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| Assis com DVD sobre Gerardo Mello Mourão |
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segunda-feira, 6 de junho de 2022
GERARDO MELLO MOURÃO: UMA HISTÓRIA
A ENCANTADORA VISITA DA JOVEM TINA (3, FINAL)
“É mais uma publicação dos Estúdios Maurício de Sousa”, informou.
Flor Maria, que discretamente acompanhava nossa conversa, pediu licença pra dizer que adora a personagem Dorinha. E contou: “É a história de uma personagem baseada na paulistana Dorina de Gouvêa Nowill, que ficou cega quando tinha 17 anos de idade. Morreu aos 91 anos, em agosto de 2010. Li que ela foi a primeira aluna cega a frequentar um curso regular na Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo. Posteriormente, Dorina colaboraria para a elaboração da lei de integração escolar, regulamentada em 1956. Estudou e fez vários cursos, inclusive a de especialização em educação de cegos na Teacher´s College da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, EUA”.
Poxa, eu disse sem me conter: “Como você sabe disso tudo?”.
A resposta foi rápida: “Sabendo”.
Após isso, Maria levou Tina até a porta e despediram-se.
A Fundação Dorina Nowill para Cegos é uma Instituição surgida em 1946 sob a denominação Fundação para o Livro do Cego no Brasil.
domingo, 5 de junho de 2022
A ENCANTADORA VISITA DA JOVEM TINA (2)
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| Personagem Cebolinha, por Maurício de Sousa |
Eu respondi à jovem, filha de Maurício, que Os Lusíadas é uma obra encantadora e como tal sempre despertou em mim a vontade de recontar a história das navegações escritas pelo grande poeta português Luís Vaz de Camões. “Seu Assis, eu li Os Lusíadas graças ao Sr. e gostei. Muito. Agora quero saber se a sua adaptação da obra de Camões vai a teatro e virará livro”.
Entusiasmei-me, confesso, com a abordagem da jornalista. E de repente, vi-me falando pelos cotovelos. Disse-lhe que meu sonho, um dos meus sonhos é ver A Fabulosa Viagem de Vasco da Gama no Mar para canto e cordel. Pensei numa ópera popular. Mas não está fácil realizar essa minha vontade. “O Sr. já falou com o governo português, com os representantes do governo português no Brasil?”.
Tina realmente é uma menina muito interessante, atenta a tudo.
Quando pensei, de novo, que havia satisfeito a sua curiosidade, ela soltou mais perguntas: “E o rádio? E a televisão? Eu soube que o Sr. já publicou até folhetos de cordel. Na verdade já li alguns, gostei muito daquele A Vida como Tragédia e um Cego por Testemunha. Também gostei muito do folheto Jornalismo e Liberdade nos Tempos de Pandemia. O Sr. não pretende voltar ao rádio ou à televisão?".
Havia tempo que eu não falava com alguém tão jovem e tão curiosa a respeito do dia a dia que vivemos. Bom, respondi que sim. Que pretendo voltar às ondas do rádio e à TV. Mas para isso, faço necessário que alguém me veja e entenda meus propósitos: “Tornei-me invisível, Tina”.
A jovem filha de Maurício parece não ter gostado muito da palavra “invisível” e rebateu: “Desculpe, mas acho que o Sr. não está invisível coisa nenhuma, o Sr. tem produzido muita coisa, muita coisa mesmo! Na verdade, acho que o fato do Sr. ter ficado cego ficou foi melhor. Adoro seus poemas e todos os seus textos. Sou sua fã”.
Para provar o que dizia, Tina começou a declamar um poema que fiz pouco tempo depois que perdi a visão:
É magra e graciosa
Elegante e mágica
Não tem pena nem pecado
É dócil, é prática
É bela, belíssima
De beleza clássica
Ela é solidária
E não sabe dizer não
Ela abre meus caminhos
Com firmeza e decisão
E vai prá onde eu vou
Sem largar a minha mão
Eu adoro essa magrela
Pela sua discrição
Por gostar do que eu gosto
E me dar sua atenção
Eu a ela dou a vida
E ela a mim sua visão
Quieta, mas atenta
Sai comigo a passear
Com um passo mais à frente
Em silêncio, sem falar
Mas tudo que lhe peço
Ela dá sem reclamar
Mas que magrela é essa
Que me tira da rotina
E me leva a ver a vida
Pela ótica feminina
Seja dia, seja noite
Oh, meu Deus! É Serafina.
Espantei-me e, claro, não deixei de perguntar onde ela tinha descoberto esse texto.
Com ar de mistério, Tina riu e disse: “Eu não revelo as minhas fontes”.
Achei graça e ri também. E ela: “Aliás, aproveitando a oportunidade, gostaria que me dissesse como perdeu a visão. A propósito, esse poema é uma homenagem a bengala, não é?”.
Bom, perdi a visão em 2013 depois de várias cirurgias no Hospital das Clínicas. Essa perda foi provocada por descolamento de retina. Muita gente passa por isso. É de repente e não tem uma causa específica. Perder, perdi. Fazer o quê? O caso é adaptar-me à nova vida que vivo. Claro que ainda sofro problemas decorrentes do descolamento, como depressão. Mas a gente vai levando, com apoio de amigos e amigas. Amigos novos, pois os outros deixaram-me a ver navios e lamentando o que tinha que lamentar. Não é brinquedo não. Tenho feito muitos poemas abordando o tema da cegueira. Um desses, este:
Devastadora e sonsa
E filha da implosão
Ela pega, ferra e mata
Em nome da solidão
Não gosta de alegria
Ela gosta da perdição
Não tem cara, corpo ou alma
É invisível e letal
Nunca fez bem a ninguém
Pois é um mal universal
E não vou falar mais dela
Porque não presta e ponto final!
Enfim a cegueira não é o fim, não é mesmo?
Em determinado momento, agora sim satisfeita, Tina despediu-se com um aperto de mão, lembrando: “O dia 10 de junho é o dia da Língua Portuguesa. Nesse dia também é lembrada a morte de Camões. Vai escrever algo?”.Talvez, respondi.
sábado, 4 de junho de 2022
A ENCANTADORA VISITA DA JOVEM TINA (1)
Tina é uma jovem jornalista que tem combatido o tempo todo as Fake News espalhadas no terreno livre da Internet, por gente que não tem tocômetro. Tina perguntou: “É o Assis?”.
Segundos após eu confirmar que sim, que era eu, Tina perguntou se poderia me atender para uma entrevista e conhecer o meu acervo de livros, discos e outros documentos brasileiros. “Sobre tudo, o assunto são vários”, foi logo falando.
Achei graça no jeito descontraído, leve, da menina Tina se expressar. E respondi: “Claro, estou à sua disposição”.
Horas depois, Tina bateu à porta apresentando-se. Disse que nascera em São Paulo e sempre sonhou ser jornalista. Não foi difícil. Seu pai, o cartunista Maurício de Sousa, deu-lhe todo o apoio.
Maurício é um dos mais importantes nomes dos quadrinhos brasileiros. A sua história é conhecida por todo mundo.
Em 2005, o jornalista alagoano Audálio Dantas (1929-2018), lançou o livro A Infância de Maurício de Sousa (ao lado).
Com o canudo conquistado na Faculdade, Tina logo foi às ruas em busca de notícias. Paralelamente, enquanto caçava fatos, Tina mergulhava nas redes sociais e espantou-se com o volume enorme de mentiras colocadas à disposição dos incautos.
A jovem contou-me isso sem esconder a revolta que as Fake News lhe causam. “Foi assim, seu Assis, que decidi dar rumo a minha vida. Tenho várias amigas e amigos que me ajudam nessa tarefa. O cartunista JAL é um desses amigos”, contou.
Solidário, ofereci-lhe o meu apoio.Depois disso, dessas breves revelações, Tina disse que acompanha os meus passos no jornalismo há muito tempo e que sentia muito o fato de eu ter perdido a visão dos olhos. Disse também que não perde os textos que publico no Newsletter Jornalistas & Cia. Até lembrou alguns como o que fiz sobre João do Rio, sobre a Imprensa Negra do Brasil e, especialmente, sublinhou: “Adorei a entrevista que o Sr. fez com Deus, Jesus e Marx”.
Realmente, Tina é muito inteligente. Esperta diriam alguns, mas prefiro o termo inteligente.
Depois de falas e falas, perguntas e perguntas, Tina elogiou o site do Instituto Memória Brasil e o blog que mantenho na Internet. Curiosa, quis saber como é que produzo meus textos, já que não posso mais escrever. “Eu os dito”, respondi, acrescentando: “Pessoas incríveis me auxiliam nessa tarefa. Entre essas pessoas queridas destaco a Anna da Hora”.
