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sexta-feira, 23 de setembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (41)
quinta-feira, 22 de setembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (40)
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Moleque de rua, peralta, arteiro como ninguém. Sempre foi e será. Ainda bem. É carioca, casado; tem 35 anos e dois filhos, Fernanda e Daniel. Ângela é sua amiga-amante-mulher-companheira. Gosta disso. Adora a vida, repudia a morte e luta pela paz da forma como pode: cantando, compondo e falando das mazelas do seu tempo e da dor do seu povo. O seu nome: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, mas podem chamá-lo Gonzaguinha, simplesmente.Depois de ler em voz alta um trecho da entrevista, Mané disse que já estava compartilhando o meu blog com os amigos. Agradeci.
quarta-feira, 21 de setembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (39)
segunda-feira, 19 de setembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (38)
Já não são quinhentas mortes
Já não são quinhentas mil
A desgraça toma corpo
No coração do Brasil
Não são mortes naturais
As mortes de Silvas e Bragas
São mortes provocadas
Por vírus, pestes e pragas
Praga viva inda mata
Homem, menino e mulher
Mata completamente
Do jeito que o bicho quer
Maldito Coronavírus
Que pega e mata gente
O Brasil está morrendo
Nas garras do presidente
Presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!
domingo, 18 de setembro de 2022
CARLOS GOMES: A GLÓRIA NO TREM DO ESQUECIMENTO (2, FINAL)
Maneco Músico tinha, à época, 51 anos de idade e era pai de 26 filhos.
Essa história já foi contada por mim e pelo romancista mineiro Rubens Fonseca (1925-2020), no livro O Selvagem da Ópera.
No livro O Brasileiro Carlos Gomes, lançado pela Companhia Editora Nacional em 1987, eu faço uma biografia sobre o autor campineiro. A respeito, o compositor e maestro cearense Eleazar de Carvalho (1912-1996) escreveu de próprio punho: "Parabéns a Assis Ângelo por reviver o tempo passado e, como observou Roberto Machado, o tempo original, absoluto, idêntico à eternidade, que só a arte pode proporcionar".Eleazar regeu algumas das principais orquestras do mundo e foi um dos professores da Juilliard School de Nova York. Fora isso foi diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica de São Paulo, OSESP, e criador do Festival de Inverno de Campos do Jordão.
E o jornalista e poeta Fernando Coelho escreveu: "O Brasil é o país da mentira. E do esquecimento. É só ver o que fazem com a Música Popular Brasileira, entre outras coisas. Ainda bem que o jornalista Assis Ângelo, teimoso que é, com este livro sobre Carlos Gomes, vai continuar incomodando os que insistem em empastelar a nossa memória".
Em matéria de página inteira, o tabloide Il Corriere destacou o esquecimento do maestro Carlos Gomes na edição de 21 de setembro de 1987.
Durante muito tempo, é fato que Carlos Gomes recebeu pedradas da parte de seus patrícios. Entre esses, alguns maiorais da famosa Semana de Arte de 22. Atacou Oswald de Andrade, por exemplo: "Carlos Gomes é horrível. Todos nós o sentimos desde pequeninos. Mas como se trata de uma glória da família, engolimos a cantarolice toda do Guarani e do Schiavo, inexpressiva, postiça, nefanda. E quando nos falam do absorvente gênio de Campinas, temos um sorriso de alçapão, assim como quem diz: - É verdade! Antes não tivesse escrito nada... Um talento!" (Jornal do Commercio, São Paulo, 12 de fevereiro de 1922).
A obra de Carlos Gomes é extensa. Ele escreveu peças do repertório popular como lundus, polcas, mazurcas, modinhas e hinos, além de missas e cantatas. Dentre as óperas que assinou Il Guarany foi a que lhe deu mais prestígio. No decorrer dos anos de 1870 essa ópera correu mundo.
Em 1914, o tenor italiano Enrico Caruso gravou em Nova Iorque, EUA, uma parte da famosa ópera baseada no livro homônimo de José de Alencar: Sento una Forza Indomita. Aliás, são inúmeras as gravações dessa ópera nas línguas mais diversas. A primeira gravação completa em disco ocorreu no Brasil em 1959. O autor dessa façanha foi o paulistano do Brás Armando Belardi (1898-1989). Essa gravação sairia na versão CD, numa caixa, em 1993. Dois anos depois, na Alemanha, seria a vez do maestro brasileiro John Neschling entrar no circuito regendo a ópera que virou também uma caixinha. Nessa versão, o tenor Plácido Domingo interpreta o parceiro de Ceci, Pery.
Mais de uma centena de livros conta a história do filho de Maneco Músico.
O compositor e maestro campineiro Antonio Carlos Gomes morreu doente e pobre em Belém do Pará, no dia 16 de setembro de 1896, exatos 100 anos antes de Eleazar de Carvalho. Tinha 60 anos de idade.
LEIA MAIS: ALBERTO NEPOMUCENO, 100 ANOS • CARLOS GOMES: FILHO DE UMA TRAGÉDIA • FRANCISCO SIMPLESMENTE
sábado, 17 de setembro de 2022
CARLOS GOMES: A GLÓRIA NO TREM DO ESQUECIMENTO (1)
Numa conversa qualquer em que o tema seja música ou músicos brasileiros eruditos, o nome que logo vem à mente é o do compositor e maestro carioca Heitor Villa-Lobos, autor das Bachianas em que se acha O Trenzinho do Caipira. Numa forçação de barra, digamos assim, pode surgir outro nome: Antonio Carlos Gomes. E talvez também a soprano Bidu Sayão, até porque foi homenageada e desfilou em carro alegórico da Beija-Flor no carnaval de 1995. Morreria em 1999, com 97 anos de idade.
São muitos os artistas brasileiros atuantes no campo da música erudita, desde sempre. O primeiro deles foi o padre José Maurício Nunes Garcia que sabia tudo e mais um pouco a respeito do assunto.
Além de Villa-Lobos, Carlos Gomes e José Maurício, outros como Francisco Mignone, Guerra-Peixe, Alberto Nepomuceno, Francisco Braga, Alexandre Levy, Cláudio Santoro e Radamés Gnattali deixaram sua marca nesse campo. Mas a memória está sempre a negar fogo.
Carlos Gomes, um paulista da região de Campinas, muito cedo enveredou pelo fabuloso mundo da música. Ele ainda se achava nos primeiros anos da adolescência quando começou a tocar na bandinha marcial do pai Manoel José Gomes (1792-1868), popularmente chamado Maneco Músico. Com 13, 14 anos, já fazia música em pauta. Um dia, na bandinha do pai, foi visto pelo imperador Pedro II que na ocasião visitava sua cidade. Aquilo foi marcante e desde então o menino Tonico, como era chamado Carlos, começou a sonhar alto imaginando-se estudante de música no Rio de Janeiro, então capital do Império.
Antes de trocar Campinas pelo Rio, o jovem Carlos Gomes passou uma temporada na Capital paulista onde conheceu estudantes de Direito do Largo de São Francisco.
Corria o ano de 1859 e é dessa época o hino à Mocidade Acadêmica. É também dessa época a modinha Quem sabe?, com letra de seu amigo Bittencourt Sampaio. Essa modinha foi e continua sendo gravada por muita gente, inclusive Inezita Barroso (1925-2015). A letra é esta:
Tão longe, de mim distante
Onde irá, onde irá teu pensamento
Tão longe, de mim distante
Onde irá, onde irá teu pensamento
Quisera saber agora
Quisera saber agora
Se esqueceste, se esqueceste
Se esqueceste o juramento
Quem sabe? Se és constante
Se, ainda, é meu teu pensamento
Minh'alma toda devora
Da saudade agro tormento
Tão longe, de mim distante
Onde irá, onde irá teu pensamento
Quisera saber agora
Se esqueceste, se esqueceste o juramento
Quem sabe? Se és constante
Se, ainda, é meu teu pensamento
Minh'alma toda devora
Da saudade agro tormento
Vivendo de ti ausente
Ai meu Deus, ai meu Deus que amargo pranto
Vivendo de ti ausente
Ai meu Deus, ai meu Deus que amargo pranto
Suspiros, angustias, dores
Suspiros, angustias, dores
São as vozes, são as vozes
São as vozes do meu canto
Quem sabe? Pomba inocente
Se também te corre o pranto
Minh'alma cheia d'amores
Te entreguei já n'este canto
Vivendo de ti ausente
Ai meu Deus, ai meu Deus que amargo pranto
Suspiros, angustias, dores
São as vozes, São as vozes do meu canto
Quem sabe? Pomba inocente
Se também te corre o pranto
Minh'alma cheia d'amores
Te entreguei já n'este canto
O cartunista Fausto e eu estamos fazendo um livro com charges e textos, sobre encontros fictícios entre grandes artistas do Brasil. Inezita e Carlos Gomes são dois dos personagens que escolhemos para o livro, que se chamará Histórias de Esquina.
Já no Rio de Janeiro, estudando no Conservatório de Música, Carlos Gomes ganhava admiração de colegas e professores. Em 1861, compôs sua primeira ópera: A Noite do Castelo. Dois anos depois usufruía de uma bolsa de estudos concedida pelo Imperador, na Itália. E na Itália conheceu a fama com a ópera Il Guarany, que estreou na noite de 19 de março de 1870 no Teatro Alla Scala de Milão. O grande Giuseppe Verdi estava presente. Encantado com a atuação de Gomes, declarou a um repórter da Gazzeta Ferrarese: "Esse jovem começa por onde eu termino".
Carlos Gomes ganhou fama, mas não ganhou dinheiro com Il Guarany. Motivo: vendeu os direitos autorais ao primeiro editor musical que lhe apareceu à frente.
A ópera que mais dinheiro deu a Antonio Carlos Gomes foi Salvador Rosa, que estreou na noite de 21 de março de 1874, em Gênova. Essa ópera, desenvolvida em quatro atos, foi dedicada a André Rebouças.
Il Guarany é baseada no livro O Guarani do escritor cearense José de Alencar. É da linha indianista. Trata do romance entre a filha de um fidalgo português (Ceci) e de um indígena da tribo dos guaranis (Peri). Essa ópera estreou no Brasil no dia 2 de dezembro de 1870.
sexta-feira, 16 de setembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (37)
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quinta-feira, 15 de setembro de 2022
O BRASIL SEM GAYA HÁ 35 ANOS
quarta-feira, 14 de setembro de 2022
HOJE É DIA DE ISMAEL SILVA
Eu posso me regenerar
Mas se é para fingir, mulher
A orgia assim não vou deixar
Muito tenho sofrido
Por minha lealdade
Agora estou sabido
Não vou atrás de amizade
A minha vida é boa
Não tenho em que pensar
Por uma coisa à-toa
Não vou me regenerar
A mulher é um jogo
Difícil de acertar
E o home como um bobo
Não se cansa de jogar
O que eu posso fazer
É se você jurar
Arriscar a perder
Ou desta vez então ganhar
segunda-feira, 12 de setembro de 2022
CARLOS GOMES CONTINUA ESQUECIDO
Há 35 anos eu publicava pela Companhia Editora Nacional o livro O Brasileiro Carlos Gomes. A ideia era alcançar leitores em formação. Não sei se o alvo foi alcançado, de qualquer modo o livro ganhou grande repercussão na Imprensa. O jornal Il Corriere, edição de 21 de setembro de 1987, publicou matéria de página inteira, destacando a barreira do esquecimento que separa Gomes do Brasil. Ele recebeu muitas pedradas de intelectuais que participaram da semana de arte moderna de 1922. Triste. Lamentável, mesmo. Leia o que publicou Il Corriere:
HERÓDOTO TEM NOVO LIVRO NA PRAÇA
domingo, 11 de setembro de 2022
O RÁDIO GANHA HINO EM RITMO DE SAMBA (2, FINAL)
Naquele mesmo ano de 19, nascia em Santana do Livramento, RS, Antônio Gonçalves Sobral. Esse Antonio viria a se tornar o primeiro cantor Rei do Rádio: Nelson Gonçalves.
