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sexta-feira, 20 de agosto de 2021

EU E MEUS BOTÕES (4)

"Chefe!", começou Lampa, "É sem querer, mas estou preocupado com Jão".
Perguntei, ora por que essa preocupação com o Jão? E Lampa: "O Jão na sua tristeza sem fim, acha que o Brasil vai se acabar em setembro". O quê, perguntei também preocupado.
A essa altura o poeta Zilidoro pôs o bedelho no meio do papo: "Andei pensando, pensando muito, e sem querer começo a pensar que o Jão tem razão".
Zoião, no seu canto, opinou: "É, de fato, preocupante a situação que ora todos vivemos".
Lampa, com aquele seu jeitão "deixa que eu resolvo", disse, alisando punhal: "Num tempo lá atrás, eu resolvia isso num segundo". Como, perguntei. E ele: "Eu ia lá e ZAP! E o cara já era!".
Jão, num fio de voz, apenas diz: "É demais, é demais! Como é que uma besta quadrada vira presidente da República e de uma hora pra outra resolve cuspir na boca da urna e na cara povo?".
Mané, de pouca fala, fez uma observação incrível: "Se o cabra de quem vocês estão falando é o mesmo que eu imagino, vai se lascar se anunciar um golpe no País".
De fato, é impressionante o pensar do Mané. "Eu concordo com ele", disse Barrica. Biu disse o mesmo: "O Barrica tem toda razão ao dizer isso".
Os meus botões, meus queridos botões, estão muito entrosados entre si. E para meu espanto, estão pensando e se expressando de maneira surpreendente.
"Seu Assis, é verdade que o sr. é amigo do cantor Sérgio Reis?". Não, nos conhecemos há muito tempo. "Está negando a sua amizade com o artista?", ironizou Zé. E lá fui eu explicando: Conheço muitos artistas da nossa música popular. Alguns politizados, outros nem tanto. O Sérgio era, até aqui, um cantor que não tinha maiores envolvimentos com política partidária. "Aí está! O cara estava com as unhinhas escondidas e num movimento foi e ZAP!", concluiu Zé, recebendo a concordância de Zilidoro.
Com ar de aparente desinteresse e limpando as unhas com a ponta do punhal, observou Lampa: "O cara sobre quem vocês falam, ameaçou senadores e tacar fogo no País, caso o Congresso não impechásse o pessoá do STF. E foi preso". E Zé: "Bem feito!".
Ai, ai, ai... Esses meus botões!
"Patrão, Patrão!", lá vem o Biu esbaforido perguntando se eu tinha ouvido falar de uns tais de Ricardo Santana e um Roberto Dias. "Esses caras", segundo ele, "Foram tomar um chope pra comemorar um contrato milionário de corrupção do Ministério da Saúde!" O quê, perguntei meio besta. E ele: "Deixa pra lá... Hoje é sexta-feira dia de chope".

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

AUDÁLIO DANTAS, O DESCOBRIDOR DE CAROLINA MARIA DE JESUS

“Estão tentando transformar o Audálio num vilão”, disse-me por telefone o colega jornalista Flávio Tiné, depois de ler matéria de quatro páginas sobre Carolina Maria de Jesus (1914-1977) e Audálio Dantas (1929-2018), publicada sexta, 13/8, na Ilustríssima, caderno de variedades da Folha de S.Paulo.
A Folha de S.Paulo é o resultado da fusão dos jornais Folha da Manhã, Folha da Tarde e Folha da Noite.
Em abril de 1958 o repórter alagoano Audálio Ferreira Dantas foi escalado para fazer reportagem na favela do Canindé, localizada à margem esquerda do rio Tietê, na capital paulista. Canindé é um tipo de ave que habita região de brejo.
Seria uma reportagem como tantas. O detalhe é que o discreto e antenado repórter teve a atenção voltada para uma mulher negra de 44 anos. Ela, segundo ele, ameaçava aos gritos inserir nomes de seus desafetos no livro que estava escrevendo. Curioso, o repórter aproximou- -se da mulher e logo depois teve acesso aos escritos dela. “Eram muitos cadernos cheios de histórias interessantes”, disse-me Audálio um dia.
Mas para ganhar forma de livro era preciso uma boa revisão e edição das histórias. E isso ele fez, não do dia pra noite. Mas fez. Antes, porém, publicou uma reportagem de página inteira na Folha da Noite. De cara, dizia a chamada: “O drama da favela escrito por uma favelada”.
A reportagem, ilustrada por fotos de Gil Passarelli (1917-1999), foi publicada no dia 9 de maio de 1958.
A referida favelada ganhou fama imediatamente no Brasil e no exterior, aparecendo noutras publicações, entre as quais O Cruzeiro. Mergulhado na leitura dos cadernos de Carolina Maria de Jesus, Audálio deles extraiu o livro Quarto de Despejo, que a livraria Francisco Alves publicaria em 1960. “Fácil, fácil, o livro alcançou a fabulosa tiragem de 100 mil exemplares”, contou-me Audálio.
O livro recebeu dezena e meia de traduções nos Estados Unidos, Alemanha, Japão, França e Holanda.
“Eu não entendo por que estão acusando o Audálio do que não fez”, comentou o cartunista Fausto Bergocce, depois de ler pra mim o texto publicado na Folha. “Até onde eu sei, Audálio foi um anjo que caiu do céu na vida de Carolina”, acrescentou.
Fausto está totalmente correto.
Sem Audálio, Carolina Maria de Jesus teria passado em brancas nuvens por estas plagas. É o que também pensa e assina o cordelista cearense Klévisson Vianna. Acrescentando: “Era natural do Audálio ajudar a muita gente. Eu mesmo fui muito ajudado por ele, que falou muito bem de mim ao Jô Soares, de cujo programa participei”.
Audálio Dantas tem sido acusado de ser o autor de Quarto de Despejo. “Essa é uma inverdade que salta aos olhos”, disse-me uma vez. A seu favor, lembrou: “Até o poeta pernambucano Manuel Bandeira (1886- 1968) comentou o assunto”.
Na matéria da Folha, a impressão que fica é que há alguém interessado em manchar a imagem do repórter que descobriu Carolina. O que ele fez, e fez como cidadão, foi ajudar como pôde aquela mulher portadora de grande talento literário. Talento espontâneo.

“O que há nessa história é um grande jogo de interesses mercadológicos”, entende o jornalista Tiné.
Ao contrário do que algumas pessoas dizem, Audálio Dantas sempre levou uma vida modesta. Gastava o que ganhava como qualquer cidadão casado e com filhos. E como cidadão e trabalhador ganhava e perdia emprego.
Depois que perdeu o emprego na Eletropaulo, antiga Cesp, ficou sem eira nem beira. E um dia me telefonou pedindo para o avisar se soubesse de alguma colocação. Perguntei-lhe se queria trabalhar comigo, ser meu chefe. Embora zonzo, topou. E foi assim que trabalhamos juntos no Departamento de Imprensa do Metrô de São Paulo por uns quatro anos.
No ano seguinte à publicação de Quarto de Despejo, a favela do Canindé deixou de existir. Detalhe: depois de ler a reportagem de Audálio, o radialista paulistano Raul Duarte (1912-2002) compôs o samba No Meu Canindé. Esse samba foi gravado (Odeon) pela cantora Alda Perdigão no dia 24 de setembro de 1958 e lançado à praça três meses depois.
Ainda em 1961, Audálio Dantas abriu caminho para Carolina Maria de Jesus gravar um LP pela extinta RCA Victor. As letras são todas dela, por ela mesma interpretadas. Tratam do cotidiano do lugar onde morava. São sambas, marchas, batuques e até um baião. Título: Quarto de Despejo. Destaque para Vedete da Favela, um autorretrato… A contracapa desse LP é assinada por Audálio. 

