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quinta-feira, 21 de abril de 2022

AUDÁLIO, CLEMENTINA E CAROLINA NO CARNAVAL

Eu tenho uma coisa a dizer, uma coisa a revelar. Eu conheci Clementina ali pelos anos de 1978/79, talvez 80. Mas a revelação, é: no primeiro momento em que eu me apresentei disse-lhe batendo a porta do hotel onde ela estava hospedada, ali na avenida São João: "Obrigado por me receber, dona Ivone...".
Clementina riu com um desenho bonito na cara, que identifiquei somente depois: "Entre, você é da Folha, não é?".
Guardei comigo esse encontro durante muito tempo e só agora tive a coragem de revelar, de contar a beleza da Clementina diante de mim, um simples jornalista.
A história de Clementina é uma história muito grande. 
A história de Clementina, uma negra, é a história de quem sempre viveu à sombra do branco.
Clementina é, de fato, uma deusa como define no seu canto a escola Mocidade Alegre (abaixo).
Clementina, artisticamente, foi descoberta por Hermínio Belo de Carvalho.
Outra negra que está sendo cantada na avenida, memorialmente necessária, em São Paulo com muita beleza e reconhecimento tardio é a escritora mineira Carolina Maria de Jesus
Carolina também foi muito grande. Viveu tempestades.
E Audálio Dantas?
O jornalista alagoano Audálio Dantas foi quem descobriu o talento de Carolina, para a literatura brasileira. Sem ele, nesse ponto, ela não teria existido. 
O enredo, da Colorado do Brás, parece ter sido encomendado para apagar o nome de Audálio.
Os desfiles de escola do Carnaval paulistano começam amanhã 22.

A DEMOCRACIA SOBREVIVE, APESAR DOS ATAQUES

O povo brasileiro, o que trabalha, dá duro, sofre e se lasca todinho em busca do pão de cada dia há muito anda mal representado na Câmara e no Senado.
Não à toa faz parte do falatório popular a frase segundo a qual "político é tudo ladrão, safado e sem-vergonha".
De fato, as nossas casas representativas na esfera política estão aquém dos seus objetivos.
Desde há muito os eleitores elegem figuras esquisitas para representá-los. E aqui nem é preciso que se faça uma relação enumerando políticos "sem-vergonhas". Seria redundante, pelo histórico.
Caso triste e perigoso está sendo registrado pela crônica diária.
O deputado bolsonarista Daniel Silveira, do PTB-RJ,  acaba de ser condenado pelo STF a 8 anos e 9 meses de prisão, perda de cargo, inelegibilidade eleitoral e o pagamento de 192,5 mil reais por atentar contra a Democracia.
Os bolsonaristas são, quase sempre, violentos que nem pitbulls acuados.
O presidente da Câmara Arthur Lira, um pitbull enrustido, ficou decepcionado com a decisão dos juízes.
Foram 10 votos a 1, quase unanimidade, contra Silveira.
Lira está reclamando ao STF e pedindo para que a decisão de cassação fique por conta da Câmara. Ora, ora, há 9 meses se acha engavetado pelo próprio Lira o processo contra o seu colega Arthur Silveira...
Falei de perigo. Pois bem, justíssimo o julgamento contra o deputado que, além de atentar contra a Democracia, atiçou seus correligionários e outros a surrar e até a matar juízes do Superior Tribunal Federal. Crime gravíssimo.
Kassio Nunes, bolsonarista de carteirinha, não viu crime algum na prática criminal de Daniel Silveira. 
Depois dizem que o cego sou eu, só porque perdi a visão dos olhos.
É preciso cuidado. Precisamos estar atentos contra a violência e malandragem de figuras horrorosas como o deputado que acaba de ser condenado.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

TRISTEZA NO MUNDO DOS QUADRINHOS

Charge de Fausto com Angeli, publicada na Folha. Ano: 1979
Charge em que Meiaoito é morto (clique na imagem para ler)
O mundo dos quadrinhos está triste. Motivo: A Folha acaba de noticiar que o cartunista Angeli pendurou definitivamente as chuteiras. Ou a caneta. Ou os pincéis.
A inesperada aposentadoria de Angeli deve-se ao fato de ele ter sido diagnosticado como portador de Afasia.
Afasia é um mal que ataca a fala, a leitura e a escrita, segundo especialistas. Em resumo: é toda e qualquer alteração na linguagem de uma pessoa.
Da safra de 1956, o paulistano Angeli publicou seu primeiro desenho quando tinha 14 anos de idade: na revista Senhor em 1970. Ainda desconhecido pelo público, Angeli aportou na Folha em 1973.
Seus trabalhos no diário paulistano foram publicados no correr de 50 anos.
Angeli publicou milhares e milhares de charges, cartuns e tirinhas. E também em revistas no Brasil, Espanha e Portugal. 
Entre os vários personagens, Angeli deu vida à porralouca Rê Bordosa, Meiaoito (e Nanico), Bob Cuspe, Wood & Stock (filme completo abaixo) e os Skrotinhos. 
Clique na imagem para ler
Rê Bordosa e Meia Oito chegaram ao teatro e ao cinema.
Famosíssimos Rê Bordosa e Meia Oito findaram seus dias assassinados pelo seu autor.
Os Skrotinhos foram, segundo Angeli, inspirados nos personagens Sobrinhos do Capitão.
Sobrinhos do Capitão foi uma criação do alemão Rudolph Dirks (1877-1968). 
Angeli foi sempre um profissional do traço muito exigente até consigo próprio. Não perdoava nem a esquerda nem a direita. Sempre engraçado e crítico, deixou marca indelével na história do traço
Fausto e Angeli

brasileiro. "Pra mim, ele foi o melhor", diz o cartunista Fausto. "Ele me ajudou muito. Ele ajudava a todos que o procuravam. Não negava incentivo a ninguém", acrescenta Fausto.
Fausto e Angeli trabalharam juntos. E eu também, com os dois.
Certa vez Angeli, tirando uma da minha cara, disse: "Meia Oito é você". E pra não perder a graça, respondi: "É você!".
Fausto conta que um dia, em 1979, Angeli teve uma ideia "que desenvolvi e publicamos na mesma Folha" (acima).
O mal que tirou do combate Angeli também atingiu o ator Bruce Willis e Kirk Douglas.
A mulher de Angeli, Carolina Guaycuru, promete publicar toda a obra do marido.

