Seguir o blog

quinta-feira, 14 de março de 2024

HOJE É DIA DA MATEMÁTICA

Olha aqui, conte comigo: um, dois, três... oito,  nove... catorze!
Pois bem, 14 de março, é o Dia Internacional da Matemática. 
Pois bem, existe também o Dia Nacional da Matemática: 6 de maio.
O 6 de maio foi o dia que nasceu o carioca Júlio César de Mello e Souza tornado famoso através do pseudônimo Malba Tahan. Seu livro mais conhecido é O Homem Que Calculava.
Júlio César foi professor de Ciências, Geografia e Matemática, claro.
Entre romances e livros referentes à principal matéria que ministrou somam-se mais de 110 títulos. 
Malba Tahan era craque dos craques em História, inclusive.
Também era um exímio contador de histórias. Chegou a adaptar até o clássico As Mil e Uma 
Noites para crianças e adolescentes, principalmente. 
Eu não conheci Júlio César de Melo e Souza, mas até hoje admiro profundamente sua obra. Morreu no dia 18 de junho de 1974, em Recife, PE. Guardo comigo vários livros de sua autoria. 

domingo, 10 de março de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (80)


O sexo, o desejo, o amor e essas coisas todas estão entranhadas em nós, incuráveis pecadores. 
Até nas sagradas escrituras, precisamente em Cântico dos Cânticos, o amor físico se acha presente, como se representasse Deus como pessoa. Um trecho:
Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho.
Suave é o aroma dos teus ungüentos; como o ungüento derramado é o teu nome; por isso as virgens te amam.
Leva-me tu; correremos após ti. O rei me introduziu nas suas câmaras; em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; os retos te amam.
Eu sou morena, porém formosa, ó filhas de Jerusalém…
O Cântico dos Cânticos, que se acha em Gênesis, é desenvolvido em 8 capítulos. Um trecho:
Formosas são as tuas faces entre os teus enfeites, o teu pescoço com os colares.
Enfeites de ouro te faremos, com incrustações de prata.
Enquanto o rei está assentado à sua mesa, o meu nardo exala o seu perfume.
O meu amado é para mim como um ramalhete de mirra, posto entre os meus seios.
Como um ramalhete de hena nas vinhas de En-Gedi, é para mim o meu amado.
Eis que és formosa, ó meu amor, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas.
Eis que és formoso, ó amado meu, e também amável; o nosso leito é verde.
Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 9 de março de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (79)

Erasmo de Rotterdã
 … Que seria esta vida, se é que de vida merece o nome, sem os prazeres da volúpia? Oh!
Oh! Vós me aplaudis? Já vejo que não há aqui nenhum insensato que não possua esse
sentimento. Sois todos muito sábios, uma vez que, a meu ver, loucura é o mesmo que
sabedoria…
(Erasmo de Rotterdã, Elogio da Loucura)
Erotismo, luxúria, libertinagem, lascívia, volúpia, libidinagem. 
Essas são palavras que têm, na prática, o mesmo significado. 
A prática sexual é algo comum desde o surgimento do mundo, desde que nascemos, nós e todos os animais falantes, berrantes, sibilantes e tal. 
O chamado pecado original ocorrido no Éden teve por princípio a provocação, a lascívia, representada por uma traiçoeira cobra e uma aparentemente inocente maçã. Isso no princípio, mas depois Deus recomendou que crescêssemos e multiplicássemos. Foi então que Adão e Eva mandaram brasa. Está em Gênesis, o primeiro dos 73 livros que formam a Bíblia. 
E é na multiplicação que se acha um dos maiores problemas da humanidade.
Já somos mais de oito bilhões de homens e mulheres comendo o pão que o Diabo amassou com seus cascos sujos.
E as guerras mundo afora vitimando todo mundo, hein?
Como será daqui pra frente se continuarmos a nos multiplicar e a maltratar o nosso próprio meio ambiente?
Vida saudável não combina com depredação ambiental.
Ainda pela metade do século 20, o bambambã do cinema norte-americano Orson Welles (1915-1985) assustava os ouvintes de rádio com uma narração ao vivo de uma suposta invasão da Terra por ETs. Foi uma loucura, registrou a imprensa. 
Enquanto Welles aprontava, cientistas procuravam o caminho da modernização tecnológica. 
Nos EUA, o indiano de origem George Orwell (1903-1950) já previa TV ao vivo com programa do tipo Big Brother. Aliás, esse personagem se acha por inteiro no romance 1984, do referido Orwell.
Na década de 80 do século 20, a Internet chegou revolucionando o mercado em todo o mundo.
A revista semanal Veja, edição de 13 de fevereiro de 2013, trazia na capa a manchete: Você Quer Transar Comigo?
Pois é, àquela altura a Internet já servia de instrumento de onanistas e tal.
Sem falar no WhatsApp que distancia cada vez mais as pessoas do telefone ao vivo, figurinhas inventadas como Alexa e aqui já estamos falando de inteligência artificial tornando o mundo cada vez menor. 

