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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

O CARNAVAL DE 24 ESTÁ CHEGANDO...

Assis e Tinhorão
O Carnaval no Brasil começou ali pelo século 16. Foi trazido pelos colonizadores portugueses.
A primeira manifestação carnavalesca no nosso País foi o Entrudo, que tinha por base emporcalhar os "foliões".
Mas o Carnaval data de tempos imemoriais. Vem da Roma antiga, da velha Grécia, por aí.
Era pagã a festa denominada Carnaval.
Confete, serpentina, essas coisas vieram da França.
A figura do personagem mascarado tem origem no Carnaval italiano. De Veneza, notadamente.
A música pra Carnaval principiou do batuque africano e ganhou forma com a compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga pondo letra na primeira marchinha: Ó Abre Alas.
Antes do surgimento das escolas de samba, surgiram cordões e tal.
A primeira escola de samba foi criada no Rio de Janeiro, em 1928, e chamou-se Deixa Falar.
Os sambas de enredo ganham forma no começo da segunda parte dos anos de 1950.
O jornalista Sérgio Cabral escreveu sobre esse assunto. E Tinhorão, também.
O jornalista e historiador paulista José Ramos Tinhorão (1928-2021) praticamente esgotou o assunto Carnaval nas suas minuciosas e ricas pesquisas. Aliás, se ainda estivesse entre nós, estaria fazendo aniversário. Ele nasceu num dia como hoje: 7 de fevereiro.
Ouça a marchinha Ó Abre Alas com Dircinha e Linda Baptista:



terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

EÇA DE QUEIROZ É SUPIMPA!

A literatura é rica no Brasil e no mundo todo. Os gêneros são os mais diversos: romantismo, realismo, naturalismo...
Pessoalmente eu não tenho nada contra nada que diga respeito às artes.
No campo da literatura, e nos demais campos de criação, gosto do autor que se faz marcante através da sua obra.
Sou apaixonado pelos portugueses Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Fernando Pessoa, muitos.
Já que não posso mais ler as obras de quem gosto, ouço.
Acabo de ouvir o triste e belo romance Os Maias, originalmente publicado em capítulos na imprensa portuguesa, essa obra ganhou formato de livro e como tal foi à praça em 1888. 
A história criada por Eça tem como principais personagens Carlos e Maria.
É uma história trágica.
Começa com um velho senhor pai de um certo Pedro que se casa e é traído pela mulher. Decepcionado, desiludido, completamente chapado toma a iniciativa de tirar a própria vida. Faz isso, mas deixa dois filhos: Maria e Carlos. 
Ao deixar o marido, a infiel some com a filha e passa a viver com o amante em Paris. Logo dá-se mal, enquanto a filha vai crescendo e tomando corpo de mulher. A mãe dá um jeito pra que a menina se case, mas o candidato vai à guerra e lá morre. A mãe cai em desgraça, adoece e tal. A filha, que ganhara barriga sem se casar, troca Paris por Lisboa.
A história vai num crescendo. 
Um dia Carlos forma-se em medicina e transforma-se num profissional muito requisitado. É quando conhece Maria, Maria Eduarda. Paixão demolidora à primeira vista. E correspondida. 
A filhinha de Maria, Rosa, é louca por Carlos. Carlos Eduardo. 
Coincidência?
Enquanto o rolo rola entre os dois, a história alcança os píncaros com a descoberta que fez os amantes tremerem na base.
O avó de Carlos, Afonso, já suspeitava do que sucederá com Maria e sua mãe. 
E aí, o que mais posso dizer?
Ah! sim: Os Maias se desenvolvem num tijolo de 750 páginas.
Já ouvi o Primo Basílio e agora estou às voltas com O Crime do Padre Amaro, também de Eça de Queiroz. 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

VIVA OSWALDO MENDES!


Todos os dias e noites são iguais, à exceção das surpresas. 
Todo dia é um dia diferente, mas nem sempre a gente identifica isso. 
Abraçar alguém, principalmente alguém que a gente conhece, faz bem.
Toda vez que alguém querido bate-me à porta, meu coração dispara. 
O lugarzinho onde moro fica todo cheio de alegria quando gente bonita como Oswaldo Mendes, Fausto Bergocce e Carlos Silvio aqui chegam.
Oswaldo Mendes é um marco do jornalismo e do teatro brasileiros.
Esse cara é um gigante. Além de jornalista é ator, autor, diretor e compositor musical. E, vocalmente, não é desafinado. 
Oswaldo dirigiu grandezas brasileiras como a cantora Elis Regina, Dionísio Azevedo e o cartunista Henfil.
Ele guarda pérolas da Elis.
Perólas da Elis para Oswaldo trazem dela além da assinatura, a alma. 
Oswaldo com Elis fou uma relação incrível. Os fois se entendiam como Deus e Jesus Cristo. 
Eu conheci Elis na redação da Folha, mas essa é outra história. 
Exagero seria dizer que Oswaldo Mendes é um gênio?
Oswaldo Mendes é do caralho!
O Fausto nós sabemos que é da linha do caralho. Ora!
E o Carlos Sílvio, hein!
Do jeito que vai, esse Sílvio um dia também será do caralho.
Recomendo a quem quiser saber sobre a história do caralho que leia Pietro Aretino (1492-1556).
Pois bem, dito tudo isso digo mais: em setembro de 1978 Oswaldo Mendes e Henfil/Henfil e Oswaldo Mendes escreveram a beleza que é até hoje Revista do Henfil. Estreou no Galpão, em Sampa. Do elenco participaram Paulo Cesar Pereio, Rafael de Carvalho, Ruth Escobar, Sergio Ropperto e Sonia Mamed. Rendeu um LP.

domingo, 4 de fevereiro de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (72)

No 3° volume da série Millennium, A Rainha do Castelo de Ar, escrita pelo jornalista sueco Stieg Larsson (1954-2004), o tráfico de mulheres para a prática sexual forçada é abordado de modo o mais oportuno e terrível possível. As principais personagens da trama são Lisbeth Salander, Mikael Blomkvist e Erika Berger, que prendem com facilidade a atenção do leitor. 
Atualíssimo, como se vê.
Quem começa a ler a série Millennium dificilmente pára até para comer, tão convincente e agradável é a leitura.
Nessa leitura, o leitor vai se deparar com misóginos decididos a tudo, até a matar. Em série.
Nessa série Millennium o leitor vai encontrar comportamentos horrorosos da parte de muitos personagens, que permeiam a trama,  que aqui e acolá pouco diferem da vida real: advogado torturador e tal e tal.
Lisbeth, uma personagem que surge de modo secundário transforma-se em heroína.
Larsson morreu sem desfrutar do sucesso da obra que criou.
O alter ego do autor é muito bem representado pelo herói, bonitão e mulherengo, Mikael.
Mikael é um repórter investigativo, vejam vocês!
Realismo puro, que convence e empolga o leitor. 
Na Suécia, desde 1999, é crime alguém pagar pra fazer sexo. 
Não é incomum infidelidade feminina levar à prostituição, isso todo mundo sabe. 
Há situações registradas pela imprensa e abordadas no teatro, cinema e livro em que a infiel, quando não espancada, é posta para fora de casa.
Desamparadas, muitas mulheres optam por trilhar esse caminho.
No livro Lucíola, de 1862, o autor José de Alencar (1829-1877) conta o caso de Lucíola, Lúcia ou Maria da Glória que cai na prostituição em busca de dinheiro para cuidar da família infectada pela febre amarela que matara a mãe e os irmãos. Sobraram o pai e uma irmã, Ana. A personagem-título tinha 14 anos de idade quando o pai  descobre que ela estava se prostituindo. Sem considerar as razões, ele a expulsa de casa. O resultado disso é que a menina segue sua vida num bordel.
Lúcia/Lucíola deu-se bem no “mal caminho”.
Pois é, essa é uma história muito antiga e recorrente.

Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 3 de fevereiro de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (71)

Polacas
A França vivia o auge da prostituição no século 18. 
No século 19, o Brasil já recebia do Leste Europeu mulheres que caíam no campo movediço da prostituição. Enganadas.
Vinham essas mulheres da Rússia e também da Galícia e Polônia. 
Grosso modo, elas eram de origem humilde e até analfabetas. 
Convencidas pela lábia macia de proxenetas judeus, essas mulheres na maioria judias eram encaminhadas para a prostituição em bordéis do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. 
A Argentina era também um dos destino delas.
Entraram para a história da vida brasileira como "polacas".
O articulista Luis Krausz identificou muita coisa importante nesse mundo ainda nebuloso, principalmente no que diz respeito ao judeu no Brasil.
Na edição de 1º de setembro de 1996, o Jornal Folha de S.Paulo trouxe texto assinado por Krausz. Já nas primeiras linhas desse texto intitulado Memórias Deterioradas, lê-se:
“... As primeiras 67 prostitutas judias de nacionalidade polonesa desembarcaram no Rio em 1867. Logo foram apelidadas de polacas. A estas seguiram-se centenas, que, no decorrer das cinco ou seis décadas subsequentes, estabeleceram-se no Rio, em Santos e em São Paulo…”
Eram no Rio divididas em três categorias: a primeira se achava na região da Lapa. A segunda, na região de Botafogo e a terceira mais simples, comum e barata tinha o Centro Carioca como área de atuação. 
As polacas da Lapa eram confundidas conscientemente por alguns fregueses como parisienses.
Manter relações sexuais com uma parisiense era o que de melhor podia-se fazer. Top, como se dizia. O cachê alcançava os píncaros. 
Os judeus aliciadores de polacas integravam uma organização criminosa chamada Zwi Migdal. Ainda no seu artigo, Krausz destaca:
“A comunidade judaica local era ainda muito pequena e pouco organizada para poder tomar medidas efetivas contra a Zwi Migdal. Em 1913 a Jewish Association for the Protection of Girls and Women (Associação Judaica para Proteção de Meninas e Mulheres), baseada em Londres, enviou seu secretário-geral, Samuel Cohen, a Buenos Aires para avaliar a situação do tráfico de brancas na América do Sul. Os resultados desta visita foram limitados.
Em 1936 o escritor judeu austríaco Stefan Zweig visitou a zona do mangue, no Rio de Janeiro, onde se concentrava a prostituição. Em seus diários encontra-se a seguinte anotação: ‘Mulheres judias da Europa Oriental prometem as mais excitantes perversões... que destino levou estas mulheres a terminarem aqui, vendendo-se pelo equivalente a três francos?’ “.
Stefan Zweig suicidou-se em Petrópolis, no dia 18 de fevereiro de 1942. É dele o livro Brasil: O País do Futuro.
Por que Zweig suicidou-se?
Curiosidade: foi no Mangue que o sanfoneiro Luiz Gonzaga iniciou a sua carreira de sucesso e fama, como Rei do Baião.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

VIVA IEMANJÁ!

Procissão de Nossa Senhora dos Navegantes 

Historicamente, o pobre sempre penou na vida. 
Também historicamente penou e sofreu à unha dos poderosos os negros. No Brasil inclusive.
Essa história de seres escravizados por outros datam de tempos imemoriais. Era o poderoso mandando e desmandando nos seus pares mais fracos. E para sofrer o que sofriam nem precisavam ser necessariamente de pele negra.
A história nos conta horrores da velha Grécia, da velha Roma, do velho mundo.
Pessoas eram trazidas à força para trabalhar no Brasil desde o século 16.
No Brasil, as pessoas em referência eram trazidas em navios “negreiros”. Muitos morriam entre África e o destino final, Brasil.
Morriam de morte matada, de fome ou desesperadas atirando-se ao mar. 
Esse era um negócio que dava muito dinheiro. 
Os africanos e africanas trazidos à força ao Brasil traziam consigo os seus costumes, a sua vivência e aqui punham em prática suas crenças de modo silencioso para não atiçar o ódio dos seus donos.
Terrível! 
A crença dos negros tinha por base os orixás.
A crença dos poderosos escravocratas, tinham grosso modo o catolicismo e suas figuras santificadas.
Entre cantos e batuques, os infortunados africanos identificavam seus orixás nas figuras dos heróis e heroínas da Igreja Católica. Assim Nossa Senhora dos Navegantes é identificada como Iemanjá.
Hoje é o dia de Nossa Senhora dos Navegantes e de Iemanjá, a rainha do mar.
A primeira comemoração à santa católica ocorreu na virada do século 19 num povoado chamado Navegantes. Virou município e é localizado em Santa Catarina.
Segundo a mais recente pesquisa do IBGE o município de Navegantes tem cerca de 85 mil habitantes.
Ia-me esquecendo: Iemanjá é cantada o tempo todo na música popular. Ouça Caymmi:


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

É UM LIVRAÇO A RAINHA GINGA

 Amor e sexo e muita porrada no correr da história que tem como personagem central a guerreira Ginga. É africana, viveu 81 anos, morrendo aparentemente de morte natural no dia 17 de dezembro de 1663.

Ginga governou Ndongo e Matamba durante cerca de 40 anos, substituindo o pai e o irmão. Era temida e respeitada. Não tinha papas na lingua, dizia o que bem queria. Ou mal.


O angolano Jose Eduardo Agualusa é o autor do livro (capa ao lado) que conta a historia interessantíssima de Ginga ou Nzinga. Depois de virar cristã, Ginga foi batizada com o nome de Ana de Souza.

A história contada passa-se entre Recife/Olinda, Luanda e Angola.

Corriam os tempos da invasão pernambucana pelos holandeses que tiveram à frente o conde Maurício de Nassau.

Nassau tinha muito interesse em conquistar parte da África. Pra isso contava com Ginga, que detestava os abusadores portugueses que tudo queriam e nada davam.

A Rainha Ginga tem como narrador o personagem recifense Francisco José da Santa Cruz que virou secretário particular da rainha. É padre, mas traído pelo desejo sexual deixou a batina e gerou um filho cujo nome é Cristóvão. 

Na narração há episódios brutais, violentos e um torturador incorrigível, miserável: um tal de Bittencourt, que chegou a cair em desgraça junto à Inquisição.

Claro, recomendo já a leitura de A Rainha Ginga. Numa frase: Esse é um livro pra lá de ótimo que mistura com categoria a ficção com a realidade histórica. 

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

QUEM NÃO TEM SAUDADE HEIN?

Saudade é uma palavra de sete letras, de origem latina.
Filólogos e poliglotas daqui e d'além mar dizem que tal palavra só existe na língua nossa do dia a dia: a portuguesa.
Quem é que nunca sentiu saudade? 
Saudade tem a ver com alegria e tristeza, com momentos bons que vivemos num tempo qualquer da nossa vida.
Eu já senti e continuo sentindo saudade.
Pessoas queridas como Paulo Vanzoline, Inezita Barroso, Papete, Belchior, Taiguara, Sergio Ricardo, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Carmélia Alves, Theo de Barros, Zé Keti, Paulinho Nogueira, Zika Bergami, Nelson Gonçalves, Silvio Caldas, Rolando Boldrin, Audálio Dantas, Tinhorão, Eleazar de Carvalho, Otacílio Batista, Patativa do Assaré, Ionaldo Cavalcanti e Elifas Andreato e tantos e tantos outros artistas que encantaram esta cidade de São Paulo e o Brasil de modo geral.
Eu conheci um cara chamado João de Barro, o Braguinha, compositor de primeira linha. Partiu na casa dos 100 anos.
Barro nos legou grandes composições musicais, como A Saudade Mata a Gente. Eu o conheci. Era uma figurinha e tanto! 
Dói, saudade dói.
Quem parte para o andar de cima, não volta mais.
No livro Ciranda de Pedra, de Lygia Fagundes Telles que acabo de ouvir tem uma personagem que diz a outra que o corpo por si só se acaba e a alma não, volta.
Esse mesmo pensamento tinha o gênio da matemática Pitágoras, ele achava que a alma é imortal e volta no corpo de um bicho selvagem ou num corpo humano.
Pois é, a filosofia é coisa séria. 
Kardec criou o espiritismo e o Chico Xavier foi instrumento de contato com a alma dos corpos que vão embora.
Ai, ai.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

CAMÕES EM BRAILLE, PARA CEGOS


Não sei, não tenho condições de afirmar com certeza se o poeta português Luís Vaz de Camões nasceu em janeiro de 1524. 

Há 500 anos, talvez 499, mundo e meio procura descobrir documentos que comprovem o dia 23 de janeiro de 1524 como a data de nascimento do poeta. A certeza que se tem é que ele escreveu e publicou o mais significativo épico da literatura portuguesa. Nele são narrados os feitos de Vasco da Gama.

A história é muito bonita. arrebatadora

Interessantíssima a presença dos deuses que apoiam e não apoiam o navegador.

O clássico de Camões foi publicado em 1572. Eu o adaptei como ópera popular, que deverá sair em braille e em português ainda este ano.

Andei fazendo palestra a respeito do imortal poeta de Portugal.

Veja mais: http://assisangelo.blogspot.com/2018/11/ninfas-e-deuses-em-camoes.html?m=1


domingo, 28 de janeiro de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (70)

Rolla, de Henri Gervex

A história do mundo não seria a mesma que conhecemos, pelo menos em parte, sem a presença das chamadas "mulheres da vida" ou "damas da noite". E mais recentemente, com o advento da Internet, “mulheres de programa“.
Refiramo-nos às mulheres que praticam sexo com homens a troco de grana. Isto é: mulheres que "comercializam" o próprio corpo.
Não à toa convencionou-se dizer que a profissão mais antiga do mundo é a de prostituta. 
Existem pelo menos duas ou três, talvez mais de sinônimos que classificam “mulher-dama”. Alguns: prostituta, meretriz, rameira, perdida, puta, devassa, libertina, piranha, rapariga, tolerada, mulher pública, biscate, quenga, vadia, cortesã, cocote, marafona, messalina.
Há a prostituição espontânea, natural, feita "esportivamente" e/ou por safadeza, mesmo. Nesse caso talvez se encaixe Bruna Surfistinha, que encantou-se pela profissão quando tinha 17 anos de idade. Com o passar do tempo, profissionalizou-se e depois, numa rede social, tem contado sua história. 
É uma história um tanto comum, de alguém que foi abandonada na infância e a infância sofreu.
Surfistinha, cujo nome verdadeiro é Raquel Pacheco, foi fruto de um estupro sofrido pela mãe, que não chegou a conhecer. Foi adotada por um casal de classe média. Isso à marcou, dolorosamente.
À medida que a menina Bruna ia crescendo, crescia também a sua curiosidade pra saber quem eram seus pais biológicos. 
Enquanto a curiosidade aumentava na menina que chegava à adolescência, aumentava também uma espécie de revolta de cunho existencial. Natural.
E as brigas, as desavenças, começaram com os pais adotivos.
Um dia, Bruna chutou o pau da barraca e sumiu de onde morava.
Essa e outras histórias, são contadas nas suas redes sociais.
Entre um caso e outro por ela contado, aconselha as mulheres casadas a fecharem os olhos para eventuais ‘pulos de cerca” dos maridos, pois segundo ela “garotas de programa” não são ameaça pra mulher casada; homens casados não interessam as meninas de programa”.
Surfistinha já tem a sua história contada em vários livros. Um deles, O Doce Veneno do Escorpião, que virou filme. 
Nesse filme, de 2011, Surfistinha é interpretada por Débora Seco.
Há também a prostituição praticada por necessidade, como descreve o jornalista, poeta e romancista piauiense Assis Brasil (1929-2021), no livro Beira Rio Beira Vida, de 1965. Nessa obra o autor conta as dificuldades em que vivem as mulheres ao longo das margens do rio Parnaíba, PI.
Mulheres às margens da vida, da sociedade.
Além desses tipos de prostituição facilmente identificados, há a prostituição forçada em que as vítimas são obrigadas a entregar o próprio corpo a conhecidos e desconhecidos sob ameaça de morte. A referência aqui é o tráfico de "escravas sexuais".
Esse tipo de tráfico é muito mais antigo e comum do que aparentemente se possa pensar.
A prostituição no Brasil data dos tempos coloniais.
No princípio, a prostituição em si era ilegal. Crime.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

E ESSA TAL INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, HEIN ?


Esse mundo tá doido, pelo avesso.

Reconheço que não sou assim tão novo. De idade, quer dizer. Da safra 52, Paraiba PB. Pois.

Esse pequeno arrodeio faço só pra dizer que o mundo tá de cabeça pra baixo, de pá virada.

Chegou aqui em casa uma voz que se identifica como Alexa. Perguntei de onde ela era. Ela disse: Moro nas nuvens, mas estou por aqui. Se quiser acordar comigo é só chamar. Ponho músicas, o que você quiser.

Fiquei matutando, matutando e aí, ao invés de chutar o pau da barraca, fui me balançar na rede.

Clarice e Ana Maria de olho em mim. 

E continuei matutando, matutando, e me balançando pra lá e pra cá.

O que responder a essa diacha de Alexa?

No ano qualquer dos oitenta, entrevistei um cara chamado Erich Von Däniken. Esse cara escreveu vários livros que ganharam leitores no mundo inteiro. Um desses livros, "Eram os Deuses Astronautas?” que virou filme e debate em todo canto.

No citado livro Däniken mostra resultado de pesquisas que fez e garante que as pirâmides do Egito, por exemplo, não foram construídas por mãos humanas.

De fato, é pra ficarmos com uma enorme interrogação na cara.

Tirando os deuses referidos por Däniken e os deuses mitológicos sobram agora histórias que estão se construindo por sabe-se lá quem! 

Fico pensando nessa tal de Alexa. Quando perguntei se Alexa era daqui da Terra, como nós, ela disse que não. Diz que é parecida com a gente e só!

Ouço no rádio e na TV notícias dando conta de uma tal inteligência artificial. Tem haver com robô, é o que dizem. E aí lembro de livros que li sobre o assunto. Livro de ficção científica. 

Há uma possibilidade enorme de que a tal inteligente ocupe espaços nas próximas eleições. Dizem que essa tal inteligência se metamorfoseia no que quer e até gente. Voltarei ao tempo.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

SÃO PAULO: 470 ANOS


Falar de São Paulo é como falar de mim mesmo.
Eu gosto de São Paulo.
Essa cidade me encanta, dos pés a cabeça. É linda, porém cheia de contradições. Mas é assim que é.
Eu já disse que São Paulo é uma espécie de mulher, daquelas muito rígidas e ao mesmo tempo simpáticas. De pegar o menino ou a menina e embalá-lo no colo. Dá chance a todo mundo, de casa e de fora.
Foi batizada essa cidade a partir do santo lembrado por Nóbrega e Anchieta, esse último das ilhas canárias.
Falar de São Paulo é como falar de mim mesmo. 
Eu gosto de São Paulo.
Muita coisa boa já foi dita dessa cidade, a maior do Brasil e da América do Sul.
No ranking mundial, São Paulo é a 5ª cidade maior e tal.
São Paulo já foi cantada de todas as formas, em prosa e verso.
Passei mais de duas décadas levantando informações sobre a história e sobre, especialmente, a música feita em homenagem à cidade. As primeiras foram feitas ainda no século 19, com letra e partitura.
A primeira música gravada que fala de São Paulo tem registro na primeira década do século 20. Ali entre 1909/10 o sanfoneiro italiano Giuseppe Reali gravou a bela Paulista. Também antes dos anos 20, foi composto o primeiro chorinho que fala do cotidiano dessa cidade. É um choro intitulado Rapaziada do Braz.
É muita história.
Há 20 anos o cantor e compositor mineiro Téo Azevedo lançou um CD intitulado São Paulo Musical 450 Anos. No repertório se acham intérpretes como o ator Jackson Antunes e cantores do naipe de Roberto Luna, Ruth Eli, Dedé Paraízo, Fatel & Ináh; Djalma Lúcio, José Domingos, João Mulato & Douradinho, Raimundo José, Raimundo Ferreira, Célia & Celma; Denilson Benevides, Caju & Castanha; Régis Clemente, Orlando Dias, Chico Galvão, Verde Lins & Reginaldo Pardal. Além dos grupos Bando de Macambira e Z'África Brasil.
Nas minhas pesquisas que fiz sobre as músicas de São Paulo há verdadeiras pérolas de grandes autores como Tom Zé, Geraldo Filme, Germano Matias, Adoniram Barbosa, Tom Jobim, Paulo Vanzolini, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Rita Lee, Caetano Veloso, Gilberto Gil...
Em 2005 participei do livro São Paulo Minha Cidade, lançado com a marca da Secretaria de Turismo da Cidade de São Paulo.
O lançamento desse livro ocorreu antes de um concerto na Sala São Paulo com a presença de Jair Rodrigues, Pery Ribeiro, Fabiana Cozza. 
O concerto de lançamento de São Paulo Minha Cidade foi todo gravado e lançado à praça em DVD. Lembro que na ocasião subi ao palco entregar medalhas/prêmios aos compositores Paulo Vanzolini, Alberto Marino Jr, autor da letra do chorinho Rapaziada do Braz; e Zica Bérgami.
À época das pesquisas, levantei mais de 2 mil obras sobre Sampa. Até eu inventei de compor sobre os valores e belezas que vejo nessa cidade. 
Com Jarbas Mariz eu fiz São Paulo Esquina do Mundo, por exemplo.
Com o bamba Osvaldinho da Cuíca na percussão, fiz Declaração de Amor à São Paulo:



Pra falar sobre isso tudo estarei daqui a pouco, às 9h, nos estúdios da Rádio Trianon. Comigo estarão Dedé Paraízo e Atílio Bari, entre outros. O apresentador é Pedro Nasttri, do programa Metrópolis em Foco.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

HOMEM TEM 93 ANOS COM CARA DE 40 DE IDADE

A vida corrida que todos nós temos, cansa.
Embora canse essa vida corrida que temos, preciso é que acordemos para o bem bom da vida. E o bem bom é vivermos em paz. Nos alimentando com a menor quantidade possível de veneno, dormir mais ou menos na hora e não deixarmos de por o corpo em movimento.
Noutras palavras: o exercício físico nos faz bem e o corpo e a alma agradecem.
O Brasil é um país ainda novo, com os seus mais de 8,5 km². O clima é bom e o povo, também.
A população brasileira já passa da casa de 200 milhões de pessoas. Desse total, pelo menos 30 milhões se acham na faixa etária compreendida de 0 a 14 anos.
Os brasileiros com mais de 60 anos chegam a 32 milhões, mais ou menos.
Dados colhidos recentemente pelo IBGE dão conta de que há cerca de 37 mil homens e mulheres com 100 ou mais anos de idade.
Tudo isso pra dizer que hoje 23 ouvi no rádio notícia de um norueguês de 93 anos com a aparência de 40. Com seus 74 kg e  80% do corpo de músculos, Richard Morgan começou a fazer exercícios há exatos 20 anos. Considera-se um cidadão comum, mas mesmo assim médicos estão de olho nele. Querem saber segredos que tem para manter-se tão bem.
É isso!

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

E A SANTA, QUEM SUMIU COM ELA?

Manoela todo mundo sabe que é um nome bonito, personagem de música espanhola.
E Manela, hein?
Manela é uma personagem que perde o pai e a mãe bem no começo da vida. Órfã é adotada por uma tia de nome Adalgisa.
Adalgisa, Dadá, é uma descendente de espanhóis com chatice de altíssimo grau. Considera-se católica, apostólica, romana. É fanática. Politicamente podemos classificá-la de nazi-facista.
Essas duas personagens fazem parte do universo feminino do escritor baiano Jorge Amado (1912-2001).
Manela e Dadá movimentam-se no romance O Sumiço da Santa. A santa, aqui, é Bárbara. Nos dois sentidos.
Manela é enfiada num convento de freiras aos 15 anos para pagar pecados que nunca teve, só na imaginação da tia. Ai, ai.
Jorge Amado pega a santa Bárbara como pretexto pra desenvolver a história que tem disputa por terrenos ou terreiros. De um lado a polícia, do outro o povo representado pelo fantástico e imaginário bloco de Orixás criados em África e adotados no Brasil.
Jorge Amado dá amostras nesse livro de que de fato foi um autor de extrema importância para a literatura brasileira.
O Sumiço da Santa, cujo texto foi iniciado  nos anos de 1960, é de certo modo um documentário que tem no povo baiano o seu personagem principal.
Como quase sempre ocorre na obra amadiana, O Sumiço da Santa tem um quê de realismo. 
Jorge Amado cita entre os personagens desse livro nomes do cotidiano como Dorival Caymmi, Elisete Cardoso, Dalva de Oliveira, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Capinan, Morais Moreira, Maria Betânia, Gal Costa. Isso na música. Fora da música: mestres Bimba, Besouro e Pastinha; Mário Cravo, Ariano Suassuna, Waly Salomão, Carybé... Entrevistei Carybé ali pelos fins dos anos 80, mas essa é outra história.
É um enredo interessantíssimo esse escolhido pelo nosso grande autor baiano.
Nesse roteiro de santo Jorge a santa sai do altar e vai caminhando pelas ruas de Salvador, subindo e descendo, até ali pelo final bater à porta do convento e de lá tirar a virgenzinha Manela.
Fim bonito! Êpa-êpa, babá!

domingo, 21 de janeiro de 2024

O BOI NOSSO DE TODO DIA (3, FINAL)


 — A cena do boi indo pro sacrifício é feia, o moço aí já viu? Ele adivinha que vai morrer, tanto que dos cantos dos seus olhos escorre lágrima. Pode ver. E numa rápida manobra, o carrasco, poft!, dá cabo à vida dele. Tem gente que disfarça, que olha de banda; que não quer olhar. Eu olhei e chorei, como muitos amigos meus, meninos do meu tempo; de um tempo que já vai longe, e como vai!

— Jamais vou esquecer o boi entrando no matadouro, escorregando no sangue de outros bois e caindo pesado, num baque seco, surdo, sem um mugido sequer. O difícil, depois, é achar entre os corpos esquartejados a carne do boi de carro, de estimação, de brinquedo; do boi querido, do boi amigo, do boi quase irmão, do boi que virou calemba, bumbá, mamão; do boi que virou apenas uma lembrança, uma dolorosa e triste lembrança no mais fundo de nós. 

— Mas é essa a sina do boi: depois de passar a vida toda puxando carro ou arando de sol a sol, morre pelas mãos assassinas do homem. Com Jesus também não foi diferente: veio para nos salvar e nós o matamos. Sem pena, sem piedade. 

— Foi assim, é assim e será sempre assim. Não tem jeito. O homem é mau, o 
boi é bom. 

Carro de boi 
Boi de carro 
Carro que geme 
Boi que cala 
Seja no cipé, 
Seja na bala 

E boi, é gente 
É gente, é boi 
Carro, boi, gente 
Na vida do sertão 
- Meu coração! 
Gente e boi 
Boi, gente 
E tudo um pedaço, 
Um pedaço que sente, 
Que sente que vida 
É suor, é semente 

Seja boi-de-reis 
Seja boi-de-carro 
Seja boi-calemba 
Seja boi-de-barro 

Seja boi-bumbá 
Seja boi-mamão 
Seja, meu Deus! 
Bois do coração 

É boi de cá 
É boi de lá 
Tudo é boi 
É boi pra se amar 

No sol e na poeira 
Na subida e na ladeira 
Segue o homem 
Segue o boi 
O carro puxando 
Sobre pedra 
Sobre barro 
Ora aqui 
Ora acolá 
Sem nada reclamar 

O carro, o boi, o homem 
O homem, o boi, o carro 
O carro geme a dor do homem 
Que geme a dor do boi 
Que puxa o carro do homem 
Sem preguiça 
— Justiça! 
Sem ódio 
Sem rancor 
Segue assim o homem 
Andando, correndo 
Comendo poeira 
No silêncio do trabalho 
Ó, Deus! 
Segue assim o homem o seu destino 
A sua sina... 
No cangote doido da vida Severina 

(chiado de carro de boi fecha a narração)

sábado, 20 de janeiro de 2024

O BOI NOSSO DE TODO DIA (2)

 — Ah! Sim, todo mundo sabe: coração de sertanejo é duro de doer. É calejado, cheio de marca que nem seus pés e suas mãos. Olha aqui as minhas mãos, tá vendo? Todas cheinhas de calo de tanto amargar o cabo da enxada de sol a sol. Doem... E os pés? Olha aqui. Tudo rachado que nem a terra seca a espera de água da chuva que nunca vem.

— É, coração de sertanejo não é mole, não; mas quando dá de doer, seu moço, de machucar feito moenda com toras de cana ou aquelas maquininhas de repuxar agave, no muque, ah!, danou-se! E fique certo: o sofrimento é tanto que lembra dor de dente em hora de meio-dia, sob a danação da seca pesada. É de lascar!

— Por essas bandas tudo é triste. O nosso andar, a nossa fala puxada, o nosso riso, até o nosso espirro é triste. Pode reparar. Tudo é triste na gente. Menos a esperançca. Ah! Essa, não. É tudo que nos resta... Mas que a nossa vidinha por aqui é braba, lá isso é. Daí a tristeza. Deus que me perdoe, mas acho que até ele esquece da gente. E né não? 

— Mas eu tava falando mesmo era dos carros de boi. Quando os carros de boi param, tudo para. Até o tempo. Eita tristeza danada é a falta do gemido, do choro inacoluto do carro de boi!... Eu sempre quis falar esta palavra: inacoluto... 

— Essa história de carro de boi é triste, mas é bonita. Nem sei se pelo carro ou pelo boi. Prus meninos do sertão, o boi não é só um bicho trabalhador, não. É amigo, amigo mesmo! Boa companhia. Bem comparando, é que nem cão e gato na cidade grande. Mas um dia tudo se acaba. Nós, inclusive. E os bois. De morte morrida ou de morte matada, não interessa. Isso é detalhe. Quando o boi morre de morte matada, a sua carne é vendida no açougue. Que fazer? Das duas, uma: ou se morre de barriga cheia ou se morre de barriga vazia...

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

O BOI NOSSO DE TODO DIA (1)

O carro de boi foi o primeiro meio de transporte de tração animal do Brasil. Chegou ainda no século 16, quando o nosso país foi "achado" por Cabral e sua turma. Desse modo no País começou a se plantar e a colher o "de comer" nos vastos campos virgens que começava a receber colonizadores.
O boi tem sua história iniciada lá pelas bandas do Oriente Médio e Ásia.
Foram turcos, persas e iraquianos, tudo indica, que domesticaram os primeiros bovinos. 
São muitos os tipos de bois. Centenas e centenas. Alguns: Tabapuã, Senepol, Guzerá, Gir, Brahman e Nelore, esse último de origem indiana.
A Índia, o Brasil e a China são hoje líderes de criação bovina.
O rebanho brasileiro contado em 2023 chegou a 34,5 milhões de cabeças.
É longa a história dos bovinos no Brasil, especialmente.
Além de servir de alimento, calçados e bolsas, o boi faz parte do rico folclore brasileiro.
O boi se acha na música, na dança, na poesia, no romance.
Há alguns anos escrevi texto do documentário Boi, que narrei no referido filme.
O documentário Boi foi muito premiado mundo afora.
Na Turquia, Boi foi exibido em praça pública e em praça pública traduzido.
Fica o registro.
No texto que se segue, descrevo melhor o boi e a sua importância na vida brasileira.

★★★

(chiado de carro de boi abre a narração) 

— Esse barulhinho aí é esquisito, não é? Eu ouvi esse barulhinho quando era menino, e ele nunca mais saiu daqui da minha cachola. Sim, é o barulhinho do carro de boi; chorando, gemendo estrada afora. Qual menino do meu sertão não ouviu esse chorar e viu o lento rodar dos velhos carros de boi? Qual, qual menino nunca viu isso? 

— Pois é. Dia de feira, dia de festa, de gente pra lá e gente pra cá; de gente vinda de tudo quanto é lugar, numa agitação dos infernos. Gente gritando, rindo, moleque chorando, outros vendendo e comprando fosse o que fosse. E à distância, o carro de boi... on, on, on... Sendo envolvido na poeira levantada pelo tropel dos cavalos. 

— Nesses dias tinha também os bebuns, uma coiseira à parte e à toa. Mas o que fica no fundo da memória é o chiado do carro de boi. Esse chiado ai esquisito, mas familiar... choroso, diferente do choro de gente. Um choro chorado mais do que devera ser. Um choro triste, melancólico, que vem de lá nem sei de onde. 

— Esse choro entristecia a gente. Ainda entristece. Para ter tristeza e chorar num precisa ser frouxo, não. Cabra macho também chora. Seu Nonô mesmo, que era raçudo e tinha lá nas costas uma penca de morte feita a bala e faca, um dia, escondido, eu o vi chorar. Aliás, até os bois choram. Choro demais chega a ferir o coração da gente... 

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

É PRECISO RIR!

 A desgraceira que ocorre no Brasil e no resto do mundo tem impedido que as pessoas comuns, como nós, abramos a cara para um belo sorriso. 

O que vem a nossa cara é tristeza provocada pelos horrores do dia a dia.

Dito isso, digo mais: é preciso que não nos rendamos aos horrores provocados pelos poderosos de plantão que o tempo todo só pensam em destruir países e nações a troco do vil metal.

Dinheiro é poder, poder é dinheiro a qualquer custo. Daí as guerras...

Diante do exposto insisto: é preciso resistir a todas as desgraças advindas de conflitos e guerras de todo tipo. Vejam como andam Rússia, Ucrânia, Israel, Cisjordânia...

É isso!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

FORRÓ EM ARACAJU



A pandemia da Covid-19 já foi pro espaço, mas deixou variantes pra marcar presença.
Muita coisa boa e muita coisa ruim acontece no dia a dia do Brasil e do mundo. Destaquemos as coisas boas, não é mesmo?
A música popular brasileira está indo pra casa do chapéu, se é que já não foi. Na verdade, eu acho que foi.
O forró de Gonzagão mostra a sua cara aqui e acolá. Ainda. Em programas de rádio até que ainda o forró é tocado, porém raramente a gente escuta os clássicos do gênero. Gonzaga, Jackson, aqui e acolá Dominguinhos e Flávio José. 
O forró é coisa muito boa. É ritmo que faz o coração bater bonito e pelas pernas nos levar à alegria. 
No começo de junho de 2005, andei abrindo o Fórum de Forró de Aracaju, CE. Lá estavam o Trio Nordestino, com nova cara, Anastácia e Marinês. Lá também estava o grande já esquecido Edgar Ferreira, autor da pérola Forró em Limoeiro que Jackson do Pandeiro gravou no seu primeiro disco em 1953. Gravadora: Copacabana. 
O Fórum ocorreu no disputadíssimo espaço do Teatro Atheneu.
Foi bom demais!
Aqui em Sampa, a agitadora cultura Isabel Soares corre à frente de um movimento importantíssimo de forró por ela criado. Entre as conquistas que comemora está o forró como patrimônio imaterial. 


terça-feira, 16 de janeiro de 2024

HOJE É DIA DE QUIXOTE


Há 419 anos o espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616) revolucionava a literatura mundial com o livro Dom Quixote, contando a história fantasiosa envolvendo o personagem título e o seu inseparável escudeiro Sancho Pança. 
A história de Cervantes foi baseada nos romances de cavalaria, que no Brasil teve como seguidores o escritor paraibano Ariano Suassuna e o músico baiano Elomar.
Sem dúvida, o livro de Cervantes é interessantíssimo. Trata-se de um personagem pra lá de idealista. No seu delírio vê-se como verdadeiro guerreiro em luta incansável contra inimigos só existentes na sua imaginação. 
Quixote, um cidadão de posses que bem poderia viver a vida sem problemas, resolve ir "à luta" para impressionar a amada Dulcinéia. 
E mais não conto sobre essa obra lançada originalmente em 1605, em Madrid, foi até hoje traduzida em dezenas e dezenas de idiomas.
Só mais uma coisinha: o conto A Ilha Desconhecida, do português Saramago, tem um quê de Quixote no personagem anônimo que bate à porta de um rei pedindo, quase exigindo, que lhe desse uma embarcação possante com a qual pretendia chegar a tal ilha.
Esse personagem tem como companheira uma simples servidora de um palácio real.
Viva a boa literatura!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

DEMÔNIOS NA RÁDIO ROQUETE PINTO

O grupo musical Demônios da Garoa, paulistano, é o mais antigo em atividade no Brasil e comercialmente do mundo.
Essa história e muitas outras eu conto no livro Pascalingundum — Os Demônios da Garoa, que publiquei na primeira década deste tumultuado e violento século 21.
O Demônios foi criado em 1943 e seis anos depois gravou a sua primeira música em disco. Era uma rancheira intitulada Sanfoneiro Folgado de Mário Zan e Motinha.
É uma história longa e interessante essa do Demônios.
Na noite do último sábado 13, na rádio Roquete Pinto, RJ, falei bastante sobre o grupo no programa Memórias do Samba. Compartilho com vocês:

DEU BODE NA CPTM!

A minha querida avó Alcina, que já está no Céu, costumava contar histórias pra eu dormir. Eu era moleque, menino ainda de calças curtas.
Vó Alcina contava-me histórias de Trancoso.
Trancoso foi um inventor português de histórias pra boi dormir.
Histórias pra boi dormir era o que mais a minha avó contava. Eu gostava e por gostar sentia-me logo embalado a sonhar com os olhos em sono e a cara a sorrir.
Eu era um anjo e disso nem desconfiava, vejam só!
Pois bem, a minha vó com as suas histórias de Trancoso, era uma santa.
Pensei logo nela hoje quando ao ligar o rádio ouvi a notícia que tinha um bode por personagem. Seu nome: Fumaça.
Fumaça é um bodinho de 5 meses, mais folgado e metido que só!
Dizia a notícia que fumaça, cansado de casa pegou um trem da CPTM e foi ver como anda a periferia paulistana.
Esse bode está dando o que falar. Está famoso. Olha ele aí!

domingo, 14 de janeiro de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (69)

FOLHETIM — Delegado, qual o número de hotéis suspeitos catalogados até agora pela Polícia em São Paulo?
PINHEIRO MACHADO — Há aproximadamente 1.500 estabelecimentos de hospedagem registrados na Delegacia de Hotéis, sitos somente no município da Capital. São todos eles "casas" legalmente estabelecidas. Assim, não se pode acusar ou classificar um hotel de "suspeito" sem provas suficientes, sem o risco de se cometer uma injustiça ou até um crime. O próprio Decreto 1358/73 em seu artigo 23 dispõe expressamente que "os flagrantes ou inquéritos deverão conter provas suficientes do desvirtuamento das finalidades do estabelecimento". Destarte, se de um lado não se pode publicamente, sem provas suficientes classificar ou catalogar um hotel legalmente constituído, de "suspeito", de outra parte, se houver provas suficientes, não será ele também catalogado como estabelecimento "suspeito", pois conforme dispõe o parágrafo 2, do artigo 18: "parágrafo 2: O Apurado o desvirtuamento, será cassado o Alvará de registro e aplicada a multa máxima do artigo 17". Assim, já não teríamos, na hipótese última, um estabelecimento "suspeito", mas ex-estabelecimento de hospedagem. Pelo exposto, verificamos que a figura do "estabelecimento suspeito", tratada sob o ângulo oficial, é por demais transitória. E, publicamente, no próprio interesse das investigações, a rigor, só se pode afirmar que a "suspeição" não era infundada, por ocasião da cassação do alvará
FOLHETIM — Este ano, quantos hotéis (e motéis) foram autuados pela Polícia?
PINHEIRO MACHADO — Somente no município da Capital, por variadas infringências ao Decreto 1358/73, foram autuados este ano mais de duas centenas de estabelecimentos de hospedagem (hotéis, motéis, casas de cômodos, pensões). De 1970 até esta data foram cassados 119 estabelecimentos.
E a "Boca do Lixo" está em fase de extinção? Não, ela não morreu. Ao contrário, continua crescendo e hoje já ocupa quase 1.500km2. Porém, não há mais lugar para figuras temidas e endeusadas pelas prostitutas e marginais de um modo geral, como Hiroito, Xodó, Quinzinho, Gibi, Carlinho Bang-Bang, Osny, Pedrinho, Nelson Brás, Joãozinho Americano.
As prostitutas são outras, mas o comportamento é o mesmo.
Exemplo:
Certa noite num Distrito, o delegado fazia triagem das mulheres apanhadas durante uma "blitz". Na delegacia, umas choravam, outras riam, outras permaneciam em silêncio, outras conversavam com outras simplesmente. O delegado chama uma delas, a que menos parecia se importar com a situação.
— Qual é o seu nome? 
— Izilda da Conceição.
O delegado levantou-se de onde estava. Olhou a mulher, com raiva:
— Ainda ontem você disse que se chamava Rosália.
— Pois é, doutor. Isso foi ontem.

Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 13 de janeiro de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (68)

FOLHETIM — Prender e soltar mulheres e rufiões resolve o problema de prostituição? Em caso negativo, por que a Polícia age assim?
PINHEIRO MACHADO — Cumpre assinalar que a Policia no exercício da sua mecânica de rotina, de averiguação e triagem de prostitutas, não com o objetivo de resolver o problema gerado pela prostituição, salvo melhor juízo, ele se enquadra numa problemática social. Tal procedimento, para a Polícia, visa tão somente a tomada de uma medida de caráter preventivo. Visa evitar o recrudescimento da prostituição, na medida do possivel, evitando consequentemente atos anti-sociais e mesmo delitos mais gra- ves. Evidentemente, se não há culpa formada, no que tange a crimes ou contravenções penais, uma vez que a prosti- tuição em si não é crime, as prostitutas têm que ser liberadas. Quanto aos rufiões, se não houver prova concreta no que concerne ao rufianismo, capitulado em nosso Código Penal, e nem referente a outro delito, também terá que ser solto, após as averiguações facultadas legalmente pelo poder específico de Polícia. 
FOLHETIM — Quais as penas aplicáveis às prostitutas presas, que sejam primárias ou reincidentes?
PINHEIRO MACHADO — Já dissemos acima, que a prostituição em si não é crime. Assim, se a prostituta foi presa é porque feriu dispositivo do Código Penal, respondendo portanto pelo crime que cometeu, obedecendo às normas de primariedade ou reincidência dos delitos cometidos.
FOLHETIM — Qual a capacidade dos xadrezes que recebem prostitutas?
PINHEIRO MACHADO — As prostitutas não são recolhidas em xadrezes comuns. Ficam retidas na Delegacia apenas o tempo necessário para que se efetuem as averiguações necessárias, e permitidas por lei, isto é, detenção enquanto se verifica quanto às ligações a crimes em investigação, e ainda, aguardando informações dos competentes órgãos da Secretaria da Segurança, para se saber inclusive se interessam ou não à Justiça, ou seja, se têm mandados de prisão a cumprir.
FOLHETIM — Há poucos dias, o Juiz Corregedor, dr. Renato Laércio Talli, recebeu em seu gabinete de trabalho um grupo de prostitutas que denunciou o 2.° DP, situado no bairro do Bom Retiro, de extorsão. Elas afirmaram, inclusive, que foram espancadas por policiais do citado Distrito. O que o sr. tem a dizer sobre isto?
PINHEIRO MACHADO — As denúncias desde que tenham fundamento são sempre recebidas. Os fatos são apurados em sindicâncias regulares, e, ao final, se provada a culpabilidade, os responsáveis, sejam de que nível forem, são punidos na forma da lei. No caso em concreto, não será diferente pelo fato de as vítimas serem prostitutas, não haverá nenhuma atenuante, pelo contrário, é até uma agravante. Porém, é necessário que haja suficientes provas da culpabilidade dos denunciados
Como tudo, há prostitutas de todos os tipos e níveis. A maioria, entretanto, não teve condições de estudar. Um grande número delas em São Paulo, Capital, é procedente do Interior e de outros Estados.
"Fiquei grávida na cadeia, na Casa de Detenção, para ser exata. Foi engravidada por um funcionário. Ele era o diretor. Isso ocorreu em 1964. Ninguém nunca soube disso. Naquela época eu era meio besta". (Baiana).
"Sou de família pobre. Eu sempre achei que a coisa mais bacana era ajudar os meus pais. E foi por isso que entrei nesta vida". (Nevinha).
A mulher torna-se prostituta por uma série de fatores: sonho de riqueza, promessa de casamento, curiosidade, incompreensão dos pais. Os hotéis, motéis e "drive-in" facilitam as coisas.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

JARBAS MARIZ ADERE AO CORDEL

O amigo e parceiro musical paraibano Jarbas Mariz é um cara surpreendente. A palavra é esta mesmo: sur-pre-en-den-te.
Jarbas tem uma trajetória artística excepcional. Como todos ou quase todos da sua geração, teve alguma influência da música estrangeira. Principalmente a americana. Rock na parada.
Jarbas começou a carreira tocando e cantando em ambientes de baile, na Paraíba. 
Ali pela metade dos anos de 1970, Jarbas foi convidado e topou participar do primeiro álbum duplo do craque Zé Ramalho. O disco, dois bolachões, saiu pela extinta gravadora Rosenblit, de Recife. Título: Paembiru.
Jarbas tem muitas músicas gravadas por gente boa.
A surpresa agora é que Jarbas Mariz não negou fogo ao convite que recebeu dos responsáveis pela cachaça Volúpia. 
O convite foi para que fizesse um folheto de cordel abordando a boa cana colhida e espremida num engenho de Areia, PB.
Areia é uma belíssima cidade localizada há mais de 600 metros acima do nível do mar. Foi lá que nasceram o pintor Pedro Américo e o escritor e político José Américo de Almeida.
Esses dois nomes, diga-se depresssa, nada tem familiarmente em comum.
Desafio feito, Jarbas Mariz de bate pronto escreveu Degustando o Cordel. São 23 estrofes de 6 versos. Começa assim:

Eu recebi um convite
Do meu amigo Vicente
Para escrever sobre um tema
Sedutor e pertinente.
Claro que esse desafio
Me deixou muito contente. 

E termina assim:

Termino saudando o povo
Desse chão hospitaleiro.
E Alagoa Grande, terra
Do bom Jackson do Pandeiro.
Em nome dele saúdo
Nosso povo brasileiro.

Em parceria, Jarbas e eu compusemos:


ENTREVISTA
Amanhã sábado 13 estarei falando na rádio Roquete Pinto (FM 94,1), do Rio, sobre a trajetória do grupo musical paulistano Demônios da Garoa. O programa começa às 23h. É isso! Pode também ser acessado pela Internet.

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