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sábado, 29 de janeiro de 2022

SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (5)

Aquela redação…
(Extraído do livro São Paulo de meus amores, de Afonso Schmidt [1954]).

O aniversário da “Folha da Noite” faz-me lembrar muita coisa, pois tive o prazer de trabalhar com Olival Costa, Mariano Costa, Pedro Cunha e Antônio dos Santos Figueiredo. 

Isso foi no fim de 1922, se a memória não falha. 

A redação ainda estava instalada nos altos do Teatro Boa-Vista, à rua do mesmo nome, esquina da Ladeira Porto Geral. No rés-do-chão, havia uma casa de máquinas suíças. Dínamos e motores de diversos tipos estavam sempre expostos no salão aberto; quem passava na rua podia tocar-lhes com a mão. 

Entrávamos no jornal pela porta do teatro. Transpúnhamos um corredor enfeitado de quadros, cartazes e anúncios das peças em cena, ou prometidas para breve. Ao lado da bilheteria, gaiola de arame com guichê, embocávamos por uma escada escura, íamos desembocar no corredor de cima, ladeado de escritórios. Depois, caminhávamos para o lado da Rua Boa-Vista e virávamos à direita. Ali, o jornal mantinha duas salas: a da gerência, com a sua meia-porta envernizada, e a da redação, sempre escancarada e acolhedora. 

No fundo, à direita, diante de uma mesa grande, atulhada de papéis, sentava Olival Costa. Ele andava sempre de preto e já tinha cabelos grisalhos. Era de alegria comunicativa. Gabava- -se de cultivar os maus trocadilhos, porque os bons, geralmente, não tinham graça nenhuma. As outras mesas da redação eram menores, de desenho estranho, com suas pernas abertas, escarranchadas… 

Olival Costa admitia na redação todo bicho-careta que quisesse trabalhar. Poucos ficavam, muitos desistiam. Havia excesso de redatores. Por isso, sentavam dois ou mais em cada mesa. Ainda lembro de alguns deles: Taciano de Oliveira e Miranda Rosa, na parte esportiva. Correia Júnior, na Sociedade. Aristides Ávila redigia serenos comentários. Paulo Gonçalves que, escrevendo a parte artística, vivia cercado de poetas, pintores e comediantes. Lá iam com frequência Moacir Pisa, Silvio Floreal, Cleomenes Campos, Alberto Seabra, Belmonte, Cucê, Bernardino Pereira, Gino Bruno, Manzo, tantos outros. Foi lá que conheci Olegário Mariano, numa de suas viagens a São Paulo. E Benjamim Costallat. Gastão Barroso fazia a secção teatral. Eurico Branco Ribeiro, então estudante, especializara-se em reportagens sensacionais. E Filemon Assunção, Sabóia, João Silva, Carlos Monteiro Brisola, Luís Pisa Sobrinho. Mas ainda havia outros, muitos outros, de quem neste momento não consigo lembrar nomes.

Antônio dos Santos Figueiredo escrevia a abertura de futebol − uma nota que fez época − e os sueltos políticos, muito em moda na nossa imprensa. Pedro Cunha era o homem dos sete instrumentos: desunhava artigos, desempenhava funções de gerente e, na rua, dava pulos para alcançar uma publicidade que − naquele tempo − podia ser chamada de arisca. 

Eu estava num canto, perto da janela, por causa da claridade. Fazia alguma coisa: reportagens, artiguetes assinados etc. Mas o forte era a secção de queixas. Como o jornal ainda estivesse nos cueiros, com escassa circulação (escassa, porém, deveria duplicar de ano para ano), eu mesmo, para manter aquela coluna das lamentações, arredava cartas de leitores, protestando contra isto ou aquilo. Então, eu arregaçava a manga e entrava pela política, pela questão social, pela literatura… 

Lembro-me de que certo troglodita manifestou desagrado por essa secção do jornal:

— Vocês já repararam que só gente suspeita escreve para a coluna de queixas? Essa secção está-se tornando perniciosa! 

Mas, apesar de tudo, foi naquela “Folha da Noite”, de 1922 a 1924, cujo cabeçalho ainda se apresentava em caracteres manuscritos, que eu me fiz notado em outras redações da Capital. Certo dia, chegou-me aos ouvidos aquela proposta: trabalhar num matutino, ganhando 450$000 mensais. E, na manhã de 5 de julho de 1924, ao acordar-me, comuniquei aos meus botões: 

— Hoje, sim, vou mudar de vida! 

E mudei sim, mas antes não mudasse. Quando cheguei à Praça Antônio Prado, notei um diz-que-diz-que, um corre-corre. Logo depois, a cidade estava revolucionada. Pipocar de tiros no bairro da Luz, troar de canhões no bairro de Pinheiros. Boatos e mais boatos. Sustos e correrias. Um pandemônio. Hoje lembro, com saudade, aqueles primeiros anos da “Folha da Noite”. Foi uma aventura, uma façanha esportiva em que, de alto a baixo, todos deram, alegremente, o melhor do seu esforço. Bons tempos aqueles! Ganhava-se pouco mas, em compensação, trabalhava-se prá-xuxu.

As enchentes (1902 ?)
(Extraído do livro São Paulo naquele tempo − 1895-1915, de Jorge Americano [1957])

Chovia desesperadamente desde outubro. Quando as crianças chegavam da escola tiveram os sapatos e as meias encharcadas, faziam-lhes fricções nos pés com toalhas felpudas e calçavam outras meias e sapatos. 

Enchiam-nos os sapatos molhados com pedaços de jornal. Levados à estufa do fogão de lenha, depois do jantar, na manhã seguinte estavam secos. 

Tudo se repetiu nos dias seguintes. 

Quem passasse pelo Viaduto durante alguma “estiada”, veria o córrego Anhangabaú alagando o vale. As verduras da Chácara da Baronesa de Itapetininga tinham desaparecido n’água. 

Os jornais noticiaram as enchentes. A Várzea do Carmo (Parque Pedro II), os bairros marginais do Tamanduateí (Mooca, Cambuci, Ponte Pequena) foram invadidos pela água. As zonas da atual Vila Maria, do Carandiru e do atual Campo de Marte estavam inundadas. Na Ponte Grande (a primitiva Ponte Grande), a cujo lado estavam a chácara e observatório do General Couto de Magalhães, as águas alcançavam três palmos abaixo do piso. 

O corpo de bombeiros socorria, em canoas, os moradores desses bairros, para o edifício da Imigração, na Rua Visconde de Parnaíba, e para a Santa Casa de Misericórdia, na rua Cesário Motta. 

Uma tarde, em fins de dezembro, apareceu um sol coado. Na manhã seguinte, um pouco mais fria, o sol brilhou. 

À tarde tomamos na esquina da Rua dos Andradas o bonde a tração animal da Rua Vitória, que passou pela estação da Luz, recém-construída, cuja imensa torre podia ser vista de qualquer ponto da cidade, e entramos pela Rua Florêncio de Abreu. No lugar onde há hoje uma ponte sobre a Rua Anhangabaú, atrelaram mais um burro ao bonde, para facilitar a subida da ladeira. Ao chegar ao Largo de São Bento soltaram o burro, que desceu a ladeira sozinho. Daí tomamos o da Ponte Grande, no qual já havia diversas famílias, e pelas seis horas víamos passar as águas do Tietê. Com a ponta da bengala podiam-se deter destroços das plantas que flutuavam. 

Nos três dias seguintes fez calor forte. As águas baixaram. 

Recomeçaram as chuvas. A enchente subiu e continuou até março. 

Durante uma semana cessaram as comunicações ferroviárias para Santos, porque estava inundado o leito da estrada, na Várzea da Mooca.

Uma luz, uma jornada
(Segundo capítulo do livro A luz de Luiz, de Oswaldo Faustino, sobre o poeta e jornalista abolicionista e republicano Luiz Gama [2015])

Afinal, que Luz é essa que, noite após noite, atravessa os portões de ferro do Cemitério da Consolação
e desliza pelas ruas, travessas, becos e vielas? 
Luz a percorrer, um a um, os locais onde plantou sua história, hoje amargando a sensação de que, por ali, nada floresceu. 
Luz que busca reconhecer São Paulo, mas sua São Paulo já não há. Não aquela que tão profundamente conheceu e que também não a reconhece. Duas estranhas, frente a frente. 
Também, pudera, a cidade vestiu de asfalto todas as pedras dos calçamentos, nos quais se imprimiram as marcas profundas de suas pegadas de felino, a urrar contra a escravidão e o contra o império... 
São Paulo de quatrocentões escravocratas, cidade oligarca despudorada de ostentar seu baronato cafeeiro. São Paulo de orgulho bandeirante, voraz expansionista, caçadora de esmeraldas e de indígenas, destruidora de limites territoriais e de quilombos. 
São Paulo de ontem? Não, de hoje, de sempre...” (*) 

Seguindo a luz, que desliza célere, os jovens, em seus equipamentos de transporte, esporte e diversão, bicicletas, skates e patinetes, não conseguem alcançá-la. Há muito deixaram o medo para trás. Agora, a curiosidade é a fonte maior de energia que os mantém determinados a segui-la, através das vias tomadas por ela. 

A vantagem é que, mantendo-se num determinado raio de distância do epicentro do círculo formado por sua luminosidade, não são sugados pela escuridão do blecaute que tomou conta da cidade de São Paulo.

