O romance policial não é uma tradição brasileira.
Eu conheci de perto Torrieri Guimarães, jornalista, crítico literário, tradutor e autor de romance policial.
Engraçado, quando um cantor morre todo mundo passa a cantar o que ele cantava. Caso de Timóteo, por exemplo.
Agnaldo Timóteo gravou o primeiro disco em 1964, ano em que as Forças Armadas tomavam o poder. No Brasil.
As duas primeiras músicas gravadas por Agnaldo foram Sábado no Morro(lado A) de Mário Russo e Sebastião Nunes; e Cruel Solidão (lado B) de Renato Gaetani.
O gosto pela música Timóteo adquiriu nos seus tempos de menino.
Já adolescente , passou a fazer apresentações nos circos que apareciam na cidade de Caratinga,MG, e redondezas.
Muita gente diz que foi a Ângela Maria que levou Timóteo a gravar o primeiro disco. Não foi.
Agnaldo Timóteo foi musicalmente descoberto por Anísio Silva, que o ouviu numa rádio em Belo Horizonte.
O cantor de Caratinga deixou centenas de música gravadas, a grande maioria versões feitas por Fred Jorge, Júlio Nagib, Nazareno de Brito e Geraldo Figueiredo.
O primeiro grande sucesso de Timóteo foi O Grito, da dupla Roberto/Erasmo, em 1968.
Nesse ano, sobre a cabeça dos brasileiros despencava o AI-5.
Agnaldo Timóteo misturou música com política, o resultado foi amargo.
Foi o gaúcho Leonel Brizola (1922-2004), do PDT quem convidou Timóteo pra disputar uma cadeira na Câmara Federal pelo Rio de Janeiro. Ganhou. Isso, em 1982.
Em 1984, Timóteo votou pela Emenda Dante de Oliveira que propunha a volta das eleições diretas. Não deu.
Em 1985, Timóteo como deputado votou a favor de Paulo Maluf que concorria, indiretamente, contra Tranquedo Neves.
Tranquedo ganhou e Brizola perdeu as estribeiras com Timóteo, que foi para o PDS.
Em 2011, o artista gravou um CD que dedicou à presidente Dilma Roussef.
Em 2020, estimulado por Lula, filiou-se ao PT.
Agnaldo Timótheo Pereira, assim batizado com "th" e tudo, nasceu numa sexta-feira (16 de outubro de 1936) e morreu no sábado 3 de abril de 2021.
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No dia 05 de março de 2011 Agnaldo Timóteo compareceu ao lançamento do livro Lua Estrela Baião A História de um Rei, que eu lançava ao lado de Inezita Barroso na livraria Cortez, no bairro paulistano de Perdizes.
http://assisangelo.blogspot.com/2011/03/foi-bonita-festa-pa.html
Paiaiá em Quarentena
O prefeito de Nova Soure, Luis Cássio de Souza Andrade, do PDS, é o entrevista de Carlos Sílvio no programa Paiaiá em Quarentena. Ele falará sobre a Pandemia, que já matou 14 pessoas e sobre o Consórsio Regional de Saúde criado na região nordeste da Bahia, em parceria com pelo Governo do Estado.
A entrevista, ao vivo, ocorrerá amanhã, às 20h30, no
Instagram @cspaiaia.
Nova Soure é um município localizado a 235 km de Salvador,
BA.
Ouço notícia dando conta de que cerca de 2 mil prostitutas de Minas Gerais estão em pé de guerra.
As prostitutas de Minas fazem protesto organizado pelo sindicato da categoria (Aprosmig)contra o descaso das autoridades sanitárias por não incluí-las entre as pessoas que devem ser vacinadas na "categoria de risco".
Estou com elas.
O trabalho das "meninas" mineiras é um trabalho perigoso, de risco, de prazer discutível.
Essa notícia lembrou-me outra: em 1968 prostitutas de São Paulo protestavam contra a violência dos agentes da Ditadura.
Esse protesto rendeu um clássico da música popular brasileira: São São Paulo, do baiano Tom Zé.
Ouça:
O Sílvio tem umas tiradas engraçadas, curiosas.
Não é que o cabra telefonou só pra dizer que já não está ouvindo rádio e tv por causa do noticiário que destaca a tragédia diária que é a Pandemia provocada pela COVID-19?
Disse isso e deu uma risada. E perguntou: você entende porque a imprensa destaca tanto as mortes do povo pela COVID?
Opa!
Agora é comigo: é papel da Imprensa noticiar tudo que acontece no Brasil e no mundo, destacando as notícias mais tocantes. No caso, as piores.
Sempre foi assim.
A Imprensa começou no Brasil no dia 10 setembro 1808, com a fundação do jornal A Gazeta, do Rio de Janeiro. Era do Governo, representado por D. João VI.
Foi nesse jornal que nasceu a profissão de jornalista.
O primeiro jornalista brasileiro era professor de matemática e militar. Nome: Manuel Ferreira de Araújo Guimarães (1777-1838).Mas essa é outra história.
Está provado por A + B que notícia boa não vende jornal nem dar audiência no rádio e televisão. É da vida.
Não podemos esquecer que jornal, revista, rádio e televisão são empresas e como tais carente de faturamento.
Não podemos esquecer também que a empresa Imprensa tem compromisso com a verdade.
O compromisso com a verdade é perceptível no dia a dia. Com a verdade e com a ética.
Eu disse isso e o Sílvio, atento, concordou antes de lembrar o caso de um programa da Bandeirantes que tinha como foco notícias boas, de bom astral, "pra cima". O programa que se refere Sílvio, estreou no 10 de setembro de 2001, no dia seguinte foram abaixou as Torres Gêmeas...
O poeta pernambucano Carlos Pena Filho não viveu 64 nem os anos de chumbo subsequentes, mas seu conterrâneo Gregório Bezerra viveu.
Naquele mesmo ano, Zé Keti, João do Vale, Boal, Ruth Escobar e tantos e tantos outros artistas não ficaram de braços cruzados.
O ano de 1964 começou em 1961, mais precisamente no dia 25 de agosto quando o mato-grossense Jânio Quadros (1917-92) renunciou à presidência da República.
No lugar de Jânio, entrou Jango.
João Goulart (1919-76), o Jango, era um católico do Rio Grande do Sul. Mas suas ideias de igualdade preocupavam as Forças Armadas. Boa praça.
Não sei porque os militares têm tanto medo dos comunistas.
Jango não era comunista. Era fazendeiro, capitalista.
O comunismo nunca teve forte influência em governo nenhum, no Brasil.
A madrugada de 31 de março de 1964 pegou fogo nos quartéis. E o dia seguinte chegou com blindados e baionetas nas ruas do Rio de Janeiro. ECOS DA DITADURA
O golpe que recebeu apoio da classe dominante duraria 21 longos anos. Intermináveis anos.
Mesmo depois da 1ª eleição (indireta) que confirmou o nome do mineiro Tancredo Neves (1910-1985) como presidente, que não assumiu, o fantasma dos anos de chumbo continuava a assustar os brasileiros comuns.
A Censura não acabou quando acabou a ditadura militar.
A Censura sob qualquer aspecto, é uma praga.
Muita gente foi presa, muita gente foi torturada, muita gente foi morta no decorrer daqueles tristes tempos.
Ainda há desaparecidos, brasileiros contrários à força bruta dos militares.
O governo militar editou 17 Atos Institucionais. O mais violento deles foi o AI-5, que além liberar porrada pra todo lado, liberou também a Censura indiscriminada. Esse foi o pior de todos. AI-5 NUNCA MAIS
Poetas, escritores, atores, compositores, artistas de todas as áreas acusaram o golpe e partiram para o ataque.
Em 1964, foi levada à cena a peça Opinião, com João do Vale, Zé Keti e Nara Leão, no Rio. LIBERDADE EM TEMPO DE CAPITÃO
No Rio, os agentes da ditadura tacavam fogo na Sede da União Nacional dos Estudantes, UNI.
No Rio, a Associação Brasileira de Imprensa, ABI, não se calava diante das ameaças dos trogloditas fardados ou camuflados de civis, promovendo debates sobre a censura e direitos do povo.
A atriz e produtora cultural Ruth Escobar, uma antena ligadíssima a todos os acontecimentos daquele tempo, estava lá presente.
