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quarta-feira, 2 de dezembro de 2020
QUEM NASCE EM MINAS É MINEIRO, UAI!
Minas Gerais é o segundo Estado com o maior número de habitantes: 21 milhões e tarará.
Tudo no Brasil é bonito, menos a miséria escrachada a olhos nus pela pandemia que já matou quase 175 mil brasileiros.
Como todo mundo sabe, ou quase todo mundo sabe, o Brasil não foi descoberto por Cabral. DIA DO PARLAMENTO E DA BAGUNÇA
A história conta que Minas Gerais era o Estado mais rico da colônia. No começo de tudo, Minas era capitania ligada a São Paulo. O desmembramento ocorreu em 1720. Há 300 anos, portanto.
Você já ouviu falar da Inconfidência Mineira?
A Inconfidência Mineira foi um movimento que reuniu a Elite financeira e intelectual liderado por Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), o Tiradentes.
Tiradentes foi o 4º dentre sete irmãos. Ao perder os pais, virou dentista prático e, depois, alferes.
Alferes era um cargo de militar hoje equivalente a segundo-tenente.
Em 1779, Tiradentes foi preso no Rio de Janeiro e levado à prisão na Ilha das Cobras. De lá foi levado à Minas e condenado a forca junto com mais dez conspiradores. Entre esses, o poeta Tomás António Gonzaga (1746-1850). Detalhe: dos condenados, só Tiradentes perdeu a cabeça, os outros foram levados a exílio perpétuo na África.
Gonzaga foi o primeiro autor a ter um livro publicado no Brasil, Marília de Dirceu (capa ao lado).
Tiradentes foi traído por um dos inconfidentes, o comerciante endividado Joaquim Silvério dos Reis (1756-1819).
Há muitos livros contando essa história. Inclusive um que eu, particularmente, gosto muito: Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles (1901-64).
"Quem nasce em Minas Gerais é o quê?", perguntei outro dia brincando com Rodrigo. E ele, mineiro, respondeu: "É legal, uai!".
Eu gosto de tudo de Minas Gerais, inclusive seu gostoso queijo. Sem falar na cachacinha que lá encontrou terreno especialíssimo.
Ah! Sim, como na carta de Caminha, em Minas tudo que se plantar dá. Inclusive presidente, como Juscelino Kubitschek (1902-76).
O folclore mineiro é riquíssimo.E a sua música, também.
Curiosidade: Minas é o único Estado brasileiro que não tem hino oficial, embora muita gente creia que Oh Minas Gerais é o hino de lá. LEIA: MANEZINHO ARAÚJO E O HINO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
terça-feira, 1 de dezembro de 2020
POR QUE BRANCO MATA TANTO PRETO?
De morte, perseguição
De rico ferrando pobre
De pobre morrendo em vão
De branco matando preto
Com prazer, sem punição
Mais uma bala policial atinge mortalmente um preto, em São Paulo.
Foi na madrugada de sábado 28.
Wellington Copido Benfati, que todo conhecia na região oeste da Capital paulista, foi apartar uma discussão entre amigos e levou um tiro.
O autor do disparo, um policial, disse que atirou pra cima.
Se o policial atirou pra cima...
O fato é que Wellington, NegoVila, foi morto com um tiro.
NegoVila era um artista plástico, um muralista, um menino de 40 anos que teve a vida finda com uma bala espetada no peito.
Fico pensando: se a bala disparada pra cima levou NegoVila ao chão...
O autor do disparo, um policial, terminou confessando ao delegado de plantão da 14º Delegacia (Pinheiros), que deu outro tiro e esse tiro foi mortal.
Por que se mata tanto negro no Brasil?
O Brasil é um país formado, na sua maioria, por pretos e pardos.
Quem nasce com a pele preta ou parda no Brasil, parece que nasce já com a marca de bala assassina no corpo.
Triste Brasil...
AMEAÇA
Acabo de ouvir no rádio e na televisão notícia dando conta de que a primeira prefeita eleita na história de Bauru, SP, Suéllen Rosim (Patriota), está sendo ameaçada de morte.Suéllen é jornalista e tem 32 anos de idade. Seu pecado é ser preta. Meu Deus! Até onde vai a insanidade humana, a discriminação, o preconceito...?
Apesar de tudo, eu amo o meu País.
VIVA LUNA E A MÚSICA BRASILEIRA!
Culturalmente, o Brasil está na cabeça do ranking dos países que mais criatividade tem.
Hoje 1º o Brasil poderia comemorar o cantor, de tragetória incrível, Roberto Luna.
Luna é o cantor mais velho do País.
Hoje esse cantor, paraibano de Serraria, está completando 91 anos de idade.
A cantora de idade que mais se aproxima dele, dos seus 91 anos, é a carioca Elza Soares, com seus bem vividos 90.
Esse Roberto é do balacobaco.
Fez um sucesso incrível no decorrer de 1950. Um do seus clássicos é o samba-canção Molambo (ao lado). Ouça: MOLAMBO - ROBERTO LUNA
Não faz muito tempo, Roberto Luna deu uma entrevista muito bonita ao bahiano Carlos Silvio. Foi na rádio Conectados. Confira, clicando:
VEJA TAMBÉM: VIVA, ROBERTO LUNA!
segunda-feira, 30 de novembro de 2020
SEM DIÁLOGO NÃO HÁ FUTURO
O candidato do PSDB, brino covas, foi reeleito com quase 3 milhões de votos. E o seu oponente, Guilherme Boulos (PSOL), mais de 2,1 milhões.
Foi uma disputa renhida, no correr de todo 2º turno. Ao fim, já vitorioso, o tucano declarou:
"As urnas falaram e a democracia está viva. São Paulo mostra que faltam poucos dias para o obscurantismo e negacionismo. São Paulo disse sim à ciência e à moderação". E acrescentou: "É possível fazer política sem ódio, falando a verdade".
Boulos, reconhecendo a derrota telefonou ao seu adversário cumprimentando-o pela vitória e desejando uma boa administração no decorrer dos próximos 4 anos. Clique:
Pronunciamento pós-eleições pic.twitter.com/XlYDbQwH1G
— Guilherme Boulos 50 (@GuilhermeBoulos) November 29, 2020
O candidato do PSOL saiu da campanha à Prefeitura paulistana politicamente forte.
Não será exagero dizer que Guilherme Boulos desponta como a principal liderança da ora fragmentada esquerda do País. Perdeu a eleição agora, mas tem tudo para crescer mais e chegar ao Palácio dos Bandeirantes, em 2022. Isso se não for possível uma grande articulação dos partidos à esquerda para alçá-lo como candidato à presidente da República.
O PT optou por ter candidatos em quase todas as capitais. Perdeu em todas. E perdeu muitas prefeituras espalhadas Brasil afora. O Lula precisa usar a sandália da humildade. Ciro também.
Muita gente deve estar se perguntando por que o PSOL resolveu aceitar alianças no 2º turno.
Pois é, isso faz parte da política.
E o PSDB, que aceitou na última hora apoios do PSL; Republicanos que teve no curso o apoio de Bolsonaro, hein?
Política é um eterno mar revolto. Quando não, é um rio de piranhas atacando até pelas costas.
Fundamental, nisso tudo, é que todos dialoguem com todos de modo mais civilizado possível.
Sem diálogo, o futuro fica cada vez mais difícil de ser encarado.
domingo, 29 de novembro de 2020
DOMINGO DE VOTO E FESTA
Acordei cedo, fiz ginástica, tomei banho, escovei os dentes, vesti roupa de domingo, penteei o cabelo e fui tomar café. Depois, perfumei-me e sai com o sorriso na cara e a bengala na mão a me guiar.
Claro, feliz fico sempre nos dias de votação cívica.
Mas quase que não ia. Pois Clá e Ana ficaram dodóis. E quem resolveu a questão foi o amigo professor Anderson Gonzaga. Ao saber disso, o querido Carlos Sílvio aumentou a voz, em tom de censura: nesses casos, não custa telefonar pra mim!
Esse Carlos é uma figura, meu amigo, minha amiga. E lá fui eu, bem cedo, votar neste segundo turno pelas melhores propostas dentre os programa de governo dos candidatos do PSDB e do PSOL.
O local de votação é o que indico acima: Faculdade Oswaldo Cruz, ali na Barra Funda.
Política é melhor do que futebol?
Política é fundamental na vida de qualquer país, especialmente quando o povo tem liberdade de escolha e vive numa Democracia.
Daqui a minutos os meios de comunicação estarão divulgando resultados de boca de urna.
E chega, né?
DIREITA E ESQUERDA
E se o pessoal da extrema direita apoiar o pessoal da esquerda, hein? Tudo é possível. O que se passa na cabeça de político profissional nem Deus sabe. Não podemos esquecer que Bolsonaro continua no palco, marcando terreno para 2022. Uma olhadela no que ora ocorre em Recife pode ser uma boa para entendermos o que se passa na cabeça da direita.
Pois é, político não dá murro em ponta de faca.
sábado, 28 de novembro de 2020
TOQUINHO: A ARTE DE VIVER
É bom ligar o rádio e ouvir uma boa entrevista.
Na madrugada de hoje 28 liguei o rádio e ouvir Toquinho contar parte da sua história aos apresentadores Fernando Andrade e Tatiana Vasconcelos. O pretexto foi o novo cd, A Arte de Viver, que o artista está lançando.
O cd Arte de Viver tem o repertório todo desenvolvido em parceria com Paulo César Pinheiro.
Sei não, mas acho que esse Paulo César é o mais prolífico compositor da nossa música popular. Excelente. Não sei quantas composições já fez, mas tenho certeza que são centenas e centenas. Talvez até já tenha alcançado a casa do milhar.
Toquinho foi aluno de um amigo querido, Paulinho Nogueira (1927-2003).
Esse Paulinho também era incrível. Esteve algumas vezes no programa que eu apresentava ao vivo na Rádio Capital, São Paulo Capital Nordeste.
Mas voltemos ao Toquinho.
Toquinho já chegou a casa dos setenta e contou aos apresentadores da CBN que já gravou mais de 500 músicas. É muita coisa. E coisa boa.
Lembro o bom e saudoso Paulo Vanzolini (1924-2013) falando de Toquinho e Vinícius.
Lembro de Paulo Vanzolini contando uma história sobre Toquinho e Vinícius numa apresentação em Buenos Aires, Argentina, em 1976.
O pianista Tenório Júnior o Tenorinho, saíra pra comprar cigarro e nunca mais voltou. "Não voltou porque foi sequestrado por agentes da ditadura Argentina", segundo Vanzolini.
Vinícius enloqueceu procurando Tenorinho por toda parte. Em vão. Segundo o autor de Ronda.
Cheguei a pensar que Toquinho ia tocar nesse assunto. Mas, não. Preferiu meter o pau na Imprensa, dizendo que "há muita fake news".
O disco novo de Toquinho é maravilhoso.
sexta-feira, 27 de novembro de 2020
CULTURA E POLÍTICA DE MÃOS DADAS
A política na Capital paulista está pegando fogo.
NEGACIONISMO A TODA PROVA
Essa conjectura, com ou sem "C" no meio da palavra, vem a propósito da inesperada negativa do presidente Bolsonaro, que disse não ter dito ser apenas uma "gripezinha" que anda por aí circulando sob a denominação de Coronavírus.
Essa negativa é improcedente. Diante do dito não dito, falta Bolsonaro dizer também que não disse sermos todos uns maricas.
Bom, do alto dos meus 68 anos de idade, digo sem medo de errar: nunca vi, ouvi, ou soube de alguém tão negacionista quanto Bolsonaro.
Ele parece não pensar duas vezes, se é que pensa, para pronunciar absurdos extraídos da sua cabeça de ex-capitão. Nisso é rápido como um raio.
O que Bolsonaro nos reserva nas próximas horas, hein?
Ele já disse que sua eleição foi uma fraude, mas sem apresentar prova alguma. Tal e qual sua cara-metade estadunidense Trump.
Ele já disse que não houve nem há incêndio na Amazônia, embora seu piloto tenha apresentado dificuldades de pousar num descampado da floresta com ele abordo. Isso faz uns dois meses.
Ele já disse que a Cloroquina é um santo remédio contra a Covid-19, ao contrário do que dizem cientistas do mundo todo.
Bolsonaro diz que defende a liberdade, mas declara ser ele próprio a Constituição.
VICE É PRESIDENTE?
O Mourão continua protagonizando. Hoje 27 ele ganhou destaque ao "defender" o Itamaraty. Motivo: no começo da semana o deputado Eduardo filho do outro usou as redes pra agredir os chineses, nosso principal parceiro comercial. A Embaixada chinesa não deixou por menos e contra-atacou. Sobre o tema o presidente nada falou, preferindo a moita onde se acha que nem um santo.
ATENÇÃO, BELCHIOR ESTÁ NA PRAÇA
Milhões e milhões de discos nos formatos de 10 e de 12 polegadas foram produzidos e lançados no Brasil desde 1956. Nesse período eram também produzidos e lançados discos de 78 rpm.
quinta-feira, 26 de novembro de 2020
A POLÍTICA EM JINGLES
Antes disso não custa dizer que a figura de administrador municipal apareceu por essas plagas em 1563, na pessoa de Salvador Pires.
O BRASIL ESCRITO COM SANGUE NEGRO
Há coisas na vida que não entendo.
Como é que um jogador de futebol consegue, na sua morte, mobilizar o mundo inteiro?
Com todo o respeito...
Mortos e vivos se confundem, entre si.
A fome ainda mata. A miséria é cancro.
Maradona, Pelé.
Pelé é negro e nega a própria cor, por que?
O Brasil de Bolsonaro poderia ser o Brasil dos brasileiros com Ciro Gomes ou Joaquim Barbosa.
Pelé é um ser triste, alegra e mata.
Pelé mata pobres negros pela omissão. O Barbosa, também.
Sim, sim, não falo isso com alegria.
O Exército brasileiro usou de todas as formas negros escravos, nas suas fileiras.
Dói, mas história é história.
A história brasileira continua sendo escrita com o sangue da discriminação, do preconceito, da prepotência, dos horrores da caneta do presidente estranhamente eleito pelas urnas em 2018.
Triste Brasil.
Onde estás tu, Pelé?
Onde estás tu, Joaquim Barbosa?
O vice-presidente do Brasil, general Mourão, diz que não há racismo no meu país Brasil.
Esse generalzinho, que foi lamber botas nos EUA, parece não saber da história sangrenta vivida pelos pobres e negros desse país que tanto amo.
Lugar de general, lugar de militar, é no quartel.
O poeta alagoano Ledo Ivo, na sua sinceridade divina, afirma naquele poema (Pacto ao Cair da Noite):
Está morto o vivo
Que esquece os seus mortos...
MORTES NO COLO DO PRESIDENTE
"Está morto o vivo
que esquece os seus mortos"
De modo imperativo
Provocativo e mordaz
Isso disse o Ledo Ivo
Poeta brasileiro
Alagoano da Capital
Ledo Ivo foi um mestre
Da cultura nacional
Mas do Brasil reclamava
Por ser país tão desigual
Jornalista, advogada, romancista, tradutor e poeta Ledo Ivo nasceu em Maceió, AL, no dia 18 de fevereiro de 1924.
Tempos de guerra em São Paulo.
Guerra tenentista.
Ledo Ivo logo cedo trocou seu torrão pela capital do Brasil, o Rio. Lá desenvolveu o seu intelecto.
Foi um dos mais ativos representantes da poesia parnasiana.
Ivo é da Geração de 45.
Os poetas dessa geração deixaram uma obra primorosa, mas pouco lembradas no dia de hoje.
A poética do alagoano Ledo Ivo nos lembra, de passagem, poetas de inspiração trágica e mórbida como o paraibano Augusto dos Anjos (1884-1914). Exemplo é Pacto ao Cair da Noite, em que diz: "Está morto o vivo/que esquece os seus mortos".
Bolsonaro era menino de bunda suja quando Ledo Ivo escreveu esse poema. Mas parece que foi hoje, não é mesmo?
O atual presidente do Brasil provoca mortes e esquece seus mortos, que um dia cairão em seu colo. Dele e de Trump.
Foi no dia 13 de novembro de 1986 que Ledo Ivo foi eleito à Academia Brasileira de Letras, ABL.
No dia 7 de março de 1987, Dom Marcos Barbosa saldou o novo imortal, lembrando as preferências culinárias do Ivo. Depois de agradável rodeio, ressaltou:
"...Vossa preocupação é, sobretudo, a palavra, a ponto de lamentardes que os horóscopos tenham tomado nos jornais os espaços outrora ocupados por aqueles que, através do inferno amarelo das polêmicas, encontravam o paraíso da Linguagem. Contudo, os horóscopos não vos metem medo, pois escreveis no 'Pacto ao cair da noite'...".
Foi na Espanha, à véspera do Natal de 2012, que o poeta brasileiro Ledo Ivo se expirou, aos 88 anos de idade.
VICE É PRESIDENTE?
Hummmmmm... O tal do Mourão tem falado pelos cotovelos. Falas de presidente. Basta ver o que ele falou hoje 26 sobre a relação Brasil-China. Hummmmm... Será?
quarta-feira, 25 de novembro de 2020
"GRIPEZINHA" JÁ FAZ 170 MIL MORTOS
Quanta gente eu vou matar
Na Ásia, Europa
De tudo quanto é lugar
Terrível, como Roberto
Eu boto é pra quebrar!
Mato até na Páscoa
Fazendo o Papa chorar
O mundo constrangido
Não pode nem reclamar
Em tempo de alegria
É hora boa pra matar
Eu não me arrependo
De nada do que faço
Antes planejo tudo
Como quem pega boi a laço
Sou rápido no trato
O que vier pra mim eu traço!...
terça-feira, 24 de novembro de 2020
RACISMO NA NOSSA MÚSICA (3)
Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, todos nós sabemos quem foi.
Gonzaga era negro e talvez nem soubesse que fosse.
O problema maior do Gonzaga, que eu conheci bem de perto, era a pobreza. Ser preto, era condição secundária. Na verdade, quero crer que ele nem punha isso como fato dolorido da vida cotidiana.
Eu acho que Gonzaga fechava os olhos a pretos e brancos, homens e mulheres.
Gonzaga, ele me disse mais de uma vez, que desde moleque queria ser cartaz da música (leia: O FOLCLORE NA OBRA DO REI DO BAIÃO).
O baião como gênero/ritmo foi lançado no dia 22 de maio de 1946.
Em 1951, Luiz Gonzaga já era considerado o Rei do Baião.
Nesse ano, 51, Luiz Gonzaga foi barrado à entrada da Rádio Gazeta.
A Rádio Gazeta, SP, em 1951, era uma das mais importantes do País.
Pois bem, convidado para uma entrevista à rádio, ele foi barrado. Motivo? A cor da pele.
Luiz Gonzaga do Nascimento, pernambucano de Exu, o 2º dentre 9 irmãos, nasceu pra ser artista...
A negritude para Gonzaga não significava muita coisa.
Gonzaga, que o mundo passou a conhecer como Rei do Baião, era a reunião de tudo de bom e conflitos: cidadão.
Ser negro ou ser branco, para Luiz Gonzaga, significava uma coisa só: gente.
Luiz Gonzaga nasceu, viveu e morreu como um ser simples.
A alma não tem cor, não é mesmo?
Isso achava o pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento. Pra mim, foi bom conhecê-lo.
Meu amigo, minha amiga, ouça:
RACISMO NA NOSSA MÚSICA (2)
Por acaso acabo de ligar a televisão e através dela ouvi a notícia de que Francisco, pai de Zezé e Luciano, acabara de morrer.
Todos morremos.
Francisco, pai de Zezé e Luciano, era branco.
Juntando pretos e pardos o Brasil é maioria nesse nosso território.
E...?
O Brasil começou no batuque.
Batuque é negro.
E aí bate, bate acolá, o batuque se fez forte e nasce o samba.
Antes do samba, o negro brasileiro mostrou o seu talento no choro.
Choro, é choro.
Estou falando do choro como um gênero mu-si-cal.
Ninguém fez isso, ninguém fez choro gênero/ritmo musical no mundo. Fizemos.
Quem inventou o choro como gênero musical foi Joaquim Antônio da Silva Callado (1848-1880). Esse cara foi incrível. Pergunto: como esse cara pode ser um nome esquecido no meu Brasil de hoje?
Callado era negro.
Quem me falava muito sobre o Callado era o Carlos Poyares (1928-2004).
Poyares era um cara que fez uma história enorme.
Poyares era flautista. Sabia tudo sobre choro. Conheceu Benedito Lacerda, Pixinguinha e todos os grandes da sua época.
A flauta de Poyares está em mais de 3 mil discos, inclusive em discos do rei do baião Gonzaga.
Ah! E tem Pixinguinha...
Pixinguinha era um negro retinto do caralho!
O José Ramos Tinhorão, meu amigo de muitas décadas, conheceu Pixinguinha e sobre ele me disse coisas incríveis.
Pixinguinha montou um grupo musical chamado os Os 8 Batutas. Isso em 1919, por ali.
Em 1922, quando muita gente ficou sabendo que Os 8 Batutas como grupo musical ia tocar na Europa, a imprensa brasileira caiu de pau. A interrogação que essa notícia gerava era: Esse Brasil não é o Brasil, Brasil negro na Europa?
Pois é, o preconceito e o racismo são filhos da escuridão mais profunda: da ignorância.
A ignorância é a escuridão mais profunda da vida.
À época o presidente do Brasil era o paraibano Epitácio Pessoa.
Epitácio foi um racista imperdoável na vida brasileira.
A música brasileira, principalmente o samba, foi violentada. E por que não dizer estuprada?
Conheci Zezé di Camargo e Luciano, num ano qualquer dos fins dos 80. Quem me apresentou aos dois, foi o tocador de sanfona Dominguinhos. Isso aconteceu numa sala da extinta gravadora Continental. Nessa sala estavam diversos jornalistas. Era uma entrevista coletiva. Nessa coletiva estávamos eu e outros quatro.
A impressão que tive de Zezé foi ótima.
O Dominguinhos enfiou uma sanfona no peito de Zezé e Zezé com a sanfona enfiada no peito tocou, cantou e riu. Foi legal.
Em 1945, os compositores Janete de Almeida e Haroldo de Andrade compuseram uma obra-prima, no ritmo samba, chamada Pra que Discutir com Madame?, com João Gilberto. Ouça:
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
O BRASIL ANDA DOENTE DESDE 1910
domingo, 22 de novembro de 2020
TEM CIENTISTA NO "PAIAIÁ EM QUARENTENA"
O mundo todo continua assustado, desesperado, em busca do antídoto contra o Novo Coronavírus.
Esse Corona gera a Covid-19, que já matou quase 1,5 milhão de preto, branco, rico, pobre, homem, mulher, criança. Até animais silvestres já pegaram essa praga.
Milhares de cientistas de todas as partes do mundo, têm desenvolvidos pesquisas visando a fórmula mágica contra o vírus que tem desencadeou uma Pandemia em todos os quadrantes do planeta.
A maioria dos governantes tem seguido orientação dos cientistas para combater/minimizar o mal. Mas há governantes que não estão nem aí e até debocham do Novo Coronavírus/Covid-19.
Os Estados Unidos já registraram mais de 250 mil mortes provocadas pela doença. No Brasil, os números de mortos se aproximam dos 170 mil.
A europa está em Lockdown.
Atenção, pessoal!
O titular do programa Paiaiá em Quarentena, o radialista Carlos Sílvio, entrevistará o cientista Dr. Gustavo Cabral, às 19h.
Gustavo, baiano de Tucano, é um dos nomes mais respeitados no campo da ciência mundial.
Não percam.
Para acompanhar o programa Paiaiá em Quarentena, às 19h, sigam o Instagram: @cspaiaia.
Essa será a 213ª entrevista de Sílvio à frente do Paiaiá em Quarentena.
RACISMO NA NOSSA MÚSICA (1)
Discriminação é praga que mata, como preconceito.
Todo dia gente mata gente, à toa.
Todo dia muita gente corta laços de amizades pelos motivos mais fúteis do mundo.
Em muitos lugares, há ditadores.
Ditadores são pessoas que fazem do poder uma arma mortífera, à revelia do bom senso e da democracia.
Não basta ter olhos para ver. É preciso pensar, ter ideias, bom senso. O Bom senso é remédio para estupidez.
Racismo é um mal eterno.
A Igreja Católica , até hoje, passa adiante a imagem de que Jesus Cristo era branco.
Jesus Cristo nasceu ali pelas beiradas de Jerusalém. Ali, não tem brancos, pois sol não deixa.
Em 1603, por ali, Shakespeare escreveu Otelo.
Otelo é uma obra imortal, traduzida em inúmeros idiomas.
O personagem Otelo da peça homônima de Shakespeare é um general mouro, forte, corajoso e preto.
Esse personagem apaixonou-se pela filha de um poderoso, que endoidou quando soube do caso. Mas as circunstância o fizeram engolir o mouro com genro..
Meu amigo, minha amiga, você gostava do ator Sebastião Bernardes de Souza Prates? Não sabem quem foi?
Esse Sebastião, mineiro de Uberaba, nasceu em 1915 e em 1932 começou a ser conhecido, e aplaudido, pelo seu talento e nome artístico adotado: Grande Otelo.
O nosso Sebastião era negro, baixo e de beleza física fora dos padrões vigente.
E Pato Preto, hein?
Pato Preto foi o nome que fez famoso o cantor e compositor mineiro, de Juíz de Fora, Alípio de Miranda Silva.
Esse Alípio era de família muito pobre. Se pai, mãe, irmãos. Todos pobres. Fazia serviços gerais, de faxina inclusive, no Foro da sua cidade. Mas gostava de cantar, de fazer presepadas.
Um dia Grande Otelo conheceu Alípio e a vida de Alípio mudou. Encurtando a história: Alípio trocou sua cidade pelo Rio de Janeiro e lá ganhou dinheiro e fama.
Ainda assim morreu pobre com 77 anos, em 2005.
Meu amigo, minha amiga, você já ouviu falar em Blecaute?
Blecaute era o nome artístico do paulista Otávio Henrique de Oliveira. Esse apelido foi dado pelo compositor tieteense Ariovaldo Filho, o Capitão Furtado(1907-1979).
Não é difícil imaginar porque esse Otávio foi apelidado de Blecaute, certo?
Blecaute "apagou-se" em 1983, com 63 anos de idade. Um dos seus clássicos: General da Banda, de 1949.
Ouça:
sábado, 21 de novembro de 2020
SOMOS OU NÃO TODOS IGUAIS
Bolsonaro saiu da moita pra dizer que não é cego, é daltônico.
Daltônico é o cara que tem dificuldade de ver cores, especialmente vermelha e verde. Mais ou menos isso.
Noutra ocasião, o préclaro presidente da República chegou a dizer que negro tem dificuldade até de procriar. Disse isso e outros horrores.
Como cidadão, tenho vergonha desse presidente. E pena do Brasil como está sendo visto lá fora.
A população brasileira, a mais miscigenada do mundo, é forte.
Político nenhuma vai acabar com a força e a tradição popular.
Quem aí não se lembra de um cidadão chamado João Cândido?
http://assisangelo.blogspot.com/2017/04/64-ai-5-e-o-almirante-negro.html
E José do Patrocínio, hein?
E Machado de Assis, Lima Barreto, Joaquim Antônio da Silva Callado, Pattáquio, Pixinguinha e Chiquinha Gonzaga.
A presença do negro nas artes brasileiras é riquíssima.
Castro Alves, de batismo Antônio Frederico de Castro Alves(1847-1871), não era negro. Mas é desse poeta a obra prima O Navio Negreiro (acima).
Esse poema foi escrito em São Paulo. Ano: 1868.
Cem anos depois, o paraibano Geraldo Pedrosa de Araújo Dias (1935) escrevia, no Rio de Janeiro, outra obra prima: Pra Não Dizer que Não Falei de Flores (abaixo, com o autor).
O poema de Castro Alves narra as agruras, os tormentos, dos africanos capturados e trazidos à força para engrossar as fileiras de escravos e escravas no Brasil.
O poema de Vandré trás ensinamentos: "somos todos iguais/braços dados ou não". Redondilha menor.
Os versos de O Navio Negreiro são feitos em quadras, decassílabos e redondilhas.
É lamentável o que se ouve da boca suja do presidente eleito para governar o povo. Ele não governa o povo. Ele faz chacota do povo, dividindo assim a população. Ele e o seu vice, Mourão.
Depois de dizer que não há racismo no País, ele ainda acrescentou: "Grande parte das pessoas de nível mais pobre, que tem menos acesso, são gente de cor".
Clique: https://www.youtube.com/watch?v=-1jFyAP9cMs
Bolsonaro é uma pedra no sapato do Brasil.
sexta-feira, 20 de novembro de 2020
BARBÁRIE NO RIO GRANDE DO SUL
Nesta terra brasileira?
Terra boa e bonita
De gente forte, guerreira
Covardes mataram a socos
Um homem chamado Silveira
Antes com culpa foi preso
Preso foi humilhado
Humilhado foi agredido
Agredido foi condenado
Condenado foi morto
E por ser preto, culpado
João Beto Silveira saiu com a mulher pra fazer compras num supermercado.
quinta-feira, 19 de novembro de 2020
LUGAR DE MULHER É NO MUNDO
O machismo é uma praga como qualquer doença que mata. Antes de matar, tortura. Terrível.
Mulheres são vítimas dos machos desde sempre, aqui e em tudo quanto é lugar. Inclusive na literatura: O FEMINICÍDIO NAS ARTES
Explicar isso é coisa muito difícil. Eu não seria capaz.
A população feminina no Brasil é superior à população masculina.
Em 1980, 750 mil mulheres excediam o número da população masculina.
Atualmente, segundo o IBGE, a população brasileira já passa de 210 milhões de pessoas negras, brancas etc.
Atualmente, há 4,5 milhões de mulheres a mais do que homens, no Brasil.
Mulheres estão em toda parte, em todo canto, atuando de formas diferentes na sociedade. Na política, porém, o número de mulheres ainda é muito pequeno. Mas nessas eleições, aumentou. Pouco, mas aumentou.
Em São Paulo de 11 o número de mulheres na câmara agora chega a 13.
Há coisas terríveis acontecendo contra mulheres na política.
Pela primeira vez os curitibanos/curitibanas elegem uma mulher. E negra. Resultado: essa mulher, agora vereadora, está sendo agredida de todas as formas. E até ameaça de morte tem recebido. Seu nome: Carol Dartora, professora.
E não nos esqueçamos que no Rio de Janeiro milícias assassinaram, há dois anos, a vereadora Marielle Franco. O caso ainda não foi totalmente esclarecido, embora muitas personagens desse crime estejam presas.
A violência contra as mulheres vem de longe e parece não ter fim.
Lugar de mulher, sabe onde é?
Lugar de mulher é em todo canto que ela quiser. E não só na cozinha, como gostam de dizer os machistas.
Na história do Brasil, muitas mulheres se destacaram nas mais diversas áreas do cotidiano e fora do cotidiano. Exemplo: a bahiana Ana Néri lutou como voluntária na Guerra do Paraguai (1864-1870).
Antes, outra bahiana, Maria Quitéria, caracterizou-se de homem e foi engrossar as fileiras do Exército na Guerra pela Independência (1822).
E teve também a gaúcha Anita Garibaldi, que participou ativamente da Guerra dos Farrapos (1835-1845).
No campo da Educação e Cultura, destacou-se há quase 200 anos a nordestina do Maranhão Maria Firmina dos Reis (1822-1917).
Maria Firmina, negra como Maria Quitéria, foi a primeira jornalista educadora e a primeira romancista do Brasil.
Maria Firmina e Maria Quitéria morreram cegas e pobres.
LEANDRO GOMES DE BARROS, MESTRE DO CORDEL
Certa noite de um ano que não me lembro, telefonei ao amigo Vital Farias para um dedo de prosa. Sua companheira foi logo dizendo que o bairro estava às escuras. A casa também, naturalmente. Ela: "Vital está lendo um folheto de cordel para nosso filho dormir, à luz de vela".
Literatura de cordel é coisa muito séria.
Desde cedo, muito cedo, tomei familiaridade com esse tipo de literatura.
Nesse tipo de folheto, existe todo tipo de história. Das mais críveis às mais incríveis.
Foram dois os pioneiros escrever folhetos, no Brasil: Silvino Pirauá e Leandro Gomes de Barros.
Silvino nasceu em Patos e Leandro, Pombal.
Eram paraibanos.
Silvino Pirauá nasceu em 1860 e Leandro, cinco anos depois.
Foi no dia 19 de novembro de 1865 que nasceu Leandro Gomes de Barros.
Em 1913 rolava, no Brasil, a praga/pandemia da varíola.
Silvino morreu em Recife, vitima de Varíola.
Leandro também morreu em Recife, de morte natural.
Leia: O AMOR E OUTRAS HISTÓRIAS EM CORDEL e MINHA GENTE, CORDEL É COISA SÉRIA!
Bom, ouça com atenção a leitura do folheto A História do Cachorro dos Mortos:
quarta-feira, 18 de novembro de 2020
CIÊNCIA PODE DAR VISÃO A CEGO
A meu lado a minha filha Ana Maria. E também a mulher que pensei que seria da minha vida até o último dia.
Naquele momento, no HC-SP, comecei a chorar feito um condenado sem nada a entender. Gritei, gritei: "Eu preciso ver!". Eu já não via nada. A minha Ana me abraçou...
Poxa, foi tão difícil...
Os momentos e dias seguintes foram terríveis.
Senti-me só completamente.
Ana Maria, minha filha, me salvou.
Eu só pensava em pular do 7º andar, de onde moro.
A Ivone, anjo da guarda.
Ivone é incrível. Está sempre comigo. Até sabe dos pratos de que gosto.
Por que tudo?
A leitora Avellar fez-me lembrar de coisas de ontem. E cá estou eu a dizer coisas, a lembrar passagens da minha vida.
A leitora manda pra mim notícia a ver com possível cura de cegueira nos mais diversos níveis. No meu caso, descolamento de retina.
A notícia da conta de que um cientista húngaro "descobriu uma terapia baseada em genes que reprograma células do olho humano para que possam realizar o trabalho dos receptores sensíveis à luz necessários para a visão humana".
Essa é notícia recente, deste ano de 2020.
Dois anos antes, cientistas norte-americanos "desenvolveram uma retina ultrafina que tem uma matriz de sensores capaz de reproduzir todo o ciclo de geração de imagens".
Bom, tomara que a ciência traga aos meus olhos as cores e demais belezas que a natureza nos dá, de graça.
CEGUEIRA NEM CRISTO SALVA
Eu era mulecote, adolescente.
Foi no Dehon, na Capital paraibana.
Bons tempos.
Eu lia a bíblia, num determinado momento da missa. Esse momento era a Homilia.
Era legal aquilo tudo.
Eu li a bíblia várias vezes. E só não leio mais, porque fiquei cego.
A leitura da bíblia é legal, é boa, bonita. Todos os temas da vida humana lá estão. Só não tem rock. Mas tem sexo, traição e mais coisa que não presta.
Eu concordo e discordo de muita coisa que está na bíblia.
A Bíblia é traduzida em quase todas as línguas que existem, mais de 6 mil incluindo dialetos.
Tem uma passagem lá que, em português, me espanta. Esta:
"JOÃO 9:6 Então, tendo dito essas palavras, cuspiu no chão e fez barro com saliva; em seguida ungiu os olhos do cego com aquela mistura.Não dá, né?
JOÃO 9:7 E ordenou ao homem: “Vai, lava-te no tanque de Siloé” . O cego foi, lavou-se e voltou vendo."
Uma leitora deste Blog, Shellah Avellar, mandou-me uma mensagem que trata de estudos científicos relacionados à cura da cegueira.
Cientistas de vários lugares estudam a questão, diz a mensagem.
Eu perdi a visão, em 2013, por decorrência de descolamento de retina.
Perdi a visão e perdi também muita gente que amava. Nada contra.
É da natureza ficarmos juntos aos vencedores.
Tudo é uma questão de ponto de vista, não é mesmo?
ANIVERSÁRIOS, MITOS E LENDAS
E Robin Hood, hein?
A minha infância e adolescência foram marcadas por leitura de gibis.
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