O mais estranho é que sons de tambores, muitos tambores, e de outros instrumentos de percussão, com sonoridades as mais variadas, das mais agudas às profundamente graves, fazem trilha sonora para essa jornada, no mínimo, insólita. Sons que ressoam em forma de palavras, na mente de cada um deles, formando um discurso que se inicia com: “Afinal, que Luz é essa que, noite após noite, atravessa os portões de ferro do Cemitério da Consolação...” e que se encerra com: “São Paulo de ontem? Não, de hoje, de sempre...”. E que, continuamente, retorna ao começo. 

De repente, no Largo São Francisco, bem em frente às arcadas da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, a luz estanca. O grupo para bem próximo dela, junto ao halo luminoso avermelhado, que toma boa parte daquele logradouro público. 

Agora, no centro da luz, já se consegue vislumbrar um vulto de homem. Um homem imponente, solene, de cabeça erguida e de queixo barbudo elevado. 

— Onde foi que já vi este homem? —, indaga-se Naomi. Quanto mais o observa, mais tem certeza de já tê-lo visto. A imagem vai adquirindo nitidez e, na mente da garota negra, vai se associando ao aroma de flores. 

— Lembrei! Foi no dia em que fui comprar rosas. Era aniversário de minha mãe. 

Todos olham assustados para ela. 

— Eu o reconheço é aquele busto do Largo do Arouche, pertinho do Mercado de Flores. Olhem! Não é o mesmo homem? A mesma altivez? —, questiona a menina. 

— Reparando bem se parece com ele sim —, concorda Shizuka, a amiga nissei inseparável, que estava em sua companhia na compra das rosas. 

— Você está falando do busto de Luiz Gama, Naomi? —, pergunta Pedro, o professor. Ao ouvir o nome, Luiz Gama, o homem se volta para o grupo e, pela primeira vez, parece perceber que não está só...

(*) Texto extraído do catálogo da exposição Memorial Luiz Gama – Caixa Cultural/São Paulo, 2014 –, do mesmo autor. Ouça!

Na casa do Assis

No dia 30 de dezembro de 2021, Assis reuniu em sua casa para um bate-papo sobre São Paulo quatro dos depoentes desta edição: Bill Hinchberger, Carlos Silvio Ramos, Darlan Zurc e Moacir Assunção. Carlos gravou o encontro e o postou no canal do seu programa Paiaiá na Conectados no YouTube.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (4)

Também orgulhoso de viver em São Paulo está hoje o cantor e compositor baiano Tom Zé, que há mais 50 anos deixou a cidade em que nasceu, Irará, disposto a vencer através da música. E o campo de batalha para ele, no caso, foi São Paulo. A primeira relação foi de amor e ódio e o primeiro fruto, a canção São São Paulo, que diz: 

... São oito milhões de habitantes
De cada canto e nação
Que se agridem cortesmente
Correndo a todo vapor
E amando com todo ódio
Se odeiam com todo amor...

Tom Zé resume: 

“O Nordeste é um país onde prevalece o verso. Na sua forma falada, como no Gênese. Lá, a palavra falada é o principal valor circulante. É a filosofia, a metafísica, é a história. Portanto, na atual falência do dicionário, considerando que lá não circulam normalmente nem dinheiro nem alimento, o nordestino vê sua principal moeda corroída”. 

E, na falta de moeda, decorrente da escassez do trabalho remunerado, o nordestino termina agarrando-se ao sonho de prosperidade vivendo em São Paulo. O cearense Expedito Jorge Leite, de Jati, divisa com Pernambuco, afirma que “São Paulo só conseguiu ser hoje o que é por causa da mão de obra barata do cidadão nordestino”. Leite é dono da Ibrasa, uma das maiores editoras do País. Ele destaca uma qualidade incomum da cidade: 

“São Paulo assusta e encanta, antes de tudo. Em São Paulo o que admira é a impessoalidade, a incógnita, o que faz com que todos se tornem iguais. Ao mesmo tempo que acolhe, São Paulo liquida, isto é, ao mesmo tempo que afaga, mata. Mas nessa cidade fantástica há vez até para malandro”. 

O paraibano Roberto Luna, de batismo Valdemar Farias, concorda com tudo isso e diz rindo: “São Paulo, pra mim, pessoalmente, sempre foi um desafio maravilhoso. Aqui construí a minha carreira. Aqui virei empresário da noite. Aqui tive muitas alegrias”. 

Luna, nascido em Serraria, deixou a Paraíba ainda garoto. Tinha uns 16 anos quando aportou no Rio de Janeiro. Fez trabalhos gerais, mas o seu sonho era ser artista de fama. Um grande cantor. Estudou teatro com Ziembinsky (1908-1978) e fez amizade com o compositor baiano Assis Valente (1911-1958), que o apresentou ao jornalista e diretor de teatro e cinema português Chianca Garcia (1898-1983). Queria apresentar-se cantando no teatro de revista, dirigido por Garcia. Mas não deu. E lá foi ele atrás do seu sonho, cantando onde era possível cantar, até que conseguiu gravar o primeiro disco de 78 rpm, que trazia de um lado o bolero Por quanto tempo e do outro, o samba-canção Linda. 

Àquela altura o jovem paraibano já ganhara o nome artístico de Roberto Luna, dado por um locutor da Rádio Nacional, chamado Afrânio Rodrigues. Não demorou, conheceu o empresário de rádio e TV Victor Costa (1907-1959), que o despachou para São Paulo. E em São Paulo, já no Quarto Centenário da cidade (1954), fez a festa e a carreira. E onde está até hoje, com seus 93 de idade. 

No aniversário de 450 anos de fundação da cidade paulistana, o compositor, cantor e violeiro mineiro Téo Azevedo produziu um CD reunindo alguns dos grandes intérpretes da música brasileira. E lá estava, na faixa 13 ou 14, Luna cantando Bar da Tradição. Sobre São Paulo, claro. 

Uma curiosidade: um dia seu amigo Nelson Gonçalves o incumbiu de zelar (tomar conta) por uma namorada. Nelson fez isso porque fora fazer shows no Rio. Deu zebra, se desentenderam. E tiros deixaram marcas na parede e na memória de Luna: ”Coisas de jovens”, diz. 

O radialista pernambucano Luiz Wilson, no ar há 15 anos na Rádio Imprensa, também acha graça na graça de Luna, e conta: “Nada aconteceu comigo nesse sentido, mas Luna é um mestre incrível. O que ele diz, com a sua voz leve e de pluma, é sempre maravilhoso”. 

Wilson tem pelo menos quatro músicas que falam da cidade de São Paulo. 

Victor Costa, paulista, foi o cara que criou a Rádio Nacional de São Paulo, em 1953. 

Entre as várias empresas de comunicação dele, estava a Rádio Excelsior, criada em 1934. 

O empresário Roberto Marinho compraria a Excelsior em 1964. Costa já havia morrido. Foi lá que surgiu, anos depois, em 1991, a Rádio CBN. A história é longa... 

Detalhe: Victor Costa foi tão importante para o rádio e a televisão brasileiros como foi o paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello (1892-1968), o Chatô, que trouxe para o Brasil a TV que conhecemos hoje. Isso, em setembro de 1950. 

São Paulo é uma porteira sempre aberta a quem deseja procurar caminhos e alimentar esperança. Foi isso o que fez o pernambucano Edenaldo Freire. 

Freire está em São Paulo desde o começo dos anos 1950. Aos 73 anos, transformou-se num dos mais talentosos e requisitados diretores de teatro do Brasil. “Eu amo São Paulo”, diz. 

A propósito, em 1954, o gaúcho de Santana do Livramento Nelson Gonçalves compôs e gravou o belo samba Por que amo São Paulo. 

Como Nelson, Teixeirinha não ficou indiferente ao Quarto Centenário de fundação de Sampa. E compôs e gravou a toada São Paulo. 

Eu, da minha parte, aproveito para sugerir que se faça um concurso com o objetivo de escolher o hino que falta à cidade de São Paulo. Aproveito também para sugerir que se crie o Museu da Música Paulistana. E de tabela, que se escreva um dicionário com verbetes das músicas, e autores, referentes à cidade fundada pelos jesuítas Nóbrega e Anchieta. 

Ah, sim, ia me esquecendo: nos anos de 2001 e 2003 criei um concurso para revelar cordelistas novos e reafirmar cordelistas velhos no panorama da poesia popular com o concurso de literatura de cordel. O primeiro foi em 2001 e o segundo, em 2003. Esses dois concursos resultaram em 410 mil folhetos de cordel que distribuí na rede pública de ensino do Estado de São Paulo. 

Quero aproveitar a ocasião para dizer que São Paulo representa para ricos e pobres, brasileiros e estrangeiros, uma espécie de Canaã, entendem? Antes, pela voz do multiinstrumentista Jarbas Mariz, mostro porque São Paulo é São Paulo, inclusive no samba. Ouça!

E pela voz do cantor Costa Senna ouça o xote que fiz com Enok Virgulino: Romance no Metrô

E fiz também um poema que intitulei de Declaração de Amor a São Paulo. O acompanhamento musical é de Osvaldinho da Cuíca.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (3)

Morumbilândia, de Hermeto Pascoal

Destaco nesse trabalho de pesquisa, que durou mais de 20 anos, os nomes do já citado Carlos Gomes, além de Chiquinha Gonzaga (a primeira a fazer uso da palavra baião em composição musical), Giuseppe Rielli, Ary Barroso, Lamartine Babo, Luiz Gonzaga, Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Germano Mathias, Rita Lee, Téo Azevedo, Rolando Boldrin, Mário Zan (autor do dobrado Quarto Centenário), Braguinha, Garoto (que participou da Revolução Constitucionalista de 32) e até Francisco Alves, que gravou a pérola São Paulo Coração do Brasil. 

O alagoano Hermeto Pascoal não gravou, mas compôs a curiosíssima Morumbilândia. Inédita, portanto. 

Uma vez lembrei a Dominguinhos o fato de ele nunca ter feito uma música sobre São Paulo. Riu e musicou versos do jornalista paulista Elias Raide, que renderam a rancheira A Moça do Metrô, única no gênero na discografia dele. Fiz a mesma observação a Geraldo Vandré, que me respondeu displicentemente: “É mesmo...”, e logo escreveu um poema que, um dia, poderá virar música. Esse poema ele declamou em público no dia 24 de março de 2014, no Teatro Bradesco, São Paulo. 

Sem dúvida, o tema é bom e certamente ainda resultará em muita música. E digo sem medo de errar: São Paulo é a cidade mais cantada em verso e prosa no mundo. E para chegar a essa conclusão nem fui muito longe. Fui à zona leste, berço de Alberto Marino, violinista que aos 15 anos compôs a primeira música dedicada a um bairro da cidade, o Brás.

Enquanto a Primeira Grande Guerra assustava o mundo, Marino encantava o Brasil com a valsa-choro Rapaziada do Braz, que anos depois receberia letra do filho, Alberto Marino Jr., a pedido do cantor argentino naturalizado Carlos Galhardo. Essa história, que ele mesmo me contou, eu inseri num CD intitulado São Paulo Esquina do Mundo, encartado no livro São Paulo Minha Cidade. 

São Paulo Minha Cidade, que reúne mais de 1.000 depoimentos de 300 e poucos moradores de Sampa, foi lançado na noite de 2 de abril de 2008, na Sala São Paulo, e distribuído gratuitamente ao público que assistiu ao concerto. O lançamento contou com um espetáculo estrelado por Billy Blanco, Cláudia e Pery Ribeiro. Com orquestra e apresentação do jornalista Chico Pinheiro e da atriz Bruna Lombardi. 

No referido CD incluí também outros depoimentos igualmente históricos, como o de Paulo Vanzolini

Paulo revela, pela primeira vez, o fato curioso de nunca nenhum intérprete ter gravado Ronda corretamente. Ele conta isso enquanto a cantora Ana Bernardo põe os pontos nos is, cantando, junto com o próprio Paulo, que, apaixonado, ainda declara seu amor à cidade, no poema inédito São Paulo. 

Zica Bérgami, autora de Lampião de Gás, disse-me uma vez que estava decepcionada, saudosa, com o progresso que tomou conta da cidade. Aproveitou para mostrar uma versão musical que fez como contraponto à sua valsinha famosa, lançada em disco de 78 rpm por Inezita Barroso, em 1958. E que ganharia versão até em japonês, que tenho em meu acervo (www.institutomemoriabrasil.com.br).

Mesmo com suas contradições e dificuldades de todos os tipos, São Paulo continua representando grande esperança para todos que nela vivem. E isso é fácil de entender, pois é uma cidade grande e rica, terrivelmente bela e desafiadora, ao mesmo tempo carinhosa e violenta, ou seja, o exato contraponto de tudo, a interseção do simples e o inusitado convivendo dia a dia e lado a lado em absoluta harmonia − ou desarmonia, dependendo naturalmente do ângulo que se queira focar. Estimativas indicam que há pelo menos três milhões de nordestinos e descendentes vivendo nessa cidade. 

“Mas se o nordestino, coitado, pudesse, não estaria aqui”, aposta Sebastião Marinho, presidente da União dos Cantadores, Repentistas e Apologistas do Nordeste (Ucran), um dos muitos moradores de São Paulo que, certo dia, nos anos 1960, viu-se forçado pelas circunstâncias da vida a trocar a sua pequena Solânea, no sertão paraibano, pela cidade grande, no caso, São Paulo. “Bom seria se houvesse condições de cada brasileiro poder desenvolver-se em seu torrão-natal”, sonha Marinho, concluindo, com expressão desolada: “Mas a vida é assim mesmo, e os políticos não estão nem aí com a situação de penúria que vive o Nordeste”. 

Os políticos, na verdade, demonstram algum interesse pela situação de profunda carência de quem vive nos cafundós do Nordeste apenas durante os períodos eleitorais. E não poderia ser diferente, já que a região, formada por nove estados (Paraíba, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Bahia), é a segunda maior em peso eleitoral (27,01% do eleitorado brasileiro) entre as outras quatro regiões do País, perdendo em número de votos válidos só para o Sudeste, que detém nada mais nada menos que 47 milhões de eleitores, isto é, 42,99% do total, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, em dados de 2020. 

Dos nordestinos e descendentes que vivem em São Paulo, pelo menos um terço está habilitado a votar, mas nem sempre vota nos candidatos conterrâneos. Esquisito? Não para o jornalista José Nêumanne, para quem esse é um detalhe plenamente explicável. Para ele, o nordestino em São Paulo consegue exercer a cidadania na sua plenitude, quebrando o cabresto e se sentindo gente e não objeto de uso puro e simples dos coronéis. Em outras palavras: liberto das amarras invisíveis do coronelismo, os nordestinos na cidade grande consideram-se libertos para votar em quem acham que têm de votar, sem ordem ou recomendação de quem quer que seja. Ainda Nêumanne: “Em São Paulo, o nordestino abandona a relação de servidão e torna-se cidadão”, quase num passe de mágica. E completa: "Sim, construímos essa cidade e nela temos presença forte e permanente, por isso sinto-me profundamente orgulhoso de viver aqui”.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (2)

A história é antiga: na manhã do domingo de 25 de janeiro de 1554, por determinação do jesuíta Manuel de Nóbrega (1517-1570), era celebrada a primeira missa em solo paulistano. O celebrante foi o padre Manoel Paiva e o ajudante, José de Anchieta. Estava, pois, com a missa, inaugurada a Vila de Piratininga. 
Por um desses acasos, o 25 de janeiro foi o dia escolhido pela Igreja para homenagear Paulo de Tarso, que virou santo com o nome de São Paulo. 
Esse Paulo, também chamado de Saulo, foi um histórico perseguidor de cristãos convertido ao cristianismo após uma visão que o teria levado à cegueira momentânea, em Damasco. Mas essa é outra história. 
A cidade de São Paulo, capital do Estado de São Paulo, é hoje a quarta maior do mundo. A sua população gira em torno de 15 milhões de habitantes. 
Todas as capitais do Brasil têm bandeiras, brasão de armas e hinos oficiais. 
São Paulo não tem hino. O Estado tem e é de autoria do poeta campinense Guilherme de Almeida (1890-1969). 
Muita água passou por debaixo da ponte, ou das pontes, desde então. São milhares e milhares de logradouros. 
Mais de 50 mil entre travessas, ruas, avenidas e viadutos. 
Dividida em cinco regiões, São Paulo tem no seu território 96 bairros. O mais populoso, o Grajaú, na zona sul, com cerca de 500 mil habitantes. O menos populoso também fica nessa região, Marsilac, com aproximadamente 8 mil moradores. São Paulo em prosa, verso e música José de Anchieta Manoel da Nóbrega. 
Há muitas curiosidades em torno da capital paulista. 
O bairro da Liberdade, fundado em 1905, era conhecido como o bairro dos escravos. Foi nesse bairro que nasceu a primeira escola de samba: Lavapés, em 1937, em plena ditadura Vargas. 
À medida que a cidade ia crescendo, iam também surgindo jornais e revistas. E muitos livros contando a sua história. 
Em 1954, ano do Quarto Centenário da cidade, o jornalista e escritor Afonso Schmidt (1890-1964) publicava o livro São Paulo de Meus Amores, em que diz: 

Certo dia, chegou-me aos ouvidos aquela proposta: trabalhar num matutino, ganhando 450$000 mensais. E, na manhã de 5 de julho de 1924, ao acordar-me, comuniquei aos meus botões:
— Hoje, sim, vou mudar de vida! E mudei sim, mas antes não mudasse. Quando cheguei à Praça Antônio Prado, notei um diz-que-diz-que, um corre-corre. Logo depois, a cidade estava revolucionada. Pipocar de tiros no bairro da Luz, troar de canhões no bairro de Pinheiros. Boatos e mais boatos. Sustos e correrias. Um pandemônio. Hoje lembro, com saudade, aqueles primeiros anos da Folha da Noite...
 

(ver íntegra em Aquela redação, ou na parte 5) 

Schmidt fazia referência à Revolução de 1924, que durou menos de um mês. 
Em 1957, o escritor e advogado Jorge Americano (1891-1969) publicava o livro São Paulo Naquele Tempo. Nesse livro, uma reunião de crônicas, pode-se ler sobre as enchentes ocorridas na cidade desde o começo de 1900:

Chovia desesperadamente desde outubro. Quando as crianças chegavam da escola tiveram os sapatos e as meias encharcadas, faziam-lhes fricções nos pés com toalhas felpudas e calçavam outras meias e sapatos. Enchiam-nos os sapatos molhados com pedaços de jornal.  

(ver íntegra em As enchentes (1902 ?), ou também na parte 5

Há muitos livros cuja leitura é indispensável à compreensão do surgimento e crescimento de São Paulo. Recomendados: A Revolução de 32, de Hernâni Donato; Contribuição para a História da Revolução Constitucionalista de 1932, de Euclydes Figueiredo; Dicionário de História de São Paulo, de Antonio Barreto de Amaral; Saudades de São Paulo, de LéviStrauss; e Câmara Municipal de São Paulo, de Délio Freire dos Santos e José Eduardo Ramos Rodrigues.
As discrepâncias, contradições, atrasos, progressos e importância de São Paulo não poderiam deixar de ser também contadas em composições musicais. 
É uma história longa. 
Tudo começou quando fui convidado por Wladimir Araújo, editor do extinto D.O. Leitura, para escrever uma reportagem sobre a música feita em homenagem à cidade de São Paulo. 
O D.O. Leitura era uma publicação de estudos brasileiros de circulação mensal, bancada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. 
É bom que se diga que até então, e falamos de 1990, nada havia sido escrito a respeito. 
Na primeira incursão ao passado musical de São Paulo levantei cerca de 200 títulos, entre os quais o samba-canção Ronda, de Paulo Vanzolini, que meio mundo conhece de cor e salteado, e que foi originalmente gravado e lançado em disco pela cantora paulistana Inezita Barroso (1925-2013), em 1953. Procurei mais e achei um LP dos fins de 1960, no qual o seresteiro Sílvio Caldas cantava com sua voz macia pérolas do grande Lauro Miller. Na contracapa, um texto de Guilherme de Almeida, O Príncipe dos Poetas, O Poeta de 32 como era chamado, dava ao disco um valor especial. E não custa lembrar que, anos antes, o mesmo Silvio ganhara em concurso musical, promovido pela Excelsior, hoje CBN, para escolher um hino ao Quarto Centenário. Ganhou com Perfil de São Paulo, do juiz e boêmio barretense Francisco de Assis Bezerra de Menezes (1915-1995). 
 
 
Ainda durante a pesquisa, deparei-me com a canção São São Paulo, de Tom Zé, vencedora do IV Festival da Música Popular, promovido pela Record, cujo prêmio em dinheiro – a título de curiosidade – ele jamais recebeu. 
Mais à frente encontrei Sampa. Pronto, não demorou e fechei as duas páginas para que fui desafiado a preencher. 
Depois disso, achei partituras e notas em periódicos já extintos. 
O Correio Paulistano, por exemplo, edição de 6 de agosto de 1862, noticiou a existência de um álbum intitulado Melodias Paulistanas, formado por 12 peças para canto e piano, do padre Mamede José Gomes da Silva, diretor do Liceu Paulistano e amigo de Antônio Carlos Gomes, autor de um hino aos estudantes de Direito do Largo de São Francisco: À Mocidade Acadêmica, em parceria com o poeta Bittencourt Sampaio. A propósito, não custa acrescentar, que o referido Bittencourt também foi o autor da letra da melodia de Gomes, intitulada Quem sabe. 
Mas, antes de Mamede e Carlos Gomes, houve quem louvasse a inspiradora cidade: os religiosos Calixto e Anchieta Arzão, em Missa a São Paulo, de 1750. 
Em 1823, o músico Bento Maurício Arcade compôs Águas do Anhembi. Hoje constato o crescimento espantoso do meu acervo pessoal no tocante a músicas que tratam especialmente da capital paulista: mais de três mil títulos, já catalogados em ordem alfabética por autor, intérprete e data. E em todos os ritmos, do samba ao xote, forró, tango, canção, valsa, marcha, dobrado, rap e até poemas sinfônicos. 
Ruas, avenidas e viadutos receberam e continuam recebendo a atenção de muitos compositores. 
O Brás e a Mooca são os bairros mais cantados. 
Na letra do Hino Nacional há referência ao riacho do Ipiranga, que mais tarde daria nome ao bairro − lembro isso apenas como curiosidade. Mas há muitas outras curiosidades no repertório musical referente à capital dos paulistas, como o título São Paulo repetido 45 vezes e outro, 13: São Paulo Antigo. O Corinthians é o time mais cantado da cidade: mais de 100 vezes. 
O compositor mais frequente é o baiano Tom Zé, com mais de 30 músicas. E o segundo, o paulista de Valinhos Adoniran Barbosa, com 22. 
Adoniran é o mais rapidamente reconhecido autor de músicas de São Paulo. Entre os títulos que deixou estão Saudosa Maloca, Samba do Bixiga, Trem das Onze, Praça da Sé, Iracema e Tiro ao Álvaro, que a cantora gaúcha Elis Regina gravou em 1978. 
E é claro que há muitos grupos musicais que cantam São Paulo. O mais antigo deles é Demônios da Garoa. 
Foi o Demônios que lançou Saudosa Maloca, por exemplo. 
Não custa lembrar que o grupo Demônios da Garoa é o mais antigo em atividade ininterrupta no mundo. Essa façanha está registrada no Guinness Book. E, curiosidade por curiosidade − e isso poucos sabem −, o Demônios tem LPs lançados em Argentina, Uruguai e França. Esses discos, hoje raríssimos e jamais lançados no Brasil, estão nas prateleiras do meu acervo. 
Até na onda da Bossa Nova o Demônios da Garoa entrou. E no programa Tão Brasil, que apresentei na allTV, o grupo não se fez de rogado e mandou ver no ritmo da Bossa de Tom e João Gilberto. 
Na verdade, poucos são os autores brasileiros de sucesso que não compuseram sobre São Paulo.
 

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (1)

Para Tom Zé, antena viva da musicalidade paulistana.

Jornalistas&Cia e Portal dos Jornalistas encontraram um jeito diferente de homenagear São Paulo neste seu aniversário de 468 anos: em prosa, verso e música. E o autor da façanha é o jornalista, escritor, cordelista, letrista e estudioso da cultura popular brasileira Assis Ângelo, dono de um acervo que contabiliza mais de 210 mil itens, entre discos (dos mais antigos 78 rpm aos CDs, passando pelos de vinil), partituras, livros, esculturas, pinturas, cordéis e tudo o que se pode imaginar de manifestações culturais produzidas no País. 

Assis estudou por quase três décadas as canções que de algum modo exaltam São Paulo, sua gente, seus costumes, seus bairros, suas mazelas, e catalogou nada menos do que 3 mil delas, compostas por centenas de artistas. Tem compartilhado esse estudo e esse conteúdo em exposições, instalações culturais, palestras, entrevistas e resolveu agora compartilhá-lo neste Jornalistas&Cia e no Portal dos Jornalistas, presenteando os leitores com um pouco dessa singela jornada, em que mostra como a música, a poesia e a literatura, de um modo geral, fazem um bem danado para a cidade e sua gente. 

Neste especial, além de contar um pouco dessa jornada, Assis nos brinda com trechos de gravações de históricas entrevistas que fez ao longo de quase 50 468 anos de transpiração e inspiração São Paulo anos de carreira, com alguns dos mais ilustres nomes da cultura popular brasileira, gente que já se foi, como Nelson Gonçalves, Paulo Vanzolini, Silvio Caldas e Zica Bérgami, entre outros, e outros que aqui ainda estão. Esses aceitaram o convite de mostrar o amor e o carinho que têm pela cidade, que ao longo de seus 468 anos, tem conseguido harmonizar as mazelas de uma sociedade desigual com a esperança de um mundo melhor, impedindo que o concreto, o asfalto, a miséria, a violência, as doenças infectem o espírito dos milhões que aqui vivem e que encontram na cultura e na arte um fio de esperança para apaziguar as tensões e os problemas do dia a dia e para elevar a alma e enlevar a mente, na busca de uma vida plena, melhor, mais doce e suave. A edição traz ainda a transcrição da entrevista que ele fez em novembro de 1980 com Adoniran Barbosa, ícone maior da música paulistana. 

Só que Assis, com a autoridade de quem estuda há décadas, com afinco, a cultura popular, tendo São Paulo como seu grande farol, revela: “A cidade de São Paulo não tem um hino oficial. É a única das grandes capitais brasileiras que não tem seu hino. E quero aqui fazer uma conclamação, um desafio: que a Prefeitura e a Câmara Municipal se unam para dar à cidade o hino que ela tanto merece. Seja via concurso público ou mesmo eleição das canções que ganharam os corações e as mentes dos paulistanos”. 

Desafio feito, deixamos agora nossos leitores com esse especial histórico, que mostra São Paulo em prosa, verso e música. 

Eduardo Ribeiro e Wilson Baroncelli

Boa leitura!

A maior e mais importante cidade do Brasil e da América do Sul ainda não tem hino oficial

Mais de 7.500 compositores de várias partes do Brasil, e até do estrangeiro não ficaram indiferentes ao que viram e sentiram sobre a capital paulista. Dos mais famosos, por exemplo, Carlos Gomes, Chiquinha Gonzaga, Cornélio Pires, Ary Barroso, Tom Jobim, João de Barro (Braguinha), Taiguara, Rita Lee, Chico, Gil e Caetano, Luiz Gonzaga, Billy Blanco (autor da Sinfonia Paulistana − 1978), Tião Carreiro, Raul Torres, Teixeirinha, Eduardo Gudin, Carlinhos Vergueiro, Geraldo Filme, Jarbas Mariz e uma citação especial a Elza Soares, que cantou a cidade em várias canções. Certa vez, ali pelos fins dos 1980 e 1990, brincando o rei da embolada Manezinho Araújo soltou para mim uma quadra singular: São Paulo é Paulo/De São Paulo eu vim de lá/Quem não gosta de São Paulo/Do que é que vai gostar?

Lembrando isso, desse encontro com Mané na casa dele, contei ao maestro e ao professor de música da Universidade da Paraíba Jorge Ribbas e ele, de bate-pronto, tomou o mote em desafio e desenvolveu a embolada que abre este texto.

São Paulo é Paulo, de São Paulo eu vim de lá quem não gosta de São Paulo, do que é que vai gostar?

No universo tem estrela, tem planeta não me venha de veneta procurar qualquer lugar

Precisa mesmo achar o seu paraíso de tudo que for preciso você pode desfrutar

São Paulo é Paulo, de São Paulo eu vim de lá quem não gosta de São Paulo, do que é que vai gostar?

Nessa cidade todo mundo se reúne tantas são as competências que você vai encontrar

Eu desafio, meu amigo, minha amiga encontrar outra cidade mais gostosa de morar

São Paulo é Paulo, de são Paulo eu vim de lá quem não gosta de São Paulo, do que é que vai gostar?

Lá tem poeta, cantador e seresteiro tem sambista, jornalista, todo tipo de lidar toda ciência traduz a malemolência paulista ou são paulistano – nortista, do estrangeiro,

Pode vir de outro planeta – que se engraça do lugar

São Paulo é Paulo, de São Paulo eu vim de lá quem não gosta de são Paulo, do que é que vai gostar?

São Paulo é Paulo − Autores: Manezinho Araújo e Jorge Ribbas

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

EU NÃO ESCREVI O LIVRO QUE ELZA SOARES ME PEDIU

Lembro da noite que saí correndo com minha companheira para assistir a um espetáculo a que não punha fé. Fui por ir. Pertinho, ali no bixiga, teatro Sérgio Cardoso. Gente saindo  por todos os cantos. Entramos e encantei-me.


ELZA é um espetáculo sensacional. É um musical narrativo. Conta a história de uma mulher nascida em um favela do Rio de Janeiro em 1930 ou 1937.A personagem diz, no final, que não tem idade. Tem 3 mil anos, tem 30, tem 1. É fantástico!
Idade, pois, não tem tempo. Idade é inteligência, sensibilidade, respeito, carinho, amor, etc.
Pobre, negra, estuprada ainda quando era criança e mãe aos 13 anos de idade. Seu nome: Elza Gomes da Conceição Soares. Com quinze anos perdeu o primeiro filho. Aos 21, ficou viúva.
Essa história , terrivelmente triste, é muito bem contada por Vinícius Calderoni.
ELZA é texto que trata de uma mulher que viveu todos os tempos piores de uma vida. Superou-se. Grandona.Mas até lá, comeu o pão que o Diabo amassou.
ELZA é  espetáculo que enche os nossos olhos de alegria e tristeza, de tristeza e alegria. E de esperança, também. Podemos até perguntar: como essa pessoa conseguiu chegar onde chegou?.
ELZA é um espetáculo incrível. Fala do pobre, fala do gay, fala do bêbado, fala de amor, fala de alegria e prazer.Fala de gente comum.
Fala da vida, fala da morte. Das minorias e maiorias indecisas. Essa ELZA superou-se: negra, pobre, mulher em todos os sentidos que se possa imaginar. Ser humano que entende e respeita o próximo.
ELZA é um espetáculo imperdível, seja qual tempo em que for apresentado.
Em ELZA as artistas que a representam atuam beirando a perfeição. Aquelas sete mulheres no palco....aquele grupo musical formado só por mulheres....alma não tem cor.
Em ELZA há cenas impagáveis, como aquela em que o seu amor maior (Garrincha) lhe desfere um tapa no rosto, como aquela em que ela, ELZA, pede pelo amor de Deus para ele não mais tocar numa garrafa de conhaque, como aquela em que Elza e o seu amor deslizam num trem, ela mostrando para ele a importância da janela do trem.......
ELZA para onde for será imperdível.
Um dia Elza ligou pra mim perguntando se eu poderia escrever um livro sobre ela. À época eu trabalhava na TV globo e a minha vida era uma loucura. Não deu...

São Paulo de todos nós(*)

 O dia 20 de janeiro de 1953 é marco de um evento importante para o cinema brasileiro. Foi nessa data que foi lançado o filme O Cangaceiro, de Lima Barreto. São Paulo é uma cidade incrível, como certamente o é toda cidade grande, megalópole. São Paulo é, em todos os rankings, a quarta maior cidade do mundo. A sua população beira a casa dos 15 milhões de habitantes. Entre esses, nordestinos de todos os nove Estados. Baianos são o maior número de migrantes, seguidos dos cearenses e paraibanos. Certa vez, um governador paraibano, José Maranhão, disse-me que havia em São Paulo, morando, pelo menos 350 mil paraibanos como eu. Perguntei-lhe: “Como você sabe disso?”. Rindo, Maranhão respondeu que dados desse tipo são facilmente encontráveis no site do Tribuna Superior Eleitoral (TSE). A grandiosidade da cidade paulistana tem levado compositores de todos os naipes a expressarem sua opinião e impressão a respeito dessa cidade. Mais de 7,5 milhões de compositores deixaram a sua marca musical em discos. Essa história data do século 19 e chega facilmente ao século 20. E ao 21. Todo mundo sabe, e quem não sabe já é hora de saber: Adoniran Barbosa é a voz poético-musical dessa cidade que encanta e desencanta, que faz bem e que faz mal, dependendo do ponto de vista de cada um de nós. Adoniran, de batismo João Rubinato (1910-1982), compôs quase duas dúzias de músicas em que aparecem São Paulo e logradouros. Há algumas músicas de Adoniran que tratam de São Paulo sem citar São Paulo e logradouros. Exemplo: Saudosa Maloca. Saudosa Maloca é na origem um samba, que trata de três pobres- -diabos: o narrador e seus companheiros, Mato Grosso e Joca. É assim: São Paulo de todos nós(*) Se o senhor não tá lembrado Da licença de contar Que aqui onde agora está Esse edifício alto Era uma casa velha um palacete assobradado Foi aqui seu moço Que eu, Mato Grosso e o Joca Construímos nossa maloca Mais um dia nem quero me lembrar Veio os homens com as ferramentas O dono mando derrubá Peguemo’ toda’ nossas coisas E fumos pro meio da rua Apreciar a demolição Que tristeza que eu sentia Cada táuba que caia Doía no coração Mato Grosso quis gritar Mas em cima eu falei Os homens está ‘cá razão Nós arranja outro lugar Só se conformemos quando o Joca falou “Deus dá o frio conforme o cobertor” E hoje nós pega a paia nas grama do jardim E pra esquecer nós cantemos assim: Saudosa maloca, maloca querida Que din donde nós passemos dias feliz de nossa vida Saudosa maloca, maloca querida Que din donde nós passemos dias feliz de nossa vida Saudosa maloca, maloca querida Que din donde nós passemos dias feliz de nossa vida Saudosa maloca, maloca querida Meu amigo, minha amiga, você sabia que Saudosa Maloca, no original, intitulava-se Saudade da Maloca? Sob esse título, a letra de Adoninan foi gravada por ele mesmo no dia 27 de julho de 1951. Gravadora: Continental. A gravação de Adoniran não chamou a atenção de ninguém. Em fevereiro de 1955, porém, ao ser gravada pelo grupo Demônios da Garoa, ganhou uma repercussão incrível. Nesse mesmo ano, 1955, Saudosa Maloca recebeu uma versão em ritmo de tango pelo acordeonista Hortênsio. Até a cantora Marlene, à época a preferida dos militares do Exército, como era da Marinha a cantora Emilinha Borba, gravou a música de Adoniran. Não fez sucesso, mas ficou o registro. Muita coisa ainda há pra se falar sobre São Paulo e sua música e Adoniran Barbosa. E Demônios da Garoa. A primeira gravação do grupo apareceu em 1949, num disco de 78 rpm de Mário Zan. Mera participação. Título: Sanfoneiro Folgado, que sairia logo depois num compacto duplo de 45 rpm. A história é longa, de anjos e demônios da cidade de São Paulo, e está no livro Pascalingundum. No filme O Cangaceiro, Adoniran Barbosa aparece como ator, interpretando uma figurinha chamada Mané Mole. É isso. Segunda-feira, 24/1, este J&Cia apresentará uma reportagem que fiz para vocês. Espero que gostem. (*) Ouça! Adoniran Barbosa no filme O Cangaceiro

Especial de J&Cia em homenagem a Sampa circulará na segunda-feira (24/1)

Ele vai mostrar a cidade em prosa, verso e música, sob a batuta de Assis Ângelo

 São Paulo completará na próxima terça-feira (25/1) 468 anos de vida, uma jornada que começou com a primeira missa, de Nóbrega e Anchieta, lá em 1554, quando foi singelamente batizada de Vila de Piratininga e que nunca mais parou. Ao contrário, nunca mais parou de crescer. E tantas e tantas foram as transformações humanas, geográficas, climáticas, que ela virou tema candente e prioritário para centenas de compositores e escritores de todo o País, que a cantaram, exaltaram, criticaram, mas por ela não passaram indiferentes. u É para celebrar a cidade, seus artistas nativos e importados, seus autores, seus jornalistas e profissionais de comunicação que J&Cia convidou o paraibano Assis Ângelo a cantá-la em prosa, verso e música, com o mesmo carinho que a ela dedicou desde que aqui chegou, nos idos de 1970, e com a abundante memória e acervo que amealhou nesse período sobre a cultura popular da cidade. u Não houve artista importante entre os anos de 1970 e 2020 que Assis não tenha entrevistado, conversado, frequentado, feito parcerias. u Não à toa, ao lado dele, desfilarão neste especial figuras maiúsculas de nossa cultura, como Adoniran Barbosa, Demônios da Garoa, Tom Zé, Júlio Medaglia, Téo Azevedo, Billy Blanco, Paulo Vanzolini, Zica Bérgami, Roberto Luna, Mário Zan, os irmãos Paulo e Jean Garfunkel. Isso para citar apenas alguns dos nomes que cantaram e exaltaram São Paulo e que estão catalogados em mais de três mil composições do Instituto Memória Brasil, criado pelo próprio Assis, que reúne mais de 210 mil itens, entre discos, partituras, quadros, esculturas, livros, cordéis, incluindo muita coisa inédita. u Nosso presente à cidade de São Paulo circulará no dia 24, segunda-feira próxima. O fechamento comercial é nesta sexta- -feira (21/1). Outras informações com Silvio Ribeiro, pelo e-mail silvio@jornalistasecia. com.br ou whats 19-97120-6693.


http://jornalistasecia.com.br/edicoes/jornalistasecia1342.pdf

sábado, 15 de janeiro de 2022

NÊUMANNE ENTREVISTA O BAIANO CARLOS SÍLVIO

 A vida é de uma grandiosidade inexplicável. Insuperável é a vida nos momentos todos que ela nos oferece.

