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domingo, 27 de março de 2022

CAMÕES, SEMPRE CAMÕES (2, FINAL)

Retrato de Dom Sebastião
no livro Os Lusíadas
O feito do poeta Camões é insuperável. Em qualquer língua.
No Brasil houve tentativa de se compor algo parecido ao feito de Camões.
Em 1923 o poeta Augusto Meira (1873-1964) tomou para si essa tarefa. Ou seja, a de transportar com tinta verde/amarela a história do achamento das nossas terras até a Guerra do Paraguai (1864-1870). Essa tentativa, naturalmente frustrada, pode ser conferida pela leitura do livro Brasileis, a Epopeia Nacional (Instituto Lauro Sodré).
Eu não quis fazer o que Meira tentou. Resolvi fazer, simplesmente, uma readaptação d’Os Lusíadas. Usei os principais personagens, mas não trouxe a narrativa para o Brasil. No sentido histórico do termo. Acrescentei por acrescentar, dois poetas cantadores nordestinos contando a história de Vasco da Gama e a história de Vaz de Camões.
A essa adaptação, dei o título de A Fabulosa Viagem de Vasco da Gama no Mar (adaptação livre de Os Lusíadas para canto e cordel). Começo assim:

Aqui neste ambiente
Eu venho para contar
A história de um homem
De força espetacular
Que nunca fugiu à luta
Nem na terra nem no mar

Esse homem eu conheço
Dele já ouvi falar
É pessoa corajosa
Treinada para lutar
Esteve em todo canto
Navegando pelo mar

Eu e minha viola
Viemos pra espalhar
A coragem desse homem
Forte, justo, exemplar
Que nunca teve medo
Do terror que há no mar…


E sigo, no canto 2:

Um dia Júpiter chamou
Seus pares pra conversar
Queria deles saber
Que posição adotar
Sobre uma certa viagem
De certo homem do mar

Num piscar d’olhos chegaram
Os deuses para escutar
Queriam eles saber
O que Júpiter tinha a falar:
Seria sobre a viagem
Daquele homem do mar?

Ouviu-se um zum, zum, zum
Eram Deuses a murmurar:
Quem seria esse valente
Decidido a enfrentar
Os mau humores do tempo
E as estranhezas do mar?

Esse homem era forte
Fora feito pra lutar
Pensava o tempo todo
Num modo de viajar
Queria ir pra longe
Bem pra longe pelo mar…

E no canto 3, eu digo:

Sob céu de brigadeiro
Dia bom pra passear
Com ruas embandeiradas
Saltimbancos a brincar
Anunciando boas novas
Com salva de tiros no mar

Tudo está perfeito...
"É preciso navegar
Viver não é preciso"
Isso é certo vou contar
Três ou quatro navios
Seguiriam pelo mar…


E mais um pouco, sigo adiante:

Tinha 28 anos
Ao resolver aceitar
O enorme desafio
De fazer o mundo vibrar
Com a grande façanha
De ir à Índia pelo mar

Reuniu a marujada
Para tudo por a par
Lembrou de graves perigos
Que iriam encontrar
Agora principalmente
Na viagem pelo mar

Ele estava firme
Já pronto pra embarcar
Tinha mais do que certeza
De seu alvo alcançar
Realizando o sonho
De ganhar a terra pelo mar…


No 5º canto, eu trago a Ilha dos Amores criada pela deusa Vênus:

Há na Ilha dos Amores
Mitos e lendas no ar
E figuras encantadas
Dançando à luz do luar
Enquanto o vento canta
Antigas cantigas do mar

Desde sempre se sabe
Que na vida é bom sonhar
Na Ilha dos Amores
Não é pecado pecar
Pecado é não ouvir
Os cantos que vêm do mar

Cantos que sempre contam
De guerreiros a guerrear

De seres apaixonados
Que morrem só por amar
De segredos das estrelas
E de mistérios do mar…

