Foi a perda do celular nestes tempos amalucado de Coronavírus.
Quer dizer: de uma hora pra outra vi-me isolado, perdido, pois já não conseguia ligar pra ninguém. O telefone endoidou, de repente.
A sensação foi, de fato, de perda. Fique agoniado, angustiado. Que coisa!
Através do interfone, contei a um funcionário, Genival, do prédio o que ocorrera. Lembramos de David, um pernambucano morador do prédio onde moro há muitos anos. É um cabra legal, solícito, brincalhão. Toma umas biritas e é torcedor do Corinthians.
O filho de David chama-se Junior. Craque das questões relacionadas à informática. De internet, sabe tudo e muito mais. Solidário como o pai, logo prontificou-se a dá um jeito nesse aparelhinho de fazer doido, que é o celular. Mexe aqui e acolá, fez o danado obedecer minhas ordens. E cá estou. Uso-o com voz de comando, que é assim que nós cegos fazemos.
O episódio levou-me a refletir...
Até o mês passado havia cerca de 230 milhões de celulares funcionando nas mãos de brasileiros. Loucura, não?
A conclusão a que cheguei é que o celular já é parte natural da vida que vivemos. Sem celular parece que algo muito importante nos falta.
Sem celular estaremos condenados ao passado sem futuro. Horror, mas é verdade. Sentir um pouco disso.
Celular parece complementar e dá sustâncias nossas pernas, mãos, ouvidos e pensamento.
Sem celular estaremos lascados, é o que a realidade indica. É ou não é?
É o que acho.
Ah, sim. Hoje o amigo David Completa 64 anos de vida. Meus parabéns, rapaz! Que essa data se repita por mais umas 100 vezes.
São milhares ou milhão de pessoas que não veem nada, cegos totais dos olhos. Isso, no Brasil. No mundo todo, são milhões e milhões. Segundo a ONU, a cada 5 segundos uma pessoa fica cega. Eu sou uma dessas pessoas incluídas nessa estatística.
Perdi a visão dos olhos há uns 7 anos. Antes, eu via muito bem. Usava óculos com lentes ajustadas à miopia. Mas via bem. Hoje, vejo com os olhos alheios dos amigos, das amigas.
Conheci muitos cegos na vida. Desde a infância. No correr da vida adulta, fiz amizades com Patativa do Assaré e o sanfoneiro cantador, Luiz Gonzaga. Gonzaga via só com um olho, pois o outro perdera num acidente de carro.
Por que lembro dessas coisas?
Nos séculos passados a cegueira era questão sem solução, como ainda hoje.
Ser cego é uma barra.
No dia 8 de abril de 1834, nasceu um menino batizado com o nome de José Álvares de Azevedo. Nasceu cego. O pai de boas posses o mandou à França, onde havia uma escola que ensinava cegos a ler e a "escrever". Isso através de um método revolucionário chamado "Braille".
Braille era o sobrenome de um francês.
Muito cedo, ainda menino, Louis Braille sofreu um acidente e perdeu a visão. Em 1825, Braille difundia na França o método que criou.
Hoje é o dia Nacional do Sistema Braille.
A primeira escola de braille no Brasil foi inaugurada em setembro de 1854, no Rio de Janeiro. Essa escola surgiu por iniciativa do carioca Álvares de Azevedo, que morreu com 20 anos de idade. A escola existe até hoje, com o nome de Instituto Benjamin Constant.
A história traz nomes de cegos muito importantes como Homero, autor de Ilíada e Odisséia.
O fato de ter perdido a luz dos olhos não me credencia, de maneira alguma, a chorar pitangas. Divirto-me fazendo versos, poemas, como esse aí.
Clique:
Os números de vítimas do Coronavírus (Covid-19) estão em fase crescente, enquanto a impaciência da pessoas explode nas casas e apartamentos das cidades e periferias do Brasil.
Ouço no rádio que os sistema de saúde do País registrou até agora 486 mortes provocadas pelo Corona.
Nunca existiu e nem existirá um mundo sem doenças.
Miseráveis e poderosos sempre existirão, em todas as partes do mundo. Tanto nas ditaduras, quanto no sistema democrático.
Sempre é tempo de aprender e transmitir conhecimentos. Os momentos de isolamento social podem facilitar isso.
Há muitos livros e filmes bons à espera de público.
Já li muito.
Vez por outra costumo expor neste blog opiniões referentes a leitura que fiz e hoje faço via áudios- livros.
Ontem 4 falei um pouco sobre 1984, de George W. Esse livro foi publicado em 1949 e seu autor morreu de Tuberculose, em 1950. A história começa num dia frio de abril com um funcionário do fictício "Ministério da Verdade" caminhando em direção ao prédio onde mora, uma mansão caindo aos pedaços compartilhada com outros empregados do Governo. Esse governo, totalitário, é representado por alguém que ninguém conhece, a não ser através de cartazes enormes espalhados por todo canto do lugar chamado Oceânia.
Oceânia, governado pelo Grande Irmão (Big Brother), tem na sua estrutura quatro ministérios: da verdade, da paz, do amor e da fatura. O primeiro cuida de notícias, divertimento e belas artes; o segundo, da guerra; o terceiro da lei e da ordem; o último, das questões de economia.
Difícil saber dos quatro o pior.
O divertimento que o grande irmão oferece à população são os enforcamentos de inimigos e traidores.
Winston Smith , o personagem referido na abertura do livro, trava consigo questionamentos proibidos pelo Grande Irmão.
No começo da tarde de um 4 de abril, Smith decide por conta e risco escrever um diário. Mesmo sem nem a si própiro demonstrar sentimento de amor, carinho e paixão, ele aos poucos vai lembrando o que sucedeu com seus pais e irmãs. Chega a concluir que as duas morreram por ele. Leiam o livro e reflitam.
A história arquitetada por George é atualíssima e nela cabe qualquer ditador que venha a nossa memória, como o da Coreia do Norte. Até porque o Grande Irmão, que a todos "atende", não só permite como incentiva aos dominados a realizarem "passeatas espontâneas", a seu favor.
Orwell foi um visionário como Júlio Verne, Alex Raymond, Isaac Asimov, Arthur Clarke. Esses caras viam além dos olhos, muito além da mente.
É do britânico Aldous Huxley o romance Admirável Mundo Novo que rapidamente despertou atenção dos jovens de todo canto, logo ao ser publicado em 1932.
Em 1979, Zé Ramalho incluiria no LP de carreira (A peleja do diabo Contra o Dono do Céu) a balada Admirável Gado Novo, inspirada no romance do autor britânico. Essa música foi dedicada ao cantor e compositor Geraldo Vandré. História: lembro de Vandré ouvindo essa música em fita K7, em seu apartamento, entusiasmadíssimo.
Há uma canção de Ronaldo Bastos e Milton Nascimento intitulada Nada Será Como Antes.
O título dessa música leva-me a matutar sobre a tragédia humana ora provocada por um vírus até aqui desconhecido, mas apelidado de Corona. Mais um Corona da série Corona, que está levando o mundo todo a pagar pecados cometidos e não cometidos.
Depois de finda a terrível tragédia que vivemos, é certo que nada será absolutamente igual ao que até aqui conhecemos.
Meu amigo, minha amiga, você leu o livro de narrativas futuristas Admirável Mundo Novo, do britânico Aldous Huxley (1894-1963)?
A história contada por Huxley tem a ver com coisas que temos vividos, mais até.
O mundo imaginado pelo autor britânico é habitado por pessoas sem vontade própria, digamos assim. Alienadas.
Programadas pelo sistema, as pessoas vivem uma vidinha de m... E são felizes assim, enchendo a cara de drogas, de todo tipo de droga.
Admirável Mundo Novo foi publicado em 1932, ano em que os paulistas entravam em guerra contra o Governo getulista.
Os brasileiros não são o povo imaginado por Huxley.
Outros livros de ficção científica como 1984, do também britânico George Orwell (1903-50), vão mais ou menos na linha do autor de Admirável Mundo Novo. No caso de Orwell, o mundo por ele criado é totalmente controlado pelo Grande Irmão, poderoso personagem oculto na história.
Ellis Marsalis, pianista, também compositor como os filhos Branford e Wynton, morreu no começo desta semana vítima da Covid-19, aos 85 anos. Esse cara era um papa do jazz norte-americano, mas morreu.
O novo Coronavírus está pegando pra capar mundo e meio.
Há poucos dias a Covid-19 levou pra outro plano os regentes brasileiros Naomi Munakata e Martinho Lutero, ela da Osesp e ele do Coral Luther King.
Eu conheci o Lutero. Ele participou comigo inclusive do programa Tão Brasil, que durante uns dois anos apresentei na AllTV.
Ellis Marsalis não conheci, mas seu filho Wynton sim.
Já andei falando sobre Wynton. Depois de saber o que eu fazia entorno da cultura popular, ele disse: "Se você fosse norte-americano, você teria todas as condições para realizar seus trabalhos de pesquisa". Leia: http://assisangelo.blogspot.com/2014/08/o-dia-em-que-morri-de-vergonha.html
Na verdade, não era sobre essas figuras que eu ia falar. Estão, porém, no contexto.
Com o desaparecimento do pai de Wynton é certo que o mundo do jazz ficou de luto.
Tempos da Covid-19 é o que ora vivemos.
As ruas do mundo estão praticamente vazias, incluídas as do Brasil.
Como é que as pessoas estão vivendo essa nova fase?
Eu, da safra de 1952, estou praticamente acostumado com quarentenas. Explico a chatice cômoda ou mais ou menos cômoda: meia dúzia de pessoas sabe que há uns sete anos ando cego dos olhos...
Pois bem, nestes tempos forçados de quarentena é certo que muita gente está no limite. Homem e mulher, sem falar nos filhos que devem ter. Viver a dois já é uma barra, a três, a quatro, a cinco, a seis, o que dizer?
A tempestade que o mundo vive, não é tempestade, é pra lá tsunami.
O que virá depois desse tsunami?
O francês Júlio Verne (1828-1905) antecipou na sua literatura ficcional-científica muitas coisas que hoje vivemos.
A Internet, essa caixinha incrível de fazer doido, continuará como ponto de partida para tudo que virá.
Através da Internet a home office se firmará definitivamente na vida cotidiana. E esse é o ponto.
Ouso dizer que as pessoas começam a conhecer, de fato, a Internet nestes tempos bicudos de Coronavírus/Covid-19.
A Internet propiciará a abertura de um novo mundo. Nesse mundo se acha tudo que se possa imaginar. A partir daí o trabalho e o divertimento caminharão, mais do que nunca, juntos como siameses.
Do limão, diz o dito popular, far-se-a boa limonada. Nessa limonada incluem-se dança, música, aulas de tudo que se queira.
A propósito meu amigo, minha amiga, o que é que você está fazendo nestes tempos bicudos de quarentena?
A Internet propiciará tudo que se possa imaginar...
Eu, se fosse você, estaria aguçando a curiosidade para saber o que há de melhor nessa maquininha doida chamada Internet. Procure, procure.
Procurando acha, como diz o dito popular. E procurando é possível achar pessoas e coisas incríveis. Direto no assunto: procure pessoas do mundo das artes para com elas alargar seus conhecimentos.
Você já pensou aprender com Vital Farias, Osvaldinho da Cuíca, Oswaldinho do Acordeon, Elba Ramalho, Jackson Antunes, Teo Azevedo, Jorge Ribbas, Rômulo Nóbrega, Júlio Medaglia, Carlos Sílvio, esse caras. Caras que têm muito o que dizer. Está tudo na Internet, como a cantora e professora de música Mirianês Zabot, que durante essa quarentena está dando aulas online.
Mirianês Zabot é uma das mais completas artistas da música brasileira, digo o obvio, embora o obvio não se deva dizer. Acessem: www.mirianeszabot.com.br
Não conheci Ellis Marsalis, repito. Seu filho Wynton sim.
Com isso quero dizer mais uma obviedade: a arte, quando é verdadeira, é universal.
Viva a arte! Ah sim! Sobre Júlio Verne voltarei a dizer algumas palavras.
O dia 1º de abril de 1964 amanheceu nublado, com soldados e tanques do Exército nas ruas do Rio de Janeiro. A partir desse dia, o Brasil todo entrou em colapso, mergulhado numa escuridão que durou 21 anos.
No correr desse tempo, muita gente foi presa, torturada e morta. Jornais, livros e revistas foram censurados e até implodidos. Escritores, atores e músicos comeram o pão que o diabo amassou.
Em 1964 o cantor e compositor belo-horizontino Sirlan Antonio de Jesus tinha 13 anos de idade.
Na tarde do dia 28 de março de 1968 o estudante secundarista paraense Edson Luís foi morto a tiros pela polícia carioca.
O assassinato do estudante inspirou o jovem Sirlan e seu parceiro Murilo Antunes a comporem a belíssima canção Viva Zapátria. Ela foi finalista do Festival Internacional da Canção de 1972, promovido pela Rede Globo. Censurada pela ditadura, Viva Zapátria morreu no nascedouro e só passou a integrar o primeiro LP de Sirlan, Profissão de Fé, em 1979. Mesmo com o lançamento desse belíssimo disco, o artista foi atirado ao ostracismo pelos poderosos militares de plantão e jamais ocupou o lugar almejado e merecido entre os maiorais da nossa música popular.
Na época em que Edson Luís foi morto e Sirlan compôs Viva Zapátria, o cantor niteroiense Agnaldo Rayol lançou pela extinta gravadora Copacabana o LP As Minhas Preferidas. O repertório desse disco é irretocável. Começa com a belíssima Ave Maria no Morro (Herivelto Martins) e segue com outros clássicos, como Perfil de São Paulo, do paulista Francisco de Assis Bezerra de Menezes. Curiosidade: Perfil de São Paulo, um samba, venceu um concurso promovido pela prefeitura paulistana em 1954. Silvio Caldas foi o primeiro cantor a gravá-la.
O repertório do LP As Minhas Preferidas foi escolhido pelo general Arthur da Costa e Silva, o segundo presidente ditador do ciclo militar iniciado por Castello Branco em 1964. Costa e Silva foi quem editou o famigerado AI-5, na noite de 13 de dezembro de 1968.
Enquanto a discografia de Sirlan é praticamente zero, a de Rayol, iniciada em 1958, é enorme. O principal ponto em comum entre eles é que ambos são afinadíssimos.
Não politicamente, é claro.
Esses discos integram o acervo do Instituto Memória Brasil (IMB).
No dia 1º de abril de 2009, eu passava a usar a internet para publicar o Blog do Assis Ângelo. O primeiro texto foi sobre o golpe militar de 1964. Confira: http://assisangelo.blogspot.com/2009/04/dia-da-mentira.html
Nestes tempos loucos de Coronavírus, outro assunto não se ver e nem se ouve que não seja o Corona. Até parece que virou personagem vivo da morte. Aliás, é isso o que ele é.
Pois bem, em todo os meios de comunicação o que se ver e o que se ler é o Corona vírus. Até um folhe de cordel (PIOLHO DO CRAMUNHÃO - FAZ O MUNDO TODO TREMER), cheguei a escrever acessando (www.institutomemoriabrasil.com.br).
As rádios e as Tvs do Brasil e do mundo todo mudaram radicalmente sua programações.
Sinto falta do programa Paiaiá na Conectados (Rádio Conectados), apresentado pelo bom baiano Carlos Sílvio. Um programa, que já dura quase 4 anos, normalmente é levado ao ar, ao vivo, entre as 12h e 13h de sábado.
desde o dia 14 de março que o Paiaiá na Conectados não vai ao ar. O último entrevistado foi o maestro paulistano Júlio Medaglia. Leia, ouça e veja acessando:
Novidade: pra não morrer de tédio, Carlos Sílvio estreou segunda 30 o programa Em Quarentena, entrevistando personagem da vida cotidiana. Sempre ao vivo, a parti das 20h30, no Instagram. O entrevistado de hoje é o prefeito Cassinho, de Nova Soure, BA. Essa cidade, de 17 mil habitantes, localiza-se no Nordeste baiano. Acho que dá para tocarmos, tranquilamente, o Jornal nacional, por esse novo programa do Sílvio. É isso!
Abril é um mês mundialmente muito movimentado.