A vida é vida.

Bobos são aqueles que acham-se acima da vida.

Há muita gente boa nessa vida, meu Deus do ceu!

O poeta Thiago de Mello partiu ontem 14 para a eternidade.

Thiago de Mello, pai de Manduca, entendeu tão bem a vida que, na vida, estendeu-se até os 95 anos. De idade.

A vida é vida.

Qualquer filósofo de esquina, popular, dirá que vida é vida.

O colega jornalista José Nêumanne, paraibano que nem eu, vive e inventa vidas e vidas.

O Nêumanne é tão grande que nem precisa falar de vida...

Meus amigos, minhas amigas, acompanhem a entrevista que Nêumanne faz com o bom baiano Carlos Sílvio: https://www.youtube.com/user/jneumanne (canal do Nêumanne).

Para tristeza de quem pensa, para tristeza d e quem gosta da vida...

É inacreditável a notícia de quem o poeta amazonense que o  poeta Thiago de Mello morreu. Mentira!

Thiago de Mello não morreu. Não é verdade, Nêumanne?


É tempo de Folia de Reis

 

Para marcar este período do ano, em que muitas regiões do País festejam a Folia de Reis, Assis Ângelo conversou com o octogenário mineiro Carlos Felipe Horta, jornalista, historiador, folclorista, grande conhecedor de música, seresteiro e escritor. É autor, entre outros, de Téo Azevedo, um poeta cantador, Alegria, alegria: as mais belas canções de nossa infância, Minas ao luar: canções, Quilombolas de Minas Gerais − Uma metodologia de resgate de identidades e O grande livro do folclore. Assis Ângelo − Na cultura popular o que mais se destaca? Carlos Felipe Horta − A cultura popular é uma colcha de retalhos, cada um deles com um formato, um colorido e modos diferentes de existir. Há as crenças populares, a religiosidade, a música, a literatura do povo, o artesanato, os folguedos e danças, a medicina, o conhecimento das plantas, a visão do sobrenatural, a consciência da vida e a perspectiva do que virá depois; tudo isso e muito mais está dentro da cultura popular. Nela, cada agente, uma pessoa comum, tem um universo dentro dele, resultado de séculos de aprendizado e acumulação de conhecimentos. Geração após geração, tudo vai se incorporando num HD milagroso e fantástico. E ele, o agente, mesmo que não saiba a razão, é e será sempre o conservador e guardador do que lhe deram e que ele vai transmitir para os que vierem depois dele. Mesmo sem uma noção consciente do que está fazendo. E nisso não há este ou aquele fator mais importante. A cultura popular é um todo. Assis − Quais os estados que mais praticam e alimentam a cultura popular? Horta − Evidente que não conhecemos tudo o que gostaríamos de conhecer sobre o Brasil e sua relação com o folclore e a cultura popular. Mesmo assim, arriscamos dizer que o povo brasileiro, como um todo, pratica e alimenta a sua cultura mais intrínseca. Mesmo com a falta de apoio de órgãos oficiais e, mais ainda, de setores econômicos, publicidade e até de entidades que, embora integrem setores culturais, não conseguem vislumbrar a importância do folclore como uma legítima representatividade de alma popular. Mais ainda: estamos assistindo a um verdadeiro genocídio por parte de grupos que tentam dar ao folclore um sentido diabólico. Com tudo isso, repetimos, o Brasil inteiro pratica e É tempo de Folia de Reis Carlos Felipe Horta alimenta a cultura popular. Com um detalhe importante. Há muitos brasis no Brasil, cada um deles mantendo aspectos próprios, frutos de sua formação étnica, sua história, sua economia e até sua geologia. Como querer que o habitante da Amazônia tenha a mesma cultura do paulistano, do mineiro, gaúcho e nordestino? Em um mesmo estado encontramos diversidades e aspectos regionais completamente diferentes. Isto, talvez, seja a coisa mais importante da cultura popular brasileira. Ela é rica demais e, mesmo enfrentando os problemas naturais das transformações socioeconômicas, políticas e históricas, consegue dar ao Brasil algo que poucos outros países possuem: uma multiplicidade cultural numa unidade nacional. Assis − Como se guarda a Folia de Reis no Brasil? Horta − O povo guarda. Mesmo com todas as dificuldades, enfrentando as mudanças sociais e políticas, as folias resistem. É o caso de Minas Gerais, onde pesquisa feita pelo IEPHA/MG constatou a existência de mais de quatro mil grupos de folia. Evidente que a pandemia, com todas as suas consequências, deve estar provocando a morte de algumas delas, mas, como aprendemos ao longo de décadas de vivência no meio da cultura popular, elas vão resistir. Assis − Qual a importância da Folia de Reis na cultura brasileira? Horta − A Folia de Reis tem seus segredos e mistérios e um deles é ser mais presente no meio do povo simples. Para este povo, mesmo que de modo inconsciente, ela faz parte de sua vida. E eu me lembro muito bem de um tio meu, na velha Santa Cruz das Areias, minha terra, hoje Fortaleza de Minas. Mais velho, ele tinha reumatismo e problemas de locomoção. Mas quando chegava o Natal, ele ia para a rua com a sua folia e dançava até o dia 6 de janeiro. Coisa milagrosa mesmo. Se ele não dançasse, a vida perdia o sentido. Ele me ensinou muitas cantigas e rezas e sempre dizia: “A folia é a alegria de todos nós”. Talvez seja esta a explicação mais clara do que é a folia. É alegria do povo. Como outros folguedos, claro, mas a própria palavra “folia” já diz praticamente tudo.

Repentismo e cordel são patrimônios da cultura imaterial

O ano de 2021 terminou com a poesia de improviso ao som de viola e a literatura de cordel definidos e chancelados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônios da cultura imaterial do Brasil. Os repentistas, como são chamados os improvisadores de poesia à viola, e cordelistas consideram isso uma grande vitória. Fazia tempo que esses profissionais aguardavam com ansiedade tal decisão do Iphan. O repentismo, como o cordelismo, são heranças distantes, trazidas pelos portugueses para o Brasil. Em Cinco livros do povo, o autor, Luís da Câmara Cascudo (1898-1982), encontra- -se a informação de que a poesia de improviso feita ao som de viola data de tempos de antanho, surgida num ponto qualquer do Oriente Médio. Antes de enraizar-se em Portugal, esse tipo de arte popular ganhou firmeza em Provença (França). A literatura de cordel pode ter surgido na Espanha. O romance Donzela Teodora ganhou forma impressa no começo de 1700. A donzela, na origem, era uma personagem negra vendida como escrava em Tunis. Sua história chegou ao Brasil por volta de 1815. A propósito, a primeira versão dessa história foi feita pelo paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918). A poesia ao som de viola ganhou raízes brasileiras em Teixeira, interior da Paraíba. A história é longa e muito bonita.

 LEIA MAIS: http://assisangelo.blogspot.com/2017/02/uma-breve- -historia-do-cordel.html http://assisangelo.blogspot.com/2020/12/hoje-tem-live-com--mocinha-e-minervinha.html http://assisangelo.blogspot.com/2020/09/vamos-falar-de-repente. html http://assisangelo.blogspot.com/2020/10/nordeste-de-eruditos-e- -populares.html http://assisangelo.blogspot.com/2017/03/a-mulher-na-literatura- -de-cordel.html http://assisangelo.blogspot.com/2021/06/folheto-em-prosa-e- -verso.html


sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

2021 NUNCA MAIS!

Finalmente o ano de 2021 vai-se embora. Já era tempo!
Como 2020, 2021 deixa um rastro de tristeza e morte.
Que 2022 nos traga saúde e felicidade.

ONALDO QUEIROGA, UM CIDADÃO DE RESPEITO!

O ano de 2021 está findando aos trancos e barrancos, deixando um rastro de tristeza e dor. Muita gente morreu, milhões. Só no Brasil, vitimadas pela Covid-19, os números bateram a casa dos 600 mil. Um horror.
Enquanto isso, o povo e o país continuam abandonados pelo Governo, que só pensa nele próprio. Pena.
Pra falar a respeito dessas coisas, puxei conversa com o juiz de Direito paraibano Onaldo Rocha de Queiroga, 55 anos, que está se recuperando da Covid.
Onaldo é de uma família ligada às leis.
Onaldo, cidadão apaixonado pela cultura popular, é o titular da 5ª Vara Cível da Comarca de João Pessoa e juiz auxiliar da presidência do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba.
Dentre seus inúmeros afazeres como juiz, Onaldo Queiroga é autor de uma dúzia de livros. Incluindo os que trazem questões do mundo jurídico, como Desjudicialização dos Litígios.
Cronista de boa cepa, nos jornais da sua terra, Onaldo Queiroga tem publicados livros como Por Amor ao Forró (biografia do músico Pinto do Acordeon; 1948-2020), Veredas do Eu, Baião em Crônicas e Riacho da Vida.
Antenadíssimo, Onaldo considera que o Brasil anda numa encruzilhada. Acha que o Brasil e o mundo estão doentes, mas pra tudo tem cura.
Acompanhe-nos nas perguntas e respostas pra lá de objetivas.
Ah! Ia me esquecendo: nas poucas horas que lhe sobram, Onaldo diverte-se compondo músicas. Clique: ONDE ESTÁ MEU SABIÁ

ASSIS: Você é de uma família de juristas. As leis estão na sua mão e memória. Qual a principal injustiça contra o Nordeste e o seu povo?

ONALDO: O preconceito. Historicamente há no âmago da sociedade brasileira uma intensa discriminação em relação aos nordestinos. Não é de hoje que inoportunamente e injustificavelmente o Nordeste e o nordestino sofrem ataques de ódio. Atualmente, pelas redes sociais, alguns desavisados e pobres de espírito, manifestam preconceitos, sem saber da capacidade e competência desse povo chamado Nordeste.

ASSIS: O Brasil está doente? Que doença ou doenças o Brasil é vítima?

ONALDO: Não só o Brasil encontra-se doente, mas o mundo inteiro. E não é de hoje. Posso enumerar algumas dessas doenças: Ausência de uma boa educação, de saneamento básico, o desequilíbrio de renda gerando pobreza, fome e tudo decorrente de uma chaga maior, a corrupção. Somos muitos Brasis dentro de um só Brasil. Uma diversidade imensa geográfica, de cultura, de costumes etc. Mas a corrupção afeta gravemente esse país.

ASSIS: O Brasil tem cura?

ONALDO: Tudo tem cura. Evidentemente que toda mudança passa imprescindivelmente pela mudança do próprio homem. Enquanto o homem não mudar, será difícil alcançar mudanças significativas em termos de uma sociedade mais igualitária.


ASSIS:
Há pelo menos 20 milhões de brasileiros passando fome. Isso pode se resolver com distribuição de renda e governo democrático?

ONALDO: A gestão governamental tem muita importância para sanear as dificuldades que atormentam o brasileiro. Mas a corrupção emerge como um fator nefasto, embrenhado na essência humana e que deve ser cada vez mais combatida, pois só assim, alcançaremos dias onde teremos uma melhor distribuição de renda e uma sociedade mais igualitária.

ASSIS: Numa frase, defina: No radicalismo da esquerda e direita há solução para o povo?

ONALDO: Com radicalismo ninguém chega a lugar nenhum, é preciso diálogo, fé e amor.

ASSIS: Voltando: o Brasil está doente e o mundo também. O mundo todo continua sofrendo da violencia do novo Coronavírus/Covid-19. Você pegou essa peste e conseguiu sair dela. Como foi isso, ou, como está sendo o processo de recuperação?

ONALDO: Resumir a travessia onde venci a COVID-19 é algo difícil diante do longo e doloroso trajeto percorrido, tanto é que resolvi escrever um livro. Permaneci 26 dias, intubado, contudo, após ser extubado, levei uns dez dias para acordar. Durante esse período em que estive desacordado, de nada me lembro. Ao acordar na UTI, confesso que de início imaginei que havia morrido, que estava em um Hospital Espiritual, do outro lado da vida. Sem poder falar, com uma traqueostomia, olhei para todos os lados, só vi camas, pacientes e enfermeiros. Agitei-me. O médico com calma, falou-me tudo que havia ocorrido. Foram dias difíceis. Muitas alucinações, 22 dias com a traqueostomia, duas sondas nasais e uma luta incessante e feroz para debelar dois fungos que se alojaram nos meus pulmões. Após 60 dias veio a alta hospitalar. Até hoje, com diversas sequelas, encontro-me, ainda, em reabilitação. Deus, com sua misericórdia infinita me permitiu viver e aqui estou eu para contar a história, a história de um milagre.

ASSIS: Enfim, na sua visão, como foi 2021, na economia, na política, na saúde...?

ONALDO: Ainda estamos atravessando a pandemia. O homem luta contra um inimigo poderoso e invisível, com efeitos, mutações e sequelas inimagináveis. A Covid-19 afetou nossa saúde em todos os sentidos e causou graves problemas na economia. A política, essa parece difícil de ser abalada. A falta de diálogo e convergência política atrapalhou e atrapalha o Brasil e o mundo. Mas se a devastadora COVID-19 nos fez aprender a usar máscaras, portar e utilizar álcool gel, todavia, as dores desse vírus parece que ainda não amoleceu o coração de muitos seres humanos.

ASSIS: Ah! Sim: você é juiz de direito e gosta profundamente da cultura popular. Como o forró entrou na sua vida?

ONALDO: Olha realmente o meu encontro com o forró e Gonzagão deu-se na minha terra natal, Pombal. Eu ouvia através do som do Lorde Amplicador, um sistema de difusoras que havia em minha terra as músicas de seu Luiz. Como diz João Cláudio Moreno, aquela voz invadiu minha alma e nunca mais me deixou. O Forró é retrato do Sertão e do Nordeste. 

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

J&CIA PREMIA OS MELHORES JORNALISTAS (7)

Caricatura de Jorge Moraes feita por Cláudio
 JORGE MORAES
“É necessário fincar raízes na sua terra”

“Eu sou de um lugar de muitas histórias”, começou de modo bem humorado o jornalista pernambucano Jorge Moraes, pelo telefone.
Jorge, filho de seu Jaime, um ex-sapateiro e taxista; e de dona Clélia, uma professora aposentada, nasceu em Recife há 51 anos.
É irmão de Jaime Jr e Luiz Moraes.
Estudou em colégio público e formou-se em Jornalismo em 1994. Formado, não encontrou muitas dificuldades para iniciar carreira no Diário de Pernambuco, PE.
Conversa vai, conversa vem, descobri que Jorge Morais é um cara de bom papo e muito sabido.
Disse Jorge que quem desconhece a história da sua terra tem muita chance de errar na vida. Lembrou a máxima do poeta português Fernando Pessoa (1888-1935), segundo a qual “a minha aldeia é tão grande como outra qualquer”.
Nessa mesma linha recorda que Pessoa dizia que: “eu sou do tamanho do que vejo/e não do tamanho da minha altura”.
Como todo ou quase todo nordestino, Jorge conhece o Nordeste e o Brasil como a palma da mão.
A palma da mão é o mapa da memória.
É bom que se diga que pela cabeça desse jornalista nunca passou a ideia de trocar a sua aldeia por outra. Mais uma vez, aqui, ele lembra que é necessário fincar raízes na sua terra.
O poeta cearense Patativa do Assaré (1909-2002) pensava a mesma coisa, tanto que dizia que aquele que abandona seu lugar é um desnaturalizado.
Não custa repetir: a Jorge nunca faltou a chance de morar e trabalhar em São Paulo, ou em outra cidade que quisesse.
Pernambuco é uma terra de muitas lutas.
Em 1817, entrou para a história a Guerra Pernambucana. Essa guerra, que durou pouco tempo, teve por objetivo separar-se do domínio português. Foi em consequência dela que Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, o Caneca, foi fuzilado aos 46 anos de idade. Virou herói, como viraram heróis Domingos José Martins (1781-1817) e Bárbara Pereira de Alencar (1760-1832).
Bárbara, que veio a ser avó do escritor cearense José de Alencar (1829-1877), foi mentora da confederação do Equador. Perseguida pelas forças imperiais, morreu no Piauí.
História incrível!
Antes, em 1648, também entrou para a história a Guerra do Guararapes. Essa guerra envolveu pretos, índios e portugueses. O propósito era expulsar de Pernambuco os holandeses.
Isso tudo sabe e lembra com detalhes Jorge Moraes. Inspirado no seu conterrâneo Cícero Dias (1907-2003), diz: “Eu vi o mundo e ele começava no Recife”.
Jorge, que este anos foi reconhecido como o segundo profissional +Admirado da Imprensa Automotiva, além de +Admirado Influenciador Digital e titular do +Admirado Programa de Áudio/Rádio, fala da importância dos fatos marcantes da história: “Chega a ser emocionante visitar o Morro dos Guararapes. É como se voltássemos ao tempo”.
Ligado na história passada e na história presente, Jorge Moraes não está vendo com bons olhos o andamento da política nacional. Na sua visão há muita confusão, muitas indefinições e isso quem paga o pato é o cidadão comum, o analfabeto, o semianalfabeto, o desempregado.
Pra Jorge, um só mandato de 5 anos “seria o suficiente para um presidente implantar suas ideias de governo. No máximo, 2 mandatos de 4 anos, como nos EUA”.
Dessa forma pensando, Jorge Moraes diz temer que Lula volte a ganhar mais uma eleição. Seria inadequado: “O poder deve ser alternado. Isso é Democracia”.
O governo Bolsonaro é uma droga, é uma surpresa malévola.
O Brasil perde com Bolsonaro.
Os +Admirados da Imprensa Automotiva são os prêmios que Jorge mais destaca na sua carreira gloriosa de jornalista do setor automobilístico.
No decorrer de quase 30 anos de atividade profissional, Jorge tem provocado grandes e radicais mudanças na imprensa especializada em tudo referente a automóveis. Começou refazendo textos que recebia de agências noticiosas de São Paulo, por exemplo. Logo começou a chamar a atenção dos diretores do jornal, pela forma como noticiava os eventos relacionados a área automotiva.
Dali em diante, passou a responsabilizar-se pelo caderno de automóveis do Diário. É praticamente impossível Jorge não se fazer presente em todos os grandes eventos sobre a indústria automotiva, no Brasil ou no Exterior. Em novembro deste ano, ele esteve entre os 4 jornalistas especializados na indústria automotiva cobrindo evento nos EUA. Pois é: hoje Jorge pode estar no Sul, no Sudeste ou no Nordeste brasileiros.
Dentre tantas coisas que já fez no jornalismo, ele destaca dois furos. Primeiro:
Anunciou que o Polo Automotivo Jeep seria instalado em Pernambuco. Também anunciou em primeira mão que o pólo não seria mais instalado no Complexo Portuário de Suape, como era esperado, e sim na Zona da Mata Norte, na cidade de Goiana, ali entre Pernambuco e Paraíba.
Isso, em 2010/2011, mexeu muito com o mercado.
Segundo: A morte do empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade (1943-2021), criador da CAOA, foi anunciada em 1ª mão por Jorge. “Carlos Alberto morreu dois dias depois de eu ter falado com ele no hospital”, conta.
Preocupado com tudo que ocorre no setor que tão bem cobre, o Automotivo, diz que a boa notícia que gostaria de dar aos seus leitores é: “A gasolina está tabelada em 5 reais”.
Jorge Moraes é casado com a advogada Flávia, e com ela tem dois filhos.

JORGE MORAES AGRADECE:

“Para mim é motivo de muito orgulho receber todos esses reconhecimentos. É difícil falar quando a alegria toma conta de você, mas eu queria aproveitar este momento para dedicar esses prêmios a duas saudades que nós, enquanto profissionais, vamos ter que superar, que foram as partidas dos meus amigos Daniel e Henrique. Eu sei o quanto eles respeitavam o meu trabalho. É muito gratificante ter nosso trabalho reconhecido. Quando você sai de casa para fazer o bem, para gerar empatia, quando você se blinda contra o mal, você conquista as pessoas de forma gratuita e eu acho que é essa gratuidade que é o segredo do sucesso.

Com esse prêmio, vocês, do J&Cia Auto, reconhecem o bom trabalho do jornalista e do jornalismo. Admirar é, antes de mais nada, respeitar, e esse trabalho que vocês fazem é de respeitar a profissão.
Em um ano pandêmico, como está sendo 2021, estou me sentindo como o Steven Spielberg, com a estante toda cheia de troféus por causa de vocês.”


quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

J&CIA PREMIA OS MELHORES JORNALISTAS (6)

Caricatura de Zeca Chaves feita por Cláudio
ZECA CHAVES
“O que mais tenho feito na vida é ‘entrevistar’ carros"

Natural da periferia paulistana, Zeca Chaves é um cara de fácil conversa. Facílima. E fala, fala, fala, como se de tudo soubesse. E parece que sabe, mesmo. Pelo menos na parte que lhe toca, a profissional de jornalista especializado em carros e peças e que tais. Gosta do que é bom e doce, como se diz lá no Nordeste. Lê bons livros, vê bons filmes e ouve boas músicas.
No campo da literatura os destaques que Zeca faz são, especialmente, as biografias. Leu e gostou de Sir Richard Francis Burton, de Edward Rice (1918-2001); Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago (1922-2010); Moby Dick, de Herman Melville (1819-1891) e A Vida Como Ela É, do pernambucano Nelson Rodrigues (1912-1980).
Zeca não se acanha nem um pouco de dizer que o melhor filme que viu até hoje foi O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola.
Os cantores e cantoras de que mais aprecia são Chico e Caetano, a norte-americana Ella Fitzgerald (1917-1996) e a francesa Edith Piaf (1915-1963). “La Vie En Rose é a música que me liga à mulher da minha vida e meu grande amor, minha esposa Cristiane, pois ela toca a todo momento quando estamos juntos”, revela.
Zeca Chaves sempre quis fazer Jornalismo. E fez e faz. No começo não sabia bem por onde começar. Fechou matrícula no 2º ano de faculdade, pôs uma mochila nas costas e foi bater perna na Europa. Começou pela Inglaterra, seguiu até a França, parou na Itália. Andou mais um pouco e voltou ao Brasil liso, sem um puto no bolso. Bateu à porta da Folha e foi atendido por Eduardo Viotti, da editoria de Esportes, que lhe propôs fazer um freela. Topou.
Depois desse freela proposto por Viotti, Zeca foi cobrir férias no caderno Veículo, da mesma Folha. E foi aí que tomou gosto pelo setor automobilístico. Não demorou e foi convidado pra um emprego na editora Abril e de cara abriu-se pra ele um bom espaço na revista Quatro Rodas.
A revista Quatro Rodas foi pioneira na cobertura de eventos provocados pela indústria de automóveis.
O seu chefe e grande mentor nessa revista foi Sérgio Berezovsky.
Tudo quanto é evento relacionado a indústria automobilística no Brasil e mundo afora, lá está o nosso herói da periferia de Sampa fazendo bonito.
Parodiando um velho comercial, não custa dizer que a primeira cobertura internacional, ninguém esquece: “Fui cobrir o Salão de Detroit, numa cidade feia, num frio do cão, mas que foi um deslumbre tecnológico para mim na época, talvez em 1994”, lembra Zeca, filho de seu José Maria e de dona Albina Naida.
Muita coisa aconteceu, desde então.
Brincando, Zeca Chaves conta que o que mais tem feito na vida é “entrevistar” carros.
A propósito, um novo tipo de carro está chegando à praça. São os elétricos. Vários países, como a Inglaterra, já têm até data marcada para tirar do mercado os veículos movidos à gasolina, óleo e tal. No Brasil, porém, essa data ainda não existe. Será uma revolução e o mundo pode, com isso, até melhorar. E as pessoas, hein?
Fazendo graça, e ao mesmo tempo em tom filosófico, Zeca diz que “o ser humano é egoísta por definição, mas é capaz de gestos inesperadamente generosos”.
O número de humanos no mundo, segundo dados da ONU, gira em torno de 7,5 bilhões.
O número de automóveis no mundo é, segundo estimativas da indústria, 1,4 bilhão.
Em São Paulo, o número de automóveis é da ordem de 19 milhões, para uma população de 45 milhões de pessoas.
A indústria cresce e se diversifica a cada dia, no mundo todo. Além do carro elétrico, outras novidades poderão ocorrer. Mesmo assim, há muitas dúvidas no ar. Zeca: “A indústria automotiva é uma indústria historicamente charmosa, empolgante, envolvente e inovadora, mas que hoje está numa encruzilhada”, entende.
Para Zeca essa indústria não sabe qual será seu futuro ou mesmo se vai ter um futuro: “Ela vive a maior revolução da sua história, parecida com aquela quando trocamos as carruagens pelos automóveis”, acrescenta.
Mas o carro não vai voar, como sugere aquela série americana, Os Jetsons.
Nesses anos todos desde que concluiu o curso de Jornalismo, na USP, e depois de entrevistar carros e pessoas, Zeca Chaves lembra que a reportagem que mais o marcou foi decorrente de uma expedição que cruzou a selva em rodovia de lama, em 1994 ou 1995 na Folha. Foi quando atravessou quase 4.000 km da Amazônia pela Cuiabá (MT) - Santarém (PA): “Naquela ocasião, tive a oportunidade de conhecer e conviver com as pessoas do Brasil real ao mesmo tempo que enfrentamos essa aventura em 14 veículos diferentes”, recorda.
Preocupado com o destino dos brasileiros, os mais humildes principalmente, Zeca Chaves diz que a boa notícia que gostaria de dar em letras maiúsculas é: "Acabou a injustiça social no Brasil".
Torcedor do São Paulo Futebol Clube, José Carlos Chaves de Souza nasceu no dia 13 de junho de 1970 e tem dois filhos: Vítor e Sofia. Vítor faz Geologia na USP e Sofia Biologia na Federal de Uberlândia, MG.
Vítor e Sofia são frutos do relacionamento que teve com uma jornalista de nome Renata. “A minha antiga companheira se dá muito bem com Cristiane, minha atual esposa”, concluiu.

ZECA CHAVES AGRADECE:

"Além dos tradicionais agradecimentos, quero dar os parabéns a duas entidades. Uma são os jornalistas do setor que, independentemente se foram finalistas, se entraram na lista, todos, em tempos de pandemia, de fake news e de pós-verdade, têm sido mais do que importantes, têm sido
necessários para a sociedade. 

A outra é o J&Cia Auto. Mais do que um prêmio que vocês organizam, vocês organizam um momento em que todos nós olhamos para os colegas. Olhamos para o trabalho que o colega ao lado está fazendo. É um momento de reflexão, um momento para avaliar a qualidade desses jornalistas e a gente tem  percebido que têm muita qualidade. Nessa correria é muito importante ter vocês, que chegam pra gente
e falam: 'Olha, vamos dar uma parada para avaliar, porque vocês merecem'".

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