José Nêumanne Pinto é um jornalista paraibano. Dos melhores. Além de jornalista, esse Zé é poeta. Dos bons. Esse Zé também é poliglota, pois tem a boca cheia de línguas. Um dia uma repórter da BBC de Londres, cujo o nome ora me escapa, pediu-me uma entrevista em inglês sobre cultura popular. E eu, ai, ai. Disse-lhe que falo mal até na minha língua, mas que eu tinha/tenho um amigo craque na língua de Bush. Dei-lhe o nome. E lá foi o querido Zé, esse aí Nêumanne, atender a colega jornalista. E falou bonito. Nêumanne tem muitos livros.
Nêumanne tem muitos poemas e é doido por cantador repentista. Nêumanne é cheio de graça e com graça acabo de fazer uns versos dedicados a ele. São versos graciosos, de bom duplo sentido. Confiram:
É poeta esse Pinto Como o Pinto de Monteiro Com viola ou sem
viola Com rabeca ou sem pandeiro Esse Pinto quando pinta Faz
bagunça no terreiro
É metido esse Pinto Em todo canto quer
estar Mexe daqui, mexe dali Já marcando o seu lugar Esse
Pinto não é mole Nem cresceu, já quer brigar
Esse Pinto já
tem pinta Pra com ele vadear Vadeando ele vai Todo ancho a
rebolar Ai, ai, ai, que Pinto besta! A onde ele quer chegar?
Há uns anos, fins do século passado, gravei um CD declamando coisas minhas e
de outros (capa ao lado). Entre esses outros, o Nêumanne. O CD com o poema do Nêumanne saiu pelo selo/gravadora El Dorado. E o poema é
esse aí, que declamo com Zé Ramalho:
O sujeito, aquele vocês sabem quem, esteve fazendo média no Santuário de Aparecida do Norte. Dia 12, ontem.
Logo cedo, na missa das 9h, o arcebispo dom Orlando Brandes disse alto e bom som, para quem quisesse ouvir:
"Para ser pátria amada seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada,
uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E
pátria amada com fraternidade. Todos irmãos construindo a grande
família brasileira...".
Nunca pensei que o Brasil tivesse um dia um sujeito tão desqualificado carregando no peito a faixa de presidente da República.
Aconteceu: temos um sujeito desse, e com características de idiota nazista.
O Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes.
A maioria de eleitores elegeu o sujeito aí, vocês sabem quem é, a presidente. Meu Deus!
Até hoje não consigo digerir a eleição dessa besta.
A insensibilidade e o negacionismo são as marcas desse corno, como diria o rei do baião Luiz Gonzaga.
Mais de 600 mil brasileiros e brasileiras sucumbiram perante a força assassina do novo Coronavírus. "Uma gripezinha...", dizia vocês sabem quem.
Sim, é desabafo mesmo: o Inferno te espera, Bolsonaro!
Já não são quinhentas mortes Já não são quinhentas mil A desgraça toma corpo No coração do Brasil
Não são mortes naturais As mortes de Silvas e Bragas São mortes provocadas Por vírus, pestes e pragas
Praga viva inda mata Homem, menino e mulher Mata completamente Do jeito que o bicho quer
Maldito Coronavírus Que pega e mata gente O Brasil está morrendo Nas garras do presidente
Presidente também morre De morte matada ou não Lugar de quem não presta É lá no fundo da prisão!
A cadeia te espera
Presidente matador
Quem apanha hoje é caça
Amanhã é caçador
Ia-me esquecendo: o negacionista que nega até absorvente para adolescentes e adultas em risco, voltou hoje 13 a dizer asneiras. Sem máscara de proteção, o fela disse que é preciso armar o Brasil. E disse mais, mais, mais outras tantas loucuras.
Esse tal já chamou os brasileiros que nele não votaram de tudo quanto é coisa. De idiotas, inclusive. E aí, eu lembro que nos meus tempos de menino, eu reagia bravamente toda vez que alguém me xingava de fela da puta, por exemplo. Chamando pra briga, eu dizia com cara de mal defendendo a minha mãe:
"Fela da puta é banana curta, teu pai é corno, tua mãe é puta!"
O paulistano Anderson Gonzaga é um dos cerca de 3 bilhões de católicos espalhados pelo mundo.
Devoto da Padroeira do Brasil, Anderson fez uma promessa para o pai Luís curar-se de um mal. Deu certo, acredita. E aí contou à companheira Mari que, sensibilizada, jurou acompanhá-lo no pagamento da promessa indo a pé até o santuário de Nossa Senhora Aparecida. PANDEMIA AFASTA FIÉIS DAS PROCISSÕES
A Santa faz grandes e verdadeiros milagres, acreditam de mãos postas os católicos. A crença é tanta que escritores, compositores, cineastas já realizaram obras diversas, como Raimundo Grangeiro, Renato Teixeira, Ariano Suassuna.
É muito bonita a canção que Grangeiro fez para o rei do baião, Luiz Gonzaga (acima).
O Dia de Aparecida é comemorado no dia 12 de outubro, dia também em que se comemora o Dia da Criança.
Capa do livro Carlotinha, ilustrado pelo cartunista Fausto
A maioria da população brasileira é formada por crianças e adolescentes.
Nossas crianças deverão enfrentar maiores problemas no futuro próximo. Ninguém precisa ser adivinhão pra chegar a essa conclusão. Basta observar o que ora ocorre no campo da educação e da saúde. E da cultura. Na verdade, estamos todos afunhenhados.
Muita gente bonita já compôs e escreveu sobre criança.
Chico Alves (1898-1952), chamado de O Rei da Voz, deixou uma pérola gravada no seu último disco: Canção da Criança, dele e de Rene Bittencourt.
O cartunista Fausto, o Rei do Traço, teve enriquecida a sua carreira ao dar vida à molequinha Carlotinha. Linda que só! Fausto conta como criou essa personagem:
"A personagem Carlotinha foi criada em 2013, em forma de tira diária e depois virou um álbum. Trata-se de uma personagem infantil ( uma menina de 9 anos ) com seu gatinho Maio! Ela mora na Praça do Sorriso e tem uma galerinha de queridos amigos. Adora a escola, os animais e a natureza. A criação desse personagem foi uma forma de retratar um pouco de minha infância e homenagear todas as crianças. A Praça do Sorriso aonde mora a Carlotinha, pode ser uma praça em todas as cidades do mundo, com todas as belezas e os encantos: principalmente para os pequenos!"
Foi num dia como hoje que nasceu, em 1908, o carioca Angenor de Oliveira.
Angenor, que entraria para história da nossa música popular como Cartola, nasceu no ano da morte de um dos nossos maiores escritores: Machado de Assis.
Brega, breguice é um estilo de cantar exageradamente o ser feminino, a moça, a
mulher amada. Esse modo exagerado de declarar-se ao ser amado surgiu na
segunda parte dos anos de 1920. O primeiro grande representante musical do
estilo brega foi o tenor carioca Vicente Celestino (1894-1968). São dele, entre
outras, as canções
O Ébrio e
Coração Materno; a
primeira gravada no dia 7 de agosto de 1936, e a segunda lançada há exatos 70
anos. Depois de Celestino, que morreu em 1968, surgiram outros cantores
exagerados no seu modo de cantar. Entre esses o recifense Orlando Dias, de
batismo José Adauto Michiles (1923-2001). Dias alcançou
grande sucesso entre o público
feminino, a partir dos anos de 1950. Por essa época, e logo depois, ele gravou
Tenho Ciúmes de Tudo, Perdoa-me Pelo Bem que te Quero, Com Pedras na Mão e Tu És
o Maior Amor da Minha Vida. Dentre todos os bregas, Orlando Dias foi,
talvez, o que mais exageradamente se atirou aos braços da amada. No palco, Dias
fazia grandes malabarismos. “Era incrível. Chegava a rolar no chão, como nenhum
ator jamais fez”, lembra o cartunista Fausto, segundo ele mesmo “testemunha
ocular da história”. Cantores que se consagraram no estilo interpretado por
Orlando Dias, podemos destacar Cauby Peixoto, Teixeirinha, Raul Sampaio, Amado
Batista, Waldick Soriano, Odair José, Wando, Bartô Galeno, Alípio Martins,
Sidney Magal, Agnaldo Timóteo, Nelson Ned, Lindomar Castilho, Fernando Mendes,
Reginaldo Rossi e Falcão. Teixeirinha consagrou-se com
Coração de Luto,
pejorativamente chamada esta canção de “Churrasquinho de Mãe”. Essa música foi
regravada em vários idiomas: alemão, francês, inglês...
Wando marcou seu estilo com
Moça. Fernando
Mendes alcançou um sucesso danado com o título
Cadeira de Rodas. Reginaldo Rossi, pernambucano, emplacou um sucesso atrás do outro. O
último, Garçom. Essa
música, aliás, chegou a ganhar uma “resposta” feita pelo compositor e violeiro
mineiro Téo Azevedo. E Falcão, hein? Em entrevista exclusiva a este
colunista, Falcão definiu a modo próprio o que é o programa de TV que apresenta
toda quinta, à noite na TV Ceará, Leruaite. Esse programa, tascou o atual Rei
dos Bregas: “É uma tertúlia flácida para conduzir bovinos aos braços de Morfeu”.
E caiu numa risada, bem humorado como sempre. E seguiu: “Do meu programa
participam dois cegos e um meio cego. Os dois cegos são os irmãos Vanda e
Valdecir. Vanda é triangueira e Valdecir, sanfoneiro. E o meio cego tem por nome
Bubu, zabumbeiro. Isso mesmo, Bubu”. Como se não bastasse, o programa com
nome em inglês que apresenta, Falcão é também um excelente “versionista”. Lembra
Fausto: “A interpretação que Falcão dá a Eu Não Sou Cachorro Não é hilariante”.
É mesmo, concordo. Confiram:
I'M NOT DOG NO Falcão, de batismo Marcondes Falcão, disse que os cegos que participam do
seu programa formam o Trio Tô Nem Vendo.
Anna da Hora (assistente de Assis), Falcão e Assis, nos
traços de Fausto Bergocce
O programa Leruaite tem um quadro em que o cego Valdecir apresenta a previsão
do tempo. “E ele jurando, diz: Se for mentira, eu cegui!”, conta o gracioso
cantador de lorotas do Ceará. Falcão já participou de alguns filmes,
dentre os quais Cine Holiúdy. “Eu interpreto um cego que é doido por cinema e
de cinema sabe tudo. É um barato!”, disse o aplaudido cearense revelando que
está concluindo as gravações de uma nova temporada que estreará em breve na
telinha da Plim, Plim. “Estou gostando dessa brincadeira”. Completando
este ano três décadas de carreira, Falcão lembra que o primeiro disco (LP),
gravou de modo independente, em Fortaleza. “Esse disco,
Bonito, Lindo E Joiado, foi relançado pela extinta Continental. Depois gravei mais dois LPs.
Títulos:
O Dinheiro Não É Tudo, Mas É 100%
e
A Besteira É A Base Da Sabedoria”. E projetos é o que mais tem. “Se for preciso, a trilha sonora do meu
novo filme será toda minha. Uma das músicas que acabo de compor é Horrível de
Linda”, conclui Falcão alisando o girassol pregado no peito,
espalhafatosamente. E mais não disse. Abaixo a abertura da série
Cine Holiúdy, com Falcão e Elba Ramalho. Coisa boa! Confira:
Não ganhamos o Nobel de Literatura, mas ganhamos o Nobel da Paz. Leia-se: de
Jornalismo.
Há pouco ouvi no rádio o apresentador Mílton Jung, da CBN, anunciando a boa
nova.
Os ganhadores desse prêmio são o russo Dmitry Muratov e a filipina Maria
Ressa.
Muratov e Ressa são jornalistas que sempre buscaram a verdade, esteja ela onde
estiver. São combatentes de um tempo de terror e pouca esperança.
Eu e todos os jornalistas de verdade estamos contentes. Felizes até, pois
finalmente a nossa profissão é reconhecida pelo Comitê Norueguês do Nobel com
o bonito nome de paz.
Mesmo diante das intempéries jamais poderemos desistir do propósito de viver
livre e em paz.
Não custa lembrar que no Brasil, a profissão de Jornalista é uma profissão
muito agredida pelos poderosos de plantão, como o que agora está levando a
gente e o Brasil ao buraco.
A nossa centenária Academia de Letras, ABL, acaba de escolher a atriz Fernanda Montenegro para ocupar a cadeira número 17, anteriormente ocupada por Affonso Arinos de Melo Franco (1930-2020).
Fundada por Machado de Assis (1839-1908) essa é a primeira vez que a ABL tem entre seus pares uma atriz. E que atriz!
Ah! Meu amigo, minha amiga, acesse o post que ilustra este texto. Nele Emicida e Fernanda interpretam o clássico poema Ismália, de Alphonsus Guimaraens.
O
Prêmio Nobel
é um prêmio legal. Acho. Sempre. Surgiu faz tempo.
É sempre uma surpresa ouvir o anúncio dos premiados pelo Nobel.
Particularmente, fico nas expectiva dos prêmios da Ciência e da Literatura. Da
Paz, também.
Conversando há pouco com o craque do jornalismo brasileiro José Nêumanne
Pinto, eu disse: "Seu José, não foi dessa vez que você levou o Nobel de
Literatura". Ele respondeu: "Uma injustiça, mas dia a de chegar que a Paraíba
nos aplaudirá por esse prêmio tão desejado por nós, mortais", respondeu com
aquela risada de cabra safado. Ainda acrescentando: "O prêmio que qualquer
homem poderia ter em vida, já tenho: Isabel".
Isabel é a moleca do moleque José, aquele de quem eu disse ser o pai de Artur.
Artur é aquele molequinho de 2 anos, o pai de 70 e a mãe de 42. "Eu já tenho
tudo, Assis. Eu tenho Isabel e tenho Artur".
O Prêmio Nobel de Literatura de 2021 é do africano de Tanzânia Abdulrazak
Gurnah, anunciado hoje 7.
Enquanto ninguém ler pra mim Abdulrazak Gurnah, conforto-me lembrando os
poemas do meu querido José. E quem sabe, um dia, uma mulher com
as características de uma Isabel bata a minha porta dizendo que quer ler para
mim.
A África me faz lembrar o uruguaio/brasileiro Taiguara.
A Tanzânia de Abdulrazak Gurnah situa-se na parte Oriental de África, parte
mesma de Tanganica.
Taiguara, que frequentou a minha casa e continua frequentando minha mente e
coração, andou por aquelas bandas e deixou um registro. Ouça:
Dominguinhos em uma de suas várias visitas ao programa São Paulo Capital Nordeste
Nós, humanos, não temos e nem teremos salvação. Nunca.
Passamos a vida correndo em busca de coisas, de objetos, do que jamais levaremos ao morrer.
Não temos salvação porque somos egoístas, hipócritas, lamentáveis. Falta-nos o necessário: amor ao próximo, solidariedade...
Não é de hoje e não será do amanhã a corrida que encetamos para, supostamente, vivermos bem e felizes.
Foi não foi ouço no rádio e na televisão notícia dando conta de que herdeiros disputam a unhas e dentes o que ficou do parente morto.
Morreram o cantor Agnaldo Timóteo, o apresentador de TV Gugu Liberato e o compositor e sanfoneiro Dominguinhos.
Agnaldo não casou nem teve filhos biológicos, mas deixou herdeiros. Entre esses herdeiros, uma menina de 14 anos.
Gugu morreu e deixou alguma coisa para parceiros de cama e mesa.
Agora é a vez da disputa pela a herança de Dominguinhos. O pau está cantando entre mãe e filha. Pena.
Enquanto isso o vento sopra provocando, aqui e acolá, algum alívio para sabe-se lá quem que morre e nada leva.
É assim: A gente chega, a gente passeia e parte.
Domingo 3, a TV Record levou ao ar o programa Domingo Espetacular. Nesse programa é apresentada a questão Dominguinhos. Convidado pra dizer alguma coisa a respeito, preferi falar da obra e da importância do pernambucano José Domingos de Morais.
Dominguinhos era "freguês" assíduo do programa de rádio que apresentei durante anos na Rádio Capital.
De garra no telefone, do outro lado ouço um amigo dizendo baixinho: "Artur
está dormindo, te ligo já, já".
Aquelas simples e tão poucas palavras tocaram-me fundo, levando-me às dobras
do tempo.
Ali, naquela hora, vi/ouvi a minha querida mãe Maria cantando antiga cantiga
pra eu dormir.
Ai, ai, já fui bebê, já fui criança.
Lembro-me da mãe Maria. E como lembro!
Um dia o meu pai Severino ralhou comigo. Sem razão, acho. A minha mãe virou
fera e balançando os quartos, desafiou-o: tire-me de mim!, foi a fala dela. Ou
mais ou menos.
O amigo falando baixinho levou-me a pensar, a ter certeza, que ainda é possível haver amor
entre pais e filhos. Isso num tempo em que filho mata pai, mata mãe, vai pra
cadeira e volta recuperado para matar de novo.
A minha mãe Maria cantava pra que eu pudesse dormir.
O meu amigo, José, tem 70 anos e o seu filho menino, 2.
Pra amar, não há idade.
A minha mãe cantava Caymmi, mais ou menos como Caymmi cantava:
O atual presidente da República botou o Brasil de pernas pro ar, isto é: de
bunda pro mundo, que ri tirando sarro da gente. Pena. Enquanto isso,
pesquisas de opinião indicam que os poderes Legislativo e Judiciário estão em
baixa. O ocupante da cadeira mais disputada do País, aquele, continua com
o propósito irresponsável de destruir tudo. As instituições, inclusive. O
presidente mente, mente e mente. O exército de milicianos a serviço do
presidente tem se incumbido de assassinar a verdade, via internet. Todo dia,
sistematicamente. As chamadas fake news são uma praga óbvia. As
fake news corroem os pilares da Democracia. Fato. Mesmo com todas as
dificuldades possíveis, jornais e jornalistas continuam firmes no propósito de
bem informar o público leitor. São muitos os furos de reportagem que a
Imprensa tem feio nos últimos dois anos e meio. A Imprensa não
desiste. Os jornais Folha, Estadão, Globo e Valor Econômico têm trazido à
tona verdades escondidas as sete chaves nos gabinetes palacianos. Talvez
nem todos os jornalistas em início de carreira saibam direito o que é um furo
jornalístico. Compreensível. No jornalismo há notícia, notícia de
primeira mão, reportagem e reportagem especial. Notícia é um fato
noticiado em poucas linhas. Notícia de primeira mão é a notícia
exclusiva, digamos assim. Reportagem é o detalhamento de uma notícia. Reportagem
especial é uma reportagem escrita de modo detalhado. Extraído de um fato
histórico, por exemplo. Furo? Bom, um furo jornalístico é aquele que
o repórter dá com exclusividade, detalhadamente. Não à toa, bons
repórteres são geralmente bons furões. Fotógrafos, inclusive, como Gil
Passarelli (1917-1999), Milton Soares e Jorge Araújo. De textos, os
repórteres: José Hamilton Ribeiro, Caco Barcellos, Ricardo Kotscho, Marcos Sá
Correa, Valmir Salaro, Fabiana Moraes, Daniela Arbex, Patrícia Campos
Mello… Patrícia, da Folha, foi recentemente vítima daquele a quem chamo
de
Cramunhão. E aqui nem vou lembrar da história, pois demais lamentável. Baixaria. A
rádio CBN, a Globo News e a TV Globo também têm apresentado grandes furos,
muitos deles oriundos do Ministério da Saúde. Um cancro. Furo de
reportagem é furo de reportagem, existe desde quando a Imprensa ganhou forma e
passou a conquistar leitores e ouvintes/telespectadores. João do Rio, criador da reportagem como tal conhecemos, foi o primeiro a dar furos em
jornais do Rio, RJ. O Repórter Esso, que teve em Heron Domingues
(1924-1974) a sua marca, deu belos furos no que podemos chamar de jornalismo
radiofônico. A renúncia de Getúlio, por exemplo, no dia 29 de agosto de 1945:
O Repórter Esso, que tinha como slogan “Testemunha Ocular da História”,
estreou no Brasil há 80 anos: 28 de agosto de 1941, na Rádio Nacional. Esse
programa já existia nos EUA desde 1935. Para melhor ilustrar essa
história, peço licença à quem me acompanha neste espaço para dizer que também
assinei belos furos.
No final dos anos de 1970, escrevi longa e detalhada
reportagem sobre o Esquadrão da Morte. Entrevistei os assassinos Fleury,
Fininho, Ze Guarda e Correinha. Essa reportagem era pra ser publicada na
Folha, mas o editor Bóris Casoy não fez o que deveria fazer: publicá-la. Em
decorrência disso, essa reportagem terminou ganhando capa do semanário Pasquim
e mais 6 páginas internas, ilustrada por Nássara e outros bambas do cartum
brasileiro. Choveram ameaças de morte, mas cá estou a contar o que
fiz. No dia 13 de setembro de 1987, o Estadão deu em manchete de primeira
página entrevista que fiz com o porta-voz da presidência da República. À época
Frota Neto. Entre outras coisas, Neto contou-me que o deputado presidente da
Câmara Ulysses Guimarães (1916-1992) não deixava o presidente Sarney governar.
A consequência disso foi a queda do porta-voz.
Em 1983, dei “segundo
clichê” seguido de reportagem completa sobre um duplo linchamento ocorrido
numa região de Ribeirão Pires, SP. Repercutiu no Brasil e no Exterior. No
campo de variedades, não custa lembrar, a primeira entrevista que o cantor e
compositor Geraldo Vandré me deu depois de mais de 5 anos fora do Brasil. Essa
entrevista foi publicada no extinto Folhetim, da Folha de S.Paulo. E dei
muitos outros furos, não só na Folha e no Estadão, jornais em que ocupei cargo
de chefe de reportagem da editoria de política. Muitos furos de
reportagem chegaram às telas de cinema, como Todos os Homens do Presidente. Esse
filme, de 1976, foi baseado nas reportagens de Bob Woodward e Carl Bernstein,
do The Washington Post. O furo de Woodward e Bernstein levou à renúncia
do presidente dos EUA, Richard Nixon. O resto é história. Fica o
registro.
Não sei há quanto tempo existe esse dia dedicado ao coração, mas foi criado para que nos lembremos dele. Do coração.
Mais de um mil pessoas morrem todos os dias de ataque cardíaco. Isso no Brasil. Fora do Brasil chega anualmente a muitos milhões.
Como a lua, o coração é tema de música desde sempre.
Há belíssimas canções que têm o coração como tema e lema.
Em 1936, o compositor João de Barro compôs letra para a melodia de Pixinguinha. Título: Carinhoso.
Carinhoso é, junto com Asa Branca, a música mais gravada em disco do Brasil.
Há também muitas versões de Carinhoso noutras línguas.
No filme Nancy Goes To Rio, que no Brasil ganhou o título de Romance Carioca, Carinhoso aparece como trilha sonora, juntamente ao banhão Ca-Room Pa Pa (Baião. Gonzaga/Teixeira). Mas prefiro Paulinho da Viola cantando com Marisa Monte este belo clássico da nossa música. Ouça:
Feliz da vida, o amigo e parceiro musical Jorge Ribbas diz que tem uma
boníssima notícia pra mim, em primeira mão: "Acabo de conquistar o 1º lugar do Festival de Música Erudita da Rádio MEC"
O paraibano de Uiraúna José Nêumanne Pinto é dos mais atualizados jornalistas da imprensa brasileira. Comentarista politico, dele nada escapa. Nêumanne começou a careira na Paraíba, mas foi no eixo Rio-São Paulo que ele deslanchou.
Nêumanne foi repórter especial da Folha, editou do Jornal do Brasil e da Editoria de Política do Estadão.
Trabalhei com ele no Estadão, chefiando a reportagem.
Mas José Nêumanne Pinto não é só jornalista. É mais. Muito mais.
Poeta de sensibilidade incomum, José Nêumanne chegou a gravar até um CD (CPC-Umes, 2007), com arranjo do maestro Marcus Vinícius.
Poemas de Nêumanne foram musicados e gravados por artistas do naipe de Téo Azevedo e Zé Ramalho.
Eu mesmo gravei um poema de Nêumanne, intitulado Desafio da Viola Repentina e Guitarra Cética. Essa gravação abre o repertório do CD Assis Ângelo interpreta poetas brasileiros.
Ouvir Nêumanne é um privilégio. Quem o ouve como atenção só tem a aprender. Que o diga o radialista baiano Carlos Sílvio.
Ontem 24 José Nêumanne deu uma belíssima entrevista ao programa Paiaiá na Conectados, apresentado por Sílvio.
No ano de 2012 o Sesc Santana, SP, abriu espaço para que eu pudesse apresentar
uma exposição/ocupação sobre músicas que falam da Capital paulista. Mais de
3mil títulos, resultado de uma pesquisa que fiz no decorrer de mais de 20 anos. Na ocasião, estiveram comigo muita gente bacana: Inezita
Barroso, Altamiro Carrilho, Paulo Vanzolini e tantos e tantos. Entre esses
tantos e tantos:
Antônio Severo,
Joel dos Santos,
Ana Maria
e eu.
Foi uma exposição muito bonita, visitada por milhares de pessoas no decorrer
de 2 a 3 meses.
Severo nos deixou na madrugada de hoje 24.
Em junho deste ano escrevi um texto lembrando a trajetória do jornalista João do Rio. Foi texto originalmente publicado no Newsletter Jornalistas&Cia. Neste texto, que também saiu no folheto de cordel (ao lado), faço uma singela homenagem ao querido Severo.
O mundo continua girando, girando e dele gente caindo e subindo. Aos trancos.
Gente querida tem partido sem se quer dizer adeus. Rapidamente. Fechando os
olhos e pronto.
No começo da madrugada de hoje 24, ali pela 1h30, partiu para a Eternidade
José Antônio Severo. Gaúcho. Amigo querido. Jornalista.
Ali pelas 5 horas de hoje 24 foi juntar-se às estrelas outra pessoa querida:
José Xavier Cortez.
Guardo de Severo e Cortez gratíssimas lembranças, boas risadas.
E é assim, estou me sentindo só. Cada dia mais.
Primeiro foram meus irmãos ainda crianças. Depois a minha mãe e o meu pai.
E assim seguimos, voltando de onde viemos: o Cosmos?
A última vez que falei com
Severo, pessoalmente, foi dia 16 de julho passado. Cá em casa.
A última vez que falei com Cortez, por telefone, foi na tarde de domingo 19
passado. Falamos um monte de coisas, como sempre falávamos. Naquela tarde,
falamos e falamos sobre o educador Paulo Freire. Confira:
Claro que é política a proposta de alfabetização contida no livro Pedagogia do
Oprimido, de Paulo Freire.
O que é que há em comum entre o pernambucano Paulo Freire e o baiano Anísio
Teixeira?
Freire nasceu em 1921 e Teixeira, 21 anos antes. Ambos formaram-se
primeiramente em Direito e só depois tornaram-se educadores.
Teixeira foi o primeiro educador a detectar falhas e necessidades na
alfabetização de jovens e adultos, no nosso País.
Como Teixeira, Freire abandonou a profissão de advogado para continuar no
direito de ensinar para aprender junto aos analfabetos seus alunos.
Em 1963, Paulo Freire pôs em prática um método revolucionário de alfabetização
no município de Angicos, no Rio Grande do Norte, RN.
Naquele ano, conseguiu ensinar as primeiras letras a mais de 300 trabalhadores
da construção civil, que não conseguiam distinguir um “O” de uma roda. Foi
quando os empregadores se arrepiaram, recusando-se a pagar até os direitos
trabalhistas.
Foi esse o “pulo do gato” de Freire ao imaginar e desenvolver o método que
leva o seu nome no Brasil e mundo afora. Em 1964, Anísio Teixeira foi
exilado pelos poderosos de plantão. Em 1964, Paulo Freire foi exilado
pelos poderosos de plantão. Os poderosos de plantão são personagens que
atuam em movimento contrário ao avanço da sociedade moderna, sempre à
espreita. Um povo analfabeto é um povo cego sem luz, sem graça, sem
futuro, que precisa de muleta para existir.
Um povo analfabeto e sem futuro é presa fácil de quaisquer poderosos de
plantão, ditadores, prepotentes, obscurantistas. Uma pessoa alfabetizada
reconhece com facilidade o mundo em que vive e nele se movimenta com a graça
de quem ama a vida.
Uma vez o paulista Monteiro Lobato (1882-1948) disse que “quem ler mais, sabe
mais”. Uma vez, há muito tempo, o grego Sócrates à beira da morte teria
dito: “Só sei que nada sei”. No livro A Importância do Ato de Ler, agora na
52ª edição (Cortez Editora), Paulo Freire diz à pág. 66: “Na verdade, para que a
afirmação ‘quem sabe ensina a quem não sabe’ se recupere de seu caráter
autoritário, é preciso que quem sabe saiba sobretudo que ninguém sabe tudo e que
ninguém tudo ignora. O educador, como quem sabe, precisa reconhecer, primeiro,
nos educandos em processo de saber mais, os sujeitos, com ele, deste processo e
não pacientes acomodados; segundo, reconhecer que o conhecimento não é um dado
aí, algo imobilizado, concluído, terminado, a ser transferido por quem o
adquiriu a quem não o possui”. Atualmente, o Brasil tem cerca de 11 milhões
de analfabetos completos. Fora isso, é incontável o número de analfabetos
funcionais. Esses são aqueles que aprenderam o bê-á-bá mecanicamente, sem
raciocinar, na base da decoreba. O método Paulo Freire é importante, muito
importante, por identificar esse caminho errado. Ou seja, não basta decorar o
bê-á-bá, é preciso interpretar o bê-á-bá. “A leitura do mundo precede a
leitura da palavra”, afirma Freire na palestra que proferiu no Congresso
Brasileiro de Leitura, realizado no dia 12 de novembro de 1981, em Campinas
(SP). O analfabeto é analfabeto por não saber ler nem escrever, mas não é
analfabeto no mundo real em que vive. Pois nesse mundo, o seu mundo, ele
distingue facilmente os códigos que o rodeiam. Portanto, nesse caso, o bê-á-bá
pouco acrescenta ao sujeito em questão. Sabe aquela história de o caipira
ou o matuto falar errado?
“A primeira vez que mantive contato com Paulo Freire, foi por telefone. Ele se
achava na Suíça ou na Suécia, não lembro bem. Propus-lhe editar seu livro
Pedagogia do Oprimido. Mas ele respondeu que já tinha editora, a Paz e Terra”,
lembrou o potiguar José Xavier Cortez. “Isso foi pouco antes de ele voltar do
exílio”, acrescentou.
No decorrer do tempo, Cortez e Paulo Freire tornaram-se amigos. “Antes de A
Importância do Ato de Ler publiquei Educação e Atualidade Brasileira,
Pedagogia: Diálogo e Conflito e Paulo Freire: Uma Bibliografia”, relembra
Cortez.
Enquanto publicava livros pela Cortez, Paulo Freire publicava artigos na
revista Educação e Sociedade. Essa revista era resultado de uma parceria entre
a editora Cortez e a Unicamp.
É possível que os textos de Freire publicados na revista virem livro.
A gratidão que o educador pernambucano tinha pelo editor potiguar fica
explícita nesta declaração: “Se o país tiver sensibilidade, reconhecimento,
amor e o sentimento do agradecimento corajoso e leal, Cortez vai virar nome de
instituição no País todo. Tenho Cortez como editor e também como amigo”.
Cortez já virou nome de escola: Escola Estadual José Xavier Cortez, no extremo
sul da Capital paulista.
Anísio Teixeira envolveu-se com a educação desde muito cedo.
Em 1931, já figura de destaque no campo da Educação, Anísio assinou o
Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.Corria o governo Vargas. O ministro
era Capanema e seu chefe de gabinete, Carlos Drummond.
Esse manifesto, assinado por 26 educadores e intelectuais como Cecília
Meirelles, não agradou o governo Vargas. O tempo passou e muita água correu
sob a ponte.
O resto é história.
Anísio Spínola Teixeira nasceu no ano de 1900 e morreu em março de 1971, isto
é: há 50 anos.
Paulo Reglus Neves Freire morreu em 1997 e nasceu no dia 19 de setembro de
1921, ou seja: há 100 anos.
A educação deve muito a esses dois brasileiros.
O cantor e compositor paraibano Chico César compôs e cantou, no ritmo de aboio, isso aqui:
Esta semana de setembro começou com boa parte do mundo enaltecendo o talento e a contribuição do pernambucano de Recife Paulo Freire no campo da educação.
Domingo 19 passado comemoraram-se os 100 anos de nascimento do autor de Pedagogia do Oprimido, escrito no Chile e publicado primeiramente na Espanha e EUA, nos fins dos tumultuados anos de 1960. Esse livro somente seria publicado no Brasil, pela Paz e Terra, em 1974.
Sobre Paulo Freire e o seu revolucionário método de ensino existem inúmeros folhetos de cordel e livros escritos no Brasil e no Exterior.
Dentre os folhetos de cordel destaque para Tributo a Paulo Freire, Cordel ao Educador Paulo Freire, Paulo Freire em Cordel, Paulo Freire, O menino à sombra da mangueira e o mundo; A História de Paulo Freire e Paulo Freire Mestre dos Mestres.
A cena correu mundo: Bolsonaro e seus asseclas comendo numa rua de Nova York.
Pizza. Na rua porque ele e os seus foram impedidos por lei de comer nos
restaurantes da cidade.
O motivo que gerou essa cena foi simples: o tal não estava vacinado contra o
novo Coronavírus.
Triste, muito triste, saber que o mundo todo tira sarro do Brasil. De nós, que
trabalhamos e pagamos impostos regiamente.
Entre os membros da comitiva do presidente à ONU, estava o ministro da
saúde.
O ministro Marcelo-não-sei-o-quê protagonizou cena particular que à todos nos
horrorizou, ao estirar obscenamente o dedo a brasileiros que chamavam
Bolsonaro de "assassino" e "genocida".
Esse ministro da Saúde é o mesmo que há poucos dias determinou a suspensão de
vacinas contra o novo Coronavírus no braço dos adolescentes.
Esse aí é o mesmo que se sente bem pendurado no saco do presidente. Que
vergonha!
Ao tentar voltar ao Brasil, Marcelo-num-sei-o-quê foi flagrado com o vírus no corpo. Resultado: está em quarentena num quarto de hotel em Nova York.
Não dá pra esquecer: em 1931 foi gravado, pela primeira vez o chorinho Tico Tico no Fubá, do paulista de Passa Quatro, Zequinha de Abreu.
Essa gravação despertou, primeiramente, a atenção da portuguesinha naturalizada Carmem Miranda. E depois dela, o mundo todo tomou conhecimento de Tico Tico no Fubá, que era pra ser chamado de Tico Tico no Farelo.
A Colbaz, cujo nome tem a ver com a extinta gravadora Colúmbia, tinha como líder, o maestro e arranjador Gaó, Odmar Amaral Gurgel(1909-1992).
Zequinha, de batismo José Gomes de Abreu foi um artista que ganhou projeção mundial depois que partiu para a eternidade.
A cidade paulista Santa Rita do Passa Quatro é uma das 12 estâncias climáticas do Estado, localizada a cerca de 250 quilômetros da capital. Foi lá que nasceu no dia 19 de setembro de 1880 o compositor e pianista José Gomes de Abreu, o Zequinha de Abreu, que ganhou notoriedade mundial com o choro Tico-Tico no Fubá, de sua autoria, gravado pela primeira vez no começo de 1931 pela Orquestra Colbaz e, depois, por centenas de intérpretes nacionais e estrangeiros, de Carmen Miranda ao maestro Roberto Inglez (aí ao lado, na reprodução do selo do disco original feito em Londres), Ethel Smith, Alberto Semprini, Georges Henry e, mais recentemente, por uma malaia, JIt San, de seis anos de idade que o interpreta de modo incrível num instrumento chamado Electone. Clique:
Tico-Tico no Fubá, que era para se chamar Tico-Tico no Farelo, foi apresentado com letra, de Eurico Barreiros, pela primeira vez pela cantora Ademilde Fonseca (à direita, na reprodução do selo do disco), em setembro de 1942.
Zequinha de Abreu, cuja mãe o queria padre e o pai, médico, morreu no dia 22 de janeiro de 1935.
Hoje 18 estão se completando exatos 40 anos do desaparecimento do pernambucano de Recife, Marcos Cavalcanti de Albuquerque, o Venâncio da famosa dupla com Corumba.
Venâncio nasceu em 07 de outubro de 1909 e logo cedo decidiu que seria artista.
Tinha 19 anos de idade quando conheceu Manoel José do Espírito Santo, que se tornaria conhecido como Corumba.
Venâncio e Corumba compuseram muitas músicas, entre elas alguns clássicos como os baiões Boi na Cajarana (1952) e "Último pau-de-arara"(1956).
No correr do tempo, Venâncio separou-se de Corumba depois de 40 anos de parceria, em 1968.
Os dois seguiram desenvolvendo atividades relacionadas à música.
Em 1970, Venâncio criou a ARPOFOB (Associação de Repentistas, Poetas e Folcloristas do Brasil).
O baião Boi na Cajarana, de tanto sucesso que fez, terminou por virar mote no chamado mundo da cantoria.
"O Venâncio me inspirou a fundar a UCRAN – União dos Cantadores, Repentistas e Apologista nordestinos, que reúne profissionais da área residente em São Paulo", diz o profissional da viola repentista Sebastião Marinho.
JORNALISMO/JORNALISTAS
Apesar dos riscos naturais, o jornalismo continua sendo importante na vida de qualquer sociedade.
O jornalismo está em todo canto. Está onde o fato está.
Ontem, completaram-se oito anos do encantamento do jornalista Lourenço Diaféria. . O texto continua repercutindo. Bom. Os coleguinhas Simão Zygband e Selma Nunes, compartilharam o nosso blog com seus leitores.
Enquanto isso Carlos Sílvio continua impossível, em batepapos, imperdíveis. Os dois últimos entrevistados dele foram a angolana Neusa e Silva e o paulistano Rivaldo Chinem.
Neusa, ex-aluna do norte-americano Bill Hinchberger falou e falou bastante sobre jornalismo investigativo. Confira: https://www.youtube.com/watch?v=Bqr-Wp5kEsY&t=625s .Rivaldo lembrou algumas passagens do tempo de repórter diário e revelou que um dia seu amigo Tim Lopes contara-lhe que andava com medo das reportagens que estava fazendo. https://www.youtube.com/watch?v=ItgPkG9GP74
Nestes tempos malucos em que o presidente da República chama o Exército
brasileiro de “meu”... Nestes tempos malucos de fome e guerras absurdas
que matam homem, mulher e criança, brancos e pretos…
Neste mês de
setembro, quando o mundo lembra os 20 anos do ataque terrorista às Torres
Gêmeas, que mataram quase 3 mil pessoas, de Manhattan, não custa também
lembrar que foi num mês como esse que Lourenço Diaféria foi preso acusado de
“manchar” a imagem do nosso brioso Exército. Lourenço Diaféria foi um
mestre da crônica jornalística e essa acusação “rendeu-lhe”, lamentavelmente,
enquadramento na Lei de Segurança Nacional, LSN. Antes do enquadramento,
o chefe militar de gabinete do governo de Geisel (1974-1979), Hugo de Abreu,
telefonou ao dono do diário Folha de S.Paulo, Octavio Frias de Oliveira
(1912-2007), ameaçando fechar o jornal. A Folha era editada por Cláudio
Abramo (1923-1987), cuja a cabeça foi pedida pelo militar. No lugar de
Abramo ficou Bóris Casoy, que se identificava plenamente com o regime da
época.
Depois de muita confusão, depois de muita polêmica, Lourenço
acabou solto por decisão do Supremo Tribunal Federal, STF. A crônica
Herói. Morto. Nós., que entrou para os anais da história, rendeu também a seu autor um chute na
bunda. Quer dizer: demissão do jornal onde trabalhava. Eu conheci
Lourenço na Folha, em 1977. A amizade seguiu firme por outros lugares:
JT, Diário Popular… Foi não foi, Lourenço me citava em suas crônicas.
Levantava a bola, como se diz. Um dia, pedi-lhe que escrevesse um texto
de apresentação para o livro que eu estava em vias de publicar:
Nordestindanados, Causos e Cousos de uma raça de cabras da peste (1992). E em
três páginas, sob o título Como um Gosto de Tapioca, ele começou:
“Este é mais um livro do mais paulistano dos paraibanos. Vivendo uma
diáspora sentimental em busca de melhores perspectivas de trabalho, Assis
Ângelo, o autor, não abandona as raízes, a placenta e o umbigo viscerais de
seu modo nordestino de ser. A escritura de Assis Ângelo tem a umidade
fecunda que banha a lâmina ao talhas a palma do xique-xique. Como não é
romance, nem novela, nem autobiografia, nem relatório de serviço, a primeira
vantagem deste livro é que as páginas podem ser lidas sem sequência, de trás
para frente e vice-versa. Todavia, se alguma página for saltada, e não for
lida, o leitor ficará sem saber algumas coisas que o tornarão mais rico de
conhecer a alma de um autor. Por vezes, são anotações quase fortuitas,
temperadas em meia dúzia de palavras, escritas, aparentemente, como rubricas
de uma vida”
No seu delicioso texto, sempre na linha de loas, conclui: “Este
livro nada tem de empombado. Não pretende ser um ensaio. Muito menos tratado.
É simples, como a tapioca. Mas para fazer igual é preciso ter estrada. Ser
filho de dona Anunciada. Ter ido a trezenas de santos infinitos a rogo de dona
Alcina. Ter sabido ganhar e perder na vida. E ter aprendido a receita de saber
dosar com emoção o recheio do alimento sertanejo”. O pai de Lourenço era
italiano e a mãe, portuguesa. O resultado dessa mistura deu no que deu:
um cidadão explicadíssimo à vida, de olhares sensíveis ao cotidiano da cidade
que lhe deu berço. Nascido no dia 28 de agosto de 1933. “Não havia lugar
melhor pra nascer, a não ser o bairro paulistano do Brás”, disse-me uma
vez. Lourenço Diaféria, de batismo Lourenço Carlos Diaféria, cresceu
brincando e chutando bola, como qualquer moleque de infância comum. Pelo gosto
do pai, seria advogado. “A minha mãe não ligava muito pra isso, ela dizia não
querer interferir na minha escolha profissional. Bastava-lhe que eu fosse uma
boa pessoa, sem inimigos”, lembrou. Lourenço começou, mas não terminou o
curso de jornalismo na Cásper Líbero. Em 1956, inscreveu-se num concurso
para redator do extinto Folha da Manhã, hoje Folha de S.Paulo. Passou, trancou
o curso que também iniciara na USP, e seguiu firme na mesma profissão que seu
pai exercia no começo dos anos 20, quando chegou da Itália e escolheu o Rio de
Janeiro para morar. Lourenço Diaféria era onipresente. Estava em todo
lugar. Ele via tudo e tudo anotava com descrição: as pessoas, os animais, a
chuva, o sol, o vento, tempestades, caras feias e bonitas, sem falar dos
monumentos espalhados pela cidade, dos teatros, dos cinemas, dos jardins...
Foi um cronista completo. As palavras ele colhia do seu jardim
particular, que regava com dedicação e amor. Em 2000, o Jardim da Luz
completou 200 anos. Para comemorar a data, o cartunista Fausto
desenvolveu uma obra gigantesca em que aparecem pessoas que marcaram a cidade.
Pessoas simples, inclusive. E lá está Lourenço. Lourenço fazia das
palavras suas amigas. Da mesma maneira que ele cuidava delas, por elas era
cuidado. Ele sempre pôs as palavras no lugar certo, nos lugares certos.
Elas não o surpreendiam. E vice e versa. Era um craque, um verdadeiro
jardineiro do Lácio. Lourenço foi jornalista, cronista, romancista... Deixou
uma montanha de belos livros, entre os quais: Empinador de Estrelas, Um Gato
na Terra do Tamborim e Coração Corinthiano. Foi um grande corinthiano.
Sabia tudo e algo mais sobre o Timão. Quando um dia dispensaram sua
crônica do Diário Popular, sem justa causa, sem motivo algum, escrevi uma
carta que o jornal publicou. Nela mostrei a minha insatisfação, o meu desgosto
como leitor. No dia seguinte, pra minha surpresa, recebi uma carta do mesmo
Lourenço agradecendo o que eu fizera. Ele começava dizendo: “Querido Ângelus”.
Ângelus, na verdade Di Ângelus, foi um dos pseudônimos que usei nos meus
tempos de artista plástico. Quando uma equipe da TV Gazeta me procurou
pra falar do bairro do Brás, lembrei-me do livro de Lourenço: Brás - Sotaques
e Desmemórias.
Lourenço Diaféria morreu no dia 16 de setembro de 2008. Morreu não,
encantou-se Ah! Sim: seus pais eram Filipe e Maria. Grande Lourenço!