Seguir o blog

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

PLÁGIOS E A ALMA DO POVO, O FOLCLORE

Como Águas de Março, lançada no projeto Disco de Bolso, do Pasquim, em 1972, há muitas e muitas músicas recolhidas do folclore e assumidas integralmente ou com variações por artistas dos mais diversos calibres.
Asa Branca, assinada por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, entra no rol.
Leiam o livro Patativa do Assaré, o Poeta do Povo.
Há coisas interessantes, lá.
Há casos muitos, muitíssimos, de apropriação pura e simples.
Em 1982, por exemplo, o capixaba Roberto Carlos pegou uma bobagem intitulada Loucuras de Amor, de um obscuro Sebastião Braga, e a gravou como se fosse sua, com o título O Careta.
Deu pau e o reclamante ganhou o que quis, na Justiça.
Mas nem tudo vai parar na casa dos homens togados.
Em 1976, o cearense Belchior gostou do que leu no livro Zé Limeira Poeta do Absurdo, de Orlando Tejo e, sem creditar, deu de garra dos últimos dois versos da sextilha do doido (maravilhoso Zé) para compor a canção Sujeito de Sorte. A referida sextilha (forma de encaixar versos de sete a 11 sílabas em estrofes rimando o segundo com o quarto e o sexto) é esta:

“Eu já cantei no Recife
Dentro do Pronto-Socorro
Ganhei duzentos mil réis
Comprei duzentos cachorro
Morri no ano passado
Mas esse ano eu não morro”.

Pior, porém, fez o alagoano Djavan em 1992, que pegou uma dezena de versos seguidos do poeta pernambucano Manuel Bandeira e deles se apropriou totalmente, na maior, incluindo o título: Violeiros, que pode ser conferido no LP Coisa de Acender.
E está lá pra quem quiser ler, abrindo o lado 2 com crédito à letra e à música: Djavan.
Casos assim são diferentes de alguém ler num jornal uma frase, um título, e desenvolve um poema ou compõe uma canção como fez o baiano Caetano Veloso ao se deparar com matéria da extinta revista Manchete tratando dos conflitos de rua em maio do agitado 68: “Il est interdit d´interdire”, que resultou na polêmica canção tropicalista É Proibido Proibir, inscrita no III Festival Internacional da Canção.
Também é diferente Chico Buarque escolher Tom como parceiro para Sabiá.
Sabiá, uma bela canção, foi inspirada no poema Canção do Exílio, do maranhense Gonçalves Dias.
E diga-se: esse é o poema com maior número de poemas nele inspirados até hoje no Brasil.
Sabiá ganhou o 1º lugar do III FIC, na noite de 29 de setembro do ano do bode(1968), no Maracanãzinho, quando alvoraçada a multidão presente ouviu o paraibano Geraldo Vandré dizer, alto e bom som:
- Antônio Carlos Jobim e Chico Buarque de Hollanda merecem o nosso respeito!
Vandré ganhou o 2º lugar, com Caminhando ou Pra Não Dizer que Não Falei de Flores.
É Proibido Proibir ficou no 5º lugar na eliminatória paulista, realizada no Tuca.
Mas plágios, enfim, são feitos no mundo todo.
Normal e aceitável?
Não.
O paulista Maurício Alberto Kaisermann, o Morris Albert, um dia ouviu a canção Pour Toi, do francês Loulou Gasté e gostou.
Daí trocou o título para Feelings e gravou em 74.
O resto se sabe.
Há milhares de gravações e versões em muitas línguas dessa música.
Até The Voice a gravou.
Há casos inversos, ou seja: de brasileiros plagiados no Exterior.
Um dos mais notários é o caso de Jorge Ben, vítima do escocês Rod Stewart.
Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira também foram vítimas de gringos do Norte.
O fato aconteceu no começo dos 50, quando os norte-americanos Harold Stevens e Irving Taylor se apropriaram do baião Juazeiro e deram para A Voz da América Peggy Lee gravar, com o título Wandering Swallow.
Teixeira, que era letrado e poliglota, denunciou a safadeza nos Estados Unidos, mas não adiantou: perdeu o processo.
Gonzaga e Teixeira também foram engalobados, num primeiro momento, quando a portuguesinha maravilhosa Carmen Miranda gravou Baião (Ca-room-pa-pa) para a trilha sonora do filme roliudiano Nancy Goes to Rio (Romance Carioca), sem seus nomes no bolachão de 78 rpm (foto).
Mas um processo ajeitou as coisas.
E tem até Bob Dylan, que já disse e repetiu que várias músicas que assina foram garfadas do folclore escocês, como The Times They Are A-Changin, título do seu 3º disco, lançado no ano de 64.
Águas de Março tem raízes no folclore, se sabe.
Asa Branca também.
No livro Dicionário Gonzagueano de A a Z, eu lembro de mais alguns casos do folclore que ganharam paternidade inesperada.
Lembro, por exemplo, do batuque O Canto da Ema, gravado pelo rei do ritmo paraibano Jackson do Pandeiro, mas na origem alagoana um baião muito bonito intitulado Contramestra, que existe desde, pelo menos, 1920.
Enfim, essa é uma história sem fim.
O maestro Villa-Lobos bebia no folclore, mas dizia isso.
Exemplo são suas cirandas, numa delas com parceria pós-morte de Teca Calazans: Caicó.
Há pouco assistindo o filme As Bachianas, o meu nome é Villa-Lobos, ouvi do perfilado Villa:
- Um compositor sério deverá estudar a herança musical do seu país; a geografia, a etnografia, sua e de outras terras; o folclore quer sob o aspecto ideário, quer sob o aspecto político. Só dessa maneira se pode entender a alma de um povo.
Certo!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

É PAU, É PEDRA/É PLÁGIO/É O FIM DO CAMINHO...

Leio no jornal que sítio de Tom Jobim, compositor e músico carioca nascido nos miolos americanos, talentoso que só, e de mil manhas, some na lama em São José do Vale do Rio Preto, área das serras do Rio atingida pela tromba d´água descomunal que engoliu inocentes e pecadores há poucos dias, deixando no rastro destruição e medo medonhos, impossíveis de serem esquecidos, pelo menos, nos próximos cem anos.
Mas o que me chamou a atenção na tragédia não foi isso.
E também não foi o fato de ele, Tom, gostar de passar férias lá no sítio dele e receber, naturalmente, com honras e canas pra bate-papos amigos e informais de bossa nova o esquisito João Gilberto.
Sim, ele mesmo: o das caretinhas engraçadas de Bim, Bom, que não citou Gonzaga mas fez baião; mesmo um "baiãozinho"...
O que me chamou a atenção, na verdade, foi a informação incorreta de que ele, Tom, compôs lá, no sítio dele, pelo menos três músicas: Águas de Março, Dindi e Matita Perê.
Tom até pode ter composto Dindi e Matita Perê lá, no sítio, mas Águas de Março, não.
No máximo, ele, Tom, teve o trabalho apenas de re-arranjar a música que ficaria famosa no mundo e pôr o seu nome no crédito como ilustração.
Explico melhor: essa música é do nosso rico balaio folclórico, adaptada por Inara Simões de Irajá; com arranjo do maestro Antônio Sergi, o Totó, autor do Hino do Palmeiras, lançada originalmente em 1956, no LP 5 Estrelas Apresentam Inara.
Nesse disco, uma das “estrelas” é a norte-americana de Santos, SP, Leny Eversong.
Eversong canta com o purismo dos anjos... Águas do Céu.
Águas do Céu tem a ver com Águas de Março.
Os versos iniciais dizem:
“É chuva de Deus/É chuva abençoada/É água divina/É alma lavada...”.
O ritmo é um pouco mais levado do que a música assinada por Tom.
Só.
Um dos meus poucos amigos mais antigos, seu José, lembra que essa música tem origens num ponto de macumba dos anos de 1930, que diz, e ele cantarola:
- É pau, é pedra/Seixo miúdo/Roda baiana por cima de tudo... Pois é, 1938, Carlos Galhardo:


Vou dar uma remexida no meu acervo e voltarei ao assunto.
Pois, pois.
Lembrando, antes: Villa-Lobos, grande maestro procurou no folclore a riqueza do País.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

LIXO NAS RUAS DO BRASIL E NA SUIÇA

Outro dia, cá neste espaço, encerrei texto dizendo estar na hora de pararmos de jogar lixo na rua.
Agora, lendo o blog do amigo Carlos Brickmann, competente língua de fogo do jornalismo pátrio, fiquei sabendo que o confrade Mauro Chaves, editorialista do Estadão e sanfoneiro nas horas vagas, como me disse um dia na casa do pianista João Carlos Martins, indagou num dos seus escritos a razão de não jogarmos lixo nas ruas da Suíça e os suíços jogarem lixo nas nossas ruas.
Ora, as leis de lá são outras.
Lá nas lonjuras suíças não se pode jogar lixo nas ruas, mas aqui tudo ou quase tudo pode sem que se cumpra o rigor da lei.
Ora a lei!
Questão de educação, não é?
Nas plataformas e interior dos trens do Metrô paulistano não se vê lixo, já logo à saída...
Brickmann cita Chaves para falar dos políticos de São Paulo e do Rio, diante das tragédias provocadas frequentemente pelas chuvas. Ele fala do lixo dos rios Tietê e Pinheiros e lembra que Alckmin governador chegou a elogiar o seu antecessor por retirar cerca um milhão de metros cúbicos de lixo das águas fedorentas dos rios, mesmo deixando lá outros quatro milhões e tralalá que promete retirá-los até o fim do seu mandato.
É esperar pra ver.
Com relação ao Rio, o nosso língua de fogo lembra que a ex-secretária de Serviços Sociais de Lacerda, Sandra Cavalcanti, tentou extinguir casas e casebres das encostas dos morros, mas não conseguiu. Houve até show em protesto e uso de música (Opinião), de Zé Kétti, que diz:

Podem me prender,
Podem me bater,
Podem até deixar-me (sic) sem comer
Que eu não mudo de opinião.
Daqui do morro eu não saio, não.
Se não tem àgua,
Eu furo um poço
Se não tem carne,
Eu compro um osso e ponho na sopa
E deixa andar, deixa andar...

E outra (Ave Maria no Morro) que fala da vida da gente que vive pendurada nos barracos, nos barrancos, de Herivelto Martins, que diz:

Barracão de zinco,
Sem telhado,
Sem pintura, lá no morro,
Barracão é bangalô.
Lá não existe
Felicidade de arranha-céu,
Pois quem mora lá no morro
Já vive pertinho do céu.
Tem alvorada,
Tem passarada...

A primeira foi feita especialmente para o show Opinião e gravada no LP nº 632.732 A Opinião de Nara, Philips, e depois inserida no LP nº 632.775 Show Opinião, Philips, gravada ao vivo no dia 23 de agosto de 1965; enquanto a segunda, anterior a Opinião, foi gravada originalmente em disco de 78 rpm Odeon, no dia 5 de junho de 1942, pelo Trio de Ouro, à época formado por Nilo Chagas, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins.
Pois é, na Suiça a educação e o bom-senso recomendam não jogar lixo nas ruas.

CHICO BUARQUE
Recebo e-mail esculhambando o compositor Chico Buarque de Hollanda. Pois é, aí está: até os nossos grandes artistas são apedrejados irracionalmente, injustificadamente, em carta sem identificação do autor. Opinar sem se identificar é covardia, minha gente. Por que isso, alguém explica?

PS - Na foto, Zé Kétti com o blogueiro num ano que não sei qual.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

CACHORROS DÃO EXEMPLOS NA VIDA E NA FICÇÃO

Faz hoje uma semana que o fim do mundo chegou de cara feia, amarrada, arrastando tudo que encontrou pela frente na região serrana do Rio de Janeiro, sem perdoar nem pobres nem ricos, negros ou brancos, gordos ou magros, homem, mulher ou criança.
Um horror!
Gatos, cachorros e outros bichos, domésticos ou não, tiveram também a vida abreviada de forma abrupta.
Entre os estragos, destaque para milagres e fatos inusitados, como o que li nos jornais a respeito de um jovem casal, casado há pouco, encontrado morto e de mãos dadas nos escombros de Teresópolis.
De cortar o coração.
Li também que um pai salvou o filho - um bebê de sete meses - dando-lhe sua própria saliva, enquanto durante horas e horas estiveram ambos soterrados e dados como mortos, a exemplo da mulher e também da sua mãe, que jaziam ao lado.
Também de maneira fantástica, inacreditável mesmo, li que uma mulher de idade ganhou o noticiário internacional ao ser içada de uma tromba d´água por vizinhos solidários. Para salvar-se, ela amarrou-se a uma corda em segundos. Detalhe: nunca, na vida, ela deu um nó sequer numa corda ou num cordão.
Outras cenas igualmente incríveis foram anotadas na operação de socorro urgente desenvolvida por bombeiros e pelo exército de voluntários que rastreiam em busca de corpos e sobreviventes a região escolhida como alvo da violência, de origens naturais, que desabou num piscar de olhos e diante de meio mundo.
Mas o episódio que me tocou sobremaneira foi o referente a um cachorro que não abandonou o dono nem na hora da morte.
Ele ficou o tempo todo no local onde o dono fora encoberto pela danação e lá achado sem vida.
E nem lá, no cemitério, o cachorro o abandonou.
Fez-me lembrar a história do vaqueiro pernambucano Raimundo Jacó, primo do rei do baião Luiz Gonzaga.
Jacó foi encontrado morto sob uma árvore, em julho de 1954.
A seu lado, um fiel vira-lata.
E como no caso do cachorro do Rio, o cachorro de Pernambuco acompanhou o dono ao cemitério e lá, ao lado da cova, permaneceu por vários dias; até que também foi encontrado morto, sem tocar na água e na comida que lhe deram numa cumbuca.
Tanto na vida quanto na ficção, há histórias fabulosas envolvendo cachorros.
Graciliano Ramos, por exemplo, no seu romance Vidas Secas, dos anos de 1930, dá vida a uma cachorra chamada Baleia.
Sugiro leitura.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O HOMEM, A CHUVA E AS TRAGÉDIAS

Eu não ia falar sobre esse assunto, por estar ele em tudo quanto é jornal, rádio, TV e Internet. De qualquer modo, vamos lá.
Partes do Sudeste deste Brasil brasileiro, belo e frondoso, estão se afogando em água e lama sem que, de fato, nada se faça para impedir que tal ocorra.
Casas e edifícios inteiros estão desabando que nem pecinhas de brinquedo ou de papel.
Estradas estão sendo destruídas pela violência incomum dos vendavais e trombas d´água.
Gentes e bichos têm desaparecido em piscares d´olhos, em frações de segundo.
Onde havia bairro, o que se ver agora, com infinita tristeza, é um amontoado de paus, vigas, pedras, lixo, barro.
Terrível, sem dúvida.
Ensaio do apocalipse?
E de Deus é que não é a culpa.
Em São Paulo, nem sei quantos já se foram.
Em Minas também há desaparecidos desabrigados aos milhares e dezenas de cidades com estado de calamidade decretada.
Na região serrana do Rio de Janeiro, o fim do mundo é um desenho concreto e feio.
Assustador é tudo o que se vê em volta, de qualquer ângulo.
Um coleguinha repórter, desses tapados, toupeira, fazendo balanço da cobertura ao vivo, na televisão, disse parecendo vibrar:
- Começamos o programa com 381 mortos. Uma hora depois, esse número subia para 397. Agora já são 423!
Ele falava como se torcesse para que ocorresse algo pior. E dizia, ainda eufórico:
- Essa é a maior tragédia do Brasil!
Eu, com meus pacatos botões, retruquei quieto na poltrona: cala a boca, peste!
As tragédias brasileiras são muitas e de todos os tipos e magnitude, infelizmente; e ocorrem desde os tempos das invasões estrangeiras no nosso território, com os celerados de Cabral, por exemplo, prendendo, arrebentando, escravizando, estuprando e matando inocentes.
Ocorreram milhares de tragédias entre nós, como a de Canudos; mas a besta que disse asneiras na TV parece não leu nem ouviu falar do massacre do Exército contra pobres desavalidos do sertão da Bahia da virada do século 19 para o século 20: 25 mil mortos.
No livro Os Sertões, o carioca de Cantagalo Euclides da Cunha (foto) escreve, ao fim, sobre a grandeza dos brasileiros mais humildes, mesmo aparentemente vencidos por forças gigantes:
- Canudos não se rendeu (...) Eram quatro apenas: um velho, dois homens e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados (pág. 611, 9ª edição corrigida, Livraria Francisco Alves; 1926).
Aquela não foi uma tragédia como a que assistimos agora, claro.
Mas alguém de sã consciência ou minimamente informado pode dizer que o que está ocorrendo em Teresópolis, Petrópolis e noutras cidades do Sudeste é a maior tragédia do Brasil?
Claro que não.
O que pode é dizer que o que assistimos pela TV é uma tragédia natural, climática, que de certo modo poderia ser evitada, pelo menos em parte, se as autoridades dessem a devida importância ao povo e que o povo fosse instruído, orientado, para não construir, por exemplo, imóveis em locais de risco, como as encostas de morros.
Pode dizer também que já está mais do que na hora de o governo parar de investir em resgate e reconstrução.
Pode ainda dizeder que está mais do que na hora investir na prevenção etc., pois sabemos que é ao homem possível fazer chover, mas não a ele é dado o dom de fazer parar de chover.
Ah, sim! E paremos de jogar lixo na rua.

domingo, 9 de janeiro de 2011

UMA HISTÓRIA PRONTA PARA O CINEMA

Há coisas no nosso mercado editorial que, confesso, eu ainda não entendo.
Um exemplo?
Este:
Por que danado a Editora Brasiliense demorou tanto para levar às livrarias o romance policial As Covas Gêmeas, tão bom?
Aliás, até prova em contrário, o mercado carece desse tipo de livro.
Sua trama chama de cara a atenção do leitor pela forma intrincada como se desenvolve no correr de 250 páginas.
As Covas Gêmeas é um livro que nasce fadado a ir às telas de cinema, anotem. E, detalhe: ele marca a estréia de pelo menos dois grandes personagens: a do próprio autor, o paulistano Marco Antonio Zanfra, e a do anti-herói Marlowe, criado para dar cabo nessa história de marginais que têm sob seu poder um dos garotos de desesperada mãe pobre e sem marido.
Marlowe, típico policial de carreira, surge logo nas primeiras páginas.
Ele é casado, pai de uma menina, separado e beberrão, e embora afastado de suas atividades policiais por um corregedor que o persegue, após acidente de automóvel que deixou pregado a uma cadeira de rodas um velho colega de profissão, finda por dar conta da tarefa a que se propôs: resgatar o garoto...
No Brasil, são ainda poucos os autores que enveredam pelo campo da literatura policial.
Por que, não sei.
Mas só esse fato deveria chamar a atenção das editoras, imagino.
Zanfra estréia com o pé direito.
É sucinto, curto nas frases.
E isso é bom.
O leitor gosta de frases assim, de parágrafos idem, e que os personagens se movimentem com rapidez.
O único “mas” que vejo no livro é: não custaria o autor informar as origens de frases que o inspiraram aqui e ali. Sua criatura Marlowe, por exemplo, diz que há pessoas que estranham quando ouvem o seu nome esquisito e cita:
“Nossos ídolos ainda são os mesmos, dizia o poeta” (pág. 21).
O poeta no caso é o cearense Belchior e o verso citado enriquece a música Como Nossos Pais, que a cantora gaúcha Elis Regina lançou em 1976.
O texto de Zanfra traz também frases bonitas, literárias, como:
“(...) longe, muito longe, sons de um tráfego que parecia fluir cuidadosamente para não acordar os mortos” (pág. 92), que Marlowe pronuncia como narrador da história de que faz parte.
Há também frases do balaio da cultura popular, como esta:
“A necessidade é a mãe de todas as virtudes” (pág. 221).
E esta:
“Vamos em frente, que atrás vem gente”, ditada pela delegada Maria Marge (pág. 229).
No entanto, isso tudo está longe de ofuscar a originalidade da história de Zanfra.
Acho só uma coisa: que Marlowe deveria ter sobrenome que o identificasse como brasileiro. Tudo bem que ele goste de músicas erudita e até de assobiar “alguns acordes de Noturno nº 1, de Chopim”, enquanto caminha perigosamente à noite por uma rua de uma cidadezinha cheia de cabras doidos para lhe por fim à vida (pág. 89).
Parabéns, Marco Zanfra! E traga o durão e sortudo Marlowe no próximo livro.
O doutor referido pelo bêbado da rodoviária é o delegado corregedor André Wolff?

sábado, 8 de janeiro de 2011

POESIA POPULAR, CORDEL E REPENTE

Ontem fiz referência à décimas de Allan Sales e Zé Limeira.
Allan Sales é um cearense de atividades culturais múltiplas, nascido na cidade de Crato, CE. É professor de violão, compositor e poeta popular, com várias músicas gravadas e autor de cerca de 300 folhetos de feira publicados a partir de 1997, quando passou a se dedicar a esse gênero literário e também a ensinar o que tem aprendido ao longo do tempo. Mora na capital pernambucana desde 1969.
Zé Limeira, por sua vez, foi um poeta fantástico, sem trocadilhos; paraibano a quem comparo sem favor ou bairrismo com o pintor catalão Salvador Dalí.
Pois bem, décimas são formas literárias desenvolvidas desde os tempos da Idade Média.
Há pelo menos dois, três ou quatro tipos de décimas.
As formas que apresentei ontem aqui, neste espaço, de Sales e Limeira, são desenvolvidas em estrofes ou linhas de dez versos setissílabos, ou seja: o primeiro rimando com o quarto e o quinto, o sexto com o sétimo e o décimo e o oitavo com o nono. Exemplo:

O Brasil tem povo bonito
Que não merece sofrer
Pois ele quer é aprender
Tudo com grande gabarito
Sem provocar nenhum atrito
Entre quem quer que seja
O que esse povo todo almeja
É sempre viver em paz
Isso brasileiro é capaz
Porque é tudo que deseja

Há as décimas de duas quintilhas inventadas no século XVI e fácil de achar na obra de Camões e no Cancioneiro Geral, de Garcia de Resende, como lembra Sebastião Nunes da Silva no opúsculo Poética Popular do Nordeste.
Quintilhas são formadas por estrofes de cinco versos com rimas iguais, sem graça.
Mas há as décimas com decassílabos seguindo a métrica heptassilábica ou de sete sílabas (setissílabo).
Fora isso, há também a décima com rimas idênticas e a décima corrida ou desmancha, própria do cantador ou poeta repentista com viola ao peito, no exemplo de Sebastião Nunes:

1º cantador:

Um só Deus: o Pai dos pais.
Dois caminhos: bem e mal
Três dias de carnaval
Quatro pontos cardeais
Cinco lançados mortais
Seis pontos nos regimentos
Sete grandes sacramentos
Oito incelenças de pena
Nove terços de novena
Dez divinos mandamentos.

2º cantador, desconstruindo a estrofe de traz pra frente:

Dez divinos mandamentos
Nove terços de novena
Oito incelenças de pena
Sete grandes sacramentos
Seis pontos nos regimentos
Cinco lançadas mortais
Quatro pontos cardeais
Três dias de carnaval
Dois caminhos: bem e mal
Um só Deus: o Pai dos pais.

Sem dúvida, é muito rico o mundo do poeta repentista.
E viva a cultura popular!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

MOURA REIS, SAYAD E ZÉ LIMEIRA

É bom ter amigos, e vejam se não.
O querido piauiense Moura Reis, que anos atrás me substituiu na chefia de reportagem da editoria Política do diário centenário O Estado de S.Paulo, manda mensagem provocadora sob pretexto do que publiquei ontem, neste espaço. Ele escreve:

Caro guru - vejam só -, poeta, nordestinólogo, mestre e o escambal. Seu admirador incondicional, assumo, pela primeira vez, a democrática postura de discordante: discordo com toda a ênfase sua ideia de voltar a misturar o Ministério da Cultura com o da Educação. Era assim no passado, você deve lembrar, e não deu certo. Não vejo razão para o que considero retrocesso. Acredito que devemos apoiar o fortalecimento do Ministério da Cultura neste momento especial sob o comando da Ana Buarque (de Hollanda). Creio que devemos participar do debate sobre direito autoral e da bolsa ingresso, entre outros fatos da atual agenda do Minc. E proponho que você inicie imediatamente campanha para tirar o burocrata João Sayad da TV Cultura. Sugiro o argumento: burocrata no comando de instituição cultural é, no mínimo, sacrilégio à cultura brasileira, portanto insulto à inteligência dos cidadãos e cidadãs brasileiros que vivem e amam São Paulo.

Pois bem, a idéia de fundir o Minc com o MEC (a sigla permanece) se justifica pelo simples fato de cultura ter de andar lado a lado com educação.
Quanto à questão sobre autorais acho de extrema necessidade o prosseguimento da discussão. Pra começar, acho que uma obra deveria cair em domínio público no máximo 50 anos, e não 70, após a morte do autor.
E pronto!
Campanha?
Não sou do ramo, mas acho que o presidente da Fundação Padre Anchieta deve entender que o novo é filho do velho; portanto o argumento de que Ensaio é velho, cai por terra. Ora, o programa Ensaio - não custa repetir - é um dos mais belos e importantes da nossa TV. E tomara que não passe pela cabeça do Sr. Sayad a idéia de jogar fora os discos de 78 rpm da Fundação, como fizeram muitos diretores de emissoras de rádio do País, justificando ser “tudo coisa velha”.
Muitos artistas, e também escritores, não guardam seus discos, é sabido. Eu mesmo já dei 78 rpm a Paulo Vanzolini com música de sua autoria, no caso Volta Por Cima. E também a Inezita Barroso, com a gravação de Ronda. E até eu já recebi de presente livro de minha autoria, como Eu Vou Contar Pra Vocês. Isso, porém, não é razão para que se jogue no lixo livros e discos de 78 rpm.
Neles se acha a história do Brasil.
Toco nesse assunto por uma razão: já me disseram que a Fundação Padre Anchieta há muito não aceita doação de discos nesse formato e nos formatos de compactos e LPs.
Eu, hein!
Para encerrar, uma décima do poeta repentista Allan Sales:

Zé Limeira viu Sayad
Certo dia vendo Ensaio
Disse sim é do caraio
Quando viu sua cumade
Pois Sayad virou pade
Mas sem ganhar bom salaro
Mas andava de camaro
Do timão usando um gorro
Não precisa ser cachorro
Para dar valor ao Faro.

Zé Limeira foi o poeta dos disparates, uma espécie de Salvador Dalí das letras e idéias em estado bruto. Sobre ele, o jornalista e advogado paraibano Orlando Tejo escreveu o livro Zé Limeira, o Poeta do Absurdo. Curiosidade: depois de Shakespeare, é Zé Limeira o mestre da preferência de Paulo Vanzolini, de quem, aliás, declama estes versos feitos de improviso e na forma de décima:

O velho Tomé de Souza
Governador da Bahia
Casou-se e no mesmo dia
Passou a pica na esposa
Ele fez que nem a raposa
Comeu na frente e atrás
Chegou na beira do cais
Onde o navio trefega
Comeu o padre Nobrega
Os tempos não voltam mais.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

FERNANDO FARO E AINDA ANA DE HOLLANDA

Somente agora, passeando por blogs de alguns amigos, como Luiz Nassif, eu tomei conhecimento de um lamentável encontro do novo presidente da Fundação Padre Anchieta, que mantém o rádio e a TV Cultura, e funcionários.
Diz texto, capturado do blog de Nassif:

Em reunião ontem, na TV Cultura, com o pessoal da área de musicais, João Sayad afirmou que o programa Ensaio – o mais importante programa de música da história da televisão brasileira – está ultrapassado e será revisto, porque ele não gosta e o modelo é de quarenta anos atrás.
Um dos funcionários rebateu:
- O senhor é um economista, acostumado com calculadoras e planilhas. Nós aqui dos musicais estamos acostumados com sonhos, música e sentimentos. E a gente se espelha não em números, mas nesse senhor aqui do lado, que se chama Fernando Faro.
Justamente o pai do Ensaio e do programa Mobile (que foi desativado).
Sayad virou-se para um assessor do lado e cochichou:
- Quem é?
Não sabia quem era Fernando Faro, o “Baixo”, um dos mais importantes personagens da música e da cultura brasileira das últimas cinco décadas. O programa símbolo da TV brasileira, que documentou a música brasileira ao longo de tantas décadas foi julgado e condenado… pelo Sayad, que nem sabia quem era Faro e o que representa o Ensaio.

O que mais dizer?
...E pensar que a cultura popular, que é a reunião de formas e meios pelas quais o povo se manifesta e faz história, se acha nas mãos de figuras como essa é, de fato, de se lamentar.
O que se pode vislumbrar a partir desse encontro da burocracia fria e insensível com a história é que o povo corre o risco seriíssimo de ter seus meios (e formas) de manifestação interrompidos.
Um recadinho ao presidente da Fundação:
Não há o novo sem o velho, que é a base de tudo, incluindo a história.

AINDA ANA
Tenho recebido alguns e-mails sobre o que escrevi ontem a respeito da nova ministra da Cultura. Num deles, assinado pelo jornalista Marco Zanfra, uma fria:
- Proponho que Ana de Hollanda crie uma secretaria para assuntos de cultura nordestina e convide o compadre Assis Ângelo para pilotá-la.

Já pensou a ministra ter que criar secretarias para assuntos de cultura gaúcha, nortista etc.?
Eu, hein!

LITERATURA DE CORDEL
Este é de um cidadão chamado Matias, que quer saber se há por aí, fácil de achar, folhetos de cordel e discos de poetas repentistas:
- Meu nome é Matias, sou de Jundiaí, e assisti as entrevistas que você deu à Recordnews e, na semana passada, a que passou no Globo Rural. Tenho bastante curiosidade e interesse em cantadores repentistas nordestinos e em cordel. Ouço o programa do Geraldo do Norte, na Rádio Nacional, só para esperar a hora do repente, que dureza! Não confundir com Castanha e Caju. Tem uns caras que falam coisas inimagináveis de tão profundas. A partir daí me interessei, tipo Ivanildo Vila Nova... Tem alguma forma de cordel e algum material sonoro desses repentistas?

A dica é a seguinte, e serve para o Matias e para outros eventuais interessados no assunto: folhetos de cordel às centenas podem ser adquiridos nas editoras Luzeiro (editoraluzeiro@com.br), com Gregório, e Tupynanquim (tupynanquim_editora@ibest.com.br), com Klévisson Viana.

PS - Na foto acima, de 2001: Ana de Hollanda, Fernando Faro e este escrevinhador em prosa das boas, ao vivo, no extinto São Paulo Capital Nordeste, programa de rádio que produzi e apresentei durante seis anos e meio, na Capital.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

ANA DE HOLLANDA E O MINISTÉRIO DA CULTURA

O Ministério da Cultura, Minc, tem novo titular desde segunda-feira 3.
Melhor: uma titular; aliás, pela primeira vez na sua história.
Nome: Ana de Hollanda, filha do historiador Sérgio e irmão do cantor e compositor Chico.
Fez discurso bonito, alinhado com as metas da presidenta Dilma.
Ana falou em privilegiar a criação e criadores etc.
Bom.
Melhor ainda é não esquecer que há uma criação extremamente importante a merecer olhares especiais: a popular.
A criação popular; a cultura popular, anônima, dita folclórica, é de fundamental importância como identidade do País.
Dilma fez referência a isso, quando disse que “a cultura é a alma de um povo”.
Pois bem, na verdade eu gostaria mesmo era de ver fundidos num só o Ministério da Cultura com o Ministério da Educação. E ao invés de Minc, Minc-educa.
Por ue não?
Gostaria também de ver mais qualidade na programação da televisão, e também do rádio.
A música, sei, vai estar de volta logo logo às escolas.
Ouso dizer que tenho a ver com isso.
Aos mais esquecidos sugiro um passeio por 2006 pelo Google, quando estive no Congresso Nacional expondo sobre o tema.
Com isso, quero dizer o seguinte: que é preciso dinamismo tanto no Ministério da Cultura quanto no Ministério da Educação.
Um tem tudo a ver com o outro, certo? Por isso, os seus titulares têm de estar cada vez mais afinados em prol do bem comum.
A televisão anda pobre, capenga, com suas riquezas visuais e hipnóticas.
O rádio, idem.
Cadê a qualidade, o gato comeu?
Curiosidade: no fim de 2002, acho, Ana esteve no programa São Paulo Capital Nordeste, por mim apresentado durante anos. Ela foi falar sobre cultura e sobre o centenário do pai, que se daria no ano seguinte. E para sua surpresa, reencontrou o produtor musical e mais que isso Fernando Faro, criador do Ensaio, o mais longevo programa da televisão brasileira. Ana contou coisas legais e curiosidades, como a possibilidade de o seu pai ter feito filho na Alemanha...
Claro, sei: está mais no que na hora de o São Paulo Capital Nordeste voltar.
Nada melhor do que um dia atrás do outro, né não?

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A CULTURA POPULAR É A IDENTIDADE DO POVO

Eu mentiria se dissesse que não gostei do discurso de posse da Dilma.
Acho que ela falou o que todos - e todas - esperavam ouvir.
Comprometeu-se com o Brasil, com as liberdades individuais, com a justiça social, com os deserdados da vida. Disse que seria rigorosa no combate à corrupção e que não compactuará com erros e malfeitos que porventura venham a ser identificados no seu governo.
Tomara.
Do longo discurso de 3.604 palavras, no qual o povo foi citado 13 vezes em contextos diversos e cultura 4, só não gostei do fato de ela não ter pronunciado o nome de Guimarães Rosa, a quem se referiu apenas como um poeta da sua terra.
Ora, ora. Poeta?
Guimarães Rosa foi bem mais do que poeta.
A pergunta que me faço é: Por que Dilma não citou com todas as letras o nome do autor de Grande Sertão: Veredas? Isso teria sido importante.
Guimarães Rosa continua sendo um dos maiores autores da literatura brasileira. E isso não é pouco num país que já deu tantos poetas e romancistas de gabarito inquestionável, como Machado de Assis, Aluizio de Azevedo, José de Alencar, Monteiro Lobato; Castro Alves, Casimiro de Abreu, Augusto dos Anjos, Carlos Drummond e Manuel Bandeira.
Usar trechos de obras e citar seus autores sempre será importante.
Sobre cultura, Dilma lembrou que “O caminho para uma nação desenvolvida não está somente no campo econômico. Ele pressupõe o avanço social e a valorização da diversidade cultural. A cultura é a alma de um povo, essência de sua identidade”.
Gostei da frase: "A cultura é a alma de um povo, essência de sua identidade”.
Aí ao lado, à direita, há anos escrevi algo parecido.
Bonito, não é?
Em seguida, ela garantiu:
“Vamos investir em cultura, ampliando a produção e o consumo em todas as regiões de nossos bens culturais e expandindo a exportação da nossa música, cinema e literatura, signos vivos de nossa presença no mundo”.
Agora é esperar, dar corda.
Particularmente, acredito que Dilma Rousself fará um bom governo.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O MUNDO EM FOGO E TIRIRICA NA FITA. AFE!

O mundo tá pegando fogo.
Em Paris – bela cidade, já dizia a minha avó Alcina – o povo vai às ruas todos os dias para protestar sobre qualquer coisa.
Outro dia eu mesmo confirmei isso.
Protesto sobre qualquer coisa, eu vi.
Vi na região do Quartier Latin, ali perto da Sorbonne, do Pantheon, do Jardin du Luxembourg.
Um jardim fantástico!
Pelas proximidades, meia dúzia de jovens franceses empunhando cartazes e protestando sobre sei lá o quê.
Mas protestando, e bonito.
Em paz.
E isso é importante.
Há poucos dias o povo na França foi às ruas aos milhares para protestar sobre a decisão do go-verno tirar dois anos da aposentadoria deles.
Não adiantou: o Congresso de lá aprovou.
Mas sob protesto.
Victor Hugo estaria feliz.
Semana passada, e ainda agora, em Londres, a estudantada foi às ruas brigar contra o aumento na mensalidade escolar pretendida pelo governo.
O pau tá comendo.
Em Roma, a balbúrdia é geral.
O confronto entre estudantes e polícia contra o governo tem como razão voto a favor de Berlusconi, dado hoje no final do dia pelo Parlamento italiano.
Nenhuma linha nos eletrônicos da noite, por aqui.
Por que, hein?
O povo de lá tá tiririca.
Tá tiririca é tá puto da vida, enraivecido na nossa língua nordestina.
Mas o que está pegando mesmo é a história do site wikileaks.
Tô gostando.
Até Lula disse que é legal, só pra fazer o Obama subir paredes.
Hahaha.
Sério: o que o cidadão Assange está fazendo é fantástico.
Ele está desafiando nações ditas democráticas a provarem ser o que dizem.
Os EUA se arrepiaram.
Informação tem de ser, sempre, livre.
O jornalismo agradece.
Viva o mundo livre!
Viva a Internet!

............

E o Tiririca, hein!
- Vai virar personagem central de filme.
Bem que outro dia o Geraldo Vandré me disse, irônico: O Brasil merece.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

HOJE, LUIZ GONZAGA PIPOCA EM TODO O PAÍS

Hoje é dia de Santa Luzia.
É dia também de Luiz Gonzaga, o rei do baião.
O filho de Santana e Januário nasceu nesse dia: 13 de dezembro, há 98 anos.
O menino cresceu e ficou famoso em toda região do Araripe, lá pras bandas de Pernambuco, passando por Bodocó e cercanias. Hoje é o nome de sanfoneiro mais conhecido do País e de boa parte deste planeta para o qual contribuímos, já não propriamente aos poucos, para o seu fim.
Mas não falemos de fim.
Falemos de começo.
O começo de tudo vem pela educação e amor ao próximo.
O Rei do Baião já dizia isso.
Diziam isso também os nossos professores de tempos de antanho.
Mas parece que não ligamos muito, não é?
Vamos soltar um foguetão em louvor do filho caçula de Santana e Januário? e pensar um pouco no que ele dizia na sua obra?
Fará bem.
No Brasil, neste dia de hoje, pipoca festa em todo canto.
Ali mesmo no Canto da Ema, cá em São Paulo, tem arrasta-pé até de madrugada.
Até o senador do rojão Genival Lacerda foi chamado.
E é bem capaz de lá se acharem Elba, Dominguinhos, Trio Virgulino e tantos.
Bora lá?
Eu vou.
O Canto fica ali nos fins da avenida Faria Lima, na região de Pinheiros.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O CINEMA BRASILEIRO ESTÁ CADA VEZ MELHOR

Fantástico!
Sim, com exclamação.
Bonito mesmo o filme Caixa 2, com Fúlvio Stefanini, Giovana Antonelli, Zezé Polessa, Daniel Dantas, que acabo de assistir pela Plim, Plim, é de deixar a todos nós satisfeitos, no mínimo, por termos um cinema como esse.
Bem feito, com cortes onde havia de ser necessário.
Engraçado.
Leve.
Texto original, roteiro adequado.
É novo, recente. E trata do sistema capitalista, bancário.
Sim, studo no ponto.
Poxa, muito legal e cheio de graça.
É comédia, pela classificação de gênero.
Ok... Mas o Tropa de Elite 2 continua enchendo salas Brasil a fora.
Como pode esse Tropa derrubar filmes como Dona Flor e outros e outros?
Eu pergunto, mas sei perfeitamente a resposta: a falta de educação de todos nós brasileiros, que gostamos do lixo norte-americano e, por sermos assim, aplaudimos o quem vem de fora.
Ainda: o torturado, muitas, vezes, gosta do torturador.
Quando isso vai acabar?
Quando vamos gostar do que fazemos e do que somos?
Boa noite.
Agora vamos ver o que o Jornal da Globo vai nos mostrar.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

CARTÃO VERDE E SÓCRATES. TIM, TIM!

O Sócrates foi uma figura fantástica como jogador do Corinthians e da Seleção Brasileira, no século passado. Isto é: marcou como esportista e dono da boa nos pés.
Como cidadão, continua igualmente fantástico, dizendo coisa com coisa.
Agora há pouco, por exemplo, o vi no Cartão Verde, da TV Cultura, ao lado do meu amigo Xico Sá, falando sobre o Flu etc.
E falou com propriedade sobre o campeonato findo domingo último.
Falou sobre o que sabe, no ramo que escolheu como profissão.
E estava com uns gorós no juízo.
Gostei.
A isso se chama autenticidade.
O Magrão continua mostrando que podemos ser responsáveis, sem abandonar os prazeres que a vida oferece.
É isso,não é Roni?
Eu conheci o Magrão tomando comigo cerveja no Parque São Jorge.
Bons tempos, belos tempos.
E viva à vida!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O CORINTHIANS GANHA ATÉ QUANDO PERDE

O zagueiro Chicão, o lateral-esquerdo Roberto Carlos e os volantes Elias e Jucilei, do Corinthians, se destacaram dentre todos os participantes do Brasileirão encerrado ontem, formando a base de uma seleção escolhida por especialistas da revista Placar e do ESPN Brasil.
Isso mostra uma coisa: mesmo perdendo o jogo contra ao Goiás - aquele chute de Ronaldo não poderia findar na trave! - e ocupando a terceira colocação no campeonato deste ano, o Corinthians ganhou.
É um time que ganha até quando perde.
Agora mesmo, por exemplo, o time do Parque São Jorge acaba de ganhar um hino, com letra minha e música do gênio da raça Oswaldinho do Acordeon.
A letra surgiu em decorrência da frase que recebi ontem, via e-mail: “Todos os times vivem de títulos, o Corinthians vive de Corinthians”, do meu amigo Flávio Ferrari, um dos diretores do Timão.
E por que um hino, se já há o do Lauro d´Ávila silvano no bico do povo?
Por uma razão, explico: o bonito hino do d´Ávila é uma marcha-rancho.
E mais uma coisa: estou concluindo um livro sobre o Timão, que será meu presente de comemoração do 1º centenário de fundação do Corinthians.
Em primeira mão, para os seguidores deste blog, a letra:

Todo time vive de troféu
No Corinthians é diferente
O corinthiano faz estilo
Que é viver de repente
Acelerando o coração
Sem trocar São Jorge por São João
É time pra lá de competente!

O Corinthians quando perde,
Não perde, respeito ele ganha
E entre vivas e hurras
Esse time nunca apanha
Joga com muita categoria
Joga com raça, com alegria
Movido por força estranha

É time e é também nação
O Corinthians paulistano
Fundado por operários
Todos de timbre corinthiano
O Corinthians é brasileiro
O Corinthians é guerreiro
É time nosso de todo ano

domingo, 5 de dezembro de 2010

CORINTHIANS, PAULO BENITES, ARTE E CIDADANIA

Vi há pouco, pela TV, o meu time Corinthians ganhar ao empatar diante do Goiás; com raça, com garra, com o Fenômeno se desdobrando, chutando na trave e levando a torcida ao delírio.
Maravilha!
O Coringão não perdeu: ganhou no 1 x 1, não é verdade Ferrari?
O nosso time se defrontou com o adversário com categoria, com respeito.
Deu exemplo de cidadania.
O Goiás fez o único gol, nos primeiros 19 minutos.
Aos 29, Dentinho empatou e ficamos no 3º lugar.
O Cruzeiro, no 2º.
O Grêmio, de mestre Lupicínio Rodrigues, ficou com o 4º lugar após abater o Botafogo, de glórias mil dos tempos do anjo de pernas tortas, Garrinha.
Vi também o São Paulo encher a rede do Atlético mineiro quatro vezes.
Foi, pois, uma despedida e tanto a do São Paulo nesse Brasileirão.
À essa altura o Paulo Benites, meu amigo, deve estar feliz com o resultado e tomando umas e outras ao lado dos pais e da amada Denise; pois o São Paulo, que é também o time do coração de Ives Gandra da Silva Martins, pensador brasileiro e tributarista maior deste País sem par, jogou com categoria e raça, como o Corinthians, aliás, também do meu amigo querido, do peito, engenheiro brasileiro Peter Alouche; na arte do cordelismo, Pedro Nordestino.
Benites é um empreendedor incorrigível, desses que põem os interesses do Brasil em primeiro lugar.
Mas ele é e faz questão de ser, antes de tudo, um cidadão comum.
No entanto, é incomum.
Seus gestos, suas ações, mostram isso.
Conheci Paulo no Metrô paulistano.
Do Metrô, por uma década, ocupei a chefia do Departamento de Imprensa, para meu orgulho.
Então, posso falar.
Conheci muita gente lá, dentre as quais grandes profissionais, incluindo engenheiros, mas nenhum do quilate que Paulo representa.
Cedo esse engenheiro, com especialização em universidade do Exterior, resolveu ser dono do próprio nariz e criou uma empresa.
Um risco e tanto.
E foi em frente.
Hoje, eu o vejo disputando espaço com grandes colaboradores e fornecedores do Governo.
Muitas raposas, grandes construtoras etc.
Tenho acompanhado de perto os movimentos de Paulo na tentativa de fazer com que o Brasil ande.
E rápido, de preferência.
Um desses meios para o País andar rápido é o Trem de Alta Velocidade, o TAV, que poderá ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro numa hora, apenas.
Sonho dele, de Paulo, antigo.
Com esse objetivo, ele desenvolveu projeto durante anos; durante uns cinco, pelo menos.
Paulo foi buscar parceiros até no outro lado do mundo.
Trouxe coreanos, por exemplo, ao lado de quem se juntou com mais duas dezenas de empresas.
E a confusão foi feita, ao contrariar interesses até então inabaláveis.
Mexeu com vespeiro, com o stablisment.
Coisa perigosa.
Mas só os fortes fazem isso.
Um dia, o Lula e a Dilma, com palavras diferentes e conteúdo igual, disseram ser ele um brasileiro exemplar.
Por que?
Por apostar no Brasil
Poderosos de sempre, que não acreditavam na vitória de Dilma, agora bombardeiam Paulo Benites.
É jogo sujo.
Paulo Benites é empreendedor, homem de garra que não se renderá nunca.
O Brasil precisa andar.
Em trem de alta velocidade.
E viva o Corinthians!
Também o São Paulo, de Frienderich.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

IMPRENSA GANHA PRÊMIO COM TEMA SERTÃO

Foi uma noite bacana e tanto a de ontem no HSBC, que fica ali no fim do mundo.
Toda de premiação de dúzia e meia de empresas que de algum modo apostam no Brasil, entre as quais Caixa Econômica Federal, Diário de S. Paulo, ESPM, Imprensa Editorial, da qual fazem parte o Portal e a Revista Imprensa tocada há duas décadas por Sinval de Itacarambi Leão que, pelo visto, nestes tempos bicudos, faz jus ao sobrenome que tem.
A parte mais bonita, porém - e cá pra nós -, eu acho que foi a subida ao palco do cantador repentista Sebastião Marinho, que sob uma chuva de hurras e aplausos encantou a platéia formada por cerca de 1,5 mil pessoas.
Com o desembaraço e o talento de sempre, viola em punho, firme, ele cantou:

A Imprensa agradece a Armando
Ferrentini Editora Referência
A GV Fundação Getúlio Vargas
Um modelo de magnificência
Ao nobre Madia Mundo Marketing
Parcerias de muita eficiência.

No biênio marcado pela crise
Financeira internacional
Eis aí O Sertão um Vale Fértil
Da Imprensa num passo magistral
Caderno de Mídia e Revista
Oficinas, Eventos e Portal
Com milhões de leitores e usuários
Resultados de alcance nacional.

Os Fóruns Amazônia e Água em Pauta
Infraero, Liberdade de Imprensa
Seminário de Rádio e Jornalismo
Que tiveram repercussão imensa
Os Prêmios SEBRAE e Prêmio Caixa
E o brilhante Troféu Mulher Imprensa.

E arrematou agradecendo a presença de todos.
Um pouco antes, o fundador da Revista e Imprensa, Sinval de Itacarambi Leão, recebeu o troféu Marketing Best na sua 23º edição das mãos do diretor-presidente do Madia Mundo Marketing, Francisco Alberto Madia de Souza.
A noite se estendeu barulhenta madrugada adentro, com os acordes dos roqueiros Léo Jaime, Claudio Zoli,Kiko Zambianchi e Kid Vinil.
Eita!.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

CLÃ BRASIL, VESTIDO DE BRASIL

Acabo de receber e-mail do amigo e conterrâneo imortal - é da Academia Paraibana de Letras - José Nêumanne Pinto, com anexo trazendo imagens do conjunto musical feminino Clã Brasil interpretando o coco Sebastiana, de Rosil Cavalcanti, lançado à praça em novembro de 1953 pelo rei do ritmo Jackson do Pandeiro, que o próprio Nêumanne conheceu, acho, nos começos dos anos de 1980, no Rio de Janeiro.
Pois bem, as meninas comandadas por Badu, que criou o Clã e é do Clã violonista, fazem bonito interpretando a pérola cavalcantiana que ganhou forma e meio mundo a partir da interpretação do paraibano Jackson.
O conjunto também é paraibano.
A sanfoneira é uma graça.
A zabumbeira parece que tem molinhas nos pés.
Todas são ótimas interpretando forró, xote ou baião.
Altíssimo astral.
As meninas, mais Badu e sua companheira mãe das meninas, estiveram uma vez cá em casa trocando idéias.
Lá pras tantas, sugeri que usassem nas vestimentas as cores do Brasil.
Estão ótimas assim vestidas.
O Clã já tem alguns discos gravados e pelo menos um DVD, que recomendo ouvi-los e ver o mais depressa possível.
Acham-se nas boas casas do ramo.
O DVD do Clã traz maravilhas, inclusive a presença de Marinês e Sivuca, que estão no céu tocando forró pra Deus e todos os anjos, arcanjos e querubins dançarem agarrados ou em roda sob o comando do próprio Jackson e de Luiz Gonzaga, mais Gordurinha, Manezinho Araújo, Abdias e mestre Chiquinho.
Deve tá bom por lá, mas quero ainda permanecer aqui por mais ummmmmmmmm tempo!

MAIS FORRÓ
De Jaqueline Alves recebo notícia da realização do II Encontro de Foles e Sanfonas da Paraíba, que acontecerá na Usina Cultural Energisa e no Ponto de Cem Reis. Segundo ela, haverá show e gravação do DVD de Zé Calixto, com participação de Antônio Barros e Céceu; Pinto do Acordeom, Messias Holanda, Luizinho Calixto, Beto Hórtis, Lucyane Pereira e Richard Galiano, além da exibição de um documentário inédito de Pinto do Acordeom; oficina de acordeom com Moisés Lima; oficina de pandeiro com Baixinho do Pandeiro, apresentação de uma orquestra de sanfonas e outras atrações musicais. Tudo de graça e começa amanhã.
Não vou porque é longe.

HSBC
Agora vou à festa de recebimento de prêmio da Revista Imprensa, no HSBC. É prêmio a ver com o Nordeste. Conto depois.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

CARMÉLIA ESTÁ NO RETIRO DOS ARTISTAS

A cantora carioca de Bangu Carmélia Alves, Curvello de sobrenome, está morando desde o começo da segunda parte deste ano no Retiro dos Artistas em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Quem a levou para lá foram a solidão e a falta de dinheiro que tantos problemas rotineiramente trazem a tanta gente por aí a fora.
Aposentadoria?
R$ 700,00/mês.
Muito pouco, não é?
Pois bem, quem me contou sobre a nova moradia da rainha do baião Carmélia foi dona Iolanda, viúva do médico e compositor de grande destaque e importância para a discografia brasileira, Zé Dantas.
Dona Iolanda, que vive em Recife, esteve com Carmélia e disse que a achou bem alinhada e de bem com a vida.
Carmélia sempre foi assim. E vaidosa, e dona de uma belíssima gargalhada que só vendo.
Mas a verdade é que ela sempre soube disfarçar bem as dificuldades pessoais.
Em público, então, jamais reclamou de nada.
Conheci Carmélia há muitos anos.
Eu freqüentei a sua casa em Teresópolis, na serra carioca, e ela freqüentou a minha, cá em Sampa; e brincou muito com meus filhos e tudo.
Nos orgulhamos dela.
Carmélia sempre foi discreta, inteligente, fina em tudo e jamais alimentou quaisquer vícios.
O seu marido Jimmy Lester, com quem viveu por mais de 50 anos, era também artista e uma pessoa muito espontânea.
Também era incrível e de riso fácil.
Ele era tudo para ela.
Os dois viajaram quase o mundo todo e se apresentaram profissionalmente em muitos países, como integrantes das caravanas criadas pelo advogado, deputado e compositor talentosíssimo Humberto Teixeira, letrista do gênero baião musicalmente estilizado por Luiz Gonzaga.
Senti muito quando partiu.
Também fiquei sabendo que Carminha Mascarenhas está junto com Carmélia.
As duas dizem que o ambiente lá é muito bom e que tem de tudo.
Até enfermeiras de prontidão, tem.
Ora, ora.
E até feijoada, uma vez por mês.
Mas também comedida na alimentação, de feijoada Carmélia não gosta.
Viva Carmélia Alves!

Ah! Sim: na foto acima feita em dezembro de 2002, aparecem a rainha do xaxado Marinês e este súdito cercando a rainha do baião Carmélia Alves e a rainha do forró Anastácia. Detalhe: nunca antes as três se encontraram assim, juntas e num programa de rádio transmitido ao vivo chamado São Paulo Capital Nordeste, vocês se lembram?

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O GÊNIO PIXINGUINHA VEM À TONA PELO IMS

Pixinguinha em Pauta.
Este é o título de um belíssimo livro que está chegando à praça num estojo com a marca do Instituto Moreira Salles; e que se viabilizou através de parceria com a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Imesp.
Pixinguinha em Pauta é também o nome do espetáculo musical que assisti ontem à noite, prazerosamente, no Auditório Ibirapuera.
Belíssimo.
Platéia de extremo bom-gosto.
O livro reúne 36 partituras até aqui publicamente inéditas, com obras de vários autores brasileiros transcritas em primorosos arranjos assinados pelo talento de Pixinguinha, Pixinga ou Pizindim, como também era chamado o mais genial compositor e instrumentista carioca nascido no subúrbio de Piedade, Alfredo da Rocha Vianna Filho.
O espetáculo começou depois de o presidente da Imesp, Hubert Alqueres, subir ao palco e falar com orgulho sobre a portentosa empresa que representa e as razões que o levaram a editar a obra assinada por Bia Paes Leme.
Com isso, o presidente da Imesp marcou muitos pontos positivos na sua carreira de empreendedor, que, certamente, se estenderá pelos caminhos da iniciativa privada.
Antes de a pequena orquestra de 30 músicos regida pelo maestro Pedro Aragão subir ao palco, a iluminação centrou sobre a figura do cantor e animador Pedro Miranda desempenhando o papel do artista e pesquisador de música popular Almirante, de batismo Henrique Foréis Domingues, que apresentava pelos microfones da Rádio Tupi, lá pelos idos de 1940 e 50, o programa O Pessoal da Velha Guarda para o qual Pixinguinha trabalhava como músico e arranjador.
O que se viu e ouviu ontem no Auditório do Ibirapuera foi algo inesquecível.
Belíssimo.
Os músicos da orquestra, ainda sem nome, formada especialmente para apresentar o livro, impressionaram pelo desempenho espetacularíssimo; de improvisação, inclusive.
Todos foram perfeitos nos detalhes e marcantes no conjunto.
Os louvores cabem a cada um dos integrantes da ocasional orquestra, ou mini orquestra, incluindo o regente Aragão.
Os brasileiros de todos os brasis deste tão imenso País têm o direito de assistir a essa orquestra, que pode e deve percorrer todos os nossos rincões... Necessariamente.
O IMS tem obrigação de viabilizar isso.
A orquestra do maestro Pedro Aragão precisa viver, ganhar forma e se integrar mais e mais a este tão musicalmente judiado Brasil.
Falo de respeito, de cidadania, de oportunidade, de ecudação, de um Brasil melhor.
A música pode propiciar isso.
Alias, esta não é a idéia do IMS?
Esta não é a idéia do próprio governo brasileiro?
E tenho a dizer mais:
A Revivendo Músicas é uma empresa do Paraná que existe desde que o seu criador, Leon Barg, já no céu, adquiriu o primeiro disco de cantor brasileiro, em 1936.
Digo isso porque é preciso dizer que o acervo da Revivendo tem de ser preservado para as gerações futuras.
Isso tem a ver com governo, não é?
A Revivendo tem absolutamente todos os discos de Pixinguinha, por exemplo.
E partituras.
E itens da sua obra, inéditos.
Está nahora de se criar o Museu Pixinguinha.
O país que tem Pixinguinha tem tudo.
O Brasil tem tudo.
Ah! Sim, do repertório de ontem no Auditório Ibirapuera, interpretado pela orquestra, ou mini, do maestro Pedro Aragão, constaram belíssimas peças, entre as quais estas:
- Assim Que é, de Pixinguinha.
- Salve o Sol,de Eduardinho Violão.
- Cabeça de Porco, Anacleto de Medeiros.
- A Mulher do Bode, de Cardoso de Meneses Filho.
- Subindo ao Céu, de Aristides Borges.
- Conversar Fiada, de Pixinguinha.
- Turuna, de Ernesto Nazaré...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ELOMAR E A SUA OBRA DE LOUVOR A DEUS

Leio nos jornais e em todas as mídias - rádio, TV, internet etc. - que o ex-beatle Paul McCartney, o esquisito Lou Red e o jovemguardista Roberto Carlos se apresentaram ontem em pontos distintos da cidade de São Paulo para um público de 70 mil pessoas, talvez, nos três eventos.
Paul se apresentou no Morumbi, Lou no Sesc Pinheiros e Roberto, no Anhembi.
Eu queria era ler o seguinte:
Além desses pops estrangeiros, se apresentou também o menestrel Elomar Figueira Mello. Para vê-lo, uma multidão lotou completamente o Pacaembu reformado especialmente para esse grande acontecimento que levou, calculadamente, 500 mil pessoas entre crianças e gentes de todas as idades, raças e credos. Pelo menos 1 milhão ficou de fora assistindo nos telões, instalados às carreiras, o desempenho do mestre do reino encantado do Rio Gavião, ao sul da Bahia.
E mais:
Todos os canais de televisão e emissoras de rádio transmitiram o espetáculo elomariano ao vivo para todo o país, batendo recordes de audiência.
Era isso o que eu queria ler no noticiário.
Mas tudo bem, Elomar continua firme construindo uma obra musical sem paralelo, monumental, no País que deu Castro Alves, Carlos Gomes e milhares e milhares de gênios, quase todos, porém, esquecidos pela mediocridade dos que nada fazem.
Pois bem, conheci Elomar há trint´anos.
O tempo passa muitas vezes sem que a gente se dê conta.
Uns partem sem deixar rastros.
Outros ficam por cá insistindo, pelejando, por dias melhores.
Outros optam por construírem arte e nos faz vê que a vida é melhor quando a alma se alimenta do bom e do melhor, que é a arte: música, poesia, pintura etc.
Lembro uma vez o menestrel me dizendo, entre uma tragada e outra de cigarro de palha:
- Toda a minha obra é de louvor a Deus.
Como a obra de Bach.
E não esqueçam que nos próximos dias 26 e 27 há uma pré-estréia mundial programada no sertão da Bahia: Cenas Brasileiras, espetáculo extraído de trechos de óperas do mestre Elomar Figueira Mello.
...E ainda há quem diga que no Brasil não há compositor operístico, ora, ora.
Viva Elomar!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

AINDA ELOMAR E A CULTURA BRASILEIRA

Por telefone, pergunto a Elomar o que tem feito.
- Continuo escrevendo meus rumance de cavalaria.
A conversa segue por aí, com ele revelando idéias como o projeto de Festival da Ópera Brasileira com pré-estréia marcada para o próximo dia 26; e pra valer, mesmo, no dia 11 de julho do ano que vem no Domus Operae, teatro de ópera que está construindo por meios próprios na Casa dos Carneiros, lá pras bandas do Rio Gavião, na Bahia.
Acho que vou...
E ele segue falando, opinando com uma lucidez danada sobre a vida brasileira. E rápido que nem uma metralhadora cuspindo fogo, ele dispara:
- O Brasil se perde na preservação de sua música. É preciso ter pessoas que acreditem nas idéias de quem tem na vida a história da cultura popular para contar.
Opa!
Elomar Figueira Mello é um baiano de Vitória da Conquista, como quase todo mundo sabe; e dos mais completos criadores de música culta, erudita, diga-se; e no seu caso, inda mais do que isso, pois a genialidade em forma de arte e sensibilidade lhe tomou por inteiro, fazendo-o gerar obras-primas - ainda para poucos - que preenchem sobremaneira os ocos do pecado e da ignorância bastardas que pairam à solta pelas esquinas do mundo.
Elomar nasceu de parto caseiro na segunda metade dos anos de 1930, nas quebradas do Gavião, rio fogoso que deságua no Rio das Contas, e daí pro mar, e se exibe terrível nos tempos de cheia arrasando ribeirinhos de Condeúba, Caraíbas e Anagê.
O Gavião já foi o considerado o rio mais seco do planeta.
Eu conheci Elomar aqui na capital paulista num ano dos 70, pouco depois de lançar à praça o seu primeiro LP, Das Barrancas do Rio Gavião, quase uma década após fazer editar um compacto simples, o único da carreira que não se acha em canto nenhum, nem a pau.
O LP, mais fácil de achar nos sebos, traz texto de contracapa assinado pelo embaixador errante Vinicius de Morais.
Até então eu nunca ouvira falar de Elomar, tampouco da sua música. Isso só iria acontecer quando o amigo cartunista Jota, o Jotinha, entrou na redação da Folha com um sorriso largo na cara dizendo que eu tinha de ouvir esse disco e escrever algo a respeito.
Ouvi, escrevi e conheci Elomar.
E nos tornamos amigos, posso dizer.
Isso já faz mais de trint´anos.
Amanhã digo mais.
.......................
UMA VEZ A GUERRA
Duas rainhas. Dois reinos. Dois povos. Duas visões diferentes do que é o mundo, sempre.
A autora, a jovem Ornela Jacobino, faz uso de retalhos da história desde os tempos medievos para falar de guerras entre povos de etnias diferentes. Vamos lá? A estréia de Uma Vez a Guerra é amanhã, às 20 horas, no SESI de Vila das Mercês, núcleo de Artes Cênicas, cá em Sampa. Não precisa nem pagar para ver a obra, basta dar um sorriso à entrada do teatro. Isso mesmo. Informações: 2946.8172.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ELOMAR CRIA FESTIVAL DA ÓPERA BRASILEIRA

“Anote aí e espalhe: nos próximos dias 26 e 27, vamos fazer a pré-estréia do Festival da Ópera Brasileira”.
Quem pede isso e dá a boa-nova é o menestrel e compositor operístico do imaginário Estado do Sertão brasileiro fincado n´algum lugar do reino encantado de Vitória da Conquista, Elomar Figueira Mello, que acrescenta:
“Será no Domus Operae, teatro de ópera em construção na Casa dos Carneiros”.
A Casa dos Carneiros é uma fundação cultural do artista e também o nome de uma de suas fazendas no sul da Bahia, onde mora.
Além de assinar uma obra musical belíssima e extensa, na maior parte, porém, ainda inédita em disco e livro, Elomar também assina o projeto de construção do teatro que terá capacidade para acolher até duas mil pessoas a cada apresentação, a partir de julho de 2011 quando será inaugurado e o festival propriamente dito aberto.
A obra de Elomar é incomparável sob qualquer aspecto.
A pré-estréia do festival se dará com a encenação de trechos de três óperas de sua autoria: A Casa das Bonecas, A Carta e O Retirante.
Hoje em dia Elomar ainda se apresenta com sua arte quando lhe chamam, mas não é muito fácil vê-lo nos palcos de grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.
Ele não dá bola à grande mídia e se recusa terminantemente a dar entrevistas à televisão.
Acha isso tudo muito desimportante e não é chegado a falatório.
Talvez por isso ele tenha tempo de se dedicar a criação da sua arte e dos seus bodes em suas fazendas.
Você sabe quantos compositores de ópera tem o Brasil, ele pergunta ao mesmo que responde:
“Pois é, pelo menos uns quarenta”.
E conclui:
“Catalogados, eu tenho 18”.
O Brasil sabe disso?
Quer saber mais a respeito da pré-estréia do projeto Festival da Ópera Brasileira? 77.4141.0313 ou através do e-mail imprensa@casadoscarneiros.org.br

terça-feira, 16 de novembro de 2010

DO GARIMPO, A REVIVENDO RESGATA MÚSICAS

Os textos inseridos quase diariamente neste blog eu os faço muito rapidamente.
São vários os textos que escrevo para jornais e revistas, e também para contracapas de discos, prefácios e para um ou outro livro como o que está sendo produzido agora por Silvana Congilio sobre a Pensão Jundiaí, criada pela saudosa Mariazinha num ano do século passado.
Silvana me pediu uma colaboração e eu, lhufas!
Mas vou atendê-la, claro.
Trata-se de uma coletânea que reunirá textos de “pensionistas”.
A Pensão é uma espécie de jogral sem sede própria, onde jornalistas, artistas e intelectuais de muitos quilates se encontram uma vez por mês num local de Sampa, hoje Club Homs, para troca de idéias e jantar regado a água e vinho.
São pensionistas históricos embora faltosos Paulo Vanzolini, Inezita Barroso, Ives Gandra, Paulo Bomfim, e tantos e tantos nomes que enriquecem está Paulicéia louca e bela.
Mariazinha era poeta e das maiores agitadoras culturais que conheci, para quem cometi um poemeto, uma brincadeira intitulada Aula na Pensão:

Casa, casinha
Arranha céu...
Meu Deus!
Quero rima para prédio,
Quero rima para casa!
De novo: arranha-céu,
Casa, casinha
É assim, Mariazinha?
Mas não há rima para pensão,
Não há rima para prédio,
Há rima para casarão!
De novo: casa, casinha,
Prédio, espigão.
Agora, sim:
A pensão de Mariazinha
É o nosso coração.

Onde eu estava mesmo?
Ah! Sim: no blog.
Dificilmente releio os textos que posto aqui, nem antes, nem depois.
E aí cometo absurdos dizendo o que não quero pelas linhas tortas da imprecisão e da dubiedade madrasta, saídas pela pressa da imperfeição.
É a velha história: escreveu não leu, o pau comeu.
Isso aconteceu no texto que escrevi outro dia sobre a Revivendo.
Eu quis dizer que os herdeiros dos grandes artistas - incluindo escritores - quase sempre dificultam o relançamento das obras deixadas.
Passei por isso quando tentei tirar do limbo um dos nomes mais importantes da nossa música, o paulista de Tietê Ariowaldo Pires, chamado de Capitão Furtado.
Fui a estúdio e produzi o já raro CD Inéditos de Capitão Furtado e Téo Azevedo, com participação especial de Mococa & Paraíso, Inezita, Tinoco, Moacyr Franco, Rodrigo Matos, Muíbo Cury, entre outros intérpretes da boa música caipira.
O Capitão partiu há 31 anos completados no último dia 11.
Ele deixou magnífica obra que se conta às centenas, gravadas em centenas de discos por intérpretes como Gilberto Alves, Paraguassu, Sílvio Caldas, Roberto Fioravanti, Jackson do Pandeiro, Ivon Curi, Rolando Boldrin, Raul Torres & Serrinha, Alvarenga & Ranchinho, Xerém & Bentinho, Tião Carreiro & Pardinho...
Foi ele quem descobriu a dupla Tonico & Tinoco.
Pois bem, no texto postado eu quis dizer das dificuldades impostas mais das vezes a quem se arrisca a levar a público obras musicais e literárias de autores brasileiros falecidos há menos de 70 anos.
É dureza.
Até já propus que se diminua esse tempo de validade a herdeiros, na nova lei de Direitos Autorais.
A Revivendo, é claro, encontra esse tipo de dificuldade para a realização de suas iniciativas, e só a calma e a persistência de Leon Barg somadas à calma e persistência das filhas Laís e Lilian têm possibilitado que artistas como Chiquinha Gonzaga, Capiba, Ary Barroso, Chico Alves, Orlando Silva e Luiz Gonzaga, por exemplo, entre centenas, não caiam na vala comum do esquecimento.
A Revivendo e seus heróis, que hoje atendem por Laís e Lilian Barg, merecem aplausos e louvores de todos os tipos e de todo mundo de sã consciência e sensível à arte.
Aliás, está mais do que na hora de o Congresso Nacional se prestar uma grande homenagem a essa empresa, exemplo de categoria e fé por um País melhor.
Este ano a Revivendo já levou à praça pelo menos uma dúzia de belíssimos discos.
E o que vocês estão esperando, hein?
Ora, corram já às lojas e comprem esses discos.
Haverá melhor presente do que dar a um amigo, amiga, parente, aderente, do que um disco Revivendo?
Fui!

POSTAGENS MAIS VISTAS