No nosso Patropi tudo acontece com muita rapidez, num piscar de olhos. E não são notícias coisinhas não, são notícias bombásticas, cabeludas, de arrepiar. Hoje, logo cedo, ouvi no rádio a notícia dando conta da prisão do governador Pezão, do Rio de Janeiro. Com eles foram presos alguns dos seus assessores diretos. Pois é! Há coisa de dois anos, quatro governadores do Rio de Janeiro foram presos por corrupção e outros crimes: Garotinho, sua mulher Garotinha (parece que não crescem e não aprendem), Cabral e, agora, Pezão. Que nome! Pezão passou muito tempo dando com o pé na bunda do povo, e agora deu no que deu! Num momento qualquer da vida, Pezão ganhou uma música de Jorge Benjor. E que música:
O dia começou com Pezão e terminou com chicana, prá dizer o mínimo, no STF.
As excelências reunidas em plenário discutiam o poder do senhor presidente da República de indultar quem bem entendesse, inclusive o senhor Eduardo Cunha e outros senhores que descaradamente meteram a mão no bolso do povo e por isso foram parar no Xilindró. Pois é!
A primeira vez que um presidente indultou bandidos foi em 1937. O bandido em tela era o sanguinário Antonio Silvino, que foi condenado a 230 anos e oito meses de cadeia. E o presidente, Getúlio Vargas. O mesmo Getúlio indultaria 8 anos depois soldados que cometeram atrocidades em nome do Brasil. Em 1954, Getúlio voltaria a indultar mais um cangaceiro: Volta Seca, condenado a 145 anos de pena. E a onda de indultos continuou até a chegada de Jango ao poder. Ele disse, em 1962, que não assinaria indulto coisa nenhuma, fosse para quem fosse. Quer dizer, ele disse o que disse há pouco o recém eleito presidente, Bolsonaro. Curiosa a justificativa de Lewandowsky: ele disse que há muitos presos na prisão e está na hora de botar alguns prá fora, escolhidos a dedo, é claro!
Outras notícias incríveis continuaram ocorrendo, depois da prisão de Pezão e antes da chicana dos juízes no STF: 70 mil metros quadrados de área do governo estavam sendo explorados por bandidos, há anos. Em São Paulo não sei quantas toneladas de cocaína e maconha foram apreendidas. No Rio mais um policial foi morto pela bandidagem etc, etc, etc.
Ilustração especialmente feita por Fausto para o poema A Viagem à Índia
Um dia Júpiter chamou Seus pares pra conversar Queria deles saber Que posição adotar Sobre certa viagem de um certo homem no mar
Deuses foram chegando Decididos a escutar Decididos a entender O que Júpiter tinha a falar Seria sobre a viagem Daquele homem no mar?
Ouviu-se um zum, zum, zum Eram Deuses a murmurar: Quem seria esse valente decidido a enfrentar Os mau humores do tempo E as estranhezas do mar?
Seguiram-se discussões Concordar ou discordar? Proteger e garantir ou simplesmente negar o apoio preciso ao valente homem do mar?
Júpiter no seu discurso Não falou só por falar Foi ele quem afirmou Ser preciso apostar Nos valentes portugueses Desbravadores do mar
O poema Os Lusíadas, o épico poético mais conhecido em língua
portuguesa e noutras línguas, talvez, foi publicado em 1572 com o aval do
censor oficial da inquisição, o dominicano Bartolomeu Ferreira. Essa obra
demorou pelo menos 15 anos até ser concluída pelo seu autor Luís Vaz de Camões
(1524-1580). Começou a ser escrita numa prisão de Lisboa e foi concluída
provavelmente noutra prisão,na Índia. Trata do
heroísmo do povo português, das conquistas marítimas dos navegantes
portugueses, como Vasco da Gama (1469-1524) que descobriu um meio diferente de
chegar à Índia: pelo mar.
Vasco
da Gama foi expressão máxima da navegação portuguesa.
O
cristianismo e o paganismo se juntam tão perfeitamente na obra de Camões que ao
menos avisado pode parecer uma obra feita pós Inquisição.
Camões
mistura o real ao irreal.
Camões
conta a história do heroísmo português de um modo como até então ninguém tinha
contado. Ele começa do meio para o começo e daí para o final.
Os
Lusíadas é uma obra composta por dez cantos, partes ou capítulos.
O
IX Canto, como os demais cantos, é fabuloso. Li te ral men te fabuloso. É lá
que se acha a Ilha dos Amores, que me levou a gerar arriscadamente o poema que
abre este texto. É um canto lindo! É o canto em que o gigante Adamastor é
transformado em pedra, pelo simples fato de apaixonar-se por uma Ninfa, mulher
de um mágico.
Pra
desenvolver essa obra, Camões fez uso da invenção de um poeta italiano chamado
Ariosto. Foi esse poeta que inventou, ainda no século 16, a nova modalidade
poética chamada de Medida Nova. Essa modalidade, nova, foi levada da Itália
para Portugal por outro poeta: Sá de Miranda, em 1427.
Mil
cento e duas estrofes de oito versos decassílabos formam Os Lusíadas.
Richard Burton
Estou terminando este texto quando o craque do traço brasileiro Fausto
Bergoce telefona prá dizer que gostou demais do poema A Viagem à Índia, que
lhe mandara momentos antes. Disse isso e disse mais: que um britânico de nome
Richard Francis Burton (1821-1890) foi o cão chupando manga. Esse cara, que
nada tem a ver com o maridão da Taylor, a atriz, pintou e bordou.
Richard
Francis Burton foi tudo o que um homem poderia ser na vida, na cama e na mesa.
Apreciador de bom vinho, nunca se perdeu pelo copo.
Burton
foi poeta, viajante, antropólogo, tradutor, espião britânico e, cônsul na
Pérsia, no Brasil e em outros lugares. Na China, aprendeu a
língua e os dialetos do país.Até pelo Rio São Francisco ele
navegou,antes descobrir a nascente do rio Tanganica, na África.Conviveu com
canibais e pigmeus. Esse cabra, dito assim, parece até que não existiu. Do
árabe para o inglês ele traduziu As Mil e um Noites e poemas de Catulo, não o
nosso, mas o italiano Caio Valério. Quem o mandou ao Brasil foi a rainha Vitória.
A Editora Cia das Letras tem uma Biografia muito interessante sobre ele, vale a
pena ler. Ah! Richard Burton aprendeu português para ler Os Lusíadas, que pouco
depois traduziria. Ele amava Camões.
Hoje é o dia nacional da Consciência Negra, feriado em mil e poucos municípios. Em São Paulo, inclusive.
O mês de Novembro, é historicamente, marcante
no Brasil. É o mês de tragédias, grandes acontecimentos.
O primeiro grande embate entre o povo e o
Exército começou no dia 7 de novembro de 1896 e terminou pouco menos de 1 anos
depois, dia 5 de outubro de 1897.Falo da guerra de Canudos. Desse conflito
resultou na mortede 25 mil pessoas,
incluindo homens, mulheres, crianças e o líder Conselheiro.E
resultou também no clássicoOs Sertões,
de Euclides da Cunha, que narra esses acontecimentos tintim por tintim.
O primeiro golpe civil militar derrubou o
imperador D. Pedro II e pôs no seu lugar, o marechal alagoano Deodoro da
Fonseca, que antes de renunciar ao cargo de presidente fecharia o Congresso. Isso em novembro.
Ao findar aRepública Velha, iniciada por Deodoro, começou a República de
GetúlioVargas, que foi de 1930 a 1945.
Nesse período, Vargas instaurou o sombrio período do Estado Novo. Isso ocorreu
no dia 10 de novembro de 1937.
No dia 29 de Novembro de 1967, morreu o
mineiro João Guimarães Rosa, a sua morte ocorreu 3 dias depois de ter sido
empossado como imortal da Academia Brasileira de Letras, ABL. Isso é ou não
é uma tragédia?
No último dia 8 o STF suspendeu a proibição do
Jornal O Estado de S. Paulo de publicar qualquer notícia sobre a família Sarney.
Essa proibição durou exatos 3.327 dias. Censura braba!
No último dia 17 a justiça proibiu a Rede
Globo de noticiar o andamento das investigações em torno do assassinato da
vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Pedro Gomes. Censura brava
rolando de novo no mês de novembro no Brasil.
O Ato Institucional no.5 foi escrito 20 dias
antes de ser decretado pelo generalCosta e Silva e anunciado ao País pelo ministro da justiça Gama e Silva,
no dia 13 de Dezembro de 1968.
O AI-5
foi o ato mais violento do governo militar (1964-85) e durou exatos 7.655
dias.
A guerra de Canudos motivou uma quantidade
enorme de folhetos de cordel, peças de teatro, músicas, etc.
Em 2002, no livro O Clarim e a Oração (Geração Editorial) eu apresento um levantamento completo sobre Canudos na
cultura popular brasileira.
A primeira música que fala de Canudos é o
samba "Cabide de Molambo", de João da Baiana, lançado em dezembro de
1931 pelo cantor Patrício Teixeira (disco Odeon, no. 10.000, 883-A). A segunda,
tratando do Conselheiro, é a toada "Pai João", de Almirante de Luz
Peixoto, lançada por Gastão Formenti, com acompanhamento da Osquestra Victor
Brasileira (Victor, no.33595-B) em dezembro de 1932.
Todo esse material, incluindo folhetos,
livros, discos,se acha no acervo do
Instituto Memória Brasil- IMB.
Ele nasceu 1 ano uma semana e 1 dia antes de Getúlio Vargas implantar no Brasil o regime político denominado Estado Novo.
Ele foi agricultor, garimpeiro e marinheiro cassado no ano do golpe civil militar que durou 7.665 dias ou de outra forma: 21 anos de regime de recessão que levou a prisão e a tortura de pelo menos 20 mil brasileiros e brasileiras, com perseguição e mortes etc. Estou falando do nordestino de Currais Novos, RN, José Xavier Cortez, que o tempo transformaria num dos nomes mais conhecidos da indústria editorial do País...
Ele nasceu bem antes de Cortez.
Diz a lenda que ele insistia para nascer antes do tempo. O seu comportamento no útero materno já indicava que ele viria ao mundo para registrar em canetas e pincéis o comportamento das pessoas, pobres ou ricas, simples ou poderosas.Dito e feito. Tudo isso com graça e crítica. Estou falando do paulista de Reginópolis Fausto Bergocce, nascido no mesmo dia e mês em que nasceu o nordestino supimpa José Cortez: 18 de novembro.
O traço da arte de Fausto é único, como único é o de Picasso e Millôr.
Cortez completa hoje 82 anos de vida.
Fausto, como é conhecido por aí afora, nasceu 1 mês, 3 semanas e 1 dia depois que o rei da voz Chico Alves, subia ao céu após um violento acidente automobilístico na via Dutra: 27 de Setembro. Aliás, foi nesse dia que eu nasci.
Esses 2 brasileiros são incríveis e eu sou amigo deles.
José Xavier Cortez, comeu literalmente, o pão que o Diabo amassou. Fausto, também.
Fausto nasceu no tamanho de nada, mas foi crescendo, crescendo e virou quem hoje é. Claro, para chegar onde chegou, fez bicos, caras e caretas. Não nasceu em berço de ouro, mas é ouro para o Brasil.
No primeiro aniversário de Cortez não houve quem lhe cantasse parabéns, por uma razão: a canção Parabéns a Voce ainda não existia em versão brasileira. Isso só foi acontecer em Janeiro de 1951, quando Nilo Sérgio a lançou em disco Todamérica. Essa música, de autoria das irmãs norte americanas Mildred e Patrícia, ganhou versão na nossa língua de Léa Magalhães. Até Roberto Carlos, vejam vocês, a gravou.
Musicalmente o Brasil é riquíssimo e em tudo, até em pobreza.
Uma porcentagem enorme de cidades brasileiras vivem tempos que parece serem da Idade Média.
A Idade Média.se não sabem, saibam, viveu 3 fases. A mais pior, como diria Adoniran Barbosa, foi aquela de média nada tinha. Era só loucura, violência e tudo o mais que não presta, que muita gente chama de negra, obscura, etc.
Pois bem, musicalmente e em tudo o Brasil é riquíssimo.....
Na manha de 29 de novembro de 1807, Dom João VI deixou Portugal com Napoleão no encalço. Quer dizer, Dom João naquele dia fugiu da sua terra de origem para aventurar-se no Brasil.
Naquele tempo, o Brasil economicamente, estava numa pindaíba dos infernos. Tudo travado, como agora.
Logo após chegar ao Brasil, notadamente em Salvador, Dom João botou para quebrar, destravando as amarras econômicas da economia brasileira. Plim plim! e aí, pouco depois de estar em terras firmes, ele abriu os portos. E tudo mudou. Teve zebras, mas tudo mudou.
Musicalmente e em tudo o Brasil é riquíssimo.
O primeiro gênero musical autenticamente, digamos assim, brasileiro é o choro, o chorinho.
O choro como expressão musical apareceu pela primeira vez numa partitura do flautista José Antonio da Silva calado, em 1870.
Essa história, a história do choro, é contada tim tim por tim tim, na nova série da TV Cultura: O Brasil Toca Choro, que a TV Cultura está levando ao ar todos os domingos a partir das 11 horas.
Amanhã, 18, é dia de choro na TV Cultura. Antes, clique abaixo para ver o segundo capítulo da série.
A série que a TV Cultura está exibindo sobre choro, foi apresentada à imprensa no final de Outubro, num restaurante da Capital paulista. Estive lá. Antes, no começo do ano, o presidente da Fundação Padre Anchieta que administra a TV Cultura, Marcos Mendonça e eu trocamos idéias no Centro Cultural Rebouças, onde se realizava um Congresso patrocinado pelo News Letter JornalistaseCia. O papo foi choro, no bom sentido. Abaixo, o registro.
O repente e o cordel
caminham de mãos dadas
encantando gerações
com histórias bem contadas
feitas de improviso
e também a canetadas
Umas são muito tristes
outras são engraçadas
umas são verdadeiras
outras são inventadas
pra fazer quem quiser curtir
dando boas gargalhadas (Assis Angelo)
Os poetas de bancada que escrevem a canetadas e os poetas repentistas que improvisam versos ao som de violas, historicamente sempre estiveram presentes onde os fatos acontecem. Sempre foi assim, desde que o Cordel e o Repente sentaram praça no Brasil. Quer dizer, desde o século 19.
O paraibano Silvino Pirauá Lima era cordelista e cantador repentista. Ele e seu conterrâneo Leandro Gomes de Barros foram pioneiros no campo da poesia popular cantada.
O Nordeste é berço dos grandes cordelistas e repentistas. A obra destes poetas, dos artista do povo, é absolutamente fantástica. Intelectuais do naipe de Ariano Suassuna beberam e bebem ainda no poço encantado do cordel e do repente.
Os ex-presidentes Getúlio Vargas e Lula da Silva foram os mais cantados na literatura de cordel, até hoje.
A corrida eleitoral que levou Jair Bolsonaro à cadeira de Presidente não poderia ser ignorada pelos poetas do povo. Até os veteranos Oliveira de Panelas e Ivanildo Vila Nova afinaram suas violas e desenvolveram um Quadrão Perguntado, que é uma das mais de 100 modalidades identificadas no Reino da Cantoria. Veja:
Caju e Castanha, pernambucanos como Ivanildo e Oliveira, bateram seus pandeiros e desenvolveram
o tema abaixo:
Muitos poetas cordelistas, como os dois aí abaixo, recolheram-se ao silêncio e puseram no papel os cordéis que declamam:
O Brasil é de uma grandeza tão grande que só assim faz-nos entender o que disse Ary Barroso no seu belo clássico: Brasil, meu Brasil brasileiro...
O Brasil é uma terra de gigantes, a parte mesmo do paulista operístico de Campinas Antonio Carlos Gomes. E hoje aqui em casa veio mais um grande, um grandíssimo artista que escolheu a fotografia como meio de fazer-se importante na história. E a história é ele: Jorge Araújo. Ô coisa boa a gente abraçar gente que faz história. Jorge Araújo é história, faz história. É grandão. Eu tive a alegria de trabalhar com Jorge Araújo, repórter-fotográfico. Na Folha.Ele, eu e tantos como, Ricardo Kostcho. O Jorge sempre esteve além do nosso tempo, além das nossas lentes, dos nossos olhos e muito além do sonho de pensar, a exemplo a mensagem na foto abaixo. Foi bom demais receber o Jorge hoje, em casa, prá lembrar tantas histórias. Comemos uma vaca atolada, prato gostosíssimo de Minas Gerais, praticado pela querida Ivone. Uma cachacinha na parada. E uma cachacinha tão gostosinha à mesa, o Jorge me trouxe... Jorge Araújo conhece mais da metade do mundo todo. Jorge Araújo comeu o pão que o diabo amassou, dizendo e apostando que a democracia é que faz bem para o povo. Jorge bateu retrato na cara de ditador, de gente que não presta. Jorge Araújo é demais! Estou com saudade do Ricardo Kotscho. Viva Jorge, viva Ricardo! Jorge Araújo é autor da foto da pomba da anistia, que emociona o olhar e correu o mundo todo (ao lado), mas não aprendemos ainda... Não custa ver de novo essa beleza do momento, na praça da Sé, em São Paulo, Diretas no dia 23 de agosto.Eu estava lá.
Ela é especialíssima. Pessoa, persona, gente. Gentil. Profissionalmente, profissionalíssima. Estar com ela é estar diante de um espelho. Ela diz o que a gente quer ouvir e ouve o que a gente quer dizer. E o povo, ouvinte, bate palmas. Isso no jornalismo não é fácil. Nova, bonita, do tamanho de uma deusa.
Estou falando de Maria Júlia Coutinho, Maju.
Maju, pessoa incrível, é aquela moça do tempo que a gente vê quase toda noite no Jornal Nacional.
Cabeça boa, pensante.
Ela arranca da gente tudo o que quer. E mais: Maju procura dar voz aos invisíveis, pessoas que vivem à margem da sociedade por sofrerem algum tipo de deficiência.
Quem me levou a Maju foi Ci, Cilene Soares. Jornalista que nem eu e ela.
Hoje 8, entre meio-dia e 14h, estive no seu programa na Rádio Globo: Papo de Almoço. Conosco estiveram, ao vivo, o humorista Bruno Motta, o craque em marketing de relacionamento Mauricio Patrocinio e o coach Wilson Nascimento.
Foi interessantíssimo o encontro que tivemos no programa da Maju. Mil e um assuntos foram postos à baila. Ela cheia de graça e nós na sua onda. O tema principal foi: Vencer na vida. E eu abri assim:
É um ideal humano
Querer vencer na vida
Mas pra vencer tem de lutar
Correr, tá na corrida
Na vida ou no jogo
Vence o ás a partida
Confiram aí nossa presença no programa Papo de Almoço:
No dia 7 de novembro de 1903 nascia em Ubá, Minas Gerais, o filho varão de seu João e dona Angelina, Ary Evangelista Barroso. Ary ficou orfão de pai e mãe muito cedo e foi adotado pela avó materna, Gabriela, que lhe deu as primeiras lições de música ao piano. Quando tinha 12 anos de idade já se apresentava no cinema da sua terra, recebendo pró labore pelo bom desempenho. Foi pro Rio muito novo, ainda. Lá estudou e virou o artista que todo mundo hoje conhece no Brasil e no Exterior. A primeira composição de Ary Barroso foi o cateretê De Longe, gravada por Gastão Formenti, sob novo título e gênero, Teus Oio, canção, pela gravadora Parlophon, no final de 1929 e lançada à praça em janeiro de 1930. O primeiro grande sucesso de Ary foi o samba Aquarela do Brasil, gravado originalmente por Chico Alves, no dia 18 de agosto de 1939 e lançada à praça dois meses depois. Dois anos depois foi a vez dessa música receber a primeira gravação internacional, feita pelo norte-americano Lee Broyde. LOgo em seguida, Aquarela integrou a trilha sonora do filme Alô Amigos, dos Estúdios Disney. Curiosidade: Só em 1945, Aquarela do Brasil foi tocada nas emissoras de rádio norte-americanas mais de 2 milhões de vezes. Ouça a gravação original:
Ary Barroso, além de compositor e instrumentista, foi locutor esportivo. Ouça um trecho de suas transmissões:
Por vários anos o mineiro Ary Barroso apresentou programas de calouros, num dos quais (Calouros em Desfile) a "vítima" foi Luiz Gonzaga, que se transformaria num dos maiores nomes da música popular brasileira. Ouça o humorista José Vasconcelos imitando Ary diante de um calouro:
O Dia Nacional do Rádio é comemorado hoje, 07, em homenagem a Ary Evangelista Barroso. O decreto traz a assinatura do ex presidente da República Luís Inácio Lula Da Silva. Antes a data era 21 de setembro (Governo Vargas).
O Brasil já foi presidido por quatro marechais (Deodoro,
Floriano, Hermes da Fonseca e Dutra) e cinco generais (Castelo Branco, Costa e
Silva, Médici, Geisel e João Figueiredo), sem contar a junta militar, formada pelos comandantes da Marinha
(Augusto Rademaker), Exército (Lira Tavares) e Aeronáutica (Márcio Melo), que governou o País entre 30 de agosto e 31 de outubro
de 1969.
A partir do próximo ano o Brasil será presidido pelo capitão
reformado do Exército, Jair Bolsonaro. Não custa ficar de olho nele.
Outros capitães se
destacaram na vida nacional: o gaúcho Prestes e o carioca Lamarca, que
escolheram abandonar o Exército para ingressar na militância política.
E teve, também, o capitão Virgulino Ferreira, o Lampião e
capitães do mato e capitães de areia, mas essa é outra história...
O período mais longo de militares dirigindo os destinos do
Brasil começou em 1964 e findou em 1985. No correr desse tempo houve muitas
prisões, mortes e desaparecimentos.
No dia 11 de dezembro de 1964 estreou no Rio de Janeiro a
peça Opinião, de Armando Costa, Oduvaldo Viana Filho e Paulo Pontes, dirigida
por Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido. No palco Zé Keti, João do Vale
e Nara Leão cantavam e discutiam temas do nosso duro cotidiano. Os militares
caíram de pau.
No dia 21 de abril de 1965 foi a vez de Millôr Fernandes e
Flávio Rangel estrearem a peça Liberdade Liberdade, baseada em textos famosos
de Brecht, Shakespeare, Gagarin, Aristóteles, Platão e até de Jesus Cristo, com
músicas de Carlos Lira e Geraldo Vandré, entre outros. Essa peça ficou
pouquíssimo tempo em cartaz, pois a censura também caiu de pau. No dia 15 de
janeiro de 1968 José Celso Martinez dirigiu a peça Roda Viva, de Chico Buarque.
O pau também cantou no palco.
No dia 2 de dezembro de 1968, integrantes do CCC (Comando de
Caça aos Comunistas) explodiram bombas no teatro Opinião, no Rio, pondo fim a
curta temporada do show Pra Não Dizer que não Falei de Flores, do já citado
Vandré.
Opinião foi o primeiro show levado ao palco contra a
ditadura militar. Virou disco. Liberdade Liberdade, também. Esses discos se
acham no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB.
CELIA E CELMA
Há poucos dias, num sábado, as mineiras Céia e Celma deram um verdadeiro show
de conhecimento musical no programa Paiaia, da Rádio Conectados, apresentado
pelo baiano Carlos Silvo, vale a pena ouvi-las de novo. E vê-las. Clique:
Mar Morto é um dos mais bonitos romances do escritor baiano Jorge Amado (1912-2001). Tocante. Foi publicado em 1936 pela editora carioca José Olympio. A história transcorre no cais do porto da Bahia. Fala da vida dos marítimos, das prostitutas, dos cachaceiros, do povo. E até de contrabandistas.
A leitura de Mar Morto remeteu-me imediatamente ao atual noticiário envolvendo poderosos da nossa corroída Republica, como Temer e outros e outros.
Ouço dizer que a PF prendeu há poucos dias altos figurões do porto de Santos.
Em Mar Morto, escrito quando o autor tinha apenas 24 anos de idade, aparecem personagens árabes comos Murad e até um certo Haddad.
O romance de divide em 12 partes, tendo como pano de fundo a rainha da águas de Iemanjá, também chamada de Janaína. São muitos personagens que se movimentam nas páginas do livro. Os principais, uns 30, são Guma e Lívia.
Há partes em Mar Morto que levam o leitor a emocionar-se, como quando a mãe de Guma tenta tirá-lo da guarda do tio, o velho marítimo Francisco de muitas histórias colhidas no correr do tempo em que esteve em atividade no mar. Na ocasião Guma tinha 11 anos de idade e não sabia que a mulher que Francisco a apresentou era sua mãe, uma mulher da vida, uma mulher dama, prostituta. O final, então é de encher os olhos do mais insensível leitor.
De fato, Mar Morto é um livraço!
Na história engendrada por Amado, tem briga de morte e duelo com o mar. E traições. E uma mulher incrível, durona: Rosa Palmeirão, que andava com uma navalha na saia e um punhal entre os peitos. Pôs muito homem pra correr, de uma vez só seis. E curtiu duas dezenas de cana. E bebia cachaça como o vagabundo mais perdido. Ao fim e ao cabo, Palmeirão encontra em si a mulher que sempre foi.
Jorge Amado era incrível nos seus escritos e na vida pessoal. Foi amigo de Picasso, Yves Montand, Edith Piaf, Paul Satre, Simone de Beauvoir...Comunista, foi preso junto com Graciliano Ramos no ano do lançamento de Mar Morto. O livro trás cenas chocantes, também. Como a morte de Esmeralda, amante de Rufino e doida por Guma. E vou parar por aqui, antes, um detalhe: Dorival Caymmi inspirou-se na leitura de Mar Morto para compor È Doce Morrer no Mar e Maracangalha.
É Doce Morrer no Mar, toada, foi gravado originalmente pelo autor em 03.10.1941 (Columbia), e não em 1935 como pensam algumas pessoas. Maracangalha foi gravada pela primeira vez pelo autor em 13.11.1954. Essa música foi composta na capital paulista, como me disse o próprio Caymmi, em entrevista que fiz para o programa São Paulo Capital Nordeste.Confiram:
CHORINHO
Hoje, de manhã, a TV Cultura levou ao ar o primeiro dos 13 episódios da série Brasil Toca Choro. A cada Domingo será apresentado um capítulo, reprisado nas noites de terças. Ali pelo 4o. ou 5o. episódio estaremos falando sobre o choro do Rei do Baião, Luiz Gongaza. Aguardemos.
Vamos bater palmas para o Drummond? O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade nasceu no dia 31 de outubro de 1902, mesmo ano em que o carioca Euclides da Cunha levava a público o seu importante livro Os Sertões. Em 1928, Drummond publicou na Revista de Antropologia o seu primeiro e mais conhecido poema: No Meio do Caminho. Esse poema remete ao cidadão que passa grandes dificuldades na vida, que encontra dilemas, situações problemáticas, de enrascada, como ora vive Lula e o Partido dos Trabalhadores. O PT, criado em nome dos trabalhadores brasileiros, cometeu muitos equívocos no correr de sua trajetória. O primeiro problema veio com a negativa do então presidente Luís Inácio Lula da Silva sobre o Mensalão. Disse repetidas vezes que eram infundadas as acusações envolvendo José Dirceu e outros membros da cúpula petista. Além do Mensalão, vieram a tona situações extremamente embaraçosas para o PT, encurtando a história: Lula e o PT continuam negando todas as acusações que lhes são feitas. Hoje, 31, o jornal Folha de S.Paulo traz bombástica entrevista de Ciro Gomes. Ciro diz, com todas as letras "que foi miseravelmente traído por Lula". Diz também que Lula o convidou para ser seu vice. Convite recusado e no seu lugar foi posto Fernando Haddad. E foi o que se viu... É possível que se Lula e o PT tivessem feito a "mea culpa" a situação atual fosse outra. Num debate na televisão a ex petista Marina perguntou a Haddad por que o PT não reconhecia seus erros. Haddad desconversou, e foi o que se viu... Onte, 30, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse que o PT vai resistir ao resultado das urnas. Pior: disse que o que ocorreu nessas últimas eleições "foi um golpe", mais um. O poema No Meio do Caminho continua atualíssimo. Tem ou não tem a ver com o que ora se passa nas entranhas do Partido dos Trabalhadores?
No Meio do Caminho
Carlos Drummond de Andrade
No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
JUNTA MILITAR Não custa lembrar faz hoje 49 anos que a Junta Militar foi dissolvida. Durou 2 meses. O Regime Militar instaurado em 1964, expirou para sempre em 1985. Ditadura Nunca Mais. Vade Retro.
O não "mea culpa" do Haddad levou muita gente a não votar no PT. Isso é fato. É fato também que o medo e a raiva fizeram os eleitores escolherem Bolsonaro como novo presidente do Brasil. Mais de 55 milhões de brasileiros votaram no capitão reformado. Pelo bem, pelo mal. Isso é fato. Na sua primeira entrevista, ele disse que vai respeitar a Democracia e a Constituição. Inda bem, é o que todos esperamos, certo?
Eu fiz a minha parte. Vesti a roupa de domingo, branca e linda, e fui com minha filha Clarissa apostar na urna. Na volta pra casa tive a alegria de reencontrar o querido amigo Jorge araujo (ao lado), com quem trabalhei durante anos na Folha. Ele como repórter fotográfico, premiadíssimo, e eu como repórter. E conversamos, conversamos, conversamos sobre tudo e mais um pouco. Inclusive sobre os erros e destinos do PT. Haddad postou hoje, de manhã, mensagem no Twitter desejando a Bolsonaro boa sorte como presidente da República. A mensagem é esta: "Presidente Jair Bolsonaro. Desejo-lhe sucesso. Nosso país merece o melhor. Escrevo essa mensagem, hoje, de coração leve, com sinceridade, para que ela estimule o melhor de todos nós. Boa sorte!" Bolsonaro governará para todos os brasileiros. Não votei nele, mas não há como não desejar dias melhores para o Brasil. Em São Paulo o candidato do PSB Marcio França, perdeu por pouca diferença para Dória. França também desejou sucesso a Dória. Detalhe: FHC e Geraldo Alckmin, ao contrário, silenciaram diante da vitória de Dória.
Cerca de 150 milhões de brasileiros, voltarão às urnas amanhã 28 para escolher 13 governadores de Estado e o do Distrito Federal. Fora isso, será escolhido o presidente que dirigirá o destino do País.
Haddad ou Bolsonaro?
As pesquisas de opinião indicam que o novo presidente será o ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro. Mas seja quem for, governará para todos nós, brasileiros.
Esquerda ou Direita?
A questão não é tão simples assim. A propósito, as ideologias identificadas como Esquerda e Direita não vem bem ao caso. O importante é que o novo presidente e seus aliados tirem o País do sufoco em que está. E essa coisa de dizer que teremos um governo radical, tanto de um lado quanto de outra ideologia é bobagem. O que se pede do novo presidente é respeito por todos nós e pela Constituição.E esse negócio de golpe nem se cogita, embora muitos achem que Bolsonaro apresenta-se como um perigo real. Eu também acho isso. Bolsonaro tem dito muitas bobagens. Quando ele abre a boca o que se nota é um fedor, uma catinga, um cheiro esquisito. Isso mesmo, ele só diz merda.
Eu sou da safra de 1952 e vou às urnas desde 1989. Naquele ano o Brasil escolheu o alagoano Fernando Collor para dirigir os destinos da Nação. E deu no que deu.
Este ano de 2018 entrará para a história como o ano mais difícil para o Brasil: Bolsonaro ou Haddad? essa é a questão....
O voto é um belo exercício democrático.
Luiz Gonzaga foi um dos maiores autores musicais do Brasil. E noutra ponta foi, especialmente, uma das mais representativos símbolos do Nordeste.
Luiz, filho de S. Januário e D. Santana, nasceu no dia 13 de dezembro de 1912. Ele deixou registradas, na sua voz, mais de 600 músicas. Entrou para a história como inventor de gêneros musicais, como o forró e o baião. E gravou com sua sanfona mágica, os mais diversos gêneros musicais. Dentre os gêneros musicais que gravou, estão o choro e a valsa.
No dia 07 de Outubro de 1942, no Rio de Janeiro, Luiz Gonzaga gravou Aquele Chorinho e Ligia, respectivamente um choro e uma valsa. Clique:
A obra de Luiz Gonzaga é uma obra riquíssima, bonita sob todos os ângulos. Ele gravou muita gente e com muita gente.
Nos cabarés do Rio, ele cantava músicas suas ainda desconhecidas e músicas de artista já consagradas pelo público como o baiano Dorival Caymmi, que um dia me disse em entrevista que deu ao programa (São Paulo Capital Nordeste) que eu apresentava na rádio Capital AM 1040:"é, ele cantava minhas músicas. Eu gostava do jeito dele cantar".
Somente hoje ouvi o documentário produzido pela TV Câmara. Compartilho com vocês. Cliquem:
VANDRÉ
Como Luiz Gonzaga, Geraldo Vandré deixou marcas muito bonitas na Música Popular Brasileira. Clique:
Eu escrevi mais de um livro sobre Luiz Gonzaga. O primeiro, Eu Vou Contrar Pra Vocês, foi publicado sem a presença dele. Ele partiu antes, sem nada combinar, como diria o querido Boldrin. O último Lua Estrela Baião foi publicado no ano de seu centenário de nascimento pela Cortez Editora. A capa desse livro é essa aí embaixo.
ALAÍDE COSTA
Logo mais a noite, a cantora carioca alaíde Costa estará se apresentando na unidade SESC Carmo.É uma das vozes mais envolventes da nossa música. É pouco conhecido seu lado de compositora. Ela compôs duas músicas com Geraldo Vandré. Conheci de perto Alaíde, a mim apresentada pela rainha do baião Carmélia Alves. Se eu fosse você, meu amigo minha amiga, eu deixaria tudo de lado para ir bater palmas para Alaíde. No dia 8 de Dezembro ela completará 83 anos de vida emais de 60 de vida artística. O SESC Carmo fica ali ao lado da Estação Sé do metrô paulistano.
O jornalista e escritor Graciliano Ramos nasceu no dia 27 de
outubro de 1892. Muito cedo aprendeu a contar histórias. A inventar histórias.
Casou-se teve uma penca de filhos. No começo dos anos de 1930, publicou o
primeiro livro: Caetés. Corria o Estado Novo quando a polícia de Getúlio mandou
prendê-lo.
No dia 16 de janeiro de 1976, o operário Manuel Fiel Filho
foi preso pelos carrascos da Ditadura Civil-Militar de 64 e morto sob tortura,
no dia seguinte.
O que havia em comum entre Graciliano com Manuel?
Graciliano e Manuel eram Alagoanos de Quebrangulo.
Dois meses e três semanas antes da prisão e morte de Manuel
Fiel Filho foi a vez de o jornalista Vladimir Herzog apresentar-se ao DOI-Codi
para “esclarecimentos”.
A morte de Vlado ocorreu no dia 25 de outubro de 1975, ou seja: há exatos 43 anos completando-se hoje....
O que levou a polícia a prender e fazer o que fez com esses
três brasileiros?
Graciliano Ramos, Manuel Fiel Filho, Vladimir Herzog foram
acusados de seguirem a ideologia comunista.
A história do Vlado é contada minuciosamente no livro As Duas
Guerras de Vlado Herzog, escrito pelo jornalista alagoano Audálio Dantas
(1932-2018).
Audálio foi presidente do Sindicatos dos Jornalistas no estado de São Paulo e da Federação do Jornalistas (FENAJE) e também, da Comissão Nacional da Verdade.
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB se acham um LP contando em versos a história
do operário Manuel e discos que contam a história do rádio no Brasil. Num
desses discos produzidos pela BBC de Londres, é possível ouvir a voz de Vlado. É documento.
Vlado era professor de jornalismo da USP, além de diretor de Jornalismo da TV Cultura.
No último dia 2 o jornalista Jamal Khashoggi, do Washington
Post, foi ao consulado da Arábia Saudita, na Turquia, para apanhar documentos
pessoais e de lá não mais saiu. Foi torturado, morto e esquartejado pelas
forças do governo Riad. Quer dizer: a prática de matar jornalista e escritor
ainda está viva no mundo.
Uma vez disse Santo Agostinho que preferia os críticos por lhe corrigir aos puxa-sacos que corrompem.
Lula não leu isso, se tivesse lido a história do PT seria mais bonita.
Há poucos dias o senador eleito pelo PDT-CE, Cid Gomes, criticou o PT diante de petistas em reunião. Foi direto. Disse que o PT ia perder por não fazer "mea culpa".
Ontem, 23, o cantor e compositor Mano Brown tomou fôlego e coragem para dizer que o PT esqueceu a língua do povo e por isso deve perder a corrida à presidência da República. Ouça:
Mano Brown, paulistano do Capão Redondo, foi vaiado mas recebeu o apoio de Caetano Veloso que se achava a seu lado, junto com Chico Buarque e Fernando Haddad.
Os problemas todos que estão mexendo com a vida do PT merecem estudo e, quem sabe, uma ida ao psicanalista.
A cabeça do PT está doida.
Da semana passada prá cá, Haddad tem ensaiado fala sobre o reconhecimento dos erros petistas. Ontem mesmo, na Lapa carioca, ele chegou a concordar, embora timidamente, com o que disse Brown.
A campanha política à Presidência está em nível baixíssimo. Principalmente nesses últimos dias.
Bolsonaro, o líder nas pesquisas de opinião, tem xingado mais o seu concorrente do que apresentado propostas de governo. Diz que vai metralhar os vermelhos, que vai isso, que vai aquilo. E um dos seus filhos chegou a usar a internet para dizer que o STF pode ser fechado com a ação de um cabo e um soldado. Um horror!
Quando Bolsonaro abre a boca só diz besteira.
O evangelista Mateus disse que o mal não é o que entra pela boca, é o que sai. Mas Bolsonaro, embora venha fazendo citações bíblicas, também é sujeito de pouca leitura, de visão curta, perigoso.
Há muita mentira nessa campanha de ambos os lados. E provocações assustadoras.
"Antes de mais nada eu vou votar no PT porque o Haddad é sério, ele foi o melhor ministro da educação e se o outro candidato ganhar eu não sei o que será do setor livreiro e do povo brasileiro".
Essa fala aí aspeada é do editor José Xavier Cortez. A propósito, a Cortez Editora publicou o livro, já esgotado, Prá Que PT, que reúne artigos dos principais criadores do partido.
Votar no Bolsonaro é como votar no Dória. É como dar um cheque em branco, assinado, a quem não se conhece.
Nessa história toda, aparentemente o menos ruim é Haddad. Mas a fala corajosa do Mano Brown vale por mil tratados sociológicos ou antropológicos, que os petistas saibam levá-la em conta, chegando ou não ao governo neste momento. Porque o PT perdeu o rumo, não evoluiu no correr dos anos e acabou se tornando um partido comum. Para se recuperar ainda vai ter que comer muita poeira. Acho que foi no livro O Imoral, do francês André Gide, que li algo como -Só não mudam de opinião os sábios ou burros assumidos.
"Estou cada dia mais desconsolada com a proximidade das eleições e os destinos próximos do meu País, o desalento vai tomando tudo e não resta mais esperança, a ignorância venceu, com toda a sua brutalidade". O desencontro de ideias não é algo original no mundo. Desde sempre. E isso não tem nada a ver com analfabetismo. Tanto que países da Europa estão se engraçando da ideologia política de direita. Direita extrema. Extremista. Mas tem, também o radicalismo de esquerda. Stalin fez o que fez nos primeiros anos do século 20. E aí tivemos o Franco, Hitler, Mussolini; na África Idi Amin Dada. Por aqui, na periferia de nuestra América tivemos Pinoche, Videla... Na história do Brasil, depois do Império, tivemos 4 marechais como presidentes do Brasil: Deodoro, Floriano, Hermes e Dutra. Detalhe: Dutra chancelou a mais importante Carta do Brasil, em 1946. Depois dos marechais, tivemos 5 generais...Agora temos um capitão de reserva. Precisamos estar atentos, sempre, ao porvir. Bolsonaro vai ganhar, mas não com voto meu. Na esfera estadual paulista, o jogo está empatado tecnicamente entre Dória e França. As cabeças pensantes, aquelas de livre pensamento, certamente não votarão num mentiroso e oportunista traidor, Dória. Mas meus amigos, minhas amigas, não podemos brigar com pessoas que pensam diferentemente da gente. A liberdade é filha da Democracia. Ah! O pensamento -desabafo- aí em cima é de uma amiga muito querida, Cris Alves, assino embaixo. Mais uma coisinha só: os candidatos a cargos majoritários, no caso Governo do estado e Presidência da República, deveriam expor seus projetos de governo e não atacar pura e simplesmente um ao outro com balas verbais terrivelmente mortais. Domingo que vem, 28, vestirei a minha melhor roupa e usarei o meu melhor perfume para votar em nome da liberdade, do porvir, do futuro dos meus filhos e netos. O PT está correndo risco de perder por não aceitar os seus erros. Todos erram. Se não fosse assim não seríamos humanos. Paz, paz, paz...
Assis Angelo, Téo Azevedo, Marco Haurélio e Luciano Pacco
Tudo é política.
Ouvi essa definição absolutamente
perfeita do cordelista e estudioso da cultura popular Marco Haurélio.
Perfeito: tudo é política. Aliás,
o dramaturgo alemão Bertold Brecht dizia algo parecido.
Como parecido também disse
Aristóteles: o homem é um animal político.
Esse algo parecido tinha, e tem,
a ver com o nosso dia a dia, em todos os tempos. E em qualquer luar.
Pois é, tudo é realmente política
no nosso cotidiano, em qualquer cotidiano, em qualquer parte do mundo.
Em todos os lugares, há, hoje, politicamente
“esquerda” e “direita”.
O continente africano é
riquíssimo. Em todos os sentidos. Lá surgiram maravilhas e desgraças, como
maluco ditador Idi Amim Dadá.
O Brasil nunca foi um país
politicamente de esquerda.
O primeiro presidente do Brasil foi
um marechal, Deodoro. O segundo, outro marechal, Floriano: Floriano. Depois
desses dois militares, veio um civil: Prudente de Moraes, linha dura.
O tempo passou, livre e célere.
Não custa lembrar que a primeira
constituição do Brasil, de 1824, foi quase toda escrita por José Bonifácio.
A segunda constituição brasileira,
de 1891, também foi praticamente escrita por um civil, Ruy Barbosa.
Ruy Barbosa, aliás, concorreu à
presidência da república duas vezes. Perdeu as duas. A segunda, para o marechal
Hermes da Fonseca. E os generais na presidência da República brasileira
continuaram a se fazer presentes. Em 1946, o Brasil foi presidido por Eurico
Gaspar Dutra. Depois vieram os generais que assumiram o poder em 1964. Os
civis, poderosos, dando total apoio, ao tempo que hoje a História registra como
ditadura. E Brava, bravíssima. Com muitos mortos e desaparecidos. Tortura etc.
Um detalhe: em 1922, o presidente o presidente paraibano Epitácio Pessoa mandou
prender o presidente Hermes da Fonseca.
Assis – Marco, o que eu acabei de
falar, faltou algo a acrescentar?
Marco – Você falou quase tudo,
Fez um incrível resumo.
De generais a civis,
O Brasil perdeu o rumo,
Ricos cada vez mais ricos
E o povo levando fumo.
A – O Brasil está
encurralado. Nunca nós brasileiros sofremos tanto para escolher o nosso
destino. O Brasil está com ódio; ódio do PT. O que você tem a dizer sobre isso?
M – O ódio é mau
conselheiro,
É inimigo da
paz.
É parceiro da
injustiça
E muitos
estragos traz,
Pois, em nome de
Jesus,
Pode eleger
Satanás.
A – Pelo histórico
que delineei na abertura dessa conversa, ficou claro que o Brasil não é e nunca
foi um estado politicamente de esquerda. A propósito, a esquerda e a direita,
como definições políticas, surgiram na segunda parte do século XVII, na França.
A tomada da bastilha foi o ponto. Você discorda ou não. Diga pra nós o que é
esquerda e direita no Brasil e no mundo. E o que bem ou o mal que a esquerda ou
a direita podem fazer a um país.
M – Esquerda é
luta de classes,
Direita é o
capital.
A esquerda é
socialista,
A direita é liberal.
E ambas podem
nos trazer
O bem e também o
mal.
Qualquer regime
que pune
A mulher, o
proletário,
Desrespeita as
diferenças,
Com furor
autoritário,
Merece a
reprovação
Do espírito libertário.
A-O
Brasil está polarizado. De um lado a “esquerda” Haddad. Do outro a “direita”
Bolsonaro. Poderemos ter bom futuro com um ou outro lado?
M – Haddad vem
de um partido
Que fez a
transformação,
Mas também se
lambuzou
Na lama do
mensalão,
E frustrou a
esperança
Dos pobres desta
nação.
Bolsonaro é um
boçal,
Ex-militar
elitista,
Deputado sem
projeto,
Homofóbico,
racista,
Admirador de
Hitler,
Intolerante,
golpista.
Nenhum dos dois representa
Meu projeto de país,
Mas indo prefiro Haddad
Nesse momento infeliz,
Pois da triste ditadura
Não fechou a cicatriz.
A – A falta da mea-culpa
pesou no voto odioso contra o PT.
M – A mea-culpa pesou,
Eu disso tenho certeza,
Mas também vejo pessoas
De perversa natureza,
Ameaçando e matando,
Com desmedida torpeza.
O PT errou demais,
Em mais de um triste episódio,
Mas isso não justifica
Todo um discurso de ódio
Que faz de um ser dito humano
Algo menor que plasmódio.
A – Filhos brigam com pais, amigos brigam com amigos, em nomes de uma
política quebrada, partidária e pessoal mais das vezes... Vale brigar dessa
forma? Política não pode unir?
M – Discutir é salutar,
Discordar, essencial,
O problema é que o país,
Possuído pelo mal,
Atira muitas pessoas
No fundo do lodaçal.
Um sombra coletiva
Turva mentes antes calmas,
Pessoas, perdendo o senso,
Ao fascismo bate palmas;
Querem tolher nossos passos
E governar nossas almas.
Quem não consegue entender
O porquê do cataclismo
Cede à noite, perde a paz,
Se veste de despotismo
E, imaginando-se livre,
Faz da existência um abismo.
A – O Brasil teve quatro marechais presidentes e cinco generais, sem
contar a junta militar de 1969, iniciada no dia 30 de agosto e findo no último
dia de outubro. Dois meses, portanto. No mundo inteiro, desde tempos d’antanho,
houve ditadores de esquerda e de direita como tal entendemos: Stálin, Franco,
Hitler, Mussolini, Salazar, Videla, Pinochet, Stroessner... Marco, você acha
que os eleitores do Bolsonaro têm consciência de que os eleitores de Bolsonaro têm
ideia do que representa uma ditadura de direita ou de esquerda?
M – Eu seria muito injusto,
Se, na atual conjuntura,
Dissesse que os eleitores
Dessa nefasta figura
Em sua totalidade
Glorifica a ditadura.
Mas, infelizmente, muitos,
Desprezando a liberdade,
Os direitos conquistados,
A santa lei da vontade,
Berram alto: “Tradição,
Família e propriedade”.
A – No correr do primeiro turno e
também do segundo turno, o eleitor ficou alheio às propostas dos candidatos à presidência
da República. O que se viu e se ouviu foi o disparar de uma metralhadora
verbal, impiedosa contra um e contra outro candidato. No segundo turno, ambos
se matando, e nós, povo, torcendo feito bestas num Fla-Flu. Nenhum candidato à
presidência da República falou sobre cultura popular, cultura brasileira,
literatura, dança, nada. Isso é triste, não é? A cultura popular é a identidade
de um povo, eu disse isso uma vez em entrevista a um jornal do Piauí. A Dilma disse
isso, trocando “identidade” por “alma”. Tudo bem. Sem problema. O diacho é não
apostar na arte e no artista brasileiros. Lembra aquela frase, Marco, “O melhor
do Brasil é o Brasileiro”? Essa frase é do Câmara Cascudo, que o PT usou sem
dar crédito. O Brasil é dos Brasileiros e não adianta Bolsonaro namorar com
Trump, bater continência pra bandeira dos EUA. O futuro que se delineia diante
de nós é um futuro perigoso. Cabeça que pensa que pensa bem não pode votar nem
em Bolsonaro nem em dória para governador do estado mais importante do Brasil.
Por que os políticos não falam claramente sobre educação, saúde e cultura,
essas noções básicas da vida humana? Saneamento básico, então... Qual a
importância das artes para um país?
M – Um país que fecha os olhos
À cultura, educação,
Que não investe em ciência,
Desde a tenra formação
Pode até pensar que é grande,
Mas nunca será nação.
Em países como a França
Há pesado investimento
Em cultura, e isso reflete
Num bonito movimento.
A arte embeleza a vida
Em todo e qualquer momento.
Um país que glorifica
Um monstro torturador
E despreza Paulo Freire,
Seu maior educador,
Demonstra que a educação
Tem pouco ou nenhum valor.
Um país que deu ao mundo,
Sivuca, Luís Gonzaga,
Jorge Amado, Guimarães,
Tem, sim, uma linda saga,
Que nem mesmo a ditadura,
Com seus gendarmes, apaga.
Imagine se tivéssemos
O orçamento da França,
A educação da Suécia,
Cinema, teatro e dança
Seriam flores colhidas
No canteiro da esperança.
Pois, tá. Terminou esta foi a segunda entrevista que eu fiz com o cordelista
e estudioso da cultura popular Marco Haurélio, baiano de nascimento e universal
por conhecimento. Marco é um desses seres que nasceram para pensar, para viver,
para brincar, para cantar, para contar histórias, para dizer coisas que
desconhecemos. Não é exagero: Marco já nasceu grande. E continuará se
agigantando e dividindo seus conhecimento conosco. Ele é de esquerda, de
direita, de centro? Marco pensa. E se pensássemos com o Marco, talvez não tivéssemos
Bolsonaro como presidente. Marco veio hoje, mais uma vez, em casa, e aqui ele
reencontrou o grande cantador, cordelista, poeta, violeiro Téo Azevedo, que
trouxe consigo outro violeiro: Luciano Pacco, cantador, violeiro, poeta
mineiro de Fruta de Leite. O Brasil e brasileiros precisam pensar, aposta na vida e nas artes.
Meu amigo, minha amiga, se você
gostou desse texto, passe pra frente. Ele foi escrito no tempo que você acaba
de lê-lo. Ah! Ia me esquecendo: ontem 22, à noite, o nordestino do Rio Grande do Norte José Xavier Cortez foi convidados por artistas e intelectuais a apresentar um calhamaço com milhares e milhares e milhares de assinaturas pela democracia. Haddad recebeu esse apoio, e, na ocasião, referindo-se a Bolsonaro como "soldadinho de araque". E o que dizer do filho de um candidato a presidente da república que afirma bastar um cabo e um soldado para fechar o STF.
E não custa lembrar que essa coisa é antiga e feia. Ouçam esta canção do grande Jackson do Pandeiro.