Foi uma noite muito bonita a de ontem na casa da querida Anastácia, cantora e compositora de forró e outros ritmos de origem nordestina.
Anastácia reuniu amigos e amigas para juntos comemorar os seus 79ª aniversário de nascimento.
Reencontrei muitos amigos e amigas que não via há muito entre os quais Luiz Wilson, Fatel, Joquinha irmão de Oswaldinho do Acordeon, Sara e Samantha filhas de Oswaldinho, Dantas do Forró e tantos e tantas.
Foi, mesmo, legal!
Anastácia está num pique incrível, cantando e compondo como nunca.
Ela mora na Av. Leonardo da Vinci, na zona sul paulistana.
E por falar em Leonardo, não custa lembrar que ele morreu há 500 anos, na França. Deixou um legado incrível. Monalisa é uma obra que quem vê não esquece jamais aquele sorriso...
Está no Louvre.
Pois é: Anastácia e Leonardo da Vinci, que tal?
O Brasil anda triste e os brasileiros, sorumbáticos.
A tristeza que o Brasil e os brasileiros vivem hoje em dia é
plenamente explicável: ataques ao erário público das três esferas. Aí já viu,
né?
Não há povo que aguente...
Mas podemos fazer uma
pausa nisso tudo e dá um tempo ao tempo.
Quer dizer: vamos deixar a tristeza de lado e correr para um
abraço ao craque do humor inteligente, Fausto.
O cartunista Fausto estará lançando daqui a pouco um DVD pra
lá de bonito.
Ó o título: Fausto Animado.
Fausto é um cabra animado desde que nasceu. Pelo menos desde
quando eu o conheço: há uns 200 anos. Ele estará ao lado de Leandro Franco e
Darlan Zurc, lançando o DVD aí referido.
Local: Rua Felício Marcondes, 290 – Centro - Guarulhos – Epa! Estou em cima da hora: o
lançamento é agora, a partir das 18h.
Acima a reprodução da capa do DVD e abaixo, a contracapa.
AUDÁLIO DANTAS, SAUDADE...
Hoje faz exatamente um ano que o querido amigo alagoano Audálio Dantas partiu para a Eternidade. Esse era um cara arretado, todo mundo sabe disso. Brincalhão, solidário, uma figura incrível. Foi o primeiro jornalista que conheci em São Paulo. Há 42 anos. O segundo jornalista que conheci, e que também fez-se meu amigo, foi José Ramos Tinhorão. Tinhorão anda dodói. Viva Audálio Dantas e que o mundo fique melhor. Ele lutou por isso. Nós lutamos por isso também.
No dia 9 de março
de 1942, Manezinho Araújo gravou a valsa Minas Gerais. Essa valsa é resultado
de uma adaptação da canção napolitana Vieni Sul Mar, que ele fez junto com o
mineiro José Duduca De Morais (1912-2002). A primeira adaptação dessa música,
que tem uns 300 anos de existência, foi feita em 1912 pelo cantor, palhaço,
Eduardo das Neves em homenagem ao maior navio da esquadra brasileira ancorado, na ocasião, no porto do Rio de Janeiro.
Eduardo das Neves, carioca da gema, foi um negro fantástico esquecido pela história. Ele aparece de corpo inteiro no livro A Alma Encantadora das Ruas (1905), do jornalista João do Rio (1881-1921). Esse também foi um cara fantástico!
Minas Gerais
é o hino não oficial do Estado de Minas Gerais, lançado em maio de 1942. Ouça:
A canção que
gerou o hino extra oficial dos mineiros faz parte do repertório
do cantor italiano Andrea Bocelli.
O pernambucano de Cabo de Santo Agostinho, Manezinho
Araújo foi um dos mais importantes artistas da música brasileira. Ele compôs e
gravou em diversos ritmos musicais, incluindo toadas e sambas. No total, cerca
de 170 músicas em 78 RPM. Ficou conhecido como o Rei da Embolada. Suas
primeiras gravações,“Minha
prantaforma”(6 de abril de 1933) e “Se eu fosse interventô” (11 de abril de
1933)foram feitas nos estúdios da
Odeon (acima).
Muita gente boa gravou música de Manzinho incluindo o
Rei do Baião Luiz Gonzaga.
Toda a obra de
Manezinho Araújo se acha no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB.
Manezinho nasceu no dia 27 de setembro de 1910 e
morreu em São Paulo, no dia 23 de maio de 1993, exatos 60 anos depois de
gravar seu primeiro disco. Na missa de sétimo dia do encantamento do Mané, celebrada numa igrajinha ali do bairro de Cerqueira Cézar, SP, convidei Rolando Boldrin, Téo Azevedo e outros amigos para uma roda de samba em embolada em homenagem ao amigo que se foi. A roda foi bonita. Lembra, Boldrin?
Anotem ai: 46,7% dos brasileiros são pardos, segundo
dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE.
O IBGE diz também que 44,2 % são brancos, 8,2% negros, 0,9% amarelos
ou indígenas.
Os negros fincaram raízes profundas no Brasil. São parte
importante da história do Brasil. A atuação deles está registrada por
historiadores e por eles mesmos, em livros. Estão na música, na literatura, no
cinema, na dança, em todo canto, menos na cadeira de presidente da República.
O pai do choro, Joaquim Antônio da Silva Callado, era negro
como negro eram também o flautista Pattápio Silva, Pixinguinha, Anacleto de
Medeiros, Wilson Batista, Cartola, Geraldo Filme, Clementina de Jesus, Itamar
Assumpção, Arnaldo Xavier e tantos e tantos.
Historicamente, o choro foi o nosso primeiro ritmo urbano.
José do Patrocínio foi importantíssimo como avalista da
abolição como o poeta Luiz Gama.
Na poesia repentista não dá para esquecer Zé Vicente da
Paraíba e seu parceiro Aristo José dos Santos (LP a cima).
E Lima Barreto, hein?
E Grande Otelo?
O repertório musical sobre o negro no Brasil é vasto, com
títulos marcantes, feito na maioria por compositores brancos e pardos: Lamento
Negro (Constantino Silva/ Humberto Porto), História de um Capitão Africano
(Josué Barros), Olha o Jeito Desse Negro (Custódio Mesquita/ Evaldo Ruy), Mãe
Preta (D.A. Ferreira/ D. P. Silveira), Geme Negro (Synval Silva/ Ataulpho Alves),
Terra Seca (Ary Barroso), Fuga da África (Luiz Gonzaga), Funeral de um Rei Nagô
(Hekel Tavares/ Murilo Araújo).
Detalhe: os índios já ocuparam 100% do território brasileiro
e hoje eles são, segundo dados de 2017 publicados pelo IBGE, apenas 0,9%
ocupando um pedacinho de nada das terras do País. Quanto aos negros, ainda
segundo o IBGE são 8,2% de uma população calculada em 210 milhões
de habitantes. Em suma: somos negros e brancos pobres escravos num país ainda preconceituoso sob vários aspectos do correr cotidiano.
Mário de Andrade escreveu Garoa de Meu São Paulo que fala
de branco e de negro, de negro e de branco. Ouçam esse poema na voz de Antônio
Abujamra.
LIMA BARRETO
O jornalista, romancista e contista fluminense Afonso
Henriques de Lima Barreto era descendente de escravo e sofreu muito na vida. Perdeu
a mãe quando tinha 7 anos de idade. Logo depois o pai ficou doido mas o filho
já grande não o internou em manicômio. Segurou a barra. Anos depois era a vez do
próprio Lima Barreto, depois de escrever significativa obra, perder o juízo e
morrer. Foi internado uma ou duas vezes. Ele nasceu no dia 13 de maio de 1881 e
morreu, pobre, no dia 1 de novembro de 1922. Era moderníssimo na literatura,
precursor da Semana de que não participou. A Semana famosa ocorreu em
fevereiro, no Theatro Municipal de São Paulo. Lima Barreto é autor de clássicos
como O Homem que Sabia Javanês (1911) e Triste Fim de Policarpo Quaresma
(1915).
Lima foi um dos primeiros autores negros a abordar com senso
crítico a questão dos negros no Brasil. Ele não gostava de futebol e muito
pouco de música. Vale sempre a pena lê-lo.
Em 1982, a escola de samba Unidos da Tijuca o homenageou.
Ouça:
A minha casa se iluminou com a presença da cantora Célia e
do jornalista e historiador José Severo. Esse cara é do tamanho de um poste
iluminado pelas estrelas. É grande.
E falamos, falamos, naturalmente com a graciosa presença de
boa cachaça mineira. Ele é gaúcho e uma boa cachaça mineira.
Severo é um cabra que sabe tudo e muito mais sobre história
do Brasil, a parti do Rio Grande do Sul. Sua terra. Severo foi um dos editores do memorável Jornal Gazeta
Mercantil.
Severo andou pelo mundo todo cobrindo histórias de vida de
morte. E pulando de Paraquedas. Tem vários livros publicados, um deles adaptado
para o cinema: Senhores da Guerra.
E conversa vai, conversa vem, trouxe eu a Severo à realidade
gritante que hoje todos nós vivemos. Perguntei-lhe:
- Este governo está se acabando...
-Que governo?
- Ora, este que aí está.
- Mas nem começou.
-E se não começou...
Concluo: o panorama é de nevoeiro.
Vasco da Gama, o desbravador dos mares, perdeu-se muitas
vezes em tempestades e nevoeiros. Ele e grandes navegadores que não contaram
com as “modernagens” náuticas de hoje. Esse. Vasco, era de uma coragem dos
infernos. Pensava e agia num mundo desconhecido das trevas e nevoeiros.
Bolsonaro não pensa, ao contrário de Vasco da Gama. Para
pensar tem que ter “tutano”.
Bolsonaro é um anencéfalo. Que pena!
Acredito que o conhecimento, o saber, a cultura
de um país pode mudar a vida de um povo
Eu gosto de Kafka e de kafta. Kafka é um escritor incrível. Deixou uma obra incrível. Metamorfose e O Processo são dois livros fundamentais na formação de quem quer se formar. Eu li Franz Kafka ainda no tempo de escola. Apaixonei-me. Como apaixonei-me por Machado de Assis, José de Alencar, Lima Barreto, Rachel de Queiroz, José Américo de Almeida, Mário de Andrade José Lins do rego e outros, tantos outros. Guimarães Rosa é insuperável.E o que dizer de João do rio, e Drummond? Kafta eu comecei a gostar há uns 40 anos, quando cheguei a São Paulo procedente do meu berço paraibano, João Pessoa. Gosto, grosso modo, de todas as especiarias da culinária árabe. Quem me introduziu nessa culinária foi o árabe brasileiro Peter Alouch. Depois não parei mais de comer essas coisas tão gostosas das bandas de que tanto gostava o nosso último imperador, Dom Pedro II. Meu amigo, minha amiga, você sabia que Dom Pedro II ganhou de presente dos árabes uma relíquia de 2.700 anos que o fogo criminoso em parte destruiu no Museu Nacional? Há pouco nos livramos de um ministro da Educação mal educado, grosso mesmo, que não falava português e era colombiano. Em lugar dessa besta quadrada veio-nos do inferno outra besta para substituir a primeira. Pois bem, essa nova besta acaba de confundir Kafka com Kafta, que loucura! Esse atual governo tem umas figurinhas, Deus do Céu!
A enorme área conhecida como Jardins de Soraya localizado na Vila Cordeiro, Localizada na zona sul da Capital paulista, ficou pequena para acolher a todos os amigos e admiradores de Laerte (acima, em vários momentos). Na ocasião, ela recebeu o prêmio Averroes concedido anualmente pela direção do Hospital Premier a pessoas que se sobressaem na ciência, educação e arte. Estive lá ontem 5 testemunhando a alegria da premiada e de todos nós, claro.
Laerte estava elegantérrima dentro de uma saia longa e uma blusa laranja muito bem trabalhada, com barra e detalhes coloridos. Com óculos discreto Ela fez-se completa com um belo chapéu de palha clara. Brincos, pulseiras e os lábios pintados de vermelho davam-lhe graça especial. Arrasou!
Laerte é dona de um traço marcante no humor brasileiro. É caustico e lírico, ás vezes. Brinca com fogo e não se queima. Brilhante em todos os sentidos artísticos e pessoais.
Paulistana da safra de 1951, Laerte Coutinho abraçou a carreira de cartunista em 1974 , depois de estudar jornalismo na USP. Seu primeiro cartoon publicado foi no extinto jornal Gazeta Mercantil e depois não parou mais.
Conheci Laerte no Diário Folha de S. Paulo, para o qual trabalhamos. Firmando-se na história com seu traço originalíssimo e eu escrevendo no suplemente dominical Folhetim. Corria o ano de 77 ou 78. No mesmo folhetim, que não existe mais, também publicavam Angeli, Glauco e outros mestres. Angeli (1956), Glauco (1957-2010) e Laerte formaram o inigualável e inimitável trio de cabras da peste Los Três Amigos. Esse trio (abaixo) apareceu pela primeira vez no número 12 da memorável revista Chiclete com Banana, de 1985.
Na solenidade de premiação reencontrei velhos camaradas como Elifas Andreato; Ricardo Carvalho, o Ricardão; Sergio Gomes, o Serjão; os músicos Ivan Vilela e Toninho Carrasqueira, Palmério Dória, Vanira e as filhas Juliana e Mariana. Ao lado delas, impossível não lembrar o velho guerreiro Audálio Dantas (1929-2018). Ah sim! todo prosa também estava o superintendendo do Premier Samir Salman.
AUDÁLIO DANTAS
O jornalista alagoano Audálio Dantas recebeu o Prêmio Averroes no dia 9 de dezembro de 2017. Clique:
O amigo e parceiro Carlos Sílvio, do “reino encantado” do
Paiaiá, BA, disse pra mim via fone que seu próximo entrevistado na Rádio
Conectados, dia 11/05, meio-dia (www.radioconectados.com.br), onde mantém o
programa Paiaiá na Conectados, que está completando 3 anos, será o jornalista Patrick
Santos. Disse também que Pratick irá lançar no próximo dia 13, uma segunda-feira,
o livro “45 Minutos do Primeiro Tempo”. É sabático.
Sabático é reflexivo. É mergulho de alguém dentro de si próprio.
Na Paraíba, meu berço, sabático ou “sabatismo” é coisa de quem está com parafuso
frouxo na cachola. Porém, gente sabida como o professor Zurc, é coisa séria.
Seriíssima.
Pois bem, um papo puxa outro.
No dia 13 de Maio marca o nascimento de um dos mais importantes
escritores brasileiros. Falo do descendente de escravo Lima Barreto. Gênio.
Lima Barreto morreu em 1922, aos 41 anos de idade.
Lima nos legou uma obra de 17 volumes. Essa obra, no
conjunto ou não, é bastante difícil de achar nas livrarias nesse nosso Patropi.
Meu amigo, minha amiga, você já leu Recordações do escrivão
Isaias Caminha?
Esse livro foi o primeiro que Lima Barreto publicou, em
1909. Façam as contas: 1909...
Recordações do escrivão Isaias Caminha tem tudo,
absolutamente tudo, a ver com pobreza, sonhos e jornalismo no estágio bruto,
grosso, lamentável. O jornalismo marrom e de resultados imediatos.
Comentarei sobre o livro já, já.
O autor do livro “45 Minutos do Primeiro Tempo” estará recebendo
seus amigos e admiradores (atuou na Rádio Pan por 24 anos) a parti das 19h
na livraria acultura do Conjunto Nacional da Av. Paulista.
EDUCAÇÃO, DAQUI A POUCO CHEGAREMOS A DOMINGO, 05.
O DIA 5 DE MAIO INTERNACIONAL DA LÍNGUA PORTUGUESA. SETE DOS 190 E POUCOS FALAM A LÍNGUA PORTUGUESA. A NOSSA. DE CAMÕES.
A LÍNGUA PORTUGUESA É A 5 MAIS FALADA DO MUNDO. SERÁ QUE O MINISTRO DA EDUCAÇÃO SABE DISSO? SERÁ QUE ELE ADOTA A EDUCAÇÃO COMO PRIORIDADE NO DESENVOLVIMENTO CULTURAL DO NOSSO PAÍS?
FICA NO AR ESSA QUESTÃO. AH! FOI ESSE CARA DE NOME DE DIFÍCIL PRONÚNCIA, CÁ ENTRE NÓS, QUE ESCREVEU NO SEU TWITTER INCITAR ASSIM: "INSITAR".
DÁ PRA PÔR FÉ NUM CARA DESSE?
PELO CAMINHAR DA CARRUAGEM, ESTAMOS PERDIDOS. MAS DEUS É BRASILEIRO...
O passamento do diretor de teatro Antunes Filho, paulistano
de Bixiga, me fez lembrar passamento idêntico do também diretor de teatro e
jornalista Flávio Rangel (1934-1985).
Antunes foi tão grande quanto Flávio Rangel.
Flávio tinha a ver com opinião, o teatro, etc.
Antunes tinha a ver, como Flávio, com liberdade. Ambos
fizeram artes falando sobre liberdade. Arte é liberdade.
Um dia Geraldo Vandré pediu que eu entrasse em contato com
Antunes Filho. Ele queria que Antunes o dirigisse de volta ao mundo da arte.
Liguei para Antunes e ele pediu: “vem cá, vem me ver, conversamos”.
E aí eu fui a Unidade SESC Dr. Vila Nova, onde Antunes tinha
espaço para formar novos atores. Conversamos e conversamos e na conversa final
ele deu uma risada, dizendo: “o Geraldo não tem jeito, não voltará nunca a
cantar e a tocar num palco”.
Curioso nessa história é que algo parecidíssimo ocorrera
entre mim e Flávio Rangel.
O Flávio trabalhou comigo na Folha. E a ele também falei
sobre a vontade do Geraldo... O encontro entre mim e o Flávio ocorreu na minha
casa, no bairro de Santa Cecília, SP. O Geraldo esteve presente e conversou, e
conversou e conversamos e no final disso tudo o Geraldo continuou na moita,
escondendo-se no passado.
A última vez que vi Antunes Filho faz uns 8 anos. Eu o vi
pelas costas, entrando na sua casa. Sequer nos cumprimentamos. Guardo a imagem
dele na minha memória como um homem decidido a mudar a vida através da arte.
Bolsonaro quando abre a boca é quase sempre prá dizer besteira. Quando não diz coisa fora da hora. Nesse último dia do Trabalho, por exemplo, ele não falou sobre o trabalhador. Essa pauta não foi aberta por ele, preferindo tecer loas sobre a liberdade econômica. E os direitos do trabalhador, hein? Enfim, são mais de 13 milhões de pessoas sem trabalho. Se levarmos em conta que um pai de família sustenta a mulher e o filho, teremos aí 40 milhões de brasileiros e brasileiras comendo pão amassado para não morrer de fome. Eh, Bolsonaro... Há pouco o Ministério da Educação tinha como titular um colombiano que mal e mal falava sua própria língua. Esse caiu e no seu lugar entrou um cara que, segundo dizem, passou grande parte da sua vida sobrevivendo de renda via Bolsa de Valores. Quer dizer, trabalho mesmo que é bom...Esse aí, de nome enrolado, diz que chega ao posto de ministro para mudar a educação dos brasileiros. Prá começo de história diz que vai cortar 30% do orçamento das universidades públicas. Isso é grave. Ele disse também que vai economizar nos custos do ENEM. De 500 milhões, cortaria tudo isso para apenas 500 mil. Falou isso cheio de pompa, se auto-vangloriando. Mas os administradores do Ministério acorreram dizendo, em nota, que isso seria impossível. E o tal ficou na moita. Mas na verdade meus amigos, minhas amigas, não era sobre isso que eu ia falar. Eu ia lembrar do tempo em que fiz artes plásticas na Universidade Federal da Paraíba. E Música. Esses cursos, porém, prá mim ficaram incompletos por que a tempo descobri que talento, mesmo, eu tenho de sobra é prá bater palmas para os artistas como João Câmara Filho e Leonardo Da Vinci. Da Vinci tornou-se um dos mais importantes pintores renascentistas, embora fosse também matemático, cientista, engenheiro, poeta, músico. Até inventor o cabra foi. Entre 1503 e 1506, Da Vinci fez uma das obras mais famosas do mundo em todos os tempos: Monalisa, também conhecida como Gioconda. Esse quadro é um óleo sobre madeira, que mede 77x53. Pequeno no tamanho e grande na importância. O sorriso de Monalisa é incrível e indecifrável. Homem ou mulher, ou a mistura dos dois gêneros, não sei. Leonardo Da Vinci era italiano, nasceu em 1452 e morreu no dia 2 de maio de 1519. Há exatos 500 anos. A obra de Da Vinci nos remete a religião católica, a Cristo, Deus, aos apóstolos, o mesmo pode ser dito a respeito da obra do alemão Sebastian Bach (1685-1750). O menestrel Elomar Figueira Mello, baiano, é louco por Bach, mas essa é outra história. As canções de Bach são até hoje interpretadas no mundo todo por todo mundo. Ouçam Toquinho fazendo variações em Jesus, Alegria dos Homens:
O Brasil nunca enfrentou crise tão brava como essa de agora,
em que se acham desempregadas mais de 13 milhões de pessoas de norte a sul do
País. Além dessa crise, há muitas outras. É só abrir a janelinha ai do conforto
pra ver tudo.
O empregado sempre leva na cabeça.
Foi no governo de Artur Bernardes (1922-1926) que o
Congresso aprovou o 1º de maio como Dia do Trabalho. Esse dia foi criado para
comemorar o trabalho e não o trabalhador o que viria a acontecer no governo do
gaúcho Getúlio Vargas (1930-1945).
Getúlio era doido pelo povo, adorava o povo, como bom
ditador que foi principalmente durante o Estado Novo, que ele criou inspirado
do nazifascismo, 1937.
Foi Getúlio que mudou na prática o trabalho para
trabalhador, isto é: Dia do Trabalhador.
Ao dirigir-se aos brasileiros em discurso, Vargas começava
sempre assim: Trabalhadores do Brasil...
Antes de Vargas os operários não tinham direito a nada, a
coisa nenhuma, por isso partiram para o pau primeiro em Chicago, EUA, em 1886.
O pau, que se pode traduzir como greve, rapidamente estendeu-se mundo a fora.
A primeira grande greve no Brasil ocorreu em 1917 (link
abaixo), precisamente naquela que viria a ser a maior cidade brasileira, São
Paulo. Morreu gente até. A greve tinha por objetivo fazer com que os empresários
diminuíssem a carga horária de trabalho, de 14 para 8 horas.
A segunda grande greve de operários do Brasil ocorreu no Rio
de Janeiro, em 1929. Naquela ocasião, o Brasil já era um caldeirão fumegante. À
frente dos operários, os anarquistas.
A partir dos anos de 1930, os compositores passam a usar a
temática trabalho nas suas composições, o samba Bonde de São Januário de Wilson
Batista é uma pérola do gênero.
Dois anos após a morte de Vargas, no final da manhã de 24
agosto de 1954, o compositor Edgard Ferreira compunha para o cantor Jackson do
Pandeiro gravar o belo rojão Ele Disse.
No dia 30 de abril de 1980, o Centro Brasil Democrático
produziu um grande espetáculo musical nas dependências do Riocentro, RJ, o
mesmo Riocentro que seria palco do atentado que matou um militar exatamente um
ano depois. Pelo menos 30 mil pessoas estiveram aplaudindo Chico Buarque,
Fagner, Elba Ramalho, Martinho da Vila, Sérgio Ricardo, Clara Nunes, Miucha,
Milton Nascimento, Paulinho da Viola e muitos outros. Coube a Alceu Valença interpretar
a música de Ele Disse. Ouça:
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, há muitos discos
com músicas em homenagem ao trabalhador.
Era filha de advogado. O correr da sua vida foi toda civil,
crendo na importância das manifestações populares. Comunista? Idiotice é
classificar quem sente a dor do povo em nome de uma ideologia. Conheci Beth ali
pelos anos 70. Tem entrevista minha com ela publicada no suplemento dominical
Folhetim, do paulistano jornal Folha de S.P.
Fiquei sabendo que ela partiu para a eternidade
agora há pouco. A notícia a mim foi dada pelo mestre Oswaldinho da Cuíca,
enquanto conversávamos sobre as “doiduras” do Bolsonaro. Ele, Oswaldinho,
rompeu amizade com Beth por razões ideológicas. Que merda! O bom viver é
democracia. Temos que respeitar todos, inclusive pelo que se diz. A Beth era uma mulher incrível. Nos entediamos pelos desencontros. No acervo do Instituto memória Brasil, IMB, há todos os discos da Beth Cavarlho. A Beth foi a única cantora do Rio de Janeiro a gravar um CD com repertório totalmente sobre a música que fala da cidade de São Paulo. Esse CD foi produzido pelo compositor e cantor Eduardo Gudin. Pra lembrar a Beth ouça a Andança. Eu gostava
muito da Beth. Viva, Beth Carvalho! Andança: https://www.youtube.com/watch?v=4Hp14vl38YY
Houve um tempo em que o Brasil era um grande roçado, cheio
de senhores de escravos a mandar e a desmandar no território nacional. O número
de escravos diminuiu, mas o de senhores de terra talvez tenha aumentado.
Houve um tempo em que esses referidos senhores mandavam na
política. Isso continua. Os “coronéis” mudaram de vestimenta, mas seguem a
mandar do mesmo jeito de antes.
As complicações no Brasil e para os brasileiros humildes
começaram com a chegada dos invasores.
D. João VI mandou e desmandou, como seu filho Pedro I. Pedro
II da mesma linhagem imperial portuguesa, embora nascido no Rio de Janeiro,
tinha sensibilidade para as artes e insensibilidade ao que se convencionou
chamar “povão”.
O primeiro golpe militar ocorrido no Brasil foi dado em 1889:
caiu o Império e surgiu a República, com Deodoro à frente. Deodoro, investido
do poder do cargo de presidente, fecha o Congresso e declara estado de sítio.
Seu vice e conterrâneo alagoano Floriano Peixoto, bota pra quebrar.É quando surge e revolta da Armada. Por quê?
A Marinha queria direitos e igualdade no soldo com o Exército.
Muita água passou pela Ponte Brasil.
Em 1930, o gaúcho Getúlio Vargas assume o poder depois de um
golpe que impediu Júlio Prestes a assumir o cargo de presidente que ganhou pelo
voto popular. E o resto é o que segue: queda do mesmo Getúlio, ascensão do
Marechal Dutra e tal. Ai vem a renúncia de Jânio, a queda de Jango e os
militares no poder, de novo.
Tudo isso pra dizer uma coisa: a censura brava que vivemos
parece agora querer ressuscitar, por iniciativa de excelências do STF. O resto
está nos jornais. Dá medo, por isso fiquemos atentos aos movimentos palacianos.
Quando um capitão manda num general, sei lá!
No acervo do Instituto Memória Brasil há centenas e centenas
de hinos e canções patrióticas em discos, livros, etc. Ai na foto o álbum
triplo Aulas de História do Brasil que trata do “achamento” das nossas terras
pelos portugueses.
Foto: Assis Ângelo em entrevista com João Acácio (o Bandido da Luz
Vermelha).
Eu não sei por quê essa histeria em torno do juiz que
autorizou entrevistas de Lula aos jornais Folha de S.P. e El País. Normal.
Eu não me recordo bem o ano, mas a pedido meu, o juiz da Capital
paulista me autorizou a entrevistar João Acácio, que entrou para a história do crime como o Bandido da Luz Vermelha. Virou até filme. Eu o entrevistei numa sala do Manicômio
Judiciário paulista em Franco da Rocha, SP. Ele disse o que tinha que dizer, gravei
o que disse, redigir e publiquei. E nem por isso o mundo acabou.
Acácio foi preso em agosto de 1967, condenado a mais a 300 anos
de prisão e solto em 1997. Quem o levou a prisão foi o então o Juiz Alberto
Marino Jr., autor da letra do chorinho clássico Rapaziada do Brás. Mas essa é
outra história.
O que há em comum entre Lula e João Acácio?
Lula é um político partidário, famoso, e João Acácio foi um
assaltante, também famoso.
A boa música brasileira morreu, está de luto ou na gaveta. Das três, uma. O fato é que ao ligarmos a tevê ou o rádio não encontramos a nossa boa música popular brasileira. A boa música popular brasileira onde está? O gato comeu? Muitos gêneros morreram e estão enterrados: O lundu, o maxixe, a modinha, o xaxado, a marcha junina, a marchinha de carnaval, o baião... Pois é, o bom gosto foi-se embora e no seu lugar foi ocupado pelo mau gosto chamado de funk, "sertanejo", um tal de sofrência e não sei mais o quê. Bem, hoje é o dia do Choro. O pai do choro tem por nome Joaquim Antonio da Silva Callado Júnior (1848-1880). É de Callado o primeiro choro: Flor Amorosa. Callado era compositor e flautista, como Pattapio Silva (1880-1907) e Pixinguinha (1897-1973). Entre as mulheres, Chiquinha Gonzaga (1847-1935) foi uma chorona pioneira. A tevê Cultura levou ao ar recentemente, uma série de 13 capítulos contando a história do Choro. Luís Gonzaga, o rei do Baião está presente nessa história. Clique:
DIA DO LIVRO É hoje que foi criado para lembrar da importância de se ler. O paulista de Taubaté, Monteiro Lobato (1882-1948) dizia que um país se constrói com homens e livros. O Bolsonaro deve achar isso um absurdo.
Pattapio Silva e Pixinguinha foram dois dos maiores
flautistas que o Brasil já teve. O primeiro, carioca como o segundo, nasceu no
dia 22 de outubro de 1880. Deixou gravadas para a posteridade pouco mais de uma
dúzia de composições suas e mais algumas de outros autores.
Pixinguinha, de batismo Alfredo da Rocha Vianna Filho, veio
ao mundo no dia 23 de abril de 1897. Começou a gravar com 14 anos de idade e a
compor, com 11, aos 15 já integrava a Orquestra do Teatro Rio Branco, no Rio de
Janeiro. Deixou centenas e centenas de composições. São dele clássicos como
Carinhoso, Rosa e Sofres Porque Queres.
Pattapio morreu em Florianópolis, no dia 24 de abril de
1907. Foi-se tão novo quanto Noel Rosa (1910-1937) e Casimiro de Abreu
(1839-1860).
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acham todas
as gravações de Pattapio e Pixinguinha.
O Brasil é pra profissionais. Sempre foi, na ficção e na vida real.
Em março de 1911 o carioca Lima Barreto levou à praça em folhetim no Jornal do Comércio, RJ, Triste Fim de Policarpo Quaresma. No formato de livro, essa história foi publicada 4 anos depois. Esse foi o seu segundo livro, o primeiro foi Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de 1909. Em Policarpo Quaresma, Barreto conta a história de um pacato brasileiro que ia de casa pro trabalho do trabalho pra casa, pontualmente. Era solteiro, não tinha filho e morava com uma irmã e não fugia à rotina, de uma cidadão comum. Gostava muito de ler e até em tupi-guarani. Aliás, ele queria que o Brasil adotasse essa língua como língua oficial. E deu um rolo danado, virando chacota da imprensa. Era sonhador à toda a prova. Achava que o Brasil poderia ser um país independente e a sua população, feliz. Era apolítico e conservador, daqueles do tempo antigo. Ele tinha um amigo, Ricardo Coração dos Outros. Ricardo era trovador. Olga, sobrinha, tinha respeito extremado por ele, Quaresma. Um dia é tido por doido e levado a um manicômio. Depois de um tempo, retorna a rotina, nova rotina, pois deixara a repartição onde trabalhava e adquiriu um sítio. Nesse sítio ele achava que poderia servir de exemplo para o país. Mas ai vieram as saúvas. Milhares, milhares, milhares delas. Um exército que em pouquíssimos instantes destruíam tudo o que ele plantava. Não vou me estender, mas Barreto nesse livro é puro Kafka. Vocês lembram do enredo do romance O Processo? Nesse romance, o personagem Joseph K é surpreendido por dois tiras dentro de casa. Esses o levam a delegacia onde o delegado o interroga sobre sabe-se lá o que! Nem K sabia do que estava sendo sendo acusado, nem seus acusadores sabiam do que o acusavam. Igual, em parte, ao que sucedeu com Quaresma, que foi acusado sabe-se lá de que, preso, condenado e o fim é triste como o fim de K. Alguma coisa está ocorrendo no Brasil de hoje. Cheira mal a ordem do ministro do STF de mandar fazer busca e apreensão na residência de uma dezena de acusados de ameaçar o STF. Coisa de doido! Recomendo que leiam depressa, se já não leram, Triste Fim de Policarpo Quaresma e O Processo, esse de 1925. Sobrando um tempinho, leiam também Recordações do Escrivão Isaías Caminha. Nesse livro, Barreto conta da opressão e preconceito dos negros e mulatos da sua época, como hoje.
Im-pres-sio-nan-te! Estou estupefato. Como pode no tempo de hoje, terceiro milênio alguém ser contra alguém pelo simples fato de se distinguir pela cor? ouvir Há pouco um dirigente do Santos FC dizer que "multas e negros no Brasil são todos desonestos". Isso me lembra o que disse o ex-ministro da educação Vélez Rodrígues: "Rouba coisas dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião, ele acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esse é o tipo de coisa que tem de ser revertido na escola". Isso me lembra também o que Bolsonaro antes de virar presidente da República: "Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo”. É o fim da picada ou não é? O Boris Casoy, não faz tempo, andou metendo pau nos garis de São Paulo. William Waack, andou, também, metendo o pau nos negros... O curioso é que nessas pessoas, independentemente da profissão, não assumem o que dizem. No máximo pedem desculpas. Ora, ora. O educador Paulo Freire disse o que um verdadeiro cidadão diria: "O que quero dizer é o seguinte: que alguém se torne machista, racista, classista, sei lá o que, mas se assuma como transgressor da natureza humana. Não me venha com justificativas genéticas, sociológicas, ou históricas ou filosóficas a superioridade da branquitude sobre a negritude, dos pobres sobre os ricos, dos patrões sobre os empregados. Qualquer discriminação é imoral e lutar é um dever por mais que se reconheça a força dos condicionamentos a enfrentar. A boniteza de ser gente se acha, entre outras coisas, nessa possibilidade e nesse dever de brigar".
A Newsletter Jornalistas & Cia está às vésperas de completar 24 anos de existência. Importantíssima para nós jornalistas e também para quem não é jornalista. Sou colunista dessa publicação que semanalmente pode ser encontrada nessa caixinha doida chamada internet. Parabéns a Eduardo Ribeiro, seu fundador, Wilson Baroncelli e toda a equipe. Ai no link a edição especial sobre os 24 anos de vida dessa newsletter. Clic: http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/jornalistasecia1200.pdf
Na rua General Osório, no centro da capital paulista há várias lojas de instrumentos musicais e nessas lojas, ao fundo ou ao lado há sempre grupos de choro e samba se apresentando pra quem estiver a fim de ouvir coisas boas. Sábado 13 fui apurar os ouvidos no local denominado Consulado do Choro. E lá estavam Tadeu do Surdo, Zezinha do Cavaco, Nico do Pandeiro, Donato entre outros bambas tocando para uma plateia de bom gosto. Tudo na faixa, sem grana no balcão. O repertório, de arromba! A partir no meio da manhã até o meio da tarde rolaram obras de Pixinguinha, Waldir Azevedo e outras feras que nos legaram uma obra inestimável. O Consulado do Choro fica na Osório, 31 ou 91, não sei bem. O dono é o paraibano Damásio. Ele é da região que inspirou Joubert de Carvalho a compor a canção Maringá. Maringá é resultado da junção de Maria do Ingá, que no meio do século passado deu nome a um município do Paraná: Maringá. Maria do Ingá, diz a lenda, era uma jovem sertaneja muito bonita acoçada pelo fúria das secas que ciclicamente atingem o Nordeste. As fotos que ilustram este post foram feitas por Rômulo Nobrega.
Chico Anysio partiu para a Eternidad no dia 23 de março de 2012. Seu corpo foi velado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Cerca de 5 mil pessoas estiveram por lá. Foi cremado.
O mais importante humorista do Brasil era cearense. Seu
nome: Francisco Anysio de Oliveira
Paula, artisticamente conhecido como Chico Anysio .
Chico foi um brasileiro incrível. Digo de novo in-crí-vel!
Era um domingo quando Chico e família apearam no Rio de
Janeiro, de mala e cuia. Ele nasceu do dia 12 de abril de 1931 e tinha 8 anos de
idade quando lá chegou.
O Rio do tempo de Chico era um deslumbre.
Chico queria abarcar o Rio como a mãe o abarcava nos seus braços.
Os pais desse Chico queriam que ele fosse advogado. Ele estudou
e tal. Mas foi no rádio que encontrou o caminho das pedras.
Chico Anysio fez de tudo na vida. Foi tudo. Cidadão
principalmente. Respeitava todo mundo e todo mundo o respeitava, ora rindo ora
gargalhando.
Chico inventou 234 personagens e deixou duas dúzias de
livros publicados. Quer dizer: ele sozinho era uma multidão. Até uma
autobiografia teve ainda tempo de fazer: Eu sou Francisco. Ganhou muito dinheiro e
morreu pobre, abandonado pela TV Globo.
Chico deixou uma trintena de músicas de sua autoria gravadas
por artistas entre os quais Dolores Duran (1930-1959), aí na foto acima. Seu parceiro
mais frequente foi o pernambucano de Serra Talhada, Arnaud Rodrigues
(1942-2010).
Arnaud morreu num dia de carnaval, afogado no rio Tocantins.
Chico morreu no dia 23 de março de 2012, de tristeza.
Chico era tão bom, mas tão bom que era capaz de fazer até o
diabo rir. E fez.
Em plena ditadura, Chico Anysio levava suas piadas num quadro do programa Fantástico.
Você sabia meu amigo minha amiga que Chico Anysio chegou a
gravar uma quadrilha junina com o Rei do Baião, Luiz Gonzaga?
No acervo do
Instituto Memória Brasil, se acham todas as músicas e discos de Chico.
A fia de Chico Brito
A turma (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Ah! Ah! Ah! (Chico Anysio / Raymond)
Aldeia (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Cidadão da mata (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Ciranda (adaptação c/ Arnaud Rodrigues)
De quem é essa morena (Chico Anysio / Benito Di Paula)
Dendalei (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Folia de rei (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Maristela (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Monólogo nº 1 (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Monólogo nº 2 (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Não se avexe não (Chico Anysio / Haydée Paula)
Nega brechó (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
O poste da rua Jorge Lima (Chico Anysio / Durval Ferreira e Arnaud
Rodrigues)
Rancho da Praça Onze (Chico Anysio / João Roberto Kelly)
Saudade jovem (Chico Anysio / Raymond)
Tá nascendo fio (Chico Anysio / Haydée Paula)
Tango (Chico Anysio / Raymond)
Tributo ao regional (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Tristeza mora comigo (Chico Anysio / Raymond)
Véio Zuza (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues e S. Valentim)
Verde (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Ya no quiero (Chico Anysio / Raymond)
Zéfa Cangaceira.
Essa música aí está fazendo 60 anos de gravação. Pois é, na voz da grande Dolores Duran. Dolores chegou em casa, exausta, pedindo para que ninguém a acordasse. Amanheceu morta, na cama. Mas essa é outra história.
Eu conheci o Chico Anysio no começo dos anos de 1980. Sempre
que dava, a gente se encontrava no bar de um hotel qualquer de Sampa. Sempre
bons papos. Não custa lembrar: foi com ele que comi pela primeira e última vez
o tal do caviar, com whisky.
Ouço no rádio que o humorista Andreense Danilo Gentili foi condenado a 6 meses e 28 dias de prisão. A sentença foi proferida pela juíza Maria Isabel do prado, da 5ª Vara Federal em São Paulo. Eu não gosto do Gentili. Acho o seu humor grosseiro, grosseiríssimo. Confesso que tenho dificuldade de rir das bobagens que ele faz, que ele diz, mas há gosto prá tudo. O problema, porém, é gravíssimo: a justiça condenando o livre-pensar. O livre-pensar sempre foi um problema para os ditadores. A tirania é um horror. A Constituição Brasileira vigente garante o livre-pensar. Censura é um horror, é coisa horrorosa em qualquer tempo e lugar. Já passamos por isso. Fomos oprimidos o tempo todo pelos poderosos. Desde ontem e isto não pode perdurar. Gentili foi condenado por processo acusatório provocado pela deputada Maria do Rosário. Os deputados e deputados, senadores e senadoras, poderosos, têm imunidade parlamentar. Quer dizer: não podem ser processados, investigados e tampouco condenados por quaisquer coisas que façam. E podem pedir a condenação oficial de um cidadão qualquer. Deputados e senadores parecem estar acima de tudo e de todos. Pena. A censura em qualquer tempo e lugar é um horror. É um perigo dos infernos! Até o Bolsonaro, vejam só!, postou no seu twiter fala a favor do humorista. Os tempos que vivemos, cá no Brasil, são uma incógnita. Mas ditadura, jamais! a propósito, não custa lembrar o que disse o pastor luterano alemão Martin Niemoller (1892-1984):
Primeiro, os nazistas vieram buscar os comunistas, mas, como eu não era comunista, eu me calei. Depois, vieram buscar os judeus, mas, como eu não era judeu, eu não protestei. Então, vieram buscar os sindicalistas, mas, como eu não era sindicalista, eu me calei. Então, eles vieram buscar os católicos e, como eu era protestante, eu me calei. Então, quando vieram me buscar... Já não restava ninguém para protestar.
A cultura popular e musical do Brasil são das mais
importantes do mundo. Todo mundo sabe disso, se não sabe deveria saber. E
poucos sabem, na verdade. Não à toa o escritor pernambucano Nelson Rodrigues
(1912-1980) dizia que o brasileiro é vira-lata. E é, ainda.
O presidente Bolsonaro acaba de demonstrar isso no beija-mão
que fez com Trump. Pena, pena.
A música brasileira é de uma importância fun-da-men-tal no
mundo.
Numa lista das dez músicas popul
ares mais conhecidas no
mundo, Garota de Ipanema e Aquarela do Brasil sempre estarão presentes.
Pois bem, Ary Barroso (1903-1964) compôs Aquarela do Brasil
em 1939 e nesse mesmo ano teve a alegria de vê-la gravada pela cantor mais
importante da época: Chico Alves.
Aquarela do Brasil ganhou mundo a partir de 1941, quando o
cantor Lee Broyde a gravou (ai na foto).
Ah! Ia me esquecendo: o Frank Sinatra adorou ter gravado
Aquarela...
Terça-feira 2, contei a história de Aquarela do Brasil para
uma plateia muito bonita. Foi no Sesc Pinheiros.
No Acervo do Instituto Memória Brasil, IMB. Se acham todas
as gravações em disco de Aquarela em muitas línguas e também na nossa,
portuguesa.
O Ministério da Cultura, MINC, foi criado no começo do governo Sarney(1985 - 1990). Vejam só! O Sarney é o que é. Todo mundo sabe que ele é um danado, no sentido malandro do termo. No começo da carreira, Sarney contratou o baiano Glauber Rocha (1939-1981) pra fazer um documentário a seu respeito. Glauber fez um documentário excepcional, a seu modo. Pôs o dinheiro no bolso e o resultado é essa beleza aí:
E eu, cá comigo, fico pensando: onde está a nossa cultura, no limbo? O ministério da cultura criado aos moldes Sarney e preservado nos governos seguintes até Temer, virou uma gaveta do ministério da cidadania, regida pelo gaúcho Osmar Terra. O secretário dessa gaveta Henrique Pires, é nada. Como nada é a secretária que ele comanda. Mas o que esperar de um governo que é sugestionado por um boboca chamado Olavo de Carvalho, que nasceu no Brasil e vive nos estados unidos? Os livros de Carvalho são tão importantes quanto as ideias de Bolsonaro. O filósofo grego Sócrates (469 a.C - Atenas, 399 a.C) morreu sob efeitos da cicuta dizendo que do mundo e da vida nada sabia. O conselheiro e guru de Bolsonaro, aquele que mora na Virgínia, EUA, chegou a comparar-se a Sócrates. Pior: deixou-se entender que Sócrates foi uma bobagem e lê uma sumidade. Estávamos falando de cultura. Onde anda o Ministério da Cultura do Brasil? Um amigo me disse para eu não ficar perdendo tempo com essas coisas, pois o ministério da cultura o gato comeu.
Nada não, a mim nada não custa recomendar a leitura de diálogos de Platão.
Hoje, 6, Carlos Silvio mais uma fez um gol de placa ao levar ao levar ao seu programa Paiaiá na conectados o cantor Roberto Luna, símbolo do romantismo musical brasileiro. Foi uma belíssima entrevista. Inteligência das duas partes, do apresentador e o entrevistado. essa entrevista será repetida amanha 7, a parti das 19h. para ouvi-la é só acessar aqui: http://www.radionectados.com.br/
Tudo quanto foi presidente do Brasil, depois de JK, só levou
o nosso País ao retrocesso. A começar com doidura de Jânio, com a sua renúncia,
redundou no Cearense Castelo ,no ano de 64.
Nós, brasileiros, temos uma culpa danada nessa história.
Bolsonaro, o atual presidente do país, disse esta semana que
não houve ditadura no Brasil e que o Governo Militar foi uma opção escolhida
pelo povo brasileiro. Mentira pura. Fake News!
Nessa mesma linha, o “coisa” titular da Educação foi ainda
mais além. Disse que não houve golpe Militar no Brasil, em 64. Depois ameaçoumudar a história que resultou em centenas de
mortes de brasileiros pelos fuzis do Exército .Que horrou! A ditadura mata,
seja de direta ou de esquerda. Totalitarismo nunca! Jamais!!!
Bolsonaro, que a olhos vistos, não tem “tocômetro” voltou a
dizer besteiras que em 3 meses de Planalto passam de todos os números razoáveis.
Disse, na sua viagem a de passeio a Israel, que o Holocausto patrocinado por
Hitler foi coisa da esquerda. Dá pra entender?
No museu do Holocausto, em Israel, há um nome de uma brasileiro
de grande importância: Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa (1908 —2011).
O atual presidente do brasil deveria se orgulhar em saber
disso que estou contando. Mas o que esperar de um homem que virou presidente do
Brasil sem querer ser presidente? Mas aí há uma contradição: por que ele se
candidatou a presidente?
Jair Bolsonaro disse hoje 05, que sempre quis ser Militar e
não presidente da República.
O Brasil ao escolher Bolsonaro como presidente parece ter
entrado numa fria.
É provável que o nosso atual presidente nunca tenha lido uma
poesia, um romance, um livro de história, um folheto de cordel...
O Paulista de Taubaté Monteiro Lobato (1882 –1948) disse uma
vez que “Um País se faz com Homens e livros”.