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sábado, 11 de setembro de 2021

O 11 DE SETEMBRO EM CORDEL

Hora: 08h46.
Naquela manhã de setembro de 2001, eu acabara de tomar café e já me preparava pra sair. Da televisão ligada, ouvir o apresentador Carlos Nascimento(GLOBO) narrar algo que a mim pareceu de momento um terrível pesadelo ou sei lá!
Naquela manhã de setembro de 2001, o mundo registrava nas páginas da história o mais violente ataque de aviões a dois arranha-ceus da cidade de Nova York.
Terror.
O ataque dos terroristas da Al Qaeda deixou quase 3 mil mortos e uma montanha de ferro retorcidos.
Eu vi, naquele tempo os meus olhos ainda viam. Hoje, vejo com a memória.
As cenas que os meus olhos viram estão todas guardadas na memória.
Dói constatar o ódio que aflora nas pessoas. Meu Deus!
Todas essas histórias tristes e de tragédias ocorridas no decorrer do tempo, ficam registradas também em folhetos de cordel.
O ataque às Torres Gêmeas foi registrado em folhetos, livros, cinema e tal.
Muitos folhetos de cordel foram escritos e publicados no Brasil. O primeiro dele foi, provavelmente, feito na capital paulista pelo cearense Klévisson Vianna e o mineiro Téo Azevedo. O assunto renderia outro folheto de Klévisson(ao lado), escrito com o irmão Ariovaldo Vianna(1968-2020).

LEIA MAIS: TRAGÉDIAS INSPIRAM ARTISTAS

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

FORRÓ PARA ANASTÁCIA

 

Flores em vida, já dizia Nelson Cavaquinho (1911-1986) no samba Quando Eu Me chamar Saudade.
Há muitos brasileiros e brasileiras talentosos. Carlos Gomes (1836-1896), o maestro, foi o primeiro grande compositor operístico das Américas. Era de Campinas, SP.
Muitos artistas, professores e cientistas nascidos no nosso País não receberam as devidas homenagens em vida. Isso precisa mudar.
Sempre fui a favor de palmas em vida.
Já compus com parceiros músicas ressaltando o valor e a criatividade de grandes brasileiros como Luiz Gonzaga (1913-1989), Geraldo Vandré, Rosil Cavalcanti (1915-1968), Inezita Barroso (1925-2015) e agora Anastácia.

A cantora pernambucana Anastácia começou a gravar músicas em 1961. Foi nesse ano que ela chegou a São Paulo, decidida a ganhar fama e reconhecimento. Conseguiu, depois de gravar centenas de músicas dela própria e de outros compositores.A história dessa artista é uma história incomparável. Foi ela a primeira compositora de forrós. Antes dela, havia uma intérprete de forrós: Marinês (1935-2007). Marinês foi uma das grandes vozes femininas da nossa música. Nasceu em Pernambuco, como Anastácia.
Há pouco, Jorge Ribbas e eu compusemos Forró para Anastácia. Até aqui, ninguém havia composto obra especialmente em homenagem a essa artista. Tomara que ela goste do que fizemos. A música consta de um EP que já se acha em todas as plataformas. Jorge explica: "'Mantendo a chama' possui uma música minha em parceria com Assis (Forró para Anastácia). A criança da capa (minha neta) remete à esperança da tradição como polo de sustentação de identidade e pertencimento a um lugar, representada pela roupa e pelo chuveirinho (fogos de artifício)  típicos dessa época. Essa caracterização introduz ao áudio do forró pé-de-serra bem tradicional, identificado pelos ritmos do xote e do baião". Ouça:

FESTIVAL MEC

Jorge Ribbas, doutor em música pela Universidade da Paraibana, está participando do festival da Rádio MEC. A música inscrita e classificada é Pentagonia. Diz Jorge: "'Pentagonia' compus em homenagem à influência do filósofo grego Pitágoras na música e na cultura ocidental".

O resultado do festival da Rádio MEC sairá no próximo 23/9. Ouça: PENTAGONIA

LEIA MAIS: ANASTÁCIA, PRINCESA OU RAINHA? • ANASTÁCIA CHEIA DE GRAÇA • HOJE É DIA DA BRASILEIRA ANASTÁCIA • O ROCK TEM CRONISTA: JORGE RIBBAS • ROSIL CAVALCANTI PARA BONS OUVIDOS • JORGE RIBBAS, UMA HISTÓRIA CIDADÃ

SÓ BOBO ACREDITA NA CARTA DE BOLSONARO

Já não são quinhentas mortes
Já não são quinhentas mil
A desgraça toma corpo
No coração do Brasil

Não são mortes naturais
As mortes de Silvas e Bragas
São mortes provocadas
Por vírus, pestes e pragas

Praga viva inda mata
Homem, menino e mulher
Mata completamente
Do jeito que o bicho quer

Maldito Coronavírus
Que pega e mata gente
O Brasil está morrendo
Nas garras do presidente...
 
