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quarta-feira, 14 de junho de 2023
A MORTE TEM NOME: VIDA (4)
terça-feira, 13 de junho de 2023
A MORTE TEM NOME: VIDA (3)
"As pessoas precisam ter mais coragem para falar sobre isso. Precisam ter opiniões mais contundentes. O maior problema que se pode ter é perceber que se tem um problema que não está resolvido [...] Para mim, a arte é um processo de cura. Ela organiza a cabeça, expande o conhecimento. Lido com criatividade e preciso de equilíbrio e ausência de ansiedade. Ou você adquire isso ou não faz bem o seu trabalho"
No caso de um artista, podemos acompanhar esta constante presença da morte em sua obra, e Torquato não é exceção. A morte é uma constante em sua vida e obra. Ele já havia tentado se matar diversas vezes e cada uma era como um tributo à própria arte. Existe um ponto em que a criação artística torna-se de tal modo importante para a vida do artista que elas se confundem. Ela só existe por sua causa mas à medida em que sua criação se estrutura o artista se vê na posição contrária. Ele passa a depender da obra para existir tanto quanto ela depende dele para fluir. A morte aparece aqui como um tributo a ser pago à arte, uma experiência limite que permite ao sobrevivente o relato pleno de sua incursão pelos obscuros e perigosos caminhos do inconsciente.
Sua atividade criativa estava aquecidíssima e ele tinha inúmeros planos de futuro. "Experimentar" a morte era como encarar de frente aquela que o colocava constantemente numa cilada. O artista é aqui uma vítima voluntária da própria arte. Caso ele sobreviva terá em seu desenvolvimento artístico um salto qualitativo talvez apenas possível por ter tomado a opção do sacrifício. Um ritual que ressuscita, como o próprio corpo do sobrevivente.
segunda-feira, 12 de junho de 2023
A MORTE TEM NOME: VIDA (2)
Como se faz um atchim
E de supetão
Lá vem o rabecão...
domingo, 11 de junho de 2023
A MORTE TEM NOME: VIDA (1)
Esse tema se acha em todos os quadrantes do pensamento humano, desde sempre.
Falar da vida, falar da morte e de sexo não é fácil. É difícil, e por ser assim, polêmico, polêmico.
Não é fácil falar das coisas fáceis.
A morte, por exemplo, está na nossa cara como na nossa cara está a vida. E vida como tal, sexo.
O sexo reproduz a vida e a morte, não é mesmo?
Mas poeta eu não sou não.
Poeta é Zilidoro
Poeta é Riachão
Que do nada fazem versos
E se brincar até canção...
A morte, como a vida, se acha profundamente presente nas mais diversas formas da cultura popular. Na música, inclusive.
O roqueiro Raul Seixas e o escritor Paulo Coelho assinam um tango interessantíssimo, cantado por Raul. Este: https://youtu.be/FHZpAnagMkc
O tema morte na música popular brasileira é antigo, antiquíssimo.
Em 1933 o carioca Noel Rosa escreveu e cantou Fita Amarela. Diz:
Quando eu morrer
Não quero choro, nem vela
Quero uma fita amarela
Gravada com o nome dela...
Isso, pois, há 90 anos!
Porém não custa lembrar que nesse ano, 33, os compositores J. G. Fernandes e L. Marques compuseram o fado A Morte da Ceguinha, que o português com raízes brasileiras Manoel Monteiro gravou com muita graça, digamos assim.
Antes dos 30, os cantores Paraguassu e os Irmãos Eymard gravaram Morrer de Amor e Morrer Por Ti. A primeira é uma modinha e a segunda, uma polca.
Polca, aliás, é um gênero musical muito bem assimilado pelo sanfoneiro e compositor, também cantor, Luiz Gonzaga.
Pra tocar o meu pandeiro, ô
O meu pandeiro cravejado de marfim
Quando eu morrer, quero um braço de fora
Pra tocar o meu pandeiro, ô
Em homenagem às morenas que gostam de mim
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (24)
E como quem não quer nada, do rádio saía a voz de Zé Duarte cantando Velho Sapeca. Olhe a gracinha: "Meu pai vivia triste, andava descontente/ Hoje vive sorridente e a tristeza não existe/ Queria que você visse como ele tá legal/ Tá nascendo cabelo na cabeça do meu pai/ Que beleza, que legal...".
O jornalista, teatrólogo e advogado carioca Geysa Bôscoli, sobrinho da maestrina Chiquinha Gonzaga, compunha músicas nas horas vagas. Uma dessas músicas, Maria Chiquinha, foi gravada pela primeira vez por Sonia Mamede e Evaldo Gouveia no ano de 1962. Outras gravações dessa música foram feitas, inclusive pelos irmãos Sandy e Junior. A letra é aparentemente ingênua, mas o personagem desconfia que está sendo traído pela mulher. Pior: ele a ameaça cortar-lhe a cabeça. Horror!
Há muitos casos de feminicídios na literatura e na música.
Em 1982 entrevistei Chico Buarque e dele ouvi opinião a respeito desse assunto, condenável sob todos os aspectos. Leia a entrevista completa: REVISTA HOMEM - EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO
Maria Chiquinha chegou a integrar o repertório da música infantil. Esse repertório incluiu títulos até da animação Shrek. Num desses títulos, a petizada canta: "Aqui em Duloc é tão bom viver/ Nossas regras já vamos lhe dizer/ No jardim não pisar/ Todos cumprimentar/ Duloc é especial/ Na cabeça shampoo, lave bem o seu pé/ Duloc é, duloc é/ Duloc é especial".Até a chamada "rainha dos baixinhos" Xuxa, hoje sessentona, dançou e cantou ao som do duplo sentido. Exemplo é a música Turma da Xuxa, de Reinaldo Waisman e Robson Stipancovich, gravada no LP Xou da Xuxa em 1986. A letra diz: "E o Betão apaixonado/ Foi beijar a Marieta/ Errou a sua boca/ E beijou sua… bochecha…".
Xuxa, aliás, chegou a ser "homenageada", em 1988, pelo grupo Trem da Alegria. Os pixotes desse grupo, hoje extinto, começam cantando assim: "Cada dia mais eu me apaixono e te acho mais linda/ Eu fico imaginando, quero ser seu namorado/ Mas fico com vergonha do meu pai que está do lado/ Você é a culpada do meu banho demorado…".
sábado, 10 de junho de 2023
A BOSSA NOVA MORREU, NO BRASIL
Ouso aqui dizer que esse João foi tão importante quanto o pernambucano de Exu Luiz Gonzaga, que para o mundo ficaria conhecido como o Rei do Baião.
O novo ritmo criado por João Gilberto chamou-se Bossa Nova. O mundo inteiro conhece esse gênero, esse ritmo, essa pancada sonora inventada pelo baiano João.
A primeira gravação de Garota de Ipanema, carro chefe do movimento bossa-novista, foi gravada no Brasil no dia 26 de março de 1963, lançada em julho num disco de 78 rpm pela gravadora Odeon. O intérprete, de quem privei amizade, foi o carioca Pery Ribeiro. Pery era filho da deusa da nossa música Dalva de Oliveira e do cínico Herivelton Martins, porém sem dúvida um grande letrista e melodista da nossa música popular. É dele, por exemplo, a canção Ave Maria no Morro. Essa canção foi gravada em muitas línguas.
Em muitas línguas, quase todas, foi também gravada Garota de Ipanema.
A primeira versão em inglês de Garota de Ipanema coube à baiana de Salvador Astrud Gilberto. Essa gravação Astrud fez no dia 12 de março de 1963, num estúdio de Nova Iorque lançada no ano seguinte, num single, sem créditos à intérprete. Não houve contrato na ocasião. Da parte dela, de Astrud, por ingenuidade ou amadorismo.
No começo da carreira, João brigou com muita gente. Até com Geraldo Vandré. Mas o tempo passou e a amizade entre os dois voltou.
O primeiro LP de Vandré tem a marca bossa-novista. Não é mesmo, maestro Júlio Medaglia?
HOJE 10 DE JUNHO, É O DIA DE CAMÔES
Quem não compareceu à Biblioteca Mário de Andrade, pra me ver e ouvir falar sobre o legado português para o Brasil, e para o mundo, ainda é hora de ver e ouvir o que lá falei. Clique:
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (23)
O carioca Dicró, de batismo Carlos Roberto de Oliveira (1946-2012), também deitou e rolou cantando em duplo sentido. Olha a Rima e Cama de Pau Duro. Como muitos, também brincou com a sogra. Humor puro e cheio de graça.
Na batida do samba estilizado tem o grupo Só pra Contrariar, que interpreta A Barata, de Alexandre Pires, gravado no seu primeiro LP (1993), que vendeu cerca de meio milhão de cópias. Putaria só, só. Nessa linha é também o sertanojo A Garagem da Vizinha, da dupla Sandro e Gustavo, que diz: “Lá na rua onde eu moro/ Conheci uma vizinha/ Separada do marido/ E tá morando sozinha/ Além dela ser bonita/ É um poço de bondade/ Vendo meu carro na chuva/ Ofereceu sua garagem…”.
E, claro, não dá pra esquecer das baixarias do grupo É o Tchan!
Além das letras picantes, É o Tchan marcou pela coreografia extremamente sensual. Era o caso de até fazer crianças saírem da frente dos aparelhos de TV. Coisa de "boquinha na garrafa" e tal.
O cantor Alípio Martins, paraense, também marcou época interpretando coisas de duplo sentido, falando de cornos e gays.
Rolando Boldrin tem uma parceria muito bonita com o bom baiano Tom Zé, A Moda do Fim do Mundo. Nessa moda, os dois falam da necessidade de recomeçar o mundo como tudo começou: um macho transando com uma fêmea. Pois, pois.
Na primeira, ele canta: "Menina eu nunca vi umbu ser tão azedo/ Menina eu nunca vi umbu ser tão azedo/ Zezinho eu nunca vi umbu ser tão azedo/ porque eu nunca vi umbu ser tão azedo…" . E na segunda: "Tico mia na sala, Tico mia no chão/ Tico mia na cozinha, encostado no fogão/ Tico mia no tapete, Tico mia no sofá/ Tico mia na cama, toda hora, sem parar…".
O apelido Manhoso, nome verdadeiro de Edson Correia da Fonseca (1935-2023), foi dado pelo apresentador de programa de TV Flávio Cavalcanti (1923-1986).
sexta-feira, 9 de junho de 2023
OS MARES ESTÃO ENGOLINDO A TERRA
- Mar de Coral - 4.183.510 km² (localizado na Oceânia, águas do Oceano Pacífico).
- Mar do Sul da China - 3.596.390 km² (localizado no sudeste asiático, águas do Oceano Pacífico).
- Mar do Caribe - 2.834.290 km² (localizado na América Central, águas do Oceano Atlântico).
- Mar de Bering - 2.519.580 km² (localizado entre o Alasca e a Sibéria, águas do Oceano Pacífico).
- Mar Mediterrâneo - 2.469.100 km² (localizado entre a Europa meridional, Ásia ocidental e África setentrional, águas do Oceano Atlântico).
- Mar de Okhotsk - 1.625.190 km² (localizado no nordeste da Ásia, nas águas do Oceano Pacífico).
- Golfo do México - 1.531.810 km² (localizado na América Central e América do Norte, águas do Oceano Atlântico).
- Mar da Noruega - 1.425.280 km² (localizado a noroeste da Noruega entre o Mar do Norte e o Mar da Groelândia, nas águas do Oceano Atlântico).
- Mar da Groelândia - 1.157.850 km² (localizado entre a Groelândia e Islândia, águas do Oceano Ártico).
- Mar do Japão - 1.008.260 km² (localizado entre o Japão, oeste da Península Coreana e o norte da Rússia, águas do Oceano Pacífico).
quinta-feira, 8 de junho de 2023
EU E MEUS BOTÕES (64)
quarta-feira, 7 de junho de 2023
GAUGUIN POLÊMICO, NO MASP
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| Gauguin, autorretrato |
Paul Gauguin (1848-1903) e Vincent Van Gogh (1853-1890)
A vida do pintor francês Paul Gauguin foi muito atribulada, cheia de altos e baixos. No começo teve a pintura como passatempo, enquanto ganhava a vida no mercado financeiro. Ao perder o emprego, passou a dedicar-se às artes plásticas. Viajou bastante. Era filho de um jornalista e de uma escritora feminista. Corriam os anos de 1880. Conheceu o holandês Van Gogh em Paris no ano de 1888. Chegaram a dividir ateliê em Arles. Desavenças entre os dois terminou em briga e em afastamento. Numa de suas viagens, Gauguin foi acusado e preso por desacato a militares. Morreu doente e preso numa cadeia de Atuona, Oceania. Van Gogh, antes de dar um tiro no próprio peito, pode-se dizer que morreu de depressão. Tinha mania de perseguição e isso fez com que cortasse um pedaço da orelha e o mandasse de presente num envelope para Gauguin. Deixou centenas de pinturas e desenhos, mas apenas um quadro conseguiu vender em vida. Assim mesmo através do irmão mais novo Theo,que morreria também poucos meses depois.Um quadro de Van Gogh, Cena de Rua em Montmartre, leiloado em 2021 pela Sotheby’s alcançou a cifra de 14 milhões de euros. Morreu pobre, aos 37 anos de idade.
terça-feira, 6 de junho de 2023
ASTRUD GILBERTO MORRE NOS EUA
A soteropolitana Astrud Gilberto, de batismo Astrud Evangelina Weinert despediu-se do mundo ontem 5 na Filadélfia, EUA, onde morava desde 1959. Sofria do coração. Deixou dois filhos, um deles, Marcelo, fruto da união com o cantor e compositor João Gilberto. Astrud e João ficaram casados durante cinco anos, de 59 a 64.
A carreira artística de Astrud começou nos Estados Unidos em 1963. Mais precisamente no dia 18 de março, dias antes de ser desencadeado o golpe que levou ao poder no Brasil os generais. Astrud foi a primeira cantora a gravar o samba balanceado chamado de bossa nova, Garota de Ipanema. Essa música, gravada em inglês, levou às paradas o LP Getz/Gilberto. Quer dizer, a soteropolitana Astrud morreu no ano que completou seis décadas de sua estreia em disco.
Muitos compositores brasileiros tiveram obras gravadas por ela. Entre essas Aruanda de Geraldo Vandré e Carlos Lyra; e Beach Samba, de Pery Ribeiro e Geraldo Cunha. Curiosidade: Pery foi o primeiro cantor a gravar Garota de Ipanema, num disco de 78rpm.
Detalhe lamentável: o nome de Astrud foi omitido do LP Getz/Gilberto e pela gravação ela recebeu míseros 120 dólares e menos de um ano depois o maridão cantor, papa da Bossa, a trocaria por uma das irmãs do Chico, Miúcha, com as mãos abanando e uma criança para criar.
Astrud Gilberto morreu no fim da noite de segunda-feira.
Ouça Astrud cantando Aruanda:
VANDRÉ
Geraldo Vandré compôs duas músicas com Carlos Lyra, Aruanda e Quem Quiser Encontrar o Amor. Aruanda é a primeira faixa do lado B do LP The Best of Astrud Gilberto (nas minhas mãos, foto acima). Ontem 5 estivemos numa prosa, cá em casa. Papo bom, solto, amigo. Minha filha Clarissa registrou o momento (ao lado).
AUDÁLIO DANTAS: DE FATO UM GRANDE TROFÉU!
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| Audálio e Assis, no Metrô-SP |
Esse é o triplé mágico e necessário de identificação do cidadão nacional. Faz parte do troféu Audálio Dantas, de reconhecimento dos profissionais do jornalismo.
Pela 4ª vez o troféu Audálio Dantas é entregue a jornalistas que têm marcado a vida brasileira. Os agraciados deste ano são Rene Silva, Juliana Dal Piva, Bruno Paes Manso, Leonardo Sakamoto, Gregório Duvivier e Valmir Salaro.
Desses nomes aqui citados, lembro que trabalhei na folha com Valmir Salaro.
Grande Valmir!
Eu e Valmir Salaro fazíamos parte de uma equipe de profissionais que cobriam, principalmente, o setor policial da já referida Folha.
Muitas histórias.
O alagoano Audálio Dantas foi um querido amigo. Foi não, é. Os grandes não morrem, desaparecem derrepentemente.
Jornalismo é fundamental para a manutenção da democracia de qualquer país.
O troféu Audálio Dantas nasceu por iniciativa do querido Serjão, da OBORÉ, que baseou-se em ideia como sempre original da também querida Laerte.
Com Laerte tive também o privilégio de trabalhar, na Folha.
Viva a Liberdade!
Todos nós estamos convidados a comparecer logo mais, às 19h, na Câmara Municipal de São Paulo onde o troféu será entregue aos colegas acima citados. Aí está o convite:
segunda-feira, 5 de junho de 2023
A SAÚDE ESTÁ DOENTE
CAMÕES NA MÁRIO DE ANDRADE. FOI SÁBADO
Foi legal a recepção que tive sábado 3 no auditório da Biblioteca Mário de Andrade. Fazia tempo que eu não palestrava. Abordei, na Mário de Andrade, o tema Camões e a herança cultural que Portugal nos legou. Falei, falei e falei. O radialista Carlos Silvio, sempre prestativo, registrou o evento. Acompanhem:
CAMÕES
No decorrer do papo, contei que fiz a adaptação da obra-prima Os Lusíadas. Esse livro foi publicado em março de 1572. No próximo ano boa parte do mundo sensível e ilustrado deverá comemorar os 500 anos de nascimento de Luís Vaz de Camões. Leia:
domingo, 4 de junho de 2023
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (22)
| Assis Ângelo numa conversa com Jorge Mello |
Ney Matogrosso canta com elegância músicas como Freguês da Meia-Noite, de Criolo (Kleber Cavalcante Gomes) e Folia no Matagal, de Eduardo Dusek. A primeira fala de um caso num restaurante francês localizado no bairro paulistano do Arouche. É simples, bonita. A segunda trata de, digamos, um enorme e curioso bacanal em que os personagens são pés de coqueiro e outras plantas e árvores. Começa assim: "O mar passa saborosamente a língua na areia/ Que bem debochada, cínica que é/ Permite deleitada esses abusos do mar/ Por trás de uma folha de palmeira/ A lua poderosa, mulher muito fogosa/ Vem nua, vem nua/ Sacudindo e brilhando inteira…".
O primeiro grande sucesso de Ney foi Homem com H, do já lembrado Antônio Barros.
Chico Buarque sempre foi de elegância irretocável como Milton, Djavan, Belchior e seu parceiro mais frequente, o piauiense Jorge Mello. É de Jorge, por exemplo, Eu Falei pra Você, de 1977. Um trecho: "Tô no ôco do mundo, moro em Copacabana/ acredite que é como estar noutro planeta/ Se meta, se mate na pressa, no túnel/ No túnel, na pressa, se mate, e se meta./ No mar mais azul, a coisa ficou preta/ Tem carro, tem gente querendo passar:/ na rua, na praia, em todo lugar/ É cachorro-quente ao invés do almoço/ Lhe falta a vida, o banho no poço/ e a viola gemendo pra gente cantar…”.
Noutra música, Observando o Lual, Jorge faz um engraçado trocadilho. Veja: “... Você já vai? Pergunto:/ E vai, por quê?/ Ela responde:/ — Vou-me já. Antes de você!”.
Nordestino como Jorge Mello, o pernambucano Luís Wilson é cheio de nove-horas no tocante a duplo sentido. Exemplos se acham nos forrós Dê Lembranças à Dona França e O Grilo da Prima. No primeiro, como o segundo em parceria com Duval Brito, ele canta: “Se Você for me faça me faça um favor dê lembrança a Dona França, não vá se esquecer…/ Eu não queria que você fosse embora, mas você quer ir agora, se for dê/ Dê lembrança a Dona França não vá esquecer!!!”. No segundo forró, diz: “A minha prima parece que ficou louca/ qualquer dia levo ela pro asilo/ Com tanto bicho bonito pra se criar e ela foi inventar de criar agora um grilo/ Ela da banho no grilo, da massagem no grilo. Bota perfume no grilo e puxa na barba do grilo…”.
sábado, 3 de junho de 2023
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (21)
Dá pra contar nos dedos o número de autores que não geraram poemas e músicas maliciosas, eróticas e até pornográficas, por que não?
Já falei de Genival Lacerda e de seus vários sucessos "apimentados", embalados pela dança sacana do autor.
Nessa linha o rei do baião, Luiz Gonzaga, tem coisas ótimas. Uma delas, Não Vendo nem Troco, que o remete aos seus tempos de moleque na sua terra Exu querida. Referia-se a uma éguinha de "estimação".
No tempo de Gonzaga era comum os moleques iniciarem a vida sexual com animais do meio doméstico.
Não Vendo nem Troco foi gravada por Gonzaga e seu filhote Gonzaguinha no LP A Festa, de 1981. A propósito, em agosto de 1981 publiquei entrevista que fiz com Gonzaga na revista Privé. Em resumo ele diz que "Muié é um bicho danado de perigoso", que destaquei como manchete. Leia a entrevista completa:
O rei do ritmo, Jackson do Pandeiro, também não ficou fora dessa onda.
Como Gonzaga, aqui e ali Jackson externa no seu canto um quê de promiscuidade e até de preconceito. Num dos textos que cantou, A Mulher que Virou Homem, diz: "Minha mulher apesar de ter saúde/ Foi pra Hollywood, fez uma operação/ Agora veio com uma nova bossa/ Uma voz grossa que nem um trovão/ Quando eu pergunto: o que é isso, Joana?
Ela responde: você se engana/ Eu era a Joana antes da operação".
A curiosidade aqui é que Jackson gravou no seu disco de estreia em 1953 o rojão Sebastiana, de Rosil Cavalcante. É canto e dança, no caso, umbigada.
sexta-feira, 2 de junho de 2023
VIVA SÃO JOÃO!
TÉO, CHEGANDO AOS 80
No próximo dia 2 de julho o cantor e compositor Téo Azevedo estará completando 80 anos de idade. Téo é o artista brasileiro com o maior número de composições próprias, muitas feitas em parcerias com amigos. Até aqui tem gravadas umas 2 mil músicas. Algumas feitas comigo como Modinha à Moda Mineira, cantado por Carlos Felipe e Ruth Eli, Caminhando com Vandré, Capitão e Clarice.
Sobre as festas juninas, eu escrevi e Téo melodiou Sem Balão no Céu. Essa música foi originalmente gravada por Emídio Santana.
LEIA MAIS: TÉO AZEVEDO É DESCOBERTO NA ALEMANHA • TÉO AZEVEDO, UM CRAQUE DA NOSSA MÚSICA • VIVA TÉO AZEVEDO! • TÉO AZEVEDO GANHA MÚSICA DE PRESENTE
quinta-feira, 1 de junho de 2023
AMIZADE É VIDA
ANASTÁCIA
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| Téo Azevedo, Fatel, Luiz Wilson, Paulinho Rosa e Zé Geraldo lá no Canto da Ema num momento de festa à brasileira Anastácia |
A cantora e compositora pernambucana Anastácia acaba de fazer 83 anos de idade. Téo, Fatel e Luiz me contaram que foi uma noite muito bonita a noite comemorativa aos 83 anos de Anastácia. Foi no Canto da Ema, uma casa de espetáculo cujo nome quem deu, com alegria, fui eu. Não fui convidado pelo dono, mas fui convidado pela homenageada. Não fui, por uma razão: estou cego, com a cabeça doida e o corpo meio desmantelado.
Anastácia, meu carinho.
quarta-feira, 31 de maio de 2023
NO CAMINHO DO AFUNHENHAMENTO
MEDO E DELÍRIO
Meu amigo, minha amiga, se você não conhece deveria conhecer o podcast Medo e Delírio em Brasília. É supimpa! O papo do apresentador e sua trupe gira com graça e harmonia. É muita verdade dita, entre um palavrão e outro. Linguagem simples, popular, mas correta em todos os sentidos. É um tapa na cara dos escrotos de plantão, que quase sempre agem na surdina. Lá vai, clique:
terça-feira, 30 de maio de 2023
ANASTÁCIA, UM ORGULHO DO BRASIL
LEIA MAIS: HOJE É DIA DA BRASILEIRA ANASTÁCIA • ANASTÁCIA CHEIA DE GRAÇA • FORRÓ PARA ANASTÁCIA • ANASTÁCIA, PRINCESA OU RAINHA? • ANASTÁCIA E O CHINÊS
segunda-feira, 29 de maio de 2023
JORGE RIBBAS LANÇA NOVO DISCO
Razão de alegria, aliás, é o CD digital que o craque da nossa música Jorge Ribbas está lançando nas principais plataformas: YouTube, Spotify, Deezer e Amazon Music.
Ouça o álbum completo: MEU FORRÓ
LEIA MAIS: JORGE RIBBAS, UMA HISTÓRIA CIDADÃ
domingo, 28 de maio de 2023
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (20)
ELE: Existe no reino cantoria cantadores de que gostam de versos mais picantes, na hora que estão fazendo um desafio, mas não chega a ser "boca suja", na cantoria, a plateia, de uma maneira geral não absorve essa temática. Mas tem muitos deles que mesmo sendo proibido chegam raras vezes a ultrapassar os limites. A não ser um trabalho de encomenda, aí o sujeito se solta todo!
EU: Qual a sua opinião a respeito das músicas de duplo sentido?
ELE: Eu acho a música de duplo sentido uma responsabilidade muito grande. Ou é bem feita ou descartável. Eu gostava de Genival Lacerda, tem muitos outros mas não lembro agora.
EU: Você foi de Ariano Suassuna o poeta repentista mais estimado. Suassuna dizia muitos palavrões? E você quando leva uma topada, diz o quê? Aleluia?
ELE: Sim, Ariano tinha uma grande amizade por mim, e a recíproca era verdadeira. Os três anos que eu fui seu convidado nas suas Aulas Espetáculo, nunca ouvi nenhum. Mas em algum momento tudo pode acontecer.
Eu sempre chamo o famoso: EITA PORRA! Mas por paradoxal que venha parecer eu logo me arrependo e chamo o nome de um santo (risos).
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| Oliveira de Panelas com Roberto Carlos e Otacílio Batista |
EU: Você e Otacílio Batista estiveram várias vezes cantando para Roberto Carlos, na casa dele. Roberto tem muitas músicas que falam de sexo e coisa e tal. Aliás, não só Roberto, mas muitos outros artistas como Tom Zé, Rolando Boldrin, Rita Lee, Isaurinha Garcia, Wando, Chico, Caetano... Roberto diz muito palavrão?
ELE: Acho muito bonito quem sabe colocar o sexo nas músicas que canta. Um erotismo apaixonante e sensual. Pois partindo para o chulo perde o sentido.
Roberto, não deu tempo ouvir nenhum palavrão dele não. Mas sendo na hora certa todo mundo diz.
EU: Conte um caso inusitado envolvendo um palavrão:
ELE: Olhe, um caso inusitado, eu não lembro agora, mas que o palavrão já me tirou muitíssimas vezes do prego isso não tenha a menor dúvida. Não adianta ser hipócrita, todo mundo tem seu palavrãozinho de estimação. Eu tenho e gosto deles pra lascar! (risos).
Na noite de 13 de julho de 2022, no Qualistage, RJ, Roberto Carlos nervoso com uma fã disse: “Cala a boca, caralho! Porra!”. Dias depois ele voltou ao tema, se desculpando: “Foi sem querer”.
Ilustração de Fausto Bergocce
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