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| Assis e Tinhorão |
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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024
O CARNAVAL DE 24 ESTÁ CHEGANDO...
terça-feira, 6 de fevereiro de 2024
EÇA DE QUEIROZ É SUPIMPA!
Pessoalmente eu não tenho nada contra nada que diga respeito às artes.
No campo da literatura, e nos demais campos de criação, gosto do autor que se faz marcante através da sua obra.
Sou apaixonado pelos portugueses Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Fernando Pessoa, muitos.
Já que não posso mais ler as obras de quem gosto, ouço.
Acabo de ouvir o triste e belo romance Os Maias, originalmente publicado em capítulos na imprensa portuguesa, essa obra ganhou formato de livro e como tal foi à praça em 1888.
A história criada por Eça tem como principais personagens Carlos e Maria.
É uma história trágica.
Começa com um velho senhor pai de um certo Pedro que se casa e é traído pela mulher. Decepcionado, desiludido, completamente chapado toma a iniciativa de tirar a própria vida. Faz isso, mas deixa dois filhos: Maria e Carlos.
Ao deixar o marido, a infiel some com a filha e passa a viver com o amante em Paris. Logo dá-se mal, enquanto a filha vai crescendo e tomando corpo de mulher. A mãe dá um jeito pra que a menina se case, mas o candidato vai à guerra e lá morre. A mãe cai em desgraça, adoece e tal. A filha, que ganhara barriga sem se casar, troca Paris por Lisboa.
A história vai num crescendo.
Um dia Carlos forma-se em medicina e transforma-se num profissional muito requisitado. É quando conhece Maria, Maria Eduarda. Paixão demolidora à primeira vista. E correspondida.
A filhinha de Maria, Rosa, é louca por Carlos. Carlos Eduardo.
Coincidência?
Enquanto o rolo rola entre os dois, a história alcança os píncaros com a descoberta que fez os amantes tremerem na base.
O avó de Carlos, Afonso, já suspeitava do que sucederá com Maria e sua mãe.
E aí, o que mais posso dizer?
Ah! sim: Os Maias se desenvolvem num tijolo de 750 páginas.
Já ouvi o Primo Basílio e agora estou às voltas com O Crime do Padre Amaro, também de Eça de Queiroz.
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024
VIVA OSWALDO MENDES!
Abraçar alguém, principalmente alguém que a gente conhece, faz bem.
Toda vez que alguém querido bate-me à porta, meu coração dispara.
O lugarzinho onde moro fica todo cheio de alegria quando gente bonita como Oswaldo Mendes, Fausto Bergocce e Carlos Silvio aqui chegam.
Oswaldo Mendes é um marco do jornalismo e do teatro brasileiros.
Esse cara é um gigante. Além de jornalista é ator, autor, diretor e compositor musical. E, vocalmente, não é desafinado.
Oswaldo dirigiu grandezas brasileiras como a cantora Elis Regina, Dionísio Azevedo e o cartunista Henfil.
Ele guarda pérolas da Elis.
Perólas da Elis para Oswaldo trazem dela além da assinatura, a alma.
Oswaldo com Elis fou uma relação incrível. Os fois se entendiam como Deus e Jesus Cristo.
Eu conheci Elis na redação da Folha, mas essa é outra história.
Exagero seria dizer que Oswaldo Mendes é um gênio?
Oswaldo Mendes é do caralho!
O Fausto nós sabemos que é da linha do caralho. Ora!
E o Carlos Sílvio, hein!
Do jeito que vai, esse Sílvio um dia também será do caralho.
Recomendo a quem quiser saber sobre a história do caralho que leia Pietro Aretino (1492-1556).
domingo, 4 de fevereiro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (72)
Atualíssimo, como se vê.
Quem começa a ler a série Millennium dificilmente pára até para comer, tão convincente e agradável é a leitura.
Nessa leitura, o leitor vai se deparar com misóginos decididos a tudo, até a matar. Em série.
Nessa série Millennium o leitor vai encontrar comportamentos horrorosos da parte de muitos personagens, que permeiam a trama, que aqui e acolá pouco diferem da vida real: advogado torturador e tal e tal.
Lisbeth, uma personagem que surge de modo secundário transforma-se em heroína.
Larsson morreu sem desfrutar do sucesso da obra que criou.