A história é, de fato, fabulosa, incrível. E tudo começa quando Camões decide contar o heroísmo do seu povo, depois de ler Homero e Virgílio.
Homero contou cantando a história do seu povo. O mesmo o fez Virgílio.
É isso.
Outro dia falei a respeito desse épico ao repórter Ivan Finotti, da Folha de S.Paulo. Sem cuspir pra cima, sem querer isso, apenas lembro: eu perdi a visão dos olhos, mas não perdi a visão da memória. Fiquei invisível, é certo. Estou cego, dos olhos. Só. Poucos me veem, paciência… E digo a quem quiser ouvir, estou vivo.
Pois é, há 450 anos era lançado o clássico Os Lusíadas.

LEIA MAIS: NINFAS E DEUSES EM CAMÕESCAMÕES E A LÍNGUA PORTUGUESA

sábado, 26 de março de 2022

CAMÕES, SEMPRE CAMÕES (1)

Assis, com a obra de Camões
em diversos formatos
O navegador português Vasco da Gama morreu em 1524, aos 55 anos de idade.
O poeta português Luís Vaz de Camões nasceu em 1524 e morreu aos 56 anos de idade.
O que Vasco da Gama e Vaz de Camões têm em comum?
Vasco da Gama foi quem descobriu o caminho das Índias, em 1498.
Vaz de Camões, pra todo mundo e o mundo todo chamado simplesmente de Camões, foi quem narrou com inacreditável categoria a fabulosa façanha de Vasco da Gama.
Tudo começou quando o rei dom Manuel incumbiu ao navegador a tarefa de descobrir o caminho das pedras. Isto é, das Índias.
Duas naus e uma caravela, mais uma embarcação com víveres, foram cuidadosamente preparadas para a grande viagem.
A partida fora programada para o dia 7 de julho de 1497. Mas uma zebra atrapalhou a programação.
Zebra, leia-se: mau tempo no porto de Lisboa, praia e porto de Restelo.
Essa zebra adiou a viagem para o dia 8, uma segunda-feira.
Dez meses e dez dias depois, e cerca de 11.000 milhas navegadas, Vasco da Gama e seus marinheiros, uns 200, alcançaram Calicute.
Calicute é um porto localizado na costa ocidental da Índia.
Essa história é fabulosa, em todos os sentidos.
Muitos anos depois, Luís Vaz de Camões decide contar o acontecido. Do seu jeito. Belíssimo e belíssima é a obra gerada pelo poeta: Os Lusíadas.
Esse livro é desenvolvido em dez Cantos com cinco partes: Dedicatória, Preposição,
Camões no traço de Fausto Bergocce
Invocação,Narração e a última, Epílogo – no qual demonstra sua descrença pelo futuro de Portugal após o desaparecimento do rei Dom Sebastião numa batalha em Alcácer-Quibir, Marrocos. A Dom Sebastião é dedicado Os Lusíadas.
Na batalha de Alcácer-Quibir, o poeta perdeu um dos olhos.
Pra escrever a obra, o autor fez uso da invenção de um poeta italiano chamado Ludovico Ariosto (1474-1533). É dele a modalidade Medida Nova, levada da Itália para Portugal, por Sá de Miranda, em 1527.
Camões precisou morrer para se eternizar.
Detalhe: Luís Vaz de Camões foi quem deu o primeiro pontapé na história para transformar o que é hoje a língua portuguesa, pois antes o que havia, na região onde nasceu, era o latim arcaico.
Essa é a história. Mas tem mais.
Quem deu o aval para essa publicação foi o frei Bartolomeu Ferreira, responsável pelo setor de publicações do Santo Ofício, em setembro de 1571. De lá pra cá, o livro foi publicado em formatos diversos. Incluindo quadrinhos.
Frase escrita pelo próprio Camões.

No Brasil dos anos 30/40, o famoso livro de Camões entrou como matéria curricular do curso ginasial. Edição importante, da Francisco Alves. Dessa edição reproduzo algumas imagens e documentos como a assinatura do poeta Camões (ao lado).
Ainda em 1572 foi lançada uma edição paralela, pirata, de Os Lusíadas.
Em 1920 o diretor da Biblioteca Nacional de Lisboa, Jayme Cortesão, encafifado com essa história solicitou através de ofício que o Real Gabinete Português de Leitura fizesse um levantamento a respeito do que até então era uma dúvida.

Devo lembrar a V. Exª que, a par da 1.ª edição verdadeira que nos propomos reproduzir, existe uma outra, falsa, da mesma data. A verdadeira distingue-se por ter o bico do pelicano da portada voltado para a esquerda do observador e por, no 7.º verso da 1.ª instância do Canto I, ter as palavras “E entre” em vez de “Entre” simplesmente.
Cortezão fazia referência à esta estrofe:
Os Lusíadas em HQ


As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
Entre gente remota edificaram
O novo Reino, que tanto sublimaram;


Alexandre de Albuquerque, do Real Gabinete Português de Leitura, fez o que tinha que fazer: esclarecer a nebulosidade em que se achava essa questão histórica. E em 1921 lançou o livro As Duas Edições dos Lusíadas de 1572.

sexta-feira, 25 de março de 2022

CORNO INCONFORMADO

Eu já disse e repito: nós, humanos, não nascemos pra ter salvação.
Tudo começou, em tese, com Adão e Eva.
No Velho Testamento lê-se que Adão e Eva tiveram mais de 60 filhos.
Entre homens e mulheres, os filhos de Adão e Eva praticaram o incesto. 
É história. Bíblica.
Nós, humanos, condenamos o incesto. E tem que ser condenado, o incesto. Evidentemente. 
No mundo, desde há humanos, há ricos e pobres. Livres e escravos.
Isso também se acha historicamente no Velho Testamento.
No Velho Testamento se acha, em tese, o começo de tudo.
No primeiro dia, Deus criou...
Pobres e ricos, falei há pouco.
Pessoas pobres chegam ao estágio de mendicância, em muitas situações. No Brasil e no mundo.
São Paulo é a cidade mais rica do Brasil. É fato.
O Brasil é o 5º mais importante país do planeta. Em população e territorialmente falando.
Cerca de 95% população brasileira não têm sequer esgotos. Horror dos infernos.
Na cidade de São Paulo há, pelo menos, 30 mil pessoas em condição de rua.
Politicamente falando em situação de rua.
Entre os 30 mil cidadãos em situação de rua na Capital paulista, um acaba de ganhar notoriedade: Gilvado Alves.
Em resumo quero dizer o seguinte: Gilvado encontrou uma gostosa ricaça num dos faróis de Sampa e foi pra cima, com toda aquiescência dela. Transaram. Dentro do carro dela. O marido, um tal não-sei-quem, ficou chateado e resolveu processar o mendigo. 
Hmmmmm...
Ficção ou realidade é essa história que acabo de contar a vocês?
A literatura popular, e a música, registram com muita graça a história de homens que não aceitam ser cornos. 
Cornear os homens podem, mas as mulheres não?

CORRUPÇÃO TERCEIRIZADA

Meu amigo, minha amiga, você sabe quem é Dudu Bananinha?
O esquisito e perigoso presidente da República, Bolsonaro, diz que põe a cara no fogo pra defender o seu ministro da Educação, o coisa louca Milton Ribeiro.
E o Dudu Bananinha, hein?
Muita coisa esquisita tem ocorrido no Brasil desde que o figurinha Bozo sentou-se na cadeira de presidente da República, em 2019.
Pelo tom do apito, estamos afunhenhados. 
Dudu Bananinha e Bozo têm tudo a ver entre si: um é filho daquela e ele, também.
Bozo é uma tranqueira, sabemos.
Bolsonaro é uma tranqueira, sabemos também.
O ministro da Educação, um mau educado em todos os sentidos, foi pego com a mão na botija. Ele e seus apaniguados. Esses são pastores que, manipulados por Bozo, têm-se mostrado o que são: escrotos. 
Sei, sei, exagerei: escrotos tem uma função biológica. Mas essa é outra história.
Li há pouco no jornal O Globo notícia dando conta de que mais um pastor do esquema Bolsonaro, no MEC, está se locupletando com desvio de dinheiro do erário público. Quer dizer, nosso.
Refiro-me, aqui, a um tal pastor denominado Gilmar Santos.
Esse tal, em nome de Deus, acaba de abrir empresas para ferrar a gente do povo.
Empresas desse tal foram abertas na área de editoração e educação. Em miúdos: uma editora e uma faculdade.
Da onde veio a grana pra esse tal abrir o que acaba de abrir, hein?
Enquanto isso Bozo, Bolsonaro, diz aos trouxas que no seu governo não há corrupção.
Meu amigo, minha amiga, pela primeira vez na história recente do nosso País, a corrupção está sendo terceirizada.
Até cego vê a roubalheira e o desvio de grana oriunda de impostos.


E TEM MAIS:

Você lembra de um cara chamado Monark?
Pois é esse cara, depois de mostrar-se a favor da criação de um partido nazista legal no Brasil, está voltando para o ninho. Quer dizer, voltando para o Flow Podcast, onde faz e desfaz. Bolsonarista até a medula. Escroto.
Ei, você meu amigo, minha amiga, você lembra de um indivíduo chamado Adrilhes?
Esse aí, um tal, dizia abobrinhas terríveis e lamentáveis na rádio Jovem Pan. Foi demitido há poucos dias por bater continência à moda nazista. Pois bem, esse tal acaba de ser recontratado pela rádio Jovem Pan.
Ai, ai, ai...

quinta-feira, 24 de março de 2022

EU E MEUS BOTÕES (18)

Antes de puxar um tamborete pra nele me sentar, ficando assim mais à vontade, Mané foi logo perguntando: "Seu Assis, o sinhô acha que o Putin já perdeu a guerra? Pergunto isso porque só escuto críticas contra o presidente russo e que ele já matou muita gente".
Pergunta de procedência essa a sua, Mané. 
"O Mané tá ficando sabido", meteu-se na conversa Barrica. "É mesmo! O Mané tá ficando sabido. Nunca pensei que Mané fosse se interessar tanto por uma guerra", emendou Zilidoro.
O assunto é muito importante e está despertando a atenção do mundo todo. O mundo está em perigo. Mas respondendo à pergunta de Mané, digo simplesmente que o 1º round o Putin perdeu. Mas pelo pipocar das bombas, ele ganhará ao final dessa desgraça toda que está acontecendo no Leste europeu.
"Ele pode até ganhar, mas é certo que perderá", arriscou Jão.
"Concordo, numa guerra todos perdem. Mas é certo que o presidente ucraniano, Zelensky, já virou herói do mundo", disse Biu.
"O espantoso nessa história toda é a ação heroica do povo da Ucrânia. Esse povo é forte e está defendendo a sua terra como jamais imaginei", foi a vez de Zé dizer o que acha da invasão da Rússia à Ucrânia.
Paciente, a tudo Zoião observava. 
"Fala, Zoião. Por que tanto silêncio?", provocou Lampa cutucando as unhas com o seu inseparável punhal. "Fala, fala. Quero saber da sua opinião", insistiu Lampa com um sorriso maroto.
"Quem cala consente, diz um velho ditado. Mas, aqui, não é o caso. Eu calo porque não sei de nada. Estou aprendendo com vocês", disse Zoião causando surpresa a Zilidoro.
"Patrão, quero lhe fazer uma perguntinha", começou reticente Lampa. 
Agora impaciente, Zoião cutucou: "Desembucha logo, Lampa. O patrão está atento, ouvindo tudo".
"Eu queria saber do patrão o que é que ele acha de eu acionar a Associação Independente de Cangaceiros da Paraíba pra dar um jeitinho nesse tal de Putin. Lá na Ucrânia, é Ucrânia né? Tem muita gente morrendo pelas balas daquele presidentezinho russo...".
Achei graça e informei a Lampa que hoje o presidente norte-americano, Joe Biden, está em Bruxelas dando recado ao lado de representantes do G7, da União Europeia e da OTAN...
"Iiiih! O Putin vai dançar nessa", opinou Mané.
Eu disse a Lampa que a sua iniciativa é louvável, mas totalmente desnecessária.
Antes de terminar a nossa conversa, Barrica levantou a mão pra dizer que me viu num vídeo falando da guerra e corrupção no MEC. Pois é.

quarta-feira, 23 de março de 2022

CORRUPÇÃO EM NOME DE DEUS

Que Bolsonaro e seus filhotes são adeptos de práticas anti-republicanas, sabemos.
Que o governo Bolsonaro é um governo de berda, sabemos também. E tanto sabemos que foi não foi surge notícias dando conta dele e de apaniguados metendo a mão na coisa pública.
Aos tempos em que ainda era deputado em Brasília, Bolsonaro mantinha o péssimo hábito de contratar funcionários fantasmas. Um desses funcionários Walderice Santos da Conceição (Wal do Açaí). Aliás, a tal Wal declarou ao delegado que apura o caso que jamais pôs os pés em Brasília.
Agora, nesse último fim de semana, o Estadão publica notícia sobre mais um gabinete paralelo desse governo. A coisa funciona no Ministério da Educação, vejam só! Nesse Ministério há um pastor de nome Arilton Moura, que faz e desfaz em nome de Deus e do governo, claro. O tal cuida até da agenda do ministro Milton Ribeiro.
Um prefeito do Maranhão, Gilberto Braga, disse que recebeu de Arilton o pedido de um quilo de ouro para liberar recursos do Ministério para a sua prefeitura (Luis Domingues, MA, 354,9 km da Capital São Luís). E por aí vai a coisa e de modo tão natural que parece ser de fato natural o que natural não é.
E Bolsonaro ainda diz que não há corrupção no seu governo.
Enquanto isso, seus filhotes continuam mais sujos do que corda de amarrar porco.
Pois é, no campo do pastoreio há horrores. Pra ela achar, ouça:

terça-feira, 22 de março de 2022

JOSÉ RIELLI, 75

O sanfoneiro Giuseppe Rielli (1885-1947) foi o primeiro a gravar discos com esse instrumento, no Brasil. Era italiano e chegou ao País, com 7 anos de idade.
Giuseppe, José na nossa língua, começou a gravar discos pela Casa Edison no Rio de Janeiro, em 1914.
No correr da história, José Rielli gerou filhos e muitas músicas. Bela Paulista foi uma das primeiras a gravar, de sua autoria. Mas gravou também clássicos universais, como se diz.
Um de seus filhos mais famosos foi Rielinho, que deixou cerca de 300 músicas gravadas em disco. A sanfona era seu instrumento.
Não custa lembrar que José Rielli participou da gravação de algumas músicas famosas do compositor e maestro paulistano Alberto Marino (1902-1967).
Um viaduto ostenta o seu nome na Capital paulista.
Curiosidade: Rielli foi, junto com Atenógenes Silva, um dos afinadores de sanfona de Luiz Gonzaga.
Hoje faz 75 anos que o pioneiro Rielli morreu.
Fica o registro. 
Pra lembrar o velho Rielli:


AI, AI...

Outro dia cometi gravíssimo acidente no Instituto Memória Brasil, IMB. Quebrei, naturalmente sem querer, vários discos de 78 rpm. Entre esses discos o que trazia Bella Paulista. Aceito doações.

domingo, 20 de março de 2022

ABL TEM NOVO PRESIDENTE: MERVAL PEREIRA

Livros de Merval Pereira
 
De poucas falas, poucos livros e pouco riso o jornalista carioca Merval Pereira é o novo presidente da Academia Brasileira de Letras, ABL. A posse foi em 11/3, com a presença de jornalistas, artistas e, naturalmente, intelectuais da escrita.
Merval começou a carreira jornalística como estagiário do jornal O Globo, RJ, em 1968. Nesse jornal ele desenvolveu várias funções, inclusive a de editor.
A Academia Brasileira de Letras foi criada pelo jornalista e escritor Machado de Assis (1839-1908), em julho de 1897, inspirado na Academia francesa. Machado foi o seu primeiro presidente.
Nos primórdios a ABL só aceitava intelectuais masculinos.
Em 1977, a ABL abriu as portas para a primeira mulher: Rachel de Queiroz (1910-2003).
Depois de Rachel, a autora do clássico O Quinze (1929), a Academia também abriu a porta pra Lygia Fagundes Telles, Nélida Piñon e Ana Maria Machado.
Nélida e Ana Maria foram, até aqui, as primeiras mulheres a presidir a ABL.
A mais recente acadêmica é a atriz Fernanda Montenegro.
O baiano Gilberto Gil é o primeiro artista da música popular a integrar o seleto grupo de imortais da ABL. Convidado para esse time, Chico Buarque disse não.
Merval Pereira é, hoje, colunista do jornal O Globo e comentarista político da Globo News e da rádio CBN. Detalhe: Merval é o 55º acadêmico a assumir a presidência dessa casa.
A ABL já teve em seus quadros muitos jornalistas, entre os quais o mais novo deles: João do Rio.
Sei não, mas no próximo ano é bem possível que eu disputa uma cadeirinha da ABL. Se me aceitarem, prometo trocar o famoso chá das cinco por uma cachacinha da boa. Detalhe: e assumirei sem o fardão, que acho ridículo.
Você já ouviu falar do Instituto Memória Brasil, IMB? Clique: https:// institutomemoriabrasil.com.br/

sábado, 19 de março de 2022

ANIMAIS EM EXTINÇÃO

A ganância continua motivando pessoas sem escrúpulos, que atacam dia e noite nossas florestas para delas se locupletarem. 
Nessa escalada contra o meio ambiente, perdemos todos e os animais indefesos, inclusive.
Toda essa devastação ocorre diante do olhar cúmplice de autoridades. 
Ibama de braços cruzados, pouco ou nada faz.
O presidente e seus apoiadores fazem de conta que nada veem. Ao contrário, incentivam a destruição do nosso meio ambiente.
Milhares e milhares de animais estão em fase de extinção.
Nos últimos 8 anos, o número de animais que podem desaparecer das nossas terras dobrou. A comprovação está na nova lista da Conabio, Comissão Nacional da Biodiversidade.
Entre os animais que podem desaparecer definitivamente no Brasil está o guaiamum. A propósito, o guaiamum já foi tema de música popular. Ouça:


Para mais detalhes, clique: Lista de animais ameaçados de extinção no Brasil dobra em oito anos

sexta-feira, 18 de março de 2022

CULTURA PRECISA DE PRODUTOR E PRODUÇÃO

Elielma, agora produtora cultural
Há uns anos fui convidado e aceitei a fazer uma série de palestras no interior paulista, para prefeitos recém eleitos. O convite partiu da direção do SEBRAE, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Nessas palestras, abrilhantadas nos intervalos por Téo Azevedo, à viola, eu mostrava a importância da cultura popular ante a sociedade como um todo. 
Em Presidente Prudente, conheci o prefeito Itamar Borges.
Cultura dá dinheiro, prestígio e emprego. 
A figura do produtor cultural é importantíssima.
No mercado faltam especialistas. Mas há cursos, aqui e ali, que visam aperfeiçoar candidatos à profissão. 
Ontem 17, a pedagoga pernambucana Elielma Maria Coelho Carvalho Lopes concluiu o curso de Gestão de Projetos Culturais, pelo SESI, Serviço Social da Indústria. Está satisfeita. O curso, segundo ela, durou 7 meses. Diz: 

Como produtora cultural no ano de 2011 escrevi dois projetos no ProArt da Secretaria de Educação de São Paulo (SME) realizamos 21 shows nos CEUs da cidade, só que eu não entendia muito do riscado por isso passei a produção para outra pessoa.
Em 2020 depois de muita luta dos forrozeiros de São Paulo, incluindo o esforço do meu esposo Cacá Lopes em prol do forró, saíram os primeiros recursos do poder público de fomento ao forró, através de uma lei voltada para esse gênero musical.
Fui estimulada pela Isabel Santos a escrever um projeto para ele, como não tinha experiência ela me indicou a Suelen Garcez, produtora experiente. Rascunhei um projeto, passei para Suellen fazer os ajustes necessários e fomos contemplados com o Projeto Abraços e Versos: Um Encontro entre o Forró e o Cordel (ver link, abaixo). Além desse, em 2020 escrevi outros dois. Um projeto solo chamado de Patativa à Gonzagão pelo Proac LAB – Secretaria Estadual da Cultura de SP e um do Coletivo Sarau Bodega do Brasil pela Lei Aldir Blanc e em ambos fomos bem-sucedidos. É isso, quero aprender e saber mais sobre o tema, só assim vou contribuir efetivamente com a cultura.

Produtores profissionais, como empresários e captores de recurso, são necessários para a valorização de artistas e intelectuais. Eu mesmo conheço muita gente boa que se tivesse alguém capacitado ao seu lado ganharia, com mais rapidez, os espaços naturais a eles reservados ou dedicados.
Daqui mando meu abraço certo de que Elielma Carvalho conseguirá alcançar o que pretende como Produtora Cultural.

quinta-feira, 17 de março de 2022

O TRANSPORTE PÚBLICO ESTÁ FALIDO

O transporte de gente e de cargas, via trens, no Brasil é completamente deficiente. Pra dizer o mínimo.
A primeira linha de trem, no Brasil, foi inaugurada em 30 de abril de 1854. Tinha 14,5km e ligava Mauá a Fragoso, no Rio. O Autor dessa façanha foi Irineu Evangelista de Sousa, que ganharia o nome de Barão de Mauá, por obra e graça do imperador Pedro II.
As linhas se multiplicariam e virariam, em curto prazo, uma malha importante.
No dia 16 de março de 1957, o presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976) inaugurou a Rede Ferroviária Federal, RFF (Refesa).
A Refesa chegou a cobrir 19 Estados em 4 da 5 regiões do País. Sua malha: 22 mil km.
Trens são, no campo do transporte, uma grande riqueza em qualquer país. No Brasil, não. Assim pensam os donos do poder, desde há muito tempo, infelizmente.
E o que dizer dos trens de passageiros, especificamente?
Os trens de passageiros morreram, como morreram os trens de carga.
Ontem 16, no começo da noite, o engenheiro Peter Alouche proferiu concorrida palestra na NT Expo. Falou e falou. Lá pras tantas, teceu severas críticas contra os governos da Bahia, Mato Grosso e São Paulo. Disse achar, por exemplo, que o sistema Monotrilho não tem futuro, que o VLT está morrendo e o Metrô, por sua vez, super defasado e sua expansão andando a passo de tartaruga. No momento, porque antes não era assim.
Ex-professor da FAAP e do Mackenzie, Peter Alouche é um dos mais importantes e requisitados especialistas em transporte público do Brasil. E do mundo.
Quem não foi assistir a sua palestra na NT Expo, na Imigrantes, sob o tema VLT Uma Tecnologia De Transporte Para As Metrópoles Brasileiras, só teve a perder. Eu fui e gostei.
Trem na minha vida é uma indelével lembrança.
O Trem sempre esteve presente na minha vida e, certamente, na vida de tantos e tantos brasileiros da safra dos 50.
Tema constante na obra musical de muitos artistas, e pensando nisso, um dia fiz um levantamento sobre o trem como tema musical. O resultado foi um CD a que intitulei Um Trem, Uma Saudade.
Este blog oferece a seus leitores o prazer que é ouvir o disco em referência. Na íntegra. Clique:

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