terça-feira, 19 de abril de 2022

ONHONHA PEGA O MINISTRO DA SAÚDE. CASO GRAVE

Hoje é o Dia do Índio.
Os índios sofrem no nosso País desde sempre. Mais ainda quando chegaram os primeiros invasores. Portugueses.
Com o incentivo do atual presidente da República, grileiros invadem as terras indígenas e delas extraem todas riquezas. O ouro principalmente.
Os invasores das terras indígenas incentivados pelo presidente da República, além de roubar a riqueza do subsolo indígena, ainda poluem os rios e matam peixes e matam tudo...
E atenção! Atenção!
O titular deste blog descobriu que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, pegou o mal da onhonha. E ficou doido.
Ficou doido e não se conteve a anunciar o fim da pandemia. 
O fim da pandemia provocada pelo novo Coronavírus cabe à Organização Mundial da Saúde, OMS.
Onhonha é um mal maior do que o Novo Coronavírus que resulta na Covid-19.
Quem pega a onhonha está condenado ou condenada à lata do lixo da História.
Marcelo Queiroga, como o seu chefe Bolsonaro, vai pro lixo.
Como descobrir que alguém tem onhonha?
Os primeiros sintomas do onhonha são falta de ar, tontura, dor de cabeça, caminhar bambo, pernas dormentes e tal.
E tem mais: o sujeito que pega onhonha costuma andar nu de madrugada, dizer besteira o tempo todo e entregar a própria mulher aos amigos. Às vezes até a inimigos.
A onhonha não pega trabalhador, pessoas simples e honestas.
O ministro da Saúde está com onhonha.

ÁUDIOS CONFIRMAM O ÓBVIO: A DITADURA MATOU

Ilustração de Fausto Bergocce
São inúmeros os livros que contam a história do Brasil, desde a chegada dos portugueses.
São inúmeros os livros que contam a história recente do Brasil, desde 1964.
No dia 1º de abril de 1964 cavalos e tanques invadiram as ruas do Brasil, do Rio principalmente: era o golpe perpetrado por militares contra a Democracia.
Os militares achavam Jango uma ameaça.
Ao golpe daquele 1º de abril seguiram-se horrores: perseguição, prisão, tortura e morte.
Muitos brasileiros e brasileiras morreram sob tiros e nas masmorras do DOI-Codi.
DOI-Codi significa Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna.
O primeiro chefe militar contra os civis foi Humberto de Alencar Castello Branco, era cearense e morreu numa queda de avião.
O problema cresceu contra o nosso País quando foi decretado o Ato Institucional nº 5.
O Congresso foi fechado e deputados e senadores se lascaram.
Todo mundo sabe, ou quase todo mundo, que a ditadura militar (1964-1985) deixou uma chaga terrível no coração do Brasil. Muito sangue, desespero, desgraça.
Não é de hoje que o atual presidente da República diz que não houve ditadura militar no Brasil. Seus filhotes o seguem nesse raciocínio.
Há poucos dias o deputado Eduardo Bolsonaro, duvidando do relato de tortura sofrido pela jornalista Miriam Leitão, disse que não há provas a respeito; que não há vídeo, que não há isso nem aquilo...
Pois bem, domingo passado 17 o programa Fantástico (TV Globo) trouxe matéria revelando que o Superior Tribunal Militar, STM, gravou todas as seções que tratavam de prisões, torturas e mortes de brasileiros durante o período militar. Essas gravações foram feitas entre 1975 e 1985 e a elas teve acesso o professor de História Carlos Fico, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ.
Carlos Fico ouviu as agressões do deputado Bolsonaro contra Miriam Leitão e resolveu procurá-la. E tudo veio à tona.
Repito: todo mundo sabe do terror provocado pela ditadura militar contra os brasileiros, entre 1964 e 1985. Mas o que está vindo à tona, agora, reforça o que todo mundo sabe.
O jornalista Sinval
de Itacarambi Leão
"Isso é mais uma prova sobre tudo que aconteceu naquele período, no nosso País", diz o jornalista Sinval de Itacarambi Leão referindo-se à documentação em áudio gerada pelo STM.
Sinval foi um dos brasileiros que lutaram bravamente contra a ditadura e pelos agentes da ditadura foi perseguido, preso ilegalmente e depois julgado e absolvido pelo próprio STM. 
É um caso singular o caso de Sinval.
Sinval de Itacarambi Leão, jornalista mineiro à beira dos 80 anos, foi o criador da Revista Imprensa.
Eduardo Bolsonaro queria um vídeo como prova das torturas e mortes praticadas pelo regime militar... Ganhou um áudio de 10 mil horas comprovando todas as desgraceiras cometidas pelos militares e sua corja.

domingo, 17 de abril de 2022

GILBERTO ALVES: 30 ANOS DE AUSÊNCIA

Nascido no dia 15 de abril de 1915, na Capital fluminense, o cantor Gilberto Alves jamais imaginou virar cantor profissional. Morreu morreu no dia 4 de junho de 1992, aos 77 anos, numa cidade paulista chamada Cesário Lange.
Gilberto iniciou a carreira em 1935, pelas mãos do radialista e cantor Almirante.
O primeiro contrato profissional ele assinou em 1939. Essa carreira durou, pra valer, até 1965. Tinha 50 anos, mas ainda aceitava convite para cantar em churrascaria e televisão.
Conheci pouco Gilberto Alves, mas o suficiente para considerá-lo um grande cidadão. Era alegre e cheio de causos, contava piadas com naturalidade e graça, sem duplo sentido.
Considerava-se um "curioso" pela história da nossa música popular. Adorava chorinhos, mas gravou poucos. Gravou marchinhas, valsas, sambas e sambas-canção, Algum Dia te Direi. Ouça:
 

sábado, 16 de abril de 2022

HINO A BADARÓ

Giovanni Battista Libero Badaró foi o primeiro jornalista assassinado, no Brasil, por poderosos que o tinham como inimigo. Entre esses poderosos se achava o ouvidor geral da Província de São Paulo, Ladislau Japiassú.
Badaró foi vítima de uma cilada na noite de 20 de novembro de 1830, na rua Nova de São José. Essa rua traz seu nome desde 24 de agosto de 1916, por decisão da Câmara Municipal de São Paulo.
A cada ano, o nome de Libero Badaró é sufocado pela poeira trágica do esquecimento. Poucos jornalistas sabem da sua trajetória heróica, a favor do Brasil. Pensando nisso escrevi um texto poético que acaba de ser musicado por Jorge Ribbas, maestro e professor de música da Universidade Estadual da Paraíba.
Você sabe quem é Jorge Ribbas?
Jorge Ribbas nasceu em Pernambuco e mora em Campina Grande, PB, há muitos anos. Ano passado, ganhou o 1º lugar no Festival de Música Erudita da Rádio MEC. A música vencedora foi Pentagonia.
Com Jorge Ribbas, assinei algumas parcerias musicais. Estas, que se acham no spotify e youtube:

O texto poético que fiz em homenagem a Libero Badaró, e que acaba de ser musicado por Jorge Ribbas, é este:

Líbero!
Líbero!
Oh! Líbero

O teu nome virou marca
Da Imprensa, da verdade
E da luta de quem luta
Pela paz e liberdade!

Como jornalista lutaste
Desassombradamente
Defendendo nossa Pátria
Nossa terra, nossa gente

Mas isso teve um preço
Que pagaste com a vida
A bala que te matou
Deixou a terra ferida

Com firmeza declaraste
Antes de virar saudade
Que morria um liberal
Mas jamais a liberdade

Líbero!
Líbero!
Oh! Líbero

O teu nome virou marca
Da Imprensa, da verdade
E da luta de quem luta
Pela paz e liberdade!


Para ouvir Hino a Badaró, clique:

sexta-feira, 15 de abril de 2022

REPÓRTER DA GLOBO É ESFAQUEADO EM BRASÍLIA

Bolsonaro e seus capetas radicais continuam transformando verdades em mentiras. 
Foi sempre assim, desde os tempos em que era deputado de baixo clero. Uma rachadinha ali, mais uma coisinha acolá e pronto, estava feita a fake, mais uma. E feita ficou melhor depois que inventou mentiras, via Internet, pare se transformar em presidente. E é o que vemos.
Somente em 2021, Bolsonaro mentiu milhares de vezes. PRESIDENTE MENTIROSO. E PERIGOSO
Somente em 2021 jornalistas brasileiros foram agredidos, das mais diversas formas, 430 vezes. Dados da Fenaj, Federação Nacional dos Jornalistas. LACERDA, CULTO E BARULHENTO
Hoje qualquer idiota se sente à vontade para bater em jornalistas. Hoje e ontem.
No dia 20 de novembro de 1830 três crápulas atacaram o jornalista Líbero Badaró, que caiu numa poça de sangue após receber um tiro de bacamarte.
Badaró foi o primeiro jornalista a ser assassinado por estar do lado do direito, da democracia, da liberdade.
Ontem 14, o jornalista Gabriel Luiz, de 29 anos, foi atacado por dois crápulas. Recebeu 10 facadas e foi levado, às pressas, ao Hospital de Base de Brasília.
Foi em Brasília, Capital Federal, que esse caso se deu.
Gabriel é repórter investigativo e trabalha na TV Globo há 8 anos.
Agressões como essa não podem mais acontecer.
Ah! Sim: é preciso que se diga que no último dia 11 deste mês, abril, Gabriel teve reportagem sua mostrada no DF1. Nessa reportagem, ele denunciava o medo de pessoas que vivem nas proximidades do clube de tiro de Brazlândia, localizado às margens da BR-251. O governo diz que o clube é legal e que ao Exército cabe a fiscalização. No dia seguinte, nova reportagem dava voz ao Exército, que dizia não ser responsável pela fiscalização do clube. Dois dias depois, ontem 14, Gabriel é interceptado por dois desconhecidos e esfaqueado.
Enquanto isso, Bolsonaro faz afagos a sua turma numa grande motociata. A propósito, essa movimentação do presidente não se caracteriza propaganda eleitoral antecipada?

quinta-feira, 14 de abril de 2022

EU E MEUS BOTÕES (20)

"O Lula tá tomando pinga e cheirando pó!", disse atropeladamente Jão. 
"Para de dizer besteira, rapaz. O lula é um homem de bem e um correto cidadão", rebateu Mané.
Jão e Mané são dois dos meus botões. Não têm papas na língua. Dizem o que pensam.
"Esses aí não estão com nada, patrão. O Jão é um fofoqueiro e o Mané é essa coisa aí que todo mundo sabe, um besta", opinou entrando na conversa o calejado Barrica.
"Beber pinga, eu sabia que Lula bebia. O que eu não sabia é da acusação seguinte, que cheira pó e sei lá o quê", manifestou-se calmamente o Lampa, ao mesmo tempo em que cutucava as unhas com seu punhal.
Enquanto isso, do seu canto, Zilidoro a tudo observava. E ouvia. Olhou pra mim, piscou e disse: "Vejo-me forçado a admitir alguma razão a Jão. Beber uma pinga aqui e ali, todos bebem. Principalmente a gente do nosso Nordeste, certo seu Assis?".
Nos últimos dias, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva tem dito coisas espantosas. Aquele negócio, por exemplo, de formar grupos para pressionar deputados a votar o que interessa ao governo é inadmissível. "Coisa de comunista!", bradou Biu.
Biu, normalmente, é um botão pacato e de poucas palavras, mas irritou-se também quando Lula disse que a Classe Média brasileira vive um estilo de vida que nem os europeus ostentam. "Adonde diacho esse Lula quer chegar? Com isso, com esse palavrório, ele está municiando Bolsonaro e insatisfazendo seus aliados e até a cúpula do PT", voltou a falar de dedos em riste o Zilidoro. "Noutros tempos, o Lula já estava era fazendo campanha na rua, conquistando os conterrâneos no Nordeste", emendou Jão.
A propósito, perguntei quem dos presentes aqui leu a declaração do jornalista Ricardo Kotscho? Eu li e até decorei. Foi isso, exatamente isso, que o Kotscho disse no seu blog: "Dedicado a montar palanques estaduais, costurar alianças e coordenar grupos de trabalho para elaborar o programa de governo, Lula ficou preso às telas das videoconferências e com isso se distanciou dos eleitores e da vida real, num país que sofreu profundas transformações –para muito pior– nos últimos anos".
"Pois é, esse Kotscho sabe de tudo. Até trabalhou com Lula no seu primeiro governo, como espécie de porta-voz da Presidência", lembrou Zoião que até então ficara quieto no seu canto.
Barrica contou que ouvira no rádio notícia dando conta de que os marqueteiros já estão se movimentando para dar uma "nova cara" ao Lula: "Não é que queiram que Lula esqueça o passado, mas querem que ele fale mais dos projetos que tem para o Brasil".
Zé levantou-se pedindo a palavra: "O Brasil corre o risco de continuar sendo desgovernado por esse que aí está. E se esse que aí está, esse tal Bolsonaro, ganhou na primeira vez, pode ganhar na segunda. E Lula terá culpa nisso. Teve e terá de novo".
Esses meus botões ainda vão loonge...

quarta-feira, 13 de abril de 2022

DIGO AO POVO QUE SOU CANDITADO, SIM!

Pois é, eu nem disse ainda com todas as letras que sou candidato a presidência da República e os políticos velhos de guerra como Lula, Bolsonaro e Ciro Gomes já estão arrepiados. Temem-me. Natural.
Esses caras, profissionais da política, têm todos os motivos para me temer como possível novo presidente dessa nossa República Federativa tão judiada. No começo, no começo de tudo, foram os portugueses que pisaram na nossa honra. Cabral, Dom João VI, Pedro I...
A República brasileira foi inaugurada em novembro de 1899.
O primeiro presidente republicano foi o marechal Deodoro da Fonseca, que renunciou forçado pelas circunstância do momento. Da época em que viveu. O segundo, Floriano Peixoto, também marechal. De ferro, assassino e covarde.
Desde sempre o Brasil tem sido pisoteado, humilhado, judiado enfim. Mas estou chegando. Pois é: estou chegando com tudo. Vou ajeitar o meu país. Vou ajeitar o Brasil quebrado por Bolsonaro e seus asseclas.
Sei que o povo, meu povo, está comigo.
Sei, sei que vocês, ou parte de vocês, estão achando que esse meu discurso da campanha que encetarei já, já, é comum e óbvio, esquisito, mentiroso. 
"Só falta agora você dizer que não é político profissional", chama-me a atenção a cientista política Anna da Hora.
Diante de tal observação, um tanto inadequada, vejo-me na obrigação pura e simplesmente de dizer que, embora estreante, sou sim um profissional da vida democrática. Ora!
Tentei rebater a observação de da Hora dizendo que não farei conchavos com ninguém. Posso até fazer acordos, em nome do povo. Mas acordos que nos beneficiem a todos.
Quero deixar claro, neste primeiro momento, que reconheço as intenções positivas de Lula e Ciro. 
Bolsonaro?
Vade retro, Bolsonaro!
É isso. E vou correndo ao computador para responder a questões que estão sendo formuladas pelo público que me quer desesperadamente como presidente da República.

terça-feira, 12 de abril de 2022

EU E MEUS BOTÕES (19)

Patrão, começou gritando Zoião, "o sinhô tá sabendo o que tá rolando no coração do Exército brasileiro?". 
Achei a frase do Zoião bastante provocadora, e respondi: "Mais ou menos, mais ou menos".
Falei baixo, com naturalidade, e assim falando notei que os meus botões estavam todos ligados em mim. Tipo, olho no olho. Zoião insistiu: "Pois é, o nosso Exército está todo de cabeça baixa mesmo engolindo sei lá quantas pílulas de Viagra por dia, ou por noite. Sei lá".
Fiquei reticente, porém pensando. 
A pergunta de Zoião tinha tudo a ver com a preocupação que a até então eu dedicava à questão Viagra.
De repente, não mais do que de repente, vem lá Lampa com aqueles olhos murchos cutucando as unhas com seu inefável punhal, tranquilamente. Assim como quem quer e não quer, à toa. Pergunta: "Chefe, o sinhô está a favor desse feladaputa chamado Bolsonaro? Se tiver, a gente conversa adespois. Se não, a gente conversa é agora!".
Calmo eu estava, calmo eu fiquei. 
E ele, Lampa, me zoiando de cabeça baixa. Tipo assim, quase ameaçando em silêncio...
Olhei pra todos os olhos dos meus botões. Mané, Zé, Jão, Biu e Barrica nada disseram no canto onde estavam. 
E o papo posto na roda, assim espontânea e de repentemente, era Viagra.
Na verdade, na verdade, a questão colocada no momento era uma questão um tanto delicada, sei. Pensemos: o Exército, as Forças Armadas do Brasil de cabeça baixa e precisando de Viagra pra se fortalecer diante e perante de quem?
Falei alto, é certo...
Zilidoro, intelectual de carteirinha, de dedo em riste se exalta: "É o fim da picada! Não entendo nada. As Forças armadas, formadas pelo Exército, Marinha e Aeronáutica, existem para defender a Pátria", disse de modo impoluto, levantando-se do tamborete onde estava.
Entendi, eu sempre entendo Zilidoro.
De certo modo, é bom saber que as Forças Armadas estão preocupadas com a grandeza do País.
A cultura musical, a cultura brasileira, registra todos os momentos da nossa vida cotidiana.

"UM CEGO PRA PRESIDENTE! UM CEGO PRA PRESIDENTE!"

No campo político 2022 será um ano bastante animado, cheio de ondas e surpresas. Não precisa ser Bidu nem ter bola de cristal pra saber disso.
Uma tal janela partidária foi aberta no último dia 3 de março pelo Superior Tribunal Eleitoral (STE), para facilitar a vida dos donos de partidos e dos seus afiliados políticos. Essa janela foi fechada no dia 1º de abril. Sugestivo, não?
Bom, o resultado disso é que o partido do Bolsonaro, o PL, formou a maior bancada na Câmara dos Deputados: 75 assentos, seguido do PP (56), PT (55), União Brasil (47), PSD (44)...
Pra valer, a campanha eleitoral começa no próximo dia 16 de agosto, no rádio e televisão.
Os partidos políticos, mais de 30, receberão R$ 4,9 bilhões pra fazerem o que bem quiser. Fora isso, ainda tem mais um montão de dinheiro que será distribuído sei lá como. Só sei que é muito dinheiro, mas muito mesmo!
O dinheiro que cairá nas mãos do caciques políticos não cabe, em nota de 200 reais, em duas carretas. É muita coisa, não é?
Além disso, o STE acaba de liberar "showmícios" em ambientes fechados. Quer dizer: o candidato pode ser beneficiado por artistas que decidirem fazer apresentações com entrada paga. Hmmm... E vale Pix.
É dinheiro demais, é dinheiro demais. Enquanto isso, a inflação sobe à lua deixando o pobre cada vez mais pobre, miserável, passando fome no país que mais vende comida para o mundo. É de lascar, não é?
Mais do que nos anos anteriores, este ano de 2022 os partidos políticos vão apostar nas celebridades instantâneas e em profissionais famosos como as atrizes Maria Paula (Casseta & Planeta) e Lucélia Santos (Escrava Isaura); e jornalistas como Marcos Uchôa (TV Globo), para "puxar" votos.
Até os técnicos de futebol, ou ex, Joel Santana e Vanderlei Luxemburgo já anunciaram candidatura à Câmara Federal.
Eu, cá no meu canto, estou me coçando. E os meus botões, provocadores, atiçam-me em uníssono: "Pra presidente, um cego! Pra presidente, um cego!".
Pois é, não digo já, mas quem sabe em breve anunciarei minha candidatura à presidência da República. Zilidoro, um dos meus botões mais sabidos, intelectual de carteirinha, diz que até já tem até um slogan que cabe certinho em mim: "Veja bem, vote num cego pra presidente!".
Meu amigo, minha amiga, você conhece os meus botões?
Já há uma série de conversas entre eu e eles. Leia: EU E MEUS BOTÕES

VOCÊ CONHECE O INSTITUTO MEMÓRIA BRASIL?

segunda-feira, 11 de abril de 2022

VIAGRA E CORRUPÇÃO NO GOVERNO BOLSONARO

Cupins e ratos estão tomando conta das entranhas do governo Bolsonaro. Faz tempo. O caso está se agravando, a cada dia.
Multiplicam-se as denúncias de corrupção, ao mesmo tempo que Bolsonaro alardeia, através da sua rede de apoiadores suicidas, que no seu governo não há corrupção.
As denúncias têm vindo à tona através de bem elaboradas reportagens da Folha, Estadão e outros meios da Imprensa. O Estadão de ontem 10, por exemplo, deu na 1ª página em manchete: "Governo Abandona Obras Paradas e Monta um Esquema de 'Escolas Fake'". E na chamada, diz: "Com aval do FNDE, controlado pelo ministro Ciro Nogueira, deputados 'vendem' aos seus eleitores a ideia de que conseguiram recursos para construir colégios e creches".
Na Folha de hoje 11, "Bolsonaro ignora suspeitas de corrupção e diz que PF não precisa investigar seu governo".
Como nunca tinha programa de governo, e jamais imaginou que um dia seria presidente da República, Bolsonaro sempre pensou em si próprio. Boiando feito porcaria n'água, Bolsonaro está completamente dependente de políticos iguais a ele. Leia-se: Centrão.
Pra amenizar a situação, digamos assim, chega a notícia de que as Forças Armadas acabam de adquirir um lote de 35 mil comprimidos de Viagra. Ai, ai, ai, pra que isso?
Opinião pessoal: acho que os militares andam com a cabeça baixa... A coisa tá feia.


VOCÊ CONHECE O INSTITUTO MEMÓRIA BRASIL?

domingo, 10 de abril de 2022

DE COMO O ASSASSINATO DE UM JORNALISTA PROVOCOU A QUEDA DE UM REI (4)

Autógrafo de Líbero Badaró

Litografia de Líbero Badaró
Curiosidade: o jornalista Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000) foi o sétimo presidente da ABI, por duas vezes consecutivas: 1926 a 1929 e 1930 a 1932. E depois mais uma vez: em 1978 até 2000.
Herbert Moses, que substituiu Lima Sobrinho, em 1933, permaneceu à frente da ABI até 1964. Nesse período, recebeu todas as benesses do poder vigente. Em contrapartida, fez do presidente Getúlio Vargas sócio benemérito da ABI. Uma vergonha para muitos jornalistas.
Isso é história.
Ah! Emiliano Fagundes Varella viria a ser o pai do poeta fluminense Fagundes Varella, autor do poema O Exilado:

… O exilado está só por toda a parte!

Passei tristonho dos salões no meio,
atravessei as turbulentas praças
curvado ao peso de uma sina escura;
as turbas contemplaram-me sorrindo
mas ninguém divisou a dor sem termos
que as fibras de meu peito espedaçava.
O exilado está só por toda a parte!

Quando, à tardinha, dos floridos vales
eu via o fumo se elevar tardio
por entre o colmo de tranqüilo albergue,
murmurava a chorar: -Feliz aquele
que à luz amiga do fogão doméstico,
rodeado dos seus, à noite, senta-se.
O exilado está só por toda a parte!...


Em homenagem ao fundador do jornal O Observador Constitucional, escrevi Hino a Badaró. Este:

Líbero!
Líbero!
Oh! Líbero

O teu nome virou marca
Da Imprensa, da verdade
E da luta de quem luta
Pela paz e liberdade!

Como jornalista lutaste
Desassombradamente
Defendendo nossa Pátria
Nossa terra, nossa gente

Mas isso teve um preço
Que pagaste com a vida
A bala que te matou
Deixou a terra ferida

Com firmeza declaraste
Antes de virar saudade
Que morria um liberal
Mas jamais a liberdade

Líbero!
Líbero!
Oh! Líbero

O teu nome virou marca
Da Imprensa, da verdade
E da luta de quem luta
Pela paz e liberdade!


Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora.

sábado, 9 de abril de 2022

DE COMO O ASSASSINATO DE UM JORNALISTA PROVOCOU A QUEDA DE UM REI (3)

Litografia de Badaró
Os restos de Giovanni Battista Libero Badaró, trasladados da Igreja do Carmo, acham-se no cemitério paulistano da Consolação. No dia do traslado, em 1889, foi distribuído a quem esteve presente uma litografia retratando o perfil de Badaró.
Não custa lembrar que foi Badaró o primeiro jornalista a ser assassinado por defender suas idéias no jornal que fundou, indo de encontro aos interesses de poderosos de plantão.
Foi também Badaró o primeiro jornalista a falar de Liberdade de Imprensa. Exemplo:

Muitos já disserão e muitos repetirão: que a liberdade de imprensa era a alma de qualquer governo fundado sobre direitos e não sobre força: mas também muitos não o entenderam ou fizeram mostra de não entender e continuárão a vociferar, que tudo se não devia dizer, que ninguem se devia metter nos negocios do governo, que os empregados bons e máos, se devião respeitar por causa da bôa ordem e do socego, e mil outras cousas tão mesquinhas como estas, que descobrem o fraco d’estes taes e confirmam admiravelmente o ditado “que o peior surdo é aquelle que não quer ouvir”...
(…) De todas as garantias que o pacto social concede aos cidadãos, parece-nos, que a liberdade inteira de publicar os seus pensamentos (salvo responder pelos abusos) seja aquella a quem menos se deve atacar; por isso que em certa maneira é o guarda de todas as outras. Um governo que queira o bem dos povos, já temos indicado quanto precisava d’esta liberdade, principalmente em um paiz aonde tudo ha de se fazer ou modificar, e aonde as leis para serem efficazes, devem ser não sómente bôas, mas tambem conformes ao voto geral. É por isso, que a liberdade de imprensa torna-se a melhor garantia do governo, quando as suas operações não são escondidas e tenebrosas, pois que tendo sido discutidas, examinadas pela nação e adoptadas aquellas que mais com o voto d’ella se conformão, ella tem um interesse particular de sustentar a sua obra e de repellir qualquer ataque que se tencionasse fazer-lhe. Mas pelo contrario quando tudo se faz ás escondidas, quando o cidadão ignora o motivo e a utilidade das medidas do governo, quando vê os inconvenientes sem vêr as vantagens, então se entregará ás desconfianças, ás maquinações, deixando-se facilmente seduzir pelos hypocritas, que, vociferando continuamente as vantagens do povo, querem sómente pescar nas aguas turvas…

A morte de Libero Badaró foi uma morte anunciada, como se vê.
O dia 7 de abril é o Dia do Jornalista.
Esse dia é, também, o dia em que foi fundada a Associação Brasileira de Imprensa, em 1908.
O fundador dessa Associação foi o jornalista Gustavo de Lacerda (1854-1909). Socialista, negro e pobre. E assim morreu num 4 de setembro.
Lacerda criou a ABI, inicialmente chamada de Associação da Imprensa dos Estados Unidos do Brasil, com o propósito de dar garantias trabalhistas a seus associados.
A data de criação da ABI tem nada a ver, ou se tem é muito pouco, com Libero Badaró. Não custa lembrar, porém, que foi no dia 7 de abril de 1831 que o Imperador Pedro I, chamado de O Rei Soldado, abdicou da coroa a favor do filho, Pedro II.
A renúncia à coroa de Pedro I tem a ver com a repercussão extraordinária da morte de Giovanni Battista Libero Badaró.
Badaró era a favor do liberalismo e contra o obscurantismo de Pedro I.
A rua Nova de São José ganhou nova denominação no dia 24 de agosto de 1916. Desde então é rua Libero Badaró, que liga o Mosteiro de São Bento ao Largo de São Francisco, SP.

sexta-feira, 8 de abril de 2022

DE COMO O ASSASSINATO DE UM JORNALISTA PROVOCOU A QUEDA DE UM REI (2)

Clique na imagem para ler o texto

Túmulo de Líbero Badaró, no
Cemitério da Consolação
De fato, constatou-se depois que Badaró tinha razão. Mas só um dos criminosos, de nome Henrique Stock foi preso e levado a julgamento. Primeiro na província de São Paulo, depois no Rio de Janeiro, onde foi absolvido.
Todos os caminhos, até aqui conhecidos, levam a um mandante do crime: Cândido Ladislau Japiassú, ouvidor geral da província de São Paulo e inimigo nº 1 de Badaró.
Badaró virou inimigo de Japiassú quando passou a chamá-lo de ignorante e inimigo do povo. E “um caligolazinha”.
Japiassú, por sua vez, via em Badaró um inimigo que precisava ser aniquilado, o mais rápido possível.
No leito de morte, o fundador do jornal O Observador Constitucional disse mais de uma vez, para quem quisesse ouvir, que o mandante do crime de que fora vítima era Japiassú. E disse mais, convicto do seu fim: “Morre um liberal, mas não morre a liberdade”.
Essa última fala de Badaró se acha reproduzida na matéria que começa na 1ª e termina na 2ª página do jornal que fundara, edição de 26 de novembro de 1830 (acima).
Curiosidade: na 1ª edição de O Observador Constitucional, lançado no dia 23 de outubro de 1829, Badaró já dizia que “não devia vegetar no Brasil a planta do despotismo”, mostrando com clareza o seu perfil de homem livre.
Depois, na edição de 17 de setembro 1830 ele diz, prevendo o seu fim:

(…) altamente declaramos que não temos o menor medo de ameaças. Aconteça o que acontecer, a nossa vereda está marcada e não nos desviamos dela: não há força no mundo que nos possa fazer dobrar, senão a da razão, da justiça e da lei. Estamos em face do Brasil e para servi-lo daremos por bem empregada a vida. A opinião pública está bem fixa a respeito de certa gente; qualquer atentado lhe será imputado, e ficarão com um crime a mais, sem que isso acabe com os públicos escritores…

E tinha razão.
Em sessão especial da Câmara de Vereadores da Capital da província de São Paulo, realizada no dia 20 de dezembro de 1830, o nome do ouvidor Japiassú voltou à baila:

(...) Os membros desta Câmara asseveram que o Ouvidor denunciado é o autor desse crime, porque estão tão certos disso, assim como estão da sua existência. Deixando pois chicanas, e desdenhando a censura de pretendidos apáticos que exigem a frieza do gelo em todas as peças oficiais, a Câmara muito pelo contrário, sendo como é composta de cidadãos, que ou nasceram debaixo do ameno clima paulistano, ou a ele ligaram sua existência, clama vingança e invoca o Brasil inteiro contra o malvado que veiu ludibriar sua pátria, assassinar seus concidadãos, e fez quanto pôde para torná-la o teatro da guerra civil, da carnagem, e da assolação

Usando de foro privilegiado a que tinha direito, o ouvidor Candido Ladislau Japiassú escapou ileso das acusações. Sequer foi a julgamento.

quinta-feira, 7 de abril de 2022

DE COMO O ASSASSINATO DE UM JORNALISTA PROVOCOU A QUEDA DE UM REI (1)

Ilustração de Fausto Bergocce

Livros sobre Líbero Badaró
Um tiro de bacamarte quebrou o silêncio da rua Nova de São José, no centro da Capital da província de São Paulo.
Era noite e era sábado.
Uma lua bonitona Cheia, pendurada no céu, espraiava seus raios alumiando os logradouros até então existentes. Naquele tempo, as poucas ruas da Capital da província eram muito mal iluminadas. Havia, apenas, 24 lampiões espalhados nas ruas, becos e vielas.
O vento frio, primaveril, batia na cara dos transeuntes que se atreviam a permanecer mais tempo fora de casa, insones.
Em seguida ao tiro, ouviram-se um “Ai!” e o barulho de passos apressados de pessoas que fugiam. Eram três homens, aparentemente de origem alemã.
O estudante Emiliano Fagundes Varella, do curso de Direito do Largo de São Francisco, foi a primeira pessoa a acudir a vítima. Colegas seus o seguiram e logo descobriram que o atingido pelo disparo de arma de fogo era Giovanni Battista Libero Badaró, médico e jornalista fundador e principal redator do jornal bissemanal O Observador Constitucional, de linha política liberal.
Badaró, muito querido pelos estudantes, foi atingido à queima roupa a altura do baixo ventre. E desabou num baque surdo, esvaindo-se em sangue.
Ainda na cena do crime, a vítima conseguiu dizer que lembrava-se de três alemães.
Essa é a história que se lê nos poucos livros escritos a respeito, até agora.
Essa também é uma história que começa em 1826 quando Libero Badaró chega ao Rio de Janeiro procedente da Itália, onde nasceu. Tinha 28 anos. Seu desejo era ampliar conhecimentos no campo da Botânica, especialmente. Estudara em Turim, Bolonha e Gênova.
Era alto e usava óculos redondos, de muitos graus.
De família bastarda, tinha tudo e muito mais do que alguém pudesse desejar.
O pai, Andrea, foi médico e amante das letras. Lia muito, sua biblioteca era enorme. No Rio, o jovem Badaró logo fez amizade com os intelectuais do naipe de Evaristo da Veiga (1799-1837).
Evaristo foi fundador e editor do jornal Aurora Fluminense.
Badaró era muito comunicativo. Falava fluentemente, além da língua mãe, francês e inglês. Em pouco tempo, dominou o português e no começo de 1828 trocou o Rio por São Paulo, à época com cerca de 20 mil habitantes.
Em São Paulo conhece e hospeda-se na casa do baiano José da Costa Carvalho (1796-1860), fundador do jornal O Farol Paulistano.
O Farol, de linha liberal inaugurado no dia 7 de fevereiro de 1827, foi o primeiro jornal da Capital da província de São Paulo. Durou até o final da primeira parte de 1832.
Em suma, diga-se com todas as letras: foi um baiano o criador da Imprensa de São Paulo.
Já em casa, levado pelos estudantes, Badaró morreria 24 horas depois do atentado. Mas insistia: sabia que os desconhecidos que o atacaram eram alemães, pois falavam essa língua.

EDGAR FERREIRA, 100 ANOS

Se vivo, o recifense Edgar Ferreira completaria hoje 100 anos de idade.
Edgar, de família humilde, desenvolveu na vida várias tarefas para garantir o pão diário.
Foi até metalúrgico o Edgar.
Em 1941, Edgar Ferreira se achava pelejando na Capital da República, Rio de Janeiro.
No comecinho dos anos de 1950, Edgar conheceu o paraibano Jackson do Pandeiro.
Jackson gravou várias de suas músicas, incluindo Forró em Limoeiro e 1 x 1. Sucesso.
As músicas do pernambucano Edgar Ferreira continuam recebendo gravações de muita gente boa, como Zé Ramalho e o grupo de rock Paralamas do Sucesso. Vão vendo! Ele morreu no dia 19 de dezembro de 1995, no Rio.

RASGANDO VOTOS

Pra valer, pra valer mesmo, oficialmente falando, a campanha à presidência da República ainda nem começou, mas já está provocando um Deus nos acuda.
Lula anda falando pelos cotovelos, dizendo coisas que se quer lhe perguntam. Por exemplo: é sonho seu regular a Imprensa. 
Nesses dias ele tem dito, sem revelar de qual lado está, que acabaria com a guerra entre Rússia e Ucrânia num boteco. Em dois palitos. Negociação regada à cerveja, claro. Com uma caninha, hic!
Disse que é direito da mulher abortar. Mais ou menos isso. Questão de saúde pública, política pública. Foi além: se eleito, tirará do poder os militares de Bolsonaro.
Essas questões têm chamado a atenção de muita gente.
Muitos políticos ficaram de cabelo de pé quando o Lula disse que, se eleito, incentivaria o povo a formar grupos para pressionar deputados nas suas residência. Hmmmmm...
Mais de 11 milhões de brasileiros estão desempregados, sem carteira assinada. A inflação já se acha nos 2 dígitos.
Os assaltos e mortes continuam a se multiplicar, principalmente nas grandes cidades.
Enquanto isso, Lula diz que a classe média brasileira nunca ostentou tanto seus bens como agora.
Eu, hein!
O que acho disso, o que acho mesmo? 
Acho que Lula está desperdiçando, rasgando, possíveis votos do eleitor conservador.
O pessoal do Centrão está feliz da vida com as falas do Lula. E a cúpula do PT, preocupada.
É isso.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

NA PRAÇA, UM LULA REPAGINADO

Agora eu não vou falar de música, não vou falar de artes. Agora vou falar de escravidão branca, negra, indígena.
Sim, ainda há escravidão no Brasil.
Sim, parece que estou falando de coisas passadas, de ontem. WAACK E RACISMO
O Ministério do Trabalho e da Previdência acaba de soltar uma "lista suja" acrescentando novos nomes de empresários sacanas que escravizam pessoas em várias partes do nosso País.
Segundo a nova lista, há 89 empresários sacanas fazendo o que não deve contra pobres e ingênuos trabalhadores brasileiros. 
Todas as providências contra esses maus empresários devem ser tomadas, legalmente. Há lei pra isso.
O nosso País é habitado por mais de 200 milhões de pessoas. 
O número de desemprego no Brasil, atualmente, passa da casa dos 11 milhões de trabalhadores.
Há trabalhadores conscientes e trabalhadores não conscientes do trabalho que prestam à Nação.
São centenas e centenas de profissões com cargos vazios.
O paulistano Paulo Galo, 32 anos, é uma nova liderança que está surgindo em São Paulo. É do ramo de entrega "Delivery".
A fala do Galo é clara, direta, bate forte na mente de quem minimamente pensa a respeito da exploração de mão de obra do trabalhador. Eu poderia até dizer que Galo tem uma fala parecidíssima a do Lula dos anos 70. Repaginado, é claro.
Não será exagero dizer que Galo é um novo Lula. 
A propósito: em 1977, Lula tinha 32 anos de idade. O seu auge, no ABC, foi em 1978.
Numa de suas entrevistas, Galo diz que luta em prol da causa. Do trabalhador. E que luta também pelo direito à preguiça: "Uma hora de almoço, uma hora de repouso", exemplifica.
A princípio, a diferença entre Lula e Galo é que Galo não tem projeto de virar político de carteirinha: vereador, deputado, senador...
Ouça:

CÍCERO NUNES, UM NOME ESQUECIDO DA NOSSA MÚSICA

A vida do carioca Cícero Nunes (1912-1993) foi agitada. Pra sobreviver, fez de tudo e mais um pouco. Foi até motorista de hospital, no Rio. Aprendeu a tocar violão na metade dos anos de 1930. Houve um momento que trocou o Rio pela Paraíba, mas lá não durou muito. Ainda na década de 30, Cícero Nunes começou a compor nos mais diversos ritmos. 
Nunes teve músicas gravadas por Dircinha Batista, Aracy de Almeida, Nelson Gonçalves, Chico Alves, Buci do Pondero e até Carmem Miranda, a portuguesinha de grande sucesso no Brasil e nos EUA.
Em 1946, a paulistana do Brás Isaurinha Garcia lançou o samba-canção Mensagem. Essa música traz a assinatura de Cícero Nunes e Aldo Cabral.
Aldo Cabral (1912-1994), que além de compositor era ator e jornalista, foi quem fez e publicou a primeira entrevista de Luiz Gonzaga, o rei do baião. A entrevista de Cabral saiu na extinta revista Vitrine, acho que do Paraná, PR. Mas essa é outra história.
 
Vamos lembrar Nunes na voz de Isaurinha?
 


Você já ouviu falar do site do Instituto Memória Brasil? Clique: https://institutomemoriabrasil.com.br/

terça-feira, 5 de abril de 2022

O BRASIL ESTÁ PERDENDO A GRAÇA

(clique na imagem, para melhor visualizar o texto)

Charge de Mariano,
feita por Fausto
É triste dizer, mas o fato é: o Brasil está perdendo a graça, de modo relâmpago.
Há 3 anos, uma semana e um dia morria em São Paulo a chargista e ilustradora política Mariza, de batismo Mariza Dias Costa. Tinha 66 anos de idade, quando sofreu um mau-estar na rua e socorrida às pressas foi levada ao Hospital das Clínicas, HC, onde morreria poucas horas depois.
Mariza foi uma profissional atuante nos principais jornais e revistas de São Paulo, entre os quais a Folha. Ela ilustrou muitas matérias minhas no Folhetim e em revistas da Editora Três.
De 2019 até o último dia 29, 20 artistas do traço trocaram este mundo pelo
Os cartunistas Fausto e Benicio
 desconhecido. O último desses artistas a nos dar adeus foi o paranaense Elifas Andreato. 
Em 1984 fiz e publiquei entrevista com Elifas e o cantor Jessé.
Jessé foi um grande amigo de Elifas. Ambos chegaram a compor várias músicas e todas as capas dos LPs de Jessé foram geradas por Elifas. A entrevista que fiz com ambos foi publicada no extinto
Fausto e Nani

Pasquim (acima).
Além de Mariza e Elifas os artistas do traço que nos deixaram, segundo o levantamento feito pelo chargista Fausto, foram: Daniel Azulay, Mordilo, Sabat, Quino, Vilachã, Paulo Paiva, Klebs, Mariano, Biratan Porto, Lailsson, Lan, Tacho, Ota, Nani, Ramade Martins, Benicio, Geep e Luscar.
Fausto conviveu com quase todos esses artistas incluindo Nani, Benicio e Sabat. 
Fausto e Sabat

Não conheci Nani nem Sabat, mas Benicio, sim.
Benicio foi a mim apresentado pela cartunista Laerte, num ano que não me lembro bem.
Brincando, eu disse a Fausto: "Cuida-te amigo. Esconde-te debaixo da cama, pois a megera anda a solta com aquela arminha cortante que carrega às costas". Ele riu.


segunda-feira, 4 de abril de 2022

LYGIA FAGUNDES TELLES, UMA MULHER DE FIBRA

"Me leiam, não me deixem morrer", pediu certa vez a escritora paulistana Lygia Fagundes Telles.
Lygia partiu pra uma viagem sem volta domingo ontem 3, faltando duas semanas e dois dias para completar 99 anos de idade. Foi uma mulher fantástica, incrível mesmo.
Em 1938, um ano depois de Vargas criar o famigerado Estado Novo (1937-1945), Lygia tinha 15 anos. E foi com essa idade que ela estreou no campo da literatura com o livro Porões e sobrados.
Ela deixou uma obra monumental, com cerca de 40 títulos, entre esses Ciranda de Pedra (1954) e As Meninas (1973).
As Meninas trata de uma história envolvendo três amigas: Lorena, Ana Clara e Lia. 
O enredo desse livro tem a ver com a ditadura que o Brasil viveu entre 1964 e 1985. É um livro que traz cenas chocantes, como prisão, tortura e morte de quem protestava contra o sistema militar da época. Virou filme em 1995.
Ciranda de Pedra teve adaptação pra novela da Globo, em 1981 e 2008.
Lygia Fagundes Telles foi uma mulher extremamente participativa e defensora dos direitos humanos. No começo dos anos de 1970, ano em que As Meninas foi publicado, Lygia esteve à frente de um movimento de intelectuais contra a censura. Deu reboliço.
A autora de As Meninas viveu a vida na plenitude, sem jamais render-se à covardia de poderosos.
A sua obra deveria estar sendo estudada nas escolas.
Em 2016, Lygia Fagundes Telles teve o nome indicado ao Nobel de Literatura. 
Que Deus a tenha.


HORRORES DA DITADURA

Um dos filhotes do presidente Bolsonaro, Eduardo, voltou a achincalhar o Brasil e brasileiros de bem, como a jornalista Miriam Leitão.
Miriam foi presa e torturada por agentes da ditadura militar, naqueles anos de chumbo. Estava grávida e depois de levar socos e pontapés, foi obrigada a despir-se e assim ficar durante horas com os torturadores. Depois disso, Miriam ficou presa num compartimento do Exército tendo por "companhia" uma jiboia. Tudo às escuras. Foi um terror e hoje Eduardo, que é deputado federal por São Paulo, diz na sua rede social ter tido pena da cobra. Esse deputado fere quaisquer normas de cidadania. É um beócio, pra dizer o mínimo.

domingo, 3 de abril de 2022

POEMA DOS OLHOS

Nos últimos anos tenho feito poema de tudo quanto é tipo, com temas dos mais diversos. A figura do cego, porém, aparece com mais frequência. Talvez pelo fato de eu ter perdido a visão dos olhos. Sofri muito, mas passou. Vamos andando.

Há uns 3 ou 4 anos, não lembro bem, fui levado a um programa de rádio (Globo) apresentado pela jornalista paulistana Maria Júlia Coutinho, a Maju. Pessoa incrível. E no programa dela, declamei:


DIA DO BRAILE

No próximo dia 8 comemora-se, nacionalmente, o Dia do Braile. Leia: J&CIA ABORDA O TEMA "DEFICIENTES"

sábado, 2 de abril de 2022

CHEGA DE GUERRA!

Todos sabem muito bem
Que o mundo anda mal
Girando um tanto torto
No seu eixo natural

É caso muito sério
De difícil solução
Pode tudo se findar
À base de explosão

Como rastro de pólvora
Feito sempre pra matar
As guerras se multiplicam
No campo, na serra, no mar

Aviões atiram bombas
Aleatoriamente
Destruindo meio mundo
E matando muita gente

Tudo isso sob as ordens
De um ser que planta o mal
De um ser que quer fazer
Nova guerra mundial

Pare enquanto é tempo
Chega de tanto terror
Em fuga o povo chora
Pedindo paz e mais amor

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