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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

UM CABRA BOM DE PAPO


É sempre uma alegria receber pessoas que têm o que dizer, caso do gaúcho José Antônio Severo. Severo tem uma história incrível no jornalismo brasileiro. Trabalhou na extinta Realidade, Gazeta Mercantil e Tv Globo, entre outros ninhos de cobra criada. Tem ótimos livros publicados incluindo Os Senhores da Guerra publicado em dois grossos volumes (Editora L&PM, 2000) e base de um épico do cinema do Brasil, dirigido por Tabajara Ruas. Severo é, além do mais, um bicho político o tempo todo atenado. Ele tem tese para justificar as horrorosas de alguns empedernidos bolsonaristas como Sérgio de Camargo que acaba de ser indicado para presidir a Fundação Palmares. Para Severo o que se quer é acabar não só com os movimentos do negro, mas enterrar a cultura afro tão rica em nosso País. Por aí.

Severo e as irmãs cantoras Célia e Celma, mais o amigo Jeremias e Ana Maria abrilhantaram cá em casa a tarde de sábado passado 30 9(fotos acima). Muita conversa boa e um tim tim de boa cana para espairecer e afrouxar a garganta. Enfim, ninguém é de ferro!

Meu amigo, minha amiga, você sabia que a capital de Santa Catarina foi criada para homenagear o violento Marechal Floriano Peixoto? Pois é, conversamos sobre isso também. História. 

VIVA O SAMBA DO VALENTE!

Da esquerda para a direita: Assis Ângelo, Laya, Marquinho Mendonça, Rinaldo Aparecido da Cruz Campanhã (Valente) e  Mirianês Zabot.
A Capital paulista nos apresenta nos seus mistérios eternos surpresas a cada esquina, a cada bairro, a cada canto.
Fui levado por amigos ontem 1 à Casa Verde. Lá na Baruel, 259 deparei-me com um ambiente super legal, bonito, aconchegante, cheio de gente de todas a idades. Crianças inclusive. E muita música, muito samba...
Hoje 2 é o Dia Nacional do Samba: https://assisangelo.blogspot.com/2017/12/ary-barroso-provocou-o-dia-do-samba.html
Na Baruel está instalado o Samba do Valente. Senti-me em casa. Em casa de bamba...
Valente é como atende o cidadão Rinaldo Aparecido da Cruz Campanhã, da safra de 1964, paulistano. Ele nasceu no Samba e continua, a seu modo sambando e fazendo bem às  pessoas que o cercam.
Reencontrei no Samba do Valente muita gente. Entre essa gente Rita, que durante muito tempo atuou como produtora do querido amigo bahiano Xangai. E lá nessa Samba, abrilhantando a noite, os incríveis Marquinho Mendonça e Laya, cantora de excepcional beleza vocal. Detalhe: além de samba, Laya estendeu-se num repertório Gonzaguiano para ninguém por defeito. No dia 9 de Novembro, Laya e Marquinho Mendonça deram uma belíssima entrevista ao apresentador Carlos Silvio. Acompanhem: https://youtu.be/Js1YV-6yCQ4
A história de Rinaldo é impressionante. Mas a respeito disso, falarei noutra ocasião. Agora deem uma espiadinha na bela montagem fotográfica que abre esse texto. Sim, postara-me no palco e lá foi eu engatando duas declamações poéticas...
Um personagem louco por São Paulo faz de modo curioso a sua 
declaração de amor a essa cidade:


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MORRE CORDELISTA PARAIBANO

O mais velho e profícuo cordelista do Brasil morreu ontem 1, em Anápolis, GO, Paulo Nunes Batista. Paulo tinha 95 anos de idade e deixou cerca de 500 folhetos que publicou ao longo de sua vida. Paulo parte deixando de luto a cultura popular expressa em folhetos de cordel. Que Deus o tenha, em paz.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

GATO SEDENTO CHEIO DE FOME...

Vocês duvidam? Cego também vê... As fotos aí na montagem, foram feitas por mim.

A minha casa hoje riu feito um moleque sem destino. É sempre assim, quando pessoas queridas batem a minha porta.
Tive a alegria de, mais uma vez, receber o querido amigo Cadu Ribeiro. Cadu é integrante de um dos mais competentes conjuntos musicais de São Paulo: Trio Gato com Fome, que tem ainda na sua composição o cavaquinista Gregory e o 7 cordas Renato.
E hoje 28, à noite, ouvi boa parte do repertório do novo disco do Gato com Fome. Atenção: todo o repertorio do novo disco do gato com fome, a intitular-se Sedento, eu tive a alegria e o privilegio de ouvir ao violão magico do menino grande Cadu. Aguardem porque é coisa séria e bonita o que esta fazendo Cadu e o seu grupo.
O novo disco, o terceiro do Gato com Fome, traz parceria inédita do inspirado Carlinhos Vergueiro com Cadu e Gregory. Carlinhos foi um dos últimos parceiros do Adoniran.
É bom demais o grupo musical Gato com Fome, cujo padrinho é o mestre Osvaldinho da Cuíca.
O disco trará nas suas 11 faixas, pérolas como Cantei meu Samba, Minha vez no festival e Veneno de Tocandira.
Minha vez no Festival, que estará no novo disco do Gato com Fome foi apresentada no programa do Boldrin, num dia que eu não me lembro. Vejam:



QUE LEGADO NOS DEIXOU GUGU?



Aí na foto: Miro, Assis Ângelo, Lu, Lúcia Agostini, Marlene, Ana Maria, Geremias, Antônio Camadoni, Janete, Francisca, Manoel Bueno, Rosely, Eduardo, Celia e Marcos.

O último fim de semana eu o passei numa cidadezinha muito bonitinha, chamada Cunha. Nada haver com o famoso escritor Euclides, aquele de Os Sertões.
Cunha é uma cidade localizada na região do Vale do Paraíba, a 288 km da Capital Paulista.
Essa cidade, cujas origens datam do século 16 oferecem boas pousadas como a Dona Felicidade.
A administradora, a mineira Lurdinha, é de uma atenção incrível com seus visitantes. Um encanto de pessoa. O chefe de cozinha, Miro, também é todo atenção com todos que o procuram. Na cozinha é um sábio, um mestre. Saí de lá pesando uns 200 kg a mais. Ô coisa boa!
Assisti a vitória do Flamengo na residência particular de Lurdinha e Miro. Tomei umas duas lapadas pra aquecer a garganta e soltar a timidez para aplaudir do rubro-negro carioca.
Depois do jogo, novela e o JN.
No JN de sábado 23 ouvi um lero enorme sobre o animador Gugu não-sei-que-lá. E tome falatório. A princípio pensei tratar-se da morte de um figurão da política ou de um herói nacional qualquer.
Pobre do país que precisa de herói.
Mas o falatório a respeito do ilustre morto era sobre seu "legado". Aí foi que me lembrei: Esse Gugu foi o cara que ficou famoso por apresentar um quadro na TV chamado A Banheira do Gugu, afe! Lembrei-me também que foi ele quem soltou entrevista forjada com dois supostos integrantes da facção criminosa conhecida por PCC. Deus do céu! Essa mentira ou fake news como se diz hoje, foi ao ar no 7 de setembro de 2003. Mas o que eu quero dizer mesmo, é o seguinte: Fiquei impressionadíssimo com a notícia sobre  a morte desse cidadão veiculada durante horas e horas em todos os canais de TV e rádio, jornais e revistas que também não economizaram espaço para falar do legado desse apresentador de abobrinhas tão comuns na nossa televisão.
Deixo uma pergunta: Por que as mídias dedicam tão pouco espaço a nossa cultura popular?
A cultura popular, eu já disse, é a identidade de um povo. E o nosso povo, esse que faz e curte cultura é incrível. A propósito: Não recordo ter visto em toda a minha vida esse Gugu com um livro na mão ou falando de algum poeta, romancista ou historiador brasileiro ou não.
Meu amigo, minha amiga, você saberia distinguir cultura popular de cultura de massa?

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

PIAUIENSE AGORA É CIDADÃO DE FORTALEZA.


Wilson Seraine é um desses caras que a gente olha e não dá um tostão. Furado.
Seraine é nordestino da capital piauiense. Cabra bom. Tem mil e uma histórias pra contar.
Wilson Seraine virou professor no século passado, mas continua ensinando tudo que aprendeu. E o seu território de aprendizagem e ensinamento não é brinquedo, não. O cara desliza com muita naturalidade nas áreas de matemática e Física. Costumo chama-lo de “Homem-Bomba”. E sabem por que?

Outro dia, Seraine chegou em casa dizendo que no dia seguinte ia submeter-se à uma prova, na USP, que tratava de questões referentes à energia nuclear. Faltou, eu soube depois, uma coisinha de nada para o cara ameaçar o mundo com uma bomba. Nuclear. Mas na verdade, na verdade, Wilson não é de ameaçar nada nem ninguém. Tampouco com bomba!

O professor Wilson Seraine é e sempre será um homem de paz. Eu o conheço desde o século passado. Foi ele quem me levou à proferir palestra sobre cultura popular no principal teatro de Teresina. Uns 500/600 lugares, todos lotados. E entre os assentos ocupados, o mestre Loyola Brandão.
Viva o grande escritor Ignacio de Loyola Brandão!

Brandão é, hoje, membro da Academia Brasileira de Letras, ABL. Mas essa é outra história.
Acabo de tomar conhecimento de uma notícia importantíssima para quem curte, para quem gosta, da cultura popular brasileira: Wilson Seraine acaba de receber título de Cidadão de Fortaleza, cidadão sertanejo!

Wilson Seraine tem publicados uns dez livros sobre o que o povo conta e faz. Luiz Gonzaga, entre eles. Aí na foto, mostro a vocês um trabalho excepcionalíssimo organizado pelo professor Seraine. E mais não digo. Corram à procura do livro Cordéis Gonzaguianos – Antologia. Vocês vão gostar, tenho certeza.

Eu disse que não digo, mas digo: no dia 10 de novembro de 1949, no Rio de Janeiro, Luiz Gonzaga entrava num estúdio da extinta RCA Victor e gravava o primeiro forró da história musical: Forró de Mané Vito, composto em parceria com Zé Dantas, pernambucano como o próprio Rei do Baião, para lembrar, clique:

terça-feira, 26 de novembro de 2019

FILME CONTA A HISTÓRIA DE JACKSON DO PANDEIRO



O artista paraibano Jackson do Pandeiro nasceu em 1919. Façam as contas, 1, 2, 3...10, 20, 30... 100! Cem Anos!
Jackson começou a gravar discos em 1953. A primeira música, o coco Sebastiana, foi gravada no estúdio da rádio Jornal do Comercio, provavelmente em setembro, e lançada pela extinta gravadora Copacabana, em Outubro e Novembro daquele ano. Essa música foi composta pelo pernambucano, Rosil Cavalcanti (1915-1968). Aliás, de Rosil, Jackson gravou mais 23 títulos, de acordo com o levantamento feito por seu biógrafo Rômulo Nóbrega. https://assisangelo.blogspot.com/2014/07/biba-jackson-biba-rosil.html
Para marcar o centenário do intérprete nascido no município de Alagoa Grande, os cineastas Marcus Vilar e Cacá Teixeira apresentam logo mais à noite, em Campina Grande, o documentário Jackson, na Batida do Pandeiro. Esse filme, com 100 minutos de duração, traz vários depoimentos de pessoas que conviveram ou estudaram a obra do artista e compositores por ele gravado. Entre esses depoimentos, o de Rômulo Nóbrega, curto e grosso.
Fernando Moura, um jornalista paulista há muitos anos radicado na capital paraibana, é o consultor musical do filme de Marcus e Cacá. Fernando é um dos grandes conhecedores da obra de Jackson. Em 2001, pela editora 34, ele publicou o livro Jackson do Pandeiro – O Rei do Ritmo em parceria com o também jornalista Antônio Vicente. O livro é impecável! 
O filme será exibido amanhã 27 no Museu Nacional da República, em Brasília. Hora: 14:00. Em João Pessoal, mais precisamente em uma das salas de cinema do Shopping Manaíra, o filme será exibido sábado 30, às 16h.
Na foto acima o livro sobre Jackson escrito por Fernando e Antônio e o primeiro disco gravado por Jackson que se acham no Instituto Memória Brasil, IMB.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

CARTA AO PRESIDENTE

São Paulo, SP, 21 etc.

Sr. Presidente

O Brasil está doente. E sofrendo faz tempo. É sofrimento depressivo provocado pela irracionalidade de muitos que lhe acompanham no estradar político.
O preconceito tem sido uma erva daninha regada pela irracionalidade de muitos que andam à toa, sem ter bem o que fazer. E veja o senhor: Cada vez mais o negro tem sido vítima dos bocós à solta, da violência, da incompreensão, intolerância. No Rio, por exemplo, um bando de maus brasileiros, racistas, fascistas de plantão, tentou calar a missa de um padre, avançando sobre ele para tomar-lhe o microfone. Heresia pura. Era missa para todo mundo, inclusive para nossos irmãos afrodescendentes. Somos todos iguais não? Esse pessoal gritou, bagunçou, e terminou falando em latim ou algo equivalente parte da celebração.
Ataques a negros no Dia Consciência Negra aconteceram de canto a canto do Brasil.
A Amazônia está gemendo, pedindo socorro. É grande o desmatamento que lá ocorre. Por causa disso, os Estados Unidos acabam de orientar grandes empresas a não comprarem madeira do Brasil. Outros países, como a Bélgica e a Alemanha, continuam preocupados com a falta de política ambiental do Governo. Sei que o senhor nunca foi chegado a uma boa leitura, mas de qualquer modo, tomo a liberdade de lhe enviar um poema que acabo de fazer sobre a questão. Pra refletir:
Agora é óleo cru
Que mata o nosso mar
Que mata nossos peixes
Num leve pestanejam

É terrível o que se vê
E difícil acreditar
Porque se mata tanto
Impunemente no mar?

