"Chefe!", começou Lampa, "É sem querer, mas estou preocupado com Jão".
Perguntei, ora por que essa preocupação com o Jão? E Lampa: "O Jão na sua tristeza sem fim, acha que o Brasil vai se acabar em setembro". O quê, perguntei também preocupado.
A essa altura o poeta Zilidoro pôs o bedelho no meio do papo: "Andei pensando, pensando muito, e sem querer começo a pensar que o Jão tem razão".
Zoião, no seu canto, opinou: "É, de fato, preocupante a situação que ora todos vivemos".
Lampa, com aquele seu jeitão "deixa que eu resolvo", disse, alisando punhal: "Num tempo lá atrás, eu resolvia isso num segundo". Como, perguntei. E ele: "Eu ia lá e ZAP! E o cara já era!".
Jão, num fio de voz, apenas diz: "É demais, é demais! Como é que uma besta quadrada vira presidente da República e de uma hora pra outra resolve cuspir na boca da urna e na cara povo?".
Mané, de pouca fala, fez uma observação incrível: "Se o cabra de quem vocês estão falando é o mesmo que eu imagino, vai se lascar se anunciar um golpe no País".
De fato, é impressionante o pensar do Mané. "Eu concordo com ele", disse Barrica. Biu disse o mesmo: "O Barrica tem toda razão ao dizer isso".
Os meus botões, meus queridos botões, estão muito entrosados entre si. E para meu espanto, estão pensando e se expressando de maneira surpreendente.
"Seu Assis, é verdade que o sr. é amigo do cantor Sérgio Reis?". Não, nos conhecemos há muito tempo. "Está negando a sua amizade com o artista?", ironizou Zé. E lá fui eu explicando: Conheço muitos artistas da nossa música popular. Alguns politizados, outros nem tanto. O Sérgio era, até aqui, um cantor que não tinha maiores envolvimentos com política partidária. "Aí está! O cara estava com as unhinhas escondidas e num movimento foi e ZAP!", concluiu Zé, recebendo a concordância de Zilidoro.
Com ar de aparente desinteresse e limpando as unhas com a ponta do punhal, observou Lampa: "O cara sobre quem vocês falam, ameaçou senadores e tacar fogo no País, caso o Congresso não impechásse o pessoá do STF. E foi preso". E Zé: "Bem feito!".
Ai, ai, ai... Esses meus botões!
"Patrão, Patrão!", lá vem o Biu esbaforido perguntando se eu tinha ouvido falar de uns tais de Ricardo Santana e um Roberto Dias. "Esses caras", segundo ele, "Foram tomar um chope pra comemorar um contrato milionário de corrupção do Ministério da Saúde!" O quê, perguntei meio besta. E ele: "Deixa pra lá... Hoje é sexta-feira dia de chope".
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sexta-feira, 20 de agosto de 2021
EU E MEUS BOTÕES (4)
quinta-feira, 19 de agosto de 2021
AUDÁLIO DANTAS, O DESCOBRIDOR DE CAROLINA MARIA DE JESUS
A Folha de S.Paulo é o resultado da fusão dos jornais Folha da Manhã, Folha da Tarde e Folha da Noite.
Em abril de 1958 o repórter alagoano Audálio Ferreira Dantas foi escalado para fazer reportagem na favela do Canindé, localizada à margem esquerda do rio Tietê, na capital paulista. Canindé é um tipo de ave que habita região de brejo.
Seria uma reportagem como tantas. O detalhe é que o discreto e antenado repórter teve a atenção voltada para uma mulher negra de 44 anos. Ela, segundo ele, ameaçava aos gritos inserir nomes de seus desafetos no livro que estava escrevendo. Curioso, o repórter aproximou- -se da mulher e logo depois teve acesso aos escritos dela. “Eram muitos cadernos cheios de histórias interessantes”, disse-me Audálio um dia. Mas para ganhar forma de livro era preciso uma boa revisão e edição das histórias. E isso ele fez, não do dia pra noite. Mas fez. Antes, porém, publicou uma reportagem de página inteira na Folha da Noite. De cara, dizia a chamada: “O drama da favela escrito por uma favelada”.
A reportagem, ilustrada por fotos de Gil Passarelli (1917-1999), foi publicada no dia 9 de maio de 1958.
A referida favelada ganhou fama imediatamente no Brasil e no exterior, aparecendo noutras publicações, entre as quais O Cruzeiro. Mergulhado na leitura dos cadernos de Carolina Maria de Jesus, Audálio deles extraiu o livro Quarto de Despejo, que a livraria Francisco Alves publicaria em 1960. “Fácil, fácil, o livro alcançou a fabulosa tiragem de 100 mil exemplares”, contou-me Audálio.
O livro recebeu dezena e meia de traduções nos Estados Unidos, Alemanha, Japão, França e Holanda.
“Eu não entendo por que estão acusando o Audálio do que não fez”, comentou o cartunista Fausto Bergocce, depois de ler pra mim o texto publicado na Folha. “Até onde eu sei, Audálio foi um anjo que caiu do céu na vida de Carolina”, acrescentou.
Fausto está totalmente correto.
Sem Audálio, Carolina Maria de Jesus teria passado em brancas nuvens por estas plagas. É o que também pensa e assina o cordelista cearense Klévisson Vianna. Acrescentando: “Era natural do Audálio ajudar a muita gente. Eu mesmo fui muito ajudado por ele, que falou muito bem de mim ao Jô Soares, de cujo programa participei”.
Audálio Dantas tem sido acusado de ser o autor de Quarto de Despejo. “Essa é uma inverdade que salta aos olhos”, disse-me uma vez. A seu favor, lembrou: “Até o poeta pernambucano Manuel Bandeira (1886- 1968) comentou o assunto”.
Na matéria da Folha, a impressão que fica é que há alguém interessado em manchar a imagem do repórter que descobriu Carolina. O que ele fez, e fez como cidadão, foi ajudar como pôde aquela mulher portadora de grande talento literário. Talento espontâneo.
“O que há nessa história é um grande jogo de interesses mercadológicos”, entende
o jornalista Tiné.
Ao contrário do que algumas pessoas dizem, Audálio Dantas sempre levou uma vida
modesta. Gastava o que ganhava como qualquer cidadão casado e com filhos. E como
cidadão e trabalhador ganhava e perdia emprego.
Depois que perdeu o emprego na Eletropaulo, antiga Cesp, ficou sem eira nem
beira. E um dia me telefonou pedindo para o avisar se soubesse de alguma
colocação. Perguntei-lhe se queria trabalhar comigo, ser meu chefe. Embora
zonzo, topou. E foi assim que trabalhamos juntos no Departamento de Imprensa do
Metrô de São Paulo por uns quatro anos.
No ano seguinte à publicação de Quarto de Despejo, a favela do Canindé deixou de
existir. Detalhe: depois de ler a reportagem de Audálio, o radialista paulistano
Raul Duarte (1912-2002) compôs o samba
No Meu Canindé. Esse samba foi gravado (Odeon) pela cantora Alda Perdigão no dia 24 de
setembro de 1958 e lançado à praça três meses depois.
Ainda em 1961, Audálio Dantas abriu caminho para Carolina Maria de Jesus gravar
um LP pela extinta RCA Victor. As letras são todas dela, por ela mesma
interpretadas. Tratam do cotidiano do lugar onde morava. São sambas, marchas,
batuques e até um baião. Título: Quarto de Despejo. Destaque para Vedete da
Favela, um autorretrato… A contracapa desse LP é assinada por Audálio.
Audálio Ferreira Dantas foi um dos mais importantes jornalistas e escritores do nosso País.
Em 1956 Audálio foi pautado pra cumprir o lançamento do livro Grande Sertão: Veredas, do mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967). João recusou-se a dar entrevista, mas mesmo assim o repórter fez uma belíssima cobertura do lançamento.
