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quarta-feira, 3 de agosto de 2022

UM ANO SEM JOSÉ RAMOS TINHORÃO

Em 1966, o cantor, compositor e instrumentista uruguaio, naturalizado, Taiguara Chalar da Silva tinha 21 anos de idade e um LP na praça.
Em 1966 o jornalista e crítico musical de Santos, SP, José Ramos Tinhorão tinha 38 anos de idade e um livro na praça.
Naquele já distante 66, Taiguara e a cantora Claudette Soares estavam lotando um teatro de gente em São Paulo com o show 1° Tempo: 5×0.
O show de Taiguara e Claudete, que viraria LP pela Philips, começava com Taiguara soltando os cachorros pra riba do Tinhorão. Claudete pedia pra que ele se acalmasse.
O papo era o livro que Tinhorão acabara de lançar: Música Popular, Um Tema em Debate (Editora Saga).
Dramaticamente, no show, Taiguara atira o livro do Tinhorão numa lata de lixo. Simbolicamente.
Nesse livro, Tinhorão já punha suas unhinhas pra fora detonando compositores brasileiros por suas obras musicalmente impuras, quer dizer: obras mescladas com tons estrangeiros. Entre esses, Vinícius e Tom Jobim. Papas da Bossa Nova, assim reconhecidos.
E foi aí que Claudete "pediu" ao parceiro que maneirasse na fala, pois "o livro de Tinhorão dura cinco minutos e a Bossa Nova já está fazendo dez anos". E até citava a página 18 do livro que, a certa altura, podia-se e pode-se ler:

JOHNNY ALF, pianista (mulato brasileiro de nome americano);
ANTÔNIO JOBIM, maestro (compositor repetidamente acusado de apropriar-se de músicas norte-americanas, esconde o nome Antônio sob o apelido americanizado de Tom);
VINÍCIUS DE MORAIS, poeta (velho compositor desconhecido até o advento da bossa nova, já em 1933 conseguia gravar o fox-canção Dor de Uma Saudade, imitando o ritmo norte-americano)
JOÃO GILBERTO, violonista (cidadão baiano, conhecido na intimidade por Gibi, de quem chegou a anunciar-se que ia requerer a cidadania norte-americana);
BADEN POWELL, violonista (contratado para tocar nos Estados Unidos, veio ao Brasil apenas para casar, regressando em seguida. Seu nome vem da admiração alienada do pai pelo general imperialista inglês criador do escotismo);
LAURINDO ALMEIDA, violonista (foi para os Estados Unidos há 18 anos na esteira do sucesso de Carmem Miranda e hoje é considerado mais norte-americano que brasileiro);
RONALDO BÔSCOLI, jornalista (responsável pela publicidade inicial da bossa nova, foi preterido pelo colega Sílvio Túlio Cardoso na viagem aos Estados Unidos paga pelo Itamarati, e que redundou no fracasso do espetáculo do Carnegie Hall);
CARLOS LIRA, violonista (autor da música do samba Mr. Golden, de parceria com Daniel Caetano, pretende a liderança da ala nacionalista da bossa nova com samba Influência do Jazz).

Pois é, Tinhorão era do tipo de chutar o pau da barraca e soltar um sorrisinho sacana de lado. Mais: do tipo mata a cobra e mostra o pau, assim dito no meu Nordeste. E com isso ganhou a ira de muita gente famosa, como ele próprio exemplifica no texto aí recuado.
José Ramos Tinhorão foi um brasileiro que respeitou e amou profundamente o Brasil. Antes dele, não havia uma história da nossa música popular. Não havia porque não houve quem a fizesse com o detalhamento necessário que o tema exigia.
Eu já disse e torno a dizer que a obra de Tinhorão há muito deveria estar sendo estudada na rede escolar, pública e particular.
Tinhorão, esse grande personagem da vida brasileira, nasceu na cidade paulista de Santos e aos nove anos de idade foi com os pais, Luiz e Amélia, crescer no Rio de Janeiro. Fez Jornalismo e Direito. Como jornalista, marcou.
Antes de virar o nome que virou,Tinhorão vivia de "free" fazendo reportagens e artigos pra revistas e jornais do Rio.
Em 1952, o nosso personagem foi levado por Armando Nogueira (1927-2010) para trabalhar como revisor do Diário Carioca. E foi crescendo, crescendo até chegar às páginas do Jornal do Brasil, já com o pseudônimo Tinhorão, acrescentado ao nome de batismo José Ramos. E foi no JB que Reynaldo Jardim o incumbiu de fazer reportagens e entrevistas com os bam-bam-bans do samba da época: João da Baiana, Donga, Heitor dos Prazeres, Bide e outros mais. Até Pixinguinha ele entrevistou. E contou-me um dia "cheguei no apartamento dele, do tipo kitchenette feito pelo Governo e ele se espantou quando viu os discos que gravou nas minhas mãos. De 78 RPM. Emocionou-se".
A história de José Ramos Tinhorão é incrível. Ele chegou, como chegamos, passeou e partiu. No
decorrer desse passeio, ele erigiu uma obra fantástica constituída de uma trintena de livros fundamentais para a compreensão musical do nosso País.
Tudo começa, a rigor, com o primeiro dos 34 textos da série intitulada Primeiras Lições de Samba, publicado no dia 22 de dezembro de 1961 no Caderno B do JB sob o título Da Serra da Favela ao Morro da Favela: em matéria de samba a primeira umbigada é o baiano quem dá.
Essa série, que findou no dia 8 de novembro de 1962, incluiu 23 textos sobre Samba, sete sobre Bossa Nova e quatro sobre Choro. Deu o que falar. A propósito, Tinhorão foi um dos introdutores do choro no Japão.
Explico reproduzindo o seguinte:

Estimado Senhor J.R. Tinhorão,
Esta gravação é boa colheita da semente que eu plantei no Japão desde década de 1950 por sua orientação.
Muito obrigado
15 de dezembro de 2014
Hidenori Sakao
Capitão-de-Fragata
Ex-assessor Cultural do Consulado do Japão em São Paulo

A semente plantada por José Ramos Tinhorão floresceu e ainda há de florescer, aqui e alhures.
Quem não conheceu Tinhorão de perto é até natural que o ache ou o achasse um chato de galocha. Bobagem. Não era.
Tinhorão foi um ser agradabilíssimo, afável, solidário.
Muitas vezes Tinhorão chegava a minha casa e divertia-se com os gatinhos da minha filha Clarissa, que pulavam no seu colo.
No primeiro texto que escreveu na série Primeiras Lições de Samba, Tinhorão inseriu como parceiro seu amigo Sérgio Cabral. Mas essa é outra história, até porque Cabral não participou da elaboração do referido texto.
Os discos de Taiguara estão fora do mercado, infelizmente.
Os livros de Tinhorão, todos, estão à disposição no mercado.
José Ramos Tinhorão, figura ímpar da historiografia musical do Brasil, partiu para a Eternidade no dia 3 de agosto de 2021.
E sobre ele, por não ter o que fazer, escrevi:

Nessa nossa terra tem
Xote, xamego e canção
Frevo e maracatu
Samba, batuque e baião
E poeta popular
Tirando verso do chão.

É uma terra bonita
Que dá vida, dá lição
Ensinando a sua gente
A ter mais educação
A ler para entender
O Brasil de Tinhorão

Esse mestre logo pôs
A cultura em discussão
Pra depressa entender
Sua origem e formação
Ora juntos aplaudamos
J.R.Tinhorão


A notícia do encantamento de José Ramos Tinhorão ocupou 59 segundos do Jornal Nacional, edição de 3 de agosto de 2021: 
 

E TAMBÉM LEIA: VIVA JOSÉ RAMOS TINHORÃO?TINHORÃO, UMA LEITURA NECESSÁRIAADEUS, TINHORÃO
E OUÇA TINHORÃO PALESTRANDO: O SAMBA - DAS ORIGENS AO PELO TELEFONE
QUER SABER MAIS? Então leia o livro Tinhorão - O Legendário, de Elizabeth Lorenzotti (Imprensa Oficial de São Paulo, págs 280).

Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora
Charge: Fausto

HOJE É DIA DE VASSOURINHA

Meu amigo, minha amiga, você sabe quem foi Vassourinha?
Vassourinha foi um negro paulistano, de voz poderosa, que começou a trabalhar na vida como um "faz-tudo" (contínuo) na rádio Record de São Paulo. Brincalhão, foi descoberto pelo jornalista e radialista Raul Duarte (1912-2002), como cantor.
Vassourinha, de batismo Mário Ramos de Oliveira, nasceu no dia 16 de maio de 1923 e morreu no dia 3 de agosto de 1942. Hoje 3, portanto, faz 80 anos do encantamento de Vassourinha.
Não custa lembrar que o ano de 1923 marcou a fundação da primeira emissora de rádio de São Paulo: Rádio Educadora Paulista. Essa rádio teve como primeiro cantor e compositor contratado o paulistano Roque Ricciardi, mais conhecido como Paraguaçu (1894-1976).
A carreira e a vida de Vassourinha foram curtas.
Vassourinha deixou, exatamente, seis discos gravados entre 1941 e 1942. O primeiro com as músicas Juracy, de Antônio Almeida e Ciro de Souza e Seu Libório, de João de Barro e Alberto Ribeiro. E o último com as músicas Amanhã tem Baile, de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira e Volta pra casa Emília, de Antônio Almeida e J.Batista. Gravadora: Columbia.
Mário Ramos de Oliveira morreu vítima de tuberculose, doença que pega muita gente boa até hoje.
Os seis discos, de 78 RPM, de Vassourinha viraram um LP que foi lançado em 1969.

terça-feira, 2 de agosto de 2022

LUIZ GONZAGA, MUITO ALÉM DE NÓS

 
Hoje 2 faz 33 anos que o pernambucano Rei do Baião trocou a terra pelo céu. Deixou saudade e um legado musical constituído por 627 títulos.
Luiz Gonzaga foi o artista da música popular brasileira mais biografado. Mais de uma centena de títulos e textos avulsos contam a sua história. Eu mesmo escrevi e publiquei três livros sobre ele: Eu Vou Contar pra Vocês (1989), Dicionário Gonzagueano (2006) e Lua Estrela Baião - A História de Um Rei (2012). Também escrevi um texto poético musicado pelo querido Oswaldinho do Acordeon e, depois, por mim declamado e gravado no CD Salve 100 anos Gonzagão. Faixa 15, ouça: 
 
 
LEIA MAIS:  

FATEL

A cantora e produtora musical mineira Fatel está fazendo aniversário de vida, hoje 2, mesmo dia do encantamento do cantor e sanfoneiro Luiz Gonzaga do Nascimento. Parabéns, Fatel! Que a vida continue graciosa com você! Um abraço do paraibano, Assis. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

TODO DIA É DIA DE CORDEL

 
No nosso calendário festivo há data para tudo, inclusive para o cordel.
Hoje, 1º de agosto, é o Dia do Cordel, do Poeta Cordelista. Nacional do Cordel.
É fato que não se sabe, com firmeza, quem e quando lançou o primeiro folheto. Coisa antiga.
O jornalista e historiador José Ramos Tinhorão já fazia citação de folhetos em livros seus. Em Rei do Congo - A Mentira Histórica que Virou Folclore, Tinhorão cita três cordéis do século 16, publicados em Portugal: Almocreve de Petas, ou moral disfarçada para correção das miudezas da vida, por José Daniel Rodrigues da Costa; Anatômico Jocoso, que em diversas operações manifesta a ruindade do corpo humano, para emenda ao vicioso, de Frei Lucas de Santa Catarina e Folheto de Ambas Lisboas, sem indicação de autoria.
É pensamento comum que a Donzela Teodora e a imperatriz Porcina foram dois dos folhetos poéticos publicados ali pelo tempo da Idade Média. Século 13, por aí.
A Donzela é personagem que encanta a todos que tomam conhecimento da sua história: é uma jovem linda de origem espanhola escravizada e como tal vendida por um mouro em Tunes, Tunísia, cidade localizada ao norte de África.
Eu já andei escrevendo sobre a Donzela Teodora.
A história contida no folheto A Imperatriz Porcina é fabulosa, como fabulosa é a história da Donzela. Fabulosa e trágica. Conta que o irmão de um rei violenta a intimidade da cunhada. Por aí.
No princípio, lá bem atrás, os folhetos não tinham ilustração na capa. Isso só veio a acontecer na virada do século 19, no Brasil.
Ilustravam as capas dos folhetos xilogravuras.
É interessantíssima a história da xilogravura.
Quem não conhece, já é tempo de conhecer a história de Jeová Franklin, autor do livro Xilogravura Popular na Literatura de Cordel.
A primeira vez que a palavra Cordel aparece num livro é no dicionário contemporâneo Aulete.
Houve e ainda há grandes cordelistas, no nosso país. Os pioneiros foram Silvino Pirauá de Lima e Leandro Gomes de Barros, autores respectivamente de História do capitão do Navio e A Donzela Teodora.
Leandro foi o poeta brasileiro que adaptou a Donzela para a nossa língua em folheto publicado, provavelmente, em 1905.
Entre os cordelistas contemporâneos, de grande qualidade, podemos citar Klévisson Viana, Marco Haurélio e João Gomes de Sá.
E há mulheres escrevendo folhetos de cordel com inegável talento.
O cordelismo e o repentismo se misturam de certo modo. Afirmo sem medo de errar que um cantador repentista é também cordelista. Oliveira de Panelas, Ivanildo Vila Nova, Geraldo Amancio e Sebastião Marinho são exemplos do que digo. E há curiosos, como eu. Não sou cordelista nem repentista, mas aqui e acolá cometo investidas no campo poético em sextilhas e septilhas. E quadras. 
No correr da pandemia provocada pelo Novo Coronavírus, escrevi e publiquei quatro folhetos: Jornalismo e Liberdade Nos Tempos de Pandemia, Serpente Quer Por Ovo No  Coração do Brasil, Coronavírus: Piolho do Cramunhão faz o mundo todo tremer e Repórter Entrevista Piolho Do Cramunhão. 
Também escrevi, publiquei e declamei o folheto A Vida como Tragédia e um Cego por Testemunha.
Na linha de sextilha acabo de escrever umas estrofes em homenagem ao apresentador de TV e contador de causos Rolando Boldrin. Esses versos, que intitulo Sr. Boldrin, ganharam as cordas da viola e a voz do cantador Sebastião Marinho. Confira:
 

A professora Yvone Dias Avelino, da PUC-SP, acaba de publicar um trabalho sobre o tema Literatura de Cordel. O texto foi apresentado  no III Congresso Internacional e Interdiciplinar em Patrimônio Cultural, em Lisboa. Cordel é coisa séria. Leia: LITERATURA DE CORDEL: ASSIS ÂNGELO E O INSTITUTO MEMÓRIA BRASIL

VISITA

 Há pouco estiveram comigo um bando de talentos, à frente o xilogravador e cordelista cearense Klévisson Viana. Confira: https://www.facebook.com/paulodetarso.bezerragomes/videos/5407856159302216

domingo, 31 de julho de 2022

SR. BOLDRIN, O MELHOR DA TV (2, FINAL)

 
O Sr. Brasil está repaginado desde domingo 24/7. Se já era bonito, agora está melhor.
Segundo Boldrin, a nova repaginação do programa abordará temas polêmicos como seca e Amazônia.
A Amazônia foi o primeiro tema do novo Sr. Brasil. Os artistas convidados cantaram pérolas sobre a Amazônia. Faltou Villa-Lobos, mas Villa marcou a vida principalmente como músico erudito. E o Sr. Brasil, como se sabe, é um programa de conteúdo popular.
A história de Rolando Boldrin começa em São Joaquim da Barra, município paulista localizado a 353.34 km de Sampa. Foi nessa cidade que ele nasceu no dia 22 de outubro de 1936. Passou um tempinho em terras gaúchas e a carreira artística iniciou na capital de São Paulo. A primeira música que gravou, um bolero, foi Um Cantinho para Dois, em duo com a cantora Lurdinha Pereira, que durante anos integrou o conjunto Farroupilha. Depois disso gravou dezenas de discos entre compactos simples e duplos, LPs e CDs. Também tem livros publicados, de causos. No cinema fez bonito, ao participar dos filmes Os Miseráveis (1958), Doramundo (1978), Ele, o Boto (1987); O Tronco (1999) e O Filme da Minha Vida (2017).
Boldrin diz que está louco pra voltar para o cinema.
E por não ter o que fazer, escrevi e aqui declamo para o amigo o poema a que intitulei Sr. Boldrin. Clique:



Meu amigo, minha amiga, você já ouviu falar do Instituto Memória Brasil? Acesse: https://institutomemoriabrasil.com.br/

Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 30 de julho de 2022

SR. BOLDRIN, O MELHOR DA TV (1)


Boldrin é caboco bom
De prosa e poesia
No programa que comanda
Tem humor, tem energia
E é todo recheado
De viola e cantoria

É bonito o qu'ele faz
Na base da brincadeira
O seu bom Sr. Brasil
Tem até mulé rendeira
Rolando Boldrin faz bem
À cultura brasileira

Conta causo, conta verso
De maneira natural
O que canta e o que diz
Ele tira do bornal
Boldrin é voz e alma
Do Brasil nacional


Aqui nesse canto eu costumo falar de coisas e gentes passadas, boas. E não tem como não falar, e bem, do caboco Rolando Boldrin.
Boldrin é ator, autor, compositor, violeiro e um monte de outras coisas mais. É nome bonito, famoso. Talentosíssimo.
No programa dominical Sr. Brasil, criado em 2005, Rolando Boldrin faz e acontece com suas tiradas, causos e cantos. É apresentador afinadíssimo e violeiro dos bão, sô!
Antes de criar e apresentar o Sr. Brasil, Rolando Boldrin passou pelas tevês Globo, Bandeirantes e SBT. E sempre com sucesso estrondoso.
Sei não, mas acho que Boldrin já entrevistou tudo quanto é gente boa do Brasil. Principalmente cantores e instrumentistas.
O caboco aí tem muito o que contar.
Eu conheci Rolando Boldrin no começo dos anos de 1990. Em 93 era pra ele e eu cuidarmos da série Som da Terra. Sobrou pra mim, pois na hora H ele não topou a empreitada. E foi assim que em 1994 a extinta gravadora Continental, Warner Continental, levou à praça 25 ou 26 LPs, CDs e fitas k-7. Nessa série eu conto em texto e música a história das cantigas da viola. Comecei com o bravo Cornélio Pires e segui com Raul Torres, Serrinha e tantos e tantos. Fechei a série com Rolando Boldrin, cujo CD ele me disse depois que comprou numa loja em Nova Iorque.
Como se vê, Boldrin e colegas violeiros ultrapassaram nossas fronteiras.
E Boldrin é do tipo que não esquece coisas, não esquece nada. É detalhista e exigente. Quer sempre o melhor para si e para todos, o que é uma qualidade humana.
Certa vez, conversa vai conversa vem, Boldrin disse-me que tinha consigo uma música inédita do carioca de Vila Isabel, Noel Rosa. Ele cantou e eu ouvi. Bonita. Essa história, aliás, eu contei na coluna MPB: História & Histórias, que durante bom tempo assinei para a Agência Estado.
Uma vez convidei Boldrin para participar do programa São Paulo Capital Nordeste, que durante anos apresentei na rádio Capital. Rádio é coisa boa. Ele foi e levou consigo uma boa marca de vinho. E bebeu. Saiba mais, acessando: UMA HISTORINHA A VER COM VINHO, NO RÁDIO
Assunto é o que não falta para quem quiser falar a respeito do apresentador do Sr. Brasil.


sexta-feira, 29 de julho de 2022

EU E MEUS BOTÕES (30)

"A política brasileira está uma loucura", começou Zilidoro, acrescentando: "A violência já começou".
Ao ouvir isso, acrescentei em tom natural: Sempre foi assim, Zilidoro. Os políticos se incumbem de por fogo na fogueira. Muita gente já morreu discutindo política.
E Lampa no seu canto, cutucando as unhas com seu punhalzinho, escutando, escutando. De repente, levanta a sobrancelha direita e resmunga: "Mataro até o presidente Vargas. Mataro Castello Branco. Mataro...".
"Você tá dizendo besteira, Lampa. Getúlio morreu pelas próprias mãos, ao detonar um tiro no peito", disse Biu.
Barrica, concordou com o irmão e acrescentou: "Castello morreu na queda dum avião".
Mané, que de besta não tem nada, lembrou que Getúlio caiu em desgraça pelos ataques do seu inimigo político Carlos Lacerda. E que o avião que transportava Castello Branco não foi abatido e caiu por problemas mecânicos. Lampa: "Isso é o que dizem, é o que dizem...".
Pessoal, eu disse, vamos mudar de assunto?
"É a gente pode mudar de assunto, mas continuar na política", foi a vez de Zé.
Jão, que a tudo observava, respirou fundo dizendo que "de tédio ninguém morre no Brasil". Esse Jão, esses meus botões estão me surpreendendo a todo momento. 
Zoião parecia estar lendo meu pensamento. Disse ele: "A semana tá terminando em alvoroço, só não vê quem é cego!".
Achei graça e disse na brincadeira: Calma, calma Zoião, eu sou cego mas vejo. E ele: "Desculpa chefe, eu não queria chatear". 
Jão deu uma risada gostosa depois de ouvir a gafe de Zoião. 
Calado Zé voltou à tona dizendo:
 "O Bozo, como diz uma amiga minha, está subindo parede com medo do Lula. O Ciro tá cortando o vento com os dentes. Chutando, como sempre, o pau da barraca. E não aguenta o Lula, como o Bozo".
Seu vizinho de casa, Zoião, balançou a cabeça concordando: "É isso mesmo e acho que o Lula está andando de salto alto com aquela sainha ridícula...".
"Sainha, que sainha?", perguntou o Barrica meio tonto. "É força de expressão, seu besta!", respondeu Zoião.
E a carta aos brasileiros e brasileiras que professores e alunos da USP abriram no site da USP?, quis eu saber dos meus queridos botões. "Achei bom, achei bom. Quem não gostou foi Bolsonaro", disse pontuando as palavras o Zilidoro. E Lampa só ouvindo. De repente, soltou a sua voz cavernosa: "Sei não, mas acho que isso inda vai dar problema".
"Que problema?", quis saber o Jão. "Problema de discussão, de briga, pois xingamento a carta já provocou", respondeu Lampa com seu jeitão de cabra de pouca conversa.
Peguei carona e andei na conversa em pauta, querendo saber o que achavam da carta que a Fiesp está elaborando com adesão dos grandões da Febraban. "Essa é uma questão de poderosos muito poderosos. Ao fim, sobrará pro povo que tá passando fome e todo tipo de desgraça", concluiu Zilidoro.
Mas antes de dar a conversa por encerrada, Barrica quis saber se eu conheci o cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré. Eu disse que sim, que conheço. E que ele vai fazer 87 anos no próximo dia 12 de setembro. Por que essa pergunta?, eu quis saber. E Barrica: "Porque ele tem uma música que eu acho muito legal e que tem a ver com o momento atual que vivemos".
"Boa, Barrica! A música que você se refere é Pra Não Dizer que Não Falei de Flores, não é?", acertou Zilidoro.

quinta-feira, 28 de julho de 2022

CARTAS QUE INCOMODAM

A Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em 1866
Eu disse e repito: precisamos estar sempre alertas, vigilantes, para que a democracia não seja usurpada e naufrague nas profundezas do desconhecido.
Em 1977, juristas e demais membros da sociedade civil se juntaram e exigiram, em carta aberta aos brasileiros e brasileiras, que a democracia retomasse seu rumo. 
Em 1977 o Brasil se achava amordaçado, nas mãos dos militares. 
À época, o general de plantão era o gaúcho Ernesto Geisel (1907-1996).
A carta de 77 foi lida por Goffredo da Silva Telles no dia 11 de agosto, no "Território Livre" da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Nesse mesmo lugar, e dia/mês, serão lidas mais duas cartas abertas à população brasileira. A que acaba de ser feita por professores e estudantes da USP e a que está sendo feita por empresários ligados à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Fiesp.
Essa carta, a da USP, já recebeu a adesão de quase 200 mil pessoas, entre elas os juristas Sepúlveda Pertence, Carlos Ayres Britto e Celso de Mello; os artistas da nossa música popular Chico Buarque, Arnaldo Antunes, Ana de Hollanda e Bete Mendes; o cineasta João Moreira Salles; os jornalistas Astrid Fontenelle e Juca Kfouri e o Padre Júlio Lancellotti, por quem o papa Francisco tem demonstrado grande respeito.
A carta da Fiesp terá a adesão até da Febraban, que reúne 116 bancos. Desses estão fora o 
Banco do Brasil e a Caixa Federal.
O dia 11 de agosto marca a criação dos cursos jurídicos no Brasil, em 1827.
Enquanto a sociedade civil se organiza a favor da democracia, o presidente bufão Jair Bolsonaro está rosnando, chiando, subindo pelas paredes. Que nem um cão raivoso, disse: "Vivemos num país democrático, defendemos democracia, não precisamos de nenhuma cartinha para dizer que defendemos a democracia (...). Pra dizer que queremos cumprir e respeitar a Constituição, não precisamos então de apoio ou sinalização de quem quer que seja para mostrar que nosso caminho é a democracia, a liberdade, respeito à Constituição".
Bolsonaro continua ameaçando o Estado Democrático de Direito vigente no nosso País desde o fim da ditadura militar. 
 

quarta-feira, 27 de julho de 2022

DEMOCRACIA SEMPRE

O jurista Goffredo da Silva Telles (1915-2009) definia a ditadura como um tipo de governo feito para o povo, sem o povo.
Ditadura, de direita ou de esquerda, é uma porcaria. Só serve aos poderosos, aos que querem se perpetuar no poder a qualquer custo.
Nós brasileiros e brasileiras estamos correndo risco de perder a democracia para a ditadura. 
O tempo todo o atual presidente da República ameaça-nos de usurpar a liberdade tão duramente conquistada por nós, desde a promulgação da Carta de 1988. Nessa Carta lê-se, já no 1º artigo no seu parágrafo único: “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.
É, pois, preciso que estejamos sempre atentos. Vigilantes.
Ontem 26 o site da Universidade de São Paulo, USP, postou uma "Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito!". De cara mais de 3 mil pessoas, de áreas diferentes, subscreveram essa carta. Que termina assim:

Imbuídos do espírito cívico que lastreou a Carta aos Brasileiros de 1977 e reunidos no mesmo território livre do Largo de São Francisco, independentemente da preferência eleitoral ou partidária de cada um, clamamos as brasileiras e brasileiros a ficarem alertas na defesa da democracia e do respeito ao resultado das eleições.
No Brasil atual não há mais espaço para retrocessos autoritários. Ditadura e tortura pertencem ao passado. A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa necessariamente pelo respeito ao resultado das eleições.
Em vigília cívica contra as tentativas de rupturas, bradamos de forma uníssona:
Estado Democrático de Direito Sempre!!!!

As adesões continuam.
A carta aos brasileiros e brasileiras será lida no próximo dia 11 de agosto, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco.
A democracia ainda é o melhor caminho para uma sociedade se mover.
A luta pela democracia é eterna.
Séculos antes de Cristo um grego, Diógenes, lutou por liberdade combatendo tiranos, assaltantes do cofre público, da dignidade humana etc. Sobre ele e a sua luta, escrevi: 

A terra de Homero
E da Mitologia
Dos deuses do Olimpo
E da Democracia
Plantou em Diógenes
A flor da Anarquia

Diógenes era um doido

Diplomado em Poesia
Com sua lanterna acesa
Em pleno dia
Procurou mas não achou
No poder cidadania

Outras coisas ele achou

Mas não o que queria:
Um Ser que fosse honesto
A verdade sem fantasia
e um santo que falasse 
Do valor da valentia

Valente é todo Ser

Que vive de teimosia
Que detesta injustiça
E a lei da "Mais Valia"
E não vou falar mais disso
Adeus, até outro dia!

Com uma inseparável lanterna, Diógenes entrou para a história procurando um homem honesto. Não achou. É isso.

terça-feira, 26 de julho de 2022

POR QUE O BRASIL ESQUECE SEUS FILHOS, HEIN?

Eu já disse várias vezes o óbvio: o Brasil tem memória curta e dificilmente reconhece seus filhos e por não reconhecê-los, os esquece.
Somos um país de esquecidos, infelizmente.
O dia 26 de julho de 1915 marca o nascimento do pernambucano Fernando Lobo.
Lobo, pai de Edu, estudou violino, violão e outros instrumentos de corda. Criou-se em Campina Grande, PB.
Além de músico, Fernando Lobo foi jornalista e radialista com boa atuação em Recife, PE, e Rio de Janeiro, RJ. Também atuou nos EUA.
No Rio, Fernando Lobo dirigiu várias emissoras, entre as quais Tamoio e Nacional.
Um dia Lobo proibiu Luiz Gonzaga, então futuro Rei do Baião, a cantar. O mesmo fez um diretor da extinta gravadora Victor. Mas isso não impediu que Gonzaga alcançasse o estrelato e que cravasse definitivamente o seu nome na história da nossa música popular.
Luiz Gonzaga, pernambucano que nem Fernando Lobo, tem músicas gravadas em várias línguas. Em inglês, inclusive.
As cantoras Carmem Miranda e Peggy Lee gravaram Gonzaga nos EUA. Também nos EUA, Gonzaga teve o seu famoso Baião gravado pelo paulista fantástico Laurindo Almeida. A gravação de Laurindo ganhou título de Blue Baiao, incluído no disco de 10 polegadas Brazilliance Vol.1 (capa ao lado). Dessa gravação participou Bud Shank. Vamos ouvir?
Ah! O dia 26 de julho de 1995 marca o falecimento, nos EUA, de Laurindo. No ano seguinte, precisamente no dia 22 de dezembro, foi a vez de Fernando Lobo nos deixar.
 

segunda-feira, 25 de julho de 2022

PERSONA ENFOCA TAIGUARA

O Brasil é celeiro de grandes talentos musicais como Carlos Gomes, Chiquinha Gonzaga, Joaquim da Silva Callado, Villa-Lobos, Noel Rosa, Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga, Tom Jobim.
Taiguara Chalar da Silva foi um grande cantor e compositor. Nasceu em Montevidéu, mas foi trazido para o Brasil ainda muito novinho. 
Taiguara não gostava que o chamassem de uruguaio. Irritava-se. A respeito dele e desta questão já escrevi bastante.
No último domingo 24 a TV Cultura levou ao ar mais uma edição do programa Persona, dessa vez enfocando Taiguara. Belíssimo programa, com jeito de documentário pra cinema. Sim, um baita documentário de quase uma hora de duração. Seu titular Atilio Bari está de parabéns.
Quem, por uma razão ou outra, não assistiu o especial Taiguara tem, agora, mais uma chance:

domingo, 24 de julho de 2022

ALDO REBELO, UM CANTADOR DE GESTAÇÃO (2, FINAL)

No decorrer dos causos contados, Aldo disse que a violência é uma praga que existe em todo canto. E lá vem ele: “Um dia um guarda rodoviário fez parar um carro. Dentro além do motorista, um acompanhante. Parado o carro, a autoridade rodoviária ouviu um barulho esquisito no porta-malas e imediatamente determinou que fosse aberto. Lá se achava uma jovem amarrada e amordaçada. Tirou-lhe a mordaça. A jovem disse que o motorista era seu pai e o acompanhante, seu irmão. E por que tal caso estava ocorrendo?”
Segundo a jovem, o pai não queria que se casasse com um certo cidadão. E por que?
O cidadão em pauta era um assassino famoso no Nordeste e já tinha sobre as costas a morte de pelo menos meia dúzia de mulheres. Era um tarado.
O guarda, então, concordou que o pai da jovem estava certo. E liberando o motorista, disse: “Ela está doida, mesmo! O manicômio é o seu lugar”.
São muitas as histórias pitorescas constantes no repertório do Aldo Rebelo.
Durante o almoço, muitas histórias foram contadas.
E o padre, ouvindo.
Em determinado momento, senti uma mão no meu ombro e perguntei: “Quem é?”. Resposta: “É o padre, porra!”.
O mais recente livro de Aldo Rebelo chama-se O Quinto Movimento. Esse livro trata do achamento do Brasil, do “grito” de Pedro I, da escravidão e do golpe militar que acabou com o Império. A respeito o cantador repentista cearense Geraldo Amâncio, publicou um folheto de cordel que começa assim:

Brasil, uma terra esplêndida
magnífica, destinada
a maravilhar o mundo,
por Deus vocacionada,
tudo de bom tem de sobra,
mas está como uma obra
incompleta, inacabada.

Este cordel vem das páginas
de um livro norteador
feito de ideias brilhantes,
todas de alto teor,
para que o Brasil avance,
e com segurança alcance
um futuro promissor.

É “O Quinto Movimento”
livro que em textos polidos
mostra ao país os caminhos,
que deverão ser seguidos,
e dessa forma alcançar,
o mais alto patamar
dos povos desenvolvidos.

O cordel de Amâncio, segue terminando assim:

No país onde os poderes
vivem se digladiando
a data das eleições,
já está se aproximando,
se espera um nome ideal,
de envergadura moral
para assumir o comando.

Que o caminho democrático
viabilize essa conquista
e o eleitorado escolha,
o melhor nome da lista,
é o que a nação deseja,
para que o povo seja
seu principal avalista.


Aldo Rebelo acaba de prefaciar o livro póstumo do jornalista José Antônio Severo (1942-2021). Esse livro traz histórias da Independência do Brasil.E o detalhe mais importante nessa história: Aldo Rebelo, além de ótimo contador de causos, é um cantador em gestação. Pois, não à toa, ousou improvisar, junto com Sebastião Marinho, em quadras a toada de origem popular que tem como mote No Calor da Vaquejada. Confira:

sábado, 23 de julho de 2022

ALDO REBELO, UM CANTADOR DE GESTAÇÃO (1)

Que Aldo Rebelo é alagoano de Viçosa, todo mundo sabe.
Que o alagoano Aldo Rebelo é político, todo mundo sabe. E como político Aldo Rebelo começou a carreira como vereador, em São Paulo. E foi o povo de São Paulo que o elegeu seis vezes seguidas deputado federal.
Que Aldo Rebelo foi ministro de pastas diferentes quatro vezes, poucos sabem. E pouquíssimos sabem, ou lembram, que Aldo Rebelo foi presidente da União Nacional dos Estudantes, UNE.
E pensar que Aldo foi ministro da pasta hoje ocupada pelo general lambe-botas Paulo Sérgio, chega ser uma loucura.
Ah! É certo que poucos lembram que Aldo Rebelo foi também presidente da Câmara dos Deputados, no tempo de Ulysses (1916-1992) e Arraes (1916-2005).
“Hoje, na Câmara e no Senado, está tudo esculhambado. O nível de parlamentar é outro, infelizmente”, carimba Aldo Rebelo.
Além disso tudo e de opiniões claras, Aldo Rebelo é jornalista e escritor. Dos bons.
Dia desse, Aldo passou em casa e me apanhou para comer uma carne de sol típica do Nordeste e fomospara um restaurante baião, na zona Sul de Sampa. E comigo também foi o amigo Atilio Bari, dono de uma risada excepcional. No restaurante nos encontramos com o poeta Moreira de Acopiara e o cantador repentista Sebastião Marinho. Lá também estavam o radialista Carlos Silvio, Padre Ney e a presidenta do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro Brasileira, Conceição Reis.
Sebastião Marinho e sua viola
Pouquíssimas pessoas, repito, pouquíssimas pessoas sabem que Aldo Rebelo é um piadista e um contador de causos fora de série.
Aldo contou, de maneira muito própria, que foi amigo do pernambucano Miguel Arraes. E também do paraibano Ronaldo Cunha Lima. E lá vem ele: “Arraes gostava de molhar o bico com água que passarinho não bebe. Um dia lhe aconselharam a parar de beber. E se continuasse, diminuísse. Bebida traz problemas para a saúde. E Arraes, no risinho sarcástico, disse que sabia disso, tanto que andava no carro com um médico, o Dr. Johnnie Walker”.
Mas além de whisky, o ex-governador de Pernambuco bebia boas cachaças.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

TAIGUARA É CULTURA ATÉ NA TV

 
Atenção, atenção, Brasil!
Domingo 24, depois de amanhã portanto, o programa Persona vai nos apresentar um especial sobre o cantor e compositor Taiguara Chalar da Silva
Persona é apresentado por Atilio Bari.
Taiguara nasceu em Montevidéu, Uruguai, e foi trazido pelos pais, Olga e Ubirajara, para o Brasil inda pequenininho.
Pequenininho, Taiguara tornou-se grande. Um gigante do amor e da liberdade. Solidário.
Eu conheci Taiguara no começo dos 80, cá em Sampa. Ele acabara de voltar de Tanganica, África.
No dia 24 de janeiro de 1982 publiquei, no extinto suplemento dominical Folhetim (Folha de S.Paulo), uma entrevista a que intitulei Taiguara Volta Pra Luta. 
À época, essa entrevista deu o que falar e no decorrer do tempo, também.
Taiguara gravou um monte de discos (acima) entre LPs e Compactos. E também um CD, no qual insere uma canção que fez em homenagem a um dos seus ídolos: Luís Carlos Prestes, O Cavaleiro da Esperança.
Maria Abília de Andrade Pacheco, da Universidade de Brasília, escolheu Taiguara como tema de mestrado, em 2013. E a entrevista que fiz com Taiguara serviu-lhe de base. Lá pras tantas, ela destaca uma das declarações do artista: "Parei de cantar em público em abril de 74. Nessa época, eu já tinha 44 músicas  vetadas  pela  Censura  Federal. Percebi,  então,  que  não  dava pra  continuar. E jurei: só volto a cantar quando o poder popular assumir o governo em meu país".
 Leia o que escreveu Maria Abília, clicando: TAIGUARA - A VOLTA DO PÁSSARO AMERÍNDIO
Sobre Taiguara foram publicados, até agora, dois livros: um em papel (Os Outubros de Taiguara), de Janes Rocha; e o outro na Internet (Taiguara - O Cancioneiro da Esperança), de Flávio Tiné.
Já escrevi bastante sobre Taiguara.
Em novembro de 2005, escrevi no jornal carioca A Nova Democracia o seguinte texto: O BRASILEIRO TAIGUARA NO JAPÃO
O programa Persona, da TV Cultura canal 2, repito, ao ar domingo 24, às 21h. Não perca! A chamadinha é esta:


ALDO REBELO

Daqui a pouco às, 20:30, o radialista Carlos Silvio vai entrevistar o alagoano Aldo Rebelo. Muitos assuntos em pauta. Política, principalmente. Aldo foi amigo de Taiguara. Esse papo promete! Acesse:

quinta-feira, 21 de julho de 2022

CAMÕES, SRI LANKA, PARAÍBA: UMA HISTÓRIA

Inflação na lua e economia totalmente desorganizada levaram rebeldes cingaleses às ruas de Sri Lanka gritando palavras de ordem e exigindo a renúncia do presidente Gotabaya Rajapaksa e do primeiro ministro Dinesh Gunawardena. Ambos tiveram suas residências incendiadas. O primeiro-ministro renunciou e o presidente fugiu num avião, na madrugada de 13 de julho.
A situação é periclitante em Sri Lanka, desde a madrugada de 9 de julho último.
Sri Lanka já foi chamado de Ceilão e Taprobana.
Os cingaleses vivem de chá, coco e turismo.
O turismo é a grande fonte de renda de Sri Lanka, por uma razão: foi por lá que Luís Vaz de Camões passou rumo à Índia, ali pelo ano de 1500 e qualquer coisa. E já na 1ª estrofe do primeiro dos 10 Cantos do seu famoso livro Os Lusíadas, escreve:

As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana

Por mares nunca de antes navegados

Passaram ainda além da Taprobana,

Em perigos e guerras esforçados

Mais do que prometia a força humana,

E entre gente remota edificaram

O Novo Reino, que tanto sublimaram;
 
Há pouco arrisquei-me a adaptar o belíssimo livro de Camões em sextilhas. No original, o autor faz uso de estrofes com versos cruzados. Penso numa ópera popular, que intitulei A Fabulosa Viagem de Vasco da Gama no Mar.
Em mais de hum mil versos, faço uso dos principais personagens de Camões. Estão lá deuses, ninfas e até o Velho do Restelo.
O presidente Rajapaksa caiu e no seu lugar assumiu hoje 21 Ranil Wickremesinghe, prometendo mundos e fundos ao povo.
O nome oficial da terra dos cingaleses, que fica ao sul da Índia no Índico, é República Democrática Socialista do Sri Lanka. A língua lá deles são duas: Cingalês e Tâmil. 
A população de Sri Lanka, que ocupa 65.610km² gira de em torno de 22 milhões.
Em termos territoriais, Sri Lanka tem a mais apenas 9.025km do que a minha querida Paraíba.

quarta-feira, 20 de julho de 2022

TV: SENSACIONALISMO PRENDE O POVO

Os programas de teor policial da Bandeirantes e Record, Brasil Urgente e Cidade Alerta, foram dedicados inteiramente hoje 20, ao vivo, à uma coisa chamada o Mistério da Casa Abandonada.
Dentro da tal casa, cuja janela foi arrombada pela polícia, se achava uma senhora de 60 ou 65 anos de idade.
A tal casa abandonada foi em tempos imemoriais muito bonita, uma mansão com mansarda e tudo mais.
Um cachorro magrelo fazia companhia à senhora de nome Margarida.
Margarida é uma brasileira que viveu durante anos nos EUA e lá teria cometido um crime análogo à escravidão. Condenada, voltou às pressas ao Brasil. E na tal casa, escondeu-se.
O caso remeteu-me aos tempos em que eu era repórter da editoria de polícia da Folha.
Como repórter da área policial entrevistei grandes nomes do crime como o Bandido da Luz Vermelha, Hiroito, Quinzinho e o líder da rebelião do presídio da Ilha Anchieta, Pereira Lima.
O setor policial não é fácil não. Estressante, quase fiquei louco, até que um dia o amigo Vandré aconselha-me (vejam só!) a parar com o que eu fazia. Aceitei a sugestão e, psicologicamente, acho que fiquei melhor.
Ouvindo ocasionalmente hoje 20 Datena falando sobre a Margarida da Casa Abandonada, concluí: mundo cão. Sensacionalismo. Horror. Mas esse mundo dá um Ibope danado, uma audiência fora do comum.
As tardes do dia a dia em Sampa deixam os telespectadores ligadíssimos diante da telinha de fazer doido, como diria o velho e bom Stanislaw Ponte Preta (1923-1968).
Não tenho pretensões de trocar a Terra pelo Céu, mas para o Inferno não quero ir.

REVELANDO SÃO PAULO É CULTURA

A cidade de São Paulo é incrível. Maravilhosa.
Na Capital paulista há tudo para todos, no tocante a agendas e programações. Culturais, inclusive.
Exemplificando o que ora eu digo, hoje 20 começa oficialmente mais uma edição do projeto Revelando São Paulo criado em 1996 e desenvolvido no acochegante Parque da Água Branca.
Revelando São Paulo deste ano de 2022 traz na sua programação artistas de grande gabarito como Almir Sater, Rolando Boldrin e Tetê Espíndola, cantora que não só canta: trina, que nem passarinho.
Acho sensacionais Almir, Boldrin e Tetê.
Da programação do Revelando deste ano constam danças e cantos indígenas, com indígenas; um festival de moda de viola, cateretê, catira, jongo, fandango, samba-lenço, batuque, folia de reis e cururu, que é um tipo de repente parecido com o que se faz no Nordeste.
Revelando São Paulo é um projeto que traz à tona belíssimas manifestações populares, tradicionais do nosso povo.
Eu, se fosse você, não deixaria de dar um pulinho até o Parque da Água Branca para curtir o Revelando.
Além de manifestações artísticas criadas pelo povo, o Revelando oferece ao público sensível e de bom gosto, bons pratos e boas cachaças próprios do interior paulista.
Pelo menos 120 municípios de São Paulo participam do Revelando. Bora lá? 
Almir Sater está pondo os pontos finais num novo disco, que deverá chegar à praça dentro de dois meses. 
Almir é viola pura.
Conheci Almir quando estava ele lançando seu primeiro LP pela extinta Continental. Pra lembrá-lo, ouça:
 

ARIANO SUASSUNA

Foi inaugurada hoje 20 exposição que trata da vida e obra do paraibano Ariano Suassuna, no Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – São Paulo/SP - Próximo ao metrô São Bento). Acesso gratuito. Com certeza vale a pena visitar essa exposição. Sobre Ariano, leia: HOMENAGENS A ARIANO SUASSUNA É SEMPRE BOM FALAR DO QUE É BOM. VIVA SUASSUNA! THE ECONOMIST, VITAL E ARIANO

terça-feira, 19 de julho de 2022

BOLSONARO TRAMA GOLPE

Estou triste pelo Brasil. E é certo que muitos brasileiros também estão. Pena.
Por que o brasileiros de bem estão tristes pelo Brasil?
Ontem 18, ali pelo final da tarde, o presidente do Brasil chamou embaixadores estrangeiros para falar mal das urnas eletrônicas, do processo de eleição. Mentiu, mentiu, mentiu e pôs lá embaixo o nosso País. Meteu o pau no TSE e nos seus ministros. De tabela, a democracia tão duramente por nós conquistada.
O Brasil, pois, está sofrendo nas unhas do desclassificado Bolsonaro.
A Imprensa mundial, incluindo jornal e TV, está hoje 19 dizendo com todas as letras, e palavras, que o presidente do Brasil, eleito democraticamente em 2018, está com suas mentiras arquitetando um golpe contra a Nação.
Nunca na vida do nosso País aconteceu o que ora está acontecendo. Nem no tempo de Dão Pedro I, aquele que há 200 anos teria dado o grito de separação do Brasil de Portugal, às margens do riacho Ipiranga, ali na zona sul de Sampa.
Bolsonaro é o pior de todos os presidentes que já tivemos. E como idiota perigoso que é, está tramando o sequestro da nossa liberdade. É tiro n'água, mas precisamos estar atentos.
Seguro morreu de velho.
Os idiotas perigosos são canalhas.
A Imprensa do mundo inteiro está hoje 19 mostrando: um idiota perigoso.
O diário nova-iorquino The New York Times diz em notícia de destaque que: "Muitos diplomatas no evento saíram abalados com a apresentação, inclusive com a proposta de Bolsonaro de que o caminho para garantir eleições seguras seja por meio de mais envolvimento do Exército brasileiro, segundo dois diplomatas no evento que falaram sob anonimato".
Até gente boa tem fim.
Não podemos nos esquecer que Bolsonaro é um negacionista cretino, histórico. Chegou à Presidência por métodos sacanas. Loroteiros. 
É impossível não lembrar que ele foi contra o combate ao Coronavírus. Chegou a tirar sarro dos brasileiros, chamando-nos de maricas.
Até agora quase 700 mil brasileiros morreram vítimas do Corona. E como costumo dizer por não ter o que fazer, fiz:

Já não são quinhentas mortes
Já não são quinhentas mil
A desgraça toma corpo
No coração do Brasil

Não são mortes naturais
As mortes de Silvas e Bragas
São mortes provocadas
Por vírus, pestes e pragas

Praga viva inda mata
Homem, menino e mulher
Mata completamente
Do jeito que o bicho quer

Maldito Coronavírus
Que pega e mata gente
O Brasil está morrendo
Nas garras do presidente

Presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!

A cadeia te espera 
Presidente matador 
Quem apanha hoje é caça
Amanhã é caçador 

segunda-feira, 18 de julho de 2022

FORÇAS DESARMADAS

O ridículo Bolsonaro continua firme no propósito de ridicularizar o Brasil perante o mundo. Prova disso foi a reunião que teve hoje 18.
No Alvorada, seu palácio residencial, Bolsonaro reuniu-se com uns 40 embaixadores estrangeiros com o intuito de desmoralizar os ministros do  Tribunal Superior Eleitoral, TSE.
O TSE e seus ministros viraram sacos de pancada desde que Bolsonaro assumiu a cadeira da presidência da República.
Lá pras tantas, Bolsonaro lembrou frase firme e necessária do ministro Edson Fachin.
Fachin, respondendo à provocações de Bolsonaro, disse no dia 12 de maio deste ano:
"Quem trata de eleições são forças desarmadas e, portanto, as eleições dizem respeito à população civil que, de maneira livre e consciente, escolhe seus representantes".

O lance de Bolsonaro é desmoralizar completamente o processo eleitoral do Brasil. 
Bolsonaro é lixo!
À respeito desse tema, eleitoral e urnas eletrônicas, sugiro leitura imediata do novo número da revista Piauí, que se acha nas bancas. A Piauí traz uma bela e conclusiva reportagem sobre o tema aqui abordado. Título: Trincando os Dentes, assinada pela jornalista Marina Dias.
No "olho" da reportagem, lê-se que "o Tribunal Superior Eleitoral enfrenta o maior desafio de sua história".
O TSE foi criado em 1932, portanto há 90 anos.
História. 
E viva o Brasil!
...

Leia mais no texto original: (https://www.poder360.com.br/governo/bolsonaro-reune-embaixadores-e-critica-stf-tse-e-urnas/)
© 2022 Todos os direitos são reservados ao Poder360, conforme a Lei nº 9.610/98. A publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia são proibidas.
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Leia mais no texto original: (https://www.poder360.com.br/governo/bolsonaro-reune-embaixadores-e-critica-stf-tse-e-urnas/)
© 2022 Todos os direitos são reservados ao Poder360, conforme a Lei nº 9.610/98. A publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia são proibidas.

domingo, 17 de julho de 2022

ATILIO BARI É DO CARALHO! (2, FINAL)

Atilio Bari é um cabra que conheço desde não sei de quando. Voz forte, voz bonita. Sabe o que diz, sabe o que faz. Como se não bastasse, esse Atilio além de ator, autor de teatro é também autor infantil e de histórias que podemos classificá-lo de cronista. E como cronista, vem o contista e o romancista. É uma coisa puxando outra.
Atílio começou na TV apresentando um programa num lugar visível chamado TV Aberta.
Nesse lugar andei falando pra ele cousas e coisas (abaixo).
Atilio tem sei lá quantos livros infantis, ditos infantis para público infantil.
As histórias infantis contadas por Atilio são bonitas, muito bonitas.
As histórias não propriamente infantis, direcionadas ao público adulto, são igualmente bonitas. E aí quero dizer para você meu amigo, minha amiga, que um dos livros mais bonitos que já vi na minha vida é Julgamento no Velho Chico (capa ao lado).
Esse livro, Julgamento no Velho Chico, traz a nossa vida três personagens importantes da história nordestina: Lampião, Padre Cícero e Delmiro Gouveia (1863-1917). E de lambuja, Luiz Gonzaga.
Outro dia ouvi na TV Cultura Atilio e Chris entrevistando Jackson Antunes. Grande ator. Com ele, aliás, gravei uma coisa bem bonitinha. Ouçam: CADUQUICE
É bom que não nos esqueçamos que Atilio Bari é ator, autor, apresentador e o escambau.

VEJA MAIS: LIMA DUARTE NO PERSONAMIGUEL FALABELA NO PERSONAOTHON BASTOSFERNANDA MONTENEGRO NO PERSONA

sábado, 16 de julho de 2022

ATILIO BARI É DO CARALHO! (1)

O mundo é cheio de coisas. E gentes.
O mundo, dizem, é um palco.
O mundo é um palco dizem ainda, especialmente, quem profissionalmente atua no teatro.
Outro dia conversando cá em casa com o paulistano Atilio Bari, um grande, cheguei à conclusão completa: a vida é um palco.
Um palco é a vida, nossa, cheia de personagens. Uns e umas importantes e outras, nem tanto.
Aprendo com isso, com teatro. 
Atilio Bari é ator, autor, diretor, apresentador e o escambau. Dos bons. Sabe tudo, de tudo.
Sobretudo Atílio é o que é.
Andei escutando Atilio Bari no programa que apresenta na TV Cultura. É um programa interessante, interessantíssimo, esse que ele apresenta: Persona em Foco. Cheio de vida. De memória.
Persona é um programa de TV que traz à tona artistas do teatro e também da música. Coisa rara, da TV brasileira. Cultura, em todos os sentidos.
E um dia ele me disse que mora num apartamento que já foi de Anselmo Duarte, um dos seus ídolos maiores. História.
Atilio é um personagem oculto, tão oculto quanto Fernando Faro. Ele cresce com uma menina chamada Chris.
Chris Maksud é de uma beleza rara, também. Espontânea. Solta, parceira e cúmplice de Atilio. Sabichona. Agressiva na sensibilidade.
A inteligência feminina, no caso, faz de Atilio Bari grande.

sexta-feira, 15 de julho de 2022

E AS FORÇAS ARMADAS, HEIN?

Mais uma semana chega ao fim, deixando um rastro de notícias ruins. E tragédias, como a do policial que matou na madrugada de hoje 15 a mãe, a mulher, três filhos, um irmão e duas pessoas que caminhavam na rua. E, depois, matou-se. Isso ocorreu entre os municípios de Toledo e Céu Azul, a oeste do Paraná. 
Motivo dessa loucura toda: o assassino não aceitava a separação da mulher.
E não nos esqueçamos que na noite de domingo passado um policial matou outro a tiros, também no Paraná. Esse crime foi praticado por um bolsonarista e a vítima, lulista. As investigações foram concluídas hoje e a delegada do caso disse que o crime foi torpe, banal, sem motivação política. Hmmm...
Enquanto isso, o número de pessoas desempregadas no Brasil continua lá em cima. Lá em cima também estão os juros e o dólar equiparando-se ao euro. E a bolsa de valores, lá embaixo.
Logo cedo, ali pelas nove horas da manhã, ouço no rádio notícia dando conta de que o presidente do Brasil participava de mais uma motociata. Quer dizer, passeava. E hoje é sexta, dia de quem trabalha, trabalhar. 
 Bolsonaro não está desempregado, mas trabalhar que é bom, nada. Tem sido assim, desde sempre. Aliás, esses "passeios", pagos com dinheiro público, são para angariar votos dos leigos e trouxas. Ontem 14, Bolsonaro fez campanha pra reeleição, no Congresso Nacional, depois de os congressistas aprovarem a PEC Vale-tudo ou Kamikaze, como ficou conhecida a violação da Constituição e tudo mais.
Mas no meio disso tudo, há coisas boas como a notícia de que mais de 150 milhões de brasileiros estão aptos a irem às urnas. Porém nunca é demais lembrar que o presidente da República não para de esculhambar o processo eleitoral em vigor. Ele faz o impossível para desacreditar as urnas eletrônicas, as mesmas que o fizeram deputado e presidente inútil, chinfrim. À propósito: o ministro da Defesa, o general lambe-botas Paulo Sérgio, compareceu anteontem ao Senado para "sugerir" que fosse feita uma votação paralela às urnas eletrônicas. Essa "votação" deveria ser feita em cédulas. Ora, ora, e pensar que esse general foi comandante do Exército brasileiro há poucos meses, é de chorar.
As Forças Armadas de um país existem para defender sua integridade perente invasões externas, por exemplo. No Brasil, não é diferente, mas o que se vê e se ouve é que os militares estão cada vez mais envolvidos no dia a dia político. Isso não é bom. O que eles não querem é certo: perderem a boquinha.
E que a próxima semana seja melhor do que esta que finda amanhã, 16.
Ah! Hoje é Dia do Homem. E da tapioca. E mais uma coisinha: foi relançada hoje a campanha Ação da Cidadania, criada pelo sociólogo Betinho em 1993. Já naquela época a ideia era combater a fome no nosso País.
Cerca de 15% da população brasileira passa fome.

quinta-feira, 14 de julho de 2022

EU E MEUS BOTÕES (29)

Seu Assis, começou o Zilidoro, "o Sr. sabe o que aconteceu no dia 14 de julho de 1789?".
Hmmm... Por que você me pergunta isso, hein?
"Calma, seu Assis, é porque o dia 14 de julho é muito importante para a vida do mundo. Tomada da Bastilha, França. O Sr. sabe".
Desculpe Zilidoro, é que essa data pra mim é, de fato, muito importante. Nesse dia, 200 anos depois, nascia em São Paulo, SP, uma menina filha minha a que eu e a mãe dela demos o nome de Clarissa. Filha da liberdade.
"Eu conheci Ana Maria... É a sua filha mais velha, não é?", pergunta o curioso Zilidoro.
À pergunta do Zilidoro, respondi simplesmente: "As mulheres são incríveis. Ana, minha filha, é incrível".
"Isso eu entendo, isso é verdade! E Clarissa é, também, o nome de um romance do grande escritor Érico Veríssimo", veio ainda dizendo Zilidoro.
O Érico eu não conheci, mas conheci o seu filho Fernando.
"O Sr. conheceu o Fernando Veríssimo!?".
Sim, sim. Fernando Veríssimo a mim foi apresentado por um enorme amigo meu chamado Fortuna. E lá estivemos eu e ele, juntos em Piracicaba. No Salão de Humor de Piracicaba.
"Essa conversa tá bonitinha, bonita de se ouvir, mas a realidade nossa neste nosso Brasil está uma doidura", interrompeu Jão.
À fala de Jão, vieram as falas de Zé, Mané e Barrica. 
Até parece que os três haviam combinado, porque em uníssono disseram: "A realidade que vivemos é a realidade inventada por um cabra safado chamado Bolsonaro".
Lampa, daquele jeitão que já conhecemos, cutucando as unhas e lambendo o punhal, disse: "Hmmm...".
Biu fez de conta que não ouviu Lampa e acrescentou: "O negócio tá feio. Ouvi hoje no rádio que a bolsa abaixou e o dólar se equiparou ao Euro".
Zoião, o sempre surpreendente Zoião, disse: "Estou perdendo no mercado financeiro".
Zé, com cara de besta, disse: "Bem feito!".
Esses botões meus estão totalmente fora de controle.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

EU E MEUS BOTÕES (28)

Com ar solene, Zilidoro levantou o dedo e disse: "O Brasil não é para principiantes!".
Achei graça e perguntei a razão disso. E ele: "Porque o Brasil é um país incrível em todos os sentidos. De tédio, aqui ninguém morre. É uma loucura o Brasil!".
Foi a vez de Zoião entrar na conversa: "Essa frase eu conheço, é do músico Tão Jobim".
A frase é correta e forte, mas o autor foi um carioca chamado Tom Jobim. Nome completo: Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. Autor, dentre tantos sucessos, de Garota de Ipanema, expliquei.
Biu e Barrica estavam atentos no seu canto. Só ouvindo. Ali e acolá cochichavam.
Mané, que também resolveu entrar na conversa, foi já dizendo: "A Constituição brasileira está sendo estuprada mais uma vez".
Zé pegou carona, e lá foi ele: "É muita violência que nossos congressistas andam praticando. Na Câmara e no Senado. Esse tal de Arthur Lira é perigoso! Ele e Bolsonaro andam de mãos dadas, aprontando contra o nosso povo".
Esses meus botões estão impossíveis, pensei.
Jão, que estava de braços cruzados, entrou de leve na história: "Estou observando tudo e não tem como não concordar com Zé".
Cutucando tranquilamente as unhas com seu inefável punhal, Lampa que nem cobra prestes a dar o bote, disse: "É muita violência, muita violência... É preciso paz, chega de tanta desgraça no nosso país".
"Olha só quem tá dizendo isso. Ou Lampa endoidou, ou endoidou. Não tem meio termo!", falou provocativamente Biu. E Lampa, de novo: "Cangaceiro também é gente...". Limpou o punhal na calça e o enfiou na cintura.
"É muita loucura o que Arthur Lira está fazendo, com a cumplicidade do presidente do Senado Rodrigo Pacheco. Que o povo mais pobre está precisando de dinheiro pra comer, é fato. Mas o que está embutido nisso é muito perigoso para a sociedade", disse Zilidoro.
"E o que vocês acham do que disse Bolsonaro com relação ao assassinato do petista Marcelo Arruda, lá em Foz do Iguaçu?", perguntou Barrica. A essa pergunta respondeu Lampa: 
"Bolsonaro é pior que qualquer cangaceiro que já conheci na minha vida. Houve um tempo que eu achei que ele era gente, mas não é. Tem cabeça, corpo e membros, mas não é gente. É animal da pior espécie. Noutros tempos ele não faria o que faz, impunemente. A ele lhe falta sentimento".
Ao fim dessa conversa, todos bateram palmas. Lampa levantou-se do tamborete em que estava sentado e com falsa humildade disse: "Obrigado, obrigado".

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