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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
INEZITA BARROSO É SHOW!
Eu e Inezita Barroso subimos ontem à noite ao palco do teatro do Sesc Santana, para um rapidinho dedo de prosa.
Como previsto, eu falei e ela cantou.
A cantora-símbolo da boa música brasileira desde São Paulo respondeu com graça e naturalidade às perguntas que lhe fiz diante de uma platéia atenta e participativa.
Ela começou dizendo que ainda sente um friozinho na barriga toda vez que começa um show, seja para pequeno ou grande público.
Depois, contou da sua enorme paixão por São Paulo e a razão que a levou a interpretar o mundo caipira pela via da música.
Falou de Mário de Andrade e que a timidez a impediu de conversar com ele, seu vizinho no bairro onde residiam, Barra Funda, tradicional ninho do samba de Sampa.
No correr do espetáculo, que durou 1h37mim, ela fez o que nunca faz: situar as músicas do repertório num contexto histórico, pessoal e impessoal, de modo claro e objetivo.
Foram 15 obras apresentadas, incluindo valsas, sambas e modas de viola.
A primeira foi Serenata, obra-prima de Martins Fontes e Mary Buarque, sua professora de canto e piano nos anos de 1930, seguida de outras igualmente belas: Urutau, de Lamartine Paes de Barros; Rapaziada do Brás, de Alberto Marino; As Brabuletas (DP); Colcha de Retalhos, de Raul Torres; Chuá, chuá, de Pedro Sá Pereira e Ari Pavão; Divino Espírito Santo, de Torrinha e Canhotinho; Viola Quebrada, de Mário de Andrade; Bonde Camarão, de Cornélio Pires; O Batateiro, de Zica Bergami; Na Serra da Mantiqueira, de Ary Kerner; Ronda, de Paulo Vanzolini; Moda da Pinga (DP); Perfil de São Paulo, de Francisco de Assis Bezerra de Menezes; e, sob uma chuva de vivas e aplausos Lampião de Gás, de Zica Bergami.
Na noite anterior, durante o coquetel de abertura da instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, no já referido Sesc, Inezita foi apresentada a familiares de Alberto Marino, autor de Rapaziada do Brás, e disse, no show, que queria revê-los.
Disse também em público sentir a falta de Sylvia, filha de Zica Bergami, autora de Lampião de Gás.
Ao falar de Paulo Vanzolini, contou como ocorreu a gravação de Ronda, em 1953: por acaso esse samba foi gravado.
Há muito não se via um espetáculo musical tão completo e bonito.
PRÊMIO
- Inezita Barroso mais uma vez foi agraciada com troféu do Prêmio Governador do Estado. A solenidade, que teve à frente Geraldo Alckmin, ocorreu na última noite de 24, no Palácio dos Bandeirantes. A cantora educadamente declinou do convite de premiação para estar presente na inauguração da mostra Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, cuja visitação ela recomendou ao público durante a sua apresentação ontem, no teatro do Sesc Santana.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
UMA VIAGEM AO TEMPO, NO SESC SANTANA
Logo mais, às 16 horas, estarei falando a respeito da instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo na área de Convivência II do Sesc Santana, à avenida Luiz Dumont Villares, 579, sobre o resultado de uma pesquisa que desenvolvo há duas décadas sobre a música feita para esta chamada Terra da Garoa, aniversariante do dia.A mostra, inaugurada ontem à noite com coquetel para convidados (na foto Peter Alouche, autor, com o violeiro Téo Azevedo, da toada São Paulo de Todos Nós) tem por finalidade mostrar que é possível contar a história de uma cidade – ou de um país – pela via da música, o que, embora óbvio, nunca foi feito.
Nos diversos espaços da instalação, o visitante terá certamente muito do que gostar.
No espaço “Arena”, por exemplo, será possível ouvir trechos de entrevistas com artistas feitas e levadas ao ar nos programas de rádio que apresentamos ao longo do tempo em São Paulo, hoje preservadas pelo Instituto Memória Brasil, IMB.
Nas “Janelas”, há destaque a personalidades como Paulo Vanzolini, Inezita Barroso e Alberto Marino, a movimentos musicais e levantes armados como a Revolução Constitucionalista de 1932, que teve no campineiro Guilherme de Almeida o seu grande poeta/herói.
No “Túnel”, além de originais e reproduções, há curiosidades.
Compositores e intérpretes daqui e de fora têm cantado a capital de tudo quanto é jeito, gêneros e ritmos, desde sambas e batuques a dobrados, marchas e pagodes; valsas, choros e forrós; baiões, xotes e lambadas; toadas, modinhas e maxixes, tangos, emboladas, corridos, polcas e rancheiras.
Loas à cidade em que nasceram a Jovem Guarda, o Tropicalismo e os festivais de música, e também QG do baião segundo seu criador, Luiz Gonzaga, se acham espalhadas nos martelos e redondilhas dos artistas improvisadores do Nordeste, como Sebastião Marinho e Andorinha, e do Sul, como Gildo de Freitas e Teixeirinha; nas chulas, lundus e fandangos e nas batidas inconfundíveis do pop-rock e do heavy metal.
Blues, reggaes e ragtimes são outros estilos notados nos temas à Sampa.
Anhangüera, do compositor alagoano Hekel Tavares, para orquestra, coros e solistas sob argumento de Marta Dutra e texto de Murilo Araújo, é um dos mais belos poemas sinfônicos já feitos para a cidade fundada por Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, em 1554.
Com versos do carioca Fagundes Varela, o paulistano Francisco Mignone também deixou marca numa música de concerto para a cidade.
O manauara Cláudio Santoro fez o mesmo.
Idem o maestro Erlon Chaves e seu parceiro Mario Fanucchi.
DJs e MC´s que se multiplicam nas zonas Sul e Norte da megalópole não esquecem a temática.
Enfim, nas obras em referência – cerca de três mil –, há citações a ruas, avenidas, parques e pontes; estádios de futebol, bairros, praças e ônibus; camelôs, favelas e filas de banco; delegacias, HC, bares e chuvas – e enchentes – fora do tempo; fábricas, construções e buzinas; o metrô, a garoa, hoje sem graça; igrejas, largos e vilas; escolas de samba, Martinelli e Copam; Masp, USP, museus e monumentos; heróis, paisagens e rios; trabalho, trabalho, trabalho e hinos e odes para agremiações esportivas como Corinthians, São Paulo e Palmeiras.
Tudo ou quase tudo da cidade, sua gente e seu cotidiano tem sido abordado desde o século 18 nas obras de artistas que vão de DJ Hum a Thaíde, passando por Mano Brow, Rappin Hood, Emicida, Sabotage, Criolo e Negra Li; Cornélio Pires, Adoniran Barbosa, Mário Zan, Geraldo Filme, Germano Mathias, Jarbas Mariz, Edvaldo Santana, Costa Senna e Osvaldinho da Cuíca; Ary Barroso, Sílvio Caldas, Nélson Gonçalves, Luiz Gonzaga, Mário Albanese, Tom Jobim, Hermeto, Papete, Gil, Caetano e Vinicius, que uma vez caiu na besteira de dizer que São Paulo é o túmulo do samba.
Na longa lista de obras dedicadas à Sampa, também chamada de Capital Bandeirante, Terra dos Bandeirantes, Terra da Garoa e Paulicéia – a mais populosa do planeta, depois de Mumbai e Délhi, na Índia; Istambul, na Turquia; e Karachi, no Paquistão –, aparecem tragédias como o incêndio no edifício Andraus, em 1972, e o massacre na Casa de Detenção, em 1992.
São Paulo é grande até no número de obras em seu louvor.
Essa constatação começa a se confirmar em 1990, quando o editor do D.O. Leitura – antigo suplemento cultural do Diário Oficial do Estado de São Paulo –, Wladimir Araújo, nos pediu para escrever um texto sobre o tema até então inédito em livros, jornais e revistas.
De início colhemos duzentos e poucos títulos, como o samba Ronda, do paulistano Paulo Vanzolini; o tango Estação da Luz, do paulista de Jaú Herivelto Martins, com o carioca David Nasser; canções do paraense Billy Blanco, como O Céu de São Paulo e Grande São Paulo; o chorinho Cidadão Paulistano, do capixaba Carlos Poyares; o blues São Paulo Zero Grau, do piauiense Jorge Mello; e São São Paulo, Meu amor, do baiano Tom Zé, vencedor do IV Festival da Música Popular Brasileira em 1968.
O texto foi publicado no referido suplemento em fevereiro de 1991, em duas páginas.
Depois disso, achei partituras e notas em periódicos já extintos.
O Correio Paulistano, edição de 6 de agosto de 1862, noticiou a existência de um álbum intitulado Melodias Paulistanas, formado por 12 peças para canto e piano, de autoria do padre Mamede José Gomes da Silva, diretor do Liceu Paulistano e amigo de Antônio Carlos Gomes, o mais importante compositor operístico das Américas, autor de um hino aos estudantes de Direito do Largo de São Francisco: À Mocidade Acadêmica, com letra de Bittencourt Sampaio.
Mas antes de Mamede José e Carlos Gomes, houve quem louvasse a inspiradora cidade: os religiosos Calixto e Anchieta Arzão, em Missa a São Paulo, com data de 1750.
Em 1823, o músico Bento Maurício Arcade compôs Águas do Anhembi.
Numa frase?
Esta é uma biografia musical da cidade de São Paulo.
Tomara que gostem.
PS - Em seguida ao nosso bate-papo, às 18 horas, estarei no teatro do mesmo Sesc ao lado de Inezita Barroso.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
NO SEU DIA, SÃO PAULO GANHA BIOGRAFIA MUSICAL
- Você sabia que o autor de “Rapaziada do Brás”, Alberto Marino, era violinista e assinava suas obras com o anagrama Bertorino Alma, também nome de um sexteto criado por ele no início dos anos de 1920?
- Você sabia que “Rapaziada do Brás” ganhou letra em 1960, a pedido do cantor argentino naturalizado Carlos Galhardo e quem a compôs foi Alberto Marino Jr.?
- Você sabia que Alberto Marino Jr. foi promotor e desembargador do Estado de São Paulo e que ele atuou em mais de 300 sessões do Tribunal do Júri?
- Você sabia que Alberto Marino Jr. levou à cadeia o Bandido da Luz Vermelha e um de seus filhos, o juiz da Vara das Execuções Criminais Alberto Marino Neto, foi quem o libertou, em 2009?
- Você sabia que a letra do samba “Ronda”, do paulistano Paulo Vanzolini, tem sido cantada e gravada incorretamente até hoje?
- Você sabia que Paulo Vanzolini é um biólogo muito respeitado no mundo, com PhD em Harvard e também membro da Academia Brasileira de Ciências, desde 1963?
- Você sabia que Paulo Vanzolini foi diretor por muitos anos do Museu de Zoologia da USP, cuja biblioteca ele formou com os direitos de autor pelo samba “Ronda”?
- Você sabia que a cantora Laura Okumura participou do filme de suspense A Dama do Cine Xangai, cantando “Ronda”, em japonês?
- Você sabia que Mary Buarque foi professora de piano de Inezita Barroso, a primeira cantora a gravar o samba “Ronda”, em 1953, no seu 2º disco de carreira?
- Você sabia que Inezita Barroso foi professora de piano e folclore em duas universidades de São Paulo?
- Você sabia que a valsa “Lampião de Gás”, lançada por Inezita em 1960, ganhou versão em japonês de Kikuo Furuno, gravada por Yoko Abe, nos tempos dos discos de 78 RPM?
- Você sabia que a letra do samba “Trem das Onze” ficou engavetada por cinco anos e quem a desengavetou a pedido do produtor Braz Baccarin foi Arnaldo Rosa, um dos fundadores do conjunto Demônios da Garoa?
- Você sabia que o rei do baião, Luiz Gonzaga, faz referência a São Paulo em cinco músicas e que até lançou um LP intitulado SP: QG do Baião, em 1971?
- Você sabia que o sanfoneiro pernambucano Dominguinhos gravou até hoje apenas uma rancheira, "A Moça do Metrô”, com letra do jornalista Elias Miguel Raide?
Há muitas informações históricas e curiosiddes na instalação multimídia Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, no Sesc Santana.
Você vai gostar.
Embora a mostra permaneça aberta à visitação pública, gratuitamente, até o dia 1º de abril próximo, o mesmo não ocorrerá com a maioria das atrações. Os ingressos para o show de abertura, por exemplo, a cargo da mais expressiva cantora de São Paulo, Inezita Barroso, já estão completamente esgotados. Corram: Tom Zé é a próxima atração.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
VAMOS LEVAR LANDELL DE MOURA ÀS ESCOLAS
Pouquíssimas vezes vi no correr da minha carreira de jornalista – de 40 anos – resultados tão positivos como esses que estão sendo devidamente alcançados pelo informativo semanal Jornalistas&Cia, tocado à frente pelo titã incansável da categoria, Eduardo Ribeiro.Cá no caso específico, me refiro à campanha movida em torno do Movimento Landell de Moura, de reconhecimento nacional do nome do padre-cientista gaúcho Roberto Landell de Moura, iniciada há dois anos pelo J&Cia, e que, a rigor, termina amanhã 21.
Esse dia 21 marca os 151 anos de nascimento de Roberto Landell de Moura.
Landell de Moura, precursor do rádio e das telecomunicações no Brasil, foi completamente esquecido pelos poderosos de plantão de sua época, e da nossa também nestes dias atuais.
Mas água mole em pedra dura...
As primeiras experiências para criação do rádio por Landell de Moura datam de 1893.
No dia 3 de junho de 1900, segundo notícia veiculada no Jornal do Commercio, ele conseguiu transmitir pela primeira vez a voz humana através de ondas eletromagnéticas, a partir da Rua Voluntários da Pátria, no bairro de Santana, e a Avenida Paulista, no bairro de Cerqueira César, na capital de São Paulo.
É história.
O feito foi testemunhado por representantes do governo federal e pelo vice-cônsul inglês Percy Charles Parmenter.
Pois é, e é pensamento comum que o inventor do rádio foi o italiano Marconi.
O Movimento Landell de Moura, que contou com valiosíssima pesquisa do jornalista-historiador Hamilton Almeida, autor de Um Herói Sem Glória, já renderam um selo pra cartas dos Correios em janeiro do ano passado e o título póstumo de Cidadão Paulistano.
Agora o nome do inventor está beirando a batida de martelo da presidente Dilma Rousseff para levá-lo ao Panteão dos Heróis.
Mas, o mais importante: está mais do que na hora de a história do padre Roberto Landell de Moura ir para as escolas de todo o País, para ser devidamente contada aos brasileirinhos que estão chegando.
Pessoalmente, já contei um pouco disso no livro de letras infantojuvenil A Menina Inezita Barroso (Cortez Editora, 2011). E continuarei contado essa história na exposição Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, que será aberta ao público no próximo dia 25, no Sesc Santana.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
HIC, ENFIM UM LIVRO SABOROSO: DE BAR EM BAR
Lançado em 1994 pela Editora Siciliano, somente agora eu li a pérola São Paulo de Bar em Bar, escrito por Francesc Petit com base em pesquisas do legendário Mylton Severiano, o Myltainho, e Lídice Severiano.Petit traça um belo roteiro alcoólico-gastronômico do que de melhor existia em Sampa dos 90.
Eu tive o prazer de conhecer boa parte dos bares selecionados.
Estão lá o Amigo Leal, o Bar das Putas, ao qual levei em noites diferentes os cantadores Elomar e Geraldo Vandré; o Bartolo, o Brahma, de tantos porres e desencontros; o Frangó, na Freguesia; o Long Champ, que apresentei a Sérgio Ricardo num fim de tarde e garoa fria; o Metrópolis, que freqüentei junto com o ainda anônimo William Bonner e a filósofa Marilena Chauí; o Martin Fierro, o Pé pra Fora, o Ponto Chic, de onde certa noite saí pra ser assaltado por dois vadios que pus a correr, na São João com a Ipiranga... O Riviera, ah o Riviera de tantos chopps com os cartunistas Angeli, Jotinha e o finado Glauco!
O Vou Vivendo, onde em noite comprida o mago Hermeto me tirou da mesa onde eu estava com o flautista Carlos Poyares e o violonista Heraldo do Monte, entre outros artistas cujos nomes a memória não me traz.
Lembro Hermeto, com a língua enrolada provocando:
- Você não é jornalista, crítico de música? Então, leia o que escrevi aí.
Ele tinha escrito uma música numa pauta na parede do Vou Vivendo e queria que eu a lesse...
Depois de muito bate-boca, o conciliador Eduardo Gudin - grande Gudi! – chegou com o “parem com isso!” e tudo terminou num tim, tim.
Tantas histórias!
Mas senti falta do Parreirinha na listagem do livro que é uma delícia de ler.
Eu ia lá pelo uma vez por semana, tomar umas e outras – e às vezes até jantar – com Inezita, Miltinho e Jamelão, sempre irritadiço.
Uma vez, cheguei lá com uma mulher e o Ronald Golias com seu jeito bronco foi logo tirando uma:
- Nova namorada?
Nem precisa dizer mais: o pau cantou.
Pois é, tão cedo e os tempos já são outros.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
BBBBBBBBBBBBBBBBBB ARGH!
Lamentável, mas vou fazer.
A razão?
Essa aberração chamada BBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBB qualquer coisa que a Plim Plim há anos nos põe goela abaixo, para ganhar grana e alienar todo mundo.
Lá dizem que acontece de tudo, até estupro.
Não duvido.
Outro dia recebi de presente O Livro do Boni.
Na obra, o autor de próprio punho me chama de amigo e diz que me admira pelo meu trabalho.
Inda bem.
O Geraldo Vandré estava cá em casa comigo (foto ao lado, de Darlan Ferreira) e comentou, depois de fazer observações a respeito da capa do livro:
- Ele sabe das coisas...
Dias depois eu vejo na própria TV Globo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, dizer que não gosta e jamais dirigiria o que chamo de aberração, o BBB.
Quer dizer, o velho sabe mesmo das coisas.
E olha que o diretor do BBBBBBBBBBBBBBBBBBBB é seu filho, chamado de Boninho.
Com essa programação de lixo, até onde vai a Globo?
E a mim me pergunto: será que os bam bam bans que fazem televisão hoje acham mesmo que o Brasil é um país de idiotas?
Sei lá, talvez eu volte ao assunto...
Ah! E essa história de todo mundo procurar um rato que mordeu nesses dias uma funcionária no Senado, hein?
Cá pra nós, acho que essa não é tarefa difícil não, pois lá tem ratos a dar com pau.
Fui!
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
LULA DÁ NÓ EM PINGO D´ÁGUA
Lendo O Que Sei de Lula, lembrei de uma passagem que tive como repórter da Folha com o personagem principal do novo livro de José Nêumanne. Foi na madrugada da intervenção federal do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, ali nos fins dos 70.
Esperávamos o interventor, que enquanto não chegava jogávamos conversa fora em torno de uma mesa sentados e de pernas cruzadas, com Lula e Ricardo Kotscho que um dia assumiria a Secretaria de Imprensa da Presidência da República. Quando, enfim, o interventor apresentou-se, brinquei com Lula cantarolando um trecho de música de Roberto Carlos:
- O show já terminou...
Com olhar fulminante, irritado, ele reagiu com a rapidez de um raio:
- Show, que show? Aqui não tem show nenhum!
Logo depois, diria em entrevista que iria abandonar a liderança sindical.
Lembro isso para dizer que o personagem que dá título ao livro de Nêumanne não é sopa e nunca esteve pra brincadeira. E tal camaleão acuado, sai-se bem de qualquer parada, sempre.
Amigo de Deus e do Diabo, Lula aprendeu tudo o que sabe na escola da vida.
É um ás da política, capaz de dá nó em pingo d´água até em figurões já varridos pela morte da cena política nacional, como o general Golbery do Couto e Silva.
Um dia o general, diz a lenda, sonhou ter em Lula um aliado.
Lula, que faz da política um jogo de xadrez mortal, riu quando o general partiu.
O Que Sei de Lula é um livro bem-feito, bem escrito. Poderia ser confundido com um romance policial se não tivesse o título que tem, tamanha a quantidade de personagens inescrupulosas, inclusive, que se movimentam serelepes no virar de cada página.
É um enredo e tanto!
Dá filme.
domingo, 15 de janeiro de 2012
A FORÇA POÉTICA DE FERNANDO COELHO
Começo de ano é começo de tudo, também de pôr em dia leituras atrasadas.É o que estou fazendo.
Nas mãos, a última página de Balada de Itapoã, novo livro do poeta baiano Fernando Coelho, jornalista fora da roda de engolir gente e sonhos, agora se dedicando à cata de pérolas que sua sensibilidade maiúscula não guarda pra si.
Essa balada é salutar; é obra boa de ler num fôlego a partir, mesmo, da dedicatória que lembra que “nossa história passa pela força do Nordeste”.
Aliás, o talento poético de Fernando Coelho é força de leão macho e de mil tempestades juntas.
Aparentemente sem nenhum esforço, ele dá cabo de seus propósitos ao extrair poesia até nas formas ocas e simples em que a vida se esconde.
Nessa sua poética, Fernando continua a brincar com palavras, fazendo jogo com elas.
O pretexto, aqui, é pedir o “de comer” a Iaiá para não passar fome na viagem que nos leva à Itapoã, sua "Bíblia do mar".
Ele quer marisco, quer caranguejo, quer arraia e sereia negra.
E quer mais, muito mais que o poeta não é bobo.
E taliquá cantador debaixo da aba de céu estrelado, o o cantor de Itapoã roga atenção dos habitantes encantados do mar, para se proteger.
Não dá, pois, para ficar indiferente aos versos de Fernando Coelho.
É tudo bonito o que ele põe nas páginas dos livros.
Leiam-no!
sábado, 14 de janeiro de 2012
SERRA DE NOVO PREFEITO? É PIADA
Ler que há gente – aliados – que querem, segundo o noticiário de hoje, que o ex-tudo e qualquer coisa José Serra volte a disputar a Prefeitura paulistana, é, no mínimo, um desvario. Meu Deus!
Serra é algo chamado nada.
O PSDB, partido ao qual pertence, também.
Muro.
O partido do Serra é muro sempre, sem opinião construtiva.
Acabei de ler o livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr.
É um livro que todo mundo deve ler.
Não conheço pessoalmente o autor.
Mas um cara com o currículo desse Amaury, autor do livro agora necessariamente polêmico, não iria, com certeza, pôr no pescoço uma corda pra se matar.
Recomendo: leiam A Privataria Tucana.
Ante tudo que é dito nesse livro, o personagem Maluf, odiento e lamentável sob todos os aspectos, é fichinha.
Sem dúvida, o lobo não é Lula.
Amaury Ribeiro Jr., com esse livro, fez sua parte.
Claro, contra ele vão surgir muitos processos do PSDB.
Vão dizer que ele é mentiroso. E, pior: petista.
Parabéns, Amaury.
Seu livro é nota dez!
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
EUGÊNIO LEANDRO CANTA HISTÓRIAS
O Brasil realmente é um país rico, em tudo. Há muitos anos, o pintor Miguel dos Santos me surpreendeu adquirindo piano para tocar valsas e sonatas.
Depois, o mesmo Miguel voltou a me surpreender publicando um livro de poesias.
O Miguel de quem falo é uma espécie de Picasso melhorado, nascido em Caruaru, PE, e vivido na capital paraibana, João Pessoa.
É um criador e tanto, o Miguel; e um ser sempre bom e bem-humorado.
Agora quem me surpreende é o cantor e compositor cearense Eugênio Leandro, de quem acabo de receber, via Correio, um belíssimo livro que recomendo: A Noite dos Manequins (Expressão Gráfica Editora; Fortaleza, CE).
O livro, Prêmio Moreira Campos de Conto 2011, traz pérolas bem-acabadas como a que lhe dá título.
Gostei muito da história O Mar é Grande, Vincenta!, que começa na página 29 e termina na 37.
É historinha de um cantador de viola desgarrado e uma professorinha do interior sonhadora.
Ele, dono do mundo.
Ela, querendo ser dona do mundo dele.
Não daria certo.
E tudo acaba nos conformes.
O conto da página 81 que vai até à 90, também é bonito, singelo.
O personagem central é Aluizio, delegado de um povoado sem graça distante horas e horas de Fortaleza, cidade onde vive a paixão do delegado, sua noiva Izabele.
Ele pensa nela o tempo todo, inclusive na sexta-feira de lua que tirou pra comer no bar de Donanja.
O dr. Aluizio é ciumento, o que acontecerá ao fim do conto, hein?
Parabéns, Eugênio Leandro!
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
MARIA DO CAPITÃO É LIVRO BONITO
Merece destaque em qualquer estante o livro Bonita Maria do Capitão, assinado por Vera Ferreira e Germana Gonçalves de Araújo e chancelado pela editora da Universidade do Estado da Bahia. O livro, ricamente ilustrado, conta a trajetória da Maria que morreu abraçada com seu amado capitão Virgulino ao raiar do dia 28 de julho de 1938, nas quebradas de Aracaju.Ela tinha 27 anos quando a fatalidade lhe bateu à porta.
Ele, quase 40.
A noite de lançamento da obra foi ontem na Livraria da Vila, unidade de Pinheiros.
Concorridíssima.
Lá estiveram alguns cangaceiros das letras, como José Nêumanne e Ruy Gandra, que eu não via há muito.
Abrilhantando o evento, Antônio Amaury, principal biógrafo do Cangaço, chamou a atenção de muita gente.
Amaury pesquisa e estuda o movimento cangaceiro do Nordeste há 62 anos.
Na prática, pois, tem dedicado a sua vida à compreensão do fenômeno que teve na pessoa do capitão Virgulino o símbolo maior.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
HISTÓRIA E BELLE ÉPOQUE
Tenho andado fora do ar, como uns e outros devem ter notado.Pulei fora do Natal, pulei fora do tal ano novo.
Festividades que a mim nada me dizem.
Tibunguei no mar torto do sul da Bahia para trazer de volta a esperança de viver.
Tomei umas, claro, e apreciei o vento bater no peito.
O céu do Sul baiano tem coisas que nunca vi em lugar nenhum. Exemplo é que o tempo de repente se fecha, com nuvens pesadas e tudo, e umas canequinhas de chuva sem mais nem menos parece cair do nada para refrescar corpos.
Achei muito interessante.
Um sol danado e, de repente, um chuá em pingos.
Beleza.
Também aproveitei pra ler.
Um dos livros foi sobre a belle époque paulista, melhor: sobre a cidade de Franca, chamado Modernização Urbana na Belle Époque Paulista, de Fransérgio Follis, resultado de dissertação de mestrado para a Faculdade de História, Direito e Serviço Social da Unesp.
Se mais mestrandos fizessem o que Follis fez, certamente outro Brasil viria à tona. Para isso, e pra começo de conversa, bastaria um mergulho nos anais das câmaras municipais e bibliotecas públicas.
Fica a dica.
domingo, 18 de dezembro de 2011
DIA DE MORTE ONTEM NO BRASIL, DE BAILE HOJE NO JAPÃO
Ontem o dia foi de morte, pois partiram para longe, numa viagem sem fim, o ator que sabia tudo de teatro no Brasil, Sérgio Britto; o carnavalesco que sabia tudo de carnaval no Brasil, Joãozinho Trinta; e uma das cantoras que cantavam a vida como poucas na nossa língua, Cesária Évora.De certa forma, hoje também o dia foi de morte: o “Peixe” morreu afogado, suicidado. E todo mundo viu essa tragédia a partir das 8h30, horário de Brasília. Foi um baile, um chamamento à morte como o fazem as sereias.
Mas poderia ter sido pior o suicídio para quem viu. Por essa ótica, o resultado de 4 x 0 bastou.
Por que isso?
Porque ao invés de jogar, a equipe do Santos estranhamente optou por reverenciar o time de Messi.
Apenas isso, e por isso perdeu o título que poderia ter disputado pau a pau, de campeão de Mundial de Clubes.
Bom, fica para o Corinthians ano que vem.
DO BAÚ
Procurando nos meus arquivos um registro fotográfico de entrevista que fiz há anos com os craques paulistanos da nossa literatura Marcos Rey e Lourenço Diaféria, para o programa Gente e Coisas do Nordeste que apresentei na extinta Rádio Atual, achei uma foto (acima) em que me revejo magro e metido a besta ao lado do querido amigo Paulo Vanzolini, e mais à frente, todo de branco da paz, incluindo o sorriso, o poeta brasileiro nascido no Egito Peter Alouche, autor de uma das mais belas letras sobre a cidade de São Paulo, que republico abaixo.
Antes, um doce para quem adivinhar o nome dos outros personagens que aparecem na foto.
Vim de terras bem longínquas
Abrigar-me no teu calor;
Fugi da fome de solos áridos
Fugi de guerras de almas secas;
Vim da Sicília, vim do Japão,
Sou português, sou catalão,
Sou libanês, perdi meu chão,
Não tenho pátria, sou judeu errante,
Vim procurar paz, lar e pão.
Sou branco, sou negro, sou oriental,
Sou nordestino do sertão
Deixei a casa onde eu nasci,
Ah! Que saudades do Cariri!
Vim descobrir minha esperança
Ao te pedir chão e trabalho;
Com muita lágrima e suor,
Fui perseguir teu futuro,
Edifiquei tua riqueza,
Tornei-te forte e poderosa,
A mais altiva da nação.
São Paulo, São Paulo de todos nós
Ao te ver de braços abertos,
Te adotei no coração.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
LUIZ GONZAGA NÃO MORREU
Caso ainda estivesse entre nós de corpo e alma, o que seria muito bom, Luiz Gonzaga rei do baião estaria completando hoje 99 anos de idade.A sua extensa obra já gerou quase uma trintena de livros e centenas de folhetos de cordel e músicas umas 500 em sua homenagem, compostas e gravadas pelos mais importantes artistas do País, como Chico Buarque.
A propósito, vocês já ouviram o novo disco do Chico?.
Ouçam também a última edição do programa Vira e Mexe, apresentado por Paulo Rosa na Rádio USP.
Gonzaga não morreu.
Exemplo disso é o belo poema elaborados aos moldes dos cordelistas que está sendo lançado agora pelo pernambucano de Araripina Cacá Lopes, Vida e Obra de Gonzagão - O Mais Completo Cordel Ilustrado Sobre Luiz Gonzaga (capa ao lado), para o qual escrevi o texto de contracapa que segue abaixo:
O mundo do repentismo, isto é, da improvisação poética ao som de violas, é recheado de modalidades, ao contrário, por assim dizer, do mundo do cordelismo, que é basicamente habitado por sextilhas, setilhas e décimas. Desse mundo, porém, grandes nomes se sobressaíram e se eternizaram no Brasil a partir dos últimos anos do século 19, como Silvino Pirauá, Leandro Gomes de Barros, João Martins de Athayde, João Melchíades, Firmino Teixeira do Amaral, Francisco das Chagas Batista, José Camelo Rezende e o mais biografado deles: Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, que alcançou o tempo da televisão e da internet.
Depois desses, muitos outros têm surgido espontaneamente ou através de concursos como os realizados em São Paulo em 2002 e 2003, que trouxeram à tona nomes em gestação, pouco conhecidos, mas de grande talento, como Pedro Costa, Rouxinol do Rinaré e Varneci do Nascimento.
Esses concursos renderam 410 mil folhetos, que foram distribuídos gratuitamente na rede estadual de ensino.
Da nova geração, há muitos outros nomes já firmados no mercado, como os irmãos Klévisson e Arievaldo Viana, Allan Sales, Moreira de Acopiara, Cícero Pedro de Assis e Marco Haurélio, além dos profissionais que fazem cordel e música ao mesmo tempo, como Chico Salles, Costa Senna e Cacá Lopes.
Cacá passou cerca de dez anos gerando as quase 400 estrofes deste livro, que recomendo a todos que gostam de leitura versificada, feita com categoria e sensibilidade.
Vida e Obra de Gonzagão, O Mais Completo Cordel Sobre Luiz Gonzaga é diferente dos outros que contam a história do Rei do Baião por ser todo escrito em estrofes de seis versos.
Até agora, ninguém havia se dedicado a desenvolver tal façanha.
Por isso, mas não só por isso, o autor está de parabéns.
À leitura!
PS- O livro está sendo lançado pela Ensinamento Editora. Contato: poeta@cacalopes.com.br
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
BONI, JORGE MELLO E MÁRIO LAGO

Fila interminável ontem à noite na Livraria Cultura, ali na Paulista.
O assunto era Boni, que estava autografando livro sobre a sua história – e da Globo.
Encontrei um monte de amigos e conhecidos.
Lá estavam Júlio Medaglia, Solano Ribeiro, Tarcísio Meira, Lima Duarte, Marília Gabriela e tantos.
Como a fila não terminava nunca, só aumentava, dei meia volta e cá estou, desde então.
Eu queria saber de Boni que fim levou o tape do Festival da Canção que registrou o alvoroço provocado por Geraldo Vandré (foto) na madrugada de 29 de setembro de 1968, no ginásio do Maracanãzinho, ao ficar em 2º lugar na disputa com Sabiá, de Chico e Tom.
O que eu queria saber, o amigo Darlan Ferreira também queria. E sem meias palavras, perguntou. Rindo, Boni disse que também tem curiosidade de saber o paradeiro do tape.
Ao saber disso, Vandré, que deseja também ver o tape, ficou pasmo, sem acreditar.
A busca continua.
JORGE MELLO
Outro dia eu trouxe de Paris um CD com várias músicas de autores brasileiros, e de intérpretes. Entre os quais, o piauiense de Piripiri Jorge Mello. Ele achou curioso e não deu muita bola, pois dissse que havia no Rio um artista homônimo. Hoje, porém, por acaso pôs o disco para ouvir e, surpresa! Era ele mesmo cnatando, só que a música Se Acaso Você Chegasse, de Felisberto Martins e Lupicinio Rodrigues, estava com título diferente: Se Caso Você Não Chegasse, assim mesmo. Pois, coisas da vida.
MÁRIO LAGO
No evento comemorativo aos 100 anos de Mário Lago, realizado no dia 26 do mês passado, no Rio, uma pessoa querida da família do ator foi vítima da emoção, desmaiou e morreu. Pois é, coisas da vida.
domingo, 4 de dezembro de 2011
CORINTHIANS, PENTACAMPEONATO
Hoje 4, 12 de 11
Uma data inesquecível
Que existiu para provar
Que o Timão é imbatível
Jogando contra quem for
Jogará de modo incrível
E hoje no Pacaembu
Desembaraçado e pimpão
Respeitou o adversário
Faturou mais um jogão
Que dedicou ao Dr. Sócrates
Grande mestre da emoção
Torcedores estão felizes
Por vibrar com o Timão
A equipe do grande Parque
Que vive na contramão
Provocando rebuliço
Na mente e no coração
Mas Coringa é Coringa
Aqui e em todo lugar
Por ser ele o time que é
Um motivo pra se amar
A torcida fica feliz
Sem ter o que reclamar
O DR. SÓCRATES FOI JOGAR NO CÉU

O Dr. Sócrates cansou desta vidinha besta, pegou o chapéu e partiu. Antes, deu ao povo alegria e provocou polêmica de todo tipo.
Ora, ora, onde já se viu um jogador de futebol ter cabeça pra pensar, e acima de tudo de modo próprio e sem ninguém mandar, hein?
Pois isso ele fez, e fez com a categoria que lhe foi peculiar no correr de meio século.
Ele foi o artífice da idéia que gerou a Democracia corintiana, lembra?
Também brigou pelas eleições Diretas, subindo em palanques e dizendo o que pensava.
Ciente dos diretos e deveres do cidadão, Sócrates era um ser e tanto!
Algumas vezes nos encontramos para prosas em torno de música, futebol e literatura.
Isso mesmo, literatura.
Ele gostava dedilhar violão, cantar, ler e escrever.
Chegou a gravar um LP (capa, acima) interpretando músicas que lhe marcaram a vida.
Ele levava a vida numa boa, sem traumas ou dramas.
Era resolvido.
Uma vez me surpreendeu declamando poesias suas e do português Fernando Pessoa.
Guardo comigo algumas dessas declamações que gravei em fita-cassete, e também alguns textos poéticos de sua lavra, escritos à própria mão.
Cheguei a publicar algo a respeito em jornais e revistas.
No D. O. Leitura, por exemplo, extinto suplemento cultural do Diário Oficial do Estado de São Paulo, dei até capa desenhada pela pena brilhante de Ionaldo Cavalcanti, com quem ele deverá se encontrar daqui a pouco prum porre, no céu.
Eu estou triste com sua partida, logo hoje quando o Corinthians se sagrará pentacampeão do Brasileirão.
Vários artistas cantaram Sócrates.
A letra abaixo, Sócrates Brasileiro, de Zé Wisnik, coube a Ná Ozzette gravar em 1988.
Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira
Deu um pique filosófico ao nosso futebol
O sol caiu sobre a grama e se partiu
Em cacos de cristais
As cores vestiram os nomes
E fez-se a luta entre os homens
Até os apitos finais
(Disseram os deuses imortais)
A história não esquece que a bola
Se negou, mas chorou nosso gol
E vai se lembrar para sempre
Da beleza que nada derrotou
Mas quem será que diz que venceu
No país em que o ouro se ganhou e perdeu
(Derreteu)
O futebol é a quadratura do circo
É o biscoito fino que fabrico
É o pão e o rito o gozo o grito o gol
Salve aquele que desempenhou
E entre a anemia a esperança
A loteria e o leite das crianças se jogou
Com destino e elegância dançarino pensador
Sócio da filosofia da cerveja e do suor
Ao tocar de calcanhar o nosso fraco a nossa dor
Viu um lance no vazio herói civilizador
(O Doutor).
sábado, 3 de dezembro de 2011
LEITE MATOU CARLOS PARANÁ, HÁ 41 ANOS
Eu não conheci o compositor paranaense Luiz Carlos Paraná, morto no Hospital Oswaldo Cruz em São Paulo num dia e mês como os de hoje, 3 de dezembro, há 41 anos.
Quem sempre me falou a seu respeito, e muito bem, foi o autor de Ronda e Volta por Cima Paulo Vanzolini, seu amigo e parceiro no Jogral dos movimentados anos de 1960 e 70.
O Jogral, que teve endereço ali na Galeria Metrópole, no centro de Sampa, marcou época.
Lá Vanzolini chegava a fazer vezes de garçom e, entre uma prosa e outra, bebericava, sem culpa, com um ou outro frequentador.
Também ora ou outra arriscava cantar, contar causos e declamar antes de se "apresentar" à seleta platéia no melhor estilo dos cantadores repentistas do Nordeste, em sextilha:
Eu sou Paulo Vanzolin
Animal de muita fama
Que tanto corre no seco
Como na varge de lama
Mas quando o marido chega
Corre pra baixo da cama
O Jogral foi um lugar one se podia beber e ouvir música de qualidade.
Era frequentado por intelectuais e artistas do naipe de Martinho da Vila, Luiz Gonzaga, Ismael Silva e o bom Manezinho da Flata, sobrinho de Pixinguinha. .
Lá Paraná também cantava, tocava e servia a todos com sorrisos de paz e alegria.
Ele era o dono do ambente, como Paulo.
A obra de Paraná é pequena no tamanho, mas não no requinte e grandeza.
De Paulo, Paraná gravou alguma coisa como Capoeira do Arnaldo.
De Paraná muitos gravaram, entre os quais Adauto Santos, Cascatinha e Inhana e Roberto Carlos, que defendeu Maria Carnaval e Cinzas no III Festival de MPB em outubro de 1967, classificando-a em 5° lugar, para insatisfação de muitos.
Naquele tempo e naquele templo, tudo era festa.
Luiz Carlos Paraná nasceu em 1932 e morreu, de cirrose, em 1970, sem nunca ter ingerido uma gota sequer de álcool.
Só leite, pode?
Por isso, acho que leite faz mal.
O Paulo também, que foi radical e parou de compor desde o fim de Paraná, embora contnui tomando umas e outras em sua homenagem.
Inezita, que dizem andar meio adoentada nos seus 86 anos, concorda também.
Outro dia, ela me disse que vai trocar de médico.
A razão, explicou:
- Ele está com a idéia de me tirar do paladar o gostinho do bom vinho.
E caiu na risada.
Ah! Esses médicos de hoje!
Quem sempre me falou a seu respeito, e muito bem, foi o autor de Ronda e Volta por Cima Paulo Vanzolini, seu amigo e parceiro no Jogral dos movimentados anos de 1960 e 70.
O Jogral, que teve endereço ali na Galeria Metrópole, no centro de Sampa, marcou época.
Lá Vanzolini chegava a fazer vezes de garçom e, entre uma prosa e outra, bebericava, sem culpa, com um ou outro frequentador.
Também ora ou outra arriscava cantar, contar causos e declamar antes de se "apresentar" à seleta platéia no melhor estilo dos cantadores repentistas do Nordeste, em sextilha:
Eu sou Paulo Vanzolin
Animal de muita fama
Que tanto corre no seco
Como na varge de lama
Mas quando o marido chega
Corre pra baixo da cama
O Jogral foi um lugar one se podia beber e ouvir música de qualidade.
Era frequentado por intelectuais e artistas do naipe de Martinho da Vila, Luiz Gonzaga, Ismael Silva e o bom Manezinho da Flata, sobrinho de Pixinguinha. .
Lá Paraná também cantava, tocava e servia a todos com sorrisos de paz e alegria.
Ele era o dono do ambente, como Paulo.
A obra de Paraná é pequena no tamanho, mas não no requinte e grandeza.
De Paulo, Paraná gravou alguma coisa como Capoeira do Arnaldo.
De Paraná muitos gravaram, entre os quais Adauto Santos, Cascatinha e Inhana e Roberto Carlos, que defendeu Maria Carnaval e Cinzas no III Festival de MPB em outubro de 1967, classificando-a em 5° lugar, para insatisfação de muitos.
Naquele tempo e naquele templo, tudo era festa.
Luiz Carlos Paraná nasceu em 1932 e morreu, de cirrose, em 1970, sem nunca ter ingerido uma gota sequer de álcool.
Só leite, pode?
Por isso, acho que leite faz mal.
O Paulo também, que foi radical e parou de compor desde o fim de Paraná, embora contnui tomando umas e outras em sua homenagem.
Inezita, que dizem andar meio adoentada nos seus 86 anos, concorda também.
Outro dia, ela me disse que vai trocar de médico.
A razão, explicou:
- Ele está com a idéia de me tirar do paladar o gostinho do bom vinho.
E caiu na risada.
Ah! Esses médicos de hoje!
RESTAURANTE ENVENENA SÓCRATES

Pena: mais uma vez Sócrates (na foto aí ao lado comigo, nos tempos de democracia corintiana) volta ao hospital Einstein para tratamento. Foi quinta à noite, em estado grave. E mais grave: vítima de intoxicação após almoço num restaurante de São Paulo, ao lado da mulher, Kátia, e de um amigo.
A mulher e o amigo também passaram mal, segundo Juca Kfouri no seu blog posto há pouco no ar.
Outros absurdos, como esse do envenenamento do cidadão Sócrates num restaurante de Sampa, leio no espaço livre da Internet.
Dizem que ele está com problemas de saúde porque bebe etc. e tal.
Ora, pro inferno tais falas!
Cada um cuida de si como acha, pode e deve.
A Sócrates o que é de Sócrates, inclusive o direito de viver - e morrer - como quer.
Que restaurante é esse, hein, Juca?
MÁRIO LAGO
Atendendo a convite do agitador cultural da Benedito Calixto, Edson Lima, falei ontem à noite na Biblioteca Alceu de Amoroso Lima sobre outro grande brasileiro: Mário Lago, jornalista, advogado, ator, poeta, escritor, o escambal. Mário foi um cidadão que acreditou enormemente na vida e no ser humano. Queria um Brasil melhor e viver 100 anos. Ele deixou nas suas ações a beleza de viver, ao participar de tudo que indicasse o caminho do bem-estar coletivo, independentemente de raça, cor e religião. Em todos os momentos ele procurava dar cor à vida, até na prisão por onde várias vezes passou acusado de ser comunista. Sim, Mário Lago foi um dos maiores revolucionáros brasileiros do século XX. Deixou saudades e uma extensa e bela obra. Viva Mário!
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
O BRASILEIRO QUE ACOMPANHOU GARDEL, EM PARIS
Já estamos às vésperas de novo ano e até agora ninguém se deu à tarefa de sequer lembrar os dez anos do desaparecimento do mais importante sanfoneiro-compositor do Brasil, o mineiro de Uberaba Antenógenes Silva.
Professor informal de Luiz Gonzaga nos tempos de vaca magra, Antenógenes construiu ao longo de seus de 70 anos de carreira, oficialmente iniciada com a gravação de dois discos de 78 RPM, em 1929, uma das mais completas e belas discografias da música brasileira.
Seus primeiros dois discos traziam o choro Gostei de tua Caída e a valsa Norma; o maxixe Saudade de Uberaba e a valsa Feliz de quem Ama, de sua autoria e gravadas num mesmo dia: 4 de novembro.
As gravações de Antenógenes em discos de 78 RPM somam exatos 150, duas dezenas e pouco mais do que conseguiu gravar o Rei do Baião, que curiosamente iniciou a carreira com dois discos gravados num dia - 14 de março -, na mesma gravadora de Antenógenes, a Victor, em 1941.
Cerca de cinco anos antes de partir, no dia 9 de março de 2001, Antenógenes me deu entrevista na qual revelou, com emoção, ter sido o único sul-americano a se apresentar com o rei do tango Carlos Gardel, em Paris, na condição de acordeonista.
Não custa lembrar que nos fins dos anos de 1950, Antenógenes, depois de ganhar o 1º lugar num festival de música internacional, na Alemanha, foi considerado o mais importante acordeonista do mundo.
Antes disso, ele participou de filmes e gravou em discos de Katherine Dunhan e da portuguesinha Carmen Miranda, nos Estados Unidos e Europa.
Acho que foi nessa mesma entrevista que ele contou ter sido afinador de sanfonas de Luiz Gonzaga, quando Gonzaga já era chamado de rei do baião.
A obra de Antenógenes bem que merece bons lugares nas lojas de discos, não é mesmo?
AUDÁLIO DANTAS
- Logo mais às 20 horas, o tranqüilo e sempre craque do jornalismo Audálio Dantas (acima, sem chapéu), nordestino bom da cepa, filho e guerreiro do reino encantado de Tanque D´Arca, no coração das Alagoas, se apresentará no auditório do Itaú Cultural para contar um pouco da sua longa história. Dessa maneira, ele atende a pauta do programa Jogo de Ideias, Série Repórter, da TV Itaú. Entrada franca. Vamos lá?
terça-feira, 29 de novembro de 2011
UMA IMENSA CRACOLÂNDIA?
Leio que o crescimento do consumo e do Produto Interno Bruto, PIB, que mede o enriquecimento do País, tem feito milionários 19 brasileiros todos os dias, desde 2007.
A notícia está nas páginas da última edição da revista Forbes, norte-americana.
É a partir dessa revista que o mundo fica sabendo quem é mais rico e quem deixa de ser menos rico, no correr de cada ano.
De acordo com ela, o Brasil já tem 30 bilionários e 137 mil milionários; cerca de 70% deles – e da riqueza nacional – concentrados no Rio e em São Paulo.
E nós, pobres, temos o que a ver com isso?
Bem, o Brasil cresce de um lado e empobrece do outro.
A pobreza maior, porém, se acha nas áreas da educação e da civilidade.
Anteontem 40 pessoas, segundo jornais de hoje, lincharam um cidadão pacato, trabalhador, após passar mal ao volante de um ônibus e atingir três carros e três motos, ferindo um rapaz sem gravidade, na Rua Torres Florêncio e Rielli, na zona Leste de Sampa.
A gravidade ficou com ele, que morreu, deixando uma viúva e quatro filhos.
Ninguém foi preso.
Triste, fim.
Sim, triste como a multidão de drogados que se espalha que nem fogo em palheiro pelos quadrantes da cidade, sem que o prefeito nada faça.
Um lenitivo?
O deputado Itamar Borges, do PMDB, informa que o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, e a presidente Dilma Roussef, do PT, estão preocupados com o que ocorre na chamada Cracolândia.
Ontem à noite houve uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, com a presença do próprio Itamar, para tratar da questão.
Enquanto há vida há esperança, não é?
Aguardemos.
A notícia está nas páginas da última edição da revista Forbes, norte-americana.
É a partir dessa revista que o mundo fica sabendo quem é mais rico e quem deixa de ser menos rico, no correr de cada ano.
De acordo com ela, o Brasil já tem 30 bilionários e 137 mil milionários; cerca de 70% deles – e da riqueza nacional – concentrados no Rio e em São Paulo.
E nós, pobres, temos o que a ver com isso?
Bem, o Brasil cresce de um lado e empobrece do outro.
A pobreza maior, porém, se acha nas áreas da educação e da civilidade.
Anteontem 40 pessoas, segundo jornais de hoje, lincharam um cidadão pacato, trabalhador, após passar mal ao volante de um ônibus e atingir três carros e três motos, ferindo um rapaz sem gravidade, na Rua Torres Florêncio e Rielli, na zona Leste de Sampa.
A gravidade ficou com ele, que morreu, deixando uma viúva e quatro filhos.
Ninguém foi preso.
Triste, fim.
Sim, triste como a multidão de drogados que se espalha que nem fogo em palheiro pelos quadrantes da cidade, sem que o prefeito nada faça.
Um lenitivo?
O deputado Itamar Borges, do PMDB, informa que o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, e a presidente Dilma Roussef, do PT, estão preocupados com o que ocorre na chamada Cracolândia.
Ontem à noite houve uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, com a presença do próprio Itamar, para tratar da questão.
Enquanto há vida há esperança, não é?
Aguardemos.
domingo, 27 de novembro de 2011
PERGUNTO AOS CORINTHIANOS: TEM OU NÃO TE MACUMBA?
De fato, não há no mundo time igual ao Corinthians paulistano.Desde que surgiu, em setembro de 1910, tem mexido a cabeça e coração de seus seguidores, milhões, porque é no seu fazer diário uma espécie de religião.
Lembro como sofria o meu amigo Lourenço Diaféria!
Lourenço escreveu um belíssimo livro sobre o Timão, vocês conhecem?
O Timão tinha tudo pra levar o título de campeão hoje contra o Figueirense, evitando – acho –o embate desnecessário do próximo domingo contra Vasco, para alegria de outro amigo e conterrâneo, Moacir Japiassu, criador do provocativo Janistraquis, vocês se lembram?
O Coringão fez o que tinha de fazer, ou seja: um gol de placa, diga-se, do Liedson, de cabeça, do presente que recebido de Alex, que cruzou da esquerda para a direita e... Pimba!
Mas como eu dizia, não há no mundo um time como o Timão.
É dor de cabeça, de coração e tudo o mais que ele nos dá todos os dias; mas também alegria, é claro.
Tem macumba, não tem macumba ou o que tem o Corinthians?
O torcedor Guilherme Silva compôs, em 1977, a marcha carnavalesca Tem Macumba no Timão, que Luiz Rosadinha gravou para Discos Itapuã.
O mesmo Silva, e no mesmo ano, compôs o samba Sem Macumba no Timão, para Tony Sampaio gravar num compacto simples para o mesmo selo Itapuã.
A questão é: tem ou não tem macumba no timão?
O cordelista baiano Maxado Nordestino escreveu, nos anos de 1970, dois folhetos.
Um deles, o Sapo que Desgraça o Corinthians, que irritou a torcida; e outro, Corinthians não é mais Aquele do Sapo Cururu, que o redimiu perante a mesma torcida.
O problema é que o Corinthians é o que é, ou seja, único: com ou sem macumba, com ou sem sapo cururu a lhe infernizar a vida e a vida da sua “nação”.
Domingo que vem mais surpresas nos espera.
Não foi assim, no ano do centenário?
Uns versos?
Tem ou não tem macumba
No time do nosso coração?
Tem sim e não tem macumba
No chamado grande Timão
Ele é o maior e sempre será
No campeonato Brasileirão
Mais uns?
O Corinthians ganhou hoje
Mais um jogo no Brasileirão
Porém ele deixou de ser
Antecipadamente campeão
O que somente fará domingo
Que vem contra o Vascão.
sábado, 26 de novembro de 2011
MÁRIO LAGO, HOJE 100 ANOS
Hoje faz cem anos que Mário Lago nasceu.
O caso se deu no Rio de Janeiro, onde também morreu à boca da noite de 30 de maio de 2002.
Nasceu numa sexta e partiu numa quinta.
Orgulhou o Brasil e seus contemporâneos.
Atuou na vida como jornalista, advogado, compositor, radialista e ator; e como ator, também cantou.
Chegou a gravar discos; dois LPs, pelo menos.
Suas músicas foram gravadas por muitos intérpretes, de Chico Alves a Orlando Silva, que dele lançou a canção Nada Além, composta em parceria com Custódio Mesquita.
Eu gostava dele.
Fiz até um especial com ele, ao vivo, no programa São Paulo Capital Nordeste, que permaneceu no ar, pela Rádio Capital AM 1.040, durante seis anos e meio.
Foi um programa bonito, histórico, feito quando ele estava completando 90 anos de vida.
Também participei da mesa que o entrevistou, ao vivo, para o programa Roda Viva, da TV Cultura, mais ou menos no mesmo ano do seu aniversário natalício.
O centenário de Mário está sendo comemorado no Rio de Janeiro, por amigos e familiares.
Em São Paulo, também.
Aqui as comemorações começarão no próximo dia 2, sexta, das 19 às 22 horas, e delas vou participar a pedido do agitador cultura da Praça Benedito Calixto, Edson Lima, criador do projeto O Autor na Praça.
Viva Mário!
O caso se deu no Rio de Janeiro, onde também morreu à boca da noite de 30 de maio de 2002.
Nasceu numa sexta e partiu numa quinta.
Orgulhou o Brasil e seus contemporâneos.
Atuou na vida como jornalista, advogado, compositor, radialista e ator; e como ator, também cantou.
Chegou a gravar discos; dois LPs, pelo menos.
Suas músicas foram gravadas por muitos intérpretes, de Chico Alves a Orlando Silva, que dele lançou a canção Nada Além, composta em parceria com Custódio Mesquita.
Eu gostava dele.
Fiz até um especial com ele, ao vivo, no programa São Paulo Capital Nordeste, que permaneceu no ar, pela Rádio Capital AM 1.040, durante seis anos e meio.
Foi um programa bonito, histórico, feito quando ele estava completando 90 anos de vida.
Também participei da mesa que o entrevistou, ao vivo, para o programa Roda Viva, da TV Cultura, mais ou menos no mesmo ano do seu aniversário natalício.
O centenário de Mário está sendo comemorado no Rio de Janeiro, por amigos e familiares.
Em São Paulo, também.
Aqui as comemorações começarão no próximo dia 2, sexta, das 19 às 22 horas, e delas vou participar a pedido do agitador cultura da Praça Benedito Calixto, Edson Lima, criador do projeto O Autor na Praça.
Viva Mário!
terça-feira, 22 de novembro de 2011
E VIVA O CIRCO!
Foi um bom papo o de ontem no Centro de Memória do Circo do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) da Prefeitura Municipal de São Paulo, conduzido por Verônica Tamaoki.
O Centro está instalado num prédio do Anhangabau.
A região do Anhangabau abrigava, no começo do século passado, o Circo Piolin de que falo no livro A Menina Inezita Barroso.
Ali naquela região, o velho Mazzaropi tinha escritório fixo.
Ali também o romancista e musicólogo paulistano Mário de Andrade se encantou com as performances de Piolin, tanto que escreveu crônica na revista Terra Roxa sobre ele.
Piolin, para quem não sabe, nasceu dentro de um circo em Ribeirão Preto, SP, como o compositor, cantor e instrumentista Adão da Viola que anda por aí cantando e contando histórias.
No fundamental - para a cidade e para todo o País - Centro Memória do Circo falamos eu e Ayrton Mugnaini (na foto acima, de microfone em punho), para uma platéia pequena, porém atenta.
Lembramos das origens do circo.
Lembramos de grandes cantores brasileiros, como Chico Alves e Vicente Celestino, mais Sílvio Caldas e Luiz Gonzaga, que encontraram no circo o espaço que precisavam para mostrar sua arte e talento.
Não esquecemos, claro, de falar dos pioneiros cantores palhaços, como Eduardo das Neves.
E como esquecer de nomes como Carequinha, Torresmo e Arrelia, sobre quem, aliás, a pedido próprio, escrevi texto para livro autobiográfico lançado há alguns anos pela Ibrasa.
Tantas histórias...
Ayrton acaba de realizar ampla pesquisa sobre o tema, que espero ver tomar forma de livro logo, logo.
Este nosso país é mesmo incrível, não é?
Na sua formação, há palhaços e palhaços.
Palhaços de picadeiro e palhaços da vida real.
Os da vida real, são os que sofrem na unha de políticos sem noção.
Os do picadeiro há! Esses são de fato incríveis e nos fazem um bem danado.
Como vai, tudo bem, tudo bem, tudo bem, bem, bem?
Um Chaplin brasileiro?
Mazzaropi é um bom nome, não é?
Amâcio Mazzaropi nasceu na rua Vitorino Camilo, bairro de Campos Eliseos, em 2012.
Quer dizer: no próximo ano, ele completaria 100 anos de idade.
Ele tem tudo a ver com circo.
Numa entrevista à revista Veja, em 1970, ele disse:
"Quero morrer vendo (sic) uma porção de gente rindo em minha volta".
Morreu num hospital da capaital paulista, com médicos e enfermeiros muito tristes a sua volta.
E Luiz Gonzaga, cujo centenário de nascimento também se comemorará no ano que vem?
Cliquem aí:
O Centro está instalado num prédio do Anhangabau.
A região do Anhangabau abrigava, no começo do século passado, o Circo Piolin de que falo no livro A Menina Inezita Barroso.
Ali naquela região, o velho Mazzaropi tinha escritório fixo.
Ali também o romancista e musicólogo paulistano Mário de Andrade se encantou com as performances de Piolin, tanto que escreveu crônica na revista Terra Roxa sobre ele.
Piolin, para quem não sabe, nasceu dentro de um circo em Ribeirão Preto, SP, como o compositor, cantor e instrumentista Adão da Viola que anda por aí cantando e contando histórias.
No fundamental - para a cidade e para todo o País - Centro Memória do Circo falamos eu e Ayrton Mugnaini (na foto acima, de microfone em punho), para uma platéia pequena, porém atenta.
Lembramos das origens do circo.
Lembramos de grandes cantores brasileiros, como Chico Alves e Vicente Celestino, mais Sílvio Caldas e Luiz Gonzaga, que encontraram no circo o espaço que precisavam para mostrar sua arte e talento.
Não esquecemos, claro, de falar dos pioneiros cantores palhaços, como Eduardo das Neves.
E como esquecer de nomes como Carequinha, Torresmo e Arrelia, sobre quem, aliás, a pedido próprio, escrevi texto para livro autobiográfico lançado há alguns anos pela Ibrasa.
Tantas histórias...
Ayrton acaba de realizar ampla pesquisa sobre o tema, que espero ver tomar forma de livro logo, logo.
Este nosso país é mesmo incrível, não é?
Na sua formação, há palhaços e palhaços.
Palhaços de picadeiro e palhaços da vida real.
Os da vida real, são os que sofrem na unha de políticos sem noção.
Os do picadeiro há! Esses são de fato incríveis e nos fazem um bem danado.
Como vai, tudo bem, tudo bem, tudo bem, bem, bem?
Um Chaplin brasileiro?
Mazzaropi é um bom nome, não é?
Amâcio Mazzaropi nasceu na rua Vitorino Camilo, bairro de Campos Eliseos, em 2012.
Quer dizer: no próximo ano, ele completaria 100 anos de idade.
Ele tem tudo a ver com circo.
Numa entrevista à revista Veja, em 1970, ele disse:
"Quero morrer vendo (sic) uma porção de gente rindo em minha volta".
Morreu num hospital da capaital paulista, com médicos e enfermeiros muito tristes a sua volta.
E Luiz Gonzaga, cujo centenário de nascimento também se comemorará no ano que vem?
Cliquem aí:
sábado, 19 de novembro de 2011
"SERTANOJICE" É DOENÇA, VOCÊ SABIA? E VIVA O CIRCO!

Hoje tem espetáculo?
- Tem sim, senhor!
Hoje tem espetáculo?
- Tem sim, senhor!
Eu era menino quando circos se armavam na “periferia” da pequena Alagoinha.
Eu estudava em João Pessoa ia à Alagoinha nas férias de junho, e às vezes também em dezembro.
Houve um tempo que Alagoinha era chamada de Alagoinha Serra de Boi.
Essa bela cidade fica a cerca de 90 quilômetros da capital paraibana,
Pois bem, os circos chegavam lá e no dia da estréia um palhaço saia às ruas de megafone em punho anunciando as atrações.
Atrás dele, um bando de moleques de calças curtas respondendo à pergunta sobre se haveria ou não espetáculo.
Eu, entre eles.
Ao fim da caminhada atrás do palhaço, o prêmio: um risco à tinta especial feito no meio da testa, que garantia a entrada gratuita ao espetáculo. Vou falar sobre isso segunda que vem às 19 horas na Galeria Olido, à av. São João, 473, centro velho de Sampa, ao lado do amigo e craque no tema Ayrton Mugnaini. Informações pelo telefone 3397.0177.
PALHAÇO CHARLES
E hoje tem espetáculo no palco do palhaço Charles, à rua Fradique Coutinho, 1004, Vila Madalena. Começa às 22 horas, com entrada gratuita. E vale a pena ir inclusive porque Charles, criação do ator paraibano Alessandro Azevedo, está completando 15 anos.
Eu vou, você vai?
TEATRO DE RUA
Desde ontem e até o próximo dia 26, grupos de teatro de rua de todo o País estarão se apresentando em São Paulo. As apresentações fazem parte da 6ª Mostra de Teatro de Rua, este ano dedicada ao criador dos grupos de teatro VentoForte, Lino Rojas. Detalhes pelo telefone (11) 8337-5168.
SERTANOJO
Cuidado, isso é doença braba.
O primeiro sintoma de quem está com “sertanojice” é demonstrar algum interesse por duplas que atendem por Chico Rey & Paraná, Gian & Giovani, Gilberto & Gilmar, Rud & Robson e Rick & Renner, que são vírus brabos. Vocês viram o que aconteceu com Zezé di Camargo e Luciano? Pois é: discos no encalhe aumentando cada vez mais, os dois irmãos inventaram de brigar para ocupar espaços nas mídias. E conseguiram, pois estão em todo canto em tom de “reconciliação”. Resta saber se voltarão a desencalhar as bobagens gravadas.
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