Ruth, portuguesa de origem, nasceu no dia 31 de março de 1936 e chegou ao Brasil 3 anos antes de Getúlio se matar (1954). A propósito, recomendo a leitura do livro Metade é Verdade, de Álvaro Machado.
A ditadura continuava a mostrar a sua cara feia, assustando a Democracia.
No dia 28 de março de 1968, a polícia apontou a arma e matou o estudante secundarista Edson Luís.
Edson tinha apenas 16 anos de idade.
No dia 26 de junho de 1968, Ruth Escobar e centenas de artistas engrossaram a Passeata dos Cem Mil.
Essa história eu conto num encarte do CD Nação Nordestina, de Zé Ramalho.
E os artistas sempre com o povo, defendendo o direito de viver em paz.
Muitas peças de teatro foram censuradas.
Muitas músicas foram censuradas.
Aqui, uma dúzia delas:
Gregório Bezerra, humilde pernambucano de Panelas, foi preso pelos militares e por eles torturado. Acusação: comunista.
Indefeso, Bezerra foi amarrado na traseira de um jipe do Exército e arrastado por bairros, por ruas populares de Recife, em 1964.
Bezerra, que nasceu no dia 13 de março de 1900, morreu na Capital paulista no dia 21 de outubro de 1983. Nesse dia e ano conheci e entrevistei Luís Carlos Prestes (1898-1990), para a Folha.
Carlos Pena Filho, que nasceu em 1929 e morreu em 1960, foi amigo de Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Jorge Amado e tantos.
Pena era incrível. Um gênio nascido fora do tempo. É dele um poema épico sobre Lampião e Solibar, esse musicado por Alceu Valença. Ouça:
Ruth Escobar morreu no dia 5 de outubro de 2017, em São Paulo. De Alzheimer.
No dia 20 outubro de 2015, Ruth Escobar foi personagem do programa Persona em Foco. Da TV Cultura. Veja:
O Domingo de Ramos, data importantíssima para cristãos e ortodoxos, me lembra o burrinho pedrez da novela homônima do mineiro Guimarães Rosa, inserida no livro Sagarana (1946).
A história bíblica refere-se ao Domingo de Ramos como o dia da entrada triunfal de Jesus a Jerusalém. ler Mateus, Lucas e Marcos. Jesus entrou na cidade sob clima de festa dias antes de ser presos, torturado e pregado numa cruz, na qual morreu.
Não custa lembrar que Jesus estava montado num burrinho, enquanto as pessoas gritavam seu nome, eufóricas.
O burrinho do autor mineiro tinha por nome Sete-de-Ouros. Era velho e enxergava pouco. Pra sua má sorte, o dono da fazenda onde ele vivia, major Saulo, descobrio escondendo-se numa moita e tal.
Essa história é uma história tocante,como tocante é a história do Domingo de Ramos.
Esse domingo marca o início da Semana Santa, que finda no Domingo de Páscoa.
Na história de Rosa, o Sete-de-Ouros integra um grupo de vaqueiros que tange uma boiada de 460 cabeças.
Várias histórias permeiam essa história do mestre de Minas. Depois de muitos empecílios, de chuvas torrenciais e cheias, os vaqueiros que tange a boiada morrem afogados, menos Francolin e Badu.
Frankolin salva-se por estar montado no burrinho e Badu por estar agarrado no rabo do burrinho. Ao fim, fica a simbologia: o burrinho, com toda a idade que tinha carregava experiência e o mundo nas costas.
Sete-de-Ouros é tali-quá o titan grego Átilas. E Jesus, símbolo de esperança, continua ocupando o imaginário de cristãos e ortodoxos.
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O homem pôs os pés na Lua em julho de 1969, pela primeira vez. Sonho antigo.
Em 1865 o escritor francês Júlio Verne (1828-1905) publicava Da Terra à Lua. Ficção em que se acham milicos malucos programando a ida de três civis, igualmente malucos, ao belo satélite. Isso através do disparo de um canhão fora do comum.
Verne é Verne, impagável nas suas incursões pelo imaginário popular desde Viagem ao Centro da Terra, de 1864.
Em 1877, o russo Dostoiévski (1821-1881) já punha numa de suas histórias (O Sonho de Um Homem Ridículo) um personagem fazendo lucubrações sobre a Lua e Marte.
Bem antes disso o bibliotecário francês Leon Scott (1817-1879) criou uma geringonça a que chamou de fonoautógrafo. Essa invenção foi patenteada no dia 25 de março de 1857 e três anos depois, no dia 9 de abril, ele conseguiu gravar pela primeira vez a voz humana. Dessa voz saía uma canção folclórica intitulada Au Clair de La Lune, algo como À Luz do Luar.
No Brasil, em 1914, ia à praça um disco de 78 RPM com a toada Luar do Sertão, do poeta Catulo da Paixão Cearense (1863-1946) e do violonista João Pernambuco (1883-1947).
A discografia brasileira é recheada de músicas que tratam da Lua em todas as suas fases: Minguante,
A Pandemia provocada pelo novo Coronavírus tem matado muita gente, de todas as formas. Irracionalmente, inclusive.
O que as federações de futebol estão fazendo é um crime. Crime, sim.
As federações de futebol estão obrigando os jogadores a jogar no momento de extremo perigo. O novo Coronavírus não escolhe quem vai pegar.
Nesse caso, falta no mínimo solidariedade.
Não sei quantos, mas muitos jogadores de futebol já pegaram o vírus.
O novo Coronavírus já fez mortes no futebol, no Brasil e fora do Brasil.
Hoje 27 faz 21 anos da morte de Moacir Barbosa.
Hoje 27 faz também 100 anos que Barbosa nasceu.
Barbosa, como ficou conhecido o paulista de Campinas entrou para a história do futebol como a única pessoa responsável pela perda do título de campeão de 1950 da Seleção Brasileira.
Injustiça.
Naquele fatídico 16 de julho de 1950 havia no campo, além de Barbosa, dez brasileiros correndo atrás de uma bola.
A Seleção Brasileira só precisava de um empate. Não deu.
De bate pronto, ninguém lembra dos jogadores que corriam atrás da bola, mas o nome de Barbosa todo mundo lembra.
Barbosa morreu pobre e abandonado por todos, menos pela filha que adotou: Tereza, que carinhosamente ele chamava de "minha neguinha".
Barbosa, Moacir Barbosa, nascido no dia 27 de março de 1921 foi um herói.
"O Barbosa voava, era uma pássaro gavião que pegava bola a torto e a direito", exagera Carlos Sílvio.
Sílvio, pra quem não sabe, é goleiro voador do Paiaiá F.C.
E du-vi-de-o-dó: o Barbosa não toparia entrar em campo com uma doença que pega todo mundo no ar, pelo ar.
A Natureza, com sua grandeza, mudará o mundo depois da Pandemia que vivemos.
Assim vai ser.
Vai ser assim porque nós, humanos, não mudamos nada em nosso benefício.
A Natureza está atenta.
Mudamos, em termos, a sociedade quando a sociedade sopra ventos contra nós. Infelizmente.
Foi sempre assim, historicamente falando.
Solidariedade?
Há casos e casos, isoladamente. Pois enfim nem todos somos imprestáveis, horrorosos.
O meio artístico, das artes e literatura, é mais pendente ao sentimento humano.
O ator Tony Ramos, no momento em que recebia vacina contra o novo Coronavírus soltou uma fala importante para os tempos bicudos que ora vivemos. Esta:"O importante é continuar acreditando na ciência, nos profissionais da saúde, pedindo apoio a eles. E acreditando, principalmente, que é possível vencer quando todos, juntos, estão emanados num mutirão pela saúde. Acreditem: a ciência está presente, atenta e, cada vez [mais], buscando novos caminhos."
Quem me chamou à atenção para o que disse o ator global foi o querido amigo Carlos Sílvio, que observou:
"As pessoas, modo de dizer, estão descumprindo todas as normas baixadas pelas autoridades sanitárias. Isso não é bom. E não funcionam, pra funcionar necessário seria que os infratores, irresponsáveis, que andam fazendo baladas e tal, fossem penalizados. Como pena os infratores seriam obrigados a prestar serviço nos cemitérios do Brasil, por exemplo".
Dizer o que, né?
Concordo plenamente com amigo Sílvio: não basta baixar decreto e tal. Infrator, ao descumpri medidas contra a Pandemia, tem que se responsabilizar pelos atos feitos enterrando gente antes de eles mesmo serem enterrados.