Seguir o blog

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

O BRASIL DOS CORONÉIS DE SEMPRE EM ZÉ LINS

Politicamente o Brasil continua velho.
Desde 1500, quando oficialmente é chancelada a chegada de Cabral à Costa baiana, vivemos a sofrência indígena, negra etc.
Tempo é tempo. E como tal, parece que tudo continua como antes: os mais fracos, indígenas e negros especialmente, sucumbindo sob o bastão dos poderosos.
Foi aqui, em 1808 que a família real portuguesa, fugida de Napoleão, encontrou guarida.
Antes de 1808 o Brasil era pouco, muito pouco, para Portugal.
O escritor maranhense Aloísio de Azevedo (1857-1913), retratou o que era aquele tempo, seu tempo. O tempo dos negros, o tempo dos pobres, o tempo dos pés no chão.
O Brasil é riquíssimo, eu já disse, até na pobreza com a sua riqueza...
O escritor paraibano José Lins do Rego (1901-1957), estreou no romance realista com Menino de Engenho, o primeiro do Ciclo do Açúcar.

Menino de Engenho trata de uma história, embora realista, fantástica.
Em Menino de Engenho, lançado em 1932, circulam nas suas páginas personagens tocantes. Começa com Major matando a sua mulher, Clarice. A tiros. O menino Carlos, filho do casal, quatro anos, vê a cena chocante que carrega por toda a vida. O pai, assassino, vai prá o Hospício, a mãe pro cemitério e ele, Carlos, Carlinhos, três meses depois da tragédia vai morar no engenho do avô Coronel Zé Paulino. E ali tudo acontece...
Os coronéis dos engenhos sertanejos dão tudo que é possível para os seus descendentes.
Essa realidade ainda ocorre no sertão nordestino, mas está se acabando.
O Sarney, lá do Maranhão, já está vivendo além da conta. Na Bahia, ACM já foi. Nas Alagoas, os Calheiros ainda resistem com todas as putarias possíveis, com apoio do PT. São 26 Estados e um Distrito Federal, capital do Brasil.É como se ainda vivêssemos no tempo das capitanias hereditárias...
Menino de Engenho retrata a vida brasileira do século 19 e começo do 20 e, comparativamente é como se retratasse o  21, este em que vivemos e onde sobrevivem ainda os coronéis engravatados como os deputados federais e senadores, para lembrar o mínimo.
Sinhazinha no romance de José Lins é o cão. Ela bate no Carlinhos sem dó nem piedade, à toa. Ninguém gosta dela. Maria menina, ao contrário é um doce de côco. Judite também. No colo de Judite, Carlinhos começa a pensar besteiras de homem. E com a prima Maria Clara, ele endoidece. E nesse tempo da sua vida, ele tem só 8 anos. Com 12, que é quando termina o romance, ele é mandado para estudar fora do engenho.
Menino de Engenho é um romance fantástico.
Em Menino de Engenho as secas e cheias que machucam violentamente os ricos e os pobres do Nordeste de sempre.
Há um filme e um documentário sobre Menino de Engenho, veja o documentário:




ENCONTRO DE AMIGOS



Os amigos Fausto, Rômulo Nóbrega, Ibes Maceió, o Águia das Alagoas e o craque das ideias Calos Sílvio, estiveram aqui dizendo coisa com coisa. A foto aí mostra esse encontro.




quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

A REALIDADE EM JORGE AMADO



Pessoas em situação de rua sempre existiram. Diógenes, aquele que morava numa barrica se incluía nessa condição. As narrativas levam a essa conclusão.
No correr de todo o século 19 não era diferente, no Brasil.
No livro A Alma Encantadora das Ruas, que reúne uma trintena de textos impagáveis de João do Rio, essa situação também é explícita. Esse livro foi publicado em 1907/08. Nele o autor mostra que as cadeias já andavam lotadas de homicidas, ladrões etc. Não eram diferentes também os reformatórios, orfanatos e hospícios. 
Lembro essa questão após a leitura do clássico Capitães da Areia, de Jorge Amado, lançado em 1937. Nesse livro o autor retrata o dia a dia de uma centena de crianças jogadas à rua. Pedro Bala, um loiro com uma cicatriz de navalha na cara, é o líder do grupo. Tem uns quinze anos. Os outros personagens são tão visíveis na trama jorge amadiana quanto as ondas do mar que lambem as praias da Bahia. Gato, bonitão e elegante, anda bamboleando nos cabarés e chamando a atenção das quengas. Uma delas, Dalva, rende-se a seus encantos e termina sendo por ele explorada, sexualmente. O professor é outro personagem incrível. Ele passa a noite lendo a luz de vela. Prá si e prá seus companheiros de aventuras. 
Em Capitães da Areia a violência policial é marcante. 
O personagem Sem Pernas pode ser comparado a qualquer um aleijado. Naquele tempo não havia essa coisa de cadeirante. Aleijado era aleijado, cego era cego, mudo era mudo.
Sem Pernas era órfão e muito cedo caiu na rua. Ele, na trama de Jorge Amado, é o espião do grupo. Quer dizer, era quem infiltrava-se numa casa de gente rica prá anotar dela os pontos fracos, passíveis de invasão. E aí é quando o leitor é tocado pelos passos de Sem Pernas. Ele é ocasionalmente "adotado" por Dona Ester e seu marido, o advogado Raul. E mais não conto.
O bulling também está presente nesse romance do autor baiano. A pederastia e tudo mais. 
É muito bonito esse livro. É um romance realista.
O mais novo integrante do bando de Lampião, Volta Seca, também passeia nas páginas de Capitães de Areia. Há muito o Brasil é como um dos meninos do bando de Pedro Bala: abandonado.
Em São Paulo há entre 20 e 25 mil pessoas em situação de rua. Desse total, 3% são crianças. 
A população de São Paulo cresce, anualmente, 0,7%, enquanto a população em situação de rua cresce 4,1% no mesmo período. Quer dizer: os capitães da areia se multiplicam como a miséria no Brasil. A propósito, dados divulgados hoje indicam que o número de pessoas que sobrevivem abaixo da linha da pobreza, no Brasil, anda num crescente. 
A mais recente pesquisa do Banco Mundial indica que o número de pobres no Brasil pode chegar a 3,6 milhões até o final deste ano.

QUE NEM GENTE

Foi morta sem razão. Umas porradas desferidas com a violência do mundo levou a morte uma cachorrinha sem nome. O caso ocorreu semana passada, em área própria de um supermercado Carrefour em Osasco, região da grande São Paulo. O assassino ainda não foi preso, mas já está mais do que claro que faz parte do corpo de segurança desse supermercado. Caso seja preso e condenado, o criminoso pode pegar uns 3 anos e cumprir a pena solto, sem tornozeleira. São os absurdos da vida, repetidos no dia a dia de todo canto. Sobre cães leias mais:


domingo, 2 de dezembro de 2018

MÚSICA, LIVRO E FEIJOADA NO JARDIM DE SORAYA



Mais uma vez reencontrei amigos queridos como Elifas Andreato, Sérgio Gomes, o Sérgião;Vanira Kunk e sua filha Mariana, Eduardo Ribeiro, Marco Aurélio,  José Roberto e o diretor do hospital Premier, Samir Salman. Foi ontem 1(registro acima) no começo da tarde, no centro cultural  jardim de Soraya, localizado na zona sul da Capital paulista. Sobre o palco do jardim apresentou-se o grupo feminino Ilu Obá de Min. Aí abaixo uma pequeníssima mostra da apresentação das mulheres que formam esse grupo.


O pretexto desse reencontro foi o lançamento do livro Empoderadas (Mulheres eternas, corpo a corpo com a vida), do amigo jornalista Palmério Dória.
Esse novo livro de Dória trata, como sugere o título, de mulheres que se destacaram na sociedade do tempo em que viveram no Brasil e fora do Brasil. Entre essas mulheres a compositora e instrumentista Francica Edwiges Neves Gonzaga (1847-1935) que entrou para a história de nossa música como Chiquinha Gonzada; Patrícia Galvão, a Pagu (1910-1962); a psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999); Maria da Penha; Marielle Franco e até a deputada paraibana, Luiza Erundina, até a cantora Josephine Baker, que chegou a gravar música do mineiro Ary Barroso, se acha lá.



Empoderadas é um livro que se lê de um só fôlego, pois a leitura flui fácil, fácil. Nessa coisa de escrever Palmério Dória é craque.
O reencontro no jardim de Soraya findou com uma belíssima feijoada e caipirinha.
Achei apenas uma falha no livro , a falta de numeração das páginas. Ah, não custa dizer, senti falta de textos  sobre Maria dos Reis e a  poeta Potiguar, Nízia Floresta. Andei escrevendo sobre ela,confiram:
















;

sábado, 1 de dezembro de 2018

HOJE É DIA DE ROBERTO LUNA


Há exatamente 89 anos, completando-se hoje 1,  nascia na cidade paraibana de Serraria o menino que se transformaria num dos mais importantes cantores do Brasil: Roberto Luna
A história desse artista é fabulosa.
Luna conviveu com grandes nomes de nossa música, entre os quais Chico Alves, Orlando Silva, Nelson Gonçalves com quem uma vez teve um arranca rabo por causa de uma cubana muito bonita; Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dorival Caymmi e tantos e tantos mais, sem esquecer Assis Valente, que lhe ensinou a arte da prótese, pois Assis era um valente protético.
Roberto Luna merece toda a nossa atenção e respeito, até porque ele é de um tempo em que os cantores costumavam cantar bem e bonito. O seu maior sucesso foi o samba canção Molambo de Jaime Florence e Augusto Mesquita. A propósito, a música completa este mês que se inicia, 63 anos do seu lançamento. Ela foi gravada, originalmente, no dia 28 de novembro de 1955 (Odeon),
No acervo do Instituo Memória Brasil, IMB, se acha toda a discografia desse artista. Ouça Molambo, com o próprio Luna:





quinta-feira, 29 de novembro de 2018

NO BRASIL DESGRAÇA POUCA É BOBAGEM

No nosso Patropi tudo acontece com muita rapidez, num piscar de olhos. E não são notícias coisinhas não, são notícias bombásticas, cabeludas, de arrepiar. Hoje, logo cedo, ouvi no rádio a notícia dando conta da prisão do governador Pezão, do Rio de Janeiro. Com eles foram presos alguns dos seus assessores diretos. Pois é! Há coisa de dois anos, quatro governadores do Rio de Janeiro foram presos por corrupção e outros crimes: Garotinho, sua mulher Garotinha (parece que não crescem e não aprendem), Cabral e, agora, Pezão. Que nome!
Pezão passou muito tempo dando com o pé na bunda do povo, e agora deu no que deu!
Num momento qualquer da vida, Pezão ganhou uma música de Jorge Benjor. E que música:




O dia começou com Pezão e terminou com chicana, prá dizer o mínimo, no STF. 
As excelências reunidas em plenário discutiam o poder do senhor presidente da República de indultar quem bem entendesse, inclusive o senhor Eduardo Cunha e outros senhores que descaradamente meteram a mão no bolso do povo e por isso foram parar no Xilindró. Pois é!
A primeira vez que um presidente indultou bandidos foi em 1937. O bandido em tela era o sanguinário Antonio Silvino, que foi condenado a 230 anos e oito meses de cadeia. E o presidente, Getúlio Vargas. O mesmo Getúlio indultaria 8 anos depois soldados que cometeram atrocidades em nome do Brasil. Em 1954, Getúlio voltaria a indultar mais um cangaceiro: Volta Seca, condenado a 145 anos de pena. E a onda de indultos continuou até a chegada de Jango ao poder. Ele disse, em 1962, que não assinaria indulto coisa nenhuma, fosse para quem fosse. Quer dizer, ele disse o que disse há pouco o recém eleito presidente, Bolsonaro. Curiosa a justificativa de Lewandowsky: ele disse que há muitos presos na prisão e está na hora de botar alguns prá fora, escolhidos a dedo, é claro!
Outras notícias incríveis continuaram ocorrendo, depois da prisão de Pezão e antes da chicana dos juízes no STF: 70 mil metros quadrados de área do governo estavam sendo explorados por bandidos, há anos. Em São Paulo não sei quantas toneladas de cocaína e maconha foram apreendidas. No Rio mais um policial foi morto pela bandidagem etc, etc, etc.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

NINFAS E DEUSES EM CAMÕES

Ilustração especialmente feita por Fausto para o poema A Viagem à Índia


Um dia Júpiter chamou
Seus pares pra conversar
Queria deles saber
Que posição adotar
Sobre certa viagem
de um certo homem no mar

Deuses foram chegando
Decididos a escutar
Decididos a entender
O que Júpiter tinha a falar
Seria sobre a viagem 
Daquele homem no mar?

Ouviu-se um zum, zum, zum
Eram Deuses a murmurar:
Quem seria esse valente 
decidido a enfrentar
Os mau humores do tempo
E as estranhezas do mar?

Seguiram-se discussões
Concordar ou discordar?
Proteger e garantir 
ou simplesmente negar 
o apoio preciso 
ao valente homem do mar?

Júpiter no seu discurso
Não falou só por falar
Foi ele quem afirmou
Ser preciso apostar
Nos valentes portugueses
Desbravadores do mar

  O poema Os Lusíadas, o épico poético mais conhecido em língua portuguesa e noutras línguas, talvez, foi publicado em 1572 com  o aval do censor oficial da inquisição, o dominicano Bartolomeu Ferreira. Essa obra demorou pelo menos 15 anos até ser concluída pelo seu autor Luís Vaz de Camões (1524-1580). Começou a ser escrita numa prisão de Lisboa e foi concluída provavelmente noutra prisão,na Índia.         Trata do heroísmo do povo português, das conquistas marítimas dos navegantes portugueses, como Vasco da Gama (1469-1524) que descobriu um meio diferente de chegar à Índia: pelo mar. 
 Vasco da Gama foi expressão máxima da navegação portuguesa. 
 O cristianismo e o paganismo se juntam tão perfeitamente na obra de Camões que ao menos avisado pode parecer uma obra feita pós Inquisição. 
 Camões mistura o real ao irreal. 
 Camões conta a história do heroísmo português de um modo como até então ninguém tinha contado. Ele começa do meio para o começo e daí para o final. 
 Os Lusíadas é uma obra composta por dez cantos, partes ou capítulos.
 O IX Canto, como os demais cantos, é fabuloso. Li te ral men te fabuloso. É lá que se acha a Ilha dos Amores, que me levou a gerar arriscadamente o poema que abre este texto. É um canto lindo! É o canto em que o gigante Adamastor é transformado em pedra, pelo simples fato de apaixonar-se por uma Ninfa, mulher de um mágico.
 Pra desenvolver essa obra, Camões fez uso da invenção de um poeta italiano chamado Ariosto. Foi esse poeta que inventou, ainda no século 16, a nova modalidade poética chamada de Medida Nova. Essa modalidade, nova, foi levada da Itália para Portugal por outro poeta: Sá de Miranda, em 1427.
 Mil cento e duas estrofes de oito versos decassílabos formam Os Lusíadas.

Richard Burton

 Estou terminando este texto quando o craque do traço brasileiro Fausto Bergoce telefona prá dizer que gostou demais do poema A Viagem à Índia, que lhe mandara momentos antes. Disse isso e disse mais: que um britânico de nome Richard Francis Burton (1821-1890) foi o cão chupando manga. Esse cara, que nada tem a ver com o maridão da Taylor, a atriz, pintou e bordou.
 Richard Francis Burton foi tudo o que um homem poderia ser na vida, na cama e na mesa. Apreciador de bom vinho, nunca se perdeu pelo copo.
 Burton foi poeta, viajante, antropólogo, tradutor, espião britânico e, cônsul na Pérsia,  no Brasil e em outros lugares. Na China, aprendeu a língua e  os dialetos do país.Até pelo Rio São Francisco ele navegou,antes descobrir a nascente do rio Tanganica, na África.Conviveu com canibais e pigmeus. Esse cabra, dito assim, parece até que não existiu. Do árabe para o inglês ele traduziu As Mil e um Noites e poemas de Catulo, não o nosso, mas o italiano Caio Valério. Quem o mandou ao Brasil foi a rainha Vitória. A Editora Cia das Letras tem uma Biografia muito interessante sobre ele, vale a pena ler. Ah! Richard Burton aprendeu português para ler Os Lusíadas, que pouco depois traduziria. Ele amava Camões.


terça-feira, 20 de novembro de 2018

HOJE E SEMPRE É DIA DE CONSCIÊNCIA



Hoje é o dia nacional da Consciência Negra, feriado em mil e poucos municípios. Em São Paulo, inclusive.
O mês de Novembro, é historicamente, marcante no Brasil. É o mês de tragédias, grandes acontecimentos.
O primeiro grande embate entre o povo e o Exército começou no dia 7 de novembro de 1896 e terminou pouco menos de 1 anos depois, dia 5 de outubro de 1897.Falo da guerra de Canudos. Desse conflito resultou na morte  de 25 mil pessoas, incluindo homens, mulheres, crianças e o líder Conselheiro.  E resultou também no clássico Os Sertões, de Euclides da Cunha, que narra esses acontecimentos tintim por tintim.
O primeiro golpe civil militar derrubou o imperador D. Pedro II e pôs no seu lugar, o marechal alagoano Deodoro da Fonseca, que antes de renunciar ao cargo de presidente fecharia o Congresso. Isso em novembro.
Ao findar a  República Velha, iniciada por Deodoro, começou a República de Getúlio Vargas, que foi de 1930 a 1945. Nesse período, Vargas instaurou o sombrio período do Estado Novo. Isso ocorreu no dia 10 de novembro de 1937.
No dia 29 de Novembro de 1967, morreu o mineiro João Guimarães Rosa, a sua morte ocorreu 3 dias depois de ter sido empossado como imortal da Academia Brasileira de Letras, ABL. Isso é ou não é uma tragédia?
No último dia 8 o STF suspendeu a proibição do Jornal O Estado de S. Paulo de publicar qualquer notícia sobre a família Sarney. Essa proibição durou exatos 3.327 dias. Censura braba!
No último dia 17 a justiça proibiu a Rede Globo de noticiar o andamento das investigações em torno do assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Pedro Gomes. Censura brava rolando de novo no mês de novembro no Brasil.
O Ato Institucional no.5 foi escrito 20 dias antes de ser decretado pelo general  Costa e Silva e anunciado ao País pelo ministro da justiça Gama e Silva, no dia 13 de Dezembro de 1968.
 O AI-5 foi o ato mais violento do governo militar (1964-85) e durou exatos 7.655 dias.
A guerra de Canudos motivou uma quantidade enorme de folhetos de cordel, peças de teatro, músicas, etc.
Em 2002, no livro O Clarim e a Oração (Geração Editorial) eu apresento um levantamento completo sobre Canudos na cultura popular brasileira.
A primeira música que fala de Canudos é o samba "Cabide de Molambo", de João da Baiana, lançado em dezembro de 1931 pelo cantor Patrício Teixeira (disco Odeon, no. 10.000, 883-A). A segunda, tratando do Conselheiro, é a toada "Pai João", de Almirante de Luz Peixoto, lançada por Gastão Formenti, com acompanhamento da Osquestra Victor Brasileira (Victor, no.33595-B) em dezembro de 1932.  
  
Todo esse material, incluindo folhetos, livros, discos,  se acha no acervo do Instituto Memória Brasil- IMB.



                          

domingo, 18 de novembro de 2018

VIVA OS BRASILEIROS CORTEZ E FAUSTO!


Ele nasceu 1 ano uma semana e 1 dia antes de Getúlio Vargas implantar no Brasil o regime político denominado Estado Novo.
Ele foi agricultor, garimpeiro e marinheiro cassado no ano do golpe civil militar que durou 7.665 dias ou de outra forma: 21 anos de regime de recessão que levou a prisão e a tortura de pelo menos 20 mil brasileiros e brasileiras, com perseguição e  mortes etc. Estou falando do nordestino de Currais Novos, RN, José Xavier Cortez, que o tempo transformaria num dos nomes mais conhecidos da indústria editorial do País...
Ele nasceu  bem antes de Cortez.
Diz a lenda que ele insistia para nascer antes do tempo. O seu comportamento no útero materno já indicava que ele  viria ao mundo para registrar em canetas e pincéis o comportamento das pessoas, pobres ou ricas, simples ou poderosas.Dito e feito.  Tudo isso com graça e crítica. Estou falando do paulista de Reginópolis Fausto Bergocce, nascido no mesmo dia e mês em que nasceu o nordestino supimpa José Cortez: 18 de novembro.
O traço da arte de Fausto é único, como único é o de Picasso e Millôr.
Cortez completa hoje 82 anos de vida.
Fausto, como é conhecido por aí afora, nasceu 1 mês, 3 semanas e 1 dia depois que o rei da voz Chico Alves, subia ao céu após um violento acidente automobilístico na via Dutra: 27 de Setembro. Aliás, foi nesse dia que eu nasci.
Esses 2 brasileiros são incríveis e eu sou amigo deles.
José Xavier Cortez, comeu literalmente, o pão que o Diabo amassou. Fausto, também.
Fausto nasceu no tamanho de nada, mas foi crescendo, crescendo e virou quem hoje é. Claro, para chegar onde chegou, fez bicos, caras e caretas. Não nasceu em berço de ouro, mas é ouro para o Brasil.
No primeiro aniversário de Cortez  não houve quem  lhe  cantasse parabéns, por uma razão: a canção Parabéns a Voce ainda não existia em versão brasileira. Isso só foi acontecer em Janeiro de 1951, quando Nilo Sérgio a lançou em disco Todamérica. Essa música, de autoria das irmãs norte americanas Mildred e Patrícia, ganhou versão na nossa língua de Léa Magalhães. Até Roberto Carlos, vejam vocês, a gravou.






sábado, 17 de novembro de 2018

CHORO NA CULTURA

Musicalmente o Brasil é riquíssimo e em tudo, até em pobreza.
Uma porcentagem enorme de cidades brasileiras vivem tempos que parece serem da Idade Média.
A  Idade Média.se não sabem, saibam, viveu 3 fases. A mais pior, como diria Adoniran Barbosa, foi aquela de média nada tinha. Era só loucura, violência e tudo o mais que não presta, que muita gente chama de negra, obscura, etc.
Pois bem, musicalmente e em tudo o Brasil é riquíssimo.....
Na manha de 29 de novembro de 1807, Dom João VI deixou Portugal com Napoleão no encalço. Quer dizer, Dom João naquele dia fugiu da sua terra de origem para aventurar-se no Brasil. 
Naquele tempo, o Brasil economicamente, estava numa pindaíba dos infernos. Tudo travado, como agora.
Logo após chegar ao Brasil, notadamente em Salvador, Dom João botou para quebrar, destravando as amarras econômicas da economia brasileira. Plim plim! e aí, pouco depois de estar em terras firmes, ele abriu os portos. E tudo mudou. Teve zebras, mas tudo mudou.
Musicalmente e em tudo o Brasil é riquíssimo.
O primeiro gênero musical autenticamente, digamos assim, brasileiro é o choro, o chorinho. 
O choro como expressão musical apareceu pela primeira vez numa partitura do flautista José Antonio da Silva calado, em 1870.
Essa história, a história do choro, é contada tim tim por tim tim, na nova série da TV Cultura: O Brasil Toca Choro, que a TV Cultura está levando ao ar todos os domingos a partir das 11 horas. 
Amanhã, 18, é dia de choro na TV Cultura. Antes, clique abaixo para ver o segundo capítulo da série.


A série que a TV Cultura está exibindo sobre choro, foi apresentada à imprensa no final de Outubro, num restaurante da Capital paulista. Estive lá. Antes, no começo do ano, o presidente da Fundação Padre Anchieta que administra a TV Cultura, Marcos Mendonça e eu trocamos idéias no Centro Cultural Rebouças, onde se realizava um Congresso patrocinado pelo News Letter JornalistaseCia. O papo foi choro, no bom sentido.  Abaixo, o registro. 


BOLSONARO NO CORDEL E NO REPENTE

O repente e o cordel
caminham de mãos dadas
encantando gerações
com histórias bem contadas
feitas de improviso
e também a canetadas

Umas são muito tristes
outras são engraçadas
umas são verdadeiras
outras são inventadas
pra fazer quem quiser curtir
dando boas gargalhadas (Assis Angelo)

Os poetas de bancada que escrevem a canetadas e os poetas repentistas que improvisam  versos ao som de violas, historicamente sempre estiveram presentes onde os fatos acontecem. Sempre foi assim, desde que o Cordel e o Repente sentaram praça no Brasil. Quer dizer, desde o século 19.
O paraibano Silvino Pirauá Lima era cordelista e cantador repentista. Ele e seu conterrâneo Leandro Gomes de Barros foram  pioneiros no campo da poesia popular cantada.
O Nordeste  é berço dos grandes cordelistas e repentistas. A obra destes poetas, dos artista do povo, é absolutamente fantástica. Intelectuais do naipe de Ariano Suassuna beberam e bebem ainda no poço encantado do cordel e do repente.
Os ex-presidentes Getúlio Vargas e Lula da Silva foram os mais cantados na literatura de cordel, até hoje.
A corrida eleitoral  que levou Jair Bolsonaro à cadeira de Presidente  não poderia ser ignorada  pelos poetas do povo. Até os veteranos Oliveira de Panelas e Ivanildo Vila Nova afinaram suas violas e desenvolveram um Quadrão Perguntado, que é uma das mais de 100 modalidades identificadas no Reino da Cantoria. Veja:


Caju e Castanha, pernambucanos como Ivanildo e Oliveira, bateram seus pandeiros e desenvolveram
o  tema abaixo:


Muitos poetas cordelistas, como os dois aí abaixo, recolheram-se ao silêncio e puseram no papel os cordéis que declamam:




terça-feira, 13 de novembro de 2018

VIVA JORGE ARAÚJO!


O Brasil é de uma grandeza tão grande que só assim faz-nos entender o que disse Ary Barroso no seu belo clássico: Brasil, meu Brasil brasileiro...
O Brasil é uma terra de gigantes, a parte mesmo do paulista operístico de Campinas Antonio Carlos Gomes. E hoje aqui em casa veio mais um grande, um grandíssimo artista que escolheu a fotografia como meio de fazer-se importante na história. E a história é ele: Jorge Araújo.
Ô coisa boa a gente abraçar gente que faz história.
Jorge Araújo é história, faz história. É grandão.
Eu tive a alegria de trabalhar com Jorge Araújo, repórter-fotográfico. Na Folha.Ele, eu e tantos como, Ricardo Kostcho.
O Jorge sempre esteve além do nosso tempo, além das nossas lentes, dos nossos olhos e muito além do sonho de pensar, a exemplo a mensagem na foto abaixo.
Foi bom demais receber o Jorge hoje, em casa, prá lembrar tantas histórias.
Comemos uma vaca atolada, prato gostosíssimo de Minas Gerais, praticado pela querida Ivone. Uma cachacinha na parada. E uma cachacinha tão gostosinha à mesa, o Jorge me trouxe...
Jorge Araújo conhece mais da metade do mundo todo.
Jorge Araújo comeu o pão que o diabo amassou, dizendo e apostando que a democracia é que faz bem para o povo. Jorge bateu  retrato na cara de ditador, de gente que não presta.
Jorge Araújo é demais!
Estou com saudade do Ricardo Kotscho. 
Viva Jorge, viva Ricardo!

Jorge Araújo é autor da foto da pomba da anistia, que emociona o olhar e correu o mundo todo (ao lado), mas não aprendemos ainda... Não custa ver de novo essa beleza do momento, na praça da Sé, em São Paulo, Diretas  no dia 23 de agosto.Eu estava lá.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

ALMOÇO COM MAJU, NA GLOBO

Ela é especialíssima. Pessoa, persona, gente. Gentil. Profissionalmente, profissionalíssima. Estar com ela é estar diante de um espelho. Ela diz o que a gente quer ouvir e ouve o que a gente quer dizer. E o povo, ouvinte, bate palmas. Isso no jornalismo não é fácil. Nova, bonita, do tamanho de uma deusa. 
Estou falando de Maria Júlia Coutinho, Maju. 
Maju, pessoa incrível, é aquela moça do tempo que a gente vê quase toda noite no Jornal Nacional.
Cabeça boa, pensante. 
Ela arranca da gente tudo o que quer. E mais: Maju procura dar voz aos invisíveis, pessoas que vivem à margem da sociedade por sofrerem algum tipo de deficiência. 
Quem me levou a Maju foi Ci, Cilene Soares. Jornalista que nem eu e ela.
Hoje 8, entre meio-dia e 14h, estive no seu programa na Rádio Globo: Papo de Almoço. Conosco estiveram, ao vivo, o humorista Bruno Motta, o craque em marketing de relacionamento Mauricio Patrocinio e o coach Wilson Nascimento. 
Foi interessantíssimo o encontro que tivemos no programa da Maju. Mil e um assuntos foram postos à baila. Ela cheia de graça e nós na sua onda. O tema principal foi: Vencer na vida. E eu abri assim: 

É um ideal humano
Querer vencer na vida
Mas pra vencer tem de lutar
Correr, tá na corrida
Na vida ou no jogo
Vence o ás a partida

Confiram aí nossa presença no programa Papo de Almoço:















quarta-feira, 7 de novembro de 2018

HOJE É DIA DE ARY BARROSO

No dia 7 de novembro de 1903 nascia em Ubá, Minas Gerais, o filho varão de seu João e dona Angelina, Ary Evangelista Barroso. Ary ficou orfão de pai e mãe muito cedo e foi adotado pela avó materna, Gabriela, que lhe deu as primeiras lições de música ao piano. Quando tinha 12 anos de idade já se apresentava no cinema da sua terra, recebendo pró labore pelo bom desempenho. Foi pro Rio muito novo, ainda. Lá estudou e virou o artista que todo mundo hoje conhece no Brasil e no Exterior.
A primeira composição de Ary Barroso foi o cateretê De Longe, gravada por Gastão Formenti, sob novo título e gênero, Teus Oio, canção, pela gravadora Parlophon, no final de 1929 e lançada à praça em janeiro de 1930.
O primeiro grande sucesso de Ary foi o samba Aquarela do Brasil, gravado originalmente por Chico Alves, no dia 18 de agosto de 1939 e lançada à praça dois meses depois. Dois anos depois foi a vez dessa música receber a primeira gravação internacional, feita pelo norte-americano Lee Broyde. LOgo em seguida, Aquarela integrou a trilha sonora do filme Alô Amigos, dos Estúdios Disney. Curiosidade: Só em 1945, Aquarela do Brasil foi tocada nas emissoras de rádio norte-americanas mais de 2 milhões de vezes. Ouça a gravação original:



Ary Barroso, além de compositor e instrumentista, foi locutor esportivo. Ouça um trecho de suas transmissões: 



Por vários anos o mineiro Ary Barroso apresentou programas de calouros, num dos quais (Calouros em Desfile) a "vítima" foi Luiz Gonzaga, que se transformaria num dos maiores nomes da música popular brasileira. Ouça o humorista José Vasconcelos imitando Ary diante de um calouro:




O Dia Nacional do Rádio é comemorado hoje, 07, em homenagem a Ary Evangelista Barroso. O decreto traz a assinatura do ex presidente da República Luís Inácio Lula Da Silva. Antes a data era 21 de setembro (Governo Vargas).

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

LIBERDADE EM TEMPO DE CAPITÃO

O Brasil já foi presidido por quatro marechais (Deodoro, Floriano, Hermes da Fonseca e Dutra) e cinco generais (Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e João Figueiredo), sem contar a junta militar, formada pelos comandantes da Marinha (Augusto Rademaker), Exército (Lira Tavares) e Aeronáutica (Márcio Melo), que governou o País entre 30 de agosto e 31 de outubro de 1969.
A partir do próximo ano o Brasil será presidido pelo capitão reformado do Exército, Jair Bolsonaro. Não custa ficar de olho nele.
 Outros capitães se destacaram na vida nacional: o gaúcho Prestes e o carioca Lamarca, que escolheram abandonar o Exército para ingressar na militância política.
E teve, também, o capitão Virgulino Ferreira, o Lampião e capitães do mato e capitães de areia, mas essa é outra história...
O período mais longo de militares dirigindo os destinos do Brasil começou em 1964 e findou em 1985. No correr desse tempo houve muitas prisões, mortes e desaparecimentos.
No dia 11 de dezembro de 1964 estreou no Rio de Janeiro a peça Opinião, de Armando Costa, Oduvaldo Viana Filho e Paulo Pontes, dirigida por Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido. No palco Zé Keti, João do Vale e Nara Leão cantavam e discutiam temas do nosso duro cotidiano. Os militares caíram de pau.
No dia 21 de abril de 1965 foi a vez de Millôr Fernandes e Flávio Rangel estrearem a peça Liberdade Liberdade, baseada em textos famosos de Brecht, Shakespeare, Gagarin, Aristóteles, Platão e até de Jesus Cristo, com músicas de Carlos Lira e Geraldo Vandré, entre outros. Essa peça ficou pouquíssimo tempo em cartaz, pois a censura também caiu de pau. No dia 15 de janeiro de 1968 José Celso Martinez dirigiu a peça Roda Viva, de Chico Buarque. O pau também cantou no palco.
No dia 2 de dezembro de 1968, integrantes do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) explodiram bombas no teatro Opinião, no Rio, pondo fim a curta temporada do show Pra Não Dizer que não Falei de Flores, do já citado Vandré.
Opinião foi o primeiro show levado ao palco contra a ditadura militar. Virou disco. Liberdade Liberdade, também. Esses discos se acham no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB.

CELIA E CELMA

Há poucos dias, num sábado, as  mineiras Céia e Celma deram um verdadeiro show de conhecimento musical no programa Paiaia, da Rádio Conectados, apresentado pelo baiano Carlos Silvo, vale a pena ouvi-las de novo. E vê-las. Clique:

https://www.youtube.com/watch?v=xNrIL9B5TlI

domingo, 4 de novembro de 2018

MAR MORTO E CONTRABANDO NOS PORTOS

Mar Morto é um dos mais bonitos  romances do escritor baiano  Jorge Amado (1912-2001). Tocante.  Foi publicado em 1936 pela editora carioca José Olympio. A história transcorre no cais do porto da Bahia. Fala da vida dos marítimos, das prostitutas, dos cachaceiros, do povo. E até de contrabandistas.
A leitura de Mar Morto remeteu-me imediatamente ao atual noticiário envolvendo poderosos da nossa corroída Republica, como Temer e outros e outros.
Ouço dizer que a PF prendeu há poucos dias altos figurões do porto de Santos.
Em Mar Morto, escrito quando o autor tinha apenas 24 anos de idade, aparecem personagens árabes comos Murad e até um certo Haddad.
O romance de divide em 12 partes, tendo como pano de fundo a rainha da águas de Iemanjá, também chamada de Janaína. São muitos personagens que se movimentam nas páginas do livro. Os principais, uns 30, são Guma e Lívia.
Há partes em Mar Morto que levam o leitor a emocionar-se, como quando a mãe de Guma tenta tirá-lo da guarda do tio, o velho marítimo Francisco de muitas histórias colhidas no correr do tempo em que esteve em atividade no mar. Na ocasião Guma tinha 11 anos de idade e não sabia que a mulher que Francisco a apresentou era sua mãe, uma mulher da vida, uma mulher dama, prostituta. O final, então é de encher os olhos do mais insensível leitor.
De fato, Mar Morto é um livraço!
Na história engendrada por Amado, tem briga de morte e duelo com o mar. E traições. E uma mulher incrível, durona: Rosa Palmeirão, que andava com uma navalha na saia e um punhal entre os peitos. Pôs muito homem pra correr, de uma vez só seis. E curtiu duas dezenas de cana. E bebia cachaça como o vagabundo mais perdido. Ao fim e ao cabo, Palmeirão encontra em si a mulher que sempre foi.
Jorge Amado era incrível nos seus escritos e na vida pessoal. Foi amigo de Picasso, Yves Montand, Edith Piaf, Paul Satre, Simone de Beauvoir...Comunista, foi preso junto com Graciliano Ramos no ano do lançamento de Mar Morto. O livro trás cenas chocantes, também. Como a morte de Esmeralda, amante de Rufino e doida por Guma. E vou parar por aqui, antes, um detalhe: Dorival Caymmi inspirou-se na leitura de Mar Morto para compor È Doce Morrer no Mar e Maracangalha.
É Doce Morrer no Mar, toada,  foi gravado originalmente pelo autor em 03.10.1941 (Columbia), e não em 1935 como pensam algumas pessoas. Maracangalha foi gravada pela primeira vez  pelo autor em 13.11.1954. Essa música foi composta na capital paulista, como me disse o próprio Caymmi, em entrevista que fiz para o programa São Paulo Capital Nordeste.Confiram:


CHORINHO

Hoje, de manhã, a TV Cultura levou ao ar o primeiro dos 13 episódios da série Brasil Toca Choro. A cada Domingo será apresentado um capítulo, reprisado nas noites de terças. Ali pelo 4o. ou 5o. episódio estaremos falando sobre o choro do Rei do Baião, Luiz Gongaza. Aguardemos.



quarta-feira, 31 de outubro de 2018

HOJE É DIA DE DRUMMOND

Vamos bater palmas para o Drummond?
O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade nasceu no dia 31 de outubro de 1902, mesmo ano em que o carioca Euclides da Cunha levava a público o seu importante livro Os Sertões.
Em 1928, Drummond publicou na Revista de Antropologia o seu primeiro e mais conhecido poema: No Meio do Caminho.
Esse poema remete ao cidadão que passa grandes dificuldades na vida, que encontra dilemas, situações problemáticas, de enrascada, como ora vive Lula e o Partido dos Trabalhadores.
O PT, criado em nome dos trabalhadores brasileiros, cometeu muitos equívocos no correr de sua trajetória. O primeiro problema veio com a negativa do então presidente Luís Inácio Lula da Silva sobre o Mensalão. Disse repetidas vezes que eram infundadas as acusações envolvendo José Dirceu e outros membros da cúpula petista.
Além do Mensalão, vieram a tona situações extremamente embaraçosas para o PT, encurtando a história: Lula e o PT continuam negando todas as acusações que lhes são feitas.
Hoje, 31, o jornal Folha de S.Paulo traz bombástica entrevista de Ciro Gomes. Ciro diz, com todas as letras "que foi miseravelmente traído por Lula". Diz também que Lula o convidou para ser seu vice. Convite recusado e no seu lugar foi posto Fernando Haddad. E foi o que se viu...
É possível que se Lula e o PT tivessem feito a "mea culpa" a situação atual fosse outra. 
Num debate na televisão a ex petista Marina perguntou a Haddad por que o PT não reconhecia seus erros. Haddad desconversou, e foi o que se viu...
Onte, 30, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse que o PT vai resistir ao resultado das urnas. Pior: disse que o que ocorreu nessas últimas eleições "foi um golpe", mais um.
O poema No Meio do Caminho continua atualíssimo. Tem ou não tem a ver com o que ora se passa nas entranhas do Partido dos Trabalhadores?


No Meio do Caminho

Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra


JUNTA MILITAR

Não custa lembrar faz hoje 49 anos que a Junta Militar foi dissolvida. Durou 2 meses. O Regime Militar instaurado em 1964, expirou para sempre em 1985. Ditadura Nunca Mais. Vade Retro.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

UM DIA DE DOMINGO. E QUE DIA!


O não "mea culpa" do Haddad levou muita gente a não votar no PT. Isso é fato. É fato também que o medo e a raiva fizeram os eleitores escolherem Bolsonaro como novo presidente do Brasil.
Mais de 55 milhões de brasileiros votaram no capitão reformado. Pelo bem, pelo mal. Isso é fato. Na sua primeira entrevista, ele disse que vai respeitar a Democracia e a Constituição. Inda bem, é o que todos esperamos, certo?
Eu fiz a minha parte. Vesti a roupa de domingo, branca e linda, e fui com minha filha Clarissa apostar na urna. Na volta pra casa tive a alegria de reencontrar o querido amigo Jorge araujo (ao lado), com quem trabalhei durante anos na Folha. Ele como repórter fotográfico, premiadíssimo, e eu como repórter. E conversamos, conversamos, conversamos sobre tudo e mais um pouco. Inclusive sobre os erros e destinos do PT.
Haddad postou hoje, de manhã, mensagem no Twitter desejando a Bolsonaro boa sorte como presidente da República. A mensagem é esta:

"Presidente Jair Bolsonaro. Desejo-lhe sucesso. Nosso país merece o melhor. Escrevo essa mensagem, hoje, de coração leve, com sinceridade, para que ela estimule o melhor de todos nós. Boa sorte!"

Bolsonaro governará para todos os brasileiros. Não votei nele, mas não há como não desejar dias melhores para o Brasil.
Em São Paulo o candidato do PSB Marcio França, perdeu por pouca diferença para Dória. França também desejou sucesso a Dória. Detalhe: FHC e Geraldo Alckmin, ao contrário, silenciaram diante da vitória de Dória.





sábado, 27 de outubro de 2018

UM 28 PARA A HISTÓRIA

Cerca de 150 milhões de brasileiros, voltarão às urnas amanhã 28 para escolher 13 governadores de Estado e o do Distrito Federal. Fora isso, será escolhido o presidente que dirigirá o destino do País.
Haddad ou Bolsonaro?
As pesquisas de opinião indicam que o novo presidente será o ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro. Mas seja quem for, governará para todos nós, brasileiros.
Esquerda ou Direita?
A questão não é tão simples assim. A propósito, as ideologias identificadas como Esquerda e Direita não vem bem ao caso. O importante é que o novo presidente e seus aliados tirem o País do sufoco em que está. E essa coisa de dizer que teremos um governo radical, tanto de um lado quanto de outra ideologia é bobagem. O que se pede do novo presidente é respeito por todos nós e pela Constituição.E esse negócio de golpe nem se cogita, embora muitos achem que Bolsonaro  apresenta-se como um perigo real. Eu também acho isso. Bolsonaro tem dito muitas bobagens. Quando ele abre a boca o que se nota é um fedor, uma catinga, um cheiro esquisito. Isso mesmo, ele só diz merda.
Eu sou da safra de  1952 e vou às urnas desde 1989. Naquele ano o Brasil escolheu o alagoano Fernando Collor para dirigir os destinos da Nação. E deu no que deu.
Este ano de 2018 entrará para a história como o ano mais difícil para o Brasil: Bolsonaro ou Haddad? essa é a questão....
O voto é um belo  exercício democrático.







quinta-feira, 25 de outubro de 2018

TODO DIA É DIA DO REI DO BAIÃO

Luiz Gonzaga foi um dos maiores autores musicais do Brasil. E noutra ponta foi, especialmente, uma das mais representativos símbolos do Nordeste.
Luiz, filho de S. Januário e D. Santana, nasceu no dia 13 de dezembro de 1912. Ele deixou registradas, na sua voz, mais de 600 músicas. Entrou para a história como inventor de gêneros musicais, como o forró e o baião. E gravou com sua sanfona mágica, os mais diversos gêneros musicais. Dentre os gêneros musicais que gravou, estão o choro e a valsa.
No dia 07 de Outubro de 1942, no Rio de Janeiro, Luiz Gonzaga gravou Aquele Chorinho e Ligia, respectivamente um choro e uma valsa. Clique:




A obra de Luiz Gonzaga é uma obra riquíssima, bonita sob todos os ângulos. Ele gravou muita gente e com muita gente.
Nos cabarés do Rio, ele cantava músicas suas ainda desconhecidas e músicas de artista já consagradas pelo público como o baiano Dorival Caymmi, que um dia me disse em entrevista que deu ao programa (São Paulo Capital Nordeste) que eu apresentava na rádio Capital AM 1040:"é, ele cantava minhas músicas. Eu gostava do jeito dele cantar".
Somente hoje ouvi o documentário produzido pela TV Câmara. Compartilho com vocês. Cliquem:



VANDRÉ
Como Luiz Gonzaga, Geraldo Vandré deixou marcas muito bonitas na Música Popular Brasileira. Clique:


INFANTO JUVENIL
Eu escrevi mais de um livro sobre Luiz Gonzaga. O primeiro, Eu Vou Contrar Pra Vocês, foi publicado sem a presença dele. Ele partiu antes, sem nada combinar, como diria o querido Boldrin. O último Lua Estrela Baião foi publicado no ano de seu centenário de nascimento pela Cortez Editora. A capa desse livro é essa aí embaixo.



ALAÍDE COSTA
Logo mais a noite, a cantora carioca alaíde Costa estará se apresentando na unidade SESC Carmo.É uma das vozes mais envolventes da nossa música. É pouco conhecido seu lado de compositora. Ela compôs duas músicas com Geraldo Vandré. Conheci de perto Alaíde, a mim apresentada pela rainha do baião Carmélia Alves. Se eu fosse você, meu amigo minha amiga, eu deixaria tudo de lado para ir bater palmas para Alaíde. No dia 8 de Dezembro ela completará 83 anos de vida emais de 60 de vida artística. O SESC Carmo fica ali ao lado da Estação Sé do metrô paulistano.






VLADIMIR HERZOG ESTÁ VIVO!



O jornalista e escritor Graciliano Ramos nasceu no dia 27 de outubro de 1892. Muito cedo aprendeu a contar histórias. A inventar histórias. Casou-se teve uma penca de filhos. No começo dos anos de 1930, publicou o primeiro livro: Caetés. Corria o Estado Novo quando a polícia de Getúlio mandou prendê-lo.
No dia 16 de janeiro de 1976, o operário Manuel Fiel Filho foi preso pelos carrascos da Ditadura Civil-Militar de 64 e morto sob tortura, no dia seguinte.
O que havia em comum entre Graciliano com Manuel?
Graciliano e Manuel eram Alagoanos de Quebrangulo.
Dois meses e três semanas antes da prisão e morte de Manuel Fiel Filho foi a vez de o jornalista Vladimir Herzog apresentar-se ao DOI-Codi para “esclarecimentos”.
A morte de Vlado ocorreu no dia 25 de outubro de 1975, ou seja: há exatos 43 anos completando-se hoje....
O que levou a polícia a prender e fazer o que fez com esses três brasileiros?
Graciliano Ramos, Manuel Fiel Filho, Vladimir Herzog foram acusados de seguirem  a ideologia comunista.
A  história do Vlado é  contada minuciosamente no livro As Duas Guerras de Vlado Herzog, escrito pelo jornalista alagoano Audálio Dantas (1932-2018).
Audálio foi presidente do Sindicatos dos Jornalistas no estado de São Paulo e da Federação do Jornalistas (FENAJE) e também, da Comissão Nacional da Verdade.
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB  se acham um LP contando em versos a história do operário Manuel e discos que contam a história do rádio no Brasil. Num desses discos produzidos pela BBC de Londres,  é possível ouvir a voz de Vlado. É documento.
Vlado era professor de jornalismo da USP, além de diretor de Jornalismo da TV Cultura.
No último dia 2 o jornalista Jamal Khashoggi, do Washington Post, foi ao consulado da Arábia Saudita, na Turquia, para apanhar documentos pessoais e de lá não mais saiu. Foi torturado, morto e esquartejado pelas forças do governo Riad. Quer dizer: a prática de matar jornalista e escritor ainda está viva no mundo.
Não custa ficar de olho no Bolsonaro.
Ah! outro dia fiz um poema em memória do Valdo. 




quarta-feira, 24 de outubro de 2018

O PT NO DIVÃ

Uma vez disse Santo Agostinho que preferia os críticos por lhe corrigir aos puxa-sacos que corrompem.
Lula não leu isso, se tivesse lido a história do PT seria mais bonita.
Há poucos dias o senador eleito pelo PDT-CE, Cid Gomes, criticou o PT diante de petistas em reunião. Foi direto. Disse que o PT ia perder por não fazer "mea culpa". 
Ontem, 23, o cantor e compositor Mano Brown tomou fôlego e coragem para dizer que o PT esqueceu a língua do povo e por isso deve perder a corrida à presidência da República. Ouça:


Mano Brown, paulistano do Capão Redondo,  foi vaiado mas recebeu o apoio de Caetano Veloso que se achava a seu lado, junto com Chico Buarque e Fernando Haddad. 
Os problemas todos que estão mexendo com a vida do PT merecem estudo e, quem sabe, uma ida ao psicanalista. 
A cabeça do PT está doida.
Da semana passada prá cá, Haddad tem ensaiado fala sobre o reconhecimento dos erros petistas. Ontem mesmo, na Lapa carioca, ele chegou a concordar, embora timidamente, com o que disse Brown.
A campanha política à Presidência está em nível baixíssimo. Principalmente nesses últimos dias.
Bolsonaro, o líder nas pesquisas de opinião, tem xingado mais o seu concorrente do que apresentado propostas de governo. Diz que vai metralhar os vermelhos, que vai isso, que vai aquilo. E um dos seus filhos chegou a usar a internet para dizer que o STF pode ser fechado com a ação de um cabo e um soldado. Um horror!
Quando Bolsonaro abre a boca só diz besteira. 
O evangelista Mateus disse que o mal não é o que entra pela boca, é o que sai. Mas Bolsonaro, embora venha fazendo citações bíblicas, também é sujeito de pouca leitura, de visão curta, perigoso.
Há muita mentira nessa campanha de ambos os lados. E provocações assustadoras.
"Antes de mais nada eu vou votar no PT porque o Haddad é sério, ele foi o melhor ministro da educação e se o outro candidato ganhar eu não sei o que será do setor livreiro e do povo brasileiro".
Essa fala aí aspeada é do editor José Xavier Cortez. A propósito, a Cortez Editora publicou o livro, já esgotado,  Prá Que PT, que reúne artigos dos principais criadores do partido.
Votar no Bolsonaro é como votar no Dória. É como dar um cheque em branco, assinado, a quem não se conhece.
Nessa história toda, aparentemente o menos ruim é Haddad. Mas a fala corajosa do Mano Brown vale por mil tratados sociológicos ou antropológicos, que os petistas saibam levá-la em conta, chegando ou não ao governo neste momento. Porque o PT perdeu o rumo, não evoluiu no correr dos anos e acabou se tornando um partido comum. Para se recuperar ainda vai ter que comer muita poeira.
Acho que foi no livro O Imoral, do francês André Gide, que li algo como -Só não mudam de opinião os sábios ou burros assumidos.



















POSTAGENS MAIS VISTAS