Seguir o blog

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O PRÓXIMO BATE-PAPO É COM MÁRIO ALBANESE

Mais uma vez a noite de ontem rendeu prazer e alegria para poucos privilegiados que compareceram à arena da instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo sob minha curadoria no Sesc Santana, para ouvir a boa prosa entre gerações diferentes da arte da música popular: Fabiana Cozza e Elzo Augusto (ao lado, num clic da produtora cultural Andrea Lago). Fabiana, da primeira metade dos anos de 1970, é uma paulistana do bairro da Pompéia criada na agitação de Vila Madalena.
Ela respira música desde sempre.
Elzo, por sua vez, é paulista de Jaboticabal nascido sob o signo da Revolução de 30 e adotado por Sampa desde a idade de 4 anos.
Ambos são tipos incríveis que a vida solta ao mundo e a gente um dia tem a sorte de encontrar.
A marca de Elzo é o bom humor, junto com simplicidade e talento.
Nosso bate-papo começou no horário marcado: 20 horas, e se prolongou por cerca de 90 minutos.
Intérprete que se preparou cuidadosamente para a arte que abraçou, Fabiana Cozza disse que a sua primeira profissão foi de jornalista, com “canudinho” conquistado a duras penas na USP. Depois, acrescentou, “estudei canto, teatro e dança”.
E a partir daí, óbvio, caiu na vida de artista para encantar a todos.
Elzo é da velha guarda musical, que inclui ritmos e gêneros diversos.
Tem centenas de músicas gravadas, até um tango pelo maestro Erlon Chaves.
Composições musicais ele começou a fazer bem cedo, na adolescência.
Tinha uns 26, 27 anos quando o grupo Demônios da Garoa gravou pelo selo Trovador suas primeiras obras: o samba Falou de Mim, resultante de parceria com Antonio Lopes; e Lá Vem o Pato, marchinha feita com Jairo Boscolo.
Mas essas gravações ficaram por isso mesmo, até porque Trovador era um selo independente tocado adiante, sem muitos recursos, pelo compositor bissexto Wilson Sales.
Em suma: como hoje em dia, Elzo começou pagando para ser gravado.
Aliás, esse processo de toma lá dá cá começou no Brasil em 1929, com o tieteense Cornélio Pires arcando com os custos da gravação dos 52 discos lançados pela extinta Columbia.
Muita gente boa começou assim, em selos independentes desde o tempo dos velhos 78 RPM.
Entre esses selos, extintos, é de se lembrar Astor, Alvorada, Audio-Fidelity, Brasiluso, Caravelle, Corcovado, Discobrás, Eco, Imperial, Lira, Mariposa, Ouvidor, Régis, Ritmos, RMS, Som Brasil, Universal etc.
Vocês se lembram do samba A Saudade Que ficou (O Lencinho), gravado por Luiz Ayrão num LP Odeon, em 1979, que começa assim:

Aquele lencinho que você deixou
É um pedacinho da saudade que ficou...

Pois é, é de Elzo augusto em parceria com Joãozinho da Rocinha.
Amanhã tem mais.

MÁRIO ALBANESE
O compositor e instrumentista Mário albanese é o nosso próximo convidado para uma prosa no espaço Convivência II do Sesc Santana. Isso correrá semana que vem, dia 23.   


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

ELZO AUGUSTO E FABIANA COZZA, NO SESC

Ele é da safra dos compositores antigos, com centenas de músicas gravadas por intérpretes inesquecíveis como Dalva de Oliveira, Isaura Garcia, Emilinha Borba, Míriam Batucada, Nélson Gonçalves, Gilberto Alves, Jamelão, João Dias, Francisco Egydio, Erlon Chaves, Paulo Molin, Luiz Gonzaga e tantos e tantos, incluindo o Trio Mocotó e o Trio Orixás; sem esquecer que ele também enriqueceu o repertório do paulistano grupo Demônios da Garoa com pérolas como Samba de Gaiato, Lenço na Moleira e Lá Vem o Pato (título na reprodução do selo, ao lado).
Luiz Ayrão, Pery Ribeiro, Germano Mathias, Oswaldo Rodrigues, Carlos Gonzaga, Lindomar Castilho, Joelma e Ângela Maria também gravaram obras suas.
Só Germano gravou uma trintena, como São Paulo, Mãe-madrinha.
Entre seus parceiros se acham Joel de Almeida, Zé Ketti, Adoniran Barbosa, Archimedes Messina, Olmir Stocker e o maestro Portinho.
Refiro-me ao paulista de Jaboticabal Elso Augusto, que no cartório ganhou no nome esse “s” aí antes do “l”, que corrige assinando seus textos e partituras musicais com “z”, assim: Elzo Augusto, como deveria constar no documento expedido pelo cartório onde foi registrado.
Elzo vai estar comigo logo mais às 20 horas, no Sesc Santana.
Junto comigo e ele, também estará a cantora paulistana Fabiana Cozza, uma artista que só agora, 14 anos depois de iniciar a carreira profissional, começa a despontar no cenário da música brasileira.
Sem dúvida, a voz de Fabiana Cozza é privilegiada e privilegiados são todos aqueles que a ouvem.
Ela tem três CDs e um DVD à disposição do bom-gosto.
Acho que o nosso bate-papo vai ser legal.
Que tal conferir?

LANDELL DE MOURA
O Movimento Landell de Moura acabou, mas não acabou. Explico, oficialmente sim. Na edição de hoje, o newsletter Jornalistas&Cia, que esteve à frente desse movimento, informa que muitas iniciativas continuam sendo feitas pró padre-cientista inventor do rádio, o gaúcho Landell de Moura. Lida semanalmente por mais de 35 mil profissionais, Jornalistas&Cia, que circula em formato PDF, mostra a movimentação de profissionais de redações (jornais, tevês, rádios e portais), agências de comunicação e assessorias de imprensa de empresas, entidades e órgãos públicos e outras notícias sobre a área de comunicação social e corporativa.

JORNAIS
Extinguiram-se as edições impressas do 2º jornal mais antigo da capital paraibana, O Norte, onde iniciei a carreira profissional no limiar de 1970. Com ele também foi o Diário da Borborema, de Campina Grande, onde mantive coluna assinada por bom tempo. Ambos pertenciam à rede dos Diários Associados, criada pelo paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello. Uma pena a extinção desses jornais.

INEZITA BARROSO
Ontem dei a informação de que o livro A Menina Inezita Barroso, que escrevi e Ciro Fernandes ilustrou, foi incluído no disputado catálogo da Bologna Children Book´s Fair. O livro começa com um texto poético que desenvolvi em homenagem à biografada, Inezita, que o percussionista de folias internacional Papete musicou com maestria. Chama-se A Brasileira Inezita, que pode ser ouvida no Youtube. Mais esqueci de dizer que o referido livro já ganhou até uma versão em braile.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

INEZITA BARROSO, NA ITÁLIA

O dono da Cortez Editora, José Cortez, e seu editor de obras infantojuvenil, Amir Piedade, acabam de me informar que o livro A Menina Inezita Barroso foi selecionado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, que é a seção nacional do International Board on Books for Young People desde 1968, para integrar o catálogo do que chamam de a maior feira de livros do mundo no gênero, que ocorrerá entre os dias 19 e 22 próximos em Bolonha, Itália. Detalhe: o evento, que não é aberto ao público comum, consumidor, reúne editores, agentes literários, produtores de cinema e TV do mundo todo.
O objetivo é comprar e vender copyrigth.
Dizem que o espaço ocupado pela Bologna Children´s Book Fair tem a dimensão de pelo menos quatro vezes o nosso Anhembi Parque, ou seja: 1.600m².
Além da Menina Inezita Barroso, outros cinco títulos da Cortez foram escolhidos, estes: Escolha o Seu Dragão, de Rosana Rios; Alecrim Dourado e Outros Cheirinhos de Amor, de Lenice Gomes e Giba Pedroza; Uma História Hebraica, de Tatiana Belinky; e A Lenda do Preguiçoso e Outras Histórias, de Giba Pedroza.
Alguns amigos, como Roniwalter Jatobá, Jô Oliveira e Marco Haurélio, já participaram desse evento e dizem que é muito bom.
No catálogo, A Menina Inezita está referido à página 50.
Ah! Sim. Seria no mínimo curioso a história da nossa grande intérprete musical ser contada noutras línguas, quando nem aqui lhe dão bola, seria não?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ANTES QUE O MUNDO ACABE, VIVA PATATIVA!

Sábado último dei uma esticada até o município paulista de Atibaia, a 63 quilômetros da Capital. Foi dessa cidade que partiram para a eternidade os cantores Sílvio Caldas e Noite Ilustrada.
Lá pessoas nos esperavam para uma palestra musical junto com Jorge Mello (comigo aí, na foto), em torno da nossa cultura popular. Destacamos o poeta cearense Patativa do Assaré como o mais representativo do tema.
Patativa bateu asas em direção ao céu há dez anos, precisamente no dia 8 de julho de 2002.
Assim, nos antecipamos às comemorações em sua memória.
Outro grande representante da cultura popular brasileira, a partir do Nordeste, foi Luiz Gonzaga, o rei do baião, que nasceu há 100 anos, mais precisamente no dia 13 de dezembro de 1912, em Exu.
O cantor e compositor paulistano, do Brás, Roque Ricciardi, o Paraguassu, é também um nome a ser lembrado este ano, pois data de 1912 a gravação do seu primeiro disco.
Paraguassu foi o primeiro artista popular destas plagas bandeirantes a alcançar sucesso no território nacional.
Vamos lembrar, de fato, de tudo isso com festas, de preferência, antes que o mundo todo se acabe; pois dizem que este mundinho besta vai pras cucuias no dia 21 do próximo dezembro, um sábado.
Fui!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

MÚSICOS DAS RUAS DE SÃO PAULO

Verdadeiramente fantástica a apresentação da Orquestra de Músicos das Ruas de São Paulo com a Corporação Musical Operária da Lapa, sob a batuta do experiente Lívio Tragtenberg e Nestor Pinheiro, respectivamente.
O paulistano Lívio é um maluco renitente, incrível, sobre quem escrevi linhas em jornais quando lançou à praça sua primeira produção independente – Ritual – em forma de LP, há 31 anos, e que o leitor ocasional pode conferir na postagem abaixo, clicando sobre a imagem.
Nestor, de uma sensibilidade à flor da pele, comanda seus músicos não profissionais, autodidatas, com natural desembaraço.
Incrível, sim.
Emocionante também.
A simplicidade de Nestor, um bancário aposentado, e a ousadia de Lívio, um músico em freqüente estado de explosiva ebulição, foram detalhes especialíssimos da apresentação que testemunhei ontem à boca da noite no teatro do Sesc Santana, como parte da programação do projeto Roteiro Musical da Cidade de São Paulo.
Sem sair do prumo e com categoria, Nestor trafegou por gêneros que iam ora da valsa à polca, passando por marchinhas e dobrados.
A Corporação, a cujo nome original se acrescia no passado Lyra da Lapa, foi fundada em 1881 e Nestor, que se identifica ao interlocutor com a expressão “a seu dispor”, está a sua frente desde 2003.
Vinte e dois músicos formam a Corporação Musical Operária da Lapa.
Lívio Tragtenberg tem vários discos lançados, mas persiste insatisfeito com a história do presente.
Suas apresentações ganham interrupções críticas e bem humoradas, especialmente quando se refere à capital paulista que ele se espanta por ainda existir, enquanto avisa:
- Tudo vai virar um grande condomínio.
Sua produção mais recente é Neuropolis, de 2007, chancelado pelo selo Sesc.
Entre os integrantes da sua Orquestra dos Músicos das Ruas de São Paulo se acham uma das mais criativas duplas de emboladores do Nordeste: Perneira & Sonhador, que, aliás, participa do filme Saudade do Futuro, uma produção franco-brasileira assinada pelos diretores Cesar Paes e Marie-Clémence, que teve por base, em 2009, um dos meus livros, A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo.
Viva aos músicos de Lívio Tragtenberg e da Corporação Musical Operária da Lapa.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

GUARDEM ESTE NOME: LÍVIO TRAGTENBERG

Em 1981, sobre um artista em início de carreira lançando seu primeiro disco, um LP, escrevi já no primeiro parágrafo o seguinte:
"Música Independente para Todos – MIT – mais que uma opção, é moda atualmente no Brasil. Muita gente que se considera músico, marginal claro, tem de um jeito ou de outro conseguido produzir gravar e lançar, por conta e risco próprios, discos muitas vezes de qualidade duvidosa. Vez por outra, felizmente, tem aparecido coisas realmente boas. É o caso de Lívio Tragtenberg, um paulistano maluco de 20 anos. E atenção, gravem este nome: Lívio Tragtenberg".
O texto, feito para a Agência Brasileira de Reportagens, ABR, foi publicado à época em mais de 50 jornais país a fora.
Desde então nunca mais eu soube desse artista, que conheci e entrevistei na ocasião do lançamento do seu primeiro disco, Ritual.
Hoje, por volta das 18 horas, certamente irei reencontrá-lo no Sesc Santana, pois ele estará se apresentando como maestro à frente da Orquestra de Músicos das Ruas de São Paulo. A apresentação faz parte da ampla programação da instalação sob minha curadoria Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, que permanecerá aberta à visitação pública na ´parea de Convivência II do Sesc Santana até o próximo dia 1º de abril.
Vamos lá?

sábado, 11 de fevereiro de 2012

MORREU A ÚLTIMA IRMÃ DE LAMPIÃO


http://www.youtube.com/watch?v=ioS3GpIa7Kc&feature=youtu.be
Em conseqüência da idade e de problemas respiratórios que vinha sofrendo, morreu ontem 10, no meio da tarde, a última irmã de Virgulino Ferreira da Silva, o temido Lampião.

Dona Mocinha, como ela era chamada, de batismo Maria Ferreira Queiroz, morou na zona Norte da capital paulista por quase 50 anos.
Era uma pessoa amável, tranqüila, e não gostava muito de falar da família, especialmente do irmão mais famoso. No entanto, numa entrevista que fiz para o programa Tão Brasil, que eu apresentava pela allTV e levada ao ar na noite de 11 de julho 2007, ela contou um pouco da sua história.
Começou dizendo que não tinha o que dizer.
Sim, era tímida.
Mas conversa vai, conversa vem, lembrou que seus três irmãos mais velhos, Antônio, Livino e Virgulino, o caçula, saíram de casa em Vila Bela, hoje Serra Talhada, PE, onde nasceram, num mesmo dia e ao mesmo tempo com o propósito de vingar a morte do pai, José Ferreira da Silva.
Mas a vingança não se consumou e Lampião e Maria Bonita, sua companheira de estrada, poeira e bala, mais nove cangaceiros, tombaram vítimas de emboscada no final da madrugada do dia 28 de julho de 1938, em Angico, SE.
Noutras ocasiões eu já entrevistara pessoas ligadas ao cangaço, como Ilda Ribeiro de Souza, a Sila, companheira de Zé Sereno, que conseguiu escapar da chacina e só foi morrer em fevereiro de 2005, em São Paulo.
Em João Pessoas, nos meus tempos antigos, namorei uma menina neta de um dos integrantes da volante que acabou com Lampião.
Ainda hei de me lembrar seu nome.
Morava na região do Varadouro...
Para outro programa que apresentei, na rádio Capital, entrevistei Expedida Ferreira, até hoje reconhecida como filha única de Lampião e Maria Bonita.
Mas essa história fica pra depois.
No Instituto Memória Brasil, Acervo Assis Ângelo, há registros sonoros.
O corpo de dona Mocinha está sepultado agora, no Cemitério Chora Menino, na zona Norte da cidade.
No vídeo anexo, parte da conversa que mantive com dona Mocinha, junto com o mais importante estudioso do Cangaço: o paulista Antônio Amaury.



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

GUDIN E VANZOLINI EM NOITE INSPIRADA, NO SESC

Quem não foi, perdeu.
O bate-papo informal com os compositores paulistanos Eduardo Gudin e Paulo Vanzolini (ao lado com este escrevinhador) ontem à noite na área de Convivência II do Sesc Santana foi dos melhores.
Paulo falou de suas lembranças de São Paulo antiga; o mesmo fez Gudin que ao final de hora e meia deu de garra do violão e interpretou obras suas e de Paulo com Ana Bernardo soltando a voz e arrancando aplausos calorosos da seleta platéia na qual se achavam, entusiasmados, os craques do jornalismo Audálio Dantas e Eduardo Ribeiro.
Indagado sobre quem melhor representava a música paulistana, Paulo, sempre afiado, respondeu:
- Eu e Adoniran.
Gudin falou, e bem, de Germano Mathias.
Paulo teceu maravilhas ao se referir a Adoniran Barbosa e Gerldo Filme. Também contou como compôs Ronda e como Ronda foi gravada por Inezita Barroso, em agosto de 1953. Segundo ele, seu famoso samba entrou no disco de Inezita mais por acaso:
- Ela esqueceu que um disco naquele tempo tinha duas músicas, uma no lado A e outra no lado B. Ela havia gravado só uma, Marvada Pinga. E precisava de outra, e como eu estava com ela no estúdio...
O autor, cientista de profissão de reconhecida categoria internacional, ainda contou vários causos. Como o dia que deixou várias pessoas assustadas com uma cobra que dele escapara num avião... E do saco de seis quilos de pulgas que colocou num carro de Inezita...
Paulo e Gudin aproveitaram para ver de perto a instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, na qual ambos estão representados. Gudin com o CD (Pra Iluminar) que gravou ao vivo com Leila Pinheiro em 2009; e Paulo com Ronda, um clássico popular gerado no coração da cidade.
O nosso próximo bate-papo será com Fabiana Cozza e Elzo Augusto, na noite de 16 deste mês.
A paulistana Fabiana tem 15 anos de carreira, dois CDs e um DVD lançados. É uma das belas vozes da cidade.
Elzo é um compositor veterano, autor de várias obras imortalizadas pelo grupo Demônios da Garoa.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

SAIA, CALOR, PRAIA, PAULO E GUDIN

Aqui em Sampa, o calor continua terrível.

E sobre esse assunto, um motorista de taxi há pouco puxou conversa, assim:
- Hoje é pior. Antes, pelo menos, o vento soprava e levantava a saia da mulherada. Era uma beleza. Hoje, não. Nem vento tem e saia mulher não usa mais. Pior pra nós.
Balancei a cabeça, afirmativamente.
E ele:
- No Rio de Janeiro, pelo menos os cariocas têm praia.
E eu balançando a cabeça, coniventemente.
E ele, o taxista:
- Por que diabo as mulheres não usam mais saias?
Bom, daqui a pouco, às 20 horas, estarei trocando um dedo de prosa com mestre Paulo Vanzolini e Eduardo Gudin, compositor de boa cepa. Será no Sesc Santana.
Depois eu conto.



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

AMANHÃ É DIA DE PAULO VANZOLINI

Paulo Emílio Vanzolini (ao lado, com este escrevinhador de plantão) é paulistano nascido na quarta 25 de abril de 1923.

Seus pais eram o engenheiro civil Carlos Alberto, professor da Universidade de São Paulo, USP, e Finoco Guidici.
Tinha dez anos de idade quando passou no exame de Admissão. De presente ganhou uma bicicleta e com ela, um dia, pedalou até o Zoológico.
Com 14, começou a estagiar no Instituto Butantã.
Formou-se em Medicina, com 23 anos.
Com 28 já era Doutor pela Universidade de Harvard, EUA.
Especializou-se em Herpetologia, ramo da Zoologia que estuda o comportamento dos répteis.
Junto com o alemão Jünger Haffer dividiu a autoria da Teoria dos Refúgios, segundo a qual as mudanças climáticas em florestas contínuas, como a Amazônia, fragmentam formações vegetais que causam especiação e enriquecem a biodiversidade da nossa América.
Serviu o Exército entre 7 de junho de 1944 a 14 de novembro de 1945.
É de sua autoria o samba Ronda que a cantora também paulistana Inezita Barroso gravaria no dia 3 de agosto de 1953, nos estúdios da extinta RCA, no Rio de Janeiro.
Shakespeare e Dante Alighieri, que lê no original, são seus principais autores de cabeceira.
Gosta da poética do sambista carioca Noel Rosa.
Paulo traz no currículo a formação de 38 doutores.
Sua obra musical cabe toda em quatro CDs.
Não compõe mais, perdeu a vontade, "desde que Paraná partiu".
Paraná a quem ele se refere é o compositor musical Luiz Carlos Paraná, um boêmio abstêmio e seu amigo desde os gloriosos tempos do Jogral que a megera levou no dia 3 de dezembro de 1970, após dias de internação no hospital paulistano Oswaldo Cruz.
Paulo Vanzolini e Eduardo Gudin estarão comigo amanhã num bate-papo em público a partir das 20 horas no Sesc Santana, ali na Dumont Villares, zona Norte da cidade. A presença de ambos faz parte da programação da instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo.
A entrada é livre e grátis, mas é preciso fazer reserva antes. Para isso, basta entrar em contato com o Sesc, através do seu Portal: http://www.sescsp.org.br/  

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

EM PROSA E VERSO, COM GUDIN E VANZOLINI

Nos últimos dias, o calor vem sufocando gente cá de Sampa e também do Rio de Janeiro.
Numa prosa há pouco via fone com o flautista Altamiro Carrilho, a queixa:
- Aqui no Rio o tempo está muito quente, muito calor, suor às bicas.
Essa foi a introdução para uma conversa que se estenderia até sua vinda no próximo 24, para apresentação no dia seguinte no teatro do Sesc Santana, ali na Luís Villares, zona Norte da cidade.
Lá pras tantas, ele disse que tem andado meio adoentado, com uma ponte de safena incomodando aqui de lado do peito.
Sim, deveremos subir juntos ao palco.
Antes de interpretar com sua flauta mágica a polca-dobrado São Paulo Quatrocentão, do paulistano Garoto e do gaúcho Chiquinho, para os festejos do 4º centenário da cidade, em 1954, Altamiro nos falará sobre a sua arte e suas idas e vindas pelo planetinha Terra.
Foi aqui em São Paulo que Altamiro foi mais querido no correr da sua trajetória, como um dos mais importantes flautistas do mundo.
Muitas histórias a contar.
Farei a devida provocação, depois de situá-lo no campo das artes musicais.
Ao mesmo tempo em que Altamiro homenageará São Paulo com sua presença no próximo dia 25, no Sesc, São Paulo também o homenageará com palmas e reconhecimento.

VANZOLINI E GUDIN
Depois de amanhã 9, às 20 horas, estarei ao lado dos compositores paulistanos Eduardo Gudin (Paulista) e Paulo Vanzolini (Ronda) proseando em torno da música que é feita para a cidade de São Paulo desde meados do século XVIII, como mostro na instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, resultado até aqui de 22 anos de pesquisas e que ficará aberta à visitação pública até o dia 1º de abril – verdade! O nosso encontro se dará num espaço chamado “arena”, bem no meio da instalação. A entrada é gratuita, mas são pouquíssimos os lugares a serem ocupados.

MOTIM POLICIAL
Pois é, o que está ocorrendo na Bahia não é propriamente uma greve, é um motim.

PRIVATARIA
O processo iniciado a todo vapor por FHC e tchurma, continua: ontem foram entregues os principais aeroportos brasileiros.

TINHORÃO
José Ramos Tinhorão, o mais importante historiados brasileiro, completou hoje 84 anos de produção lucidíssima. Ele agora está escrevendo um livro a ver com navegação. Está começando pelo século XV. Vem coisa boa, já, já, em forma de livro.

SOL NO MEIO DO CÉU
Da Avenida Paulista até aqui onde me acho, na Alameda Eduardo Prado, Campos Eliseos, vim ouvindo, ontem, a prosa bem temperada dum motorista de táxi de idade avançada, cabelos ralos e todo branco, simpaticíssimo. Ele:
- Veja como são as coisas. Agora faltam dez minutos pras 18 horas e o sol ainda está firme, bem no meio do céu.
É o tal horário de verão, não é?











sábado, 4 de fevereiro de 2012

O MOLEQUE TOM ZÉ É UMA FESTA

Deixei a bicicleta de lado e fui ouvir Tom Zé.
Foi hoje domingo pé de cachimbo à tarde, no Parque Villa-Lobos, à Oeste da cidade.
Por acaso, pois eu não sabia que ele estava lá fazendo onda junto com a moçada.
Cheguei na hora de ouvi-lo mandar mundo e meio à putaquepariu por razões sei lá, enquanto, alternadamente, fazia a palavra porra explodir em uníssono com a platéia sob sol escaldante, em delírio e conivente.
Alegria pura.
Tom é o que é: um moleque-anárquico, pois, cheio de humor, um humorista; e não cantor de meios e jeitos tradicionais,
E nem voz teria pra isso, como Sílvio Caldas, Chico Alves, Orlando Silva, Nélson Gonçalves, Paulo Fortes, Roberto Luna, Fioravante...
Ele é de bagunçar coretos, isso é o que é.
Meio Chacrinha, quebrando amarras e sempre dando risadas,
Tom apresentou um repertório interessantíssimo, no qual inteiro coube o público.
Após uma penca de títulos mostrados, cantou a seu jeito, mais no fim, um forró estilizado falando de xique-xique ou sei lá.
A platéia endoidou, se mexendo e cantando refrão.
Em estado de graça, o moleque Tom Zé, pulando como se tivesse molinhas soltas nos pés, apresentou uma canção que fez para o alto de Pinheiros, onde estávamos.
Pra encerrar, contou a história de São São Paulo, Meu Amor... E mandou ver, lembrando uma certa Maria Joana que o censurou à época - 1968:
- Era pra tá na minha música: “Prostitutas invadiram/Todo centro da Cidade...”, mas ficou assim, por causa dessa Maria, uma grande católica: “Pecadoras invadiram...”.
Grande Tom, viva Tom!

MOREIRA DE ACOPIARA
Ontem, por acaso - sempre por acaso? - liguei a TV e peguei, sem querer - será sempre assim? – o poeta Moreira de Acopiara declamando um belo poema (Linguagem das Mãos, às páginas 342, 343, 344 e 345 do livro O Sertão é o Meu Lugar, da Duna Dueto Editora, 2011) no programa Ao Som da Viola, do seu conterrâneo e meu amigo Geraldo Amâncio, no canal NGT, que não sei se é gerado em São Paulo ou no Ceará. O fato é que foi uma coisa bonita o que ouvi.
Começava assim:

Pra que servem as mãos?
Para doar e pedir,
Ameaçar os irmãos,
Apaziguar e punir.
Servem para recusar,
Concordar, interrogar,
Condenar e absolver;
Sinalizar, aplaudir,
Chamar, negar, agredir,
Encorajar e escrever...

Grande Moreira de Acopiara!

BAHIA
O mundo está se acabando em Salvador, na Bahia.
Como pode?
Lá a ralé está invadindo estabelecimentos, saqueando e matando sob às barbas do Poder, hoje descontrolado e como Estado, falido.
O que está sucedendo lá é perigoso demais.
À ordem!
Polícia em greve, como pode?
Aguardemos os desdobramentos.









sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

BAILE NO SÍRIO LIBANÊS

Inezita realmente é única.
O telefone toca e antes de cair numa baita risada, ela diz quase atropelando as palavras:
- Acabei de vir de um baile no Sírio Libanês!
O “baile” a que se refere é a bateria de exames que seu médico carrasco determina que faça de tempos em tempos, no Hospital Sírio Libanês.
- E você sabia Assis - ela recomeça, sempre rindo -, que agora não há mais médico nos hospitais, que tudo agora é feito por máquinas? Nesse ritmo, logo, logo viraremos robôs.
E tome outra risada!
- E é tudo muito caro, veja você. Outro dia mesmo, eu tive de pagar R$ 900,00 por uma consulta. E olha que tenho plano médico, imagina se não tivesse.
Ela está alegre, principalmente porque está melhor de saúde e já na próxima quarta volta à frente das gravações do seu programa, o de maior audiência da TV Cultura: Viola Minha Viola.
Mudando de assunto, ela quer saber como anda de visitação a mostra Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, que diz ter gostado muito.
- Pelo menos a noite de abertura foi bonita, não foi?
Foi, sim, e pela primeira vez - e isso ocorreu no último dia 25 - ela fez um show com teatro lotado contando a história de cada música inserida num repertório de 15 que escolhemos juntos, todas a ver diretamente com a vida da capital paulista.
De novo mudando de assunto, Inezita conta que acabara de dar uma entrevista a um repórter do jornal Correio da Paraíba e que falou bastante de mim e do livro que escrevi a seu respeito, A Menina Inezita Barroso; embora o principal assunto fosse a caixa com seis CDs - O Brasil de Inezita Barroso - que acaba de chegar ao mercado por iniciativa de seu organizador, Rodrigo Faour, mas que ela ainda não ouviu nenhum, por uma razão: ainda não recebeu exemplares da caixa que reúne 89 músicas que gravou entre 1955 e 1962.
Nesse ponto, ela para de rir e revela com certa raiva que herdeiros de três obras (Viola Quebrada, Azulão e Modinha, de Mário de Andrade, Jayme Ovalle e Manuel Bandeira) desautorizaram sua inclusão na caixa.
E desabafa:
- Herdeiros, há herdeiros!





quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

VOCÊ SABE QUEM FOI ALBERTO MARINO?

Você sabia que o instrumentista, maestro e compositor Alberto Marino nasceu no bairro da Liberdade, no domingo 23 de março de 1902 e morreu num sábado, 11 de fevereiro de 1967.
Pois é, façam as contas: 11 de fevereiro de 1967... E criou-se no Brás.
Os seus pais se chamavam Rosário e Carmella.
Alberto Marino regeu orquestras e foi professor-diretor do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e integrante do Quarteto Paulista, ao lado de Zaccaria Autuori, Guido Santorsola e Bruno Kunze, nos anos de 1920.
Compôs a sua música mais famosa, Rapaziada do Braz, na noite de segunda-feira 20 de novembro de 1917 para Ângela Bentivegna, com quem se casaria em 1924 e teria dois filhos, Alberto Jr. e Nice, que aparece aí ao lado da cantora Inezita Barroso, na noite de inauguração (25-1) da instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, da qual respondo como curador.
Antes de ser gravada em 1927 pelo Sexteto Bertorino Alma (anagrama de Alberto Marino), Rapaziada já integrava o repertório dos seresteiros de boa parte da cidade.
A primeira gravação dessa obra data de 1926, feita pelos saxofonistas J. Pizarro e O. Pizarro, para o selo Imperador. A segunda é do Sexteto Piratininga, formado, entre outros, pelo italiano Giuseppe Rielli, pioneiro na gravação de solos de acordeon em discos no Brasil, e pelo próprio Marino, para a etiqueta Arte-Fone.
Há gravações dessa música feitas por Jacob do Bandolim, Carlos Poyares, Waldir Azevedo, Dilermando Reis, Canhoto, Francisco Petrônio, Radamés Gnatali e muitos outros artistas.
O primeiro a gravá-la com letra de Alberto Marino Jr., que também atendia pelo pseudônimo de Allan Martin, foi Carlos Galhardo, num LP de 1965.
No dia 25 janeiro de 1968 foi inaugurado o Viaduto Alberto Marino, no lugar onde havia a porteira do Braz.
Dez músicas formam o conjunto da obra gravada pelo Sexteto Bertorino Alma, incluindo Senhoritas do Brás e Luar de São Paulo, essa última também com letra de Alberto Marino Jr.
Você que agora me lê bem que poderia juntar os amigos e familiares e ir visitar nesse fim-de-semana a instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, aberta ao público, de graça, no Sesc Santana, à avenida Luiz Dumont Villares, 579. Caso deseje, entre no portal www.sesc.sp.org.br , de onde foi extraída a foto que se vê ao alto.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A POÉTICA MUSICAL DE IVES GANDRA

A forte base de sustentação das diversas melodias do músico-arranjador Eduardo Santhana para o CD Para Ruth (ao lado) é óbvia: os poemas de 14 linhas curtos e decassilábicos e alexandrinos de Ives Gandra da Silva Martins.

Nessa nova empreitada poética Ives se sai muito melhor do que a encomenda, tanto que se não fosse quem é na área jurídica, um nome de renome internacional, certamente não faria feio como poeta de carreira.
A prova são os belos versos que extraiu de recôndita sensibilidade para o singelo CD/tributo a sua musa querida, Ruth.
Há verdadeiras pérolas no disco, de 15 faixas, como esta que aparece já na 1ª faixa (Navegantes do Espaço), e que diz para gáudio geral:

Navegantes do espaço cruzam mares
Marinheiros do tempo sonham luas
Saltimbancos das vidas estelares
Descortinam sidéreas sombras nuas.

E segue:

Cavaleiro e cavalo em descompasso
Formam nuvens pálidas no azul
Cavalgando sem nunca deixar traço
Como os corcéis alados d´Stambul.

A melodia desenhada elegantemente pela irrepreensível flauta em Sol e o bandolim mágico do craque Pratinha completa a beleza dos versos, assinados por Ives.
Outra pérola se acha na 4ª faixa (Meu Cansaço), em que o autor confessa, de chofre:

Neste tempo de naves pelo espaço
E de espaços, no tempo, descobertos,
Eu vivo navegando por desertos
Que se escondem detrás do meu cansaço.

A penúltima faixa (Rainha de Todos os Cantos), mote para o músico numa estrofe em quadra, talvez seja a melhor de todas. É uma tocante ladainha composta na forma tradicional e interpretada por Santhana (voz) e Pichu Borrelli no violão 12 cordas, percussão e efeitos perfeitos.
Para Ruth é um disco para ser ouvido na paz dos silêncios.
Altamente recomendável.





sábado, 28 de janeiro de 2012

UM MESTRE DAS ARTES PLÁSTICAS, MIGUEL DOS SANTOS

O gênio das cores e formas do Brasil Miguel dos Santos continua criando, graças a Deus. E isso é importante.
É importante principalmente porque o nosso país, na obra dele, aparece por meios, formas e óticas mais diversas, e naturalmente.
Na sua arte Miguel, o Mago, porque mágico, registra o cotidiano histórico através da crença popular, dos sentimentos, dos comportamentos, do dizer-fazer da gente de carne e osso - e água.
O Brasil é Miguel; Miguel é Brasil de formas e conteúdos incríveis.
Uma amostra do que faz – e digo - é o que se vê ao lado, São Jorge.
Mas procurem saber melhor quem é esse artista genial, de grandiosidade sem tamanho, por gigantesco.
Miguel dos Santos é um deus-nos-acuda.
Flores em vida.
Viva Miguel!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

INEZITA BARROSO É SHOW!


Eu e Inezita Barroso subimos ontem à noite ao palco do teatro do Sesc Santana, para um rapidinho dedo de prosa.
Como previsto, eu falei e ela cantou.
A cantora-símbolo da boa música brasileira desde São Paulo respondeu com graça e naturalidade às perguntas que lhe fiz diante de uma platéia atenta e participativa.
Ela começou dizendo que ainda sente um friozinho na barriga toda vez que começa um show, seja para pequeno ou grande público.
Depois, contou da sua enorme paixão por São Paulo e a razão que a levou a interpretar o mundo caipira pela via da música.
Falou de Mário de Andrade e que a timidez a impediu de conversar com ele, seu vizinho no bairro onde residiam, Barra Funda, tradicional ninho do samba de Sampa.
No correr do espetáculo, que durou 1h37mim, ela fez o que nunca faz: situar as músicas do repertório num contexto histórico, pessoal e impessoal, de modo claro e objetivo.
Foram 15 obras apresentadas, incluindo valsas, sambas e modas de viola.
A primeira foi Serenata, obra-prima de Martins Fontes e Mary Buarque, sua professora de canto e piano nos anos de 1930, seguida de outras igualmente belas: Urutau, de Lamartine Paes de Barros; Rapaziada do Brás, de Alberto Marino; As Brabuletas (DP); Colcha de Retalhos, de Raul Torres; Chuá, chuá, de Pedro Sá Pereira e Ari Pavão; Divino Espírito Santo, de Torrinha e Canhotinho; Viola Quebrada, de Mário de Andrade; Bonde Camarão, de Cornélio Pires; O Batateiro, de Zica Bergami; Na Serra da Mantiqueira, de Ary Kerner; Ronda, de Paulo Vanzolini; Moda da Pinga (DP); Perfil de São Paulo, de Francisco de Assis Bezerra de Menezes; e, sob uma chuva de vivas e aplausos Lampião de Gás, de Zica Bergami.
Na noite anterior, durante o coquetel de abertura da instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, no já referido Sesc, Inezita foi apresentada a familiares de Alberto Marino, autor de Rapaziada do Brás, e disse, no show, que queria revê-los.
Disse também em público sentir a falta de Sylvia, filha de Zica Bergami, autora de Lampião de Gás.
Ao falar de Paulo Vanzolini, contou como ocorreu a gravação de Ronda, em 1953: por acaso esse samba foi gravado.
Há muito não se via um espetáculo musical tão completo e bonito.
PRÊMIO
- Inezita Barroso mais uma vez foi agraciada com troféu do Prêmio Governador do Estado. A solenidade, que teve à frente Geraldo Alckmin, ocorreu na última noite de 24, no Palácio dos Bandeirantes. A cantora educadamente declinou do convite de premiação para estar presente na inauguração da mostra Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, cuja visitação ela recomendou ao público durante a sua apresentação ontem, no teatro do Sesc Santana.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

UMA VIAGEM AO TEMPO, NO SESC SANTANA


Logo mais, às 16 horas, estarei falando a respeito da instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo na área de Convivência II do Sesc Santana, à avenida Luiz Dumont Villares, 579, sobre o resultado de uma pesquisa que desenvolvo há duas décadas sobre a música feita para esta chamada Terra da Garoa, aniversariante do dia.
A mostra, inaugurada ontem à noite com coquetel para convidados (na foto Peter Alouche, autor, com o violeiro Téo Azevedo, da toada São Paulo de Todos Nós) tem por finalidade mostrar que é possível contar a história de uma cidade – ou de um país – pela via da música, o que, embora óbvio, nunca foi feito.
Nos diversos espaços da instalação, o visitante terá certamente muito do que gostar.
No espaço “Arena”, por exemplo, será possível ouvir trechos de entrevistas com artistas feitas e levadas ao ar nos programas de rádio que apresentamos ao longo do tempo em São Paulo, hoje preservadas pelo Instituto Memória Brasil, IMB.
Nas “Janelas”, há destaque a personalidades como Paulo Vanzolini, Inezita Barroso e Alberto Marino, a movimentos musicais e levantes armados como a Revolução Constitucionalista de 1932, que teve no campineiro Guilherme de Almeida o seu grande poeta/herói.
No “Túnel”, além de originais e reproduções, há curiosidades.
Compositores e intérpretes daqui e de fora têm cantado a capital de tudo quanto é jeito, gêneros e ritmos, desde sambas e batuques a dobrados, marchas e pagodes; valsas, choros e forrós; baiões, xotes e lambadas; toadas, modinhas e maxixes, tangos, emboladas, corridos, polcas e rancheiras.
Loas à cidade em que nasceram a Jovem Guarda, o Tropicalismo e os festivais de música, e também QG do baião segundo seu criador, Luiz Gonzaga, se acham espalhadas nos martelos e redondilhas dos artistas improvisadores do Nordeste, como Sebastião Marinho e Andorinha, e do Sul, como Gildo de Freitas e Teixeirinha; nas chulas, lundus e fandangos e nas batidas inconfundíveis do pop-rock e do heavy metal.
Blues, reggaes e ragtimes são outros estilos notados nos temas à Sampa.
Anhangüera, do compositor alagoano Hekel Tavares, para orquestra, coros e solistas sob argumento de Marta Dutra e texto de Murilo Araújo, é um dos mais belos poemas sinfônicos já feitos para a cidade fundada por Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, em 1554.
Com versos do carioca Fagundes Varela, o paulistano Francisco Mignone também deixou marca numa música de concerto para a cidade.
O manauara Cláudio Santoro fez o mesmo.
Idem o maestro Erlon Chaves e seu parceiro Mario Fanucchi.
DJs e MC´s que se multiplicam nas zonas Sul e Norte da megalópole não esquecem a temática.
Enfim, nas obras em referência – cerca de três mil –, há citações a ruas, avenidas, parques e pontes; estádios de futebol, bairros, praças e ônibus; camelôs, favelas e filas de banco; delegacias, HC, bares e chuvas – e enchentes – fora do tempo; fábricas, construções e buzinas; o metrô, a garoa, hoje sem graça; igrejas, largos e vilas; escolas de samba, Martinelli e Copam; Masp, USP, museus e monumentos; heróis, paisagens e rios; trabalho, trabalho, trabalho e hinos e odes para agremiações esportivas como Corinthians, São Paulo e Palmeiras.
Tudo ou quase tudo da cidade, sua gente e seu cotidiano tem sido abordado desde o século 18 nas obras de artistas que vão de DJ Hum a Thaíde, passando por Mano Brow, Rappin Hood, Emicida, Sabotage, Criolo e Negra Li; Cornélio Pires, Adoniran Barbosa, Mário Zan, Geraldo Filme, Germano Mathias, Jarbas Mariz, Edvaldo Santana, Costa Senna e Osvaldinho da Cuíca; Ary Barroso, Sílvio Caldas, Nélson Gonçalves, Luiz Gonzaga, Mário Albanese, Tom Jobim, Hermeto, Papete, Gil, Caetano e Vinicius, que uma vez caiu na besteira de dizer que São Paulo é o túmulo do samba.
Na longa lista de obras dedicadas à Sampa, também chamada de Capital Bandeirante, Terra dos Bandeirantes, Terra da Garoa e Paulicéia – a mais populosa do planeta, depois de Mumbai e Délhi, na Índia; Istambul, na Turquia; e Karachi, no Paquistão –, aparecem tragédias como o incêndio no edifício Andraus, em 1972, e o massacre na Casa de Detenção, em 1992.
São Paulo é grande até no número de obras em seu louvor.
Essa constatação começa a se confirmar em 1990, quando o editor do D.O. Leitura – antigo suplemento cultural do Diário Oficial do Estado de São Paulo –, Wladimir Araújo, nos pediu para escrever um texto sobre o tema até então inédito em livros, jornais e revistas.
De início colhemos duzentos e poucos títulos, como o samba Ronda, do paulistano Paulo Vanzolini; o tango Estação da Luz, do paulista de Jaú Herivelto Martins, com o carioca David Nasser; canções do paraense Billy Blanco, como O Céu de São Paulo e Grande São Paulo; o chorinho Cidadão Paulistano, do capixaba Carlos Poyares; o blues São Paulo Zero Grau, do piauiense Jorge Mello; e São São Paulo, Meu amor, do baiano Tom Zé, vencedor do IV Festival da Música Popular Brasileira em 1968.
O texto foi publicado no referido suplemento em fevereiro de 1991, em duas páginas.
Depois disso, achei partituras e notas em periódicos já extintos.
O Correio Paulistano, edição de 6 de agosto de 1862, noticiou a existência de um álbum intitulado Melodias Paulistanas, formado por 12 peças para canto e piano, de autoria do padre Mamede José Gomes da Silva, diretor do Liceu Paulistano e amigo de Antônio Carlos Gomes, o mais importante compositor operístico das Américas, autor de um hino aos estudantes de Direito do Largo de São Francisco: À Mocidade Acadêmica, com letra de Bittencourt Sampaio.
Mas antes de Mamede José e Carlos Gomes, houve quem louvasse a inspiradora cidade: os religiosos Calixto e Anchieta Arzão, em Missa a São Paulo, com data de 1750.
Em 1823, o músico Bento Maurício Arcade compôs Águas do Anhembi.
Numa frase?
Esta é uma biografia musical da cidade de São Paulo.
Tomara que gostem.

PS - Em seguida ao nosso bate-papo, às 18 horas, estarei no teatro do mesmo Sesc ao lado de Inezita Barroso.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

NO SEU DIA, SÃO PAULO GANHA BIOGRAFIA MUSICAL

- Você sabia que “Rapaziada do Brás”, com “z” no original, foi a primeira música dedicada a um bairro da cidade e que seu autortinha apenas 15 anos de idade quando a compôs?
- Você sabia que o autor de “Rapaziada do Brás”, Alberto Marino, era violinista e assinava suas obras com o anagrama Bertorino Alma, também nome de um sexteto criado por ele no início dos anos de 1920?
- Você sabia que “Rapaziada do Brás” ganhou letra em 1960, a pedido do cantor argentino naturalizado Carlos Galhardo e quem a compôs foi Alberto Marino Jr.?
- Você sabia que Alberto Marino Jr. foi promotor e desembargador do Estado de São Paulo e que ele atuou em mais de 300 sessões do Tribunal do Júri?
- Você sabia que Alberto Marino Jr. levou à cadeia o Bandido da Luz Vermelha e um de seus filhos, o juiz da Vara das Execuções Criminais Alberto Marino Neto, foi quem o libertou, em 2009?
- Você sabia que a letra do samba “Ronda”, do paulistano Paulo Vanzolini, tem sido cantada e gravada incorretamente até hoje?
- Você sabia que Paulo Vanzolini é um biólogo muito respeitado no mundo, com PhD em Harvard e também membro da Academia Brasileira de Ciências, desde 1963?
- Você sabia que Paulo Vanzolini foi diretor por muitos anos do Museu de Zoologia da USP, cuja biblioteca ele formou com os direitos de autor pelo samba “Ronda”?
- Você sabia que a cantora Laura Okumura participou do filme de suspense A Dama do Cine Xangai, cantando “Ronda”, em japonês?
- Você sabia que Mary Buarque foi professora de piano de Inezita Barroso, a primeira cantora a gravar o samba “Ronda”, em 1953, no seu 2º disco de carreira?
- Você sabia que Inezita Barroso foi professora de piano e folclore em duas universidades de São Paulo?
- Você sabia que a valsa “Lampião de Gás”, lançada por Inezita em 1960, ganhou versão em japonês de Kikuo Furuno, gravada por Yoko Abe, nos tempos dos discos de 78 RPM?
- Você sabia que a letra do samba “Trem das Onze” ficou engavetada por cinco anos e quem a desengavetou a pedido do produtor Braz Baccarin foi Arnaldo Rosa, um dos fundadores do conjunto Demônios da Garoa?
- Você sabia que o rei do baião, Luiz Gonzaga, faz referência a São Paulo em cinco músicas e que até lançou um LP intitulado SP: QG do Baião, em 1971?
- Você sabia que o sanfoneiro pernambucano Dominguinhos gravou até hoje apenas uma rancheira, "A Moça do Metrô”, com letra do jornalista Elias Miguel Raide?
Há muitas informações históricas e curiosiddes na instalação multimídia Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, no Sesc Santana.
Você vai gostar.
Embora a mostra permaneça aberta à visitação pública, gratuitamente, até o dia 1º de abril próximo, o mesmo não ocorrerá com a maioria das atrações. Os ingressos para o show de abertura, por exemplo, a cargo da mais expressiva cantora de São Paulo, Inezita Barroso, já estão completamente esgotados. Corram: Tom Zé é a próxima atração.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

VAMOS LEVAR LANDELL DE MOURA ÀS ESCOLAS

Pouquíssimas vezes vi no correr da minha carreira de jornalista – de 40 anos – resultados tão positivos como esses que estão sendo devidamente alcançados pelo informativo semanal Jornalistas&Cia, tocado à frente pelo titã incansável da categoria, Eduardo Ribeiro.
Cá no caso específico, me refiro à campanha  movida em torno do Movimento Landell de Moura, de reconhecimento nacional do nome do padre-cientista gaúcho Roberto Landell de Moura, iniciada há dois anos pelo J&Cia, e que, a rigor, termina amanhã 21.
Esse dia 21 marca os 151 anos de nascimento de Roberto Landell de Moura.
Landell de Moura, precursor do rádio e das telecomunicações no Brasil, foi completamente esquecido pelos poderosos de plantão de sua época, e da nossa também nestes dias atuais.
Mas água mole em pedra dura...
As primeiras experiências para criação do rádio por Landell de Moura datam de 1893.
No dia 3 de junho de 1900, segundo notícia veiculada no Jornal do Commercio, ele conseguiu transmitir pela primeira vez a voz humana através de ondas eletromagnéticas, a partir da Rua Voluntários da Pátria, no bairro de Santana, e a Avenida Paulista, no bairro de Cerqueira César, na capital de São Paulo.
É história.
O feito foi testemunhado por representantes do governo federal e pelo vice-cônsul inglês Percy Charles Parmenter.
Pois é, e é pensamento comum que o inventor do rádio foi o italiano Marconi.
O Movimento Landell de Moura, que contou com valiosíssima pesquisa do jornalista-historiador Hamilton Almeida, autor de Um Herói Sem Glória, já renderam um selo pra cartas dos Correios em janeiro do ano passado e o título póstumo de Cidadão Paulistano.
Agora o nome do inventor está beirando a batida de martelo da presidente Dilma Rousseff para levá-lo ao Panteão dos Heróis.
Mas, o mais importante: está mais do que na hora de a história do padre Roberto Landell de Moura ir para as escolas de todo o País, para ser devidamente contada aos brasileirinhos que estão chegando.
Pessoalmente, já contei um pouco disso no livro de letras infantojuvenil A Menina Inezita Barroso (Cortez Editora, 2011). E continuarei contado essa história na exposição Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, que será aberta ao público no próximo dia 25, no Sesc Santana.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

HIC, ENFIM UM LIVRO SABOROSO: DE BAR EM BAR

Lançado em 1994 pela Editora Siciliano, somente agora eu li a pérola São Paulo de Bar em Bar, escrito por Francesc Petit com base em pesquisas do legendário Mylton Severiano, o Myltainho, e Lídice Severiano.
Petit traça um belo roteiro alcoólico-gastronômico do que de melhor existia em Sampa dos 90.
Eu tive o prazer de conhecer boa parte dos bares selecionados.
Estão lá o Amigo Leal, o Bar das Putas, ao qual levei em noites diferentes os cantadores Elomar e Geraldo Vandré; o Bartolo, o Brahma, de tantos porres e desencontros; o Frangó, na Freguesia; o Long Champ, que apresentei a Sérgio Ricardo num fim de tarde e garoa fria; o Metrópolis, que freqüentei junto com o ainda anônimo William Bonner e a filósofa Marilena Chauí; o Martin Fierro, o Pé pra Fora, o Ponto Chic, de onde certa noite saí pra ser assaltado por dois vadios que pus a correr, na São João com a Ipiranga... O Riviera, ah o Riviera de tantos chopps com os cartunistas Angeli, Jotinha e o finado Glauco!
O Vou Vivendo, onde em noite comprida o mago Hermeto me tirou da mesa onde eu estava com o flautista Carlos Poyares e o violonista Heraldo do Monte, entre outros artistas cujos nomes a memória não me traz.
Lembro Hermeto, com a língua enrolada provocando:
- Você não é jornalista, crítico de música? Então, leia o que escrevi aí.
Ele tinha escrito uma música numa pauta na parede do Vou Vivendo e queria que eu a lesse...
Depois de muito bate-boca, o conciliador Eduardo Gudin - grande Gudi! – chegou com o “parem com isso!” e tudo terminou num tim, tim.
Tantas histórias!
Mas senti falta do Parreirinha na listagem do livro que é uma delícia de ler.
Eu ia lá pelo uma vez por semana, tomar umas e outras – e às vezes até jantar – com Inezita, Miltinho e Jamelão, sempre irritadiço.
Uma vez, cheguei lá com uma mulher e o Ronald Golias com seu jeito bronco foi logo tirando uma:
- Nova namorada?
Nem precisa dizer mais: o pau cantou.
Pois é, tão cedo e os tempos já são outros.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

BBBBBBBBBBBBBBBBBB ARGH!

Vou hoje quebrar a seqüência dos comentários que ultimamente venho fazendo sobre livros que acabo de ler.
Lamentável, mas vou fazer.
A razão?
Essa aberração chamada BBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBB qualquer coisa que a Plim Plim há anos nos põe goela abaixo, para ganhar grana e alienar todo mundo.
Lá dizem que acontece de tudo, até estupro.
Não duvido.
Outro dia recebi de presente O Livro do Boni.
Na obra, o autor de próprio punho me chama de amigo e diz que me admira pelo meu trabalho.
Inda bem.
O Geraldo Vandré estava cá em casa comigo (foto ao lado, de Darlan Ferreira) e comentou, depois de fazer observações a respeito da capa do livro:
- Ele sabe das coisas...
Dias depois eu vejo na própria TV Globo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, dizer que não gosta e jamais dirigiria o que chamo de aberração, o BBB.
Quer dizer, o velho sabe mesmo das coisas.
E olha que o diretor do BBBBBBBBBBBBBBBBBBBB é seu filho, chamado de Boninho.
Com essa programação de lixo, até onde vai a Globo?
E a mim me pergunto: será que os bam bam bans que fazem televisão hoje acham mesmo que o Brasil é um país de idiotas?
Sei lá, talvez eu volte ao assunto...
Ah! E essa história de todo mundo procurar um rato que mordeu nesses dias uma funcionária no Senado, hein?
Cá pra nós, acho que essa não é tarefa difícil não, pois lá tem ratos a dar com pau.
Fui!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

LULA DÁ NÓ EM PINGO D´ÁGUA

Lendo O Que Sei de Lula, lembrei de uma passagem que tive como repórter da Folha com o personagem principal do novo livro de José Nêumanne.
Foi na madrugada da intervenção federal do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, ali nos fins dos 70.
Esperávamos o interventor, que enquanto não chegava jogávamos conversa fora em torno de uma mesa sentados e de pernas cruzadas, com Lula e Ricardo Kotscho que um dia assumiria a Secretaria de Imprensa da Presidência da República. Quando, enfim, o interventor apresentou-se, brinquei com Lula cantarolando um trecho de música de Roberto Carlos:
- O show já terminou...
Com olhar fulminante, irritado, ele reagiu com a rapidez de um raio:
- Show, que show? Aqui não tem show nenhum!
Logo depois, diria em entrevista que iria abandonar a liderança sindical.
Lembro isso para dizer que o personagem que dá título ao livro de Nêumanne não é sopa e nunca esteve pra brincadeira. E tal camaleão acuado, sai-se bem de qualquer parada, sempre.
Amigo de Deus e do Diabo, Lula aprendeu tudo o que sabe na escola da vida.
É um ás da política, capaz de dá nó em pingo d´água até em figurões já varridos pela morte da cena política nacional, como o general Golbery do Couto e Silva.
Um dia o general, diz a lenda, sonhou ter em Lula um aliado.
Lula, que faz da política um jogo de xadrez mortal, riu quando o general partiu.
O Que Sei de Lula é um livro bem-feito, bem escrito. Poderia ser confundido com um romance policial se não tivesse o título que tem, tamanha a quantidade de personagens inescrupulosas, inclusive, que se movimentam serelepes no virar de cada página.
É um enredo e tanto!
Dá filme.

domingo, 15 de janeiro de 2012

A FORÇA POÉTICA DE FERNANDO COELHO

Começo de ano é começo de tudo, também de pôr em dia leituras atrasadas.
É o que estou fazendo.
Nas mãos, a última página de Balada de Itapoã, novo livro do poeta baiano Fernando Coelho, jornalista fora da roda de engolir gente e sonhos, agora se dedicando à cata de pérolas que sua sensibilidade maiúscula não guarda pra si.
Essa balada é salutar; é obra boa de ler num fôlego a partir, mesmo, da dedicatória que lembra que “nossa história passa pela força do Nordeste”.
Aliás, o talento poético de Fernando Coelho é força de leão macho e de mil tempestades juntas.
Aparentemente sem nenhum esforço, ele dá cabo de seus propósitos ao extrair poesia até nas formas ocas e simples em que a vida se esconde.
Nessa sua poética, Fernando continua a brincar com palavras, fazendo jogo com elas.
O pretexto, aqui, é pedir o “de comer” a Iaiá para não passar fome na viagem que nos leva à Itapoã, sua "Bíblia do mar".
Ele quer marisco, quer caranguejo, quer arraia e sereia negra.
E quer mais, muito mais que o poeta não é bobo.
E taliquá cantador debaixo da aba de céu estrelado, o o cantor de Itapoã roga atenção dos habitantes encantados do mar, para se proteger.
Não dá, pois, para ficar indiferente aos versos de Fernando Coelho.
É tudo bonito o que ele põe nas páginas dos livros.
Leiam-no!

sábado, 14 de janeiro de 2012

SERRA DE NOVO PREFEITO? É PIADA

Ler que há gente – aliados – que querem, segundo o noticiário de hoje, que o ex-tudo e qualquer coisa José Serra volte a disputar a Prefeitura paulistana, é, no mínimo, um desvario.
Meu Deus!
Serra é algo chamado nada.
O PSDB, partido ao qual pertence, também.
Muro.
O partido do Serra é muro sempre, sem opinião construtiva.
Acabei de ler o livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr.
É um livro que todo mundo deve ler.
Não conheço pessoalmente o autor.
Mas um cara com o currículo desse Amaury, autor do livro agora necessariamente polêmico, não iria, com certeza, pôr no pescoço uma corda pra se matar.
Recomendo: leiam A Privataria Tucana.
Ante tudo que é dito nesse livro, o personagem Maluf, odiento e lamentável sob todos os aspectos, é fichinha.
Sem dúvida, o lobo não é Lula.
Amaury Ribeiro Jr., com esse livro, fez sua parte.
Claro, contra ele vão surgir muitos processos do PSDB.
Vão dizer que ele é mentiroso. E, pior: petista.
Parabéns, Amaury.
Seu livro é nota dez!

POSTAGENS MAIS VISTAS