São Paulo Capital Nordeste foi um programa que permaneceu no ar durante quase sete anos, ininterruptamente. Por este programa passaram centenas e centenas de artistas da música popular, jornalistas, poetas e romancistas, atores, atrizes, enfim... Boa parte do Brasil passou por esse programa.
Muitas histórias foram contadas ao vivo pelas pessoas que entrevistei.
Éramos líderes de audiência.
Quem não se lembra do programa São Paulo capital Nordeste por mim apresentado nas noites de sábado na rádio Capital AM 1040?
Pra lembrar, clique:
Para ler a matéria abaixo com mais definição, basta clicar na imagem:
Cadu passou há pouco pela sede eternamente provisória Instituto Memória Brasil. Aí na foto ele e eu
Mundialmente o Brasil é conhecido e reconhecido como o país da mulata, do samba e futebol.
Não são poucos os grandes compositores e intérpretes nascidos cá na terra Brasilis.
No Brasil, sambista dá que nem água. E sempre novos talentos estão a surgir.
O grupo Gato com Fome, paulistaníssimo, é exemplo de grande talento.
Batizado por Osvaldinho da Cuíca, o Gato com Fome surgiu há cerca de uma década. Tem dois CDs e o terceiro está chegando, com texto que deverei assinar. Antes uma pequena amostra do novo disco do grupo:
O Brasil é cheio de gente boa, de gente decente,
trabalhadora; de gente que sonha, de gente que quer um brasil melhor.
Diariamente recebo pessoas incríveis, aqui na sede
eternamente provisória do Instituto Memória Brasil.
Meu amigo, minha amiga, você já ouviu falar sobre o Instituto
Memória Brasil. Acesse:
Pois bem, o Brasil é cheio de gente boa.
Lembro-me como se fosse hoje mestre Câmara Cascudo a mim
dizendo que “O melhor do Brasil é o brasileiro”.
A tarde de ontem foi uma tarde muito bonita, que contou com
a presença dos amigos João Cícero, que durante muitos anos foi empresário de
Dominguinhos; Rilavia, criadora do troféu Gonzagão http://assisangelo.blogspot.com/2013/05/trofeu-gonzagao-trofeu-de-respeito.html; e Ayrton Mugnaini,
jornalista dos bons e músico idem.
Meu coração ficou em festa, ontem.
Na foto/montagem acima, registro do encontro. Até declamei.
Ontem 12 foi dia de anos novos para Osvaldinho da Cuíca e
Martinho da Vila. O primeiro, oitenta; o segundo, oitenta e dois.
Conheci Osvaldinho num ano qualquer do século passado.
Martinho eu conheci antes. Lembro disso, porque, na ocasião, eu era repórter
das Folhas, ali na Barão de Limeira.
Osvaldinho e Martinho participaram várias vezes dos
programas que apresentei, um deles na rádio Capital: São Paulo Capital Nordeste. Marcou época. Quem não lembra?
Ontem também foi dia de aniversário de José Domingos de
Moraes, nacional e internacionalmente conhecido como Dominguinhos.
Não recordo o ano, mas Dominguinhos gravou uma música minha que fiz com Gereba, o bom baiano. Título: Hino ao CEU. Cliquem:
Pra saber mais sobre o grande sanfoneiro Dominguinhos, que estaria completando hoje 79 anos de idade, acesse:
Na casa dos "enta", ela mostra a grandeza que tem no traço e na pinta que saem do seu coração.
É desenhista, ilustradora, pintora.
O que sai da imaginação de Martha Maria Zimbarg é o que precisamos ver. Vendo, é possível nos enxergarmos.
Nos seus quadros se acham a natureza e a realeza da natureza. Mais do que isso: a alma da natureza.
Martha em cores canta a vida, no traço p&b e em cores.
Eu tive a alegria de conhecer Martha Maria Zimbarg através do amigo Ayrton Mugnaini Jr.
Ayrton é o homem que brilha pela luz que sai dos traços de Martha.
A arte salva.
Martha Maria Zimbarg é um nome conhecido no meio das artes plásticas.
Por mero charme, Martha resume seu nome e história pelas iniciais MZ. E como não sou exclusivista, artisticamente falando, passo a vocês os contatos: mzimbarg@hotmail.com e 5511992722430.
Artífice de uma carreira longa e brilhante, o
instrumentista, compositor e intérprete paulistano Osvaldo Barro, na cena
musical desde os fins dos anos de 1950, popularizou a cuíca no País como Waldyr
Azevedo fez com o cavaquinho e Luiz Gonzaga, com a sanfona. Só por essa façanha
Osvaldinho já mereceria uma estátua e o direito de aboletar-se à fama e ficar
se balançando numa rede sob os aplausos do mundo, que ele tão bem conhece. Mas,
não, Osvaldinho é um cara inquieto e quer mais; quer fazer mais, e faz.
Osvaldinho da Cuíca, como nacional e internacionalmente é
conhecido, nasceu no dia 12 de fevereiro de 1940. A seu respeito já escrevi
muita coisa. Merece. Cliquem:
Martinho da Vila está dois anos a mais de Osvaldinho da Cuíca. Hoje, Martinho completa 82 anos de idade. No correr desse tempo, ele serviu ao Exército e teve oito filhos que lhe presentearam com dez netos. Martinho, por gostar de ler e escrever, escreveu e publicou vários livros sobre música e brasilidade. Martinho eu o conheci há uns 40 anos, bebericando num bar de esquina. Eu, ele e Mussum. Escrevi muito sobre Martinho, que e o fiz participar do programa São Paulo, Capital Nordeste, que apresentei na Rádio Capital AM 1040 durante mais de seis anos. Viva Martinho!
Martinho gravou dezenas de LPs, e continua gravando CDs.
No tempo dos LPs, Martinho começou a ganhar o Brasil com o samba "O Pequeno Burguês". Esse samba fala da luta eterna dos brasileiros e brasileiras que não desistem nunca, como dizia Luís da Câmara Cascudo, de viver a vida com a sua grandeza.
"O Pequeno Burguês", agora, vai para um representante dos jovens que lutam pelo Brasil: Ivo Tonso Mugnaini, que no próximo sábado 15 completa 18 anos de vida. Pra ele segue homenagem:
Estiagens prolongadas sempre foram um problema no Brasil, antes mesmo de os invasores estrangeiros por aqui chegar.
Os problemas decorrentes dessas estiagens estão, de algum modo, registrados em livros escritos por vítimas e observadores, como a cearense Rachel de Queiroz e o alagoano Graciliano Ramos.
No seu livro de estreia O Quinze, Rachel de Queiroz põe em movimento personagens diversos. Entre esses personagens o fazendeiro Vicente e as fazendeiras Maroca e Dona Inácia. Fora esses o vaqueiro Chico Bento, sua mulher, sua cunhada e três filhos, um dos quais acaba envenenados, ganhando uma cruz à beira da estrada.
Nesse livro a autora insere ainda uma jovem de 22 anos, de nome Conceição, louca por leitura e interessada em mudar o modo de vida das mulheres do seu tempo, submissas às ordens e ao poder dos homens. A própria Dona Inácia, sua avó, a recrimina por isso. Ora, onde já se viu uma mulher ir contra os princípios dos homens? Conceição torna-se professora e uma das mais dedicadas voluntárias do campo de concentração instalado em Fortaleza no tempo da seca de 15, no Ceará.
O tempo passa e chico Bento morre. Morrem também sua mulher e cunhada. Dois dos seus três filhos, vivem a tempo de alcançar a brutalidade da estiagem que vitimaria novas levas de nordestinos perambulantes no sertão. Isso já em 32. A essa época os dois filhos sobreviventes de Chico Bento casaram-se e têm filhos. Cinco ou seis, que seguiram rumos, igualmente sofridos. Perderam-se na Paraíba e Pernambuco. Houve até quem fosse tentar a sorte no Rio Grande do Norte.
Em Recife, fugitivos da seca cearense topam com Mestre Carpina e o Severino de João Cabral de Melo Neto. É só dor e muita reza. E mortos carregados em redes embalados por incelenças. Sebastião, José e Raimundo, netos de Chico Bento, andaram pelas Alagoas onde conheceram Fabiano, sua mulher Siá Vitória e os seus dois filhos sem nome, o mais Novo e o mais Velho. Fabiano e Siá Vitória já estavam velhinhos, magros, caquéticos, cheios das marcas deixadas pela tragédia vivida quando em fuga das terras do Sertão, como registraria Graciliano no seu clássico Vidas Secas. Os meninos mais Novo e o mais Velho também já haviam se casado e tido prole. A história seguiu. Em 1953 dois dos netos de Sinhá Vitória e Fabiano, Chiquinho e Tonheta, escutaram no rádio o Rei do Baião entoar a cantiga Vozes da Seca:
Seu dotô o nordestino têm muita gratidão Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão Mas dotô uma esmola a um homem qui é são Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão... Essa toada tocou profundamente os jovens.
De uma hora pra outra Chiquinho e Tonheta tomaram coragem e seguiram no ônibus até São Paulo, cidade há muito tida por muitos como o "Eldourado brasileiro" ou a Canaã dos tempos modernos. Sofreram, casaram, tiveram filhos, a história de sempre.
Resumo: os descendentes das famílias de Chico Bento e Fabiano findaram afogados nas águas sujas do rio Tietê, na capital paulistana. A notícia chegou hoje cedo através do matutino da TV Globo. Ia-me esquecendo: a tragédia vivida pelos personagens de O Quinze e Vidas Secas seria registrada pelo pintor paulista de Brodowski Cândido Portinari, em 1944. O resultado desse registro pode ser apreciado no quadro a óleo que mede 180 x 190, exposto no Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Não foi fácil chegar, mas chegamos à tempo de participar da inauguração da exposição Luiz Gonzaga na Eternidade dos 30 ontem 6, às 18h, no Centro Educacional Adamastor, em Guarulhos, SP. A demora deveu-se ao dilúvio que desabou na Capital paulista e no município de Guarulhos. Mas valeu a pena. Lá estavam o cartunista Fausto, o historiador Darlan Zurc, colunista do programa Paiaiá que amanhã 8 receberá o professor e artista plástico Isidro Sanene www.radiodconectados.com.br, secretário da cultura Vitor Souza e sua equipe formada por Paulinho, Adriana, Carla e Araci.
A exposição Luiz Gonzada na Eternidade dos 30, trata da vida e obra do artista pernambucano e foi apresentada primeiramente aos moradores do bairro paulistano de Santo Amaro, em dias do ano passado.Nesse 2020 completam-se 70 anos do lançamento do forró como gênero musical (Ouça acima) A direção geral é assinada por Sylvia Jardim. O conteúdo da amostra integra o acervo do Instituto Memória Brasil, IMB.
Através do site abaixo, conheça um pouco mais sobre o Instituto e informações complementares sobre exposição, que a partir de agora passa a integrar o acervo da Secretaria da Cultura do município de Guarulhos. A doação é do IMB. https://www.institutomemoriabrasil.com.br/
OLHA A CENSURA AÍ CHEGANDO, GEEEEEEENTE!
Há tempo os censores oficiais do governo de Roraima, RO, recuaram da decisão de retirar do calendário da secretaria de educação títulos de obras clássicas da literatura universal e brasileira. Entre os autores Franz Kafka, Edgar Allan Poe, Machado de Assis, Euclides da Cunha , Mário de Andrade, Rubem Fonseca, Nelson Rodrigues, Heitor Cony. Uma vergonha. O pretexto para o recolhimento de obras desses autores era que atentavam contra sei lá o que! Algo como (impróprio) para crianças e adolescentes. Entre os títulos na mira dos censores estavam Memórias Póstumas de Brás Cubas, Os Sertões e Macunaíma. Fiquemos de olho. A sociedade precisa estar de olho na ação dos retrógrados de plantão. Até agora, o coronel governador de Roraima, Marcos Rocha, do PSL, não se manifestou.
Depois de se
benzer e de beijar duas vezes a medalhinha de São José, Dona Inácia concluiu: ”Dignai-vos
ouvir nossas súplicas, ó castíssimo esposo da Virgem Maria, e alcançai o que
rogamos. Amém.”
É assim que
começa o romance escrito por Rachel de Queiroz em 1929 e publicado no ano
seguinte, no Rio de Janeiro.
Em vinte
seis capítulos, a autora conta a história de Conceição e sua Vó Inácia, e de
outros personagens que viveram no tempo da grande seca de 1915, como o vaqueiro
Chico Bento, sua mulher, cunhada e três filhos que foram se perdendo na vida. O
primeiro deles morreu depois de inadvertidamente e desesperado comer mandioca
braba. Outro, foi dado à Conceição, e o último sumiu nas levas dos desgraçados.
Nas suas
preces, Dona Inácia roga a São José que mande chuva para o sertão.
Reza a
tradição sertaneja que se não chover até o dia 19 de março haverá com certeza
seca braba a castigar inocentes e pecadores.
Foi o que
ocorreu em 1915 no Ceará.
A seca de 15
foi tão grave quanto a seca anterior, a de 1877.
Na seca de
77, o próprio imperador Pedro II jurou vender até a última pérola da coroa para
salvar os flagelados que nem o pão que o Diabo amassou tinham para comer.
Cascata, a
jura do imperador era tão verdadeira quanto uma pataca de barro.
No texto
anterior lembrei do primeiro campo de concentração construído no Brasil,
precisamente no Ceará. Além desse outros seis foram construídos na seca
seguinte, a de 1932. Tragédia enorme lembrada por Patativa do Assaré (1909 –
2002), no poema A morte de Nanã. Ouça:
É grande a
literatura poética, inclusive, que trata das secas cíclicas ocorridas no
Brasil.
O cantor e
compositor pernambucano Luiz Gonzaga (1912 – 89) gravou em 1953 o baião Vozes
da Seca, composto em parceria com o conterrâneo José Dantas (1921 – 62). A
música por si só é um grito, um pedido de socorro ecoado à época em todos os
cantos do País. Ouça:
Em 1938, o
alagoano Graciliano Ramos (1892 – 1953), lançou o pungente romance Vidas Secas.
Os personagens são Fabiano, sua mulher, Siá Vitória, dois filhos sem nome, um
papagaio e uma cachorra chamada Baleia. O papagaio morre queimado pelo sol e
serve de alimento à família. É triste, muito triste a história contada por
Graciliano. Virou filme, como filme virou o Quinze, de Rachel de Queiroz.
A peste que tingiu
de negro a Europa, Oriente Médio e parte da África provocou uma onda terrível
de flagelados famintos matando judeus nas ruas da Alemanha. Achavam os
desesperados que o que sofriam era culpa dos judeus; judeus que Hitler
decidiria tempos depois exterminar em nome de uma certa “raça” ariana.
Meu amigo,
minha amiga, você sabia que a Segunda Guerra Mundial findou por gerar campos de
concentração em Pindamonhangaba, no
interior de São Paulo?
A seca e
outras tragédias são tão graves na vida humana quanto a sanha incontrolável de
delinquentes poderosos de plantão como Hitler.
Getúlio
Vargas (1882 – 1954) entrou para a história como “o pai dos pobres”, mas não podemos
nos esquecer que ele não foi flor que se cheirasse, especialmente no seu primeiro
governo, de 1930 à 1945.
E o Padre
Ciço, hein, que foi deputado e vice governador do Ceará?
“O Padre Cícero
Romão Batista amava Deus e a gente sofrida do alto sertão do Nordeste. Ao mesmo
tempo, e com a mesma disposição, amealhava invejável fortuna em dinheiro e bens
materiais para usufruto próprio. Ao morrer em julho de 1934, com noventa anos
de idade, deixou 31 sítios, vários terrenos agricultáveis, três sobrados,
quatro quarteirões de casas, dezessete prédios (casas térreas), uma mina de
cobre e cinco fazendas de gado. Deixou mais o Padrim padre Ciço: uma legião de
milhares, de milhões de seguidores...” (Livro Nordestindanados, Causos & Cousas de uma Raça de Cabras da Peste – de Padre Cícero a Câmara Cascudo; Assis Ângelo; 2000).
O
coronavírus pode virar pandemia.
A última vez
em que a peste negra foi detectada no Brasil faz 15 anos, no Ceará.
Da mesma
maneira terrível que a estiagem prolongada mata, o excesso de chuva também. É
o que está ocorrendo no Espírito Santo, Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Ora em Minas, cerca de 60 mortos.
Entre 1979 e
1985, a seca e a chuva mataram cerca de 3,5 milhões de brasileiros, incluindo mulheres e crianças. Essa tragédia provocou um grande movimento de solidariedade entre os principais artistas da música brasileira como Luiz Gonzaga, Alcione, Fagner, Chico Buarque, João Nogueira, Paulinho da Viola, Luiz Carlos da Vila, Simone, Amelinha, João do Vale... Clique:
Talvez o mais antigo país da Ásia Central a China tem sido
uma espécie de farol do mundo pelas descobertas que fez desde muitos séculos
a.C.
Ali pelos fins da primeira parte do século XIV, quando
sopravam os ventos da Idade Média, a China apavorou a Europa, o Oriente Médio e
o norte da África com a então desconhecida peste negra ou bubônica. Terrível. Milhões
e milhões de pessoas sucumbiram vítimas desse mal.
As pessoas atingidas pela peste negra morriam em pouco
tempo, de dois à cinco dias.
Lembro isso face ao noticiário que dá conta das quase
quinhentas pessoas que morreram até agora vitimadas pelo coronavírus detectado
no último dia de 2019, na cidade chinesa de Wuhan.
O noticiário tem destacado a rapidez e eficiência dos
chineses em construir em quinze dias dois enormes hospitais para alojar as
pessoas contaminadas. Esse alojamento nada mais é do que um centro de
concentração em que as pessoas lá confinadas não podem receber ninguém do mundo
externo. Nem Deus.
Falam de quarentena, expressão genuinamente italiana.
Na Itália do século XIV, a peste negra engoliu um mundo de
gente. Em decorrência disso foi construído um enorme hospital em que foram
confinados milhares e milhares de italianos. Até hoje são encontrados restos das
vítimas.
Pois bem, falei aí no começo do texto sobre centro de
concentração. Ou centros ou campos, por que não dizer isso com todas as letras?
Há quem pense que os campos de concentração surgiram com
Hitler. Vê-se que não.
No Brasil, os primeiros campos de concentração surgiram no Ceará,
durante a seca que gerou milhares e milhares de flagelados que adoeciam e
morriam aos montes nas estradas. Temendo que os miseráveis chegassem e
saqueassem a capital cearense, o governador Benjamim Barroso determinou com mão
de ferro que fosse impedida a chegada das grandes levas humanas à Fortaleza.
Foi assim que rapidamente se construiu um enorme espaço para concentrar as
vítimas da grande seca. Esse primeiro campo foi construído na região de
Alagadiço, hoje Senador Pompeu. Esse lugar fica a oeste de Fortaleza.
A escritora Rachel de Queiroz (1910 – 2003) no seu livro de
estreia (O Quinze) faz as primeiras referências sobre esse primeiro centro de
concentração no Ceará.
Detalhe: o governador Benjamin Barroso tinha como vice o
Padre Cícero Romão Batista (1844 – 1934).
O mundo livre está comemorando 75 anos do fim dos campos de concentração nazistas.
O pernambucano de Macaparana, Rosil Cavalcanti, compositor
dos mais inspirados, nasceu em 1915 e nos deixou no tumultuado ano de 1968.
Como autor, Rosil deixou pouco mais de oitenta músicas gravadas por artistas do
naipe de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. A propósito, recomendo a leitura
do livro do Rômulo C. Nóbrega e José Batista Alves http://assisangelo.blogspot.com/2016/07/livro-eterniza-rosil-cavalcanti.html.
Até agora ninguém deu fé da sua importância como enriquecedor da música popular
oriunda do Nordeste. Ninguém, aspas: Jorge Ribbas pediu e eu compus o texto que
ele musicou. Ficou uma beleza. Confiram e opinem (acima). Ia me esquecendo: estamos no
Spotify.
JACKSON DO PANDEIRO
O paraibano Jackson do Pandeiro estreou em disco em novembro
de 1953. A gravadora, Copacabana.
O primeiro sucesso de Jackson foi o coco Sebastiana de Rosil
Cavalcanti. Ouça:
Após quase três meses o programa Paiaiá apresentado por seu titular Carlos Sílvio volta ao ar, ao vivo. Foi no 1º dia deste segundo mês de 2020. Foram dois os convidados: a cantora gaúcha Mirianês Zabot e o paulistano Sergio Bello, que a acompanhou ao violão. Diga-se de passagem um belíssimo violão!
Como sempre o programa Paiaiá entrou no ar pontualmente ao meio-dia pela Rádio Web Conectados (www.radioconectados.com.br), essa rádio está instalada numa casa localizada no histórico bairro paulistano do Ipiranga, na zona Sul da cidade.
No decorrer de uma hora a cantora chegou a atender até a ouvintes encantados com sua voz, algo não comum no programa. Entre as músicas que ela cantou à capela incluíram-se Romaria, de Renato Teixeira, mais O Baba do Chico, de Jerônimo Jardim e Paulinho Tapajós; e 1/2% de Tristeza, de Alexandre Florez. Essas duas últimas, sambas, integraram o repertório do primeiro CD de Mirianês: Mosaico Foto-Prosaico, lançado em 2009.
O programa começou com o apresentador Carlos Sílvio mostrando ao seu público uma das 12 faixas do novo CD da cantora: Comportamento Geral, de Gonzaguinha. "Na qual ele denuncia algumas mazelas da sociedade...", lembrou Mirianês ao apresentador. A propósito esse disco (Mirianês Zabot canta Gonzaguinha - Pegou um Sonho e Partiu) é um tributo ao filho do rei do baião, Luiz Gonzaga.
Ao vivo Mirianês Zabot interpretou, sempre acompanhada do violonista Bello, Sangrando, Espere por Mim Morena e Vidas Idas. Essa última, samba de roda, de Oswaldo Bosbah em parceira com a interprete, foi incluída no CD como faixa bônus.
O programa terminou com a música De Volta ao Começo.
Confira a primeira edição deste ano do programa Paiaiá.
LUIZ GONZAGA E GONZAGUINHA
Luiz Gonzaga, o rei do baião, gravou 18 músicas que trazem o nome de Gonzaguinha como autor ou co-autor, a valsa Lembrança da Primavera, foi a primeira e consta no repertório do LP A Triste Partida, levado à praça em 1964. Gonzaguinha tinha, à época, 19 anos de idade. Detalhe: a faixa título desse disco é do poeta popular cearense Patativa do Assaré (1909-2002). Ouça: https://youtu.be/N9lDEwXOgKE
02 02 2020.
Pois é, aí está um exemplo acabado do que é um palíndromo. Quer dizer: sequência numeral que se pode ler de trás para frente sem alterar o significado e a leitura. Isso numericamente falando, mas palíndromo é também a palavra que se lê do mesmo modo: da frente pra trás, de trás pra femte. Exemplo? Ana.
A matemática e o próprio dia a dia que vivemos são cheios de curiosidades.
A vida dura em que vivemos é entremeada de belezas.
O belo anda cheio de curiosidades.
Outro dia lembrei-me de um grande matemático famoso pelo pseudônimo de Malba Tahan, de batismo Júlio César, nascido no Rio de Janeiro no final do século 19 e encantando em terras Pernambucanas, em 1974. É dele a obra prima O Homem que Calculava. E como uma coisa puxa a outra, lembrei-me dele e de palíndromos...
Você meu amigo e minha amiga sabem o que é anagrama?
Há ainda muito gente que confunde palíndromo com anagrama.
O anagrama é uma palavra, nome ou expressão cujas letras formam outra palavra, nome ou expressão. Exemplos: Alberto Marinho (1902-1967), compositor e maestro que assinava como Bertorino Alma; e Célia, cujas letras formam o nome Alice.
IEMANJÁ
Hoje é dia de Iemanjá, a rainha das águas. Ela, no sincretismo religioso (ouça acima, Bethânia cantando São João Xangó Menino), é chamada de Nossa Senhora dos Navegantes. Hoje é dia de grande festa em Salvados, BA. Já andei falando sobre esse assunto. Clique: http://assisangelo.blogspot.com/2017/02/iemanja-e-rainha-de-todos-os-rios-mares.html
Paraguassú, o primeiro cantor paulistano a fazer sucesso nacional, foi um dos primeiros artistas a cantar saudade em disco. O velho reflete o novo: Mirianês Zabot, que em 2016 compôs e gravou o samba de roda Vidas Idas
Mesmo por pouco tempo O tempo nos faz lembrar
Que a distância machuca
Traz saudade e faz pensar
Por isso fui a missa
Pagar pecado e rezar...
(Poema sobre Velho Tema; A.A.)
O primeiro dicionário da língua portuguesa, de Francisco
Caldas Aulete, publicado na segunda parte do século XIX, em
Lisboa, diz que saudade é “sentimento evocatório, provocado
pela lembrança de algo bom vivido ou pela ausência de
pessoas queridas ou de coisas estimadas”.
Dito o que ele disse, digo também que saudade é alegria
e sofrimento. Neste ponto há até êxtase, mas essa é outra
história.
Saudade não é, como dizem os franceses, souvenir.
Saudade é uma coisa de lascar, de arromba, de dilacerar
corações. Que mexe com toda a gente.
Saudade é uma coisa tão violenta que, de tão boa, nos mata.
No dia 4 de junho de 1948, João de Barro, Alberto Ribeiro
e Antonio Almeida levaram à gravação o samba A Saudade Mata a
Gente, que começa assim:
Fiz meu rancho na beira do rio
Meu amor foi comigo morar
E nas redes nas noites de frio
Meu bem me abraçava pra me agasalhar
Mas agora, meu Deus, vou-me embora
Vou-me embora e não sei se vou voltar
A saudade nas noites de frio
Em meu peito vazio virá se aninhar
Saudade é uma palavra muito
forte, todo mundo sabe.
Saudade é uma palavra que está em todo canto, lugar e mente.
Saudade é uma palavra que está na poesia, na literatura, na
música.
A Casa Edison foi a primeira gravadora do Brasil. Começou a
lançar discos em 1902. Mas a gente está falando de saudade...
O barítono carioca
Vicente Celestino (1894-1968) foi o primeiro cantor
brasileiro a debruçar-se sobre esse tema na canção intitulada Saudade,
de Eduardo Souto.
Depois de Vicente, ídolo
do rei da voz Chico Alves,
muitos compositores
e intérpretes falaram e
continuam falando sobre esse sentimento ou sensação que
mexe com a memória de qualquer pessoa seja homem, seja
mulher. Alguns desses grandes: Antenógenes Silva (Saudade
de Ouro Preto), Orlando Silva (Saudade), Luiz Gonzaga
(Saudade de São João Del Rey), Dick Farney (A Saudade Mata
a Gente), João Gilberto (Chega de Saudade)...
No dia 20 de maio de 1948, o cantor Paraguassú (Roque
Ricciardi – 1890-1976), paulistano do Brás, gravou o
rasqueado Saudade de Alguém, de Zé Pagão e Nhô Rosa. É gravação bonita, é letra bonita.
Em suma, saudade é dor que faz bem e mata. É tema
levado a todas as artes, em todos os tempos, em todo
mundo, por gente jovem, de ontem e de hoje.
A gaúcha Elis Regina (1945-1982) cantou muito bem o
tema saudade.
A também gaúcha Mirianês Zabot canta
muito bem o tema saudade, como autora e intérprete.
Exemplo é o samba que assina com Oswaldo Bosbah: Vidas
Idas. Mirianês, que faz do violão uma brincadeira, compôs
uma pequena pérola na qual fala de saudade. Querem saber
quem é ela? É só procurar nessa tal de internet.
No acervo do Instituto Memória Brasil (IMB) há centenas,
milhares de músicas que tocam profundamente o nosso
viver.
Ia-me esquecendo: datas são importantes para lembrar;
por exemplo, que 30 de janeiro é o Dia da Saudade.
Foi em 1965, na Globo, que ela passou a ser chamada por todos os brasileiros e brasileiras de A Namoradinha do Brasil.
Sinceramente, no fundo, não tive certeza em nenhum momento que Regina virasse secretária da Cultura do Brasil. Mas que bom que virou. E daqui estou/estamos torcendo para que ela desenvolva o trabalho que nenhum dos últimos secretários desenvolveu à frente da pasta Cultura. O Brasil é rico em tudo.
Na foto aí, Wilson Seraine curtindo o seu lugar, cercado de árvores e pássaros
No Brasil tem muita gente boa. Gente de todo quilate. Do norte ao sul do País.
Você meu amigo, minha amiga, já foi à capital do Piauí?
Em Teresina, nasceu e vive um sujeito de alto quilate. Seu nome: Wilson Seraine.
Faz muito tempo que estive em Teresina. Eu ainda enxergava com meus próprios olhos. Foi Seraine que me levou pra proferir palestra num dos grandes teatros da cidade, talvez o maior. Fui falar sobre cultura popular e na plateia estava o escritor Ignácio de Loyola Brandão.
Ignácio é uma das nossas grandes reservas literárias.
O tempo passando e o Wilson Seraine, professor e pesquisador da cultura popular, levando cada vez mais à sério o seu gosto por Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Tenho pessoas incríveis em pontos diversos do Brasil. Na Paraíba, Rômulo Nóbrega, Jorge Ribbas, Miguel dos Santos, Richard Muniz e Onaldo Queiroga, juiz titular da Comarca de João Pessoa. Eu sou de Lá. Em Recife, José Batista Alves, no Ceará, Klévison Viana e por aí vai.
O Klévison, foi num foi, manda livros e folhetos de cordel.
O Rômulo, de Campina Grande, descobriu que gosto de Jangada, cachacinha que existe há mais de 50 anos... O Onaldo tem o bom hábito de me trazer livros e discos.
Quando vem de Minas, Téo Azevedo (Aí ao lado na foto) traz o kit completo de sobrevivência cultural, incluindo rapadura.
De Teresina, recebo de Wilson folhetos, livros, a cachacinha Mangueira Velha de Guerra, castanhas de caju selecionadas, doce de buriti e abraços.
Sou feliz ou não sou?
Fez-se perfeita a apresentação poética no Teatro Municipal hoje, 25.
Uma palhaça e artistas igualmente palhaços se apresentaram no Teatro Municipal, que leva a assinatura de Ramos de Azevedo.
Foi tudo muito bonito. Lá estavam neste 25 de janeiro Tom Zé, Paulinho Moska e os maestros Adriano Machado e João Carlos Martins.
João já esteve aqui na minha casa. João é grande.
Meu Deus do céu, como o Brasil é bonito!
O Brasil é cheio de surpresas.
O que o filósofo paranaense Sergio Cortella falou sobre o Brasil é algo absolutamente fantástico.
Brasil é Brasil.
É claro que eu fico cá comigo pensando que alguém poderia me chamar de volta para dizer coisas, para poetar.
Eu queria ter estado hoje no Teatro Municipal.
Eu queria ter estado no Teatro Municipal falando sobre cego e cegueira, mas devo aceitar o fato de que virei um cidadão invisível. Pois, pois, por não ter o que fazer, fiz com Osvaldinho da Cuíca esta declaração de amor:
2019
nos deixou duas grandes tragédias nacionais: o estouro da barragem da Vale do
Rio Doce em Brumadinho, MG, e o AVC sofrido pelo historiador paulista, de
Santos, José Ramos Tinhorão.
Em
Brumadinho foram assassinadas 270 pessoas e nenhum dos assassinos foi preso ou
condenado.
Isso
ocorreu no dia 25 de janeiro.
Tinhorão
ainda não se restabeleceu.
O
dia 25 de janeiro também marca a fundação do município de São Paulo.
Durante
mais de vinte anos bati pernas pesquisando sobre músicas que tratam da cidade
de São Paulo. Essa pesquisa resultou em mais de três mil títulos no gêneros
mais diversos.
As
músicas recolhidas – sambas, xotes, choros, valsas, maxixes, emboladas, tangos,
baiões, forrós, marchas, hinos, poemas sinfônicos etc. – compõem um retrato
fiel da cidade de São Paulo, sintetizando de modo harmonioso a sua feição
urbana, gentes e bairros, indústrias e culturas diversas.
São
Paulo ocupa o primeiro lugar no ranking das maiores capitais brasileiras e do
hemisfério Sul, e também o quarto ou quinto lugares entre as maiores cidades do
mundo, em termos populacionais.
A
cidade dos paulistanos reúne representantes de centena e meia de países,
falando línguas e dialetos diversos. Nas suas ruas e avenidas mais
movimentadas, como Quatá, Consolação e Paulista, e esquinas como Ipiranga/São
João e Santa Ifigênia/Andradas, é possível ouvir gente se comunicando nas mais
diversas línguas, grega, russa, árabe, alemã, etc. É a megalópole do presente e
do futuro. É uma espécie de Babel, daí seus acertos e contradições naturais.
Em
1822, São Paulo foi cenário da independência e em 1932, palco da Revolução
Constitucionalista.
Esses
e muitos outros acontecimentos estão referidos nas músicas. Mais não fosse, São
Paulo é uma das cidades que mais crescem no mundo. É também a capital dos
negócios.
Em 2008, participei
como autor do livro São Paulo Minha Cidade (reprodução da capa ao lado). Esse
livro, distribuído gratuitamente após um festejado concerto na Sala São Paulo,
trazia inserido um CD por mim produzido. Sala lotada. Entre os presentes, foram
homenageados Paulo Vanzolini (1924 - 2013), Alberto Marino Jr. (1924 - 2011) e
Zica Bérgami (1913 - 2011). Na ocasião, eu fui incumbido de entregar troféus a
esses compositores.
Assis Ângelo entre Paulo Vanzolini e Alberto Marino Jr.
O ano de 1954 foi o ano
que São Paulo recebeu o maior número de composições, inscritas num grande
concurso musical promovido pela Prefeitura. Perfil de São Paulo, de Francisco
de Assis Bezerra de Menezes ficou em primeiro lugar na voz de Silvio Caldas,
mas o dobrado, Quarto Centenário, de Mario Zan (versão japonesa a foto acima)
foi a mais executada nas emissoras de rádio. Vendeu mais de um milhão de
cópias.
A primeira composição a
receber como título o nome de um bairro foi a valsa choro, Rapaziada do Brás, de Alberto Marino (1902 - 1967).
Um ano antes do quarto
centenário da Capital paulista, Mario Genari Filho (1929 - 1989) lançou, pela
Odeon, o hino, Parabéns São Paulo, por ele mesmo executado à sanfona. Detalhe:
Mario perdeu a visão dos olhos quando tinha cerca de cinco anos de idade.
No acervo do Instituto
Memória Brasil, IMB, se acha tudo ou quase tudo que foi composto e gravado nos
mais diversos formatos desde discos de 78 RPM até CD’s e DVD’s.
Clique abaixo e ouça um trecho da música da Rapaziada do Brás, com letra de Alberto Marino Jr. Na voz do argentino naturalizado Carlos Galhardo:
Em 1986, a Editora Nacional publicou, de minha autoria o livro O Brasileiro Carlos Gomes
Eu gostaria de saber, sinceramente, o que leva a mais alta autoridade de um país a atacar, sem nenhuma razão, e a menosprezar o índio, o negro, o povo, e a quem não votou nele ou a quem dele discorda.
Ainda estou estarrecido com o que disse ontem 23 o presidente da República: "O índio mudou, tá evol... Cada vez mais, o índio é um ser humano igual a nós".
Ano passado, na ONU, ele já tinha posto no chão a estima do cacique Raoni e, de tabela, a de todos os índios brasileiros.
É muito triste ouvir o que diz o presidente nos seus momentos de total insensibilidade. Por essas e outras, Jorge Ribas e eu compusemos a modinha Presidente sem Noção.
Mas isso não é de hoje.
O nosso índio já foi personagem de poemas e de belas obras literárias, como O Guarani. Essa obra, aliás, serviu de base para o paulista Antônio Carlos Gomes (1836-1896) desenvolver ópera Homônima no Alla Scala de Milão, Itália, na noite 19 março de 1870.
O Guarani é um romance indigenista de autoria do cearense José de Alencar (1829-1877), publicado em 1857. Bem depois, em 1963, o carioca Antonio Callado publicou o belíssimo romance Quarup, cujo leitura recomendo à todos.
Na música popular, o índio também já apareceu como herói. Senhor da Floresta por exemplo, samba de René Bittencourt, gravada por Augusto Calheiros no dia 03 de Abril de 1945 e lançada à praça pela extinta Victor no mês seguinte.
Mas o índio também já foi alvo de galhofa. Em 1961, o compositor Haroldo Lobo levou ao disco a marchinha carnavalesca Índio Quer Apito. Ouça:
Em janeiro de 1963, foi a vez de Serafim Adriano compor a marcha Índio Maluco, gravada por Zilá Fonseca pro carnaval daquele ano.
Não custa lembrar que somos descendentes de índios e negros.
Atualmente há cerca de 800 mil índios habitando o Brasil e falando 274 línguas.
O presidente da República deveria ler a Constituição Federal vigente, em cujo Art. 5º lê-se:
"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade..."
Muita gente sabe que eu, pessoalmente, não sou muito chegado
ao gênero musical rock. Muita gente sabe, também, que mesmo sem morrer de
amores por esse ritmo eu defendo quem o defende, quem goste dele etc.
Um absurdo é o que acabo de saber: edital musical aberto ao
público ontem 22 pela Funarte proíbe que grupos de rock, fanfarras e banda de
pífanos participem desse edital.
Até aonde esse governo quer chegar?
O presidente do País aparenta ser um maluco carente de camisa de força,
pois anda o tempo todo a destilar veneno contra quem não siga sua cartilha nazifascista.
É perigoso. Até fiz uma musiquinha em sua homenagem, ouçam:
Arte é arte. Aliás, o maestro cearense Eleazar de Carvalho,
criador do Festival de Inverno de Campos de Jordão, dizia-me que só há dois
tipos de música: a boa e a ruim. Leiam abaixo entrevista que fiz com ele há
muito tempo. Clicando:
Repito: se Regina Duarte disser “sim” ao Presidente será que
terá condições ou coragem de formar a sua própria equipe na Secretaria de
Cultura? Sei não, acho que ela vai dizer “não”. Se tiver juízo, claro. Mas a
vaidade até num dia santo pode nos levar as quenturas do fogo do inferno. É ou
não é?
Hackear documentos, ligações telefônicas alheias, extrair seja o que for das pessoas é crime.
Em qualquer país democrático é garantido ao jornalista o direito de preservar suas fontes.
O que aconteceu no episódio envolvendo o ex juiz Moro e membros de sua equipe (Lava Jato), é caso que se enquadra no item hackeamento.
Ninguém tem o direito de roubar ninguém, seja qual for o produto do roubo. O furto.
Mas tudo isso é muito delicado, naturalmente.
A liberdade de expressão e opinião é um direito que nos garante a Constituição de 1988.
Não é de hoje que autoridades constituídas procuram barrar o trabalho dos jornalistas profissionais.
O Imperador Pedro II fez uma Constituição que opunha no mais alto pedestal do seu tempo.
A primeira Constituição Republicana também dava mais garantias aos poderosos do que ao povo, propriamente.
O presidente Vargas escapou das acusações que lhes eram feitas, mas não escapou do seu destino que foi disparar um tiro em seu próprio peito. E por aí segue a história.
Armando Falcão (1919-2010), que foi ministro da Justiça do último Governo Militar (1964-1985), não gostava de jornalistas nem de boca fechada e à eles a qualquer pergunta sempre respondia: "Nada a declarar".
O Collor, mais do que Sarney, fugia de jornalistas como o Diabo foge da cruz.
E o que dizer, então, do atual Presidente?
Bolsonaro não costuma conversar com jornalistas, prefere agredi-los, ironizá-los. Todo dia quando passa diante dos jornalistas abre a boca para proferir ironias na forma de opiniões ou novidades que soltam aos poucos.
O recente caso de hackeamento envolvendo Moro e integrantes da equipe Lava Jato é, repito, gravíssimo por se situar na linha invisível do correto e garantido pela Constituição com o submundo pegajoso dos crimes de roubo e furto, por exemplo.
No começo dos anos de 1980, fui processado pelo Estado depois de publicar uma reportagem denunciando a irresponsabilidade e omissão do Governo de São Paulo que, à época, deixou de acudir os apelos da população de um bairro pobre de Ribeirão Pires. Recebi ameaças de morte, o escambau. Fui absolvido, mas comi o pão que o Capeta amassou.
Antes desse caso (furo), eu tive muitas matérias censuradas no suplemento literário do jornal carioca Tribuna da Imprensa.
A censura também me pegou no próprio matutino FSP, quando durante o mês desenvolvi reportagem sobre o Esquadrão da Morte. Essa matéria terminei publicando no extinto semanário Pasquim. Clique: "ATÉ TU, JAGUAR?"
NAMOROU, NOIVOU... VAI CASAR?
O nosso mundo cultural está vivendo momentos de extrema ansiedade e angústia pela possível aceitação da atriz Regina Duarte para o cargo de secretária deixado por um tal Alvim. Caso aceite, será que a atriz vai ter a liberdade ou o poder de trocar os seguranças do Alvim nos postos que ele deixou? Tem nazista como o Diabo, por aí. A propósito, o Presidente chegou a dizer que nazismo era coisa da esquerda. Eu hein.
Dóris Monteiro, Aracy de Almeida, Maísa Matarazzo e outras
grandes cantoras brasileiras iniciaram a carreira nas noites. São escoladas, portanto,
entre essas grandes cantoras se acha Milena, baiana da cidade de João Gilberto:
Juazeiro.
Milena não gravou muitos discos, mas os que gravou, a partir
da metade dos anos de 1960, são referência e endosso ao seu talento. Começou
gravando versões, mas garantiu na sua voz verdadeiras pérolas de autores
nacionais, entre os quais, João do Vale.
João do Vale (1934 – 1996) iniciou a carreira compondo ao
lado do pernambucano Luiz Vieira (1928 – 2020), em 1950. Primeira música dos
dois, Estrela Miúda. Segunda música dos dois, Na Asa do vento.
O novo disco de Milena é formado por 14 composições, todas
de autoria de João do Vale e parceiros como o já citado Luiz Vieira. Entre as
músicas desse disco se acham Estrela Miúda e Na Asa do Vento. Obras primas.
Embora com novo disco, de produção executiva e artística
assinada por Cervantes Sobrinho e Thiago Marques Luiz, Milena anda fora das
mídias.
Por onde andará Milena? Que não ouço no rádio, na TV e
noutras mídias.
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, acham-se muitos discos de Luiz Vieira
Como Luiz Gonzaga, Luiz vieira
não gostava de ser chamado de cantor, gostava de ser chamado de can-ta-dor.
Luiz Vieira, de batismo, Luiz
Rattes Vieira Filho, morreu no começo desta tarde num hospital do Rio de
janeiro, vítima de um ataque cardíaco.
Entrevistei Luiz Vieira várias
vezes e várias vezes ele participou ao vivo do programa São Paulo Capital
Nordeste, que durante mais de seis anos apresentei na Rádio Capital (AM 1040).
Vários sucessos Vieira deixou como
Prelúdio para Ninar Gente Grande e Paz do meu Amor.
Suas composições foram gravadas
por grandes nomes da música popular como Nara Leão, Sérgio reis, Maria Bethânia
e até Taiguara, chamado O Cantor dos Festivais.
O grande público não sabe, mas
Luiz Vieira foi um artista eu ajudou de todas as formas outros artistas,
arranjando shows e emprestando até dinheiro.
Carmélia Alves tinha verdadeira admiração
por Luiz Vieira, agora, estão no céu.
Luiz vieira gravou vários discos
de 78 RPM, compacto e LP’s.
No próximo dia 12 de outubro, das
Crianças, ele iria completas 92 anos de idade.
Em 1953, Vieira gravou o belíssimo
poema Se Eu Pudesse Falar. De sua autoria. Ouça.
Quase 13 milhões de pessoas habitam o município de São
Paulo, que completará 466 anos de fundação no próximo dia 25 deste janeiro.
Carmélia Alves e Assis Ângelo
São Paulo é hoje a maior cidade da América do Sul e a quinta
maior do planeta. Essa cidade já foi cantada em mais de três mil títulos
musicais diferentes, compostos por cerca de sete mil autores de todo o País e
até do Exterior. Entre os autores: Mario Zan (rei da sanfona), Luiz Gonzaga
(rei do baião), Jackson do Pandeiro (rei do ritmo), Manezinho Araújo (rei da
embolada), Carlos Galhardo (rei da valsa) e outros “reis” da música e da voz,
como Chico Alves. Fora os reis Alberto Marino, Ary Barroso, Paulo Vanzolini e
mulheres incríveis, como Carmélia Alves e Zica Bergami.
Carmélia Alves (1923-2012) foi durante toda a vida
profissional chamada de Rainha do Baião, “título” dado por Luiz Gonzaga.
Gonzaga, a propósito, foi chamado de rei pela primeira vez no Brás. O Brás, não
custa dizer, é o bairro mais cantado da capital paulista. É citado em quase
cinquenta títulos musicais, entre os quais, o Baião em Paris (foto acima).
Rapaziada do Brás e Ronda são as músicas mais regravadas do
repertório paulistano.
Rapaziada do Brás foi gravada apela primeira vez pelo autor
que se identificava como Bertorino Alma (Alberto Marino) e o seu Sexteto. Isso em 1927.
Essa música, uma valsa, receberia letra em 1960. Essa letra
foi feita pelo filho de Alberto, Alberto Marino Jr. (1924-1989), e gravada pela
primeira vez pelo cantor Carlos Galhardo (1913-1985), que era de origem
argentina.
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acham
centenas e centenas de músicas que tratam do município de São Paulo, incluindo
partituras.
ANTÔNIO NÓBREGA
O artista multimídia pernambucano Antonio Nóbrega apresenta novo espetáculo, RIMA, Na unidade Sesc Bom Retiro, nos dias 18 e 19. Chama-se RIMA, o espetáculo, nome também do seu novo álbum musical. Eu vou, você vai? Então, vamos.
GERALDO AZEVEDO
Geraldinho, como os mais íntimos o chamam, acaba de completar 75 anos de idade. Foi no último dia 11. Geraldinho tem uma história muito rica no campo da nossa música popular. Ele foi um dos músicos que acompanharam Geraldo Vandré em turnê pelo País. O seu primeiro LP foi dividido com o seu conterrâneo o pernambucano Alceu Valença, em 1972. Fica o registro.
Púbico aplaude de pé a performance dos artistas do musical
Belchior - Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Não Morro!
Num tempo em que o próprio presidente da
República emprenha-se em sucatear as ferramentas de valorização da cultura popular do País, incluindo a música, é de se louvar a coragem de empresários e produtores culturais como João Luiz Azevedo, que anda removendo montanhas Brasil a fora para levar a publico o belíssimo espetáculo Belchior - Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Não Morro!
Assisti ontem 11 no Teatro Liberdade (Rua São Joaquim, 129), entusiasmado, esse musical que leva à cena os atores e cantores cariocas Bruno Suzano e Pablo Paleologo.
Pablo permanece mais tempo cantando, enquanto Bruno ilustra cantos em que de alguma forma Belchior é personagem.
Belíssima é a cena em que Bruno retira de uma mala uma pipa, o que faz lembrar instantes da infância do autor de Eu Sou Apenas Um Rapaz Latino Americano, Como Nossos Pais e Coração Selvagem. Foto a baixo.
Outra cena bonita entre tantas, é quando Bruno feito criança, contente, conclui um barquinho de papel que ilustra à perfeição a cantiga Mucuripe, que o parceiro Fagner gravou no seu primeiro LP.
Belchior - Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Não Morro transcorre em pouco mais de uma hora. São 15 músicas muito bem interpretadas sem a preocupação de o interprete imitar o artista cearense. É de se destacar com louvor o acompanhamento musical a cargo de um grupo formado por Emília Rodrigues (baterista), Fabio Rocco (baixo), Marina Bastos (sax e flauta), Rico Farias (guitarra) e Thomas Lenny (teclado). A direção musical é de Pedro Nego.
O espetáculo vale a pena ser visto, por fans e não fans. Impossível ficar quito sem aplaudir a performance dos atores/cantores e da banda. Nota dez, também, para a iluminação de palco a cargo de Rodrigo Belay. O figurino e a cenografia levam assinatura de José Dias.
O espetáculo é ponteado por trechos significativos de entrevistas de Belchior pinçados dos jornais, revistas e até de uma fala dele mostrada pelo Fantástico, da TV Globo, no momento em que se encontrava ausente do Brasil, no Uruguai. Essa parte, aliás, possibilita ao público saber a opinião de Belchior sobre arte e artista, privado de público. O privado, pra ele, não é de interesse público.
As colagens de entrevistas de Belchior à imprensa serviram para o diretor do espetáculo, Pedro Cadore, formatar o roteiro que teve a colaboração de Claudio Pinto.
O Teatro Liberdade foi inaugurado em abril do ano passado e tem como diretor o português Manuel Fernandes, que anda entusiasmado com as possibilidades de ocupação do teatro. a próxima atração tem haver com Tim Maia. Hoje 12, quem não viu pode ainda ver o espetáculo Belchior - Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Não Morro.
Belchior (1946-2017) foi um dos mais representativos artistas da nossa música popular.
Saiba algo mais sobre Belchior. Clique: http://assisangelo.blogspot.com/2017/04/belchior-e-uma-lembranca-que-doi.html http://assisangelo.blogspot.com/search?q=BELCHIOR+E+A+M%C3%81+POL%C3%8DTICA http://assisangelo.blogspot.com/2015/03/por-onde-andara-belchior.html
Não é de hoje que ouço brasileiros dizendo querer mudar-se do
Brasil, ora alegando decepção política, ora alegando insegurança pública,
violência etc.
Pesquisas indicam que há pelo
menos três milhões de brasileiros morando fora do País.
Pela ordem os Estados Unidos,
Japão, Portugal, Itália e Espanha são os países com o maior número de
brasileiros, vivendo bem ou comendo o pão que o Diabo amassou.
Nas últimas eleições havia
cerca de quinhentos mil brasileiros aptos a votar no Exterior, mas menos da
metade compareceu aos locais de votação.
Há muitos brasileiros morando
de maneira ilegal mundo afora, principalmente nos EUA.
Ao retornar a Portugal Dom João
deixou no seu lugar, como príncipe regente, o filho D. Pedro I.
Pouco depois de chegar à terra
de origem, D. João deu ordens para que o seu menino deixasse o Brasil.
No dia 9 de janeiro de 1822, D.
Pedro decidiu desobedecer às ordens do pai e disse alto e bom som a quem
quisesse ouvir: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação,
estou pronto. Digam ao povo que fico!".
O Brasil passou a mudar de modo
positivo após a chegada da família Real em 1808, quando deixou de ser
colônia.
A decisão de Pedro I foi de
grande importância, inclusive porque naquele mesmo ano ele entrou novamente
para a história ao desligar-se de Portugal, num brado duvidoso feito às margens
do riacho Ipiranga, localizado na zona sul da Capital paulista:
"Independência ou morte!".
Sem o Dia do Fico não teria
havido a separação do Brasil, de Portugal, pelo menos naquele ano.
O Dia do Fico foi, portanto, de
extrema importância histórica.
Eu, ao contrário de tantos brasileiros, digo a quem interessar
possa: o Brasil é o meu lugar e é aqui que deverei findar meus dias, até lá,
fico!
Todos os principais acontecimentos históricos ou não se acham na
discografia brasileira.
Em 1962, a Beija Flor de Nilópolis faturou 2º lugar com o enredo
que levou à avenida: Dia do Fico, de autoria de Cabana. Cabana era como
assinava Silvestre Davi da Silva (1924-1986). Esse Samba foi gravado por Martinho
da Vila em 1980 (acima) e também por Neguinho da Beija Flor. Ouça: