identificação de autor.


Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 11 de maio de 2024

A CULTURA PERDE TÉO AZEVEDO



O cantor, compositor e violeiro Téo Azevedo morreu hoje de madrugada em Montes Claros, MG. Ele estava internado e em coma desde a semana passada.
Essa triste notícia chegou-me por telefone, em ligação do cantor e compositor Luiz Wilson.
"Soubemos disso, da morte de Téo, através de um recado de uma das filhas do querido Téo", contou Luiz.
A história do violeiro Téo Azevedo é enorme, riquíssima.
Falei com ele faz uns 15 dias e estava, segundo disse, em plena recuperação. Pretendia vir à Sampa ainda neste mês de maio.
Téo Azevedo nasceu numa sexta-feira (2 de julho) e morreu num sábado. 
Pra lembrar Téo, clique:


LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (96)

De séculos passados é também a história de Marília de Dirceu.
Dirceu, no caso, é o poeta Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810).
Marília era Maria, uma jovem de 17 anos que viu em Antônio o seu amor eterno. E vice-versa.
O poeta, que tinha 40 anos de idade na época, participou da Inconfidência Mineira.
Entre uma reunião e outra com seus colegas de trama, Gonzaga escrevia uma pérola poética como declaração de amor a sua Maria. É um poema enorme. Nesse poema entram deuses e deusas como Vênus e o seu filho Cupido, que apronta como aprontou na Ilha dos Amores (Os Lusíadas).
Essa obra foi publicada em muitos idiomas entre os quais grego, francês, alemão, russo.
A primeira edição saiu em Portugal em 1792, apenas com as iniciais do autor, T.A.G.
Uma das partes mais bonitas de Marília de Dirceu se acha logo nos primeiros versos do poema:

…Os seus compridos cabelos,
Que sobre as costas ondeiam,
São que os de Apolo mais belos;
Mas de loura cor não são.
Têm a cor da negra noite;
E com o branco do rosto
Fazem, Marília, um composto
Da mais formosa união.

Tem redonda, e lisa testa,
Arqueadas sobrancelhas;
A voz meiga, a vista honesta,
E seus olhos são uns sóis.
Aqui vence Amor ao Céu,
Que no dia luminoso
O Céu tem um Sol formoso,
E o travesso Amor tem dois.

Na sua face mimosa,
Marília, estão misturadas
Purpúreas folhas de rosa,
Brancas folhas de jasmim.
Dos rubins mais preciosos
Os seus beiços são formados;
Os seus dentes delicados
São pedaços de marfim…

Tomás Antônio Gonzaga foi violentamente separado da amada pelo governo do seu tempo representado pelo Visconde de Barbacena (Felisberto Caldeira Brant Pontes; 1802-1842).
O poeta morreu na África em 1844 depois de se casar e ter dois filhos com a filha de um rico comerciante de escravos.
Quanto à Maria, cujo o nome completo era Maria Doroteia Joaquina de Seixas, há várias contradições. Casou-se ou não? Teve filhos ou não? Findou num convento de freiras?
O famoso poema de Gonzaga é formado por 71 liras e 14 sonetos.
Liras são pequenos poemas e não apenas o nome de um antigo instrumento de origem grega.

sexta-feira, 10 de maio de 2024

SEMPRE É TEMPO DE PENSAR

Cadu, Assis e Arthur
Este mundo é muito louco, cheio de coisas difíceis de entender. E no entanto, podemos dizer, que é tudo muito fácil.
Claro, o fácil é difícil.
Não nos entendemos. Pessoas. Vida.
Não está na hora de repensarmos isso?
A história segue, se repetindo sempre. E não aprendemos.
Diachos!
E por que falo essas coisas todas?
No final da tarde hoje aqui no meu lugar, em Campos Elísios, tive a alegria de receber Cadu do Gato com Fome. Pra enriquecer o ambiente, Cadu trouxe Arthur Favela.
Favela é uma figura incrível, canta bem e tal. Bom papo.
Cadu e Favela parece que nasceram, musicalmente, pra ser o que são: ótimos. Um para o outro. A MPB ganha.
Cadu é primeira voz e Favela, segunda.
Bom demais! A vida é isso: viver, viver e compartilhar o melhor que temos pra quem de nós se aproxima. E que têm o que dizer, é claro.
Ouvi músicas lindas ao violão e tal.
Acho que os artistas de todos os seguimentos deveriam refletir, pensar e se juntar com os favelados e faveladas do Rio Grande do Sul.
Desgraça no Nordeste, desgraça no Sul.
A Natureza é imperdoável. Ajudar faz bem.
Pois é, tudo é fácil, tudo é difícil.
Pensar e agir são coisas que nos fazem bem e nos curam. Simples: somos pecadores. E por sermos o que somos, sempre é hora de pensar para melhorarmos.
É isso.
Pra Flor Maria, um jardim!

Sou igual a um jardim
Perfurmado e cheio de cor
Sobre o qual a chuva cai
Fazendo nascer fulô
Pra enfeitar a vida 
De quem sofre por amor

A chuva faz muito bem
A jardim que tem fulô
A jardim que tem perfume
E inspira cantador
A cantar o tempo todo
Só cantiga de amor

Muito bom é escutar 
Cantiga de cantador
E trinado de passarim 
De passarim peneirador 
Peneirando no espaço 
Encantando beija-flor 

Mas eu não sou passarim
E tampouco cantador
Sou apenas um jardim 
Carregado de fulô 
Feito pra encantar
Os olhos do meu amor!


domingo, 5 de maio de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (95)

O pintor renascentista Leonardo da Vinci (1452-1519) embora discreto, não escondia sua homossexualidade. Seus casos mais conhecidos foram Gian Giacomo Caprotti e Francesco Melzi. Da Vinci foi fruto de uma escapada do pai.
Houve e haverá ainda muitos e muitos bastardos famosos e de pais importantes como Thomas Jefferson (1743-1826).
Esse Jefferson foi o 3º presidente norte-americano. Encantou-se com uma mulher, Martha, e com ela se casou. E como era dono de pelo menos 600 escravos e escravas usou e abusou de muitas delas. Até hoje não se sabe quantos filhos ilegítimos ele teve.
Pra se ver: esse presidente foi o mesmo que assinou a Declaração da Independência do seu país, em 1776.
Como da Vinci, o escritor Alexandre Dumas, filho, também nasceu fora do casamento. A mãe, Marie-Laure-Catherine Labay, era negra e o pai, Alexandre Dumas, general de Napoleão.
Em 1848, Alexandre escreveu o romance A Dama das Camélias, em cuja história se acham prostitutas de vários níveis. A protagonista, Marguerite Gautier, é pobre, mas culta e desejada por tudo quanto é macho. Seu trabalho é dar carinho e tudo mais. Certo dia um estudante de família rica, Armand Duval, apaixona-se por ela doidamente, mas o pai não queria mistura de níveis sociais. Ele endoida e ela morre de tuberculose.
A Dama das Camélias logo inspiraria o maestro italiano Giuseppe Verdi e o libretista Francesco Maria Piave a levá-lo à cena na forma de ópera com o título La Traviata.
Uma beleza, pois não à toa encanta quem leu o livro, assiste a ópera ou a versão para teatro.
Nesse campo operístico, Richard Wagner (1813-1883) fez coisas boas. Uma delas foi a adaptação de Tristão e Isolda.
Tristão e Isolda são personagens da Alta Idade Média.
Isolda era mulher-rainha do rei Marcos da Cornualha, tio de Tristão.
Ela e ele, Isolda e Tristão, beberam algo mágico e endoidaram entre si, pra desespero do rei.
Tristão era cavaleiro respeitado no seu tempo. E mais não digo.
Daquele tempo e proximidades também era o rei Arthur.
A mulher-rainha do rei Arthur, Guinevere, apaixonou-se perdidamente pelo melhor amigo do marido: Lancelot.
A história do rei Arthur finda com rebu. E pronto.
Caçadores de absurdos caíram em campo à cata da espada do mitológico rei Arthur. As buscas começaram na Cornualha. Deve render filme, livro e o escambau.

Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora

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