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segunda-feira, 7 de agosto de 2023

SIM, NÃO DEIXEMOS O SAMBA MORRER!

Mais das vezes o acaso nos proporciona surpresas agradáveis, seja a que distância for: perto ou longe.
Eu não estive no voo da Latam que levou passageiros de São Paulo ao Rio de Janeiro domingo 6, ali pelas 18h, e por não ter estado nesse voo, lamento. E lamento por uma razão: Alcione, a Marrom, cantora de quem todos nos orgulhamos, estava nele. O voo atrasou e esse foi o acaso que propiciou aos felizardos passageiros a alegria não anotada em suas agendas. A pedido e sem se fazer de rogada, levantou-se da poltrona sorrindo e soltando a voz bela que Deus lhe deu e ainda firme, cantou.
A cantiga cantada por Alcione foi Não Deixe O Samba Morrer, uma pérola de autoria dos craques Edson Conceição e Aloísio Silva, lançada em 1975 pela própria Alcione no LP A Voz do Samba.
Confira a festa improvisada por Alcione no voo da Latam.

domingo, 6 de agosto de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (37)

E o palavrão, hein?
Esse tem em todo canto também, como todas as questões relacionadas a sexo.
No começo dos anos de 1970, o pernambucano Mário Souto Maior teve censurado pelo governo militar (1964-1985) o livro Dicionário do Palavrão e Termos Afins.
Além do Brasil, outros países têm livros similares ao que escreveu e publicou Souto Maior. O da Alemanha tem por título Sex im Volksmund. Der obszöne Wortschatz der Deutschen, de Ernest Borneman. Em tradução livre, para o português: Sexo no vernáculo, o vocabulário obsceno dos alemães.
Curiosidade: a maior palavra em português não é palavrão, mas tem 20 sílabas e 46 letras. PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO, PORRA!
O menor palavrão na língua portuguesa é cu, que curiosamente na tabela periódica corresponde ao elemento Cobre. Pois, pois.
Pelo menos por estas plagas ocidentais, latinas e tal, passou batida a informação de que a “operação” mortífera acionada por Putin contra a Ucrânia começou com um palavrão, seguido de uma bela estirada de dedo: “Vai se foder!”.
O palavrão saiu da boca de um soldado ucraniano depois que os russos ordenaram a rendição, no dia 24 de fevereiro de 2022.
O palavrão, “vai se fuder”, virou um desabafo do povo ucraniano estampado em camisetas, bandeirolas, souvenirs e outdoors.
Não custa lembrar que o verbo “foder” é conjugado em todo canto, em todas as línguas. Até o escritor colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014), num dos seus livros, Cem Anos de Solidão, põe um personagem, acho que Alfonso, pra dizer: “O mundo terá acabado de se foder no dia em que os homens viajarem de primeira classe e a literatura no vagão de carga”.
No famoso livro de Gabo há guerras, brigas, violências de todo tipo; muito sexo, muita puta, bordéis a dar com pau, muitas palavrinhas como “merda” e palavrões aqui e acolá. E até broxa.
É um livro e tanto Cem Anos de Solidão.

sábado, 5 de agosto de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (36)

Pietro Aretino
A obra reunida do poeta maldito Gregório de Matos e Guerra começou a ser publicada em livro no Brasil somente a partir de 1923.
Parecido com Gregório, na temática e explicitação nos textos, foi o italiano renascentista Pietro Aretino (1492-1556). Era protegido por papas, reis e príncipes do seu tempo. Aretino, segundo dizem, tinha de aluguel sua caneta. Era rápido, que nem um pistoleiro. Era a favor de quem pagasse mais e aí, soltava a língua. Exemplo:

Estes nossos sonetos do caralho,
Que falam só de cu, caralho, cona,
e feitos a caralho, a cu, a cona,
Semelham vossas caras de caralho..

Trouxestes cá, poetas do caralho,
As armas para pôr em cu e cona.
Sois feitos a caralho, a cu, a cona,
Produtos de grã cona e gra caralho.

E se furor, oh gente do caralho,
Vos falta, ficareis no pica-cona,
 Como acontece amiúde co'o caralho.

Aqui termino esta questão da cona
P'ra não entrar no bando do caralho,
E, caralho, vos deixo em cu e cona.

Quem perversões tenciona
Aqui nestas asneiras logo as lê.
Que mau ano e mau tempo Deus lhe dê.


Muitas das coisas que Aretino escrevia eram no formato de soneto, no caso criado por Giacomo da Lentini (1210-1260). O soneto criado por Lentini era formado por dois quartetos e três tercetos. Esse tipo de soneto foi revisto e transformado por Francesco Petrarca (1304-1374), que é o que conhecemos hoje: formado por dois quartetos e dois tercetos, num total de 14 versos decassílabos.
Aretino e Gregório de Matos morreram praticamente com a mesma idade, 58 anos. Detalhe: Gregório foi censurado em vida e Aretino, depois que morreu.Aretino morreu rico, riquíssimo, e Gregório morreu pobrezinho de marré marré numa casa praticamente abandonado, em Recife, PE, acreditando piamente na existência de Deus.
William Shakespeare (1564-1616) também deixou uma versão própria de soneto. No caso formado por 3 quartetos e um dístico de dois versos, decassílabos (abab bcbc cdcd efef gg).
Com finesse e sutileza, o bem comportado Shakespeare abordou a homosexualidade pelo menos uma vez em uma de suas peças: Os Dois Nobres Parentes. Os personagens dessa peça, Palamon e Arcite, encontram na cadeia onde foram atirados, tempo para passar bons momentos entre si. Carícia aqui, carícia ali e tal.
A propósito, não custa lembrar, toda a obra shakespeariana tem por base a cultura popular da terra em que o autor nasceu.

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

E O REI DOM SEBASTIÃO VEM OU NÃO VEM?


Estou ouvindo sem parar, num gosto danado, a história inventada pelo paraibano Ariano Suassuna intitulada O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. É uma história arretada, narrada em primeira pessoa por um certo Dom Pedro Dinis Quaderna.
A história de Suassuna é fantástica em todos os sentidos, embora entremeada por fatos e personagens reais da história do Brasil. Vultos históricos da cidade do Sertão são aqui e ali lembrados como Jesuíno Brilhante, Lampião e Maria Bonita; o escritor José de Alencar e poetas do naipe de Gonçalvez Dias. Políticos também entram na história: João Pessoa e Getúlio Vargas, entre outros.
Lá pras tantas, ali pela metade do livro que tem umas 800 páginas, o narrador faz lembrança de príncipes e reis como Dom Sebastião, O Desejável.
Dom Sebastião tombou, segundo a lenda, na batalha de Alcácer Quibir. Foi batalha terrível, travada entre cristãos e mouros no norte de Marrocos. Os poucos cristãos que sobraram foram presos, tornados troféus e como tais devolvidos a Portugal a peso de ouro.
O sebastianismo, que aportou no Brasil num ano qualquer escondido pela história, foi gerado com o sumiço do rei Dom Sebastião. Há quem o espere até hoje.
A Batalha de Alcácer Quibir foi travada no dia 4 de agosto de 1578.
 

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

TINHORÃO, SAUDADE

 
Nessa nossa terra tem
Xote, xamego e canção
Frevo e maracatu
Samba, batuque e baião
E poeta popular
Tirando verso do chão.

É uma terra bonita
Que dá vida, dá lição
Ensinando a sua gente
A ter mais educação
A ler para entender
O Brasil de Tinhorão

Esse mestre logo pôs
A cultura em discussão
Pra depressa entender
Sua origem e formação
Ora juntos aplaudamos
J.R.Tinhorão
(O Brasil de Tinhorão, Assis Angelo

O Brasil é uma casa enorme, cheia de gente e coisas bonitas. Aqui e ali tem o que não presta, claro. Mas eu quero falar é do que presta, de gente sabida e contributiva para o engrandecimento dessa casa Brasil.
Um dos grandes nomes que, de certo modo, descobriram o Brasil nos seus detalhes e belezas foi o paulista de Santos José Ramos Tinhorão.
Tinhorão marcou profundamente a história do Brasil, a partir do momento que decidiu enveredar pelo Jornalismo e pelos pedregosos caminhos da história e da nossa cultura popular. Foi o maior de todos os historiadores dessa matéria. Deixou uma obra rica constituída por uma trintena de livros, o primeiro publicado de modo independente em fevereiro de 1966, cujo título dado foi Música Popular: Um Tema em Debate.
 J.R. Tinhorão, como costumava assinar, era um cara que estava sempre antenado com o passado e com o presente. O passado ele remexeu e de lá tirou o quanto pôde para o esclarecimento da nossa história. Fazia o mesmo com o presente, sempre a observar tudo. Nunca deixou de pôr o bedelho onde devia, esclarecendo, opinando.
Eu me dava muito com Tinhorão. Tornou-se meu amigo. Nos frequentávamos. Ele mais a minha casa do que eu a dele. Sempre me tirou dúvidas que eu tinha a respeito da história, especialmente referente à cultura musical brasileira. Opinou sobre discos que gravei e livros que escrevi. Um dia o convidei para participar do programa São Paulo Capital Nordeste, que durante anos produzi e apresentei, sempre ao vivo, na Rádio Capital AM 1040. Ele foi e foi uma festa. Dias depois, no jornal carioca A Nova Democracia, ele escreveu artigo dizendo o que achara do programa. Leia: Ainda não está tudo dominado
Bom, foi num dia como hoje 3 de agosto que José Ramos Tinhorão fechou os olhos e partiu para a Eternidade.
Saudade.

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

CADEIA PARA OS MACHÕES

Finalmente aconteceu: o STF jogou na lata do lixo argumento que possibilitava a absolvição de acusados por espancar e até matar mulheres com quem se casavam.
Ao se casar, homens podiam fazer com mulheres o que bem desejassem. Isso desde 1605, ainda nos tempos de Brasil Colônia. Essa loucura durou até 1830. Mas não findou de vez. A tese de "legítima defesa" levava o criminoso a sair sorrindo dos julgamentos a que eventualmente eram levados.
Muitos espancamentos e assassinatos foram praticados por machões de Norte a Sul do País. São milhares os casos. Mas isso agora acabou, definitivamente. 
O STF levou ontem à lata de lixo, por unanimidade, a vergonhosa tese de legítima defesa à honra.
Cresci ouvindo notícia dando conta de que poderosos batiam e matavam suas mulheres para "lavar a honra com sangue". Sangue das vítimas, claro.
O cantor Lindomar Castilho, preso em flagrante por matar a mulher, foi defendido por seus advogados que usaram a tese de que o acusado "matou por amor".
No seu voto, a ministra Rosa Weber disse:
"Pela legislação civil, as mulheres perdiam a capacidade civil plena ao casarem, cabendo ao marido administrar tanto os bens do casal como os particulares da esposa. Somente mediante autorização do marido, as mulheres poderiam exercer a atividade profissional".
Os feminicídios continuam ocorrendo a cada quatro horas no Brasil.

LEIA MAIS: O MACHISMO CONTINUA FAZENDO VÍTIMAS • LUGAR DE COVARDE É NA CADEIA • LUGAR DE MULHER É NO MUNDO

HÁ 34 MORRIA O REI DO BAIÃO

Aí na foto Assis e Gonzaga
Luiz Gonzaga se acha na eternidade desde o dia 2 de agosto de 1989. Quer dizer: faz hoje 34 anos que Gonzaga partiu para nunca mais voltar ao convívio terreno. Enquanto conosco esteve, o Rei do Baião nos deu todo tipo de alegria, principalmente no campo musical.
A discografia de Luiz Gonzaga ultrapassa 600 músicas gravadas por ele, pouco mais de 50 dessas de sua autoria, outras em parcerias e mais de 300 de autores diversos.
Quer saber mais sobre o pernambucano Luiz Gonzaga? Clique:



AINDA LUIZ GONZAGA

Eu conheci Luiz Gonzaga em 1978, quando o entrevistei para o suplemento dominical da Folha de S.Paulo, o Folhetim. Fiz outras entrevistas com ele e até uma música em parceria com o craque Oswaldinho do Acordeon. Ouça: LUA DO SERTÃO
O tempo passou, e o cantador mineiro Téo Azevedo me convidou a participar do CD Salve Gonzagão, que acabaria por ganhar o prêmio Grammy de Música Regional. Peguei a letra que fiz pra Oswaldinho musicar e Daiane gravar e cá estou a declamar: UM BAIÃOZINHO PARA O REI DO BAIÃO

terça-feira, 1 de agosto de 2023

E SE A LUA CAÍSSE DO CÉU, HEIN?


Hoje é dia de Superlua, Lua Cheia.
São muitos os mitos e lendas que envolvem a Lua.
Há quem jure que a Lua na sua fase Minguante é boa pra fazer regime de emagrecimento e encerrar namoro sem futuro.
A Lua Nova, segundo a crença popular, é boa pra plantar seja lá o que for.
A Lua Crescente, dizem os quase carecas: é boa pra fazer o cabelo crescer.
E a Lua Cheia?
Na Lua Cheia, ali pela meia noite, dá as caras o feioso lobisomem surgido na antiga Grécia. Eita!
E ainda tem o caso do Boto e da Vitória-Régia.
O Boto, como o lobisomem, deixa as águas da Amazônia pontualmente à meia-noite da Lua Cheia para caçar mulheres e engravidá-las.
O caso da Vitória-Régia, é também curioso: na origem, trata-se de uma mulher que apaixonada pela Lua dá nome à planta.
E se a Lua Cheia caísse do céu, hein?
Não precisa ser besta, basta ser sensível.
Hoje 1º quem levantar os olhos em direção ao céu, ali pelas 5h40 da tarde, é bem capaz de ver uma luazona bem grandona, enorme, do tamanho do céu, ou maior ainda, chamada pelos terráqueos cabeçudos de Superlua ou Lua do Esturjão.
Lua do Esturjão é como chamam os admiradores do céu que vivem lá pras bandas do hemisfério norte.
Nos tempos de calças curtas, eu não sabia que existia tal Lua. Ou seja: Superlua, Lua do Esturjão e tal e coisa.
Depois que passei a usar calças compridas e a andar orgulhoso tal e qual todos os jovens dos 60, foi que passei a tomar conhecimento de ocorrências fenomenais que iam até além da minha própria imaginação. Refiro-me às coisas do céu como planeta às centenas, cometas de todo tipo, grandões e luminosos, luas disso e daquilo e tal.
Essa coisa de Lua Cheia caindo pelas tabelas, redondonas e alaranjadas, chamadas de Superlua só tomei conhecimento poucas décadas atrás.
Quando já estava preparado para admirar esse tipo de Lua, perdi o brilho dos olhos e fiquei cego. Pois é, o que fazer?
Bom, sem conseguir enxergar nada pelos olhos resolvi, há uns dez anos, desenvolver por mim próprio capacidade de enxergar o céu e a lua, pessoas e tudo o mais através da memória e dos sentidos de que somos portadores. No meu caso, sem a visão.
Meu amigo, minha amiga: o fenômeno da Superlua hoje 1º poderá ser visto com mais facilidades em Campinas (SP), Goiás (GO), Rio Grande do Sul (RS). Se não der, volva os olhos ao céu amanhã ou depois de amanhã 3.
O dia 2 é o dia que o rei do baião, Luiz Gonzaga, deixou o plano terreno e partiu para o céu. Mas essa é outra história...


LEIA MAIS: E A LUA EM PLENILÚNIO?

segunda-feira, 31 de julho de 2023

SARAMAGO, MULTIPLICADOR DE EMOÇÕES

O livro é uma pérola permeada de poucos personagens. O melhor e o principal deles, Tertuliano Máximo Afonso, é separado e namora sem muito gosto uma jovem bancária chamada Maria da Paz.
Com a primeira mulher, Tertuliano não teve filhos.
A história de O Homem Duplicado, do português José Saramago, começa quando um professor de Matemática sugere que seu amigo, Tertuliano, assista o filme Quem Porfia Perde a Caça. É dos anos 80, por ali. Tempos ainda de filme em VHS. Tertuliano aceita a sugestão e vai à locadora alugar o tal filme. É quando a vida dele dá uma guinada de 180°.
Tertuliano mora sozinho num apartamento, visitado exporadicamente por Maria da Paz. Essa Maria é apaixonadíssima por Tertuliano, que é professor de História de uma escola particular.
Ao assistir Quem Porfia Perde a Caça, o professor Tertuliano se depara com um personagem secundário de nome Daniel Santaclara. E é aí que a porca torce o rabo.
Após descobrir que o ator é cara cuspida e escarrada dele próprio, Tertuliano entra em parafuso e passa a ter um comportamento diferente do que tinha até então. 
Além de Tertuliano, Maria da Paz e Daniel, Saramago enfia no livro a mulher de Daniel, Helena; e a própria mãe do protagonista, Carolina. Dona Carolina, que tem uma presença curta mas significativa no enredo.
E a história segue com Daniel marcando encontro com Tertuliano. Após conhecer Tertuliano, Daniel conta como tudo sucedeu à mulher Helena. Ela pira e toma remédio pra dormir. Chega a um ponto que Daniel procura vingança, passando-se por Tertuliano para ter um encontro íntimo com Maria da Paz. Depois disso, e da noite de amor, os dois morrem num terrível acidente na estrada. Tertuliano fica com Helena e o final não conto, não. Apenas acrescento: é surpreendente, como surpreendente é o diálogo entre Tertuliano e o Senso Comum, "personagem" impagável pelas características como  o autor o apresenta.
O Homem Duplicado foi publicado em 2002.
O Homem Duplicado virou filme dirigido por Denis Villeneuve, lançado em 2014. É classificado como suspense psicológico. É por aí. Existencialismo na parada. A vontade é devorá-lo sem intervalos. Veja o trailer: 

RÁDIO MEC, VOTE: XOTE ERUDITO

Assis e Jorge
Com vistas às comemorações do seu centenário de fundação, a Rádio MEC soltou edital em âmbito nacional e internacional para escolher autores e intérpretes de músicas nos gêneros Erudito e Popular. Serão premiadas músicas instrumentais, infantis e canções. No item canção, o craque Jorge Ribbas e eu compusemos Xote Erudito, que versa sobre uma festa de forró com convidados como Simone de Beauvoir, Platão, Aristótes, Tinhorão, dentre outros. O ritmo escolhido foi o Xote, característico do nosso Nordeste. Veja a letra: 

ARISTÓFANES E ARISTÓTELES, CONVIDARAM SÓCRATES E PLATÃO
PARA IREM A UM FORRÓ, DANÇAR XOTE, XAXADO E BAIÃO
QUANDO LÁ ELES CHEGARAM, ENCONTRARAM SIMONE DE BEAUVOIR
TODA ARRUMADINHA E JÁ PRONTA PRA DANÇAR

O CANTOR ERA BEETHOVEN, O SANFONEIRO, DEBUSSY
NA ZABUMBA O BAMBA BACH E JACKSON, NO PANDEIRO
O CANTOR ERA BEETHOVEN, O SANFONEIRO, DEBUSSY
NA ZABUMBA O BAMBA BACH E JACKSON A PANDEIREAR

ZÉ LIMEIRA E SHOPENHAUER NUM CANTINHO FILOSOFAVAM
ENQUANTO MARX E TINHORÃO     UMA CABROCHA CORTEJAVAM

A FESTA FOI ANIMADA COM ERUDITOS NO SALÃO
CANTANDO, SE DIVERTINDO AO SOM DE LUAR DO SERTÃO
A FESTA FOI ANIMADA COM ERUDITOS NO SALÃO
CANTANDO, SE DIVERTINDO AO SOM DE LUAR DO SERTÃO

Os organizadores desse concurso O Festival Musical já fizeram a primeira seleção. É uma oportunidade, agora, para os internautas escolherem eles próprios a melhor obra. Se valer uma sugestão, lá vai: votem no Xote Erudito.

CONTENDA

O músico Jorge Ribbas ganhou o 1º lugar do concurso musical da Rádio MEC, em 2021, com Pentagonia. Este ano concorre com outra música de características eruditas. Vote: CONTENDA

domingo, 30 de julho de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (35)

Gregório de Matos
Essa coisa de duplo sentido, que às vezes mistura-se com pornografia, como está claro até aqui, dista de tempos remotos.
Os trovadores são figurinhas da poética europeia que desenvolveram suas graças e maledicências em versos em forma de Cantiga de Amigo ou de Bendizer, Cantigas de Amor e Cantigas de Escárnio ou de Maldizer.
As Cantigas de Amigo e as Cantigas de Amor têm uma pequena diferença entre si: as Cantigas de Amigo, feitas por homens, apresentavam-se no Eu feminino, exatamente ao contrário das Cantigas de Amor.
As Cantigas de Escárnio eram ou são exatamente o que diz o nome.
O poeta baiano de Salvador Gregório de Matos e Guerra (1636-1696) tinha língua ferina e dela poucos escapavam. A mira era a elite social do seu tempo. Falava muito palavrão, sem rodeios. Não à toa foi apelidado de Boca do Inferno. Quer dizer, esse Gregório foi  no Brasil um representante natural da literatura poética de escárnio.
Gregório de Matos passou um tempo estudando em Coimbra, Portugal, e de lá voltou com um diploma de advogado debaixo do braço. Chegou a ser nomeado vigário-geral e tesoureiro-mor da Bahia, mas não achou isso lá muita coisa e pulou fora. Os poderosos do seu tempo terminaram por forçá-lo a passar uma temporada em Luanda, África.
O poeta escrevia coisas assim:

Sal, cal, e alho
caiam no teu maldito caralho. Amém.
O fogo de Sodoma e de Gomorra
em cinza te reduzam essa porra. Amém
Tudo em fogo arda,
Tu, e teus filhos, e o Capitão da Guarda.


E assim:

… Com dois acabo a porra do poema.
Caralho! Só mais um! Até já brinco!
Gozei! Matei a pau! Que puta tema!


A palavra caralho, palavrão entre nós, pode ter vinda da antiga Espanha, derivada de carajo. O ano não se sabe, mas que é antiga, é.

sábado, 29 de julho de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (34)

A licenciosidade no cordel vem desde fins da Idade Média, que começou no século V e terminou no século XV com a tomada de Constantinopla pelos turcos. A donzela Teodora é exemplo. E o tempo vai, vai, vai até os dias de hoje. Na poética bilaquiana, bandeiriana, drummondiana e tantas; Hilda Hilst
A temática é sempre revisitada, aqui e alhures.
Mineiro e Manduzinho
É raro encontrar um poeta popular ou compositor popular, de coisas simples do povo, que não aborde o tema erótico no duplo sentido. Mais das vezes as abordagens beiram a banalidade, o chulo. Porém, diga-se, aqui e acolá se acham coisas engraçadas.
O mineiro Téo Azevedo, o mais prolífico dentre todos os compositores contemporâneos, popular no sentido estrito do termo, brinca com palavras que formam composições de baixo calão. Daí, muitas vezes, a graça. Exemplos: Abelha Tubi, Aperto na Ruela, Atola João Cabeçudo, Baile do Jacú, Boiola, Cacete Armado, Castrado, Cagão na Camisa, Carimbó do Filho do Tuta, Ele é Boiola, Eu Comi a Jaca Dela, Filho do Tuta, Forró do Zé Atola, O Fumo Só Ta Entrando, Jaca Dela, Sem Calcinha, Tira a Saia Maria, Vou Te Dar Minha Pitomba, A Mulher do Corno Rico, Acorda Corno, Corno Conformado.
É vasto o repertório que trata musicalmente do corno como personagem do infortúnio, digamos assim. E nunca é tarde para lembrar das gracinhas musicais que fazia o grupo Mamonas Assassinas, que tinha Dinho como vocalista. Na valsa Bois Don’t Cry, Dinho canta: “… Soy un hombre conformado/ Escuto a voz do coração/ Sou um corno apaixonado/ Sei que já fui chifrado/ Mas o que vale é tesão…”.
Até no mundo animal há bichos que pulam a cerca, ou ninhos, segundo levantamentos de cunho científico.
E a história do João de Barro, hein?
Uma lenda dá conta de que o João de Barro, quando descobre ter sido “corneado”, tranca na sua casa a infiel. E presa, morre.
Zé Mulato e Cassiano
A dupla caipira Mineiro e Manduzinho gravou em 1956 uma toada de autoria de Moíbo Cury e Teddy Vieira, que diz: “Mai neste mundo o mal feito é descoberto/ João de Barro viu de perto sua esperança perdida/ Cego de dôr trancou a porta da morada/ Deixando lá sua amada presa pro resto da vida…”.
Os violeiros Zé Mulato e Cassiano fazem comparação do homem com a espingarda, que quando jovem se acha com todo o vigor. A espingarda, no caso, é o órgão genital masculino. Diz:

— Em compade pensando bem. A vida da gente é mesmo que ver uma espingarda. É mema coisa compade. No princípio a gente dá tiro.
— É verdade. Atirar é muito bão. Vai tirando vida a fora, mais lá por fim o tem lenca. Eh, mais quando tá ficando bão lenca compade.

Dos vinte até os trinta
Nossa vida é muito boa
A espingarda anda armada
E o atirador caçoa

Sortimento tá sobrando
Muitas veiz atira à toa
É só triscar no gatilho
Que a língua de fogo avoa…

sexta-feira, 28 de julho de 2023

VANDRÉ EM ENTREVISTA NA BANDEIRANTES

Somente hoje 28 ouvi a entrevista de Geraldo Vandré ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes. Foi domingo 23, à noite. Gravada. Durou uma hora e poucos minutos.
Foi uma entrevista um tanto atabalhoada, da parte dos entrevistadores Fernando Mitre, Thays Freitas e José Carlos Anguita. Geraldo estava tranquilo, como sempre muito tranquilo. Na condição de entrevistado especial, esteve sempre na dele. Parecia estudar o comportamento de cada um dos entrevistadores. Aqui e ali ria, um riso frouxo e muitas vezes um tanto irônico.
O papo começou logo após porem no ar uma versão de Pra Não Dizer que Não Falei de Flores (Caminhando). Antes da primeira pergunta, foi dito quem era Geraldo Vandré e tal. E começou o papo.
Dos três entrevistadores, o mais apressado era o Mitre. Ele fez um monte de perguntas parecendo não querer as respostas, já que o entrevistado viu-se muitas vezes propenso a interromper a resposta. O que fez, aliás. E lá ia Mitre afoito, perguntando, perguntando, perguntando. E Vandré tentando responder por extenso, até com minúcias, mas sem conseguir. Monossilábico.
O entrevistado falou de muita coisa, todas já basicamente conhecidas. Até porque já havia dito o que disse em longa entrevista que fiz com ele em 1978, publicada no suplemento dominical Folhetim, da Folha de S.Paulo. Vejam só: 1978! Disse que parou de cantar logo após a polêmica provocada por caminhando, em dezembro de 1968. Tempos do famigerado AI-5. Falou também da má distribuição de direitos autorais. de Che Guevara, Caetano e tal e tal. Falou de censura e da atual música que se ouve no rádio e na TV. Nada de novo, na música inclusive. Lembrou que nunca teve simpatia pelo movimento tropicalista que, pra ele, foi um movimento "alienígena" e não propriamente pela eletrificação dos instrumento que considera coisa de roqueiro. Nunca foi seu caso. Contou que deixou o Brasil no começo de 1969. Ficou no Chile durante seis meses. Chegou à França e tal. Quando ia falar que ficara na casa da viúva do escritor João Guimarães Rosa, foi interrompido. Foram muitas as interrupções. Respostas cortadas no ar e Mitre perguntando coisas como se já soubesse das respostas. Ai, ai. E o telespectador?
Thays Freitas foi cautelosa nas suas perguntas. Até parecia à vontade. Fez algumas poucas perguntas e até chegou a cantar, um tanto desafinada. O entrevistado riu, educadíssimo que é. 
José Carlos Anguita mostrava-se íntimo do artista.
Lá pras tantas, já com o programa chegando ao fim, Mitre perguntou algo sobre o Chile. O entrevistado disse que até fizera uma versão em castelhano para Pra Não Dizer que Não Falei de Flores. Foi quando Mitre disse que tinha uma cópia dessa versão e que iria mostrar ao público. No lugar de Caminando, o que se ouviu foi um pedaço da canção De América. Essa música, aliás, integra a 5ª e última faixa do lado A do último LP de Vandré, Das Terras de Benvirá, gravado originalmente em 1970 na França e lançado no Brasil em 1973 pela Phillips.
Temas básicos faltaram na entrevista, como o encontro da cantora norte-americana Joan Baez e Vandré. Isso ocorreu em 2014, quando eu o apresentei a ela cá em Sampa. Faltaram também questões relacionadas a livros escritos e publicados a seu respeito. E tantas outras coisas faltaram.
Bom, dias antes de gravar a entrevista para o programa Canal Livre, Geraldo esteve comigo duas vezes em casa nos dias 5 e 8 de junho. No segundo encontro esteve conosco o maestro Júlio Medaglia, mas essa é outra história.
Confira a íntegra da entrevista à Bandeirantes:
 


LEIA MAIS: VANDRÉ  CANTOS INTERMEDIÁRIOS DO VANDRÉ • GERALDO VANDRÉ E VITOR NUZZI • HOJE É DIA DE VANDRÉ, VIVA VANDRÉ! • JOAN BAEZ E VANDRÉ, O ENCONTRO •  PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES, 50 ANOS • Porta estandarte, a primeira vitória de Vandré (5/6/1966)

quinta-feira, 27 de julho de 2023

QUEM É O JUMENTO DA HISTÓRIA?

Posso dizer com todas as letras, com todas as palavras, que aqui neste Blog nunca postei fotos, vídeos, áudios, desenhos, caricaturas ou charges do presidente passado que levou o Brasil a um buraco profundo. Também sempre evitei escrever ou pronunciar o nome do sujeito que por pouco não nos levou à bancarrota. Por que citá-lo nominalmente?
Pois bem, o sempre impróprio às mentes boas e lúcidas xingou Lula de "jumento" e "analfabeto". Lula ficou na moita, mas ontem 26 acabou dizendo que "A imprensa me pediu para responder uma pessoa que tentou me atacar chamando de ‘jumento’. Um animal simpático e mais esperto que alguns". Irônico, acrescentou: "O que seria ofensivo seria comparar um jumento a ele, isso sim. Ofensivo aos jumentinhos que não fazem mal a ninguém".
Ele, no caso, é o tal que deve num futuro não muito distante amargar a vida atrás das grades. E é por isso que eu também não o cito nominalmente, até porque para bom entendedor um sinal qualquer basta.
Quanto à expressão analfabeto não custa lembrar que o tal do governo passado emperrou o quanto pode o sistema educacional do Brasil. O resultado é que ainda há no nosso país cerca de 11 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever, infelizmente.
Bom, jumento é um animalzinho de fato muito simples, simpático e trabalhador. 
Foi montado num jumentinho que Jesus Cristo foi levado em fuga ao Egito pelos pais Maria e José.
Em 1976, Luiz Gonzaga gravou uma coisinha muito bonita intitulada Apologia ao Jumento (O Jumento é Nosso Irmão), dele e do parceiro José Clementino. Ouça:
 


MARIELLE FRANCO (2)

Como todo mundo sabe, a vereadora Marielle Franco e o seu motorista Anderson Gomes foram metralhados na noite de 14 de março de 2018. Foi no Rio. Ao governo anterior, do Coiso, tudo indica que não havia interesse nenhum no tocante ao esclarecimento de tal fuzilamento. Por que, hein? Em poucos meses, o governo Lula já está apresentando resultados promissores que certamente levarão aos mandantes e às razões do duplo homicídio. Agentes da PF estão em campo. Tem cheiro mal no ar.

MEDO E DELÍRIO EM BRASÍLIA

Atenção, atenção pessoal! A Internet é boa para o bem e para o mal. Tem uns ótimos podcasts e pra achá-los, basta procurá-los. Clique aí no link e veja se estou certo: https://open.spotify.com/episode/0fmmxt0gpFzgqLukZWK3wr?si=c175e7b558c847d5

quarta-feira, 26 de julho de 2023

FOGO E MAR APERREIAM O MUNDO


Ouço notícia dando conta de que países da Europa e Ásia estão com a temperatura lá em cima, queimando e matando gente e outros animais. Na Espanha, na Itália, nos EUA, na Grécia...
O governo grego anunciou estado de emergência ou algo parecido com isso.
Cerca de 50 novos focos de incêndio são detectados diariamente em vários lugares da Grécia. Vários países estão mandando forças para ajudar a apagar o inferno vivo que se vive por lá. Até uma aeronave do governo grego caiu em meio ao fogaréu, enquanto despejava água. Piloto e tripulantes morreram.
Isso tudo lembra conversas que no passado tive com o compositor e sanfoneiro paraibano Sivuca.
Contou-me Sivuca que no começo de sua carreira integrou um trio chamado O Mundo Pegando Fogo. Esse trio era formado por Hermeto Pascoal e seu irmão Zé e o próprio Sivuca.
O trio Pegando Fogo de Sivuca, Hermeto e Zé, não foi avante. Não deixou registro musical gravado.
Uma coisa puxa outra: hoje, 26 de julho, marca o nascimento do pernambucano Fernando Lobo. Fernando, que nasceu em 1915, era pai do inspirado compositor e violonista Edu Lobo.
Fernando Lobo era jornalista e radialista. Foi ele, no final dos anos de 1940, que proibiu o sanfoneiro Luiz Gonzaga de tocar e cantar ao mesmo tempo. Fernando era diretor, à época, da rádio Mayrink Veiga. Ele teria dito a Gonzaga: "Você foi contratado para tocar sanfona".
Mas voltando ao assunto inicial.
De fato o calor tá matando muita gente e muito bicho "ao redor do mundo", como se diz.
Do jeito que vai o mundo, tudo vai mesmo se acabar. Acredito nisso, até porque não nascemos para nos salvar. 
Somos todos ruins, uns com os outros.
E pensar que Jesus Cristo morreu por nós pregado numa cruz...
Enquanto o calor derrete gentes e bichos na Europa e Ásia, o nível do mar vai cada vez mais aumentando, com as águas engolindo ruas e bairros mundo afora. No Brasil inclusive. 
Veja e ouça, um poeminha que fiz falando do assunto mar. Tem uma criança envolvida na parada:


terça-feira, 25 de julho de 2023

EM TEMPO DE VIOLÊNCIA


A entrevista do cientista paraibano Silvio Meira ontem 24 no programa Roda Viva na TV Cultura, foi marcante por chamar atenção diversas vezes do telespectador comum e mortal. A produtora de arte Anna da Hora, sempre atenta a tudo, disse depois de ver e ouvir o cientista falar a respeito de Inteligência Artificial: "Ele é bastante positivo no que diz respeito à Inteligência Artificial. Ele a vê como uma ferramenta importante e útil para o nosso dia a dia. Eu penso diferente. Vejo essa questão como algo extremamente preocupante para a humanidade".
Acho isso também e o óbvio: a Internet está nos consumindo, tomando todo o nosso tempo à toa. É muito tempo oito e até dez horas diante do computador. Até comida está sendo produzida por uma tal Impressora 3D. Pra mim, isso tudo é violência e autoflagelação.
O papo no Roda Viva edição de ontem foi sério e de certo modo preocupante, por tocar na questão Inteligência Artificial, mas ganhou graça com o traço personalíssimo do chargista Fausto Bergocce. Confira:

MARIELLE FRANCO

O caso Marielle Franco está tendo uma reviravolta. Uma das pessoas envolvidas nessa história toda, o ex-PM Élcio Queiroz, abriu o bico sob juramento e contou tim-tim por tim-tim como ocorreu a perseguição de fuzilamento de Marielle e seu motorista Anderson Gomes. Marielle e Anderson foram assassinados no dia 14 de março de 2018. Tudo indica que o caso está caminhando para seu esclarecimento. A pergunta que não cala: quem matou Marielle e por quê? Curiosidade: mais um Queiroz na parada!

segunda-feira, 24 de julho de 2023

PAPO SÉRIO NO RODA VIVA

 
As meninas da Seleção do Futebol panamenho caíram hoje 24 de manhã de quatro perante às meninas da nossa Seleção canarinha. Três dos quatro gols foram marcados pela maranhense Ary Borges, no estádio Hindmarsh, em Adelaide. Austrália. O jogo foi válido pela Copa do Mundo Fifa do Futebol Feminino, agora na sua 9a. edição. 
Os EUA lideram essa copa. Ganharam a primeira em 91 e mais duas em 2015 e 2019.
A Seleção de Futebol Feminino da França é a favorita no campeonato que ora se desenvolve. 
O próximo embate da Seleção canarinha será no próximo sábado 29.
Enquanto os torcedores e torcedoras do futebol feminino vibravam com a vitória das nossas meninas, os amantes da boa música choravam a perda das cantoras Dóris Monteiro e Leny Andrade. Dóris morreu em casa aos 88 anos de idade e Leny, aos 80, no Retiro dos Artistas, RJ.
Dóris Monteiro, carioca como Leny de Andrade, começou cantando fados e música francesa em francês. Era a cantora predileta do magnata da imprensa Assis Chateaubriand. 
Leny Andrade viveu no México, EUA e países da Europa. Adorava bossa nova, como Dóris Monteiro. 
Logo mais às 22 horas o cartunista Fausto estará mostrando o seu talento ao vivo no Roda Viva, principal programa de entrevista da TV Cultura. Hoje o entrevistado do Roda é o cientista Silvio Meira. O tema é Inteligência Artificial. 
Esse programa, com Fausto "cartunizando" na Cultura, vai dar o que falar. Ora se vai!
 

domingo, 23 de julho de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (33)

E Rita Cadillac, hein?
Rita Cadillac, no RG Rita de Cássia Coutinho, integrava o corpo de dançarinas do “velho guerreiro” Chacrinha. Depois da morte de Chacrinha, Rita passou a fazer apresentações nos palcos da vida cantando, inclusive. Depois, virou atriz pornô.
Em 2023, a apresentadora de TV Xuxa Meneghel abre a mente e o coração no podcast Quem Pode, Pod, para lembrar suas aventuras sexuais com alguns de seus ex-namorados. A respeito de Pelé, diz que ele se dividia em três personagens: Edson, Dico e Pelé, que ao final lhe deixou traumas. Depois disso ela tece loas a Ayrton Senna, que correspondeu a todas suas fantasias e ainda tirou-lhe os traumas deixados pelo Rei do Futebol.
Luz Del Fuego
Anos antes do advento da TV no Brasil, em 1950, a bailarina capixaba Dora Vivacqua marcou época. Apresentava-se em circos e em ambientes impróprios para menores de 18 anos dançando de modo sensual, deixando a plateia masculina ouriçada. Detalhe: ela ocupava o palco “brincando” completamente nua com duas jibóias chamadas de Cornélio e Castorina. Isso a partir de 1944, no Rio.
Em 1947, Dora adotou o pseudônimo de Luz Del Fuego. Foi presa diversas vezes.
Em 1949, Del Fuego lançou o livro A Verdade Nua enquanto formava o Partido Naturalista Brasileiro.
Dora/Del Fuego nasceu em 1917 e morreu em 1967, assassinada

sábado, 22 de julho de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (32)

Licenciosidade é o mesmo que putaria; e numa expressão mais leve, erotismo.
O erótico se acha em tudo quanto é canto da vida. Está na boca do povo através da literatura popular até na arte erudita que ocupa espaço no balé, no teatro, no cinema, na ópera, desde que ópera é ópera cujo marco se acha na Alemanha e na Itália.
E nunca é tarde para lembrar que o velho teatro de revista, há muito fora de pauta, abordava com alguma ingenuidade as questões referentes a sexo e fantasia. Nesse tipo de teatro destacou-se, entre outras atrizes, Aracy Cortes.
Em 1923, Aracy Cortes já era nome consagrado.
De certo modo, foi o teatro de revista que inspirou a indústria de filmes pornôs.
O duplo sentido no campo erótico é algo que vem de tempos imemoriais.
Em tempos mais recentes, quando ainda havia bancas de revistas em tudo quanto é esquina, era fácil comprar revistas do tipo Ele e Ela e Status. Na Ele e Ela havia um encarte mensal intitulado Fórum, onde os leitores contavam seus sonhos e aventuras na cama. A revista Status chegou a promover Concursos de Contos Eróticos. Fez sucesso.
E a Playboy, hein?
Foi na revista Playboy que o Brasil tomou conhecimento da existência do criador dos “catecismos” que faziam a alegria da molecada, entre os anos 50 e 60. Seu autor: Carlos Zéfiro, na realidade Alcides Aguiar Caminha.
E na TV, hein?
Muitas cantoras brasileiras, e Anitta não foi a primeira, se apresentaram em público de modo insinuante, provocativo, semi-nuas. Muitas vezes, ao cantarem, insinuaram uma relação sexual. Isso aconteceu nas apresentações de Sol, Gretchen, Sharon, Tiazinha, Rita Cadillac.
Sol, pela mídia sensacionalista, era chamada de "sex symbol". Deixou o Brasil e foi buscar fama no Japão, onde conquistou um público que a chamava com entusiasmo de Musa do Imperador. Lá, no Japão, ela cantava em inglês, francês, espanhol, italiano, alemão e japonês. Nome de batismo: Sandra do Valle Reis.
Outro nome marcante no campo da música sensual e de duplo sentido foi Gretchen, de batismo Maria Odete Brito de Miranda de Souza. Se apresentava cantando igual a Sol. É de se perguntar: “Quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha?”. Gretchen, que era chamada de Rainha do Rebolado, e Sol se apresentavam de modo praticamente idêntico, mas chegaram a brigar no campo jurídico. Sol processou Gretchen por ser citada no livro Gretchen: Uma Biografia Quase Não Autorizada (Ed. Ilelis Letraria, 2015) como Barbie P…
Sharon e Tiazinha foram outros dois nomes bastante frequentes nas telinhas de TV. Sharon era dançarina do SBT e Tiazinha, da Bandeirantes, fazia um sucesso danado com uma máscara cobrindo parte da cara. Sensualíssima. Uma festa é tanto para os onanistas de plantão.

sexta-feira, 21 de julho de 2023

EU E MEUS BOTÕES (65)

"Seu Assis! O Sr. conheceu o cantor americano Tony Bennett?", perguntou num pulo o botão Barrica lendo notícia no seu celular. 
Eu disse que não conheci pessoalmente o Bennett, mas gostava do jeito dele cantar suas baladas românticas. Gravou muitos discos, muitas músicas. Estava com 96 anos de idade. Aniversariaria no próximo dia 3 de agosto. Estava com Alzheimer e a última vez que se apresentou foi em 2022 ao lado de Lady Gaga...
"Poxa! Não conheceu o Tony Bennett, mas sabe de toda sua história", surpreendeu-se Barrica enquanto o irmão Biu perguntava: "E ele gravou alguma música de compositor brasileiro?".
Notei que Biu se enroscou um pouco com essa pergunta, que passou pra mim. Eu disse: Sim, o Tony Bennett gravou vários autores brasileiros como Dorival Caymmi, Mário Albanese e Milton Nascimento.
"Seu Assis esse Albanese aí é o criador do ritmo musical Jequibau?", perguntou Zilidoro.
Sim, eu disse. Agora é o seguinte: eu acho que Nelson Rodrigues acertou na mosca quando disse que nós, brasileiros, sofremos de "complexo de vira-lata". Ele quis dizer, certamente, que estamos sempre abaixo das qualidades dos estrangeiros. Quando ocorre a morte de um americano, o que ocorreu hoje com Tony Bennett, ficamos imediatamente consternados, emocionados, lamentando. Foi assim com Sinatra e com todos os outros nomes da terra do Tio Sam.
"É verdade, o Sr. tem razão. Que eu saiba só dois grandes artistas da nossa música popular receberam as homenagens merecidas quando morreram: o rei da voz Chico Alves e o rei do baião Luiz Gonzaga", lembrou ainda Zilidoro.
Concordei com o que o poeta disse. Não nos consternamos, não ligamos muito para os nossos artistas mortos. É histórico. Pena.
Lampa, que a tudo observava e ouvia atentamente, pôs o bedelho: "Quando o rei do Cangaço, Lampião, morreu o mundo todo ficou sabendo".
"Esse Lampa só diz besteira!", interrompeu Zoião.
"Quem diz besteira é a tua vó, cabra dos infernos!", atirou Lampa. E Zoião: "Quem diz besteira é tu e a tua vó, e não a minha!".
Para, para, para, pessoal! Assim, não! Vamos manter a linha, a calma. "Isso mesmo! Isso mesmo!", emendaram em uníssono, como se tivessem ensaiado, os discretos Zé e Mané.
Em tom provocativo, mas numa boa, rindo, Zilidoro perguntou enquanto ligava o seu laptop: "Seu Assis, posso botar o Tony Bennett cantando Travessia, de Milton Nascimento e Fernando Brant?".
Ao mesmo tempo que perguntava se podia ou não podia tocar Tony Bennett, apertou o play da música:

quinta-feira, 20 de julho de 2023

INTELIGÊNCIA NA CULTURA

Ilustração de Fausto Bergocce

Tempos atrás diríamos: "A coisa tá preta!".
A propósito, a expressão aí aspeada faz parte de uma moda de viola eternizada pela dupla sertaneja das antigas Tião Carreiro e Pardinho. Mas, claro, não é de Tião e Pardinho que quero ora falar. 
Está se tornando realidade uma ficção até aqui inimaginável: Inteligência Artificial.
Inteligência Artificial é um tipo de "inteligência" gerada por uma série de combinações e conexões próprias da Internet. Essa tal inteligência poderá ser capaz de tudo em pouco tempo.
As máquinas nos dominarão?
As máquinas, robôs, podem ganhar vida própria.
No dia 2 de maio passado os roteiristas de Hollywood entraram em greve pedindo revisão e atualização dos seus contratos. Não foram atendidos até agora e no último dia 13 foi a vez de atores e atrizes também cruzarem os braços. 
A reivindicação dos atores e atrizes de Hollywood não é a mesma dos roteiristas de TV e Cinema. Querem o compromisso dos seus contratantes de que não serão substituídos, nem a sua imagem usada à revelia. Temem que sejam clonados, copiados pela tal Inteligência Artificial.
Pois é, diríamos em um passado recente: "A coisa tá preta!".
Daqui a pouco chegarão a todas as ruas carros elétricos e sem ninguém a dirigí-los.
Daqui a pouco robôs tomarão conta de tudo, quem sabe?
Meu amigo, minha amiga, você já pensou ter seu filho sendo levado à escola por um robô? Tsk, tsk; pois, pois.
Uma coisa é certa, as máquinas robóticas não alimentarão a humanidade, tampouco os pobres que vivem ao Deus dará neste mundinho de josta!
As máquinas criadas pelos homens, da inteligência dos homens se alimentarão. 
É tudo muito complexo, reconheço.
Segunda-feira 24 o tema do programa Roda Vida, da TV Cultura, SP, será Inteligência Artificial. No centro da roda estará o cientista Silvio Meira, que será entrevistado por jornalistas e especialistas no assunto. No lugar do velho e bom cartunista Paulo Caruso, estará o craque do traço Fausto. Originalíssimo.
Essa roda de segunda, quer dizer de primeira, vai render por conta do entrevistado e por conta do grande chargista que é Fausto Bergocce.

quarta-feira, 19 de julho de 2023

DE NOVO, LUIZ GONZAGA EM LIVRO

Wilson Seraine volta à cena publicando mais um livrinho da sua lavra: Luiz Gonzaga em Palmeirais-PI (Ed. Nova Aliança, 36 páginas).
Esse novo trabalho de Seraine trata da presença do Rei do Baião no Piauí. Uma de suas últimas viagens à região foi a Palmeirais. É o primeiro de uma série, promete o autor.
A presença de Luiz Gonzaga em Palmeirais, município localizado a sudoeste de Teresina, PI, com pouco mais de 13 mil habitantes, ocorreu precisamente no dia 7 de dezembro de 1985. À época, o prefeito era Cândido Soares Sobrinho. E foi com base em depoimento de Cândido, por muitos chamado de Candinho, que Wilson Seraine desenvolveu a história no seu novo livro, cujo o formato lembra os velhos e não mais publicados livrinhos de bolso tão comuns até fins dos anos 2000.
Lá pras tantas, o autor recomenda ouvir uma fala de Gonzaga em Palmeirais, pra onde foi contratado para inaugurar o Parque da Vaquejada:


LEIA MAIS: ODE A LUA  SERAINE É CULTURA DO PIAUÍ

segunda-feira, 17 de julho de 2023

OS BOSSA-NOVISTAS ESTÃO PARTINDO...

Os dinossauros brasileiros da Bossa Nova estão partindo. Só no mês de julho morreram João Gilberto (06/07/2019), Billy Blanco (08/07/2011), Vinícius de Moraes (09/07/1980) e hoje 17 o acreano de Rio Branco João Donato.
Donato começou a carreira familiarizando-se com uma pequena sanfona que ganhou quando tinha uns 10 anos de idade. Passou o tempo e ele deixou a sanfona de lado e partiu para o piano. Em seguida foi morar em Los Angeles, EUA, onde desenvolveu a carreira e afeiçoou-se aos ritmos locais e caribenhos. A Bossa Nova entrou de tabela. À época tinha 25 anos de idade e a Bossa Nova, apenas um ano.
Donato chegou aos EUA em 1959, ano em que o nosso presidente da República era o mineiro Juscelino Kubitschek.
Muitos artistas da MPB compuseram junto com Donato e de Donato muitos outros artistas gravaram um monte de suas músicas. Entre esses Chico Buarque, Caetano Veloso, Martinho da Vila, Gal Costa e Gilberto Gil. Com Gil, para lembrar, ouça:

domingo, 16 de julho de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (31)

Nada impede que se interprete temas em duplo sentido poético ou musical em textos líricos, de amor, de paixão. Chega a ser, digamos, brincadeira ou desafio. Pode se contar uma história em versos com um quê de graça e lirismo pra se falar de uma relação sexual, por exemplo.
Os franceses criaram uma palavra para definir pessoas que sentem prazer ao observrem outras em carícias e atos sexuais. A palavra é “voyeur”. Ipsis Litteris, a definição da palavra é esta: “é a prática que consiste em um indivíduo obter prazer sexual através da observação de pessoas praticando sexo”.
No poema Sexo e Liberdade/No Jogo Louco da Paixão, eu utilizo de um personagem real (Lampião) e crio dois outros (Zilidoro e Riachão) para contar um pouco da história do Nordeste. São poetas esses dois últimos personagens. Cordelistas. Mudo um pouco o rumo da história para inserir mais dois outros personagens (Rita e Juca). Até aqui tudo em sextilha. Rita é uma moça muito bonita, fogosa, que não se faz de rogada para cair nos braços dos admiradores. Alguns até a levam pra cama, sob aquiescência do companheiro Juca. Essa primeira parte, termino ao moldes dos repentistas. Em seguida, a narrativa segue abordando mais diretamente o sentimento paixão, em quadras.
O poema é este:

Dizem que sou poeta
Bobagem! Isso não sou não
Poeta é Zilidoro
Poeta é Riachão
Que do nada fazem versos
E brincando até canção!

Zilidoro e Riachão
São da lira popular
Fazem versos de Cordel
Pra o povo apreciar
São versos bem bolados
Que dão pra rir, dão pra chorar

Eu li de Zilidoro
O Macho Alfa do Sertão
Cordel que conta tudo
A respeito de Lampião
Desde seu nascimento
Até a morte sem perdão

Não foi no Norte nem no Sul
E tampouco no Sudeste
Que um dia tombou morto
Lampião cabra da peste
Por muitos considerado
Uma praga do Nordeste

O velho Lampa derramou
Muito sangue pelo chão
Seu prazer era matar
Inclusive sem razão
Mais prazer teria tido
Se tivesse um bom canhão

Mas canhão ele não tinha
Tinha só muito poder
E uma moça bonita
Que jamais pensou perder
Por ela faria tudo
Se preciso até morrer

Riachão por sua vez
Detestava hipocrisia
Detestava o que não presta
Pelo bem da fantasia
Seu cordel A Quenga Pura
Tem bastante putaria

O cordel começa assim:
Leitor preste atenção
No que ora vou contar
É um causo de traição
Provocado por um corno
Chamado Juca Pavão

Rita mulher do Juca
Era linda como a lua
Andava se balançando
Sem vergonha quase nua
Era fácil gostar dela
Daquele jeito na rua

Seu andar bamboleante
Provocava sensação
Uns a levavam pra cama
Outros ficavam na mão
Rita rindo punha galhos
Na testa do seu Pavão

Mas ele não ligava
Pois gostava era de ver
Rita nos braços dos outros
Se desmanchando em prazer
Pra ele era tudo
Que um corno podia ter

Mas deixa isso pra lá...
Pois poeta não sou não
Poeta é Zilidoro
Poeta é Riachão
Cujos versos eles tiram
Com delicadeza do chão

Chão bom tem o Nordeste
Coisa boa é meu torrão
Semente bem plantada
Na terrinha dá pirão
É por isso que dou vivas
Aos poetas pés no chão

Poetas plantam versos
E também paz e paixão
Plantam sonhos e desejos
De inverno a verão
Dá tudo o que se planta
Quando cai chuva no chão

Dá romã, dá siriguela
Dá maçã em bananeira
Dá cana, caju e cajá
E manga em pitombeira
Só não dá se não plantar
Buraco na buraqueira

Mas chega de conversa!
Eu não sou poeta não
Poeta é Zilidoro
Poeta é Riachão
Pra vocês o meu abraço
E um beijo no coração



Mais ainda posso falar
De amor e sedução
De prisão e liberdade
De Justiça e traição
Pra mim falar é fácil
Até mesmo de paixão

Paixão é mal que pega
Ou um bem que faz tremer
Um ser apaixonado
De repente sem querer?

Quem na vida nunca teve
Um xodó, uma paixão
Um amor destemperado
Mal criado, sem razão?

A razão não tem espaço
Nos domínios da paixão
— E o ser apaixonado?
— É bicho besta sem noção!

Até eu posso dizer
Sem temer estar errado
Que já vi um bicho desse
Choramingando, coitado!

Não há quem não se fira
Nos espinhos da paixão
Espinhos que deixam marcas
Indeléveis no coração

Se alguém lhe perguntar
O que diacho é paixão
Diga logo: É um trem bala
Disparado na contra mão!

Pra que fique muito claro
Clara é a conclusão:
A paixão é uma fada
Com garras de gavião!

Dito isso, não se perca
Não se meta em confusão
Ninguém escapa ileso
Aos caprichos da paixão

Quem avisa amigo é:
Ninguém se perde no baião
Ninguém se perde no batuque
Mas se perde na paixão

Se não crê no aqui dito
Solte freios e direção
Caia na buraqueira
E nos domínios da paixão

 

Ilustração de Fausto Bergocce

sexta-feira, 14 de julho de 2023

SONHAR É UM DIREITO DE TODOS

É bonito meu país Brasil. Bonito de todas as formas e rico em tudo, com seus 8.515.759 km².
No meu país Brasil tem tudo quanto é minério, inclusive o que mais brilha: ouro.
O Brasil é rico em tudo, inclusive no tocante a fauna e a flora. Mas sabemos que a Amazônia corre risco em todos os sentidos e em toda a sua área. A fauna também.
A Amazônia está sendo "loteada" por organizações criminosas como Família do Norte, Comando Vermelho e PCC. Como se não bastasse, ainda há as ONGs estrangeiras, infernizando aquele ambiente.
Mais do que nunca o governo brasileiro tem de pôr rédeas e controlar nossa terra, nossa gente, nossos bens; proteger os indígenas e prender e punir os bandidos que nos massacram.
Nos últimos quatro anos o Brasil virou uma espécie de "terra de ninguém".
Onde o Estado não chega, não se impõe em benefício da população, os bandidos chegam armados até os dentes e tomam conta de tudo.
A diretora de cinema Theresa Jessouroun, sempre preocupada com as questões sociais que afetam o Brasil, acaba de pôr nos canais a cabo Claro TV+ (Now), Vivo e Oi Play o seu novo filme, um documentário, intitulado Direito de Sonhar.
Esse filme de Theresa é um grito de socorro colhido numa comunidade do Rio de Janeiro. Ela diz:
"Gravado no Complexo do Alemão, Direito de Sonhar mostra como a ausência do Estado, a violência, o racismo e o difícil acesso à educação e à cultura afetam vidas e sonhos de crianças e jovens e mostra as soluções criadas para superar estes desafios".
Não é de hoje que Theresa Jessouroun volta seu olhar às injustiças que o povo humilde mais sofre.
Em Direito de Sonhar tem depoimentos tocantes, profundamente tocantes, como o de uma garotinha vestida de bailarina. Essa garotinha diz que muita gente lhe diz que como bailarina ela não chegará a canto nenhum. Mas ela garante não acreditar nisso, pois a esperança a move e a moverá sempre na vida. Tem uns 8 anos, talvez 9 de idade.
Um garoto de uns 10 anos aparece no filme de Theresa lendo livros com o maior gosto do mundo. Emociona.
Crianças e jovens adultos permeiam todo o filme de Theresa.
Direito de Sonhar, ao mesmo tempo que é um grito de socorro, é também um sopro de esperança. A pesquisa, muito bem desenvolvida, traz a marca da jornalista paulistana Cilene Soares. Veja o trailer:

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