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terça-feira, 12 de abril de 2022
EU E MEUS BOTÕES (19)
"UM CEGO PRA PRESIDENTE! UM CEGO PRA PRESIDENTE!"
Uma tal janela partidária foi aberta no último dia 3 de março pelo Superior Tribunal Eleitoral (STE), para facilitar a vida dos donos de partidos e dos seus afiliados políticos. Essa janela foi fechada no dia 1º de abril. Sugestivo, não?
Bom, o resultado disso é que o partido do Bolsonaro, o PL, formou a maior bancada na Câmara dos Deputados: 75 assentos, seguido do PP (56), PT (55), União Brasil (47), PSD (44)...
Pra valer, a campanha eleitoral começa no próximo dia 16 de agosto, no rádio e televisão.
Os partidos políticos, mais de 30, receberão R$ 4,9 bilhões pra fazerem o que bem quiser. Fora isso, ainda tem mais um montão de dinheiro que será distribuído sei lá como. Só sei que é muito dinheiro, mas muito mesmo!
O dinheiro que cairá nas mãos do caciques políticos não cabe, em nota de 200 reais, em duas carretas. É muita coisa, não é?
Além disso, o STE acaba de liberar "showmícios" em ambientes fechados. Quer dizer: o candidato pode ser beneficiado por artistas que decidirem fazer apresentações com entrada paga. Hmmm... E vale Pix.
segunda-feira, 11 de abril de 2022
VIAGRA E CORRUPÇÃO NO GOVERNO BOLSONARO
domingo, 10 de abril de 2022
DE COMO O ASSASSINATO DE UM JORNALISTA PROVOCOU A QUEDA DE UM REI (4)
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| Autógrafo de Líbero Badaró |
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| Litografia de Líbero Badaró |
Herbert Moses, que substituiu Lima Sobrinho, em 1933, permaneceu à frente da ABI até 1964. Nesse período, recebeu todas as benesses do poder vigente. Em contrapartida, fez do presidente Getúlio Vargas sócio benemérito da ABI. Uma vergonha para muitos jornalistas.
Isso é história.
Ah! Emiliano Fagundes Varella viria a ser o pai do poeta fluminense Fagundes Varella, autor do poema O Exilado:
… O exilado está só por toda a parte!
Passei tristonho dos salões no meio,
atravessei as turbulentas praças
curvado ao peso de uma sina escura;
as turbas contemplaram-me sorrindo
mas ninguém divisou a dor sem termos
que as fibras de meu peito espedaçava.
O exilado está só por toda a parte!
Quando, à tardinha, dos floridos vales
eu via o fumo se elevar tardio
por entre o colmo de tranqüilo albergue,
murmurava a chorar: -Feliz aquele
que à luz amiga do fogão doméstico,
rodeado dos seus, à noite, senta-se.
O exilado está só por toda a parte!...
Líbero!
Líbero!
Oh! Líbero
O teu nome virou marca
Da Imprensa, da verdade
E da luta de quem luta
Pela paz e liberdade!
Como jornalista lutaste
Desassombradamente
Defendendo nossa Pátria
Nossa terra, nossa gente
Mas isso teve um preço
Que pagaste com a vida
A bala que te matou
Deixou a terra ferida
Com firmeza declaraste
Antes de virar saudade
Que morria um liberal
Mas jamais a liberdade
Líbero!
Líbero!
Oh! Líbero
O teu nome virou marca
Da Imprensa, da verdade
E da luta de quem luta
Pela paz e liberdade!
Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora.
sábado, 9 de abril de 2022
DE COMO O ASSASSINATO DE UM JORNALISTA PROVOCOU A QUEDA DE UM REI (3)
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| Litografia de Badaró |
Não custa lembrar que foi Badaró o primeiro jornalista a ser assassinado por defender suas idéias no jornal que fundou, indo de encontro aos interesses de poderosos de plantão.
Foi também Badaró o primeiro jornalista a falar de Liberdade de Imprensa. Exemplo:
Muitos já disserão e muitos repetirão: que a liberdade de imprensa era a alma de qualquer governo fundado sobre direitos e não sobre força: mas também muitos não o entenderam ou fizeram mostra de não entender e continuárão a vociferar, que tudo se não devia dizer, que ninguem se devia metter nos negocios do governo, que os empregados bons e máos, se devião respeitar por causa da bôa ordem e do socego, e mil outras cousas tão mesquinhas como estas, que descobrem o fraco d’estes taes e confirmam admiravelmente o ditado “que o peior surdo é aquelle que não quer ouvir”...
(…) De todas as garantias que o pacto social concede aos cidadãos, parece-nos, que a liberdade inteira de publicar os seus pensamentos (salvo responder pelos abusos) seja aquella a quem menos se deve atacar; por isso que em certa maneira é o guarda de todas as outras. Um governo que queira o bem dos povos, já temos indicado quanto precisava d’esta liberdade, principalmente em um paiz aonde tudo ha de se fazer ou modificar, e aonde as leis para serem efficazes, devem ser não sómente bôas, mas tambem conformes ao voto geral. É por isso, que a liberdade de imprensa torna-se a melhor garantia do governo, quando as suas operações não são escondidas e tenebrosas, pois que tendo sido discutidas, examinadas pela nação e adoptadas aquellas que mais com o voto d’ella se conformão, ella tem um interesse particular de sustentar a sua obra e de repellir qualquer ataque que se tencionasse fazer-lhe. Mas pelo contrario quando tudo se faz ás escondidas, quando o cidadão ignora o motivo e a utilidade das medidas do governo, quando vê os inconvenientes sem vêr as vantagens, então se entregará ás desconfianças, ás maquinações, deixando-se facilmente seduzir pelos hypocritas, que, vociferando continuamente as vantagens do povo, querem sómente pescar nas aguas turvas…
Esse dia é, também, o dia em que foi fundada a Associação Brasileira de Imprensa, em 1908.
O fundador dessa Associação foi o jornalista Gustavo de Lacerda (1854-1909). Socialista, negro e pobre. E assim morreu num 4 de setembro.
Lacerda criou a ABI, inicialmente chamada de Associação da Imprensa dos Estados Unidos do Brasil, com o propósito de dar garantias trabalhistas a seus associados.
A data de criação da ABI tem nada a ver, ou se tem é muito pouco, com Libero Badaró. Não custa lembrar, porém, que foi no dia 7 de abril de 1831 que o Imperador Pedro I, chamado de O Rei Soldado, abdicou da coroa a favor do filho, Pedro II.
A renúncia à coroa de Pedro I tem a ver com a repercussão extraordinária da morte de Giovanni Battista Libero Badaró.
Badaró era a favor do liberalismo e contra o obscurantismo de Pedro I.
A rua Nova de São José ganhou nova denominação no dia 24 de agosto de 1916. Desde então é rua Libero Badaró, que liga o Mosteiro de São Bento ao Largo de São Francisco, SP.
sexta-feira, 8 de abril de 2022
DE COMO O ASSASSINATO DE UM JORNALISTA PROVOCOU A QUEDA DE UM REI (2)
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| Clique na imagem para ler o texto |
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| Túmulo de Líbero Badaró, no Cemitério da Consolação |
Todos os caminhos, até aqui conhecidos, levam a um mandante do crime: Cândido Ladislau Japiassú, ouvidor geral da província de São Paulo e inimigo nº 1 de Badaró.
Badaró virou inimigo de Japiassú quando passou a chamá-lo de ignorante e inimigo do povo. E “um caligolazinha”.
Japiassú, por sua vez, via em Badaró um inimigo que precisava ser aniquilado, o mais rápido possível.
No leito de morte, o fundador do jornal O Observador Constitucional disse mais de uma vez, para quem quisesse ouvir, que o mandante do crime de que fora vítima era Japiassú. E disse mais, convicto do seu fim: “Morre um liberal, mas não morre a liberdade”.
Essa última fala de Badaró se acha reproduzida na matéria que começa na 1ª e termina na 2ª página do jornal que fundara, edição de 26 de novembro de 1830 (acima).
Curiosidade: na 1ª edição de O Observador Constitucional, lançado no dia 23 de outubro de 1829, Badaró já dizia que “não devia vegetar no Brasil a planta do despotismo”, mostrando com clareza o seu perfil de homem livre.
Depois, na edição de 17 de setembro 1830 ele diz, prevendo o seu fim:
(…) altamente declaramos que não temos o menor medo de ameaças. Aconteça o que acontecer, a nossa vereda está marcada e não nos desviamos dela: não há força no mundo que nos possa fazer dobrar, senão a da razão, da justiça e da lei. Estamos em face do Brasil e para servi-lo daremos por bem empregada a vida. A opinião pública está bem fixa a respeito de certa gente; qualquer atentado lhe será imputado, e ficarão com um crime a mais, sem que isso acabe com os públicos escritores…
E tinha razão.
Em sessão especial da Câmara de Vereadores da Capital da província de São Paulo, realizada no dia 20 de dezembro de 1830, o nome do ouvidor Japiassú voltou à baila:
(...) Os membros desta Câmara asseveram que o Ouvidor denunciado é o autor desse crime, porque estão tão certos disso, assim como estão da sua existência. Deixando pois chicanas, e desdenhando a censura de pretendidos apáticos que exigem a frieza do gelo em todas as peças oficiais, a Câmara muito pelo contrário, sendo como é composta de cidadãos, que ou nasceram debaixo do ameno clima paulistano, ou a ele ligaram sua existência, clama vingança e invoca o Brasil inteiro contra o malvado que veiu ludibriar sua pátria, assassinar seus concidadãos, e fez quanto pôde para torná-la o teatro da guerra civil, da carnagem, e da assolação
Usando de foro privilegiado a que tinha direito, o ouvidor Candido Ladislau Japiassú escapou ileso das acusações. Sequer foi a julgamento.
quinta-feira, 7 de abril de 2022
DE COMO O ASSASSINATO DE UM JORNALISTA PROVOCOU A QUEDA DE UM REI (1)
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| Ilustração de Fausto Bergocce |
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| Livros sobre Líbero Badaró |
Era noite e era sábado.
Uma lua bonitona Cheia, pendurada no céu, espraiava seus raios alumiando os logradouros até então existentes. Naquele tempo, as poucas ruas da Capital da província eram muito mal iluminadas. Havia, apenas, 24 lampiões espalhados nas ruas, becos e vielas.
O vento frio, primaveril, batia na cara dos transeuntes que se atreviam a permanecer mais tempo fora de casa, insones.
Em seguida ao tiro, ouviram-se um “Ai!” e o barulho de passos apressados de pessoas que fugiam. Eram três homens, aparentemente de origem alemã.
O estudante Emiliano Fagundes Varella, do curso de Direito do Largo de São Francisco, foi a primeira pessoa a acudir a vítima. Colegas seus o seguiram e logo descobriram que o atingido pelo disparo de arma de fogo era Giovanni Battista Libero Badaró, médico e jornalista fundador e principal redator do jornal bissemanal O Observador Constitucional, de linha política liberal.
Badaró, muito querido pelos estudantes, foi atingido à queima roupa a altura do baixo ventre. E desabou num baque surdo, esvaindo-se em sangue.
Ainda na cena do crime, a vítima conseguiu dizer que lembrava-se de três alemães.
Essa é a história que se lê nos poucos livros escritos a respeito, até agora.
Essa também é uma história que começa em 1826 quando Libero Badaró chega ao Rio de Janeiro procedente da Itália, onde nasceu. Tinha 28 anos. Seu desejo era ampliar conhecimentos no campo da Botânica, especialmente. Estudara em Turim, Bolonha e Gênova.
Era alto e usava óculos redondos, de muitos graus.
De família bastarda, tinha tudo e muito mais do que alguém pudesse desejar.
O pai, Andrea, foi médico e amante das letras. Lia muito, sua biblioteca era enorme. No Rio, o jovem Badaró logo fez amizade com os intelectuais do naipe de Evaristo da Veiga (1799-1837).
Evaristo foi fundador e editor do jornal Aurora Fluminense.
Badaró era muito comunicativo. Falava fluentemente, além da língua mãe, francês e inglês. Em pouco tempo, dominou o português e no começo de 1828 trocou o Rio por São Paulo, à época com cerca de 20 mil habitantes.
Em São Paulo conhece e hospeda-se na casa do baiano José da Costa Carvalho (1796-1860), fundador do jornal O Farol Paulistano.
O Farol, de linha liberal inaugurado no dia 7 de fevereiro de 1827, foi o primeiro jornal da Capital da província de São Paulo. Durou até o final da primeira parte de 1832.
Em suma, diga-se com todas as letras: foi um baiano o criador da Imprensa de São Paulo.
Já em casa, levado pelos estudantes, Badaró morreria 24 horas depois do atentado. Mas insistia: sabia que os desconhecidos que o atacaram eram alemães, pois falavam essa língua.
EDGAR FERREIRA, 100 ANOS
Edgar, de família humilde, desenvolveu na vida várias tarefas para garantir o pão diário.
Foi até metalúrgico o Edgar.
RASGANDO VOTOS
Lula anda falando pelos cotovelos, dizendo coisas que se quer lhe perguntam. Por exemplo: é sonho seu regular a Imprensa.
Nesses dias ele tem dito, sem revelar de qual lado está, que acabaria com a guerra entre Rússia e Ucrânia num boteco. Em dois palitos. Negociação regada à cerveja, claro. Com uma caninha, hic!
Disse que é direito da mulher abortar. Mais ou menos isso. Questão de saúde pública, política pública. Foi além: se eleito, tirará do poder os militares de Bolsonaro.
Essas questões têm chamado a atenção de muita gente.
Muitos políticos ficaram de cabelo de pé quando o Lula disse que, se eleito, incentivaria o povo a formar grupos para pressionar deputados nas suas residência. Hmmmmm...
quarta-feira, 6 de abril de 2022
NA PRAÇA, UM LULA REPAGINADO
CÍCERO NUNES, UM NOME ESQUECIDO DA NOSSA MÚSICA
Você já ouviu falar do site do Instituto Memória Brasil? Clique: https://institutomemoriabrasil.com.br/
terça-feira, 5 de abril de 2022
O BRASIL ESTÁ PERDENDO A GRAÇA
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| (clique na imagem, para melhor visualizar o texto) |
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| Charge de Mariano, feita por Fausto |
Mariza foi uma profissional atuante nos principais jornais e revistas de São Paulo, entre os quais a Folha. Ela ilustrou muitas matérias minhas no Folhetim e em revistas da Editora Três.
De 2019 até o último dia 29, 20 artistas do traço trocaram este mundo pelo
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| Os cartunistas Fausto e Benicio |
Jessé foi um grande amigo de Elifas. Ambos chegaram a compor várias músicas e todas as capas dos LPs de Jessé foram geradas por Elifas. A entrevista que fiz com ambos foi publicada no extinto
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| Fausto e Nani |
Pasquim (acima).
Além de Mariza e Elifas os artistas do traço que nos deixaram, segundo o levantamento feito pelo chargista Fausto, foram: Daniel Azulay, Mordilo, Sabat, Quino, Vilachã, Paulo Paiva, Klebs, Mariano, Biratan Porto, Lailsson, Lan, Tacho, Ota, Nani, Ramade Martins, Benicio, Geep e Luscar.
Fausto conviveu com quase todos esses artistas incluindo Nani, Benicio e Sabat.
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| Fausto e Sabat |
Não conheci Nani nem Sabat, mas Benicio, sim.
Benicio foi a mim apresentado pela cartunista Laerte, num ano que não me lembro bem.
Brincando, eu disse a Fausto: "Cuida-te amigo. Esconde-te debaixo da cama, pois a megera anda a solta com aquela arminha cortante que carrega às costas". Ele riu.
segunda-feira, 4 de abril de 2022
LYGIA FAGUNDES TELLES, UMA MULHER DE FIBRA
HORRORES DA DITADURA
domingo, 3 de abril de 2022
POEMA DOS OLHOS
Nos últimos anos tenho feito poema de tudo quanto é tipo, com temas dos mais diversos. A figura do cego, porém, aparece com mais frequência. Talvez pelo fato de eu ter perdido a visão dos olhos. Sofri muito, mas passou. Vamos andando.
Há uns 3 ou 4 anos, não lembro bem, fui levado a um programa de rádio (Globo) apresentado pela jornalista paulistana Maria Júlia Coutinho, a Maju. Pessoa incrível. E no programa dela, declamei:
DIA DO BRAILE
No próximo dia 8 comemora-se, nacionalmente, o Dia do Braile. Leia: J&CIA ABORDA O TEMA "DEFICIENTES"
sábado, 2 de abril de 2022
CHEGA DE GUERRA!
sexta-feira, 1 de abril de 2022
PRESIDENTE PINÓQUIO?
Os políticos estão em polvorosa, agitados, no maior troca-troca do ano. Mais de 100 deputados já trocaram de sigla partidária, como permite a "janela" criada pelo TSE para esse fim.
O PL é, até agora, o partido que mais cresceu no decorrer do troca-troca, que termina às 23h59min de hoje: de 42 deputados, foi para 72.
O PP também cresceu.
O PT, numa lista de 10, perdeu uma posição. Estava no 2º, foi para o 3º lugar. No momento, a lista de partidos em movimento é esta:
- PL (72)
- PP (56)
- PT (54)
- UNIÃO BRASIL (48)
- REPUBLICANOS (43)
- PSD - 41
- MDB - 33
- PSDB - 26
- PSB - 24
- PDT - 22
quinta-feira, 31 de março de 2022
DITADURA MILITAR: TRISTE LEMBRANÇA
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| Milico, ilustração de Fausto Bergocce |
Depois da renúncia, Jânio seguiu na vida pública e acabou como prefeito da maior e mais importante cidade do Brasil: São Paulo. E no seu lugar, assumiu o sãoborjense João Belchior Marques Goulart, o Jango. JÂNIO, RENUNCIA: 60 ANOS
Os anos de 1960 foram tumultuados em boa parte do mundo. Guerras pipocaram aqui e ali. Revoltas e revoluções, também.
À época os EUA pagavam pecados no Vietnã. Um jornalista brasileiro, José Hamilton Ribeiro, foi pra lá. Foi cobrir a guerra. O FAZENDEIRO ZÉ HAMILTON, EM MINAS
Isso, especificamente, em 1968.Por aqui movimentos populares pipocavam, na cidade e no campo.
O Araguaia, lá pros lados de Tocantins, TO, virava campo de guerra.
Era a primeira vez que brasileiros faziam treinamento de guerrilha na China para confrontar e derrubar o governo militar, iniciado em 1964. Não deu. Muita gente foi presa, torturada e morta.
O cearense Humberto de Alencar Castello Branco (1897-1967) foi o primeiro general a assumir o cargo de presidente do ciclo militar. E foi, também, o primeiro presidente do Brasil a morrer na queda de um avião. Antes dele, nenhum.
O segundo general a ocupar o cargo de presidente foi o gaúcho Artur da Costa e Silva (1899-1969), que um dia teve um ataque no coração e foi-se.
O terceiro a ocupar o mesmo cargo, o de presidente, foi o general Emílio Garrastazu Médici (1905-1985). Esse foi o mais violento, o que sabia de tudo que rolava nos porões da ditadura e calava passivamente.
O quarto general a assumir a presidência da República, no ciclo militar, foi o gaúcho Ernesto Beckmann Geisel (1907-1996). Esse era, declaradamente, a favor da tortura.
O quinto e último general desse ciclo foi o carioca João Baptista de Oliveira Figueiredo (1918-1999), aquele que antes de pedir pra ser esquecido dizia gostar mais do ccheiro do cavalo do que do cheiro do povo. Merecia ter levado um coice.
Entre uma coisa e outra, ali em 1969, houve um hiato: a morte de Costa e Silva.
A morte desse Costa gerou a formação de uma Junta.
Essa Junta foi formada por Augusto Rademaker, Aurélio Tavares e Márcio de Sousa Melo, e durou de 31 de agosto a 30 de outubro.
Há uma vasta literatura sobre o ciclo militar que estendeu-se por 21 anos, terminando em 1985.
Muita coisa aconteceu até a democracia voltar a imperar no território brasileiro.
O primeiro político a ganhar o cargo de presidente, após o golpe militar, foi o mineiro Tancredo de Almeida Neves (1910-1985).
Antes de ser eleito pelo Colégio Eleitoral, Tancredo participou de movimentos que visavam a queda do regime sangrento, de chumbo. Entre esses movimentos, o das Diretas Já.
O golpe de 64, que resultou no governo militar, ficou marcado por censura à Imprensa, cassação de políticos e fechamento do Congresso Nacional. Mais: perseguição, prisão, tortura e morte.
Muitos brasileiros foram exilados no período, entre eles Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Geraldo Vandré. Muitos protestos ocorreram no país antes das Diretas Já.
Em 1968, a cantora e atriz Vanja Orico colocou-se diante de veículos do Exército. O protesto de Vanja correu mundo.
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Em agosto de 1997, entrevistei Raul Gil para a Agência Brasileira de Reportagens, ABR, empresa da qual eu era colunista. Essa entrevista foi publicada em vários jornais, entre os quais o Jornal da Bahia.
Na madrugada de 8 de dezembro de 1980 a sede da ABR, na rua Dr. Homem de Melo, Perdizes, SP, foi alvo de um atentado que resultou em destruição.
Pra entender o que aconteceu no decorrer do ciclo militar, fundamental é ler livros como A Ditadura Envergonhada, de Elio Gaspari (Companhia das Letras, 2002).
O napolitano e comunista de carteirinha em 1962, Gaspari, nascido em 1944, escreveu uma obra completa sobre tudo que aconteceu no decorrer da ditadura militar, desde 1964.
Se foi amigo dos generais ou não, isso não tem importância.
A importância do Gaspari está na obra que escreveu, em 5 volumes.
Gaspari conta bastidores do poder que nos ferrou. Entrevistou todo mundo, durante horas e horas.

Pois então, como acho, vale a pena ler livros para, no mínimo, entendermos a nossa história. Recente, até. O começo é este: As duas guerras de Vlado Herzog, Audálio Dantas (Civilização Brasileira, 2012); Linha Dura no Brasil, de Daniel Drosdoff (Global, 1986); 1978: A Hora de Enterrar os Ossos, de Carlos Rangel (1978); Veja Sob Censura, Maria Fernanda Lopes Almeida (Jaboticaba, 2008) e 1964: A conquista do Estado, René Armand Dreifuss (Vozes, 1981).
Paulo Francis, que conheci de perto na Folha, era um cara cheio de ondas. Boa praça.
Uma vez lhe perguntei se de fato lia todos os livros que comentava. E com aqueles óculos enormes, cheios de graus, ele apenas ria: “Isso não tem importância”.
Era franco, ou quase.
A respeito do livro de René Armand Dreifuss, Francis foi claro: Não li e não gostei, é uma massaroca de mais de 800 páginas.Que isso nunca mais aconteça.
Recomendo a leitura de todos os livros aqui citados, incluindo mais estes:
- Ditadura: o que resta da transição, de Milton Pinheiro;
- 1964: O golpe que derrubou um presidente, pôs fim ao regime democrático e instituiu a Ditadura Militar no Brasil, de Angela Maria de Castro Gomes e Jorge Luiz Ferreira
- Ditadura e Democracia no Brasil: Do golpe de 1964 à constituição de 1988, de Daniel Aarão;
- A Casa da Vovó, Marcelo Godoy;
- 1964: O Golpe, Flávio Tavares;
- Marighella, Mário Magalhães;
- Tortura: A história da repressão política no Brasil, Antonio Carlos Fon;
- Jornalismo de Guerrilha, Rivaldo Chinem.
- E o Livro Negro da Ditadura Militar, Divo Guisoni; com capa do artista gráfico Elifas Andreato.
Foto e reproduções: Flor Maria e Anna da Hora.
LEIA MAIS: DITADURA NUNCA MAIS! • DITADURA NUNCA MAIS! (2) • A DEMOCRACIA NÃO VESTE FARDA • UM ARTISTA DE BEM COM TORTURADORES
MENTIRAS DE MILITAR
... Em março de 1964, as famílias, as igrejas, os empresários, os políticos, a imprensa, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), as Forças Armadas e a sociedade em geral aliaram-se, reagiram e mobilizaram-se nas ruas, para restabelecer a ordem e para impedir que um regime totalitário fosse implantado no Brasil, por grupos que propagavam promessas falaciosas, que, depois, fracassou em várias partes do mundo. Tudo isso pode ser comprovado pelos registros dos principais veículos de comunicação do período.Pois é, como se vê, o texto aí reflete inverdades que a história jamais registrou. E nem poderia.
Nos anos seguintes ao dia 31 de março de 1964, a sociedade brasileira conduziu um período de estabilização, de segurança, de crescimento econômico e de amadurecimento político, que resultou no restabelecimento da paz no País, no fortalecimento da democracia, na ascensão do Brasil no concerto das nações e na aprovação da anistia ampla, geral e irrestrita pelo Congresso Nacional.
As instituições também se fortaleceram e as Forças Armadas acompanharam essa evolução, mantendo-se à altura da estatura geopolítica do País e observando, estritamente, o regramento constitucional, na defesa da Nação e no serviço ao seu verdadeiro soberano – o Povo brasileiro.
Cinquenta e oito anos passados, cabe-nos reconhecer o papel desempenhado por civis e por militares, que nos deixaram um legado de paz, de liberdade e de democracia, valores estes inegociáveis, cuja preservação demanda de todos os brasileiros o eterno compromisso com a lei, com a estabilidade institucional e com a vontade popular.
Mas enfim, o mês que ora entra é de Carnaval.
quarta-feira, 30 de março de 2022
É SEMPRE BOM RECEBER AMIGOS
terça-feira, 29 de março de 2022
ELIFAS ANDREATO, ADEUS
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| Assis com o livro Elifas Andreato: 50 anos de carreira |

Elifas Andreato era paranaense da safra de 1946 e um ataque cardíaco o levou ao hospital, de onde partiu.
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| Semeador, por Elifas Andreato |
Capista de LPs de Chico Buarque, Martinho da Vila, Adoniran Barbosa, Paulinho da Viola, Elis Regina, Clara Nunes e da dupla Toquinho e Vinícius e centenas de outras mais, Elifas também fez cartazes para teatro etc. Morreu pobre e endividado, com um banco ameaçando tirar-lhe do lugar onde morava. Somos aquilo que lembramos. A frase é do filósofo e jurista italiano Noberto Bobbio e está no livro O Tempo da Memória.Lembro-me de outra, não sei se com as mesmas palavras, mas o significado é o seguinte: nossa riqueza são nossos pensamentos, as ações que cumprimos, as lembranças que conservamos e não deixamos apagar e das quais somos o único guardião.Depois de um certo tempo de vida temos que batalhar para que as lembranças não nos abandonem. Devemos nos entregar a elas com afinco porque as recordações não aflorarão se nós não as procurarmos nos mais distantes recantos da memória.Este livro (Elifas Andreato : 50 anos de carreira) são minhas lembranças.
As últimas ilustrações para discos de Elifas Andreato foram estampadas nas capas de CDs de Socorro Lira e Jorge Ribbas. O HOMEM NÃO TEM JEITO. O PRECONCEITO MATA.
segunda-feira, 28 de março de 2022
O FAZENDEIRO ZÉ HAMILTON, EM MINAS
O mundo anda perdido
Que nem galo sem terreiro
Que nem um cego sem guia
Ou barco sem timoneiro
Mas ainda bem que tem
José Hamilton Ribeiro
Repórter de boa cepa
Ouro puro, verdadeiro
É um galo bom de briga
Doido por galinheiro
Hoje seu nome é marca
Do jornalismo brasileiro
Na pauta desse José
Tem sanfona, tem pandeiro
Tem cantiga de Matuto
E prosa de marrueiro
Fora isso ainda tem
Verso, viola e violeiro
Ele foi a todo o canto
Foi até o estrangeiro
Foi à luta, foi à guerra
Lutou foi bom guerreiro
Caiu mas levantou-se
De modo muito ligeiro
Incansável segue firme
Livre, leve e faceiro
Redescobrindo na vida
O prazer aventureiro
De fazer mais reportagens
Com o carimbo Zé Ribeiro
Novas guerras continuam
No Brasil, no mundo inteiro
É gente matando gente
Por nada, só por dinheiro
Mas nem a morte mata
José Hamilton Ribeiro
domingo, 27 de março de 2022
CAMÕES, SEMPRE CAMÕES (2, FINAL)
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| Retrato de Dom Sebastião no livro Os Lusíadas |
No Brasil houve tentativa de se compor algo parecido ao feito de Camões.
Em 1923 o poeta Augusto Meira (1873-1964) tomou para si essa tarefa. Ou seja, a de transportar com tinta verde/amarela a história do achamento das nossas terras até a Guerra do Paraguai (1864-1870). Essa tentativa, naturalmente frustrada, pode ser conferida pela leitura do livro Brasileis, a Epopeia Nacional (Instituto Lauro Sodré).
Eu não quis fazer o que Meira tentou. Resolvi fazer, simplesmente, uma readaptação d’Os Lusíadas. Usei os principais personagens, mas não trouxe a narrativa para o Brasil. No sentido histórico do termo. Acrescentei por acrescentar, dois poetas cantadores nordestinos contando a história de Vasco da Gama e a história de Vaz de Camões.
A essa adaptação, dei o título de A Fabulosa Viagem de Vasco da Gama no Mar (adaptação livre de Os Lusíadas para canto e cordel). Começo assim:
Aqui neste ambiente
Eu venho para contar
A história de um homem
De força espetacular
Que nunca fugiu à luta
Nem na terra nem no mar
Esse homem eu conheço
Dele já ouvi falar
É pessoa corajosa
Treinada para lutar
Esteve em todo canto
Navegando pelo mar
Eu e minha viola
Viemos pra espalhar
A coragem desse homem
Forte, justo, exemplar
Que nunca teve medo
Do terror que há no mar…
E sigo, no canto 2:
Um dia Júpiter chamou
Seus pares pra conversar
Queria deles saber
Que posição adotar
Sobre uma certa viagem
De certo homem do mar
Num piscar d’olhos chegaram
Os deuses para escutar
Queriam eles saber
O que Júpiter tinha a falar:
Seria sobre a viagem
Daquele homem do mar?
Ouviu-se um zum, zum, zum
Eram Deuses a murmurar:
Quem seria esse valente
Decidido a enfrentar
Os mau humores do tempo
E as estranhezas do mar?
Esse homem era forte
Fora feito pra lutar
Pensava o tempo todo
Num modo de viajar
Queria ir pra longe
Bem pra longe pelo mar…
E no canto 3, eu digo:
Sob céu de brigadeiro
Dia bom pra passear
Com ruas embandeiradas
Saltimbancos a brincar
Anunciando boas novas
Com salva de tiros no mar
Tudo está perfeito...
"É preciso navegar
Viver não é preciso"
Isso é certo vou contar
Três ou quatro navios
Seguiriam pelo mar…
E mais um pouco, sigo adiante:
Tinha 28 anos
Ao resolver aceitar
O enorme desafio
De fazer o mundo vibrar
Com a grande façanha
De ir à Índia pelo mar
Reuniu a marujada
Para tudo por a par
Lembrou de graves perigos
Que iriam encontrar
Agora principalmente
Na viagem pelo mar
Ele estava firme
Já pronto pra embarcar
Tinha mais do que certeza
De seu alvo alcançar
Realizando o sonho
De ganhar a terra pelo mar…
No 5º canto, eu trago a Ilha dos Amores criada pela deusa Vênus:
Há na Ilha dos Amores
Mitos e lendas no ar
E figuras encantadas
Dançando à luz do luar
Enquanto o vento canta
Antigas cantigas do mar
Desde sempre se sabe
Que na vida é bom sonhar
Na Ilha dos Amores
Não é pecado pecar
Pecado é não ouvir
Os cantos que vêm do mar
Cantos que sempre contam
De guerreiros a guerrear
De seres apaixonados
Que morrem só por amar
De segredos das estrelas
E de mistérios do mar…
A história é, de fato, fabulosa, incrível. E tudo começa quando Camões decide contar o heroísmo do seu povo, depois de ler Homero e Virgílio.Homero contou cantando a história do seu povo. O mesmo o fez Virgílio.
É isso.
Outro dia falei a respeito desse épico ao repórter Ivan Finotti, da Folha de S.Paulo. Sem cuspir pra cima, sem querer isso, apenas lembro: eu perdi a visão dos olhos, mas não perdi a visão da memória. Fiquei invisível, é certo. Estou cego, dos olhos. Só. Poucos me veem, paciência… E digo a quem quiser ouvir, estou vivo.
Pois é, há 450 anos era lançado o clássico Os Lusíadas.
LEIA MAIS: NINFAS E DEUSES EM CAMÕES • CAMÕES E A LÍNGUA PORTUGUESA
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