sexta-feira, 8 de março de 2024

SEM MULHER NÃO HAVERIA HOMEM

Muita coisa é dita somente da boca pra fora. Sabemos e é de lamentar. Porém, sempre foi assim. 
No tempo da pedra lascada e do toco torto os machos carregavam literalmente as mulheres pelo cabelo. Como um animal qualquer. Como uma fêmea qualquer. E o macho, por natureza, mostrava do seu jeito grosso a sua maneira lamentável de ser.
Em alguns países, ou todos, a mulher ainda é considerada pelos machos apenas um animal que dá prazer sexual. 
Uma das figuras criadas pelo machismo atende por gueixa. Surgiu no Japão medieval ou sei lá!
Estou no capítulo 32 do livro Xógum, do escritor inglês James Clavell. É um calhamaço de 998 páginas, mas estou gostando. Trata de uma saga japonesa nas origens. Tem navios, guerra, samurais; política, poder, corrupção, paixão, amor, sexo...
Para os japoneses, a palavra amor que tão bem entendemos tem ou tinha sentido diferente lá na terra do sol nascente.
Mas por que diachos eu falo isso?
Antes de mais nada, lembro do livro de Clavell porque fala de gueixa e tudo mais.
As mulheres japonesas, incluindo as gueixas,  achavam ou ainda acham que nasceram simplesmente para obedecer rigorosamente as ordens e as vontades mais íntimas dos machos. Pois é. Servil. Apenas isso. Ai, ai.
No final dos anos 1940 foi aprovada em assembleia na ONU a tão manjada Declaração dos Direitos Humanos.
No Brasil de 1988 foi aprovada, no Congresso, a nossa 7a. Constituição. Aí pelo Artigo 5° consta que homens e mulheres são todos iguais perante a lei.
Balela o que diz o artigo aí, pelo menos em parte.
Fica claro no comportamento dos homens que são mais iguais do que todos. Pena. Sou homem, sim, mas não me comporto de tal maneira. 
Na literatura nacional há muitos exemplos de feminicídio, de personagens masculinos que por ciúme matam as personagens femininas por se sentirem traídos. 
No livro Til, do escritor cearense José de Alencar, há caso de feminicídio e outros e outros. A história se passa numa fazenda do interior paulista. Foi publicado em 1872.
Já andei escrevendo sobre isso, aqui mesmo neste Blog. 
Andei falando também sobre feminicídio praticado na ficção musical e até por compositores.
Bom, hoje 8 de março, é o Dia da Mulher. Aliás, entendo que o dia da mulher é todo dia. 
Sem fêmea não haveria vida.
Sobre o tema escrevi o poema Avante Mulher! É esse aqui:

Mulher tu tens a força
E a boniteza do mar
Avante mulher, avante!
Vens pra vida, vens lutar

Quem não luta nada tem
O ideal manda lutar
Avante mulher, avante!
Tu tens a força do mar

Além dessa força tu tens
O brilho que tem o luar
Avante mulher, avante!
O perigo ronda o ar

A injustiça perdura
Em tudo quanto é lugar 
Avante mulher, avante!
A vida precisa mudar

quinta-feira, 7 de março de 2024

CONVERSA COM JORGE RIBBAS

Pois é, todo dia é dia bom quando acordamos bem.
Já lavei pratos, fiz ginástica, tomei banho e fiz a barba. Rotina.
O professor de ginástica Anderson Gonzaga, como sempre, pontualmente chegou às 8h.
Poucos minutos depois das 8h, chegou o músico e compositor pernambucano Jorge Ribbas. É bambambã.
Aproveitei a ocasião para prosearmos um pouco sobre coisas do dia a dia. Música, por exemplo.
Jorge acaba de completar 60 aninhos. Foi ontem 6.
O papo de hoje foi gravado por Anderson. Ouça e veja:


quarta-feira, 6 de março de 2024

CAÇADA SEM FIM

Não sei se vocês se lembram de um personagem que deu título a uma série de TV americana ali pelos anos de 1960. Chama-se O Fugitivo, interpretado por David Janssen (1931-1980).
O seriado passava em p&b na TV, uma vez na semana. Terminava sempre na hora em que o cara escapava de um cerco armado por policiais loucos para pegá-lo.
Eu e todo mundo torcíamos para que o fugitivo nunca fosse preso. 
Fugas extraordinárias sempre ocorreram e ocorrem na vida real. Em qualquer parte do mundo. 
Há pouco tempo a polícia brasileira dedicou semanas no encalço de um assassino, em Goiás, GO.
Há poucos meses um brasileiro, cumprindo pena por assassinato, fugiu de uma prisão de segurança máxima nos States.
O fugitivo dos EUA foi agarrado e levado de volta ao xilindró. O fugitivo de Goiás, foi morto por uma saraivada de tiros. Nem a alma escapou.
Agora, desde o dia 14 do mês passado, dois marginais de alta periculosidade escaparam de um presídio em Mossoró, RN.
Os fugitivos, Deibson e Rogério, sumiram por encanto. E até agora, quase um mês depois, um contingente de polícias armados até os dentes não conseguiu freiar a fuga dos dois, integrantes de uma organização criminosa identificada como Comando Vermelho.
A Polícia Federal está oferecendo R$30.000 para qualquer informação que leve aos fugitivos.
Os policiais, armados de bombas, revólveres, fuzis, metralhadoras e o diabo a quatro, estão sendo passados para trás simplesmente por esses dois fugitivos.
Algo parecido ocorreu com um cara chamado Virgulino Ferreira da Silva, que foi morto de emboscada no dia 28 de julho de 1938 em Sergipe, SE.
David Janssen interpretava um personagem acusado de um crime que não cometeu.

terça-feira, 5 de março de 2024

O BRASIL DOS BRASILEIROS



O Brasil é, dentre todos os países, o xodó de Deus. Não há outro igual. E olha que eu conheço o mundo, hein? De leitura e de corpo presente por aí afora.
Aqui na terra Brasilis tem de tudo e tudo que se plantar, dá. Já dizia de forma escrita o primeiro missivista, Pero Vaz de Caminha, a por os pés por cá. Isso em 1500, quando Cabral e aventureiros acharam este país de Deus.
Neste país de Deus tem poeta, tem romancista, tem músicos de tudo quanto é linhagem. 
Não à toa, o Brasil de Deus e de todos os brasileiros é aplaudido por todo mundo. O Brasil é infindável, com sua riqueza natural.
Dentre os brasileiros poetas tem Patativa do Assaré. 
Patativa do Assaré, de ideias originais, nasceu em 1909 num dia como hoje, 5 de março. Foi uma espécie de porta-voz do seu povo: do sertão para o mundo. 
Em 1999, pouco mais de 20 anos de conhecer Patativa, fui a Assaré, CE, com o propósito de conhecer a terra e escrever um livro sobre o poeta. Fui junto com o craque da fotografia Gal Oppido. O livro (aí nas minhas mãos) saiu pelo selo CPC/Umes.
É bom declamar Patativa de todos os modos, de todo jeito e em todo canto. Até numa bicicleta que não sai do lugar, como esta em que eu estou. Clique:



segunda-feira, 4 de março de 2024

CULTURA É LIXO. É ISSO!

Chorar, não choro.

Sou nordestino da Paraíba. Lá aprendi com minha avó Alcina que homem não chora. Não deve chorar, em situação nenhuma. 

O tempo passou, minha avó foi para o céu. Os meus pais Maria e Severino, também.

Aprendi.

Chorei ontem quando Flor Maria me contou que parte do acervo do cantor e compositor Elton Medeiros foi encontrado no lixo.