O Brasil chegou ontem 9 à triste marca de 585 mil brasileiros mortos pela Covid-19. Triste.
O Brasil foi surpreendido ontem 9 com uma carta assinada por Bolsonaro. Nessa carta ele diz que o que falou no último dia 7 sobre o ministro Alexandre de Moraes foi "no calor do momento". É uma carta cheia de baboseiras, de mentiras que saltam aos olhos de quem é cego pelo fanatismo bolsonarista.
Fico a pensar: será que ainda há bobos tão bobos que acreditam no que diz o golpista Bolsonaro?
Eu, pessoalmente, não acredito em nada de nada que Bolsonaro disse na carta. 
A carta provocou muita falação nas redes sociais. Seus filhotes golpistas se dizem decepcionados. 
Diante disso tudo, parece que estou vendo o Amigo da Onça, de Péricles tomar uma no boteco da esquina e dizer: "Só acredito nessa peste, se essa peste se matar", como o presidente Getúlio em 1954.
Pois é.
Numa fala rápida com meus botões, ouvi em uníssono: "O lugar desse cara é a cadeia". No embalo, Zilidoro pediu licença pra declamar a parte de um poema em que digo:

... Presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!

A cadeia te espera
Presidente matador
Quem apanha hoje é caça
Amanhã é caçador

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER VER...

Orgulhei-me hoje 9 ao ouvir o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, TSE, Luís Roberto Barroso, defender o Brasil com palavras marcantes, fortes, decididas. 
Palavras de vida.
Pontualmente, Barroso mostrou em discurso a importância do Brasil e a idiotice da pessoa que hoje ocupa a cadeira de presidente da República, com propósitos de destruir o que há de melhor no nosso País.
Ele falou muita coisa importante, até de cegos. De cegueira: 
"É tudo retórica vazia. Hoje em dia, salvo os fanáticos (que são cegos pelo radicalismo) e os mercenários (que são cegos pela monetização da mentira), todas as pessoas de bem sabem que não houve fraude (nas eleições de 2018) e quem é o farsante nessa história..."
Barroso falou de Democracia. Da importância da Democracia.
A Democracia tem espaço para todo mundo, só não tem espaço para quem não presta.
O presidente Bolsonaro não presta. 
O Brasil é do tamanho do mundo, da vida. 
Cada qual de nós temos que lutar para o bem maior que é o lugar onde vivemos.
No correr de 200 anos nenhum chefe de governo foi tão violento, escroto e canalha como Jair Messias Bolsonaro. O lugar desse nome é o lugar onde nasceu...
Ele quer matar o Brasil.
As instituições democráticas estão atentas. Os seres do bem, as pessoas do bem, as pessoas que apostam na vida da melhor maneira possível, apostam na Democracia.
Democracia é um sistema de governo no qual podem todos se manifestar. Dizerem o que pensam, mas jamais destruir o outro.
Somos todos iguais, perante Deus e a Constituição.
Bolsonaro, pessoalmente e politicamente, é ser que não presta.
Que identificação tão estranha é essa do bem com o mal, hein?
Por que há tantas pessoas que gostam do mal?
O mal é coisa e gente que não presta
O presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, pronunciou um texto correto e esperançoso. Orgulhei-me, repito. Leia, acompanhe: Na íntegra o discurso de Luís Roberto Barroso, presidente do TSE
 

A TERRA AOS DONOS DA TERRA

 Milhares de indígenas se acham em Brasília pressionando juízes do STF para votarem a favor de seus interesses, que se resumem à demarcação de terras. Legítimos, portanto.
Em discussão, o chamado o marco temporal das terras indígenas.
Texto da Constituição, dependendo da interpretação, retiram dos indígenas o direito às terras por eles não ocupadas até 1988.
Ora, ora.
Pressão maior do que fazem os indígenas é a pressão dos ruralistas, grileiros, mineradores e tal.
O governo está apostando todas as fichas contra os direitos dos indígenas.
Os indígenas estão no Brasil há séculos e séculos. Suas terras foram invadidas por gente de tudo quanto é lugar. E ainda continuam a ser invadidas por gente de todo canto, por poderosos e protegidos de poderosos de plantão.
Os verdadeiros donos da Terra Brasilis são os indígenas, quer queiram quer não. É fato histórico.
Vamos ver em que vai dar esse rolo, já que sabemos que a corda costuma arrebentar sempre do lado mais fraco.
Não basta o Coronavírus continuar pegando e matando indígena?
Há uns dez anos o mineiro Téo Azevedo e eu compusemos uma música intitulada O Índio, grava pela cantora Fatel. Clique:

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

TUDO PELA DEMOCRACIA!


O presidente Bichonaro ou Bolsonaro, sei lá! Continua alimentando seus seguidores abonados a incendiar o país em nome do "povo". Vejam só! 

O atual presidente da República, eleito pelas urnas, é uma besta quadrada. Na verdade, um bufão. Um sujeito sem temperança, sem alegria, sem futuro. É o mal em pessoa. Um enviado dos infernos, um piolho do Cramunhão. Mas ele não chegará a canto nenhum, ao contrário: voltará a berda de onde surgiu. Ele e os seus filhotes.

As instituições democráticas estão atentas ao comportamento desse falastrão, idiota e bufão que tanto fala, fala e fala.

Palavras bobas o vento leva e a história registra os horrores na sua lata de lixo.

Bichonaro ou Bolsonaro, sei lá! É politicamente um lixo.

O presidente do STF, Luís Fux, abriu a sessão do tribunal fazendo um belo preâmbulo em torno da Democracia. Lá pras tantas, disse que ninguém "Ninguém, ninguém fechará esta Corte. Nós a manteremos de pé, com suor, perseverança e coragem. No exercício de seu papel, o Supremo Tribunal Federal não se cansará de pregar fidelidade à Constituição e, ao assim proceder, esta Corte reafirmará, ao longo de sua perene existência, o seu necessário compromisso com o regime democrático, com os direitos humanos e com o respeito aos poderes e às instituições deste país".

Leia os principais pontos do discurso de Fux:

"Nós, Ministras e Ministros do STF, sabemos que nenhuma nação constrói a sua identidade sem dissenso. A convivência entre visões diferentes sobre o mesmo mundo é pressuposto da democracia, que não sobrevive sem debates sobre o desempenho dos seus governos e de suas instituições.

Nesse contexto, em toda a sua trajetória nesses 130 anos de vida republicana, o Supremo Tribunal Federal jamais se negou – e jamais se negará – ao aprimoramento institucional em prol do nosso amado país.

No entanto, a crítica institucional não se confunde – e nem se adequa – com narrativas de descredibilização do Supremo Tribunal e de seus membros, tal como vem sendo gravemente difundidas pelo Chefe da Nação.

Ofender a honra dos Ministros, incitar a população a propagar discursos de ódio contra a instituição do Supremo Tribunal Federal e incentivar o descumprimento de decisões judiciais são práticas antidemocráticas, ilícitas e intoleráveis, em respeito ao juramento constitucional que fizemos ao assumirmos uma cadeira na Corte.

Infelizmente, tem sido cada vez mais comum que alguns movimentos invoquem a democracia como pretexto para a promoção de ideais antidemocráticos. Estejamos atentos a esses falsos profetas do patriotismo, que ignoram que democracias verdadeiras não admitem que se coloque o povo contra o povo, ou o povo contra as suas instituições.

Todos sabemos que quem promove o discurso do “nós contra eles” não propaga democracia, mas a política do caos. Em verdade, a democracia é o discurso do “um por todos e todos por um, respeitadas as nossas diferenças e complexidades”.

Povo brasileiro, não caia na tentação das narrativas fáceis e messiânicas, que criam falsos inimigos da nação. Mais do que nunca, o nosso tempo requer respeito aos poderes constituídos. O verdadeiro patriota não fecha os olhos para os problemas reais e urgentes do país. Pelo contrário, procura enfrentá-los, tal como um incansável artesão, tecendo consensos mínimos entre os grupos que naturalmente pensam diferentes. Só assim é possível pacificar e revigorar uma nação inteira.

Imbuído desse espírito democrático e de vigor institucional, este Supremo Tribunal Federal jamais aceitará ameaças à sua independência nem intimidações ao exercício regular de suas funções.


Os juízes da Suprema Corte – e todos os mais de 20.000 magistrados do país – têm compromisso com a sua independência, assegurada nesse documento sagrado que é a nossa Constituição, que consagra as aspirações do povo brasileiro e faz jus às lutas por direitos empreendidas pelas gerações que nos antecederam.

O Supremo Tribunal Federal também não tolerará ameaças à autoridade de suas decisões. Se o desprezo às decisões judiciais ocorre por iniciativa do Chefe de qualquer dos Poderes, essa atitude, além de representar um atentado à democracia, configura crime de responsabilidade, a ser analisado pelo Congresso Nacional. Num ambiente político maduro, questionamentos às decisões judiciais devem ser realizados não através da desobediência, não através da desordem, e não através do caos provocado, mas decerto pelos recursos, que as vias processuais oferecem.

Ninguém, ninguém fechará esta Corte. Nós a manteremos de pé, com suor, perseverança e coragem. No exercício de seu papel, o Supremo Tribunal Federal não se cansará de pregar fidelidade à Constituição e, ao assim proceder, esta Corte reafirmará, ao longo de sua perene existência, o seu necessário compromisso com o regime democrático, com os direitos humanos e com o respeito aos poderes e às instituições deste país.

Em nome das Ministras e dos Ministros desta Casa, conclamo os líderes do nosso país a que se dediquem aos problemas reais que assolam o nosso povo: a pandemia, que ainda não acabou e já levou 580 mil vidas brasileiras.

Devemos nos preocupar com o desemprego, que conduz o cidadão ao limite da sobrevivência biológica; a inflação, que corrói a renda dos mais pobres; e a crise hídrica, que se avizinha e que ameaça a nossa retomada econômica.

Esperança por dias melhores é o nosso desejo e o desejo de todos. Mas continuamos firmes na exigência de narrativas e comportamentos verdadeiramente democráticas, à altura do que o povo brasileiro almeja e merece.

Não temos mais tempo a perder."

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terça-feira, 7 de setembro de 2021

RODA VIDA OMITE AUDÁLIO DANTAS

Senti-me ludibriado pela TV Cultura, que anunciou a presença de uma importante autora negra no programa Roda Viva. Semana Passada. A entrevistada era/foi Conceição Evaristo. 
Dizia a chamada da TV que Evaristo iria falar sobre a obra da mineira negra Carolina Maria de Jesus (1914-1977). E aí foi que me senti ludibriado, pois a entrevistada falou nada sobre nada e tal e coisa e foi em frente e a Carolina e seu descobridor, o jornalista Audálio Dantas, jogados para o escanteio. E ela disse, o que interessa é a autora e tal.
Até parece que há um movimento orquestrado para apagar o nome de Audálio Dantas da vida de Carolina Maria de Jesus. 
Na 34ª Bienal de São Paulo há, no 2º piso, um espaço no qual pode se ver manuscritos de Carolina. E o nome de Audálio? Bal, bal... 
"Acho uma pena que isso esteja ocorrendo", diz a colaboradora deste blog a estudante de Artes Visuais, Anna da Hora. "A história não pode ser apagada", ela acrescenta.
Ouvi o Roda Viva de segunda 6 de cabo a rabo. Banca fraquíssima.
Lá pras tantas um dos integrantes da banca, acho que Pedro, fez alusão à Audálio. E ficou nisso. Pena.
Conceição Evaristo, mineira como Carolina, disse ter 74 anos de idade e que não sei quê, não sei quê, não sei que lá. Não falou, mas deixou implícito que a participação de Audálio Dantas na vida de Carolina Maria de Jesus foi nada. No mínimo, prejudicial. 
A entrevistada do Roda Viva defendeu a publicação na íntegra de tudo que Carolina escreveu. Muitos e muitos diários, milhares de páginas. Audálio, profissional arretado que foi, editou os cadernos que viraram Quarto de Despejo. 
Esse livro recebeu dezena e meia de traduções, mundo a fora. 
Senti um quê de petulância e discriminação da entrevistada, em relação a Audálio Dantas e pardos e brancos no geral.
Posso estar errado, mas sei que não estou.
Precisamos ser mais humildes na vida.
E chega, mas acrescento: sem Audálio Dantas, não existiria a escritora Carolina Maria de Jesus.
E se eu dissesse que Carolina foi uma plagiária, hein?
Pois é, basta ouvir o LP Quarto de Despejo, aquelas marchinhas e tal. 
Confira o Roda Viva com Conceição Evaristo, clicando:

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O 7 NA VIDA DA GENTE

Pra tudo há uma explicação. O número 7, por exemplo.
Na numerologia, o 7 representa perfeição. Representa também espiritualidade, tranquilidade, desafio e tudo mais. Quem tem esse número, quem gosta desse número, tem meio caminho andado nessa vida. Isso diz o popular.
No Folclore, o 7 dá conta de quem mente. E para os supersticiosos, o 7 é atraso de vida. Pra tanto, basta passar debaixo de uma escada ou quebrar um espelho.
O 7 está em todos cantos até nas cantigas infantis:

Sete e sete são quatorze
Com mais sete vinte e um 
Tenho sete namorados 
Mas não gosto de nenhum...

A vida brasileira é cheia de 7.
Dom Pedro I abdicou num 7 de abril, dividiu lençóis com a marquesa de Santos durante 7 anos e num 7 de setembro assinou a Declaração da Independência nas beiradas do riacho Ipiranga, em Sampa.
O Brasil era uma terra tranquila até o seu achamento, em 1500.
Em 1532, os problemas começam a aparecer com a fundação da Vila de São Vicente, SP. Esses problemas aumentam, quando Dom João VI desembarca na Costa baiana e lá cria a primeira capital do País. Isso, em 1808, quando cria o Banco do Brasil.
Entre problemas e soluções, o Brasil vai achando o caminho.
Em 1821, Dom João VI volta a Portugal. Logo depois chama o filho, que não vai.
A essa altura, já estamos em 1822.
Subindo a ladeira num burro desde Santos, SP, saído da casa da amante, Pedro I assina a tal declaração que Pedro Américo retrata totalmente diferente.
Essa Declaração foi redigida por Maria Leopoldina, sua mulher, e ele teve de assiná-la, sem grito.
No mesmo dia que assinou a declaração, a história conta que Dom Pedro compôs o Hino da Independência, que o barítono Vicente Celestino (1894-1968) gravaria, com letra de Evaristo Veiga (1799-1837), em 1922.
O resto é história. 
No dia 9 de setembro de 1856, o romancista Machado de Assis (1839-1908) publicaria no jornal Correio Mercantil o poema O Grito do Ipiranga, baseado no feito de Dom Pedro I. Esse poema, que consta em nenhum livro do escritor, foi descoberto recentemente. Fica o registro.

Liberdade!... Pharol divinisado! —
Sob o teu brilho a humanidade e os seculos
Caminhão ao porvir. Roma as algemas
Quebrou dos filhos que a oppressão lançára
Dentre a sombra de purpura dos Cesares,
Que envolvia Tarquinio em fogo e sangue,
Cheia de tua luz e estimulada
Por teu nome divino — essa palavra
Immensa como as vozes do Oceano,
Sublime como a idéa do infinito!
Tal como Roma a terra americana,
Um dia alevantando ao sol dos tropicos
A fronte que domina os estandartes,
Saudou teu nome magestoso e bello —
E o brado immenso — Independencia ou morte —
Soltado lá das margens do Ypiranga,
Foi nos campos soar da eternidade.

Desenrola nas turbas populares
Dos livres a bandeira o heróe tão nobre,
Digno dos louros festivais que outrora
Roma dava aos heróes entre os applausos

Do povo que os levava ao Capitolio!
Elle foi como o Cesar de Marengo;
Sua voz como a lava do Vesuvio
Levada pela voz da immensidade
Foi do Téjo soar nas margens, onde
Estremeceu de susto o lusitano!

Ypiranga!... Ypiranga!... A voz das brisas
Este nome repete nas florestas!
Caminhante! Eis ali onde primeiro
Sôou o brado — Independencia ou morte! —
O homem secular levando as aguias
Por entre os turbilhões de pó, de fumo,
Ostentando nos livres estandartes
O lucido pharol de um seculo ovante,
Mais sublime não foi nem mais valente
Que Pedro o heróe da América travando
Do pharol da sagrada liberdade,
E acordando o Brasil, escravisado,
Sob ferreos grilhões adormecido.

Somos livres! — Nas paginas da historia
Nosso nome fulgura — alli traçado
Foi por Deus, que do heróe guiando o braço,
Nas—folhas o escreveu do eterno livro.
Somos livres! — No peito brasileiro
A idéa da oppressão não se acalenta!
Somos já livres como a voz do oceano,
Somos grandes tambem como o infinito,
Como o nome de Pedro e dos Andradas!

Seja bemdito o dia em que Colombo
Cesar dos mares, affrontando as ondas,
Á Europa revelou um Novo Mundo;
Elle nos trouxe o sceptro das conquistas
Nas mãos de Pedro — o fundador do Imperio!

O heróe calcando os pedestaes da historia,
Ergue soberbo aos seculos vindouros
A fronte magestosa! Immenso vulto!
É elle o sol da terra brasileira!
Neste dia de esplendidas lembranças
No peito brasileiro se reflecte
O nome delle — como um sol ardente
Brilha dourado no crystal dos prismas!

Tomando o sabre, dominou dous mundos
O heróe libertador, valente e ousado!
Elle, o tronco da nossa liberdade,
Foi como o cedro secular do Libano,
Que resiste ao tufão e ás tempestades!

Ypiranga! Inda o vento das florestas
Que as noites tropicaes respirão frescas
Parecem murmurar nos seus soluços
O brado immenso — Independencia ou morte!
Qual o trovão nos écos do infinito!

Disse ao guerreiro o Deus da Liberdade:
Liberta o teu Brasil num brado augusto,
E o heróe valente o libertou n′um grito!

7 de setembro de 1856.

Para ilustrar essa história, nada melhor do que o cartunista Fausto inspirando-se no pintor norueguês Edvard Munch (1853-1944).
 
 
Pra relaxar, ouça: MATA SETE • SETE MENINAS • BICHO DE 7 CABEÇAS

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

LIBERDADE DE EXPRESSÃO, UM DIREITO DE TODOS

A máxima o dito "liberdade de expressão" está em moda.
Todo mundo fala hoje de liberdade de expressão.
É liberdade de expressão pra cá, é liberdade de expressão pra lá, e a zebra a postos.
Liberdade de expressão é liberdade de expressão, sem ameaça individual ou coletiva.
Liberdade de expressão, já dizia o filósofo popular Millôr Fernandes: "Pensar é só pensar".
Viver em paz e ao lado de quem pensa diferente é fundamental. Exemplo: há pouco perguntei ao conterrâneo Geraldo Vandré se ele já havia chorado em algum momento da vida. Respondeu afirmativamente, que sim. Muitas vezes. E perguntei mais. Perguntei o que achou do desempenho dos atletas portadores de deficiência física, intelectual etc, nas Paralimpíadas de Tóquio. Resposta, dura e crua: "Um desfile de horror, de aleijados...".
Chocou-me, claro. Mas essa é apenas uma opinião, uma discordância entre partes. No caso, eu e ele.
Geraldo também acha que jornalista gosta de barulho, de confusão, de bagunça. Discordo.
Exprimir opinião é um direito natural de todos que vivem numa Democracia. 
O Brasil já passou por momentos de grandes perrengues, desde a invasão dos estrangeiros  no século 16. E foi, e foi, e foi... E cá estamos de novo em nova encruzilhada.
O 7 de setembro é uma data para ser lembrada. Foi nesse dia, em 1822, que Dom Pedro I declarou a nossa independência de Portugal. Esse dia, porém, só foi transformada em feriado nacional em dezembro de 1949. O governo era o do Marechal Dutra.
É isso.
E viva o Brasil!
Ah, sim: hoje é véspera de amanhã 7. Ouço no rádio e televisão que o governo Bolsonaro, e o próprio Bolsonaro, está convocando o "povo" pra grandes aglomerações em "comemoração" ao 7 de setembro. O radicalismo do presidente atrai como ímã o radicalismo de quem o segue como cegos loucos. Zebra à vista, mas o governador João Dória está armando o maior esquema de segurança jamais visto em São Paulo.
Em casa estou, em casa estarei amanhã 7.
 
LEIA MAIS: 

VIVA O ALFAIATE!

No dia 6 de setembro de 1945, na semana do fim da 2ª Guerra Mundial, o sanfoneiro e cantor Luiz Gonzaga lançava à praça mais um disco de 78 RPM. Nesse disco se achava a gravação da cantiga Cortando o Pano, de Miguel Lima e J. Portela. Essa música registra o cotidiano de um alfaiate.

Errei no corte, seu Zé Mariano
Peço desculpas pelo meu engano
Sou alfaiate do primeiro ano
Pego na tesoura e vou cortando o pano
 
Quando ele erra, estraga o pano todo
Quando ele acerta, a roupa não convém
 
Quando ele erra, estraga o pano todo
Quando ele acerta, a roupa não convém
 
Eu fiz um terno pro José, meu mano
Ficou curtinho, porque houve engano
Sou alfaiate de primeiro ano
Pego na tesoura e vou cortando o pano
 
Quando ele erra, estraga o pano todo
Quando ele acerta, a roupa não convém
 
Quando ele erra, estraga o pano todo
Quando ele acerta, a roupa não convém
 
Se chegar Seu Mano (vou cortando o pano)
Vai cortando o pano (vou cortando o pano)
E se estragar o pano (vou cortando o pano)
Vai cortando o pano (vou cortando o pano)
 
Se furar o pano (vou cortando o pano)
Vai cortando o pano (vou cortando o pano)
E se queimar o pano (vou cortando o pano)
Vai cortando o pano (vou cortando o pano)
 
Se chegar o Germano (vou cortando o pano)
Se chegar o Fulano (vou cortando o pano)
E se chegar o Sicrano (vou cortando o pano)
Mas vai cortando o pano (vou cortando o pano)
Mas vai cortando o pano (vou cortando o pano)
 
Sai daqui, baiano
Tá me perturbando, peste
Eu sou valentão
 
Sou alfaiate do primeiro ano
Mas faço roupa pra qualquer fulano
Só não acerto quando há engano
Se Deus ajuda, o terno sai bacano
 
Pelo sistema norte-americano
Não faço roupa pra qualquer fulano
Também não corto pra você, baiano
Eu sou valente, sou pernambucano
 
Quando eu me zango, bato a mão no cano
Aperto o dedo, sai logo o tutano
Sou alfaiate do primeiro ano
Pego na tesoura e vou cortando o pano
 
E se não tiver pano (vou cortando o pano)
E se chegar Seu Mano (vou cortando o pano)
Mas vai cortando o pano (vou cortando o pano)
 
E se não tiver pano (vou cortando o pano)
Mas vai cortando o pano (vou cortando o pano)
Vai cortando o pano (vou cortando o pano)
 
Se chegar o Germano (vou cortando o pano)
Se chegar o Fulano (vou cortando o pano)
E se chegar o Sicrano (vou cortando o pano)
Mas vai cortando o pano (vou cortando o pano)
 
E se queimar o pano...
 
Hoje 6 é o dia de todos os alfaiates brasileiros. Ouça: 

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

TEMPOS NERVOSOS

No momento, o que mais tem no Brasil é zebra. Quer dizer: problemas, problemas, problemas.
O Brasil tem um presidente que só pensa naquilo: reeleição.
Ouço no rádio notícia dando conta de que quadruplicaram as brigas, desacertos, desamores e tudo mais entre as pessoas de todos os sexos, neste País múltiplo.
Cá em casa, o telefone toca e toca e chego a tempo de atender o seu triiiiiimm. É Fausto, o bom Fausto dizendo que gostou do texto que acabo de publicar no newsletter Jornalistas&Cia. Escrevi sobre o número sete na nossa vida. E conversa vai, conversa vem, Fausto diz que está difícil entender as pessoas. "O Bolsonaro tá mexendo com a cabeça de muita gente, loucamente", diz lembrando que alguns amigos parecem ouvi-lo em grego: "Está todo mundo nervoso, irritado, sem paciência sequer para atender os amigos. Até onde vai isso?", pergunta.
Logo depois do Fausto, liga a querida cantora Celma (da dupla Célia e Celma). "E aí moço, por onde andas que não atendes? Já ligamos várias vezes e nada", diz acrescentando: "Estamos com saudade. Célia manda um abraço e o Severo, também".
Nessa mesma linha, o cantor e compositor Jorge Mello telefona perguntando: "E aí macho, não está mais atendendo o telefone?".
É claro que atendo a todos com todo carinho, com toda beleza, com todo respeito e agradecimento.
É bom falar, é muito bom falar.
Essa maldita pandemia que ainda continua provocando mortes em todos os continentes é, certamente, um dos motivos que tem levado as pessoas a se comportarem de modo, digamos, incivilizado.

Nada ou quase nada pode justificar uma grosseria pessoal ou por telefone. 
Um filho meu telefona de João Pessoa. Diz um monte de coisas. Palavras truncadas. E não nos entendemos.

Outro dia, achei de ligar a uma amiga em Pernambuco. Pessoa ótima. E com saudade, disse: Estou com saudade. Já liguei várias vezes, mas o triiim foi em vão. Para a minha surpresa, ouvi: "Não gosto de cobrança!".
Eu também não gosto de cobrança, portanto procuro não fazer dívidas.
Essa coisa de cobrança é coisa do Capitalismo.
O Capitalismo é um horror, mas sabemos: é o que há, pois o socialismo, o comunismo, nas suas origens, não deu certo. Tanto que Marx (1818-1883) morreu pobre de dar pena.
Aliás, essa história de Marx me lembrou de uma coisa: Marx teve com sua mulher, Jenny, 7 filhos. Quando um deles morreu, Marx não tinha dinheiro nem pra comprar o caixão.
Mas voltemos, saudade é coisa boa.
Essa história de matar saudade eu sou contra. Ouçamos:

domingo, 29 de agosto de 2021

LOUCURAS DO MUNDO

Todo mundo sabe quem foi Walt Disney(1901-1966). Quem não sabe, fique sabendo: foi o pai de Pateta, Mickey e Minnie.
Todo mundo também sabe quem foi Ary Barroso (1903-1964). Quem não sabe, fique sabendo: dentre tantas músicas, tantos clássicos, foi o autor de Aquarela do Brasil e na Baixa do Sapateiro.
Um dia o Walt ofereceu uma montanha de dinheiro pra Ary. mas para que a grana fosse para o bolso do compositor era precisa que o compositor de Ubá, MG, trocasse o Brasil pelo EUA. Ary perguntou: lá tem Flamengo?
O amigo Carlos Sílvio está tarde entusiasmado. Motivo: o argentino Messi vai se apresentar daqui a pouco em público, pelo seu novo clube; PSG.
Bom, tem uma doida brasileira chamada Luana que ofereceu 3,2 milhões e reais pelo lenço que Messi que usou para enxugar as lágrimas que desceu na entrevista de despedida do clube(Barcelona) que lhe deu guarida por mais de 20 anos.
O mundo está morrendo de fome, de COVID-19 e outros males, sem falar do que ora ocorre no Afeganistão e países em volta.
O IBGE informa que há pelo menos 19 milhões de brasileiros com a barriga na costas, por falta de comida. A grana da Luana não mataria a fome de todo mundo, mas serviria pra encher a barriga de muita gente.
E não custa lembrar: nos últimos 20 anos, os EUA enfiaram 27 trilhões de reais na ocupação ao Afeganistão. E nada resolveram. 
Quanto a Ary Barroso..
Ary não topou a grana que Walt lhe daria. Motivo? 
Na terra do Tio San não tem Flamengo.

sábado, 28 de agosto de 2021

EU E OS MEUS BOTÕES (11)

"Estou encantado, encantadíssimo, com o desempenho dos brasileiros nos Jogos Paralímpicos", disse com os olhos brilhando num sorriso de canto a canto o jovem Barrica. "O mano tem razão. É tudo muito bonito de se ver", acrescentou Biu.

De fato, os nossos representantes em Tóquio têm nos dados muita alegria e exemplos de vida. Eu disse em voz alta, sem querer. Automaticamente. Batendo palmas, Lampa concordou: "o que a Thalita fez foi brincadeira! Adorei vê-la disputando os 400 metros rasos, ao lado do treinador, confesso que fiquei sem palavras. Fiquei sem ação. Na verdade, chorei foi muito", desabafou Lampa voltando a cutucar as unhas com o seu punhal de estimação.

"E ela é cega, não vê nada. Que menina!", foi a hora de Mané falar.

Zé, por sua vez, pegando carona na fala de Mané disse: "e vocês viram também o desempenho da pernambuquinha Ana Carolina nos 100 metros borboleta e do Wendell Belarmino?".

Claro que todos vimos o belo desempenho desses  nossos atletas.

Quieto até então, Zoião, informou: "Até agora, em quatro dias já faturamos 23 medalhas. Seis das quais, de ouro".

"Eu acho que a gente vai faturar umas 50 medalhas. Ou mais", arriscou Jão entusiasmado. "Até o próximo dia 5 muita coisa boa vai acontecer com o pessoal lá em Tóquio", acrescentou.

Claro que tudo isso é muito bom, tudo isso é bom demais, mas o mais importante é estarmos lá. É muita experiência, muita beleza, categoria, força e fé em jogo que os atletas portadores de deficiência estão nos dando.

Abaixo, três dos nossos campeões.

Carolina, Thalita e Wendell:

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

O BRASIL NÃO PRECISA DE SANGUE NAS RUAS

O Brasil já nasceu de cabeça pra baixo, é só ver o mapa. O Sul está lá embaixo, o Norte lá em cima com seu copázio.
O Brasil é belo, belíssimo. 
O Brasil é grande, como a esperança dos brasileiros.
Há muita coisa errada no Brasil, incluindo o atual presidente.
Bolsonaro provoca os brasileiros, quer guerra entre nós. Quer que vivamos uns com raiva dos outros, como inimigos.
Somos todos iguais, como está escrito na Constituição de 88.
Por que esse arrodeio?
Figuras incríveis da cultura nacional têm atuado alinhadamente com o presidente e contra nós, que somos contra a violência.
Dentre as figuras de destaque da nossa cultura popular se acham Sérgio Reis. Sérgio quer tacar fogo no País. Quer por pra fora, na marra, os ministros do STF e tal.
Por que Sérgio, ou Sergião como chamam seus amigos, tem tanta raiva e desapreço por nossas instituições democráticas?
Uma parcela robusta da população quer sangue, com estimulo do presidente Bolsonaro. Pena.
Conheci e conheço muitos artistas de todas as áreas da cultura nacional, da literatura à música...
Muita gente telefona por que não tenho falado sobre Sérgio Reis e a declaração que fez a favor do quebra-quebra Brasil. 
Antes de mais nada, sou um cidadão que respeita e segue as leis com rigor.
Faço da vida, poesia. Sempre foi assim. E fui.
Não sou amigo do Sérgio Reis e de tantos e tantos cantores que admiro e respeito.
Quem procurar, achará: há várias entrevistas minhas com o Sérgio Reis. Uma das primeiras publicada no extinto suplemento cultural Folhetim, da Folha de S.Paulo. E tem essa entrevista aí, abaixo, em que falo da importância da nossa cultura musical etc. Clique:
 

ENQUANTO ISSO...

O ministro Paulo Guedes, da Economia, diz que "Qual é o problema de a energia ficar um pouco mais cara?". Mais: o presidente Bolsonaro pede pra desligarmos um ponto de luz em casa. Pergunto: e quem gosta de fazer amor com a luz acesa, hein?
Vivemos crises sequenciadas: energética, política, econômica, social, sanitária... E como se não bastasse, ainda tem trogloditas se organizando para incendiar o Brasil no próximo 7 de setembro.

EU E OS MEUS BOTÕES (10)

Mané, eufórico: "O Brasil já ganhou 17 medalhas e está ocupando o 6º lugar, na Paralímpica de Tóquio!".
Biu, também eufórico: "Incrível! Incrível! E estamos apenas no 3º dia dos jogos".
"Seu Assis, seu Assis, viramos a madrugada na casa do Zilidoro", contou Mané.
Zilidoro: "Está sendo muito legal acompanhar os jogos pela televisão. Já ganhamos 6 medalhas de ouro. Uma delas coube ao paraibano Petrúcio Ferreira, no atletismo".
Cutucando as unhas com um punhal, Lampa entrou na conversa dizendo que Petrúcio nasceu nos sertão de São José do Brejo do Cruz, "Mesmo lugar onde nasceram os primos cantores Zé e Elba Ramalho". E Zoião quis saber: "Lampa, esse Ferreira aí tem algo a ver com o seu parente Lampião?". Lampa: "Claro, claro, né?".
Até aqui acompanhei em silêncio a conversa entusiástica e curiosa  desenvolvida entre os meus pacatos e inteligentes botões. Estranhei apenas o silêncio de Zé, Jão e Barrica. Perguntei, então, qual a razão do silêncio dos três. Barrica foi o primeiro a se justificar: "Quando essa gente boa aí fala, eu calo", no que foi seguido por Zé e Jão: "Tá tudo muito bom, isso aqui tá bom demais...", lembraram cantarolando um velho sucesso do rei do baião, Luiz Gonzaga.
Zé levantou-se, pegou a quartinha e encheu o copo d'água. Tomou tudo em dois goles e disse: "Essa moçada dos Paralímpicos nos dá lições fantásticas!".
Levantando a mão, Lampa perguntou: "Patrão, por que o sinhô num tá participando do danado desses jogos?", respondi: porque o meu professor de ginásticas, o Anderson, disse que eu estou fora de forma e pra não fazer feio, não fui.
"Esses jogos vão acabar no próximo dia 5 de setembro", informou Zilidoro. Até o dia 5, muita coisa boa vai rolar em Tóquio.

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