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quarta-feira, 30 de março de 2022
É SEMPRE BOM RECEBER AMIGOS
terça-feira, 29 de março de 2022
ELIFAS ANDREATO, ADEUS
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| Assis com o livro Elifas Andreato: 50 anos de carreira |

Elifas Andreato era paranaense da safra de 1946 e um ataque cardíaco o levou ao hospital, de onde partiu.
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| Semeador, por Elifas Andreato |
Capista de LPs de Chico Buarque, Martinho da Vila, Adoniran Barbosa, Paulinho da Viola, Elis Regina, Clara Nunes e da dupla Toquinho e Vinícius e centenas de outras mais, Elifas também fez cartazes para teatro etc. Morreu pobre e endividado, com um banco ameaçando tirar-lhe do lugar onde morava. Somos aquilo que lembramos. A frase é do filósofo e jurista italiano Noberto Bobbio e está no livro O Tempo da Memória.Lembro-me de outra, não sei se com as mesmas palavras, mas o significado é o seguinte: nossa riqueza são nossos pensamentos, as ações que cumprimos, as lembranças que conservamos e não deixamos apagar e das quais somos o único guardião.Depois de um certo tempo de vida temos que batalhar para que as lembranças não nos abandonem. Devemos nos entregar a elas com afinco porque as recordações não aflorarão se nós não as procurarmos nos mais distantes recantos da memória.Este livro (Elifas Andreato : 50 anos de carreira) são minhas lembranças.
As últimas ilustrações para discos de Elifas Andreato foram estampadas nas capas de CDs de Socorro Lira e Jorge Ribbas. O HOMEM NÃO TEM JEITO. O PRECONCEITO MATA.
segunda-feira, 28 de março de 2022
O FAZENDEIRO ZÉ HAMILTON, EM MINAS
O mundo anda perdido
Que nem galo sem terreiro
Que nem um cego sem guia
Ou barco sem timoneiro
Mas ainda bem que tem
José Hamilton Ribeiro
Repórter de boa cepa
Ouro puro, verdadeiro
É um galo bom de briga
Doido por galinheiro
Hoje seu nome é marca
Do jornalismo brasileiro
Na pauta desse José
Tem sanfona, tem pandeiro
Tem cantiga de Matuto
E prosa de marrueiro
Fora isso ainda tem
Verso, viola e violeiro
Ele foi a todo o canto
Foi até o estrangeiro
Foi à luta, foi à guerra
Lutou foi bom guerreiro
Caiu mas levantou-se
De modo muito ligeiro
Incansável segue firme
Livre, leve e faceiro
Redescobrindo na vida
O prazer aventureiro
De fazer mais reportagens
Com o carimbo Zé Ribeiro
Novas guerras continuam
No Brasil, no mundo inteiro
É gente matando gente
Por nada, só por dinheiro
Mas nem a morte mata
José Hamilton Ribeiro
domingo, 27 de março de 2022
CAMÕES, SEMPRE CAMÕES (2, FINAL)
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| Retrato de Dom Sebastião no livro Os Lusíadas |
No Brasil houve tentativa de se compor algo parecido ao feito de Camões.
Em 1923 o poeta Augusto Meira (1873-1964) tomou para si essa tarefa. Ou seja, a de transportar com tinta verde/amarela a história do achamento das nossas terras até a Guerra do Paraguai (1864-1870). Essa tentativa, naturalmente frustrada, pode ser conferida pela leitura do livro Brasileis, a Epopeia Nacional (Instituto Lauro Sodré).
Eu não quis fazer o que Meira tentou. Resolvi fazer, simplesmente, uma readaptação d’Os Lusíadas. Usei os principais personagens, mas não trouxe a narrativa para o Brasil. No sentido histórico do termo. Acrescentei por acrescentar, dois poetas cantadores nordestinos contando a história de Vasco da Gama e a história de Vaz de Camões.
A essa adaptação, dei o título de A Fabulosa Viagem de Vasco da Gama no Mar (adaptação livre de Os Lusíadas para canto e cordel). Começo assim:
Aqui neste ambiente
Eu venho para contar
A história de um homem
De força espetacular
Que nunca fugiu à luta
Nem na terra nem no mar
Esse homem eu conheço
Dele já ouvi falar
É pessoa corajosa
Treinada para lutar
Esteve em todo canto
Navegando pelo mar
Eu e minha viola
Viemos pra espalhar
A coragem desse homem
Forte, justo, exemplar
Que nunca teve medo
Do terror que há no mar…
E sigo, no canto 2:
Um dia Júpiter chamou
Seus pares pra conversar
Queria deles saber
Que posição adotar
Sobre uma certa viagem
De certo homem do mar
Num piscar d’olhos chegaram
Os deuses para escutar
Queriam eles saber
O que Júpiter tinha a falar:
Seria sobre a viagem
Daquele homem do mar?
Ouviu-se um zum, zum, zum
Eram Deuses a murmurar:
Quem seria esse valente
Decidido a enfrentar
Os mau humores do tempo
E as estranhezas do mar?
Esse homem era forte
Fora feito pra lutar
Pensava o tempo todo
Num modo de viajar
Queria ir pra longe
Bem pra longe pelo mar…
E no canto 3, eu digo:
Sob céu de brigadeiro
Dia bom pra passear
Com ruas embandeiradas
Saltimbancos a brincar
Anunciando boas novas
Com salva de tiros no mar
Tudo está perfeito...
"É preciso navegar
Viver não é preciso"
Isso é certo vou contar
Três ou quatro navios
Seguiriam pelo mar…
E mais um pouco, sigo adiante:
Tinha 28 anos
Ao resolver aceitar
O enorme desafio
De fazer o mundo vibrar
Com a grande façanha
De ir à Índia pelo mar
Reuniu a marujada
Para tudo por a par
Lembrou de graves perigos
Que iriam encontrar
Agora principalmente
Na viagem pelo mar
Ele estava firme
Já pronto pra embarcar
Tinha mais do que certeza
De seu alvo alcançar
Realizando o sonho
De ganhar a terra pelo mar…
No 5º canto, eu trago a Ilha dos Amores criada pela deusa Vênus:
Há na Ilha dos Amores
Mitos e lendas no ar
E figuras encantadas
Dançando à luz do luar
Enquanto o vento canta
Antigas cantigas do mar
Desde sempre se sabe
Que na vida é bom sonhar
Na Ilha dos Amores
Não é pecado pecar
Pecado é não ouvir
Os cantos que vêm do mar
Cantos que sempre contam
De guerreiros a guerrear
De seres apaixonados
Que morrem só por amar
De segredos das estrelas
E de mistérios do mar…
A história é, de fato, fabulosa, incrível. E tudo começa quando Camões decide contar o heroísmo do seu povo, depois de ler Homero e Virgílio.Homero contou cantando a história do seu povo. O mesmo o fez Virgílio.
É isso.
Outro dia falei a respeito desse épico ao repórter Ivan Finotti, da Folha de S.Paulo. Sem cuspir pra cima, sem querer isso, apenas lembro: eu perdi a visão dos olhos, mas não perdi a visão da memória. Fiquei invisível, é certo. Estou cego, dos olhos. Só. Poucos me veem, paciência… E digo a quem quiser ouvir, estou vivo.
Pois é, há 450 anos era lançado o clássico Os Lusíadas.
LEIA MAIS: NINFAS E DEUSES EM CAMÕES • CAMÕES E A LÍNGUA PORTUGUESA
sábado, 26 de março de 2022
CAMÕES, SEMPRE CAMÕES (1)
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| Assis, com a obra de Camões em diversos formatos |
O poeta português Luís Vaz de Camões nasceu em 1524 e morreu aos 56 anos de idade.
O que Vasco da Gama e Vaz de Camões têm em comum?
Vasco da Gama foi quem descobriu o caminho das Índias, em 1498.
Vaz de Camões, pra todo mundo e o mundo todo chamado simplesmente de Camões, foi quem narrou com inacreditável categoria a fabulosa façanha de Vasco da Gama.
Tudo começou quando o rei dom Manuel incumbiu ao navegador a tarefa de descobrir o caminho das pedras. Isto é, das Índias.
Duas naus e uma caravela, mais uma embarcação com víveres, foram cuidadosamente preparadas para a grande viagem.
A partida fora programada para o dia 7 de julho de 1497. Mas uma zebra atrapalhou a programação.
Zebra, leia-se: mau tempo no porto de Lisboa, praia e porto de Restelo.
Essa zebra adiou a viagem para o dia 8, uma segunda-feira.
Dez meses e dez dias depois, e cerca de 11.000 milhas navegadas, Vasco da Gama e seus marinheiros, uns 200, alcançaram Calicute.
Calicute é um porto localizado na costa ocidental da Índia.
Essa história é fabulosa, em todos os sentidos.
Muitos anos depois, Luís Vaz de Camões decide contar o acontecido. Do seu jeito. Belíssimo e belíssima é a obra gerada pelo poeta: Os Lusíadas.
Esse livro é desenvolvido em dez Cantos com cinco partes: Dedicatória, Preposição,
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| Camões no traço de Fausto Bergocce |
Na batalha de Alcácer-Quibir, o poeta perdeu um dos olhos.
Pra escrever a obra, o autor fez uso da invenção de um poeta italiano chamado Ludovico Ariosto (1474-1533). É dele a modalidade Medida Nova, levada da Itália para Portugal, por Sá de Miranda, em 1527.
Camões precisou morrer para se eternizar.
Detalhe: Luís Vaz de Camões foi quem deu o primeiro pontapé na história para transformar o que é hoje a língua portuguesa, pois antes o que havia, na região onde nasceu, era o latim arcaico.
Essa é a história. Mas tem mais.
Quem deu o aval para essa publicação foi o frei Bartolomeu Ferreira, responsável pelo setor de publicações do Santo Ofício, em setembro de 1571. De lá pra cá, o livro foi publicado em formatos diversos. Incluindo quadrinhos.
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| Frase escrita pelo próprio Camões. |
No Brasil dos anos 30/40, o famoso livro de Camões entrou como matéria curricular do curso ginasial. Edição importante, da Francisco Alves. Dessa edição reproduzo algumas imagens e documentos como a assinatura do poeta Camões (ao lado).
Ainda em 1572 foi lançada uma edição paralela, pirata, de Os Lusíadas.
Em 1920 o diretor da Biblioteca Nacional de Lisboa, Jayme Cortesão, encafifado com essa história solicitou através de ofício que o Real Gabinete Português de Leitura fizesse um levantamento a respeito do que até então era uma dúvida.
Devo lembrar a V. Exª que, a par da 1.ª edição verdadeira que nos propomos reproduzir, existe uma outra, falsa, da mesma data. A verdadeira distingue-se por ter o bico do pelicano da portada voltado para a esquerda do observador e por, no 7.º verso da 1.ª instância do Canto I, ter as palavras “E entre” em vez de “Entre” simplesmente.Cortezão fazia referência à esta estrofe:
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| Os Lusíadas em HQ |
As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
Entre gente remota edificaram
O novo Reino, que tanto sublimaram;
Alexandre de Albuquerque, do Real Gabinete Português de Leitura, fez o que tinha que fazer: esclarecer a nebulosidade em que se achava essa questão histórica. E em 1921 lançou o livro As Duas Edições dos Lusíadas de 1572.
sexta-feira, 25 de março de 2022
CORNO INCONFORMADO
CORRUPÇÃO TERCEIRIZADA
E TEM MAIS:
quinta-feira, 24 de março de 2022
EU E MEUS BOTÕES (18)
quarta-feira, 23 de março de 2022
CORRUPÇÃO EM NOME DE DEUS
terça-feira, 22 de março de 2022
JOSÉ RIELLI, 75
Giuseppe, José na nossa língua, começou a gravar discos pela Casa Edison no Rio de Janeiro, em 1914.
No correr da história, José Rielli gerou filhos e muitas músicas. Bela Paulista foi uma das primeiras a gravar, de sua autoria. Mas gravou também clássicos universais, como se diz.
AI, AI...
domingo, 20 de março de 2022
ABL TEM NOVO PRESIDENTE: MERVAL PEREIRA
| Livros de Merval Pereira |
Merval começou a carreira jornalística como estagiário do jornal O Globo, RJ, em 1968. Nesse jornal ele desenvolveu várias funções, inclusive a de editor.
A Academia Brasileira de Letras foi criada pelo jornalista e escritor Machado de Assis (1839-1908), em julho de 1897, inspirado na Academia francesa. Machado foi o seu primeiro presidente.
Nos primórdios a ABL só aceitava intelectuais masculinos.
Em 1977, a ABL abriu as portas para a primeira mulher: Rachel de Queiroz (1910-2003).
Depois de Rachel, a autora do clássico O Quinze (1929), a Academia também abriu a porta pra Lygia Fagundes Telles, Nélida Piñon e Ana Maria Machado.
A mais recente acadêmica é a atriz Fernanda Montenegro.
O baiano Gilberto Gil é o primeiro artista da música popular a integrar o seleto grupo de imortais da ABL. Convidado para esse time, Chico Buarque disse não.
Merval Pereira é, hoje, colunista do jornal O Globo e comentarista político da Globo News e da rádio CBN. Detalhe: Merval é o 55º acadêmico a assumir a presidência dessa casa.
Sei não, mas no próximo ano é bem possível que eu disputa uma cadeirinha da ABL. Se me aceitarem, prometo trocar o famoso chá das cinco por uma cachacinha da boa. Detalhe: e assumirei sem o fardão, que acho ridículo.
sábado, 19 de março de 2022
ANIMAIS EM EXTINÇÃO
Para mais detalhes, clique: Lista de animais ameaçados de extinção no Brasil dobra em oito anos
sexta-feira, 18 de março de 2022
CULTURA PRECISA DE PRODUTOR E PRODUÇÃO
| Elielma, agora produtora cultural |
Como produtora cultural no ano de 2011 escrevi dois projetos no ProArt da Secretaria de Educação de São Paulo (SME) realizamos 21 shows nos CEUs da cidade, só que eu não entendia muito do riscado por isso passei a produção para outra pessoa.
Em 2020 depois de muita luta dos forrozeiros de São Paulo, incluindo o esforço do meu esposo Cacá Lopes em prol do forró, saíram os primeiros recursos do poder público de fomento ao forró, através de uma lei voltada para esse gênero musical.
Fui estimulada pela Isabel Santos a escrever um projeto para ele, como não tinha experiência ela me indicou a Suelen Garcez, produtora experiente. Rascunhei um projeto, passei para Suellen fazer os ajustes necessários e fomos contemplados com o Projeto Abraços e Versos: Um Encontro entre o Forró e o Cordel (ver link, abaixo). Além desse, em 2020 escrevi outros dois. Um projeto solo chamado de Patativa à Gonzagão pelo Proac LAB – Secretaria Estadual da Cultura de SP e um do Coletivo Sarau Bodega do Brasil pela Lei Aldir Blanc e em ambos fomos bem-sucedidos. É isso, quero aprender e saber mais sobre o tema, só assim vou contribuir efetivamente com a cultura.
Produtores profissionais, como empresários e captores de recurso, são necessários para a valorização de artistas e intelectuais. Eu mesmo conheço muita gente boa que se tivesse alguém capacitado ao seu lado ganharia, com mais rapidez, os espaços naturais a eles reservados ou dedicados.
Daqui mando meu abraço certo de que Elielma Carvalho conseguirá alcançar o que pretende como Produtora Cultural.
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