Como
há muito não ocorria, confesso que dormi muito bem de ontem pra hoje, mas infelizmente acordei mal com a notícia da morte por embolia pulmonar do jornalista e escritor
João Ubaldo Ribeiro, aos 83 anos. Ubaldo era um cara incrível, conversador e bom ouvinte sempre de bem com a vida e que tive a alegria de conhecer através do amigo Roniwalter Jatobá, que também é escritor e dos bons como todo mundo sabe. João Ubaldo Ribeiro era minucioso nos seus textos e gostava de traduzir seus próprios livros, principalmente para edições em inglês. Fui
leitor assíduo de suas obras, inclusive das crônicas semanais que publicava em jornais como O Estado de S.Paulo e o Globo.
Leiam
seus livros e assistam o filme Sargento Getúlio - pra mim, uma obra-prima. Pra isso, basta clicar sobre a imagem ali em
cima.
DIA
DE SOCORRO
É
hoje o dia! Vistam roupas bonitas, se perfumem e corram para se deliciar com a
voz puríssima e bela da cantora Socorro Lira no Auditório Ibirapuera logo mais
às 21 horas quando ela estará no palco sendo alvo de gravação de um DVD. O momento
será raro e histórico. Socorro, como diz meu amigo José Nêumanne, é a Joan Baez
do sertão brasileiro. Aliás, eu e o Darlan Ferreira tivemos a oportunidade de
apresentar Socorro a Baez (aí ao lado), em março passado. Na ocasião eu fiz também a ponte
entre Baez e Vandré, que há anos mantinha a vontade de conhecê-la
pessoalmente.
Socorro Lira é uma das grandes vozes do Brasil atual. E não à toa,
ela recebeu há dois anos o necessário e oportuno reconhecimento público como cantora
já de longa estrada, através do Prêmio da Música Brasileira – no gênero, o mais
importante do País.
Mas além de cantora afinadíssima que é, com presença mundo a fora,
Socorro também cada vez mais se firma como uma das nossas melhores e mais inspiradas
instrumentistas e compositoras nacionais.
Prova disso é o repertório de seus shows e discos, quase todo de
sua autoria.
Reprodução da capa do novo CD de Socorro Lira
Agora a sua sensibilidade e talento acabam de nos surpreender de
modo agradável com o CD de 14 faixas Amazônia – Entre Águas e Desertos, de produção
independente, capa do artista gráfico Elifas Andreato e distribuição Tratore que será lançado amanhã à noite no Auditório Ibirapuera onde,
aliás, fará show para gravação do seu primeiro DVD ainda sem título.
E certamente mais novidades ela nos brindará em breve.
Paraibana de origem sertaneja, Socorro já anda às voltas com o
projeto Sertões do Mundo, no qual mergulha fundo no mar revolto da história em
busca de elos partidos pelo abandono e descaso de quem pode e nada faz em prol
dos rejeitados pés descalços da vida, sejam do Brasil sejam de África.
A cada disco e projeto a artista nos mostra que sonhar é
fundamental e que sem sonho ou ideal nada de bom se constrói.
O show no Auditório Ibirapuera será, sem dúvida, um marco na sua carreira
e um presente para seus fãs.
Arriba,
Socorro Lira!
TROFÉU
MORINGA
Eu
sou de uma terra de homens e mulheres valentes que engendram ideais para o bem
comum e os realizam.
Eu
sou de uma terra cujos habitantes acreditam que a vida não se resume apenas a
tragédias gregas.
Navegar
é preciso, já disse o poeta português.
No
Dia Internacional do Homem - 15 de julho - eu recebi com alegria das mãos do compositor e
maestro paulistano Mário Albanese (aí embaixo, no clic de Clarissa de Assis), criador do ritmo musical
Jequibau, o Troféu Moringa de Homem do Ano 2014, em momentos anteriores também recebido por João Carlos Martins e outras personalidades brasileiras e estrangeiras que marcaram presença neste mundinho prestes a explodir.
Fica
o registro.
BANDA
DE PÍFANOS
O
zabumbeiro João Biano acaba de telefonar para dizer que está com saudade e que
o seu tio, Sebastião Biano, criador da Banda de Pífanos de Caruaru, acaba de
fazer 95 anos de idade. Sebastião, segundo João, continua fabricando pífanos artesanalmente
e tocando na banda. O seu aniversário de nascimento é 23 de junho.
O Brasil perdeu, mas em compensação ganhou
uma inesquecível e bela lição de cidadania dada com espontaneidade pelos rivais
em campo, os alemães.
E assim sendo, a vida real ora doce
ora amarga continua para todos, inclusive para o zangado e pouco humilde
Felipão, que, a propósito, acaba de receber cartão vermelho da CBF.
Sim, é próprio da natureza perder e
ganhar.
Eu mesmo acabo de ganhar o
inimaginável Troféu Moringa da Tertúlia Pensão Jundiaí de Homem do Ano 2014.
Devo dizer que fiquei pasmo, como
pasmo fiquei quando generosamente a Câmara de
Vereadores de São Paulo me
premiou com o título de Cidadão Paulistano em 2008 (acima) e ano, ano passado,
o Troféu Gonzagão junto com o cantor e compositor Raimundo Fagner (à direita).
Claro que esses tipos de prêmios nos
envaidecem, até porque são tidos e justificados como reconhecimento pelo
trabalho que desenvolvemos ao longo da vida.
Grandes personalidades brasileiras e
estrangeiras como o cientista Paulo Vanzolini, o geógrafo Aziz Ab´Saber, o
filósofo Miguel Reale, o poeta Paulo Bomfim, o jurista Ives Gandra, o maestro Mário
Albanese e o cineasta Akira Kurosawa receberam o Troféu Moringa, concedido
anualmente no Dia Internacional do Homem, 15 de julho.
Compartilhamos com vocês o convite que nos foi
enviado para o recebimento do prêmio.
Ilmo Sr.
Assis Ângelo
Saudações,
A Tertúlia Pensão Jundiaí é uma
entidade cultural, fundada por Mariazinha Congílio em maio de 1983.
Comemoramos anualmente o Dia
Internacional do Homem, data criada por sua fundadora, em 1993. Em julho, pois
quando o homem chegou à Lua.
Homenageamos homens que se destacaram
por sua profissão, dedicação a uma causa ou internacionalmente.
Estes homens recebem o Troféu Moringa,
símbolo da Pensão Jundiaí.
Temos o prazer de convidá-lo para ser
o Homem do ano 2014 da Tertúlia Pensão Jundiaí.
Pedimos que confirme se aceita o
convite e sua presença ao jantar, para que possamos tomar as providências
necessárias.
Desde já, grata.
Pela Tertúlia Pensão Jundiaí,
Silvana Congílio
Dia Internacional do Homem 2014 -
jantar
Data: 15/07/2014
Hora: 20 horas
Local: Alameda Santos, 2393 -
Restaurante Bovinus – S. Paulo, SP
A
teimosia infinita, a sisudez despropositada, o jeito bronco de Felipão me faz
lembrar Zangado, um dos sete anões do conto infantil Branca de Neve.
Esse
paralelo entre o ser real e o fantasioso ficou mais evidente no embate que
tirou a seleção brasileira da final do mundial de futebol na última terça, no
Mineirão.
Foi
um vexame e tanto, histórico, mas jogo é jogo mesmo perdendo feio como perdeu para
os alemães a seleção verde-amarela que deixou roxos de raiva os seus torcedores.
Talvez
para mostrar que é mesmo da raça dos machos que apagam lâmpadas espremendo-as
nas mãos e não, simplesmente, apertando levemente o interruptor, Felipão é grosso
dentro e fora de campo.
Os
jornalistas são suas presas mais fáceis, e a quem jamais pede desculpas.
Seu
comportamento leva a crer que ele não teve uma infância saudável, de
brincadeiras e risadas.
A
propósito recomendo que ele assista o bonito documentário Tarja Branca, a
Revolução que Faltava. O filme, dirigido por Cacau Rhoden, trata de uma das
mais antigas e lúdicas atividades do ser humano, que é brincar e rir.
Mas
a essa altura do campeonato é quase certo que Felipão e Zangado não têm salvação, mas
a Seleção Canarinho, que sábado disputa o terceiro lugar na Copa 14 e o prêmio
de 43 milhões de reais, tem.
O
paraibano de Alagoa Grande José Gomes Filho, famoso pelo talento e pseudônimo
Jackson do Pandeiro, e o pernambucano de Macaparana Rosil de Assis Cavalcanti,
chamado de Zé Lagoa por causa de um personagem com esse nome que criou, eram
amigos e parceiros e até formaram uma dupla de humoristas de sucesso na
rádio
campinense: Café com Leite (ao lado).
Jackson
nasceu em 1919 e Rosil, em 1915.
O
amigo Rômulo Nóbrega , biógrafo de Rosil, lembra que os dois artistas morreram
num mesmo dia: 10 de julho; Rosil em 1968 e Jackson, que era diabético, em
1982.
Rosil
Cavalcanti compôs oitenta e quatro músicas gravadas por nomes como
Teixeirinha, Luiz Gonzaga, Biliu de Campina e próprio Jackson, certamente o seu
maior divulgador. Aliás, a primeira composição gravada por Jackson, nos
estúdios da Rádio Jornal do Commercio, de Recife, foi o coco Sebastiana (abaixo), em
1953.
O
professor de música e instrumentista Jorge Ribbas pôs melodia nos versos que
alinhavei em homenagem a Rosil. Ouça (letra abaixo):
Rosil de Assis Cavalcanti
Foi compositor e ator
Primeiro sem segundo
E bela é a obra que deixou
Viva Rosil!
Viva o Brasil!
É maravilha de fina flor
A obra qu´ele deixou
Fez muitas jóias
Para o povo cantar
Para o povo dançar
Com Jackson e Luiz
Puxando o refrão
Viva Rosil!
Viva o Brasil!
É maravilha de fina flor
A obra que Rosil deixou
Amigo Velho, cê não sabe?
O Cumpadre João
- Ô Véio Macho!
Foi dançar rojão
Foi dançar baião
Com a nega Sebastiana
No Forró de Zé Lagoa
- Ô coisa boa, ô coisa boa
Pra lembrar Rosil
Pra lembrar Rosil
Viva o Brasil!
Viva o Brasil!
O bom Rosil deixou
Xote, forró e toada
O bom Rosil deixou
Obra pra ser cantada
Nosso Rosil é memória
Pra ser lembrada
Em todo canto e lugar
Viva Rosil!
Viva o Brasil!
CANTO DA EMA
Cá na capital paulista há uma excelente casa de
espetáculos voltada à música nordestina denominada Canto da Ema, em memória a
Jackson do Pandeiro por ter gravado o batuque O Canto da Ema, de Alventino
Cavalcanti, Ayres Vianna e João Vale, em 1960.
O
nove de julho foi um sábado frio para paulistas e paulistanos e de Lua cheia
brilhando encantadoramente no céu.
No
palácio do Catete, no Rio de Janeiro, o presidente Getúlio Vargas estava
indócil.
Corria
o ano de 1932 e São Paulo tinha sete milhões de habitantes.
Naquele
dia 9 os relógios indicavam que faltava uma hora para a meia-noite e a agitação
nas ruas (ao lado, nos registros da imprensa) com tiros e explosões davam conta
de que a revolução acabara de estourar. Mas pode se dizer que a Revolução – Constitucionalista,
como ficou para a história - começou com o fim da chamada “Política café com
leite” entre os poderosos de São Paulo e Minas Gerais.
A
expressão foi resultado de um acordo firmado entre caciques políticos desses
Estados, que permitiam revezamento na cadeira de presidente da República a cada
eleição, esperto, o gaúcho que ficaria famoso como Pai dos Pobres deu um golpe
e acabou com a lambança.
Os
revolucionários de 32 comandados pelo general Isidoro Dias Lopes, que foi tema
de várias músicas, e coronel Euclides Figueiredo queriam, basicamente, a
retomada das eleições diretas para presidente e governadores e uma nova
Constituição, pois a que estava em vigor desde 1891 até 1930 Vargas rasgara.
A
Revolução Constitucionalista durou 87 dias e 87 noites e deixou um saldo 830
mortos, oficialmente, e um número não sabido de feridos.
Foi
o maior enfrentamento armado entre brasileiros desde o século 20.
Os
paulistas – cerca de 150 mil homens, mulheres e adolescentes - lutaram atabalhoada
e voluntariamente com apenas sete aviões e 44 canhões, enquanto as forças
getulistas, federais, somavam 24 aviões e 250 canhões de grosso calibre.
Ao
fim de tudo foram exiladas as principais lideranças da revolução: 48 oficiais
do Exército, três oficiais da Força Pública e 53 civis, incluindo jornalistas.
A
Revolução Constitucionalista consagrou um poeta: Guilherme de Almeida.
A CAMINHO DO HEXA
Que vexame, hein? Agora é disputar o
terceiro lugar. Mas até esse posto a seleçãozinha do Felipão pode deixar
escapar, pois já o perdemos em 1974. Arriba, moçada!
A manhã do domingo 30 de junho de 2002 me pegou vibrando pela conquista do inédito título de pentacampeão pela seleção brasileira de futebol no Japçao, ocasião em que os meninos de Felipão derrotaram a Alemanha por 2x0. Na hora dei de garra de uma caneta e escrevi a letra (ao lado e abaixo que o amigo Gereba melodiou. Quem sabe logo mais à tarde de novo o Felipão leva seus garotos a despachar a sempre perigos a Alemanha pra casa, hein? Lembre os canarinhos calando o bico dos alemães naquela manhã garoenta de 2002, clicando:
Ali
pelas dez e pouco da noite de ontem, logo após a sua apresentação com a
participação de Oswaldinho no grande palco instalado diante da sede do Museu da
Língua Portuguesa – no histórico bairro paulistano da Luz -, o compositor,
cantor e sanfoneiro pernambucano Targino Gondim, todo feliz, disse: “Essa foi a
primeira apresentação pública que fiz nesta cidade incrível que é São Paulo”.
Verdade,
e foi muito bonita essa sua estreia em Sampa testemunhada por um enorme e
festivo público que com ele cantou e dançou músicas próprias e outras repertório
do rei do baião, Luiz Gonzaga.
Targino,
coautor com Raimundinho do manjado arrasta-pé Esperando na Janela, já esteve
várias vezes na capital paulista participando de programas como São Paulo
Capital Nordeste, que apresentei na Rádio Capital por quase sete anos.
0essa
vez ele veio para se integrar à programação do Arraiá de São Paulo, uma
idealização da Associação Raso da Catarina e do Instituto Memória Brasil com o
apoio da Secretaria de Cultura do município paulistano.
Esse
foi o segundo ano consecutivo de realização do Arraiá.
Aí no retrato o palhaço Charles, criação do ator Alessandro Azevedo, eu e o conterrâneo Ramalho
Ano
passado o palco do projeto São João do Brasil, do qual faz parte o Arraiá de
São Paulo, foi o Vale do Anhangabau, com shows de Alceu Valença, Zé Ramalho,Amelinha, Anastácia e outros grandes artistas da música popular.
Este
ano, além de Anastácia, participaram, entre outros, o Trio Virgulino, o grupo
Bicho de Pé, Passoca, Mariângela Zan,
a Orquestra Forrobodó do maestro Spok, vinda diretamente de Recife e que teve
participação especial de artistas como Zé Pitoco e Maciel Melo; As Galvão,
Falamansa, que encerrou o Arraiá no final da noite entrando pela madrugada, com o público aceso
cantando e dançando.
A
paraibana romântica Roberta Miranda também foi uma das atrações do Arraiá.
Eu
e Alessandro Azevedo com seu personagem o palhaço Charles, há 15 anos amado por
crianças e adultos do Brasil apresentamos em palco todas as atrações, como no
ano passado.
O
Arraiá de São Paulo este ano foi dedicado à cantora paulistana Inezita Barroso,
que há tantos anos tanta beleza musical tem apresentado a todos nós.
E
muita gente bonita esteve por lá como o Madruga, o Pablo, Sara, Samanta, Paulinho Rosa (aí na foto, com seu primeiro filho, Chico e
sua companheira de realidades e sonhos).
Hoje
o dia está bem apropriado para passeios e brincadeiras. Portanto pegue seus
filhos e suas caras metade e vá, por exemplo, ao Parque Jardim da Luz para
curtir o Arraiá de São Paulo, que é um São João fora de época iniciado ano
passado no Vale do Anhangabau, por iniciativa da Associação Raso da Catarina e
Instituto Memória Brasil, com apoio logístico e estratégico da Prefeitura
Municipal.
A
programação da festa começa logo mais às 14 horas, com o violeiro Passoca,
seguida de Mariângela Zan às 15:30h e à 17h a rainha do forró, Anastácia
interpretando músicas próprias e outras compostas em parceria com Dominguinhos,
com quem viveu por mais de dez anos. Essas
atrações ocorrerão no coreto do parque. Às 18 horas Targino Gondim e Oswaldinho do
Acordeon prosseguirão animando o São João de São Paulo na área externa ao
parque, num enorme palco instalado defronte do Museu da Língua Portuguesa. A programação do Arraia de São Paulo será
encerradacom a apresentação do grupo
paulistano Fala Mansa. Ontem, primeiro dia da festa junina fora de época
na cidade de São Paulo começou com o Trio Virgulino, seguido do Grupo Bicho de Pé
e as Galvão. A segunda parte da programação prosseguiu na área externa do
parque, com a orquestra Forrobodó do maestro Spok e Roberta Miranda. Houve participação especial de alguns artistas
na orquestra do maestro, entre as quais, Zé Pitoco, cantando em homenagem a Dominguinhos
e Maciel Melo, num pot-pourri de músicas autorais e do rei do baião, Luiz
Gonzaga. Foi bom eu estar ao lado de tantas pessoas
queridas, ontem. A apresentação dos artistas da programação do
arraiá será antecedida de uma fala minha e do brincante Charles, uma criação do
paraibano Alessandro Azevedo. Uma dezena artistas brincantes estará circulando
e divertindo crianças e adultos em toda a extensão do parque Jardim da Luz. Repito: o dia está ótimo para passeios e
brincadeiras. Vamos lá. Não fique em casa.
Não é de hoje a
polêmica que gira em torno do abate de jumentos no Nordeste, ora para consumo
humano, ora para outros fins. Na China, por exemplo, são abatidos anualmente
quase dois milhões desses animais, maior parte transformada em matéria-prima
para a indústria de cosméticos.
Eu ainda era menino
quando já ouvia a conversa de que charque era carne de cavalo oiu de jumento
feita para substituir a carne de anta que ia às mesas.
Ali pelos anos de
1950, a anta era animal em extinção.
Uma década depois, o
número de jumentos, jegues ou asnos era de cerca de três milhões no território
nacional; mais ou menos 90% no Nordeste.
Os jegues, que medem
mais ou menos 1,5m e pesam entre 350k a 400k estão ao lado do homem desde as
primeiras civilizações, sempre trabalhando.
O seu habitat é a
zona rural.
Dócil, forte e
resistente a quase todas as intempéries, esse animal parte para a extinção,
como a anta.
Uma pena que hoje em
dia seja tão facilmente descartável.
O seu destino é
quase certo: a quentura das panelas, pois está se aventando a possibilidade de
ser servido em pratos para presidiários e estudantes do Rio Grande do Norte,
onde acaba de ser construído um moderno matadouro para por fim a vida desses animais,
e tudo naturalmente fiscalizado bem direitinho pela Vigilância Sanitária
daquele Estado.
Há coisa de ano e
pouco, Brigitte Bardot enviou uma carta à presidente Dilma Rousseff rogando que
tomasse providências para impedir esse “genocídio contra os jegues”.
Não consta que Dilma
tenha se manifestado a respeito do apelo da atriz.
Ontem à noite, no
Jornal da Cultura, eu falei um pouco sobre a presença do jegue na cultura
brasileira.
Amanhã eu e
Alessandro Azevedo – que consigo levará o palhaço Charles – estaremos divertindo
e nos divertindo no Parque da Luz e também na área externa do parque
apresentando as atrações musicais programadas para a festa de São João em São
Paulo. O evento, que ano passado ocorreu no Vale do Anhangabau com Zé Ramalho (acima) e ouros artistas, prosseguirá no domingo. Vai ter um monte de
barraquinhas com bebidas e comidas típicas. Cordelistas também vão estar
presentes com seus folhetos
A mais recente edição da revista
Veja, nas bancas especializadas, traz uma matéria especial em sete páginas assinada por Sérgio Martins sobre o forró como ritmo musical, suas origens e
quem o representa nas salas de reboco destes tempos modernosos.
Dei lá uns
pitacos (a~i ao lado, no detalhe). E lá estão grandes sanfoneiros, desde Oswaldinho do Acordeon, Waldonys
e Targino Gondim; e forrozeiros da velha guarda sempre atuais, como Antônio
Barros, Cecéu e Anastácia e jovens em fase de desabrochamento como a paraibana Lucy
Alves, uma das integrantes do grupo Clã Brasil, em extinção.
É uma matéria que vale a pena ser lida.
E a propósito do gênero criado em
1949 por Zé Dantas e Luiz Gonzaga, irritado o cronista Onaldo Queiroga escreveu
o seguinte, em tom de desabafo:
O forró merece respeito. Representa a cultura de um povo
chamado Nordeste. Não podemos sair por aí dizendo que o som dessas bandas de
plástico é forró. A batida é diferente, a mensagem contida nas letras é
totalmente diversa do que propõe o forró.
