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sábado, 7 de outubro de 2023
MAIS UMA GUERRA CONTRA OS PALESTINOS
sexta-feira, 6 de outubro de 2023
EU E MEUS BOTÕES (69)
Boa tarde, pessoal!
"Boa tarde, seu Assis!", responderam todos na casa em que eu costumeiramente me encontro.
Biu começou perguntando o que nós iríamos pôr pra discutir na nossa roda de conversa. Muitas coisas, muitas coisas, eu disse.
Lá do canto veio uma voz atalhando. Era Mané, que se achava do lado de Zé e Zoião: "O Rio de Janeiro tá pegando fogo. É tiro e morte pra tudo quanto é canto. Acabaram de matar três médicos...".
Zilidoro interrompeu Mané, contando que ontem a noite mataram também seis pessoas de uma mesma família, incluindo uma criança e uma mulher grávida: "Foi num lugar chamado Jequié, na Bahia. Esse lugar é o mais violento do Brasil. Eram nômades, ciganos. Não se sabe a razão, mas que é um horror é um horror!".
E Lampa, sem levantar a cabeça, resmungou: "Vixe! Nem no tempo do meu bisavó era assim".
Após falar "bisavô", Lampa teve todos os olhares voltados para si. Zoião: "Lampião era seu bisavô!!!?".
Lampa fez de conta que não ouviu, mas deixou todo mundo surpreso.
Barrica, que até então permanecera em silêncio, observou: "O seu Assis tá meio esquisito hoje. Parece que está escondendo alguma coisa...".
De súbito, Jão respirou fundo concordando com Barrica: "É... O que está havendo, seu Assis? O sinhô parece triste".
É que eu, comecei, não dormi direito. Desculpem...
Zilidoro, sempre arguto observador e sempre antenado, pediu licença pra informar o seguinte: "Está aqui no Blog dele, se despedindo do filho Francisco...", interrompeu apressadamente Mané: "Ele partiu? O filho do seu Assis partiu, pra onde?". Zilidoro continuou: "Não. Isto é, partiu. No Blog seu Assis escreveu: '...Francisco viveu livre sem aceitar as amarras sociais. Aos 42 anos alçou voo como os pássaros e virou estrela. Deixa saudades e a voz gravada num disco em que declama o poema Vidas Secas, de sua autoria'".
Todos se levantaram comovidos, se solidarizando, dando pêsames. Confirmei, fazer o quê?
Zilidoro disse que chegou a conhecer o Francisco. Disse que o ouvira cantar e tocar violão. E gaita de boca: "Tinha uma boa voz e era muito inteligente. Mas nunca entendi o seu jeito arredio e de certo modo desafiador. Era ansioso e parecia que estava vivendo todos os dias num dia só. Fazia poesia e os seus poemas eram muito tristes. Lembrava-me o Baudelaire".
Pois é, concordei com Zilidoro, Baudelaire...
Zilidoro emendou, declamando:
E nas pranchas de anatomia
Que estão na poeira destes cais
Em que muitos livros ferais
Dormem feito múmia sombria,
Ilustrações a que a firmeza,
Como o saber de um velho artista,
Para um assunto que contrista,
Comunicaram a Beleza,
Vê-se, o que torna mais completos
Estes misteriosos horrores,
Cavando como lavradores
A multidão dos esqueletos...
Eu emendei:
Dessas terras por vós cavadas,
Calmos e fúnebres aldeões,
Do esforço de vossos pulmões,
De vossas carnes escorchadas,
Dizei-me, que messe fatal,
Forçados soltos do carneiro,
Vós tirais, e de que granjeiro
Deveis ir enchendo o casal?
Quereis (de um destino bem duro
Espantoso e lúcido emblema!)
Mostrar que nem na tumba extrema
O sono pode ser seguro;
Que o Nada nos será traição;
Que tudo, até a Morte, nos mente.
Tanto que sempre eternamente,
Teremos a condenação
De, por uma ignorada angra,
Esfolar uma terra irada
Enquanto se impele uma enxada
Sob nosso pé nu e que sangra?
"Puxa vida, lamento não ter conhecido o Francisco", falou do seu canto Zoião, acrescentando: "Quando eu era mais novo, tentei aprender violão. Não deu".
Bom, pessoal. Por hoje é tudo. A vida é assim. A vida é de morte, de alegrias e tristezas. Só uma coisa: Amor não combina com ódio. Às vezes me pergunto por que as pessoas brigam tanto, por que há tanta guerra no mundo, tanta fome, tantos desencontros. Agradeço a todos pelas condolências. Até a próxima.
Um tanto pesaroso, Mané pediu licença pra dizer que "A vida é mesmo de morte". E acrescentou: "Enquanto isso, tiroteios e mortes, assaltos e chacinas e tudo mais continuam infernizando a vida humana no Rio, São Paulo, Bahia, Minas, Europa, África...".
O irmão de Barrica, Biu aproveitou pra informar que ouvira no rádio notícia que dava conta de uma nova ganhadora do Nobel da Paz: "É uma jornalista iraniana que está presa e condenada a 30 anos e a 154 chibatadas. Seu crime foi defender os direitos humanos".
Todos bateram palmas e Zoião aproveitou para dizer que "A vida é bela e por isso é preciso que a gente viva bem. No mais, hoje é o Dia Mundial do Sorriso. Vamos deixar a tristeza de lado e rir. Viva a vida!".
quinta-feira, 5 de outubro de 2023
ADEUS, FILHO
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| Francisco e seus irmãos |
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| Francisco com sua irmã mais nova, Clarissa |
Todos os dias em todos os cantos nascem e morrem pessoas.
O nascimento nos encanta, nos faz alegres e esperançosos.
Vida é esperança.
A morte quase sempre nos surpreende, nos pega quase sempre desprevenidos. Não nos acostumamos com a morte.
A morte é uma tragédia.
Eu era criança e tinha uns 2 ou 3 anos.
A minha vó Alcina, que Deus a tenha, um dia me levou à casa de uma comadre sua.
Na sala da casa dessa comadre, cujo o nome não lembro, havia uma espécie de mesinha improvisada sobre a qual se achava um pequenino caixão de cor azul e dentro jazia o corpo de uma menina de mais ou menos um ano de idade. Em volta espalhava-se no ar um cheiro incômodo de vela queimando e vozes femininas, na maioria, entoando um canto triste que parecia nunca se acabar.
Eu não entendia nada do que estava ocorrendo, mas notava que havia muita tristeza no ambiente.
A minha vó pegou-me ao colo e fez-me ver a menina que no caixão estava. Lembro que perguntei: "Ela está com os olhos fechados, por quê?".
A minha avó passou a mão no rosto, enxugou lágrimas que insistiam em cair. Lembro que olhou pra mim, enquanto me punha no chão. Disse: "Ela está dormindo".
Retruquei o que dizia dona Alcina: "Se eu fosse ela, eu abria os olhos".
Essa imagem nunca saiu da minha memória.
O Dia de São Francisco é o dia 4 de outubro.
Enquanto eu falava do santo de Assis, Itália, o meu filho Francisco fechava os olhos e dormia um sono sem fim, num leito de hospital do Rio Grande do Norte, RN.
Francisco viveu livre sem aceitar as amarras sociais. Aos 42 anos alçou voo como os pássaros e virou estrela.
Deixa saudades e a voz gravada num disco em que declama o poema Vidas Secas, de sua autoria.
quarta-feira, 4 de outubro de 2023
HILTON ACIOLI, 85!
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| Hilton Acioli e Assis Angelo |
Não Dizer que Não Falei de Flores. E deu no que deu. Sucesso. A princípio éramos nós e ele a defender essa música, mas no último momento eu o convenci a defendê-la sozinho", contou-me uma vez Hilton.LEIA MAIS: HOJE É DIA DE HILTON ACIOLI
DIA DE SÃO FRANCISCO
Francisco nasceu em Assis, cidade italiana, entre os anos de 1181 e 1182. Era filho de um rico comerciante de nome Pedro. Cedo o filho de Pedro começou a gastar grana a torto e a direito. Era jovem, enfim. A vida era fácil, pomposa e tentadora.
Um dia, Francisco que no correr do tempo teve acrescentado ao próprio nome a cidade em que nasceu, assim por acaso entrou numa igreja e sabe-se lá ouviu uma voz que lhe parecia sair da boca de uma imagem de Cristo. Algo como: "Ajude a reformar essa igreja, filho".
Um tanto atordoado, Francisco levou a sério e rapidamente abandonou a vida leviana que levava e passou a ajudar financeiramente o páraco a deixar nos trinques a igreja judiada pelo tempo.
Conta a história que um dia Francisco adoeceu e logo morreu. Estava na casa dos 45 anos de idade.
Dois anos depois da morte de Franciscoa igreja representada pelo Papa Inocêncio III tornou-o santo.
A cantora Carmélia Alves, rainha do baião, fez uma bela gravação intitulada Oração a São Francisco de Assis. E Fagner também. Ouça:
terça-feira, 3 de outubro de 2023
A AMAZÔNIA PEDE SOCORRO
Uma grande estiagem que se abateu sobre o Nordeste no século 19 levou o imperador Pedro II a jurar pelo pai, pela mãe e pelos céus que venderia até o último brilhante de sua coroa para acabar com o sofrimento dos nordestinos e que faria tudo para que não morresse ninguém.
A promessa foi feita em 1877, quando meio mundo nordestino morreu.
Quanto à promessa do rei, que foi feita só da boca pra fora, ficou como "dantes no quartel de Abrantes" ou ao "Deus-dará".
Na Amazônia, as secas também são cíclicas e matam fauna, flora e gente. Agora mesmo está ocorrendo uma dessas secas. Especialistas prevêm que essa seja a maior de todas. Os efeitos terríveis já são visíveis.
Enquanto o nível das águas do Amazonas e afluentes baixa, as temperaturas aumentam e matam tudo que anda vivo.
O boto é um golfinho muito bonito e virou lenda a partir das observações dos indígenas.
Segundo a lenda, em momentos especiais golfinhos chamados botos deixam os rios e vão pegar moças virgens, especialmente virgens, para depois de uma boa lábia engravidá-las. Pois, pois. A consequência é uma criança indesejada e o desgosto dos pais. Hmmmm.
Até agora, em menos de um mês uma quantidade superior a 100 ou 200 botos morreram por causa da evaporação das águas dos rios. Como se não bastasse, ainda tem o envenenamento dos rios provocado pelo garimpo ilegal praticado na região. Em suma: mais uma grande tragédia se delineia no horizonte amazônico. E não custa lembrar que muitas outras secas já ocorreram em 1912, 1925/26, 1964, 1980, 1983, 1997/98, 2005 e 2010.
A Amazônia pede socorro, pois até água de beber está faltando nas cumbucas do povo.
O boto cor-de-rosa só existe na região amazônica. E uma curiosidade a ser levada a sério: o homem que comer um boto torna-se corno e morre enfeitiçado pelo próprio Demo.
segunda-feira, 2 de outubro de 2023
TUDO PELA PAZ. VIVA GANDHI!
Outros cidadãos tão grandes como Gandhi nasceram por aí como Luiz Gama, Martin Luther King Jr. e Nelson Mandela, além de Buda e Jesus Cristo.
O texto em seguida sobre esses quatro gigantes da paz foi extraído do livro Histórias de Esquina, que assino junto com o cartunista Fausto. Beleza?
Luiz Gama (1830-1882), Martin Luther King Jr (1929-1968), Nelson Rolihlahla Mandela (1918-2013) e Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948)
O baiano Luiz Gama foi vendido como escravo pelo pai, quando tinha apenas 10 anos. Tornou-se rábula. Tinha uns 20 anos, quando provou que fora vendido num tempo em que vigorava a Lei Feijó. Essa Lei dizia que “Todos os escravos, que entrarem no território ou portos do Brasil, vindos de fora, ficam livres”. Tão importante quanto ele para as questões da paz e da valorização humana foram Luther King, Nelson Mandela e Gandhi. King começou a lutar contra a segregação dos negros, nos EUA, ali pela metade dos anos de 1950. Foi morto a tiros. Mandela lutou muito contra o “apartheid”. Virou lenda. A sua atividade o levou à prisão. Foi libertado 27 anos depois, em 1990. Gandhi tornou-se conhecido por lutar contra o domínio estrangeiro no país em que nasceu: Índia. Viveu na base do diálogo e fazendo greve de fome. Foi morto a tiros em janeiro de 1948. Dos quatro aqui lembrados, só Luther King e Mandela foram agraciados com um prêmio Nobel da Paz. Luiz Gama foi vendido para o pai pagar dívida de jogo.
domingo, 1 de outubro de 2023
KÁTIA TEIXEIRA COM O BOM BOLDRIN
Ainda não faz um ano que Rolando Boldrin partiu, mas o seu programa Sr. Brasil continua na telinha da TV Cultura.
No programa que foi ao ar hoje, Boldrin abriu espaço para a cantora e compositora Kátia Teixeira. Ela canta bem, toca bem e compõe textos musicais que são uma pérola. Brasil puro, tanto ela quanto a sua música. Gostei e recordei bons papos que tivemos com ela e com Boldrin.
Kátia Teixeira e Rolando Boldrin estiveram proseando comigo no programa São Paulo Capital Nordeste, que durou no ar pela Rádio Capital uns 6 ou 7 anos.
Tanto Kátia quanto Boldrin estiveram no meu programa em momentos diferentes.
No Sr. Brasil que foi ao ar hoje Kátia canta, entre outras músicas, a belíssima canção Modificar. Essa pérola traz a marca registrada dos craques Paulo e Jean Garfunkel.
Paulo Garfunkel e seu irmão Jean têm músicas gravadas por muita gente boa como Elis Regina.
Rolando Boldrin morreu no dia 9 de novembro de 2022.
sábado, 30 de setembro de 2023
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (45)
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| Tinhorão na redação do Diário Carioca, em 1959 |
E aí a coisa piorou.
Hoje são mais de oito bilhões de homens e mulheres, sofrendo, matando e morrendo de tudo quanto é jeito.
A Índia, velho país asiático, encabeça a lista dos países mais populosos com 1,428 bilhão de habitantes. Fora isso, a Índia é o país que mais deuses e deusas inventa e cultua. Os números batem na casa dos trezentos milhões, sem falar das crenças muitas crenças. O hinduísmo é seguido pela maior parte da população: 80,5%.
Curiosidade 1: o mundo existe há 1,5 bilhão de anos segundo os cabeções da matéria.
Curiosidade 2: o Homo Sapiens surgiu há mais ou menos 3580 mil anos, também segundo os cabeções da matéria.
Bom, Tinhorão foi um bamba que nos legou boas histórias. Agora leia a íntegra do texto que ele publicou na revista Chuvisco, edição de setembro de 1963, n° 58:
GÊNESIS
A história da Criação ainda não está bem explicada. Talvez devido à pressa (o mundo foi feito em seis dias, apenas) muita coisa custa hoje a ser compreendida, mesmo levando em conta que é muita pretensão do Homem querer julgar a obra de Deus como o Sr. Agripino Grieco julgava a do escritor Ataulfo de Paiva. No entanto, de tanto ouvirmos dizer que os homens foram criados por Deus, por exemplo, uma coisa desde logo não se explica: por que, se o objetivo era criar os homens, o Senhor foi criar também uma mulher?
Mesmo sem entrar propriamente no mérito dos arcanos supremos, o fato é que, se o Criador pretendia apenas proporcionar uma companhia ao Adão feito de barro, Ele poderia perfeitamente já que estava com a mão na massa modelar um segundo homem. Do ponto de vista da própria história humana, estaria desde logo resolvido o mais antigo problema do homem, isto é, a mulher.
O que aconteceu, no entanto, segundo o versículo 27 do primeiro Livro de Moisés, chamado Gênesis, é que Deus resolveu criar o homem à sua imagem ou, segundo o texto sagrado, “à imagem de Deus o creou; macho e fêmea os creou”.
Eis aí. Como não ficar em dúvida diante de uma revelação desses, partida do próprio Moisés, e a julgar pela qual o Criador seria hermafrodita?
O fato é que, segundo o Velho Testamento, no sexto dia da Criação o Senhor tomou uma costela de Adão enquanto ele dormia (o que mostra, de uma vez por todas, ter sido a mulher criada à revelia do homem) segundo conta a Escritura — “ex ea formavit mulierem, quam deait sociam Adamo”.
“Formou com ela a mulher, a qual deu por sócia a Adão”. Foi, não há dúvida, uma estranha sociedade essa, pois dado que toda a sociedade civil implica em capital e trabalho, os descendentes da linha masculina de Adão entraram bem, uma vez que lhes coube exatamente a parte do trabalho, posto que a beleza na mulher é considerada capital.
Até hoje, aliás, ninguém explicou bem o porque da própria criação do homem. Para os materialistas que formam na bancada da Oposição do espírito entraria aí o propósito do Senhor de solucionar o impasse em que se teria encontrado no sexto dia da Criação. É que, depois de ter feito a luz, o firmamento, as águas, a terra, as árvores, a lua, as estrelas, as aves e os peixes, o Criador verificou que não havia ninguém para acreditar em Deus. Essa teria sido, pois, a verdadeira razão do Senhor ter feito o primeiro homem “ad similitudinem suam”, isto é, tão à sua semelhança, que em pouco tempo os seus descendentes sairiam criando deuses com a mesma facilidade com que Ele havia criado os homens.
Voltemos, porém, no capítulo do Gênesis, onde outras dúvidas assaltam o espírito leigo de quem lê atentamente aquelas linhas ditadas a Moisés, pelo próprio Espírito Santo. Criado o homem e a mulher colocou-os Deus no paraíso, uma região tão bem irrigada e tão fértil, que, se não tivesse desaparecido com o dilúvio ocorrido no ano do mundo de 1565, estaria hoje seguramente nas mãos de três ou quatro fazendeiros, eleitores do PSD. Isto muito embora Moisés tenha declarado que o Jardim do Éden ficava “na banda do Oriente”, o que situaria, hoje, além da Cortina de Ferro.
O certo, entretanto, é que no centro desse “horto amoenissimo” o Senhor havia colocado, entre árvores de aspecto jocundo, uma mal-intencionada macieira, cujo fruto simbolizava a ciência. Isto é, quem comesse de tal fruto veria desencadear-se, imediatamente, o torturante processo dialético dos contrários, no caso, o do bem e do mal.
E eis quando, novamente, as coisas não parecem claras no velho livro de Moisés. Pois se é verdade que Deus, conforme o versículo 26 do Gênesis, abençoou Adão e Eva dizendo-lhes “multiplicai-vos; e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra”, não se pode entender bem porque exatamente dessa árvore da ciência fossem os homens proibidos de provar o fruto. E isso se explica: se a história da humanidade parece comprovar que o homem jamais teria conseguido dominar a terra e os animais sem a ajuda da ciência, como queria o Senhor que isso se desse o contrário? Além do que, outra pergunta: se o castigo pela mordida no fruto da árvore da ciência foi a mortalidade, como estaria o mundo a esta hora se Adão e Eva, imortais antes do pecado, tivessem seguido o exemplo de multiplicarem-se indefinidamente, e assim os seus descendentes, etc, etc. Eis aí um cálculo para ser resolvido segundo a Lei de Malthus.
O certo é que, por culpa da serpente ou não, Eva provou do fruto da ciência, o qual, aliás — verdade seja dita — jamais chegaria a digerir. Com grande leviandade, no entanto, ofereceu-o também a Adão, que logo à primeira mordida pôde perceber que o tal fruto da ciência não era nada mole.
Para o casal, a primeira consequência desse pecado do entendimento foi perceberem ambos, marido e mulher, que estavam completamente nus. Isso parece pequeno detalhe, mas foi graças a esse acontecimento que surgiu no mundo o primeiro alfaiate, e a Casa Dior pode orgulhar-se, depois, de possuir tantas filiais.
No primeiro momento, dizem as Escrituras que Eva correu para trás de uma figueira e Adão sumiu-se numa moita, para só reaparecerem um diante do outro acachapados sob esta primeira conclusão realmente dramática da condição humana: formavam um casal condenado a ter filhos e estavam completamente em tangas.
Ora, diz o Gênesis que, nesse momento, o Senhor Deus, “que passeava no jardim pela viração do dia”, chamou Adão: “Onde estás?”. Não vamos discutir o fato estranhável do Criador, sendo onisciente, perguntar como qualquer pessoa, "onde estás?", apenas por não ter Adão à vista. É outra a dúvida que surge neste passo da história da criação, e que nenhum exegeta, conseguiu até hoje decifrar. Segundo o diálogo travado no Jardim do Éden, vendo o Senhor a Adão, que finalmente saía meio encabulado detrás da moita, confessando que se escondera porque estava nu, perguntou-lhe: “Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore que te ordenei que não comesses?”. Para Adão esse preciso momento foi chato à bessa, mas sua resposta não deixou de encerrar uma certa malícia, uma vez que com ela responsabilizava o próprio Criador por seu pecado: “A mulher que me deste por companheira, ela foi que me deu da árvore, e comi”.
Adão havia marcado um a zero. Virou-se então o Senhor para Eva, e inquirindo-a, por sua vez, deu oportunidade ao primeiro jôgo de empurra da história da humanidade: “A serpente me enganou, e eu comi”, foi a resposta de Eva.
E eis quando surge a grande dúvida. Segundo o Gênesis, chegado a esse ponto do diálogo, o Senhor Deus virou-se para a serpente e proferiu esta fulminante condenação: “Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a besta, e mais que todos os animais do campo: sobre o teu ventre andarás e pó comerás todos os dias da tua vida”.
Ora, como o Espírito Santo esqueceu de contar a Moisés maiores detalhes, foi assim que, até hoje, ninguém conseguiu descobrir como é que as serpentes andavam até o episódio da maçã.
sexta-feira, 29 de setembro de 2023
DE POETAS E POETAS
"Se queres prever o futuro, estuda o passado".
"O homem superior atribui a culpa a si próprio; o homem comum aos outros".
"O silêncio é um amigo que nunca trai".
quinta-feira, 28 de setembro de 2023
EU E MEUS BOTÕES (70)
Chefe!, começou se antecipando a todos o esquisito Lampa com seus modos pouco comuns, "o Sr. tá sabendo o que está ocorrendo em Brasília?"
Surpreso, olhei bem nos olhos do Lampa e incrédulo perguntei se eu ouvira bem a pergunta sobre Brasília. Com a cara amarrada e bufando, ele confirmou e disse mais: "os cabras que presidem a Câmara e o Senado estão fechando pautas para prejudicar meu conterrâneo Lula e, como se diz, o povo em geral".
Agora eram todos que voltavam as atenções em direção a Lampa, que estava de pé e se balançando nos quartos desafiadoramente com seu indefectível punhalzinho na mão. Com os olhos faiscando, quase babando e falando grosso encheu a casa com sua voz tonitroante: "Se disser que sim, chefe, eu e meus companheiros da Associação dos Cangaceiros Independentes do Estado de Pernambuco vamos lá pra pegar os cabras Lira e Pacheco!".
A casa encheu-se de palmas.
Barrica levantou-se do tamborete onde se achava sentado.
Todos se levantaram como Barrica.
Antes de Barrica abrir a boca pra perguntar qualquer coisa, todos em uníssono exclamaram: "Caralho!".
Embora estupefato não pude segurar o riso. Zilidoro, mais solto, caiu na gargalhada. Bil, Mané e Zoião, também racharam o bico. Do seu canto, vibrando, Zé disse: "Esse Lampa é um cara incrível, surpreendente!". Foi a vez de Mané: "Esse pernambucano Lampa é supimpa. Não fala muito, não diz besteira, mas está sempre atento às coisas absurdas que acontecem com a gente".
Diante de tais manifestações, senti-me na obrigação de aplaudir Lampa. E respondendo a pergunta que me fez, tenho a dizer que estou por dentro do que acontece no Congresso Nacional e que isso me preocupa sobremaneira. Disse que não valia a pena ir à Brasília pra pegar à força fosse quem fosse. Já basta a violência na Bahia, em Minas, no Rio, em São Paulo...
"Sem falar na violência inimaginável praticada pelos bolsonaristas na tarde de 8 de janeiro passado", interrompeu-me Zé. E Zilidoro, com ênfase: "O Xandão e seus companheiros de toga já estão julgando e condenando os canalhas que tentaram acabar com a Democracia no nosso país".
Pois é, pessoal, logo mais às 16h o ministro Barroso vai tomar posse como presidente do STF no lugar de Rosa Weber, que agora aos 75 anos de idade se aposenta, informei.
"Eu li hoje no jornal, seu Assis, que Lula e os presidentes da Câmara e do Senado vão estar entre as mais de mil pessoas convidadas para assistir a posse do Barroso", contou o quase sempre discreto Mané.
"Chefe", lá veio de novo Lampa, "o Sr. foi convidado pra solenidade de posse do Barroso?".
Respondi que não, que não aceito mais convites desse tipo. Enquanto dizia isso, Zoião, Zé e Mané preparavam um mesinha com sucos de laranja, manga e graviola. Lampa olhou de soslaio, tossiu e tirando da prateleira da casa uma garrafa de cana, disse: "Vocês tomam suco e eu água que passarinho não bebe". Disse isso e entornou uma lapada goela abaixo, fazendo todo mundo rir.
quarta-feira, 27 de setembro de 2023
HOJE EU 70 + 1
Diz um dito popular
Esse dito é bem dito
E dele é bom falar
CLIMA EM BRASA EM BRASÍLIA
- Porto Murtinho (MS): 42,6°C
- Água Clara (MS): 41,9°C
- Januária (MG): 41,8°C
- Bom Jesus da Lapa (BA): 41,6°C
- Três Lagoas (MS): 41,4°C
terça-feira, 26 de setembro de 2023
DIA DO RÁDIO É TODO DIA
ONHONHA PARA DIAS TOFFOLI
"Eu fiz uma crítica muito dura sim à Justiça Eleitoral e especificamente ao corpo técnico da Justiça Eleitoral, que reiteradamente não se atém aos aspectos técnicos da prestação de contas. Coloca a vontade, faz interpretações e fere jurisprudências"
"Por que que eu digo que o país e a nação brasileira teve a graça de ter Antonio Augusto Brandão de Aras? Não fosse a responsabilidade, a paciência, a discrição e a força do silêncio de sua Excelência, Augusto Aras, talvez nós não estivéssemos aqui, nós não teríamos, talvez, democracia"
JULIO LANCELOTT
segunda-feira, 25 de setembro de 2023
ONHONHA PRA GLEISI HOFFMANN!
Ouvi há pouco a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, desqualificar alto e bom som o trabalho fantástico e necessário pró-Democracia que o nosso Tribunal Superior Eleitoral, à frente o ministro Alexandre de Moraes, tem desenvolvido.
Se o TSE não tivesse enfrentado com rigor e determinação a fúria bolsonarista, que culminou no inacreditável quebra-quebra do 8 de janeiro de 2023 em Brasília, neste momento nós maioria dos brasileiros estaríamos engolindo o cuspe e a ira do Capeta.
A Gleisi, numa tentativa inimaginável de aliar-se à Direita, disse que "Os valores ditos aqui, R$ 750 milhões, R$ 23 bilhões... Gente, isso não é multa exequível. Não tem como pagar. Nós não temos dinheiro. Elas não se referem apenas à aplicação dos recursos para cota. Elas trazem taxas, taxas de juros, taxas de correção". Como se não bastasse, foi falando: "As multas trazem a visão subjetiva da equipe técnica do tribunal que, sistematicamente, entra na vida dos partidos políticos querendo dar orientação, interpretando a vontade de dirigentes, a vontade de candidatos, ou seja, são multas que inviabilizam os partidos".
Falando o tempo todo de modo irresponsável numa reunião que debatia a possível aprovação de mais uma Proposta de Emenda à Constituição, PEC, dessa vez da Anistia, Gleisi defendeu com unhas e dentes as safadezas cometidas pelos partidos. O partido mais penalizado com multas pelo TSE foi, até agora, o PL de Bolsonaro. No seu desvariu, ainda disse: "Não pode ter uma Justiça Eleitoral que, aliás, é uma das únicas do mundo! Um dos únicos lugares do mundo que tem Justiça Eleitoral é no Brasil. O que já é um absurdo. E custa três vezes o que custa o financiamento de campanha para disputa eleitoral. Tem alguma coisa errada nisso! Talvez a gente devesse começar a olhar aí para ver o que que a gente pode mudar".
Demais, não é!?
Com a tranquilidade que tem sido sua marca, o presidente do TSE Alexandre de Moraes quebrou o silêncio com essa nota:
O Tribunal Superior Eleitoral repudia afirmações errôneas e falsas realizadas no intuito de tentar impedir ou diminuir o necessário controle dos gastos de recursos públicos realizados pelos partidos políticos, em especial aqueles constitucional e legalmente destinados às candidaturas de mulheres e negros.Pra trazê-la de volta para a realidade, Gleisi merece ingerir um mar de onhonha.
Lamentavelmente, a própria existência da Justiça Eleitoral foi contestada por presidente de partido político, fruto do total desconhecimento sobre sua importância, estrutura, organização e funcionamento.
O Tribunal Superior Eleitoral atua em conjunto com os 27 Tribunais Regionais Eleitorais, com 2637 juízes eleitorais e o mesmo número de promotores eleitorais, com aproximadamente 22 mil servidores e 2,2 milhões de mesários, verdadeiros agentes da cidadania.
A Justiça Eleitoral não tem como única função a fiscalização da utilização de dinheiro público pelos partidos políticos, competindo-lhe, principalmente, o cadastramento – inclusive biométrico – e constantes atualizações de nossos 156.454.011 (cento e cinquenta e seis milhões, quatrocentos e cinquenta e quatro mil e onze) eleitoras e eleitores, a organização e realização das eleições e o processo e julgamento de todas as causas eleitorais.
Somos a única Democracia do mundo que apura e divulga os resultados eleitorais no mesmo dia, com agilidade, segurança, competência e transparência. Isso é motivo de orgulho nacional e não para agressões infundadas.
A vocação pela Democracia e a coragem de combater aqueles que são contrários aos ideais constitucionais e aos valores republicanos de respeito à vontade popular permanecem nesses 91 anos de existência da Justiça Eleitoral, como demonstrado nas eleições de 2022.
A Justiça Eleitoral atua com competência e transparência, honrando sua histórica vocação de concretizar a Democracia e a autêntica coragem para lutar contra as forças que não acreditam no Estado Democrático de Direito e pretendem obstar que atue no sentido de garantir o cumprimento da Constituição Federal e da legislação.
ALEXANDRE DE MORAES
Presidente do TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL
domingo, 24 de setembro de 2023
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (44)
É tudo muito simples
Assis e Tinhorão num ano qualquer dos 80
Mas também é complicado
Viver é um perigo
Pra quem anda descuidado
O casal do Paraíso
Pecou foi castigado...
Adão e Eva Eva e Adão viviam em paz, tranquilos, pulando, se divertindo como ninguém jamais tinha feito. Até porque não havia ninguém, à exceção do casal cá em pauta. Os dois comiam de um tudo: macaxeira, inhame, batata-doce e outros legumes; verduras e frutas de todo tipo. Só uma coisa o Criador, com seus caprichos, pediu que não comessem: uma tal de maçã.
José Ramos Tinhorão, de batismo José Ramos, foi um paulista nascido em Santos no dia 7 de fevereiro de 1928. Estudou Direito e Jornalismo. O tempo o levou a optar pelo Jornalismo. Saiu-se bem. A sua sede pelo conhecimento o levou a devorar todo tipo de livro, incluindo os que tratavam de economia e política. Descobriu Marx muito cedo e cedo virou comunista sem ativismo, pois gostava mesmo era de uma vida calma, do mar e de mulher bonita desfilando por perto. E da boa música popular da nossa terra.
Tinhorão alimentava a certeza de que Marx foi o homem mais importante do mundo. Pra não brigar, aceitava a ideia de que outro homem dividiu sua importância com Marx: Jesus, o Cristo.
Os escritos de Tinhorão seguiam a linha marxista-leninista. Era firme em tudo que dizia da boca pra fora e também nos escritos que produzia para jornais e revistas. Deixou 29 livros publicados, entre os quais um em três volumes (A Música Popular no Romance Brasileiro). Todos imprescindíveis na estante de quem queira descobrir as raízes culturais-musicais do Brasil.
Antes de publicar seus livros, Tinhorão ganhava a vida produzindo textos especiais para periódicos do Rio. Pra valer, como profissional, teve seu primeiro trabalho em Carteira chancelado pelo Diário
Corriam os anos de 58, 59.
Em 1963, José Ramos Tinhorão também assinava textos para revistas como Chuvisco que tinha entre seus editores o gaúcho Tarso de Castro, que na segunda parte dos anos 1970 criaria e editaria o suplemento dominical do paulistano Folha de S.Paulo.
Na revista Chuvisco, Tinhorão publicou um texto que intitulou Gênesis. Já aí mostrava a sua graça refinada com um quê de ironia. Uma das vítimas foi, ninguém mais ninguém menos, Deus. O texto começa assim:
"A história da Criação ainda não está bem explicada. Talvejz devido a pressa (o mundo foi feito em seis dias, apenas) muita coisa custa hoje a ser compreendida, mesmo levando em conta que é muita pretensão do Homem querer julgar a obra de Deus como o Sr. Agripino Grieco julgava a do escritor Ataulfo de Paiva. No entanto, de tanto ouvirmos dizer que os homens foram criados por Deus, por exemplo, uma coisa desde logo não se explica: por que, se o objetivo era criar os homens, o Senhor foi criar também uma mulher?"
Coisa de comunista, não é mesmo?
Não é certo, mas dizem os cristãos que Deus criou todos e tudo mais. Começou num domingo criando o Céu e a Terra. Depois a luz, os mares, peixes e tudo que se bole abaixo e acima de nós. Cometas, estrelas e tal. E nós. Teria dito: "Faça-se o homem". E o homem se fez. Para que nós homens não ficássemos sós, Deus com sua bondade infinita tirou uma das nossas costelas e com ela fez a mulher para nos acompanhar até o Inferno.
A história do mundo todo mundo já contou, de todas as maneiras. Incluindo a origem do primeiro pecado. E é aí que vem a história da maçã e a história da serpente.
Foi Eva que hipnotizada pela serpente decidiu dar de presente uma maçã a seu companheiro?
O cartunista Fausto vê nesse ⁶episódio o coitado Adão como culpado. Sobraria pra quem? Pra uma mulher, Eva é claro.
Enfim, o casal acaba sendo expulso do Paraíso e segue a vida trabalhando pra se sustentar. Ordem do Senhor.
Adão e Eva tiveram uma porrada de filhos, entre eles Abel e Caim.
Enquanto a prole do primeiro casal da história crescia com incestos e outras barbaridades, surgiam desavenças, ódio, ciúme, inveja, assassinato, o escambau. É o que se vê hoje, aliás.
São, no mínimo, curiosas as observações de Tinhorão no tocante à criação do homem e da mulher. Lá pras tantas, ele diz:
"...depois de ter feito a luz, o firmamento, as águas, a terra, as árvores, a lua, as estrelas, as aves e os peixes, o Criador verificou que não havia ninguém para acreditar em Deus. Essa teria sido, pois, a verdadeira razão do Senhor ter feito o primeiro homem "ad similitudinem suam", isto é, tão a sua semelhança, que em pouco tempo os seus descendentes sairiam criando deuses com a mesma facilidade com que Ele havia criado os homens".Cá pra nós: sempre achei que Tinhorão via muito além do próprio nariz com graça e algo mais.
Quem poderia imaginar que este nosso mundinho um dia iria se complicar mais e mais com a presença do homem e da mulher?
sábado, 23 de setembro de 2023
PRIMAVERA, CALOR E CORRIDA
A Primavera de 2023 acaba de chegar. Chegou exatamente às 3:50h desta manhã. Um calor danado. A quentura do Inverno que acaba de se ir parece aumentar a cada segundo.
Os termômetros em São Paulo devem chegar hoje à marca dos 41 graus.
Os termômetros em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul devem chegar aos 46 graus, fora a sensação térmica que não sei de quanto será. Mas, independentemente disso, é preciso brincar e rir enquanto é tempo.
Hoje 23 faz um mês que curti uma minitemporada no A.C.Camargo, ali no bairro paulistano da Bela Vista.
Fazia tempo que eu desejava conhecer as entravas de um hospital. E lá fui eu. A minha espera um robô de movimentos esquisitos e cheio de braços controlado por uma equipe médica liderada pelo Dr. Lucas Fornaziere.
Depois de cair num sono induzido que durou pelo menos quatro horas, levantei-me de onde estava e saí cantarolando a ária d'O Guarani.
Creio que sabedores do que aqui estou a dizer, acrescento à guisa de recomendação: machos covardes tomem coragem e deixem-se tocar pelo médico.
Antes de deixar o bem-bom do A.C.Camargo, perguntei ao Dr. Lucas quantos novos diagnósticos de câncer na próstata são feitos anualmente no Brasil. E ele: "65 mil".
Diante disso tudo, lamento apenas não poder correr a São Silvestre no próximo dezembro.
Se confirmada a temperatura esperada, o Brasil terá quebrado todos os recordes referentes à questão calor.
Rio 40° já era!
Vamos de marchinha?
sexta-feira, 22 de setembro de 2023
A "BANANIZAÇÃO" DA CULTURA POPULAR
Ouvi em algum lugar que hoje 22 é o Dia da Banana. Nacional ou mundial, não sei. Mas o barato é que hoje é o Dia da Banana. E como uma coisa puxa outra, vamos lá: a cultura popular, especialmente a música popular brasileira, está se bananizando com a rapidez de um raio.
Pois, pois.
A nossa música popular começa a ganhar forma na segunda parte do século 19, com os primeiros acordes que identificariam o que passaria a se chamar de choro ou chorinho. O avô dessa história foi o funcionário público Joaquim da Silva Antônio Callado e o pai, muito anos depois, Pixinguinha.
Em 1902 Manoel Pedro dos Santos, o Bahiano, gravaria em disco o lundu Isto é Bom. Foi a primeira música gravada em disco no Brasil e Bahiano desde então faria história como o primeiro cantor profissional do País.
O tempo passou e muitos outros ritmos e gêneros enriqueceram a discografia brasileira. Além do chorinho, vieram o lundu, o maxixe, o samba, o samba-canção, as marchinhas de Carnaval e junina, baião, xote e forró.
O maracatú e as folias de rei deram cor especial aos propriamente tidos folguedos populares.
As festas de São João marcaram época e agora se acham praticamente no limbo, invadidas que foram pelos sertanojos da vida e outras besteiras que degradam a sensibilidade de quem tem o mínimo de bom gosto.
Pois bem, hoje é o Dia da Banana.
A banana foi primeiramente cultivada lá pelos lados da Ásia, séculos antes do nascimento de Cristo.
A história conta que até Alexandre, O Grande, gostava de banana que só, dava tudo por uma banana. A propósito, a banana está de certo modo vinculada a questões pejorativas, de safadeza. Exemplo: "Fulano sentou-se na banana de beltrano". Ou: "Aqui pro'cê ó!". Essa expressão substitui um palavrão.
O gesto chega a ser obsceno. Agressivo. É possível que tenha origem no esticar do dedo, representado como símbolo fálico. Por que digo isso?
Banana é uma palavra de origem árabe e significa, grosso modo, dedo.
Além de ser associada a termos pejorativos, a banana também está aliada a países subdesenvolvidos e corruptos. Não à toa, foi não foi ouve-se ou lê-se aqui e acolá que "o Brasil é um país de bananas", ou "República de bananas".
No começo do século passado, ali pela primeira década, um escritor norte-americano chamado Willian
Sydney Porter (O. Henry) escreveu e publicou o livro Cabbages and Kings. Nesse livro o autor cria a expressão "República das bananas". Fazia referência à população de um país fictício na América Central que era explorada por um governo ditatorial e corrupto. A expressão corre mundo até hoje.
Meu amigo, minha amiga, você sabia que o Estado que mais produz banana é brasileiro? E que esse Estado é São Paulo?
Pois bem. Os municípios paulistas que mais produzem bananas são Registro, Itariri, Eldorado, Miracatú, Sete Barras, Cajati, Pedro de Toledo e Jacupiranga.
São centenas, quase um milhar, os tipos de bananas que se plantam e se colhem no Brasil e mundo afora.
Você sabia também que existe até o Museu da Banana? Esse museu fica em Corupá, SC e foi inaugurado em 2019, meses antes da pandemia provocada pela Covid-19.
A banana tem até dia em São Vicente Ferrer (PE), Jaíba (MG) e Cubatão (SP).
Já foi o tempo em que dava gosto dançar e ouvir música popular.
Em 1937, Braguinha compôs a marchinha Yes, Nós Temos Bananas, gravada por muita gente. Ouça com Almirante:
quinta-feira, 21 de setembro de 2023
A VIDA SEGUE
EU E MEUS BOTÕES (69)
quarta-feira, 20 de setembro de 2023
EU E MEUS BOTÕES (68)
terça-feira, 19 de setembro de 2023
NO TEATRO A VIDA SE REPETE
Hoje é o Dia Nacional do Teatro.
O teatro é uma das mais belas invenções que o homem já criou. É ele representando a si e a outros. Algo como um espelho em que tudo se reflete, de modo claro ou retorcido.
O teatro existe desde que o homem, grosso modo, desceu da árvore e passou a seguir ou a inventar os próprios passos.
No Brasil, o teatro passou a ganhar forma no dia 30 de dezembro de 1508. Foi nessa data que em Salvador, BA, que quem pôde viu atores interpretando personagens da peça Auto da Visitação, do português Gil Vicente.
Eu, se fosse você, iria procurar esse Auto entre tantos outros do criativo Vicente.
É no teatro que as histórias se repetem, verdadeiras ou não.
CRIAÇÃO LIMITADA
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segunda-feira, 18 de setembro de 2023
O QUE COMEMORAR NO DIA DA TV?
LEIA MAIS: NAS ONDAS DO RÁDIO (1) • TV 60 ANOS: HÁ RAZÂO PARA COMEMORAÇÃO? • E DEPOIS DA INTERNET, HEIN?
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