Audálio Ferreira Dantas foi um dos mais importantes jornalistas e escritores do nosso País.
Em 1956 Audálio foi pautado pra cumprir o lançamento do livro Grande Sertão: Veredas, do mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967). João recusou-se a dar entrevista, mas mesmo assim o repórter fez uma belíssima cobertura do lançamento.
Depois de muitas entrevistas e reportagens, Audálio seguiu carreira na revista Realidade.
São muitos os livros de Audálio. O último foi as As Duas Guerras de Vlado Herzog. Curiosidade: pra fechar o livro, o autor precisava entrevistar o cantor e compositor Geraldo Vandré, mas não conseguia localizá-lo. Eu disse: vai algum dia lá em casa que você conseguirá. E assim foi feito.
Atenção: está mais do que na hora de Audálio ter a sua história contada em livro. Enquanto isso não é feito, dedico-lhe o poema abaixo:

O Brasí é um barquim

Deslizano pelo má
Levano, trazeno gente
Daqui pralí, dali pracá

Nesse eterno vai-vem
Muita gente cai no má
Muita gente vai pro céu
Sem saber que trem tem lá

Desse jeito o Brasí vai
Se balançano no má
Pareceno u’a donzela
Convidano pra dançá

Esse barco já levô
Muita gente além do má
Já levô Audáio Dantá
Valdi Tele e Jão Bá

Barquero desse barco
Castro Alve foi pro má
Levano o bão Bandeira
Pra um dedo prosiá

Charge de Fausto Bergocce por ocasião
da morte de Audálio (maio de 2018)
Gente de todo tipo
Nesse barco foi pro má
Quereno sabe untudo
Querendo sábi ficá

Há muito ele nasceu
Num belo berço do má
Andô, correu pirigo
Mas sempre sôbe lutá


Lá vai ele
Leve e livre no má
Garboso, sinhô de si
Com o céu a li guardá

Viva o Brasí barquinho
Na sua missão no má
Levano, trazeno gente
Daqui pralí, dali pracá



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quarta-feira, 18 de agosto de 2021

ELBA RAMALHO CHEGA AOS 70

 Elba Ramalho é uma marca de orgulho do cantar nordestino. Começou a gravar discos no final dos anos de 1970. Seu primeiro LP intitulou-se Ave de Prata. Esse disco chamou a atenção de muita gente, à época.
Elba, prima de Zé Ramalho, nasceu no dia 17 de agosto de 1951. 
A presença de Elba Ramalho no teatro também é marcante.
Viva Elba Ramalho!

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VANIRA KUNC

A jornalista Vanira Kunc está apagando vela, comendo bolo e bebendo suco. Já está ali na casa dos sessentinha. Lugar bom. 
Viva Vanira!

LEIA TAMBÉM: VIVA VANIRA!

PRETO DE ALMA BRANCA

 A história do negro no mundo é terrível.
O tráfico de africanos escravos para o Brasil começou em 1550.
A história conta que cerca de 5 milhões de africanos foram transformados em escravos no nosso País. No correr da travessia pelo Atlântico, pelo menos 2 milhões de africanos foram atirados ao mar. Alguns, vivos.
Não é possível esquecer a tragédia da escravidão, no Brasil.
Num tempo lá atrás, ouvi muito pessoas referirem-se a negros como: "Coitado de fulano, é um preto mas de alma branca".
Terrível.
E o que dizer de um negro fantástico como Martinho da Vila, de batismo Martinho José Ferreira, referir-se a alguém da cor da sua pele como: “(...) É um preto de alma branca."?
A pessoa a quem se refere Martinho ocupa um cargo importante na Fundação Palmares. Essa pessoa tem trabalhado publicamente contra os negros, embora negra seja. 
A Fundação Palmares foi criada para defender a cultura produzida pelos negros. Importantíssima essa fundação. Hoje, porém, desvirtuada nos seus propósitos originais.
A fala de Martinho da Vila ocorreu segunda-feira 16, no programa Roda Viva, da TV Cultura, canal 2.
Na fala, o destaque:
“A Fundação Palmares era uma fundação criada para tratar dos assuntos da cultura negra. Mas botaram aquele cara lá, o Camargo, um bolsonarista radical. Ele é um preto de alma branca, como se diz. No duro, ele gostaria de ser branco e se sente branco. Para ele, tem que acabar com todas as coisas de negro".
Martinho da Vila é uma referência necessária, em qualquer tempo. Sua obra é fundamental, grande do tamanho do seu talento.
Há alguns anos eu, o entrevistei no programa São Paulo Capital Nordeste. Confira:
 

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terça-feira, 17 de agosto de 2021

KLÉVISSON VIANA, UM MESTRE DOS NOSSOS TEMPOS

O cearense Klévisson Viana é ilustrador, quadrinista, cartunista, cordelista e mais um monte de coisas ligadas à cultura popular. É palestrante, oficineiro, roteirista, declamador e tudo mais. Fala pelos cotovelos. Tem uns 40 livros publicados até agora e pelo menos 200 títulos de folhetos de cordel de sua autoria rolando na mão do povo. É também editor e criador da Tupynanquim. Por essa editora já publicou mais de mil folhetos de autores iniciantes e famosos como José Costa Leite, Antônio Américo de Medeiros, Vicente Viturino, Marco Haurélio, João Firmino Cabral, Rouxinol do Rinaré e Mestre Azulão.
“O paraibano Azulão, foi um dos grandes criadores da literatura de cordel”, diz Klévisson Viana, acrescentando: “A obra desse mestre se acha completa no acervo da nossa Tupynanquim”.
Miolo da Rapadura é um dos seus livros incluídos na rede de bibliotecas e salas de leitura do Estado do Ceará.
Esse é um livro recheado de histórias desenvolvidas em textos corridos e em versos. Belíssimo. Com ilustrações, inclusive.Filho de seu Evaldo e de dona Hathiane e irmão de Arievaldo, Itamar, Marcos Aurélio, Autemar e Evandra, Klévisson Viana é provavelmente o mais importante artista da cultura popular brasileira, na atualidade. É múltiplo, multimídia, multitudo.
Klévisson iniciou a carreira ilustrando textos no jornal A Voz do Povo, de Canindé, CE. Tinha uns 15, 16 anos de idade. Depois, aos 17 anos, ingressou como cartunista do jornal O Povo, de Fortaleza, CE.
Genialidade é uma coisa que não falta a esse cearense.
Marco Haurélio, Assis Ângelo e Klévisson Viana
Tinha Klévisson 25 anos quando escreveu e publicou seu primeiro folheto de cordel: A botija Encantada e o Preguiçoso Afortunado. Belíssimo.
É muito difícil falar de pessoas queridas, de pessoas que vivem à nossa volta.
Conheci Klévisson Viana há duas décadas, quando participou da exposição 100 Anos de Cordel. Essa exposição, inaugurada no Sesc Pompéia, SP, em agosto de 2001, foi idealizada pelo jornalista alagoano Audálio Dantas (1929-2018). Fiz parte dessa exposição, como curador da parte referente a poetas repentistas. Dessa parte participaram Ivanildo Vila Nova, Oliveira de Panelas, Valdir Teles, Geraldo Amâncio, Andorinha, Sebastião Marinho, Mocinha de Passira e tantos outros.
Xilogravador, em 2001 Klévisson fez a sua primeira gravura em São Paulo.
Foi nesse mesmo ano que Klévisson escreveu com Téo Azevedo um folheto intitulado “A peleja de São Paulo com o monstro da violência” e um outro com seu irmão Arievaldo Vianna (1967 – 2020) sobre Bin Laden e a destruição das torres gêmeas em Nova Iorque (Trend Center).
Sua primeira xilogravura teve como “modelo” o autor do livro Dicionário Gonzagueano, que não por acaso vem a ser eu.
Klévisson cresceu e ficou do tamanho do mundo, de um mundo sem tamanho.
Correndo rápido que nem uma onça, em disparada que nem um tufão, Klévisson entendeu muito cedo que era preciso voar. E com as asas do pensamento tem realizado tudo que se possa imaginar.
Está se transformando num ser sem fronteiras.
A obra de Klévisson Viana já é conhecida em várias línguas, desde a França: México, Portugal, Turquia, Bélgica...
Há uns 10 anos fiz um roteiro sobre a vida do rei do baião, Luiz Gonzaga, para Klévisson quadrinizar (Leia: LUIZ GONZAGA O REI DO BAIÃO). Ficou muito bonito. Por esse tempo também compus com ele dois textos: um sobre Dom Quixote e outro sobre Patativa do Assaré, ambos musicados e gravados pelo baiano Gereba. Ouça: QUIXOTEANDO
Um dos folhetos de Klévisson, A Quenga e o Delegado, foi adaptado para a série Brava Gente (TV Globo, 2001). A personagem feminina do folheto teve a brilhante interpretação de Ana Paula Arósio. Confira:

Antônio Clévisson Viana Lima nasceu no dia 3 de novembro de 1972, em Quixeramobim (CE).

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domingo, 15 de agosto de 2021

ICH! É FOGO NA ROUPA!

É como diria minha vó Alcina: "a política tá pegando fogo!"

Pois é, não é de hoje, os políticos estão acesos. E o pavio, curto.

Semana que passou rolou um pandemônio dos infernos, em Brasília e alhures. Começou com Bolsonaro, chamando Barroso de "filho da puta". O agredido ficou na moita, como manda o figurino jurídico. Mas o homem da caneta bic não parou por aí: foi se arrepiando, foi se arrepiando... Até tanque botou na rua. Tanque fajuto, mas tanque. A ideia era nos arrepiar. Com fumaça e tudo.

A semana que passou começou pegando fogo e terminou pegando fogo.

O Ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou pro xinlindró um ex-deputado. Esse falastrão, taliquá seu inspirador palaciano. A cadeia está ficando cheia de deputado e de ex-deputado, também. Até aquela Flor de não sei o que, deixa pra lá!

O grave nisso tudo, o mais grave, é que Bolsonaro não ver a hora de dá um golpe no toitiço do Brasil. É isso que ele quer, tanto que chegou ao ponto de afirmar que as Forças Armadas são o "poder moderador".

O Poder Moderador foi criado em 1824 e como tal constante da nossa primeira Constituição que durou até o Golpe Militar desfechado pelo Marechal alagoano Deodoro da Fonseca, em 1889.

As Forças Armadas, meus amigos e amigas, são instituições legítimas e necessárias criadas para defender  o Brasil de ataques externos ou balbúrdia interna.

É de ser estranhar o fato de haver discussão em torno da qualidade da urna eletrônica. Nos últimos 25 anos, todos os políticos foram eleitos através do voto eletrônico. E ninguém chiou.

Bom, estou pronto pra votar. Na paz, com paz.

E viva o Brasil.


Roberto Siviero

A Olimpiada de 2020 terminou com 21 medalhas no peito de brasileiros e brasileiras, no Japão. Isso sem maiores incentivos oficiais do Estado ou da Iniciativa privada.

Há no Brasil pessoas incríveis dedicando-se a história do esporte. Um desses brasileiros é o paulistano Roberto Siviero que estudou e continua estudando mundo a fora é PHD em Admistração pela Universidade do Texas, EUA.

O cabra aí sabe tudo e mais um pouco sobre gestão de esportes.

Logo mais às 20h30, Siviero vai mostrar o que aprendeu ao radialista Carlos Sílvio.

Agende-se: https://www.youtube.com/channel/UCW7gLoeaKwZ9jy6c3KQjWfw 

Ps: as Paraolímpiadas 2020 começam no próximo dia 24 e se estenderão até o dia 05 de setembro. O meu treinador, Anderson Gonzaga, disse para minha tristeza que não estou preparado, quer dizer, fora de forma, sequer pra disputar a simples modalidade um "cuspe à distância".

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

EU E MEUS BOTÕES (3)

"A minha vida é um desfuturo", diz Jão com as sobrancelhas pra baixo. Eu não entendi, o que você quis dizer com isso, Jão? "O Brasil que eu amo, é um Brasil que o presidente desama".
Jão, um dos meus botões prediletos, estava em baixa. Estava triste. "Mas ele vai se levantar já, já", falou firme Zilidoro. 
O Zé, que é de poucas palavras, diz que entendia perfeitamente o que Jão estava a falar: "O que o sujeito lá do Planalto está fazendo é uma obra de matar o povo".
Os gêmeos Biu e Barrica correram a acudir Jão: "Isso tudo vai passar, você vai ver, Jão".
Lá do canto onde se achava, Mané tentou mudar de assunto: "Calma, calma. Isso tudo que ora vivemos, vai passar". Certamente, disse eu. Acrescentei: os dias brasileiros têm sido dias muito compridos, terríveis. Na política, naturalmente.
Zilidoro, filosoficamente, disse: "A CPI da Covid tá botando pra lascar. Essa CPI vai levar o negacionista Bolsonaro à cadeia".
"Na cadeia, eu tenho uns amiguinhos...", disse Lampa enigmaticamente, lambendo o seu punhal.
Aos meus ilustres botões, perguntei: O que vocês acharam do desfile dos blindados do Exército, diante do esquisito presidente?
Em uníssono, em uma bagunça total, todos responderam: "UM HORROR! UM HORROR!"
"Seu Assis, o sr. conhece uma música chamada Fumacê?", perguntou-me Zé, assanhado. "Pergunto isso porque tem tudo a ver com aquele desfile horroroso, patrocinado pelas Forças Armadas lá em Brasília, em que um tanque se dissolvia em fumaça. Triste e trágico". Eu disse hmmm... E Zé: "Eu gostaria de ouvir essa música e compartilha-la com o povo do meu povo."
Então tá...

MARGARIDA É LIBERDADE

Conterrânea do cantor e compositor paraibano Jackson do Pandeiro, Margarida Maria Alves nasceu no dia da fundação da Paraíba: 5 de agosto.
Margarida foi uma mulher de força retumbante. Acreditava que só com luta era possível alcançar a liberdade. E lutou. 
No dia 12 de agosto de 1983, um bandido negacionista como Bolsonaro atirou uma bala certeira em seu rosto, enquanto uma criança filha sua brincava na calçada da casa onde morava, em Alagoa Grande, PB. Testemunhando tudo. 
A ditadura matou essa Margarida.
Margarida é liberdade.
O cantor, compositor e instrumentista Jorge Ribbas gravou um texto que eu quero que você, meu amigo e minha amiga, ouça:

 

LINDALVA CAVALCANTE DA HORA

Há seres que chegam à vida e deixam marcas, como Margarida Maria Alves. Como Tiradentes. Como Cristo.
Hoje 13 é aniversário de não sei quantos anos da paranaense Lindalva Cavalcante da Hora. Uma brasileiríssima. 
Essa Lindalva, até no nome, ensina crianças e adolescentes na favela Paraisópolis. A molecada desse lugar a adora.
Lindalva Cavalcante da Hora é resistência. É vida.
A busca pela liberdade é eterna. E isso ela busca, ensinando pessoas a serem cidadãs. 

NEGACIONISMO É PRAGA SEM CURA

O negacionismo é uma porcaria.
Os negacionistas são pessoas que transitam na vida de modo irracional. São frouxas. São pessoas que vivem fora do mundo real. Lunáticas. Pior: pessoas que vivem para prejudicar as outras. São ruins. Covardes. 
Esse tipo de pessoa existe desde tempos imemoriais.
Os negacionistas são diferentes dos ateus.
Os ateus não acreditam em Deus, os negacionistas não acreditam na verdade histórica. São contra a Ciência, por exemplo.
Giordano Bruno acreditava na teoria de Nicolau Copérnico, que acreditava na teoria de Eratóstenes.
Eratóstenes, um grego, foi o primeiro cientista a calcular a esfera terrestre. E isso quase 3 séculos a.C. Quer dizer: ele acreditava, já àquela época, que a Terra é redonda.
A teoria de Copérnico, que por pouco não o levou à fogueira, baseava-se no Heliocentrismo.
Bruno apostava todas as fichas em Copérnico. Resultado: ardeu na fogueira, no centro de Roma.
Os negacionistas são um horror. 
Os negacionistas não acreditam na Santa Inquisição, no Holocausto e tudo o mais.
O presidente Bolsonaro, um idiota num estágio mais completo, não acredita que o Brasil viveu duas décadas mergulhado na ditadura militar (1964-1985).
Os negacionistas não acreditam na realidade que lhes incomodam. E não precisamos ir muito longe para confirmar isso.
Em 1902, a varíola invadiu os corpos dos brasileiros.
Os negacionistas não acreditaram na varíola.
Em 1918, os negacionistas botaram de novo as unhinhas de fora: não acreditaram na gripe espanhola.
Os negacionistas são um horror, loucos de pedra. Irracionais. Pe-ri-go-sís-si-mos.
Galileu Galilei apostou que a Terra é redonda, como Bruno, Copérnico e Eratóstenes.
Por pouco, Galileu escapou da fogueira. Pra isso, teve que desdizer a sua teoria perante à Igreja.
Essa raça, de negacionistas, existe há muito tempo.
Não há cura para negacionistas.
E os ateus?
Eu, ein?

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

COVID-19 MATA TARCÍSIO MEIRA

João do Rio tinha 20 e poucos anos quando tentou seguir a carreira diplomática, brecada injustamente pelo Barão do Rio Branco.
Tarcísio como Hermógenes, em
Grande Sertão: Veredas

Tarcísio Pereira de Magalhães Sobrinho tinha 20 e poucos anos quando tentou seguir a carreira diplomática, tentativa essa brecada pelas notas baixas que recebeu numa prova.
Há muitos casos de jovens que ingressaram na carreira diplomática e deram certo, como João Cabral de Melo Neto e João Guimarães Rosa.
Esses dois Joões chegaram e partiram deixando obras inigualáveis.
Esses dois Joões são orgulhos nacionais, como Tarcísio Pereira de Magalhães Sobrinho.
Ao ser reprovado pelo Itamaraty, o paulistano Tarcísio Pereira de Magalhães Sobrinho trocou o nome de batismo pelo pseudônimo Meira, Tarcísio Meira.
O ator Tarcísio Meira começou a carreira no teatro em 1955. Três anos depois, já ocupava o palco com destaque.
Em 1961 Tarcísio conheceu a gaúcha de Pelotas Nilcedes Soares e, olhos nos olhos, apaixonaram-se.
Tarcísio Meira deixou uma obra muito bonita no teatro, cinema e TV brasileiros. A Covid-19 o levou. Sua companheira Nilcedes, na arte Glória Menezes, também pegou o novo Coronavírus e permanece internada no Hospital Albert Einstein.
Em 1985, Tarcísio Meira interpretou brilhantemente o cangaceiro Hermógenes do romance Grande Sertão: Veredas.
O Itamaraty perdeu um embaixador, mas ganhou um grande ator.
O Itamaraty perdeu João do Rio, mas o Brasil ganhou nele um grande jornalista.
É a vida

COVID-19/JORNALISTAS

Até agora o maldito novo Coronavírus contaminou milhões e milhões de brasileiros.
Até agora, a maldita Covid-19 matou 278 jornalistas brasileiros. Desses, 199 até julho.
Fica o registro.
Ah! No dia 8 de agosto de 2020 escrevi e gravei o seguinte poema. Clique:

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

TINHORÃO OUVE BRAU MENDOÇA NO INSTITUTO MEMÓRIA BRASIL (IMB)

Tinhorão, Brau, Assis e Rosângela no Instituto Memória Brasil, IMB

Há uma semana o Brasil recebia a triste notícia do passamento do jornalista e historiador José Ramos Tinhorão. Pra muita gente, ele era uma pessoa inacessível, ranheta e personalista. Não era.

O meu convívio com Tinhorão foi longo. Posso dizer que ele foi o segundo jornalista que conheci em São Paulo, num ano qualquer dos 70. A seu respeito escrevi muitas matérias e fiz debates, o último em 2018, na Ação Educativa. O primeiro foi para o extinto Diário Popular, que ocupou duas páginas.

Uma das últimas vezes que Tinhorão esteve comigo, no Instituto Memória Brasil, IMB, foi no começo de 2019. Um pouco antes, o violonista Brau Mendonça e a cantora Rosângela Alves estiveram a me visitar. O resultado, foi um belo papo. Um trecho desse papo pode ser conferido num clique:

ANIVERSÁRIO

Ontem 10 foi um dia pra não esquecer: aniversário da menina Maria Cecília da Hora Sena Durães, que quer ser arqueóloga. A arqueologia é uma profissão que exige muita paciência de quem a abraça. Os profissionais dessa área, incluindo William Thoms são esforçadíssimos e pacientes. Fazem história da história. Foi não foi, correm notícias de que algum deles, ou alguns, descobriram pérolas enterradas há séculos, há milênios, na Paraíba, Piauí, Oriente Médio, na caixa e prego. E desse jeito, a história é reconstruída. Parabéns, Cecí!

domingo, 8 de agosto de 2021

LUÍS GAMA VIRA TEMA DE FILME

No nosso acervo, a 3ª edição de
Trovas Burlescas, de 1904

Luís Gonzaga Pinto da Gama tinha dez anos de idade quando o pai, um português branco, vendeu-o para saldar dívidas de jogo de azar. 
Oito anos depois de ser vendido como escravo, o menino Luís Gama fugiu e muito tempo depois foi reencontrado servindo o Exército. 
Estou falando de um tempo já distante, muito distante. Luís Gama nasceu em 21 de junho de 1830 e morreu em 24 de agosto de 1882. 
Não foi fácil a vida desse menino. A mãe de dele, Luísa, era uma africana livre. 
Ela e o filho moravam em Salvador. 
Foi em Salvador que Luís Gama nasceu. Logo após deixar o Exército, ele tentou estudar formalmente na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. 
Mas não conseguiu. O máximo que lhe permitiram foi assistir a aulas de modo informal. 
E assim virou rábula. E, como rábula, conseguiu a libertação de centenas de escravos. No momento, está em cartaz nos cinemas do País o filme Doutor Gama, dirigido por Jeferson De. Gama é interpretado, em três fases da sua vida, por Pedro Guilherme (criança), Ângelo Fernandes (jovem) e César Mello (adulto).
 Além de abolicionista de primeira hora, Luís Gama deixou uma obra poética de grande expressão. Pequena, mas densa. 
Em 1859, seus principais poemas foram reunidos no livro Primeiras Trovas Burlescas (Bentley Junior & Comp − foto). Raríssimo. 
Está mais do que na hora de as editoras relançarem a obra desse grande brasileiro. 
Ia me esquecendo: a mãe de Luís Gonzaga Pinto da Gama foi uma pessoa muito importante na Revolta dos Malês (1835). 
 

sábado, 7 de agosto de 2021

UM NOME PRA SER LEMBRADO

Antes de mais nada, o seguinte: já passou da hora de José Ramos Tinhorão virar nome de um prêmio cultural, seja em que esfera for. Particular, inclusive.

O jornalista e historiador José Ramos Tinhorão fechou os olhos e partiu para a eternidade terça-feira 3.

Esse José eu conheci de perto.

Frequentei o seu espaço desde o tempo em que ocupava um minúsculo apartamento da Rua Maria Antônio, SP.


Costumávamos, nos últimos anos, molhar o gogó com uma boa cana ou um bom vinho na minha casa.

Muitas vezes, depois que perdi meu par de olhos, ele com toda simplicidade do mundo e atenção lia livros pra mim.

Sinto profundamente a sua falta. Era inteligentíssimo, persistente e arguto. Deixou uma trintena de livros publicados sobre a nossa formação cultural.

Nos últimos anos, nos últimos vinte e poucos anos, a historiadora aposentada pela USP, Maria Rosa, sua companheira, foi de grande importância na sua vida. Ele a ouvia com muita atenção. Maria o ajudava passando a limpo seus textos, já que ele costumava escrever à mão.

Guardo boas lembranças do amigo.

Lembro do "esporro" que me deu quando cheguei à Câmara Municipal de São Paulo para receber o título de Cidadão Paulistano, em 1998.Por ali. Eu estava atrasado para a solenidade e ele a minha espera do térreo do elevador que nos levaria ao andar onde recebi o título. O esporro deveu-se ao fato de eu não está engravatado. Só de bleize. "Como é que você vem receber o título  de cidadão da cidade mais importante do Brasil, sem gravata?". Passo seguinte, tirou a própria gravata e a enfiou no meu pescoço.

Muitas histórias.

Muita gente passou a vida esculhanbando Tinhorão, dizendo que ele era um chato e tal. Não era.

Tinhorão era um doce de pessoa: afávio, solícito e atencioso.

Ganhei muito discos e livros dele. Eu retribuia-o com livros e discos que trazia das minhas andanças por lugares distantes da capital paulista.

Uma vez Tinhorão me disse que ficara curioso com um ritmo musical que até então desconhecia: o Rasga, de origem portuguesa e que não existe mais. Foi quado lhe disse que tinha um discos de 76 rpm(voltas) e com isso ele encerrou sua pesquisa que resultou no livro O Rasga.http://assisangelo.blogspot.com/2011/07/jose-ramos-tinhorao-e-sua-grande-obra.html 

Pra encerrar: uma vez nos encontramos em Lisboa e foi uma festa. Comemos uma ótima bacalhoada regada a vinho do porto http://assisangelo.blogspot.com/2011/02/jose-ramos-tinhorao-83-viva.html .

Tinhorão merece ser sempre lembrado.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

TINHORÃO ERA DOS BONS

Assis, Tinhorão, Cilene,
Colibri e Davi

O cantor, compositor e instrumentista paraibano Vital Farias teve o seu nome nacionalmente reconhecido primeiramente pelo jornalista, historiador e crítico musical José Ramos Tinhorão. Isso em 1978. Detalhe: Tinhorão não gostava de ser chamado de crítico.
Vital telefonou há pouco para dizer da gratidão que tinha por Tinhorão. Na visão de Vital, Tinhorão foi um diferencial entre os jornalistas que escrevem sobre discos e músicas. 
A mesma coisa diz o compositor e instrumentista Osvaldinho da Cuíca, que um dia decidiu mergulhar no mar das pesquisas. De certo modo, para Cuíca, Tinhorão mudou sua vida. "Foi ele quem me chamou à atenção para a pesquisa musical", conta o instrumentista.
Muitos e muitos artistas brasileiros não esquecem a seriedade com que Tinhorão estudava a história brasileira, especialmente a história da música.
Lembro de certa ocasião em que Geraldo Vandré e Tinhorão discutiam civilizadamente sobre música popular. Foi aqui, em casa. Tinhorão perguntou a Vandré por que ele começou a carreira cantando e tocando bossa nova. Vandré disse que não, que não cantava ou tocava bossa nova. E rindo, Tinhorão cantarolou algumas faixas do primeiro LP de Vandré, lançado em 1964.
Era grande o respeito que Vandré tinha por Tinhorão.
Mas houve também artistas que tapavam o ouvido toda vez que o nome de Tinhorão era lembrado. Caso de Aldir Blanc (1942-2020), que chegou a compor uma música em parceira de Maurício Tapajós (1943-1995) depreciando o velho jornalista: Querelas do Brasil, gravada por Elis Regina (1945-1982).
Audálio, Tinhorão e as gêmeas
"Tinhorão era um doce de pessoa", lembra o cartunista Fausto.
O jornalista alagoano Audálio Dantas também dizia do respeito que nutria por Tinhorão. Idem as cantoras mineiras Célia e Celma: "Ele levava muito à sério a história do Brasil".
Num dia qualquer de 2016, os jornalistas Colibri e Cilene, mais o ator e câmera man Davi de Almeida, chegaram de repente a minha casa e surpresos deram de cara com José Ramos Tinhorão. Colibri logo o convidou para uma entrevista na Rádio que dirige, Brasil Atual. O papo foi longo.
Tinhorão era uma pessoa muito afável, muito alegre. Não tinha raiva, nem guardava mágoa de ninguém. Era brincalhão, espirituoso, cheio de onda. VOZ DISSONANTES 
E deixou frases clássicas como essas: "Tenho pena de não poder ter sido amigo do Tom (Jobim), porque ele era um bom sujeito, coitado. Só que pensava que fazia música brasileira e fazia música americana".
Em 2002 convidei Tinhorão para participar do programa São Paulo Capital Nordeste,  que durante anos apresentei na Rádio Capital 1040 AM. Ele foi. Na ocasião, vários artistas ficaram espantados com a sua presença. Fagner foi um desses. E pra minha surpresa, li texto que ele escreveu a respeito do meu programa: Ainda não está tudo dominado. Também prefaciou um livro meu, sobre Luiz Gonzaga: Eu vou Contar pra Vocês.
É isso. Dizer mais o quê? 
 

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

TODA PERDA É LUTO. ESTOU DE LUTO

 
Tinhorão, Assis Angelo e Téo Azevedo no Instituto Memória Brasil

Eu tive dois grandes professores: Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) e José Ramos Tinhorão (1928-2021). 
Aprendi, aprendi muito com eles.
Cascudo me apresentou o Nordeste como ele é e Tinhorão, a história do Brasil a partir da nossa música popular. Como ela é.
O Brasil é o 5º maior país do planeta, territorialmente e populacionalmente falando.
Somos um povo que vive num lugar sem terremotos e tsunamis.
Somos um povo simples e trabalhador.
Somos um povo de gênios, em todos os cantos da vida cotidiana. E multifacetado.
Fiquei triste, muito triste quando Cascudo partiu para a Eternidade.
Também fiquei triste quando Tinhorão partiu para a Eternidade.
Perdi meu pai e minha mãe há muito tempo.
Eu era menino de calça curta quando os meus pais partiram. Ele Severino, ela uma Maria.
O luto faz parte da minha vida. Até parece que o luto me persegue: além dos meus pais, perdi irmãos e muita gente querida. E agora lá se vai Tinhorão.
Toda perda é luto.
Fiquei de luto quando perdi o par de olhos que iluminava a minha cara redonda de nordestino desembestado na vida.
Maria Rosa, aposentada historiadora da USP e companheira de Tinhorão por muitos anos, telefonou-me para falar do sucedido.
Tinhorão sofreu um AVC no domingo de 27 de janeiro de 2019. Dois dias antes, ele esteve comigo bebericando vinho. 
"Ele sofreu muito, antes de morrer", disse-me Maria.
Tinhorão morreu num hospital do Alto da Lapa, SP.
Pra muita gente, ele era um intelectual raivoso. Não era. Quem privou da sua amizade sabe disso. Na verdade, na verdade, ele era um tremendo brincalhão.
Um dia, Tinhorão chegou cá em casa dizendo que estava cansado da vida. "Acho que estou ocupando espaço alheio", disse. E disse sério. Acrescentando: "Ser velho é uma merda!".
Tinhorão era ateu.
A obra desse brasileiro é importantíssima, toda desenvolvida pelo viés marxista-leninista.
Tinhorão dedicou todo o seu tempo a entender e explicar o Brasil, para brasileiros. Houve momentos que sofreu com isso, sofreu por sentir-se incompreendido. Muito.
Chamavam-no de crítico musical. Ele não gostava disso. "Eu sou um historiador", disse-me mais de uma vez.
Tinhorão acreditava no povo e na força do povo. Casou-se com a filha de um general... Não deu certo. Um dia disse à mulher: "Eu vou ali à padaria e volto já". E não voltou. 
Eu conheci José Ramos Tinhorão num dia qualquer de 1976 ou 1977. No tempo em que morava numa kitnet da rua Maria Antônia, centro paulistano.
Viramos amigos, desde então.
O tempo passou e surpresas o tempo me deu. Fiquei cego, dos olhos. Só dos olhos. Ao saber disso, Tinhorão ficou mais perto de mim. E eram boas as horas que passávamos conversando, trocando ideias. "Você é um menino", provocava. E rindo, "O que vamos ler hoje?". E aí pegava um livro, dentre milhares que há aqui em casa, e lia. 
Tinhorão e Fausto, no Instituto Memória Brasil
Às vezes ele trazia livros de casa para ler para mim. Revistas, às vezes.
Cá em casa foram muitas as vezes que a Tinhorão apresentei pessoas, como Geraldo Vandré e Audálio Dantas. E tanta gente.
Certa vez, numa discussão agradabilíssima, Vandré tentou negar ter sido bossa-novista. Tinhorão riu. E explicou cantando várias músicas do repertório do primeiro LP do autor de Pra Não Dizer que Não Falei de Flores. Ao fim, rimos todos.
Lembro de Tinhorão ouvindo atentamente o mineiro Téo Azevedo tocando viola e cantando, cá em casa.
Lembro também de Tinhorão ouvindo atentamente o cartunista Fausto. E Fausto encantado, dizendo: "Que alegria lhe conhecer, Tinhorão".
Muitas e muitas são as histórias que tenho com Tinhorão. 
Em agosto de 2015, recebi um colega do Estadão para falar coisas. Lá pras tantas, chegou Tinhorão. Era uma sexta-feira. Por favor, leiam: Depois de ficar cego, Assis Ângelo luta para digitalizar acervo
É isso. 
Ah, sim! Ia me esquecendo: meu amigo, minha amiga, você já ouviu Querelas do Brasil? Clique:

LEIA MAIS:

TINHORÃO É MADEIRA QUE CUPIM NÃO RÓI

terça-feira, 3 de agosto de 2021

ADEUS, TINHORÃO

 

José Ramos Tinhorão partiu, mas deixou uma obra necessária para quem quiser conhecer a história da música e do Brasil.
Nascido em Santos, SP, José Ramos era formado em Direito e Jornalismo.
Começou a carreira de repórter como freelancer do Diário Carioca, em 1951.
Foi amado e odiado.
Quem amava Tinhorão, amava de verdade.
Quem odiava Tinhorão, odiava de verdade.
Certa vez lhe perguntaram o que achava da bossa nova. Uma bobagem, disse. E acrescentou: "O ritmo dessa bobagem é um pingo de chuva".
O "iê, iê, iê" era para Tinhorão, uma tradução mal feita do rock. "Uma coisa de otário, para otário", definiu.
Tinhorão foi o segundo jornalista que conheci quando troquei João Pessoa, PB, por Sampa. O primeiro foi o alagoano Audálio Dantas (1929-2018). À época, presidente do Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo.
A última vez que eu e Tinhorão nos encontramos foi na tarde do dia 25 de janeiro de 2019. Morávamos perto. Eu na alameda Eduardo Prado e ele na alameda Barão de Limeira, Campos Elíseos, SP. Ele costumava vir na minha casa (fotos acima) todas as quartas e sextas. Vinha bater papo. Vinha me distrair, especialmente depois que perdi a visão dos olhos.
Antes, dois dias depois de vir à minha casa, sofreu um AVC que o prostrou na cama até hoje 3, logo depois das 15h.
Tinhorão morreu cego.

LEIA MAIS:

domingo, 1 de agosto de 2021

VOTE BEM, VOTE JORGE RIBBAS!

O músico pernambucano Jorge Ribbas está participando do Festival Rádio MEC.

São muitos os concorrentes ao festival. Detalhe: os internautas podem influir na escolha dos melhores participantes. Para tanto, basta clicar: https://radios.ebc.com.br/festival-de-musica-radio-mec/2021/07/votacao-semifinal-festival-radio-mec-2021 

Sobre Jorge Ribbas, leia: https://assisangelo.blogspot.com/2019/07/o-rock-tem-cronista-jorge-ribbas.html

https://assisangelo.blogspot.com/2019/07/jorge-ribbas-uma-historia-cidada.html

CEGUEIRA COMO PAUTA

Até agora, o radialista Carlos Sílvio entrevistou dois jornalistas cegos: Eu e Filipe Oliveira, 32 anos.

A entrevista com o menino Filipe foi feita ontem 31, ao vivo, no programa Paiaiá na Conectados. Durou 55 minutos.

https://www.youtube.com/watch?v=0zxZVgHmPbY&t=550s

Foi uma bela entrevista. Natural. leve.

Começou com o apresentador falando da vida pregressa do entrevistado. 

A primeira pergunta tratou de sua infância. 

Depois, a entrevista ganhou corpo com diversos temas postos à mesa. E Filipe, falou, falou, falou. Bonito e rindo. Sempre rindo. Disse do seu interesse pela vida, pela profissão, pelo conhecimento. È também músico. Pianista. 

Disse que sua cegueira tem aumentado no decorrer do tempo. 

Filipe chegou a fazer tratamentos específicos, em Cuba e tal.

Chamou-me a atenção o fato de Filipe falar pouco sob sua condição de deficiente visual. Contratado pela jornal Folha e São Paulo é titular do blog semanal Haja Vista.

Segundo dados da ONU, a cada minuto uma pessoa fica cega no mundo. 

No Brasil, o IBGE até agora não nos deu dados relacionados à questão. Fala de quinhentos e não sei quantos mil, 1 milhão, sei lá!

Há pessoas que nascem cegas, outras não.

Eu nasci vendo e agora já não vejo. 

Para meu problema, houve uma explicação: descolamento de retina.

No começo, não foi fácil encarar a situação.

Submeti-me a nove cirurgias, a maioria no HC.

Foi terrível, principalmente na hora que os especialistas me deram a notícia de que pra meu caso, não há solução.

Meu mundo caiu, como na canção de Dolores Duran. Só que no meu caso, a questão não era de amor. Era de dor profunda na alma. 

Os anos passaram e eu renasci, revivi. 

Estou-me reinventando e a minha vontade maior, agora, é levar avante um programa pra tv. Título: Visão Cidadã. 

Já andei falando sobre esse projeto.

Leia:

https://assisangelo.blogspot.com/2021/04/j-aborta-tema-o-deficientes.html

Filipe Oliveira é paulistano do bairro da Bela Vista.

Ia-me esquecendo: há pouco ouvir uma belíssima fala do filósofo Clóvis de Barros. 

Clóvis é jornalista e filósofo, perdeu um olho e agora corre o risco de perder o outro. Ele fala isso com toda naturalidade do mundo. Paulista de Ribeirão Preto, 55 anos. Confira:

https://www.youtube.com/watch?v=0zxZVgHmPbY&t=550s




BRÁULIO TAVARES
O paraibano Bráulio Tavares é  próxima entrevista de Carlos Sílvio. Amanhã, às 20h30.
Bráulio é um curinga da cultura popular brasileira. Sobre o assunto, sabe tudo e mais um pouco. Como se não bastasse, ele faz poesia e música. É bom de papo.
Não percam.

sábado, 31 de julho de 2021

NOSSA LÍNGUA, NOSSA ALMA

 Depois de quase seis anos em obra, o museu da Língua Portuguesa volta a ser reinaugurado.

A solenidade de reinauguração ocorreu hoje e amanhã 1° será aberto à população. O museu da Língua Portuguesa, instalado no complexo da Estação da Luz, SP, foi engolido pelo fogo na madrugada de 1° de dezembro de 2015.

O incêndio engoliu tudo, incluindo um bombeiro que lutava contra as chamas.


É de grande importância esse museu. Ele conta a história da nossa língua e de línguas que influenciaram a língua portuguesa.

Convidados, os ex-presidentes FHC e Michel Temer compareceram e falaram a respeito da nossa língua. Lula e Dilma declinaram do convite. Bolsonaro, preferiu brincar de motociclista no interior de São Paulo.

Nove países falam português, entre os quais Angola e Moçambique, que herdamos de Portugal.

Eu estive na solenidade de entrega da área onde se acha o museu. À época eu estava à frente da assessoria de imprensa do Metropolitano. 

Também estive na reinauguração do museu, mas não estive hoje na sua reinauguração.

O Brasil está de parabéns por ter uma museu tão importante.

No calendário oficial de comemorações, há um dia especial para lembrarmos a importância da língua que falamos, 5 de maio.


BARONCELLI, UM CRAQUE DA TECNOLOGIA

O radialista baiano Carlos Sílvio continua emplacando boas entrevistas no programa Paiaiá na Conectados, feitas ao vivo pela internet. Leia-se Youtube.

Durante a Pandemia que ora maltrata a humanidade Sílvio já entrevistou mais de 260 personagens, muitos das quais do meio cultural e jornalístico. Seu entrevistado mais recente foi o jornalista paulistano Wilson Baroncelli.

Baroncelli, editor executivo do news latter Jornalista & Cia, falou de sua vida pessoal e da sua vida profissional. Disse, por exemplo, que a tecnologia veio pra botar de ponta cabeça o jornalismo mundial. E que nesse área se considera um craque. Lembrou também dos grandes jornalistas como Zuenir Ventura, Jânio de Freitas e José Hamilton Ribeiro, "um exemplo de jornalista". Ressaltou a importância de Samuel Wainer (1910-1980) e Audálio Dantas(1929-2018).  Disse que nasceu no bairro da Bela Vista e, antes do jornalismo, chegou até a trabalhar em instituições bancárias.

Foi uma bela entrevista.

Confira:


FILIPE OLIVEIRA
Daqui a pouco o radialista Carlos Sílvio  entrevistará o jornalista Filipe Oliveira, paulistano de 37 anos. 
Filipe, deficiente visual, falará da sua experiência profissional no jornal Folha de São Paulo, onde mantém a coluna Haja Vista.
Se eu fosse você, não perderia essa entrevista.
No ar, ao vivo, às 20h30.
Link: https://www.youtube.com/channel/UCW7gLoeaKwZ9jy6c3KQjWfw

JORNALISMO QUE NÃO SAI DE MODA

No começo do século XX, o jornalista João do Rio emplacou vários furos de reportagem no jornal Gazeta de Notícias.
João, não à toa o criador da reportagem, subiu e desceu morros e lugares outros nunca frequentados por intelectuais ou repórteres.
A prática de furos nunca ficou de lado.
O repórter João do Rio morreu no dia 23 de junho de 1921. O newsletter Jornalista e Cia publicou edição especial a seu respeito. Clique.
Nos tempos atuais, os jornais Estadão, Folha, O Globo, a rádio CBN e programas de TV como Jornal Nacional e Fantástico têm abastecido a curiosidade dos leitores, ouvintes e telespectadores. 
A podridão do governo Bolsonaro têm sido escancarada quase todos os dias. Isso é bom para os brasileiros e a própria democracia. 
A história do jornalismo brasileiro e mundial é recheada de furos. 
Na segunda parte dos anos de 1960, o repórter José Ramos Tinhorão brindou aos leitores uma belíssima entrevista com a viúva do Marechal Hermes da Fonseca, Nair de Teffé. 
Eu mesmo realizei vários furos de reportagens. 
Furo de reportagem é uma reportagem exclusiva ou uma entrevista igualmente exclusiva. 
É isso. 
Terça 27 o radialista Carlos Sílvio levou ao ar uma ótima entrevista com o repórter norte americano Ken Silverstein. 
Silverstein é repórter investigativo. Já foi correspondente do Brasil para jornais estrangeiros. Uma vez lhe perguntaram, qual é o seu lado? "Não tenho lado", respondeu o jornalista. Confira a entrevista completa: 

sexta-feira, 30 de julho de 2021

O BRASIL FAZ BONITO NO JAPÃO




Os jogos Olímpicos sempre encantaram o mundo, desde tempos anteriores a Cristo. 
Os tempos de hoje são enriquecidos ainda por esses jogos, pelas apresentações dos atletas concorrentes. 
Isso tudo é muito bonito, visualmente. 
A nossa sociedade, a sociedade mundial, é rigorosamente visual e preconceituosa. 
Sofro com isso. Eu e milhões de cegos espalhados por aí afora. 
Os apresentadores de TV não narram para cegos, narram para eles próprios: os visuais. Os jogos, esses jogos, continuam encantadores. 
Orgulho-me ao saber da vitória dos nossos irmãos brasileiros. Emocionei-me ao "acompanhar" os movimentos de Ítalo Ferreira (Ouro); Rebecca Andrade, Raissa Leal, Kelvin Hoefler (Prata); Fernando Scheffer, Mayra Aguiar, Daniel Cargnin (Bronze). 
Pra chegar ao podium, não é fácil. Principalmente quando se trata de atleta brasileiro, que não costumam receber apoio oficial. Ao contrário da China, Japão e EUA, cujos governos tratam os esportes e esportistas com todo carinho possível. 
No Brasil, a luta de todos é hercúlea. 
Até agora, dentre os sete medalhistas, há duas meninas e dois meninos de origem negra, e pobres. Quer dizer, a história se repete. 
É preciso muito esforço e esperança pra que se concretize destaques entre os mais de cinco mil atletas que participam dos jogos em Tóquio. 
E o cartunista Fausto, hein? 
Será que o Fausto está disputando ouro no Japão?
Esse Fausto é de ouro.

Leia mais: 
https://assisangelo.blogspot.com/2016/08/faltou-baiao-no-maracana.html
https://assisangelo.blogspot.com/2016/08/olimpiada-e-feijoada.html

EU E MEUS BOTÕES (2)

Por onde vocês andaram, perguntei a meus botões: Zé, Mané, Biu, Lampa, Barrica, Zilidoro e Zoião.
Barrica, que é chegado a um bom mé, fez hic e disse: "Tenho andado quieto, sem ter o que fazer". 
Os outros botões, quase ao mesmo tempo, disseram: "Você nos abandonou e nos enfiou no armário".
É verdade, com esse frio que tem assolado nosso São Paulo, obrigou-me a trocar a camisa por vocês habitada por uma blusa de lã... "Sem botão, você é muito individualista", acusou-me Zilidoro. Fazendo coro, seguiram-se Barrica e Biu. 
Barrica e Biu são irmãos gêmeos. Tem não sei quantos anos e uma cara safada de dar raiva. Ao mesmo tempo, disseram: "Na próxima vez que nos abandonar, nós é que lhe abandonaremos". Retruquei, tá bom, tá bom.
E joguei a eles uma provocação: "O que vocês acharam da última live do presidente?".
Lampa foi o primeiro a falar: "Eu já não aguento esse cara, estou amolando meu punházinho...". Ao ouvir isso, Zé gritou: "Já já ele vai ver!". 
No Nordeste, quem diz que "você vai ver, você vai ver...", está ameaçando. Eu hein!
Quando já estava enfiando meus botões nas suas casas, ouvi Zoião falar: "O Brasil tá cheio de político safado e esse aí (Bolsonaro) é dos mais pior". 
Despedindo-se, Barrica disse: "O frio continua, vou tomar uma". Mané riu, perguntando de modo irônico: "Eu só não entendi o que estava fazendo na Live o lunático que se identificou como astrólogo e acupunturista de árvore". Zilidoro explicou: "Ele estava ali alimentando o ego do seu criador". 
É muito pra minha cabeça...

sábado, 24 de julho de 2021

ZURC AGORA É DIGITAL

“A fúria de papéis espalhados” é um livro que reúne 24 textos do crítico literário Darlan Zurc. Nesses textos, o autor demonstra uma leveza inusual ao comentar e descrever os personagens que escolheu para o seu livro, entre eles Paulo Francis, José Ortega y Gasset e Karl Marx.


 Ao comentar a obra de Francis (1930-1997), por exemplo, Zurc ressalta que “ele foi e continua sendo uma das grandes influências em minha vida intelectual. Foi por meio dele que comecei a mergulhar no mundo do jornalismo, da história, da literatura e... a lista não acaba”.

É curioso também o destaque que Zurc também dá ao espanhol Ortega y Gasset (1883-1955): “Na sua incrível obra ‘Estudos sobre o amor’, o filósofo espanhol José Ortega y Gasset chama a atenção para o aspecto segundo o qual uma falsa ideia, tipo a imagem stendhaliana sobre a relação amorosa, é altamente nociva porque ela suplanta a verdadeira, dando origem a equívocos sucessivos”.

Gasset marcou profundamente a vida literária de boa parte não só do seu país, mas de outros países.

 Interessante, e muito interessante, é a abordagem que Darlan Zurc dá ao fundador do comunismo. Ele destaca, por exemplo, o fato de Marx (1818-1883) ter sido nas origens um cristão, e o tempo o transformou num ateu e num furioso inimigo do capitalismo (clique aqui).

Segundo Marx, escreve Zurc, a ideia de modo de produção “baseia-se na premissa segundo a qual, em determinadas épocas da história, um tipo de relação econômica é hegemônico, desenvolve-se por um tempo perante outros possíveis e define a sociedade e a cultura”.

E por aí vai o autor de “A fúria de papéis espalhados”.

 O livro, de 176 páginas, foi impresso em dezembro do ano passado e lançado no formato convencional no final de abril deste ano.E, agora, publicado em vários formatos digitais, merece toda a atenção possível do público-leitor de Darlan Zurc.

No portal da Amazono livro pode ser acessado a qualquer hora do dia e da noite pela quantia não tão irrisória de R$25. Mas vale a pena. Garanto.

Ler Zurc é um prazer.

 LEIA MAIS: https://assisangelo.blogspot.com/2021/05/zurc-e-critica-literaria.html

 https://institutomemoriabrasil.com.br

 https://www.youtube.com/watch?v=hfcDhlb_so8

 LIVRO

Em papel (R$40): Amazon(clique qui), Estante Virtual (clique aqui), Livraria Martins Fontes (clique aqui) e Mercado Livre (clique aqui).

 Em e-book e audiobook (R$25): Amazon (clique aqui), Apple Books (‎clique aqui), Google Play (clique aqui) e Kobo (clique aqui).


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