A notícia saiu no jornal O Globo de 29 de fevereiro deste ano. 

O jornal ressalta que o que foi encontrado no lixo era parte do acervo do Elton.

Que parte foi essa?

Gravações em fitas VHS e K7, manuscritos, roteiros de show, fotos e, nessa brincadeira,  textos musicais inéditos.

Isso é o que faz o governo republicano que endossamos hoje. 

Presidencialista. 

Os governos no Brasil, desde o século 19, nunca deram bola à Cultura. 

Cultura e Educação caminham juntas.

Sem Cultura e Educação não há futuro pra país nenhum.

É isso!



sábado, 2 de março de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (78)

Num dos últimos livros do colombiano Gabriel Garcia Marques (1927-2014), Memória de Minhas Putas Tristes, há um personagem que decide comemorar seus 90 anos de idade na cama com uma virgem. Era crítico musical de um jornal. Uma cafetina dispõe-se a atendê-lo. Dito e feito. Logo uma jovenzinha de 14 anos foi entregue ao aniversariante. Dormiram juntos a primeira noite, a segunda noite... e nada  sexualmente aconteceu. A menina estava ali para o que desse e viesse por grana para ajudar em casa.
Essa história rendeu ao autor a acusação de incentivar a prostituição. Não deu em nada, até porque o que fez Garcia Marques foi criar uma história com personagens diversos. Ora, ora!
Essa história de putas é coisa que se acha em livros de autores mundo afora. E nem precisamos ir muito longe, aqui mesmo no nosso Patropi houve um criador literário de imaginação incomparável. Refiro-me a Jorge Amado.
Na obra de Jorge são encontradas quase 900 personagens femininas, muitas delas estrelas de bordéis. 
As prostitutas do escritor baiano passeiam com desembaraço em vários livros. Entre esses Mar Morto, Gabriela Cravo e Canela, Tieta do Agreste…
Tereza Batista Cansada de Guerra é uma personagem marcante, belíssima e de personalidade rara. Apaixonante. Ela transa por grana, dança por grana, mas por grana não transa quando seu coração palpita forte por um homem. Nesse caso, especialmente, mestre Januário é um sortudo. É homem do mar, dono de uma embarcação chamada Flor das Águas. 
Santo Onofre
Tereza não é brinquedo, não. É pau pra toda obra.
O final do livro que tem Tereza Batista como protagonista é inesperado e emocionante. Toma toda a cena, deixando o leitor num estado de êxtase. 
Em 2001, Chico Buarque e Edu Lobo compuseram a trilha sonora da peça Cambaio, de João e Adriana Falcão.
A música que dá título ao disco termina com os autores dizendo "Eu sou mais as putas".
Em 2023, a empresa NapLab fez uma pesquisa para saber qual o país, dentre 45, são os mais promíscuos. 
Nessa pesquisa, a Austrália encabeça o ranking. 
Ainda nessa pesquisa, o Brasil ganha o 2° lugar. 
Ah! Curiosidade: o mestre Jacob do Bandolim (1918-1969) teve como mãe uma polaca: Raquel Pick.
A prostituição no Brasil foi legalizada em 2002.
Profissionais do sexo, reconhecidos por lei, são maiores de 18 anos.
Ia-me esquecendo de dizer que vagabundos, cachaceiros e prostitutas têm um santo protetor: Onofre.

domingo, 25 de fevereiro de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (77)

Carlos Drummond de Andrade
Há prostitutas famosas que deixaram marcas indeléveis na memória de muita gente.
Em 2016 foi descoberto um poema inédito do mineiro Murilo Mendes (1901-1975). Título: A Morte da Puta, que começa assim:

"A puta morreu
Dois soldados e quatro velas
Ficaram de plantão a noite inteira..."


Outro mineiro igualmente conhecido, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), escreveu e publicou o bonito poema A Puta. Lá pras tantas, ele escreve:

"...Ela arreganha dentes largos
De longe. Na mata do cabelo
Se abre toda, chupante..."


O poeta pernambucano Manuel Bandeira (1886-1968) publicou, já no seu primeiro livro, o belo Vou-me embora pra Pasárgada, que ele mesmo chegou a gravar num disco de vinil. Um trecho:

"...É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar..."


O insuspeito modernista Oswald de Andrade (1890-1954) pegou da pena e pôs no papel um poema a que intrigantemente intitulou de Flores Horizontais. Esse texto foi musicado por José Wisnik e gravado em 2000 pela cantora Elza Soares (1930-2022). Ei-lo:

“Flores Horizontais
Flores da vida
Flores brancas de papel
Da vida rubra de bordel
Flores da vida
Afogadas nas janelas do luar
Carbonizadas de remédios, tapas, pontapés
Escuras flores puras, putas, suicidas
Sentimentais
Flores horizontais
Que rezais?

Com Deus me deito
Com Deus me levanto”


A história de Elza é uma história fantástica, triste e violenta principalmente nos primeiros anos de sua vida. Era criança quando foi estuprada. Isso a marcou profundamente.
O poema de Oswald musicado por Wisnik foi, para Elza, um presente, uma alegria e prazer imensos. Essa pérola lembrou-lhe os tempos em que a mãe e ela eram lavadeiras de roupa nas casas de grã-finos.
Um dia Elza lembrou que numa das casas onde ela e a mãe trabalhavam ouviu da patroa um xingamento direcionado à própria filha, Ieda. Disse a mãe: "Você é uma puta!".
A tal garota não se conteve e retorquiu: "Sim, sou prostituta, mas sou rica, bonita e poderosa".
Elza ouviu isso e a partir daí passou a pensar sobre o assunto.
"Puta é uma palavra bonita, não é?", manifestou-se anos depois Elza.
A prostituição, sabemos, está na boca do mundo.
A música popular de todo canto registra o tema nas mais diversas línguas, pois.
Odair José, cantor e compositor de sucesso nos anos 70 e 80, deixou a sua marca em muitas canções classificadas pela crítica como “bregas”. Entre essas, Pare de Tomar a Pílula e Eu Vou Tirar Você Desse Lugar. Um trecho:

Olha
A primeira vez que eu estive aqui
Foi só pra me distrair
Eu vim em busca do amor

Olha
Foi então que eu lhe conheci
Naquela noite fria, em seus braços
Meus problemas, esqueci

Olha
A segunda vez que eu estive aqui
Já não foi pra distrair
Eu senti saudade de você

Olha
Eu precisei do seu carinho
Pois eu me sentia tão sozinho
Já não podia mais lhe esquecer

Eu vou tirar você desse lugar
Eu vou levar você pra ficar comigo
E não me interessa
O que os outros vão pensar…


Quando Odair José fazia sucesso, Marília Mendonça não havia nascido. Morreu com 30 anos de idade, em 2022. Deixou duas ou três centenas de músicas autorais. Uma dessas tem por título Troca de Calçada. Um pedaço:

Se alguém passar por ela
Fique em silêncio,
não aponte o dedo
Não julgue tão cedo

Ela tem motivos
pra estar desse jeito
Isso é preconceito
Viveu tanto desprezo

Que até Deus duvida e chora lá de cima
Era só uma menina
Que dedicou a vida
a amores de quinta

É claro que ela já sonhou
em se casar um dia
Não estava nos planos
ser vergonha pra família

Cada um que passou
levou um pouco da sua vida
E o resto que sobrou,
ela vende na esquina

Pra ter o corpo quente,
eu congelei meu coração


E ela, a Marília, também criou uma música com letra muito forte. Essa música diz assim, mais ou menos, “quem eu quero não me quer, quem me quer não vou querer. Ninguém vai sofrer sozinho, todo mundo vai sofrer”.
Entre os grupos musicais "modernos", tem o Bonde do Forró. É desse grupo o texto Garota de Programa, que lá pras tantas diz:

Eu sou tua menina e quero te dizer, amor...
Faz tempo que a saudade em minha vida só machucou
E agora que a saudade se mudou de lugar
Vem comigo agora amor que é hora de me usar

Deixei de ser garota de programa
Deixei de ser uma qualquer
Pois eu fiz com você loucuras na cama
E o telefone peguei quem sabe um dia ligar

Liguei pra dizer que eu gostei
E pra dizer que eu quero te amar
Liguei e marquei um novo encontro
No quarto escuro pra gente se amar!!!!


E por incrível que pareça, esse tipo secundário de música chega ao exterior e lá ganha versões as mais diversas.
O Queen, ainda com Fred Mercury, não deixou de cantar o tema aqui abordado.
O grupo The Police também cantou trajetórias e tragédias de prostitutas.
E Elton John hein?
Elton fez e cantou uma música que diz:

Voltei para a terra seca outra vez
A oportunidade me espera como um rato no esgoto
Todos nós caçando garotas, com dinheiro pra gastar
É pouco tempo para mostrar os truques que aprendemos

Se todos os rapazes se comportarem bem aqui
Bem, lindas jovens mulheres e cerveja nos esperam
Não precisamos dormir na sarjeta esta noite
Oh, as despesas aqui eu vou pagar, você verá

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

BOLSONARO VAI OU NÃO PRA CADEIA?

O que há em comum entre o ex-futebolista Daniel Alves e o ex-presidente Bolsonaro?
Bom profissional de futebol, joga futebol. Óbvio. E se for bom, bom mesmo, vira ídolo como Garrincha, Pelé, Tostão, para a alegria dos torcedores ou do povo, como se diz.
E o que pode ocorrer com o presidente de uma República, como a nossa?
Saímos do Império através de um golpe militar. O imperador foi posto pra correr e morreu em Paris. O sujeito que ficou no seu lugar era um milico de alta patente: Marechal, chamado Deodoro da Fonseca. Foi péssimo como presidente. O outro que o substituiu, Floriano, também foi péssimo e sequer deu posse a quem o substituiu, o advogado Prudente de Morais.
Floriano fez o que muitos anos depois faria Bolsonaro saindo pela porta dos fundos sem transmitir o cargo ao sucessor, no caso Lula.
Desde Deodoro, cerca 40 brasileiros assumiram  a presidência da República, fora vices como Itamar e Temer.
Aonde eu quero chegar?
O que há em comum entre o ex-futebolista Daniel Alves e Bolsonaro é o machismo. O primeiro acaba de ser condenado na Espanha por estupro. Ganhou 4,5 anos. O segundo só não estuprou uma mulher, a deputada Maria do Rosário, porque segundo ele "ela é muito feia".
Bolsonaro, como se sabe, é um homofóbico, misógino, racista e genocida que poderá ou poderia ser responsável por milhares de brasileiros e brasileiras mortos por falta de vacina contra a Covid-19. Pois, pois. 
E os indígenas que morreram à mingua na Amazônia por falta do necessário atendimento federal?
E o que dizer do incentivo dado aos garimpeiros para explorar criminalmente as terras indígenas?
Bolsonaro disse mais de uma vez que não respeitará decisão nenhuma de Alexandre de Morais.  Só quero ver, pois foi intimado a comparecer hoje à PF para falar da tentativa de Golpe de Estado que poderia ter dado certo no dia 8 de janeiro de 2023. Pode fechar a boca e não dizer nada, mas que vai vai. E se não falar é porque é covarde. Ameaça, ameaça e  na hora H, mija no pé.
O Daniel Alves já está na cadeia.
Cadeia por cadeia, a cadeia já está de portas abertas para Bolsonaro. Questão de tempo e que ele seja posto em uma cadeia verdadeiramente de segurança máxima e não como aquela de Mossoró, RN, da qual fugiram dois bandidos associados a uma tal de organização criminosa chamada Comando Vermelho. 
Pois é, a Lei é para todos. E se a Lei é para todos, para todos também é a cadeia.
E vamos pelo caminho da Democracia, da Liberdade!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

ITALIANOS NO BRASIL DESDE 1874

Há 150 anos chegaram os primeiros italianos ao Brasil. Foi no mês de fevereiro de 1874 e o local por eles escolhido foi a região serrana do Espírito Santo, ES, hoje chamada de Santa Teresa.
Depois já mais para o final do século 19 os italianos passaram também a ocupar o território paulista. Entre os imigrantes com destino a São Paulo se achava Giuseppe Rielli, que viria a ser o primeiro sanfoneiro a gravar discos no Brasil.
Giuseppe, ou abrasileiradamente José, gerou filhos que também escolheram a música como profissão. Destaque para Osvaldo Rielli. Leia: SIVUCA É SINÔNIMO DE SANFONA
A Itália, na verdade, nos deu grandes artistas diretamente ou indiretamente.
Você já ouviu falar em Mário Zan? Leia: NO CÉU, LUIZ GONZAGA E SIVUCA
A Itália também abriu espaço para brasileiros, como Carlos Gomes.
Em março de 1870, o maestro Carlos Gomes apresentou no Scala de Milão a ópera Il Guarany. Leia: CARLOS GOMES: A GLÓRIA NO TREM DO ESQUECIMENTO (1)


terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

A LEI É PARA TODOS

O ex-deputado eleito presidente pelos bolsonaristas pode ir em cana num dia qualquer da semana que vem, pois ele e os seus seguidores continuam torcendo contra o Brasil. Querem golpe, querem ditadura, querem punir o povo pela pobreza que vivem.
Quem não se lembra de que o tal fez campanha contra vacinas inclusive a que combate a Covid-19? 
O ministro Alexandre de Morais marcou pra quinta-feira próxima mais um depoimento do ex-presidente à PF. A determinação tem por objetivo ouvir o tal sobre a tentativa de golpe de Estado e o quebra-quebra ocorrido nos três poderes, em Brasília no dia 8 de janeiro do ano passado. 
O cara não quer ir depor, confirmando o que antes disse: que não respeitará mais nenhuma determinação de Moraes. Hmmmm...
A Lei é para todos, não é mesmo?
Um poeminha para refrescar a memória dos esquecidos:

Já não são quinhentas mortes
Já não são quinhentas mil
A desgraça toma corpo
No coração do Brasil

Não são mortes naturais
As mortes de Silvas e Bragas
São mortes provocadas
Por vírus, pestes e pragas

Praga viva inda mata
Homem, menino e mulher
Mata completamente
Do jeito que o bicho quer

Maldito Coronavírus
Que pega e mata gente
O Brasil está morrendo
Nas garras do presidente

Presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!

A cadeia te espera 
Presidente matador 
Quem apanha hoje é caça
Amanhã é caçador 

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

TRISTEZA E FOME MATAM

Que o mundo está pegando fogo há muito tempo, sabemos.
Desde que o mundo é mundo os homens matam-se por nada. Por um olhar, por uma discussão qualquer.
Há inúmeros conflitos mundo afora. Guerras, golpes, tiranos e o povo, como sempre, sendo subjugado.
O povo da Ucrânia está lascado...
O povo palestino está lascado...
Mas o outro lado, Rússia e Israel, também está lascado.
No Continente africano, que tem 54 países, a situação também é periclitante. Como sempre: gente matando gente, independentemente de cor e gênero.
O Lula andou falando na África que o que o governo israelense está fazendo nessa guerra contra o Hamas é um genocídio, o mesmo que Hitler fez entre os anos 30 e 40.
Falou certo ou falou errado nosso Lula?
O Brasil é o 5º país do mundo, territorialmente e populacionalmente.
O Brasil alimenta boa parte do planeta, mas boa parte dos brasileiros ainda se acha na linha da miséria e passando fome, sem casa pra morar, sem emprego, ao Deus dará.
Acho que Lula deveria se preocupar mais com os brasileiros. Enfim, somos mais de 200 milhões.
É isso. Um poeminha:

Todos sabem muito bem
Que o mundo anda mal
Girando um tanto torto
No seu eixo natural

É caso muito sério
De difícil solução
Pode tudo se findar
À base de explosão

Como rastro de pólvora
Feito só para matar
As guerras se multiplicam
No campo, na serra, no mar

Aviões atiram bombas
Aleatoriamente
Destruindo meio mundo
E matando muita gente

Tudo isso sob as ordens
De um ser que planta o mal
De um ser que quer fazer
Nova guerra mundial

Pare enquanto é tempo
Chega de tanto terror
Em fuga o povo chora
Pedindo paz e mais amor

domingo, 18 de fevereiro de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (76)

Otacilio Batista e Assis Angelo em programa da Rádio Atual
O cantador repentista pernambucano Otacílio Batista compôs e gravou um poema decassílabo intitulado Mulher Nova, Bonita e Carinhosa/ Faz  o Homem Gemer Sem Sentir Dor. 
Esse poema foi gravado em disco LP pelo próprio Otacílio e depois melodiado pelo cantor e compositor paraibano Zé Ramalho, que a gravou em CD. A letra diz:

Numa luta de gregos e troianos
Por Helena, a mulher de Menelau
Conta a história de um cavalo de pau
Terminava uma guerra de dez anos
Menelau, o maior dos espartanos

Venceu Páris, o grande sedutor
Humilhando a família de Heitor
Em defesa da honra caprichosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor…

Diz a lenda que num ano qualquer da Idade Média um cavaleiro apaixonou-se perdidamente por uma rainha. Ele era solteiro e ela casada. O seu rei, um tal de Marco, ficou puto. 
O cavaleiro tinha por nome Tristão e a rainha, Isolda. 
Naqueles tempos medievos era mais do que comum príncipes se apaixonarem por plebeias e princesas serem salvas por plebeus.
Em tempos não muito distantes, era comum no Nordeste um pai levar o filho adolescente a "virar homem" num cabaré, puteiro ou prostíbulo. Isso também ocorria noutras partes do país.
Beatriz Kushnir, autora do livro Baile de Máscaras, escreve que muitos pais levavam seus rebentos para a primeira transa nos bordéis do Rio à época das polacas. Quer dizer, além Nordeste.
Em 1964, o cantor e compositor Moreira da Silva deixou para a posteridade uma música que fez com Jorge Faraj. Essa música, Judia Rara, foi gravada em disco Odeon. A letra:

A rosa não se compara
A essa judia rara
Criada no meu País
Rosa de amor sem espinhos
Diz que são meus seus carinhos
E eu sou um homem feliz

Nos olhos dessa judia
Cheios de amor e poesia 
Dorme o mistério da noite
Brilha o milagre do dia

A sua boca vermelha
É uma flor singular
E o meu desejo, uma abelha
Em torno dela a bailar. 

Essa música foi feita para Estera Gladkowicer, uma imigrante judia russa que conheceu na Lapa e por ela se apaixonou. É bom lembrar que as mulheres que vinham do Leste Europeu e aqui se prostituíam eram, em geral, chamadas de polacas.

Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 17 de fevereiro de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (75)

Bocage
Infidelidade conjugal é o mesmo que traição. 
Esse tema se acha em tudo quanto é livro importante desde sei lá há quanto tempo! Nas línguas portuguesa, inglesa, francesa, espanhola, holandesa, italiana, alemã…
O sexo é fundamental na vida, seja qual for a vida. Animal, no sentido selvagem ou humano como tal entendemos.
É claro que sobre esse assunto muito já foi dito e muito ainda se dirá.
Na força, ganha o macho. 
A mulher perde não pela sua fraqueza física, mas de certo modo pela submissão. Desde sempre. Bíblia. 
Desde a Antiguidade, o mundo é regido pelo patriarcalismo machista, cuja visão transforma a mulher em mero objeto.
No decorrer do tempo as mulheres têm encontrado força para romper o elo patriarcal e, em liberdade, seguir a  própria vida.
Bela luta, não é mesmo?
Os poderosos, em todos os sentidos, usam e abusam do feminino. Eles podem tudo, a mulher não. 
As Mil e Uma Noites, um clássico árabe, começa quando o sultão Shahryar flagra a mulher aos beijos e abraços com um escravo, na cama. Irado, saca da espada e mata a infiel e seu amante. Depois disso, jura e cumpre a promessa de matar todas as mulheres depois da primeira transa. 
Corno contrariado é um perigo.
Tem o corno brabo e o corno manso, nessa história de pulada de cerca. A propósito, há até “oração” sobre o tema e um belíssimo soneto do Bocage intitulado Soneto do Corno Choroso. Este:

Se o grão serralho do Sophi potente,
Ou do Sultão feroz, que rege a Trácia,
Mil Vênus de Geórgia, oh! da Circássia
Nuas prestasse ao meu desejo ardente:

Se negros brutos, que parecem gente,
Ministros fossem de lasciva audácia,
Inda assim do ciúme a pertinácia
No peito me nutria ardor pungente:

Erraste em produzir-me, oh! Natureza,
Num país onde todos fodem tudo,
Onde leis não conhece a porra tesa!

Cioso afeto, afeto carrancudo!
Zelar moças na Europa é árdua empresa,
Entre nós ser amante é ser cornudo

Na real, no mundo real, são inúmeros e multiplicam-se os casos de infidelidade conjugal. 
Em 1976, o empresário Doca Street matou a sua companheira Ângela por sentir-se por ela traído.
Do tempo antigo há um caso marcante: o rei de Esparta Menelau encheu o mar de sangue depois de traído por Helena de Tróia, considerada a mais bonita daquele tempo, raptada pelo ousado Páris.
Antes disso, muito antes, a mesma Helena tinha 12 anos de idade quando foi arrancada de sua casa pelo venerado guerreiro ateniense Teseu, filho do rei Egeu. Mas isso não deu certo. 
Os irmãos de Helena a salvaram de um possível estupro.
O caso Menelau rendeu muitas histórias. E músicas. 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

FUGA NO RN CHAMA ATENÇÃO DO MUNDO

Resistência ao bando de Lampião


O dia 13 de junho de 1927 caiu numa segunda-feira. 
Naquele distante 13, dia de Santo Antonio, Lampião e o seu bando invadiram a cidade de Mossoró, RN, mas foram surpreendentemente rechaçados pelos seus habitantes considerados pacatos até então. 
Marca das balas do tiroteio ocorrido no dia 13 de junho de 1927 ainda se acham nas paredes de um prédio da Prefeitura. Eu vi, sou testemunha. Até palestra fiz lá, a convite de um agitador cultural de nome Kydelmir Dantas.
Os relógios marcavam pontualmente 13 horas quando a cidade foi invadida e os invasores postos pra correr.
A mesma Mossoró está sendo palco hoje de uma grande movimentação policial, reforçada por forças da Paraíba e Ceará. São pelo menos 300 homens armados até os dentes. Drones e três helicópteros foram incluídos na operação que visa recapturar dois fugitivos de uma das cinco cadeias federais tidas como de total segurança. 
Os fugitivos são figurinhas carimbadas do PCC ou de sei lá de que organização criminosa!
A fuga ocorreu na madrugada de terça 13 de Carnaval desde ano de 24.
Essa fuga, que já está sendo noticiada pela imprensa estrangeira, me lembra aquela que resultou na morte de um cabra em Goiás após longa e tensa caçada policial. 
Essa fuga também me lembra aquela em que um brasileiro, nos EUA, findou recapturado por forças federais. 
 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

CARNAVAL: NEGROS NA AVENIDA

O Carnaval de 2024 terminou e não terminou. Explico: em alguns lugares do nosso imenso território nacional, o Carnaval já era. Noutros como na da Bahia, Rio e Pernambuco, ainda há samba e frevo no gogó e nos pés.
Em Sampa, e não em todo o Estado, o Carnaval ainda rola através dos bloquinhos.
No Rio, a escola Viradouro venceu pela 3ª vez. O tema abordado no enredo enalteceu a mulher negra.
Em Sampa, a escola campeã foi a Mocidade Alegre. É campeã pela 12ª vez. O tema escolhido foi Mário de Andrade.
O detalhe é que a temática negritude todo ano se faz presente nas avenidas das principais capitais brasileiras.
A tradicional Portela do Rio ficou em segundo lugar com um enredo contando a história de uma mulher que liderou uma revolta de negros africanos na Bahia. Os revoltosos eram malês e a mulher à frente deles tinha por nome Luiza Main.
Meu amigo, minha amiga, você sabe de quem foi mãe dona Main?
Dona Luiza Main foi a mãe do grande poeta negro Luiz Gama.
O enredo da Portela foi baseado no livro Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves. Recomendo-o.


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

CARNAVAL DE COLOMBINA


O Carnaval no Brasil chegou há muito tempo. Isso todo mundo sabe e se não sabe, vai ficar sabendo aqui.
O primeiro instrumento musical utilizado no período carnavalesco foi um bombo, que um cara de origem portuguesa tocava nas ruas do Império. Era um tal de Zé Pereira, que dava nome a uma musiquinha cheia de graça, ou pretensiosamente cheia de graça.
Depois do bombo outros instrumentos entraram na folia, incluindo o pandeiro.
O pandeiro é de um tempo muito antigo. Do Neolítico, quando o homem começa a tomar gosto pelas coisas e também a criá-las. A ver com festas, ritos e tal. Há uns 10 mil anos a.C.
Fora os instrumentos musicais usados no Carnaval, tem a roupa utilizada pelos foliões. Fantasias primorosas e máscaras idem.
As máscaras e as figurinhas trajadas e identificadas como Colombina, Arlequim e Pierrô surgiram no século 16, nas ruas estreitas de Veneza.
Os três personagens aqui citados formam até hoje um triângulo amoroso.
Colombina se enrola nos braços de Arlequim, mas ao descobrir o amor platônico de Pierrô, Colombina dá um basta em Arlequim e fica com Pierrô.
Nessa história não podemos esquecer que a bela Colombina tem o coração fácil. Melhor para o Arlequim...
Essa história triangular é belamente contada na marchinha Máscara Negra, de Zé Kéti e Pereira Matos.
Mas foi no Brasil que o Carnaval pegou. É o melhor do mundo. E em algumas regiões do Brasil vai muito além dos três dias historicamente reservados.
Muitos artistas da nossa música popular se destacaram pelas composições que criaram, desde Chiquinha Gonzaga a Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Nelson Sargento.
O craque do traço Fausto exibe seu talento aqui nesta página.
Ouça:



terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

MAIS UMA FOLIA DE FEVEREIRO


Pois é, mais um Carnaval está chegando ao fim.
Fazia tempo que o povo não ia pra rua pra cantar e pular, como neste Carnaval de 2024.
Milhares de blocos foram às ruas do Brasil puxando homem, mulher e menino.
Muitos artistas de nome e renome foram homenageados, estão ainda sendo homenageados: Martinho da Vila, Dominguinhos, Alcione, Chico Buarque, Antonio Nóbrega...
Em João Pessoa tem um bloco chamado As Raparigas de Chico, é coisa boa.
No Rio de Janeiro e em Recife, deu na cabeça o Nóbrega. 
Gostei de ouvir.

FOLIA NO CARNVAL NA CASA DE CAROL E DANIEL


Foi muito legal o Carnaval com forró na casa da produtora musical Carolina Albuquerque e do cantor e compositor Daniel Gonzaga. Tinham vários sanfoneiros lá, vários cantores e cantoras, tocando e foliando. Até Anastácia estava lá cantando e tocando triângulo. E toca bem, a danada! Vejam as fotos aí e o link com a fala de Expedito Duarte, o Mano Novo, dizendo porque não foi à casa da Carol. É isso aí!


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

AINDA SEBASTIÃO MARINHO


Em julho de 2022, o ex-ministro Aldo Rebelo apanhou-me em casa pra um dedo de prosa e folia numa churrascaria paulistana. Acho que na zona Norte. E lá estávamos ao lado do poeta Moreira de Acopiara, do apresentador de TV Atílio Bari e do saudoso repentista paraibano Sebastião Marinho, que desde ontem 11 se acha nos braços de Deus.
Na ocasião, declamei algumas coisinhas e ouvi demoradamente Sebastião bater viola e cantar com aquela voz bonita e que tanto gostávamos. 
Ainda durante aquele encontro, tivemos a alegria de ouvir Rebelo se esforçar ao máximo para cantar no mesmo tom de cantador repentista. Não se saiu mal, até porque sua origem nordestina de Alagoas o ajudou nisso.
Bom, e folia por folia, hoje é uma segunda de primeira de Carnaval.
O corpo de Marinho está sepulto desde hoje 12 no cemitério de Vila Alpina, SP.
Pra lembrar esse encontro na churrascaria... Ouça:

FOLIA NA CASA DA CAROL

Ontem 11 o amigo Luiz Wilson apanhou-me em casa e levou-me até a região do Jabaquara, convidados que fomos pela produtora musical Carol.
Carol, diminutivo de Carolina, é a pessoa responsável pela carreira da compositora e cantora pernambucana Anastácia, chamada por todo mundo de Rainha do Forró.
Na casa de Carol, se achava um belo time de craques da música do Nordeste. Além de Luiz Wilson, Dantas do Forró e Cícero do Acordeon. Muita gente boa e o Daniel, filho de Gonzaguinha e neto de Gonzagão, esteve como sempre supimpa! Aliás foi quem preparou o almoço servido na ocasião. O cara é mestre cuca.
Sebastião Marinho foi nome muito lembrado no encontro.
É isso aí.

domingo, 11 de fevereiro de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (74)

Cleópatra e César,
por Jean Leon Gerome (1866)
Bom, o incesto é um tema recorrente nas páginas do Velho Testamento.
A história é longa e cheia de surpresas e contradições. 
Depois de desposar os irmãos, Cleópatra abriu as asas e atirou-se no colo do ditador romano Júlio César, que seria assassinado pelo filho Brutus e senadores comparsas.
Com César, Cleópatra teve um filho.
Depois de transar com César em busca do poder pelo poder, Cleópatra foi pra cima do general Marco Antônio, com quem teve três filhos.
Marco Antônio e Cleópatra perderam feio uma batalha para Otaviano, filho adotivo de César. 
O resultado disso é que Marco Antônio suicidou-se e Cleópatra também. 
A respeito desse assunto, de adultério, o satírico Bocage escreveu:

Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putissimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas teem reinado:

Dido fui puta, e puta d′um soldado:
Cleopatra por puta alcança a c′ròa;
Tu, Lucrecia, com toda a tua pròa,
O teu cono não passa por honrado:

Essa da Russia imperatriz famosa,
Que inda ha pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:

Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques pois, oh Nise, duvidosa
Que isto de virgo e honra é tudo peta.
Bocage

A última rainha do Egito, Cleópatra, entrou para a história como depravada, cínica, fatal e "uma vergonha para o Egito", nas palavras do poeta Lucano.
Marco Aneu Lucano tinha lá uns 20 anos de idade quando chamou a atenção de Nero pelas poesias bravas que fazia.
Lucano virou, por pouco tempo, um protegido do incendiário Nero.
Nero findou por mandar matá-lo.
Plutarco classificou Antônio e Cleópatra como um casal vulgar, libertino e tal.
Horácio e Cícero não a viam com bons olhos. 
Cícero foi um dos maiores oradores do Império Romano. Escrevia com as mãos de Deus.
Foi Propércio que, sem rodeios, a chamou de "rainha prostituta".

Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 10 de fevereiro de 2024

ADEUS SEBASTIÃO MARINHO!

Se existir Céu depois da nossa morte e se para lá formos pelo "bom comportamento" na Terra, é nesse lugar que o poeta repentista paraibano Sebastião Marinho está, a contragosto do Demo, se existir.
Para os católicos, o Céu é um lugar onde moram anjos, arcanjos e doidos em geral, como Deus. E é para lá, o Céu, que vão, depois da morte, os puros de alma e os corretos terrenos: nós.
Sebastião, Bastião para os íntimos, subiu para o andar de cima hoje 10 por volta das duas da madruga. O passamento ocorreu num leito de hospital do bairro paulistano de Vila Alpina. A causa mortis: falência múltipla dos órgãos.
Doeu, meu coração bate com tristeza. 
Natural de Solanea, Sebastião chegou em São Paulo no começo dos 70. Foi ficando, foi ficando, fundou União dos Cantadores Repentistas e Apologistas do Nordeste, UCRAN.
Foi um dos caras mais importantes da poesia popular feita ao som de viola. Deixou poucos discos gravados, mas uma legião enorme de seguidores e admiradores.
A última vez que falei com Sebastião, por telefone, faz umas duas semanas. A voz já estava cansada, falava pouco.
Cheguei a escrever, acho que em fins do ano passado, um poema sobre ele. Ele gostou e disse que não merecia tal texto poético. Rimos. Gravei esse poema e brincando ele perguntou se também podia gravar um poema que fiz pra Rolando Boldrin intitulado Sr. Boldrin
Tudo de bom desejamos, sempre, a Sebastião Marinho. Que Deus o tenha bem e que goste da beleza poética musical do Marinho, lá, ali, ao Seu lado: no Céu. E que nos esperem.
Ia-me esquecendo: a última vez que tive a alegria de abraçar Sebastião foi no dia 27 de setembro de 2022. Foi aqui em casa, quando eu completava 70 anos de idade. Presentes maestro Júlio Medaglia, o ex-ministro senador Aldo Rebelo, Flor Maria, Ana Maria, Anastácia, Moreira de Acopiara e tal.
É isso aí.


LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (73)

Cora Pearl
O estupro, além de provocar transtornos emocionais, quase sempre também leva a vítima à prostituição. Isso se acha em narrativas reais e fictícias.

Na década de 60 do século 19, na França, uma personagem inglesa do mundo real chamada Emma Elizabeth Crouch (1835-1886), para um público especial Cora Pearl, fez estrondoso sucesso se prostituindo. Antes de “cair na vida”, Elizabeth foi internada num convento de freiras na França e ao sair de lá foi estuprada por um desconhecido com mais do dobro de sua idade. À época, ela tinha 15 anos. 

Perdida, assustada, Elizabeth alugou um espaço em Paris e passou, então, a entregar-se aos homens para sobreviver.

Elizabeth Crouch morreu fora do território parisiense, em Monte Carlo, no ano do lançamento do livro no qual conta a sua história: Mémoires d’une Courtisane.

História parecida, só que na ficção, teve Madame Bovary.

Essa personagem de Gustave Flaubert (1821-1880), era interiorana e apaixonada por leituras românticas. Casou-se com um médico, foi infeliz, e suicidou-se depois de cair nos braços de um amante. 

Algo parecido, muito parecido aconteceu com Anna Karenina.

Anna Karenina, uma criação do russo Tolstói (1828-1910), matou-se atirando-se na frente de um trem.

Não é incomum  nos dias de hoje uma mulher usar o próprio corpo para galgar posições importantes na sociedade. 

Cristo ainda não havia nascido quando nasceu em Alexandria, então capital do Egito, aquela que seria a mais fulgurante e poderosa mulher do seu tempo: Cleópatra. 

Cleópatra integrava a dinastia ptolomaica. Seu pai Ptolomeu XII era grego.

Os homens da família de Cleópatra eram chamados de  Ptolomeu I, II, III, IV...

Sempre visando o poder, Cleópatra chegou a casar-se com dois de seus irmãos, Ptolomeu XIII e Ptolomeu XIV.

Incesto, não?

Incesto era uma prática comum e não punível na Antiguidade.

Jorge Amado

Na literatura antiga há muitos registros sobre o assunto. 

Sófocles, considerado pai do teatro grego, escreveu e levou à cena Édipo Rei. Nessa peça que Aristóteles classificou de "verdadeira tragédia", o personagem Édipo casa-se com a própria mãe, Jocasta, sem saber e com ela gera filhos. Quatro: Antígona, Ismênia, Etéocles e Polinice. 

Ao descobrir, surpresa, o incesto consumado, a mãe de Édipo se mata e ele desesperado fura os próprios olhos e sai zanzando perdido na escuridão. 

No mundo encantado dos orixás a chamada rainha das águas Iemanjá casa-se com um irmão e com ele tem um filho que finda por engravidá-la.

É tudo muito louco, não é?

Iemanjá,  no seu berço africano, era negra. No Brasil, é branca.

A obra de Jorge Amado (1912-2001) é toda recheada de personagens ligadas ao mundo dos orixás. Tereza Batista, por exemplo, é filha de Iansã.

Essa Tereza é protegida de todos os orixás, a partir do justiceiro Xangô.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

PATATIVA É ENREDO DA X9

Pois é, em 2013 convite pra desfilar na avenida. Foi pela X9 Paulistana. O enredo falar de Portugal, Camões, etc.
A X9 está disputando vaga no Grupo Especial. O desfile ocorreu no último dia 4 e no próximo domingo 11 deverá sair o resultado da banca julgadora.
O tema este ano abordado pela escola da Zona Norte foi Nordestino Sim, Nordestinado Jamais!.
A figura de destaque no enredo foi o poeta cearense Patativa do Assaré. 
Rolou muita coisa boa e bonita nesse último desfile da X9. Torço para que volte a ocupar lugar do Grupo Especial.
Patativa representa a poesia popular autêntica do Brasil, especialmente do Nordeste. Escreveu vários livros, o primeiro foi publicado em 1956.
Ouça o enredo da X9 de 2024:


LEIA MAIS: HÁ 18 ANOS DESAPARECIA PATATIVA • PATATIVA, A VOZ DO POVO • BLOCOS DE CARNAVAL, A ALEGRIA DO POVO

POSTAGENS MAIS VISTAS