O jurista Goffredo da Silva Telles (1915-2009) definia a ditadura como um tipo de governo feito para o povo, sem o povo.
Ditadura, de direita ou de esquerda, é uma porcaria. Só serve aos poderosos, aos que querem se perpetuar no poder a qualquer custo.
Nós brasileiros e brasileiras estamos correndo risco de perder a democracia para a ditadura.
O tempo todo o atual presidente da República ameaça-nos de usurpar a liberdade tão duramente conquistada por nós, desde a promulgação da Carta de 1988. Nessa Carta lê-se, já no 1º artigo no seu parágrafo único: “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.
É, pois, preciso que estejamos sempre atentos. Vigilantes.
Imbuídos do espírito cívico que
lastreou a Carta aos Brasileiros de 1977 e reunidos no mesmo território
livre do Largo de São Francisco, independentemente da preferência
eleitoral ou partidária de cada um, clamamos as brasileiras e
brasileiros a ficarem alertas na defesa da democracia e do respeito ao
resultado das eleições. No Brasil atual não há mais espaço
para retrocessos autoritários. Ditadura e tortura pertencem ao passado. A
solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa
necessariamente pelo respeito ao resultado das eleições. Em vigília cívica contra as tentativas de rupturas, bradamos de forma uníssona:
Estado Democrático de Direito Sempre!!!!
As adesões continuam.
A carta aos brasileiros e brasileiras será lida no próximo dia 11 de agosto, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco.
A democracia ainda é o melhor caminho para uma sociedade se mover.
A luta pela democracia é eterna.
Séculos antes de Cristo um grego, Diógenes, lutou por liberdade combatendo tiranos, assaltantes do cofre público, da dignidade humana etc. Sobre ele e a sua luta, escrevi:
A terra de Homero E da Mitologia Dos deuses do Olimpo E da Democracia Plantou em Diógenes A flor da Anarquia Diógenes era um doido Diplomado em Poesia Com sua lanterna acesa Em pleno dia Procurou mas não achou No poder cidadania Outras coisas ele achou Mas não o que queria: Um Ser que fosse honesto A verdade sem fantasia e um santo que falasse Do valor da valentia Valente é todo Ser Que vive de teimosia Que detesta injustiça E a lei da "Mais Valia" E não vou falar mais disso Adeus, até outro dia!
Com uma inseparável lanterna, Diógenes entrou para a história procurando um homem honesto. Não achou. É isso.
Eu já disse várias vezes o óbvio: o Brasil tem memória curta e dificilmente reconhece seus filhos e por não reconhecê-los, os esquece.
Somos um país de esquecidos, infelizmente.
O dia 26 de julho de 1915 marca o nascimento do pernambucano Fernando Lobo.
Lobo, pai de Edu, estudou violino, violão e outros instrumentos de corda. Criou-se em Campina Grande, PB.
Além de músico, Fernando Lobo foi jornalista e radialista com boa atuação em Recife, PE, e Rio de Janeiro, RJ. Também atuou nos EUA.
No Rio, Fernando Lobo dirigiu várias emissoras, entre as quais Tamoio e Nacional.
Um dia Lobo proibiu Luiz Gonzaga, então futuro Rei do Baião, a cantar. O mesmo fez um diretor da extinta gravadora Victor. Mas isso não impediu que Gonzaga alcançasse o estrelato e que cravasse definitivamente o seu nome na história da nossa música popular.
Luiz Gonzaga, pernambucano que nem Fernando Lobo, tem músicas gravadas em várias línguas. Em inglês, inclusive.
As cantoras Carmem Miranda e Peggy Lee gravaram Gonzaga nos EUA. Também nos EUA, Gonzaga teve o seu famoso Baião gravado pelo paulista fantástico Laurindo Almeida. A gravação de Laurindo ganhou título de Blue Baiao, incluído no disco de 10 polegadas Brazilliance Vol.1 (capa ao lado). Dessa gravação participou Bud Shank. Vamos ouvir?
Ah! O dia 26 de julho de 1995 marca o falecimento, nos EUA, de Laurindo. No ano seguinte, precisamente no dia 22 de dezembro, foi a vez de Fernando Lobo nos deixar.
O Brasil é celeiro de grandes talentos musicais como Carlos Gomes, Chiquinha Gonzaga, Joaquim da Silva Callado, Villa-Lobos, Noel Rosa, Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga, Tom Jobim.
Taiguara Chalar da Silva foi um grande cantor e compositor. Nasceu em Montevidéu, mas foi trazido para o Brasil ainda muito novinho.
Taiguara não gostava que o chamassem de uruguaio. Irritava-se. A respeito dele e desta questão já escrevi bastante.
No último domingo 24 a TV Cultura levou ao ar mais uma edição do programa Persona, dessa vez enfocando Taiguara. Belíssimo programa, com jeito de documentário pra cinema. Sim, um baita documentário de quase uma hora de duração. Seu titular Atilio Bari está de parabéns.
Quem, por uma razão ou outra, não assistiu o especial Taiguara tem, agora, mais uma chance:
No decorrer dos causos contados, Aldo disse que a violência é uma praga que existe em todo canto. E lá vem ele: “Um dia um guarda rodoviário fez parar um carro. Dentro além do motorista, um acompanhante. Parado o carro, a autoridade rodoviária ouviu um barulho esquisito no porta-malas e imediatamente determinou que fosse aberto. Lá se achava uma jovem amarrada e amordaçada. Tirou-lhe a mordaça. A jovem disse que o motorista era seu pai e o acompanhante, seu irmão. E por que tal caso estava ocorrendo?” Segundo a jovem, o pai não queria que se casasse com um certo cidadão. E por que? O cidadão em pauta era um assassino famoso no Nordeste e já tinha sobre as costas a morte de pelo menos meia dúzia de mulheres. Era um tarado. O guarda, então, concordou que o pai da jovem estava certo. E liberando o motorista, disse: “Ela está doida, mesmo! O manicômio é o seu lugar”. São muitas as histórias pitorescas constantes no repertório do Aldo Rebelo. Durante o almoço, muitas histórias foram contadas. E o padre, ouvindo. Em determinado momento, senti uma mão no meu ombro e perguntei: “Quem é?”. Resposta: “É o padre, porra!”. O mais recente livro de Aldo Rebelo chama-se O Quinto Movimento. Esse livro trata do achamento do Brasil, do “grito” de Pedro I, da escravidão e do golpe militar que acabou com o Império. A respeito o cantador repentista cearense Geraldo Amâncio, publicou um folheto de cordel que começa assim:
Brasil, uma terra esplêndida magnífica, destinada a maravilhar o mundo, por Deus vocacionada, tudo de bom tem de sobra, mas está como uma obra incompleta, inacabada.
Este cordel vem das páginas de um livro norteador feito de ideias brilhantes, todas de alto teor, para que o Brasil avance, e com segurança alcance um futuro promissor.
É “O Quinto Movimento” livro que em textos polidos mostra ao país os caminhos, que deverão ser seguidos, e dessa forma alcançar, o mais alto patamar dos povos desenvolvidos.
O cordel de Amâncio, segue terminando assim:
No país onde os poderes vivem se digladiando a data das eleições, já está se aproximando, se espera um nome ideal, de envergadura moral para assumir o comando.
Que o caminho democrático viabilize essa conquista e o eleitorado escolha, o melhor nome da lista, é o que a nação deseja, para que o povo seja seu principal avalista.
Aldo Rebelo acaba de prefaciar o livro póstumo do jornalista José Antônio Severo (1942-2021). Esse livro traz histórias da Independência do Brasil.E o detalhe mais importante nessa história: Aldo Rebelo, além de ótimo contador de causos, é um cantador em gestação. Pois, não à toa, ousou improvisar, junto com Sebastião Marinho, em quadras a toada de origem popular que tem como mote No Calor da Vaquejada. Confira:
Que Aldo Rebelo é alagoano de Viçosa, todo mundo sabe. Que o alagoano Aldo Rebelo é político, todo mundo sabe. E como político Aldo Rebelo começou a carreira como vereador, em São Paulo. E foi o povo de São Paulo que o elegeu seis vezes seguidas deputado federal. Que Aldo Rebelo foi ministro de pastas diferentes quatro vezes, poucos sabem. E pouquíssimos sabem, ou lembram, que Aldo Rebelo foi presidente da União Nacional dos Estudantes, UNE. E pensar que Aldo foi ministro da pasta hoje ocupada pelo general lambe-botas Paulo Sérgio, chega ser uma loucura. Ah! É certo que poucos lembram que Aldo Rebelo foi também presidente da Câmara dos Deputados, no tempo de Ulysses (1916-1992) e Arraes (1916-2005). “Hoje, na Câmara e no Senado, está tudo esculhambado. O nível de parlamentar é outro, infelizmente”, carimba Aldo Rebelo. Além disso tudo e de opiniões claras, Aldo Rebelo é jornalista e escritor. Dos bons. Dia desse, Aldo passou em casa e me apanhou para comer uma carne de sol típica do Nordeste e fomospara um restaurante baião, na zona Sul de Sampa. E comigo também foi o amigo Atilio Bari, dono de uma risada excepcional. No restaurante nos encontramos com o poeta Moreira de Acopiara e o cantador repentista Sebastião Marinho. Lá também estavam o radialista Carlos Silvio, Padre Ney e a presidenta do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro Brasileira, Conceição Reis.
Sebastião Marinho e sua viola
Pouquíssimas pessoas, repito, pouquíssimas pessoas sabem que Aldo Rebelo é um piadista e um contador de causos fora de série. Aldo contou, de maneira muito própria, que foi amigo do pernambucano Miguel Arraes. E também do paraibano Ronaldo Cunha Lima. E lá vem ele: “Arraes gostava de molhar o bico com água que passarinho não bebe. Um dia lhe aconselharam a parar de beber. E se continuasse, diminuísse. Bebida traz problemas para a saúde. E Arraes, no risinho sarcástico, disse que sabia disso, tanto que andava no carro com um médico, o Dr. Johnnie Walker”. Mas além de whisky, o ex-governador de Pernambuco bebia boas cachaças.
Taiguara nasceu em Montevidéu, Uruguai, e foi trazido pelos pais, Olga e Ubirajara, para o Brasil inda pequenininho.
Pequenininho, Taiguara tornou-se grande. Um gigante do amor e da liberdade. Solidário.
Eu conheci Taiguara no começo dos 80, cá em Sampa. Ele acabara de voltar de Tanganica, África.
No dia 24 de janeiro de 1982 publiquei, no extinto suplemento dominical Folhetim (Folha de S.Paulo), uma entrevista a que intitulei Taiguara Volta Pra Luta.
À época, essa entrevista deu o que falar e no decorrer do tempo, também.
Taiguara gravou um monte de discos (acima) entre LPs e Compactos. E também um CD, no qual insere uma canção que fez em homenagem a um dos seus ídolos: Luís Carlos Prestes, O Cavaleiro da Esperança.
Maria Abília de Andrade Pacheco, da Universidade de Brasília, escolheu Taiguara como tema de mestrado, em 2013. E a entrevista que fiz com Taiguara serviu-lhe de base. Lá pras tantas, ela destaca uma das declarações do artista: "Parei de cantar em público em abril de 74. Nessa época, eu já tinha 44 músicas vetadas pela Censura Federal. Percebi, então, que não dava pra continuar. E jurei: só volto a cantar quando o poder popular assumir o governo em meu país".
O programa Persona, da TV Cultura canal 2, repito, ao ar domingo 24, às 21h. Não perca! A chamadinha é esta:
ALDO REBELO
Daqui a pouco às, 20:30, o radialista Carlos Silvio vai entrevistar o alagoano Aldo Rebelo. Muitos assuntos em pauta. Política, principalmente. Aldo foi amigo de Taiguara. Esse papo promete! Acesse:
Inflação na lua e economia totalmente desorganizada levaram rebeldes cingaleses às ruas de Sri Lanka gritando palavras de ordem e exigindo a renúncia do presidente Gotabaya Rajapaksa e do primeiro ministro Dinesh Gunawardena. Ambos tiveram suas residências incendiadas. O primeiro-ministro renunciou e o presidente fugiu num avião, na madrugada de 13 de julho.
A situação é periclitante em Sri Lanka, desde a madrugada de 9 de julho último.
Sri Lanka já foi chamado de Ceilão e Taprobana.
Os cingaleses vivem de chá, coco e turismo.
O turismo é a grande fonte de renda de Sri Lanka, por uma razão: foi por lá que Luís Vaz de Camões passou rumo à Índia, ali pelo ano de 1500 e qualquer coisa. E já na 1ª estrofe do primeiro dos 10 Cantos do seu famoso livro Os Lusíadas, escreve:
As armas e os Barões assinalados Que da Ocidental praia Lusitana Por mares nunca de antes navegados Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados Mais do que prometia a força humana, E entre gente remota edificaram O Novo Reino, que tanto sublimaram;
Há pouco arrisquei-me a adaptar o belíssimo livro de Camões em sextilhas. No original, o autor faz uso de estrofes com versos cruzados. Penso numa ópera popular, que intitulei A Fabulosa Viagem de Vasco da Gama no Mar.
Em mais de hum mil versos, faço uso dos principais personagens de Camões. Estão lá deuses, ninfas e até o Velho do Restelo.
O presidente Rajapaksa caiu e no seu lugar assumiu hoje 21 Ranil Wickremesinghe, prometendo mundos e fundos ao povo.
O nome oficial da terra dos cingaleses, que fica ao sul da Índia no Índico, é República Democrática Socialista do Sri Lanka. A língua lá deles são duas: Cingalês e Tâmil.
A população de Sri Lanka, que ocupa 65.610km² gira de em torno de 22 milhões.
Em termos territoriais, Sri Lanka tem a mais apenas 9.025km do que a minha querida Paraíba.
Os programas de teor policial da Bandeirantes e Record, Brasil Urgente e Cidade Alerta, foram dedicados inteiramente hoje 20, ao vivo, à uma coisa chamada o Mistério da Casa Abandonada.
Dentro da tal casa, cuja janela foi arrombada pela polícia, se achava uma senhora de 60 ou 65 anos de idade.
A tal casa abandonada foi em tempos imemoriais muito bonita, uma mansão com mansarda e tudo mais.
Um cachorro magrelo fazia companhia à senhora de nome Margarida.
Margarida é uma brasileira que viveu durante anos nos EUA e lá teria cometido um crime análogo à escravidão. Condenada, voltou às pressas ao Brasil. E na tal casa, escondeu-se.
O caso remeteu-me aos tempos em que eu era repórter da editoria de polícia da Folha.
Como repórter da área policial entrevistei grandes nomes do crime como o Bandido da Luz Vermelha, Hiroito, Quinzinho e o líder da rebelião do presídio da Ilha Anchieta, Pereira Lima.
O setor policial não é fácil não. Estressante, quase fiquei louco, até que um dia o amigo Vandré aconselha-me (vejam só!) a parar com o que eu fazia. Aceitei a sugestão e, psicologicamente, acho que fiquei melhor.
Ouvindo ocasionalmente hoje 20 Datena falando sobre a Margarida da Casa Abandonada, concluí: mundo cão. Sensacionalismo. Horror. Mas esse mundo dá um Ibope danado, uma audiência fora do comum.
As tardes do dia a dia em Sampa deixam os telespectadores ligadíssimos diante da telinha de fazer doido, como diria o velho e bom Stanislaw Ponte Preta (1923-1968).
Não tenho pretensões de trocar a Terra pelo Céu, mas para o Inferno não quero ir.
Na Capital paulista há tudo para todos, no tocante a agendas e programações. Culturais, inclusive.
Exemplificando o que ora eu digo, hoje 20 começa oficialmente mais uma edição do projeto Revelando São Paulo criado em 1996 e desenvolvido no acochegante Parque da Água Branca.
Revelando São Paulo deste ano de 2022 traz na sua programação artistas de grande gabarito como Almir Sater, Rolando Boldrin e Tetê Espíndola, cantora que não só canta: trina, que nem passarinho.
Acho sensacionais Almir, Boldrin e Tetê.
Da programação do Revelando deste ano constam danças e cantos indígenas, com indígenas; um festival de moda de viola, cateretê, catira, jongo, fandango, samba-lenço, batuque, folia de reis e cururu, que é um tipo de repente parecido com o que se faz no Nordeste.
Revelando São Paulo é um projeto que traz à tona belíssimas manifestações populares, tradicionais do nosso povo.
Eu, se fosse você, não deixaria de dar um pulinho até o Parque da Água Branca para curtir o Revelando.
Além de manifestações artísticas criadas pelo povo, o Revelando oferece ao público sensível e de bom gosto, bons pratos e boas cachaças próprios do interior paulista.
Pelo menos 120 municípios de São Paulo participam do Revelando. Bora lá?
Almir Sater está pondo os pontos finais num novo disco, que deverá chegar à praça dentro de dois meses.
Almir é viola pura.
Conheci Almir quando estava ele lançando seu primeiro LP pela extinta Continental. Pra lembrá-lo, ouça:
Estou triste pelo Brasil. E é certo que muitos brasileiros também estão. Pena.
Por que o brasileiros de bem estão tristes pelo Brasil?
Ontem 18, ali pelo final da tarde, o presidente do Brasil chamou embaixadores estrangeiros para falar mal das urnas eletrônicas, do processo de eleição. Mentiu, mentiu, mentiu e pôs lá embaixo o nosso País. Meteu o pau no TSE e nos seus ministros. De tabela, a democracia tão duramente por nós conquistada.
O Brasil, pois, está sofrendo nas unhas do desclassificado Bolsonaro.
A Imprensa mundial, incluindo jornal e TV, está hoje 19 dizendo com todas as letras, e palavras, que o presidente do Brasil, eleito democraticamente em 2018, está com suas mentiras arquitetando um golpe contra a Nação.
Nunca na vida do nosso País aconteceu o que ora está acontecendo. Nem no tempo de Dão Pedro I, aquele que há 200 anos teria dado o grito de separação do Brasil de Portugal, às margens do riacho Ipiranga, ali na zona sul de Sampa.
Bolsonaro é o pior de todos os presidentes que já tivemos. E como idiota perigoso que é, está tramando o sequestro da nossa liberdade. É tiro n'água, mas precisamos estar atentos.
Seguro morreu de velho.
Os idiotas perigosos são canalhas.
A Imprensa do mundo inteiro está hoje 19 mostrando: um idiota perigoso.
O diário nova-iorquino The New York Times diz em notícia de destaque que: "Muitos diplomatas no evento saíram abalados com a apresentação,
inclusive com a proposta de Bolsonaro de que o caminho para garantir
eleições seguras seja por meio de mais envolvimento do Exército
brasileiro, segundo dois diplomatas no evento que falaram sob anonimato".
Até gente boa tem fim.
Não podemos nos esquecer que Bolsonaro é um negacionista cretino, histórico. Chegou à Presidência por métodos sacanas. Loroteiros.
É impossível não lembrar que ele foi contra o combate ao Coronavírus. Chegou a tirar sarro dos brasileiros, chamando-nos de maricas.
Até agora quase 700 mil brasileiros morreram vítimas do Corona. E como costumo dizer por não ter o que fazer, fiz:
Já não são quinhentas mortes Já não são quinhentas mil A desgraça toma corpo No coração do Brasil
Não são mortes naturais As mortes de Silvas e Bragas São mortes provocadas Por vírus, pestes e pragas
Praga viva inda mata Homem, menino e mulher Mata completamente Do jeito que o bicho quer
Maldito Coronavírus Que pega e mata gente O Brasil está morrendo Nas garras do presidente
Presidente também morre De morte matada ou não Lugar de quem não presta É lá no fundo da prisão!
O ridículo Bolsonaro continua firme no propósito de ridicularizar o Brasil perante o mundo. Prova disso foi a reunião que teve hoje 18.
No Alvorada, seu palácio residencial, Bolsonaro reuniu-se com uns 40 embaixadores estrangeiros com o intuito de desmoralizar os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, TSE.
O TSE e seus ministros viraram sacos de pancada desde que Bolsonaro assumiu a cadeira da presidência da República.
Lá pras tantas, Bolsonaro lembrou frase firme e necessária do ministro Edson Fachin.
Fachin, respondendo à provocações de Bolsonaro, disse no dia 12 de maio deste ano:
"Quem trata de eleições são forças desarmadas e, portanto, as eleições dizem respeito à população civil que, de maneira livre e consciente, escolhe seus representantes".
O lance de Bolsonaro é desmoralizar completamente o processo eleitoral do Brasil.
Bolsonaro é lixo! À respeito desse tema, eleitoral e urnas eletrônicas, sugiro leitura imediata do novo número da revista Piauí, que se acha nas bancas. A Piauí traz uma bela e conclusiva reportagem sobre o tema aqui abordado. Título: Trincando os Dentes, assinada pela jornalista Marina Dias. No "olho" da reportagem, lê-se que "o Tribunal Superior Eleitoral enfrenta o maior desafio de sua história". O TSE foi criado em 1932, portanto há 90 anos.
Atilio Bari é um cabra que conheço desde não sei de quando. Voz forte, voz bonita. Sabe o que diz, sabe o que faz. Como se não bastasse, esse Atilio além de ator, autor de teatro é também autor infantil e de histórias que podemos classificá-lo de cronista. E como cronista, vem o contista e o romancista. É uma coisa puxando outra.
Atílio começou na TV apresentando um programa num lugar visível chamado TV Aberta.
Nesse lugar andei falando pra ele cousas e coisas (abaixo).
Atilio tem sei lá quantos livros infantis, ditos infantis para público infantil.
As histórias infantis contadas por Atilio são bonitas, muito bonitas.
As histórias não propriamente infantis, direcionadas ao público adulto, são igualmente bonitas. E aí quero dizer para você meu amigo, minha amiga, que um dos livros mais bonitos que já vi na minha vida é Julgamento no Velho Chico (capa ao lado).
Esse livro, Julgamento no Velho Chico, traz a nossa vida três personagens importantes da história nordestina: Lampião, Padre Cícero e Delmiro Gouveia (1863-1917). E de lambuja, Luiz Gonzaga.
Outro dia ouvi na TV Cultura Atilio e Chris entrevistando Jackson Antunes. Grande ator. Com ele, aliás, gravei uma coisa bem bonitinha. Ouçam: CADUQUICE
É bom que não nos esqueçamos que Atilio Bari é ator, autor, apresentador e o escambau.
O mundo é um palco dizem ainda, especialmente, quem profissionalmente atua no teatro.
Outro dia conversando cá em casa com o paulistano Atilio Bari, um grande, cheguei à conclusão completa: a vida é um palco.
Um palco é a vida, nossa, cheia de personagens. Uns e umas importantes e outras, nem tanto.
Aprendo com isso, com teatro.
Atilio Bari é ator, autor, diretor, apresentador e o escambau. Dos bons. Sabe tudo, de tudo.
Sobretudo Atílio é o que é.
Andei escutando Atilio Bari no programa que apresenta na TV Cultura. É um programa interessante, interessantíssimo, esse que ele apresenta: Persona em Foco. Cheio de vida. De memória.
Persona é um programa de TV que traz à tona artistas do teatro e também da música. Coisa rara, da TV brasileira. Cultura, em todos os sentidos.
E um dia ele me disse que mora num apartamento que já foi de Anselmo Duarte, um dos seus ídolos maiores. História.
Atilio é um personagem oculto, tão oculto quanto Fernando Faro. Ele cresce com uma menina chamada Chris.
Chris Maksud é de uma beleza rara, também. Espontânea. Solta, parceira e cúmplice de Atilio. Sabichona. Agressiva na sensibilidade.
A inteligência feminina, no caso, faz de Atilio Bari grande.
Mais uma semana chega ao fim, deixando um rastro de notícias ruins. E tragédias, como a do policial que matou na madrugada de hoje 15 a mãe, a mulher, três filhos, um irmão e duas pessoas que caminhavam na rua. E, depois, matou-se. Isso ocorreu entre os municípios de Toledo e Céu Azul, a oeste do Paraná.
Motivo dessa loucura toda: o assassino não aceitava a separação da mulher.
E não nos esqueçamos que na noite de domingo passado um policial matou outro a tiros, também no Paraná. Esse crime foi praticado por um bolsonarista e a vítima, lulista. As investigações foram concluídas hoje e a delegada do caso disse que o crime foi torpe, banal, sem motivação política. Hmmm...
Enquanto isso, o número de pessoas desempregadas no Brasil continua lá em cima. Lá em cima também estão os juros e o dólar equiparando-se ao euro. E a bolsa de valores, lá embaixo.
Logo cedo, ali pelas nove horas da manhã, ouço no rádio notícia dando conta de que o presidente do Brasil participava de mais uma motociata. Quer dizer, passeava. E hoje é sexta, dia de quem trabalha, trabalhar.
Bolsonaro não está desempregado, mas trabalhar que é bom, nada. Tem sido assim, desde sempre. Aliás, esses "passeios", pagos com dinheiro público, são para angariar votos dos leigos e trouxas. Ontem 14, Bolsonaro fez campanha pra reeleição, no Congresso Nacional, depois de os congressistas aprovarem a PEC Vale-tudo ou Kamikaze, como ficou conhecida a violação da Constituição e tudo mais.
Mas no meio disso tudo, há coisas boas como a notícia de que mais de 150 milhões de brasileiros estão aptos a irem às urnas. Porém nunca é demais lembrar que o presidente da República não para de esculhambar o processo eleitoral em vigor. Ele faz o impossível para desacreditar as urnas eletrônicas, as mesmas que o fizeram deputado e presidente inútil, chinfrim. À propósito: o ministro da Defesa, o general lambe-botas Paulo Sérgio, compareceu anteontem ao Senado para "sugerir" que fosse feita uma votação paralela às urnas eletrônicas. Essa "votação" deveria ser feita em cédulas. Ora, ora, e pensar que esse general foi comandante do Exército brasileiro há poucos meses, é de chorar.
As Forças Armadas de um país existem para defender sua integridade perente invasões externas, por exemplo. No Brasil, não é diferente, mas o que se vê e se ouve é que os militares estão cada vez mais envolvidos no dia a dia político. Isso não é bom. O que eles não querem é certo: perderem a boquinha.
E que a próxima semana seja melhor do que esta que finda amanhã, 16.
Ah! Hoje é Dia do Homem. E da tapioca. E mais uma coisinha: foi relançada hoje a campanha Ação da Cidadania, criada pelo sociólogo Betinho em 1993. Já naquela época a ideia era combater a fome no nosso País.
Seu Assis, começou o Zilidoro, "o Sr. sabe o que aconteceu no dia 14 de julho de 1789?".
Hmmm... Por que você me pergunta isso, hein?
"Calma, seu Assis, é porque o dia 14 de julho é muito importante para a vida do mundo. Tomada da Bastilha, França. O Sr. sabe".
Desculpe Zilidoro, é que essa data pra mim é, de fato, muito importante. Nesse dia, 200 anos depois, nascia em São Paulo, SP, uma menina filha minha a que eu e a mãe dela demos o nome de Clarissa. Filha da liberdade.
"Eu conheci Ana Maria... É a sua filha mais velha, não é?", pergunta o curioso Zilidoro.
À pergunta do Zilidoro, respondi simplesmente: "As mulheres são incríveis. Ana, minha filha, é incrível".
"Isso eu entendo, isso é verdade! E Clarissa é, também, o nome de um romance do grande escritor Érico Veríssimo", veio ainda dizendo Zilidoro.
O Érico eu não conheci, mas conheci o seu filho Fernando.
"O Sr. conheceu o Fernando Veríssimo!?".
Sim, sim. Fernando Veríssimo a mim foi apresentado por um enorme amigo meu chamado Fortuna. E lá estivemos eu e ele, juntos em Piracicaba. No Salão de Humor de Piracicaba.
"Essa conversa tá bonitinha, bonita de se ouvir, mas a realidade nossa neste nosso Brasil está uma doidura", interrompeu Jão.
À fala de Jão, vieram as falas de Zé, Mané e Barrica.
Até parece que os três haviam combinado, porque em uníssono disseram: "A realidade que vivemos é a realidade inventada por um cabra safado chamado Bolsonaro".
Lampa, daquele jeitão que já conhecemos, cutucando as unhas e lambendo o punhal, disse: "Hmmm...".
Biu fez de conta que não ouviu Lampa e acrescentou: "O negócio tá feio. Ouvi hoje no rádio que a bolsa abaixou e o dólar se equiparou ao Euro".
Zoião, o sempre surpreendente Zoião, disse: "Estou perdendo no mercado financeiro".
Zé, com cara de besta, disse: "Bem feito!".
Esses botões meus estão totalmente fora de controle.
Com ar solene, Zilidoro levantou o dedo e disse: "O Brasil não é para principiantes!".
Achei graça e perguntei a razão disso. E ele: "Porque o Brasil é um país incrível em todos os sentidos. De tédio, aqui ninguém morre. É uma loucura o Brasil!".
Foi a vez de Zoião entrar na conversa: "Essa frase eu conheço, é do músico Tão Jobim".
A frase é correta e forte, mas o autor foi um carioca chamado Tom Jobim. Nome completo: Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. Autor, dentre tantos sucessos, de Garota de Ipanema, expliquei.
Biu e Barrica estavam atentos no seu canto. Só ouvindo. Ali e acolá cochichavam.
Mané, que também resolveu entrar na conversa, foi já dizendo: "A Constituição brasileira está sendo estuprada mais uma vez".
Zé pegou carona, e lá foi ele: "É muita violência que nossos congressistas andam praticando. Na Câmara e no Senado. Esse tal de Arthur Lira é perigoso! Ele e Bolsonaro andam de mãos dadas, aprontando contra o nosso povo".
Esses meus botões estão impossíveis, pensei.
Jão, que estava de braços cruzados, entrou de leve na história: "Estou observando tudo e não tem como não concordar com Zé".
Cutucando tranquilamente as unhas com seu inefável punhal, Lampa que nem cobra prestes a dar o bote, disse: "É muita violência, muita violência... É preciso paz, chega de tanta desgraça no nosso país".
"Olha só quem tá dizendo isso. Ou Lampa endoidou, ou endoidou. Não tem meio termo!", falou provocativamente Biu. E Lampa, de novo: "Cangaceiro também é gente...". Limpou o punhal na calça e o enfiou na cintura.
"É muita loucura o que Arthur Lira está fazendo, com a cumplicidade do presidente do Senado Rodrigo Pacheco. Que o povo mais pobre está precisando de dinheiro pra comer, é fato. Mas o que está embutido nisso é muito perigoso para a sociedade", disse Zilidoro.
"E o que vocês acham do que disse Bolsonaro com relação ao assassinato do petista Marcelo Arruda, lá em Foz do Iguaçu?", perguntou Barrica. A essa pergunta respondeu Lampa:
"Bolsonaro é pior que qualquer cangaceiro que já conheci na minha vida. Houve um tempo que eu achei que ele era gente, mas não é. Tem cabeça, corpo e membros, mas não é gente. É animal da pior espécie. Noutros tempos ele não faria o que faz, impunemente. A ele lhe falta sentimento".
Ao fim dessa conversa, todos bateram palmas. Lampa levantou-se do tamborete em que estava sentado e com falsa humildade disse: "Obrigado, obrigado".
"Seu Assis, andei acompanhando alguns textos que o sinhô andou escrevendo no seu blog", começou pela primeira vez falando de modo direto o jovem Barrica. Eu disse: Aham... E ele, Barrica, continuou: "O sinhô falou muito bonito na Bienal de São Paulo, Bienal do Livro". E eu: Aham. "Eu não sei se o sinhô sabe, mas eu andei por lá. Achei tudo muito bonito e caro. O seu amigo Carlos Silvio, também achou isso que estou dizendo". E eu: Aham. "Por que o sinhô fala 'aham' o tempo todo?".
Barrica, eu comecei, preste atenção: a cultura não tem preço. A cultura é importante. O acesso à cultura é fundamental...
Eu nem tinha acabado de completar o meu raciocínio e Zilidoro veio lá de seu canto e disse: "Desculpe seu Assis, mas a cultura é fundamental na vida das pessoas. As pessoas fazem cultura. A cultura de qualquer país é feita por pessoas, pelo povo. Quando a cultura vira produto, esse produto tem que ser de acesso fácil. E barato".
Esses meus botões...
Foi a vez de Lampa entrar na conversa, dizendo: "Andei lendo nos jornais que um feladaputa bolsonarista entrou numa festa de aniversário e matou a tiros o aniversariante. Foi em Foz do Iguaçu, no Paraná. Como é que pode isso, hein?".
Biu, irmão de Barrica, moço de poucas palavras, foi já acrescentando: "Eu sei que tem muita gente que critica Lampa por falar lambendo o seu punházim. Mas ele, Lampa, 'tá certo. Até eu, se fosse um homem de sangue no olho, faria o que Lampa faz".
Por segundos, Lampa tirou a língua no punhal e olhou fundamente no olho de Biu, dizendo: "Hmmm, que bom. Tem gente nas casas do seu Assis que pensa como eu".
De repente, de repentemente, todos das casas irromperam em palmas.
"Isso tudo que estou presenciando é muito bonito. 'Tô vendo gente tomando posição", disse com voz forte o Jão.
Zé, Mané e Zoião falaram ao mesmo tempo, como se estivessem ensaiado: "Bom, bom, bom. Muito bom!".
Eu fiquei vendo aquilo tudo e mais do que graça, achei uma tomada de posição dos botões das casas que tanto admiro.
Lampa, lá do seu canto, olhou-me com aquele olhar de quem invade a nossa alma e disse: "Hmmm... Estou amolando meu punhazinho para certas necessidades...".
Aquele olhar esquisito e silencioso do Lampa, bateu-me forte e antes que eu dissesse qualquer coisa, veio o Barrica, aquele que começou essa conversa falando da Bienal do Livro, perguntando: "Se malepergunto, seu Assis, eu quero saber: o sinhô já tem candidato a presidente da República neste ano de 2022?".
Rouxinol é o que é, mas não sei por quê chegou pra Bienal e nem ligou pra mim. Ai, ai, ai...
Viva a vida!
A Bienal do Livro, na sua 26ª edição, terminou ontem 10. "Essa foi a 3ª Bienal do Livro que participei. Foi a mais importante da minha vida, muita gente", disse-me pimpão o cearense Klévisson Viana.
A 26a. Bienal do Livro de São Paulo carregou pra seus ambientes 660 mil visitantes compradores de livros e revistas, 10% a mais do previsto pela Câmara Brasileira do Livro.
João Marques é um paulistano nascido no Jardim América, há 80 anos.
Filho de Emília e Antônio, já desaparecidos, João muito cedo encantou-se com o som de retretas e bandas de música. Não pensou muito e logo passou a integrar o corpo da banda da Polícia Militar de São Paulo.
Há uns três ou quatro anos, a banda Sinfônica de São Paulo gravou um CD com repertório assinado por Antônio, o pai de João. Nesse disco, produzido pelo próprio João, está inclusa uma faixa em homenagem ao
município de Itirapina, SP. Título do disco: Hino de Itirapina e mais — Hinos patrióticos do Brasil e Seleção de Dobrados. "Esse hino foi a forma que meu pai encontrou para homenagear a cidade onde nasceu", conta João Marques.
Além de Hino de Itirapina, João Marques produziu mais dois CDs: Velhos Amigos e Recordações de Itirapina.
Velhos Amigos é um disco cujo repertório é
todo de João e seu parceiro mais frequente: Alcino Paulino.
Recordações de Itirapina tem o acompanhamento em todas as faixas do pianista Marco Antônio Bernardo.
Entre marchas, choros, valsas e dobrados Antônio Marques Jr deixou 511 composições, quase todas ainda inéditas.
Em resumo seria essa a história do pai de João. João, conversador que é, tem sempre muita história pra contar. Uma conversa com ele é aula, duas conversas um curso intensivo sobre história e vida cotidiana.
A vida de João Marques não foi fácil, mas ele entendeu que era preciso lutar.
João Marques esteve há pouco numa prosa comigo, cá em casa. E falou de tudo. Além do pai, falou da mãe, da mulher Noêmia e dos filhos Tomás e Heraida, que já lhe deu dois netos e mora em Orlando, EUA. Falou também dos irmãos Ênio, Oscar e Nelson, já desaparecidos; e Sônia. Dentre os irmãos, João é o mais velho.
A história pessoal desse João é enorme.
Amigo de muitos artistas famosos como Altamiro Carrilho, Jacob do Bandolim, Nabor Pires Camargo e Zé Cupido, João Marques é um compositor e sanfoneiro de grandes qualidades. Nunca, porém, gravou disco tocando, pois nunca fez parte de seus planos abraçar a carreira solo.
Em casa, num bairro de São Bernardo, SP, João tem uma enorme quantidade de discos em todos os formatos, notadamente de 78 RPM.
Como cidadão, respeitador que é, João Marques identifica-se como "espiritualista" da linha kardecista. Ele acredita que "a vida não finda aqui na Terra. De uma maneira ou de outra, a gente volta e ocupa outro corpo".
Quando João começa a falar, o tempo parece que para. Os assuntos são os mais diversos. Ele já tem o seu candidato a presidente e diz que a principal obra do ex-governador João Dória foi implodir o PSDB. Acha que o Brasil anda meio afunhenhado, mas pra tudo há um jeito.
A sua obra pessoal, como compositor, chega a pelo menos 100 títulos.
A cidade de Itirapina fica a 212km da Capital paulista e tem uma população estimada em 18 mil habitantes, segundo pesquisa do IBGE feita em 2020.
Anninha, Anna Clara, por telefone me perguntou se eu estava bem. Eu disse sim. "Sua voz está esquisita", ela disse.
Eu acabara de ouvir a menina sanfoneira Francine Maria, 14 anos. Linda. O meu ouvido adorou. Emocionei-me,
Estande Cordel e Repente, na 26ª Bienal Internacional do Livro de SP
claro. E foi aí que Anninha me pegou.
Sou paraibano e gosto do que é bom. Essa menina sanfoneira, sanfoneirinha, fez-me lembrar os tempos de menino na minha terra. Nas feiras livres, de Alagoinha. Sou de João Pessoa, PB.
Poxa vida!
Em Alagoinha eu tive os primeiros contatos com cantadores e cordelistas.
Ouvir a menina Francine me leva a crer que o Brasil tem jeito, futuro. E como ela canta bem, canta bonito, com tanta espontaneidade! Ela mostrou isso no programa The Voice Kids, da Globo (acima). Arrasou. Perdeu para um menino cego.
Eu tomei conhecimento da existência de Francine Maria na 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
Nessa Bienal, que rolará até domingo 10, a presença da cultura popular é forte.
Artistas do povo como Costa Senna, continuam marcando presença.
A Bienal do livro é vitrine pra quem sabe o que faz no campo das artes e da literatura.
Cacá arrasou e continuará arrasando com seu violão e voz, até domingo 10.
Ao lado de Cacá, Luiz Wilson.
Luiz Wilson é cordelista e titular do programa Pintando o 7, no ar todos os domingos das 10h às 13h, na rádio Imprensa (FM 102,5).
A Bienal do Livro serve pra muitas coisas, inclusive para mostrar a arte popular.
Na Bienal do livro, há livros e autores importantíssimos.
Eu não sei quanta gente já passou pela 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, mas saber que o público infanto-juvenil é presença forte já me leva a crer que há um futuro razoavelmente bonito para o nosso País. Ilustro isso pondo como exemplo o menino Murilo, de 13 anos de idade. Paulistano.
Murilo adora ler. Olhe ele aí:
FRANCINE MARIA
Amanhã 8 o radialista Carlos Silvio vai entrevistar a menina Francine Maria. Live. Vai ser bonita a conversa. Pra quem não sabe, e já é hora de saber, Francine é paraibana de uma cidade chamada Ibiapina. Essa cidade tem a ver com o padre cearense Ciço, Padim Ciço.
“Eu nunca vi tanta gente reunida num evento só”, disse o cordelista Klévisson Viana. O radialista baiano Carlos Silvio, vai na mesma linha: “É muita gente, de fato. É um evento de encher os olhos e esvaziar o bolso, pois por cá está tudo muito caro”. Klévisson e Silvio referem-se à 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, aberta ao público às 10 horas de sábado 2 no Expo Center Norte. A Bienal reúne 500 editoras distribuídas em 182 estandes e espaços culturais como Cordel e Repente, que tem à frente Klévisson Viana e o apoio de várias editoras. “A Câmara Brasileira do Livro, CBL, está nos dando muito apoio”, diz Klévisson. O presidente da CBL, Vitor Tavares, diz esperar um público de 600 mil pessoas. Mas é quase certo que esse número já passou. Pode chegar à casa do milhão. A 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo tem nesta edição nomes famosos como o criador da Turma da Mônica, Mauricio de Sousa; o filósofo Sérgio Cortella; o historiador Darlan Zurc; o cantor e compositor Tom Zé e os jornalistas Míriam Leitão e Laurentino Gomes. Maurício e sua turma provocaram grandes filas na Bienal, deixando o famoso desenhista todo pimpão. “Os meus personagens são baseados em histórias reais, histórias que me contam ou que eu mesmo vivi”, conta. A Cortez Editora, além de Cortella, está lançando 4 novos títulos: As Aventuras do Monge Tantan; Mãe, pode levar?; O estranho dia de Zacarias; Diferentes Sim. Desiguais, jamais! e Didática Sensível, contribuição para a Didática na Educação Superior. Darlan Zurc, que está lançando o livro A Fúria de Papéis Espalhados, diz que está entusiasmadíssimo: “Essa é a primeira vez que participo de um lançamento de livro meu num evento tão importante como esse”.
À esquerda: João Gomes de Sá, Klévisson Viana e Carlos Silvio. Ao centro: Darlan Zurc
O bom baiano Tom Zé, por sua vez, está tendo um livro lançado sobre a sua trajetória na música popular: Tom Zé, O Último Tropicalista, de Pietro Scaramuzzo (Sesc). Miriam Leitão, jornalista de grande prestígio, também estará na Bienal no próximo sábado 9 lançando mais um livro: A democracia na armadilha — crônicas do desgoverno (Intrínseca). Além dela, outras duas jornalistas,vão estar na Arena Cultural da Bienal discutindo problemas atuais que vivem o Brasil e o mundo: Daniela Arbex e Ilze Scamparini. Laurentino, que já vendeu em 10 anos cerca de 3,5 milhões de títulos, está lançando o último volume da trilogia Escravidão. Entre os autores internacionais se acham: o português Valter Hugo Mãe, a moçambicana Paulina Chiziane, o norte-americano Nathan Harris e a espanhola Elena Armas. Além dos nomes até aqui citados, há muitos outros nacionais como Rouxinol do Rinaré, Itamar Vieira Jr, Ailton Krenak, João Gomes de Sá e Moreira de Acopiara, que lançou um novo livro: Lampião na Trilha do Cangaço. Na enormidão do Expo Center Norte há espaço para crianças e deficientes se
Moreira de Acopiara, na Bienal
divertirem. Num desses espaços havia contadores de histórias para cegos e surdos. Entre esses contadores, Andréia Aparecida da Silva Queiroz e Larissa Purvinni. Uma das publicações que mais despertaram a curiosidade da petizada foi Dorinha e a Turma da Mônica — Brincando pelo Brasil, em braille e com belíssimas ilustrações. Braille é uma linguagem para cegos, criada no século 18 pelo francês Louis Braille. Fora brincadeiras e contação de histórias, artistas populares do Nordeste deram a sua graça como a menina sanfoneira Francine Maria. “Ela faz um forró arretado! É encantadora”, diz Carlos Silvio que saiu da Bienal levando leitura para o filho Murilo. Klévisson Viana, autor de muitos livros e centenas de folhetos de cordel, está lançando A Mala do
Francine Maria
Folheteiro (Editora Tupynanquim). “Esse livro reúne alguns trabalhos que publiquei originalmente em folhetos e também poemas inéditos. Foi apresentado pelo brasilianista norte-americano Mark Curran”, é Klévisson falando. A Bienal Internacional do Livro de São Paulo teve origem em 1951, com o título: Feira Popular do Livro. Essa Feira começou na Praça da República, no centro da Capital paulista e em 1956 teve sua última edição no Viaduto do Chá. Naquele mesmo ano, o mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967) lançava o seu livro mais famoso, Grande Sertão: Veredas. Em 1961, com apoio do Museu de Arte de São Paulo (Masp), a Feira virou Bienal Internacional do Livro e das Artes Gráficas. A ideia era divulgar livros, editores e autores, naturalmente. Em 1970, sem o apoio do Masp, a Bienal ganhou o nome que tem hoje: Bienal Internacional do Livro de São Paulo. A Bienal deste ano é dedicada a Portugal. O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve pessoalmente prestigiando o evento. Enquanto isso, o presidente do Brasil achava-se sabe-se lá onde! Curiosidade: Pesquisas indicam que um brasileiro lê dois ou três livros por ano. Ai, ai, ai. No repertório da nossa música popular há vários títulos que tratam de literatura. Exemplo: O Livro, de Tereza de Fátima Rodrigues de Carvalho e Eduardo Pacheco de Carvalho. Ouça: https://youtu.be/hyxlaVnfUH4 Tom Zé está lançando um novo álbum, contendo 11 faixas. Dentre essas: A Língua Brasileira. Ouça também: https://youtu.be/MtnyOboxCYk E por não ter lá muito o que fazer, fiz:
No momento, e já faz tempo, o Brasil e os brasileiros estão no mato sem cachorro. Penando. E os políticos, grosso modo, estão fazendo tudo para que tal situação permaneça.
Os caras do Centrão estão, que nem irmão siameses, juntinhos e inseparáveis em torno do orçamento secreto. Comportam-se como "Maria-vai-com-as-outras". Fazem o que desejam seus chefes. Basta ver o que ocorre na Câmara e no Senado.
É muita malandragem. Fazem tudo pra não perder a boquinha.
O presidente da Câmara, Arthur Lira, executa com minúcias os desejos políticos do aloprado Bolsonaro. Está ora em andamento para aprovação a tal PEC "kamikaze" ou "vale-tudo". Essa PEC passa por cima de tudo quanto é lei violando a Constituição.
PEC significa Proposta de Emenda à Constituição. Segundo a proposta:
O plano do governo Bolsonaro, a três meses das eleições, prevê aumentar o valor do chamado Auxílio Brasil de R$ 400,00 para R$ 600,00; dobrar o valor do Auxílio Gás recebido bimestralmente, para R$ 120,00, e ampliar os recursos para o programa Alimenta Brasil (que financia a aquisição de alimentos para doação a famílias de baixa renda)... Quem pode ser contra isso?
O problema é que isso só valerá até o final deste ano, isto é, até o final das eleições.
A PEC ainda prevê beneficiar caminhoneiros e taxistas. Hmmm...
Ao fim e ao cabo serão mais de 40 bilhões de reais acrescidos aos gastos públicos federais.
Os brasileiros estão sofrendo sim. E no final tudo recairá sobre nós mesmos.
À propósito a PEC Kamikaze já passou com facilidade pelo Senado.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, está se preparando para matar no peito a proposta de instalação de uma CPI para apurar as irregularidades ocorridas no Ministério da Educação e Cultura, MEC. Corrupção e tal. Pacheco vai ler a proposta de abertura da CPI hoje ou amanhã, mas só será instalada, se for, após as eleições de outubro. E aí já viu, né? Vai ter CPI do MEC coisa nenhuma. E nós que nos lixemos!
Isso pode dar judicialização. Há precedentes no STF.
Em 2005 o ministro Celso de Melo, hoje aposentado, determinou ao então presidente da Casa dos Senadores, Renan Calheiros, que abrisse uma CPI para apurar as safadezas que rolavam em torno dos bingos. E assim foi feito.
Bom, o Coringão ganhou ontem na Argentina às 23:51, nos pênaltis, do Boca Junior e passou às quartas de final da Libertadores da América.
Acho que foi Nelson Rodrigues quem disse um dia que futebol é, além da "alegria" do povo, o "ópio" do povo.
Em vários pontos do País, o São João ainda não terminou. Caso de São Paulo, Paraíba, Pernambuco, Bahia e não sei mais aonde.
Em São Paulo criminosos costumam soltar balões, ameaçando a Natureza e a natureza das coisas.
Ontem 3 foram vistos vários balões nos arredores do aeroporto de Guarulhos. Um perigo dos infernos!
Ontem 3 também foram vistos balões soltos no Jaguaré, Butantã e Ipiranga.
No bairro do Ipiranga, zona Sul da Capital paulista, balões foram postos a passeio sobre o museu que tem reinauguração prevista pra setembro, quando o Brasil comemorará 200 anos de independência de Portugal.
Soltar balão dá cadeia, independentemente da época em que criminosos o soltam. A propósito Téo Azevedo e eu compusemos há uns 15 anos a marchinha junina Sem Balão no Céu, que o cantor Emídio Santana gravou em disco. Ouçam: