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sexta-feira, 24 de junho de 2022
JOGANDO CONVERSA FORA
quinta-feira, 23 de junho de 2022
ADEUS PAULO DINIZ!
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| Paulo Diniz e Jarbas Mariz, em 1982 |
quarta-feira, 22 de junho de 2022
FOME NO BRASIL. ATÉ QUANDO?
Repórter da Globo faz entrevistada chorar e também se emociona.
— Metrópoles (@Metropoles) June 21, 2022
Dona Janete desabafou sobre a fome ao ser abordada pela jornalista Lívia Torres durante o telejornal local RJ1.
Leia: https://t.co/JulKVLLxPP pic.twitter.com/NyXbiMsEjr
CORRUPÇÃO
terça-feira, 21 de junho de 2022
ENFIM, UM CANDIDATO CONTRA O SISTEMA
Se continuar falando no ritmo em que falou hoje à CBN Ciro, certamente, vai tirar muitos pontos ora favoráveis a Lula. Pode ter racha. E pode também, quem sabe, levá-lo a cadeira de Presidente. E pelo andar da carruagem, Lula e Bolsonaro não participarão de debates de rádio e TV e aí será para Ciro uma festa. Aguardemos os próximos capítulos.
domingo, 19 de junho de 2022
VIVA CHICO!
O mundo tá cheio de Chico
É Chico que vai e Chico que vem
Todo mundo quer ser Chico
Você quer ser Chico também?
Todo Chico é Francisco
Todo Francisco é Chico
Neste mundo de mentiras
E de muito fuxico
Mas é muito bom ser Chico
Tem Chico papa, Chico santo
Tem Chico aqui e acolá
Tem Chico em todo canto
Tem Chico no Pará, Piauí
Em Nova York e Belém
E até na Conchinchina
Se brincar tem Chico também
Ah!, toda mulher quer um Chico
Pra fazer judiação
Um Chico logo disse: Eu, hein? Mulher com Chico não.
sábado, 18 de junho de 2022
A MELHOR FESTA DE SÃO JOÃO É AINDA NO BRASIL
Meu amigo, minha amiga: você sabe quais são as origens da fogueira e da consequente festa de São João?
Isabel era prima de Maria.
Isabel e Maria nasceram nas bandas de Israel, Jerusalém e tal.
Isabel tinha uns 60 anos ou mais. Era estéril.
Maria foi a escolhida para ser a mãe do filho de Deus, Jesus. Era casada e já tinha filhos, mas um belo dia, o anjo Gabriel bateu a sua porta dizendo que por obra e graça do Espírito Santo ela seria a mãe daquele que morreria crucificado por nós.
Isabel era prima de Maria, que foi a mãe de Jesus.
Antes de ser mãe de Jesus, Maria recebeu de Isabel a dica de que ao nascer o filho João Batista ascenderia uma fogueira para avisá-la do sucedido. E assim foi feito. De um dia para o outro, João nasceu e com ele, por obra da mãe Isabel, a fogueira.
João era filho de Isabel e Zacarias, um sacerdote.
O tempo passou e a fogueira virou símbolo dos festejos joaninos, de João. Ou juninos, de junho.
E são três os santos que ornam a festa junina: Antônio, João e Pedro. Esquecido, há São Paulo. Pouca gente sabe, mas o dia de São Pedro é também o dia de São Paulo, 29 de junho.
Antônio nasceu em Lisboa, mas é conhecido como Santo Antônio de Pádua.
João nasceu ali pela terra prometida. Morreu decapitado, para satisfazer o desejo de Salomé. Quer dizer, perdeu a cabeça à toa.
Pedro foi o primeiro Papa da Igreja e tal. Antes, negou conhecer Jesus. Arrependeu-se. Preso pela soldadesca romana, pediu para ser crucificado de cabeça pra baixo.
Pois é, e Paulo?
Paulo foi um famoso perseguidor de judeus. Era militar. Um dia, a caminho de Damasco, ficou cego. Um clarão fortíssimo o cegou. Desde então, converteu-se ao Cristianismo. Morreu decapitado.
A tradição junina tem origens pagãs e chegou ao Brasil no século 19, por iniciativa dos colonizadores portugueses. Mas era sem graça.
A festa junina ganhou forma, mesmo, com a introdução da quadrilha.
A quadrilha tem origens da França, de Bonaparte.
Dizem que Bonaparte não gostava da dança da quadrilha.
Em lugar nenhum do mundo a festa junina ganhou tanto brilho e beleza como no Brasil. A ver com Assis Valente, Luiz Gonzaga e tantos e tantos mais: Bidu Saião, Chico Alves, Pedro Raymundo, Jackson do Pandeiro, Manezinho Araújo… Mas agora estão acabando com essa bela festa. E por não ter o que fazer, por não ter muito o que fazer, escrevi essa coisinha:
O céu fica enfeitado
Nas noites de São João
E alegre o povo dança
Nos forrós lá do Sertão
Embalado pelo som
De Luiz, rei do Baião
É uma festa bonita
A festa de São João
Tem pipoca e pau de sebo
Arrasta-pé e rojão
E a dança da quadrilha
No terreiro ou no salão
Tem de tudo nessa festa
Tem fogueira e tem quentão
Tem comadre e tem compadre
Arrastando os pés no chão
E todo mundo gritando:
Viva o Senhor São João!
É isso. Clique:
LEIA MAIS: O FIM DAS TRADIÇÕES JUNINAS • ESTÃO ACABANDO COM SÃO JOÃO
Foto e reproduções por Flor Maria e Anna da Hora
sexta-feira, 17 de junho de 2022
É BOM ABRIR A PORTA PARA AMIGOS
quarta-feira, 15 de junho de 2022
SEMPRE É TEMPO DE LEMBRAR TAIGUARA
terça-feira, 14 de junho de 2022
HÁ 14 ANOS MORRIA JAMELÃO
segunda-feira, 13 de junho de 2022
VIVA A LÍNGUA PORTUGUESA! (4, FINAL)
Em 1953, o compositor pernambucano Rosil Cavalcanti compôs o coco Sebastiana, gravado por Jackson do Pandeiro. Essa obra, o autor cita o nosso abecedário, incluindo a letra Y, que chama “ipsilone”. Assim:
Convidei a comadre sebastiana
Pra cantar e xaxar na paraíba
Ela veio com uma dança diferente
E pulava que só uma guariba
E gritava a, e, I, o, u, ipslone
Atualmente o português é formado por cerca de 600 mil palavras ou expressões, das quais 150 mil são identificadas como técnicas.
Mais de 260 milhões de pessoas falam a língua que fez de Camões o poeta mais famoso de Portugal.
Por cá, nossa terra, grandes poetas burilaram e continuam burilando o belo idioma. Um desses foi Olavo Bilac. É dele o poema A Última Flor do Lácio.
Mais recentemente, o jornalista e poeta paraibano José Nêumanne gerou o belíssimo poema A Seara de Saramago. Confira:
José Saramago foi um grande escritor português, cujo centenário de nascimento deverá ser amplamente comemorado ainda este ano de 2022.
No dia 10 de junho comemora-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
A 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que deverá se realizar entre os dias 2 e 10 de julho no Expo Center Norte, será dedicada a Portugal.
domingo, 12 de junho de 2022
VIVA A LÍNGUA PORTUGUESA! (3)
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| A gramática do padre Fernão de Oliveira |
O português ganhou forma clara e bela com a publicação de Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões. Essa obra foi pela primeira vez publicada em março de 1572.
Os Lusíadas, no Brasil, chegou a ser objeto de estudo na rede escolar.
Não dá, porém, para ignorar outras obras igualmente representativas da língua como o Diccionario dos Synonymos Poetico e de Epithetos da Lingua Portugueza, de J.I. Roquete e José da Fonseca, lançado em Lisboa na dobradura de tempos distantes.
Num dos primeiros verbetes desse dicionário lê-se o quão difícil era ainda mais a nossa língua:
Abstracto, abstruso.
Uma coisa abstracta é difícil de entender, porque dista muito das ideias sensíveis e comuns. Uma coisa abstrusa é difícil de compreender, porque depende de um encadeamento de raciocínios…
O mais famoso dicionário da língua portuguesa até hoje citado nos compêndios afora, lançado no século 19, foi o do lisboeta Francisco Caldas Aulete (1826-1878).
Muitos brasileiros continuam atentos à evolução da língua portuguesa.
Até hoje o português por cinco reformas em Portugal. A primeira em 1911, quando Portugal virou
No Brasil, o português passou por duas reformas: em 1943 e 1971.
Em 1948, a Academia Brasileira de Letras, ABL, levou a público o resultado da reforma de 1943. Título: Pequeno Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.
Em 1997 o poeta, romancista, tradutor e jornalista cearense Gerardo Mello Mourão publicou a obra prima Invenção do Mar. Na forma, seguiu os caminhos trilhados por Camões.
Invenção do Mar foi dedicado ao artista popular pernambucano Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.
Pra Mourão, o primeiro escritor brasileiro indicado ao prêmio nobel de literatura, Gonzaga representou com fidelidade o povo brasileiro, notadamente o nordestino.
Gerardo Mello Mourão dizia que Luiz Gonzaga fora uma espécie de Homero.
É fantástica a obra de Mourão.
É de Luiz Gonzaga (e Zé Dantas) a beleza musical intitulado ABC do Sertão:
Lá no meu sertão pros caboclo lê
Têm que aprender um outro ABC
O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê
O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê
Até o ypsilon lá é pissilone
O eme é mê, i o ene é nê
O efe é fê, o gê chama-se guê
Na escola é engraçado ouvir-se tanto ê
A, bê, cê, dê
Fê, guê, lê, mê
Nê, pê, quê, rê
Tê, vê e zê
Lá no meu sertão pros caboclo lê
Têm que aprender outro ABC
O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê
O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê
Até o ypsilon lá é pissilone
O eme é mê, i o ene é nê
O efe é fê, o gê chama-se guê
Na escola é engraçado ouvir-se tanto ê
A, bê, cê, dê
Fê, guê, lê, mê
Nê, pê, quê, rê
Tê, vê e zê
Até o ypsilon lá é pissilone
O eme é mê, i o ene é nê
O efe é fê, o gê chama-se guê
Na escola é engraçado ouvir-se tanto ê
A, bê, cê, dê
Fê, guê, lê, mê
Nê, pê, quê, rê
Tê, vê e zê
sábado, 11 de junho de 2022
VIVA A LÍNGUA PORTUGUESA! (2)
No passado, fomos invadidos pela Espanha, Inglaterra e Holanda, depois de Portugal. O chafurdo foi grande. Em tempos mais recentes, especialmente depois da Primeira Guerra, os norte-americanos passaram a nos mandar bobagens e bobagens, que fomos ora deglutindo, ora armazenando para um possível aproveitamento.
Por acolher muito bem os visitantes de todos os recantos, o Brasil passou a assimilar comportamentos e expressões bastante interessantes. De Portugal herdamos a língua e boa parte da cultura, como a cantoria e o cordel. Da França, Itália, Alemanha, Inglaterra e Japão temos assimilado costumes e hábitos alimentares. Entre outras coisas, a África, por exemplo, nos deu a receita da feijoada. Hoje, até as cozinhas árabes e chinesas já nos são familiares. Isso nos levou a formar uma identidade sem similar, embora ainda sejamos uma nação relativamente nova.
Bom, o português que hoje falamos é completamente diferente do português falado em Portugal. Inclusive o sotaque. Por isso, acho que já é hora de se discutir com seriedade o fala do nosso povo, o nosso falar, como fez João Ribeiro em 1933, ao lançar o livro A Língua Nacional. Treze anos antes, Amadeu Amaral entrara no assunto ao publicar O Dialeto Caipira, rico e interessantíssimo estudo feito à luz da ciência, que em edição posterior ganharia maior brilho com notas assinadas por Paulo Duarte (em 1944, um dos livros de Duarte, Língua Brasileira, editado em Lisboa, foi proibido em todo o território português, por obra e mando do Estado Novo de lá).
O tema é tão estimulante que já em 1853 surgia, em Portugal, o primeiro Dicionário Brasileiro, de Braz da Costa Rubim, com o propósito de ensinar (ou esclarecer) aos portugueses o português então falado no Brasil. Trinta anos depois, o filósofo Leite de Vasconcelos também publicava uma obra abordando o mesmo assunto, intitulada Dialeto Brasileiro, em que reconhecia as rápidas transformações por que passava a língua portuguesa no Brasil. Em 1940, foi a vez de o estudioso Edgard Sanches tentar provar com a+b a existência de uma língua genuinamente brasileira, num livro que deu o título de A Língua Brasileira.
Está na hora, pois, de retomar o debate. Enfim, o brasileiro fala brasileiro ou português?
Antes, muito antes do Descobrimento, a língua que se falava por aqui era a língua geral, isto é, o guarani, mas em 1727 Portugal decidiu proibir o uso dessa língua, por entender que o português estava se descaracterizando, donde conclui-se que os absurdos não tem idade nem época para se concretizarem.
Curiosidade: até o século XVIII, falava-se no Brasil duas vezes mais o guarani que o português. Isso é história, está nos compêndios.
Antes de Portugal virar o país que é, não havia a língua portuguesa. A propósito Portugal era apenas um condado fincado na Península Ibérica. Estava ali pertinho da Espanha.
À época, e estamos falando do tempo antigo, os romanos imperavam na região.O Império Romano dominou a região onde se acha hoje Portugal durante séculos.
Houve muita briga lá na Península.
Como os romanos, os árabes também botaram pra quebrar.
O idioma falado pelos romanos era o Latim.
Havia o latim culto e o latim inculto, o popular, o vulgar.
Foi do latim vulgar que o idioma português surgiu.
Na verdade, outras línguas e dialetos também tiveram influência na formação da dessa língua. A principal influência, diga-se de passagem, foi o galego-português.
Àquela altura Portugal já tinha vida própria.
Importante lembrar que um dos reis que mais força deram à língua portuguesa foi Dom Dinis I, o sexto rei de Portugal, que viveu entre 1261 e 1325.
Dom Dinis, que reinou entre 1279 e 1325, era chegado às artes populares. Dizem que tocava até viola ou coisa parecida. Seus súditos o chamavam de Rei Trovador.
Um dia Dom Dinis se achava no porto observando a movimentação de embarcações. Estranhou ao não identificar nenhuma embarcação com a chancela ou bandeira do seu país. Quis saber a razão, perguntando a um de seus conselheiros. A resposta foi mais ou menos esta: “Não temos madeira especial para construir embarcações”.
Ao deixar o porto, dom Dinis já tomara a decisão de iniciar a plantação de árvores apropriadas para construir navios e tal. Dez anos passados, Portugal já tinha o mar e rios cheios de embarcações.
Outra de dom Dinis: insatisfeito por ouvir seu povo falar em latim enviesado, decidiu oficializar o português corrente.
Tempos depois, mais precisamente em 1536, surgia a primeira gramática ensinando como falar a língua adotada por dom Dinis. O autor dessa façanha foi o padre Fernão de Oliveira (1507-1581).
sexta-feira, 10 de junho de 2022
VIVA A LÍNGUA PORTUGUESA! (1)
O mar inventou o Brasil
E os portugueses, o mar
Tal façanha só foi feita
Pra que se pudesse contar
Que o poeta rei Dinis
Chegou longe sem nadar
Nadar mesmo não sabia
Mas sabia inventar
Foi ele quem inventou
De por seu povo no mar
Balançando sobre as ondas
Foi o mundo conquistar
Tinha já uns trinta anos
Era bom e coisa e tal
Não gostava do latim
Tão falado em Portugal
Depressa ele pensou
Numa língua mais legal
Essa "língua mais legal"
Era a língua portuguesa
Cultivada com esmero
Como flor da realeza
Portugal lhe deu a forma
O tom, graça e beleza
No mundo há muita gente
Falando em japonês
Falando grego e russo
Alemão, turco e chinês
Mas na vida coisa boa
E falar em português
O Brasil é formado por um enorme agrupamento de outros Brasis: 26 Estados e 1 Distrito Federal. O
resultado disso é um país absurdamente fantástico, de dimensões continentais, com 8.622.996 quilômetros quadrados, área equivalente a pelo menos 17 Espanhas, 28 Itálias, 206 Suíças, 251 Holandas, 279 Bélgicas e 797 Cubas, ou algo — ainda territorialmente falando — como quase uma China ou Estados Unidos da América, ou duas Índias Inteiras.
Diante disso, um desavisado qualquer pode, ou poderia, concluir que o nosso Patropi é uma espécie de torre de Babel. Mas não é. Aqui todos se entendem, pelo menos linguisticamente. A língua é uma só: o português, embora à essa altura — quatrocentos e tantos anos depois da descoberta — eu ache que melhor seria, sem xenofobia, se pudéssemos chamá-la de brasileira, de língua brasileira.
Mesmo sem outras línguas (ou dialetos), o Brasil carrega no bojo uma peculiaridade especialíssima: o sotaque.
O sotaque da língua de um povo não substitui um dialeto, é claro, pois a língua é a fala de um povo, de uma nação, O sotaque é o canto de uma língua.
Em cada canto ou região do Brasil podem se fazer descobertas verdadeiramente incríveis: para tanto, basta um pouco mais de atenção.
Na Paraíba ou em Pernambuco as palavras têm um sentido bastante diferente do sentido a elas dado no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Nesses lugares, as palavras são carregadas de um quê que não existe em regiões como o Rio Grande do Sul ou Brasília, por exemplo. No Rio, jerimum é abóbora e aipim é macaxeira, pode?
Na Bahia, mais precisamente na capital Salvador, as palavras parecem nascer das ondas do mar, do sol posto num fim de tarde, dos balouçantes coqueirais, do sorriso e do requebro dos quadris das rainhas negras encontradas em cada praça ou esquina; da música, do trinar dos passarinhos, dos tocadores de berimbaus, das danças, dos terreiros de umbanda, das pretas baianas vendedoras de acarajés vindas de mãe África transbordantemente carregadas de carinho, graça e sensualismo.
O falar dos nortistas é um, o dos nordestinos é outro, o dos sulistas etc. Em cada região do Brasil há uma linguagem própria, popularíssima. Sem contar o uso da gíria, que se renova no dia a dia das grandes cidades…
No Nordeste, a tônica forte é a vogal, com o som escandalosamente aberto. Pronuncia-se: p(óóó)rta, p(óóó)rteira, ab(ééé)rtura etc. etc. Nessa região, formada por nove Estados — incluindo o Maranhão, terra dos Ribamares —, há muitas outras peculiaridades no linguajar. A consoante v, por exemplo, lá é quase sempre trocada e pronunciada com o r dobrado: cerreja (cerveja), carralo (cavalo), raquinha (vaquinha) etc. E em alguns casos, as palavras chegam a ser totalmente descaracterizadas, como velho, pronunciada como réi. Noutros, o r simplesmente desaparece, como, aliás, o m. Ex.: cab(r)a, viage (viagem), marge (margem), virge (virgem).
Os verbos, nalguns tempos, como no gerúndio, também apresentam mudanças. Ex.: ino (indo), andano (andando),fugino (fugindo). Quer dizer, nesses casos, o d vai para a cucuia, como para a cucuia também vai o tratamento você, humilhantemente reduzido para a forma cê ou ocê, assim pronunciado em quase todo o território nacional.O nordestino fala apressadamente, Por isso, talvez, muitas letras abandonem as palavras, como nos exemplos citados. Curiosidade: quando isoladamente, o e costuma ganhar o som de i (em São Paulo, ê). Pode? Pode, pois este é o Brasil-brasileiro cantado em prosa e verso numa só língua, mas com sotaques diversos nos seus 26 Estados.
O BRASIL SOFRE NAS UNHAS DE BOLSONARO
quinta-feira, 9 de junho de 2022
MORRE O CARTUNISTA ROGÉRIO TADEU
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| Integrantes da equipe do jornal +Humor, com Rogério (agachado) e Fausto (à direita) |
"O cartunista Rogério Tadeu faleceu vitima de câncer nesse 8/6/2022, aos 68 anos. Há algum tempo ele se achava internado por conta de um tratamento. Cartunista muito criativo, era um dos editores do jornal +Humor juntamente com Amorim, Luis Pimentel, Mayrink, Ykenga Mattos entre outros. Sua produção era vasta com muitos cartuns, charges e personagens: Bola Furada e Mão Estendida, em parceria
com o jornalista Luis Pimentel (ao lado). Muito criativo, tinha vários projetos inclusive para o jornal +Humor que estava em planejamento de voltar após um período de paralisação por conta da pandemia. Boa gente e de bem com a vida, era vascaíno fanático".
"O +Humor, criado e editado no Rio de Janeiro, tem com distribuição gratuita a população, em locais determinados e é vendido por assinatura para pessoas fora do Rio de Janeiro. A festa de 1 ano do jornal aconteceu na Lapa, Rio, com a edição do numero 9 em 2020.
Depois teve de ser interrompido per conta da Pandemia. Era até então, o único jornal de humor impresso no Brasil, em tamanho tabloide. Equipe de cartunistas: Amorim, André Brown , Dil Márcio, Guidacci, Jaguar, Luis Pimentel, Ykenga, Eu (Fausto) e Rogério Tadeu".
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| Charge de Rogério Tadeu |
A INVENÇÃO DO BRASIL
quarta-feira, 8 de junho de 2022
FOME, FOME, FOME!
terça-feira, 7 de junho de 2022
VIVA A LIBERDADE!
Hoje é o dia Internacional da Liberdade de Expressão. Porém não há o que comemorar. A propósito, há duas pessoas desaparecidas atualmente na Amazônia: o indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Philips. Podem ter sido mortos por garimpeiros e traficantes que atuam na região. Torçamos que estejam sãos e salvos.
Ontem 6 o Exército soltou duas notas oficiais. Numa delas dizia que não tinha condições de procurar os desaparecidos. Na segunda nota, dizia que tinha condições.
Pois é.
Veja: JORNALISTA INGLÊS DESAPARECE NA AMAZÔNIA/ ASSIS ÂNGELO
segunda-feira, 6 de junho de 2022
GERARDO MELLO MOURÃO: UMA HISTÓRIA
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| Assis com DVD sobre Gerardo Mello Mourão |
A ENCANTADORA VISITA DA JOVEM TINA (3, FINAL)
“É mais uma publicação dos Estúdios Maurício de Sousa”, informou.
Flor Maria, que discretamente acompanhava nossa conversa, pediu licença pra dizer que adora a personagem Dorinha. E contou: “É a história de uma personagem baseada na paulistana Dorina de Gouvêa Nowill, que ficou cega quando tinha 17 anos de idade. Morreu aos 91 anos, em agosto de 2010. Li que ela foi a primeira aluna cega a frequentar um curso regular na Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo. Posteriormente, Dorina colaboraria para a elaboração da lei de integração escolar, regulamentada em 1956. Estudou e fez vários cursos, inclusive a de especialização em educação de cegos na Teacher´s College da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, EUA”.
Poxa, eu disse sem me conter: “Como você sabe disso tudo?”.
A resposta foi rápida: “Sabendo”.
Após isso, Maria levou Tina até a porta e despediram-se.
A Fundação Dorina Nowill para Cegos é uma Instituição surgida em 1946 sob a denominação Fundação para o Livro do Cego no Brasil.
domingo, 5 de junho de 2022
A ENCANTADORA VISITA DA JOVEM TINA (2)
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| Personagem Cebolinha, por Maurício de Sousa |
Eu respondi à jovem, filha de Maurício, que Os Lusíadas é uma obra encantadora e como tal sempre despertou em mim a vontade de recontar a história das navegações escritas pelo grande poeta português Luís Vaz de Camões. “Seu Assis, eu li Os Lusíadas graças ao Sr. e gostei. Muito. Agora quero saber se a sua adaptação da obra de Camões vai a teatro e virará livro”.
Entusiasmei-me, confesso, com a abordagem da jornalista. E de repente, vi-me falando pelos cotovelos. Disse-lhe que meu sonho, um dos meus sonhos é ver A Fabulosa Viagem de Vasco da Gama no Mar para canto e cordel. Pensei numa ópera popular. Mas não está fácil realizar essa minha vontade. “O Sr. já falou com o governo português, com os representantes do governo português no Brasil?”.
Tina realmente é uma menina muito interessante, atenta a tudo.
Quando pensei, de novo, que havia satisfeito a sua curiosidade, ela soltou mais perguntas: “E o rádio? E a televisão? Eu soube que o Sr. já publicou até folhetos de cordel. Na verdade já li alguns, gostei muito daquele A Vida como Tragédia e um Cego por Testemunha. Também gostei muito do folheto Jornalismo e Liberdade nos Tempos de Pandemia. O Sr. não pretende voltar ao rádio ou à televisão?".
Havia tempo que eu não falava com alguém tão jovem e tão curiosa a respeito do dia a dia que vivemos. Bom, respondi que sim. Que pretendo voltar às ondas do rádio e à TV. Mas para isso, faço necessário que alguém me veja e entenda meus propósitos: “Tornei-me invisível, Tina”.
A jovem filha de Maurício parece não ter gostado muito da palavra “invisível” e rebateu: “Desculpe, mas acho que o Sr. não está invisível coisa nenhuma, o Sr. tem produzido muita coisa, muita coisa mesmo! Na verdade, acho que o fato do Sr. ter ficado cego ficou foi melhor. Adoro seus poemas e todos os seus textos. Sou sua fã”.
Para provar o que dizia, Tina começou a declamar um poema que fiz pouco tempo depois que perdi a visão:
É magra e graciosa
Elegante e mágica
Não tem pena nem pecado
É dócil, é prática
É bela, belíssima
De beleza clássica
Ela é solidária
E não sabe dizer não
Ela abre meus caminhos
Com firmeza e decisão
E vai prá onde eu vou
Sem largar a minha mão
Eu adoro essa magrela
Pela sua discrição
Por gostar do que eu gosto
E me dar sua atenção
Eu a ela dou a vida
E ela a mim sua visão
Quieta, mas atenta
Sai comigo a passear
Com um passo mais à frente
Em silêncio, sem falar
Mas tudo que lhe peço
Ela dá sem reclamar
Mas que magrela é essa
Que me tira da rotina
E me leva a ver a vida
Pela ótica feminina
Seja dia, seja noite
Oh, meu Deus! É Serafina.
Espantei-me e, claro, não deixei de perguntar onde ela tinha descoberto esse texto.
Com ar de mistério, Tina riu e disse: “Eu não revelo as minhas fontes”.
Achei graça e ri também. E ela: “Aliás, aproveitando a oportunidade, gostaria que me dissesse como perdeu a visão. A propósito, esse poema é uma homenagem a bengala, não é?”.
Bom, perdi a visão em 2013 depois de várias cirurgias no Hospital das Clínicas. Essa perda foi provocada por descolamento de retina. Muita gente passa por isso. É de repente e não tem uma causa específica. Perder, perdi. Fazer o quê? O caso é adaptar-me à nova vida que vivo. Claro que ainda sofro problemas decorrentes do descolamento, como depressão. Mas a gente vai levando, com apoio de amigos e amigas. Amigos novos, pois os outros deixaram-me a ver navios e lamentando o que tinha que lamentar. Não é brinquedo não. Tenho feito muitos poemas abordando o tema da cegueira. Um desses, este:
Devastadora e sonsa
E filha da implosão
Ela pega, ferra e mata
Em nome da solidão
Não gosta de alegria
Ela gosta da perdição
Não tem cara, corpo ou alma
É invisível e letal
Nunca fez bem a ninguém
Pois é um mal universal
E não vou falar mais dela
Porque não presta e ponto final!
Enfim a cegueira não é o fim, não é mesmo?
Em determinado momento, agora sim satisfeita, Tina despediu-se com um aperto de mão, lembrando: “O dia 10 de junho é o dia da Língua Portuguesa. Nesse dia também é lembrada a morte de Camões. Vai escrever algo?”.Talvez, respondi.
sábado, 4 de junho de 2022
A ENCANTADORA VISITA DA JOVEM TINA (1)
Tina é uma jovem jornalista que tem combatido o tempo todo as Fake News espalhadas no terreno livre da Internet, por gente que não tem tocômetro. Tina perguntou: “É o Assis?”.
Segundos após eu confirmar que sim, que era eu, Tina perguntou se poderia me atender para uma entrevista e conhecer o meu acervo de livros, discos e outros documentos brasileiros. “Sobre tudo, o assunto são vários”, foi logo falando.
Achei graça no jeito descontraído, leve, da menina Tina se expressar. E respondi: “Claro, estou à sua disposição”.
Horas depois, Tina bateu à porta apresentando-se. Disse que nascera em São Paulo e sempre sonhou ser jornalista. Não foi difícil. Seu pai, o cartunista Maurício de Sousa, deu-lhe todo o apoio.
Maurício é um dos mais importantes nomes dos quadrinhos brasileiros. A sua história é conhecida por todo mundo.
Em 2005, o jornalista alagoano Audálio Dantas (1929-2018), lançou o livro A Infância de Maurício de Sousa (ao lado).
Com o canudo conquistado na Faculdade, Tina logo foi às ruas em busca de notícias. Paralelamente, enquanto caçava fatos, Tina mergulhava nas redes sociais e espantou-se com o volume enorme de mentiras colocadas à disposição dos incautos.
A jovem contou-me isso sem esconder a revolta que as Fake News lhe causam. “Foi assim, seu Assis, que decidi dar rumo a minha vida. Tenho várias amigas e amigos que me ajudam nessa tarefa. O cartunista JAL é um desses amigos”, contou.
Solidário, ofereci-lhe o meu apoio.Depois disso, dessas breves revelações, Tina disse que acompanha os meus passos no jornalismo há muito tempo e que sentia muito o fato de eu ter perdido a visão dos olhos. Disse também que não perde os textos que publico no Newsletter Jornalistas & Cia. Até lembrou alguns como o que fiz sobre João do Rio, sobre a Imprensa Negra do Brasil e, especialmente, sublinhou: “Adorei a entrevista que o Sr. fez com Deus, Jesus e Marx”.
Realmente, Tina é muito inteligente. Esperta diriam alguns, mas prefiro o termo inteligente.
Depois de falas e falas, perguntas e perguntas, Tina elogiou o site do Instituto Memória Brasil e o blog que mantenho na Internet. Curiosa, quis saber como é que produzo meus textos, já que não posso mais escrever. “Eu os dito”, respondi, acrescentando: “Pessoas incríveis me auxiliam nessa tarefa. Entre essas pessoas queridas destaco a Anna da Hora”.
Ainda muito curiosa, quis saber quem é Anna da Hora. E eu disse: “Anninha é uma jovem como você recém-formada em Artes Visuais”.
sexta-feira, 3 de junho de 2022
O POVO SOFRE, EM QUALQUER LÍNGUA
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| Ucranianos em fuga |
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Coisas da vida. Zica Bergami, autora da valsinha Lampião de Gás partiu. Tinha 97 anos completados em agosto. O caso se deu ontem por volta d...
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http://www.youtube.com/watch?v=XlfAgl7PcM0 O pernambucano de Olho da Agua, João Leocádio da Silva, um dos mais inspirados compositores...
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Cegos e demais pessoas portadoras de deficiência, seja ela qual for, come o pão que o diabo amassou. Diariamente. SER CEGO É UMA MERDA! Nã...
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Este ano terrível de 2020 está chegando ao fim, sem deixar saudade. Saudade é coisa que machuca, que dói. É uma coisa que Deus botou no mund...
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Escondidinho de carne seca e caldinho de feijão antecederam o tirinete poético travado ao som de violas repentistas ontem à noite, na casa ...
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Intriga, suspense, confusão, mentira, emoção atentado contra a ordem e a lei e otras cositas mas . O cantor, compositor e instrumentista To...

























