
Luís Vaz de Camões, o primeiro e mais famoso poeta da língua portuguesa, tinha 28 anos de idade quando foi levado de Portugal para a Índia numa esquadra comandada por Fernão Álvares Cabral (1514-1571).
Luís Vaz de Camões, o primeiro e mais famoso poeta da língua portuguesa, tinha 28 anos de idade quando foi levado de Portugal para a Índia numa esquadra comandada por Fernão Álvares Cabral (1514-1571).![]() |
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| Clarissa |
Outra mulher que também abriu o coração e a mente para o sexo foi a goiana Cora Coralina, de batismo Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985). Deixou uma obra pequena, porém resistente. É dela Pouso de Boiadas:
Conversa sem sentido.
Os homens estirados
nas redes e nos forros,
assuntam de mulheres...
- Fêmea. Erotismo de macho.
Palavreado obsceno.
(...)
Manelão canta sozinho.
Manelão canta baixinho.
Moda de mulher.
...Dola... Xandrina...
... o chamado obscuro, sexual.
(...)
Manelão canta em surdina,
Manelão canta baixinho,
Manelão canta sozinho
Toada de mulher.
Dola... Xandrina...
O rude chamado sexual.
A saga bárbara
dos boiadeiros.
Quatro anos depois de seu falecimento, foi lançado o LP Cora Coralina com 13 poemas, entre os quais: Velho Sobrado, Estas Mãos, O Cântico da Terra, Todas as Vidas e Meu Epitáfio, que diz:
Morta… serei árvore
Serei tronco, serei fronde
E minhas raízes
Enlaçadas às pedras de meu berço
são as cordas que brotam de uma lira.
Enfeitei de folhas verdes
A pedra de meu túmulo
num simbolismo
de vida vegetal.
Não morre aquele
que deixou na terra
a melodia de seu cântico
na música de seus versos
Num dos contos incluídos no livro Contos Novos (1947), o autor Mário de Andrade fala de dois jovens estudantes que sentem atração física mútua. Ainda nesse livro, Mário escreve a história que tem como personagens centrais Nízia e Rufina. Já falamos. O final desse conto é dúbio, como dúbio é o final do conto Frederico Paciência.
Enfim, quem transou com quem?
Amor e preconceito sexual sempre geraram discussões febris, no Brasil e noutras plagas.
A escritora inglesa Jane Austen (1775-1817), mostra isso no livro Orgulho e Preconceito, publicado pela primeira vez em 1813.
Nesse livro, Austen conta a história de um casal que tem cinco filhas prontas para se casar. A mãe, Sra. Bennet, faz tudo e muito mais para que suas belas donzelas não padeçam no poço profundo do caritó. A mais nova, porém, de 16 anos, foge de casa com um cara sem futuro. A partir daí o romance ganha força.
A leitura de Orgulho e Preconceito nos leva à cena rural onde tudo se passa. Lá a mulher solteira que saía de casa e não se casava logo caía na boca ferina do povo. Isso, para uma família bem constituída, era o pior que podia acontecer.
Maria Firmina dos Reis, boa no verso como Cora Coralina, foi a primeira brasileira a publicar um romance no Brasil. Úrsula foi levado à praça em 1859. Três anos depois nascia no Rio de Janeiro Júlia Lopes de Almeida.
Júlia, primeira e única mulher a participar das reuniões que resultaram na fundação da Academia Brasileira de Letras, ABL, foi a segunda mulher brasileira a escrever e a publicar um romance: A Viúva Simões.
O livro de Júlia, lançado em 1897, conta a história de uma mulher que perdeu o marido e por bom tempo passou a cuidar apenas da filha Sara, enquanto a criadagem cuidava das duas.
O isolamento da viúva, Ernestina, dura até o momento em que ela reencontra um namorado da adolescência. Esse, Luciano, de tanto atentar, finda por amolecer o coração da protagonista. O fim beira a tragédia.
Júlia Lopes de Almeida foi, até aqui, a escritora que mais contos e romances publicou. Seus títulos andam na casa dos 50.
Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora
Maria Firmina dos Reis (1822-1917) foi uma professora do Maranhão e a primeira mulher a escrever um romance intitulado Úrsula (1859). Era abolicionista. Amor e paixão se misturam na história. Bonito, bem movimentado. Personagens negros. Era também poeta.
Discretíssima no comportamento pessoal, Maria Firmina abriu o coração para poucas paixões. Um exemplo disso é o poema Ela!, incluído no livro Cantos a Beira-mar:
Ela! Quanto é bela, essa donzela,
A quem tenho rendido o coração!
A quem votei minh’alma, a quem meu peito
Num êxtase de amor vive sujeito...
Seu nome!... não — meus lábios não dirão!
Ela! minha estrela, viva e bela,
Que ameiga meu sofrer, minha aflição;
Que transmuda meu pranto em mago riso.
Que da terra me eleva ao paraíso...
Seu nome!... Oh! meus lábios não dirão!
Ela! virgem bela, tão singela
Como os anjos de Deus. Ela... oh! não,
Jamais o saberá na terra alguém,
De meus lábios, o nome que ela tem...
Que esse nome meus lábios não dirão.
Esse poema tem tudo a ver com amor feminino, entre uma mulher e outra. Apesar disso, não chamou a atenção de ninguém. Quer dizer: embora tabu, o tema aqui abordado por Firmina dos Reis não provocou espanto nem polêmica.
Essa poetisa, de origem maranhense, morreu pobre e cega na casa de uma amiga no ano de 1917.
Hoje 9 é feriado em São Paulo.
O feriado paulistano deve-se à Revolução Constitucionalista ou Revolução de 32, como também ficou conhecido o levante do povo de São Paulo contra Getúlio Vargas e o seu governo. Durou pouco tempo, mas deixou expressivo saldo de mortos e feridos.
A revolta do povo de São Paulo perdura até os dias de hoje, tanto que não existe nenhuma rua, avenida, praça, monumentos e coisa e tal em nome do velho caudilho gaúcho. Oficialmente, claro.
A FGV, Fundação Getúlio Vargas, é uma entidade de constituição particular.
O dia 9 de julho, hoje, marca também a fundação da Sala São Paulo.
A Sala São Paulo, instalada ali no que foi a gare da estação ferroviária da Luz, foi criada no governo Montoro. Isso exatamente há 25 anos, ou seja, há um quarto de século.
Franco Montoro foi um governador que deu muita atenção às artes e artistas.
Antes de criar a Sala São Paulo, Montoro cuidou de reerguer o Teatro São Pedro. Esse teatro foi construído por um jovem empresário português e entregue aos paulistanos em 1917.
Hoje, em Campina Grande, PB, será sepultado o corpo do cantor e compositor paraibano Biliu de Campina. Tinha 75 anos de idade quando morreu ontem, num hospital campinense. Não era casado e nem deixou filhos.
Biliu gravou vários discos, incluindo dois LPs.
| Biliu de Campina |
No livro Contos Amazônicos (1893), Sousa nos apresenta uma curiosa personagem: Maria, no conto Amor de Maria. No texto o autor conta a história de uma jovem muito bonita que finda por apaixonar-se por um desconhecido que de repente chega à cidade onde ela vive. O cara é do tipo bonitão, enxerido, disputado pelas moçoilas. O caso termina em morte.
O primeiro livro de Inglês de Sousa foi O Cacaulista, publicado em 1876.
Os textos inseridos no Contos Amazônicos não são, grosso modo, contos. O último, O Rebelde, por exemplo, é memorial. É texto em que o autor encontra na infância a morte do pai e tal. Nesse texto há momentos muito fortes:
Paulo da Rocha pareceu hesitar algum tempo, mas um novo gesto de meu pai, cheio de uma desesperada energia, o decidiu. Carregando-me ao ombro com um vigor incrível, pôs-se a
correr para o quintal, donde em breve saímos pelo portão, apesar das minhas súplicas e dos esforços que fazia para que me deixasse.
Bem compreendia eu que era a última vez que via a meu velho pai, e doía-me abandoná-lo naquele supremo momento.
Durante algum tempo andou Paulo da Rocha dando voltas pela vila, até que chegamos ao porto. Na extremidade da vila, em uma enseada, estava uma canoa, e nessa canoa se achavam três pessoas: Padre João da Costa, minha mãe e Júlia.
Caí nos braços de minha mãe que me recebeu soluçando. Depois da primeira efusão, minha mãe perguntou:
— E teu pai?
Lágrimas foram a única resposta que dei. Para fazer diversão a esta cena, o pernambucano empurrou a canoa, saltando dentro dela, e armando-se do mará exclamou em voz que procurou tornar alegre.
— Agora, fujamos!...
Perguntar, não custa: quem foi o pioneiro do Naturalismo no Brasil, Aluísio de Azevedo ou Inglês de Sousa?
Bom, não digo. Porém a mim não custa dizer que o francês Émile Zola (1840-1902), foi o criador do movimento naturalista. O cabra era bom em verso e prosa.
Em 1890, o maranhense Aluísio de Azevedo publicou o romance O Cortiço. Obra-prima sobre a qual já falamos.
Em 1890, a contista e romancista carioca Júlia Lopes de Almeida publicou o livro Memórias de Marta. A história toda, quase toda se passa num cortiço.
O livro de Júlia é o primeiro na nossa historiografia literária que rola num cortiço. Pois, pois.
Em 1964, a escritora Lygia Fagundes Telles abordou a temática religiosa no livro Verão no Aquário, no qual cria um nervosíssimo triângulo amoroso entre a mãe Patrícia e a filha Raíza, com o seminarista André. O caso de Lygia dói nos nervos, é tenso, como só ela sabia fazer. Aliás, esse foi o primeiro livro de uma escritora brasileira abordando essa temática, no século 20. No fim o padreco se mata, cortando os pulsos.
Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora
… Então ele, saindo de uma luta suprema, silencioso, com um frio mortal no coração, com o cérebro despedaçado por um turbilhão de sentimentos contrários, atirou-se à moça, agarrou-a pela cintura e mordeu-lhe o lábio inferior numa carícia brutal. Foi breve a luta. A neta de João Pimenta caiu exausta sobre o tapete de folhas úmidas do orvalho, douradas pelo sol. Entre os ramos dos cacaueiros os passarinhos sensuais cantavam…
O personagem aí não é outro senão o padre Antônio.
Foi publicado em 1891, tornando o autor mais apreciado pelos leitores e crítica.
A vida é uma caixinha de surpresas. Pois, pois.
Na última quinta 4, Paulo Garfunkel, o Magrão, falava comigo sobre o pianista paulista de Campinas Laércio de Freitas.
Essa conversa foi ali pelos começos da tarde de anteontem.
No começo da tarde de ontem 5 ouço no rádio notícia dando conta da morte de Laércio. Estou pasmo até agora.
Laércio Freitas tinha 83 anos de idade quando a Megera o levou. Nessa hora ele se achava dormindo como dormindo também partiram Charles Chaplin, Manezinho Araújo e Zuza Homem de Melo.
Manezinho, o Rei da Embolada, era amigo meu, como amigo meu era o colega jornalista Zuza Homem de Melo.
Pois é, a vida é de morte.
GUERRA PAULISTA
Era um sábado como hoje o dia 5 de julho de 1924, quando São Paulo acordou com gritos e ruídos incomuns até então provocados por manobras militares nas ruas da cidade. À frente desses ruídos todos se achava o general de brigada gaúcho Isidoro Dias Lopes. Esse general comandava o repúdio dos militares contra o presidente Artur Bernardes.
Bom, a revolta de São Paulo em 1924 durou 23 dias.
Não custa lembrar que os revoltosos, pelo menos parte, reforçaram a Coluna Prestes que seria gerada no Rio Grande do Sul em abril de 1925.
O mundo está caindo aos pedaços. Sim, isso mesmo: o nosso.
O mundo a que me refiro é a Terra, onde nascemos e morremos. Alguns viram santos. Mas isso já faz tempo, pois santos já não se fazem. O que se faz e refaz são loucos endemoniados.
Pois, pois, a Terra virou um inferno só. Pra tanto basta ver tudo se acabando em guerra na Rússia, Ucrânia, Israel/Faixa de Gaza e outros países daquela região maiormente chamada Arábia.
O Irã está engatilhando armas.
N'alguns lugares de África gatilhos já foram apertados.
Na América Central...
Nos EUA o barulho provocado por incompreensões está beirando o auge.
E na França, hein?
Na Turquia, Itália, Alemanha, Holanda... Na Argentina o povo está comendo miséria misturada com vento e outros ingredientes de sabor amargo.
No Brasil, o dólar está chegando aos píncaros. Foi de repente. Está subindo, subindo... Quanto mais o dólar sobe, mais desce o poder aquisitivo do povo. E sabemos: a inflação pega carona no dólar. Ora subindo, ora descendo.
Como se isso tudo não bastasse, ainda tem o diabo de um furacão se multiplicando em violência. Ganhou forma no mar e anda por aí assustando os viventes, bicho animal ou bicho gente.
Esse maldito furacão, que vou chamar de Lampião, é filho bastardo da natureza violentada pela ignorância humana, que nada respeita.
Não é à toa que furacões do tipo citado nascem da força quente das águas do mar.
Enquanto isso, o Pantanal arde em brasa.
E tenho dito!
Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora
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| Júlia Lopes de Almeida |