O ridículo Bolsonaro continua firme no propósito de ridicularizar o Brasil perante o mundo. Prova disso foi a reunião que teve hoje 18.
No Alvorada, seu palácio residencial, Bolsonaro reuniu-se com uns 40 embaixadores estrangeiros com o intuito de desmoralizar os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, TSE.
O TSE e seus ministros viraram sacos de pancada desde que Bolsonaro assumiu a cadeira da presidência da República.
Lá pras tantas, Bolsonaro lembrou frase firme e necessária do ministro Edson Fachin.
Fachin, respondendo à provocações de Bolsonaro, disse no dia 12 de maio deste ano:
"Quem trata de eleições são forças desarmadas e, portanto, as eleições dizem respeito à população civil que, de maneira livre e consciente, escolhe seus representantes".
O lance de Bolsonaro é desmoralizar completamente o processo eleitoral do Brasil.
Bolsonaro é lixo! À respeito desse tema, eleitoral e urnas eletrônicas, sugiro leitura imediata do novo número da revista Piauí, que se acha nas bancas. A Piauí traz uma bela e conclusiva reportagem sobre o tema aqui abordado. Título: Trincando os Dentes, assinada pela jornalista Marina Dias. No "olho" da reportagem, lê-se que "o Tribunal Superior Eleitoral enfrenta o maior desafio de sua história". O TSE foi criado em 1932, portanto há 90 anos.
Atilio Bari é um cabra que conheço desde não sei de quando. Voz forte, voz bonita. Sabe o que diz, sabe o que faz. Como se não bastasse, esse Atilio além de ator, autor de teatro é também autor infantil e de histórias que podemos classificá-lo de cronista. E como cronista, vem o contista e o romancista. É uma coisa puxando outra.
Atílio começou na TV apresentando um programa num lugar visível chamado TV Aberta.
Nesse lugar andei falando pra ele cousas e coisas (abaixo).
Atilio tem sei lá quantos livros infantis, ditos infantis para público infantil.
As histórias infantis contadas por Atilio são bonitas, muito bonitas.
As histórias não propriamente infantis, direcionadas ao público adulto, são igualmente bonitas. E aí quero dizer para você meu amigo, minha amiga, que um dos livros mais bonitos que já vi na minha vida é Julgamento no Velho Chico (capa ao lado).
Esse livro, Julgamento no Velho Chico, traz a nossa vida três personagens importantes da história nordestina: Lampião, Padre Cícero e Delmiro Gouveia (1863-1917). E de lambuja, Luiz Gonzaga.
Outro dia ouvi na TV Cultura Atilio e Chris entrevistando Jackson Antunes. Grande ator. Com ele, aliás, gravei uma coisa bem bonitinha. Ouçam: CADUQUICE
É bom que não nos esqueçamos que Atilio Bari é ator, autor, apresentador e o escambau.
O mundo é um palco dizem ainda, especialmente, quem profissionalmente atua no teatro.
Outro dia conversando cá em casa com o paulistano Atilio Bari, um grande, cheguei à conclusão completa: a vida é um palco.
Um palco é a vida, nossa, cheia de personagens. Uns e umas importantes e outras, nem tanto.
Aprendo com isso, com teatro.
Atilio Bari é ator, autor, diretor, apresentador e o escambau. Dos bons. Sabe tudo, de tudo.
Sobretudo Atílio é o que é.
Andei escutando Atilio Bari no programa que apresenta na TV Cultura. É um programa interessante, interessantíssimo, esse que ele apresenta: Persona em Foco. Cheio de vida. De memória.
Persona é um programa de TV que traz à tona artistas do teatro e também da música. Coisa rara, da TV brasileira. Cultura, em todos os sentidos.
E um dia ele me disse que mora num apartamento que já foi de Anselmo Duarte, um dos seus ídolos maiores. História.
Atilio é um personagem oculto, tão oculto quanto Fernando Faro. Ele cresce com uma menina chamada Chris.
Chris Maksud é de uma beleza rara, também. Espontânea. Solta, parceira e cúmplice de Atilio. Sabichona. Agressiva na sensibilidade.
A inteligência feminina, no caso, faz de Atilio Bari grande.
Mais uma semana chega ao fim, deixando um rastro de notícias ruins. E tragédias, como a do policial que matou na madrugada de hoje 15 a mãe, a mulher, três filhos, um irmão e duas pessoas que caminhavam na rua. E, depois, matou-se. Isso ocorreu entre os municípios de Toledo e Céu Azul, a oeste do Paraná.
Motivo dessa loucura toda: o assassino não aceitava a separação da mulher.
E não nos esqueçamos que na noite de domingo passado um policial matou outro a tiros, também no Paraná. Esse crime foi praticado por um bolsonarista e a vítima, lulista. As investigações foram concluídas hoje e a delegada do caso disse que o crime foi torpe, banal, sem motivação política. Hmmm...
Enquanto isso, o número de pessoas desempregadas no Brasil continua lá em cima. Lá em cima também estão os juros e o dólar equiparando-se ao euro. E a bolsa de valores, lá embaixo.
Logo cedo, ali pelas nove horas da manhã, ouço no rádio notícia dando conta de que o presidente do Brasil participava de mais uma motociata. Quer dizer, passeava. E hoje é sexta, dia de quem trabalha, trabalhar.
Bolsonaro não está desempregado, mas trabalhar que é bom, nada. Tem sido assim, desde sempre. Aliás, esses "passeios", pagos com dinheiro público, são para angariar votos dos leigos e trouxas. Ontem 14, Bolsonaro fez campanha pra reeleição, no Congresso Nacional, depois de os congressistas aprovarem a PEC Vale-tudo ou Kamikaze, como ficou conhecida a violação da Constituição e tudo mais.
Mas no meio disso tudo, há coisas boas como a notícia de que mais de 150 milhões de brasileiros estão aptos a irem às urnas. Porém nunca é demais lembrar que o presidente da República não para de esculhambar o processo eleitoral em vigor. Ele faz o impossível para desacreditar as urnas eletrônicas, as mesmas que o fizeram deputado e presidente inútil, chinfrim. À propósito: o ministro da Defesa, o general lambe-botas Paulo Sérgio, compareceu anteontem ao Senado para "sugerir" que fosse feita uma votação paralela às urnas eletrônicas. Essa "votação" deveria ser feita em cédulas. Ora, ora, e pensar que esse general foi comandante do Exército brasileiro há poucos meses, é de chorar.
As Forças Armadas de um país existem para defender sua integridade perente invasões externas, por exemplo. No Brasil, não é diferente, mas o que se vê e se ouve é que os militares estão cada vez mais envolvidos no dia a dia político. Isso não é bom. O que eles não querem é certo: perderem a boquinha.
E que a próxima semana seja melhor do que esta que finda amanhã, 16.
Ah! Hoje é Dia do Homem. E da tapioca. E mais uma coisinha: foi relançada hoje a campanha Ação da Cidadania, criada pelo sociólogo Betinho em 1993. Já naquela época a ideia era combater a fome no nosso País.
Seu Assis, começou o Zilidoro, "o Sr. sabe o que aconteceu no dia 14 de julho de 1789?".
Hmmm... Por que você me pergunta isso, hein?
"Calma, seu Assis, é porque o dia 14 de julho é muito importante para a vida do mundo. Tomada da Bastilha, França. O Sr. sabe".
Desculpe Zilidoro, é que essa data pra mim é, de fato, muito importante. Nesse dia, 200 anos depois, nascia em São Paulo, SP, uma menina filha minha a que eu e a mãe dela demos o nome de Clarissa. Filha da liberdade.
"Eu conheci Ana Maria... É a sua filha mais velha, não é?", pergunta o curioso Zilidoro.
À pergunta do Zilidoro, respondi simplesmente: "As mulheres são incríveis. Ana, minha filha, é incrível".
"Isso eu entendo, isso é verdade! E Clarissa é, também, o nome de um romance do grande escritor Érico Veríssimo", veio ainda dizendo Zilidoro.
O Érico eu não conheci, mas conheci o seu filho Fernando.
"O Sr. conheceu o Fernando Veríssimo!?".
Sim, sim. Fernando Veríssimo a mim foi apresentado por um enorme amigo meu chamado Fortuna. E lá estivemos eu e ele, juntos em Piracicaba. No Salão de Humor de Piracicaba.
"Essa conversa tá bonitinha, bonita de se ouvir, mas a realidade nossa neste nosso Brasil está uma doidura", interrompeu Jão.
À fala de Jão, vieram as falas de Zé, Mané e Barrica.
Até parece que os três haviam combinado, porque em uníssono disseram: "A realidade que vivemos é a realidade inventada por um cabra safado chamado Bolsonaro".
Lampa, daquele jeitão que já conhecemos, cutucando as unhas e lambendo o punhal, disse: "Hmmm...".
Biu fez de conta que não ouviu Lampa e acrescentou: "O negócio tá feio. Ouvi hoje no rádio que a bolsa abaixou e o dólar se equiparou ao Euro".
Zoião, o sempre surpreendente Zoião, disse: "Estou perdendo no mercado financeiro".
Zé, com cara de besta, disse: "Bem feito!".
Esses botões meus estão totalmente fora de controle.
Com ar solene, Zilidoro levantou o dedo e disse: "O Brasil não é para principiantes!".
Achei graça e perguntei a razão disso. E ele: "Porque o Brasil é um país incrível em todos os sentidos. De tédio, aqui ninguém morre. É uma loucura o Brasil!".
Foi a vez de Zoião entrar na conversa: "Essa frase eu conheço, é do músico Tão Jobim".
A frase é correta e forte, mas o autor foi um carioca chamado Tom Jobim. Nome completo: Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. Autor, dentre tantos sucessos, de Garota de Ipanema, expliquei.
Biu e Barrica estavam atentos no seu canto. Só ouvindo. Ali e acolá cochichavam.
Mané, que também resolveu entrar na conversa, foi já dizendo: "A Constituição brasileira está sendo estuprada mais uma vez".
Zé pegou carona, e lá foi ele: "É muita violência que nossos congressistas andam praticando. Na Câmara e no Senado. Esse tal de Arthur Lira é perigoso! Ele e Bolsonaro andam de mãos dadas, aprontando contra o nosso povo".
Esses meus botões estão impossíveis, pensei.
Jão, que estava de braços cruzados, entrou de leve na história: "Estou observando tudo e não tem como não concordar com Zé".
Cutucando tranquilamente as unhas com seu inefável punhal, Lampa que nem cobra prestes a dar o bote, disse: "É muita violência, muita violência... É preciso paz, chega de tanta desgraça no nosso país".
"Olha só quem tá dizendo isso. Ou Lampa endoidou, ou endoidou. Não tem meio termo!", falou provocativamente Biu. E Lampa, de novo: "Cangaceiro também é gente...". Limpou o punhal na calça e o enfiou na cintura.
"É muita loucura o que Arthur Lira está fazendo, com a cumplicidade do presidente do Senado Rodrigo Pacheco. Que o povo mais pobre está precisando de dinheiro pra comer, é fato. Mas o que está embutido nisso é muito perigoso para a sociedade", disse Zilidoro.
"E o que vocês acham do que disse Bolsonaro com relação ao assassinato do petista Marcelo Arruda, lá em Foz do Iguaçu?", perguntou Barrica. A essa pergunta respondeu Lampa:
"Bolsonaro é pior que qualquer cangaceiro que já conheci na minha vida. Houve um tempo que eu achei que ele era gente, mas não é. Tem cabeça, corpo e membros, mas não é gente. É animal da pior espécie. Noutros tempos ele não faria o que faz, impunemente. A ele lhe falta sentimento".
Ao fim dessa conversa, todos bateram palmas. Lampa levantou-se do tamborete em que estava sentado e com falsa humildade disse: "Obrigado, obrigado".
"Seu Assis, andei acompanhando alguns textos que o sinhô andou escrevendo no seu blog", começou pela primeira vez falando de modo direto o jovem Barrica. Eu disse: Aham... E ele, Barrica, continuou: "O sinhô falou muito bonito na Bienal de São Paulo, Bienal do Livro". E eu: Aham. "Eu não sei se o sinhô sabe, mas eu andei por lá. Achei tudo muito bonito e caro. O seu amigo Carlos Silvio, também achou isso que estou dizendo". E eu: Aham. "Por que o sinhô fala 'aham' o tempo todo?".
Barrica, eu comecei, preste atenção: a cultura não tem preço. A cultura é importante. O acesso à cultura é fundamental...
Eu nem tinha acabado de completar o meu raciocínio e Zilidoro veio lá de seu canto e disse: "Desculpe seu Assis, mas a cultura é fundamental na vida das pessoas. As pessoas fazem cultura. A cultura de qualquer país é feita por pessoas, pelo povo. Quando a cultura vira produto, esse produto tem que ser de acesso fácil. E barato".
Esses meus botões...
Foi a vez de Lampa entrar na conversa, dizendo: "Andei lendo nos jornais que um feladaputa bolsonarista entrou numa festa de aniversário e matou a tiros o aniversariante. Foi em Foz do Iguaçu, no Paraná. Como é que pode isso, hein?".
Biu, irmão de Barrica, moço de poucas palavras, foi já acrescentando: "Eu sei que tem muita gente que critica Lampa por falar lambendo o seu punházim. Mas ele, Lampa, 'tá certo. Até eu, se fosse um homem de sangue no olho, faria o que Lampa faz".
Por segundos, Lampa tirou a língua no punhal e olhou fundamente no olho de Biu, dizendo: "Hmmm, que bom. Tem gente nas casas do seu Assis que pensa como eu".
De repente, de repentemente, todos das casas irromperam em palmas.
"Isso tudo que estou presenciando é muito bonito. 'Tô vendo gente tomando posição", disse com voz forte o Jão.
Zé, Mané e Zoião falaram ao mesmo tempo, como se estivessem ensaiado: "Bom, bom, bom. Muito bom!".
Eu fiquei vendo aquilo tudo e mais do que graça, achei uma tomada de posição dos botões das casas que tanto admiro.
Lampa, lá do seu canto, olhou-me com aquele olhar de quem invade a nossa alma e disse: "Hmmm... Estou amolando meu punhazinho para certas necessidades...".
Aquele olhar esquisito e silencioso do Lampa, bateu-me forte e antes que eu dissesse qualquer coisa, veio o Barrica, aquele que começou essa conversa falando da Bienal do Livro, perguntando: "Se malepergunto, seu Assis, eu quero saber: o sinhô já tem candidato a presidente da República neste ano de 2022?".
Rouxinol é o que é, mas não sei por quê chegou pra Bienal e nem ligou pra mim. Ai, ai, ai...
Viva a vida!
A Bienal do Livro, na sua 26ª edição, terminou ontem 10. "Essa foi a 3ª Bienal do Livro que participei. Foi a mais importante da minha vida, muita gente", disse-me pimpão o cearense Klévisson Viana.
A 26a. Bienal do Livro de São Paulo carregou pra seus ambientes 660 mil visitantes compradores de livros e revistas, 10% a mais do previsto pela Câmara Brasileira do Livro.
João Marques é um paulistano nascido no Jardim América, há 80 anos.
Filho de Emília e Antônio, já desaparecidos, João muito cedo encantou-se com o som de retretas e bandas de música. Não pensou muito e logo passou a integrar o corpo da banda da Polícia Militar de São Paulo.
Há uns três ou quatro anos, a banda Sinfônica de São Paulo gravou um CD com repertório assinado por Antônio, o pai de João. Nesse disco, produzido pelo próprio João, está inclusa uma faixa em homenagem ao
município de Itirapina, SP. Título do disco: Hino de Itirapina e mais — Hinos patrióticos do Brasil e Seleção de Dobrados. "Esse hino foi a forma que meu pai encontrou para homenagear a cidade onde nasceu", conta João Marques.
Além de Hino de Itirapina, João Marques produziu mais dois CDs: Velhos Amigos e Recordações de Itirapina.
Velhos Amigos é um disco cujo repertório é
todo de João e seu parceiro mais frequente: Alcino Paulino.
Recordações de Itirapina tem o acompanhamento em todas as faixas do pianista Marco Antônio Bernardo.
Entre marchas, choros, valsas e dobrados Antônio Marques Jr deixou 511 composições, quase todas ainda inéditas.
Em resumo seria essa a história do pai de João. João, conversador que é, tem sempre muita história pra contar. Uma conversa com ele é aula, duas conversas um curso intensivo sobre história e vida cotidiana.
A vida de João Marques não foi fácil, mas ele entendeu que era preciso lutar.
João Marques esteve há pouco numa prosa comigo, cá em casa. E falou de tudo. Além do pai, falou da mãe, da mulher Noêmia e dos filhos Tomás e Heraida, que já lhe deu dois netos e mora em Orlando, EUA. Falou também dos irmãos Ênio, Oscar e Nelson, já desaparecidos; e Sônia. Dentre os irmãos, João é o mais velho.
A história pessoal desse João é enorme.
Amigo de muitos artistas famosos como Altamiro Carrilho, Jacob do Bandolim, Nabor Pires Camargo e Zé Cupido, João Marques é um compositor e sanfoneiro de grandes qualidades. Nunca, porém, gravou disco tocando, pois nunca fez parte de seus planos abraçar a carreira solo.
Em casa, num bairro de São Bernardo, SP, João tem uma enorme quantidade de discos em todos os formatos, notadamente de 78 RPM.
Como cidadão, respeitador que é, João Marques identifica-se como "espiritualista" da linha kardecista. Ele acredita que "a vida não finda aqui na Terra. De uma maneira ou de outra, a gente volta e ocupa outro corpo".
Quando João começa a falar, o tempo parece que para. Os assuntos são os mais diversos. Ele já tem o seu candidato a presidente e diz que a principal obra do ex-governador João Dória foi implodir o PSDB. Acha que o Brasil anda meio afunhenhado, mas pra tudo há um jeito.
A sua obra pessoal, como compositor, chega a pelo menos 100 títulos.
A cidade de Itirapina fica a 212km da Capital paulista e tem uma população estimada em 18 mil habitantes, segundo pesquisa do IBGE feita em 2020.
Anninha, Anna Clara, por telefone me perguntou se eu estava bem. Eu disse sim. "Sua voz está esquisita", ela disse.
Eu acabara de ouvir a menina sanfoneira Francine Maria, 14 anos. Linda. O meu ouvido adorou. Emocionei-me,
Estande Cordel e Repente, na 26ª Bienal Internacional do Livro de SP
claro. E foi aí que Anninha me pegou.
Sou paraibano e gosto do que é bom. Essa menina sanfoneira, sanfoneirinha, fez-me lembrar os tempos de menino na minha terra. Nas feiras livres, de Alagoinha. Sou de João Pessoa, PB.
Poxa vida!
Em Alagoinha eu tive os primeiros contatos com cantadores e cordelistas.
Ouvir a menina Francine me leva a crer que o Brasil tem jeito, futuro. E como ela canta bem, canta bonito, com tanta espontaneidade! Ela mostrou isso no programa The Voice Kids, da Globo (acima). Arrasou. Perdeu para um menino cego.
Eu tomei conhecimento da existência de Francine Maria na 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
Nessa Bienal, que rolará até domingo 10, a presença da cultura popular é forte.
Artistas do povo como Costa Senna, continuam marcando presença.
A Bienal do livro é vitrine pra quem sabe o que faz no campo das artes e da literatura.
Cacá arrasou e continuará arrasando com seu violão e voz, até domingo 10.
Ao lado de Cacá, Luiz Wilson.
Luiz Wilson é cordelista e titular do programa Pintando o 7, no ar todos os domingos das 10h às 13h, na rádio Imprensa (FM 102,5).
A Bienal do Livro serve pra muitas coisas, inclusive para mostrar a arte popular.
Na Bienal do livro, há livros e autores importantíssimos.
Eu não sei quanta gente já passou pela 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, mas saber que o público infanto-juvenil é presença forte já me leva a crer que há um futuro razoavelmente bonito para o nosso País. Ilustro isso pondo como exemplo o menino Murilo, de 13 anos de idade. Paulistano.
Murilo adora ler. Olhe ele aí:
FRANCINE MARIA
Amanhã 8 o radialista Carlos Silvio vai entrevistar a menina Francine Maria. Live. Vai ser bonita a conversa. Pra quem não sabe, e já é hora de saber, Francine é paraibana de uma cidade chamada Ibiapina. Essa cidade tem a ver com o padre cearense Ciço, Padim Ciço.
“Eu nunca vi tanta gente reunida num evento só”, disse o cordelista Klévisson Viana. O radialista baiano Carlos Silvio, vai na mesma linha: “É muita gente, de fato. É um evento de encher os olhos e esvaziar o bolso, pois por cá está tudo muito caro”. Klévisson e Silvio referem-se à 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, aberta ao público às 10 horas de sábado 2 no Expo Center Norte. A Bienal reúne 500 editoras distribuídas em 182 estandes e espaços culturais como Cordel e Repente, que tem à frente Klévisson Viana e o apoio de várias editoras. “A Câmara Brasileira do Livro, CBL, está nos dando muito apoio”, diz Klévisson. O presidente da CBL, Vitor Tavares, diz esperar um público de 600 mil pessoas. Mas é quase certo que esse número já passou. Pode chegar à casa do milhão. A 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo tem nesta edição nomes famosos como o criador da Turma da Mônica, Mauricio de Sousa; o filósofo Sérgio Cortella; o historiador Darlan Zurc; o cantor e compositor Tom Zé e os jornalistas Míriam Leitão e Laurentino Gomes. Maurício e sua turma provocaram grandes filas na Bienal, deixando o famoso desenhista todo pimpão. “Os meus personagens são baseados em histórias reais, histórias que me contam ou que eu mesmo vivi”, conta. A Cortez Editora, além de Cortella, está lançando 4 novos títulos: As Aventuras do Monge Tantan; Mãe, pode levar?; O estranho dia de Zacarias; Diferentes Sim. Desiguais, jamais! e Didática Sensível, contribuição para a Didática na Educação Superior. Darlan Zurc, que está lançando o livro A Fúria de Papéis Espalhados, diz que está entusiasmadíssimo: “Essa é a primeira vez que participo de um lançamento de livro meu num evento tão importante como esse”.
À esquerda: João Gomes de Sá, Klévisson Viana e Carlos Silvio. Ao centro: Darlan Zurc
O bom baiano Tom Zé, por sua vez, está tendo um livro lançado sobre a sua trajetória na música popular: Tom Zé, O Último Tropicalista, de Pietro Scaramuzzo (Sesc). Miriam Leitão, jornalista de grande prestígio, também estará na Bienal no próximo sábado 9 lançando mais um livro: A democracia na armadilha — crônicas do desgoverno (Intrínseca). Além dela, outras duas jornalistas,vão estar na Arena Cultural da Bienal discutindo problemas atuais que vivem o Brasil e o mundo: Daniela Arbex e Ilze Scamparini. Laurentino, que já vendeu em 10 anos cerca de 3,5 milhões de títulos, está lançando o último volume da trilogia Escravidão. Entre os autores internacionais se acham: o português Valter Hugo Mãe, a moçambicana Paulina Chiziane, o norte-americano Nathan Harris e a espanhola Elena Armas. Além dos nomes até aqui citados, há muitos outros nacionais como Rouxinol do Rinaré, Itamar Vieira Jr, Ailton Krenak, João Gomes de Sá e Moreira de Acopiara, que lançou um novo livro: Lampião na Trilha do Cangaço. Na enormidão do Expo Center Norte há espaço para crianças e deficientes se
Moreira de Acopiara, na Bienal
divertirem. Num desses espaços havia contadores de histórias para cegos e surdos. Entre esses contadores, Andréia Aparecida da Silva Queiroz e Larissa Purvinni. Uma das publicações que mais despertaram a curiosidade da petizada foi Dorinha e a Turma da Mônica — Brincando pelo Brasil, em braille e com belíssimas ilustrações. Braille é uma linguagem para cegos, criada no século 18 pelo francês Louis Braille. Fora brincadeiras e contação de histórias, artistas populares do Nordeste deram a sua graça como a menina sanfoneira Francine Maria. “Ela faz um forró arretado! É encantadora”, diz Carlos Silvio que saiu da Bienal levando leitura para o filho Murilo. Klévisson Viana, autor de muitos livros e centenas de folhetos de cordel, está lançando A Mala do
Francine Maria
Folheteiro (Editora Tupynanquim). “Esse livro reúne alguns trabalhos que publiquei originalmente em folhetos e também poemas inéditos. Foi apresentado pelo brasilianista norte-americano Mark Curran”, é Klévisson falando. A Bienal Internacional do Livro de São Paulo teve origem em 1951, com o título: Feira Popular do Livro. Essa Feira começou na Praça da República, no centro da Capital paulista e em 1956 teve sua última edição no Viaduto do Chá. Naquele mesmo ano, o mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967) lançava o seu livro mais famoso, Grande Sertão: Veredas. Em 1961, com apoio do Museu de Arte de São Paulo (Masp), a Feira virou Bienal Internacional do Livro e das Artes Gráficas. A ideia era divulgar livros, editores e autores, naturalmente. Em 1970, sem o apoio do Masp, a Bienal ganhou o nome que tem hoje: Bienal Internacional do Livro de São Paulo. A Bienal deste ano é dedicada a Portugal. O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve pessoalmente prestigiando o evento. Enquanto isso, o presidente do Brasil achava-se sabe-se lá onde! Curiosidade: Pesquisas indicam que um brasileiro lê dois ou três livros por ano. Ai, ai, ai. No repertório da nossa música popular há vários títulos que tratam de literatura. Exemplo: O Livro, de Tereza de Fátima Rodrigues de Carvalho e Eduardo Pacheco de Carvalho. Ouça: https://youtu.be/hyxlaVnfUH4 Tom Zé está lançando um novo álbum, contendo 11 faixas. Dentre essas: A Língua Brasileira. Ouça também: https://youtu.be/MtnyOboxCYk E por não ter lá muito o que fazer, fiz:
No momento, e já faz tempo, o Brasil e os brasileiros estão no mato sem cachorro. Penando. E os políticos, grosso modo, estão fazendo tudo para que tal situação permaneça.
Os caras do Centrão estão, que nem irmão siameses, juntinhos e inseparáveis em torno do orçamento secreto. Comportam-se como "Maria-vai-com-as-outras". Fazem o que desejam seus chefes. Basta ver o que ocorre na Câmara e no Senado.
É muita malandragem. Fazem tudo pra não perder a boquinha.
O presidente da Câmara, Arthur Lira, executa com minúcias os desejos políticos do aloprado Bolsonaro. Está ora em andamento para aprovação a tal PEC "kamikaze" ou "vale-tudo". Essa PEC passa por cima de tudo quanto é lei violando a Constituição.
PEC significa Proposta de Emenda à Constituição. Segundo a proposta:
O plano do governo Bolsonaro, a três meses das eleições, prevê aumentar o valor do chamado Auxílio Brasil de R$ 400,00 para R$ 600,00; dobrar o valor do Auxílio Gás recebido bimestralmente, para R$ 120,00, e ampliar os recursos para o programa Alimenta Brasil (que financia a aquisição de alimentos para doação a famílias de baixa renda)... Quem pode ser contra isso?
O problema é que isso só valerá até o final deste ano, isto é, até o final das eleições.
A PEC ainda prevê beneficiar caminhoneiros e taxistas. Hmmm...
Ao fim e ao cabo serão mais de 40 bilhões de reais acrescidos aos gastos públicos federais.
Os brasileiros estão sofrendo sim. E no final tudo recairá sobre nós mesmos.
À propósito a PEC Kamikaze já passou com facilidade pelo Senado.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, está se preparando para matar no peito a proposta de instalação de uma CPI para apurar as irregularidades ocorridas no Ministério da Educação e Cultura, MEC. Corrupção e tal. Pacheco vai ler a proposta de abertura da CPI hoje ou amanhã, mas só será instalada, se for, após as eleições de outubro. E aí já viu, né? Vai ter CPI do MEC coisa nenhuma. E nós que nos lixemos!
Isso pode dar judicialização. Há precedentes no STF.
Em 2005 o ministro Celso de Melo, hoje aposentado, determinou ao então presidente da Casa dos Senadores, Renan Calheiros, que abrisse uma CPI para apurar as safadezas que rolavam em torno dos bingos. E assim foi feito.
Bom, o Coringão ganhou ontem na Argentina às 23:51, nos pênaltis, do Boca Junior e passou às quartas de final da Libertadores da América.
Acho que foi Nelson Rodrigues quem disse um dia que futebol é, além da "alegria" do povo, o "ópio" do povo.
Em vários pontos do País, o São João ainda não terminou. Caso de São Paulo, Paraíba, Pernambuco, Bahia e não sei mais aonde.
Em São Paulo criminosos costumam soltar balões, ameaçando a Natureza e a natureza das coisas.
Ontem 3 foram vistos vários balões nos arredores do aeroporto de Guarulhos. Um perigo dos infernos!
Ontem 3 também foram vistos balões soltos no Jaguaré, Butantã e Ipiranga.
No bairro do Ipiranga, zona Sul da Capital paulista, balões foram postos a passeio sobre o museu que tem reinauguração prevista pra setembro, quando o Brasil comemorará 200 anos de independência de Portugal.
Soltar balão dá cadeia, independentemente da época em que criminosos o soltam. A propósito Téo Azevedo e eu compusemos há uns 15 anos a marchinha junina Sem Balão no Céu, que o cantor Emídio Santana gravou em disco. Ouçam:
Assis e Nêumanne no lançamento do livro Lua Estrela Baião − A História de Um Rei
Durante muito tempo eu e Nêumanne frequentamos ambientes, como a Livraria Cultura, onde se achavam grandes figuras da vida cultural brasileira como Arnaldo Xavier, Fernando Coelho, Roniwalter Jatobá, Mário Chamie (1933-2011), Marcos Rey (1925-1999) e Lygia Fagundes Telles (1918-2022). Circulei por vários jornais, TVs e emissoras de rádio. Deixei a TV Globo para assumir a chefia da assessoria de imprensa da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. Por lá fiquei pouco tempo, pois Nêumanne queria-me na sua equipe de política do Estadão. E lá fui eu chefiar a editoria de Política do famoso jornal criado em 1875 por um grupo de liberais republicanos. Tempos agitados e Nêumanne firme, fazendo história. Em breve depoimento, narra Nêumanne:
A vida de jornalista profissional me encaminhou para a política quando assumi a editoria dos assuntos no Estadão a convite do editor Miguel Jorge em 1986. Antes fui repórter de polícia no Diário da Borborema de Campina Grande e da Geral na Folha de S.Paulo, tendo me mudado para a sucursal de São Paulo do Jornal do Brasil. Fui para a sede do jornal no Rio para assumir a secretaria e depois a chefia da redação. Voltei para a Sucursal, quando recebi o convite para o Estadão, onde, depois, seria editorialista daquele diário e depois chefe dos editorialistas do Jornal da Tarde. Quando este fechou, tornei-me editorialista do Estadão, até sair da empresa em 2 de fevereiro de 2021. Como editor de Política, cobri a Assembleia Nacional Constituinte, ocasião em que a atividade política no País deixou de ser um serviço público e passou a ser um negócio sórdido. A consciência disso e a virada para comentarista na rádio Jovem Pan e na Eldorado e também nas emissoras de TV das Redes Manchete e SBT e da TV Gazet me tornou uma figura solitária no jornalismo brasileiro. Não me considero um jornalista imparcial, porque tenho lado, o do cidadão e contribuinte. Mas, sim, independente, livre de amarras com governo, partido político ou ideologias. É nessa condição que exerço o jornalismo hoje em vídeos diários no canal José Nêumanne Pinto no YouTube.
Uiraúna é uma pequena e bela cidade do Alto Sertão paraibano. Fica a cerca de 470 km da capital, João Pessoa. É conhecida por suas bandas de música. José Nêumanne Pinto, pai de quatro filhos, é o cara mais famoso de lá. Vocês já ouviram Nêumanne declamar? Se sim ou se não, ouçam-no:
É poeta esse Pinto Como o Pinto de Monteiro Com viola ou sem viola Com rabeca ou sem pandeiro Esse Pinto quando pinta Faz bagunça no terreiro
É metido esse Pinto Em todo canto quer estar Mexe daqui, mexe dali Já marcando o seu lugar Esse Pinto não é mole Nem cresceu, já quer brigar
Esse Pinto já tem pinta Pra com ele vadear Vadeando ele vai Todo ancho a rebolar Ai, ai, ai, que Pinto besta! A onde ele quer chegar? (PINTO NOVO QUER BRIGAR, letra de Assis Ângelo e música de Jarbas Mariz)
Antes de mais nada é bom que se diga que o paraibano de Uiraúna José Nêumanne Pinto é um gigante do jornalismo brasileiro. Sabe de tudo e um pouco mais, especialmente de política. Admirado e premiado o tempo todo, Nêumanne é simples, gente da gente. Olho no olho, com ele nos identificamos em quaisquer cenas da vida. Facilmente. Quando pedi ao cartunista Fausto que fizesse uma ilustração para o texto que estava escrevendo, este, foi rápido: “Ótimo, ótimo, deixa comigo!”. Fausto conheceu Nêumanne em 2006, quando estava lançando o livro de cartoons Traço Extra. Foi no Estadão, lembra, “apresentei-me dizendo que era seu fã”. José Nêumanne, como todos nós, foi menino. Sonhador. Perguntei-lhe outro dia de suas lembranças juninas. E ele: “Na infância, eu adorava os arraiais de São João porque a quadrilha era o único estilo que eu sabia dançar. Depois de adulto, o forró tornou-se ritmo por excelência em Campina Grande e pude, então, lançá-lo, como fazia quando criança. Também fui adepto da culinária e dos folguedos juninos em torno das fogueiras”. Jornalista com carreira iniciada no Diário da Borborema, de Campina Grande, PB, Nêumanne muito cedo foi atraído pela cultura de sua terra, incluindo as grandes datas de São João, Natal e Carnaval. E muito cedo também decidiu trocar Uiraúna e Campina Grande pelo mundo desconhecido chamado São Paulo, espécie de El Dorado. Um puta desafio! Na Capital paulista, pintou e bordou. Trabalhou nos principais jornais da cidade: Folha e Estadão. Paraibano que sou também, de João Pessoa, eu o reencontrei ali pelos meados dos anos de 1970, em Sampa. À época, ele era o bambambam da sucursal do Jornal do Brasil, que funcionava ali na avenida São Luís. Não lembro o andar, mas lembro da boa conversa que tivemos e até saímos para um
cafezinho na esquina. Na ocasião me perguntou se eu topava fazer uma ponta como repórter de um filme que estava sendo rodado por cá. Agradeci e pulei fora. Lembro-me ainda daquela primeira conversa, entre ele e eu: nesse reencontro eu carregava comigo um exemplar do romance Angústia, do alagoano Graciliano Ramos. Livro de teor existencialista. Uma pancada na cabeça de quem sofre, mas lindo. Eu sempre andei com livros e revistas, para ler nos ônibus, táxi, metrô. Sempre foi assim. E ele: “Eu não sabia que você gostava do Graciliano”. Gosto, eu disse. E adoro o Vidas Secas, dos anos 30. Eu sempre gostei dos romances regionalistas, de autores como Zé Lins e Zé Américo. A Bagaceira é uma jóia, um marco do romance regionalista. Eu comecei a minha carreira profissional no jornal O Norte. Fui editor de Local do jornal Correio da Paraíba e colunista do terceiro mais antigo jornal do país, A União. Mas essa é outra história. Sempre ousado, José Nêumanne Pinto desbravou veredas na dita “terra da garoa”. Jornalista famoso, Nêumanne achou de burilar palavras e transformar a vida em versos. Já escreveu vários livros com poemas incríveis. Entre esses Barcelona, Borborema; As Tábuas do Sol e Solos do Silêncio (acima). E como se ainda não bastasse, inventou de fazer parcerias musicais com nomes como Gereba, Théo Azevedo, Capenga, Mirabô e Zé Ramalho. Em 1999, Zé Ramalho e eu interpretamos juntos o poema de Zé Nêumanne intitulado Desafio de Viola Repentina e Guitarra Cética. Uma jóia. A produção dessa faixa coube a Robertinho de Recife e os demais poemas do repertório à Téo Azevedo.
Perguntei-lhe porquê tanta diversidade. E a resposta foi uma risada. São muitas as histórias em que se acha Nêumanne. Histórias bonitas, muitas delas cheias de graça.Lembro, por exemplo, da história de um bode. Eu, Nêumanne e Ronaldo Cunha Lima (1936-2012), ex-governador da Paraíba.
Cá no Brasil, o campo político está minado. Minadíssimo. Qualquer passo em falso, explode.
Bolsonaro é o sujeito que está levando o nosso país ao buraco mais profundo.Sem fundo. Ai de nós.
Mas não é exatamente sobre isso que eu quero agora falar. Pois, pois, vamos de leve com o andor. É de barro.
À propósito, Barro é o "sobrenome" que o compositor carioca Carlos Alberto Ferreira Braga, Braguinha (1907-2006), deu ao seu alter ego João.
Com a assinatura João de Barro, Braguinha deixou muitas e muitas composições lindíssimas.
Mas ainda não é de Braguinha que também quero falar.
Você já ouviu falar em Albertinho Fortuna?
Esse Fortuna era um português nascido na região do Porto e muito cedo chegou ao Brasil no colo dos pais. Tinha menos de um ano de idade. Cresceu em Niterói, RJ, e ainda jovem enveredou no campo musical. Virou cantor. Gravou a primeira música pela extinta Victor, no ano de 1944. Título: Ai que saudades da Amélia, de Ataulfo Alves e Mário Lago.
Muita gente pensa, até hoje, que a música de Ataulfo e Mário foi baseada em personagem real: "Não foi!", disse-me um dia Mário. Uma mulher chamada Amélia apareceu numa reportagem da revista O
Cruzeiro dizendo que era a Amélia da nossa música.
Albertino Fortuna, de batismo Alberto Fortuna Vieira de Azevedo, trilhou uma longa carreira e legou à posteridade um extenso repertório musical. Não compôs nada, mas cantou muito. E cantou em todo canto, principalmente nas boates de seu tempo.
Em 1952 Fortuna lançou um disco bonito reunindo, em pot-pourri as músicas Copacabana, Feitiço da Vila e A Saudade Mata a Gente, assinadas por João de Barro, Alberto Ribeiro, Noel Rosa e Antonio Almeida.
Entre as tantas gravações que deixou, acha-se uma curiosidade: Esperança, assinada pelo "Velho Guerreiro" Chacrinha e Nestor de Holanda, que era jornalista.
Não sei bem por que, mas essa música faz-me lembrar a minha querida e sábia avó Alcina. Ela costumava dizer, com a serenidade dos santos , que "Quem corre cansa, quem anda alcança".
A música de Chacrinha e Nestor fala de um par de jovens estudantes que vivem, ele principalmente, de esperança. Lá pras tantas ele diz: "Vamos viver de esperança/Quem espera sempre alcança...". Ouça: ESPERANÇA
Albertinho Fortuna nasceu num dia como hoje, 1º de julho.
Hoje 30 faz exatos 20 anos que a seleção brasileira ganhou o Pentacampeonato de futebol, no Japão. Foi um delírio. Naquela noite nem dormi. Na verdade, madrugada. Foi uma festa e tanto, lembro como se fosse hoje: muita cerveja, gritaria e tal. Inesquecível.
Após Ronaldo enfiar dois golaços contra a Alemanha, o Brasil ficou de cabeça pra baixo de tanta alegria. Naquela madrugada e manhã afora ninguém dormiu e se trabalhou, não sei.
O Brasil ganhou da seleção alemã com os craques Marcos, Lúcio, Edmílson, Roque Júnior, Cafu, Gilberto Silva, Kléberson, Roberto Carlos, Ronaldinho, Ronaldo e Rivaldo.
No mesmo dia das comemorações pelo Penta, escrevi um texto logo musicado pelo bom baiano Gereba.
Depois do 30 de junho de 2002, o Brasil entrou em campo outras vezes em busca do Hexacampeonato. Mas até agora, não deu. Insistente, porém, o Brasil continua correndo em busca do almejado troféu. Agora com Tite na cabeça. A nova tentativa já está em jogo e será definida em novembro, no Qatar.
A respeito do Hexa, que tomara que venha agora, escrevi novo texto dessa vez musicado pelo craque paraibano Jarbas Mariz. Título: Brasil, País do Futebol.
Ainda em 2002 escrevi um opúsculo intitulado A Presença do Futebol na Música Popoular Brasileira. Esse opúsculo, que teve uma tiragem inicial de 10 mil exemplares, anos depois ganhou o formato de livro editado em cuchê e coisa e tal (acima). Esgotado.
Em 1956, Inezita Barroso tinha 5 anos de carreira em disco. Suas duas primeiras gravações, pelo extinto selo Sinter, foram feitas em 1951. Títulos: Curupira e Funeral D'um Rei Nagô. Dois anos depois, gravou seu primeiro grande sucesso: Ronda, de Paulo Vanzolini. No começo do ano de 1956, Inezita se achava em curta temporada musical no Rio de Janeiro. A edição de 26 de maio de 1956 da revista Radiolândia trazia uma reportagem em página dupla com a cantora vestida de caipira de festa junina (acima). Nessa reportagem é exaltada o talento da artista paulistana. O repertório de Inezita é extenso. Todas as músicas que gravou eram de autores de diversas partes do país. Certa vez perguntei a Inezita se ela nunca se aventurara a compor, além de cantar. Ela riu e disse que fez uma ou duas besteiras. Entre estas besteiras Noites de Junho, em parceria com o seu amigo pianista Túllio Tavares. Até uma cópia da letra ela me deu (ao lado). E perguntei mais: por que nunca gravara essa música. De novo ela riu. O tempo passou, e para minha surpresa, Inezita findou por gravar Noites de Junho. Foi o que me disse. Acho que no último ou penúltimo disco dela. Não lembro bem. Bom, o ciclo junino termina hoje 29. O dia é de São Pedro e também de São Paulo. A existência da marcha junina, musicalmente falando, tem a ver com o baiano Assis Valente e o pernambucano Luiz Gonzaga. É difícil achar um cantor brasileiro que não tenha no seu repertório uma música junina. Há clássicos no repertório junino como Jackson do Pandeiro e tantos e tantos. E a sanfona, hein? A sanfona é um instrumento musical surgido na China, antes de Cristo. A história da sanfona é incrível. Foram os europeus que deram forma à sanfona como tal a conhecemos hoje. E rapidamente ela firmou-se no Brasil. São muitos os grandes sanfoneiros a partir de Giuseppe Rielli. Gilberto Gil começou a carreira tocando sanfona, como João Donato e Jorge Mello. Jorge Mello, piauiense, começou a tocar sanfona ali pelos 10 anos de idade (ao lado direito). Depois abandonou o instrumento e seguiu vida à fora tocando violão. É um dos nossos grandes compositores. Luiz Gonzaga, o rei do baião, deixou alguns clássicos enriquecendo o cancioneiro junino. Ouça:
Cerca de 70 pessoas compareceram ao velório de Roberto Luna, segundo as cantoras Célia e Celma. E cerca de 150 pessoas, segundo o cantor Raimundo José.
Além de Célia e Celma, compareceram ao velório Roberto Seresteiro e outros artistas. Cantaram, em uníssono, Mulambo e Se Todos Fossem Iguais a Você. "Foi emocionante, tocante, mas tudo num clima de alto astral. Se é que posso dizer isso", disse Raimundo José.
Não houve chororô, coisa comum nesses momentos. "Luna era uma pessoa extremamente alegre e, certamente, não iria gostar de ver seus amigos chorando", disse Celma enquanto a irmã,Célia, concordava.
O cantor, compositor e instrumentista Jarbas Mariz, não esteve no velório d
Raimundo José e Célia e Celma, com Roberto Luna
e Roberto Luna. Mas lembrou das grandes qualidades do amigo:
"Roberto Luna era um dos últimos cantores vivo da época de Caubi Peixoto, Nelson Gonçalves, Ângela Maria entre outros.
Paraibano e generoso. Simples e verdadeiro.
Tive na festa dos 90 anos dele numa casa na Aclimação, juntos com amigos.
Esteve
presente na homenagem que fizemos pra Lula Côrtes aqui em São Paulo,
cantou com a gente. Sempre estava presente nos nossos shows.
Pertencia
ao nosso grupo que temos aqui em São Paulo chamado 'Caros Amigos': Lulu, Simone, Erica, Rogerinho, Egberto, Marlene, Sérgio Lara, Aninha,
Cris entre outros".
O corpo de Roberto Luna foi sepultado ontem 27 no cemitério de Vila Mariana.
O encantamento do cantor paraibano Roberto Luna já era previsto, segundo a viúva Magali Fernandes (ao lado).
Magali conheceu Luna quando tinha 23 anos de idade e com ele viveu durante 44 anos. Foi uma relação de amor profunda, conta. "Separávamos, periodicamente. Ele saía, tinha suas relações com outras pessoas, mas sempre voltava. Nos amávamos como pessoas comuns. Nos entendíamos e nos desentendíamos, também. Normal", acrescenta.
Com a naturalidade de quem está de bem com a vida, Magali diz que tinha certeza de que ela e ele viveriam para sempre. Um cuidando do outro. E assim foi. Ela: "Só notei que ele havia partido quando a mão se desprendeu da minha".
Contou Magali a este Blog que Roberto Luna ficou bonito vestido como cantor de tango, de roupa preta. "E assim nos deixou, pondo ponto final a sua vida", acrescentou.
Roberto Luna e Magali Fernandes, ela de Curitiba, PR, tiveram duas filhas: Tatiane e Taciara.
Muitos amigos e fãs lamentaram o passamento de Luna.
Roberto Luna com o cartunista Fausto Bergocce
O cantor e compositor piauiense Jorge Mello lembrou que "Roberto Luna foi um mestre do canto, uma inspiração para todos nós, um ícone. Sentiremos a sua falta".
Nessa mesma linha de pensamento expressou-se o poeta romancista José Nêumanne: "Foi meuconterrâneo e um dos grandes artistas da nossa música. A sua falta será sentida".
"Eu conheci Luna há uns três anos. Por aí. encantei-me com ele. Luna era uma pessoa muito querida, afetiva. O que aconteceu com ele, acontecerá com todos nós um dia", disse o cartunista paulista Fausto Bergocce.
O corpo do artista foi cuidadosamente preparado para o velório que ocorrerá hoje 27, entre às 11h e 15h. Depois será sepultado no cemitério de Vila Mariana, Av. Lacerda Franco, 2012, Cambuci, São Paulo.
Vítima das sequelas deixadas pela COVID-19 morreu hoje 26, por volta dás 5 horas da manhã, o cantor paraibano de Serraria, Roberto Luna. Roberto Luna era o nome artístico de Valdemar Farias."Luna já havia tomado 3 doses da vacina contra o novo Coronavírus. Perdeu 16 kgs, 10 de massa muscular. Ficou muito debilitado e praticamente cego", contou o amigo Raimundo José que mora no mesmo prédio onde morava Luna. Habitante da Capital paulista desde o começo dos anos 1950, Roberto primeiramente trocou a Paraíba pelo Rio de Janeiro. E começou como ator, fazendo um monte de coisas. Gravou o primeiro disco em 1952. Eu o o chamava de Voz de Pluma ou o Rei do Bolero. Ele achava graça. Falávamos muito, ora por telefone ou pessoalmente. Veio muitas vezes a minha casa. Numa dessas vindas, talvez a última, disse-me ter tido a alegria de encontrar cá em casa o artista Téo Azevedo e seus amigos José de Arimathéia, Ibys Maceioh, Carlos Sílvio, Tone Agreste e Rômulo Nóbrega (foto acima). No dia 7 de abril de 2019, o radialista Carlos Sílvio levou Luna para uma entrevista no programa Paiaiá na Conectados. Nessa entrevista Luna fala da alegria de ter ajudado a divulgar a música popular brasileira. Mas hoje, segundo ele, os tempos são outros. Sílvio aproveitou, no programa, para ressaltar a voz do artista. A voz de Roberto Luna era abaritonada, como a voz de Luiz Gonzaga. No programa Paiaiá na Conectados, Luna revela fatos pouco conhecidos da sua carreira. Falou da amizade que nutria por Nélson Gonçalves, Tim Maia, etc. Confira, na íntegra, a entrevista com Carlos Sílvio: Paiaiá na Conectados com Roberto Luna Roberto Luna morreu ao lado de sua mulher, Magali. "Ela cochilava e quando despertou, Luna havia partido", conta Raimundo José. Raimundo José e Roberto Luna eram amigos desde os fins de 1950. No começo da noite de 22 de março de 2019 Roberto Luna estava na minha casa e aproveitamos para trocar um dedo de prosa. Foi tudo de improviso e fantástico! Confira:
Depois do primeiro compacto, com a sua voz, Jorge Mello entrou em estúdio para gravar o primeiro LP da carreira, Besta Fera. Esse LP teve boa repercussão, merecendo do então crítico J.R. Tinhorão (1928-2021) rasgados elogios, publicados na edição de 2 de dezembro de 1976, no Jornal do Brasil. Um trecho:
Menos comercial que Alceu Valença, não tão preocupado em alcançar uma forma erudita quanto ao Quinteto Violado, o piauiense de Piripiri, Jorge Mello, acaba de lançar em seu LP “Jorge Mello… Sou do Tempo do Baião que a Besta Fera não Comeu” (Crazy, CGE-121.018) uma das mais interessantes propostas de aproveitamento de sons nordestinos ao nível de uma cultura urbana interessada numa saída para a música popular brasileira mais sofisticada.
Tal como o pernambucano Marcus Vinicius, Jorge Mello demonstra em suas experiências musicais um seguro conhecimento teórico e uma preocupação muito grande na pesquisa de fórmulas próprias, como ele mesmo afirma, ao escrever referindo-se a seu trabalho: “Usando os valores populares, as formas poéticas do cordel e da cantoria, os modos e a instrumentação nordestina, não é um trabalho folclórico. É uma recriação da informação espontânea do povo. Minha música retrata um Nordeste mágico, trágico, rico, rústico e místico, e revela toda a informação moura/ibérica que está presente na nossa cultura, no fano e nos melismas do canto do aboio, por exemplo”.
De fato, passando da palavra aos exemplos concretos, Jorge Mello fecha o Lado A de seu disco com uma pequena peça em que pela primeira vez, a técnica do canto em aboio é usada em termo de música urbana com uma inteligência, um talento e uma propriedade que chegam a surpreender…
José Ramos Tinhorão publicou crítica elogiosa a Jorge Mello
Jorge Mello é cordelista, repentista, romancista e advogado especializado em Direitos Autorais. Até aqui, Jorge teve os seguintes parceiros: Belchior, Vicente Barreto, Evaldo Gouveia, Cesar do Acordeon, Reginaldo Rossi, Graco, Clôdo Ferreira, Tom Zé, Carlos Pitta, Jairo Mozart, Gereba, Capenga, Pekin, Lumumba, Paulo Soledade, Yeda Estergilda, Ricardo Bezerra, Emanuel Carvalho, Nando Correia, Malcom Roberts e os poetas clássicos, pós morte, Olavo Bilac (1865-1918) e Mário de Andrade (1893-1945).