É horror o que ocorre
Lá longe em alto mar
Navios assassinos
Matando só por matar

Esse é crime grave
Que alguém tem de pagar
É um crime ambiental
Pintar de piche o mar

O mar está gemendo
Pedindo pra se salvar
Gritando SOS
Para não se afogar

Tudo isso sem falar nos índices de violência identificados no alto desemprego. Doze milhões e tanto de desempregados no país não é coisa pouca não, o senhor sabe. E quem está entrando no mercado agora, Deus do céu!
E Brumadinho, hein!
No mesmo dia em que se tentou levar à reflexão o dia da Consciência Negra, completavam-se 300 dias da tragédia de Brumadinho, que espantou o mundo. Talvez o senhor não tenha tempo para ver/ouvir o post abaixo, mas quem sabe...


Ah! Ia-me esquecendo, senhor presidente: minha pressão medida hoje deu 12x8. E o tum, tum do meu coração é Brasil, Brasil, Brasil...
Abraço,
Assis


segunda-feira, 18 de novembro de 2019

GONZAGUINHA VIVE EM MIRIANÊS


Ontem 17 estive acompanhando parte da programação da 23ª edição do projeto Revelando São Paulo, alí no Parque da Água Branca, SP. À noite revisitei O Pequeno Príncipe, pérola da literatura infantoadulta de um cara que ficou conhecido em Santa Catarina, SC, como Zé Perry. Esse Perry, claro, era Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944). Ele, que era aviador, morreu abatido por um caça Alemão um ano depois de lançar, nos Estado Unidos, seu famoso Príncipe. Corria a Grande Guerra. Esse livro é o terceiro mais traduzido no mundo. É como eu disso: Uma pérola.
Mas não é bem sobre isso que eu quero falar.
Mirianês Zabot é uma cantora nascida lá pra bandas onde nasceu Paixão Côrtes (1927-2018) https://youtu.be/T5IBBUJkx4g. Voz pura, clara, limpa, pequena "mas grande", como diria o compositor Gonzaguinha.
Tem muito artista bom no Brasil. Artista de todos os tamanhos. E da música popular, inclusive. É só procurar por caminhos que não sejam as mídias tradicionais, que acha.
O primeiro disco de Mirianês, Mosaico Foto-Prosaico, foi à praça em 2009, de modo independente. O disco, de 11 faixas, começa com um baiãozinho estilizado intitulado Anabela, de Mario Gil e Paulo Cesar Pinheiro. Essa música tem uma versão ao vivo de Mirianês e sua colega Consuelo de Paula, uma beleza, confiram https://youtu.be/dgM2yukFUZI.
Mosaico Foto-Prosaico, é um disco simples, de repertório simples, que leva facilmente as pessoas à sensibilidade e reflexão. A curiosidades, por exemplo: mais uma estilização, dessa vez, em ritmo de embolada. Falo de Berimbau Sabiá, de Otávio Segala. Joíssima. O mago Hermeto Pascoal é lembrado nessa faixa. Um trecho:
Berimbau, santo de casa, que agora vai lhe mostrar
Um feito bem brasileiro que de santo, só por lá
Não é Hermeto nem Pascoal que de faixa vai pular
Mas se a lei do autoral vier duro me pegar
Eu vou dizer que o Pau Brasil no meio do bê-a-bá...
A propósito nessa faixa Berimbau Sabiá, há também uma referência oportuna ao jornalista, advogado e poeta maranhense Antônio Gonçalves Dias (1823-1864). A referência é ao nome e ao poema mais adaptado, plagiado, ou referido Canção do Exílio, que o autor gerou no tempo em que estudava em Portugal. Fica a lembrança. Aliás, Chico e Tom inspiraram-se em Dias para compor Sabiá, que um dia Vandré me diz querer ainda gravá-la em disco.
O segundo disco de Mirianês, que está circulando por aí, intitula-se Mirianês Zabot canta Gonzaguinha - Pegou um Sonho e Partiu, tem 12 faixas, gravadas também de modo independente. Nesse disco a interprete foi rigorosa  na escolha do repertório de Gonzaguinha. Começa com a canção Maravida. Forte, lírica, belíssima. É o Gonzaguinha mais leve, mais solto captado por Mirianês.
Luiz Gonzaga do Nascimento Jr (1945-1991) não era filho biológico do Rei do Baião, Luiz Gonzaga (1912-1989) https://assisangelo.blogspot.com/2013/09/gonzaguinha-e-primavera.html. Viviam às turras, mas foi em disco do pai que ele começou a aparecer ao chamado grande público.
Gonzagão gravou 17 músicas de Gonzaguinha.
Em 1969, a "princesinha do baião" Claudette Soares defendeu  no Segundo Festival Universitário da Canção, no Rio, uma música de Gonzaguinha: Mundo Novo, Vida Nova. Que ganharia faixa no CD Claudette Soares Ao Vivo, em 2000. Depois dela, muitas outras cantoras interpretaram o filho de Gonzagão. De Elis a Simone. Foi Maria Bethanea que o tornou nome nacional ao lançar um LP com a canção Explode Coração. Antes disso, Gonzaguinha lançou em compacto Comportamento Geral. Isso, em 1972. A censura desceu o pau e mandou recolher o disco do mercado. Quem chamou a atenção da censura pra essa música foi o polêmico apresentador de TV Flávio Cavalcante, que o chamou de "terrorista". Isso bastou para a Censura, crau!
Claudette é uma pérola a ser cada vez mais cultivada na nossa música popular. De Gonzaga ela gravou coisa pouca, gravou Baião, o suficiente pra o velho de Exú chamá-la de princesa, pois bem, essa mesma princesa atendeu ao convite de Mirianês para, juntas, gravaram De Volta ao Começo. Arrepia. Ouçam:

O primeiro disco de Mirianês Zabot é quase um prosseguimento do segundo, embora no primeiro não haja nenhuma composição de Gonzaguinha.
Gonzaguinha foi criado no morro de São Carlos, no Estácio, berço da escola e samba Deixa Falar. Ele desceu o morro direto para brigar no asfalto, de lá mergulhou no universo Gonzaguiano. Galope, faixa 10 do disco Mirianês Zabot canta Gonzaguinha - Pegou um Sonho e Partiu, é um pedaço do seu mundo "nordestino". Nessa composição ele cita dois clássicos do pai. Baião (1946) e Vozes da Seca (1953). Essa última foi uma paulada no governo da época, talvez tenha despertado alguma coisa política no adolescente que crescia de mal com a vida, com o mundo. A questão social é uma questão ultra-presente na obra de Gonzaguinha, e isso pode também ter ocorrido com a cantora Mirianês, pois ela desceu da serra gaúcha e partiu direto pra fogueira do asfalto. Ela dele carrega algo que tem haver com as injustiças sociais etc.
Eu se fosse você, meu amigo, minha amiga, ia correndo à procura dos discos de Mirianês Zabot.
Quer saber mais a respeito dessa cantora, acesse:
Site: www.mirianeszabot.com.br
BRAHMA
No próximo dia 27, uma quarta, a partir das 21h, a cantora Mirianês Zabot estará se aprestando no tradicional Bar Brahma, que fica alí nas esquinas famosas Ipiranga e São João. O espetáculo intitulado Gafieiras e Outras Verves (Baile de Gafieira), tem a participação dos cantores Alexandre Arez e Chocolatte de Vila Maria; dos músicas Sergio Bello (violão), Fabio Canella (bateria), Henrique Pereira (contrabaixo) e Fabinho Oliva (trombone). O show integra o projeto Talento MPB. Ingressos antecipados pelo Whatsapp (11) 98390-8201.


domingo, 17 de novembro de 2019

DOMINGO NO PARQUE


Sem dúvida, é muito bom passear. Acabo de passear. Fui ao Parque da Água Branca ali na Matarazzo, perto de onde moro cá em Sampa. Fui ouvir grupos folclóricos do interior de São Paulo. Gostei do Fandango de Tamanco de Itaoca, cidadezinha que se localiza a duzentos e tantos quilômetros da capital paulista. 
Mais de 300 atrações constaram da programação do projeto Revelando SP, agora na sua 23 ª edição, que começou no dia 13 e termina hoje às 20 horas, com espetáculo musical do paulista Renato Teixeira, autor da impagável Romaria.
Tirante a muvuca do ambiente e a comida, no geral, sem gosto foi legal estar por lá.
Ah! Não custa dizer: senti falta de pessoas da organização do evento capacitadas para atender a cegos como eu, deficientes em geral e idosos também carentes de atendimento especial.
E viva a vida!


NO CHILE, POLÍCIA CEGA O POVO
I-n-a-c-r-e-d-i-t-á-v-e-l!
Ouço no rádio que a polícia chilena atirou para cegar e cegou cerca de 250 pessoas em passeata nas ruas do Chile. A ordem foi essa: cegar!
A que ponto chega a crueldade humana. Tiros com balas de borracha nos olhos dos outros e o que, hein?



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quinta-feira, 14 de novembro de 2019

HÁ 50 ANOS, PELÉ FAZIA O MILÉSIMO GOL NA PARAÍBA



Na noite de 14/11/1969, uma sexta-feira, o craque Pelé fez o seu milésimo gol. Não no Maracanã, mas na capital paraibana, João Pessoa. O goleiro vazado, Lula Marques,  entrou dessa forma para a história do futebol. Lula defendia as cores do Botafogo paraibano.
Mas quem entrou para a história do 1.000º gol de Pelé foi mesmo o argentino Andrada, que defendia o Vasco. Esse segundo milésimo foi no Maracanã.
Andrada morreu em setembro passado, aos 80 anos. Pelé, hoje beirando esses mesmos 80, é o mais internacional dentre todos os jogadores brasileiros.
Muitos os discos gravados sobre Pelé, em LPs e 78 rpm. Algumas pelo próprio. O acervo do Instituto Memória Brasil (IMB) tem grande parte deles.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

DOMINGO DE FORRÓ E VIDA




Não me contaram e nem ouvi no rádio ou TV que o dia 10 de novembro foi o dia que, há exatos 70 anos, Luiz Gonzaga entrou no estúdio da extinta RCA Victor e gravou o primeiro forró constante na discografia brasileira: Forró de Mané Vito, do próprio Gonzaga em parceria com o conterrâneo Zé Dantas.
Pois bem, no último dia 10, estive compartilhando a data com amigos. Entre esses amigos os jornalistas Severo e Serginho, as irmãs cantoras Célia e Celma, num bate-papo na casa do craque do violão Osvaldinho Viana, cá no bairro paulistano da Lapa. Foi uma festa, uma farra.
Depois de abusar da culinária dos Viana (né, Mariza?), fui para um papo de encerramento da exposição multimídia Luiz Gonzaga na eternidade dos 30.
Fiquei feliz por reencontrar no espaço da exposição, no Centro Cultural Santo Amaro, o colega Zé Hamilton Ribeiro e sua companheirinha de vida e arte, Yolanda. Lá também estavam o multiartista Luiz Carlos Bahia e o pernambucano Edinaldo Freire, um dos mais importantes diretores de teatro do Brasil. A propósito, sua nova pérola é O Caso Severina.
Luiz Gonzaga na eternidade dos 30, levada à cena pelo sonho de realização da colega jornalista Sylvia Jardim,  recebeu mais de 5 mil estudantes da região de Santo Amaro. Cumpriu a sua meta. À diretora do centro cultural que recebeu essa exposição, Andrea Sousa, meu agradecimento. Tudo o que se acha na referida exposição faz parte do Instituto Memória Brasil - IMB.
Estou feliz.
Estou voltando à tona para por alguma ordem nessa esculhambação geral em que vivemos.
Viva a Cultura Popular!

sábado, 9 de novembro de 2019

O JOGO CONTINUA....


No dia 9 de novembro, há 30 anos, o mundo civilizado aplaudia a derrubada do muro de Berlim. De um lado o Capital, do outro o Capitalismo. Não vou entrar nos detalhes, quem pensa sabe do que falo. 
Ontem 8 o ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva saiu da carceragem da PF, no Paraná. Ao sair, ele falou para o seu público e disse, disse, disse o que voltaria a dizer hoje 9 à tarde, em São Bernardo, seu lugar de início. Muita gente o aplaudiu. Compreensível.
Eu conheci Lula de perto, no final dos anos de 1970. Eu era repórter da Folha e um dos jovens entusiasmados pelas idéias socialistas.
Lula falou hoje 9  durante 45 minutos. Falou sobre tudo que tinha que falar: o Capitalismo é uma merda e quem é contra o Capitalismo é também um merda.
Lula meteu a ripa no SBT, na Record e  na Globo.
Fico cá eu pensando: por quê a esquerda e a direita metem o pau na Globo?
Eu quero o melhor para o meu país.
O Bolsonaro é uma besta quadrada que não sabe sequer o que é cultura popular. Nunca leu nada. É um alienígena entre nós. Repito: uma besta.
E Lula, heim!
Depois do que ouvi pela TVT, Lula ao vivo falando o que tinha de falar, chego a modesta conclusão de que Lula precisa de Bolsonaro, como Bolsonaro precisa de Lula, para politicamente sobreviver.
Lula brigou comigo à toa, num tempo distante. A foto aí em que  aparecemos é do final dos anos 80, quando ele era deputado federal  Constituinte e eu chefe de reportagem da Editoria de Política do jornal  O Estado de S.Paulo.
No discurso proferido hoje na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo,  Lula meteu o pau em meio mundo, inclusive no SBT e no seu dono, Sílvio Santos. De Sílvio não tenho procuração pra dele falar, mas é um cara interessante. Eu o entrevistei para o Estadão (foto aí). O Lula já esteve no SBT e lá falou  tudo o que quis, sem censura. Foi no SBT que Jô estreou o seu  programa de entrevistas e lá eu também falei o que tinha que falar. Comigo, na ocasião a rainha do forró Anastácia. 
Nessa história toda, pra encerrar somos nós que ficamos entre as balas perdidas. O jogo continua....
https://www.youtube.com/watch?v=o_uShAkXk54
Resultado de imagem para assis angelo anastacia jo soares

VIDA É FESTA. OUVIR HOJE 9, MEIO-DIA, O CARLOS SÍLVIO ENTREVISTANDO LAYA E MARQUINHO MENDONÇA TOCANDO COM MAESTRIA NO PROGRAMA PAIAIÁ(RÁDIO CONECTADOS). COISA BONITA DEMAIS! O MARQUINHO FALOU COISAS INCRÍVEIS, ATÉ SOBRE A ORIGEM DE INSTRUMENTOS MUSICAIS. NESSE PONTO, PECOU AQUI E ACOLÁ. PECOU, MAS LAYA O SALVOU CANTANDO. 
LUIZ GONZAGA...
OH, PESSOAL, AMANHÃ, 10, ÚLTIMO DIA QUE TODOS NÓS TEREMOS PRA VER OU REVER "GONZAGA NA ETERNIDADE DOS 30".
QUEM NÃO FOI VÁ CORRENDO. COISA MUITO BONITA NO CENTRO CULTURAL DE SANTO AMARO. AV. JOÃO DIAS, 822. SANTO AMARO.
EU ESTAREI LÁ...






quinta-feira, 7 de novembro de 2019

MAIS UM ANINHO PARA CÉLIA E CELMA


Ninguém pede pra nascer e, de sã consciência, ninguém pede pra morrer.
A morte é fim ou começo? Mas essa não é a questão, até porque ninguém sabe sequer o dia em que Cristo nasceu.
Mas, é muito bom vivermos um dia seguido de outro.
Aniversário de nascimento é sempre bom de se comemorar.
Dia desses, participei das comemorações de mais um ano na vida das amigas cantoras, gêmeas, de Ubá - MG, Célia e Celma. Foi no apartamento do Daniel, empresário, no bairro paulistano da Lapa. Lá estiveram, Severo, Raimundo José, Ana, Jeremias, Mirianês Zabot, Oswaldinho, Serginho, Mary, Laura, Jandaira.
Houve brindes e cantoria até bem tarde do tempo. Tempo esse que prossegue nos incentivando a acompanhá-lo no dia a dia, para onde quer que vá. Fica o registro, fotográfico inclusive (foto acima).
Viva a vida!

Célia e Celma já esteve no programa Paiaiá na Conectados, apresentado pelo baiano Carlos Sílvio.
Vejam clicando no link: https://www.youtube.com/watch?v=xNrIL9B5TlI&t=31s

Novo Site do IMBVocê meu amigo, você minha amiga, já deu um a entradinha no endereço da nova página do Instituto Memória Brasil? Estão dizendo por aí que está ficando bonitinha a danada da página. Tem até rádio, com músicas que vale a pena ouvir. Confira e diga pra mim o que achou. Ah! Ia-me esquecendo: Aceitamos sugestões para que fique a melhor das melhores páginas desse mundo doido chamado internet. E Viva a Cultura Popular! Clique: https://institutomemoriabrasil.com.br


quarta-feira, 6 de novembro de 2019

A VIDA É BELA PARA ANASTÁCIA



Não será exagero comparar a compositora pernambucana Anastácia com a compositora carioca Chiquinha Gonzaga, de batismo Francisca Edwiges Neves Gonzaga (1847-1935).
Chiquinha deixou um legado incrível: mais de um milhar de composições nos mais diversos ritmos. Anastácia, por sua vez, já gerou pelo menos 700 composições, entre boleros, arrasta-pés etc.
Na história da nossa música popular não se tem notícia de uma mulher que tenha composto tantos forrós quanto Anastácia "Estou vivendo mais uma belíssima fase da minha vida", diz ela num telefonema a mim. E acrescenta "No próximo dia 11 de dezembro estarei desembarcando em Portugal para receber um prêmio e realizar 3 shows já agendados".
Em maio , ela completou 79 anos. "Agora estou m,e preparando para as comemorações dos meus 80 aninhos com novos shows e um novo disco com músicas inéditas".
Vão participar do novo disco de Anastácia, Zeca Baleiro e Chico César, seus novos parceiros; Alceu Valença, Geraldinho Azevedo e outras feras da nossa música.

LAYA E MARQUINHO NO PAIAIÁ

No próximo sábado 9, a partir do meio dia, a cantora Laya e o compositor e violonista Marquinho Mendonça estarão sendo entrevistados pelo apresentador do programa Paiaiá (Rádio Conectados), o baiano Carlos Sílvio. Laya é uma das mais bonitas vozes femininas que já ouvi. Quanto a Marquinho afirmo, sem medo de errar, ser ele um dos violonistas mais inspirados. Os dedos dele parecem ser mágicos, tão rápidos são ao dedilhar. Não percam. Ah! E por falar no Paiaiá, acompanhem a entrevista que o cantor e compositor e também radialista Luiz Wilson deu outro dia ao já referido Carlos Sílvio:

VANDRÉ E OSWALDINHO DO ACORDEON


Sem ter o que fazer ontem a noite, e cheio de saudade, telefonei ao Vandré e Oswaldinho. Ambos notei estarem ótimos, com o astral lá em cima. Vandré falou rapidamente do noticiário que vê/ouve na tevê (Jornal Nacional). Prá ele rádio boa é a CBN. Oswaldinho dia desse passará por cá para um bom dedo de prosa. 





sábado, 2 de novembro de 2019

NO MIS, DOIS MESTRES: DA VINCI E KOBRA




Mostrar o mundo para o mundo não é coisa fácil, e quando esse mundo que se tenta   mostrar tem a ver com a arte é até mais difícil. Mesmo.
E o que dizer sobre um artista que representa o mundo?
Leonardo da Vinci, italiano (1452-1519) nasceu numa vila que lhe dá o sobrenome, em Toscana.
Esse cara da vila que leva o seu nome foi tudo o que alguém pode ser na vida, no mundo, em qualquer tempo.
Mas, não vou me estender nesse assunto, até poque assunto demais conhecido nos últimos 500 anos.
Fui um dos privilegiados convidados à inauguração da Exposição Leonardo da Vinci - 500 anos de um Gênio, num novo espaço para a cultura brasileira: MIS Experience gerido pelo Museu da Imagem e do Som, MIS, que fica logo ali na rua Vladimir Herzog, 75, no bairro paulistano de Água Branca, pertinho da TV Cultura.
Foi bom demais ouvir o que ouvi na preleção sobre o novo espaço cultural, que paulistas e paulistanos e gente de todo o canto pode se extasiar. Coisa bonita, muito bonita.
Pois bem, fui um dos convidados privilegiados a "ver" a exposição multimídia - e põe multimídia nisso - sobre o gênio italiano Leonardo da Vinci. E pra completar a alegria que carreguei comigo até o novo MIS, fui acompanhado da minha amiga jornalista Cilene Soares. E lá encontrei e reencontrei pessoas incríveis do nosso viver: Marcos Mendonça e sua querida Dalva, Gil Costa, Marquinhos, Sérgio e Carla, Lílian (maravilhosa!), Walker, Felipe, Kainan, Gabrielle. Rolando Boldrin e tantas outras pessoas da nossa convivência profissional. Aloás, acho que Deus também estava lá.
Será que Leonardo é Deus?
Desde a minha infância aprendi que os maiores dos maiores É Deus.
A Exposição Leonardo da Vinci - 500 anos de um Gênio, no MIS, é um gol fantástico - mais um! - marcado pelo craque Marcos Mendonça.
O Brasil tem jeito, não é mesmo, Kobra?
É de Kobra o belíssimo painel/mural (acima) que está logo alo à entrada da exposição, que fica em cartaz até o dia 1 de março do ano que vem.
Eduardo Kobra, que conhece todas as artes e a alma do mundo, foi o cara que a meu pedido fez a capa do livro A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira (2010).
Esse livro eu comecei a gerá-lo na França. Olha a capa aí: 




Fotos da Exposição (abaixo)

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

FAGNER, 70 ANOS, COM DIREITO A LIVRO BIOGRÁFICO



O cantor e compositor cearense Raimundo Fagner nasceu no dia 13 de outubro de 1949. Nesse mesmo ano, no dia 10 de novembro e cantor e compósito e pernambucano Luiz Gonzaga entrava no estúdio da extinta RCA Victor e gravava o primeiro forró da Discografia Brasileira, Forró de Mané Vito.
Depois de Dominguinhos, Fagner é o cantor que mais tem gravado músicas do Rei do Baião. Gonzaga e Fagner chegaram, inclusive, a gravar juntos, 2 LPs.
Em 1971, Fagner tinha 22 anos de idade. Nesse ano, ele estreou em disco ao lado do conterrâneo Cirino. Gravadora: RGE, já extinta. O disco, um compacto simples, passou praticamente despercebido por todo o mundo. Dois anos depois, já noutra gravadora (PolyGram), ele grava o primeiro LP: Manera Fru-Fru, Manera: O Último Pau de Arara. E daí não parou mais.
Entrevistei Raimundo Fagner várias vezes nos programas que comandei, nas rádios Capital e Trianon.
Em maio de 2013 o cantor cearense e eu (foto abaixo) chegamos a receber o Troféu Gonzagão, criado  na Paraíba (PB) para premiar pessoas que têm divulgado a obra de Luiz Gonzaga.
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acham todos os discos de Fagner. Entre eles curiosidades como uma entrevista gravada em LP (foto acima).
A jornalista Regina Echeverria acaba de lançar à praça o livro Raimundo Fagner: Quem me levará sou eu. Nesse livro o biografado conta muitos e muitos lances da sua vida, como o que que dá conta da sua decisão em defender a canção Quem me levará sou eu, de Dominguinhos e Manduka. Isso ocorreu no festival da extinta TV Tupi, em 1979. Manduka era filho do poeta Thiago de Mello.


segunda-feira, 28 de outubro de 2019

GABI, FAUSTO E LEITURA NO METRÔ

Filha de paulistanos e neta de uma autentica nordestina de Carrapichel, BA, a historiadora Gabriela Nunes nasceu na Zona Leste da capital paulista há 28 anos. Gabi, como é chamada entre amigos, é uma dessas meninas apaixonada por arte e história. Seu diploma de historiadora é da UNIFESP.
Gabi é encantadora e talentosa em tudo o que faz. Digo isso com a autoridade de quem tem passado já dois ou três ano junto falando, estudando, comentando, criticando o que há no mundo da cultura popular. Ela está se afastando momentaneamente, espero, do Instituto Memória Brasil, IMB, onde tem me ajudado bastante.Ah! Ia-me esquecendo: é ela quem faz as fotos em que apareço mostrando raridades do IMB que ilustram a coluna semanal que publico no newsletter Jornalistas & Cia.
Por um desses belos acasos da vida, acabo de receber o querido cartunista Fausto.
Fausto como cartunista é tão rápido quanto um raio e quando soube do afastamento de Gabi do IMB, mesmo provisoriamente, ele sacou do seu talento e rapidamente fixou para a posteridade a beleza radiante de Gabi. Ia-me também esquecendo: Fausto acaba de publicar o 13º livro a que intitulou Gataiada (Editora Criativo).
E eu o que faço ai na foto? Ora, só rindo feliz da vida por ter pessoas tão bonitas no entorno.




Meu amigo, minha amiga, você já foi visitar a exposição multimídia Luiz Gonzaga na Eternidade dos 30? Se não foi vá e leve amigos e parentes e quem mais quiser. A exposição permanecerá aberta à visitação pública até o próximo dia 7 de novembro no Centro Cultural Santo Amaro, a Av. João Dias, 822. Santo Amaro é um dos bairros mais populosos da capital paulista, e também, talvez o maior reduto de nordestinos e descendentes de São Paulo.

A segui clique nos links abaixo.

http://g1.globo.com/globo-news/videos/v/luiz-gonzaga-e-homenageado-em-sao-paulo/8037280/

http://culturabrasil.cmais.com.br/programas/circuito/arquivo/luiz-gonzaga-e-tema-de-exposicao?fbclid=IwAR2V8ndKkspEtleZ9dB4BJ1nh8GmZXoLZPIVjZdIyEtKEm_fzlmg6Hn2nug

https://www.instagram.com/exposicao_luiz_gonzaga/


CENA DO DIA

Fausto chega esbaforido dizendo que acabara de presenciar uma cena histórica e que permanecerá na sua memória por muito tempo. A cena, segundo ele, foi registrada por seus olhos que um dia a terra a de comer. Foi num vagão de trem do metrô: todo mundo com seus benditos celulares grudados à orelha enquanto uma solitária passageira viajava na leitura de um livro cujo título, não à toa intitulava-se O Milagre da irlandesa Emma Donoghue. A curiosa cena registrada por Fausto lembrou-me os tempos em que eu promovia leituras nos trens do metrô de São Paulo.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

STF, POETAS E POESIAS

Começou ontem, 23 e seguiu hoje 24, sessão especial no Plenário do STF, em Brasília. O assunto debatido: prisão em segunda instância. 
Ontem o ministro Barroso terminou sua explanação citando o poeta Vinícius de Moraes.
Achei curioso o ministro se escorar num poeta para reforçar suas convicções políticas.
Hoje foi a vez de a ministra Rosa Weber apelar também, elegendo um poeta grego como o que mais lhe toca o coração. Não disse quem. E se disse não ouvi.
Pelo jeito, pelas indicações dos faróis os poetas estão com tudo e muita prosa.
As praias de todos os estados nordestinos foram poluídas por óleo crú, de origem desconhecida. E pegando embalo no gosto pela poesia dos ministros do Olimpo brasileiro...lá vai:

Agora é óleo crú
Que mancha o nosso mar
Que mata nossos peixes
Num leve pestanejar 


É terrível o que se vê
e difícil acreditar:
por que se mata tanto
Impunemente no mar?

É horror o que ocorre
Lá longe em alto mar
Navios assassinos
matando só por matar

Esse é crime grave
que alguém deve pagar
É crime ambiental
pintar de pixe o mar

O mar está gemendo
sufocado quer gritar
Lutar, pedir socorro
Para não se afogar


segunda-feira, 21 de outubro de 2019

GONZAGA NA ETERNIDADE DOS 30, VÁ VER. LOGO!


 
 O que mais se comenta na zona sul de São Paulo é a exposição Luiz Gonzaga na Eternidade dos 30. A imprensa da região e de todo o canto tem feito comentários elogiosos ao material e história expostos sobre o criador do baião e do forró. Um exemplo, é o que publicou o Diário do Grande ABC (reprodução de reportagem acima) A propósito, foi no dia 10 de novembro de 1949 que Luiz Gonzaga entrou nos trabalhos de estúdio e gravou para a extinta RCA Victor o primeiro forró da Discografia Brasileira: Forró de Mané Vito, do próprio Gonzaga e do seu conterrâneo José Dantas.
Você já foi e legou à exposição seus amigos e parentes?
Luiz Gonzaga na Eternidade dos 30 permanecerá aberta à visitação pública no Centro Cultural de Santo Amaro, ali na rua João Dias, até o próximo dia 7 de novembro. Nas fotos abaixo, um registro da abertura ocorrida no dia 8 deste mês.




 A jornalista, apresentadora do programa Bem da Terra, Renata Maron, gravou uma ótima entrevista com Sylvia Jardim e eu. Confira:

https://www.instagram.com/tv/B3ViU7KBLzG/


A noite do dia 8 deste sagrado mês de outubro foi muito bonita, mesmo. Pra ficar na história de quem por lá esteve. O final dessa noite contou com o genial violonista Marquinho Mendonça e a cantora cearense Laya. Por mim, aquela noite continuará pelo tempo que eu viver. Clic:

https://www.facebook.com/assis.angelo.9/videos/2465829746831483/

domingo, 20 de outubro de 2019

DIA DA POESIA

Hoje pra ti eu planto
mais um pé de poesia
Da cor da esperança
Da cor da alegria
Para que logo nasça
Um ramo de fantasia



Ninguém vive sem sonhar
O sofrer de nostalgia
Pra quem gosta do que faz
Todo dia é dia
De juntar letra com letra
Em nome da poesia.


O dia nacional da poesia existe desde 2015. Foi criado em homenagem ao poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, que nasceu no dia 31 de outubro de 1902. Sobre Drummond, click:

https://assisangelo.blogspot.com/2017/08/viva-carlos-drummond-de-andrade.html




sábado, 19 de outubro de 2019

O BRASIL TEM NOVO IMORTAL: IGNACIO DE LOYOLA BRANDÃO


Ontem sexta 18 a Academia Brasileira de Letras, ABL, anunciou ao mundo um novo imortal: Ignacio de Loyola Brandão, 82, brasileiro de Ararquara, SP.
Loyola é um cidadão a toda prova e a sua obra, importante e originalíssima.
Conheci Loyola no meus tempos de Folha de S.Paulo. Cheguei até a entrevistá-lo para o suplemento Folhetim, que circulava aos domingos no Folhão. Term Estadão, tem Folhão. O tempo passou e fui lá eu desenvolver a minha profissão nos outros jornais, revistas e emissoras de rádio e TV. 
Houve um tempo em que nos reuníamos na livraria cultura, ali no conjunto Nacional. E nessas reuniões, tomando uma cervejinha, Jose Neumanne, Arnaldo Xavier, Roniwalter Jatobá, Marcos Rey, Loyola Brandão e tantos outros amigos jornalistas escritores.
No dia 20 de julho, o apresentador do programa Paiaiá Carlos Sílvio (Conectados) recebeu o novo imortal para um bate papo. Foi muito bonito.Foi um encontro de craques ao vivo.Confiram aí, clicando:





São Paulo é a principal capital do Brasil. Esta cidade reúne o maior número de nordestinos do país. É uma megalópole, a 4a. ou 5a. maior do mundo. Nas ruas dessa cidade circulam cerca de 70 línguas, quer dizer: de pessoas, de nacionalidades as mais diversas.
Já foi dito, em música inclusive, que São Paulo não pode parar. E não pára.É uma cidade que não dorme.
A noite paulistana ferve nas suas entranhas. São milhares de bares, restaurantes e todo tipo de casa comercial com suas luzes acesas e a clientela falando, cantando, comendo, brincando, fazendo o diabo a quatro.
Ontem a noite 18 fui levado a conhecer um barzinho por essas bandas em que moro, Campos Elíseos, para ouvir os amigos Brau e Antonio Gauber. Brau é violonista, compositor e cantor, e o seu parceiro Gauber, toca violino como quem toca rabeca.
A rabeca é o irmão pobre do violino. O violino é instrumento das salas de concerto. A rabeca dos ambientes populares.
Gostei de ver a rabeca se entrosando de modo natural com o violão.
O violão fala grosso e a rabeca se impõe com sua alma feminina.
Palmas para Brau e Gauber ( aí ao lado).
                                     
                                         

Domingo à tarde 13 fomos o amigo escritor Darlan Zurc e eu,  abraçar o querido cartunista Fausto num ambiente cheio de gente ali pelos lados de Ana Rosa. Não era propriamente uma livraria, mas um lugar cheio de gente falante. Esse público era formado basicamente, por quadrinhistas, ilustradores, etc. O Fausto chegou de viagem de fora quase direto para lançar seu novo livro. Chama-se Gataiada (aí na foto).  E ele é muito observador. Vejam vocês: outro dia, conversa vai conversa vem, ele me pergunta o que eu acho de gato. Aqui em casa, além de mim, tem Geraldo e Luna. Esse casal é formado por gato mesmo. Pois bem, foi então que respondi "que não sei, você não sabe, mas há quem ache que gato já foi gente" e não é que essa bobagem de frase o Fausto incluiu no seu livro?
Após abraçar o Fausto lá fomos Zurc e eu tomar um chopp com o paiaiaense Carlos Sílvio, que estava comandando um evento com umas três mil pessoas. A grande maioria, de Paiaiá, BA, e redondezas. Uma zoada dos infernos. E de repente, não mais que de repente, lá fui eu chamado para dizer umas coisas. E eu disse esse poema aí, que escrevi há pouco:

Há quem conte com tristeza
Eu conto com alegria
A história de um homem
Que viveu pra ver o dia
Depois de massacrado
Pelas mãos da covardia

Ele era cantador
O melhor da cantoria
Cantor de bom discurso
Em prol da minoria
E fosse qual fosse ela
De bate pronto defendia

Defender o bem comum
Era só o que fazia
Fosse tarde fosse noite
Não tinha hora nem dia 
Pra carregar a bandeira:
Povo, democracia

Defendeu a liberdade
Combatendo a tirania
Com uma viola no peito 
Disse tudo que queria
O povo gostava dele
Ele o povo aplaudia

E fosse pra onde fosse
O povo todo o seguia
Cantando batendo palmas
Plantando cidadania
Demorou, mas conseguiu
Mesmo cego ver o dia!

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

RECORDAR É VIVER. VIVA A VIDA!



Téo Azevedo em entrevista à Assis Ângelo, Carlos Sílvio e Helvídio Mattos, ao canal Instituto Memória Brasil

Na foto menor, ontem, 17, reunimos amigos para falar sobre o dia nacional da Música Popular. Essa data foi inspirada no aniversário de nascimento da maestrina Francisca Edwiges Neves Gonzaga, que entrou para a história da nossa música como Chiquinha Gonzaga (1847-1935),
Chiquinha deixou centenas e centenas de músicas de sua autoria. Ela foi incrível. Sua história é incrível. É preciso conhecer mais e mais a história dessa grande compositora e instrumentista brasileira.
Estiveram conosco na sede eternamente provisória do Instituto Memória Brasil, IMB, Maurício Pereira (grande mestre cuca!), Téo Azevedo, que nos concedeu uma excepcional entrevista transmitida ao vivo pelo cinegrafista Chico Silva; Cris Alves (uma das batutas do IMB); Carlos Sílvio, apresentador de raro talento (Paiaiá, Rádio Conectados) e Helvídio Mattos.

A IDADE ESTÁ CHEGANDO...

Há poucos dias acrescentei mais um ano à minha idade. Na ocasião tive a alegria de receber Wilson Baroncelli, José Hamilton Ribeiro e Yolanda; Darlan Zurc, Carlos Sílvio, Luiz Wilson, José Cortez, Germano Jr., violonistas César Amaral e Gislânia; Marquinho e Ibys Maceioh; a cantora Laya, Cris Alves, Ana e Geremias; Lúcia, Márcia e Andréia, Vanira e Mari; Sílvia Jardim e Marcelo, Silene. Recordar é viver. É só clicar:



terça-feira, 15 de outubro de 2019

IRMÃ DULCE AGORA É SANTA. E O PADIM CIÇO?

A irmã Dulce virou santa e o padre Cícero, hein?
Dos nove Estados nordestinos, o Ceará é o que oferece mais candidatos à eternização no correr dos tempos: quatro, além do Padim.
Em 1928 a menina Benigna Cardoso da Silva preferiu morrer na ponta de uma faca a ceder aos instintos sexuais de um tresloucado adolescente. Ela tinha só 13 anos de idade e já à época foi considerada uma santa mártir pela população cearense.
Os outros três candidatos a santo são religiosos, como José Antônio de Maria Ibiapina (1806-1883).
O padre Ibiapina nasceu no Ceará e morreu na Paraíba. Ele foi um dos mais completos cidadãos que andaram pelo árido solo nordestino desenvolvendo bondades e todo o tipo de assistência aos miseráveis que topava pela frente. Foi um dos grandes intelectuais da Igreja Católica.
Todos esses candidatos, mais o padre Padim Ciço esperam reconhecimento para beatificação pelo Papa Francisco, que acaba de canonizar a soteropolitana Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes (1914-1992).
Para o povo nordestino, Ciço já é santo há muito tempo, mesmo antes de ser excomungado pela Igreja.
O Padre Cícero faz parte do imaginário popular desde sempre.
No início do século XX, quando a industria fonográfica passou a florescer, o nome do padre apareceu  num disco da casa Edson (1902) na música A Farofa gravada pelo primeiro cantor profissional do país, Manoel Pedro dos Santos (Bahiano). Depois de Bahiano, o primeiro cantor a cantar o nome do padre do Ceará foi Luiz Gonzaga (1912-1989), na música Légua Tirana. Essa música foi gravada no dia 9 de junho de 1949 e lançada em outubro desse mesmo ano.




domingo, 13 de outubro de 2019

Baianos de Nova Soure em Sampa


O mês de outubro jamais deveria ser esquecido na história do Brasil. Por uma razão gritante: foi nesse mês, precisamente no dia 5, que as Forças Armadas liquidaram com toda a população do 
Arraial de Canudos, na Bahia.

Quem mandou acabar com o povo de Canudos, entre os anos de 1896 e 1897, foi o então presidente da República Prudente de Morais. Prudente foi o primeiro presidente civil do País.

Ontem 12 foi o aniversário de nascimento do cantor country do Brasil, Bob Nelson.

E por falar em country, ali na Zona Sul paulistana, no Terra Country, está rolando um som da pesada, como diz o pessoal aí mais novo.

O nova-sourense Darlan Zurc conta que todos os anos, desde 2016, é promovido em São Paulo o Encontro dos Baianos Nova-Sourenses perdidos na capital dos bandeirantes. Esse encontro, ainda segundo ele, é cometido com o intuito de localizar os conterrâneos e pô-los frente a frente. O primeiro que sacar a arma, qualquer arma, pode morrer, mas sabendo o motivo.

Nova Soure é um município distante uns 230km de Salvador, capital-berço de personagens de grande relevância na cultura nacional como o compositor, ator, poeta e músico Xisto Bahia, autor da primeira composição gravada em disco no Brasil: o "Lundu Isto é Bom", gravado por Bahiano, de batismo Manuel Pedro dos Santos (1870-1944).

Deixo aqui uma sugestão para o próximo encontro dos nova-sourenses: que se mostre a cultura daquela região.

Ah! Pra quem não sabe: Luiz Gonzaga, rei do baião, abria os espetáculos de Bob Nelson. Em vinte e quatro músicas da discografia de Nelson, traz o som da sanfona do grande exuense.

Você, meu amigo e minha amiga, já foi pousar os olhos na belíssima exposição multimídia sobre Luiz Gonzaga, ali no Centro Cultural de Santo Amaro?


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