O ritmo plástico,
que agora também vem recebendo o título de estilizado, no palco se apresenta
com muitas mulheres seminuas e com letras pobres. No São João, eu estava no
terreiro do forró quando uma banda começou a anunciar no palco: “Amanhã é folga
para quem não bicou. Eu quero ver. Levante o copo. Dá uma rodadinha. Só um
golim e traga a cachaça, que ela libera. Você tá com medo de pedir um beijo pra
ela. Gatinha mamadinha, levante o copo. Dá uma rodadinha. Só um golim”. Isso
levou uns quatro minutos até que, em seguida, cantou: “É o chefe!”. Patrocina
ousadia, e as novinhas se derretem / É o chefe / É o chefe / Considerado,
respeitado, e com ele ninguém se mete / É o chefe, é o chefe/ Quando chega na
balada, sempre chama atenção / Pelas roupas que ele usa, e a grossura do cordão
/ Deixa os playboys rasgar, sempre com muita fartura / Whisky com Redbull, a
mais perfeita mistura / Trata todos com respeito, isso é já de costume / As
novinhas ficam loucas com o cheiro do perfume / Gosta de ostentação e não tem
problema algum / As novinhas ficam doidas pra andar de Ré.”
Nessa hora,
fogos de artifícios no palco e a multidão enlouquecida, a dançar, beber e
repetindo o refrão: É o chefe, é o chefe. Meu Deus! Uma ostentação repassada de
forma selvagem e impiedosa para aquele povo, que mais parecia o admirável gado
novo do poeta Zé Ramalho. As autoridades devem respeitar os festejos juninos,
festa de tradição e que não pode ser transformada em micaretas ou mesmo em
inóspitos e rudes festivais de música. Como conceber nos palcos do São João, as
atrações principais serem figuras do mundo musical do plástico, sertanejo e do
axé. Nada contra Bel Maques, Victor e Léo, César Menotti e Fabiano, Daniel, Asa
de Águia e outros. Mas o fato é que São João é festa do forró, do xote, do xaxado
e do baião. Cada um no seu lugar, no período próprio. O povo e os turistas
querem ouvir forró!
Em entrevista,
Targino Gondim, foi questionado se o seu forró era o de “pé de serra”. Com um
sorriso franco, respondeu: “Não. O meu forró é
forró. Por que forró só existe um! Ou é forró, ou não é forró! Hoje em dia,
nossa juventude, de tanto ouvir, acaba achando mesmo que "nós"
fazemos o "pé de serra" e as bandas "fulano-de-tal do
forró" é que fazem o forró. O que é isso, gente? Gosto do som de muitas
dessas bandas. Mas estão longe do nosso forró! Não estou aqui querendo atacar
ninguém, mas responder de uma vez por todas a essa pergunta e chamar a atenção
do povo e dos meus companheiros:
-
O meu forró não é "pé de serra"! É simplesmente forró!”.
SÃO JOÃO EM SÃO PAULO
Sábado e domingo próximos, eu e o
ator Alessandro Azevedo estaremos como em 2013 no Vale do Anhangabau, brincando o São João fora de época no Parque
da Luz e proximidades, junto com Oswaldinho do Acordeon, Targino Gondim,
Anastácia, Falamansa e Roberta Miranda, entre outros artistas. A grande homenageada
será a rainha da moda, Inezita Barroso (aí ao lado, à esquerda).
Hoje à noite tem assunto importante
na TV Cultura: o abandono e matança de jegues no Nordeste. Hoje cedo gravei
meus pitacos para a matéria. Voltarei ao assunto que o rei do baião Luiz
Gonzaga e Chico Buarque um dia cantaram. Gonzaga em 1968 http://www.kboing.com.br/luiz-gonzaga/1-1001280/
(O Jumento é Nosso Irmão) e Chico em 1977 http://www.vagalume.com.br/chico-buarque/o-jumento.html
(O Jumento, na peça Os Saltimbancos).
Se seguido a rigor o calendário festivo da Igreja católica,
o ciclo junino deste ano já acabou. Mas se observarmos o andamento do
calendário turístico em vigor veremos que o santo João despertou no dia
seguinte ao seu dia, 24, e continua acordadíssimo, principalmente em algumas
cidades do Nordeste, como Caruaru e Campina Grande. E cá na capital paulista a
festa ainda nem começou; começa sábado, no parque da Luz onde outrora costumavam
se apresentar personagens ilustres, como o maestro Carlos Gomes e o poeta
Castro Alves.
Como no ano passado, eu e Alessandro Azevedo (acima, com a atriz Milena Toscano ao centro num clic de Michela Brígida) estaremos no palco animando o povo e
apresentando as atrações musicais.
Bom, em parte a folia junina mantém a tradição.
Em parte porque alguns pormenores da festa foram excluídos
por lei pelo perigo óbvio que oferecem atualmente nos grandes centros, como as
fogueiras que já não ardem mais na frente das residências e os balões que não sobem
para se misturar às estrelas do céu*, como antigamente.
As festas juninas são uma herança portuguesa
fincada nesse pedaço de mundo desde os tempos coloniais, mas as suas origens
vão muito além de Portugal.
Segundo a tradição católica, a fogueira que servia
para queimar pecadores serviu para Isabel avisar à prima pura Maria Mãe de
Cristo do nascimento do seu pimpolho, ninguém menos do que João Batista, que
viraria santo e dominaria o ciclo que leva o seu nome.
Os balões (ao lado, detalhe de uma obra do rei da embolada Manezinho Araújo enriquecendo parede do Instituto Memória Brasil), as danças de quadrilha e as bandeirinhas
são um detalhe à parte do todo que constitui o colorido das festas enriquecidas
pelo espocar dos fogos de artifício.
Além de iluminar o céu, os balões anunciavam o
início das festas e levavam bilhetinhos de mocinhas apaixonadas desejosas de
encontrar seu par certo e com ele se casar.
De origem pagã, as festas juninas remontam à Idade
Média.
As quadrilhas são uma contribuição dos franceses e
o foguetório, da China, serve até para acordar o preguiçoso e dorminhoco santo
João.
Judeu de Jerusalém, João era um pregador que
acreditava na purificação do ser pelo batismo. Preso pela polícia de Herodes,
ele foi decapitado a pedido de Salomé.
Hoje João seria considerado um subversivo, como o
Cristo.
Por sua vez, o lisboeta Antônio, de batismo Fernando,
é o santo que abre o ciclo junino que tradicionalmente fechado por São Pedro - e
São Paulo -, no dia 29.
Pedro ou Simão Pedro, Petrus etc., era palestino e
pescador por profissão. Ele foi o primeiro dentre os apóstolos a dizer que
Cristo era o filho de Deus. Tornou-se o primeiro papa da Igreja.
Paulo, também chamado de Saulo, era um implacável
perseguidor de cristãos até se converter ao Cristianismo. Não há provas de que tenha
conhecido Cristo e o seu nome é motivo de polêmicas até hoje.
Ao contrário de Pedro que foi crucificado de cabeça
para baixo e da mesma forma que João, Paulo foi decapitado pela polícia de
Nero, em Roma.
Enquanto isso Israel continua em pé de guerra com a
Palestina, acusando o Hamas de terrorismo. A pendenga mortal já dura anos,
agora agravada pelo sequestro e morte de três jovens estudantes israelenses,
cujos corpos foram encontrados ontem, carbonizados. O Hamas não assumiu a
tragédia. A situação pode piorar, com o apoio dos EUA pró Israel.
(*) O novo CD do pernambucano de Serra Talhada
Emídio Santana traz xote, xaxado e baião, além de um martelo e uma marchinha
junina composta por mim e o mineiro de Alto Belo Téo Azevedo para alertar o
quão perigoso é hoje soltar balão. Clique sobre a imagem:
Só
agora através do amigo Darlan Ferreira tomei conhecimento da participação do mandachuva
do mundo do disco no Brasil por uns trinta ou mais anos André Midani, responsável
pela contratação de grandes ídolos como Chico, Caetano e Gal num evento que eu até
então desconhecia chamado SIM, que quer dizer Semana Internacional de Música, que
teve como palco São Paulo no fim do ano passado.
Como
mediadores estiveram muito bem os apresentadores de rádio Ricardo Alexandre e
Patrícia Palumbo.
Midani
falou menos do que deveria, mas ainda assim foi esclarecedor em muitos pontos
referentes à construção da MPB, com nomes como os referidos acima. E ainda falou
de Roberto Carlos, que chamou de “demoníaco como cidadão e não como artista”,
curioso não?
O
livro autobiográfico de Midani não se acha nas prateleiras do mercado.
Mesmo
apresentando um futebol pífio, irreconhecível, duvidoso, a seleção do Felipão
conseguiu passar pela Croácia, México e Camarões. Com Camarões foi a melhor
partida. Mas a pedreira para o País de chuteiras, como dizia o desassombrado
Nélson Rodrigues, começa logo mais às 13 horas no Mineirão, em Belo Horizonte,
com o Chile preparadíssimo para o que der e vier nessa rodada de quartas de
final, onde o que interessa é a vitória, somente a vitória. Vamos empurrar o
time pra frente, mesmo mentalmente. O meu palpite é que a Seleção Brazuca ganhe
por 2x1, com gols de Neymar e Fernandinho, no lugar de Paulinho. O placar pode
aumentar se David Luiz deixar as dores de lado e for escalado.
A
última vez que os meninos do Felipão pegaram o Chile pra capar foi há quatro anos, na
Copa-fifa da África do Sul, resultado: 3x0.
Mas
e as músicas?
Cadê
as músicas, a trilha sonora que sempre embalou os jogos da Seleção Canarinho,
hein?
Na
vez EM que o Brasil faturou o pentacampeonato de futebol eu o Gereba compusemos, como homenagem... Foi a única, Para ouví-la, clique sobre a imagem:
Formar,
informar, opinar e criticar é mais do que um ideário humano, humanístico, um direito
claro e lógico dos cidadãos livres de qualquer lugar do mundo, inclusive dos
que vivem nessa parte de cá da linha do Equador, onde se situam países como o Brasil:
é um dever.
O
dever de formar, informar, opinar e criticar é sagrado.
Mas
como fazer isso num país onde o analfabetismo é uma praga, um cancro, uma doença
resistente e de cura difícil?
Como
fazer isso num lugar a onde um enorme contingente de eleitores vai às urnas de tempos
em tempos para votar por interesses estranhos ao bem comum?
No
caso Brasil, pode-se dizer que engatinhamos rumo ao lugar onde a “res pública”, a coisa publica e sua valorização de que falavam os sábios do Direito latino e que tanto sentido fazem para a mudança de uma sociedade que deseje respeito reconhecimento do mundo civilizado.
O
nosso país, um país de guerras e conflitos há cinco séculos, como bem nos
mostra o Dicionário das Batalhas Brasileiras, de Hernani Donato (1922-2012),
ainda não assimilou as lições básicas da democracia reimplantada duas décadas
após um golpe que apeou do poder seu representante legítimo, João Goulart,
passando, então, a ser regido sob as ordens de um governo militar que fez
desaparecer milhares de pessoas que ousaram dele discordar.
No
mais nos esquecemos de tudo, e facilmente, até de fatos que nos marcaram a vida
de modo profundo, como os 46 anos - completados ontem - da passeata que reuniu de
100 mil a 150 mil pessoas, entre estudantes, professores, pais, padres e
freiras na Avenida Presidente Vargas do extinto Estado da Guanabara, exigindo o
fim da ditadura e do arrocho salarial.
Mas
por que eu falo dessas coisas, da ausência do mínimo básico na vida da gente, do
respeito, educação, opinião e crítica que tanto nos faltam?
Esta
semana este blog alcançou a marca de 150 mil acessos Brasil e mundo a fora. Desse
total, há registradas opiniões e loas de apenas algo em torno de 1% do público
que o acessa.
A
falta de opiniões e críticas eu considero grave num país de 200 milhões de
pessoas.
E
um detalhe surpreendente me chamou a atenção na leitura de estatísticas do blog:
sou mais acessado na China do que aqui, no Brasil.
Vou
virar chinês.
Pela
ordem, acessam este blog: China, Brasil, Alemanha e Estados Unidos. Pode?
Imperdíveis as narrativas
esportivas da rádio Globo, como imperdíveis são as narrativas esportivas do
português João Ricardo Pateiro, que aproveita suas transmissões para fazer paródias
de músicas de autores brasileiros, entre eles Jobim/Vinicius, Wando e Roberto Carlos,
como durante a peleja Portugal x Gana, ocorrida hoje à tarde no estádio Mané Garrincha em Brasília, quando a
representação do país de Camões obteve “uma vitória amarga” (2x1), nas palavras
emocionadas do próprio Pateiro. http://www.youtube.com/watch?v=Yx22UlMitFE
Os coreanos perderam hoje
para a Bélgica por 1x0 e por isso já estão arrumando as malas para a longa
viagem de volta. Em compensação, o meu amigo Osvaldo Mendes, jornalista, autor
e ator, recomenda que acessemos o Youtube para nos deleitarmos com a curiosa e
bela gravação da toada Asa Branca (Luiz
Gonzaga/Humberto Teixeira). Para isso é só clicar: