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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

PRECONCEITO É MAL QUE ATROFIA A MENTE

Recebi hoje uma enxurrada de e-mails com mensagens desagradáveis, desabonadoras, humilhantes aos brasileiros nascidos no Nordeste; todas de pessoas insatisfeitas com o resultado das eleições que chancelou Dilma Rousseff como a primeira presidenta do País.
Poxa vida, isso deveria ser motivo de grande orgulho para todos os brasileiros...
As mensagens que estão circulando livremente na Internet são lamentáveis, agressivas.
Deixam entender que nascer no Nordeste é algo dos infernos, um pecado, uma coisa ignóbil, condenável ou doença contagiosa e incurável.
Deus do céu, por que tudo isso?
Hitler deu exemplo do que não presta.
Por que seguir Hitler?
Por que tê-lo como exemplo?
Por que humilhar a vida?
É isso o que fazem crer as pessoas que depreciam tanto os brasileiros nascidos no Nordeste, região bonita formada por nove Estados e mais de 50 mil habitantes num território que ultrapassa 1,5 milhão de Km².
Não há gente de segunda classe no mundo, como pensam os xenófobos, os agressores da vida, que, aliás, covardes, não se identificam com a clareza necessária nas suas mensagens horrorosas e até mal escritas.
Essas pessoas vivem na escuridão da ignorância e por isso, acho, merecem uma chance: a de estudar.
Elas não sabem que além de se fortalecer cada vez mais ante os olhos do mundo, o Brasil está crescendo bonito, e a passos largos, para a alegria e o bem-estar da população de bem, trabalhadora.
Ser nordestino não é defeito.
Defeito é discriminação, preconceito; um mal que atrofia a mente.
O Brasil é habitado por pouco mais de 190 milhões de seres humanos, mais precisamente 191,5 milhões, segundo dados do IBGE divulgados no dia 13 de agosto do ano passado.
O “pouco mais” a que me refiro é a minoria que por uma razão qualquer preferiu se entortar na vida a viver em sociedade, com decência.
Não há decência na discriminação, independentemente do tipo de discriminação.
A essas pessoas que escolheram viver tortas no quintal da ignorância lhes rogo um futuro escolar.
A educação faz milagres.
Antes, porém, de irem à escola, deveriam ser identificadas na forma da lei e levadas a julgamento.
Não será difícil às autoridades identificá-las.
A pena poderia ser anos de estudo sobre o Brasil e brasileiros.
Um exemplar da Constituição de 1988 também cairia bem nas mãos dessas pessoas.
Quem sabe, assim, aprenderiam algo importante: que somos todos iguais perante Deus e a Constituição.
Poderiam também ouvir a canção Caminhando ou Pra Não Dizer que Não Falei de Flores, de Geraldo Vandré, um nordestino reconhecido no campo das artes no mundo inteiro.
E não nos esqueçamos: o preconceituoso é capaz de tudo.
Detalhe: Dilma teve mais de 12 milhões de votos de diferença, a mais, com relação a seu concorrente, José Serra. O Nordeste lhe foi inteiramente favorável nas urnas, lhe dando 10.717.434 votos.
Façam as contas.
Pois é, ela ganharia de qualquer modo. E ainda assim a diferença seria superior a 1,5milhão de votos.
Uma boa noite a todos e até amanhã.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

EDUCAÇÃO É CULTURA

Depois de uma enxurrada de votos a favor da primeira mulher eleita pela vontade popular, no Brasil, um alívio: todos podem continuar a caminhar de cabeça erguida, sem medo de papa-figo.
E também podem, os mais humildes, caminhar de pés calçados para evitar a quentura torturante do chão.
O chão quente, fervente, assim feito pelo sol escaldante das horas do meio-dia, racha pés e racha almas.
E no Nordeste, principalmente no sertão, quase sempre é meio-dia...
Fernando Henrique sabe disso?
- Sabe não.
Serra sabe disso?
- Sabe não.
O que Serra sabe é que o Nordeste existe; mas ele só soube disso agora, para seu desassossego.
Quer dizer, não adiantou dizer que foi amigo de Luiz Gonzaga, o rei do baião, quando na verdade sequer o conheceu.
Não adiantou ir à terra do Padre Cícero... Pra que?
Não adiantou pegar terço, escapulário, ir à missa e dar beijinhos coreografados nas ruas de Recife, para uma multidão em câmera fechada.
É preciso ter fé no Brasil, no seu povo, nos seus mitos.
Não adianta prometer o que não dá pra cumprir.
É preciso respeito, ora.
Os nordestinos demonstraram respeito por um Brasil que lhes dá respeito, o que me fez lembrar uma coisa que Rei do Baião me disse há muito tempo:
- O nordestino não é pobre e nem é besta, mas é explorado. E isso não é culpa sua, é culpa dos governantes.
A mesma história da mais-valia de que me lembrava o cantor Taiguara.
A exploração do homem pelo homem.
Coisa antiga, mas ainda em voga no campo e na cidade.
Como mudar essa tristeza, como mudar essa realidade?
Através da escola, da formação profissional, da formação cidadã, da cultura e da educação, sabemos.
É por aí, pelo caminho da educação e da cultura, molas propulsoras do bem-viver.
Ninguém nasce pra sofrer, não é mesmo?
Por ser secularmente explorado e abandonado, o nordestino sabe perfeitamente reconhecer quem trabalha e quem o explora e o abandona.
O resultado foi o que se viu.
Agora me vem à tona uma imagem, esta:
Serra no dentista.
O dentista com seus instrumentos de trabalho à mão:
- Abra a boca e diga: Diiiiiiilma.
Hahaha, brincadeirinha.

CASAMENTO
O conterrâneo Sinval Sá, autor do livro O Sanfoneiro do Riacho da Brígida, sobre o rei do baião Luiz Gonzaga, telefona coberto de razão para dar bronca a respeito da minha ausência na festa de casamento de sua neta Thais com o filho de seu Jorge e dona Vera, Luis, no dia 29 último, aqui em São Paulo. Pôxa vida, que cabeça doida essa minha! Imperdoável.

LANÇAMENTO
Os amigos Arievaldo Viana, cearense, e o pernambucano Jô Oliveira, participaram no ´pultimo sábado da maior feira literária a céu aberto das Américas, em Porto Alegre. Os dois lançaram os folhetos de feira 300 Onças e Coco Verde e Melancia, adaptados do livro Contos Gauchescos, coletânea do folclorista gaúcho Simões Neto. Não os li, mas já gostei. Fica o registro.

domingo, 31 de outubro de 2010

O DIA CHEGOU, O DIA É HOJE: ÀS URNAS!

Há poucos minutos, numa rápida passagem de olhos pela página do Universo Online, que é o significado da sigla UOL, leio a notícia de que o candidato Serra foi eleito presidente.
Ual!
O meu espanto, traduzido pela tradicional expressão mineira, foi diminuindo à medida que fui me inteirando sobre o assunto.
A notícia dava conta de que 81,4% dos 278 brasileiros residentes no país de Mao preferiam o emplumado tucano à mineira Dilma.
Pois, pois.
Serra na China!
Lembro que ontem à noite, lendo a Folha, sofri outro súbito espanto: o quase Zé teria concluido seu plano de governo, mas evitou divulgá-lo para não correr risco de ser copiado por Dilma.
Ora, ora, confabulei com meus botões: se é exatamente um plano de governo que leva eleitores a se decidirem por um ou por outro candidato, principalmente quando se trata de disputada nacional, para o bem ou para o mal, por que agir dessa forma tão miúda, ranzinza, para não dizer egoista?
O primeiro botãozinho, safado que só - sim, é aquele que estar sempre a postos para nos apertar a garganta por uma razão qualquer -, saiu de sua casa e num pulo disse, professoral:
- O plano, meu caro, é não ter plano; mas dizer que tem, entende?
Faz sentido.
E essa história da TFP, hein?
Sei lá!

domingo, 24 de outubro de 2010

OSWALDINHO, O PELÉ DO ACORDEON

Sem dúvida, é bom aniversariar.
Outro dia mesmo, eu aniversariei.
E gostei, levando em conta que eu estava decidido a não mais aniversariar, ou seja: a desaniversariar.
Cheguei até a dizer a pessoas queridas que eu não mais incorreria nessa repetição. E justifiquei, depressa: já estou nos cincoenta e tralalá. E perguntei: isso é motivo de festa?
A Andrea, minha companheira de tudo, de risos e raivas, de amor e brigas, respondeu, arguta: é. E justificou, pra meu espanto: não são tantos os que chegam a tanto.
E provocou: pergunte ao Niemeyer, que já passou dos cem...
Ixe!
A Clarissa caçula do peito, que estava por perto, olhou pra mim e piscou: viu?
Mas, enfim, outro dia eu aniversariei.
Foi no Mocotó, um restaurante pra lá de bom localizado na zona norte de Sampa, onde, mais uma vez, fui muito bem recebido pelo chefe de cozinha Rodrigo e seu pai José, pernambucano da safra dos quase quarenta.
Estive lá outras vezes, fora de aniversário.
Tomei umas coisinhas boas e comi outras coisinhas igualmente boas, feito um besta.
Estiveram comigo as minhas filhas e um dos meus filhos, o Francisco, todo pimpão, bonito, forte, cheio de vida e esperança, ao lado da sua companheirinha de vida, Kátia.
Um orgulho meu.
Orgulhos, os dois.
Foi nessa ocasião, aliás, no setembro passado, que conheci o meu segundo neto, Solano, que veio fazer companhia à Yara, filhos da Luciana.
Pois, pois, vejam o que dá cinqüenta e tralalá...
Faço este arrodeio todo para dizer dos setenta do Pelé completados hoje.
Legal, o mundo inteiro falando.
No caso, acho que todos nós deveríamos nos orgulhar desse cara.
Pelé levou o nome do Brasil às alturas, ao mundo todo.
Pra ele o mundo é uma bola...
Antes dele houve outros brasileiros que levaram o nome do nosso País à estratosfera, como Antônio Carlos Gomes, compositor brasileiro de Campinas, SP, considerado o maior compositor operístico das Américas.
Depois dele, teve o mineiro Ary Barroso.
Depois, o carioca João Gilberto.
Antes, o rei do baião Luiz Gonzaga...
...Vocês já ouviram o inventor do bepop Dizzy Gillespie interpretando o maracatu Pau de Arara, de Gonzaga-Guio de Moraes?
Incrível!
É gravação do começo dos 60, infelizmente nunca trazidas à estas bandas em quaisquer formatos.
Pois, pois.
Bem, quero dizer que é bom aniversariar.
Pelé fez hoje 70.
Eu em setembro, 50.
Ontem um colega repórter do jornal A Tribuna telefonou perguntando o que acho de tantas homenagens em torno de Pelé.
Eu disse o óbvio: que todos temos de bater palmas pra ele, um ser especial, um cara exemplar.
Eu não sou exemplar e particularmente não gosto muitos dos exemplares. Pelé, porém, é diferente.
Pelé não é gente, Pelé é um deus.
Ele incrível, um personagem único que a vida não repetirá jamais.
Recomendo, agora, uma coisa: assistam ao filme Pelé Eterno, de Aníbal Massaini... E o recomendo com propriedade, pois sou, nele, no filme, o consultor musical. E lá está Jackson do Pandeiro abrindo a fita cantando Pelé...

Eu disse anteontem, aqui neste espaço, que iria assistir à performance do amigo Oswaldinho do Acordeon, que se faria, como se fez, acompanhado do maranhense arretado Zeca Baleiro no Canto da Ema, do compadre Paulinho Rosa.
Fui.
E foi muito bom, e dancei feito uma carrapeta.
Tomei água de coco, pois faltou o uísque da minha preferência: Old Par...

Falei de Pelé e dos 70 anos de Pelé, que o mundo hoje todo comemora, para dizer o seguinte:
- Oswaldinho é o Pelé da sanfona.
O Brasil está bom,não está?
E a minha confiança é por um País cada vez melhor.
O nome disso, hoje, é Dilma.
Postado por Assis Ângelo: às 23:23 0 comentários Links para es

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

OSWALDINHO E O BRASIL DE BONITEZAS

Este nosso Brasil é mesmo um país fantástico, não é?
Desde sempre.
Aqui tem de um tudo, do bom e do melhor, como diria a minha santa avó Alcina, que já está no céu, amém.
Cresci ouvindo dizer que somos o país do futuro, ora, ora.
O futuro é já, é sempre, não é amanhã.
Ouço céticos dizerem blá, blá, blá.
Sim, sim, eles são uns inconformados e o causo é que não poderia ser diferente, não é mesmo?
Cético diz blá, blá, blá e pronto!
É da natureza.
Quando chove ou faz frio, eles reclamam.
Quando faz sol e calor, também.
São um bando de São Tomés que nos lembram a cantiga da perua, o pássaro mortalha e também a acauã.
Como sofrem os céticos, hein, Deus do céu!
O bom - e eles nem desconfiam - é amanhecermos certos de que nascemos no país certo: Brasil, inclusive porque aqui não há abalos sísmicos impiedosos e tsunames arrasadores, como lá fora.
É verdade que Brasília vez por outra nos surpreende e nos faz, como nação, estremecer um pouco. Sim, claro, isso é da natureza dos sacanas que vêem até nas próprias mães um meio de se locupletarem, não é?
Esses merecem cana, cadeia das grandes.
Agora pensem: não é todo país que tem tantas coisas, tantas pessoas, tantos artistas incríveis, fantásticos, tão grandes como Oswaldinho do Acordeon, por exemplo, que é um mágico nos teclados; um artista de talento genial e cidadão que nos orgulha, de fi a paví, como diria o rei do baião Luiz Gonzaga.
A mestria de Oswaldinho é um dos nossos grandes orgulhos; e como ser, ele é, sem dúvida, um exemplo: quer queira, quer não.
Vocês já repararam no tamanho dele, no jeito calmo dele, tranquilo, apaziguador?
Já repararam no tamanho da sua obra, na beleza do som que extrai da sanfona que é o seu piano de peito?
Claro, Oswaldinho não nasceu para ser medido pela métrica cética, é certo.
E também não há como compará-lo, pois o seu estilo é muito próprio e fino, moldado ao melhor dos sentimentos, aos seres mais sensíveis.
Sim, Oswaldinho faz da sanfona a extensão da sua vida, cuja existência se escuta pelas notas que o seu coração dita e os seus dedos ágeis transmitem pelo instrumento que tão bem domina. Daí a sua alegria de viver, daí a nossa alegria de tê-lo entre nós.
É isso.
Agora, um recadinho: amanhã à noite, a partir das 23 horas, ele estará, junto com Zeca Baleiro, apresentando a sua arte para os privilegiados frequentadores da casa de espetáculos comandada por Paulinho Rosa, chamada de Canto da Ema, ali na Faria Lima, 364, Pinheiros.
Bora lá?
Eu vou.
Ele vai tocar Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e nós todos, isto é: o Brasil de bonitezas.

sábado, 16 de outubro de 2010

O DIA ESTÁ CHEGANDO...

Toda vez que vejo o quase Zé na telinha fazendo promessas, eu me arrepio todo com a impressão de que ele está tirando sarro da gente.
Será?
Ele tem prometido tanta coisa...
Mínimo de R$ 600,00 pra todo mundo, 13º para o projeto Bolsa Família...
Nesse ponto, um detalhe: a sua companheira Mônica andou criticando esse projeto levado avante por Lula, dizendo que com ele, o Bolsa Família, “ninguém quer mais trabalhar” no Brasil.
Pode!
Mais promessas: de cara, ele promete 10% de aumento para os aposentados.
Opa!
De onde virá tanto dinheiro, pois se mandar rodar na Casa da Moeda a inflação vai à lua.
E aí?
Ele promete também triplicar o orçamento do Ministério da Cultura.
Muito bom, a cultura e os brasileiros agradecem.
Uma pergunta, neste item: o que ele fez nesse campo em São Paulo, como prefeito ou governador?
Um problema, não é?
Ah! E questão delicada é a nordestina.
São Paulo, como se sabe, foi construída pelo forte braço dos imigrantes nordestinos; migrantes esses que jamais receberam qualquer tipo de reconhecimento. Na verdade, sequer uma homenagezinha tola, boba, do tipo uma plaquinha fixada numa parede qualquer de uma estação qualquer do Metrô, dizendo: “Aqui a força do homem nordestino esteve presente, cavando túnel, colocando trilhos”, coisas assim.
Aliás, o quase Zé tem prometido encher o País de estações de metrô.
Acho legal, mas será que o quase Zé cumpriria essa promessa?
A pensar: o Metrô paulistano anda emperrado, parando, com muita gente e pouquíssimas estações.
Deus do céu!
Será que o povo ainda cai no canto da sereia?

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O DIA ESTÁ CHEGANDO...

A campanha à Presidência esteve morna no primeiro tempo; e agora, no segundo, parece estar pegando fogo.
É um tiroteio danado.
E sabem de uma coisa? Não gosto de ver o quase Zé fingindo dizer a verdade.
Como acreditar em alguém que mente?
Eu, hein!
Pesquisas Datafolha divulgadas há pouco, indicam vários pontos favoráveis à Dilma, e que ela ganharia a parada se os eleitores fossem às urnas já.
Indicam também as pesquisas que o governo Lula acaba de bater novo recorde na avaliação popular: 81% de bom/ótimo.
É pra deixar qualquer Zé doido, não?
O caso é o seguinte: diz o bom técnico que em jogo que está ganhando não se mexe.
É isso.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

NO PLANETA DAS ESTRELAS

Meus amigos estão indo embora, sem avisar.
Simplesmente, fecham os olhos e partem.
Os dois últimos a fazer isso foram Juvenal Fernandes e Roberto Stanganelli.
Juvenal, paulistano nascido em outubro de 1925, partiu no dia 22 de junho e desde o dia 27 de agosto tem seu nome exposto no auditório da Editora Arlequim, por iniciativa do empresário Waldemar Marchetti, o Corisco, com quem trabalhou nos últimos anos.
Juvenal viveu o tempo todo no mundo do disco, compondo, fazendo versões e publicando livros de poesias.
É dele, por exemplo, a versão da faixa 2 do disco de estréia da cantora Elis Regina, Sonhando (Dream).
Juvenal foi sócio-diretor da Fermata e, nessa condição, responsável pela edição de algumas obras-primas da música brasileira, entre as quais Disparada, de Vandré-Théo de Barros, e Desafinado, de Tom Jobim-Newton Mendonça.
Conheceu meio mundo e foi amigo de muita gente, como Vicente Celestino.
Dizia que gostava muito do Vicente.
Stanganelli era, na sua modéstia mineira, um ser requintado, exemplar, caladão e observador.
Compositor, instrumentista e produtor fonográfico dos mais valiosos, nascido em fevereiro de 1931, ele acreditava na vida pós-partida.
Partiu domingo passado.
Uma vez, sem mais nem menos, ele olhou pra mim, riu e disse:
- Fique com meus discos, com você serão mais úteis.
Isso faz anos e eram uns trinta LPs.
Tentei várias vezes levá-lo para entrevista nos meus programas de rádio, mas ele, sempre rindo, com a maior naturalidade, dizia:
- Eu vou outro dia.
E esse dia nunca veio.
O mesmo aconteceu com Juvenal.
Eu insistia, mas não adiantava.
Algumas vezes fui à sua casa, no tempo que ainda morava nas proximidades do Museu da Imagem e do Som, nas proximidades da Avenida Europa.
Oferecia-me sempre que ia lá uma boa cachaça, enquanto sorvia café e jogava palavras fora.
Conheci seu arquivo com milhares de verbetes que, acho, nunca publicou na forma de enciclopédia, como desejava.
Como era do seu feitio, Juvenal ia deixando pra depois o que podia fazer logo, como as parcerias que assinou com vários artistas, entre os quais Adoniran Barbosa.
Stanganelli deixou pelo menos duas centenas de composições inéditas, como me disse o seu amigo editor Valdimir D´Angelo, da Arlequim.
De Juvenal, como lembrança, ficou o seu prefácio para um dos meus livros: O Brasileiro Carlos Gomes, que publiquei pela Companhia Editora Nacional, em 1987. No primeiro parágrafo, ele escreveu:
“Fazendo um apanhado sincero, honesto e corajoso sobre o Tonico de Campinas, desde a sua infância e até o seu final melancólico, Assis Angelo colabora, assim, com mais este trabalho, para fazer chegar às gerações mais novas o valor e a importância de um gênio musical e do maior herói não militar das terras brasileiras: Antônio Carlos Gomes”.
Curiosamente, e seguindo essa mesma linha de interpretação, escreveu também o maestro cearense de Iguatu Eleazar de Carvalho:
“Dominando a árdua tarefa da pesquisa, Assis Angelo escreveu o livro O Brasileiro Carlos Gomes preocupado não com um sucesso comercial, mas, simplesmente, plasmando suas observações sob a inteira proteção de resultados dos fatos reais que marcaram a vida e a obra do nosso maior compositor operístico das Américas”.
O maestro partiu em setembro de 1996.
A vida segue seu rumo.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

TUDO BEM, TUDO BEM, TUDO BEM?

Por que não dizer:
- Bons tempos aqueles de palhaços como Carequinha, Pimentinha, Piolin, Arrelia, de batismo Waldemar Seyssel, que um dia me convidou para escrever, e escrevi com orgulho, o prefácio de sua autobiografia para a Editora Ibrasa (“Arrelia, Uma Autobiografia”), ali pelos finzinhos dos 90.
Bons tempos, sim!
Era legal assistir esses palhaços de verdade.
De verdade, era legal assistir a esses palhaços.
Palhaços que nos embalaram a infância, que nos fizeram bem, que nos levaram a ver o mundo com graça infantil, sem segundas intenções, puros, sem nos agredir nos fazendo de bobos.
Mas agora o que dizer da telinha de fazer doido chamada TV, que produz celebridades sem conteúdo do dia pra noite e os carimba de "palhaço"?
Nos tratam de bobos, não é?
A última invenção dessa telinha é Tiririca.
Terrível!
E o que nos faltava no Congresso Nacional!
Quem de bom senso não fica tiririca da vida?
O tal Tiririca convidou os abestados a votar nele.
Apareceram cerca de 1,4 milhão desses tais.
Como tem abestado no Brasil!
Abestado é gente abestalhada, idiota, quem não sabe disso?
Lê-se no dicionário, “Abestado”: que se abestou, que se bestificou... “Abestalhado”: que diz tolices, tolo, imbecil... Cheio de si, presunçoso...
Como gostar disso?
Ora, cá não estou eu a falar do cidadão que se esconde por trás dessa coisa chamada tiririca, que é vítima, sem dúvida, do sistema que tritura e joga o bagaço fora.
Estou falando da coisa que em si só se encerra.
E ponto!
Está na 1ª edição do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, à pág. 2724, 3ª coluna à direita: “4 RS infrm. Punguista, batedor de carteira”.
E aí?

PS – A cartinha lá em cima dirigida a mim e assinada por Waldemar Seyssel, o Arrelia, é de agradecimento. Não é pra se sentir honrado, feliz da vida?

BRASILEIROS SOLITÁRIOS

Neste instante há 45 cidadãos brasileiros completamente solitários.
Melhor: neste momento há 45 cidadãos brasileiros sós.
São os candidatos que registraram candidaturas ao emprego de deputado federal, estadual e distrital e receberam apenas 1 voto, ou seja: o deles mesmos.
Existirá maior solidão no mundo do que essa; a de saber que nenhum amigo, nenhum parente ou aderente, ou mesmo um inimigo que desejasse uma desdita na carreira pretendida lhe deu um voto de confiança, enquanto Tiririca, o palhaço idiota e analfabeto recebe os votos de quase 1,4 milhão de eleitores assim, sem mais, só debochando de si e dos outros?
De lascar, poderão dizer os solitários.
E sobre caciques e figurões da República como Jereissati, Collor, Marco Maciel, o que dizer?
Jereissati entregou os pontos: encerra a carreira política e segue a de empresário, o que no fundo, no fundo, no caso, é a mesma coisa.
Sei não, mas acho que quem votou no Tiririca tem a mente congelada ou a cabeça cheia de titica, pois essa história de dizer que votou em “protesto” é pura idiotice.
Mas eu disse outro dia, aqui neste mesmo espaço: daqui pra frente os especialistas nessa coisa chamada de ciência política têm um trabalho enorme pela frente.
E o quase Zé, hein?
Cuidado, o homem vem aí, com tudo e pouca prosa.

domingo, 3 de outubro de 2010

O EFEITO VERDE ADIOU A DECISÃO

O dia amanheceu nublado hoje em Sampa.
Como previsto, eleitores foram às urnas depositar esperanças por um país melhor.
Pequenas confusões aqui e ali, mas nada de grave ou que atrapalhasse o bom andamento do processo democrático, do qual participaram vários candidatos, com destaque os mais fortes: Dilma, Serra e Marina.
Três nomes, três legendas.
Dilma PT, Serra PSDB e Marina PV.
O candidato tucano começou o jogo falando alto, tripudiando a petista e não dando bola à candidata verde.
E foi exatamente essa candidata que impediu que o jogo não se encerrasse no primeiro tempo, como se imaginou até o início da contabilização dos votos.
E agora?
Ora, de novo às urnas!
Esse tipo de exercício, aliás, é muito bom.
Mas cuidado: o homem vem aí, com tudo e pouca prosa.

sábado, 2 de outubro de 2010

AMANHÃ É DIA DE BRASIL. ÀS URNAS!

Plim, plim.
Mágica!
O candidato tucano promete triplicar o orçamento do Ministério da Cultura caso seja escolhido nas urnas amanhã para governar o País a partir de janeiro de 2011.
Ele promete R$ 6,6 bilhões.
Uau!
A candidata verde promete duplicar.
A petista Dilma, discreta e com os pés no chão, garante que o processo de fortalecimento do Ministério terá continuidade no seu governo.

Claro que é importante valorizar - e mostrar - todos os segmentos da cultura brasileira para nós próprios brasileiros e para o mundo todo também, mas para que isso ocorra, de forma natural e correta, é preciso que haja, antes de tudo, um programa, um processo, uma lógica, e não iniciativas isoladas e sem prumo, geradas na turbulência do acaso.
Ou do ocaso.
De certo modo, acho até graça quando ouço ou vejo o quase Zé - vocês sabem quem - dizer no rádio e na tevê que cultura é prioridade de seu governo.
Nunca foi.
É fato.
A história mostra isso.
O quase Zé, quase nordestino, prometeu - quem não lembra? - fazer bem à cultura nacional, incluindo a popular, quando se candidatou a prefeito da maior capital do País, São Paulo; e a governador do maior Estado brasileiro, São Paulo.
E o que se viu?
Zero!
Primeiro, disse que não concorreria ao governo do Estado.
Concorreu.
Depois disse que não concorreria a Presidência.
Está concorrendo...
À Presidência no começo, as pesquisas o punham no céu.
Depois caiu, caiu, caiu...
Ao cair, apelou: prometeu tudo e mais, por exemplo: triplicar o orçamento do Ministério da Cultura.

A foto do quase Zé nordestino estampada hoje na 1ª página da Folha, dançando a “dança” do “Pânico”, junto com Alckmin, é simplesmente ridícula. Isso até o meu novo neto, Solano, de dois meses, achou.

A candidata verde, Marina Silva, resumiu entregando os pontos para projeto futuro, com categoria, com dignidade:
- Ele (Serra) não tem programa, subestimou Dilma e se preparou para ficar fazendo só o embate, como se ele fosse falar e o mundo fosse estremecer. Quando não deu certo, começou a fazer um festival de promessas.

Amanhã é dia de Brasil.
Às urnas!

PS – Há exatos 50 anos, no dia 3 de outubro de 1960, um domingo, o Brasil ia às urnas para eleger Jânio Quadros. Já pensou?

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

IGNORÂNCIA E CETICISMO TÊM CURA

Algo de fato, incrível mesmo,está acontecendo no Brasil.
E esse “algo” certamente vai dar, daqui pra frente, muita dor de cabeça aos cientistas sociais - os chamados cabeções -, que terão de se desdobrar nas suas pesquisas e análises para entender, ou tentar entender, o que de fato está ocorrendo hoje de Norte a Sul do país; e num amanhã, já breve, saber o que aconteceu, a começar pela insistência de um nordestino de origem humilde, pobre e semi-analfabeto de se transformar no mais importante administrador do País.
Tudo, na verdade, começa com esse nordestino das bandas de Pernambuco que no seio familiar era chamado apenas de Lula, e que agora o Brasil e o mundo todo o chamam também assim, simplesmente, de Lula.
Outro dia, o prestigiado jornal norte-americano Financial Times o comparou à imagem do Cristo Redentor instalada no Corcovado, Rio, dizendo que ele é o protetor do povo e zelador do Brasil.
"O Brasil nunca esteve tão na moda”, escreveu o colunista político do mesmo FT, Gideon Rachman, com “Jogos, Copa, Brics, G20, pré-sal” etc.
Brics, como se sabe, é a sigla que identifica os principais países com economia em disparada.
Além do Brasil, a Rússia, Índia e China estão com a economia a mil.
Bom para o seu povo, não é?
A agência Associated Press distribuiu recentemente para jornais do mundo todo o perfil do personagem central do filme O Filho do Brasil, dizendo que ele, o personagem, ou seja, Lula, “levanta louvores de Havana a Wall Street”, lembrando ainda que ele faz amigos que vão de “Ahmadinejad a Bush e Obama”.
Ontem nas páginas do respeitado diário francês Le Monde o repórter Alain Franchon dizia que Lula encarnou por inteiro “o momento-chave da história”, conseguindo, de tabela, elevar o País ao status de “grande potência emergente”.
Bom, não é?
Realmente, é incrível o que se passa hoje aos nossos olhos.
Adiante-se: não é mágica, é sonho se transformando em realidade.
Em todo canto, porém, há céticos e preconceituosos.
Os primeiros nunca foram mesmo de acreditar em nada, tampouco em dias melhores.
Popularmente, são chamados de "urubus".
A ver com o grande poeta Augusto dos Anjos, se isso servir de ilustração.
Os segundos atacam quem não tiver sua cara com o terrível tacape da ignorância; aliás, sua única arma.
Enquanto isso, a caravana passa...

PS- Notícia postada há pouco na página da UOL dá conta de que a última pesquisa CNI/Ibope coloca o governo Lula no mais alto patamar de aprovação na história do País, ou seja: 77%. Quer dizer: 77% da população brasileira acham o governo Lula "bom" ou "ótimo", enquanto apenas 4% o consideram "ruim" ou "péssimo".
Os analistas políticos terão muito trabalho pela frente...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

DOMINGO 3, UM JOGO SEM EMPATE

Nos meus tantos e tantos anos de vida e luta nesta terra brasilis, nunca vi uma campanha política de âmbito nacional tão insossa e sem graça como a que chega ao fim domingo 3, quando cerca de 140 milhões de eleitores definirão seus votos para presidente da República, governador, senador e deputados federal e estadual nas urnas eletrônicas espalhadas desde a Paraíba ao Rio Grande do Sul, cujos resultados serão conhecidos provavelmente antes mesmo de segunda 4.
Nunca também uma campanha prometeu tanto, como essa.
Prometeu no sentido de surpresas.
Mas política é caixinha de Pandora, dirão.
E que surpresa, se as pesquisas indicam o fechamento da fatura já no 1º turno?
Pois é.
Mas há quem identifique aqui e ali manipulação de contrários, para que isso não ocorra.
Desde os tempos de Getúlio e Jânio, o Brasil nunca viveu uma situação como a de hoje, ou seja: um presidente em fim de mandato elegendo uma mulher como sua substituta, sem que ela nunca tenha disputado qualquer cargo eletivo.
Desafio e tanto!
Desafio vencido restará a desconstrução total de argumentos e análises históricos feitos por especialistas da cena política.
Como pode um brasileiro vindo das brenhas virar presidente da República duas vezes seguidas, sem título de doutor?
É um murro no pâncreas.
Os cientistas políticos agora terão uma grande tarefa: entender o que está se passando nesta terra brasilis.
Ao contrário do jogo de ontem, entre Corinthians e Botafogo, domingo 3 não haverá empate.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

JORNALISTA TAMBÉM É GENTE

Não é todo dia que a minha categoria profissional, e de roldão meus amigos, se junta para bailar, brincar e se confraternizar para espantar maus-olhados e a secura sem fim dos ignorantes sem fé, sem a preocupação pelo furo, pela melhor notícia.
Ora!
Aliás, a melhor notícia hoje é:
- Amanhã 30, às 21 horas, no Club Holms, à Avenida Paulista, 735, Eduardo Ribeiro convida a todos para um bota-fora pelos 15 anos de sua/nossa querida debutante Jornalistas&Cia., em pleno vigor da adolescência.
Quem não for, acho que é doente do pé ou tem minhoca na cabeça.
A vida é: uma festa.
Ninguém nasceu para sofrer.
Sofre quem é doente do pé ou tem minhoca na cabeça.
O poeta gaúcho Mário Quintana já dizia que não basta viver a vida, é preciso sonhá-la.
E sonhar é dançar; é espantar, com galhardia, os males que permeiam à revelia o nosso dia-a-dia.
O poeta português Fernando Pessoa, por sua vez, dizia que sentir é viver.
E completava: “Pensar é saber viver”.
Ora, o que mais faz o jornalista, hoje e sempre, como o filósofo, é pensar.
E atuar.
É de Pessoa também a frase bonita e emblemática:
“Navegar é preciso, viver não é preciso”.
A ver, claro, com criação, com recriação, refazer, repensar, ressurreição e viver.
As razões para a festa de amanhã no Holms, promovida por Edu, são várias, além, naturalmente, do debut da menina Jornalistas&Cia., também muito conhecida por “newsletter”.
Uma dessas grandes razões é bater palmas para os 15 mais votados jornalistas premiados nos últimos 15 anos, no Brasil.
Quem são esses nomes?
Quem for à festa saberá, em primeira mão.
Quem não for, só saberá depois.
E chega de porrada, minha gente: jornalista também é gente!
Mais informações sobre o debut de Jornalistas&Cia. pelo telefone 3217.6299.

ANIVERSÁRIO
- Pois é, mais uma vez caí na besteira de aniversariar. Resultado: amigos dizendo coisas e fazendo tim, tim à distância, como as irmãs cantoras Célia & Celma, Patrícia, Telma, Eduardo, Darlan e o grande engenheiro Nestor Tupinambá, que não teme arriscar brindes com versos como estes:

AO MEU AMIGO CANTADOR
NOME SEU ASSIS ANGELO
PROMITENTE FIADOR,
SUJEITO BOM NÃO VANDALO
DE GRANDE, BOA AMIZADE!
MUITA E FORTE SAÚDE
PRÁ CANTÁ O ALAÚDE
E INFINITA PACIÊNCIA
PRÁ TÊ SUBSISTÊNCIA!

E PARO POR ESSA LINHA
QUE POETA NÃO SOU NÃO
ESSA NÃO É A MINHA
AÍ SOU RUIM, UM ANÃO
DEIXO MEU ABRAÇO FORTE
PRU ASSIS COMPANHEIRO
INCRUSIVE PRÁ D.ANDRÉIA
MUITA BOA, BOA SORTE
NUM SI AVEXE DESSA IDÉIA
BOA NOITE, ALEGRES FESTEJOS
ESSA DATA NUM RETROCEDE
MANDE PRU ÉTER US DESEJOS
E FAZ O QUE ELA LHE PEDE!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A VIDA NÃO SE RESUME A ELEIÇÕES

Recomendo a leitura imediata da entrevista que o jornalista Ricardo Kotscho deu há pouco.
Está na página da UOL.
Muito esclarecedora.
Kotscho responde com absoluta lucidez às perguntas que lhe são feitas sobre o atual e lamentável embate Governo x Imprensa.
Desse embate, já saímos todos perdendo.
Uma pena.
Zero a mil.
Lula pisa na bola quando fala de cobras e lagartos, isto é, no caso, do noticiário contra a escolhida para a sua sucessão.
Ele diz o que não deveria.
Pra que?
Rei na barriga?
Democracia é o bom convívio entre os opostos, ora.
e ele, o presidente, deveria saber disso.
Deveria saber também que os grandes empresários da notícia, que não são bobos, nunca foram, fazem o que podem para obter o que desejam.
Sempre foi assim.
Lembremos o golpe de 64 e de outras histórias que tanto machucaram a Nação.
E aí, será que lutamos tanto a favor de nada?
Parafraseando Geraldo Vandré: a vida não se resume a eleições.

ZÉ RAMALHO
- Tenho recebido com frequência, via e-mail, um video de terror com imagens sobre o martelo O Meu País, de Livardo Alves, Orlando Tejo (autor do livro O Poeta do Absurdo) e Gilvan Chaves (já falecido, como Livardo), gravado originalmente com corte por Flávio José, em 1994, e depois por Zé Ramalho, em 2000, na íntegra. Portanto, muito antes de Lula virar presidente da República. A gravação de Zé está no primeiro dos dois CDs que formam o álbum Nação Nordestina, com encarte e longo texto explicativo, faixa por faixa, assinado por mim. É uma pérola a gravação do Zé, e até por isso não merecia ser tão violentada como está.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

HOJE É DIA DE MANEZINHO ARAÚJO

Como deixar que o dia termine sem uma boa nova?
Pois é, hoje é dia de Manezinho Araújo: 27 de setembro.
Quando o pernambucano, de Cabo, Manuel Pereira de Araújo partiu, na madrugada de dia 23 de maio de 1993, senti uma dor danada.
Mas não havia jeito, não havia lenitivo para essa dor.
Deus o chamou.
Foi assim: Manezinho foi dormir e não acordou mais.
Como Chaplin.
De manhazinha, o telefone tocou e dona Lalá, sua companheira por tantos e tantos anos, chorando, deu a triste notícia.
A notícia correu o País.
Sete dias depois, reuni amigos para uma missa, entre eles Rolando Boldrin.
Na capela, fizemos uma despedida a rigor, cantando emboladas de Mané.
Depois, pedi a Téo Azevedo que compusesse uma canção.
Depois sugeri a um vereador que desse nome de uma rua em nome de Mané.
Isso foi feito.
E agora, saudade...
O Congresso ainda não decretou o Dia Nacional Manezinho Araújo. Mas eu, sim.
Viva Manezinho Araújo.

PS- A foto que ilustra este texto foi tirada no dia 27 de setembro de 1990. Nesse dia, eu completava 38 anos.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

CULTURA POPULAR X GOVERNO

Digo logo e direto: nunca um governo fez tanto pelo reconhecimento e incentivo às artes e, particularmente, à cultura popular, como o governo Lula.
É necessário dizer, sim: quem dá identidade a um país, qualquer país, é o seu povo.
No Brasil, não poderia ser diferente.
Lá atrás, bem atrás, nos anos 30, Getúlio Vargas esboçou iniciativas parecidas como as de hoje, de valorização à cultura, quando deu carta branca ao maestro Villa-Lobos para fazer na área o que julgasse melhor.
O canto orfeônico é desse tempo; os corais, o ensino musical nas escolas, também.
Vargas abriu caminho e Lula tocou em frente.
Até onde eu sei o ministro Juca Ferreira não tem medido esforço para trazer à tona as diversas manifestações culturais do Brasil.
E isso é muito bom.
Só não ver, quem não quer.
Pelo noticiário, tomo conhecimento do destempero de José Serra, que seus áulicos queriam que o povo o chamasse de Zé.
Só, Zé.
Somente Zé.
Mas só agora quando a terra se abre a seus pés, é que o quase Zé diz ser a cultura algo importante para o País.
Ora, ora, como acreditar em alguém que sempre teve tudo para reconhecer na prática a riqueza da cultura brasileira e nesse sentido nada fez?
Lembro o quase Zé dizendo em debate para governador de São Paulo, na TV Globo, que a cultura popular - sim, ela mesma, com todas as letras - seria uma de suas prioridades.
Pois bem, ele ganhou e nunca fez da cultura prioridade alguma.
Está, pois, colhendo que plantou.
Em Exu, PE, o quase Zé deu entrevista dizendo que fora amigo do rei do Baião, Luiz Gonzaga.
Logo depois, o colega jornalista Paulo Henrique Amorim me perguntou se isso era verdade. Repondi que não, que o caso era de oportunismo político.
Isso correu pela Internet.
Na Internet agora também se acha nota de repúdio à fala do quase Zé, assinada pelo ministro Juca.
Trechos:
- O orçamento da cultura no governo Federal saltou de R$ 287 milhões, em 2003, para R$ 2,2 bilhões, em 2010.
- O salto de quase dez vezes atesta a importância que a cultura tem para o governo Lula.
- A própria renúncia fiscal saiu de R$ 400 milhões para mais de R$ 1 bilhão.
- Os recursos são, hoje, distribuídos para o Brasil inteiro, sem discriminação de regiões, de orientação artística ou ideológica, e na mais absoluta liberdade de expressão.
- O projeto de lei para modernização do Direito Autoral, amplamente debatido pela imprensa e pelo setor cultural, aumenta a transparência do sistema de arrecadação no Brasil.
- A suposta estatização do Ecad não existe no projeto e é apenas uma leitura marota.
- Se houver disposição de compreender estes avanços, basta comparar qualquer aspecto da política cultural do governo Lula com a do governo anterior.
- A agenda cultural é fundamental para a qualidade de vida das pessoas e para o desenvolvimento do País.
- Não há qualquer contribuição à cultura quando o tema é tratado dessa forma, pois pouco contribui para consolidar as grandes conquistas do setor cultural nos últimos anos. Não contribui para avançar, e pode até mesmo ajudar a rebaixar a importância da cultura nesse momento de definição das políticas dos próximos anos.
- É lamentável que um candidato ao cargo máximo do País trate a cultura de maneira tão superficial e sectária.
Eu também acho.

NÃO HÁ FUTURO SEM INTELIGÊNCIA

A noite de ontem 22 foi agradável no Espaço Itaú, alí na Paulista.
Como prometi, fui.
Encontrei o amigo Ricardo Kotscho e outros, como o editor Sinval de Itacarambi; Leão que há 23 anos segura a onda de manter uma revista, a única, que trata de Jornalismo no Brasil.
Sabe-se lá o quão difícil é isso.
Tarefa herculínea, é certo.
Que o diga a querida Mônica Waldvogel, que tão bem se saiu no debate Existe Futuro sem Jornalismo?, programado com ela, Eugênio Bucci e Sandro Vaia, no auditório do Itaú.
Ao fim, inda teve champanhe.
Eita!
................
Milhões de coisas estão acontecendo ou por acontecer, mas com placar já definido.
Só não vê quem não quer:
- Geraldo Pedrosa de Araújo Dias dando entrevista à Globo, depois de zilhões de anos.
- Dilma ganhando a banca da Presidência já no 1º turno.
- Serra, coitado, chorando e encerrando a carreira e lamentando o sonho de infância.
- O Corinthians faturando o campeonato, com muitos pontos além do 2º colocado.
- O moleque Neymar chorando e no começo da vida encerrando, à toa, a carreira.
- O maestro Dorival Júnior, dos melhores, seguindo firme como treinador: agora indo para o São Paulo.
Detalhe 1: o Coringão está hoje com 47 pontos ganhos e 23 jogos feitos, 14 vitórias e 5empates.
Detalhe 2:: o segundo colocado no campeonato, o Cruzeiro, está com 44 pontos ganhos em 24 jogos.
E...?
O Mano Menezes deixou um trabalho bem-feito, não deixou?
.................
Ontem o grupo do artista grafiteiro Kobra realizou uma coisa bonita: protesto contra o descaso que historicamente tem se dado à questão Tietê.
.............
O rolo que houve ontem e anteontem no sitema metroviário paulistano deixou meio mundo de antenas ligadas. Foi notícia até no mundo árabe, como informa o engenheiro Peter Alouche. A foto ali em cima ilustra bem a notícia, cujo título é: "Pane Causa Reação em Cadeia".

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

VANDRÉ MORREU, GERALDO ESTÁ VIVO. NA TV?

Contam-me que Geraldo Vandré vai aparecer num canal de televisão a cabo numa noite desta semana.
Contam-me também que ele quebrará o silêncio e dirá milhões de coisas etc. e tal.
Eu duvido.
Se aparecer, não será Vandré.
Será o cidadão Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, paraibano de João Pessoa, safra de 35, de quem os brasileiros, todos, deveriam se orgulhar muito.
Mas os brasileiros, grosso modo, não aprenderam a lição de Vandré, transmitida em 68 por Pedrosa, ou simplesmente Geraldo, segundo a qual “quem sabe, faz a hora/Não espera acontecer”.
Caso Geraldo apareça, dirá que Vandré morreu.
É fato.
Vandré foi uma criação de Geraldo Pedrosa de Araújo Dias nos finais de 50 para 60, como revelou em longa e elucidativa entrevista que me deu e publiquei em setembro de 78 em três ou quatro páginas do extinto Folhetim, suplemento dominical da Folha de S.Paulo. Três anos depois, em julho de 91, publiquei no caderno Revista, do extinto Diário Popular, outra reveladora entrevista, de página inteira: “Geraldo Vandré Rompe o Silêncio”, republicada com algumas alterações e acréscimos no saudoso Pasquim, sob o título de capa: “A Volta de Vandré” e subtítulo: “Geraldo Vandré Quebra 22 Anos de Silêncio”.
Nessa entrevista, ele explica a razão de não se apresentar mais publicamente:
- Há pessoas que cantam por cantar. Eu além de precisar de motivos para cantar, ou seja, de não cantar gratuitamente e de, lembrando Disparada, não cantar pra enganar, já sei, também, que é preciso, às vezes, não cantar. De algum modo, o silêncio que faço nesses 22 anos é parte da minha canção. Para detalhar, no entanto, razões e motivos que durante esse tempo foram compondo a pauta da minha existência cotidiana, é preciso muito mais do que o mundo das entrevistas jornalistas.
E lá mais para o fim opinou, quando lhe pedi sua impressão a respeito da música que se faz hoje (àquela época) no Brasil:
- Não é brasileira. A música que se faz hoje no Brasil cumpre um projeto antinacional de ocupação do território e da mentalidade de sua população. Onde antes existia cultura popular, hoje não existe mais. A receita é simples: cultura de massa onde antes existia cultura popular; cultura européia nas universidades e nas orquestras mantidas pelo poder público.
Aguardemos Geraldo na telinha de fazer doido.
Mas, aposto: não será Vandré, será Pedrosa de Araújo Dias.
..............
Hoje Sol de Lua Crescente nasceu às 5h59, com previsão de se pôr às 17h59.
A Primavera, se tudo correr bem, chegará amanhã às 9 horas; hora de Brasília, sob a Lua cheia mística de lobisomem, que já não assusta a mais ninguém.
Eu tinha medo desse bicho, quando era menino...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

AINDA TV: HÁ RAZÃO PARA COMEMORAÇÃO?

O novo número da revista Imprensa que acaba de chegar às bancas traz matéria sobre os 60 anos da televisão no País.
A retrospectiva, que vai desde os primeiros dias de cueiros, traz também uma seleção de apresentadores de ontem e de hoje e badalados.
Estão lá ilustrando a capa e páginas internas, Hebe, Jô, Boris, Ratinho, Osmar Santos e Marimoon, de quem, confessor minha ignorância, nunca vi nem ouvi falar; mas segundo a reportagem é boa e atua na MTV.
A revista traz também entrevistas com o ex-todo poderoso da Globo, Boni, e o “Baxo” Fernando Faro, da Cultura, criador e titular do programa de entrevistas com personagens da cultura nacional mais antigo no ar, Ensaio.
O segundo programa mais antigo no ar, sabemos, é Viola, Minha Viola, apresentado pela incansável cantora paulistana Inezita Barroso.
O programa dela já entrou na casa dos 30 anos ininterruptos.
Boni fala sobre a loucura que tem se tornado hoje em dia a procura por Ibope, pesadelo dos dirigentes e produtores que investem na burrice, nas obviedades que são, por exemplo, os programas policiais e os de ameniades, às altas horas.
O famoso e respeitado executivo fala também sobre os espaços vendidos a igrejas e a supermercados virtuais.
O fato é totalmente lastimável.
Mas a televisão, hoje, e o rádio também, infelizmente, são isso: supermercados cheios de bobagens de todos os tipos e de bugigangas, nos quais se acham carros e liquidificadores, além de camisas, cuecas, sapatos e panelas ao alcance de um simples discar de números.
Quando eu disse dias atrás no texto que pode ser conferido aí embaixo que a nossa grade de programação televisiva é um horror, é.
Basta um zapeamento aleatório a qualquer hora do dia ou da noite para que isso seja constatado.
E nessa grande estamos todos presos.
A saída qual é?
O desligamento, claro.
Aliás, aproveito para recomendar a leitura do comentário de Roberto Marino sobre o assusnto, abaixo do texto que postei. Bem calçado, Roberto foi buscar argumentos na nossa Constituição.
Perfeito!
A má qualidade e impropriedade da programação telelvisiva carecem de providências.
Enfim, qual é o papel da televisão?
A revista Imprensa deste mês está imperdível.
Aliás, acabo de receber convite para o aniversário de 23 anos de existência da revista. Vai ter tim, tim amanhã, a partir das 19h30, no Itaú Cultural, ali na Avenida Paulista.
Vou.
Mas vejam como são as coisas: eu ia falar era das dez perguntas irrespondíveis elencadas pelo site de busca Ask Jeeves.
Sabem quais são?
Estas:
- Qual é o sentido da vida?
- Deus existe?
- As loiras se divertem mais?
- Qual é a melhor forma de emagrecer?
- Tem alguém aí (no espaço)?
- Quem é a pessoa mais famosa do mundo?
- O que é o amor?
- Qual é o segredo da felicidade?
- Tony Soprano morreu?
- Por quanto tempo eu vou viver?

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

TV 60 ANOS: HÁ RAZÂO PARA COMEMORAÇÃO?

Amanhã sexta 18, teríamos tudo para nos orgulhar.
Simples: dia da inauguração da televisão no Brasil, pelo investidor desenxabido Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo.
Em miúdos: há exatos 60 anos era inaugurada a telinha de fazer doido.
Denominação: Tupi de São Paulo, ou PRF-3 TV.
Já de doido àquela época; hoje, inda mais.
Arma poderosíssima, letal.
E arma assim na mão de doido, já viu: só dá besteira, se me entendem.
A TV já pariu muita gente e muita gente já mandou pro espaço.
Isso é cíclico e depende dos interesses em jogo.
De uma hora pra outra, como num passe de mágica, pimba! Surge um famoso.
Os realyties shows estão aí, como previu no livro 1984 o jornalista e romancista britânico Eric Arthur Blair, por meio mundo conhecido pelo pseudônimo de George Orwell, que, aliás, morreu no mesmo ano do nascimento da nossa TV: 1950.

Quando digo ali em cima “que teríamos tudo para nos orgulhar” da data, digo por uma razão óbvia: a nossa TV poderia ser mais bonita, ter mais conteúdo e nível bem alto na programação; sem baixarias tão explícitas, como vemos no dia-a-dia, incluindo os fins de semana.
Oh! Deus.
Contam-se nos dedos os bons programas.
Mas, enfim, é isso o que temos.
Quem não gostar que aperte o botão.

BOA NOVA

Lá vai: recebo release da Assessoria de Comunicação da TV Cultura informando que a estatal da Fundação Padre Anchieta inaugura domingo às 16 horas nova fase do programa semanal Prelúdio, dirigido pelo maestro Julio Medaglia e apresentado por Estela Ribeiro.
Competentíssimos.
Vale dizer que esse é o único programa de calouros do mundo da música erudita que dá brilho à televisão brasileira.
Mais informações com Guilherme Mariano, através do telefone 2182.3268.

O DIA EM QUE ZÉ HAMILTON RIBEIRO CHOROU

Pois é, Zé, eu sabia que a festa seria bonita.
Muita gente, seus colegas e amigos lotaram o local.
Muito aplauso, muito brilho etc. e tal.
E você no meio.
Meio tenso, meio tonto, meio nervoso.
As filhas discretamente dando força...
No fim, você chorou.
Bem feito!

E aquela história da sua mulher, hein?
Dizia que não tinha roupa bonita pra sair.
Dizia que você não deixava dinheiro etc. e tal.
Você não deixava dinheiro, mas deixava cheque em branco pra ela comprar o que quisesse...
Eu também sou mais ou menos assim, Zé: não sei comprar roupa pra mulher.
Quando ela, a sua mulher, partiu para a Eternidade, as suas filhas descobriram, então, que a bolsa dela estava cheia de cheques seus assinados em branco...
E aí, hein?

Eu também passei por isso, por esse vexame maravilhoso que é o de receber o título de Cidadão Paulistano.
Foi em 1988.
Na ocasião, os meus amigos - poucos - falaram, falaram e disseram coisas que antes nem atentei.
E me emocionei com o repeteco dito de forma diferente.

Bonito sim, a festa Zé.
Inesquecível.
Fechamento de uma fase com chave de ouro.
Revi lá amigos que não via há muito, como Milton Soares.
Milton foi companheiro na Folha.
Levou porrada à granel, à época,
Naquele tempo, jornalista apanhava à toa.
Você sabe...
Mas o Milton escapou.
No seu rosto; no rosto do Milton, depois de mais de 20 anos que não o via, vi marcas do tempo fincadas lá.
E com um bonezinho de sinhozinho na cabeça...
Revi Ribeiro, revi Fon, revi Denise, revi Audálio, revi Elias, revi Artur, revi tanta gente.
Revi Fábio com seu vozeirão bonito e sorriso de menino.
Muitas histórias.
Falei ao Guto, presidente do nosso Sindicato, que criasse um departamento de registro de memórias.
Uma vez falei isso ao Drummond.
O poeta até achou que eu tinha razão.
E quer saber?
Tenho!
Está na hora de ter um departamento de memórias instalado no nosso Sindicato e sabe?
Acho que também está na hora de o nosso Sindicato instituir um prêmio denominado Zé Hamilton Ribeiro de Jornalismo Nacional.
Parabéns Zé, a categoria só tem a lhe agradecer.

Depois da solenidade de entrega do título de Cidadão Paulistano a Zé Hamilton Ribeiro, saí só a pé e zanzando pela noite da cidade à procura de um táxi, de um bendito táxi que não vinha.
Subi um pedaço da São Luís.
Passei pelo boteco Estadão, antes.
Quem não se lembra do Estadão?
Tomei uma cerveja pequena e engoli um pernil.
Um horror!
O pernil já não é o que era antes.
Um táxi chegou e fui conversando com o motorista.
Passei pela boca do lixo: ruas Bento Freitas, Rego Freitas, Gal. Osório, do velho e morto Parreirinha do Miro, de tantas lembranças.
Lembrança do Miltinho, Inezita, Jamelão, Adoniran, Golias, Elifas, Silvio Luís, Arley Pereira, Geraldo Nunes, Germano Matias, Paulinho da Viola...
Passei de frente onde um dia foi o Som de Cristal, que frequentei com Celso Sávio, Zanfra, Hipólito...
Passei também no local onde um dia foi o La Licorne, freqüentado por putas de luxo e figurões como o falso moralista Cel. Erasmo Dias, que, autoritário como secretário da Segurança Pública do Estado, um dia o invadiu por invadir o Campi da USP com tropa feroz e tal, batendo e prendendo estudantes inocentes só pra mostrar que tinha força...
Fechei os olhos e cheguei aqui.
Bom dia, Zé.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O BRASIL TÁ CHEIO DE TIRIRICAS. E SE...?

Tá danado!
Uma loucura só.
Mundo e meio metendo o pau no Tiririca.
Mas quem é Tiririca?
Primeiro foi o Skaf.
Quem é Skaf?
Agora é o senador Mercadante tascando no debate Folha/Rede TV!, encerrado há pouco.
Pra que?
Deus do céu! É o fim do mundo.
Como um tiririca pode incomodar tanto?
Num texto anterior, andei lembrando o Cacareco.
Lembram o Cacareco?
Cacareco era um tranquilo e ingênuo bicho rinoceronte trazido do Rio de Janeiro para São Paulo, e que à revelia própria acabou "concorrendo" com mais de 400 candidatos gente a vereador em Sampa, na última eleição dos 50.
O bicho "aprontou" sem querer; e muito, mas não tinha querer.
Cacareco aprontou tanto que foi levado de volta, às pressas, para o zoo de onde veio; o que, em tese, não se pode fazer com tiriricas.
Tiririca dá idéia de coisa pequena, de coisa que não assusta; ao contrário dos coronéis e candidatos a coronéis que tantos males têm feito ao País, no último século e pouco.
A eventual vitória desse Tiririca, feio, desengonçado, nas eleições de 3 de outubro, terá a ver com o comportamento dos políticos de profissão, não é?
O Tiririca cá citado é de profissão palhaço; os tiriricas de lá, profissionalíssimos, nos fazem de palhaço.
Perguntar, já dizia outro palhaço, Chico Anízio, não ofende.
Então, tá: e se esse tal ganhar o cargo e não seguir o caminho da sacanagem tão comum a seus eventuais colegas, hein?
E se o tal primar pela honradez etc. e tal, como ficará a questão?
Na verdade, qualquer um, mesmo os analfabetos, podem e têm o direito de ser cidadão e como tal agir.
Fica o dito cá dito.
..............
ZÉ HAMILTON RIBEIRO
- Daqui a pouco, às 19 horas, haverá solenidade de entrega do título de Cidadão Paulistano ao jornalista José Hamilton Ribeiro, no salão nobre da Câmara Municipal de São Paulo, que fica ali no Viaduto Jacareí, 100. Vamos lá? Eu vou.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ZÉ HAMILTON AGORA É CIDADÃO DE SAMPA

Para orgulho da categoria, o colega Zé Hamilton Ribeiro, de tantas e tantas reportagens e de livros importantes publicados, como Senhor Jequitibá, de 1979, receberá amanhã 16, às 19 horas, o merecido título de Cidadão Paulistano no salão nobre da Câmara Municipal de São Paulo, naturalmente pela excelência do trabalho que desenvolve desde sempre.
Paulista de Santa Rosa de Viterbo, safra de 35, Zé Hamilton é o jornalista mais premiado do Brasil.
É chamado O Repórter do Século, merecidamente.
O primeiro prêmio, ele o ganhou em 64.
Depois outros e outros, como o internacional de Jornalismo Maria Moors Cabot, da Universidade de Columbia, em 2006.
A carreira de Zé começou em 54.
A sua volta, há muitas histórias a contar.
Em 2008 participamos do encontro “1968: Cenas da Rebeldia”, organizado pela produtora paulistana Andrea Lago, no Centro Cultura BNB, em Fortaleza.
Desse encontro, mediado por mim, participaram, além de Zé, os artistas da música brasileira Sérgio Ricardo, de Beto Bom de Bola, e Théo de Barros, de Disparada (parceria com Vandré).
Lembro que o Sérgio, nervoso na véspera, me pediu para evitar o caso da quebra de violão.
Lembram?
Foi em 1967, num festival da Record, quando a platéia enlouquecida o impediu de cantar e o vaiou bestialmente.
Discordei dele, dizendo que não dava para evitar o assunto, pois, enfim, era história.
Ele aceitou meus argumentos e tudo terminou bem, tanto que depois me disse que aquilo (o encontro) foi útil e lhe serviu de terapia.
Fiquei feliz.
Mas o meu receio, mesmo, era a reação de Zé.
Como evitar falar da sua brilhante cobertura da guerra do Vietnã para a revista Realidade, interrompia bruscamente, sem falar do acidente trágico que o fez perder uma perna ao pisar numa maldita mina e ir para os ares, literalmente?
Assunto delicado, sem dúvida.
Mas Zé, como se adivinhasse o meu dilema, abordou o assunto com humor, fazendo a platéia se deliciar e até rir com a graça da sua narrativa.
Zé Hamilton, pois, é assim: além de um grande jornalista, um profissional que de fato faz bem à categoria, é, antes de tudo, uma pessoa incrível, exemplar; dessas que a gente carrega no peito com um orgulho danado.
Mas há pouco fiquei sabendo que ele está um tanto nervoso com essa história de homenagem na Câmara, pois anda ainda triste e abalado com a perda da companheira de tantos anos e mãe dos seus filhos.
Fica assim não, Zé.
É ótimo receber o título de Cidadão da Câmara Municipal de São Paulo.
Você vai ver.

PS – A foto aí de cima foi feita por Edson, do projeto o Autor na Praça, em 2007. O primeiro que aparece é Luiz Ernesto Kawall, o segundo sou eu, o terceiro é Ricardo Kotscho e o quinto, Zé. A mocinha é uma amiga do Edison. Fica o registro.

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