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quarta-feira, 16 de agosto de 2023

MILLÔR, 100 ANOS

Millôr no traço de Fausto Bergocce

É certo que a população de um país que ri, vive melhor. E já não rimos como outrora, pois são muitas as desgraças e tragédias que ocorrem no nosso dia a dia. Pena. Muita gente boa, de bom traço e graça hilários, já nos deu adeuzinho e foi para um lugar que só Deus sabe.
Assim pensando, de repente, lembro de figuras incríveis que amenizaram momentaneamente nossas dores e mágoas com seus remédios de nos fazer rir.
Lembro-me de José Vasconcelos, Zé Fidélis, Chico Anysio, Arnaud Rodrigues e Jô Soares. Mas houve outros, muitos outros: Paulo Silvino, Bussunda, Juca Chaves, Rony Cócegas e Paulo Gustavo.
E Millôr Fernandes, hein?
Millôr Fernandes foi um dos mais completos intelectuais do Brasil. Fez tudo de bom no tocante ao intelecto, entre 16 de agosto de 1923 e 27 de março de 2012. Era carioca de Ipanema. Começou a carreira ainda meio moleque na extinta revista A Cigarra, em 1939; e daí sentou seu talento na famosa O Cruzeiro, do conglomerado do imperador da imprensa Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello. Seu primeiro pseudônimo artístico foi Vão Gôgo (ao lado). 
Não custa lembrar, e é sempre bom lembrar, que Millôr desenhava e fazia graça de tudo, hora pelo caminho filosófico e coisa e tal. Escreveu belas peças e traduziu vários livros. Deixou uma obra bonita e gigantesca. Nessa obra, impossível esquecer suas milhares e milhares de frases definitivas sobre tudo. Aqui, uma dúzia delas:
  • Em agosto, nas noites de frio, a pobreza entra pelos buracos da roupa.
  • A diferença entre a galinha e o político é que o político cacareja e não bota o ovo.
  • Em política nada se perde e nada se transforma - tudo se corrompe.
  • Além de ir pro inferno só tenho medo de uma coisa: juros.
  • Brasil: um filme pornô com trilha de Bossa Nova.
  • Ainda está pra nascer o erudito que se contenha em saber só o que sabe.
  • Quando começou a comprar almas, o diabo inventou a sociedade de consumo.
  • Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados.
  • Está bem. Deus é brasileiro. Mas pra defender o Brasil de tanta corrupção só colocando Deus no gol.
  • Aviso aos navegantes: Em Brasília ainda tem dois deputados do baixo clero sem patrocinador.
  • Além de transformarem o Brasil num cassino, viciaram a roleta.
  • Canalhas melhoram com o passar do tempo (ficam mais canalhas).
O cartunista Fausto e a torcida do Corinthians concordam comigo.
O cartunista lembra a vez que assistiu embevecido a um debate entre Millôr e o publicitário Carlito Maia, no Salão de Humor de Piracicaba. "Foi incrível! Lá pras tantas, lembro que Carlito caiu na besteira de dizer que era da Globo. Todo mundo caiu na risada e o chamou de bozó".
Bozó foi o personagem inventado por Chico Anysio, que fez muito sucesso na TV Globo.
O debate aqui referido foi mediado pelo mestre maranhense Fortuna. Aliás, foi Fortuna quem me levou uma vez à Piracicaba para uma tarde de autógrafos do livro O Coronel e a Borboleta e Outras Histórias Nordestinas. Capa e edição dele. Foi no Salão e lá reencontrei o craque Jaguar, do velho Pasquim de saudosa memória. Publiquei muitas coisas nesse heroico hebdomadário carioca.
E por falar nesse povo todo aí, bonito de traço e ação, não dá pra esquecer do querido Paulo Caruso.
Um dia pedi ao Paulo que me mandasse alguma foto em que se achasse ao lado do Millôr. Fez isso no dia 1º de março de 2019. Ele, por e-mail:
Assis amigo véio,
aqui uma legenda de quem está na foto,
de cima pra baixo, da esquerda pra direita:
Chico, Jaguar e Claudius; abaixo: Cláudio Paiva, Eu, Reinaldo, Ziraldo e Millôr; em pé encostado na parede o Amorim;
em baixo, à frente rabiscando, o velho Nássara, logo atrás o Hubert, Nani ajoelhado e Mariano o bigodudo...
baitabraço
Paulo Caruso

terça-feira, 15 de agosto de 2023

O AMUADO REIZIM DE PAPEL

Não tem jeito, sem nenhum constrangimento tiro o chapéu pra Lula. Faço isso não à toa.
Ouvi no rádio mais uma boa aula de Lula sobre política, como fazer política. Não se faz política pra si próprio, olhando e alisando o próprio umbigo. Política se faz com vistas à melhoria das pessoas. É isso o que ele diz, e disse assim: 
O dado concreto é que o PT tem 70 votos. A esquerda tem 136 votos. Para aprovar alguma coisa precisa ter 257 votos. Significa que você precisa conversar. Tem gente que fala: 'vai para a rua!, vai para rua!'. Vai para a rua fazer o quê? Tem que conversar com quem tem voto. Quem é que vai votar? Quem são os partidos políticos que vão digitar o número lá. São os partidos políticos que ganharam.
Depois disso, Lula disse mais: 
Conversar com Lira é uma obrigação minha, ele é presidente da Câmara.
Pois é, é ou não é para aplaudir uma fala dessa?
À propósito, devo também tirar o chapéu para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Numa bela e consistente entrevista que Haddad deu ao jornalista Reinaldo Azevedo, titular do programa O É das Coisas (Rádio Bandeirantes) e do podcast Reconversa, ouvem-se loas e suaves críticas ao todo poderoso rei de papel Arthur Lira (foto ao lado), presidente "universal" da Câmara dos Deputados tupiniquim. O reizinho ficou irado, bufando. Disse: 
É equivocado pressupor que a formação de consensos em temáticas sensíveis revela a concentração de poder na figura de quem quer que seja.
E amuado, prosseguiu dando popa:
A formação de maioria política é feita com credibilidade e diálogo permanente com os líderes partidários e os integrantes da Casa.
O ministro disse nada demais que pudesse irritar uma freira, quanto mais um puta velho feito Lira acostumado a receber e a dar porrada até em mulher. Mas essa é outra história. Disse Haddad:
A Câmara está com um poder muito grande, e ela não pode usar esse poder para humilhar o Senado e o Executivo.
Estão vendo? Não tem nada demais. É fato.
Sabem o que eu acho?
Eu acho que o Lira se acha muito mais do que é, na realidade.
Baixa a bola, Lira!
Bom, tenho que tirar o chapéu também para o coleguinha Reinaldo Azevedo. O cabra é bom de papo político e filosófico. E cheio de graça. É uma delícia ouví-lo na Band.

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

HISTÓRIA: CIDADANIA E BRUCUTUS

A morte ontem 13 do historiador e sociólogo mineiro José Murilo de Carvalho, aos 83 anos de idade, me fez lembrar a importância da Cidadania, do ser cidadão, por estas e outras plagas mundo afora.
A direita brucutu está pondo suas garras fascistas de fora até mesmo na vizinha Argentina, onde grande parte dos jovens estão tomando partido a favor de Javier Milei nas primárias que escolherão os candidatos à presidência no próximo ano.
Além da Argentina, os brucutus estão em ascensão na Alemanha de Hitler, na Itália de Mussolini, no Chile de Franco e nos Países Baixos assim hoje chamada a velha Holanda. 
Na França a Marie Le Pen pode substituir Macron.
Na Turquia, Erdogan foi reeleito.
Na Grécia, o partido Nova Democracia fatura as eleições legislativas e fica no topo do poder, representado pelo primeiro ministro Kyriakos Mitsotakis.
Pois bem, os brasileiros de bom senso acabam de chutar para o esgoto político Bolsonaro e sua tchurma de lambe botas mais próxima. À propósito, parte do grupelho que vê em Bolsonaro um "deus", aos poucos está ajustando contas com a polícia e daí com a Justiça.
São inúmeros os processos que apuram as safadezas de Bolsonaro e sua gangue de desocupados verde-oliva, nos últimos quatro anos. No balaio há processos sobre desvio de grana em várias instâncias do governo, entre as quais o Ministério da Saúde. E agora tem o caso das joias das Arábias.
Será essa uma versão nova, às avessas, das Mil e uma Noites?
José Murilo de Carvalho, vítima de Covid, foi um dos grandes intelectuais brasileiros. Era membro da Academia Brasileira de Letras, ABL, onde ocupou a cadeira nº5. Deixou uma obra significativa em duas dezenas de livros. Entre esses livros Forças Armadas e Política no Brasil e o pequeno, mas significativo, Cidadania no Brasil: O Longo Caminho.
O livro sobre as Forças Armadas trata do ciclo militar no Brasil, entre 64 e 85, e suas consequências políticas refletidas ainda na atualidade.
Cidadania no Brasil tem poucas páginas e quatro capítulos cuja leitura nos prende como a um ímã. São todos ótimos, mas destaco A Cidadania Após a Redemocratização. Esse título me remeteu a um pequeno poema que fiz e que diz assim:

Diógenes foi um craque
Do escracho e do Saber
Viveu antes de Cristo
Tentando só entender
Por que se rouba tanto
E se rouba até morrer

Procurar um ser honesto
Em plena luz do dia
Com uma lanterna acesa
Como Diógenes fazia
É coisa para quem sabe
O que é cidadania

Cidadania se faz
É com Democracia
Muita força de vontade
E muita teimosia
Sem essas três "coisinhas"
Não se faz Cidadania

domingo, 13 de agosto de 2023

EU E MEUS BOTÕES (66)

 Olá pessoal, boa noite! Eu fui dizendo enquanto me desculpava pelo horário. E o pessoal, meus queridos botões: "Boa noite, chefe!", disseram ao mesmo tempo como se tivessem ensaiado. Agradeci. Aproveitei pra dizer que fora vítima de uma tentativa de assalto enquanto dirigia meu carro. Barrica: "É, a coisa não está fácil! É assalto e tentativa de assalto em todo canto, nas esquinas, faróis e igrejas. Já tem até assaltante assaltando assaltante ".

Sentado num tamborete, ali pelos fundos da sala, Lampa cutucava as unhas com seu inseparável punhalzinho e vez por outra levantava os olhos de modo desconfiado. A cena não passou desapercebida pelo poeta de plantão Zilidoro, que discretamente manuseava seu celular. 

Antes que eu voltasse a falar, Zoião abriu o bocão pra chamar Bolsonaro de tudo quanto é coisa que não presta. Barrica tentou acalmá-lo: "Deixe disso, Zoião! Você tá metendo o dedo em buraco de tatu e dentro tem cobras das mais peçonhentas". 

O irmão de Barrica, Bil,  pediu a palavra: "Eu acho que Zoião tá certo e não tá. Tá certo quando diz que Bolsonaro é feladaputa, ladrão e tal. Está errado quando diz isso sem apresentar provas". 

A interrupção de Bil provocou burburinho. Zé, Mané e até Zilidoro disseram atropelando palavras que Zoião não precisava apresentar prova nenhuma, pois as provas da bandalheira bolsonarista estão sendo apresentadas dia a dia pela PF. Do seu canto, numa rabiada de olho, Lampa murmurou entredentes: "Eu ainda vou pegar esses cabras e seus cupinchas. Vou pegar e sangrar. Do meu punhazim esses felas não escapam.".

Zilidoro, vejam só! Puxou palmas pra fala de Lampa.

Vocês endoidaram? Fazer justiça com as próprias mãos é crime, como crime é incentivar pessoas a praticarem crimes. 

Zoião, olhava fixamente em mim. Mané fazia o mesmo, enquanto Zé pedia licença pra mostrar jornal no qual se lia notícia de bala perdida matando criança de 13 anos numa favela do Rio. Novamente um zum zum zum toma conta do ambiente dificultando o entendimento entre todos. Falei: de fato, um crime absurdo esse que levou à morte mais um inocente no Rio. É preciso, e concordo com todos aqui, que os responsáveis por isso sejam identificados, presos e punidos. A violência está tomando rumos inaceitáveis, inacreditáveis, no nosso País.

"Seu Assis, sugiro mudar o rumo dessa conversa e batermos palmas para a vida", disse levantando-se da cadeira o bom poeta Zilidoro, acrescentando: "Hoje tem uma pessoa muito importante fazendo aniversário. Essa pessoa tem por nome Lindalva, dona Lindalva, professora de grandes conhecimentos".

Surpreendi-me. Perguntei a Zilidoro se conhecia dona Lindalva. E ele respondeu com a maior tranquilidade: "Dona Lindalva é mãe de uma menina chamada Cecília, Ceci, amiga de uma filha minha".

Esse mundo é mesmo pequeno, eu disse. Ceci é irmã de Anna, Anninha. E essa é a história. Aliás,  Ceci fez 19 anos no último dia 10.

Enquanto Zilidoro falava e eu concluía, Bil e Barrica arrumaram como num passe de mágica uns comes e bebes pra deglutirmos em homenagem à aniversariante. Tim tim!

sábado, 12 de agosto de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (38)

 

O que separa a licenciosidade da pornografia e sexo explícito?
Em 2005, o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa (1937-2023) esteve em Berlim,  Alemanha, apresentando a peça Guerra no Sertão. Baseada no livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, na história adaptada por Corrêa aparecem personagens vivenciando o dia a dia da região de Canudos. E aí tem putaria, sexo e tal.
Boa parte da imprensa alemã não gostou do que viu. O diário Bild, em matéria de página inteira, pergunta o que os problemas dos brasileiros têm a ver com orgias. O diretor da peça respondeu:

“O desejo da orgia vive em cada cultura e em cada pessoa. O teatro pode contribuir para libertar esse desejo”.
Disse mais:
“Trata-se do ímpeto de liberdade das sociedades isoladas. Mas eu vejo isso só do ponto de vista político, econômico ou militar. Trata-se da libertação das origens humanas que isolamos em nós”.

As tragédias marcam, comumente, os roteiros operísticos. Sempre foi assim, mas também foi assim no campo do erotismo, da safadeza. Wagner (1813-1883) usou e abusou de personagens eróticos na ópera Parsifal (1882).

Mozart (1756-1791), em Don Giovanni (1787), não mede palavras pra pôr na boca de seus personagens. É um depravado, sexualmente incansável, o personagem título da obra. Seu fiel criado, Leporello, a certa altura diz:
— Senhora, este é o catálogo das mulheres que o meu patrão amou... Na Itália, seiscentas e quarenta, na Alemanha, duzentas e trinta e uma, cem na França, noventa e uma na Turquia, mas na Espanha já são mil e três. Entre elas, camponesas, criadas, citadinas, condessas, baronesas, marquesas e princesas. Há mulheres de todas as classes, de todos os tipos e idades [...] Da loura costuma elogiar a gentileza, da morena a constância, da grisalha a doçura. No inverno prefere a gordinha, no verão a mais magrinha. A alta é majestosa, a pequena é encantadora. As velhas, conquista só pelo prazer de pôr na lista. A sua paixão predominante é pela jovem principiante. Não lhe interessa que seja rica, feia ou bela, pois desde que use saias, já se sabe o que ele faz…
Verdi (1813-1901), o grande Verdi, também ocupou espaço no mundo operístico com a temática em pauta. Em Rigoletto, tem uma hora em que o personagem Duque de Mântua diz: “esta ou aquela, para mim são todas iguais [...] as mulheres são volúveis como plumas ao vento, mudam de ideia e de pensamento”.
E a Carmen, hein?
Georges Bizet, o autor, optou por uma tragédia.
Muitas revistas em quadrinhos abordam narrativas operísticas e não operísticas no Brasil e mundo afora.

Fotos e reproduções por Flor Maria e Anna da Hora.

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

E O PETRÓLEO DA AMAZÔNIA, HEIN?

Gostei da fala do Lula ontem 9 em entrevista coletiva, em Belém, PA, quando cobrou grana dos países ricos prometida para o Fundo Amazônico. Disse: 

"A Amazônia não é só a copa das árvores, não é só os rios. Lá moram milhões de amazônidas que querem viver bem, trabalhar, comer, ter aquilo que produz, além de querer preservar, não como santuário, mas preservar como uma fonte de aprendizado da ciência do mundo inteiro para que a gente possa encontrar um jeito de preservar ganhando dinheiro, para o povo possa viver dignamente".

A fala de Lula foi feita após o encerramento da reunião da Cúpula da Amazônia, que resultou praticamente em nada. Nem a pauta sobre possível exploração de petróleo na margem equatorial brasileira foi posta à discussão. Frustração geral. O que acho disso?
Acho que quanto mais petróleo for encontrado nos domínios da nossa terra, melhor. Não basta uma grana daqui e dali vir pra manter de pé a floresta Amazônica. Como diz o Lula, "A Amazônia não é só a copa das árvores, não é só os rios". É muito mais. A pobreza grassa na região, incluindo a fome. E como uma coisa puxa outra, lembrei de um livro de extrema importância publicado em 1937 pelo escritor paulista Monteiro Lobato.
A história contada por Lobato no livro O Poço do Visconde começa com Pedrinho, Narizinho, Emília, Dona Benta e Tia Anastácia assistindo aula de Geologia dada pelo "professor" Visconde de Sabugosa.
Depois de falar sobre matérias orgânicas, o Visconde discorre a respeito da erosão que corrói tudo que pode corroer. Ele:

"... A erosão desagrega as rochas e por meio dos rios as conduz para o mar. Por isso os continentes estão sempre a diminuir de volume e o fundo do mar está sempre a crescer de altura. Os sábios calculam, por exemplo, que cada mil toneladas de material pulverizado extraído do continente, de modo que em cada dez mil anos o tal golfo fica mais raso um metro. No fim de 7 milhões de anos estará completamente aterrado. Aqui no Brasil temos o Amazonas que, segundo os cálculos de Euclides da Cunha, leva para o mar 3 milhões de metros cúbicos de detritos por dia, ou seja quase dois quilômetros cúbicos por ano. Mas esses detritos não se acumulam logo adiante do despejo do Amazonas, por causa da velocidade da correnteza na foz. São levados mar adentro até alcançarem a célebre corrente do Golfo do México".

Euclides da Cunha, não custa lembrar, foi jornalista, engenheiro, poeta e geógrafo. Como jornalista cobriu a Guerra de Canudos para o jornal O Estado de S.Paulo. É dele o livro Os Sertões, cuja primeira parte é uma verdadeira aula de geologia.
Bom, voltemos ao Visconde e suas aulas aos viventes do Sítio do Pica-pau Amarelo. 
Aqui e ali interrompido por Pedrinho, Narizinho e Emília, sobre se havia petróleo no Brasil ao tempo em que o livro foi publicado, o Visconde responde:

"Não existem perfurações, isso sim. Petróleo o Brasil tem para abastecer o mundo inteiro durante séculos. Há sinais de petróleo por toda parte — em Alagoas, no Maranhão, em toda a costa nordestina, no Amazonas, no Pará, em São Paulo, no Paraná, em Santa Catarina, no Rio Grande, em Mato Grosso, em Goiás. A superfície de todos esses Estados está cheia dos mesmos indícios de petróleo que levaram as repúblicas vizinhas a perfurar e a tirá-lo aos milhões de barris. Os mesmíssimos sinais".

O que é melhor: morrer com o corpo e a mente cheios de doença, de fome, ou puro e simplesmente respirando o ar puro?
Monteiro Lobato foi o primeiro brasileiro a lutar pela localização e extração de petróleo nos nossos domínios. É dele a frase: "O petróleo é nosso". Por colocar em pauta essa questão, foi preso por Getúlio. Curiosidade: no dia 3 de outubro de 1953, Getúlio Vargas criou a Petrobrás (música abaixo).
É claro que não é importante para os grandes países produtores de petróleo e derivados ter o Brasil lado a lado. É natural que temam a concorrência e, de tabela, não queiram que o petróleo localizado na margem equatorial brasileira seja explorado.
E o poço do visconde, deu resultado?
Ao fim do livro, Pedrinho exibe uma placa com a data 9 de agosto de 1938. O que significa isso?
Ah! Sim: Lula arrancou do baú a expressão "amazônidas". Você sabe o que é isso? E você sabe também o que é manauara? E soteropolitano?
Bom, eu sou paraibano de João Pessoa.


quarta-feira, 9 de agosto de 2023

CÚPULA IMPOSITIVA


A reunião denominada Cúpula da Amazônia, iniciada ontem 8, deverá terminar hoje com muitas indefinições.
Os governantes dos oito países da Amazônia Legal, reunidos no Pará, chegaram até aqui sem nenhuma conclusão unânime. Nem mesmo as pretensões de Lula de desmatamento zero na região. Essa meta, segundo o presidente brasileiro, deverá ou deveria ser alcançada até 2030.
As leis dos países participantes da Cúpula são diferentes entre si, daí as indefinições observadas na Carta de Belém, que já foi divulgada.
Grilagem e latifúndios são problemas antigos do Brasil.
A região Norte, onde se acha a Amazônia é no rigor a mais pobre do País. Seus habitantes, incluindo os indígenas, sofrem de todos os males provocados pela ganância do homem branco. Mas, claro, a pobreza que paira no Brasil é grande. 
No campo da pobreza, pobreza de faltar tudo na mesa, se estende aos nove Estados nordestinos.
Doenças e fome atacam o Brasil em todos os flancos.
De um lado a seca, de outro enchentes.
São históricas as secas no Brasil, principalmente no Norte e no Nordeste.
Em 1982, o Brasil se uniu para ajudar as vítimas das enchentes na Capital pernambucana. A ajuda veio de todo canto, até dos artistas da nossa música. Chico Buarque e Fagner lideraram esse movimento, que resultou num disco com duas faixas vendido em benefício das vítimas das chuvas daquele ano. Uma das faixas daquele disco, Seca d'Água, levou a assinatura do poeta Patativa do Assaré.
Patativa, de batismo Antônio Gonçalves da Silva, foi um dos poetas mais importantes do País. Deixou uma obra muito bonita, recheada de clássicos como A Triste Partida, A Morte de Nanã, Vaca Estrela e Boi Fubá e Eu Quero, que diz:
 
Quero um chefe brasileiro
Fiel, firme e justiceiro
Capaz de nos proteger
Que do campo até à rua
O povo todo possua
O direito de viver

Quero paz e liberdade
Sossego e fraternidade
Na nossa pátria natal
Desde a cidade ao deserto
Quero o operário liberto
Da exploração patronal...
 
Patativa do Assaré, sobre quem escrevi um livro biográfico (O Poeta do Povo), viveu longa vida num pedaço de chão no qual plantava para sobreviver em Assaré, CE. Perdeu a visão ainda criança, em 1913. Dez anos depois, em 1923, escreveu seus primeiros versos tendo como tema as festas juninas. Em 1956 publicou seu primeiro livro, Inspiração Nordestina. Em 1973, com 64 anos de idade, foi atropelado por um automóvel e quase morreu. O resto é história.
Os países que fazem parte da Amazônia Legal são, além do Brasil, Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. O presidente ditador da Venezuela fugiu da reunião de Belém.

terça-feira, 8 de agosto de 2023

QUESTÕES INDÍGENAS EM PAUTA

Com a presença de representantes de vários países signatários do Tratado de Cooperação Amazônica foi oficialmente aberta pelo presidente Lula a Cúpula da Amazônia. Os países são Brasil, Bolívia, Colômbia, Guiana, Equador, Peru, Suriname e Venezuela.
Essa reunião iniciada hoje e prevista para terminar amanhã 9, no Pará, deverá ter efeito benéfico aos moradores de toda a região.
Ontem 7 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, anunciou uma boa nova: a população brasileira de indígenas quase dobrou em 2022, em relação à pesquisa de 2010. Isso quer dizer que foi de 896.917 para 1.693.535 habitantes.
E como a coisa puxa outra, acabo de lembrar uma ou outra coisinha referente ao mês de agosto.
Em 1943, Luís da Câmara Cascudo iniciou pesquisa sobre o que nós, brasileiros, comemos.
Os primeiros alimentos que ingerimos desde tempos de antanho vieram do cardápio indígena, como macaxeira, mandioca, inhame e cará.
Macaxeira é uma raiz deliciosíssima conhecida também em algumas partes do País como aipim e mandioca; mas mandioca é a raiz própria para a fabricação de farinha. Cascudo:
"Na geografia da alimentação brasileira o 'complexo' da mandioca, farinha, gomas, tapioca, polvilhos, constitui uma permanente para 95% dos oitenta milhões nacionais, em todas as direções demográficas. Acompanha o churrasco gaúcho como a caça no Brasil Central e no mundo amazônico. Para o brasileiro do povo 'comer sem farinha não é comer!'"
As pesquisas iniciadas por Cascudo ficaram praticamente suspensas por alguns anos, até que num dia de agosto de 1963 Cascudo recebeu em sua casa na Mathias Aires, Natal, a visita do poderoso Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello. Conversa vai, conversa vem, Chatô botou fogo em Cascudo fazendo-o dar prosseguimento às pesquisas que iniciara 20 anos antes. Em 1967, enfim, saiu pela Editora Nacional, de São Paulo, o livro História da Alimentação no Brasil, dividido em dois volumes.
Na pauta da Cúpula da Amazônia se acham assuntos de extrema importância, como o fim do desmatamento na região e a possível exploração de petróleo pela Petrobrás na Bacia da Foz do Amazonas.
Esse último tema está deixando os defensores do Meio Ambiente, como a ministra Marina Silva, de cabelo em pé.


segunda-feira, 7 de agosto de 2023

SIM, NÃO DEIXEMOS O SAMBA MORRER!

Mais das vezes o acaso nos proporciona surpresas agradáveis, seja a que distância for: perto ou longe.
Eu não estive no voo da Latam que levou passageiros de São Paulo ao Rio de Janeiro domingo 6, ali pelas 18h, e por não ter estado nesse voo, lamento. E lamento por uma razão: Alcione, a Marrom, cantora de quem todos nos orgulhamos, estava nele. O voo atrasou e esse foi o acaso que propiciou aos felizardos passageiros a alegria não anotada em suas agendas. A pedido e sem se fazer de rogada, levantou-se da poltrona sorrindo e soltando a voz bela que Deus lhe deu e ainda firme, cantou.
A cantiga cantada por Alcione foi Não Deixe O Samba Morrer, uma pérola de autoria dos craques Edson Conceição e Aloísio Silva, lançada em 1975 pela própria Alcione no LP A Voz do Samba.
Confira a festa improvisada por Alcione no voo da Latam.

domingo, 6 de agosto de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (37)

E o palavrão, hein?
Esse tem em todo canto também, como todas as questões relacionadas a sexo.
No começo dos anos de 1970, o pernambucano Mário Souto Maior teve censurado pelo governo militar (1964-1985) o livro Dicionário do Palavrão e Termos Afins.
Além do Brasil, outros países têm livros similares ao que escreveu e publicou Souto Maior. O da Alemanha tem por título Sex im Volksmund. Der obszöne Wortschatz der Deutschen, de Ernest Borneman. Em tradução livre, para o português: Sexo no vernáculo, o vocabulário obsceno dos alemães.
Curiosidade: a maior palavra em português não é palavrão, mas tem 20 sílabas e 46 letras. PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO, PORRA!
O menor palavrão na língua portuguesa é cu, que curiosamente na tabela periódica corresponde ao elemento Cobre. Pois, pois.
Pelo menos por estas plagas ocidentais, latinas e tal, passou batida a informação de que a “operação” mortífera acionada por Putin contra a Ucrânia começou com um palavrão, seguido de uma bela estirada de dedo: “Vai se foder!”.
O palavrão saiu da boca de um soldado ucraniano depois que os russos ordenaram a rendição, no dia 24 de fevereiro de 2022.
O palavrão, “vai se fuder”, virou um desabafo do povo ucraniano estampado em camisetas, bandeirolas, souvenirs e outdoors.
Não custa lembrar que o verbo “foder” é conjugado em todo canto, em todas as línguas. Até o escritor colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014), num dos seus livros, Cem Anos de Solidão, põe um personagem, acho que Alfonso, pra dizer: “O mundo terá acabado de se foder no dia em que os homens viajarem de primeira classe e a literatura no vagão de carga”.
No famoso livro de Gabo há guerras, brigas, violências de todo tipo; muito sexo, muita puta, bordéis a dar com pau, muitas palavrinhas como “merda” e palavrões aqui e acolá. E até broxa.
É um livro e tanto Cem Anos de Solidão.

sábado, 5 de agosto de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (36)

Pietro Aretino
A obra reunida do poeta maldito Gregório de Matos e Guerra começou a ser publicada em livro no Brasil somente a partir de 1923.
Parecido com Gregório, na temática e explicitação nos textos, foi o italiano renascentista Pietro Aretino (1492-1556). Era protegido por papas, reis e príncipes do seu tempo. Aretino, segundo dizem, tinha de aluguel sua caneta. Era rápido, que nem um pistoleiro. Era a favor de quem pagasse mais e aí, soltava a língua. Exemplo:

Estes nossos sonetos do caralho,
Que falam só de cu, caralho, cona,
e feitos a caralho, a cu, a cona,
Semelham vossas caras de caralho..

Trouxestes cá, poetas do caralho,
As armas para pôr em cu e cona.
Sois feitos a caralho, a cu, a cona,
Produtos de grã cona e gra caralho.

E se furor, oh gente do caralho,
Vos falta, ficareis no pica-cona,
 Como acontece amiúde co'o caralho.

Aqui termino esta questão da cona
P'ra não entrar no bando do caralho,
E, caralho, vos deixo em cu e cona.

Quem perversões tenciona
Aqui nestas asneiras logo as lê.
Que mau ano e mau tempo Deus lhe dê.


Muitas das coisas que Aretino escrevia eram no formato de soneto, no caso criado por Giacomo da Lentini (1210-1260). O soneto criado por Lentini era formado por dois quartetos e três tercetos. Esse tipo de soneto foi revisto e transformado por Francesco Petrarca (1304-1374), que é o que conhecemos hoje: formado por dois quartetos e dois tercetos, num total de 14 versos decassílabos.
Aretino e Gregório de Matos morreram praticamente com a mesma idade, 58 anos. Detalhe: Gregório foi censurado em vida e Aretino, depois que morreu.Aretino morreu rico, riquíssimo, e Gregório morreu pobrezinho de marré marré numa casa praticamente abandonado, em Recife, PE, acreditando piamente na existência de Deus.
William Shakespeare (1564-1616) também deixou uma versão própria de soneto. No caso formado por 3 quartetos e um dístico de dois versos, decassílabos (abab bcbc cdcd efef gg).
Com finesse e sutileza, o bem comportado Shakespeare abordou a homosexualidade pelo menos uma vez em uma de suas peças: Os Dois Nobres Parentes. Os personagens dessa peça, Palamon e Arcite, encontram na cadeia onde foram atirados, tempo para passar bons momentos entre si. Carícia aqui, carícia ali e tal.
A propósito, não custa lembrar, toda a obra shakespeariana tem por base a cultura popular da terra em que o autor nasceu.

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

E O REI DOM SEBASTIÃO VEM OU NÃO VEM?


Estou ouvindo sem parar, num gosto danado, a história inventada pelo paraibano Ariano Suassuna intitulada O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. É uma história arretada, narrada em primeira pessoa por um certo Dom Pedro Dinis Quaderna.
A história de Suassuna é fantástica em todos os sentidos, embora entremeada por fatos e personagens reais da história do Brasil. Vultos históricos da cidade do Sertão são aqui e ali lembrados como Jesuíno Brilhante, Lampião e Maria Bonita; o escritor José de Alencar e poetas do naipe de Gonçalvez Dias. Políticos também entram na história: João Pessoa e Getúlio Vargas, entre outros.
Lá pras tantas, ali pela metade do livro que tem umas 800 páginas, o narrador faz lembrança de príncipes e reis como Dom Sebastião, O Desejável.
Dom Sebastião tombou, segundo a lenda, na batalha de Alcácer Quibir. Foi batalha terrível, travada entre cristãos e mouros no norte de Marrocos. Os poucos cristãos que sobraram foram presos, tornados troféus e como tais devolvidos a Portugal a peso de ouro.
O sebastianismo, que aportou no Brasil num ano qualquer escondido pela história, foi gerado com o sumiço do rei Dom Sebastião. Há quem o espere até hoje.
A Batalha de Alcácer Quibir foi travada no dia 4 de agosto de 1578.
 

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

TINHORÃO, SAUDADE

 
Nessa nossa terra tem
Xote, xamego e canção
Frevo e maracatu
Samba, batuque e baião
E poeta popular
Tirando verso do chão.

É uma terra bonita
Que dá vida, dá lição
Ensinando a sua gente
A ter mais educação
A ler para entender
O Brasil de Tinhorão

Esse mestre logo pôs
A cultura em discussão
Pra depressa entender
Sua origem e formação
Ora juntos aplaudamos
J.R.Tinhorão
(O Brasil de Tinhorão, Assis Angelo

O Brasil é uma casa enorme, cheia de gente e coisas bonitas. Aqui e ali tem o que não presta, claro. Mas eu quero falar é do que presta, de gente sabida e contributiva para o engrandecimento dessa casa Brasil.
Um dos grandes nomes que, de certo modo, descobriram o Brasil nos seus detalhes e belezas foi o paulista de Santos José Ramos Tinhorão.
Tinhorão marcou profundamente a história do Brasil, a partir do momento que decidiu enveredar pelo Jornalismo e pelos pedregosos caminhos da história e da nossa cultura popular. Foi o maior de todos os historiadores dessa matéria. Deixou uma obra rica constituída por uma trintena de livros, o primeiro publicado de modo independente em fevereiro de 1966, cujo título dado foi Música Popular: Um Tema em Debate.
 J.R. Tinhorão, como costumava assinar, era um cara que estava sempre antenado com o passado e com o presente. O passado ele remexeu e de lá tirou o quanto pôde para o esclarecimento da nossa história. Fazia o mesmo com o presente, sempre a observar tudo. Nunca deixou de pôr o bedelho onde devia, esclarecendo, opinando.
Eu me dava muito com Tinhorão. Tornou-se meu amigo. Nos frequentávamos. Ele mais a minha casa do que eu a dele. Sempre me tirou dúvidas que eu tinha a respeito da história, especialmente referente à cultura musical brasileira. Opinou sobre discos que gravei e livros que escrevi. Um dia o convidei para participar do programa São Paulo Capital Nordeste, que durante anos produzi e apresentei, sempre ao vivo, na Rádio Capital AM 1040. Ele foi e foi uma festa. Dias depois, no jornal carioca A Nova Democracia, ele escreveu artigo dizendo o que achara do programa. Leia: Ainda não está tudo dominado
Bom, foi num dia como hoje 3 de agosto que José Ramos Tinhorão fechou os olhos e partiu para a Eternidade.
Saudade.

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

CADEIA PARA OS MACHÕES

Finalmente aconteceu: o STF jogou na lata do lixo argumento que possibilitava a absolvição de acusados por espancar e até matar mulheres com quem se casavam.
Ao se casar, homens podiam fazer com mulheres o que bem desejassem. Isso desde 1605, ainda nos tempos de Brasil Colônia. Essa loucura durou até 1830. Mas não findou de vez. A tese de "legítima defesa" levava o criminoso a sair sorrindo dos julgamentos a que eventualmente eram levados.
Muitos espancamentos e assassinatos foram praticados por machões de Norte a Sul do País. São milhares os casos. Mas isso agora acabou, definitivamente. 
O STF levou ontem à lata de lixo, por unanimidade, a vergonhosa tese de legítima defesa à honra.
Cresci ouvindo notícia dando conta de que poderosos batiam e matavam suas mulheres para "lavar a honra com sangue". Sangue das vítimas, claro.
O cantor Lindomar Castilho, preso em flagrante por matar a mulher, foi defendido por seus advogados que usaram a tese de que o acusado "matou por amor".
No seu voto, a ministra Rosa Weber disse:
"Pela legislação civil, as mulheres perdiam a capacidade civil plena ao casarem, cabendo ao marido administrar tanto os bens do casal como os particulares da esposa. Somente mediante autorização do marido, as mulheres poderiam exercer a atividade profissional".
Os feminicídios continuam ocorrendo a cada quatro horas no Brasil.

LEIA MAIS: O MACHISMO CONTINUA FAZENDO VÍTIMAS • LUGAR DE COVARDE É NA CADEIA • LUGAR DE MULHER É NO MUNDO

HÁ 34 MORRIA O REI DO BAIÃO

Aí na foto Assis e Gonzaga
Luiz Gonzaga se acha na eternidade desde o dia 2 de agosto de 1989. Quer dizer: faz hoje 34 anos que Gonzaga partiu para nunca mais voltar ao convívio terreno. Enquanto conosco esteve, o Rei do Baião nos deu todo tipo de alegria, principalmente no campo musical.
A discografia de Luiz Gonzaga ultrapassa 600 músicas gravadas por ele, pouco mais de 50 dessas de sua autoria, outras em parcerias e mais de 300 de autores diversos.
Quer saber mais sobre o pernambucano Luiz Gonzaga? Clique:



AINDA LUIZ GONZAGA

Eu conheci Luiz Gonzaga em 1978, quando o entrevistei para o suplemento dominical da Folha de S.Paulo, o Folhetim. Fiz outras entrevistas com ele e até uma música em parceria com o craque Oswaldinho do Acordeon. Ouça: LUA DO SERTÃO
O tempo passou, e o cantador mineiro Téo Azevedo me convidou a participar do CD Salve Gonzagão, que acabaria por ganhar o prêmio Grammy de Música Regional. Peguei a letra que fiz pra Oswaldinho musicar e Daiane gravar e cá estou a declamar: UM BAIÃOZINHO PARA O REI DO BAIÃO

terça-feira, 1 de agosto de 2023

E SE A LUA CAÍSSE DO CÉU, HEIN?


Hoje é dia de Superlua, Lua Cheia.
São muitos os mitos e lendas que envolvem a Lua.
Há quem jure que a Lua na sua fase Minguante é boa pra fazer regime de emagrecimento e encerrar namoro sem futuro.
A Lua Nova, segundo a crença popular, é boa pra plantar seja lá o que for.
A Lua Crescente, dizem os quase carecas: é boa pra fazer o cabelo crescer.
E a Lua Cheia?
Na Lua Cheia, ali pela meia noite, dá as caras o feioso lobisomem surgido na antiga Grécia. Eita!
E ainda tem o caso do Boto e da Vitória-Régia.
O Boto, como o lobisomem, deixa as águas da Amazônia pontualmente à meia-noite da Lua Cheia para caçar mulheres e engravidá-las.
O caso da Vitória-Régia, é também curioso: na origem, trata-se de uma mulher que apaixonada pela Lua dá nome à planta.
E se a Lua Cheia caísse do céu, hein?
Não precisa ser besta, basta ser sensível.
Hoje 1º quem levantar os olhos em direção ao céu, ali pelas 5h40 da tarde, é bem capaz de ver uma luazona bem grandona, enorme, do tamanho do céu, ou maior ainda, chamada pelos terráqueos cabeçudos de Superlua ou Lua do Esturjão.
Lua do Esturjão é como chamam os admiradores do céu que vivem lá pras bandas do hemisfério norte.
Nos tempos de calças curtas, eu não sabia que existia tal Lua. Ou seja: Superlua, Lua do Esturjão e tal e coisa.
Depois que passei a usar calças compridas e a andar orgulhoso tal e qual todos os jovens dos 60, foi que passei a tomar conhecimento de ocorrências fenomenais que iam até além da minha própria imaginação. Refiro-me às coisas do céu como planeta às centenas, cometas de todo tipo, grandões e luminosos, luas disso e daquilo e tal.
Essa coisa de Lua Cheia caindo pelas tabelas, redondonas e alaranjadas, chamadas de Superlua só tomei conhecimento poucas décadas atrás.
Quando já estava preparado para admirar esse tipo de Lua, perdi o brilho dos olhos e fiquei cego. Pois é, o que fazer?
Bom, sem conseguir enxergar nada pelos olhos resolvi, há uns dez anos, desenvolver por mim próprio capacidade de enxergar o céu e a lua, pessoas e tudo o mais através da memória e dos sentidos de que somos portadores. No meu caso, sem a visão.
Meu amigo, minha amiga: o fenômeno da Superlua hoje 1º poderá ser visto com mais facilidades em Campinas (SP), Goiás (GO), Rio Grande do Sul (RS). Se não der, volva os olhos ao céu amanhã ou depois de amanhã 3.
O dia 2 é o dia que o rei do baião, Luiz Gonzaga, deixou o plano terreno e partiu para o céu. Mas essa é outra história...


LEIA MAIS: E A LUA EM PLENILÚNIO?

segunda-feira, 31 de julho de 2023

SARAMAGO, MULTIPLICADOR DE EMOÇÕES

O livro é uma pérola permeada de poucos personagens. O melhor e o principal deles, Tertuliano Máximo Afonso, é separado e namora sem muito gosto uma jovem bancária chamada Maria da Paz.
Com a primeira mulher, Tertuliano não teve filhos.
A história de O Homem Duplicado, do português José Saramago, começa quando um professor de Matemática sugere que seu amigo, Tertuliano, assista o filme Quem Porfia Perde a Caça. É dos anos 80, por ali. Tempos ainda de filme em VHS. Tertuliano aceita a sugestão e vai à locadora alugar o tal filme. É quando a vida dele dá uma guinada de 180°.
Tertuliano mora sozinho num apartamento, visitado exporadicamente por Maria da Paz. Essa Maria é apaixonadíssima por Tertuliano, que é professor de História de uma escola particular.
Ao assistir Quem Porfia Perde a Caça, o professor Tertuliano se depara com um personagem secundário de nome Daniel Santaclara. E é aí que a porca torce o rabo.
Após descobrir que o ator é cara cuspida e escarrada dele próprio, Tertuliano entra em parafuso e passa a ter um comportamento diferente do que tinha até então. 
Além de Tertuliano, Maria da Paz e Daniel, Saramago enfia no livro a mulher de Daniel, Helena; e a própria mãe do protagonista, Carolina. Dona Carolina, que tem uma presença curta mas significativa no enredo.
E a história segue com Daniel marcando encontro com Tertuliano. Após conhecer Tertuliano, Daniel conta como tudo sucedeu à mulher Helena. Ela pira e toma remédio pra dormir. Chega a um ponto que Daniel procura vingança, passando-se por Tertuliano para ter um encontro íntimo com Maria da Paz. Depois disso, e da noite de amor, os dois morrem num terrível acidente na estrada. Tertuliano fica com Helena e o final não conto, não. Apenas acrescento: é surpreendente, como surpreendente é o diálogo entre Tertuliano e o Senso Comum, "personagem" impagável pelas características como  o autor o apresenta.
O Homem Duplicado foi publicado em 2002.
O Homem Duplicado virou filme dirigido por Denis Villeneuve, lançado em 2014. É classificado como suspense psicológico. É por aí. Existencialismo na parada. A vontade é devorá-lo sem intervalos. Veja o trailer: 

RÁDIO MEC, VOTE: XOTE ERUDITO

Assis e Jorge
Com vistas às comemorações do seu centenário de fundação, a Rádio MEC soltou edital em âmbito nacional e internacional para escolher autores e intérpretes de músicas nos gêneros Erudito e Popular. Serão premiadas músicas instrumentais, infantis e canções. No item canção, o craque Jorge Ribbas e eu compusemos Xote Erudito, que versa sobre uma festa de forró com convidados como Simone de Beauvoir, Platão, Aristótes, Tinhorão, dentre outros. O ritmo escolhido foi o Xote, característico do nosso Nordeste. Veja a letra: 

ARISTÓFANES E ARISTÓTELES, CONVIDARAM SÓCRATES E PLATÃO
PARA IREM A UM FORRÓ, DANÇAR XOTE, XAXADO E BAIÃO
QUANDO LÁ ELES CHEGARAM, ENCONTRARAM SIMONE DE BEAUVOIR
TODA ARRUMADINHA E JÁ PRONTA PRA DANÇAR

O CANTOR ERA BEETHOVEN, O SANFONEIRO, DEBUSSY
NA ZABUMBA O BAMBA BACH E JACKSON, NO PANDEIRO
O CANTOR ERA BEETHOVEN, O SANFONEIRO, DEBUSSY
NA ZABUMBA O BAMBA BACH E JACKSON A PANDEIREAR

ZÉ LIMEIRA E SHOPENHAUER NUM CANTINHO FILOSOFAVAM
ENQUANTO MARX E TINHORÃO     UMA CABROCHA CORTEJAVAM

A FESTA FOI ANIMADA COM ERUDITOS NO SALÃO
CANTANDO, SE DIVERTINDO AO SOM DE LUAR DO SERTÃO
A FESTA FOI ANIMADA COM ERUDITOS NO SALÃO
CANTANDO, SE DIVERTINDO AO SOM DE LUAR DO SERTÃO

Os organizadores desse concurso O Festival Musical já fizeram a primeira seleção. É uma oportunidade, agora, para os internautas escolherem eles próprios a melhor obra. Se valer uma sugestão, lá vai: votem no Xote Erudito.

CONTENDA

O músico Jorge Ribbas ganhou o 1º lugar do concurso musical da Rádio MEC, em 2021, com Pentagonia. Este ano concorre com outra música de características eruditas. Vote: CONTENDA

domingo, 30 de julho de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (35)

Gregório de Matos
Essa coisa de duplo sentido, que às vezes mistura-se com pornografia, como está claro até aqui, dista de tempos remotos.
Os trovadores são figurinhas da poética europeia que desenvolveram suas graças e maledicências em versos em forma de Cantiga de Amigo ou de Bendizer, Cantigas de Amor e Cantigas de Escárnio ou de Maldizer.
As Cantigas de Amigo e as Cantigas de Amor têm uma pequena diferença entre si: as Cantigas de Amigo, feitas por homens, apresentavam-se no Eu feminino, exatamente ao contrário das Cantigas de Amor.
As Cantigas de Escárnio eram ou são exatamente o que diz o nome.
O poeta baiano de Salvador Gregório de Matos e Guerra (1636-1696) tinha língua ferina e dela poucos escapavam. A mira era a elite social do seu tempo. Falava muito palavrão, sem rodeios. Não à toa foi apelidado de Boca do Inferno. Quer dizer, esse Gregório foi  no Brasil um representante natural da literatura poética de escárnio.
Gregório de Matos passou um tempo estudando em Coimbra, Portugal, e de lá voltou com um diploma de advogado debaixo do braço. Chegou a ser nomeado vigário-geral e tesoureiro-mor da Bahia, mas não achou isso lá muita coisa e pulou fora. Os poderosos do seu tempo terminaram por forçá-lo a passar uma temporada em Luanda, África.
O poeta escrevia coisas assim:

Sal, cal, e alho
caiam no teu maldito caralho. Amém.
O fogo de Sodoma e de Gomorra
em cinza te reduzam essa porra. Amém
Tudo em fogo arda,
Tu, e teus filhos, e o Capitão da Guarda.


E assim:

… Com dois acabo a porra do poema.
Caralho! Só mais um! Até já brinco!
Gozei! Matei a pau! Que puta tema!


A palavra caralho, palavrão entre nós, pode ter vinda da antiga Espanha, derivada de carajo. O ano não se sabe, mas que é antiga, é.

sábado, 29 de julho de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (34)

A licenciosidade no cordel vem desde fins da Idade Média, que começou no século V e terminou no século XV com a tomada de Constantinopla pelos turcos. A donzela Teodora é exemplo. E o tempo vai, vai, vai até os dias de hoje. Na poética bilaquiana, bandeiriana, drummondiana e tantas; Hilda Hilst
A temática é sempre revisitada, aqui e alhures.
Mineiro e Manduzinho
É raro encontrar um poeta popular ou compositor popular, de coisas simples do povo, que não aborde o tema erótico no duplo sentido. Mais das vezes as abordagens beiram a banalidade, o chulo. Porém, diga-se, aqui e acolá se acham coisas engraçadas.
O mineiro Téo Azevedo, o mais prolífico dentre todos os compositores contemporâneos, popular no sentido estrito do termo, brinca com palavras que formam composições de baixo calão. Daí, muitas vezes, a graça. Exemplos: Abelha Tubi, Aperto na Ruela, Atola João Cabeçudo, Baile do Jacú, Boiola, Cacete Armado, Castrado, Cagão na Camisa, Carimbó do Filho do Tuta, Ele é Boiola, Eu Comi a Jaca Dela, Filho do Tuta, Forró do Zé Atola, O Fumo Só Ta Entrando, Jaca Dela, Sem Calcinha, Tira a Saia Maria, Vou Te Dar Minha Pitomba, A Mulher do Corno Rico, Acorda Corno, Corno Conformado.
É vasto o repertório que trata musicalmente do corno como personagem do infortúnio, digamos assim. E nunca é tarde para lembrar das gracinhas musicais que fazia o grupo Mamonas Assassinas, que tinha Dinho como vocalista. Na valsa Bois Don’t Cry, Dinho canta: “… Soy un hombre conformado/ Escuto a voz do coração/ Sou um corno apaixonado/ Sei que já fui chifrado/ Mas o que vale é tesão…”.
Até no mundo animal há bichos que pulam a cerca, ou ninhos, segundo levantamentos de cunho científico.
E a história do João de Barro, hein?
Uma lenda dá conta de que o João de Barro, quando descobre ter sido “corneado”, tranca na sua casa a infiel. E presa, morre.
Zé Mulato e Cassiano
A dupla caipira Mineiro e Manduzinho gravou em 1956 uma toada de autoria de Moíbo Cury e Teddy Vieira, que diz: “Mai neste mundo o mal feito é descoberto/ João de Barro viu de perto sua esperança perdida/ Cego de dôr trancou a porta da morada/ Deixando lá sua amada presa pro resto da vida…”.
Os violeiros Zé Mulato e Cassiano fazem comparação do homem com a espingarda, que quando jovem se acha com todo o vigor. A espingarda, no caso, é o órgão genital masculino. Diz:

— Em compade pensando bem. A vida da gente é mesmo que ver uma espingarda. É mema coisa compade. No princípio a gente dá tiro.
— É verdade. Atirar é muito bão. Vai tirando vida a fora, mais lá por fim o tem lenca. Eh, mais quando tá ficando bão lenca compade.

Dos vinte até os trinta
Nossa vida é muito boa
A espingarda anda armada
E o atirador caçoa

Sortimento tá sobrando
Muitas veiz atira à toa
É só triscar no gatilho
Que a língua de fogo avoa…

sexta-feira, 28 de julho de 2023

VANDRÉ EM ENTREVISTA NA BANDEIRANTES

Somente hoje 28 ouvi a entrevista de Geraldo Vandré ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes. Foi domingo 23, à noite. Gravada. Durou uma hora e poucos minutos.
Foi uma entrevista um tanto atabalhoada, da parte dos entrevistadores Fernando Mitre, Thays Freitas e José Carlos Anguita. Geraldo estava tranquilo, como sempre muito tranquilo. Na condição de entrevistado especial, esteve sempre na dele. Parecia estudar o comportamento de cada um dos entrevistadores. Aqui e ali ria, um riso frouxo e muitas vezes um tanto irônico.
O papo começou logo após porem no ar uma versão de Pra Não Dizer que Não Falei de Flores (Caminhando). Antes da primeira pergunta, foi dito quem era Geraldo Vandré e tal. E começou o papo.
Dos três entrevistadores, o mais apressado era o Mitre. Ele fez um monte de perguntas parecendo não querer as respostas, já que o entrevistado viu-se muitas vezes propenso a interromper a resposta. O que fez, aliás. E lá ia Mitre afoito, perguntando, perguntando, perguntando. E Vandré tentando responder por extenso, até com minúcias, mas sem conseguir. Monossilábico.
O entrevistado falou de muita coisa, todas já basicamente conhecidas. Até porque já havia dito o que disse em longa entrevista que fiz com ele em 1978, publicada no suplemento dominical Folhetim, da Folha de S.Paulo. Vejam só: 1978! Disse que parou de cantar logo após a polêmica provocada por caminhando, em dezembro de 1968. Tempos do famigerado AI-5. Falou também da má distribuição de direitos autorais. de Che Guevara, Caetano e tal e tal. Falou de censura e da atual música que se ouve no rádio e na TV. Nada de novo, na música inclusive. Lembrou que nunca teve simpatia pelo movimento tropicalista que, pra ele, foi um movimento "alienígena" e não propriamente pela eletrificação dos instrumento que considera coisa de roqueiro. Nunca foi seu caso. Contou que deixou o Brasil no começo de 1969. Ficou no Chile durante seis meses. Chegou à França e tal. Quando ia falar que ficara na casa da viúva do escritor João Guimarães Rosa, foi interrompido. Foram muitas as interrupções. Respostas cortadas no ar e Mitre perguntando coisas como se já soubesse das respostas. Ai, ai. E o telespectador?
Thays Freitas foi cautelosa nas suas perguntas. Até parecia à vontade. Fez algumas poucas perguntas e até chegou a cantar, um tanto desafinada. O entrevistado riu, educadíssimo que é. 
José Carlos Anguita mostrava-se íntimo do artista.
Lá pras tantas, já com o programa chegando ao fim, Mitre perguntou algo sobre o Chile. O entrevistado disse que até fizera uma versão em castelhano para Pra Não Dizer que Não Falei de Flores. Foi quando Mitre disse que tinha uma cópia dessa versão e que iria mostrar ao público. No lugar de Caminando, o que se ouviu foi um pedaço da canção De América. Essa música, aliás, integra a 5ª e última faixa do lado A do último LP de Vandré, Das Terras de Benvirá, gravado originalmente em 1970 na França e lançado no Brasil em 1973 pela Phillips.
Temas básicos faltaram na entrevista, como o encontro da cantora norte-americana Joan Baez e Vandré. Isso ocorreu em 2014, quando eu o apresentei a ela cá em Sampa. Faltaram também questões relacionadas a livros escritos e publicados a seu respeito. E tantas outras coisas faltaram.
Bom, dias antes de gravar a entrevista para o programa Canal Livre, Geraldo esteve comigo duas vezes em casa nos dias 5 e 8 de junho. No segundo encontro esteve conosco o maestro Júlio Medaglia, mas essa é outra história.
Confira a íntegra da entrevista à Bandeirantes:
 


LEIA MAIS: VANDRÉ  CANTOS INTERMEDIÁRIOS DO VANDRÉ • GERALDO VANDRÉ E VITOR NUZZI • HOJE É DIA DE VANDRÉ, VIVA VANDRÉ! • JOAN BAEZ E VANDRÉ, O ENCONTRO •  PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES, 50 ANOS • Porta estandarte, a primeira vitória de Vandré (5/6/1966)

quinta-feira, 27 de julho de 2023

QUEM É O JUMENTO DA HISTÓRIA?

Posso dizer com todas as letras, com todas as palavras, que aqui neste Blog nunca postei fotos, vídeos, áudios, desenhos, caricaturas ou charges do presidente passado que levou o Brasil a um buraco profundo. Também sempre evitei escrever ou pronunciar o nome do sujeito que por pouco não nos levou à bancarrota. Por que citá-lo nominalmente?
Pois bem, o sempre impróprio às mentes boas e lúcidas xingou Lula de "jumento" e "analfabeto". Lula ficou na moita, mas ontem 26 acabou dizendo que "A imprensa me pediu para responder uma pessoa que tentou me atacar chamando de ‘jumento’. Um animal simpático e mais esperto que alguns". Irônico, acrescentou: "O que seria ofensivo seria comparar um jumento a ele, isso sim. Ofensivo aos jumentinhos que não fazem mal a ninguém".
Ele, no caso, é o tal que deve num futuro não muito distante amargar a vida atrás das grades. E é por isso que eu também não o cito nominalmente, até porque para bom entendedor um sinal qualquer basta.
Quanto à expressão analfabeto não custa lembrar que o tal do governo passado emperrou o quanto pode o sistema educacional do Brasil. O resultado é que ainda há no nosso país cerca de 11 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever, infelizmente.
Bom, jumento é um animalzinho de fato muito simples, simpático e trabalhador. 
Foi montado num jumentinho que Jesus Cristo foi levado em fuga ao Egito pelos pais Maria e José.
Em 1976, Luiz Gonzaga gravou uma coisinha muito bonita intitulada Apologia ao Jumento (O Jumento é Nosso Irmão), dele e do parceiro José Clementino. Ouça:
 


MARIELLE FRANCO (2)

Como todo mundo sabe, a vereadora Marielle Franco e o seu motorista Anderson Gomes foram metralhados na noite de 14 de março de 2018. Foi no Rio. Ao governo anterior, do Coiso, tudo indica que não havia interesse nenhum no tocante ao esclarecimento de tal fuzilamento. Por que, hein? Em poucos meses, o governo Lula já está apresentando resultados promissores que certamente levarão aos mandantes e às razões do duplo homicídio. Agentes da PF estão em campo. Tem cheiro mal no ar.

MEDO E DELÍRIO EM BRASÍLIA

Atenção, atenção pessoal! A Internet é boa para o bem e para o mal. Tem uns ótimos podcasts e pra achá-los, basta procurá-los. Clique aí no link e veja se estou certo: https://open.spotify.com/episode/0fmmxt0gpFzgqLukZWK3wr?si=c175e7b558c847d5

quarta-feira, 26 de julho de 2023

FOGO E MAR APERREIAM O MUNDO


Ouço notícia dando conta de que países da Europa e Ásia estão com a temperatura lá em cima, queimando e matando gente e outros animais. Na Espanha, na Itália, nos EUA, na Grécia...
O governo grego anunciou estado de emergência ou algo parecido com isso.
Cerca de 50 novos focos de incêndio são detectados diariamente em vários lugares da Grécia. Vários países estão mandando forças para ajudar a apagar o inferno vivo que se vive por lá. Até uma aeronave do governo grego caiu em meio ao fogaréu, enquanto despejava água. Piloto e tripulantes morreram.
Isso tudo lembra conversas que no passado tive com o compositor e sanfoneiro paraibano Sivuca.
Contou-me Sivuca que no começo de sua carreira integrou um trio chamado O Mundo Pegando Fogo. Esse trio era formado por Hermeto Pascoal e seu irmão Zé e o próprio Sivuca.
O trio Pegando Fogo de Sivuca, Hermeto e Zé, não foi avante. Não deixou registro musical gravado.
Uma coisa puxa outra: hoje, 26 de julho, marca o nascimento do pernambucano Fernando Lobo. Fernando, que nasceu em 1915, era pai do inspirado compositor e violonista Edu Lobo.
Fernando Lobo era jornalista e radialista. Foi ele, no final dos anos de 1940, que proibiu o sanfoneiro Luiz Gonzaga de tocar e cantar ao mesmo tempo. Fernando era diretor, à época, da rádio Mayrink Veiga. Ele teria dito a Gonzaga: "Você foi contratado para tocar sanfona".
Mas voltando ao assunto inicial.
De fato o calor tá matando muita gente e muito bicho "ao redor do mundo", como se diz.
Do jeito que vai o mundo, tudo vai mesmo se acabar. Acredito nisso, até porque não nascemos para nos salvar. 
Somos todos ruins, uns com os outros.
E pensar que Jesus Cristo morreu por nós pregado numa cruz...
Enquanto o calor derrete gentes e bichos na Europa e Ásia, o nível do mar vai cada vez mais aumentando, com as águas engolindo ruas e bairros mundo afora. No Brasil inclusive. 
Veja e ouça, um poeminha que fiz falando do assunto mar. Tem uma criança envolvida na parada:


terça-feira, 25 de julho de 2023

EM TEMPO DE VIOLÊNCIA


A entrevista do cientista paraibano Silvio Meira ontem 24 no programa Roda Viva na TV Cultura, foi marcante por chamar atenção diversas vezes do telespectador comum e mortal. A produtora de arte Anna da Hora, sempre atenta a tudo, disse depois de ver e ouvir o cientista falar a respeito de Inteligência Artificial: "Ele é bastante positivo no que diz respeito à Inteligência Artificial. Ele a vê como uma ferramenta importante e útil para o nosso dia a dia. Eu penso diferente. Vejo essa questão como algo extremamente preocupante para a humanidade".
Acho isso também e o óbvio: a Internet está nos consumindo, tomando todo o nosso tempo à toa. É muito tempo oito e até dez horas diante do computador. Até comida está sendo produzida por uma tal Impressora 3D. Pra mim, isso tudo é violência e autoflagelação.
O papo no Roda Viva edição de ontem foi sério e de certo modo preocupante, por tocar na questão Inteligência Artificial, mas ganhou graça com o traço personalíssimo do chargista Fausto Bergocce. Confira:

MARIELLE FRANCO

O caso Marielle Franco está tendo uma reviravolta. Uma das pessoas envolvidas nessa história toda, o ex-PM Élcio Queiroz, abriu o bico sob juramento e contou tim-tim por tim-tim como ocorreu a perseguição de fuzilamento de Marielle e seu motorista Anderson Gomes. Marielle e Anderson foram assassinados no dia 14 de março de 2018. Tudo indica que o caso está caminhando para seu esclarecimento. A pergunta que não cala: quem matou Marielle e por quê? Curiosidade: mais um Queiroz na parada!

segunda-feira, 24 de julho de 2023

PAPO SÉRIO NO RODA VIVA

 
As meninas da Seleção do Futebol panamenho caíram hoje 24 de manhã de quatro perante às meninas da nossa Seleção canarinha. Três dos quatro gols foram marcados pela maranhense Ary Borges, no estádio Hindmarsh, em Adelaide. Austrália. O jogo foi válido pela Copa do Mundo Fifa do Futebol Feminino, agora na sua 9a. edição. 
Os EUA lideram essa copa. Ganharam a primeira em 91 e mais duas em 2015 e 2019.
A Seleção de Futebol Feminino da França é a favorita no campeonato que ora se desenvolve. 
O próximo embate da Seleção canarinha será no próximo sábado 29.
Enquanto os torcedores e torcedoras do futebol feminino vibravam com a vitória das nossas meninas, os amantes da boa música choravam a perda das cantoras Dóris Monteiro e Leny Andrade. Dóris morreu em casa aos 88 anos de idade e Leny, aos 80, no Retiro dos Artistas, RJ.
Dóris Monteiro, carioca como Leny de Andrade, começou cantando fados e música francesa em francês. Era a cantora predileta do magnata da imprensa Assis Chateaubriand. 
Leny Andrade viveu no México, EUA e países da Europa. Adorava bossa nova, como Dóris Monteiro. 
Logo mais às 22 horas o cartunista Fausto estará mostrando o seu talento ao vivo no Roda Viva, principal programa de entrevista da TV Cultura. Hoje o entrevistado do Roda é o cientista Silvio Meira. O tema é Inteligência Artificial. 
Esse programa, com Fausto "cartunizando" na Cultura, vai dar o que falar. Ora se vai!
 

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