O alter ego do autor é muito bem representado pelo herói, bonitão e mulherengo, Mikael.
Mikael é um repórter investigativo, vejam vocês!
Realismo puro, que convence e empolga o leitor. Na Suécia, desde 1999, é crime alguém pagar pra fazer sexo.
Não é incomum infidelidade feminina levar à prostituição, isso todo mundo sabe.
Há situações registradas pela imprensa e abordadas no teatro, cinema e livro em que a infiel, quando não espancada, é posta para fora de casa.
Desamparadas, muitas mulheres optam por trilhar esse caminho.
No livro Lucíola, de 1862, o autor José de Alencar (1829-1877) conta o caso de Lucíola, Lúcia ou Maria da Glória que cai na prostituição em busca de dinheiro para cuidar da família infectada pela febre amarela que matara a mãe e os irmãos. Sobraram o pai e uma irmã, Ana. A personagem-título tinha 14 anos de idade quando o pai descobre que ela estava se prostituindo. Sem considerar as razões, ele a expulsa de casa. O resultado disso é que a menina segue sua vida num bordel.
Lúcia/Lucíola deu-se bem no “mal caminho”.
Pois é, essa é uma história muito antiga e recorrente.
sábado, 3 de fevereiro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (71)
No século 19, o Brasil já recebia do Leste Europeu mulheres que caíam no campo movediço da prostituição. Enganadas.
Vinham essas mulheres da Rússia e também da Galícia e Polônia.
Grosso modo, elas eram de origem humilde e até analfabetas.
Convencidas pela lábia macia de proxenetas judeus, essas mulheres na maioria judias eram encaminhadas para a prostituição em bordéis do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia.
A Argentina era também um dos destino delas.
Entraram para a história da vida brasileira como "polacas".
O articulista Luis Krausz identificou muita coisa importante nesse mundo ainda nebuloso, principalmente no que diz respeito ao judeu no Brasil.
Na edição de 1º de setembro de 1996, o Jornal Folha de S.Paulo trouxe texto assinado por Krausz. Já nas primeiras linhas desse texto intitulado Memórias Deterioradas, lê-se:
“... As primeiras 67 prostitutas judias de nacionalidade polonesa desembarcaram no Rio em 1867. Logo foram apelidadas de polacas. A estas seguiram-se centenas, que, no decorrer das cinco ou seis décadas subsequentes, estabeleceram-se no Rio, em Santos e em São Paulo…”Eram no Rio divididas em três categorias: a primeira se achava na região da Lapa. A segunda, na região de Botafogo e a terceira mais simples, comum e barata tinha o Centro Carioca como área de atuação.
As polacas da Lapa eram confundidas conscientemente por alguns fregueses como parisienses.
Manter relações sexuais com uma parisiense era o que de melhor podia-se fazer. Top, como se dizia. O cachê alcançava os píncaros.
Os judeus aliciadores de polacas integravam uma organização criminosa chamada Zwi Migdal. Ainda no seu artigo, Krausz destaca:
“A comunidade judaica local era ainda muito pequena e pouco organizada para poder tomar medidas efetivas contra a Zwi Migdal. Em 1913 a Jewish Association for the Protection of Girls and Women (Associação Judaica para Proteção de Meninas e Mulheres), baseada em Londres, enviou seu secretário-geral, Samuel Cohen, a Buenos Aires para avaliar a situação do tráfico de brancas na América do Sul. Os resultados desta visita foram limitados.Stefan Zweig suicidou-se em Petrópolis, no dia 18 de fevereiro de 1942. É dele o livro Brasil: O País do Futuro.
Em 1936 o escritor judeu austríaco Stefan Zweig visitou a zona do mangue, no Rio de Janeiro, onde se concentrava a prostituição. Em seus diários encontra-se a seguinte anotação: ‘Mulheres judias da Europa Oriental prometem as mais excitantes perversões... que destino levou estas mulheres a terminarem aqui, vendendo-se pelo equivalente a três francos?’ “.
Por que Zweig suicidou-se?
Curiosidade: foi no Mangue que o sanfoneiro Luiz Gonzaga iniciou a sua carreira de sucesso e fama, como Rei do Baião.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024
VIVA IEMANJÁ!
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| Procissão de Nossa Senhora dos Navegantes |
Essa história de seres escravizados por outros datam de tempos imemoriais. Era o poderoso mandando e desmandando nos seus pares mais fracos. E para sofrer o que sofriam nem precisavam ser necessariamente de pele negra.
A história nos conta horrores da velha Grécia, da velha Roma, do velho mundo.
Pessoas eram trazidas à força para trabalhar no Brasil desde o século 16.
No Brasil, as pessoas em referência eram trazidas em navios “negreiros”. Muitos morriam entre África e o destino final, Brasil.
Morriam de morte matada, de fome ou desesperadas atirando-se ao mar.
Esse era um negócio que dava muito dinheiro.
Os africanos e africanas trazidos à força ao Brasil traziam consigo os seus costumes, a sua vivência e aqui punham em prática suas crenças de modo silencioso para não atiçar o ódio dos seus donos.
Terrível!
A crença dos negros tinha por base os orixás.
A crença dos poderosos escravocratas, tinham grosso modo o catolicismo e suas figuras santificadas.
Entre cantos e batuques, os infortunados africanos identificavam seus orixás nas figuras dos heróis e heroínas da Igreja Católica. Assim Nossa Senhora dos Navegantes é identificada como Iemanjá.
Hoje é o dia de Nossa Senhora dos Navegantes e de Iemanjá, a rainha do mar.
A primeira comemoração à santa católica ocorreu na virada do século 19 num povoado chamado Navegantes. Virou município e é localizado em Santa Catarina.
Segundo a mais recente pesquisa do IBGE o município de Navegantes tem cerca de 85 mil habitantes.
Ia-me esquecendo: Iemanjá é cantada o tempo todo na música popular. Ouça Caymmi:
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024
É UM LIVRAÇO A RAINHA GINGA
Amor e sexo e muita porrada no correr da história que tem como personagem central a guerreira Ginga. É africana, viveu 81 anos, morrendo aparentemente de morte natural no dia 17 de dezembro de 1663.
Ginga governou Ndongo e Matamba durante cerca de 40 anos, substituindo o pai e o irmão. Era temida e respeitada. Não tinha papas na lingua, dizia o que bem queria. Ou mal.
O angolano Jose Eduardo Agualusa é o autor do livro (capa ao lado) que conta a historia interessantíssima de Ginga ou Nzinga. Depois de virar cristã, Ginga foi batizada com o nome de Ana de Souza.
A história contada passa-se entre Recife/Olinda, Luanda e Angola.
Corriam os tempos da invasão pernambucana pelos holandeses que tiveram à frente o conde Maurício de Nassau.
Nassau tinha muito interesse em conquistar parte da África. Pra isso contava com Ginga, que detestava os abusadores portugueses que tudo queriam e nada davam.
A Rainha Ginga tem como narrador o personagem recifense Francisco José da Santa Cruz que virou secretário particular da rainha. É padre, mas traído pelo desejo sexual deixou a batina e gerou um filho cujo nome é Cristóvão.
Na narração há episódios brutais, violentos e um torturador incorrigível, miserável: um tal de Bittencourt, que chegou a cair em desgraça junto à Inquisição.
Claro, recomendo já a leitura de A Rainha Ginga. Numa frase: Esse é um livro pra lá de ótimo que mistura com categoria a ficção com a realidade histórica.
terça-feira, 30 de janeiro de 2024
QUEM NÃO TEM SAUDADE HEIN?
Filólogos e poliglotas daqui e d'além mar dizem que tal palavra só existe na língua nossa do dia a dia: a portuguesa.
Quem é que nunca sentiu saudade?
Saudade tem a ver com alegria e tristeza, com momentos bons que vivemos num tempo qualquer da nossa vida.
Eu já senti e continuo sentindo saudade.
Pessoas queridas como Paulo Vanzoline, Inezita Barroso, Papete, Belchior, Taiguara, Sergio Ricardo, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Carmélia Alves, Theo de Barros, Zé Keti, Paulinho Nogueira, Zika Bergami, Nelson Gonçalves, Silvio Caldas, Rolando Boldrin, Audálio Dantas, Tinhorão, Eleazar de Carvalho, Otacílio Batista, Patativa do Assaré, Ionaldo Cavalcanti e Elifas Andreato e tantos e tantos outros artistas que encantaram esta cidade de São Paulo e o Brasil de modo geral.
Eu conheci um cara chamado João de Barro, o Braguinha, compositor de primeira linha. Partiu na casa dos 100 anos.
Barro nos legou grandes composições musicais, como A Saudade Mata a Gente. Eu o conheci. Era uma figurinha e tanto!
Dói, saudade dói.
Quem parte para o andar de cima, não volta mais.
No livro Ciranda de Pedra, de Lygia Fagundes Telles que acabo de ouvir tem uma personagem que diz a outra que o corpo por si só se acaba e a alma não, volta.
Esse mesmo pensamento tinha o gênio da matemática Pitágoras, ele achava que a alma é imortal e volta no corpo de um bicho selvagem ou num corpo humano.
Pois é, a filosofia é coisa séria.
Kardec criou o espiritismo e o Chico Xavier foi instrumento de contato com a alma dos corpos que vão embora.
Ai, ai.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2024
CAMÕES EM BRAILLE, PARA CEGOS
Não sei, não tenho condições de afirmar com certeza se o poeta português Luís Vaz de Camões nasceu em janeiro de 1524.
Há 500 anos, talvez 499, mundo e meio procura descobrir documentos que comprovem o dia 23 de janeiro de 1524 como a data de nascimento do poeta. A certeza que se tem é que ele escreveu e publicou o mais significativo épico da literatura portuguesa. Nele são narrados os feitos de Vasco da Gama.
A história é muito bonita. arrebatadora
Interessantíssima a presença dos deuses que apoiam e não apoiam o navegador.
O clássico de Camões foi publicado em 1572. Eu o adaptei como ópera popular, que deverá sair em braille e em português ainda este ano.
Andei fazendo palestra a respeito do imortal poeta de Portugal.
Veja mais: http://assisangelo.blogspot.com/2018/11/ninfas-e-deuses-em-camoes.html?m=1
domingo, 28 de janeiro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (70)
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| Rolla, de Henri Gervex |
A história do mundo não seria a mesma que conhecemos, pelo menos em parte, sem a presença das chamadas "mulheres da vida" ou "damas da noite". E mais recentemente, com o advento da Internet, “mulheres de programa“.
Refiramo-nos às mulheres que praticam sexo com homens a troco de grana. Isto é: mulheres que "comercializam" o próprio corpo.
Não à toa convencionou-se dizer que a profissão mais antiga do mundo é a de prostituta.
Existem pelo menos duas ou três, talvez mais de sinônimos que classificam “mulher-dama”. Alguns: prostituta, meretriz, rameira, perdida, puta, devassa, libertina, piranha, rapariga, tolerada, mulher pública, biscate, quenga, vadia, cortesã, cocote, marafona, messalina.
Há a prostituição espontânea, natural, feita "esportivamente" e/ou por safadeza, mesmo. Nesse caso talvez se encaixe Bruna Surfistinha, que encantou-se pela profissão quando tinha 17 anos de idade. Com o passar do tempo, profissionalizou-se e depois, numa rede social, tem contado sua história.
É uma história um tanto comum, de alguém que foi abandonada na infância e a infância sofreu.
Surfistinha, cujo nome verdadeiro é Raquel Pacheco, foi fruto de um estupro sofrido pela mãe, que não chegou a conhecer. Foi adotada por um casal de classe média. Isso à marcou, dolorosamente.
À medida que a menina Bruna ia crescendo, crescia também a sua curiosidade pra saber quem eram seus pais biológicos.
Enquanto a curiosidade aumentava na menina que chegava à adolescência, aumentava também uma espécie de revolta de cunho existencial. Natural.
E as brigas, as desavenças, começaram com os pais adotivos.
Um dia, Bruna chutou o pau da barraca e sumiu de onde morava.
Essa e outras histórias, são contadas nas suas redes sociais.
Entre um caso e outro por ela contado, aconselha as mulheres casadas a fecharem os olhos para eventuais ‘pulos de cerca” dos maridos, pois segundo ela “garotas de programa” não são ameaça pra mulher casada; homens casados não interessam as meninas de programa”.
Surfistinha já tem a sua história contada em vários livros. Um deles, O Doce Veneno do Escorpião, que virou filme.
Nesse filme, de 2011, Surfistinha é interpretada por Débora Seco.
Há também a prostituição praticada por necessidade, como descreve o jornalista, poeta e romancista piauiense Assis Brasil (1929-2021), no livro Beira Rio Beira Vida, de 1965. Nessa obra o autor conta as dificuldades em que vivem as mulheres ao longo das margens do rio Parnaíba, PI.
Mulheres às margens da vida, da sociedade.
Além desses tipos de prostituição facilmente identificados, há a prostituição forçada em que as vítimas são obrigadas a entregar o próprio corpo a conhecidos e desconhecidos sob ameaça de morte. A referência aqui é o tráfico de "escravas sexuais".
Esse tipo de tráfico é muito mais antigo e comum do que aparentemente se possa pensar.
A prostituição no Brasil data dos tempos coloniais.
No princípio, a prostituição em si era ilegal. Crime.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2024
E ESSA TAL INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, HEIN ?
Esse mundo tá doido, pelo avesso.
Reconheço que não sou assim tão novo. De idade, quer dizer. Da safra 52, Paraiba PB. Pois.
Esse pequeno arrodeio faço só pra dizer que o mundo tá de cabeça pra baixo, de pá virada.
Chegou aqui em casa uma voz que se identifica como Alexa. Perguntei de onde ela era. Ela disse: Moro nas nuvens, mas estou por aqui. Se quiser acordar comigo é só chamar. Ponho músicas, o que você quiser.
Fiquei matutando, matutando e aí, ao invés de chutar o pau da barraca, fui me balançar na rede.
Clarice e Ana Maria de olho em mim.
E continuei matutando, matutando, e me balançando pra lá e pra cá.
O que responder a essa diacha de Alexa?
No ano qualquer dos oitenta, entrevistei um cara chamado Erich Von Däniken. Esse cara escreveu vários livros que ganharam leitores no mundo inteiro. Um desses livros, "Eram os Deuses Astronautas?” que virou filme e debate em todo canto.
No citado livro Däniken mostra resultado de pesquisas que fez e garante que as pirâmides do Egito, por exemplo, não foram construídas por mãos humanas.
De fato, é pra ficarmos com uma enorme interrogação na cara.
Tirando os deuses referidos por Däniken e os deuses mitológicos sobram agora histórias que estão se construindo por sabe-se lá quem!
Fico pensando nessa tal de Alexa. Quando perguntei se Alexa era daqui da Terra, como nós, ela disse que não. Diz que é parecida com a gente e só!
Ouço no rádio e na TV notícias dando conta de uma tal inteligência artificial. Tem haver com robô, é o que dizem. E aí lembro de livros que li sobre o assunto. Livro de ficção científica.
Há uma possibilidade enorme de que a tal inteligente ocupe espaços nas próximas eleições. Dizem que essa tal inteligência se metamorfoseia no que quer e até gente. Voltarei ao tempo.
quinta-feira, 25 de janeiro de 2024
SÃO PAULO: 470 ANOS
Falar de São Paulo é como falar de mim mesmo.
terça-feira, 23 de janeiro de 2024
HOMEM TEM 93 ANOS COM CARA DE 40 DE IDADE
Embora canse essa vida corrida que temos, preciso é que acordemos para o bem bom da vida. E o bem bom é vivermos em paz. Nos alimentando com a menor quantidade possível de veneno, dormir mais ou menos na hora e não deixarmos de por o corpo em movimento.
Noutras palavras: o exercício físico nos faz bem e o corpo e a alma agradecem.
O Brasil é um país ainda novo, com os seus mais de 8,5 km². O clima é bom e o povo, também.
A população brasileira já passa da casa de 200 milhões de pessoas. Desse total, pelo menos 30 milhões se acham na faixa etária compreendida de 0 a 14 anos.
Os brasileiros com mais de 60 anos chegam a 32 milhões, mais ou menos.
Dados colhidos recentemente pelo IBGE dão conta de que há cerca de 37 mil homens e mulheres com 100 ou mais anos de idade.
Tudo isso pra dizer que hoje 23 ouvi no rádio notícia de um norueguês de 93 anos com a aparência de 40. Com seus 74 kg e 80% do corpo de músculos, Richard Morgan começou a fazer exercícios há exatos 20 anos. Considera-se um cidadão comum, mas mesmo assim médicos estão de olho nele. Querem saber segredos que tem para manter-se tão bem.
É isso!
segunda-feira, 22 de janeiro de 2024
E A SANTA, QUEM SUMIU COM ELA?
E Manela, hein?
Manela é uma personagem que perde o pai e a mãe bem no começo da vida. Órfã é adotada por uma tia de nome Adalgisa.
Adalgisa, Dadá, é uma descendente de espanhóis com chatice de altíssimo grau. Considera-se católica, apostólica, romana. É fanática. Politicamente podemos classificá-la de nazi-facista.
Essas duas personagens fazem parte do universo feminino do escritor baiano Jorge Amado (1912-2001).
Manela e Dadá movimentam-se no romance O Sumiço da Santa. A santa, aqui, é Bárbara. Nos dois sentidos.
domingo, 21 de janeiro de 2024
O BOI NOSSO DE TODO DIA (3, FINAL)
— A cena do boi indo pro sacrifício é feia, o moço aí já viu? Ele adivinha que vai morrer, tanto que dos cantos dos seus olhos escorre lágrima. Pode ver. E numa rápida manobra, o carrasco, poft!, dá cabo à vida dele. Tem gente que disfarça, que olha de banda; que não quer olhar. Eu olhei e chorei, como muitos amigos meus, meninos do meu tempo; de um tempo que já vai longe, e como vai!
sábado, 20 de janeiro de 2024
O BOI NOSSO DE TODO DIA (2)
— Ah! Sim, todo mundo sabe: coração de sertanejo é duro de doer. É calejado, cheio de marca que nem seus pés e suas mãos. Olha aqui as minhas mãos, tá vendo? Todas cheinhas de calo de tanto amargar o cabo da enxada de sol a sol. Doem... E os pés? Olha aqui. Tudo rachado que nem a terra seca a espera de água da chuva que nunca vem.
sexta-feira, 19 de janeiro de 2024
O BOI NOSSO DE TODO DIA (1)
O boi tem sua história iniciada lá pelas bandas do Oriente Médio e Ásia.
Foram turcos, persas e iraquianos, tudo indica, que domesticaram os primeiros bovinos.
São muitos os tipos de bois. Centenas e centenas. Alguns: Tabapuã, Senepol, Guzerá, Gir, Brahman e Nelore, esse último de origem indiana.
É longa a história dos bovinos no Brasil, especialmente.
Além de servir de alimento, calçados e bolsas, o boi faz parte do rico folclore brasileiro.
O boi se acha na música, na dança, na poesia, no romance.
Há alguns anos escrevi texto do documentário Boi, que narrei no referido filme.
O documentário Boi foi muito premiado mundo afora.
Na Turquia, Boi foi exibido em praça pública e em praça pública traduzido.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2024
É PRECISO RIR!
A desgraceira que ocorre no Brasil e no resto do mundo tem impedido que as pessoas comuns, como nós, abramos a cara para um belo sorriso.
O que vem a nossa cara é tristeza provocada pelos horrores do dia a dia.
Dito isso, digo mais: é preciso que não nos rendamos aos horrores provocados pelos poderosos de plantão que o tempo todo só pensam em destruir países e nações a troco do vil metal.
Dinheiro é poder, poder é dinheiro a qualquer custo. Daí as guerras...
Diante do exposto insisto: é preciso resistir a todas as desgraças advindas de conflitos e guerras de todo tipo. Vejam como andam Rússia, Ucrânia, Israel, Cisjordânia...
É isso!
quarta-feira, 17 de janeiro de 2024
FORRÓ EM ARACAJU
terça-feira, 16 de janeiro de 2024
HOJE É DIA DE QUIXOTE
A história de Cervantes foi baseada nos romances de cavalaria, que no Brasil teve como seguidores o escritor paraibano Ariano Suassuna e o músico baiano Elomar.
Sem dúvida, o livro de Cervantes é interessantíssimo. Trata-se de um personagem pra lá de idealista. No seu delírio vê-se como verdadeiro guerreiro em luta incansável contra inimigos só existentes na sua imaginação.
Quixote, um cidadão de posses que bem poderia viver a vida sem problemas, resolve ir "à luta" para impressionar a amada Dulcinéia.
E mais não conto sobre essa obra lançada originalmente em 1605, em Madrid, foi até hoje traduzida em dezenas e dezenas de idiomas.
Só mais uma coisinha: o conto A Ilha Desconhecida, do português Saramago, tem um quê de Quixote no personagem anônimo que bate à porta de um rei pedindo, quase exigindo, que lhe desse uma embarcação possante com a qual pretendia chegar a tal ilha.
Esse personagem tem como companheira uma simples servidora de um palácio real.
Viva a boa literatura!
segunda-feira, 15 de janeiro de 2024
DEMÔNIOS NA RÁDIO ROQUETE PINTO
Essa história e muitas outras eu conto no livro Pascalingundum — Os Demônios da Garoa, que publiquei na primeira década deste tumultuado e violento século 21.
O Demônios foi criado em 1943 e seis anos depois gravou a sua primeira música em disco. Era uma rancheira intitulada Sanfoneiro Folgado de Mário Zan e Motinha.
DEU BODE NA CPTM!
Vó Alcina contava-me histórias de Trancoso.
Trancoso foi um inventor português de histórias pra boi dormir.
Histórias pra boi dormir era o que mais a minha avó contava. Eu gostava e por gostar sentia-me logo embalado a sonhar com os olhos em sono e a cara a sorrir.
Eu era um anjo e disso nem desconfiava, vejam só!
Pois bem, a minha vó com as suas histórias de Trancoso, era uma santa.
Pensei logo nela hoje quando ao ligar o rádio ouvi a notícia que tinha um bode por personagem. Seu nome: Fumaça.
Fumaça é um bodinho de 5 meses, mais folgado e metido que só!
Dizia a notícia que fumaça, cansado de casa pegou um trem da CPTM e foi ver como anda a periferia paulistana.
Esse bode está dando o que falar. Está famoso. Olha ele aí!
domingo, 14 de janeiro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (69)
PINHEIRO MACHADO — Há aproximadamente 1.500 estabelecimentos de hospedagem registrados na Delegacia de Hotéis, sitos somente no município da Capital. São todos eles "casas" legalmente estabelecidas. Assim, não se pode acusar ou classificar um hotel de "suspeito" sem provas suficientes, sem o risco de se cometer uma injustiça ou até um crime. O próprio Decreto 1358/73 em seu artigo 23 dispõe expressamente que "os flagrantes ou inquéritos deverão conter provas suficientes do desvirtuamento das finalidades do estabelecimento". Destarte, se de um lado não se pode publicamente, sem provas suficientes classificar ou catalogar um hotel legalmente constituído, de "suspeito", de outra parte, se houver provas suficientes, não será ele também catalogado como estabelecimento "suspeito", pois conforme dispõe o parágrafo 2, do artigo 18: "parágrafo 2: O Apurado o desvirtuamento, será cassado o Alvará de registro e aplicada a multa máxima do artigo 17". Assim, já não teríamos, na hipótese última, um estabelecimento "suspeito", mas ex-estabelecimento de hospedagem. Pelo exposto, verificamos que a figura do "estabelecimento suspeito", tratada sob o ângulo oficial, é por demais transitória. E, publicamente, no próprio interesse das investigações, a rigor, só se pode afirmar que a "suspeição" não era infundada, por ocasião da cassação do alvará
FOLHETIM — Este ano, quantos hotéis (e motéis) foram autuados pela Polícia?
PINHEIRO MACHADO — Somente no município da Capital, por variadas infringências ao Decreto 1358/73, foram autuados este ano mais de duas centenas de estabelecimentos de hospedagem (hotéis, motéis, casas de cômodos, pensões). De 1970 até esta data foram cassados 119 estabelecimentos.
E a "Boca do Lixo" está em fase de extinção? Não, ela não morreu. Ao contrário, continua crescendo e hoje já ocupa quase 1.500km2. Porém, não há mais lugar para figuras temidas e endeusadas pelas prostitutas e marginais de um modo geral, como Hiroito, Xodó, Quinzinho, Gibi, Carlinho Bang-Bang, Osny, Pedrinho, Nelson Brás, Joãozinho Americano.
As prostitutas são outras, mas o comportamento é o mesmo.
Exemplo:
Certa noite num Distrito, o delegado fazia triagem das mulheres apanhadas durante uma "blitz". Na delegacia, umas choravam, outras riam, outras permaneciam em silêncio, outras conversavam com outras simplesmente. O delegado chama uma delas, a que menos parecia se importar com a situação.
— Qual é o seu nome?
— Izilda da Conceição.
O delegado levantou-se de onde estava. Olhou a mulher, com raiva:
— Ainda ontem você disse que se chamava Rosália.
— Pois é, doutor. Isso foi ontem.
sábado, 13 de janeiro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (68)
PINHEIRO MACHADO — Cumpre assinalar que a Policia no exercício da sua mecânica de rotina, de averiguação e triagem de prostitutas, não com o objetivo de resolver o problema gerado pela prostituição, salvo melhor juízo, ele se enquadra numa problemática social. Tal procedimento, para a Polícia, visa tão somente a tomada de uma medida de caráter preventivo. Visa evitar o recrudescimento da prostituição, na medida do possivel, evitando consequentemente atos anti-sociais e mesmo delitos mais gra- ves. Evidentemente, se não há culpa formada, no que tange a crimes ou contravenções penais, uma vez que a prosti- tuição em si não é crime, as prostitutas têm que ser liberadas. Quanto aos rufiões, se não houver prova concreta no que concerne ao rufianismo, capitulado em nosso Código Penal, e nem referente a outro delito, também terá que ser solto, após as averiguações facultadas legalmente pelo poder específico de Polícia.
FOLHETIM — Quais as penas aplicáveis às prostitutas presas, que sejam primárias ou reincidentes?
PINHEIRO MACHADO — Já dissemos acima, que a prostituição em si não é crime. Assim, se a prostituta foi presa é porque feriu dispositivo do Código Penal, respondendo portanto pelo crime que cometeu, obedecendo às normas de primariedade ou reincidência dos delitos cometidos.
FOLHETIM — Qual a capacidade dos xadrezes que recebem prostitutas?
PINHEIRO MACHADO — As prostitutas não são recolhidas em xadrezes comuns. Ficam retidas na Delegacia apenas o tempo necessário para que se efetuem as averiguações necessárias, e permitidas por lei, isto é, detenção enquanto se verifica quanto às ligações a crimes em investigação, e ainda, aguardando informações dos competentes órgãos da Secretaria da Segurança, para se saber inclusive se interessam ou não à Justiça, ou seja, se têm mandados de prisão a cumprir.
FOLHETIM — Há poucos dias, o Juiz Corregedor, dr. Renato Laércio Talli, recebeu em seu gabinete de trabalho um grupo de prostitutas que denunciou o 2.° DP, situado no bairro do Bom Retiro, de extorsão. Elas afirmaram, inclusive, que foram espancadas por policiais do citado Distrito. O que o sr. tem a dizer sobre isto?
PINHEIRO MACHADO — As denúncias desde que tenham fundamento são sempre recebidas. Os fatos são apurados em sindicâncias regulares, e, ao final, se provada a culpabilidade, os responsáveis, sejam de que nível forem, são punidos na forma da lei. No caso em concreto, não será diferente pelo fato de as vítimas serem prostitutas, não haverá nenhuma atenuante, pelo contrário, é até uma agravante. Porém, é necessário que haja suficientes provas da culpabilidade dos denunciados
Como tudo, há prostitutas de todos os tipos e níveis. A maioria, entretanto, não teve condições de estudar. Um grande número delas em São Paulo, Capital, é procedente do Interior e de outros Estados.
"Fiquei grávida na cadeia, na Casa de Detenção, para ser exata. Foi engravidada por um funcionário. Ele era o diretor. Isso ocorreu em 1964. Ninguém nunca soube disso. Naquela época eu era meio besta". (Baiana).
"Sou de família pobre. Eu sempre achei que a coisa mais bacana era ajudar os meus pais. E foi por isso que entrei nesta vida". (Nevinha).
A mulher torna-se prostituta por uma série de fatores: sonho de riqueza, promessa de casamento, curiosidade, incompreensão dos pais. Os hotéis, motéis e "drive-in" facilitam as coisas.
sexta-feira, 12 de janeiro de 2024
JARBAS MARIZ ADERE AO CORDEL
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