Foi em abril, precisamente no dia 1° de 2009 que tomei coragem e batuquei o primeiro texto para ocupar este Blog. Falei do "dia da mentira" e da escuridão política e torturante, avassaladora, que tomou conta do nosso país. Muita gente foi presa torturada e morta, sem falar nos desaparecidos até hoje não encontrados. Foi um tempo terrível aquele que durou de 1964 a 1985. Nesse texto falei também da atriz e cantora Vanja Orico (1931- 2015), que num dia de outubro de 1964 desafiou o Exército com seus blindados "somos todos brasileiros". Leiam ou releiam, no link: http://assisangelo.blogspot.com/2009/04/dia-da-mentira.html
O cantor, compositor, arranjador e maestro pernambucano nascido na Paraíba Jorge Ribbas, mostra-se cada vez uma pessoa criativa sem limites. Deus me pôs no seu caminho. Meus versos na sua batuta ganham aries de beleza.
-Você sabe quem é o presidente do Brasil?
-Você sabe qual é a função de um presidente da República?
-Você sabe qual é a importância de um presidente da República? -E o povo, você qual é a importância de uma povo num país-nação?
-Você sabe meu amigo, minha amiga, o que é Nação?
-Você sabe meu amigo, minha amiga o que é um país?
-Meu amigo, minha amiga, você sabe a diferença entre país e nação?
O Brasil como país e Nação, entristecido, votou na última eleição convencido de que foi roubado pelas esquerdas. Assim convencido, pôs na cadeira de presidente um capitão expulso pelo Exército brasileiro. Deputado com 28 anos na Câmara Federal, foi eleito sem fazer nada. A Nação paga pelo erro cometido. Mas o Brasil se recuperará, pois nada melhor do que uma eleição depois da outra.
O atual presidente da República anda procurando um jeito de usar a Bic para decretar a Ditadura. Mas isso não a-con-te-ce-rá.
O presidente atual do Brasil é uma besta e como tal terminará.
Quem sobreviver, verá.
O Brasil é líder em depressão, na América Latina.
Depressão é uma praga invisível que mata pobre, rico, negro, branco. Não escolhe sua vítima.
Eu conheço essa desgraça. Achegou-se a mim logo após eu perder a luz dos olhos. Terrível!
A depressão não tem hora para atacar. Ela chega de mansinho e...pimba!
Essa desgraça tem um dia só pra ela além de todos os dias, se é que me entendem.
O dia à ela dedicado é 15 de setembro.
Eu não ia falar sobre isso agora, mas nesse tempo louco de Novo Coronavírus leva me a crer que como eu em cetos momentos, há milhões e milhões de pessoas chorando, sofrendo, pensando em morrer...
Acabo de ouvir notícia dando conta de mortes decorrentes do Corona: 159, no Brasil. No mundo, o número a casa dos 40 mil. Na Itália, já são quase 12 mil e mais uma quantidade enorme de médico e enfermeiros contaminados por essa nova praga.
No século XIV, a Itália foi o epicentro da Peste Negra.
A Peste Negra ceifou um terço da população europeia.
O presidente Norteamericano acaba de voltar atrás e recomenda que todo mundo fique em casa. Aliás, essa recomendação tem sido feita por todos os chefes de nação, incluindo os da China, Cuba e México. Só o do Brasil, um gênio da raça imune a tudo e a todos, insiste em correr pra trás. Coitado.
Vocês já notaram que o presidente brasileiro está sendo isolado pelo pessoal de sua equipe?
Pois é, depressão é tão grave como o Covid-19, doença decorrente do Novo Coronavírus.
Hora dessa compus fiz em verso o que sinto da depressão:
Devastadora e sonsa E filha da implosão Ela pega ferra e mata... É a mãe da solidão Mãe e filha quando juntas São do Inferno danação Não tem cara, corpo ou alma É invisível e letal Nunca fez bem a ninguém È uma mal universal E não vou falar mais dela Porque não presta e ponto final!
Março 29 faz, hoje, uma semana que um amigo meu morreu. Morreu porque, sei lá.
Mundo de dor e guerra:
De presidente prepotente
De vírus correndo doido E matando muita gente
Cansado Valdir Teles
Foi pro céu cantar repente
Brilhou no repentismo Cantador, cantou pra gente Cantou sol, terra e mar
No ar plantou semente
Cansado Valdir Teles
Foi pro céu cantar repente
Muita coisa ele cantou Cantou bem, contente Cantou a natureza
E a Deus se fez presente
Cansado Valdir Teles
Foi pro céu cantar repente
Tomando meus versos do dia a dia, por acaso alguém me liga falando da tristeza que foi o cantador morrer. Cantador não morre, cantador é sonho, é esperança. Cantador é cantador.
Eu disse isso a uma amiga, essa amiga Mirianês Zabot, que coincidentemente, curiosamente, estranhamente a mim me ligou pra dizer que Valdir Teles ela o amava, como cantador. Valdir, amigo querido de muitos anos tinha especial atenção pela música do Rio Grande do Sul. O chamamé e o vanerão eram ritmos especiais da predileção dele. Mirianês é gaúcha. E numa estrofe de sextilhas ela disse:
Que mais faria o cantador
Se não fosse um ser pensante Andaria no espaço Iluminada vertente
Cansado Valdir Teles
Foi pro céu cantar repente
Valdir Teles, de Livramento no Cariri paraibano, deixou pra vida a história do amor.
Valdir, amigo meu de tantos anos, provou que viver é amar. Ele, como Bule Bule, frequentavam a minha casa com o carinho que o amor nos dá.
Viva Valdir e o Bule Bule, alí na Bahia está a nos ver.
O amigo Carlos Sílvio, apresentador raçudo da Rádio Conectados ( programa Paiaiá na Conectados, aos sábados, 12h), conta por telefone que está subindo paredes por duas razões: a primeira dela, a quarentena forçada. A segunda, "porque nem sei como estou aguentando acompanhar, ao vivo, uma partida de futebol. Nem de várzea!"
Pois é, da minha parte acho apenas graça até porque já estou quase acostumado a quarentenas. Digo isso porque fico em casa quase todo tempo do mundo. Razão óbvia: perdi a visão dos olhos, como muita gente sabe.
A falta de futebol na telinha do Sílvio faz com que eu lembre de notícia recentemente ouvida no rádio. Essa notícia da conta de que jogadores e técnico, que integram times famosos como Juventus (Itália), Barcelona (Espanha) e PSG (França), estão doando cifras fabulosas para amenizar os problemas provocados pelo Novo Coronavírus. Messi, Cristiano Ronaldo, o técnico Pepe Guardiola. Doaram cerca de 1 milhão de Euros.
E no Brasil, hein?
Acabo de me informar que a mais recente edição da revista Forbes traz a relação dos 20 brasileiros mais endinheirado do mundo. O primeiro Joseph Safra, na conta a bagatela de 25 bilhões de dólares. O último da lista, Candido Pinheiro Koren de Lim,conta apenas com uma merreca US$ 2,3 bilhões. Bom, mas como o presidente Biloliro disse que tudo sabe é que o novo vírus não passa de uma gripezinha, talvez se justifique aí o fato de esses bilionários ficarem quietos, segurando a grana no bolso. E, assim, evitando qualquer gesto de solidariedade.
O rebuliço do Novo Coronavírus que está provocando mundo a fora traze-me à memória história do Tifo que virou epidemia na região do Contestado. Essa praga levou à morte da jovem virgem guerreira Maria Rosa. Maria foi morreu em campo de batalha, com balas nas costas.
Essa história é incrível, como tantas e tantas outras esquecidas com o tempo.
A chamada guerra do Contestado ocorreu entre outubro de 1912 e agosto de 1916.
A guerra originou-se pela gula de dinheiro e poder, envolvendo coronéis e investidores Norteamericanos. No meio disso, milhares de homens, mulheres e crianças abandonados à própria sina.
O presidente da República à época era o Marechal Hermes da Fonseca.
Os miseráveis tinham como líder o monge José Maria.
Maria sonhava com a implantação do Império no Contestado, localizado entre o sul do Paranã e o norte de Santa Catarina.
Fanáticos liderando fanáticos, Maria criou um forte esquema de segurança a que denominou os 12 pares. Era homens fortíssimos, pau pra toda obra. Lembravam, e essa era a ideia, os 12 Pares de França.
Em volta do Monge, várias virgens. Maria Rosa, de 15 anos, era uma dessas virgens.
Após a morte do líder católico/messiânico, Maria Rosa rapidamente tornou-se guerreira.
Segundo a história, Maria Rosa era uma menina "alourada", cabelos longos, olhos penetrantes, forte e muito bonita. Corajosa, não temia nada. Vivia para combater injustiça e tirania. montada num cavalo, em luta ela fazia seus guerreiros gritarem "viva a Monarquia" e "Viva o Rei Dom Sebastião!"
Sebastião referido por Maria Rosa era o Rei Menino de Portugal que sumiu num campo de batalha e até hoje sua volta é esperada por fanáticos de várias partes do mundo.
O sebastianismo foi um movimento religioso muito forte no Brasil.
Maria Rosa, tombou no dia 28 de março de 1914.
O tempo é de Novo Coronavírus, no mundo todo.
É tempo disso, e minha vó Alcina diria também daquilo, assim.
O que minha vó Alcina queria dizer com isso, era uma coisa só: todo mundo é besta e o mundo vai se acabar.
Pois é, a vida segue.
Duzentos ou trezentos anos depois que a minha vó Alcina falou o que falou, encontro nos caminho tortuosos da vida o riograndense do Norte Germanno Jr. e o baiano Carlos Sílvio.
As vidas se cruzam.
São milhares de doenças que Deus deu ao mundo sobreviver.
E nós, cá estamos, com esse tal de Novo Coronavírus.
Só não aprende quem não quer, em qualquer tempo que viva o ser que não quer aprender.
O Novo Coronavírus está chegando como desafio. Mas um desafio...
Só não aprende quem não quer.
A morte é vida.
Germanno Junior é um desses caras incríveis que tropeçando na vida a vida nos dá, nos remete, como amigo.
Germanno tem muita, muita...pra contar.
A propósito: a trilha sonora da novela Fina Estampa era pra estar assinar com o nome dele.É uma história bonita.
Clique:
Pois é, falei de pessoas incríveis que conheci na vida.
Carlos Sílvio, de batismo Carlos Sílvio Lima Ramos, é um cara que fará sempre bem ao mundo em qualquer tempo. Não cantor, não é compositor, não pintor, não cineasta, não é dramaturgo, é uma pessoa.
Viver pessoas é fundamental que vivamos.
O tempo é de Novo Coronavírus, no mundo todo...
Atos de insensatez de uma personalidade, pública no caso, leva à tristeza e indignação.
Ontem 24 o presidente falou em rede nacional coisas que um presidente lúcido jamais falaria. Resultado: indignação do povo.
A indignação levou brasileiros de todas as regiões do país a bater panela e a gritar "fora, Bolsonaro!"
O presidente direcionou sua metralhadora giratória contra a Imprensa e governadores. Faltou chamar o povo de vagabundo. Na verdade, ele fez isso quando desconectado e fora de si disse que todo mundo tinha que trabalhar. Do jeito que disse, faltou só empunhar uma chibata. De Roldão, o presidente, todo investido do cargo, disse, mais uma vez, que o Novo Coronavírus não passa de uma gripinha, de um resfriado, "como bem disse aquele médico conhecido, daquela televisão conhecida".
Destemperado, depois de maltratar os jornalistas, o presidente "recomendou que somente as pessoas com mais de 60 anos de idade poderiam ficar em casa".
Claro que o presidente reclamou da escolas e comércios fechadas. E que isso não pode continuar.
Uma pergunta, pois perguntar não ofende: e as pessoas com mais de 60 anos que ou vivem só ou precisam trabalhar para, ainda, sustentar a casa?
No Brasil, há mais de 60 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade.
Em São Paulo, há cerca de 2 milhões de pessoas que moram sós.
E quanto aos miseráveis da vida que habitam as ruas do Brasil, o que deverão fazer?
E os moradores das favelas, gente humilde, como devem estar depois da fala do ilustre presidente, que vive procurando sarna pra se coçar?
Esse presidente é sem noção, sem limites. Sua língua não cabe no caminhão, mais o seu cérebro cabe e fica sobrando espaço numa caixa de fósforo.
CULTURA
Se os brasileiros fossem depender do Governo pra sobreviver, não viveriam. A propósito: onde anda e o que está fazendo a secretária da Cultura, Regina Duarte?
Não dá pra afirmar que foi o poeta e dramaturgo português Gil Vicente (c. 1465 — c. 1536) quem inventou o folheto de cordel ou a literatura de cordel. Mas dá pra afirmar que foi ele, o primeiro autor a captar o viver do povo e transformar isso em cultura popular.
Foi no tempo de Gil Vicente que o Rei D. João V autorizou aos integrantes de uma espécie de associação constituída por cegos de Lisboa, a vender folhetos para sua sobrevivência. A ideia era fazer o cego ocupar-se e não depender de doações etc.
A literatura de cordel chegou ao Brasil por iniciativa da real coroa portuguesa no século XVII. Os primeiros folhetos, entre os quais A Donzela Teodora, aportaram por estas plagas ali por 1810, 12. A propósito foi o maranhense Arthur Azevedo a fazer a primeira versão de a Donzela Teodora.
Gil Vicente nasceu em 1465.
Em 1865 nascia na Paraíba aquele que se tornaria o "pai dos cordelistas" no Brasil: Leandro Gomes de Barros.
Leandro, que morreu em 1918 deixou uma obra espetacular no campo da literatura de cordel.
A história da literatura popular, é muito bonita.
Na literatura popular se acham todos os grandes temas da vida cotidiana.
Como cego que não tenho o que fazer, resolvi escrever uns versos pra cordel. A capa, que traduz o que escrevi, tem a assinatura do mestre Klévisson Viana.
Enquanto o mundo pode socorro, sofrendo com a praga desse novo Corona o presidente do Brasil faz gracinha e debocha dizendo que o que anda por aí é só uma gripinha. Chegou a dizer que se nem uma facada o matou, a gripinha não o derrubará, tá ok?
Os casos de contaminação se multiplica em todo canto. Os óbitos, também.
Na Itália, o número de mortes já beira os 5 mil. Se é que a essa hora do dia, esse número já não beira os 6 mil.
O inimigo é visível. Que dizer, não é, né?
Bom, o presidente nunca perde a oportunidade de esculhambar jornalistas.
O papel da imprensa na história é importantíssima, desde sempre.
Pra relaxar escrevi esses versinhos em homenagem ao P:
Contra tudo, contra todos O presidente bufão Fazendo pose de macho Declara a toda Nação Que a gripe é "gripinha" E dela não tem medo, não Faca não o matou Ignorância também não Que diacho o matará O louco piolho do Cão Ou sou língua comprida Que não cabe num caminhão? Contar só a verdade É da Imprensa obrigação Quem faz o inverso mente Fazendo só confusão Caso do presidente Que ama ser falastrão!
AI5
... E pensar que há ainda quem queira de volta o famigerado Ato Institucional nº 5, que fez o Brasil inteiro mergulhar no breu. Meu Deus! Leia: AI5 Nunca Mais!
Não era nem uma da manhã quando o Outono rompeu o tempo e chegou, hoje, ao nosso hemisfério. Portanto, já estamos vivendo a bela estação outonal, que se estenderá até junho, quando nos dará a cara o Inverno.
O Outono faz nos convencer de que os dias são mais curtos e as noites são mais longas. E o frio é danado. Lá fora, as árvores mudam de folhas e os passarinhos fazem festa.
Somente no Sul e Sudeste essa estação é mais claramente observada, pois no Norte e Nordeste o clima parece sempre o mesmo no correr do ano todo. Quer dizer, imutável. Lá a seca sempre dá um jeito de se fazer presente, maltratando sertanejos e estorricando o solo.
Muitos artistas, eruditos ou não, desde sempre compuseram belas peças pra nos lembrar o Outono. O italiano Antonio Vivaldi (1678-1741) foi um desses artistas. Ouça:
O nordestinos são cheios de crenças.
A Natureza é incrível. Tudo nela, é incrível.
Quando formigueiros trocam o pé da serra por um lugar mais
alto, é sinal de que vai chover. E chuva grossa!
Quando a asa branca troca de lugar é porque o lugar trocado
vai entrar num período de seca brava.
Se no período correspondente aos meses de novembro e março
não chover é porque o inferno vem à terra.
O dia 19 de março, de São José, é a data máxima dos
sertanejos. Se não chover até esse dia, da terra não nascerá nada além de
poeira e tristeza.
A crença está aliada à sabedoria popular.
O estudioso da cultura brasileira Luís da Câmara Cascudo
(1898-1986), potiguar, deixou nos seus livros um legado invulgar. Em muitos dos
seus livros, ele enfoca a simplicidade do povo. Nessa simplicidade se acha
retalhos da vivência milenar da vida humana.
O sanfoneiro e cantador Luiz Gonzaga (1912-86) também
retratou a vida do povo na sua obra. As crenças estão lá, como a pedra de sal
que o sertanejo em que tanto acredita. Expostas num lugar qualquer da casa,
essas pedras se amanhecerem umedecidas é sinal de que a terra propiciará
fartura naquele ano.
A festa do milho é uma das muitas que o sertanejo promove em
junho.
O Rei do Baião traz na sua discografia um LP (A festa do
Milho, 1963) que lembra um pouco o saber, no seu estágio puro, do homem do
campo. Ouça:
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se
acha a discografia de Luiz Gonzaga e quase todos os livros de Câmara Cascudo.
Mais um gato morreu atropelado por um estúpido voador. Isso aconteceu à boca da noite de segunda 16, numa rua da Zona norte da Capital paulista.
O gato que as rodas do carro do motorista estúpido matou não era um gato qualquer, era um gato grande e bonito com pinta de gente. Chamava-se Geraldo.
Geraldo era um gato dono da noite, rei dos telhados. Tinha miaus diferentes, vários, para momentos muito próprios. Fácil, fácil, conquistava a todos: meninos, meninas, todo mundo. Era uma graça. Negro e manhoso, que nem um puma. Não tinha um cachorro ou cachorra que não gostasse dele, por exemplo. Pidão, no que pedia era sempre atendido. Dono de si, só faltava gargalhar. E jogava-se ao colo de quem escolhia. Era c-a-r-i-n-h
-o-s-í-s-s-i-m-o.
Quem teve a alegria de conhecer o Geraldo, teve a alegria de conhecer um gato, gato. E se, embora rapidamente, um ser feliz. Até o grande historiador José Ramos Tinhorão, paulistano do céu, apaixonou-se por ele. E até dizia: "Esse gato é rico, feliz".
Pessoalmente, confesso que em muitos momentos senti ciúmes do Geraldo. Aiaiai! Geraldo era poliglota. Sei, sei, vocês podem achar que estou exagerando. Mas, não. Ele não fala, por exemplo em inglês pra todo mundo. Ele escolhia o interlocutor, que poderia ser francês ou italiano. Os miaus dele eram incríveis. Nada não, Geraldo era quase gente. Não que isso fosse especialmente importante...
Segunda alí pelas sete, Geraldo achou de desafiar a noite dando um pulo na rua. Foi aí que um motorista tresloucado passou por riba dele. Pegou de repente, Geraldo não teve tempo nem de miar. E encantou-se. Sua companheirinha Luna, Leide Luna, anda pra lá e pra cá procurando com seu miau doce de viúva o seu Geraldo.
Embora ciente, de quarentena e cuidando-se do vírus da corona, foi dar uma espiadinha fora de casa e...
Dados do IBGE indicam que há 22 milhões de gatos no Brasil. Agora, menos um.
No livro mais recente do cartunista Fausto, Gataiada (capa ao lado). Minha por ele foi registrada a frase: "Eu não sei,
você não sabe, mas há quem ache que o gato também é gente". Essa frase tem haver com Pistolinha, que também foi atropelado há uns cinco meses.
Pistolinha era um gato miúdo e alegre, feliz, que enchia de beleza a casa do Fausto.
Geraldo era um gato grande e bonito com pinta de gente.
O exército norte-americano cometeu uma das maiores atrocidades numa
guerra. Foi no dia 16 de março de 1968 numa aldeia de My Lai, no Vietnã.
Brutalmente assassinadas crianças, homens e mulheres. No total mais de 500
pessoas.
Esse massacre lembrou-me a cantora Joan Baez, o jornalista José Hamilton
Ribeiro e do escritor Érico Veríssimo (1905-1975), esse último autor do romance
O Prisioneiro (Editora Globo; 1ª edição, 1967).
Veríssimo identifica o lugar onde transcorre a história num ponto
qualquer da Ásia, próximo à China.
Os personagens principais são um tenente que deixa o seu país para
servir fora, sob o comando de um coronel.
O coronel determina ao tenente que interrogue um prisioneiro. E isso
pouco antes de o tenente retornar ao seu país de origem e já no fim do livro.
O romance é fortíssimo e bem movimentado. Fantástico!
Na terra onde foi prestar serviço militar, o tenente faz amizade com
uma voluntária francesa que dedica todo o seu tempo a ajudar crianças órfãs.
Ele à ela conta toda sua história.
O romance chega ao ápice com a explosão de um bordel no qual se achava
uma prostituta por quem o tenente se apaixonara. Nenhum dos personagens tem
nome no livro, à exceção da prostituta que aparece apenas pela letra K.
Veríssimo também não diz, mas deixa crer que o lugar onde se passa a
história é o Vietnã.
E foi no Vietnã, no dia 20 de março de 1968, que Hamilton Ribeiro pisou
numa bomba e foi aos ares. Escapou, mas deixou lá um pedaço do seu corpo. Antes
disso, a cantora e instrumentista nova-iorquina Joan Baez foi às ruas com
Martin Luther King (1929-68), chamando a atenção do mundo para os horrores da
guerra.
José Hamilton Ribeiro é o jornalista mais premiado do Brasil e também
um dos escritores mais festejados. Lê muito e é viciado em moda de viola. Pra
ele escrevi o poema ZÉ:
O maestro paulistano Júlio Medaglia deu uma das mais espontâneas e esclarecedoras entrevistas que já ouvi. Foi sábado 14 no programa Paiaiá, apresentado pelo baiano Carlos Silvio. Durou uma hora. Do meio dia às 13hrs.
O apresentador começou o programa apresentando o entrevistado. Em seguida, brincou dizendo que ambos tinham pelo menos um ponto em comum: o futebol.
Silvio é goleiro de um time de Varzea e Medaglia foi ex-goleiro e por pouco não profissionalizou-se.
O maestro revelou que na infância costumava pular o muro do estádio do Palmeiras para, como penetra, acompanhar os treinos do seu time: o Palmeiras. E entre uma pergunta e outra, o grande maestro brasileiro contou que virou músico por acaso, pois nenhum parente próximo tinha nada a ver com música.
No começo encantou-se com uma réplica de violino. Coisa de brinquedo. Até que um dia ganhou um violino de verdade e aí não teve mais jeito, transformou-se no artista que todo o mundo aplaude com carinho e respeito.
Dentre os compositores brasileiros de preferência de Medaglia estão Carlos Gomes e Caetano Veloso. Pois é, do erudito ao popular.
Júlio Medaglia já regeu grandes orquestras do Brasil e do Exterior.
Ainda neste ano, na Hungria, Medaglia deverá voltar a reger orquestra interpretando O Guarany.
O Guarany, estreou mundialmente na noite de 19 de março de 1870. O palco dessa apresentação foi o Alla Scala de Milão, Itália. Logo após o concerto, o compositor italiano Giuseppe Verdi (1813-1901) respondendo a um repórter disse: "Esse moço começa por onde eu termino." Esse moço era o paulista de Campinas Antonio Carlos Gomes (1836-96). O que tem a ver Caetano com Medaglia?
Bom, prefiro que vocês descubram o ponto comum entre os dois acompanhando a entrevista feita pelo craque Carlos Silvio. Cliquem:
O dia 15 de março é histórico, no Brasil.
Foi nesse dia que o carioca João Baptista Figueiredo (1918-99) encerrou o ciclo de generais presidentes da República, inciado com o golpe militar de 1964. Esse golpe foi deflagrado na madrugada do dia 1º de abril.
Também a ver com o 15 de março é o fim do governo do gaúcho Ernesto Geisel (1907-96) iniciado, aliás, no 15 de março de 1974.
Figueiredo foi aquele que dizia preferir cheiro de cavalo a cheiro de gente.
Geisel foi aquele da abertura democrática, cujo o processo seria lento, gradual e seguro. Foi no decorrer desse processo que brasileiros e brasileiras exilados começaram a retornar ao País.
A história é longa, mas não podemos esquecê-la.
Será que o atual presidente da República está planando semente daninha pra o governo assumir o País todo fardado?
Após três anos o público consumidor de boa música tem a oportunidade de escutar com prazer meia dúzia de títulos do pernambucano Rosil Cavalcanti (1915-68). Essas músicas receberam especial atenção do compositor e instrumentista Jorge Ribbas. São elas: Aquarela Nordestina, Vassoureiro, Tropeiros da Borborema, Pacífico Pacato, Sebastiana, Meu Cariri.
O talento inventivo de Ribbas o levou a enveredar no mundo de Cavalcanti como poucos o fizeram até agora. Foi mergulho profundo e o resultado, uma delícia.
As músicas selecionadas por Jorge Ribbas foram diversas vezes gravadas por grandes nomes da melhor música do Brasil, entre os quais Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Marinês.
Para ajudar na missão de rever ou revisitar um pouco da obra de Rosil Cavalcanti, Ribbas convidou os craques Marquinho Drums (bateria) e Rainere Travassos (baixo). O resultado, repito: uma delícia!
As músicas rearranjadas por Jorge Ribbas se acham em todas as plataformas digitais, como Spotify, Deezer.
Ah! Ia-me esquecendo: o bloco de músicas de Cavalcanti escolhido por Ribbas, encerra com um forró assinado por mim e por ele, intitulado Viva Rosil! Ouça:
A cantora e instrumentista Inezita Barroso morreu no dia 8 de março de 2015. Ela também foi uma guerreira, despreconceituosa e ativa
A Venezuela
anda quebrada e a população mais humilde, também.
O presidente
venezuelano, Nicolás Maduro foi à televisão estatal para convocar as mulheres a
engravidar. Disse ele: "Vão parir,
pois, vão parir! Todas as mulheres tendo seis filhos, todas. Que cresça a
pátria!".
Há muito
desaforo contra as mulheres, no Brasil e em todo canto.
A Constituição
brasileira, de 1988, garante no seu artigo 5º: “Todos são iguais
perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito
à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes:
I -
homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta
Constituição...”
O Dia Internacional da Mulher é há muitos anos lembrados no
dia 8 de março. O que provocou isso foi um incêndio que matou muitas operárias
numa fábrica estadunidense. Esse incêndio foi provocado pelos donos da fábrica.
Clique: 8 DE MARÇO: DIA INTERNACIONAL DE TUDO QUE É BOM
Em 2019, quer dizer ano passado, foram registrados 1.314 feminicídios,
maior parte no Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia.
Casos de feminicídio são encontrados na vida real e na
literatura romanesca do Brasil, desde José de Alencar (1829-1877) a Manoel de
Oliveira Paiva (1861-1892). Leia: O FEMINICÍDIO NAS ARTES.
A grande Clarisse Lispector (1920-1977) também abordou a questão
feminicídio no conto A Língua do P, de 1974. Leiam: A LÍNGUA DO P
A luta das mulheres por igualdade ocorrem no mundo todo e há muito tempo. Clique: