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segunda-feira, 23 de setembro de 2024
LIVRO ESTAÇÃO CARANDIRU, 25 ANOS
domingo, 22 de setembro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (132)
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| A morte de Alcestis, de Jean-François-Pierre Peyron |
A Friné citada por Masoch, fez-me lembrar a personagem Alceste que dá título à peça do antigo autor grego Eurípides. É história encantadora. Enigmática. Um trecho:
…Alceste não é uma tragédia, como diziam ser — acho que é uma obra obscura porque é uma história doméstica mais íntima, e justamente por isso gostei tanto. A montagem se passava nos dias atuais, numa casinha no subúrbio de Atenas. E gostei do escopo que deram à peça. Uma tragédia íntima e realista. O protagonista está condenado à morte, e sua mulher, Alceste, quer salvá-lo. A atriz que interpretava Alceste parecia uma estátua grega, com um rosto magnífico; eu ficava pensando em pintá-la. Pensei em pegar informações sobre ela e fazer contato com o agente. Quase comentei isso com Jean-Felix, mas me contive. Não quero mais envolvê-lo na minha vida, seja lá para o que for. No fim, eu estava com lágrimas nos olhos. Alceste morre e renasce. Literalmente volta do além…
(Parte do diário da personagem Alicia Berenson, constante no livro A Paciente Silenciosa, escrito pelo norte-americano Alex Michaelides)
Leopold Masoch publicou no total 34 livros, incluindo A Vênus das Peles.
Foto e ilustrações por Flor Maria e Anna da Hora.
sábado, 21 de setembro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (131)
Em 1787, o Marquês de Sade escreveu o romance Justine ou Os Infortúnios da Virtude.
Interessantíssimo. Bom de se ler. Fez sucesso e acabou entrando no rol dos clássicos.
Pouco tempo depois de Sade publicar Justine, Restif de La Bretonne escreveu e publicou Anti-Justine.
Justine é um livro que trata de duas irmãs que são postas pra fora de um convento de freiras depois que a mãe morre.
Uma vira prostituta, Juliette, que passa a ter uma vida farta e movimentada na sociedade do seu tempo. A outra, Justine, nasceu pra sofrer.
Sade foi Sade. Sádico.
Sadismo vem do Marquês de Sade.
E Masoch?
O austríaco Leopold von Sacher-Masoch (1836-1895) gerou a palavra masoquismo, que tem a ver com a pessoa que tem prazer sexual com o próprio sofrimento ou humilhação a que se submete. Masoch, como pelo sobrenome ficou conhecido, é o autor de A Vênus das Peles.
Esse livro, publicado em 1870, conta a história de um casal que sente prazer em ser maltratado um pelo outro. Normal, dentro da temática do viver. Freud adorou o tema.
Um trecho:
— A dor possui para mim um encanto estranho, e que nada acende mais a minha paixão do que a tirania, a crueldade, e sobretudo, a infidelidade de uma mulher formosa. Esta mulher, este estranho ideal de terrível estética, imagino-a com a alma de Nero e o corpo de Friné.
Friné, como se chamava, foi uma cortesã de luxo da antiga Grécia. Era pouco vista em público e viveu no correr do século 4 a.C. Ainda no referido livro, lê-se:
… Eu sou ultra-sensualista, que em mim toda a concepção procede, antes de mais, da imaginação e que se nutre de quimeras. Desde que, pelos dez anos, puseram nas minhas mãos a vida dos mártires, desenvolvi-me e sobreexcitei-me nesse sentido. Recordo-me que lia com um horror que constituía para mim um verdadeiro prazer, a maneira como languesciam na prisão, os estendiam nas grelhas, os atravessavam de setas, os ferviam em pez, os deitavam às feras, os crucificavam, tudo sofrendo eles com uma espécie de alegria. Sofrer, suportar cruéis torturas, parecia-me então uma forma de prazer, sobretudo se estas torturas se infligiam por intermédio de uma mulher bonita…
sexta-feira, 20 de setembro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (130)

Restif de La Bretonne, la Petite Laitière;
de Lubin de Beauvais
Todo mundo sabe que Henry Miller foi extremamente erótico nas suas narrativas. Era casado e tinha como amante a polêmica escritora Anaïs Nin (1903-1977), autora de Delta de Vênus (1977) e Incesto: Diários Não Expurgados (1992).
Nin tinha dois irmãos quando o pai se separou da mãe para se casar com uma mulher bem mais nova do que ele.
A vida pessoal de Anaïs Nin não foi nada fácil. Para passar o tempo escrevia cartas ao pai, que nunca as recebia. A mãe as bloqueava. Foi a partir daí que ela virou escritora. Seus originais se acham na Biblioteca de Los Angeles.
E o Marquês de Sade?
E Restif de La Bretonne?
Esses eram contemporâneos, nascidos em terras francesas, como os incomparáveis Rabelais e Voltaire.
Sade deixou um monte de livros. Uns 50 ou 60.
Bretonne foi também respeitado intelectual do seu tempo, chegando até a inspirar os revolucionários franceses do século 18 a pôr abaixo a Bastilha.
Numa lista pessoal, Bretonne, anotou ter possuído mais de 300 mulheres.
Sade foi preso várias vezes, inclusive na Bastilha. Morreu no manicômio, provocando pesar de Napoleão Bonaparte (1769-1821), que o mandou pra lá.
Foi um libertino libertário, como Bretonne.
Era um intelectual, escrevia e falava muito bem. Sabia o que dizer. Seus textos nos mais de 50 livros que publicou são e serão incríveis.
Sade foi muito além do que se possa imaginar: era rico, viveu, sofreu… Bonaparte o fodeu.
Todos dizem, na história, que Sade era sádico…
Bonaparte teve uma vida sexual bastante agitada, até porque não havia harmonia entre ele e a mulher.
A separação de Napoleão e Josefina ocorreu em 1809.
Sobre Napoleão há um extenso e curioso anedotário. Um deles foi dito por Ariano Suassuna. Mais ou menos assim:
Dois doidos se encontram num manicômio. Um deles pergunta:
— Por que você não bate continência pra mim?
— Quem é você?
— Eu sou o imperador Napoleão Bonaparte!
Surpreso o outro doido pergunta: E quem lhe fez imperador?
— Deus!
— Eeeeu!?
Napoleão foi o cara que botou D. João VI pra correr de Portugal e com ele o filhote Pedro.
Quando D. João VI veio ao Brasil, corrido, trouxe um montão de gente.
A vinda do rei português para o Brasil foi escoltada por uma esquadra inglesa.
E não custa lembrar que ele casou-se com uma certa Joaquina e com ela teve nove filhos. Teve também uma amante, pelo menos: Eugênia, que engravidou e acabou pagando pecado num convento espanhol.
O diretor Doug Wright fez um filme baseado nos últimos dias de Sade: Contos Proibidos do Marquês de Sade.
Foto e ilustrações por Flor Maria e Anna da Hora.
quinta-feira, 19 de setembro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (129)

Dante e Beatriz, pintura de Henry Holiday
As pegadas de Kafka foram antecedidas por autores como Dante Alighieri. Sim, aquele de A Divina Comédia.
O italiano Dante era um apaixonado por uma certa Beatriz. Século 13, por aí. Ele a conheceu quando tinha nove anos de idade e depois de nove anos voltou a vê-la e pôs na cabeça que com ela teria de se casar. Dançou. Ela foi para um lado e ele para outro. Amor platônico. Ele próprio casou-se com outra mulher e com ela foi pai três vezes, uma das filhas, a quem deu o nome de Beatriz, findou seus dias num convento.
Na época de Dante, na verdade antes e depois de Dante, era comum casamentos feitos de modo arranjado. Negócio na parada e a mulher como moeda de troca. Toma lá da cá. “Objeto” com dote e tudo.
Era através de casamentos assim arranjados, negociados, que famílias ricas ficavam mais ricas. Como se vê, por interesse.
Nesse ponto fica claro que o sexo era o caminho para fortalecer elos que levassem ao poder. E como expressão artística, o sexo é um poço sem fundo.
Já andei falando de Pietro Aretino, mas não custa lembrar que ele era assim e assim com religiosos do seu tempo. Chegou a ser amigo até de papas, como Clemente VII. Era temido por fracos e fortes. É dele a frase: “Escondemos o nosso sexo e pomos à vista as mãos que roubam e matam, e a boca que jura em falso”.
Tinha por hábito “emprestar” suas mulheres aos amigos. Às vezes, uma ou outra voltava ao seu teto. Por saudade, tesão ou sabe-se lá o quê!
Giacomo Casanova, o galã galante de Veneza, era intelectual e músico. Deixou muitos livros publicados e uma rica autobiografia, cujos originais estão na Biblioteca Nacional da França, que seria transformada em livro muito tempo depois da sua morte, em Duchcov, República Checa.
Como tradutor, Casanova deixou sua marca em Ilíada, de Homero, para italianos.
Conheceu muita gente importante, entre homens e mulheres. Aliás, dizem que não fazia muita diferença entre levar para cama um homem ou uma mulher.
Entre os famosos, desfrutou dos abraços da Imperatriz russa Catarina, A Grande (1729-1796).
Catarina assumiu o poder na Rússia depois de mandar matar o imperador Pedro III, com quem se enrolava na cama. Esse Pedro era broxa, diziam.
Era doida por machos. Teve muitos amantes, o mais frequente foi Grigori Potiomkin (1739-1791), que talvez tenha amado.
quarta-feira, 18 de setembro de 2024
TV GAÚCHA TRANSMITIU O PRIMEIRO DEBATE NA TV
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| Boulos e Assis |
terça-feira, 17 de setembro de 2024
HÁ 500 ANOS MORRIA VASCO DA GAMA
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| Assis, Gudryan, Clarissa, Nito, Anna e Patrícia |
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| Gama imortalizado em bronze, na cidade onde nasceu |
segunda-feira, 16 de setembro de 2024
DEU PAU NA TV
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| Assis, Klévisson, Evaristo e Dantas |
sexta-feira, 13 de setembro de 2024
SEXTA 13 DE SORTE OU AZAR?
DIA DA CACHAÇA
quinta-feira, 12 de setembro de 2024
O FOGO TÁ COMENDO TUDO!
quarta-feira, 11 de setembro de 2024
TÁ TUDO PEGANDO FOGO!
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| Céu de São Paulo nesses dias poluídos |
terça-feira, 10 de setembro de 2024
HÁ 51 ANOS MORRIA O PALHAÇO PIOLIN
Foi lá em Ribeirão que nasceu um dos mais importantes palhaços do Brasil: Piolin.
Piolin, de batizado Abelardo Pinto, caiu nesse nosso mindinho besta no dia 27 de março do distante ano de 1897.
São Paulo ainda tinha lá seus ricos barões do café quando, já nos anos 20, Piolin destacava-se entre os palhaços conhecidos.
Seu sucesso espalhou-se Brasil afora, mas foi entre Rio e São Paulo que ele virou o xodó de intelectuais como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia e Tarsila do Amaral.
Entre os fãs desse grande palhaço se achava o último presidente da chamada República Velha: Washington Luiz (1926-1930).
Os tão falados modernistas fizeram uma barulhenta festa no dia de aniversário de Piolin, em 1929.
O ano de 29 foi o ano da quebradeira da Bolsa de Valores de Nova Iorque.
No correr da quebradeira da Bolsa, o presidente golpista Getúlio Vargas mandou queimar milhares e milhares de sacas de café. Isso para o preço subir, mas não subiu. O que subiu, e muito, foi o desespero da baronada.
Abelardo Pinto morreu em casa engasgado com uma bala de caramelo, no dia 4 de setembro de 1973, levando consigo a sua grande criação: Piolin.
Criador e criatura foram sepultados no Cemitério da Quarta Parada, antigo Brás, na zona leste paulistana.
segunda-feira, 9 de setembro de 2024
LUIZ WILSON PINTA O SETE HÁ 17 ANOS
O rádio encurtou lonjuras, trazendo notícias e músicas de todo o canto.
O presidente do Brasil à época era o paraibano Epitácio Pessoa. Esse Pessoa foi a Paris e de lá voltou presidente. Ora, ora... Que coisa! Mas essa é outra história.
A gente está falando de setembro de 22, não é mesmo?
O primeiro dono de rádio no Brasil foi o cientista Roquete Pinto. Chamou-se Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Bancou, fez bonito. Depois, no comecinho dos anos 30, Pinto doou a sua rádio ao governo. Vargas. Que deu voz ao Brasil.
Estamos falando de rádio AM, frequência AM e Curtas.
A rádio de frequência FM surgiu entre 52 e 55. Frequência Modulada.
A primeira dessas rádios na tal sintonia foi a Imprensa.
E esse é o ponto.
A rádio Imprensa acolhe rítmos variados do Nordeste. Algumas coisas até boas, outras...
O pernambucano Luiz Wilson estreou nessa rádio em setembro de 2007. Há 17 anos, portanto.
Esse Luiz é um cara que procura sempre estar antenado com o que ocorre no nosso país.
O apresentador do programa Pintando o Sete pinta e borda. Ou seja: canta, compõe, toca violão e improvisa poesia. É bom o cara.
Está na praça um livro contando a história do pernambucano Luiz Wilson. Título: Minha Terra, Minha Gente, Minha Vida, cuja leitura recomendo.
É isso aí, Luiz!
domingo, 8 de setembro de 2024
CEGOS FAZEM BONITOS EM PARIS
ANALFABETISMO
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (128)
Camilo, como Limeira, deixou além de saudade uma obra muito bonita.
A Viagem a São Saruê por exemplo, país inventado por Camilo, começa assim:
…Eu que desde pequenino
sempre ouvia falar
nesse tal São Saruê
destinei-me a viajar
com ordem do pensamento
fui conhecer o lugar.
Iniciei a viagem
as quatro da madrugada
tomei o carro da brisa
passei pela alvorada
junto do quebrar da barra
eu vi a aurora abismada…
E lá pras tantas, segue dizendo o poeta:
…Lá os tijolos das casas
são de cristal e marfim
as portas barras de prata
fechaduras de “rubim”
as telhas folhas de ouro
e o piso de sitim.
Lá eu vi rios de leite
barreiras de carne assada
lagoas de mel de abelha
atoleiros de coalhada
açudes de vinho do porto
montes de carne guisada…
Na terra de São Saruê há de um tudo. Lá ninguém passa fome, porque lá tudo tem e tudo dá sem sequer precisar plantar. É tudo frouxo e legal.
Quase no fim dessa história, diz o cordelista sobre amor e felicidade:
Tudo lá é festa e harmonia
amor, paz, benquerer, felicidade
descanso, sossego e amizade
prazer, tranquilidade e alegria;...
Pois é, amigos e amigas, esse cara, Camilo, deixou um monte de coisas bonitas.
Eu o entrevistei e publiquei nossa conversa no extinto diário paulistano Jornal da Tarde.
Foto e ilustrações por Flor Maria e Anna da Hora.
sábado, 7 de setembro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (127)
Baixinho, gordinho, feinho… Tinha uma inteligência invulgar.
Suas reportagens chamavam atenção do grande público. Eram feitas nos morros, puteiros, casas de umbanda. Por aí. O submundo era, de certo modo, o seu mundo. Simples e muito inteligente, era admirado e respeitado pela plebe e pela elite. Tinha sempre o que dizer. E ainda encontrava tempo para bebericar com amigos, brincar o Carnaval e outras festas do povo. Também para escrever e enviar cartas às pessoas de que gostava, como o português João de Barros.
Para Barros, João do Rio escreveu uma carta em que fala de orgia. Curiosa e cheia de fofoca. Deve ter sido enviada a seu amigo, um ex-ministro português, em fevereiro de 1912.

A Ema aí referida na carta era uma atriz bastante conhecida à época.
Ainda naquele ano de 1912, sempre no tom de fofoca, João escreveu ao seu velho xará português:
João, queridíssimo,Tenho uma coisa impagável. Lembras-te do Amaral França, o elegante senhor do Paiz? Era o amante da madame Camacho! O marido, aquele cretino com ares de boneco de alfaiate barato – soube! Soube e teve ciúme. Então mandou cinco, nota bem, cinco amigos seguirem a feia Camacho e quando a bela Camacho (digo bela agora porque não se compreende uma adúltera feia) palpitava nos braços do Amaral, na sua garçonnière do Russell, deu-se o flagrante delito mais escandaloso do Rio de Janeiro. O divórcio é amigável. Camacho chora (isto é, Camacho fêmea) enquanto Camacho de barba olha o céu pensando ver o chifre. Isso causou na bande a impressão do raio. O nosso incorrigível ingênuo Sampaio ficou prostrado, e assegurou-me que felizmente a Marguett era angélica…
João não morreu pobre nem rico. Viveu e deixou dúzia e meia de livros pra quem quiser saber de histórias reais e inventadas que trazem a assinatura do famoso repórter.
No seu último livro A Mulher e os Espelhos (1919), João do Rio conta histórias curtas do cotidiano carioca. Nessas histórias, os personagens mais frequentes são mulheres com seus dramas pessoais; amor, sexo, adultério e violência. São textos limpos, claros, atualíssimos.
Síntese era a marca desse João.
sexta-feira, 6 de setembro de 2024
QUEM MATOU O PAI DE PEDRO I?
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| The Guardian: The beautiful anthem |
quinta-feira, 5 de setembro de 2024
CEGOS EM CAMPO
Graça e categoria
Nossos cegos na França
Fazem o que Deus faria
Com guizos e bola nos pés
Da noite criam o dia
No campo esportivo, atletas não têm, nem deveriam ter, inimigos. Adversários, sim. Salutar, até porque uma coisa é diferente da outra.
Pessoalmente, acho bonito quando adversários se abraçam amigavelmente após perder uma disputa. Seja qual for.
A Paralimpíada ora em andamento na França tem sido aos meus olhos algo incrível.
O Brasil lá na França, ora ocupa o 3° ou 4° lugar. Isso não é pouco.
Com os meus olhos cegos vejo o mundo.
Ser cego, nascido assim ou não, acho que não é o fim do mundo.
Fim do mundo é ficar de braços cruzados esperando o. bem bom que do céu não vem.
E aí?
A tudo nos adaptamos. Mas não é de mim que aqui quero falar.
Neste momento está começando o jogo entre a seleção de futebol de cegos do Brasil e a seleção de futebol de cegos da Argentina. É lá em Paris, pelas semifinais.
Bom, vamos ganhar. E se não ganharmos a culpa é minha, simplesmente porque recusei-me a entrar em campo para participar da disputa. Porém, estou torcendo por nossa vitória.
Vamos lá: fé em Deus e pé na bola!
quarta-feira, 4 de setembro de 2024
POR QUE ESQUECEMOS NOSSOS ARTISTAS?
terça-feira, 3 de setembro de 2024
BOULOS NELES!
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| Boulos e Assis |
domingo, 1 de setembro de 2024
BOULOS GANHA DEBATE NA TV GAZETA
Pois é, o crime organizado continua mais organizado do que nunca. As pessoas do bem que se cuidem!
Há minutos findou o debate na TV Gazeta com os cinco dos dez candidatos a prefeito da maior cidade do Brasil e da América Latina: São Paulo.
O debate começou pontualmente às 18h.
O debate mediado pela jornalista Denise Campos Toledo, começou com um cara chamado Pau, Paulo, Plabo ou Plablito sei lá!
Pois, pois, não entendi. Nomezinho esquisito. Escroto, pois grosseiríssimo. Parece que é cabeçona, porém oca. E dizendo essa cabeça oca coisas ininteligíveis.
O papo na Gazeta durou, mais ou menos, umas duas horas. Na real, pouquíssimas propostas foram apresentadas aos telespectadores/eleitores.
Meus amigos, minhas amigas vou lhes dizer uma coisa: o nosso cidadão de categoria invulgar, Guilherme Boulos, entrou no debate inteiríssimo e dele inteiríssimo saiu. Apresentou poucas propostas, mas apresentou algumas como o que pretende fazer, se eleito, no campo da saúde em Sampa.
O Boulos vai para o segundo turno e indo para o segundo turno terá, é certo, o apoio dessa mulher incrível chamada Tábata.
Se Tábata for para o segundo turno, tenho certeza de que o Boulos a apoiará.
O bem comum tem de andar de mãos dadas. Sempre.
Quando eu digo que o Brasil corre risco é porque o Brasil corre risco.
Vocês sabem o que é isso?
Estou em São Paulo há 48 anos, uma semana e três dias. Cheguei em 1976, no dia 22 de agosto de 1976. Pois, pois.
Quando eu digo que o Brasil corre risco é porque entendo perfeitamente que o nazifascismo está tentando pôr de volta suas garras assassinas.
Hitler...
Imaginemos a direita se articulando no mundo todo... E aí tem o nosso binóculo identificando perigos como Pau, Paulo, Plabo ou Plablito... Se assim for, cuidemo-nos! Cuidemo-nos!
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (126)
Num tempo não muito distante era comum escritores morrerem vitimados pela tuberculose.
Fora o mal que atacou seus pulmões, Kafka era de pouca conversa, de pouco namoro e tal. Seus relacionamentos amorosos eram raros. Preferia frequentar bordéis a manter relações duradouras com mulheres. “Tenho tanta necessidade de alguém para ter um contato unicamente amigável, que ontem voltei para o hotel com uma prostituta. Ela é velha demais para ser melancólica, ela somente se lamenta; tanto que não fica espantada que não sejamos tão gentis com uma prostituta como com uma amante. Eu não a consolei, pois ela também não me consolou”, isso ele disse em carta para seu amigo e editor Max Brod. Diante disso tudo, da fala que ele dá nessa carta, houve uma jovem que lhe despertou atenção. Com essa jovem, uma burguesa de Praga chamada Milena Jesenská (1896-1944), ele manteve uma longa correspondência que acabaria por virar um livro: Cartas a Milena (1952).
Porém, porém de novo, com ela ele nunca manteve relações sexuais, físicas. Tipo amor platônico. Ele foi, partiu para a Eternidade, antes dela.
No Brasil teve um escritor que foi o tempo todo comparado a Kafka. Seu nome Murilo Rubião (1916-1991). Era bom, mas não era tudo isso. Pelo menos no que se refere à Kafka.
Murilo Rubião estudou e fez um monte de coisas, como um ser inteligente que era. Foi jornalista, antes disso advogado, contista e tal.
A obra literária do mineiro Rubião é pequena, mas densa. Deixou 30 e poucos contos espalhados em um, dois, três… quatro… Talvez cinco ou seis livros. Coisa pouca, como se vê!
Foi bom?
Murilo foi ótimo.
Antes de Murilo Rubião, houve outros autores que tentaram navegar nas ondas de Kafka, mas não conseguiram. E talvez até nem quisessem, como o bom João do Rio.
O João foi o primeiro grande repórter da imprensa brasileira. Mais: como repórter ele retratava a realidade que via na sua cidade do Rio. Ou seja, fazia o que todo bom repórter deve fazer.
Esse João deixou histórias escritas no mundo real e irreal.
João foi grandão.
Foto e ilustrações por Flor Maria e Anna da Hora.
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