Depois de muitas entrevistas e reportagens, Audálio seguiu carreira na revista Realidade.
São muitos os livros de Audálio. O último foi as As Duas Guerras de Vlado Herzog. Curiosidade: pra fechar o livro, o autor precisava entrevistar o cantor e compositor Geraldo Vandré, mas não conseguia localizá-lo. Eu disse: vai algum dia lá em casa que você conseguirá. E assim foi feito.
Atenção: está mais do que na hora de Audálio ter a sua história contada em livro. Enquanto isso não é feito, dedico-lhe o poema abaixo:
O Brasí é um barquim
Levano, trazeno gente
Daqui pralí, dali pracá
Nesse eterno vai-vem
Muita gente cai no má
Muita gente vai pro céu
Sem saber que trem tem lá
Desse jeito o Brasí vai
Se balançano no má
Pareceno u’a donzela
Convidano pra dançá
Esse barco já levô
Muita gente além do má
Já levô Audáio Dantá
Valdi Tele e Jão Bá
Barquero desse barco
Castro Alve foi pro má
Levano o bão Bandeira
Pra um dedo prosiá
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Charge de Fausto Bergocce por ocasião da morte de Audálio (maio de 2018) |
Nesse barco foi pro má
Quereno sabe untudo
Querendo sábi ficá
Há muito ele nasceu
Num belo berço do má
Andô, correu pirigo
Mas sempre sôbe lutá
Lá vai ele
Leve e livre no má
Garboso, sinhô de si
Com o céu a li guardá
Viva o Brasí barquinho
Na sua missão no má
Levano, trazeno gente
Daqui pralí, dali pracá
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ADEUS, AUDÁLIO • PRIMEIRO DOMINGO SEM AUDÁLIO DANTAS • A CANONIZAÇÃO DE AUDÁLIO DANTAS • AUDÁLIO DANTAS É MADEIRA QUE CUPIM NÃO RÓI • HOJE É DIA DE AUDÁLIO DANTAS RECEBER AMIGOS • AUDÁLIO DANTAS E CAROLINA MARIA DE JESUS • HISTÓRIA PELOS OLHOS DO FOTÓGRAFO • AUDÁLIO DANTAS RECEBE PRÊMIO AVERROES • DOCUMENTÁRIO AUDÁLIO DANTAS - PRÊMIO AVERROES
quarta-feira, 18 de agosto de 2021
ELBA RAMALHO CHEGA AOS 70
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PRETO DE ALMA BRANCA
“A Fundação Palmares era uma fundação criada para tratar dos assuntos da cultura negra. Mas botaram aquele cara lá, o Camargo, um bolsonarista radical. Ele é um preto de alma branca, como se diz. No duro, ele gostaria de ser branco e se sente branco. Para ele, tem que acabar com todas as coisas de negro".
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terça-feira, 17 de agosto de 2021
KLÉVISSON VIANA, UM MESTRE DOS NOSSOS TEMPOS
O cearense Klévisson Viana é ilustrador, quadrinista, cartunista, cordelista e mais um monte de coisas ligadas à cultura popular. É palestrante, oficineiro, roteirista, declamador e tudo mais. Fala pelos cotovelos. Tem uns 40 livros publicados até agora e pelo menos 200 títulos de folhetos de cordel de sua autoria rolando na mão do povo. É também editor e criador da Tupynanquim. Por essa editora já publicou mais de mil folhetos de autores iniciantes e famosos como José Costa Leite, Antônio Américo de Medeiros, Vicente Viturino, Marco Haurélio, João Firmino Cabral, Rouxinol do Rinaré e Mestre Azulão.
“O paraibano Azulão, foi um dos grandes criadores da literatura de cordel”, diz Klévisson Viana, acrescentando: “A obra desse mestre se acha completa no acervo da nossa Tupynanquim”.
Miolo da Rapadura é um dos seus livros incluídos na rede de bibliotecas e salas de leitura do Estado do Ceará.
Esse é um livro recheado de histórias desenvolvidas em textos corridos e em versos. Belíssimo. Com ilustrações, inclusive.Filho de seu Evaldo e de dona Hathiane e irmão de Arievaldo, Itamar, Marcos Aurélio, Autemar e Evandra, Klévisson Viana é provavelmente o mais importante artista da cultura popular brasileira, na atualidade. É múltiplo, multimídia, multitudo.
Klévisson iniciou a carreira ilustrando textos no jornal A Voz do Povo, de Canindé, CE. Tinha uns 15, 16 anos de idade. Depois, aos 17 anos, ingressou como cartunista do jornal O Povo, de Fortaleza, CE.
Genialidade é uma coisa que não falta a esse cearense.
Marco Haurélio, Assis Ângelo e Klévisson Viana |
É muito difícil falar de pessoas queridas, de pessoas que vivem à nossa volta.
Conheci Klévisson Viana há duas décadas, quando participou da exposição 100 Anos de Cordel. Essa exposição, inaugurada no Sesc Pompéia, SP, em agosto de 2001, foi idealizada pelo jornalista alagoano Audálio Dantas (1929-2018). Fiz parte dessa exposição, como curador da parte referente a poetas repentistas. Dessa parte participaram Ivanildo Vila Nova, Oliveira de Panelas, Valdir Teles, Geraldo Amâncio, Andorinha, Sebastião Marinho, Mocinha de Passira e tantos outros.
Xilogravador, em 2001 Klévisson fez a sua primeira gravura em São Paulo.
Foi nesse mesmo ano que Klévisson escreveu com Téo Azevedo um folheto intitulado “A peleja de São Paulo com o monstro da violência” e um outro com seu irmão Arievaldo Vianna (1967 – 2020) sobre Bin Laden e a destruição das torres gêmeas em Nova Iorque (Trend Center).
Sua primeira xilogravura teve como “modelo” o autor do livro Dicionário Gonzagueano, que não por acaso vem a ser eu.
Klévisson cresceu e ficou do tamanho do mundo, de um mundo sem tamanho.
Correndo rápido que nem uma onça, em disparada que nem um tufão, Klévisson entendeu muito cedo que era preciso voar. E com as asas do pensamento tem realizado tudo que se possa imaginar.
Está se transformando num ser sem fronteiras.
A obra de Klévisson Viana já é conhecida em várias línguas, desde a França: México, Portugal, Turquia, Bélgica...
Há uns 10 anos fiz um roteiro sobre a vida do rei do baião, Luiz Gonzaga, para Klévisson quadrinizar (Leia: LUIZ GONZAGA O REI DO BAIÃO). Ficou muito bonito. Por esse tempo também compus com ele dois textos: um sobre Dom Quixote e outro sobre Patativa do Assaré, ambos musicados e gravados pelo baiano Gereba. Ouça: QUIXOTEANDO
Um dos folhetos de Klévisson, A Quenga e o Delegado, foi adaptado para a série Brava Gente (TV Globo, 2001). A personagem feminina do folheto teve a brilhante interpretação de Ana Paula Arósio. Confira:
Antônio Clévisson Viana Lima nasceu no dia 3 de novembro de 1972, em
Quixeramobim (CE).
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domingo, 15 de agosto de 2021
ICH! É FOGO NA ROUPA!
É como diria minha vó Alcina: "a política tá pegando fogo!"
Pois é, não é de hoje, os políticos estão acesos. E o pavio, curto.
Semana que passou rolou um pandemônio dos infernos, em Brasília e alhures. Começou com Bolsonaro, chamando Barroso de "filho da puta". O agredido ficou na moita, como manda o figurino jurídico. Mas o homem da caneta bic não parou por aí: foi se arrepiando, foi se arrepiando... Até tanque botou na rua. Tanque fajuto, mas tanque. A ideia era nos arrepiar. Com fumaça e tudo.
A semana que passou começou pegando fogo e terminou pegando fogo.
O Ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou pro xinlindró um ex-deputado. Esse falastrão, taliquá seu inspirador palaciano. A cadeia está ficando cheia de deputado e de ex-deputado, também. Até aquela Flor de não sei o que, deixa pra lá!
O grave nisso tudo, o mais grave, é que Bolsonaro não ver a hora de dá um golpe no toitiço do Brasil. É isso que ele quer, tanto que chegou ao ponto de afirmar que as Forças Armadas são o "poder moderador".
O Poder Moderador foi criado em 1824 e como tal constante da nossa primeira Constituição que durou até o Golpe Militar desfechado pelo Marechal alagoano Deodoro da Fonseca, em 1889.
As Forças Armadas, meus amigos e amigas, são instituições legítimas e necessárias criadas para defender o Brasil de ataques externos ou balbúrdia interna.
É de ser estranhar o fato de haver discussão em torno da qualidade da urna eletrônica. Nos últimos 25 anos, todos os políticos foram eleitos através do voto eletrônico. E ninguém chiou.
Bom, estou pronto pra votar. Na paz, com paz.
E viva o Brasil.
Roberto Siviero
A Olimpiada de 2020 terminou com 21 medalhas no peito de brasileiros e brasileiras, no Japão. Isso sem maiores incentivos oficiais do Estado ou da Iniciativa privada.
Há no Brasil pessoas incríveis dedicando-se a história do esporte. Um desses brasileiros é o paulistano Roberto Siviero que estudou e continua estudando mundo a fora é PHD em Admistração pela Universidade do Texas, EUA.
O cabra aí sabe tudo e mais um pouco sobre gestão de esportes.
Logo mais às 20h30, Siviero vai mostrar o que aprendeu ao radialista Carlos Sílvio.
Agende-se: https://www.youtube.com/channel/UCW7gLoeaKwZ9jy6c3KQjWfw
Ps: as Paraolímpiadas 2020 começam no próximo dia 24 e se estenderão até o dia 05 de setembro. O meu treinador, Anderson Gonzaga, disse para minha tristeza que não estou preparado, quer dizer, fora de forma, sequer pra disputar a simples modalidade um "cuspe à distância".
sexta-feira, 13 de agosto de 2021
EU E MEUS BOTÕES (3)
MARGARIDA É LIBERDADE
LINDALVA CAVALCANTE DA HORA
NEGACIONISMO É PRAGA SEM CURA
quinta-feira, 12 de agosto de 2021
COVID-19 MATA TARCÍSIO MEIRA
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Tarcísio como Hermógenes, em Grande Sertão: Veredas |
COVID-19/JORNALISTAS
quarta-feira, 11 de agosto de 2021
TINHORÃO OUVE BRAU MENDOÇA NO INSTITUTO MEMÓRIA BRASIL (IMB)
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Tinhorão, Brau, Assis e Rosângela no Instituto Memória Brasil, IMB |
Há uma semana o Brasil recebia a triste notícia do passamento do jornalista e historiador José Ramos Tinhorão. Pra muita gente, ele era uma pessoa inacessível, ranheta e personalista. Não era.
O meu convívio com Tinhorão foi longo. Posso dizer que ele foi o segundo jornalista que conheci em São Paulo, num ano qualquer dos 70. A seu respeito escrevi muitas matérias e fiz debates, o último em 2018, na Ação Educativa. O primeiro foi para o extinto Diário Popular, que ocupou duas páginas.
Uma das últimas vezes que Tinhorão esteve comigo, no Instituto Memória Brasil, IMB, foi no começo de 2019. Um pouco antes, o violonista Brau Mendonça e a cantora Rosângela Alves estiveram a me visitar. O resultado, foi um belo papo. Um trecho desse papo pode ser conferido num clique:
ANIVERSÁRIO
Ontem 10 foi um dia pra não esquecer: aniversário da menina Maria Cecília da Hora Sena Durães, que quer ser arqueóloga. A arqueologia é uma profissão que exige muita paciência de quem a abraça. Os profissionais dessa área, incluindo William Thoms são esforçadíssimos e pacientes. Fazem história da história. Foi não foi, correm notícias de que algum deles, ou alguns, descobriram pérolas enterradas há séculos, há milênios, na Paraíba, Piauí, Oriente Médio, na caixa e prego. E desse jeito, a história é reconstruída. Parabéns, Cecí!
domingo, 8 de agosto de 2021
LUÍS GAMA VIRA TEMA DE FILME
No nosso acervo, a 3ª edição de Trovas Burlescas, de 1904 |
sábado, 7 de agosto de 2021
UM NOME PRA SER LEMBRADO
Antes de mais nada, o seguinte: já passou da hora de José Ramos Tinhorão virar nome de um prêmio cultural, seja em que esfera for. Particular, inclusive.
O jornalista e historiador José Ramos Tinhorão fechou os olhos e partiu para a eternidade terça-feira 3.
Esse José eu conheci de perto.
Frequentei o seu espaço desde o tempo em que ocupava um minúsculo apartamento da Rua Maria Antônio, SP.
Costumávamos, nos últimos anos, molhar o gogó com uma boa cana ou um bom vinho na minha casa.
Muitas vezes, depois que perdi meu par de olhos, ele com toda simplicidade do mundo e atenção lia livros pra mim.
Sinto profundamente a sua falta. Era inteligentíssimo, persistente e arguto. Deixou uma trintena de livros publicados sobre a nossa formação cultural.
Nos últimos anos, nos últimos vinte e poucos anos, a historiadora aposentada pela USP, Maria Rosa, sua companheira, foi de grande importância na sua vida. Ele a ouvia com muita atenção. Maria o ajudava passando a limpo seus textos, já que ele costumava escrever à mão.
Guardo boas lembranças do amigo.
Lembro do "esporro" que me deu quando cheguei à Câmara Municipal de São Paulo para receber o título de Cidadão Paulistano, em 1998.Por ali. Eu estava atrasado para a solenidade e ele a minha espera do térreo do elevador que nos levaria ao andar onde recebi o título. O esporro deveu-se ao fato de eu não está engravatado. Só de bleize. "Como é que você vem receber o título de cidadão da cidade mais importante do Brasil, sem gravata?". Passo seguinte, tirou a própria gravata e a enfiou no meu pescoço.
Muitas histórias.
Muita gente passou a vida esculhanbando Tinhorão, dizendo que ele era um chato e tal. Não era.
Tinhorão era um doce de pessoa: afávio, solícito e atencioso.
Ganhei muito discos e livros dele. Eu retribuia-o com livros e discos que trazia das minhas andanças por lugares distantes da capital paulista.
Uma vez Tinhorão me disse que ficara curioso com um ritmo musical que até então desconhecia: o Rasga, de origem portuguesa e que não existe mais. Foi quado lhe disse que tinha um discos de 76 rpm(voltas) e com isso ele encerrou sua pesquisa que resultou no livro O Rasga.http://assisangelo.blogspot.com/2011/07/jose-ramos-tinhorao-e-sua-grande-obra.html
Pra encerrar: uma vez nos encontramos em Lisboa e foi uma festa. Comemos uma ótima bacalhoada regada a vinho do porto http://assisangelo.blogspot.com/2011/02/jose-ramos-tinhorao-83-viva.html .
Tinhorão merece ser sempre lembrado.
quinta-feira, 5 de agosto de 2021
TINHORÃO ERA DOS BONS
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Assis, Tinhorão, Cilene, Colibri e Davi |
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Audálio, Tinhorão e as gêmeas |
quarta-feira, 4 de agosto de 2021
TODA PERDA É LUTO. ESTOU DE LUTO
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Tinhorão e Fausto, no Instituto Memória Brasil |
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terça-feira, 3 de agosto de 2021
ADEUS, TINHORÃO
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domingo, 1 de agosto de 2021
VOTE BEM, VOTE JORGE RIBBAS!
O músico pernambucano Jorge Ribbas está participando do Festival Rádio MEC.
São muitos os concorrentes ao festival. Detalhe: os internautas podem influir na escolha dos melhores participantes. Para tanto, basta clicar: https://radios.ebc.com.br/festival-de-musica-radio-mec/2021/07/votacao-semifinal-festival-radio-mec-2021
Sobre Jorge Ribbas, leia: https://assisangelo.blogspot.com/2019/07/o-rock-tem-cronista-jorge-ribbas.html
https://assisangelo.blogspot.com/2019/07/jorge-ribbas-uma-historia-cidada.html
CEGUEIRA COMO PAUTA
Até agora, o radialista Carlos Sílvio entrevistou dois jornalistas cegos: Eu e Filipe Oliveira, 32 anos.
A entrevista com o menino Filipe foi feita ontem 31, ao vivo, no programa Paiaiá na Conectados. Durou 55 minutos.
https://www.youtube.com/watch?v=0zxZVgHmPbY&t=550s
Foi uma bela entrevista. Natural. leve.
Começou com o apresentador falando da vida pregressa do entrevistado.
A primeira pergunta tratou de sua infância.
Depois, a entrevista ganhou corpo com diversos temas postos à mesa. E Filipe, falou, falou, falou. Bonito e rindo. Sempre rindo. Disse do seu interesse pela vida, pela profissão, pelo conhecimento. È também músico. Pianista.
Disse que sua cegueira tem aumentado no decorrer do tempo.
Filipe chegou a fazer tratamentos específicos, em Cuba e tal.
Chamou-me a atenção o fato de Filipe falar pouco sob sua condição de deficiente visual. Contratado pela jornal Folha e São Paulo é titular do blog semanal Haja Vista.
Segundo dados da ONU, a cada minuto uma pessoa fica cega no mundo.
No Brasil, o IBGE até agora não nos deu dados relacionados à questão. Fala de quinhentos e não sei quantos mil, 1 milhão, sei lá!
Há pessoas que nascem cegas, outras não.
Eu nasci vendo e agora já não vejo.
Para meu problema, houve uma explicação: descolamento de retina.
No começo, não foi fácil encarar a situação.
Submeti-me a nove cirurgias, a maioria no HC.
Foi terrível, principalmente na hora que os especialistas me deram a notícia de que pra meu caso, não há solução.
Meu mundo caiu, como na canção de Dolores Duran. Só que no meu caso, a questão não era de amor. Era de dor profunda na alma.
Os anos passaram e eu renasci, revivi.
Estou-me reinventando e a minha vontade maior, agora, é levar avante um programa pra tv. Título: Visão Cidadã.
Já andei falando sobre esse projeto.
Leia:
https://assisangelo.blogspot.com/2021/04/j-aborta-tema-o-deficientes.html
Filipe Oliveira é paulistano do bairro da Bela Vista.
Ia-me esquecendo: há pouco ouvir uma belíssima fala do filósofo Clóvis de Barros.
Clóvis é jornalista e filósofo, perdeu um olho e agora corre o risco de perder o outro. Ele fala isso com toda naturalidade do mundo. Paulista de Ribeirão Preto, 55 anos. Confira:
https://www.youtube.com/watch?v=0zxZVgHmPbY&t=550s
sábado, 31 de julho de 2021
NOSSA LÍNGUA, NOSSA ALMA
Depois de quase seis anos em obra, o museu da Língua Portuguesa volta a ser reinaugurado.
A solenidade de reinauguração ocorreu hoje e amanhã 1° será aberto à população. O museu da Língua Portuguesa, instalado no complexo da Estação da Luz, SP, foi engolido pelo fogo na madrugada de 1° de dezembro de 2015.
O incêndio engoliu tudo, incluindo um bombeiro que lutava contra as chamas.
É de grande importância esse museu. Ele conta a história da nossa língua e de línguas que influenciaram a língua portuguesa.
Convidados, os ex-presidentes FHC e Michel Temer compareceram e falaram a respeito da nossa língua. Lula e Dilma declinaram do convite. Bolsonaro, preferiu brincar de motociclista no interior de São Paulo.
Nove países falam português, entre os quais Angola e Moçambique, que herdamos de Portugal.
Eu estive na solenidade de entrega da área onde se acha o museu. À época eu estava à frente da assessoria de imprensa do Metropolitano.
Também estive na reinauguração do museu, mas não estive hoje na sua reinauguração.
O Brasil está de parabéns por ter uma museu tão importante.
No calendário oficial de comemorações, há um dia especial para lembrarmos a importância da língua que falamos, 5 de maio.
BARONCELLI, UM CRAQUE DA TECNOLOGIA
O radialista baiano Carlos Sílvio continua emplacando boas entrevistas no programa Paiaiá na Conectados, feitas ao vivo pela internet. Leia-se Youtube.
Durante a Pandemia que ora maltrata a humanidade Sílvio já entrevistou mais de 260 personagens, muitos das quais do meio cultural e jornalístico. Seu entrevistado mais recente foi o jornalista paulistano Wilson Baroncelli.
Baroncelli, editor executivo do news latter Jornalista & Cia, falou de sua vida pessoal e da sua vida profissional. Disse, por exemplo, que a tecnologia veio pra botar de ponta cabeça o jornalismo mundial. E que nesse área se considera um craque. Lembrou também dos grandes jornalistas como Zuenir Ventura, Jânio de Freitas e José Hamilton Ribeiro, "um exemplo de jornalista". Ressaltou a importância de Samuel Wainer (1910-1980) e Audálio Dantas(1929-2018). Disse que nasceu no bairro da Bela Vista e, antes do jornalismo, chegou até a trabalhar em instituições bancárias.
Foi uma bela entrevista.
Confira:
JORNALISMO QUE NÃO SAI DE MODA
sexta-feira, 30 de julho de 2021
O BRASIL FAZ BONITO NO JAPÃO
EU E MEUS BOTÕES (2)
Barrica, que é chegado a um bom mé, fez hic e disse: "Tenho andado quieto, sem ter o que fazer".
sábado, 24 de julho de 2021
ZURC AGORA É DIGITAL
“A fúria de papéis espalhados” é um livro que reúne 24 textos do crítico literário Darlan Zurc. Nesses textos, o autor demonstra uma leveza inusual ao comentar e descrever os personagens que escolheu para o seu livro, entre eles Paulo Francis, José Ortega y Gasset e Karl Marx.
É curioso também o destaque que Zurc também dá ao espanhol Ortega y Gasset (1883-1955): “Na sua incrível obra ‘Estudos sobre o amor’, o filósofo espanhol José Ortega y Gasset chama a atenção para o aspecto segundo o qual uma falsa ideia, tipo a imagem stendhaliana sobre a relação amorosa, é altamente nociva porque ela suplanta a verdadeira, dando origem a equívocos sucessivos”.
Gasset marcou profundamente a vida literária de boa parte não só do seu país, mas de outros países.
Segundo Marx, escreve Zurc, a ideia de modo de produção “baseia-se na premissa segundo a qual, em determinadas épocas da história, um tipo de relação econômica é hegemônico, desenvolve-se por um tempo perante outros possíveis e define a sociedade e a cultura”.
E por aí vai o autor de “A fúria de papéis espalhados”.
No portal da Amazono livro pode ser acessado a qualquer hora do dia e da noite pela quantia não tão irrisória de R$25. Mas vale a pena. Garanto.
Ler Zurc é um prazer.
Em papel (R$40): Amazon(clique qui), Estante Virtual (clique aqui), Livraria Martins Fontes (clique aqui) e Mercado Livre (clique aqui).
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