Ainda muito curiosa, quis saber quem é Anna da Hora. E eu disse: “Anninha é uma jovem como você recém-formada em Artes Visuais”.
sexta-feira, 3 de junho de 2022
O POVO SOFRE, EM QUALQUER LÍNGUA
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| Ucranianos em fuga |
quinta-feira, 2 de junho de 2022
HÁ 20 ANOS ERA MORTO TIM LOPES
quarta-feira, 1 de junho de 2022
VALDECK E O TEATRO DE MAMULENGOS
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| Xilogravura de Regina Drozina |
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| Valdeck, Assis Angelo e Regina no Instituto Memória Brasil |
domingo, 29 de maio de 2022
RÁDIO: INCLUSÃO E CIDADANIA (2, FINAL)
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| Ilustração de Fausto Bergocce |
| Geraldo Nunes como repórter-aéreo, em 2004 |
O ano de estreia de São Paulo de Todos os Tempos foi 1994.
A deficiência física que Geraldo Nunes carrega consigo até hoje nunca o impediu de desenvolver suas funções como profissional do jornalismo. Também não o impediu, nem o impede, de mover-se por onde quer que queira. Anda com o auxílio de aparelhos ortopédicos. O seu carro é adaptado e assim ele segue a vida. Serelepe.
É certo que há muitos Geraldo Nunes por aí, tentando alçar vôo como profissional e cidadão. Mas a sociedade os impede, mesmo depois da aprovação pelo Congresso Nacional do Estatuto da Pessoa com Deficiência, em 2015. Já no início, destaca o Estatuto:
É dever do Estado, da sociedade e da família assegurar à pessoa com deficiência, com prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à sexualidade, à paternidade e à maternidade, à alimentação, à habitação, à educação, à profissionalização, ao trabalho, à previdência social, à habilitação e à reabilitação, ao transporte, à acessibilidade, à cultura, ao desporto, ao turismo, ao lazer, à informação, à comunicação, aos avanços científicos e tecnológicos, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, entre outros decorrentes da Constituição Federal, da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo e das leis e de outras normas que garantam seu bem-estar pessoal, social e econômico.E destaca mais:
A pessoa com deficiência tem direito ao trabalho de sua livre escolha e aceitação, em ambiente acessível e inclusivo, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.
Atualmente, aposentado, Geraldo Nunes escreve livros sob encomenda. Mas, segundo ele, poderia estar atuando na reportagem ou dirigindo uma redação, pois talento para isso não lhe falta.
Quanto a mim, faço minhas as palavras dele. Com um agravante: procurei sarna pra me coçar ao decidir adaptar Os Lusíadas de Luís de Camões para Canto e Cordel. O meu desejo, com isso, era levar a adaptação da obra-prima de Camões ao teatro como Ópera Popular. Não, não está dando, mesmo sendo 2022 o ano de comemoração, por que não dizer, da primeira edição de Os Lusíadas.
Os Lusíadas foi publicado em 1572, em Portugal.
Como cego dos olhos, apenas dos olhos, a meu modo continuo a ver a vida. Ouça: POEMAS DOS OLHOS
Um dos meus maiores desejos atualmente é voltar às rádios, ou televisão, para apresentar um programa provisoriamente intitulado Visão Cidadã.
Enquanto isso, continuo escrevendo poemas, canções e folhetos de cordel.
Você conhece o Instituto Memória Brasil? Clique: https://institutomemoriabrasil.com.br
sábado, 28 de maio de 2022
JOÃO CARLOS MARTINS ABRE A VIRADA CULTURAL
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| Assis Angelo e Getúlio Mac Cord |
Virada Paulista, num palco da Freguesia do Ó.
GETÚLIO MAC CORD
RÁDIO: INCLUSÃO E CIDADANIA (1)
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não…
Em 1988, a atual Constituição brasileira já garantia, no seu art. 5º que:
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade...Noutras palavras: é livre o ir e vir, movimento esse garantido firmemente pela Constituição. Infelizmente na prática, porém, isso não ocorre 100% como deveria ocorrer.
A população brasileira já passa dos 200 milhões de habitantes. Mais mulheres.
O número de desempregados, no nosso País, já passa de 11 milhões de pessoas.
No seu art. 6º, garante a Constituição:
São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados…Números divulgados pelo IBGE em 2019 indicavam que mais de 13 milhões de brasileiros viviam na pobreza.
Números que acabam de ser divulgados pelo próprio IBGE mostram que só na Capital paulista há mais de 600 mil famílias vivendo com apenas R$105/mês.
A desigualdade entre pretos e brancos, entre brasileiros enfim, continua de modo crescente.
As pessoas que estão aptas para trabalhar, não acham emprego. Imaginemos, agora, as pessoas portadoras de algum tipo de deficiência, embora aptas para o trabalho, o que devem fazer para sobreviver no seu dia a dia.
Há no jornal e revista poucos profissionais portadores de deficiência em atividade. No rádio, menos ainda.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), colhidos em 2010, indicam que pelo menos 24% da população brasileira sofre de algum tipo de limitação. Diz a pesquisa:
Quase 46 milhões de brasileiros declararam ter algum grau de dificuldade em pelo menos uma das habilidades investigadas (enxergar, ouvir, caminhar ou subir degraus), ou possuir deficiência mental / intelectual (…) A deficiência visual estava presente em 3,4% da população brasileira; a deficiência motora em 2,3%; deficiência auditiva em 1,1%; e a deficiência mental/intelectual em 1,4%...Em 2013, eu perdi a visão dos olhos.
Geraldo Nunes, em registro Geraldo Nunes da Silva, perdeu os movimentos dos membros inferiores ainda no tempo de criança.
Geraldo Nunes, paulistano da gema, entra para a história do jornalismo brasileiro como o primeiro “repórter-aéreo” portador de deficiência física provocada pela poliomielite. E também como o primeiro repórter a mostrar e a traduzir os encantos da Capital paulista no plano de cima pra baixo. Lembra:
“Fui o primeiro a falar de Memória Afetiva no rádio, através do programa São Paulo de Todos os Tempos (Eldorado) que permaneceu no ar durante 14 anos, entre 1994 e 2008”.
Corriam os últimos anos do século 20 quando Nunes foi convidado a integrar o quadro profissional de repórteres da Eldorado, emissora que fazia e ainda faz parte do grupo Estadão.
Antes de passar pela Eldorado, Geraldo Nunes passou pelas rádios Capital, Bandeirantes e Pan.
Para a rádio Bandeirantes, Nunes chegou a transmitir boletins diretamente do Aeroporto Internacional de Guarulhos, SP, onde pegou gosto por avião. Num desses boletins ele registrou a transferência do presidente-eleito, Tancredo Neves, de Brasília para São Paulo onde morreria no dia 21 de abril de 1985.
Os primeiros voos desse repórter levaram à chancela da rádio Eldorado. Conta: “Quando a Rádio Eldorado me convidou, em 1989, para ser o repórter-aéreo aceitei de imediato pelo prazer de voar e ao longo do tempo incorporei em meus boletins de trânsito, curiosidades históricas sobre os bairros e ruas de São Paulo o que tornou meu trabalho diferenciado dos demais repórteres da área. Desde então me especializei nas atividades voltadas à pesquisa histórica e aos assuntos ligados à memória paulista e brasileira”.
sexta-feira, 27 de maio de 2022
EU E MEUS BOTÕES (26)
quinta-feira, 26 de maio de 2022
A DERROCADA DO PASTOR CIRO GOMES
SIVUCA
quarta-feira, 25 de maio de 2022
CULTURA PARA TODOS
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Assis Angelo e Jarbas Mariz |
segunda-feira, 23 de maio de 2022
LIVRO E MÚSICA NA CASA DI FATEL
PALESTRA
Amanhã 24, a partir das 15h, estarei proferindo palestra no espaço cultural Fábrica de Cultura.
domingo, 22 de maio de 2022
RÁDIO: FUTEBOL, NEGRO E MÚSICA (3, FINAL)
No último fim de semana, o jogador do Corinthians chamou de macaco um jogador
do Internacional. O corintiano acusado, Rafael Ramos, português, foi preso em
flagrante e levado à Delegacia para esclarecimentos, foi solto após seu time
pagar fiança.
Lamentável, sob qualquer aspecto. E isso tem origem.
O
professor João Baptista conta no seu livro que os programas de rádio com
auditório atraíam, e ainda atraem, público diverso:
“Tão acentuada é a presença da mulher de cor entre esses frequentadores de auditórios, e é de tal maneira efervescente, barulhento e espetaculoso o seu comportamento, que nos meios radiofônicos tais grupos promocionais são chamados depreciativamente de “macacas de auditório”, numa alusão direta àquelas generalizações populares que procuram identificar características negróides a traços simiescos.”Mas, evidentemente, no geral o rádio representa muito no Brasil.
O artista e apresentador do programa Pintando o 7, Luiz Wilson, diz:
“O Rádio sobreviveu e sobrevive a toda evolução no mundo inteiro. Desde a chegada da Televisão que se popularizou até a chegada da Internet e todas as suas ferramentas até aqui criadas, o Rádio se mantém na liderança como o principal veículo de comunicação.Pois é, apesar de tudo.
Como Radialista, digo que o Rádio é o maior companheiro, sendo a principal razão de que uma vez sendo um meio de comunicação auditivo podemos escutá-lo enquanto realizamos outras atividades, desde os afazeres domésticos às mais variadas funções.”
O rádio continua sendo o meio mais rápido pra se saber o que acontece no mundo. Fora isso, é através dele que os ouvintes tomam posição política ou não. E ainda tem o dado musical, embora esse seja hoje bastante discutível. Falo do gosto. Melhor: do mau gosto. Música de má qualidade. Aliás, só existem dois tipos de música, já dizia o maestro Eleazar de Carvalho (1912-1996), a boa e a má.
Grosso modo, o que é levado ao ar é música de má qualidade, com raríssimas exceções.
Os narradores profissionais de futebol como Fiori Gigliotti e Estevam Sangirardi, deixaram em disco passagens históricas do nosso futebol. Pérolas, na verdade.
Há poucos dias, Carlos Silvio entrevistou uma lenda do rádio paulistano: Salomão Ésper.
VEJA E OUÇA MAIS:
CLAUDIO JUNQUEIRA NO PAIAIPA NA CONECTADOS
•
SÍLVIO MENDES NO PAIAIÁ NA CONECTADOS
•
JÚLIO MEDAGLIA NO PAIAIÁ NA CONECTADOS
•
PAULO CARUSO NO PAIAIÁ CONECTADOS
•
JOSÉ HAMILTON RIBEIRO NO PAIAIÁ NA CONECTADOS
Foto e reproduções: Flor Maria e Anna da Hora.
sábado, 21 de maio de 2022
RÁDIO: FUTEBOL, NEGRO E MÚSICA (2)
Grosso modo, são poucos os profissionais que atuam no setor. Mais brancos do que negros. Mulheres são minoria absoluta, embora haja mulheres já transmitindo jogos. E não só no futebol, no rádio em geral.
O paulista de Santa Cruz do Rio Pardo, professor emérito da USP publicou em 1967 o livro Cor, Profissão e Mobilidade: O Negro e o Rádio de São Paulo, no qual analisa o setor radiofônico, desde os anos de 1950. Lá pras tantas, ele diz:
“Do total de radialistas, 1.854 (83,7%) são homens e 362 (16,3%) são mulheres: destas, 334 (15%) são brancas e apenas 28 (1,2%) são de cor; enquanto no grupo masculino, 1.610 (72,6%) são brancos e 244 (11,4%) são pretos ou mulatos. Observa-se portanto que o número de homens brancos não chega a ser 7 vezes o total de profissionais não-brancos, ao passo que o número de mulheres brancas chega a ser quase 12 vezes o de mulheres de cor. Nota-se, também, que o total de profissionais brancos mal atinge 5 vezes o número de mulheres brancas; já o número de profissionais de cor chega a ser quase 9 vezes superior ao total de mulheres não-brancas.Os dados antigos, dos anos de 1950.
No grupo branco, as 334 mulheres correspondem a 17,6% do total de profissionais; por sua vez no grupo de cor, as 28 mulheres representam 11,4% do total de radialistas com as mesmas características raciais. Estes dados permitem estabelecer a percentagem diferencial entre elementos brancos e de cor, nas diferentes categorias de sexo: dentro do grupo feminino, 92,3% são brancas e 7,7% são de cor. No masculino, 86,8% são brancos e 13,2% são pretos ou mulatos.”
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| Carlos Silvio (esq.) e Salomão Ésper |
Negros famosos no rádio de São Paulo contam-se nos dedos: Moisés da Rocha, que há mais de 30 anos produz e apresenta na rádio USP, uma vez por semana, o programa O Samba Pede Passagem e Maria Júlia Coutinho Portes, a Maju, que apresentava um belíssimo programa de entrevistas, ao vivo, na extinta rádio Globo paulista.
O radialista Carlos Silvio, apresentador do programa Paiaiá na Conectados, reforça a ausência do negro na rádio brasileira. E diz:
"Em várias áreas, o negro ainda tem pouca representatividade. Fato. No mundo do rádio, não é diferente.Pois é, e o problema se agrava. Sempre.
Uma rápida passagem pela memória, não conseguir lembrar, de bate-pronto, se há negros trabalhando no rádio paulistano. Ou há?
Num País mestiço como o Brasil, em que muitas vezes pessoas se identificam como 'moreno' ao invés de negro, a ausência é mais evidente.
Quando morava na Bahia eu ouvia muito as transmissões futebolísticas, pela Rádio Sociedade da Bahia, uma das principais vozes era o narrador Silvio Mendes, um negrão.
Hoje, com 76 anos e narrando futebol pela Rádio Metrópole e Salvador, Mendes diz que vai narrar futebol até os 80 anos.
Mendes simboliza que o negro pode e deve estar em todos os lugares e profissões, sem que haja a necessidade de incluir em qualquer tipo de 'cota'.
Negro, assim como o branco, amarelo, albino ou sei lá o que mais, é capaz"
Frequentemente atletas negros enfrentam xingamentos de torcedores. E não só no Brasil. Na Inglaterra, na França, na Itália… Mais grave: jogador chamando jogador de macaco.
sexta-feira, 20 de maio de 2022
EU E MEUS BOTÕES E TÉO AZEVEDO (25)
LÉXICO CATRUMANO
No próximo domingo 22, a partir das 14h, o poeta e cantador Téo Azevedo vai lançar o livro Léxico Catrumano. O lançamento será no espaço cultural Casa di Fatel. Está todo mundo convidado.
RÁDIO: FUTEBOL, NEGRO E MÚSICA (1)
As primeiras transmissões de jogos de futebol, no Brasil, começaram nos anos de 1930. O compositor e pianista mineiro Ary Barroso, fez a festa. Era flamenguista. História incrível, bonita.
O rádio ganhou muitos bons comentaristas e narradores de futebol. Entre os mais famosos se acham Geraldo José de Almeida, Sílvio Luiz, José Silvério, Luciano do Valle, Oscar Ulisses e seu irmão Osmar Santos.
Muitos profissionais do rádio entraram para a história por gravarem expressões definitivas a respeito dos jogos.
Osmar Santos eternizou-se por expressões como “Ripa na chulipa!”, “Pimba na gorduchinha!”.

José Geraldo de Almeida ficou famoso ao repetir a frase “Linda! Linda! Linda!”.José Silvério, marcou: "E que golaço!"; “Dominou, limpou, bateu”; “No peito e na raça”.
E Luciano do Valle, que já não se acha entre nós, diante de um belo gol dizia: “Golaço-aço!”.
Outro narrador de futebol famoso foi o paulista de Barra Bonita Fiori Giglioti (1928-2006), que começava a transmitir as partidas com a belo frase, alto e bom som: “Abrem-se as cortinas, começa o espetáculo” e, não resistindo a um clima de tensão, repetia: “É fogo, torcida brasileira!”.A propósito acha-se na praça um livro contando sua história: Fiori Gigliotti, o locutor da torcida brasileira.
quinta-feira, 19 de maio de 2022
EU E MEUS BOTÕES (24)
"Toffoli nega abertura de ação de Bolsonaro contra Moraes no STF
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, negou nesta quarta-feira 18 a notícia-crime apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro contra o ministro Alexandre de Moraes por abuso de autoridade. O argumento de Toffoli é de que os fatos descritos na ação proposta por Bolsonaro não trazem indícios de possíveis delitos cometidos por Moraes, relator de investigações que miram o presidente. Também nesta quarta, o presidente entrou com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Moraes".
quarta-feira, 18 de maio de 2022
EU E MEUS BOTÕES (23)
"Nós defendemos o armamento para o cidadão de bem, porque entendemos que a arma de fogo, além de uma segurança pessoal para as famílias ela também é a segurança para a nossa soberania nacional. E a garantia de que a nossa democracia será preservada, não interessam os meios que, porventura, um dia tenhamos que usar. A nossa democracia e a nossa liberdade são inegociáveis, discursou Bolsonaro a apoiadores, o que vocês acham?"
Lampa, sentado num tamborete, olha de baixo pra cima sem mexer músculos. Frio, calculista. E resmunga: "Hmmm... Pura demagogia. Ameaça o povo, ameaça contra a paz. Hmmm... Lá na minha terrinha cabra safado come grama pelo pé por muito menos do que isso. O povo é bom, cabra safado não presta".
Pera, pera! Sou eu falando. Calma, Lampa! Você também está fazendo ameaça!
"Não, Chefe! Não estou fazendo ameaça de nada. Só estou dizendo como é lá na minha terrinha".
Na sua terrinha, Pernambuco, não é assim, não é mais assim. "É!", rebateu Lampa. "Não!", replico.
E nesse é e não é, Zilidoro que estava aparentemente indiferente no seu canto, põe o bedelho: "O negócio, seu Assis, é que esse Bolsonaro realmente está ultrapassando todos os limites. Ele está ameaçando o povo, a paz, a democracia, e por isso precisamos estar sempre atentos. Agora mesmo ele, através de seu advogado, acaba de entrar com uma ação acusando o ministro Alexandre de Morais por abuso de autoridade. É o fim da picada!".
Sim, sei, mas precisamos manter a linha, a calma, porque senão perdemos a razão e aí já viu: nos lascaremos, pois tudo que esse presidente aí quer é pretexto para o golpe que pretende´dar no nosso país.
Zóião me olhou e muito calmamente disse: "Perfeito, seu Assis. Precisamos manter a linha e ficarmos atentos".
Os irmãos Biu e Barrica e os demais presentes perguntaram se eu conheço Pernambuco. Eu disse que sim. E perguntei se alguém ali sabia onde se acha o município de Caruaru. Claro, foi provocação. Pela primeira vez Lampa sorriu assim solto, quase menino: "Conheço, que nem a palma da minha mão. E agora sou eu quem pergunta: Quem sabe aqui quando foi fundado esse município?".
Mané, que continua a nos surpreendendo, levantou a mão e disse logo: "No dia 18 de maio de 1857!".
Palmas gerais. Ambiente descontraído, Zé e Jão entreolham-se e começam a cantar com a ajuda do Youtube:
terça-feira, 17 de maio de 2022
EU E MEUS BOTÕES (22)
"Esse Bolsonaro não tem jeito mesmo, abre a boca só pra dizer besteira", disse Lampa pausadamente enquanto lambia seu inestimável punhalzinho.
"Oxente, quem disse que meu ouvido ouviu foi o Lampa véio de guerra?", indagou surpreso o paraibano Mané.
"Hmmm... Fui eu mesmo!", resmungou irritado o velho pernambucano.
Realmente, o Brasil corre perigo, pessoal. Pois temos um presidente sem noção...
"Outro dia eu ouvi no rádio o artista Jorge Ribbas cantando uma música que dizia que era sua e dele, seu Assis. Essa música eu até já decorei. Mas bom mesmo é ouvir com o Ribbas", contou Jão perguntando: "Alguém aqui quer ouvir essa música?".
Todos disseram que sim, até pra relaxar o clima. E Jão pegou o celular e de repente a música saiu. Essa:
Ao fim, palmas e o elogio que me tocou: "Muito bem, muito bem seu Assis", falou por todos Zoião.
"Pois é, a temperatura está subindo em Brasília e caindo no resto do Brasil", disse Zilidoro claramente, acrescentando: "Bolsonaro está ensaiando um golpe militar a partir do descrédito às urnas que o tempo todo ataca. Isso é temperatura alta, clima tenso, tempo terrível esse que vivemos agora. E o frio pela temperatura ambiental, da natureza, que cobre de chuva de gelo e névoa no Sul, principalmente".
Zilidoro tem razão, "o presidente tem dito muita besteira, mas besteira ameaçadora. Ele está sufocando nosso país e fazendo de tudo para prender a liberdade. Mas presidente também morre...", voltou Lampa falando devagarinho como se estivesse contando palavras.
"Lampa lembrou que presidente também morre porque certamente ouviu em algum lugar um poema do seu Assis que fala disso. E fala mais, fala que um presidente também pode ser preso...", retomou a fala o poeta Zilidoro.
"Pois é, isso mesmo! Ouvi sim! E lembrei disso porque nesse tal poema ele fala que presidente também pode ser preso. E o tal aí, o Bolsonaro, disse que ninguém o prenderá jamais e quem tirará ele da cadeira de presidente só Deus. Hmmm, ele vai ver...".
"Esse Lampa está mesmo surpreendendo. De bobo, tá ficando sabido", alfinetou o bom Mané.
"O pessoal aqui realmente tá ficando de nível, de alto nível. E pra encerrar, vou declamar esse poema do seu Assis. Começa falando de pandemia, de mortes. Agora o número de mortes já passa, no Brasil, dos 665 mil", disse em tom sério o Zilidoro. E abriu a boca:
Já não são quinhentas mortes
Já não são quinhentas mil
A desgraça toma corpo
No coração do Brasil
Não são mortes naturais
As mortes de Silvas e Bragas
São mortes provocadas
Por vírus, pestes e pragas
Praga viva inda mata
Homem, menino e mulher
Mata completamente
Do jeito que o bicho quer
Maldito Coronavírus
Que pega e mata gente
O Brasil está morrendo
Nas garras do presidente
Presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!
segunda-feira, 16 de maio de 2022
TÉO AZEVEDO GANHA MÚSICA DE PRESENTE
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| A dupla Caju & Castanha em estúdio |
domingo, 15 de maio de 2022
O RÁDIO CHEGOU PARA FICAR (2, FINAL)
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| Os comediantes José Vasconcelos e Zé Fidelis |
Zé Fidelis, pseudônimo do paulistano Gino Cortopassi, começou a carreira no programa Cascatinha do Genaro, na antiga rádio Cruzeiro do Sul (SP).
O acreano José Vasconcelos, de batismo José Thomás da Cunha Vasconcellos, começou a fazer gracinhas na rádio Clube do Brasil. Corria o ano de 1942. Marcou época imitando todo mundo, principalmente radialistas e cantores.
Lauro Borges era paulistano, nascido no bairro de Santa Ifigênia.
Castro Barbosa era mineiro, do município de Sabará.
A dupla Lauro e Castro estreou em 1944, na extinta rádio Mayrink Veigas (RJ). O programa mais famoso dos dois foi PRK-30, que chegou a ocupar faixas de LPs.
O rádio como veículo de grande popularidade levou ao trono cantores e cantoras, chamadas reis e rainhas do rádio. Entre esses Chico Alves, Orlando Silva, Cauby Peixoto; Emilinha Borba, Dalva de Oliveira, Marlene, Ângela Maria e Dóris Monteiro.
Os reis e rainhas do rádio eram “eleitos” por votação popular, a partir de cupons extraídos principalmente da Revista do Rádio.
A Revista do Rádio foi criada em 1948 e durou até 1970, quando passou a circular com o título alterado para Revista do Rádio e TV.
Além da Revista do Rádio, outra revista foi criada para registrar os ocorridos no meio radiofônico: Radiolândia, que 10 anos depois passou a intitular-se TV Radiolândia.
Curiosidade: Zé Fidelis arrancou muitas risadas ao fazer o que chamou de transmissões malucas. José Vasconcelos, também. Ótimas as imitações que fez de artistas e radialistas. O LP Eu sou o Espetáculo é impecável.
Quanto a Lauro Borges e Castro Barbosa, é desnecessário dizer que continuam inimitáveis. Ouçam: PRK-30Foi o rádio o veículo que primeiro criou programas de calouros e auditório.
Foi no programa de calouros de Ary Barroso que o pernambucano Luiz Gonzaga apresentou-se pela primeira vez. Foi gongado.
Lugares para participar de programas de auditório da rádio Nacional eram disputadíssimos.
Para melhor entender essa história toda, sugiro que leiam o livro Música Popular: do Gramofone ao Rádio e TV, de José Ramos Tinhorão.
Não custa lembrar que o rádio foi a mídia que registrou grandes momentos da nossa história e personagens como Monteiro Lobato.
Em toda a sua vida, Monteiro Lobato usou os microfones de rádio uma ou duas vezes. A última ao repórter Murilo Antunes Alves (1919-2010), da rádio Record. Corria o ano de 1948. Dois dias depois da entrevista, Lobato morreu.
Os repórteres de rádio continuam dando furo, o que é muito bom para a democracia.
Meu amigo, minha amiga, você sabe quem criou a expressão radialista?
A expressão radialista foi criada pelo paulista de Jundiaí Nicolau Tuma (1911-2006).
Comecei a fazer rádio em João Pessoa, PB. Primeira emissora: Rádio Correio da Paraíba. Em São Paulo fiz as rádios Atual, Mulher, Jovem Pan, Capital e Trianon.
Sexta 6 estive na Trianon, ao lado de Téo Azevedo. Fomos entrevistados por Pedro Nastri. Acompanhe: SARAU DA TRIANO
Domingo 15, ali pelo meio dia, Téo Azevedo e eu estaremos proseando com o cantor, compositor e apresentador Luiz Wilson.
OUÇA:
SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE 2
SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE 3
SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE 4
SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE 5
RAÍZES DO BRASIL
O BRASIL TÁ NA MODA INEZITA BARROSO
O BRASIL TÁ NA MODA PAULO VANZOLINI
Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora
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