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segunda-feira, 15 de novembro de 2021

O DIA EM QUE O IMPERADOR CAIU

A madrugada do dia 15 de novembro de 1889, foi uma madrugada que entraria, definitivamente, para a história.
Foi nessa madrugada que os inimigos da Monarquia depuseram Pedro II (1825-1891) e no seu lugar, puseram o marechal Deodoro (1827-1892).
Não houve derramamento de sangue, até porque o povo não deu bola à questão. E assim, Deodoro assumiu o poder a que renunciaria no dia 23 de novembro de 1891. Há 130 anos, portanto.
O movimento pró-República intensificou-se uns 10 anos antes da assinatura da Lei Áurea, pela princesa Isabel (1846-1921).
O imperador Pedro II só soube da "libertação" dos escravos 2 semanas depois, quando achava-se em visita à Itália.
Pedro II era um cara leve, livre, solto, chegado às artes. Nos momentos mais difíceis do País, ele dava um jeitinho para pirulitar-se e conhecer outras culturas, como a egípcia.
Esse Pedro virou amigo do grande romancista e poeta francês Victor Hugo (1802-1885). Mas essa é outra história.
Quando os militares golpearam e derrubaram a Monarquia, Pedro II se achava em Petrópolis, RJ.
Foi no começo da madrugada que o imperador tomou conhecimento do que o marechal Deodoro e seus comandados acabavam de fazer na capital do Império. Não quis acreditar, mas a ficha acabou por cair no final da manhã do fatídico 15 de novembro de 1889.
Antes de ser forçado a exilar-se, Pedro II permaneceu em prisão domiciliar por horas e horas até embarcar num navio com destino à França. E lá morreu. E lá morreu também a filha Isabel e filhos dela e tal.
O marechal Deodoro, depois de 2 anos no poder, renunciou à presidência da República por discussões e brigas no Parlamento. No seu lugar, ficou o marechal Floriano Peixoto (1839-1895).
Peixoto, que era vice de Deodoro, assumiu o poder depois de um golpe. 
Floriano deixou o poder sem cumprimentar o sucessor, Prudente de Morais (1841-1902).
E a República é o que temos.
O Jornal do Brasil, edição de 16 de novembro de 1889, começou abriu texto sobre a queda do imperador Pedro II assim:
Surpreendente movimento militar que estourou ontem nesta Corte, espalhando agitação e disseminando boatos que duraram todo o dia tomaram conta da cidade, acabou impondo a deposição, pelas armas, do governo do Visconde de Ouro Preto – e ao mesmo tempo, do regime monárquico instaurado no país desde  Independência, há 67 anos. O Brasil é agora uma república, segundo os oficiais que comandaram a manobra. O imperador D. Pedro II, há 49 anos no trono, encontra-se em prisão domiciliar, com todos os demais membros da família imperial, no Paço da Cidade.

domingo, 14 de novembro de 2021

CRIANÇAS PORTUGUESAS APRENDE O PORTUGUÊS CERTO!

A pandemia endoidou e continua endoidando o mundo. Reflexos dessa doidice acham-se até na língua portuguesa dos portugueses.
Os portugueses estão de orelhas de pé, assustados, pelo simples fato de a criançada estar-se afinando melhor com o português brasileiro. Isso mesmo!
A permanência mais longa diante da telinha do computador tem feito a petizada imbuir-se no idioma por nós, brasileiros, falado.
É grave a situação, ora pois, ressalta uma professora de lá. "A maioria (das crianças) usa expressões soltas, como 'estás a trolar comigo'. Mas aquele menino falava com sotaque e dizia todas as palavras tal e qual como nos vídeos a que assistia na internet, reproduzindo as expressões [...] O que sei, e tenho vindo a conversar com as minhas colegas, é que os meninos estão viciados, tal qual como os adolescentes estão com os jogos, por exemplo".
A fala aspeada acima é da educadora portuguesa Ana Sofia.
O youtuber Luccas Neto tem sido um verdadeiro "terror" para os pais portugueses.
A mãe de uma das crianças seguidoras de Luccas, Alexandra Patriarca, chegou a dizer: "Todo o discurso dele (filho) é como se fosse brasileiro. Chegámos ao ponto de nos perguntarem se algum de nós era brasileiro, eu ou o pai". 
Já há até crianças se submetendo em sessões de fonoaudiologia.
Mas para a professora Catarina Menezes, também portuguesa, a situação pode ser relativizada. E explica: "Quando eu era menina havia o mesmo pânico social com os livros do tio Patinhas, que era traduzido em português do Brasil. Lembro-me bem da minha professora do primeiro ciclo ter esse pânico. A mesma coisa quando apareceram as novelas...que eram completamente massificadas. Ora, eu acho que esta discussão dos youtubers não é muito diferente".
Pois, pois, a situação não é tão grave, creio. De qualquer modo é, digamos, "a volta do cipó no lombo de quem mandou dar", como diria o compositor e cantor brasileiro Geraldo Vandré. 
Enfim, é o português de hoje experimentando um pouco do que o Marquês de Pombal (1699-1782) nos empurrou goela abaixo, ao decidir pela extinção da língua geral que se falava no Brasil. 
Foi Pombal quem, por decreto, trocou a língua geral (Tupy) pela língua portuguesa lá dele. Isso em 1758. 
Camões deve estar morrendo de rir.
 

sábado, 13 de novembro de 2021

SOCORRO LIRA NOS BRINDA COM MARIA FIRMINA DOS REIS

Nestes tempos loucos, de políticos sem noção e desmatamento brabo no Brasil, poucos são os artistas que insistem em preservar a nossa memória.Aliás não é de hoje o hábito de os brasileiros esquecerem seus patrícios e patrícias.
Meu amigo, minha amiga, você já ouviu falar de Maria Firmina dos Reis?
Pois bem, Firmina dos Reis nasceu em março de 1822 e foi registrada em cartório em 1825.
Caso você não saiba quem foi essa mulher, corra depressa e vá procurar o CD Cantos à Beira-mar (abaixo).
Nesse disco, belíssimo, há 10 poemas musicados pela cantora, compositora e instrumentista paraibana Socorro Lira. Após musicados, os textos poéticos de Maria Firmina dos Reis receberam incrível arranjo do compositor, cantor, instrumentista e maestro Jorge Ribbas.
Ribbas é pernambucano e vive em Campina Grande, PB, há vários anos.
Socorro Lira é uma das mais afinadas e sensíveis vozes brasileiras. Já tem 13 álbuns lançados e um DVD (Amazônia, entre Águas e Desertos), os mais recentes são o já citado Cantos à Beira-mar e Chama. Os dois últimos trazem capa assinada pelo craque do traço Elifas Andreato.
Essa artista detentora de prêmios e apreciada por um público que vai do Brasil à Europa, Ásia e por todo o continente africano, tem o bom costume de trazer ao presente figuras do passado como a poeta ora homenageada em disco.
Dentre os resgates poéticos/musicais feitos por Socorro estão Zé do Norte e José Marcolino.
Zé do Norte rendeu à artista o troféu de melhor cantora na 23ª edição do Prêmio da Música Brasileira, em 2012.
No disco Cantos à Beira-mar Socorro Lira aparece declamando uma das 11 faixas, com acompanhamento de Ribbas. “Fiz um merengue e acho que ficou bastante legal o poema O Meu Desejo”, diz o maestro arranjador.
Os ritmos musicais encaixados nos poemas de Firmina dos Reis são claramente identificados como bolero, reggae, maracatu, choro, fado, canção, valsa, samba-canção e até um baião, além do já dito merengue.
“No momento, estou em estúdio pondo voz no novo disco que deverá ser lançado em 2022”, revela Socorro Lira, acrescentando que no próximo dia 23, às 19h, estará a frente de mais uma edição do Prêmio Grão de Música, por ela dirigido há 8 anos. “Avisa o povo para assistir a edição desse prêmio no canal Grão de Música”, pede rindo.Os primeiros textos poéticos de Firmina dos Reis foram publicados no jornal A Verdadeira Marmota (1861), Revista Maranhense (1887) e os últimos no O Federalista (1903). Além dos poemas, deixou de herança um romance abolicionista (Úrsula), uma novela indianista (Gupeva) e um conto (A Escrava).Maria Firmina dos Reis, maranhense de nascimento, morreu esquecida, pobre e cega no dia 11 de novembro de 1917.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

UM INTELECTUAL DA MPB, NA ABL

O cantor, compositor e instrumentista baiano Gilberto Gil acaba de ser escolhido, por 21 votos, para ocupar a cadeira nº 20 da Academia Brasileira de Letras, a ABL. Essa cadeira tem como patrono o fluminense Joaquim Manuel de Macedo, autor do romance A Moreninha.
Gilberto Gil é autor de pelo menos 5 dezenas de discos e um ou dois livros publicados.
Junto com Caetano, Gil foi um dos líderes do movimento tropicalista.
Além de músico, o artista baiano enveredou pela política no começo dos anos de 1980. Primeiro como vereador em Salvador, BA, depois como ministro da Cultura do governo Lula.
Logo após a decretação do AI-5 na noite de 13 de dezembro de 1968, Gil e Caetano foram presos por agentes da ditadura e depois obrigados a se exilar no Exterior.
Em Londres, Gil gravou um LP em inglês e Caetano um LP no qual incluiu a toada Asa Branca, de Luiz Gonzaga (1912-1989).
O resto é história. E por falar nisso, uma historinha: 
Num dia qualquer dos anos de 1980, fim de tarde, eu, Luiz Gonzaga e Gil saíamos de um estúdio da extinta gravadora RCA Victor, em Sampa.
Nós três. Gonzaga à direita, Gil no meio e eu à esquerda, todos nós de manga curta. Eu fumando.
Gonzaga e Gil não fumavam.
De repente, com o cigarro aceso, toquei sem querer no braço de Gil. Pra que! Gil endoido, berrou, chamando-me de filho da outra.
Ao nota o que se sucedera, rachou o bico com uma risada estrondosa.
Pedi desculpas, mas até hoje desculpas Gil não me deu.
É isso!

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

VIVA MARIA FIRMINA DOS REIS

 
Às vezes tenho a impressão de que involuímos. Mais: que involuímos à galope, galopadamente.
Poetas romancistas, pintores sabiam de tudo e mais um pouco, ali no passado.
Paula Brito, tipógrafo, tradutor e jornalista; José de Alencar, jurista, poeta, romancista e dramaturgo; Machado de Assis, poeta, romancista e tradutor, doido pela obra de Shakespeare.
Em 1859, a maranhense Maria Firmina dos Reis publicava o primeiro romance. Mulher e negra, pobre. Ela escreveu além do romance, Úrsula, uma novela indianista e um conto abolicionista.
Firmina dos Reis era culta. Essa percepção é clara na sua produção literária e poética. 
O poema O Meu Desejo, que dedicou a um admirador, faz citação a Camões, Dante e Milton.
Camões o grande poeta português, é autor da obra prima Os Lusíadas que, modéstia às favas, transformei em uma ópera popular desenvolvida em sextilhas. Ainda inédita, mas essa é outra história.
Dante Alighieri, o grande poeta italiano da Idade Média, legou à posteridade o belíssimo Divina Comédia.
Por fim, Maria Firmina dos Reis cita no seu já referido poema o inquieto e talentosíssimo Milton.
Com relação a Dante e Camões, Milton era o caçula.
O poema clássico deixado por Milton tem conteúdo parecido com o conteúdo de Divina Comédia. É incrível. Trata de um pega-pra-capá entre anjos e o Paraíso. Adão e Eva entram no enredo. O Capeta, também.
Nos dias atuais, existem mais livros do que autores.
Cadê os clássicos de hoje?
Leiam Maria Firmina dos Reis, que morreu 11 de novembro de 1917 abandonada, pobre e cega.
Uma curiosidadezinha: Nos fins dos anos de 1930, o mineiro Ary Barroso compôs Aquarela do Brasil. Um clássico musical. Nesse clássico, o autor insere um verso lindo: "...A merencória luz da Lua".
Firmina dos Reis, no poema O Meu Desejo (abaixo) insere o verso "...A merencória Lua".

O MEU DESEJO

A um jovem poeta guimaraense

Na hora em que vibrou a mais sensível
Corda de tu'alma - a da saudade,
Deus mandou-te, poeta, um alaúde,
E disse:Canta amor na soledade.
Escuta a voz do céu, - eia, cantor,
Desfere um canto de infinito amor.

Canta os extremos duma mãe querida,
Que te idolatra, que te adora tanto!
Canta das meigas, das gentis irmãs,
O ledo riso de celeste encanto;
E ao velho pai, que tanto amor te deu,
Grato oferece-lhe o alaúde teu.

E a liberdade, - oh! poeta, - canta,
Que fora o mundo a continuar nas trevas?
Sem ela as letras não teriam vida,
menos seriam que no chão as relvas:
Toma por timbre liberdade, e glória,
Teu nome um dia viverá na história.

Canta, poeta, no alaúde teu,
Ternos suspiros da chorosa amante;
Canta teu berço de saudade infinda,
Funda lembrança de quem está distante:
Afina as cordas de gentis primores,
Dá-nos teus cantos trescalando odores.

Canta do exílio com melífluo acento,
Como Davi a recordar saudade;
Embora ao riso se misture o pranto;
Embora gemas em cruel soidade...
Canta, poeta, - teu cantar assim,
Há de ser belo enlevador enfim.

Nos teus harpejos juvenil poeta,
Canta as grandezas que se encerram em Deus,
Do sol o disco, - a merencória lua,
Mimosos astros a fulgir nos céus;
Canta o Cordeiro, que gemeu na Cruz,
Raio infinito de esplendente luz.

Canta, poeta, teu cantar singelo,
meigo, sereno com um riso d'anjos;
Canta a natura, a primavera, as flores,
Canta a mulher a semelhar arcanjos.
Que Deus envia à desolada terra,
Bálsamo santo, que em seu seio encerra.

Canta, poeta, a liberdade, - canta.
Que fora o mundo sem fanal tão grato...
Anjo baixado da celeste altura,
Que espanca as trevas deste mundo ingrato.
Oh! sim, poeta, liberdade, e glória
Toma por timbre, e viverás na história.
----------------

Eu não te ordeno, te peço,
Não é querer, é desejo;
São estes meus votos - sim.
Nem outra cousa eu almejo.
E que mais posso eu querer?
Ver-te Camões, Dante ou Milton,
Ver-te poeta - e morrer.

ADEUS

A jornalista Cristiana Lôbo despediu-se hoje do planeta. Tinha 63 anos quando um câncer a levou. 
Cristiana falava de política com naturalidade e por vezes participou de debates do extinto programa Onze e Meia, do Jô Soares. Fica o registro.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

TODO DIA É DIA DE PENSAR

Digo e repito: todo dia é dia de reflexão.
Ocorreu num mês de novembro uma das grandes revoltas a entrar na história. Não popular, propriamente. Refiro-me à Revolta da Chibata, no Rio. A história é a seguinte:
Marinheiros negros, principalmente negros, eram duramente castigados por uma coisa qualquer que fizessem em discordância à cartilhas dos seus superiores. E apanhavam, apanhavam, apanhavam. Até que no dia 22 de novembro, de 1910, até o marinheiro João Cândido deu um grito de liberdade por seus companheiros aprovado. A situação, pois, inverteu-se.
Muitas coisas aconteceram e continuam acontecendo contra os negros, no nosso País.
Meu amigo, minha amiga, você sabia que o Ceará foi o primeiro Estado a abolir completamente a escravidão 4 anos antes de a princesa Isabel assinar a Lei Áurea?
Quem aboliu a escravidão no Ceará em 1884, mais precisamente no dia 25 de março, foi o baiano — veja só! — Sátiro de Oliveira Dias. Esse Sátiro foi médico e político de grande popularidade.
Antes de presidir a província do Ceará, Sátiro presidiu as províncias do Amazonas e do Rio Grande do Norte.
Não tem sido fácil historicamente, a luta dos negros e descendentes pela liberdade social e democrática.
Digo e repito o que disse vezes anteriores: a luta dos negros, não é uma luta só dos negros. É uma luta de todos nós.
João Cândido, gaúcho que entrou para a história como o Almirante Negro, nasceu no dia 24 de junho de 1880 e morreu no dia 6 de dezembro de 1969.
Sátiro de Oliveira Dias nasceu no dia 12 de janeiro de 1844 e morreu no dia 18 de agosto de 1913. Em sua homenagem, foi criado um município ao norte da Bahia. 
Culturalmente é riquíssima a cultura legada ao Brasil pelos negros.
Em 1980, o tieteense Itamar Assumpção lançou o LP Beleléu e Banda Isca de Polícia. Ouça:

terça-feira, 9 de novembro de 2021

EM PREPARO EDIÇÃO ESPECIAL SOBRE IMPRENSA NEGRA

Todo dia é dia de reflexão. Ou deveria ser. Digo isso por uma razão: o passado guarda muita coisa indesejável. É hora de pormos pra fora os males que o passado esconde. Reavive-los sim, por que não?
Todo dia é dia especial de lembrança de algo ou de alguma coisa. 
Hoje, por exemplo, é dia Internacional Contra o Fascismo e Antissemitismo.
O dia 20 de novembro é dedicado à lembrança da brutalidade feita contra índios e negros, no Brasil.
No próximo dia 19, o newsletter Jornalistas e Cia levará a público um especial sobre a "Imprensa Negra" no nosso País. O texto, assinado por mim, termina com parte do poema Navio Negreiro (Castro Alves) musicado pelo cantor, compositor e maestro pernambucano Jorge Ribbas. Ouça: 


JORNALISTAS E CIA

Você meu amigo, minha amiga, já é assinante do Jornalistas e Cia? 
Eu, se fosse você, entraria em contato agora com Silvio Ribeiro, através de seu email (silvio@jornalistasecia.com.br), ou telefone: (19) 9 7120-6693.

domingo, 7 de novembro de 2021

LEI PRA INGLÊS VER

O Mestiço, por Cândido Portinari
A questão negra não é uma questão que diz respeito só a negros. É uma questão que diz respeito a todos nós, brancos e negros, pardos, mestiços etc.
Preconceito e racismo são crimes inafiançáveis. 
O tráfico de africanos para o Brasil tem início nos fins da 1ª parte do século 16.
A Dinamarca foi o 1º país a criar Lei abolindo a escravidão no seu território, em 1792.
Pressionado pela Inglaterra, o Brasil também aprovou Lei proibindo o tráfico de negros para escravização. Essa Lei, chamada de Lei Feijó, foi aprovada no dia 7 de novembro de 1831. Deu em nada. Ou melhor, deu: serviu para entrar no Folclore como "Lei pra Inglês Ver". 
Pra valer, mesmo, foi a Lei até hoje chamada Lei Eusébio de Queiroz. Essa Lei entrou em vigor em 1850. 
O resto a história conta.

sábado, 6 de novembro de 2021

ROSTO NEGRO DO BRASIL

O escrito Oswaldo de Camargo
Paulista de Bragança, Oswaldo de Camargo é um dos mais ativos militantes dos movimentos negros do Brasil.
Jornalista, poeta e historiador, Camargo é um bom papo. Fala simples, natural. São muitos os livros que já publicou, entre os quais Um homem tenta ser anjo (1959), 15 poemas negros (1961), O carro do êxito (1972), A Descoberta do frio (1979).
Ciente da sua importância e da importância do negro na sociedade, Oswaldo de Camargo aos 85 anos deu-me uma verdadeira aula sobre o que chama com naturalidade da contribuição do negro entre nós.
É indiscutível a herança africana no Brasil. Pedi-lhe que escrevesse algo a respeito. E sem delongas, mandou-me o que podemos classificar de crônica. Leiam:

ROSTO NEGRO DO BRASIL
por Oswaldo de Camargo

Nesta altura de minha vida, 85 anos, arranhados por ímpetos de juventude e avisos bem audíveis de decrepitude, ponho me a inventariar qual a importância do negro, ou melhor, dos negros na história do nosso país.
Falo, diante do fato concreto e verificável de que sou um negro brasileiro.
Afirmam que nossa história aqui vem desde 1530, como escravizados. E nesse caminho que os compêndios de história registram apareceu um número razoável de nomes que provam como a aventura humana, mesmo de negros — diria o branco Ocidente — pode ser magnífica.
Henrique Dias, Padre José Maurício, Chiquinha Gonzaga, Luiz Gama, Cruz e Sousa... (Recorra-se aos compêndios, frios e burocráticos, geralmente; lá se aprende).
Fato é que, no meu ver, um dos dramas do País, desde muito, é a humanidade negada ou mal percebida do negro brasileiro. Não se notou, ou se fez o máximo para impedir o fulgor da alma do negro sobre o seu corpo, como se lê em verso de um poeta nosso.
As marcas que o africano deixou, visíveis na dança, na culinária, na religiosidade, nos gestos, na fala, no afago, estão aí.
Em nosso livro O Negro Escrito — Apontamentos sobre a Presença do Negro na Literatura Brasileira, acentuamos, sobre o passado:
“Negros para mourejar em canaviais, no eito, em conventos, em engenhos, ‘escravos de ganho’, moleques em seus misteres de utilidade prática e já rendosa, treinando para ‘bons escravos’, isso foi o povão negro que se ia espalhando pelo mapa do incipiente Brasil.”
Certo é que o País, a par de sua feição herdada sobretudo do Ocidente, marcou-se e continua se marcando com a existência cada vez mais crescendo de negros, na concretude do corpo.
Cinquenta e cinco por cento da população...
Mas, quando se vai reconhecer, em todos os negros, a sua plena humanidade?
Repete-se a história: em séculos passados, sobretudo no XIX, negros , poucos, despontaram e são testemunhados em compêndios e livros de História.
Hoje, negros ainda continuam despontando, em número incrivelmente irrisório.
Quando se poderá ver em todos os negros, pardos e mulatos a sua plena humanidade, dando aval à nossa verdadeira democracia?
No entanto o negro continua marcando o rosto do País...
Que rosto?

Obras de Oswaldo de Camargo

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

O CRÍTICO MACHADO DE ASSIS

Caricatura de Machado de Assis,
autor desconhecido

Pouca gente sabe, porisso não custa lembrar: Machado de Assis, nosso grande escritor, foi censor profissional no começo da carreira. E foi, também, crítico literário e teatral nos jornais do seu tempo.
Suas críticas teatrais tiveram espaço de publicação, à princípio, no jornal O Espelho.
Machado de Assis detonava o Romantismo e tecia loas ao Realismo.
Ao ator João Caetano, Machado metia o pau.
À namorada de Castro Alves, Eugênia Câmara, Machado também não poupava críticas. 
Dentre os autores teatrais, nas críticas de Machado havia elogios a José de Alencar.
No dia 5 de novembro de 1857, Alencar liberou ao palco do Ginásio Dramático, RJ, a peça em 4 atos O Demônio Familiar. 
O Demônio do título é um moleque de nome Pedro, que faz o diabo pra desunir os apaixonados Eduardo e Henriqueta.
Pedro, ali com seus 13 ou 14 anos, é escravo de Eduardo.
Há 9 personagens no desenvolver dessa história de José de Alencar. 
Machado de Assis viu em Pedro o personagem Fígaro, que aparece em óperas de autores como Rossini.
Não disse, mas poderia ter dito que o Pedro de Alencar é uma espécie de João Grilo das histórias populares oriundas de Portugal.
E mais não vou dizer, a não ser que desconheço qualquer peça censurada pelo Bruxo do Cosme Velho, como era Machado pelos amigos chamado.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

HÁ 130 ANOS, MORRIA SILVA JARDIM

Charge com Silva Jardim e o conde D'eu, de 1888
 
O Brasil já foi berço de grandes oradores, como o jornalista e advogado abolicionista Silva Jardim.
Jardim era fluminense, nascido na vila de Nossa Senhora da Lapa de Capivari.
De família pobre, o futuro jornalista e advogado formado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, SP, fez história defendendo africanos escravizados no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde conheceu o poeta e também jornalista Luís Gama (1830-1882).
Era integrante do partido Conservador e, como tal, defensor radical da República antes de o sistema político ser República.
Seus discursos juntavam multidões.
Retrato de Silva Jardim
Foi ele que no dia 28 de janeiro de 1888, com 27 anos de idade, reuniu mais de 2.000 pessoas no Teatro Guarany em Santos, SP. Foi um belíssimo discurso que fez. Vários jornais publicaram na íntegra.
Esse discurso, segundo a imprensa da época, anteciparia o golpe militar que provocou o exílio da família real à França e a mudança do sistema político no País.
No discurso em Santos, Silva Jardim disse que temia que o francês conde D'eu, marido da princesa Isabel, substituísse o sogro dom Pedro II. 
 Sobre ele caiu uma chuva de palmas. Foi, como se diz hoje, ovacionado.
Após a proclamação da República, no dia 15 de novembro de 1889, Silva Jardim tentou eleger-se deputado Constituinte. Não conseguiu. Frustrado, pegou o boné e foi tirar uns dias na Itália. Lá quis conhecer o Monte Vesúvio. 
O vulcão do Monte Vesúvio soterrou várias cidades entre as quais Pompeia, no ano 79 a.C. 
No dia 1º de julho de 1891, enquanto apreciava a paisagem do vulcão digamos assim, uma fenda abriu-se a seus pés e o engoliu para sempre.
A vila de Nossa Senhora da Lapa de Capivari traz, desde 1943, o nome de município Silva Jardim.

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

AOS 77, VIVA MIGUEL DOS SANTOS!

Assis e Miguel dos Santos
Hoje, 3 de novembro, o artista plástico Miguel Domingos dos Santos completa 77 anos de idade. Viva!
Miguel dos Santos é uma pessoa incrível. Aprendi e aprendo com ele até hoje.
Eu e Miguel estudamos juntos na divisão de extensão artística da Universidade da Paraíba. Fim dos anos 60. 
Nossos professores, meus e de Miguel, eram João Câmara Filho, Raul Córdola e Celene Sintônio. 
Não sei por onde andam João e Celene. Com Raul estive há algum tempo, em Sampa, na casa do amigo Sinval de Itacarambi Leão, jornalista dos bons, brasileiro íntegro e fundador da revista Imprensa.
Miguel dos Santos é pernambucano de Caruaru.
Trabalhei em Caruaru, cuidando do jornal Diário do Agreste. Faz tempo.
É sempre bom falar das pessoas queridas, das pessoas que têm histórias pra contar.
Miguel é dessas pessoas incríveis que têm histórias pra contar, como tinham o maestro Eleazar de Carvalho e o pianista Nelson Freire.
Não sei por quê, mas cada vez mais noto que o jornalismo de hoje enaltece mais os mortos do que os vivos. Pena. Flores em vida, como dizia o cantor e compositor Nelson Cavaquinho (1911-1986).
Pois é, 77 anos não se faz todos os dias. Sobre Miguel dos Santos leia mais:
 

CÉLIA E CELMA

Em plena primavera, as mineirinhas Célia e Celma completaram 80 primaveras. Foi ontem 2. Viva! Muita saúde e música e alegria é o que lhes desejamos. Leia mais:

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

NELSON FREIRE NÃO MORREU...

Estou chorando. 
Nelson Freire morreu.
Nelson Freire foi de todos os pianistas, o maior. 
Eu conheci Nelson Freire através de Eleazar de Carvalho (1912-1996).
O que mais posso eu dizer?
O jornalismo brasileiro, a partir da TV Globo, está se destruindo. Pena.
O jornalismo brasileiro está cada vez mais ficando uma berda. Que pena.
Estou chorando, sim. 
Cada vez que morre um grande artista, um pedaço do meu coração vai pra tumba.
Eu morro cada vez que uma nota em ré menor...
Meu Deus! 
O Brasil está morrendo...
O jornalismo que eu fiz, ali vão 50 anos, não é o mesmo que hoje é feito.
Eu penso isso e pensando assim eu fico triste, de novo.
Os grandes brasileiros só são grandes, quando morrem. Poxa!
Ninguém falou do Nelson Freire com tanta grandeza como hoje. Depois de morto. E em vida, por que não foi tão falado o Nelson Freire?
Não posso proibir nada, até porque estou vivo.
Eu sei de mim.
Não falem de mim quando eu morrer...

domingo, 31 de outubro de 2021

O HOMEM NÃO TEM JEITO. O PRECONCEITO MATA.



O tempo nos leva à reflexão. Sempre.

O gênero humano não tem jeito, não terá. Penso...

Faz muito tempo, muito mesmo, que o homem ganhou a forma bípede.

Entre os homens, nós, há pretos e brancos; pobres e ricos.

O problema se acha exatamente aí: pobres e ricos e pretos e brancos.

Esse gênero não toma jeito, com ou sem pandemia.

O preconceito nos matará.

Os brancos continuam tentando se desfazer dos pretos o tempo todo. Em todas as línguas, em todos os cantos.

Na terra do Tio Sam, EUA, a polícia vive doida pra matar negros. No Brasil, também.

Dia desse o amigo e parceiro pernambucano Jorge Ribbas achou de compôr uma pérola musical sem letra. Belíssima.

Emocionado perguntei a jorge como fizera essa obra. E ele, respondeu: "Fiz essa música em homenagem aos negros do mundo inteiro; impactado pela tragédia da morte de George Floyd, que por 11 vezes gemeu a frase: "I Can't breathe". Daí, peguei esse fragmento, falado por Floyd, como motivo e inspiração para desenvolver as melodias que utilizei na música, no sentido de sensibilizar para as situações que, a despeito de estarmos no século XXI, ainda acontecem frequentemente e em inúmeros lugares do nosso planeta".

Pois é, o tempo nos leva à reflexão.

Essa nova música do Jorge Ribbas, I.C.B. (I can't breathe), nos faz pensar sobre as grandes  mazelas do mundo.

Perfeito. Ouçam e opinem.

https://www.youtube.com/watch?v=oU3PUjgm-GU&list=OLAK5uy_lDxeQwFNlnt3W8BQsQKe2CA008S05Sugo&index=7&ab_channel=JorgeRibbas-Topic

Jorge Ribbas, maestro e compositor, é o arranjador de muitos artistas Brasil Afora, entre esses, Socorro Lira.

Os últimos discos de Socorro têm capa assinada pelo craque do traço Elifas Andreato. É de Elifas, também, a capa do novo álbum de Jorge Ribbas, It's Time... Esse álbum trás onze faixas autorais.

A obra de Jorge Ribbas nas principais plataformas de streaming.


sábado, 30 de outubro de 2021

COSTA SENNA, UM BRINCANTE EM CENA

Costa Senna, de batismo Francisco Helio da Costa, é um dos artistas populares mais importantes do Brasil. Nascido em Fortaleza, CE, Senna passou boa parte da infância num lugarejo chamado Choró Limão, localizado no interior de Quixadá, CE.
Foi em Quixadá, terra dos cordelistas Alberto Porfírio da Silva (1926-2009) e Rouxinol do Rinaré, que o menino Francisco tomou gosto pela arte popular e dela tornou-se um aplaudido nome.
“Um dia, chegou lá em casa o meu avô Vicente. Quando ele se preparava pra voltar pro seu lugar, em Quixadá, eu chorei, esperneei, atirando-me as suas pernas. Certamente tocado pela cena, levou-me consigo com a aquiescência da minha mãe”, revela Costa Senna.
Depois de voltar a Fortaleza, ali com seus 13, 14 anos, Costa Senna foi levado por uma namorada à casa de Juvenal Galeno. “Ali conheci muitas pessoas e fiz amizades. Essas amizades abriram caminho para que eu pudesse desenvolver e mostrar meu talento pela arte popular”, conta o artista que começou atuando como ator no palco.
Não demorou e ele trocaria Fortaleza por São Paulo. E aí tudo aconteceu com maior rapidez na vida desse talentoso artífice da cultura brasileira.
Até agora, Costa Senna já gravou 6 CDs e 2 DVDs. Fora isso escreveu e publicou 13 livros e pelo
menos 50 folhetos de cordel. Como ator, atuou nas peças A Noite Seca de Geraldo Markan, Barrela de Plínio Marcos, Deus Lhe Pague de Juracy Camargo, O Caldeirão de Oswald Barroso. E nos filmes: Paulo Freire, Educar Para Transformar; Nísia, Paulo e Josué – Oficina de Memória e As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thoth.
Em novembro de 2001, sobre o artista escrevi para o disco Costa Senna em Cena:

Este é um disco diferente em tudo, por isso bonito.
Diz de gente, povo e puta; de natureza, corrupção, racismo e violência. Diz mais. Diz de fome, de seca e de guerra; de mazelas dos tempos modernos, como a AIDS. Diz até da língua portuguesa, pobre e abandonada, e de político safado, ladrão. Revoltado, o poeta mete a ripa no bicho homem, que mata e destrói sem pena, sem dó. Triste diante do quadro que lhe surge, o poeta não se cala: abre o bico e solta o verbo em defesa da ecologia, do planeta e de tudo que se bole sobre o velho bucho do mundo. Perfeito.
Ouçam-no com atenção. Peguem carona no tempo e sigam o poeta na rima e na métrica. É boa a viagem, e quem gosta do que é bom vai aqui se esbaldar ao som do rap no ritmo autêntico do repente nordestino.
Senna - você ainda não sabe? - é doutor em sensibilidade, que faz e declama poesia com naturalidade e maestria, coisa difícil nestes tempos bicudos.

Filho de Joaquim Raimundo da Costa e Raimunda Sena da Costa, Costa Senna é o mais velho dos 6 irmãos do casal, que também teve 7 filhas. “No total, somos 13 irmãos. E vivos até hoje, graças a Deus!”, firma Senna.
Francisco Helio da Costa, Costa Senna, nasceu no dia 30 de novembro de 1955.
O depoimento que o artista nos concedeu é tocante. Ouça: 

OUÇA TAMBÉM: CANTE ESSE REFRÃO POR AÍFÁBRICA DE UNI VERSOSMOÇO DAS ESTRELAS

Cordéis de Costa Senna

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

OBRA DE BONOMI REVERENCIA VÍTIMAS DA COVID

Assis Angelo com Maria Bonomi e Oswaldo Faustino
 
Com chuva e um público atento e participativo foi inaugurado ontem 27 à tarde, no Memorial da América Latina, SP, a belíssima obra intitulada "Réquiem aos Tombados pela Covid-19 na América Latina" (ao lado).
De autoria da mais expressiva artista plástica brasileira em atividade, Maria Bonomi, a obra mede 4,80 metros de altura e pesa cerca de 9 toneladas. 
Bonomi destacou no ato da inauguração as dificuldades que os brasileiros tem sofrido e o descaso do governo Federal. "O Brasil está no chão", ressaltou.
Líderes religiosos e até o Pajé da nação Guarani Awa Kuaray Wera, expressaram a importância da obra e o motivo que a gerou: o descaso às vítimas da pandemia provocada pelo novo Coronavírus.
Awa Kuaray Wera (abaixo) denunciou as dificuldades que os indígenas sofrem atualmente: "Estamos abandonados e sofrendo muito. Hoje vivemos como os brancos, com muitas dificuldades".
Pedi a artista que descrevesse a obra inaugurada no Memorial. Disse: "São 2 placas 'cós ar cor 350' de espessura de 1 polegada, com pátina de Corten (aceleração  de corrosão que garante película corrosiva protetiva) sendo a maior de 6x2,40m e a menos de 4,80x2,40m formando um triângulo de base de 4,75 m. Com corte a plasma com os 23 países que compõem a América Latina e Caribe. Os países na obra representados são: Antilhas Holandesas, Argentina, Aruba, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa
Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Haiti, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Suriname, Uruguai e Venezuela".
Ao correr dos curtos discursos, de 3 a 4 minutos, o presidente da República foi nominalmente citado pela irresponsabilidade e a frieza com que tem agido na pandemia da Covid-19.
A respeito dessa questão e da pessoa citada, escrevi e gravei: VIVA A IMPRENSA LIVRE!
As fotos que ilustram este texto foram feitas por Márcia Gonçalves.

AMIGOS

Entre os amigos e amigas que reencontrei ontem 27 no Memorial da América Latina, prestigiando o ato inaugural da escultura da artista plástica Maria Bornomi, estavam Andrea e Oswaldo Faustino. 
Andrea dirigiu o Centro Cultural Santo Amor e Oswaldo, jornalista e escritor, trabalhou comigo na Folha e no Diário Popular. Fica o registro.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

ÍNDIOS E NEGROS EM TEMPOS DE GUERRA, NO BRASIL

O Brasil nunca foi um país pacato, no rigor do termo, como no primeiro momento entendeu o historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), que chegou a detalhar o seu pensamento no livro Raízes do Brasil (1936).
Muitos livros falam das muitas revoltas populares e guerras envolvendo índios e negros escravizados. Não vou entrar nos detalhes, mas recomendo a leitura do Dicionário das Batalhas Brasileiras (1996), de Hernâni Donato (1922-2012).
Firme nas palavras como geralmente o são os historiadores, mais de uma vez Donato me afirmou que desde o achamento do nosso País pelos estrangeiros "todos os dias houve revoltas, revoluções e guerras por essas plagas".
Muitos índios e negros escravizados tombaram à frente das batalhas. Daí, inclusive o surgimento da expressão "buchas de canhão". Dizia-se e até hoje diz-se que "fulano é bucha de canhão" ou "fulano foi bucha de canhão".
"Bucha de canhão" é o equivalente a "boi de piranha", que é o boi posto pela vaqueirama para atravessar rios e, assim, identificar se há nas águas piranhas assassinas.
A chamada Batalha dos Guararapes (1649) deixou muitos mortos em Jaboatão, PE.
A Guerra dos Palmares (1695) assim chamada foi a última que resultou no assassinato de milhares e milhares de negros. O fim desse quilombo, em Palmares,  AL, coube ao bandeirante Domingos Jorge Velho (1641-1705).
A Paraíba serviu de túmulo a esse bandeirante.
A Conjuração Baiana durou um ano só, 1798, mas deixou um rio de sangue.
Em 1817, religiosos tomaram a frente de um movimento que pretendia a separação das demais províncias brasileiras. Durou 75 dias e, detalhe, chegou a de fato separar-se do Império.
Esse movimento entrou para a história como Revolução Pernambucana, que tinha à frente Frei Caneca (1779-1825) e a proprietária de terras Bárbara de Alencar (1760-1832).
Frei Caneca foi enforcado e Bárbara de Alencar depois de presa, solta.
Solta, Bárbara de Alencar juntou simpatizantes para por de pé a ideia de liberdade do Nordeste do resto do País. Esse ideal teve por nome Confederação do Equador.
A forças imperiais destruíram os ideais contidos na referida Confederação. Bárbara fugiu e um dos seus escravos, preso, foi obrigado a denunciar sua localização. Sob ameaça de morte, o servo cuspiu nos algozes, abriu a boca e decepou a língua com os próprios dentes.
Bárbara vem a ser a avó do escritor cearense José de Alencar (1829-1877).
Foi nas terras de Bárbara que nasceu o rei do baião, Luiz Gonzaga (1912-1989).
Em 1823, portugueses insatisfeitos com a independência proclamada por Pedro I, tombaram sob armas do capitão Luís Alves de Lima e Silva.
Esse Silva viria a ser o patrono do Exército brasileiro, por todos conhecido como Duque de Caxias (1803-1880).
Luís Alves de Lima e Silva também participaria de outras revoltas e guerras: Cisplatina (1825-1828), Balaiada (1838), Farroupilha (1835-1845) e a Guerra do Paraguai (1864-1870).
Esse Silva que viraria senador do Império e consultor do rei, matou gente a dar com o pau e transformou-se o patrono do Exército em 1962.
O nosso brioso Exército tem também como patrona Maria Quitéria (1792-1853).
Quitéria morreu pobre, abandonada e cega.
Depois dessas revoltas e guerras, revoltas e guerras continuaram a acontecer no solo brasileiro: a Cabanada (1832-1835), em Pernambuco; Malês (1835), Sabinada (1837-1838), na Bahia; a Revolta da Chibata (1910), no Rio e Guerra do Contestado (1912), no Paraná.
A Revolta dos Malês teve entre seus líderes uma mulher: Luísa Mahin, que viria a ser a mãe do poeta e abolicionista histórico Luís Gonzaga Pinto da Gama.
Em terras brasileiras o conflito que resultou, historicamente, num maior número de mortes foi a chamada Guerra de Canudos (1896-1897).
Que a paz reine sempre, entre nós. 

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

FOI BELA A FESTA PÁ, NA PRAÇA!

Fotos de Jorge Araújo
 
Três meses, 3 semanas e 4 dias antes de completar 38 anos de idade, o jornalista e professor de
Encontro entre Assis,
Ana Maria, Mariana e Vanira
jornalismo Vladimir Herzog foi preso, torturado e morto numa das dependências do famigerado DOI-Codi em São Paulo, SP.
O fato foi consumado no dia 25 de outubro de 1975.
O anuncio da morte de Vlado, como chamavam os amigos, chocou o Brasil.
As autoridades, policiais e militares da época disseram que o jornalista havia se suicidado. Mentira.
Após o sepultamento do corpo de Vlado, religiosos de várias tendências e o jornalista Audálio Dantas (1932-2018) realizaram um
Assis Ângelo e
Elifas Andreato


ato ecumênico na Catedral da Sé, em São Paulo.
Milhares de pessoas compareceram ao evento.
A ditadura militar, iniciada em 1964, começou a cair naquele momento.
O resto é história.
No último sábado 23, jornalistas e artistas reuniram-se na praça Memorial Vladimir Herzog para lembrar os tristes acontecimentos de 1975.
O fotógrafo Jorge Araújo é o autor das belas fotos que ilustram este espaço. Nessas fotos aparecem a viúva de Vlado, Clarisse, o filho Ivo e Sérgio Gomes, o Sérgião, que um dia antes fora submetido a uma delicada cirurgia (no mosaico, acima).
Fotos de Jorge Araújo

domingo, 24 de outubro de 2021

A MORTE É A ÚNICA CERTEZA DA VIDA

O consumismo desenfreado enlouquece qualquer sociedade, a nossa inclusive

Nesses tempos loucos, completamente louco, em que o material se sobrepõe sobre o espiritual, caminho não há, a não ser o da tragédia coletiva: o fim sem começo.

A morte é parte inseparável da vida.

A vida faz parte da morte e vice e versa.

É simples entender isso, só não entende quem não quer.


Milhões de pessoas morrem e nascem todos os dias. Nascem mais do que morrem.

Hoje 24 faz um mês que a morte levou a vida de dois amigos queridos: o jornalista José Antônio Severo e o editor de livros José Xavier Cortez.

A madrugada daquela fatídica sexta de setembro nos deixou a todos tristes.

 Severo, gaúcho, foi editor e diretor de jornais e revistas em São Paulo, principalmente.

Sob a batuta de Severo, o jornal Gazeta Mercantil, já extinto, fez história no seu tempo. E história também fez na também revista Realidade.

Muita coisa o Severo fez no campo do jornalismo.

Cortez, nordestino de Currais Novos, RN, foi agricultor e marinheiro cassado pelos milicos em 1964.

Esse nordestino arretado foi amigo do revolucionário do Barão do Mar. Mas essa é outra história...

Cortez deixou uma editora com seu nome. Famosa. Cortez, aliás, dá nome a uma escola na zona sul de São Paulo.

Os dois, Severo e Cortez foram sábios.

Era muito bom falar com Severo. Aprendíamos.

Poucos meses antes de partir "praquela" viagem sem volta, Cortez distribuiu o que tinha de objeto pessoais, roupas inclusive, a quem precisava. E era muita coisa. E de grife, que não usava.

Isso fez-me lembrar de Cornélio Pires(1884-1958).

Cornélio era paulista de Tietê. Foi um dos maiores brasileiros que marcou presença fortíssima no campo da cultura popular.


Entre 1929 e 1931, Cornélio produziu e gravou 52 discos de uma série da extinta gravado Colúmbia com seu nome.

Essa história de vida de morte tem que ser encarada com naturalidade, discutida até.

Tudo na vida (e na morte) é normal. A morte é a única certeza da vida.

Pois é, só não ver quem não quer ver.

Clique: https://www.youtube.com/watch?v=MlDIfRoU8x8&t=105s


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AMIGOS E PARCEIROS NO TOM DA BOA MÚSICA

Foi não foi invento de produzir textos para amigos musicarem. 
O primeiro desses amigos a musicar textos meus foi o cantador e violeiro Téo Azevedo, ali pelos anos de 1980... Ou sei lá! Compusemos: O Índio, Caminhando com Vandré, Modinha à Moda Mineira, Minha Rendeira, Clarice...
Clarice, na verdade Clarissa, gravada pela mineira Fatel, integrou a trilha sonora do filme franco-brasileiro Saudade do Futuro.
Depois de Téo, outros amigos acharam motivo musical nos textos que aqui e ali produzo. Gereba, por exemplo, musicou Brasil Pentacampeão, Quixoteando e A Flor de Cacto no Sertão da Vida
Jarbas Mariz, o mestre da viola e de outras cordas, também andou musicando de minha autoria os versos de São Paulo Esquina do Mundo e Brasil e O País do Futebol (partitura ao lado).
O amigo pernambucano Jorge Ribbas tem sido o parceiro mais frequente. As últimas parcerias que assinamos têm por títulos Viva Rosil, Promessa de Amor e Forró pra Anastácia.
Entre os intérpretes destaque para Fatel, Ruth Eli, Emídio Santana, Carlos Felipe, Costa Senna, Cacá Lopes e Caju e Castanha.
E pra encerrar, aí estou tecendo loas à Capital paulista:
 

sábado, 23 de outubro de 2021

JARBAS MARIZ É BRASIL QUE BRILHA NO MUNDO

Não é raro, mas é curioso: um paraibano nascer em Minas Gerais, crescer e correr mundo como se tal fato não houvesse ocorrido.
Esse é exatamente o caso do cantor, compositor e instrumentista Jarbas Mariz. “Eu nasci num lugar chamado Aimorés, em Minas, mas com poucos meses de vida fui levado para a Paraíba. Meus pais são sertanejos, mas eu me criei em João Pessoa”, diz rindo o inquieto artista que há mais de 30 anos acompanha mundo afora o músico baiano Tom Zé. “A primeira vez que nos encontramos, eu e Tom, foi na Funarte, em Sampa. Foi uma ótima conversa e logo estava ele a me dirigir num palco”, relembra o artista.
Além da curiosidade de ter nascido no interior de Minas, Jarbas conta que há várias outras curiosidades na sua vida: “Comecei tocando coisas da jovem guarda, até definir o que eu de fato queria”.
A trajetória artística de Jarbas Mariz começa a ganhar força no começo dos anos de 1970, quando Lula Côrtes (1949-2011) e Zé Ramalho bateram a sua porta. “A partir daí, o papo fluiu fácil e logo viramos amigos”, é Jarbas falando.
Não demorou e logo os dois passaram a ensaiar, com outros músicos, o repertório para um álbum duplo sob o título de Paêbirú.
Desse disco participaram vários artistas iniciantes à época, como Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Zé da Flauta. Curiosidade: uma enchente carregou Capibaribe abaixo mais de 1.000 cópias de Paêbirú. Sobraram uns 300. Hoje, cada exemplar desse disco está cotado no mercado pela bagatela de 10.000 reais.
A respeito, até um documentário já foi feito. Título: Nas paredes da pedra encantada, por Cristiano Bastos e Leonardo Bonfim
O tempo foi passando e uma banda foi criada para acompanhar Tom Zé por aí afora. Quer dizer, no Brasil e Exterior.

Iniciavam-se os anos de 1990.
Um ano antes, Tom havia conhecido na Bahia o músico norte-americano David Byrne.
Byrne, ex-líder do grupo Talking Heads, criara um selo musical (Luaka Bop) e nele o encaixaram. “E a partir daí, começamos a fazer shows e preparar músicas para o primeiro disco internacional de Tom Zé”, é Jarbas de novo falando.
O primeiro disco internacional de Tom, The Hips of Tradition, foi lançado em 1992.
Jornais de várias partes do mundo o aplaudiram, enaltecendo a qualidade do artista e dos músicos que o acompanharam.
A partir daí, a agenda de Tom Zé e de Jarbas, por consequência, cresceu que nem bolo fermentado.
“Nesses 31 anos que estamos juntos, eu e Tom, já nos apresentamos na Argentina, Chile, Canadá, Estados Unidos e muitos países da Europa, como Itália, França, Portugal, Espanha, Alemanha, Bélgica, Suíça, Holanda e Inglaterra e por último no Japão em 2019”, recapitula Jarbas Mariz.
Por todo canto que esses dois vão com banda e tudo, e muita criatividade, recebem cobertura da imprensa. Viraram fregueses do The New York Times, por exemplo.
Na banda que acompanha Tom Zé, Jarbas canta e toca viola de 12 cordas, percussão e bandolim.
Pra bandolim, ele criou uma afinação especial. “Afinação muito própria, personalíssima”, revela orgulhoso e um tom de satisfação.
Com Tom, Jarbas gravou 15 CDs, 6 DVDs e 2 filmes: Fabricando Tom Zé e Tom Zé, Astronauta Libertado.
Nas últimas 3 décadas, pouco antes até, Jarbas Mariz dividiu o palco com Jackson do Pandeiro, com quem fez 32 shows; Cátia de França, Pedro Osmar, Quinteto Violado, Paulo Diniz, Anastácia, João do Vale, Alceu Valença, Orquestra Jovem Tom Jobim, Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Bocato, Oswaldinho do Acordeon, Elba Ramalho e até o grupo paulistano Demônios da Garoa.
Fora a participação nos palcos, Jarbas já teve músicas gravadas por Marinês, Gilberto Gil, Chico César, Lula Côrtes, M4J, Renato Lellis, Fúba, Marco Mendes e Eliane Camargo. Agora mesmo, ele está pondo ponto final no seu 8º disco de carreira. Título: Jarbas Mariz, com participações de Chico César, Zé Ramalho e Crônica Mendes.
Seus discos anteriores são Transas do Futuro, Bom Shankar Bolenath, Vamos lá pra Casa, Forró do Gogó ao Mocotó, Num lugar de La Mancha, Do Cariri pro Japão e Pare Olhe Escute.
Esses discos se encontram em todas as plataformas digitais.
Jarbas Mariz está na estrada há 50 anos, 30 dos quais ao lado da companheira Ângela Tamaso. “Ângela cuida de tudo que faço, sem ela não haveria agenda nem nada”, conclui numa risada esse mineiro da Paraíba.

INFORME-SE MAIS, CLICANDO: JARBAS MARIZ NA CONECTADOSHIROSHIMA, MEU AMORCORRIDA PARA O NADA

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

DIA DE FESTA NA PRAÇA VLADIMIR HERZOG

Atenção, atenção, amigos e amigas!
Amanhã 23, na praça Memorial Vladimir Herzog, vão estar declamando e lançando livros jornalistas, poetas e romancistas de bons quilates. Tudo ao ar livre.
Vão estar no local os músicos Alexandro Fernando da Silva e Paulinho Timor, os jornalistas Enio Squeff, Giuliano Galli, Juca Kfouri e Sergio Gomes (Sergião); os arquitetos Ciro Pirondi, Luis Ludmer, Marco Artigas Forti; a bailaria Silvia Lopes, o médico Samir Salman, o fotógrafo Jorge Araújo, o produtor musical Paulinho Fluxus, o artista plástico Elifas Andreato, criador das obras expostas no espaço; e os chargistas Aroeira e Laerte Coutinho.
Laerte, antena sensibilíssima do cotidiano brasileiro, registra no seu perfil do Twitter os dias até aqui sem solução para o caso Marielle Franco
A praça Vladimir Herzog é uma homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, que ao atender a uma intimação de agentes da ditadura foi preso, encapuzado, torturado e morto nas dependências do DOI-CODI, sem São Paulo, SP.
O assassinato de Vlado, como o jornalista era chamado, provocou consternação nacional e levou o então presidente general Geisel (1907-1996) a mostrar seu descontentamento em relação ao caso. E que morte do tipo não se repetisse na dependências das forças armadas. Repetiu-se.
Vlado foi assassinado no dia 25 de outubro de 1975 e menos de 3 meses depois, no dia 17 de janeiro, foi assassinado pelos agentes repressores o metalúrgico nordestino Manoel Fiel Filho (1927-1976).
A praça Memorial Vladimir Herzog localiza-se ali na Bela Vista, rua Santo Antônio, 33-139, São Paulo - SP.
Para Vlado, compus:  

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

CORRUPÇÃO É PRAGA QUE NÃO ACABA NUNCA

"O vírus mortal desembarcou num mundo no qual o negacionismo, o populismo, a desinformação

deliberada, corrupção falaram mais alto que a defesa da vida em várias partes do planeta (...) O documento final (da CPI) também trouxe indícios claros de que, na base dessa resposta, estão suspeitas de corrupção. Desde os primeiros dias da crise sanitária, entidades como a OCDE alertavam como a pandemia era “o paraíso” dos corruptos, já que abriam-se brechas perigosas diante da pressão por compras imediatas de materiais, regras de licitação que eram suspensas, a pressão popular por respostas e um mercado desabastecido".
 
O texto final produzido pela Comissão Parlamentar de Inquérito, CPI, que apura denúncias de corrupção aos cofres públicos será votado na próxima semana, no Senado.
No cinema, teatro, televisão e até na literatura e folhetos  de cordel personagens corruptos (e corruptores) pintam e bordam. 
Autores como Machado de Assis e Lima Barreto criaram alguns personagens aéticos.
No Conto de Escola, o autor Machado de Assis (1839-1908) dá vida a Raimundo e a Pilar. Raimundo, tenta subornar Pilar e essa sua tentativa lhe rende uma sova inesquecível.
Em Triste Fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto (1881-1922) dá trabalho ao protagonista do romance, Policarpo, que de uma hora pra outro vê-se perseguido por um político da sua cidade.
E por aí vai a história de corruptos e corruptores na ficção e na vida real, aqui e alhures.
O primeiro ato de corrupção da história foi registrado no Éden, quando Eva leva Adão a comer o tal fruto proibido.
No Brasil, o primeiro ato de corrupção tem um autor: Pero Vaz de Caminha (1450-1500).
Em 2003, o Brasil assinou documento na ONU prometendo agir contra a corrupção. Mais de 100 países fizeram o mesmo, a partir de outubro daquele ano.
 
 
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BRUMADINHO: 1.000 DIAS E UMA CANÇÃO


Bombeiros continuam procurando, exaustivamente, 8 dos 270 corpos soterrados pela enxurrada de rejeitos da barragem da Vale do Rio Doce em Brumadinho, MG.
Hoje 21 faz 1.000 dias do estouro da barragem, um caso crimonoso.
Dezesseis pessoas entre engenheiros e diretores, incluindo presidente Schvartsman, foram denunciadas à Justiça.
Os denunciados, porém, já não são denunciados pela Justiça mineira, pois "terça-feira 19 a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu anular o recebimento da denúncia por entender que o caso deve analisado pela Justiça Federal", segundo o noticiário.
Hmmmmm...
Impunidade à vista. E aí, escrevi o poema abaixo:

VIDA E MORTE EM BRUMADINHO

Morre sorte, morre vida
Morre fé, morre esperança
Morre fim, morre começo
Morre paz, morre bonança
Morre tudo, nada fica
Só a dor da má lembrança

Morrem homens e mulheres
E crianças nas esquinas
Morre dia, morre noite
Nos morros, nas colinas
Morre tudo que se mexe
No rico solo de Minas

Mariana se repete
Com dor e muito espinho
O povo de Deus precisa
De amor e mais carinho
Por quê morre tanta gente
D'uma vez em Brumadinho?

O terror desceu matando
Pelas águas do Feijão*
Provocando desespero
Pavor e destruição
O poder não tem limite
nem pudor nem compaixão

Força e violência
Tem o Grande Capital
Que transforma gente em coisa
Pelo tal do vil metal
Impondo a "Mais valia"
Na alma nacional

A Vale do Rio Doce
De doce não tem nada
Tem dor, tem agonia
E chicote pra lapada
Quem reclama ganha cruz,
Vira coisa descartada

Vale tudo, vale tudo
Na terra da bandalheira
Vale roubar o povo
Vale vale a roubalheira
Só por isso vale pôr
Os ratos na ratoeira!


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