— Ah! Sim, todo mundo sabe: coração de sertanejo é duro de doer. É calejado, cheio de marca que nem seus pés e suas mãos. Olha aqui as minhas mãos, tá vendo? Todas cheinhas de calo de tanto amargar o cabo da enxada de sol a sol. Doem... E os pés? Olha aqui. Tudo rachado que nem a terra seca a espera de água da chuva que nunca vem.
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sábado, 20 de janeiro de 2024
O BOI NOSSO DE TODO DIA (2)
sexta-feira, 19 de janeiro de 2024
O BOI NOSSO DE TODO DIA (1)
O boi tem sua história iniciada lá pelas bandas do Oriente Médio e Ásia.
Foram turcos, persas e iraquianos, tudo indica, que domesticaram os primeiros bovinos.
São muitos os tipos de bois. Centenas e centenas. Alguns: Tabapuã, Senepol, Guzerá, Gir, Brahman e Nelore, esse último de origem indiana.
É longa a história dos bovinos no Brasil, especialmente.
Além de servir de alimento, calçados e bolsas, o boi faz parte do rico folclore brasileiro.
O boi se acha na música, na dança, na poesia, no romance.
Há alguns anos escrevi texto do documentário Boi, que narrei no referido filme.
O documentário Boi foi muito premiado mundo afora.
Na Turquia, Boi foi exibido em praça pública e em praça pública traduzido.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2024
É PRECISO RIR!
A desgraceira que ocorre no Brasil e no resto do mundo tem impedido que as pessoas comuns, como nós, abramos a cara para um belo sorriso.
O que vem a nossa cara é tristeza provocada pelos horrores do dia a dia.
Dito isso, digo mais: é preciso que não nos rendamos aos horrores provocados pelos poderosos de plantão que o tempo todo só pensam em destruir países e nações a troco do vil metal.
Dinheiro é poder, poder é dinheiro a qualquer custo. Daí as guerras...
Diante do exposto insisto: é preciso resistir a todas as desgraças advindas de conflitos e guerras de todo tipo. Vejam como andam Rússia, Ucrânia, Israel, Cisjordânia...
É isso!
quarta-feira, 17 de janeiro de 2024
FORRÓ EM ARACAJU
terça-feira, 16 de janeiro de 2024
HOJE É DIA DE QUIXOTE
A história de Cervantes foi baseada nos romances de cavalaria, que no Brasil teve como seguidores o escritor paraibano Ariano Suassuna e o músico baiano Elomar.
Sem dúvida, o livro de Cervantes é interessantíssimo. Trata-se de um personagem pra lá de idealista. No seu delírio vê-se como verdadeiro guerreiro em luta incansável contra inimigos só existentes na sua imaginação.
Quixote, um cidadão de posses que bem poderia viver a vida sem problemas, resolve ir "à luta" para impressionar a amada Dulcinéia.
E mais não conto sobre essa obra lançada originalmente em 1605, em Madrid, foi até hoje traduzida em dezenas e dezenas de idiomas.
Só mais uma coisinha: o conto A Ilha Desconhecida, do português Saramago, tem um quê de Quixote no personagem anônimo que bate à porta de um rei pedindo, quase exigindo, que lhe desse uma embarcação possante com a qual pretendia chegar a tal ilha.
Esse personagem tem como companheira uma simples servidora de um palácio real.
Viva a boa literatura!
segunda-feira, 15 de janeiro de 2024
DEMÔNIOS NA RÁDIO ROQUETE PINTO
Essa história e muitas outras eu conto no livro Pascalingundum — Os Demônios da Garoa, que publiquei na primeira década deste tumultuado e violento século 21.
O Demônios foi criado em 1943 e seis anos depois gravou a sua primeira música em disco. Era uma rancheira intitulada Sanfoneiro Folgado de Mário Zan e Motinha.
DEU BODE NA CPTM!
Vó Alcina contava-me histórias de Trancoso.
Trancoso foi um inventor português de histórias pra boi dormir.
Histórias pra boi dormir era o que mais a minha avó contava. Eu gostava e por gostar sentia-me logo embalado a sonhar com os olhos em sono e a cara a sorrir.
Eu era um anjo e disso nem desconfiava, vejam só!
Pois bem, a minha vó com as suas histórias de Trancoso, era uma santa.
Pensei logo nela hoje quando ao ligar o rádio ouvi a notícia que tinha um bode por personagem. Seu nome: Fumaça.
Fumaça é um bodinho de 5 meses, mais folgado e metido que só!
Dizia a notícia que fumaça, cansado de casa pegou um trem da CPTM e foi ver como anda a periferia paulistana.
Esse bode está dando o que falar. Está famoso. Olha ele aí!
domingo, 14 de janeiro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (69)
PINHEIRO MACHADO — Há aproximadamente 1.500 estabelecimentos de hospedagem registrados na Delegacia de Hotéis, sitos somente no município da Capital. São todos eles "casas" legalmente estabelecidas. Assim, não se pode acusar ou classificar um hotel de "suspeito" sem provas suficientes, sem o risco de se cometer uma injustiça ou até um crime. O próprio Decreto 1358/73 em seu artigo 23 dispõe expressamente que "os flagrantes ou inquéritos deverão conter provas suficientes do desvirtuamento das finalidades do estabelecimento". Destarte, se de um lado não se pode publicamente, sem provas suficientes classificar ou catalogar um hotel legalmente constituído, de "suspeito", de outra parte, se houver provas suficientes, não será ele também catalogado como estabelecimento "suspeito", pois conforme dispõe o parágrafo 2, do artigo 18: "parágrafo 2: O Apurado o desvirtuamento, será cassado o Alvará de registro e aplicada a multa máxima do artigo 17". Assim, já não teríamos, na hipótese última, um estabelecimento "suspeito", mas ex-estabelecimento de hospedagem. Pelo exposto, verificamos que a figura do "estabelecimento suspeito", tratada sob o ângulo oficial, é por demais transitória. E, publicamente, no próprio interesse das investigações, a rigor, só se pode afirmar que a "suspeição" não era infundada, por ocasião da cassação do alvará
FOLHETIM — Este ano, quantos hotéis (e motéis) foram autuados pela Polícia?
PINHEIRO MACHADO — Somente no município da Capital, por variadas infringências ao Decreto 1358/73, foram autuados este ano mais de duas centenas de estabelecimentos de hospedagem (hotéis, motéis, casas de cômodos, pensões). De 1970 até esta data foram cassados 119 estabelecimentos.
E a "Boca do Lixo" está em fase de extinção? Não, ela não morreu. Ao contrário, continua crescendo e hoje já ocupa quase 1.500km2. Porém, não há mais lugar para figuras temidas e endeusadas pelas prostitutas e marginais de um modo geral, como Hiroito, Xodó, Quinzinho, Gibi, Carlinho Bang-Bang, Osny, Pedrinho, Nelson Brás, Joãozinho Americano.
As prostitutas são outras, mas o comportamento é o mesmo.
Exemplo:
Certa noite num Distrito, o delegado fazia triagem das mulheres apanhadas durante uma "blitz". Na delegacia, umas choravam, outras riam, outras permaneciam em silêncio, outras conversavam com outras simplesmente. O delegado chama uma delas, a que menos parecia se importar com a situação.
— Qual é o seu nome?
— Izilda da Conceição.
O delegado levantou-se de onde estava. Olhou a mulher, com raiva:
— Ainda ontem você disse que se chamava Rosália.
— Pois é, doutor. Isso foi ontem.
sábado, 13 de janeiro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (68)
PINHEIRO MACHADO — Cumpre assinalar que a Policia no exercício da sua mecânica de rotina, de averiguação e triagem de prostitutas, não com o objetivo de resolver o problema gerado pela prostituição, salvo melhor juízo, ele se enquadra numa problemática social. Tal procedimento, para a Polícia, visa tão somente a tomada de uma medida de caráter preventivo. Visa evitar o recrudescimento da prostituição, na medida do possivel, evitando consequentemente atos anti-sociais e mesmo delitos mais gra- ves. Evidentemente, se não há culpa formada, no que tange a crimes ou contravenções penais, uma vez que a prosti- tuição em si não é crime, as prostitutas têm que ser liberadas. Quanto aos rufiões, se não houver prova concreta no que concerne ao rufianismo, capitulado em nosso Código Penal, e nem referente a outro delito, também terá que ser solto, após as averiguações facultadas legalmente pelo poder específico de Polícia.
FOLHETIM — Quais as penas aplicáveis às prostitutas presas, que sejam primárias ou reincidentes?
PINHEIRO MACHADO — Já dissemos acima, que a prostituição em si não é crime. Assim, se a prostituta foi presa é porque feriu dispositivo do Código Penal, respondendo portanto pelo crime que cometeu, obedecendo às normas de primariedade ou reincidência dos delitos cometidos.
FOLHETIM — Qual a capacidade dos xadrezes que recebem prostitutas?
PINHEIRO MACHADO — As prostitutas não são recolhidas em xadrezes comuns. Ficam retidas na Delegacia apenas o tempo necessário para que se efetuem as averiguações necessárias, e permitidas por lei, isto é, detenção enquanto se verifica quanto às ligações a crimes em investigação, e ainda, aguardando informações dos competentes órgãos da Secretaria da Segurança, para se saber inclusive se interessam ou não à Justiça, ou seja, se têm mandados de prisão a cumprir.
FOLHETIM — Há poucos dias, o Juiz Corregedor, dr. Renato Laércio Talli, recebeu em seu gabinete de trabalho um grupo de prostitutas que denunciou o 2.° DP, situado no bairro do Bom Retiro, de extorsão. Elas afirmaram, inclusive, que foram espancadas por policiais do citado Distrito. O que o sr. tem a dizer sobre isto?
PINHEIRO MACHADO — As denúncias desde que tenham fundamento são sempre recebidas. Os fatos são apurados em sindicâncias regulares, e, ao final, se provada a culpabilidade, os responsáveis, sejam de que nível forem, são punidos na forma da lei. No caso em concreto, não será diferente pelo fato de as vítimas serem prostitutas, não haverá nenhuma atenuante, pelo contrário, é até uma agravante. Porém, é necessário que haja suficientes provas da culpabilidade dos denunciados
Como tudo, há prostitutas de todos os tipos e níveis. A maioria, entretanto, não teve condições de estudar. Um grande número delas em São Paulo, Capital, é procedente do Interior e de outros Estados.
"Fiquei grávida na cadeia, na Casa de Detenção, para ser exata. Foi engravidada por um funcionário. Ele era o diretor. Isso ocorreu em 1964. Ninguém nunca soube disso. Naquela época eu era meio besta". (Baiana).
"Sou de família pobre. Eu sempre achei que a coisa mais bacana era ajudar os meus pais. E foi por isso que entrei nesta vida". (Nevinha).
A mulher torna-se prostituta por uma série de fatores: sonho de riqueza, promessa de casamento, curiosidade, incompreensão dos pais. Os hotéis, motéis e "drive-in" facilitam as coisas.
sexta-feira, 12 de janeiro de 2024
JARBAS MARIZ ADERE AO CORDEL
quinta-feira, 11 de janeiro de 2024
VIVA A POESIA E ANTÔNIO MARINHO!
Num momento a querida comadre Dona Bibiu, mum riso um tanto debochado pediu em voz alta que o tal Google contasse uma piada. E lá veio o bicho fantasma Dr Google:
— Você sabe quem é a mãe de Mingau?
E o tal mesmo respondeu em seguida:
— É maisena.
Piadinha desgracenta, sem graça. Ai, ai, ai.
Dona Bibiu com o sorriso mais debochado ainda pediu que o tal doutor declamasse um poema de improviso. E o tal declamou uma porcaria por ele considerada poesia.
Bom, o amigo Rômulo Nóbrega telefona pra dizer que esteve em São José do Egito, ali pelas bandas de Pernambuco. Foi pra lá com o intuito de assistir o festival de repentistas dedicado anualmente a Louro, um dos três irmãos do Clã Batista.
Foi algo maravilhoso, disse meu amigo.
"Tinha lá tudo de bom: lançamentos de livros, discos e tudo mais. Teve até uma cantoria com Alceu Valença", contou Rômulo.
No Festival Louro do Pajeu teve apresentação de muitos cantadores repentistas e poetas de grande categoria como Antônio Marinho Neto.
@cordelepoesia Antônio Marinho Neto recita Os Trabalhadores de Rogaciano Leite - Thadeu Filmagens #poesia #cordel #pernambuco #nordeste #sertao #fyp #fypシ #leftiktok #esquerda #esquerdabrasil #lula #bolsonaro ♬ som original - Cordel & Poesia
segunda-feira, 8 de janeiro de 2024
ADEUS, ZAGALLO!
Morreu ontem 7 e foi sepultado hoje, no Rio, o ex-jogador e técnico de futebol Zagallo (Ilustração acima). Tinha 92 anos de idade e fez o que muito jovem ainda não fez e certamente nunca fará, além das quixotescas polêmicas.
ESTRELAS NO CÉU
domingo, 7 de janeiro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (67)
PINHEIRO MACHADO — Já dissemos, as formas de encaminhamento às delegacias e triagem são um meio legal. A retenção provisória do indivíduo, desde necessária a uma averiguação policial, é perfeitamente legal. É o exercício do chamado poder de Polícia. O que não seria legal era deter e não liberar após todas as averiguações procedidas uma vez que, repetimos, a prostituição em si não é crime. A frequência de averiguações e triagem depende do interesse policial e das circunstâncias concernentes ao setor ora em foco, de cada Distrito Policial, que como já afirmamos, atendem às mais diversas espécies de delito.
"Averiguação. Esse papo não cola. Eu tive um filho há 16 dias. Mostrei até o atestado médico. Eles disseram que iam me tirar o filho e levá-lo ao Juizado de Menores. Ali eu disse que podia criar o meu filho. Ao ouvir isso, um investigador do 2.° DP, eu o reconhecerei em qualquer lugar, jogou-me uma caneca de café no meu rosto e me agrediu com palavrões. Se eu tivesse dado dinheiro, nada disso teria acontecido". (Maria de Lourdes).
"Nesse dia eu estava detida junto com Lu. Eu disse que ia denunciar o fato ao Corregedor. Os policiais falaram que, se fôssemos, arrumariam um flagrante pra gente assinar". (Sueli Aparecida Rizardi).
"Eu também me recusei a dar dinheiro e a assinar Vadiagem (Art. 59, Código Penal). Aí, então, eles me obrigaram a assinar um inquérito. Nem sei o que foi que eu assinei". (Maria Auxiliadora da Silva).
"A Polícia leva mais dinheiro da gente que os rufiões. Cada vez que um rufião cai em cana, os tiras levam cinco paus - Cr$ 5 mil. E o arrepio - medo, alvoroço - começa em novembro e se prolonga até dezembro. Nesse período, eles exigem mais da gente. Então, acontece de cairmos quase todas as noites nos distritos policiais. No entanto, gostaria de dizer que o 3.° e 4.° DPs são os mais honestos. Depois da detenção de rotina, os delegados e investigadores do 3.° (Campos Elísios) e 4.° (Consolação) nos soltam sem exigir nada da gente, mas o 2.° DP..." (Elvira Lopes).
"A campanha da Polícia continuará enérgica, atuante e serena. Continuará até fazer desaparecer totalmente a arrecadação que é feita entre essas pobres infelizes que para serem protegidas, na forma como têm sido até agora, despendem importâncias que sobem globalmente à casa de 4 milhões de cruzeiros semanais Pasme! Cr$ 4 milhões é quanto levam os que se dizem defensores dessas tristes, infelizes figuras do submundo paulistano. Recebem esse dinheiro policiais, funcionários, marginais de toda espécie e até mesmo três ou quatro jornalistas, que se dizem influentes na Polícia para conseguir a proteção desejada pelas mulheres do meretricio". (14/11/63, Aldevio Barbosa Lemos, Secretário da Segurança Pública).
sábado, 6 de janeiro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (66)
Ela sorri.
"Eu já fui uma mulher rica. Nasci pobre, mas tive tudo que sonhei ter um dia. Agora, estou praticamente na miséria. Possuí casas com piscinas e tudo; vários automóveis, contas em bancos, sítios... agora, não tenho nada. Moro com uma amiga que ajuda a pagar o aluguel do apartamento". E por que perdeu tudo que tinha?
Elvira sorri novamente.
"Os tiras me levaram tudo. Tenho inúmeras passagens pela Polícia, mas nunca pratiquei crime algum". Nunca praticou nenhum crime? Ela pensa: "Só puxei cana uma vez na vida, e digo por que: por explorar o lenocínio. Peguei mais de dois anos na Casa da Detenção".
FOLHETIM — O meretrício em apartamentos é crime?
PINHEIRO MACHADO - O meretrício em si, não é crime em nenhum lugar. Haverá crime se se configurar a exploração do lenocinio, a mediação para servir a lascivia de outrem, o favorecimento da prostituição, a manutenção de casa de prostituição ou rufianismo
FOLHETIM — Quantas prostitutas existem atualmente em São Paulo? A SSP dispõe de dados estatísticos?
PINHEIRO MACHADO — Não se tratando de criminosas no sentido técnico do termo, uma vez que consoante Jurisprudência já firmada nem sequer estão sujeitas à sindicância por vadiagem, e não havendo uma Especializada de Costumes, que centralize os serviços, os levantamentos estatísticos são precedidos apenas pelos Distritos para servir de subsídios à organização de seus serviços atinentes à matéria dentro dos respectivos territórios. Além disso, são estimativas muito variáveis, dependendo das condições circunstanciais de momento de cada região, embora a maior concentração seja sempre no centro da cidade.
domingo, 31 de dezembro de 2023
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (65)
PINHEIRO MACHADO — Com a descentralização da nossa Polícia, não há, atualmente, uma "Especializada" de Costumes. O policiamento pertinente à matéria cabe integralmente, na Capital, aos Distritos Policiais e no Interior, às Delegacias de Município. Essas Unidades Policiais estão incumbidas, na sua área territorial, de combater as mais diversas espécies de delitos. Evidentemente, há uma escala de prioridades, sem se descurar, naturalmente, de nenhum setor. Os crimes mais danosos à sociedade são atendidos, e nem poderia ser diferente, com prioridade (crimes contra a pessoa, contra o patrimônio, tóxicos, etc). Assim, no que tange ao combate dos crimes contra os Costumes em geral, e em especial ao lenocínio, as normas policiais a serem adotadas estão umbilicalmente ligadas à problemática de cada Distrito Policial, focalizando o aspecto em nossa Capital. À guisa de exemplificação, podemos citar os casos do 3.º (Campos Elíseos) ou 2.° Distritos Policiais (Bom Retiro), em con- traposição aos serviços do 46.° (Perus) ou 47.° Distritos (Capão Redondo). Se naqueles, a concentração de estabelecimentos de hospedagem, a existência de "trottoir" ostensivo ao extremo, impõem uma certa norma de policiamento, nestes o problema é quase inexistente. De qualquer forma, porém, deve a Autoridade Policial atender às normas da nossa lei substantiva, agindo com o máximo rigor desde que sejam feridos os dispositivos constantes do nosso Código Penal, constantes dos artigos 227, 228, 229 e 230, a fim de coibir o lenocínio e delitos afins.
"A Polícia não pode resolver o problema da degeneração da bas-fond de São Paulo, mas pode moralizá-la", declarava em novembro de 1963, à imprensa, o general Aldévio Barbosa Lemos, acrescentando: "Resolvi encetar a campanha contra a degenerescência dos costumes que se vem verificando no coração de nossa metrópole, através dos anos, num flagrante e doloroso atentado aos nossos foros de cidade civilizada. Apesar de mal com-preendida por alguns elementos diretamente interessados, pois a prostituição é uma grande fonte de renda…”
Atualmente, há mulheres que "faturam" até Cr$ 6 mil por dia. Há delas que "pescam", em pontos fixos da chamada "Boca do Lixo", 60 homens por dia. E como elas aguentam tanto?
"Aguentando", foi a resposta que ouvi de uma velha prostituta. Mas isso não cansa, não esgota a mulher?
"Que nada. Com o tempo a gente se acostuma e encara a coisa com naturalidade e profissionalismo, como um trabalho qualquer".
sábado, 30 de dezembro de 2023
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (64)
PINHEIRO MACHADO — O confinamento, decisão administrativa que evidentemente foge da alçada policial, apresenta alguns pontos positivos e em contrapartida, muitos negativos. De certa forma, facilitaria um maior controle em termos de policiamento dos frequentadores das áreas previamente delimitadas, evitando-se com isso a incidência criminal que sempre acompanha, de perto, o exercicio da prostituição. De outro lado, porém, tal medida seria admitir-se, oficialmente, a condição de insolúvel a um problema que é uma verdadeira chaga na sociedade, dando-lhe portanto, cunho legal e robustecendo sua existência com consequências imprevisíveis. Parece-nos mais adequado com a época em que vivemos, com o homem em busca de soluções definitivas aos seus problemas, que fosse feito um estudo sério e responsável, voltado mais para o aspecto social da prostituição, notadamente em busca de suas causas e após identificá-las procurar, através de recursos públicos, minorá-las ou exaurí-las. A conotação prostituição com problema ligado a fatores econômicos e de sobrevivência pessoal nos parece clara e nessa faixa deveria ser equacionada visando sua posterior solução.
FOLHETIM Quais as medidas que apontaria para solucionar o problema, ou, no mínimo, extinguir ou diminuir o "trottoir" no Centro da cidade?
PINHEIRO MACHADO — Não cremos que haja uma solução a curto prazo, a solução poderia haver a médio ou a longo prazo, pois o problema é muito mais social do que policial. O "trottoir" é uma consequência da prostituição, e com o abrandamento desta, aquele poderia ser diminuído e até extinguido. Porém, com a prostituição em grande escala, torna-se impossível extinguir o "trottoir” pelos meios legais que dispomos. Evidentemente, não podemos utilizar meios arbitrários ou ilegais. Dentro dos meios legais a que nos referimos há a triagem, a averiguação, que como já vimos, não resolve o problema, mas em muitos casos, de certa forma, o abranda.
domingo, 24 de dezembro de 2023
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (63)
A prostituição não é ilegal na França, mas a exploração de bordéis é punida com severas penas de prisão, por uma lei que tem, exatamente, o nome de Marthe Richard, atualmente com 84 anos.
Numa entrevista a uma emissora de rádio, a sra. Richard disse que os bordéis deveriam ser reabertos e autorizados a funcionar livremente, como na Alemanha Ocidental: a lei que tem meu nome é obsoleta, disse ela, acrescentando: durante toda a minha vida lutei não contra a prostituição, mas sim pela libertação da mulher. E, em 1973, a liberdade da mulher exige que ela seja autorizada a fazer de seu corpo o que bem entender".
"Até aí, tudo bem", disse-me um delegado, no Deic.
"Lógico", emendou outro, "a gente também vive num país livre”.
DELEGADO UM — Agora, o que não pode acontecer é você, junto com a sua senhora ou irmã, ou amiga, ou namorada, sair à rua e se defrontar com os escândalos que essas mulheres aprontam.
DELEGADO DOIS — Um cidadão de bem não pode passar pela avenida São João, por exemplo, sem receber uma pilhéria, uma "cantada". Meu Deus do céu, em que tempos estamos!
DELEGADO UM — Então, é por isso que a Polícia se vê obrigada a efetuar a recolha de prostitutas.
DELEGADO DOIS — E de travestis. Os travestis são mais escandalosos que as prostitutas.
DELEGADO UM — E perigosos. Acho que o confinamento seria uma forma, uma solução para o problema da prostituição em São Paulo. A própria Polícia seria beneficiada com isso, uma vez que o trabalho de vigilância, de investigação, se concentra numa determinada área. Confinamento.
Procuramos o secretário Enio Viegas, da Segurança Pública, para falar sobre o assunto. Ele, no entanto, desculpou-se dizendo que estava muito ocupado e que entrássemos em contato com o delegado geral de Polícia, Tácito Pinheiro Machado (1926-2005).
sábado, 23 de dezembro de 2023
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (62)
“É bem sabido que a prostituição é um sub-produto da virtude; esta sociedade que compra tudo e tudo vende, hipocritamente condena os serviços daqueles que são usados para manter intactos os tabus e manter no alto os códigos de moral dessa mesma sociedade. Fabricam-se prostitutas como se fabricam roupas; tudo são bens de consumo: joga-se fora a roupa usada. Essas mulheres analfabetas cujas vidas são envenenadas pela humilhação e a miséria ignoram a rebelião que iria reivindicá-las como seres humanos, numa sociedade diferente, sem tarifas para o amor; mas em troca, encarnam-se a si mesmas, numa espécie de exorcismo ao inverso, e projetam para o plano religioso. Encarnam a mesma imagem que o sistema forjou delas, para usá-las e depreciá-las; mas aí, atenção: esse auto-retrato é impresso em negativo, porque o objeto de desprezo passa a ser o objeto de adoração; a abominação abre caminhos para a devoção, e a prostituta decide que é sagrada. Achavam que eu fosse uma cadela? Pois eu sou uma deusa”. (Eduardo Galeano, autor de As Veias Abertas da América Latina)
"Eu e mais uma centena de mulheres iguais a mim fomos detidas pela Polícia. Os tiras nos levaram para o 2.º DP (Bom Retiro). Lá fomos espancadas e tratadas que nem cachorros. É sempre assim. Exigiram ainda de cada uma de nós a quantia de Cr$ 1 mil. E ameaçaram ou dão esse dinheiro ou assinam o 59 (Art.59, vadiagem. Código Penal). Como não aguento mais ser explorada, eu disse vou contar tudo isso ao juiz corregedor. Ai, então, eu ouvi: se for, a sua vida não valerá um vintém." (Baiana).
Foi numa noite de outubro deste ano. Os policiais da Seccional Centro efetuaram uma "Operação Arrastão" e levaram cerca de 100 prostitutas ao 2.º Distrito para "averiguação", segundo eles. Parte dessas mulheres foram liberadas na manhã do dia seguinte. "Eu até tenho um salvo conduto. Eu e outras colegas minhas. Mas os tiras não quiseram conversar. Eles disseram que usavam os salvo condutos como papel higiênico, porque "o que nos interessa é dinheiro". Não dei o que eles queriam e me bateram. Fui junto com outras mulheres ao Fórum, e contei tudo ao dr. Laércio Talli. Agora, morro de medo de sair às ruas, porque juraram me pegar", afirma Elvira Lopes.
sexta-feira, 22 de dezembro de 2023
A PARDA ESCRAVA ISAURA
O instituto brasileiro de geografia e estatística, IBGE divulgou hoje dia 22 pesquisa do ano passado que registra a maioria de pardos na população brasileira. Isso me fez lembrar de uma obra prima de Bernardo Guimarães.
Escrava Isaura é um livro de Bernardo Guimarães conta a história da moça que dá título ao livro. É muito bonita e inteligente; fala corretamente a língua portuguesa e outras duas ou três. Sua simplicidade encanta e provoca raiva e desejo.
Guimarães desenvolve sua trama numa fazenda administrada por um português chamado Miguel que teria um caso com a escrava Juliana. Esse caso resultou no nascimento de Isaura. A mãe de Isaura morre e Isaura passa a ser “propriedade” de Ester, esposa de um certo comendador Almeida. Ester morre e seu marido também.
Se a mãe de Isaura era preta e o pai branco, a conclusão é óbvia. Isaura era parda.
Com a morte do dono da fazenda e sua mulher, a história ganha fortes emoções. E quando surge Leoncio, filho único de Ester e do Comendador.
Leoncio casa-se por interesse com uma rica herdeira de nome Malvina. É simpática e obediente ao marido, que passa a atormentar Isaura com o propósito de satisfazê-lo na cama. Ela reluta e foge da fazenda junto com o pai, Miguel.
Esse livro foi publicado em 1875, 4 anos depois da chamada Lei do Ventre livre. E mais não conto para não quero quebrar o barato do leitor.
quinta-feira, 21 de dezembro de 2023
DORNELES É A BOA NOVA
Eu não sei se é o tal do Espírito de Natal, mas o fato é que o dia de hoje começou e tá terminando de modo muito bonito.
Não é todo dia que o lugar onde moro se enche de alegria por receber pessoas queridas que há tanto meus olhos não veem, como o coleguinha jornalista Manuel Dorneles.
Dorneles fez e faz parte da minha vida profissional e pessoal. Trabalhamos juntos durante anos na velha Folha, ao lado de Zanfra, Celsinho, Zé Luiz, Valmir Salaro, Hipólito, Leivinha, Moschela, esses e outros mais sob a batuta do sempre alegre e inspirado Hely Ivanini, com aquele bigodinho ridículo de Clark Gable.
O lado pessoal a que me refiro já no início do parágrafo acima justifica-se pelo fato de a nossa amizade perdurar até hoje, apesar das tempestades naturais que todos nós enfrentamos no dia a dia.
Dorneles é um cabeção, daqueles que fazem questão de participar de modo intenso e rico da vida. Lê, viaja, ama. Tem uma mulher linda: Silvana; e um filho super rápido na inteligência e imaginação, Vitor Lara.
"O Vitor é maravilhoso! Ele enche de alegria a minha vida e a vida da Silvana", diz sem se conter o pai coruja Dorneles.
Manuel Dorneles volta a minha casa alegre, como sempre; falando coisas bonitas, de passado e futuro. Mas é o presente, em duplo sentido, o que lhe importa. Ele chegou com um destiladozinho nas mãos...
E papo vai, papo vem, Dorneles contou que participou de um livro de crônicas junto com Zanfra, Nereu, Carlão, Zélia, Padovani e Aurélio. Título: Contando História.
Bom nessa história toda é que Dorneles está escrevendo um livro de memórias, com destaque ao que viu, sentiu, mundo afora. São pelo menos 25 países que ele visitou, entre os quais China, Japão, Rússia, Suécia, Estônia, Dubai, Turquia...
Tudo bem, tudo bem, mas faz tempo que eu peço pra esse cara deixar de preguiça e reunir pelo menos parte das belas e necessárias entrevistas que fez com Jair Rodrigues, Inezita Barroso, Rolando Boldrin, Pena Branca e Xavantinho... Todas, e foram muitas, publicadas na extinta revista Kalunga.
A Kalunga foi uma criação do Dorneles e por Dorneles editada por ininterruptos 28 anos.
Esse Dorneles...
quarta-feira, 20 de dezembro de 2023
POIS, POIS: UM POETA PORNOGRÁFICO
O Brasil tem tudo o que todo mundo quer. No que se refere às artes, inclusive.
Embora até hoje nenhum autor brasileiro tenha recebido o Nobel de literatura, não são poucos e excepcionais os nossos literatos.
Pra valer, pra valer mesmo, os nossos primeiros poetas deram o ar da sua graça no século 17. O principal e mais afoito, polêmico e inspirado foi o soteropolitano Gregório de Matos Guerra.
Esse Gregório desenvolveu temas em quadras, sextilhas, décimas e até sonetos.
O soneto é modalidade poética que data ali do século 15 ou 16.
O italiano Francisco Petrarca foi o cara que deu ao soneto a forma que tem hoje.
Pois bem, Gregório nasceu de pais bem vividos e afortunados o que lhe possibilitou estudar na Universidade de Coimbra. Voltou doutor, com toda bola. Virou religioso, juiz e promotor na Província baiana. Casou-se com uma mulher chamada Maria dos Povos. Viveram bem, mas ele decepcionou-se com a Igreja e pulou fora.
O fato de ele ter se decepcionado com o catolicismo não bastou para calar-se. Pelo contrário, dedicou-se o quanto pôde a escrever poemas detonando religiosos e a elite dominante da época. Isso o fez odiado por muita gente.
Por não se comportar como a Igreja queria acabou por se transformar no seu maior crítico. O resultado disso foi uma estadia forçada em Angola. Dois anos antes de morrer, deixaram-no sair de Angola de volta ao Brasil.
Gregório de Matos reconciliou-se com a Igreja, mesmo que não lhe permitissem pôr de novo os pés na Bahia.
Esse poeta é considerado o mais ferino dentre todos os outros. Foi o primeiro e mais completo poeta pornográfico do Brasil, tendo páreo só no século 19, quando como um anjo torto o fluminense Laurindo Rabelo abriu suas asas e mostrou a que veio.
E de Rabelo o clássico As Rosas do Cume.
Sacou?
Pouca gente poderosa escapou da pena afiada do retumbante Gregório de Matos. Não à toa ele entrou para a galeria dos literatos tupininquim como Boca do Inferno. Morreu em Reclfe, rogando perdão a Deus.
Foi num dia como hoje, 20 de dezembro, que Gregório nasceu.
terça-feira, 19 de dezembro de 2023
CAMISETA 100% DA PARAÍBA
"Este produto é feito de 100% algodão orgânico da Paraíba que já nasce colorido sem uso de aditivos ou corantes.Por evitar a etapa de tingimento gera 87,5% de economia de água e baixo consumo de energia no processo seletivo.O nosso algodão é plantado em assentamentos rurais e comunidades tradicionais com contrato de compra garantida.Esta ação da Natural Cotton Color é parte do "Projeto Algodão Paraíba", que inclui o incentivo à agricultura familiar para o desenvolvimento social e econômico local.O algodão orgânico é certificado pela Ecocert e Friends of the Earth".
segunda-feira, 18 de dezembro de 2023
AMAR É BOM, AMÉM!
Por não ter o que fazer nesta vida tão bonita, continuo a ler coisas e livros que não li lá atrás.
Li quase todos os primeiros romances do Brasil, exatamente por não ter o que fazer.
E desejo fundamentalmente ler quem está publicando o quê.
Pois é, aqui estou eu a me ver com a memória.
Por uma dessas razões inexplicáveis, chegou-me as mãos o livro chamado Os Homens que não Amavam as Mulheres.
É um livro absolutamente fantástico por sua originalidade. O autor Stieg Larsson morreu sem saber do sucesso que alcançaria com o livro que escreveu.
Meus amigos, minhas amigas, eu quero dizer que o Stieg Larsson foi simplesmente incrível na sua forma de contar histórias.
Quero aprender a contar histórias como ele.
OS BOSSA-NOVISTAS ESTÃO PARTINDO…
No andar em que vivemos, já não se acham Vinicius, João Gilberto, Tom Jobim, Nara Leão e tantos e tantas.
Sinto saudade de alguns desses nomes. E também de um paraense chamado Billy Blanco.
Blanco foi um compositor muito inspirado e profícuo. Deixou uma obra exemplar. Muita gente boa o gravou e a seus parceiros, como Tom.
No último fim de semana partiu para a Eternidade o carioca Carlos Lyra, aos 90 anos de idade.
Lyra foi autor e também intérprete de muita coisa boa. Entre seus parceiros o paraibano Geraldo Vandré.
Vandré está com 88 anos de idade praticamente recluso no Rio de Janeiro. Já não compõe nem grava nada. “Hoje eu só vejo TV”, disse-me outro dia indiferente a qualquer fala relacionada à música e artes em geral. O corpo de Carlos Lyra foi sepultado hoje.
LEIA MAIS: BILLY BLANCO MORREU • 25 ANOS SEM TOM JOBIM • HÁ 54 ANOS VANDRÉ LANÇAVA PRIMEIRO LP
domingo, 17 de dezembro de 2023
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (61)
É ela que aliando à luz
Do olhar protervo o indumento
Vilissimo do servo ao brilho
Da augustal "toga pretexta"
Sente alta noite em
Contorções sombrias
Na vacuidade das entranhas frias
O esgotamento intrínseco da besta!
("A Meretriz", Augusto dos Anjos)
A Secretaria da Segurança Pública e a Delegacia Geral de Polícia de São Paulo não sabem informar o
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| Hiroito |
Há muitos anos, elas viviam numa espécie de confinamento, no bairro do Bom Retiro. Mas, lembra um dos antigos “reis” da Boca do Lixo, Hiroito Joanides (autor de "Boca do Lixo”), hoje, na medida do possível, um cidadão de respeito, "empurradas pela repressão policial, as prostitutas foram subindo as avenidas principais, no sentido cidade- bairro. Desde a praça Júlio Mesquita estendeu-se a prostituição pela av. São João acima, até alcançar e subir pela Av. Angélica. No fim desta, ramificou-se parte dela dobrando à direita, seguindo o curso da Av. Dr. Arnaldo, enquanto a outra parte, que dobrara à esquerda, seguira pela av. Paulista. Uma terceira ramificação ainda metia-se pela Av. Rebouças, passando desta para a av. Brasil, República do Líbano e parque do Ibirapuera. Uma outra corrente que desde a praça Júlio Mesquita descera a av. São João rumo ao centro da cidade, se estenderia à praça do Correio, não sem antes bifurcar- se na av. Ipiranga, por onde seguiria até a rua da Consolação e, por esta, até a av. Paulista. Era esse o cenário da prostituição em São Paulo, já no ano de 1970".
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