Alguém
aí lembra de um cearense chamado Armando Falcão (1919-2010)?
Esse Armando foi ministro da justiça no tempo da ditadura militar. Ficou famoso pelo
jargão “Nada a declarar”.
E da
Lei Falcão, alguém aí se lembra?
A Lei
Falcão, de número 6339/76, foi criada pelo referido cidadão no tempo que ocupou
a pasta da Justiça.
A
finalidade da Lei Falcão era limitar a propaganda eleitoral, no rádio e
televisão.
Corriam
os tempos em que existiam no País apenas dois partidos políticos, a Arena e o
MDB.
Hoje
há 35 partidos ocupando cadeiras na câmara e no Senado...
O
ministro Armando Falcão detestava jornalistas. Detestava mas não os agredia,
como faz hoje o presidente da República.
Pois
bem, lembrei-me de Falcão após ouvir estarrecido a notícia que dá conta de um
grupo de funcionários públicos municipais impedindo o desempenho de jornalistas
profissionais que cobrem a área da saúde no Rio de Janeiro.
Esses
funcionários, pagos naturalmente com dinheiro procedente de impostos, foram
treinados e distribuídos em grupos para “defender” o prefeito do Rio de
Janeiro. São chamados de “Guardiões do Crivella”.
Isso
não pode, de maneira alguma acontecer.
Esses
funcionários agem como verdadeiros milicianos, paus pra toda obra. São cavalos
do Cão, poderia eu resumir.
Esses
cavalos do Cão são todos bolsonaristas declarados, como o prefeito Crivella.
O
Brasil e os brasileiros de bem precisam estar atentos às investidas desses
grupos preparados para minar a democracia.
Justiça
neles!
'GUARDIÕES DO
CRIVELLA':globoplay.globo.com/v/8822333/
Na sempre temerosa saída do Presidente do Palácio da Alvorada, uma tresloucada fã pede para que ele proíba a aplicação da futura vacina contra a Covid-19. Resposta do Presidente Bufão: "A vacina não será obrigatória".
Isso fez-me lembrar a Revolta da Vacina, em novembro de 1904.
Naquele ano, os cariocas se rebelaram contra a obrigatoriedade da aplicação da vacina criada para combater a varíola. Até políticos foram contra. E o resultado foi o que se viu: muitos mortos.
A fala da tresloucada mulher remeteu-me à gripe espanhola que dizimou milhares de pessoas no Brasil e milhões mundo afora, em pouquíssimo tempo.
Naquele tempo não havia vacina contra essa gripe, que o presidente certamente classificaria de "gripezinha".
A fala da inoportuna mulher fez-me também lembrar da Segunda Guerra Mundial, desencadeada na manhã de sexta feira 1 de setembro de 1939.
A Grande Guerra começou com a invasão da Polônia pela Alemanha nazista liderada pelo assassino Adolf Hitler.
Algum leitor desavisado poderá perguntar o que tem a ver isso tudo com a fala daquela mulher ao prepotente Presidente do Brasil.
A gripe espanhola matou mais do que a Segunda Gerra Mundial.
Até agora, a Covid-19 já matou mais de 800 mil pessoas.
Nos tempos de antigamente, não havia vacina e orientação da Medicina ao povo, certo?
Ah sim! Ia-me esquecendo: o Brasil participou da Grande Guerra, enviando cerca de 25 mil pracinhas.
A expressão "pracinha" tem a ver com jovens montando praça, alistando-se no Exército.
Dos 25 mil soldados do nosso brioso Exército, cerca de 1500 não voltaram.
O poeta Guilherme de Almeida (1890 - 1969) e o maestro Spartaco Rossi (1911 - 83) compuseram a bela Canção do Expedicionário, gravada pelo Rei da Voz, Chico Alves (1888 - 1952). Ouçam:
Hoje faz um ano que navios despejaram óleo no nosso Atlântico. Foi uma tragédia, tragédia que continua sem que sejam identificados e punidos os responsáveis. Irresponsáveis.
Como uma coisa puxa outra, um dia, uma data, lembrei-me da nossa boa música. E de amigos como o jornalista e compositor Ayrton Mugnaini. Ayrton encerra mais uma etapa da vida, hoje.
Ayrton tem muitos livros publicados. Uns 30. Todos sobre música e músicos.
Tudo que ele faz, faz bem. É um doido apaixonado por música e discos dos tempos idos.
Além de mil coisas que faz, Ayrton é tradutor juramentado (inglês) do Estado de SP.
Foi não foi, esse Ayrton dá por cá, suas caras. E sempre me trás discos de ontem, antigos, de 78 rpm, de que gosto muito.
Na foto acima aparecem, pela ordem, da esquerda para a direita: Ayrton Mugnaini Jr., Alcides Campos Filho, Bill Hinchberger, Sara Lee Monroe, Assis Ângelo e Teo Azevedo .o
Parabéns, Ayrton. Pra você, mais uns sessentinha.
Pra relaxar ouçamos uma das peraltices do Ayrton:
Eu já fui estudante. Aprendiz de estudante, como o Mário. Estudante sempre.
Vocês leram O Turista aprendiz?
Esse livro trás como grande personagem o cantador de Coco Chico Antônio. Conheci-o.
Tudo é fundamental na vida. Ler, ler, ler, não é mesmo?
Falando com um amigo muito jovem sobre leitura, perguntei: você gosta de ler?
Esse jovem, o menino de 11 anos disse an han.
O Brasil inteiro está vivendo uma loucura identificada como Pandemia, provocada pelo Novo Coronavírus.
Temos que aprender com isso, também.
Eu tenho o maior carinho por estudantes. Eu sou estudante. Estudo tudo sobre tudo que tenha a ver conosco. Simples, não é?
Há uns dois, quase três anos, eu dei uma entrevista a um grupo de estudantes da Universidade do Vale do São Francisco, BA. Falei mais ou menos o que estou falando, agora. Confira:
DIA DO VAQUEIRO
O Dia Nacional do Vaqueiro é comemorado em agosto, 29. Hoje.
Antes de o vaqueiro ganhar seu dia teve sua atividade reconhecida com profissão.
A Lei que reconhece o vaqueiro como profissional é a de N° 12.870, de 15/10/2013. Foi sancionada pela presidente Dilma.
Mato Grosso é o Estado com o maior número de cabeças de boi. O segundo Estado é Goiás e o terceiro, Mato Grosso do Sul.
MOREIRA DE ACOPIARA
Um dos grandes poetas que o País nos dá.
Moreira vai está daqui a pouco no programa Em Quarentena, apresentado pelo cara Carlos Sílvio. A beleza das palavras, perguntas e respostas se confundirá no papo dos dois, Moreira e Carlos Sílvio.
Confira no Instagram @cspaiaia. às 20h30.
Você
sabe quem foi Chico Antônio meu amigo, minha amiga?
Chico,
de batismo Francisco Antônio Moreira, nasceu no dia 20 de setembro de 1904, no
lugar de nome Pedro Velho, RN.
Esse
Chico foi incrível.
Esse
Chico foi cantador de coco de embolada, que é um tipo de música feita por
artistas anônimos no Brasil.
Vocês
sabem da importância de Luís da Câmara Cascudo e do carinho e admiração que
tenho por sua obra, não é mesmo?
Pois
bem, cascudo convidou o paulistano Mário de Andrade (1893-1945) para conhecer a
sua terra, o Rio Grande do Norte.
Convite
feito, convite aceito.
Rolava
o fim do ano de 1928.
E lá
estava em dezembro, na casa do Cascudo, uma das luzes da Semana de 22.
Encurtando
a história:
Mário
encantou-se com o Rio Grande do Norte, encantou-se com o sol, com o céu, com o
vento, com o mar daquela terra. E também encantou-se com um cantador de coco
Chico Antônio.
No
dia que conheci Chico Antônio, foi o dia que conheci rolando Boldrin. Chico era
de uma espontaneidade singular.
Antes
de gravar a participação do programa do Boldrin (Som Brasil), chico começou a
cantar com um amigo seu. Boldrin não sabia o que era coco de embolada, e eu
disse: “isso é coco de embolada”.
Ele
não gostou do que eu disse.
Mas
coco de embolada, meu deus do céu, é coco de puxador de coco de embolada.
Simples, não?
Na
ocasião, Chico Antônio estava lançando o seu primeiro e único LP intitulado Na
Pancada do Ganzá.
Beleza
pura, esse disco.
Foi o
ritmo desse disco/Chico que encantou Mário de Andrade.
Chico
Antônio é o principal personagem do livro Turista Aprendiz, de Mário.
A
cultura popular representada por gente como Chico Antônio é o que enobrece o
Brasil.
No
acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acham o disco do Chico e o livro do
Mário, E outras centenas de discos que registram a presença de poetas
repentistas que dão identidade ao nosso País.
Na
Pancada do Ganzá foi um disco gravado nos dias 26 e 28 de agosto de 1982. lançado pela
Funarte.
Chico
Antônio morreu em outubro de 1993, mês e ano em que boa parte do Brasil
comemorava o centenário de Mário de Andrade.
Os fatos ocorrem na velocidade do raios. Em tudo quanto é área, de norte a sul do País. Com tiroteios, inclusive.
E agora no momento em que se discute o retorno às aulas, o IBGE informa que somos
atualmente 211.755.692 brasileiros habitando os 26 Estados e o Distrito
Federal.
A
pandemia provocada pelo novo Coronavírus escancara as chagas sociais em que vivemos.
São cerca de 100 milhões de brasileiros vivendo em condição de miséria.
Além
de saneamento básico, falta até comida na mesa dos mais pobres.
É
enorme também o número de pessoas que vivem nas ruas, sem teto pra se abrigar.
São
milhões e milhões de desempregados e, mesmo sem grana no caixa, o presidente
promete continuar a dar o que o erário não tem. Isto é: fazer graça com o chapéu alheio, estendendo, assim, o "auxílio emergencial" previsto no "orçamento de guerra".
Especialistas da área de Economia temem que a "graça" do Presidente fure o teto do orçamento. Se isso ocorrer, estaremos ainda mais lascados. É o que dizem.
O prefeito de São Paulo está adiando mais e mais o retorno as aulas.
Em todo o País o total de estudantes se aproxima da casa dos 48 milhões, incluindo o ensino
Médio, Fundamental e Superior.
Ensino
é coisa séria, não é guarapa.
Embora
mal remunerados, os professores dão a alma para ver se os alunos concluem os
estudos. Os números, porém, indicam uma realidade gritante: 56% desistem da
faculdade antes de concluírem um curso.
Em
muitos casos os professores sentem-se incapazes de convencer os alunos a darem
prosseguimento aos estudos. Principalmente nos morros, nas favelas, do País inteiro. Há casos em que eles chegam até a jogar fora os
livros, cadernos e lápis. E casos também que familiares chegam a vender material
escolar e até merenda fornecida por instituições e órgãos oficiais.
Dados
do IBGE colhidos em 2010 mostram que haviam 6.329 favelas no País. As maiores, em São Paulo e Rio. Nesses conglomerados foram identificados 11,4 milhões de pessoas,
incluindo crianças e adolescentes.
Em
2010, a população do País era de 190,7 milhões de pessoas. Desse total, 51,5
milhões achavam-se em idade escolar. Em idade escolar, entenda-se,
estudantes na faixa dos 4 a 17 anos.
O
número de estudantes matriculados tem registrado queda. Isso é mal.
Dados do IBGE
de 2019, só no Ensino Médio, a baixa foi de 4%.
E a
figura do nem-nem, hein?
Nem-nem
é o estudante que não estuda e nem trabalha. Os números assustam: 11 milhões de
jovens de 15 a 29 anos de idade nessa situação.
Em um
ano e meio de governo Bolsonaro, 2 ministros da Educação já escafederam-se. O
terceiro acaba de chegar...
No
correr desse mesmo tempo, foi extinto o ministério da Cultura. E o da Saúde
está sem titular até agora.
O
ministério do Meio Ambiente está cuidando de acabar com as matas, incluindo a
Amazônia. E os índios.
Os
ministérios estão cheios de militares. Lugar de militar, todos sabem, é o quartel. Ou nas ruas, em tempo de guerra.
Enquanto
isso, o presidente continua fazendo campanha à reeleição e reforçando sua
figura de político populista. E batendo nos jornalistas.
Ainda ontem 27 o Brasil chorava a morte de uma mãe atingida por balas perdidas num tiroteio, ao defender o filho de três anos.
Hoje, desde cedo, essa tragédia é posta de lado ante a notícia de que o governador daquele Estado fora afastado do cargo, acusado de corrupção.
Ah,
sim! Em 1918 o presidente Delfim Moreira assinou um decreto
passando de ano todos os estudantes. Naquele ano, a Gripe Espanhola matava
milhares e milhares de brasileiros. E esse foi o motivo do decreto do Presidente.
Os
direitos humanos são desrespeitados todos os dias, em todos os cantos.
O
primeiro cidadão portador do novo Coronavírus desembarcou no Aeroporto
Internacional de Guarulhos no dia 26 de fevereiro deste ano da pandemia de
2020.
O cidadão,
de 61 anos, é de São Paulo. Recuperou-se.
No
dia 26 de agosto 1789 a Assembleia Nacional da França aprovava o Dia da
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Ixe, que nome esquisito!
Tudo
a ver com a tomada da Bastilha, em Paris.
O Dia
da Declaração etc., que deveria ser só Dia do Cidadão, serviu de base para a
Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em sessão extraordinária da
Organização das Nações Unidas, ONU, no dia 10 de setembro de 1948.
O
Brasil teve representante entre os representantes das Nações, que aprovaram a
declaração universal dos direitos humanos. Seu nome: Oswaldo Aranha
(1894-1960).
Aranha
era embaixador do Brasil em Washington, EUA.
Os
brasileiros pobres e negros apanham todos os dias no Brasil e no mundo todo.
Os
Estados Unidos da América, EUA, são exemplo do combate à liberdade. Aqui, como
lá, pobres e negros não tem vez.
Bolsonaro
já deixou claro muita vezes que é um apaixonado, fã de carteirinha, do
criminoso Trump.
Trump,
como Bolsonaro, sempre desqualificou a imprensa no tocante ao novo
Coronavírus/Covid-19.
Ontem
25 Trump, na convenção do seu partido republicano, disse que os democratas
americanos estão usando a Covid-19 para rouba-lhe o cargo de presidente.
A
eleição para escolha de novo presidente, nos EUA, está marcada para o dia 3 de
novembro.
Por
cá também haverá eleição este ano. Será também em novembro. Primeiro turno dia
15 e segundo, 29.
Bolsonaro
faz tudo que o Trump faz. Agora mesmo, por exemplo, Bolsonaro taca o pau em
riba dos jornalistas, da imprensa, do mesmo modo que faz o fella Trump.
E nós
brasileiros, hein?
O
povo pobre e negro inda continua lascado, aqui e alhures.
O
novo Coronavírus continua matando o povo, principalmente pobres e negros.
Conversa vai conversa vem, Vito lembra o quão engraçado e cáustico era o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912 - 1980). Realmente, Nelson era incrível.
Nelson, a propósito, viveu a pandemia da gripe espanhola.
Ele era chegado a palavrão, mas recomendava seu uso em doses homeopáticas, digamos assim.
Por que o nome de Nelson veio à baila?
É que no texto anterior deu-me vontade de recomendar ao presidente Cloroquina a leitura do livro, Dicionário do Palavrão e Termos Afins, do pernambucano, como Nelson, Mario Souto Maior.
Este ano é o ano do centenário de nascimento do Mário.
Expliquei a Vito que não iria cair nessa esparrela por suspeitar que o presidente pudesse com isso ampliar o seu repertório de palavrões contra jornalistas, especialmente. Também não lhe recomendaria a leitura de quaisquer dos livros do Nelson.
Palavrão é coisa pra se respeitar.
Palavrão só deve ser usado em momentos apropriados.
Um padre, por exemplo, ao levar uma topada, não vai clamar o nome do Senhor, ou vai? Duvido.
Seria engraçado ouvir um "puta que pariu" da boca de uma freira ao cair depois de escorregar numa
casca de banana, ou não? Duvido que clamasse o nome do Senhor.
Duvido que o Cristo, num momento de raiva, de traição, clamasse o nome do Pai.
Já o nosso presidente...
Bons tempos aqueles vividos na infância.
Vez ou outra ainda aparece um besta dizendo que eu não tive infância, que já nasci com 18 anos.
Naqueles tempos dos 50 criança chamava mulheres e homens de senhor e senhora. respeito total aos mais velhos, independentemente se fosse da família ou não.
Ao respondermos um xingamento com outro xingamento, era o máximo!
Sentiamo-nos fortes e tal.
E ao alcançarmos a puberdade, hein?
Quando na nossa cara surgiam os primeiros pelos, afe!
Cara de pau era expressão que ainda não existia.
Hoje cara de pau é uma expressão muito corriqueira, usada com muita frequência. E cade certinha no presidente.
Sim, o presidente é cara de pau!
Cara de pau aplica-se ao sujeito arrogante, metido a besta, prepotente. É o cara que mene deslavadamente. Tipo gente que não presta.
Se um presidente chama um repórter de bundão, qualquer um pode chamá-lo também de bundão. É ou não é?
Eu sou de um tempo que fica ali atrás em quenos respeitávamos. Eu já disse isso. Não disse é que de tanto respeito, não só cumprimentávamos, como pedíamos a benção a padres que topávamos no caminho de casa, da escola etc.
Respeitávamos os animais: cachorro, gato, papagaio... E hoje é o que se vê, desrespeito a tudo e a todos.
Acho que o presidente deveria tomar tenência e respeitar o cargo e, de tabela, a nação que o elegeu.
Se Bolsonaro soubesse ler, coisa que não sabe, eu lhe recomendaria a leitura de livros didáticos e de boas maneiras. E recomendaria também, obras de José de Alencar, Machado de Assis, Lima Barreto, José Américo de Almeida, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Guimarães Rosa, Jorge Amado...
Recomendaria também que lesse folhetos de cordel, inclusive os que escrevi falando dele e da pandemia provocada pelo novo coronavírus.
Hoje 26 de agosto, faz seis meses que o diacho desse vírus desembarcou no Brasil e América Latina pelos portões do Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Pois é, faz seis meses que a gripezinha chegou botando pra quebrar.
Quem nasceu no Nordeste ali pelos anos de 1950 saberá o que agora digo: a molecada daquele tempo, sem saudosismo, era muito incherida.
Incherida quer dizer atrevida, metida a besta, que falava palavrão como se fosse palavrinha. Isto é: palavrão sem a conotação de agressão.
Aliás, a molecada dos anos de 1950 respeitava o próximo e os adultos. Mas aprontava.
Naquele tempo dos anos 50, um pouco antes ou depois, a meninada era incherida porque adorava fazer da palavrinha um palavrão. Exemplo?
Lembro quando, ali com meus oito, dez anos, um moleque da minha idade ousava me chamar de fela da puta.
Eu ficava uma arara, quando um bostinha me chamava de fela da puta.
Quando me chamavam de fela da puta, ou eu chamava os outros de fela da puta, a resposta era: "fela da puta é quem me chama/ fela da puta é araruta/ teu pai é corno/ tua mãe é puta".
Dizíamos isso com a cara feia, cheia de ira, raiva. Era um desabafo.
Sabem aquela coisa de torcida xingando juiz? Pois é.
Lembro disso tudo, porque ouvi há pouco notícia dando conta de que o nosso querido presidente da república chamou, ousadamente, os jornalistas de bundões. Que horror! Que ousadia, vinda da boca de um presidente!
Se isso fosse dito naqueles tempos passados a que há pouco me referi, é certo que algum moleque responderia cheio de raiva: "bundão é quem me chama...".
Coisa triste, não é mesmo?
Como é que pode o presidente não respeitar a cadeira, a faixa e o cargo importantíssimo que o povo, através da urna, lhe concedeu?
É bom respeitar para ser respeitado, não é mesmo?
Quem não respeita, corre o risco seriíssimo de não ser respeitado.
Pois bem, bundão é quem me chama.
Que merda!
Acabo de receber a notícia, trágica, de que o poeta-cantador-repentista paraibano Pedro Bandeira acabou de morrer. Ele nasceu em maio de 1938.
Pedro era incrível, ele não era incrível porque simplesmente era amigo meu.
Pedro era aplaudido Luís da Câmara Cascudo, José Américo de Almeida e grandões de todos os tamanhos.
Pedro cantou pra analfabetos, letrados e poderosos do Brasil e de fora do Brasil como Mário Soares, de Portugal. Ele e Geraldo Amâncio, outra grandeza do repentismo brasileiro.
Estou triste que nem uma estrela cadente.
Pedro foi uma figura fantástica. Foi não, é.
Pedro Bandeira deixou centenas de folhetos de cordel publicados e discos gravados por aí afora.
Pedro deixa mulher e duas filhas.
Uma pergunta solta no ar, eu deixo: para onde vai o acervo particular de Pedro Bandeira?
Pedro Bandeira, junto com Padre João Câncio e Luiz Gonzaga criou a Missa do Vaqueiro.
Pedro Bandeira e Luiz Gonzaga foram recebidos, efusivamente, pelo Papa João Paulo II.
O resto é história.
O dia 24 de agosto de 1954 amanheceu trazendo perplexidade.
Perplexidade também trouxe para o Brasil a manhã do dia 24 de agosto de 2020.
No primeiro caso, a corrupção incomodou o presidente Getúlio, que encerrou sua vida com um tiro no peito. Clique: https://assisangelo.blogspot.com/2015/11/conversa-suicidio-e-paz.html
No segundo caso, a corrupção incomodou o presidente Bolsonaro, que preferiu agredir um repórter.
Getúlio foi ditador entre 1930 a 1945. Após renunciar, ele voltou pelo poder das urnas.
Os jornais de hoje 24 trazem a notícia de que Bolsonaro preferiu atacar um repórter a responder a pergunta sobre a origem de 89 mil reais depositados pelo ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz na conta da primeira dama, Michele Bolsonaro.
Agredir, humilhar, ignorar jornalistas é o que mais tem feito o marido da Michele.
Ignorância e grosseria são as suas marcas comportamentais. Com isso ele não só agride a imprensa como agride, ignora e menospreza a Nação brasileira.
O projeto de Bolsonaro é perpetuar-se no poder como ditador, claro. Claríssimo. Mas não sabe ele que isso ele não pode fazer. Muita coisa ele pode como presidente, mas tomar de si o próprio poder, não. Isso é golpe. Mais ainda, autogolpe. Absurdo, não? E bom que se diga que o Brasil está mais preparado para seguir em frente, democraticamente, do que em tempos passados quando a ditadura nos roubou a liberdade.
A imprensa internacional mostra esse novo absurdo de Bolsonaro, que não contém os ímpetos de agredir os jornalistas e desrespeitar as leis contidas na Constituição.
Bolsonaro é contra a liberdade.
Só no primeiro semestre deste ano ele agrediu jornalistas e a imprensa 245 vezes. E está solto, como se vê.
Está mais do que na hora de Jair Messias Bolsonaro pedir licença para se tratar. No hospício, talvez.
As três estrofes aí fazem parte do cordel Jornalismo e Liberdade nos Tempos de Pandemia, que escrevi e publiquei no dia 1 de junho. Caso queira lê-lo inteiro, clique: https://institutomemoriabrasil.com.br/
Representante do mal Da dor e da maldade Inimigo do bem comum Avesso à fraternidade Bolsonaro prende muito Mas não prende a liberdade Repórter cobre tudo Cobre guerra e eleição Operação tapa-buraco Virada de caminhão Discurso de papagaio Assalto e corrupção Nunca fura a pauta E faz tudo sempre legal Está em todo canto Num parque, num hospital Num trem, num bar, num barco Como se fosse normal
Vocês já sabem que eu gosto de data, não é mesmo?
Gosto de datas pelo fato puro e simples de nos lembrarem personagens e episódios marcantes da vida Nacional e do mundo.
Hoje, por exemplo, é o Dia Internacional da Lembrança do Tráfico de Escravos. Foi criado pela UNESCO.
Na madrugada de 23 de agosto de 1791 os negros escravos da ex colônia francesa de de São Domingos se revoltaram pela crueldade como eram tratados e partiram para o pau. Ao fim de tudo, a liberdade.
Mas isso não aconteceu do dia pra noite, simplesmente.
A primeira vitória veio em 1794. A segundo e última, em 1804.
Com a vitória final, São Domingos virou Haiti.
O Haiti já foi chamado de Pérola da Antilhas.
O Haiti, embora de terreno fértil e apropriado para a lavoura de cana de açúcar, vive às voltas com crises políticas e financeiras.
Além das brigas de poderosos, o Haiti sofre de terríveis tragédias naturais.
A eterna briga entre pobres e ricos, brancos e negros ponhe o mundo em alvoroço.
Tudo indica, a história mostra isso, que não teremos paz entre nós.
Nem com as pandemias aprendemos a viver em harmonia.
Estamos condenados por nós mesmo a viver em conflitos, em guerra, acabando tudo e todos.
A polícia e o sistema adoram matar pobres e negros.
No Brasil convivem conosco pelo menos 90 mil haitianos.
Em 1987, o baiano Caetano veloso compôs uma pérola a que intitulou Haiti.
Ouça:
CACÁ LOPES
A edição 152 do programa Em Quarentena, do bom baiano Carlos Sílvio é com o cantor e compositor e instrumentista pernambucano Cacá Lopes.
Cacá é um dos mais talentosos e inspirados artistas brasileiros. Nasceu em Araripina, PE.
O programa vai ao ar logo mais às 20h30. Não perca. Instagram: @cspaiaia
Antes de assistir ao vivo Cacá no programa do Sílvio, leia: https://assisangelo.blogspot.com/search?q=cac%C3%A1+lopes
Uma coisa bem legal Pra vocês eu vou contar Tem haver com nosso povo Nossa gente, nosso lar Está em todo o canto Se quiser é só chamar Seu nome é folclore Fácil, fácil de guardar Nasceu há muito tempo querendo só ensinar É o poço do saber É a cultura popular Tem de tudo para todos No campo da brincadeira No campo do Encantando Do Bumbá, mulher rendeira Da Mula-sem-cabeça E da mentira verdadeira Nas noites de Lua Cheia Tem Lobisomem berrando Mulher virando cobra E filhos feios gerando Fora isso bom é ver Sereias no mar cantando
Nos rios tem Iara E também o Boto, sinhá Nas matas o Curupira Brincando com Boitatá E no céu de brigadeiro Eu não sei que tem lá! Agosto 22 Foi feito pra festejar O Dia do Folclore Da cultura popular No Brasil, no mundo todo Todo mundo quer brincar
Pois é, minha gente, hoje é o Dia Internacional do Folclore. A criação desse dia comemorativo deve-se ao arqueólogo inglês William Jhon Thoms (1803-85). Em 1846, Thoms encaminhou uma carta à Revista The Atheneum. Nessa carta ele falava da importância de se estudar as coisas que o povo fazia, as brincadeiras, as rezas, etc.
O mais importante estudioso da cultura popular brasileira foi Luis da Câmara Cascudo (1898-1986). Cascudo escreveu cerca de 150 livros, 40 dos quais só sobre a vida do povo.
Nestes tempos pandêmicos é, mais do que nunca, necessário refletir.
Refletir é aprender, aprender é refletir. A refletir.
Há dois anos o filósofo Mário Sérgio Cortella e o quadrinista Maurício de Souza iniciaram uma parceria, via Cortez Editora, que resultou em três livros. Esses livros, de poucas páginas, tem por objetivo iniciar crianças e adolescentes no mundo da filosofia.
O primeiro livro da dupla intitulou-se Vamos Pensar, o segundo Vamos Pensar + um Pouco e o terceiro Vamos Pensar Sobre Valores.
Vamos pensar sobre Valores é uma introdução da vida cotidiana que vivemos. Ética, Convivência, Injustiça, leis, contradição da sociedade, direitos e deveres etc.
Os 3 livros são ilustrados pelo craque Maurício de Souza.
A ideia de escrever esses títulos partiu do editor José Cortez. Oportuna iniciativa.
A iniciativa de Cortez trouxe-me à lembrança o belo romance do Norueguês Jostein Gaarder, O Mundo de Sofia. Mas essa é outra história, embora parecida com o que fizeram Cortella e Souza.
Esse novo livro da Cortez Editora está sendo "lançado" agora, de modo virtual. Assista a live de lançamento do livro “Vamos pensar também sobre valores?” no insta de @cortellaoficial e @mauricioaraujosousa DIA DO FOLCLORE DAQUI A POUCO, ÀS 20H00, ESTAREI FALANDO ATRAVÉS DESSA MAQUININHA DE FAZER DOIDO QUE É A INTERNET. TEMA: LUIZ GONZAGA E FOLCLORE. VEJA A CHAMADINHA AÍ ABAIXO: https://www.facebook.com/assis.angelo.9/videos/3201090999972017/UzpfSTEwMDAwMjEzNDQ0NDY2NDozMjIwNDk2ODM0Njk4MTAw/ VALDECK DE GARANHUNS Logo mais, às 19, o mestre do mamulengo, Valdeck de Garanhuns estará contando sua história ao apresentador carlos Sílvio. Quer acompanhar? Isso vai rolar no programa Em Quarentena, no Instgaram @cspaiaia. Saiba mais sobre Valdeck: http://assisangelo.blogspot.com/2011/03/paranapiacaba-e-valdeck-de-garanhuns_15.html
Bolsonaro foi recebido na
manhã de hoje 21 pelos potiguares de Mossoró, cidade “petrolífica”, localizada
a 282km da capital, Natal.
Também
na manhã de hoje o IBGE divulgou dados sobre nova pesquisa. Dessa vez o foco
foi o modo como os brasileiros estão se alimentando.
Os
resultados da pesquisa indicam que os brasileiros estão deixando de lado o
velho, bom e saudável hábito de comer feijão e arroz. Em troca, estamos nos
entupindo de tranqueiras embutidas, ou embutidos, como se diz.
Muita
coisa pesada estamos nos habituando a ingerir. Não à toa, está crescendo o
número de pessoas obesas.
Existem
pelo menos 15 tipos de feijão.
Existe
feijão fradinho, feijão roxo, feijão preto, jalo, carioca, muito bom para
gestantes.
E tem
ainda a fava, que é um tipo de feijão bom pra danado.
Meu
amigo Papete (1947-2016) adorava comer fava.
E o
arroz, hein?
Existem
milhares de tipos de arroz, você sabia?
O
feijão surgiu em tempos imemoriais do Egito e Grécia.
O
arroz teve origem, segundo os pesquisadores, lá pras bandas do Sudeste
asiático.
Não
conheço nordestino do meu tempo que não goste de arroz e feijão.
Eu
sou do tempo da República dos Estados Unidos do Brasil, que existiu entre 1891
e 1967.
O
estudioso potiguá Luís da Câmara Cascudo tem um livro muito legal sobre o tema
alimentação (Capa ao lado).
No
dia 13 de junho de 1927 o destabanado Lampião invadiu com seu bando a cidade de
Mossoró, mas lascou-se. O povo o pôs pra correr.
Luiz
Gonzaga (1912-89) agarrou-se na terra e na memória para ressaltar e enriquecer
a região onde nasceu, Nordeste, para o Brasil e para o mundo.
Analfabeto
da escola e doutor da vida, formado pela seca, pelo vento e doutorado em fauna
e flora e na alma humana, Luiz Gonzaga — não à toa do Nascimento — nasceu pra
não morrer.
Cedo,
muito cedo, ele encontrou no pai Januário o caminho das histórias encantadas,
do folclore, que apostou transformar no real, na realidade da vida Nordestina.
Da vida brasileira.
A
sanfona foi seu instrumento para alcançar a realidade que pretendia, em termos
de Nordeste e Brasil.
Antes
dele não havia Nordeste.
O
Nordeste dos invasores, dos escravos, da violência era o Nordeste do Inferno
sem entendimento geográfico, sem mapeamento geográfico. Com Luiz Gonzaga o
Nordeste começou a ser uma terra conhecida e boa, embora problemática, dentro
deste mundo que é o nosso Brasil com seus mais de 200 milhões de seres.
Mais
de um terço da população brasileira habita os nove estados da região
nordestina.
O
total dos nove estados passa do 1,5 milhão de km².
Luiz
Gonzaga foi um ser diferente dos seres seu tempo: ele via além dos olhos.
Detalhe:
Gonzaga, nos seus tempos de rapaz, fez tudo aparentemente de errado,
apaixonando-se, inclusive, por uma jovem que imaginou transformar-se na mulher
da sua vida. Essa ousadia rendeu-lhe uma mega surra dada com gosto/desgosto
pelos pais Januário e Santana que o levou a fugir de casa e alistar-se no
Exército mesmo com idade inferior a 18 anos. Isso mudou-lhe a vida.
Em
março de 1978, ele disse a mim em entrevista publicada no extinto D. O.
Leitura, que seu sonho era ser “cartaz”.
Cartaz,
pra quem não sabe ou lembra, era/é pessoa de destaque num grupo. De artistas,
principalmente.
E
folclore, você sabe o que é?
O
estudioso da cultura popular Luís da Câmara cascudo (1898-1986) detestava o
termo “folclorista”. Escute: https://youtu.be/TeLQm3SbyJQ
e leia http://almanaque.folha.uol.com.br/entcascudo.htm. Mais: cascudo escreveu 39
livros que tratam especialmente de cultura popular, num total de quase nove mil
páginas.
A
expressão Folclore é de origem inglesa: folk, povo; lore, ciência.
Essa
história de folclore, como tal definida, data do século 19. Começou com William
Thoms (1803-85), quando enviou uma carta à revista Athenaeum mostrando seu
pensamento sobre o comportamento do povo, até então impensáveis.
Essa
história é muito bonita, pois tem a ver com o nosso comportamento. A propósito
publiquei um opúsculo explicando essa história (reprodução da capa ao lado).
Comportamento,
meu amigo, minha amiga, você sabe o que é?
Comportamento
é tudo que fazemos, que falamos...
Nesse
quesito, Luiz Gonzaga foi absolutamente fantástico.
Luiz
Gonzaga, conhecido como Rei do Baião, foi o artista que, mais do que qualquer
intelectual, refez o Nordeste para o Brasil. E feito/refeito isso, ele mapeou o
Brasil através da música.
E
Carmen Miranda, hein?
Não
falei de Carmen Miranda (1909-55) até agora. Pois, pois.
Luiz
Gonzaga levou o baião para o Brasil e Carmen Miranda, que nasceu em
Portugal,para o mundo.
Aliás,
não foi por acaso que Carmen gravou a música Baião. Em inglês, numa versão do
norte-americano Ray Gilbert (1912-76). Ouça:
Essa
história e outras mais estarei detalhando sábado 22, a partir das 20h, numa
live que será transmitida para o mundo (Eita!), entre o Instituto Memória
Brasil, IMB, e o Centro Cultural Santo Amaro. Agende-se: https://www.facebook.com/assis.angelo.9/videos/3201090999972017
O dia
22 de agosto é o dia Internacional do Folclore.
Toda
a obra musical de Luiz Gonzaga tem por base o folclore, a partir do próprio
gênero baião que ele estilizou.
Asa
Branca, Assum preto, Lenda de São João, Juazeiro e outras mais tornaram-se
clássicos da nossa música.
O
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, divulgou no começo dessa
tarde 20 resultados de pesquisas recentes que indicam dificuldades que os
brasileiros estão vivendo.
Segundo
o IBGE, quase 4 milhões de brasileiros pediram empréstimos bancários para
contornar, ou tentar contornar, a crise ora provocada pelo novo Coronavírus que
desemboca na Covid-19, que já matou no Brasil quase 115.000 de brasileiros.
O
IBGE foi criado em 1938, no governo Getúlio Vargas.
Começou
como departamento nacional de estatística. À época, o cara que plantou a
semente do IBGE como instituição tinha por nome Juarez Távora, ministro da
agricultura.
A
gente está falando de 1934, 1936 e 1938.
A
primeira pesquisa sobre nós, brasileiros, foi feita em 1872. Pífia.
Meu
amigo, minha amiga, você sabe como o mapa do Brasil era dividido em 1940?
Foi
em 1940 as regiões apresentadas pelo mapa brasileiro, eram: Norte, Nordeste,
Leste, Centro-Oeste e Sul.
E a
importância do Censo, você sabe?
Pois
é, as pesquisas desenvolvidas pelo IBGE servem para direcionar rumos políticos,
econômicos etc; de um país.
O
censo demográfico serve para identificar, esquadrinhar, os caminhos de um país.
O
censo demográfico é o retrato de um país, de uma nação.
Quase
4 milhões de brasileiros acorreram ao sistema bancário na tentativa de
minimizar a situação grave que ora vivemos.
Bolsonaro
quer acabar com o IBGE.
Em
1970, a Seleção Brasileira de Futebol papou o tricampeonato de futebol. E qual
foi a trilha sonora?
O
compositor Miguel Gustavo (1922-72), carioca, ficou famoso com a marchinha
vagabunda Pra Frente Brasil, que falava de uma população de 90 milhões
de habitantes loucos por futebol.
À
época, o presidente do Brasil era o torturador Garrastazu Médici (1905-85),
“coautor” da referida marcha. Isso é história.
Garrastazu
era figura sempre presente aos estádios de futebol, o Arenas como se diz hoje.
Bolsonaro
“adora” futebol. E sempre que acha poder, está nos campos.
Ouço no jornal notícia dando conta de que o presidente Bolsonaro cancelou o Censo Demográfico que seria realizado este ano. Ano que vem também nada de censo.
A primeira decisão para a realização de um Censo Demográfico no país data de 1870, ainda no Império. Foi chinfrim.
O primeiro censo realizado na República foi em 1900.
Tudo era realizado de modo meia boca.
Em 1910, não houve censo. Em 1930, também não. Motivo?
Questões políticas impediram a realização de censo demográfico, em 1910 e 1930.
Em 1903, o presidente era o vice Nilo Peçanha (1867 - 1924), que substituiu Afonso Pena (1847 - 1909).
Nilo foi o primeiro presidente negro do Brasil. A cor da sua pele gerou muita discriminação, à época.
O último censo indica que o total de negros no Brasil é da ordem de 9,2%. A de brancos, 43,1%. A de pardos, 46, 5%.
Alguma coisa está errada, com relação a isso e a muita coisa que meus olhos cegos veem. Fico pensando: acho que a polícia quer matar todos os negros do País. E pobres.
Em 1930 não houve censo porque o sulista Getúlio Vargas (1892 - 1954) passou por cima do presidente eleito, Julio Prestes, e tomou o poder. A isso chamou-se, esquisitamente, de Revolução de 30.
Bom, como eu ia dizendo, Bolsonaro quer por fim ao Censo Demográfico. Não pode.
O Presidente pode muita coisa, mas não pode tudo.
O Censo Demográfico serve para que o Poder tome medidas que beneficiem o País e o povo.
Pronto, é isso: Bolsonaro não quer beneficiar o Brasil nem a população. Da população, aliás, tudo que ele quer é voto.
O primeiro presidente populista do Brasil foi Getúlio, depois JK, JQ, Jango, Sarney, Collor, por aí.
No dia 27 de setembro de 1940, dia e mês em que eu nasceria 12 anos depois, a portuguesinha Carmem Miranda gravou com talento e graça o samba do baiano Assis Valente (1911 - 58), intitulado Recenseamento. Ouça:
ASA BRANCA E ASSUM PRETO, O FOLCLORE NA OBRA DE LUIZ GONZAGA
Estou ficando moderno. Já sei até o que é "live".
No próximo dia 22, às 20 horas, estarei falando para o mundo sobre a nossa aldeia Brasil. E papo vem, e papo vai, o papo principal é sobre o folclore na obra de Luiz Gonzaga. Fiz até uma chamadinha, clique: https://www.facebook.com/assis.angelo.9/videos/3201090999972017
A
profissão de historiador acaba de ser regulamentada.
Ainda
é muito grande o número de analfabetos, no Brasil.
Os
números indicam que há, pelo menos, 11,6% de brasileiros que nunca pisaram numa
escola. Isso agora, em pleno terceiro milênio.
O
Brasil sempre pisou na bola no tocante a números estatísticos.
Dois,
três, quatro ou cinco milhões de africanos foram escravizados no nosso País,
hein?
Muitos
negros se suicidaram na atravessia entre África e Brasil. Outros morreram de
doença e seus corpos foram atirados ao mar.
Na
ultima década do século 19, a Febre Amarela, a Bubônica e a Varíola mataram
muitos brasileiros. Quantos? Ninguém sabe.
O
sanitarista Oswaldo Cruz foi um herói, por que não dizer?
Foi
Cruz e auxiliares que enfrentaram a tal revolta da vacina.
Pra
combater a Varíola o sanitarista recebeu o apoio total to presidente Rodrigues
Alves, que acabaria morrendo vítima da Gripe Espanhola (1918).
A
Febre Amarela ainda não foi erradicada no Brasil.
A
Espanhola chegou ao Brasil em setembro de 1918 e até o final daquele ano levou
para o túmulo pelo menos 35.000 pessoas. O presidente da época, Delfim Moreira
(1868-1920), baixou decreto determinando que nenhum estudante fosse reprovado e
que retornassem às escolas somente no ano seguinte, normalmente. E assim foi
feito.
E por
que decreto idêntico não é baixado agora, quando a Covid-19 já engoliu mais de
110.000 de brasileiros?
Historiadores do futuro lembrarão o terrível momento que ora todos vivemos.
ASA BRANCA E ASSUM PRETO, O FOLCLORE NA OBRA DE LUIZ GONZAGA
Estou ficando moderno. Já sei até o que é "live".
No próximo dia 22, às 20 horas, estarei falando para o mundo sobre a nossa aldeia Brasil. E papo vem, e papo vai, o papo principal é sobre o folclore na obra de Luiz Gonzaga. Fiz até uma chamadinha, clique:
Para todos os efeitos, o samba nasceu no Rio de Janeiro. Mais precisamente, na casa da Tia Ciata.
Tia Ciata era como chamavam a baiana Hilária Batista de Almeida (1854 -1924). Foi da casa dela que saiu o samba amaxixado Pelo Telefone, assinado pelos cariocas Ernesto do Santos, o Donga; e o jornalista Mauro de Almeida.
Mas o samba já existia, inclusive em São Paulo.
Grandes compositores e intérpretes espontâneos marcaram época em São Paulo. Entre esses nomes Dionísio Barbosa, Geraldo Filme, Toniquinho Batuqueiro e Zeca da Casa Verde.
Zeca, de batismo José Francisco da Silva, morreu no dia 19 de agosto de 1994, aos 67 anos de idade.
Não tenho certeza, mas tenho a impressão que foi Oswaldinho da Cuíca quem me apresentou o Zeca.
Zeca participou de várias escolas de samba, inclusive as Rosas de Ouro, e a que usou como "sobrenome".
Ele era um bom passista, e quem o incentivou a compor sambas de enredo foi Geraldo Filme.
No começo dos anos de 1970, Zeca foi levado pelo jornalista e agitador cultural Plínio Marcos a cantar e a atuar no velho Teatro de Arena, participando do musical, Nas Quebradas do Mundaréu. Que rendeu um LP, lançado em 1974.
Para lembrar, ouça:
Não sei exatamente o número de jornalistas em atividade no País, nem o de estudantes aspirantes à profissão.
Sei, porém, que são três o número de jornais mais lidos: O Estado de S.Paulo, Folha de São Paulo e O Globo.
Os jornais mais antigos do Brasil em circulação, pela ordem de fundação, são o Diário de Pernambuco (7 de novembro de 1825), O Estado de S.Paulo, fundado com o título de A Província, e A União.
A profissão de jornalista é, relativamente, nova. Mas jornalista sempre existiu, antes mesmo de a profissão ser regulamentada pelo Decreto-Lei nº 972, de 17 de outubro de 1969.
O primeiro jornal a circular no País, foi a Gazeta do Rio de Janeiro entre setembro de 1808 e dezembro de 1822.
Antes da Gazeta, circulou no País, o Correio Brasiliense entre 1 junho de 1808 a 1 de dezembro de 1822. Esse jornal, no entanto, era editado em Londres por Hipólito José da Costa (1774 - 1823).
José de Alencar e Machado de Assis iniciaram-se nas letras como jornalistas, em periódicos do Rio de Janeiro.
João do Rio, de batismo João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto (1881 - 1921), foi o cara que deu forma à reportagem.
Falo de jornalismo e jornalistas como poderia falar de qualquer outra profissão. Como medicina, por exemplo.
Todo estudante precisa de estágio para aprimorar-se na profissão escolhida.
Hoje é o Dia do Estagiário, data regulamentada em 1982.
Anna da Hora é estudante de Artes Visuais, mas tem pensado no curso de Jornalismo. Na foto ao lado, Anna se auto-refazendo.
Vito Antico não tem dúvida pela profissão que decidiu seguir, a de jornalista. Está no último ano, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Anna e Vito são estagiários do Instituto Memória Brasil, IMB.
Sinto-me bem em tê-los como estagiários da entidade que presido.
Fazem-me muitas perguntas, os dois estudantes citados.
Anna até mais do que Vito. Mas Vito é aquele cara tranquilo, sereno. O tal do "come quieto" inventado pelos mineiros.
ASA BRANCA E ASSUM PRETO, O FOLCLORE NA OBRA DE LUIZ GONZAGA
Estou ficando moderno. Já sei até o que é "live".
No próximo dia 22, às 20 horas, estarei falando para o mundo sobre a nossa aldeia Brasil. E papo vem, e papo vai, o papo principal é sobre o folclore na obra de Luiz Gonzaga. Fiz até uma chamadinha, clique: https://www.facebook.com/assis.angelo.9/videos/3201090999972017