O curioso nessa história toda é que até agora, 100 anos passados, ninguém teve a ideia de compor um hino em homenagem ao Rádio.
Em 1936 João de Barro, Lamartine Babo e Alberto Ribeiro compuseram a marcha Cantores do Rádio, que foi gravada pela primeira vez, na Odeon, pelas irmãs Carmen e Aurora Miranda no dia 18 de março daquele ano de 36.
Hoje em dia é comum as emissoras de rádio venderem horários.
É comum também as emissoras abrirem espaço para programas temáticos.
Há programas longevos que tratam especificamente de gêneros musicais. Na Rádio USP, por exemplo, há um programa dedicado ao samba, há 40 anos. Título: O Samba Pede Passagem, apresentado por Moisés da Rocha. Ainda na USP há o programa Vira e Mexe, de forró, apresentado pelo paulistano Paulinho Rosa. Na Rádio Imprensa FM 102,5 há o programa Pintando o Sete, também de forró, apresentado pelo pernambucano Luiz Wilson. Esse programa já dura 15 anos, como 15 anos dura também Vira e Mexe.
Em Teresina, PI, o professor universitário de física Wilson Seraine apresenta todos os sábados o programa A Hora do Rei do Baião, que já dura 15 anos e é todo dedicado a Luiz Gonzaga e a sua obra. Ele diz:
“Não lembro bem da primeira vez que ouvi um rádio, mas sei bem que ouvi várias vezes na infância com os moleques nordestinos nas ruas do subúrbio de Realengo, no RJ, donde saí para o meu Piauí aos 12 anos. Depois, ao longo da vida, não ouvia muito. Mas, um dia um amigo me convenceu a apresentar um programa sobre as coisas do Nordeste. Luiz Gonzaga inclusive. Resumo, lá se vão 15 anos do programa – A HORA DO REI DO BAIÃO, na FM Cultura de Teresina. Nunca mais largo esse vício, o rádio me fisgou de vez”.
Em Recife, PE, pela Rádio Universitária, é apresentado diariamente o programa Forró, Verso e Viola. Apresentador: Ivan Ferraz, que também é compositor e cantor com um compacto, nove LPs, 11 CDS e um DVD na bagagem.É inegável a importância do rádio em qualquer lugar do mundo.
No Brasil, o rádio ajudou a enterrar a República Velha e a criar o lamentável Estado Novo (1937-1945) de Getúlio. Ajudou também no fortalecimento da Democracia, antes e depois da ditadura militar (1964-1985).
Há até uma rádio, no Brasil, cuja programação é toda direcionada ao jornalismo: CBN, levada ao ar pela primeira vez em outubro de 1991. À época, um de seus criadores foi o jornalista Heródoto Barbeiro, autor do livro 100 anos de Rádio no Brasil (Ed. Lafonte).
Eu, da minha parte, lembro aos desavisados que há muito estou fora do "dial". Ah! Sim: iniciei a carreira de jornalista e radialista no jornal O Norte e na Rádio Correio da Paraíba, em João Pessoa, PB.
Bom, por não ter o que fazer, compus uma letra e convidei o craque Jarbas Mariz para melodia-la. Título: O Samba do Rádio.
Uma caixinha mágica
Faz o mundo se ligar
Dessa caixa sai a voz
De quem tem o que falar
Sobre tudo conta a voz
Que tem sempre o que contar
Pra saber o que se passa
Basta fazê-la falar
Ligada a caixa fala
Toca e canta sem parar
Fora isso diz a hora
Pra ninguém se atrasar
Variadas formas tem
Essa bela invenção
Que cabe bem certinho
Até na palma da mão
O autor dessa magia
Foi o padre brasileiro
Roberto Landell de Moura
Famoso no mundo inteiro
Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora
Charge de Fausto Bergocce
sábado, 10 de setembro de 2022
O RÁDIO GANHA HINO EM RITMO DE SAMBA (1)
Segundo pesquisadores da terra de Capiba, grande compositor e pianista reinventor do frevo, no dia 6 de abril de 1919 um grupo de amadores diletantes do telégrafo fundou a Rádio Clube de Pernambuco. Na ocasião foi instalada uma geringonça que permitia a transmissão de voz a pouca distância. Era o rádio chegando em Pernambuco de modo amadorístico.
No estrangeiro, o italiano Marconi patenteava o que afirmava ser invenção sua. Pegou.
Em São Paulo, SP, o padre cientista Roberto Landell de Moura queimava as pestanas fazendo cálculos e cálculos e testes direcionados a mais uma de suas investidas no mundo encantado da Ciência. O objetivo, desafio mesmo, era transmitir a voz humana através de fios e tal.
Os esforços do padre Landell não receberam atenção nem compreensão de ninguém, nem dos membros da sua congregação. Achavam-no louco e até feiticeiro. Se a Inquisição ainda estivesse em voga, Landell teria certamente ardido em chamas numa fogueira qualquer.
No Brasil corria o ano de 1881.
Por meios próprios, sem apoio econômico ou político, Landell de Moura conseguiu patentear suas pesquisas em torno do rádio nos EUA. Mas já era tarde e, assim, Guglielmo Marconi levou todos os créditos e aplausos como inventor do rádio.
No dia 7 de setembro de 1922, realizava-se no Rio de Janeiro uma exposição multifacetada para lembrar e comemorar o primeiro centenário da independência do Brasil. Marconi foi convidado e lá esteve. Uma antena transmissora foi instalada no Corcovado e, como num passe de mágica, habitantes de Niterói, Petrópolis e adjacências, além das capitais fluminense e paulista, ouviram extasiados o presidente Epitácio Pessoa proferir laudatório discurso sobre o evento.
No ano seguinte, 1923, o cientista Roquette Pinto juntava-se a amigos e fundava a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, oficialmente considerada a primeira emissora de rádio do Brasil.
A Rádio Sociedade tinha como programação música de boa qualidade, erudita e popular.
Antonio Carlos Gomes e Sinhô, de batismo João Batista da Silva, foram os primeiros compositores a terem obras executadas pela Rádio.
Era tudo feito de forma precária, amadorística.
Roquette Pinto usava muito o microfone da sua emissora para ler notas sobre artes e música, publicadas nos jornais da época. Talvez tenha sido ele o inventor do radiojornalismo. É meio esquisito dizer isso, mas a possibilidade não pode ser afastada.
Antes de 1930, as emissoras foram se multiplicando no Rio e em outros lugares.
Em 1926, surgiu a primeira rádio "comercial" do País: a Mayrink Veiga.
Logo após a tomada do poder por Getúlio Dornelles Vargas, as emissoras de rádio foram autorizadas por decreto para faturar com comerciais. A propósito: foi no governo Vargas que surgiu o programa A Voz do Brasil, no começo chamado Programa Nacional e A Hora do Brasil.
A Voz do Brasil é o programa de rádio mais antigo do mundo. Foi criado em 22 de julho de 1935, por um cara chamado Armando Campos. Esse Campos vinha a ser amigo de infância de Vargas.
Em 1936, Roquette Pinto doou a Rádio Sociedade para o Ministério da Educação e Cultura, MEC.
A Rádio MEC está no ar até hoje com programação voltada à cultura.
No mesmo ano de 36, precisamente no dia 12 de setembro, era inaugurada a Rádio Nacional.
A Nacional marcou época na radiodifusão, no Brasil. Seus estúdios eram amplos, modernos, e funcionavam no prédio do jornal A Noite, localizado na praça Mauá, RJ.
Todos os grandes artistas da época passaram pela Nacional. Inclusive os humoristas.
A Rádio Nacional era riquíssima no item humor com Castro Barbosa, inclusive.
Em janeiro de 2003, o jornalista Paulo Perdigão lançava à praça o livro PRK-30, contando a história da Rádio Nacional e os artistas que por lá passaram. Detalhe: Esse livro traz dois importantíssimos CDs com trechos de vários programas apresentados na Nacional.
E não custa lembrar que a primeira radionovela no Brasil foi apresentada na Rádio Nacional. Título: Em Busca da Felicidade, do cubano Leandro Blanco. Essa mesma novela iria, em 1965, para a televisão. No caso, a extinta Excelsior.
Nos fins de 1937, começaram os concursos para "eleger" as cantoras mais admiradas. Foi assim, no começo de 1938, que a cantora Linda Batista virou a primeira Rainha do Rádio. As quatro seguintes foram: Dircinha Batista, Marlene, Emilinha Borba e Ângela Maria.
Linda Batista ficou como "rainha" durante quase 11 anos.
Emilinha Borba era a favorita, a preferida, da Marinha. E Marlene, a cantora do Exército.
Ângela Maria foi a "rainha" que mais recebeu votos na história dos concursos do gênero: 1,5 milhão. Ângela era, para Getúlio Vargas, a melhor cantora do Brasil. Foi ele quem a apelidou de Sapoti.
Atualmente existem mais ou menos 10 mil emissoras de rádio no Brasil, metade delas comunitárias.
Os tempos hoje são, claro, bem diferentes dos tempos de ontem.
Hoje tudo parece correr na velocidade dos raios.
A rádio, diziam, que estava com os dias contados com a chegada da televisão no Brasil, ocorrida no dia 18 de setembro de 1950. Coisa nenhuma, rádio e TV deram-se as mãos e continuam vivendo muito bem. Detalhe: entre os anos de 1940 e 1950 havia no país a Revista do Rádio e Radiolândia, que destacavam os artistas e apresentadores do rádio. E existia também revistas abordando temas ligados à rádio e a TV.O rádio está na TV e a TV, no rádio.
E agora tem o Podcast chegando e, pelo jeito, pra ficar.
Fora isso, tem as rádios Web, como a rádio Conectados. Nessa rádio o baiano Carlos Silvio apresenta, ao vivo, o programa Paiaiá na Conectados. Sobre a sua relação com o rádio, diz o apresentador:
“Como nasci e vivi até os meus 21 anos na roça, lá no Paiaiá (Bahia), sem luz elétrica e o luxo da televisão, o meu companheiro sempre foi o rádio. O rádio de pilha. Ao chegar na maior cidade do País, São Paulo, em busca de uma vida melhor, o amor pela comunicação me levou para o maravilhoso mundo do rádio. Jamais imaginaria ser indicado ao Prêmio Melhores do Rádio, pela APCA. O rádio é, para mim, o veículo de comunicação mais importante e com o advento da internet, deu mais vida ao que jamais morrerá. Viva o rádio!”.
sexta-feira, 9 de setembro de 2022
NO RÁDIO, O NORDESTE EM SÃO PAULO
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| Assis Angelo e convidados do São Paulo Capital Nordeste |
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| Beto Alves, Paulinho Rosa e Dominguinhos na Rádio USP |
O IDIOTA E A RAINHA
Com um sorrizinho cheio de graça, Ana Maria respondeu: "A Beth, pai. A minha rainha morreu".
Diante de tal curiosa revelação, prometi escrever algo. Começo assim:
A rainha Elizabeth
Partiu silenciosamente
Deitada na sua cama
Pensando na sua gente
Pra sempre seu nome fica
Gravado na nossa mente
Com certeza foi grande
A rainha dos ingleses
Amada por muitos povos
Entre os quais os franceses
Sem esquecer os alemães
Esquimós e holandeses
Mas posso também falar
Da rainha Flor Maria...
Elizabeth II (1926-2022), a mais longeva dentre todas as rainhas, deixou exemplo a ser seguido por governos e povos de todas as línguas. Há mais de seis mil línguas na boca dos povos. Línguas vivas. E há tiranos e democratas no mundo.
A democracia é o melhor sistema de governo pra tudo quanto é gente.
Elizabeth II era democrata.
Bolsonaro é um idiota.
Pela primeira vez na história da nossa República, um presidente não comparece a uma solenidade de homenagem à independência do Brasil. Triste. Lamentável, sob qualquer ponto de vista.
O presidente do Senado, Ricardo Pacheco, foi a primeira autoridade brasileira a se manifestar publicamente sobre o desaparecimento da rainha Elizabeth.
quinta-feira, 8 de setembro de 2022
JÚLIO MEDAGLIA E A IMPORTÂNCIA DO RÁDIO
Como o Brasil não possui tradições tão pesadas como as europeias, os brasileiros foram brincar com o som transmitido e acabaram criando uma linguagem própria e muito original. O radialista nacional imediatamente inventou uma forma de jogar com a imaginação dos ouvintes, manipulando de forma brilhante o feitiço sonoro, fazendo o fazendo absorver aquelas sonoridades de forma criativa. As radiofonizações de novelas eram um primor, pois envolvidas em riquíssima sonoplastia de música clássica do século XX e final do XIX, transformava as ingênuas novelinhas em verdadeiras óperas faladas. Sim, porque os radio-atores impostavam a voz como se estivessem cantando.
Toda a música popular brasileira, da fundação do rádio até os anos 60, tinha no rádio seu principal veículo. Todas as emissoras possuíam orquestras sinfônicas – algumas enormes, como as da Rádio Nacional ou as das grandes emissoras de São Paulo, ou menores, de acordo com as possibilidades comerciais da empresa.
O noticiário era envolvido num tipo de locução e sonoplastia como se a coisa acontecesse num palco teatral em sua casa.
Quando o rádio completou 50 anos eu era diretor da Rádio Roquette Pinto do Rio de Janeiro. Recebi na época, patrocinado pelo Goethe Institut uma visita de radialistas alemães que aqui exibiram suas riquíssimas produções.
Deveriam fazer 4 palestras e eu uma pelo rádio brasileiro. Reuni trechos de novelas, humor dos mais variados, exibição de músicos populares famosos, irradiações de jogo de futebol e coisas assim. Quando acabou minha palestra um radialista alemão disse: não queremos fazer nossa última palestra. Pois o rádio que estamos trazendo e começando a fazer na Alemanha, moderno e criativo, é o que vocês fazem aqui no Brasil há 50 anos... Me orgulho, portanto, de ter, nesse veículo, um programa diário na Rádio Cultura de São Paulo à 5 da tarde, há 35 anos. Fim de tarde com o maestro Júlio Medaglia que assina esta crônica.
quarta-feira, 7 de setembro de 2022
FINALMENTE UM HINO PARA O RÁDIO
terça-feira, 6 de setembro de 2022
LIBERDADE É DEMOCRACIA!
segunda-feira, 5 de setembro de 2022
CEGA ESCAPA DA MORTE NO METRÔ
domingo, 4 de setembro de 2022
HUMOR, POLÍTICA E PROTESTO (2, FINAL)
O suicídio de Getúlio, além de enlutar o País, provocou uma enxurrada de folhetos de cordel e músicas nos gêneros mais diversos. Jackson do Pandeiro, por exemplo, emplacou o sucesso Ele Disse:
Ele disse muito bem:
O povo de quem fui escravo
Não será mais escravo de ninguém.
Para todo operário do Brasil
Ele disse uma frase que conforta
Quando a fome bater na vossa porta
O meu nome é capaz de vos unir
Meus amigos por certo vão sentir
Que na hora precisa estou presente
Sou o guia eterno desta gente
Com meu sangue o direito eu defendi.
Ele disse com toda consciência
Com o povo eu deixo a resistência
O meu sangue é uma remissão
A todos que fizeram reação
Eu desejo um futuro cheio de glória
Minha morte é bandeira da vitória
Deixo a vida pra entrar na história
E ao ódio eu respondo com o perdão.
Em 1959, o cantor e compositor Luiz Wanderley (1931-1993) mandou à praça o atualíssimo xamego Trabalhadores do Brasil:
Trabalhadores do Brasil.
Jamais o nome do Velhinho.
Será esquecido perante.
O operariado da nossa pátria.
Eu não aguento mais a situação.
Tá faltando carne, tá faltando pão.
Tá faltando leite e não tem feijão.
Trabalhadores do Brasil.
Vocês agora não tem pai.
O homem que lutou por vocês.
Que derramou seu sangue por vocês.
Foi embora e não volta nunca mais.
Ta faltando carne, tá faltando pão.
Tá faltando leite e não tem feijão.
Nosso povo hoje em dia.
Tá passando privação.
O dinheiro que ganha.
Não dá pra despesa.
Nem comprar um quilo de feijão.
Todo mundo vivendo na base do agrião.
Tá faltando carne, tá faltando pão.
Tá faltando leite e não tem feijão.
Na eleição de 1959, o povo de São Paulo elegeu a rinoceronte Cacareco como vereadora. Nenhum político teve tantos votos à época, como Cacareco. Protesto claro, claríssimo, dos eleitores de São Paulo.
Fechando com chave de ouro a história de Cacareco, a dupla Ouro e Prata lançou a marcha Cacareco.
Outra marcha que fez grande sucesso, em disco de 78 RPM, foi Só Mamãe Votou Em Mim na voz do ator e humorista Zé Trindade.
Na linha de Trindade, Waldomiro Lobo lançou O Candidato (Parte I e Parte II).
O teatro e os discos do desbocado Costinha, de batismo Lírio Mário da Costa (1923-1995), eram todos recheados de palavrinhas e muitos palavrões do mar agitado da sacanagem, diferentemente do que fazia seu colega de palco Zé Trindade (Milton da Silva Bittencourt; 1915-1990).
Diante de Costinha, Trindade era um santo, como Walter D'Ávila (1911-1996), com aquela carinha de besta...
No formato de LP, o satírico menestrel Juca Chaves deitou e rolou, falando/cantando política. Quem não se lembra de Presidente Bossa Nova, hein?
Como Juca, o humorista acreano José Vasconcelos (1926-2011) também deitou e rolou no campo político. Impagável o texto que interpreta intitulado Lançamento de Candidatura.
Chico Anísio e Jô Soares fizeram enorme sucesso com os personagens Salomé e o general argentino Gutiérrez.
Quem não se lembra da Salomé, do programa Chico City?
E quem não se lembra também do general Gutiérrez, que no Brasil tentava passar-se por baiano.
O escritor gaúcho Fernando Veríssimo também marcou bonito ao criar a Velhinha de Taubaté, que era a única pessoa que ainda acreditava no governo. Morreu diante da televisão, ao receber notícia sobre o Mensalão. Decepcionada, colapsou.
Os personagens políticos da vida real continuam pairando no imaginário popular, os mais frequentes são Getúlio, Juscelino, Jânio e Lula. Há muitas músicas compostas em louvor à Lula e uma ou outra "dedicada" a José Sarney e Collor.
São muitas as músicas de protesto. Chico Buarque e Vandré são os nomes mais lembrados nesse campo, mas o autor de Pra não Dizer que Não Falei de Flores não aceita essa classificação. "Não sou cantor de protesto coisa nenhuma, nunca protestei contra nada", disse ele um dia a este escriba de plantão.
É isso e a história segue.Quem não se lembra de Arueira? Clique:
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Intriga, suspense, confusão, mentira, emoção atentado contra a ordem e a lei e otras cositas mas . O cantor, compositor e instrumentista To...
























